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EM

TERREIRO DE UMBANDA
LIVRE – ARBÍTRIO

O ensino dos Espíritos, consubstanciado na Doutrina codificada na segunda


metade do século passado sob a denominação de Espiritismo, além de nos dar a
conceituação precisa do nosso livre-arbítrio, amplia o entendimento a respeito desse
atributo da alma humana.
Nenhum dos aspectos que fazem da Doutrina Espírita a benção consoladora
para a Humanidade deve ser considerado isoladamente e, como tal, apreciado pelos
seus adeptos sinceros e conscientes. Do mesmo modo devem ser a avaliação e o trato
das questões, mesmo que não nos pareçam transcendentes. Todos os aspectos e temas
doutrinários devem ser tratados de idêntica maneira, o que não importa dizer que cada
seguidor não sinta uma inclinação mais acentuada para esse ou aquele aspecto da
Doutrina. O que não é admissível é a descaracterização do todo pela prevalência parcial
de uma de suas feições.
Os hermeneutas(1) das ordenações elaboradas pelos homens aconselham, com
prudência, que a interpretação de um dispositivo legal não deve ser procedida
isoladamente, mas em função do conjunto de normas e em harmonia com as mesmas.
De igual modo, a Doutrina trazida pelos Espíritos e sabiamente codificada não pode nem
deve ser entendida e apreciada parcialmente e muito menos que se pretenda que uns
dos caracteres cientificam filosóficos ou religiosos se sobreponha aos outros ou, ainda
muito mais grave, que ate exclua os demais, como, às vezes, em mentes desavisadas
encontra guarida e costuma ocorrer.
O Espiritismo, como sobejamente se sabe e se repete, e uma Doutrina de
natureza filosófica, cientifica e religiosa. Sua filosofia é própria, peculiar e inconfundível
e, como tal, não pode ser mutilada. Pôr sua vez, o caráter cientifico dessa Doutrina,
além de não se distanciar dos conhecimentos tradicionais decorrentes do progresso
humano, estende esses conhecimentos além da matéria densa, para lá do túmulo, para
a vida que se desdobra após a morte do corpo. Desvenda a Ciência Espirita um Mundo
ainda mais real porque nos mostra que a vida não cessa e que a alma é imortal. Mas, a
feição religiosa dessa majestosa Doutrina nos atuais estágios evolutivos do Planeta,
configura-se de inefável(2) valor, dada a grande necessidade do nosso progresso moral.

1 Pessoa versada na arte de interpretar os livros sagrados e, pôr extensão, qualquer texto antigo; interpretação do sentido das palavras ou
das leis.
2 Inexplicável, indizível
1
Daí decorre a integral adoção da Doutrina de JESUS, assimilando-a inteiramente e
tornando o Espiritismo, desse modo, a sublime Religião CRISTÃ-ESPÍRITA, para a
redenção humana.
Pôr outro lado, com referência aos temas ordenados na Codificação Espírita,
pôr falta de sensatez e fartura de incontida e indisfarçada vaidade, deparamos, muitas
vezes, com atitudes e pronunciamentos discordantes dos princípios espíritas, em
militantes do próprio Movimento. É o que acontece pôr exemplo, com referência ao
livre-arbítrio e a liberdade de expressão do pensamento. Embora constituam franquias
inerentes ao ser humano, esses atributos, contudo, não são absolutos e ilimitados. Aos
que entendem que o são, falta-lhes bom senso e sobejam-1hes orgulho e vaidade,
mesmo quando não são carentes de preparo e de inteligência.
A Doutrina Espírita não impõe sua sabedoria e beleza aos seus seguidores: ela
expõe com base em sua magnitude e sua origem.
Portanto, pretender desvirtuar e traçar rumos novos são tentativas vãs que
esbarram logo na incompetência de seus autores e na improcedência de suas
pretensões. Valem-se, justamente, da liberdade que a Doutrina faculta, de exame de
seus postulados, com o uso da razão. Ela não necessita de novos rumos nem insta
ninguém a ingressar em suas fileiras. Simplesmente, convida as pessoas que tem a
ventura de aproximar-se dela para conhecerem a verdade que as liberta.
Entendem alguns que o livre-arbítrio e a liberdade não podem sofrer restrições
e limitações. A nossa inteligência ainda não esta habilitada para absorver a inteira
sabedoria das leis divinas. Mas, a simples observação dos princípios naturais nos dá
alguma ideia das limitações do ser humano em face das leis e da grandeza do Universo.
Um pássaro dispõe de asas e de liberdade para voos aparentemente ilimitados. Mas
sabemos que não pode ir além de determinada altitude. Também o homem, no uso de
seu livre-arbítrio, não pode praticar determinados atos. É contido quando tenta. Do
mesmo modo o Espírito, liberto do corpo físico, não dispõe livremente de sua vontade.
As leis e as organizações humanas não permitem que as pessoas usem da liberdade e da
via pública para cometerem tropelias(3) de toda ordem. Assim, também, os Espíritos
muito endividados e cujos atos os aproximam da natureza primitiva dos animais são
contidos, no espaço, e impedidos de praticar certas ações, tolhidos, temporariamente,
do pleno exercício do livre-arbítrio, em estrita conformidade com as leis divinas e em
perfeita consonância, pois, com a razão. 0 comportamento não pode ultrapassar
determinados limites, embora seja ilimitada a liberdade de pensar.
A liberdade de que se utilizam certas pessoas para distorcer os ensinamentos
dos Espíritos, prática que, não raras vezes, constatamos não as isenta de implicação em

3 Efeito de tropel, balbúrdia, bagunça


2
falta grave. Em nome do princípio de liberdade da prática religiosa ou da expressão de
pensamento, não podem induzir os outros a erro, mormente quando dispõem de
tribunas, meios de comunicação e instrução com que não podem contar seus
semelhantes. Os espíritas sinceros, mesmo aqueles que não tiveram acesso à instrução,
devem estar atentos a todas aquelas pregações feitas em nome do Espiritismo, mas que
não estejam de acordo e em consonância com o ensino dos Espíritos. Não podemos dar
guarida a tais distorções, preservando, pois, a simplicidade e a pureza da Doutrina e
evitando o que ocorreu com a Revelação Cristã, tantas vezes desvirtuada e ultrajada no
curso do tempo.
Conforme nos ensina “O Livro dos Espíritos”.
A resposta dada à questão 133;
O Espírito é criado “simples e ignorante”
A resposta à questão 843 do aludido livro;
”lhe é outorgado o livre-arbítrio”
Donde se conclui que o bom ou mau uso que dessa outorga se faz decorre da maior ou
menor evolução do Espírito. Ora, todos aqueles que pretendem modificar o
ensinamento dos Espíritos ou estão imbuídos de má-fé ou se julgam superiores aos
Espíritos que nos trouxeram a Nova Revelação e, se julgam superiores, antes tem que
comprová-lo com suas obras, na construção do bem.
Há, pois, pessoas que, movidas pôr excessivo orgulho e desmedida vaidade,
fomentam discórdias, dissonâncias e dissensões(4) nas instituições, nos Centros e
Grupos Espíritas e podem dificultar e retardar o progresso do seu semelhante. Mas,
nesta ou noutra vida, vão responder pelos danos e prejuízos causados aos outros.
Assim, tal qual se verifica com a fisionomia humana, a atitude religiosa da
criatura é de variada espécie. Há aquela que se opõe a nossa crença com intolerância
maior ou menor, a intransigente, a indiferente, a concordante, a discordante, etc. Na
abrangência especificamente espírita, a atitude também varia. Há os que somente
aceitam e julga bela a filosofia espírita, os que imaginam que a Doutrina é
eminentemente científica, há os místicos, os que se limitam a forma, os que se
restringem a conhecer sem praticar, os que praticam de um lado e desmentem de
outro, mas, felizmente, há considerável número de criaturas que não alardeiam
conhecimentos, silenciam, trabalham, doam amor e fraternidade, sempre prontas a
ouvir e ajudar, com humildade e dedicação, fiéis à Doutrina porque a absorvem e são
bem assistidas pelos Espíritos. Pôr isso mesmo o Espiritismo está integrado em suas
vidas. Afastam-se de discussões estéreis e ficam atentas a qualquer oportunidade de

4 Desarmonia, divergência
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aprender. Amar e aprender são o lema dessas criaturas, que estão sempre nos
ensinando a amar com seus comportamentos, obras e exemplos.
Tem, pois, a criatura ampla liberdade de agir, e de pensar, mas a sua evolução,
as conquistas, as alegrias e felicidade futuras ficam condicionadas ao seu aprendizado,
ao bem que proporciona e ao amor dedicado a seu semelhante, também caminhante da
longa estrada humana.

UMBANDA E SEUS CABOCLOS

Umbanda, religião e ciência, absorção das vibrações cósmicas que atuam sobre
a natureza. Congregação de Entidades que se apresentam em formas diversas,
espargindo o bem, a necessária ajuda ao ser humano. Dentre os Protetores que se
agrupam em Falanges, uma se destaca notadamente pela pujança, vigor e por que não
dizer, pela presteza com que se apresenta auxílio aos necessitados: a Falange dos
Caboclos.
Originariamente, a palavra caboclo, significa mestiço de branco com índio, mas,
em nossa percepção umbandista, nos referimos aos indígenas que em épocas remotas
habitaram diversas partes de nosso planeta, numa civilização aparentemente primitiva,
mas na realidade de grande sabedoria. Remontando ao passado, verificamos que tudo
começou no dia 12 de outubro de 1942, quando Cristóvão Colombo chegou a Ilha de
São Salvador e lá encontrando seus habitantes, deu-lhes o nome de "índios". Daquele
momento até a presente data, muitas coisas aconteceram desde a catequização iniciada
naquela oportunidade, principalmente com as tribos TAINOS E ARAWAK, cujos alguns
elementos foram levados para a Espanha, até meados do século passado, quando se
processaram dentro do Espiritismo as primeiras manifestações espirituais, atribuídas
por diversos autores a índios peles-vermelhas que ainda num primitivismo procuraram
uma comunicação, através de pancadas e ruídos, até então não identificados, Todavia,
foi no Brasil que estes espíritos indígenas, de diferentes posições geográficas,
encontraram, dentro de uma Espiritualidade, a verdadeira oportunidade de evoluírem,
cada vez mais, através do auxílio prestado a nós, seres carentes de ajuda. No Brasil sim,
porque é em nosso País que se pratica a Religião do século XXI, ou seja, a Religião do
Futuro, a Umbanda. Todos sabem que a Umbanda tem a sua origem nos cultos afros
trazidos para o nosso continente, principalmente pelos escravos que aqui aportaram.
Todavia, nestes mesmos "cultos afros" não encontramos a presença dos Caboclos e
Pretos Velhos, Falanges de Espíritos que somente se apresentaram e se incorporaram
como parte importantíssima à Umbanda. Portanto, Caboclos e Pretos Velhos fazem
parte da "Umbanda Brasileira".

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Nos Templos Umbandistas, nos Centros, nos Terreiros, a caridade praticada
pelas Falanges acima citadas é incomensurável. É de se salientar, porém, que a
Umbanda, Religião e Ciência, são praticadas somente no Brasil e, assim sendo, agrupou
espíritos que, embora em suas encarnações tenham vivido em outros países,
espiritualmente se identificam perfeitamente na vibração, no modo de vida quando
encarnados. Assim, nas Falanges diversas de Caboclos encontramos não só os índios
que habitam o nosso Brasil, mas também os que viveram nos Estados Unidos da
América do Norte, os Astecas e Maias na América Central, os Incas no Peru, e demais
indígenas que povoaram a América do Sul.
Falar-se em Caboclo, na Umbanda, é fazer-se menção a todos eles, que com
denominações diversas, atuam em nossos Terreiros e que, com humildade, como muito
bem recomenda a Espiritualidade, se omite em detalhes referentes às suas vidas
quando encarnados, deixando-nos ávidos por conhecermos seus feitos,
surpreendendo-nos, muitas vezes, por captarmos entre linhas que, aquele humilde
caboclo que hoje se apresenta até nós, tenha sido um Cacique de grande porte ou pagé
praticante de uma alquimia, que nada fica devendo à química moderna, iremos nos
reportar a diversas tribos que existiram e desapareceram num confronto com a
evolução dos tempos, com o mundo moderno do homem branco, procurando analisar,
dentro das limitações, a presença desses espíritos, hoje, em nossa Umbanda.
Okê Caboclo!
Babalorixá PAULO NEWTON DE ALMEIDA - Templo Umbandista A Caminho da Luz

PARTE ESPIRITUAL
As principais autoridades umbandistas são os pais-de-santo ou mães-de-santo
ou madrinhas, que incorporam as entidades, zelam pela manutenção da doutrina e
presidem as sessões realizadas no terreiro (o templo).
Abaixo deles estão os pais e mães pequenos, filhos ou filhas-de-santo, que
também são médiuns. Há ainda os auxiliares de culto, que ajudam a organizar o terreiro
e assessoram os pais-de-santo e médiuns de incorporação durante as sessões.
Os auxiliares mais conhecidos são:
Cambones:
São os médiuns que cuidam do orixá, servindo suas bebidas, comidas, o cigarro
ou charuto, suas vestes, escrevendo para ele, enfim auxiliando em todo o trabalho, sem
dúvida alguma, o médium mais difícil de doutrinar (aprender), por que ele deve
conhecer como é cada orixá, saber o que cada orixá como, o que bebe saber servir
enfim é uma arte.
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Ogan:
Os ogans são os responsáveis pela "puxada" dos pontos do terreiro, devem ser
detentores da sabedoria e reconhecer qual ponto deve ser puxado para qual entidade, à
parte que deve ser mais difícil é não saber o que, mas sim o "quando", deve no mínimo
conhecer sete pontos de cada entidade e de cada momento (pontos de abertura,
saudações, pontos de bater cabeça, etc).
Tabaqueiros:
Os tabaqueiros são os responsáveis pela curimbas junto com o Ogan, ou seja,
pelo toque dos atabaques, um toque diferente pode comprometer qualquer trabalho e
ainda ser responsável pelo cruzamento da linha com o candomblé, é muito importante
o entrosamento com o Ogan, uma vez que dependem dele para saber o ponto que será
puxado e assim poder dar o toque, também devem saber quando, como e porque de
cada toque, repique, etc.; devem cuidar dos atabaques, pois só eles sabem quando ou
não deve ser passado o azeite de dendê, se não houver nenhum tabaqueiro que saiba
cuidar então cabe ao chefe do terreiro (pai/mãe de santo ou entidade espiritual) passar
essa incumbência a um médium.

PARTE BUROCRÁTICA
Aqui temos como um terreiro é organizado segundo a sociedade.
Em primeiro lugar vem o presidente, vice-presidente, secretários, tesoureiros,
fiscais, auxiliares e sócios.
O presidente, vice-presidente não necessariamente devem estar a par dos
rituais de umbanda, mas deve estar ciente sobre os deveres de um terreiro junto à
sociedade e ao governo.
Os fiscais e auxiliares estão no terreiro para ajudar e auxiliar a entrada e saída
das pessoas, informando sobre onde ficar se pode fumar o local da cantina (se existir),
etc.
Todas as atribuições de cargos estão contempladas em respectivos estatutos.
Além disso, há terreiros que os sócios (membros) contribuem com
mensalidades para o bom funcionamento destes.
O terreiro tem suas obrigações quanto ao governo municipal e federal,
pagando taxas e impostos.
Além disso, devem ser associados a uma federação espírita existente em sua
cidade ou região.
As federações, confederações e associações brindam os centros filiados com
assistência jurídica (por exemplo, quando há infração sobre liberdade de culto), ou em
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ocasiões de uma festa (homenagem a orixá) é de responsabilidade de a federação
organizar para que todos os terreiros filiados possam participar.

PREPARAÇAO PARA O DIA DOS TRABALHOS ESPIRITUAIS


Os médiuns, para bem atenderem em seus trabalhos, devem observar as
seguintes recomendações:
Fazer exercícios respiratórios, se possível, de manhã e perto de campos e
matas (parques), a fim de fortalecer-se com a captação de fluídos e de melhor
oxigenação do cérebro, muito bom para a saúde.
Orar sempre, a fim de ficar em contato com Deus, pedindo-lhe o
fortalecimento de seus guias espirituais, o perdão de seus erros, a proteção para os
trabalhos e prática da caridade.
Ler, nas horas de folga, um livro instrutivo e positivo sobre Umbanda,
Espiritismo, Evangelização, Novo Testamento, ou qualquer livro que traga noções
morais e espirituais, reeducando, assim, o próprio espírito.
Fazer tudo para ter um dia calmo, sem aborrecimentos, sem problemas que lhe
afetem o humor e os nervos, sem discussões com outras pessoas.
Evite discussões e aborrecimentos fúteis, procure trazer a paz para que ela te
acompanhe, preparando-se durante o dia para realizar bons trabalhos mais tarde no
terreiro, para dispor então de boa concentração.
Se as sessões forem à noite, deve-se comer moderadamente no jantar, dando
preferencia as saladas e outros alimentos leves, para facilitar a incorporação dos guias e
protetores.
Nos dias de sessão, abster-se de carne se possível, além de ser um alimento
pesado esta diminui o magnetismo orgânico, enfraquece o teor vibratório e desgasta
energias vitais, dificultando as incorporações; se preferir substitua a carne por peixe.
Não use, nem abuse de bebidas alcoólicas (certos terreiros proíbem
terminantemente que os médiuns ingiram bebidas alcoólicas e venham para os
trabalhos) a pretexto de aperitivo ou qualquer outra desculpa, a fim de não atrair
entidades viciadas para perto de si.
Deve-se também, fumar o menos possível.
Sempre que puder, visite e auxilie os necessitados ou pessoas com problemas,
levando-lhe uma palavra de conforto e carinho. Às vezes, a presença do médium, junto
a um enfermo, pode ajudar na cura e ao médium pode reforçar sua força e sua fé.
O médium que estiver doente é de bom senso que não trabalhe nas sessões. Se
sentir-se deprimido, fraco, debilitado ou com esgotamento nervoso deve comparecer
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aos trabalhos e tomar passes para reativar a virtualização, mas nunca dê passes nesse
dia.
A força de seus trabalhos em benefício dos irmãos depende do seu amor a eles.
O lema a ser adotado é "Amar e perdoar; aprender e servir".

A CONDUTA NOS TEMPLOS UMBANDISTAS


O sucesso dos trabalhos efetuados em uma sessão espiritual depende, em
grande parte, da concentração e da postura de médiuns e assistentes presentes.
Os templos umbandistas são locais sagrados, especialmente preparados para
atividades espirituais, e que têm sobre seus espaços uma cúpula espiritual responsável
pelas diretrizes básicas de amparo, orientação e segurança daqueles que, ou buscam ali
a solução ou o abrandamento de seus males, ou dos que emprestam sua estrutura física
para servirem de veículos à prática da caridade.
Apesar disto, alguns participantes julgam que, por tratar-se de culto de
invocação, não se deve dar a devida atenção e respeito, sendo tais virtudes ausentes
nestes indivíduos. Respeito, palavra que muitos bradam quando são contrariados, mas
que cai no esquecimento daqueles que muito ofendem.
Temos visto, para nossa tristeza, que alguns dirigentes de terreiros deixam
muito a desejar no que se refere ao assunto em pauta. Permitem que pessoas de má
índole façam parte de seu quadro mediúnico; permitem aconchegos e conchavos; são
muito tolerantes ao permitirem ingressar no salão de trabalhos pessoas com trajes
incompatíveis com o que se realiza ou pretenda realizar. Permitem conversas paralelas,
algazarras, exibicionismos, bajulações etc., esquecendo-se que tais comportamentos
atraem e "alimentam" os kiumbas desqualificados, que, aproveitando-se das vibrações
negativas emanadas por estas pessoas, desarmonizam e quebram a esfera fluídica
positiva, comprometendo assim os trabalhos assistenciais.
Devemos lembrar que o silêncio e a pureza de pensamentos são essenciais ao
exercício da fé.
Temos observado também que alguns assistentes, e mesmo alguns médiuns,
dirigirem-se desrespeitosamente aos espíritos trabalhadores. Debocham de suas
características e duvidam de sua eficiência. Entretanto, quando passam por uma série
de sofrimentos físicos e espirituais, tendo recorrido inclusive a médicos, sem êxito,
recorrem àqueles mesmos espíritos que outrora foram alvos de sua indiferença.
Restabelecidos, atribuem sua melhora ao acaso.
Que Deus na sua infinita misericórdia, abra estes os corações brutos à
preciosidade dos trabalhos de Umbanda.
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Devem, médiuns e assistentes, observar o silêncio e o pensamento em
situações ou coisas que representem fluídos do bem. Este procedimento tem como
consequência à irmanação energética com os espíritos, decorrendo daí o
derramamento sobre o terreiro do elixir etéreo da paz e da fraternidade.
O que se consegue do mundo astral é, antes de tudo, fruto da bondade e do
merecimento de cada um.
A conduta reta e positiva deve ser a tônica em uma agremiação umbandista,
para que os Guias e Protetores possam instalar no mental e no coração de cada
participante, uma semente de bondade, amor e proteção. A homogeneidade de
pensamentos é instrumento de poder do ser humano, rumo à concretização de seus
desejos, sendo fundamental que se apresentem límpidos e sinceros em uma Casa de
Umbanda.

A DEFUMAÇÃO NA UMBANDA
INTRODUÇÃO
Os antigos sábios eram muito cautelosos e minuciosos em relação aos rituais,
na preparação do ambiente, dos elementos de concordância, do incenso e dos
ingredientes apropriados que tenham relação com o astro que rege o dia, com os
aromas que interfiram na nossa aura e com o meio ambiente em que vivemos.
Os incensos, usados de maneira correta, criam uma atmosfera no ambiente, de
energia, equilíbrio e harmonia, que ajuda o ser humano a sintonizar mais facilmente
com os planos superiores.
Como ainda hoje acontece, em épocas passadas o incenso era usado para
quatro finalidades:
(Um) Para Agradar aos Deuses:
Acreditava-se que o cheiro agradável e aromático que o próprio homem sentia
agradaria aos deuses ou à divindade.
Vamos chamá-lo de função de oferenda do incenso.
(Dois) Meio de Oração:
O incenso era visto como um meio para a oração.
Acreditava-se que a fumaça ascendente levaria aos deuses as petições
daqueles que queimavam o incenso. Por causa de seu cheiro agradável acreditava-se
que deveria ser um meio ao quais os deuses não podiam se fechar.
(Três) Meio de Neutralização:
O incenso era queimado para mascarar ou neutralizar o mau cheiro oriundo de
imolações (animais e outros materiais).
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Pela mesma razão também era usado nos funerais.
(Quatro) Meio de Influência Inter-Humana:
O aroma e as vibrações do incenso sintonizam aquele que o queima com uma
determinada finalidade ou dão um determinado estado de ânimo às diversas pessoas
que se encontram no ambiente onde o incenso é queimado.
O aroma e as vibrações despertam em todas as pessoas determinadas
sensações e lembrança e sintonizam a psique e a mente com certos objetivos.

O USO DO INCENSO NAS ANTIGUIDADES


(HISTÓRICO)
Entre os Hebreus (com referência no Velho Testamento) o uso do incenso teve
desde a antiguidade um sentido de purificação e proteção.
Para os egípcios ele constituía uma forma de manifestação da divindade. No
culto dos mortos via-se no uso do incenso um guia para a vida do além.
A partir do momento em que o incenso começou a entrar nos rituais,
provavelmente inspirados pelos babilônios, conquistou um papel cada vez mais
importante na adoração de Deus.
Aos poucos, no contexto de uma religiosidade mais espiritual, o incenso
tornou-se símbolo da oração que se eleva a Deus, significando também a adoração
prestada aos deuses.
No judaísmo o incenso era símbolo da adoração e do sacrifício. O odor do
incenso devia servir também para aplacar a ira de Javé. De modo geral, o incenso
constitui um símbolo de adoração e de veneração a Deus. O sacrifício do incenso e a
adoração identificam, sendo ambos um sacrifício a Deus.
Existem numerosas referências contidas no Antigo Testamento a respeito do
incenso fazem supor que também entre os hebreus daquela época o uso do incenso era
tradicional.
Hoje os cientistas são unânimes em dizer que era apenas em torno do século
VII antes de Cristo que os judeus incorporaram o incenso em seus rituais.
Inicialmente, o incenso constava poucos ingredientes - óleo de mirra, gálbano e
olíbano puro. Seu preparo era reservado aos sacerdotes e acontecia de uma maneira
sublime e secreta.
Eis as medidas passadas por Deus a Moisés segundo a Bíblia (Velho
Testamento):
Êxodo 30:34 - Disse mais o Senhor a Moisés:

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Toma especiarias aromáticas: estoraque, onicha e gálbano, especiarias
aromáticas com incenso puro; de cada uma delas tomarás peso igual; 35 e disto farás
incenso, um perfume segundo a arte do perfumista, temperado com sal, puro e santo;
36 e uma parte dele reduzirão a pó e o porás diante do testemunho, na tenda da
revelação aonde eu virei a ti; coisa santíssima vos será;37 e Ora, o incenso que fareis
conforme essa composição não o fará para vós mesmos; santo vos será para o Senhor.
Queimava-se incenso durante os sacrifícios e quando amadureciam as
primeiras frutas.
Além do mais, era queimado, independentemente de tais acontecimentos
externos, de manhã e à noite sobre um altar especial, ou num turíbulo especial.
Grandes doses de incenso aromático também eram usadas para a purificação
das mulheres.
No Egito dos faraós eram mestres no preparo e uso dos incensos. O mais
famoso de todos os incensos egípcios é o kyfi.
O historiador romano Plutarco escreveu as seguintes palavras sobre o kyfi do
Egito Antigo:
“Os ingredientes de kyfi proporcionam-nos bem estar à noite”.
“Kyfi é capaz de acolher as pessoas, pode provocar sonhos e fazer esquecer as
preocupações cotidianas, dando calma e serenidade a todos que o inalam.”
A mistura dos ingredientes de kyfi era preparada durante um ritual secreto
acompanhado do canto de textos sagrados.
Seu preparo exigia um ritual especial, extremamente secreto no templo.
O efeito misterioso do kyfi consistia em gerar um estado de ordem e harmonia.
No antigo Egito, a queima de incenso era uma parte importante em todos os
rituais, já que a cada um dos ingredientes dos diversos tipos de incenso eram atribuídas
características mágicas e místicas específicas.
Além disso, os egípcios queimavam incenso para, durante suas práticas
médicas, expulsar demônios, considerados responsáveis por determinadas doenças.
Até onde sabemos hoje, os egípcios tradicionalmente preparam o kyfi.
A antiguidade grega, apenas um cientista defende a teoria de que o incenso
teria chegado aos gregos através do culto a Afrodite, tendo em vista que na Fenícia e
em Chipre tradicionalmente se queimava incenso no culto dessa deusa.
Posteriormente, os gregos importaram o incenso da Arábia, como um produto
comercial.
À semelhança do costume de outros povos, os gregos também queimavam
incenso quando faziam imolações, tanto como oferenda independentemente aos
deuses quanto como um meio para neutralizar e purificar o cheiro ruim das imolações.

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A oferenda de incenso era feita em combinações com frutas, pão, trigo e
outros alimentos, ou era oferecida isoladamente em cultos para os deuses ou em rituais
domésticos.
O incenso também era dado como presente a outras pessoas.
Às vezes, o incenso era jogado sobre o altar de oferendas de modo que seus
aromas pudessem se misturar com a fumaça do sacrifício ou às vezes de uma imolação.
Queimava-se também incenso fora dos templos.
Os gregos conheciam os incensários que podiam ser segurados na mão. Através
de hinos antigos da Grécia, sabemos ainda que no culto de Orfeu eram usados muitos
tipos de incenso.
Os romanos, na religião oficial considerava-se como a oferenda sangrenta mais
importante o oferecimento de TUS, que designava tanto o incenso em geral quanto a
goma-resina (olíbano) em especial.
Um ritual era considerado incompleto se não fosse usado o TUS.
Também os deuses da casa recebiam sua porção incensos.
Nos altares maiores, era queimado sobre braseiros ou sobre pequenos altares
portáteis (foci turibulum).
O incenso era transportado e armazenado numa caixinha chamada acerrra, que
se enterrava nos túmulos junto com os mortos.
Nos casos de imolações queimava-se uma mistura de incenso, açafrão e louro.
Na época das grandes perseguições dos cristãos pelo imperador Décio, cerca de
250 depois de Cristo, a queima de incenso, era o que o cristão podia provar sua lealdade
diante do Estado, e, portanto, diante da religião do Estado.
Era costume também queimar incenso diante de "retratos ou esculturas" do
imperador ou até mesmo diante de sua presença.
O Hindu poderia considerar o hinduísmo um dos baluartes do uso do incenso.
Os hindus foram ávidos por aromas e na Antiguidade Clássica, já foram
famosos por seus perfumes.
Os hindus queimava incenso pelos mesmos motivos que já vimos, entre os
gregos e os romanos, ou seja, de modo ritualístico em público ou no ambiente da casa.
Nessa mesma tradição enquadra-se também a vidente indiana que durante as
sessões tenta despertar sua inspiração com a ajuda de plantas e árvores sagradas.
No hinduísmo moderno, o uso do incenso está amplamente difundido.
Assim no culto em homenagem a Shiva diante da pedra orissa quanto das
estátuas de Krishna se queima cânfora e incenso.
Cristianismo os ritos da Igreja Cristã, o incenso foi introduzido de forma
paulatina.

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Os cultos da igreja primitiva tinham um caráter simples e, com exceção de
finalidades de simples purificação, o incenso era evitado, pois era visto como elemento
de origem judaica ou pagã.
O uso do incenso parece evidente para fins cerimoniais não era mais novidade
entre os anos de 385 e 388, mas, ao contrário, já havia se tornado tradição.
É praticamente certo que o uso do incenso pelos cristãos remete ao
estabelecimento oficial da Igreja de Constantino.
Muitas autoridades eclesiásticas afirmam que a ausência de incenso nas listas
dos inventários decorre do fato de que nos primeiros trezentos anos depois da época
dos apóstolos simplesmente não se usavam incenso nas igrejas.
Depois do século V, o uso do incenso foi pouco a pouco se estendendo cada vez
mais na Igreja.
Desse modo, no século XIV, o incenso já era uma parte indispensável dentro da
Missa e de outros cultos religiosos, como as vésperas, a consagração de igrejas e as
procissões e funerais.
O fato de que o uso do incenso remetia aos judeus e/ou ao paganismo podem
de fato, ter causado a resistência ao incenso dos primeiros cristãos.
Não obstante, o incenso era efetivamente usado naquela época para fins de
purificação.
A receita do incenso mais antiga que conhecemos por tradição está contida no
livro de Êxodo, do Antigo Testamento (capítulo 30, versículo 34).
E por fim, o incenso fazia parte também dos presentes que os Três Reis Magos
do Oriente trouxeram ao menino Jesus recém-nascido (Mateus 2:11 - E entrando na
casa, viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os
seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra).

OS TURÍBULOS E ALTARES DE DEFUMAÇÃO


O incenso feito em casa, via de regra, terá forma de granulado e, por isso, não
pode ser queimado da mesma maneira como, por exemplo, os tabletes que queimam
sobre um prato ou uma base de pedra.
Em principio, basta uma simples tigela ou recipiente metálico para queimar
esse tipo de incenso (granulado), desde que tome as medidas necessárias para se evitar
um calor excessivo e possivelmente um incêndio.
Nesse caso, recomendamos o uso de um turíbulo.

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TURÍBULO
Recipiente de metal usado para queimar o incenso.
Os turíbulos podem ser feitos de cobre, aço, ferro ou
mesmo alumínio.
Todos funcionam perfeitamente e são excelentes matérias
primas.
Na Umbanda, usam-se nas giras ou sessões públicas, o
turíbulo como na figura.
Para queimar as ervas usam-se normalmente o carvão
vegetal, outros podem ainda usar areia.
Via de regra, isso depende de cada terreiro.
Lembrando sempre que o carvão vegetal deve estar em
brasa e nunca em chamas.
Quando se observa atentamente alguém defumando num
turíbulo, notará que essa pessoa levanta e abaixa a tampa
do recipiente com movimentos rítmicos para manter
acesso o carvão vegetal.
Dessa maneira, o oxigênio do recipiente é renovado
constantemente.
A quantidade de incenso que queira queimar deve ser proporcional ao
tamanho da sala e ao número de pessoas presentes.
Para isso somente através da experimentação que irá descobrir a quantidade
certa.
No caso da defumação, é melhor pecar pela escassez, pois assim poderá ir
adicionando um pouco mais conforme a fumaça for diminuindo, do que acrescentar e
sufocar pelo excesso (e isso pode ser até perigoso).

O ALTAR
A construção de um altar foi uma das primeiras tarefas que Deus incumbiu os
judeus de acordo com o que é narrado no livro de Êxodo - capítulo 30 versículos 1 ao 9:
“1 - Farás um altar para queimar o incenso; de madeira de acácia o farás."
“2- O seu comprimento será de um côvado, e a sua largura de um côvado; será
quadrado; e de dois côvados será a sua altura; as suas pontas formarão uma só peça
com ele."
“3 - De ouro puro o cobrirás, tanto a face superior como as suas paredes ao
redor, e as suas pontas; e lhe farás uma moldura de ouro ao redor."
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“4 - Também lhe farás duas argolas de ouro debaixo da sua moldura; nos dois
cantos de ambos os lados às farás; e elas servirão de lugares para os varais com que o
altar será levado."
“5 - Farás também os varais de madeira de acácia e os cobrirás de ouro."
“6 - E porás o altar diante do véu que está junto à arca do testemunho, diante
do propiciatório, que se acha sobre o testemunho, aonde eu virei a ti."
“7 - E Arão queimará sobre ele o incenso das especiarias; cada manhã, quando
puserem em ordem as lâmpadas, o queimará."
“8 - Também quando acender as lâmpadas à tardinha, o queimará; este será
incenso perpétuo perante o Senhor pelas vossas gerações."
“9 - Não oferecereis sobre ele incenso estranho, nem holocausto, nem oferta
de cereais; nem tampouco derramareis sobre ele ofertas de libação."

A origem etimológica da palavra ALTAR é a palavra do latim "ALTUS" que


significa ELEVADO ou ALTO.
Habitualmente remetia a um lugar elevado ou à superfície de uma mesa (ou
prateleira) mais elevada (acima da cabeça).
Nos centros e terreiros umbandistas, o turíbulo pode ser dependurado em um
lugar de acesso, onde as pessoas que frequentam a sessão obrigatoriamente teriam que
passar.
Pode ser um corredor, por exemplo, onde as pessoas passariam para entrar no
salão do centro.
Ao passar, pelo turíbulo dependurado no alto, a fumaça os defumaria, uma vez
que a sessão da defumação já teria passado.

SAIBA MAIS

O molde deste turíbulo, por exemplo, datado no


Egito pelos séculos VIII a IX D.C. em liga de cobre
tem cenas em relevo do Novo Testamento e é
um bom exemplo de uma classe de turíbulos
similares que talvez tenham sido manufaturados
na Terra Santa.
O tema sugere que este turíbulo tenha sido
usado numa igreja primitiva.

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NO RITUAL DE UMBANDA
Existem muitas formas de se defumar um terreiro de Umbanda.
Podem ser usados os turíbulos para as sessões (giras) ou então os tabletes
(aqueles triângulos vendidos em caixinhas) para defumação de sessões para
atendimento pessoal (consulta fora dos dias de gira).
Aqui exemplificamos dois tipos de ritual para defumação:

01- Primeiro se defuma o congar; 02 - atabaques e seus curimbeiros; 03- cruza


o terreiro, saindo do canto esquerdo do terreiro para o canto direito; Logo em seguida
do canto direito, para o canto esquerdo; Depois se defuma os médiuns*, que podem
ficar em seus lugares. Ou podem se deslocar até o centro, onde está o Chefe do
Terreiro. 04 - defumam-se as pessoas que vieram ao centro; 05 - Mãe/Pai de Santo.
*Os médiuns devem esperar a defumação antes de colocarem suas guias.
Ou seja, devem aguardar descarregar as guias pela defumação antes de
colocarem no pescoço.
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Outro tipo de ritual, também encontrado em terreiros de Umbanda mais
ligados a linha do Kardecismo, podemos encontrar uma defumação da seguinte forma:

01 - Primeiro defuma-se o congar; 02 - Mãe/Pai de Santo; 03 - os atabaques e


seus curimbeiros; 04 - médiuns; 05 - o público, que pode adentrar ao círculo até o
centro do Terreiro ou então aguardar em seu lugar onde de fileira em fileira será
passado o turíbulo para defumar. Em geral a defumação na Umbanda limpa o terreiro e
prepara a todos para receber a caridade. A defumação é sempre acompanhada de
pontos cantados específicos para defumação.

CURIMBAS
Nós sabemos muito bem, que é um tabu e que até certo ponto o aceitamos, de
puxar curimbas de Ogum antes e depois da incorporação de Exú.
Criou-se então o processo (que adotamos, inclusive) de "forrar-se”, podemos
assim dizer, para preparar a Gira de Exú, com curimbas de Ogum antes e depois da
presença de Exú e Pombagira.
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Adotamos este sistema e lembramos que o ideal seria: 3 (três) ou 7 (sete)
curimbas de Ogum antes e depois. Logicamente uma abertura de Exú é precedida pela
abertura normal. O importante, e poucas vezes vemos em terreiros, é “a cantada
correta dos Exus e Pomba giras”.
Em primeiro lugar deve-se puxar a curimbas do Exú da Casa e depois da
Pombagira. Normalmente o Exú vem primeiro. O importante é a sequência de pontos e
curimbas. Não podemos misturar (não se pode cantar para Exú, depois para Pombagira,
voltar para Exú e vice-versa), pois quebra toda a harmonia da Gira.
O que temos observado em nossa vivência de terreiro, de muitos e muitos
anos, é que muitos Ogãs, no afã, no entusiasmo de atrair uma vibração, misturam Exú e
Pombagira. Não se pode misturar dentro de uma cantada de Gira.

Exemplo:
No “A Caminho da Luz", o ponto inicial é o de Exú Veludo.
Após o ponto de Seu Veludo, sequem-se várias curimbas de Exú masculino,
observando-se a vibração de Encruzilhada e posteriormente Cemitério!
Numa nova virada, começaremos a puxar Pombagira. Este ponto deverá atrair
a vibração das duas falanges. O ponto mais indicado, conhecido, dentre muitos outros,
para virada de passagem de Exú para Pombagira é o que denominamos e conhecemos
como “Santo Antônio de Batalha “. Após a virada desse ponto, entrarão as curimbas
para Pombagira, naturalmente se atraindo em primeiro lugar a Pombagira da Casa ou a
que estiver assentada na casa. Este é processo correto dentro de uma abertura da Gira
de Exú.
Observação: A mistura de curimbas é uma constante. Isto tumultua totalmente
a Gira. Devemos ter o cuidado de observar, nas cantadas das curimbas, o tipo de
vibração que vai se atrair.
Exemplo:
Povo da Encruzilhada e Cemitério: nós vamos cantar curimbas de Exú de
Encruzilhada, depois entramos nos Exús de Cemitério e vice-versa, procurando sempre
manter aquela vibração. No caso das Pombagiras, observa-se a mesma orientação: -
Ciganas, Vibração de Encruzilhada, de Cemitério, etc.

Bibliografia: Caboclos, Exus e Pombagiras - Almeida, Paulo Newton.

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OS INSTRUMENTOS MUSICAIS
ATABAQUE
Instrumento muito antigo de origem oriental, presente
entre os Persas e os Árabes e muito divulgado posteriormente na
África.
Chegou ao Brasil introduzido pelos Portugueses para ser
usado em festas e procissões de origem religiosas a princípio.
Devido aos africanos já o conhecerem com o tempo outros
tipos foram trazidos para nosso país chegando aos terreiros e
posteriormente tornando-se um dos componentes do rítimo da roda
de capoeira.
É o principal instrumento de percussão da gira, marcando o
ritmo e facilitando a sincronia entre os pontos e entre outros
instrumentos musicais.

AGOGÔ
Foi introduzido no Brasil pelos africanos, sendo o termo
agogô pertencente à língua nagô e significando "sino".
São utilizados em folguedos populares, cerimônias religiosas
afro-brasileiras e na capoeira.
É um instrumento de ferro tocado com auxílio de uma
vaqueta sendo hoje em dia o instrumento de percussão mais agudo
das giras.
É mais utilizado (e visto) nos terreiros de Candomblé.

SHEKERE
A história começa na África, onde muitos dizem ter sido
criado mais precisamente em Gana ou suas origens estarem ligados a
Camarões. Este instrumento sem igual serve como um chocalho.
Tradicionalmente feito de abóboras cavadas (aqui conhecido
como cabaças) embrulhadas em um trançado de fios, que podem
conter pedras ou conchas tipo búzios em sua volta.
O instrumento era, e é, um tocado tremendo ou torcendo,
isto para adquirir um som de bateria e sons de chocalho; ou batendo
o fundo do corpo com a palma da mão para adquirir notas baixas
como um tambor. O Shekere pode ser uma variável do chocalho dos
índios brasileiros em relação aos africanos.
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PANDEIRO
Para puxar o ritmo dos atabaques, normalmente acompanha os
shekeres ou chocalhos.

GANZÁ
Instrumento muito utilizado em terreiros para acompanhamento
dos atabaques.
É muito tocado em pontos de rítmo rápido e pontos de
Caboclo/Oxossi.
Não se tem histórico sobre as origens desse instrumento.

BERIMBAU
Não temos dados concretos sobre a origem do berimbau,
como foi introduzido no Brasil, nem por que vias aqui
chegaram. Temos informações do berimbau sendo utilizado
nos primórdios da colonização, em outras manifestações
negras, independentes da capoeira.
Havia outro tipo de berimbau, antes do nosso conhecido
berimbau-de-barriga, denominado berimbau-de-boca ou
trompa de Paris, onde a caixa de ressonância, ao invés da
cabeça, era a própria boca.
Ele é um instrumento de uma só corda composto por uma
verga de madeira (Biriba) arame, uma cabaça, um caxixi
(chocalho artesanal), uma vaqueta e para emitir seus sons é
utilizado uma pedra ou dobrão (moeda de cobre).
O Berimbau também é conhecido por vários outros nomes
como urucungo, orucungo, oricungo, uricungo, rucungo,
berimbau de barriga, gobo, marimbau, bucumbumba,
gunga, macungo, matungo e rucumbo.
No Brasil são poucos os terreiros que utilizam esse
instrumento, a presença dele normalmente está associada a
algum evento especial (Festa ou Comemorações).
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OS PONTOS CANTADOS
Um dos fundamentos de vital importância par a harmonização e eficácia dos
trabalhos dentro de um templo umbandista é, sem dúvida, o que diz respeito aos
Pontos Cantados (curimbas).
Em tempos imemoriais, o Homem materialista e ligado quase que exclusivamente aos
aspectos físicos que o circundavam, tomado de profundo vazio consciencioso, resolveu
traçar caminhos que o fizesse resgatar a verdadeira finalidade de sua existência.
Alicerçado em princípios aceitáveis, passou a buscar o elo para com o Criador, a fim de
se redimir do tempo perdido e desvirtuado para outras ações.
Uma das formas encontradas para a reaproximação com o Divino foi a música,
onde se exprimiam o respeito, a obediência e o amor ao Pai Maior. Desta forma, os
cânticos tornaram-se um atributo sócio religioso, comum a todas as religiões, onde cada
uma delas, com suas características próprias, exteriorizavam sua adoração, devoção e
servidão aos desígnios do Plano Astral Superior.
A Umbanda, nossa querida religião anunciada no plano físico em 15 de
novembro de 1908, em Neves, Niterói – RJ, pelo espírito que se nominou Caboclo das
Sete Encruzilhadas, também recepcionou este processo místico, mítico e religioso da
expressão humana. Nos vários terreiros espalhados pelas Terras de Pindorama (nome
indígena do Brasil), observamos com fé, respeito e alegria os vários pontos cantados ou
curimbas, como queiram, sendo utilizados em labores de cunho religioso ou magística.
Em realidade os Pontos Cantados são verdadeiros mantras, preces, rogativas, que
dinamizam forças da natureza e nos fazem entrar em contato íntimo com as Potências
Espirituais que nos regem. Existe toda uma magia e ciência por trás das curimbas que,
se entoadas com conhecimento, amor, fé e racionalidade, provoca, através das ondas
sonoras, a atração, coesão, harmonização e dinamização de forças astrais sempre
presentes em nossas vidas.
A Umbanda é capitaneada por sete Forças Cósmicas Inteligentes, que são as
principais e que, por influência dos Pretos-Velhos, receberam os nomes de Orixás,
sendo que a irradiação ou linha de Oxalá (Cristo Jesus) precede todas as demais, razão
pela qual as comanda. Todas estas irradiações têm seus pontos cantados próprios, com
palavras-chave específicas e a justaposição de termos magística, de forma que o
responsável pela curimbas deve ter conhecimento do fundamento esotérico (oculto) da
canção.
Temos visto em algumas ocasiões determinadas pessoas até com boas intenções, mas
sem conhecimento, "puxarem" pontos em horas não apropriadas e sem nenhuma
afinidade com o trabalho ora realizado. Tal fato pode causar transtornos à eficácia do

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que está sendo feito, uma vez que podem atrair forças não afetas àquele labor, ou
ainda despertar energias contrárias ao trabalho espiritual.
Quanto à origem, os pontos cantados dividem-se em Pontos de Raiz (enviados
pela espiritualidade), e Pontos terrenos (elaborado por pessoas diretamente) os pontos
de raiz ou espirituais jamais podem ser modificados, pois se constituem em termos
harmoniometricamente organizados, ou seja, com palavras colocadas em correlação
exata, que fazem abrir determinados canais de interação físico-astral, direcionando
forças para os mais diversos fins (sempre positivos). No que concerne aos pontos
cantados terrenos, a espiritualidade os aceita, desde que pautados na razão, bom senso
e fé de quem os compõe. Às vezes, porém, nos deparamos com algumas curimbas
terrenas que nos causam verdadeiro espanto, quando não tristeza. São composições
"sem pé nem cabeça", destituídas de fundamento, com frases ingênuas e sem nenhum
nexo, chegando algumas a denegrirem os reais valores umbandistas.
Cantam curimbas por aí dizendo que Exu tem duas cabeças; que Pombogira
(Pombagira) é prostituta e mulher de sete maridos; que Preto-Velho é feiticeiro e
mandingueiro; que o Orixá Nanã mora na lama dos rios; que Ogum é praça de cavalaria,
e outras incoerências mais.
E quanto ao plágio (cópia adulterada) leitores? Aí é que a questão se agrava. É
que alguns "espertos" andam a visitar terreiros, ouvindo e decorando pontos
pertencentes àqueles templos. Voltam à tenda onde trabalham ou dirigem, e começam
a cantar os pontos aprendidos, com algumas alterações, para disfarçar é claro, e dizem a
terceiros que as curimbas são de sua autoria ou de suas "entidades". Além de
modificarem pontos que podem ser de raiz, estão sujeitos a serem desmascarados
quando alguém toma conhecimento da origem e da real letra das curimbas.
Quanto à finalidade, os Pontos Cantados podem ser:
Pontos de chegada e partida;
Pontos de vibração;
Pontos de defumação;
Pontos de descarrego;
Pontos de fluidificação;
Pontos contra demandas;
Ponto de abertura e fechamento de trabalhos;
Pontos de firmeza;
Pontos de doutrinação;
Pontos de segurança ou proteção (são cantados antes dos de firmeza);
Pontos de cruzamento de linhas;
Pontos de cruzamento de falanges;
Pontos de cruzamento de terreiro;
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Pontos de consagração do Congá; e outros mais, consoantes à finalidade a que
se destinam.
Vimos pelo acima exposto que as curimbas, por serem de grande importância e
fundamento, devem ser alvo de todo o cuidado, respeito e atenção por parte daqueles
que as utilizam, sendo ferramenta poderosa de auxílio aos Preto-Velhos, Caboclos, Exus,
e demais espíritos que atuam dentro da Corrente Astral de Umbanda.

As Guias
(colares)

Os colares usados na Umbanda são


polos de irradiação, para-raios, defesa,
patuás, bentinhos, terços ou qualquer
nome que queira dar, conforme crença,
região ou língua.
Na Umbanda há as guias (colares), as
pulseiras, braçadeiras (contra-eguns),
patuás e outros elementos obedecendo
aos seguintes preceitos:
Usam-se somente produtos naturais
como: sementes, pedras, conchas,
pedras preciosas e semipreciosas
(mesmo que lapidadas), cristais e
outros.
Jamais se usa plástico ou outro produto
artificial.
Usa-se metal apenas quando o Guia
Espiritual ou Orixá pede.
Usam-se peles, partes de animais (dentes, guizos, unhas, etc) sempre em
harmonia com a entidade a quem se oferta a guia.
Dá-se preferencia a cordão de algodão (barbante cru) encerado (Fio de nylon
somente em último caso)
As contas, sementes e outras peças devem formar múltiplos de 3, 7 ou 9.
Todo material pronto (Guia já fechada) deve ficar no mínimo 7 dias cruzando
no Congar.

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O cruzamento é feito pelo chefe do Terreiro (Mãe/Pai de santo) ou pelos Guias
Espirituais.
Para montar uma guia, deve-se montar tranquilo, sem agitação externa.
Dependendo da doutrina de cada terreiro deve ser feita uma firmeza no congar
(ascendendo uma vela, por exemplo) antes de montar a guia.
Lembre-se que cada peça da guia (conta, concha, semente. etc) vai ter uma
oração dirigida a ela. Essas orações dadas pelos guias são para proteção, defesa, e
aumentar a vibração do médium que a usa.
A guia é uma peça benta com força e irradiação para nos proteger e aumentar
nossa força, nossa vibração.
Toda guia deve ser cruzada (benzida) pelo chefe de terreiro, sejam pela
Mãe/Pai de Santo ou pelos Guias Espirituais Chefes de seu terreiro.

VESTIMENTOS
Dentre os caracteres basilares de nossa Sagrada Umbanda, um dos elementos
de grande significância e fundamento dentro da teurgia, liturgia e da magística, é o uso
da vestimenta branca. Em 16 de novembro de 1908, data da anunciação da Umbanda
no plano físico e também ocasião em que foi fundado o primeiro templo de Umbanda,
Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, o espírito Caboclo das Sete Encruzilhadas,
entidade anunciadora da novel religião, ao fixar as bases e diretrizes do segmento
religioso, expôs, dentre outras coisas, que todos os sacerdotes (médiuns) utilizariam
roupas brancas. Mas, por quê?. Teria sido uma orientação aleatória, ou o reflexo de um
profundo conhecimento mítico, místico, científico e religioso da cor branca ?. No
decorrer de toda a história da Humanidade, a cor branca aparece como um dos maiores
símbolos de unidade e fraternidade já utilizados. Nas antigas ordens religiosas do
continente asiático, encontramos a citada cor como representação de elevada
sabedoria e alto grau de espiritualidade superior. As ordens iniciativas utilizavam
insígnias de cor branca; os brâmanes tinham como símbolo o Branco, que se
exteriorizava em seus vestuário e estandartes. Os antigos druidas tinham na cor branca
um de seus principais elos do material para o espiritual, do tangível para o intangível. Os
Magos Brancos da antiga Índia eram assim chamados porque utilizavam a magia para
fins positivos, e também porque suas vestes sacerdotais eram constituídas de túnicas e
capuzes brancos. O próprio Cristo Jesus, ao tempo de sua missão terrena, utilizava
túnicas de tecido branco nas peregrinações e pregações que fazia. Nas guerras, quando
os adversários, oprimidas pelo cansaço e perdas humanas, se despojavam de
comportamentos irracionais e manifestava sincera intenção de encerrarem a contenda,
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o que faziam? Desfraldavam bandeiras. E de que cor? a branca, é claro !! O que falar
então do vestuário dos profissionais das diversas áreas de saúde.
Médicos, enfermeiros, dentistas etc., todos se utilizando de roupas brancas para suas
atividades. Por quê? Porque a roupa branca transmite a sensação de assepsia, calma,
paz espiritual, serenidade e outros valores de elevada estirpe. Se não bastasse tudo o
que foi dito até agora, vamos encontrar a razão científica do uso da cor branca na
Umbanda através das pesquisas de Isaac Newton. Este grande cientista do século XVII,
dedicando-se ao estudo das cores e da luz, em uma de suas experiências fez a luz
comum (luz solar - branca) passar por um cristal em forma de prisma, conseguindo
desdobrar a cor-matriz nas cores do arco-íris. Provou deste modo que a cor branca
contém dentro de si todas as demais cores existentes. Newton realizou várias
contraprovas para ratificar sua descoberta, onde podemos citar o famoso Disco de
Newton. O cientista dispôs as cores alcançadas através de sua experiência num disco
circular. Acionou a manivela, fazendo o disco girar sobre seu próprio eixo (rotação),
momento em que as cores se fundiram, dando como resultado final a cor branca.
Portanto amigos leitores, a cor branca tem sua razão de ser na Umbanda, pois temos
que lembrar que a religião que abraçamos é capitaneada por Sete Forças Cósmicas
Inteligentes (Orixás), sendo que a Cosmopotência Oxalá (Jesus Cristo), que tem a cor
branca como representação, supervisiona as Seis Forças restantes. Experimentem fundir
todas as cores representativas dos Orixás e verão que a cor final será a branca, como
nos experimentos de Isaac Newton. Assim como a cor branca contém dentro de si todas
as demais cores com a Irradiação de Oxalá.

HISTÓRICO SOBRE O USO DOS BANHOS


O banho é a renovação do corpo e da alma, pois quando o corpo se sente bem
e se acha refeito do cansaço, a alma fica também apta a vibrar harmoniosamente.
Os antigos hebreus já usavam as abluções, que não deixavam de serem banhos
sagrados. Moisés, o grande legislador hebreu, impôs o uso do banho em seus
seguidores.
O batismo nas águas ministrado por São João Batista, no Rio Jordão, era um
banho sagrado, pois o batismo nas águas senão o banho mais natural (e porque não o
primeiro banho purificador do ser humano nos dias de hoje, afinal, se batizam crianças
ainda pequenos) que conhecemos purificador do espírito, mente e do corpo.
Os banhos sempre foram um potente integrante do sentimento religioso, haja
vista os povos de a Índia milenar ser levados a banhar-se nas águas do rio sagrado, o
Ganges, cumprindo assim parte de um ritual que, para eles, é indispensável e sagrado.
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Há em toda a época antiga um Rio Sagrado, no qual os povos iam se banhar
para purificar-se física ou mentalmente. Na África, a água é tida como de grande poder
de força e de magia. Vemos até hoje nos candomblés as Águas de Oxalá. Águas nos
potes e tigelas, além de mirongas com água e axé. E quem nunca viu ou ouviu falar em
lavar com água-de-cheiro as ESCADARIAS DO SENHOR DO BONFIM, em Salvador na
Bahia ?
Para nossos índios, hoje os Caboclos da Umbanda, o banho de Rio era alegria,
prazer, lazer, satisfação e descarga. O rio Paraíba é um rio sagrado para os Tupinambás.
Nele os índios faziam (ou fazem) seus rituais secretos.

A HISTÓRIA DAS ERVAS


Aqui um resumo sobre a História das Ervas. O conhecimentos sobre ervas que
atravessaram o mundo a vários anos atrás até os dias de hoje.
Oriente - O país com mais longa e ininterrupta tradição nas ervas é a China.
Quando morreu em 2.698 A.C., o lendário imperador Shen Nultg já tinha provado 100
ervas; ele menciona em seu "Cânone das Ervas" 252 plantas, muitas ainda em uso. Cem
anos mais tarde, o Imperador Amarelo, Huang Ti, formalizou a Teoria Médica no Nei
Ching. No século VII, o govemo da dinastia Tang imprimiu e distribuiu pela China uma
Revisão do Cânone de Ervas. Em 1578, Li Shizhen completou seu "Compêndio de
Matéria Médica", onde listou 1800 substâncias medicinais e 11.000 receitas de
compostos.
Médio Oriente - Placas de barro de 3.000 A.C. registram importações de ervas
para a Babilônia (trocas com a China aconteceram por volta de 2.000 A.C.). Farmacopéia
babilónia abrangia 1400 plantas. O primeiro médico egípcio conhecido foi Imhotep
(2980 a 2900 A.C.). Grande curandeiro, foi deificado, e utilizava ervas medicinais em
seus preparados mágicos. Os Papiros de Ebers do Egito foram um dos herbários mais
antigos que se têm conhecimento, datando de 1550 A.C., e ainda está em exibição no
Museu de Leipzig (são 125 plantas e 811 receitas). Na mesma época, médicos indianos
desenvolviam avançadas técnicas cirúrgicas e de diagnóstico, e usavam centenas de
ervas nos seus tratamentos. Segundo os hindus "as ervas eram as filhas prediletas dos
deuses".
Grécia - No século XIII A.C. um curandeiro chamado Asclépio, grande
conhecedor de ervas, concebeu um sistema de cura, fundando o primeiro spa de que se
tem conhecimento, com tratamentos baseados em chás.
Os templos de cura apareceram em toda Grécia e Asclépio foi deificado.
Seiscentos anos depois, Tales de Mileto e Pitágoras compilaram essas receitas. Os
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gregos adquiriram seus conhecimentos de ervas na Índia, Babilônia, Egito e até na
China.
Idade das trevas - Nesta fase, a Pérsia tomou-se o centro de perfeição da
época, com as receitas gregas sendo traduzidas para o árabe. Na Europa os progressos
foram dificultados pela Igreja, que não via com bons olhos a aprendizagem científica, e
encaravam a doença como um castigo; a medicina das plantas restringiu-se aos monges
nos mosteiros e a algumas mulheres de aldeias remotas.
Renascimento - O século XV traz a era dourada para as ervas. A partir da
observação dos resultados dos remédios à base de ervas descobriram a cura para
inúmeras doenças. Nesse tempo de descobertas as mulheres foram proibidas de
estudar e os curandeiros não profissionais eram hereges.
Idade Industrial e Moderna - A ciência levou ao desenvolvimento o assunto
ervas, sintetizando partes das plantas e concentrando dosagens.
O uso mais baixo das ervas foi no início do séc. XX, mas com os efeitos
secundários das drogas artificiais. Com a ecologia incentivando uma volta ao uso de
medicamentos naturais, está acontecendo um renascimento fantástico da utilização das
ervas.
América - O primeiro herbário das Américas é o Manuscrito Badanius, o
herbário asteca, do séc. XVI, em Nahuat. No Brasil, em 1995, o consumo de
medicamentos caiu a níveis alarnlantes. A pesquisa SOS FARMA, para levantar as
causas, descobriu que, das 400 famílias pesquisadas, 91,9% se automedicavam com
ervas e 46,6% as cultivavam nos quintais. Dados da Assoc. Brasil da Ind. Farm. apontam
que as vendas de medicamentos sintéticos cresceram 16% naquele ano, enquanto o
consumo de fitoterápicos subiu 20%. Tanto assim que a CEME, central de
medicamentos, está financiando pesquisas em universidades. Muitos médicos
acreditam que o uso de fitoterápicos pode reduzir à metade os gastos da população
com medicamentos e com os mesmos resultados dos alopáticos.

O PODER DAS ERVAS


Na Umbanda, a influência vegetalista é provavelmente herdada de práticas
indígenas, afro-ameríndias mais propriamente.
Por exemplo, o uso da JUREMA ou da AYAUASCA, essa última é muito utilizada
pelos povos ameríndios, e considerada como a "planta do poder" mais importante na
região Amazônica. Já a Jurema, tem seus segredos e encantos principalmente na região
Nordeste do Brasil.

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"AS ERVAS DETÉM GRANDE QUANTIDADE DE AXÉ (ENERGIA MÁGICO-
UNIVERSAL, SAGRADA E POSITIVA), QUE BEM COMBINADAS ENTRE SI, DETÉM FORTE
PODER DE LIMPEZA DA AURA E PRODUZEM ENERGIA POSITIVA"

AS ERVAS NA DEFUMAÇÃO
Podem-se usar as ervas em sua forma natural, em pó ou em pequenos pedaços
moídos, em forma de casca miúda, etc.
Para se queimar essas ervas, usa-se normalmente um recipiente chamado
turíbulo, a partir de incisões feitas no caule da estoraque, sendo a resina o resultado
desses cortes, são plantas nativas, e cultivadas em Sumatra e Sião.
Têm grande afinidade com o ébano.
Visto que o benjoim e olíbano são os principais.

BEJUIN: Elimina bloqueios espirituais. Para pedidos de ajuda a Deus.


ALECRIM: É comum ser usado para afastar maus espíritos e ladrões. Oferece
também proteção na área profissional além de ajudar na recuperação e no tratamento
de doenças. Estimulante para quem tem dificuldade de memorização traz felicidade e
justiça.
ALFAZEMA: Reativa alegria alivia dores de cabeça e depressão.
ARRUDA: Afasta influências negativas, intensifica a força de vontade auxiliando
a pessoa que a usa a realizar seus desejos, sejam quais forem.
CAFÉ: Use o moído, não o instantâneo.
Contra entidades negativas, inclusive espírito dos mortos.
Elimina formas pesadas de pensamentos e pesadelos. Benéfica para doentes
em recuperação.
CANELA: Usado em purificação energética de ambientes, protegendo do "olho-
gordo", inveja e outras perturbações, usada para atrair prosperidade.
Também pode ser usada pura , uma pitadinha sobre o peito, no osso esterno,
ou misturada com talco(2x) com meia colher de chá de canela.
CASCA DE ALHO: Usado para eliminar formas negativas de pensamentos
obsessivos. Quando se termina um relacionamento amoroso pode-se defumar a casa
uma vez por semana durante um mês para que o sentimento de perda não se
transforme em depressão.
CRAVO DA ÍNDIA: Protegem de pessoas mal intencionadas, pensamentos
negativos subconscientes. É uma das mais poderosas defumações protetoras.:

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DAMA DA NOITE: É o incenso do amor. Ajuda a encontrar pessoas com a
mesma afinidade. Quando quiser abrir o canal do emocional, basta ofertá-lo à VENUS,
deusa do amor.
FLOR DE LARANJEIRA: Afasta o pânico. Aumenta a segurança e autoconfiança
em assuntos emocionais e financeiros.
FLOR DE PITANGA: Atua poderosamente na área financeira. Direciona
aquisições materiais e negociações com êxito.
GERÂNIO: Força e vitalidade, calmante e harmonizante. Alivia tensão nervosa.
HORTELÃ: Bom para problemas de saúde e equilíbrio emocional. Estimula
apetite.
JASMIM: Afrodisíaco, calmante no processo espiritual para uso gerador.
Acalma e ajuda a evitar brigas e desentendimentos, aclara as idéias.
LÓTUS: Anti-depressivo, usado no trabalho de resgate do equilíbrio de
energias, calma e paciência.
MADEIRA: Estimula a razão. Aumenta a concentração necessária ao trabalho,
estudo e meditação.
MENTA: Melhora o estado de atenção, indicado para dores de cabeça, mas se
for usado em demasia pode alterar o sono.
MIRRA: Aumenta a consciência, acalma os medos relativos ao futuro. Indicado
em terapia de regressão de vidas passadas. Poderoso no equilíbrio das funções do
corpo, balanceando o físico e o espiritual.
ORQUÍDEA: Devido ao seu aroma exótico é indicado para momentos íntimos.
Aguça a paixão entre o casal.
PATCHULI: Cura a apatia, estimulante e sedutor. Diminui a confusão e
indecisão. Aguça a inteligência.
SÉSAMO: Ajuda a atrair amigos, clientes e dinheiro. Estimula a criatividade e
alegria.
VERBENA: Afasta a tristeza, negatividade e melancolia, libera de energias
negativas trazendo criatividade, desenvoltura, alegria e bom astral.
VÉTIVER: Aliado para meditação, inspirador e calmante.

INCENSO NA DEFUMAÇÃO
O incenso tem a incumbência de levar a prece para o céu. Seu uso é universal,
associando o homem à divindade, o finito ao infinito, o mortal ao imortal.
Relacionado ao elemento ar, representa a percepção da consciência que ( no ar
) está presente em toda parte.

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Os diferentes perfumes desempenham um papel de purificação, facilitando a
ancoragem.
Os incensos devem sempre ser acesos com fósforos, por serem natural, nunca
apagados com um sopro, para que não seja passado para ele as impurezas do nosso
corpo.
Quando sentir que o astral de sua casa está um pouco denso, ande com o
incenso por todos os ambientes, chamando pelo nome do seu anjo, ou então repita a
oração:

“Cada casa tem um canto, cada canto tem um anjo.


Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Amém."

Uma resina aromática extraída de determinadas árvores, cascas, condimentos,


folhas, flores, frutos... é denominada incenso.
O resultado destas defumações de ambientes tem um significado mágico-
religioso que e adotado desde tempos remotos, pelos povos orientais como os chineses,
tibetanos, indianos e notadamente no Egito.
Ao queimarmos incensos estamos ativando o plano mental-intelectual que se
manifestam no poder dos elementais do ar, e intensificando o fluxo de comunicação
com o universo e com as pessoas.
*Importante*:
O ritual de queimar incenso não deve ser corriqueiro, principalmente quando
envolve pedidos de dinheiro e proteção.
Mas se desejar usá-los com frequência tenha o cuidado de escolher aqueles de
características calmantes ou espirituais.

UTILIZAÇÃO DOS BANHOS


Em qualquer época, nos Centros e Terreiros de Umbanda, os banhos tem sido
de grande importância na fase de iniciação espiritual; por isso, torna-se necessário um
grande conhecimento do uso das ervas, raízes, cascas, frutos e plantas naturais.
E como já sabemos, os banhos de ervas devem ser preparados por pessoas
especializadas dentro dos terreiros ou por você mesmo (a). Se forem preparados por
outra pessoa, que ela esteja com o seu corpo físico e seu corpo astral purificado, pelo
menos pelo banho de uma erva, e livres de excitações sexuais; nem por mulheres na
fase de mestraço (corpo liberto).

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A orientação e o uso das ervas são atribuições dos GUIAS ESPIRITUAIS, das
ENTIDADES e dos ORIXÁS, através dos Chefes de Terreiros (Pais e Mães de Santo).
Os banhos de ervas, são classificados normalmente em três tipos: Banho de
Descarga, Banho de Ritual e o Banho de Iniciados.
Vejamos aqui cada um deles:

BANHOS DE DESCARGA
Desde épocas remotas é conhecida a forma mágica das plantas e ervas
medicinal.
Daí os banhos serem considerados veículos de purificação do corpo e da
mente, incluindo-se no processo de mediunidade dentro dos centros e terreiros de
Umbanda e também de Candomblé.
O banho de descarga é um descarregamento dos fluídos pesados de uma
pessoa.
O banho de descarga mais usado é feito com ervas positivas, variando de
acordo com os fluídos negativos acumulados que uma pessoa está carregando, e de
acordo com os orixás que a pessoa traz em sua cabeça.
O banho de descarga com ervas deve ser tomado após o banho rotineiro, de
preferência com sabão da costa, sabão neutro ou sabão de coco.
Um banho de descarga não deve ser jogado brutalmente pelo corpo e sim
suavemente, com o pensamento voltado para as falanges que vibram naquelas ervas ali
contidas. Por exemplo: se tomamos um banho com Espada-de-São-Jorge devemos
elevar o pensamento a Ogum Guerreiro. Se tomarmos um banho de rosas brancas,
imaginamos as águas de Oxalá, imaginamos Oxum e a falange do mar. E assim
sucessivamente.
Ao tomarmos o banho de descarrego podemos também entoar um ponto
cantado, chamando os guias que vibram com aquelas ervas ali maceradas.
Ao terminarmos o banho de descarga, devemos recolher as ervas e "despachá-
las" em água corrente ou na praia. Muitas Entidades pedem ao final do banho, que deve
ser acesa uma vela branca e rezar um Pai-Nosso e uma Ave-Maria para que Deus possa
abençoar o corpo e a alma assim purificados.
Mas, não são apenas os banhos de ervas os usados para descarga, há outros,
que são fortes descarrego de maus fluídos. Por exemplo: os banhos de cachoeira, de
mar, de água de Mina, de chuva (axé de Nanã), de rio, etc.
Hoje em dia há banhos de descarga que são comprados prontos, mas não os
recomendados inteiramente, pois muitos não são preparados com o rigor que deveriam
31
ser. Pois para preparar um banho, devemos colher às ervas certas, caso contrário, não
há efeito positivo e/ou completo.
Nesse sentido, é fundamental conhecer a época, dia e hora em que devemos
colher as erva sagradas, bem como o modo de prepará-las e a sua real utilidade dentro
do processo de iniciação ou liturgia.
Na Umbanda, os Pais e Mães de Santo tem o conhecimento do uso das ervas e
no preparo delas.
Mas, para os banhos de descarga, nós mesmos podemos comprar e/ou colher
as folhas (desde que você as conheça), e prepará-las em água fervendo.

“NÃO SE DEVE COZINHAR AS ERVAS",

E sim, colocá-las em águas fervendo, como uma infusão. Não se deve também
deixar que outras pessoas coloquem a mão no seu banho, ou seja, que preparem o
banho para você (salvo a situação em que uma Entidade Espiritual ou seu Pai ou Mãe de
Santo autorize que outra pessoa faça o banho no seu lugar).

O mais conhecido, e como o próprio nome diz, o Banho de Descarga (ou


descarrego) serve para descarregar e limpar o corpo astral, eliminando a precipitação
de fluídos negativos (inveja, ódio, olho grande, irritação, nervosismo, etc.). Suprime os
males físicos externamente, adquiridos de outrem ou de locais onde estiverem os
médiuns.
Este banho pode ser utilizado por qualquer adepto da Umbanda, desde que
seguindo as recomendações das Entidades/Guias Espirituais.

BANHOS DE RITUAL
É o banho de incorporantes (médiuns de incorporação).
Esses banhos tem a função de estimular os fluídos da mediunidade, ativando,
revitalizando as funções psíquicas para um excelente trabalho de ritualização dos Guias
Espirituais e é também recomendado para ativar e afinara as forças dos Orixás,
Protetores de Cabeça e do Anjo da Guarda.

BANHOS DE INICIADOS
Este tipo de banho deve ser utilizado nos centros e terreiros de Umbanda por
seus aparelhos, médiuns, iniciantes ou não dentro da Lei da Umbanda. Ele propicia o
equilíbrio entre a aura do corpo mental e a aura do corpo astral. Equilibra, de maneira
satisfatória, a incorporação das Entidades em seus aparelhos mediúnicos (filhos-de-
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santo). É um banho para ser usado com muito critério e cautela, pois para cada tipo de
Entidade Espiritual é destinada uma planta ou várias plantas, num conjunto ritualístico.
Um exemplo de banho de iniciados é o BANHO DE AMACI, aqui especialmente
tratado.

BANHO DE AMACI
É o banho mais conhecido pelas pessoas que começam a frequentar os Centros
de Umbanda e que somente deve ser preparado por uma Entidade Espiritual ou pelo
Guia Chefe do Terreiro, Pai/Mãe-de-Santo, Zelador (a) do Terreiro, Babalaô ou Chefe de
Culto. É o banho que pode ser preparado da cabeça aos pés, ou simplesmente da
cabeça, porque é preparado de acordo com o Santo, Orixá protetor do filho, iniciante na
Umbanda. O banho de amacia é próprio para a cabeça onde reside o nosso Santo
Protetor, nosso Guia Espiritual. Só podem tomar o banho de amacia aqueles que forem
frequentar e desenvolver-se na gira de Umbanda, no Centro ou Terreiro. O próprio
adepto não deve nunca prepará-lo e nem tomá-lo em casa; existe todo um ritual para
que seja feito o amacia da Umbanda, isto é, ervas selecionada de acordo com o Santo
do Iniciante, bem como dia e hora apropriados, e demais requisitos que o banho exige.

OBSERVAÇÃO SOBRE OS BANHOS DE ERVAS


Todos os banhos de descarga devem ser tomados do pescoço pra baixo; só se
deve jogar o banho na cabeça quando for indicado pelo Orixá Chefe do Terreiro, ou
autorizado pelos Babalaô ou Mãe de Santo.
As folhas que caem dos banhos de ervas devem ser recolhidas e despachadas
(jogadas) nos locais apropriados; em geral, vasos grandes de plantas, jardins, num rio ou
mata, mas nunca no lixo e nem nas ruas.
Há banhos para todos os Orixás e Entidades e sempre que tiver dúvida
consulte-os ou consulte um Pai ou Mãe de Santo sobre o banho a ser tomado.
Muitos banhos têm dia e hora para tomar, portanto, consulte um Pai ou Mãe
de Santo se tiver dúvidas.

BANHO DE ERVAS
Um banho, com o axé das ervas dos orixás da Umbanda, age sobre a aura
eliminando energias negativas, produzindo energias positivas.

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"UM BANHO DE ERVAS REÚNE AS ERVAS ADEQUADAS A CADA CASO, AGINDO
DIRETAMENTE SOBRE ESSES DISTÚRBIOS, ELIMINANDO OS SINTOMAS PROVOCADOS
PELO ACÚMULO DE ENERGIAS NEGATIVAS".

Abaixo estão as ervas mais utilizada, e que são encontradas para uso.
Aqui estão com a nomenclatura popular, e para que se destine.

Melão São Caetano-momordica charantia - OXUMARÉ, NANÃ


Saião/Folha da Costa- kalanchoe brasiliensis - OXALÁ
Erva de Santa Luzia - pistia stratoides (stratiotes) - OXUN
Nenúfar/lótus - nymphaea (lótus) alba - OXUN
Pimentinha dágua/Jambu - spilanthes acmella (filicaulis) - OXUN
São Gonçalinho - cassiaria sylvestris - OGUM, OXOSSI
Sete Sangrias - cuphea balsamona - obaluaie
Tapete de Oxala(boldo) - peltodon tormentosa - OXALÁ
Bete cheiroso - piper eucalyptifolium - OXALÁ
Goiabeira - psidium goiava - OXOSSI, OGUM
Mamona - ricinus communis - EXÚ, OSSAIN
Mamona vermelha - ricinus sanguneus - EXÚ, OSSAIN
Peregun - dracaena fragans - OGUM, OYÁ
Alumon - vernonia bahiensis-amugdalina - OGUM
Carqueja - borreria captata - OXOSSI
Umbauba/embaúba - cecropia palmata - NANÃ, XANGÔ
Gameleira branca - ficus maxima - XANGÔ
Canela de velho - molonia albicans - OBALÚ
Macassá - tanacetum vulgaris - OXUM, OXALÁ
Melissa - melissa oficinalis - OXUM
Kitoko - pluchea quitoco - OBALÚ, XANGÔ
Beti branco/agua de alevante - renealmia occidentalis sweet - OXALÁ
Alfavaca(erva doce) - ocimum guineensis - OXALÁ
Folha da fortuna - bryophylum – EXÚ
Aroeira branca - litrhea - OGUM
Patchouli - (ewé legbá) EXÚ
Anis - clausena anisata -oyá
Aroeira - schinus sp - OGUM
Alecrim - rosmarinus officinais - OXOSSI
Araça - psidium sp - OXOSSI
Guiné - petiveria alliacea - OXOSSI
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Louro - laurus nobilis - OSSAIN.
Língua de vaca - rumex sp - OBÁ, OYÁ
Alevante - menta sp - OGUM, EXÚ
Amoreira - rubus sp - EGUN, OYÁ
Dormideira - mimosa púdica - OXUMARÉ
Pata de vaca - bauhinia forficata
Colônia/lírio de brejo - hedychium coronarium - OXALÁ
Babosa - aloe vera - EXÚ
Jibóia – jokónije
Alfazema - ewe danda - OXUM.
Algas marinhas - fucus - IEMANJÁ.

PARTICIPANDO DE UMA GIRA


Há dois tipos de sessões ou giras: de desenvolvimento e de trabalho ou
caridade.
As giras de trabalho são sessões públicas, onde os guias incorporam nos
médiuns para atender ao público.
Quando você entra num terreiro de Umbanda, você estará pisando num local
sagrado, num templo, e cheio de energias, portanto a primeira coisa que se deve fazer é
praticar o silêncio e a meditação.
Lembre-se também que num terreiro de muitas energias são usadas, portanto
evite o excesso de metais no corpo (colares, pulseiras, relógios).
As giras podem variar de terreiro pra terreiro, sendo que cada terreiro
determina os dias e o horário, mas em geral podemos padronizar as giras da seguinte
forma:
Despachar Exu - antes de começar (abrir) a gira são cantados pontos para os
exus, afim de que estes entrem no terreiro (não há incorporação nessa parte) e retirem
todos os pontos negativos, inclusive retirando os zombeteiros (exus não doutrinados
para trabalhar e ajudar) e protegendo a porta (porteira) de cada pessoa, uma vez que
deixaram suas casas para estar no terreiro.
Abertura da gira - Começa com o ponto cantado de Abertura de Gira e são
feitas as saudações a Oxalá e Nossa Senhora Aparecida (Padroeira do Brasil) a todos os
santos, inclusive os de Igreja.
Em alguns centros é cantado o hino da Umbanda, em outros o hino é deixado
pro final.

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Muitos terreiros utilizam uma cortina para o congar, quando há a abertura da
gira é aberta a cortina.
Depois da saudação, são puxados os pontos de cada orixá e entidade, sendo
que o primeiro ponto é de Oxalá.
Enquanto são cantados os pontos, velas são acesas no congar, a atenção fica
por conta do Ogan, que deve acompanhar os pontos com o ponto firmado pela vela.
Todos os médiuns acompanham com palmas em seus lugares na corrente que
se formou.
A Oração - Quando todas as velas estão acesas e todos foram saudados, então
é feita a prece que oficializará a abertura dos trabalhos.
Essa prece é feita com um Pai-Nosso e uma Ave-Maria seguida de um pronunciamento
de fé do Pai ou Mãe de Santo.
No momento da oração, todos devem estar ajoelhados e nenhuma atabaque
toca O silêncio e a concentração na hora da oração é impressindível.
Defumação - Logo após a oração vem a defumação.
A defumação é feita nos quatro cantos do terreiro, no congar, na guia da Mãe/Pai de
santo, passando pelos mesmos, daí segue a corrente : Médiuns, fiscais e auxiliares,
assistência.
Bater cabeça - Esse é o ato submissão em que nos abaixamos diante de Jesus e
todos os orixás, pedindo sua proteção.
O médium se abaixa e toca suavemente a testa no chão, sim suavemente,
mostrando respeito pela terra que toca e sendo humilde ao se abaixar diante de Deus.
Em primeiro lugar são os pais de santo, depois pai e mãe pequena do terreiro,
seguidos dos médiuns, Cambones e tabaqueiros.
O ponto de bater cabeça é tocado, porém existe um ponto especifico para a
Mãe/Pai de santo e outro para os demais.
Existe certa variedade em torno dos pontos a serem firmados conforme as
ordens vejam:
1) Os médiuns batem cabeça : No congar, depois em direção a tronqueira,
atabaques e por último ao Pai/Mãe de Santo.
2) Os médiuns batem cabeça : No congar, depois em direção as atabaques,
tronqueira e por último ao Pai/Mãe de Santo. Essa variação entre atabaque e tronqueira
vai depender de terreiro para terreiro.
Após o ato de bater cabeça, todos estão prontos para receber os orixás.
Os trabalhos ( A incorporação, passes, consultas) - São chamadas as linhas que
virão para trabalhar nesse dia, em muitos terreiros há a separação do passe da consulta,
ou seja, virá uma linha para dar o passe e depois uma outra só para a consulta.
Essa é, sem dúvida, a parte mais longa da gira.
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Se for dia de homenagem a algum orixá, a homenagem será antes dos passes e
das consultas.
Nem tudo é apenas paz e amor.
As sessões em que os preto-velhos, caboclos, crianças, boiadeiros, baianos ou
marinheiros descem para fazer o bem, ajudar as pessoas, contrapõem-se outras práticas
que recebem o nome de DEMANDA.
Muitas vezes os problemas que as pessoas enfrentam (desavenças familiares e
conjugais, doenças, dificuldades nos trabalhos, etc) são atribuídas à inveja, e mais
concretamente, a trabalhos que seus inimigos encomendam a determinados espíritos.
Os guias de luz não aceitam esse tipo de solicitação, geralmente creditada a Exus e
Pombas-Giras zombeteiros, espíritos pouco evoluídos que, em troca de oferendas, não
hesitam em fazer o mal.
Sabemos que esses exus e pomba giras que aceitam esse tipo de *serviço* são
chamados de zombeteiros.
Para enfrentar essas demandas é preciso pedir ajuda às entidades que só
trabalham na direita, que irão coordenar os exus que são doutrinados e que trabalham
no terreiro para o bem.
A Linha de Ogum, que ostenta o título de "Vencedor de Demanda", é a mais
solicitada, uma vez que Ogum é Chefe de Exu e orixá da Direita.
Os despachos nas esquinas, por conseguinte, constituem formas de
manifestações e tentativas de resolução dos conflitos que são transpostos para a esfera
dos espíritos, encarnados por intermediários.
O Fechamento - Após o atendimento, é feito o fechamento com uma oração
(Pai-Nosso e Ave Maria e um pronunciamento de fé sobre o trabalho) que oficializará o
fechamento dos trabalhos e da corrente.
Muitos terreiros utilizam uma cortina para o congar, quando há o fechamento
da gira é fechada a cortina.
Após a oração é cantado um ponto de fechamento de giras (trabalhos).
Assim são dados os trabalhos por encerrado nesse dia.

AS GIRAS DE DESENVOLVIMENTO
Essas giras se constituem para capacitação do médium novato a receber as
linhas, ou seja, capacitam progressivamente para dar passagem aos guias, a fim de que
estes possam cumprir com a missão de caridade na Terra, atendendo os consulentes,
ajudando nos sofrimentos e dificuldades.

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Os iniciados aprendem a controlar a incorporação - as primeiras incorporações
são chamadas de SANTO BRUTO, pois a possessão é um pouco descoordenada e
violenta as vezes - e aos poucos vão adquirindo o linguajar e a postura corporal
característicos de seus guias; são considerados desenvolvidos ou coroados quando
estão aptos a trabalhar com uma entidade de cada linha linha, diferentemente do
candomblé, onde cada iniciado recebe apenas um orixá : o dono de sua cabeça.
Mas não é só de incorporação vive o médium, são também nas giras que eles
aprendem outras obrigações como: saber servir o orixá, acender uma vela nos lugares
corretamente e na cor certa para cara entidade(exatamente, nunca se tomba uma vela,
para acender certo basta queimar a base e fixar sem ter que tombá-la), sobre as roupas,
o poder das orações, as obrigações do terreiro e do médium, o poder moral, etc.
Essas giras podem ser abertas ao público ou não, dependendo do terreiro.

AS ORIGENS DO PASSE
O Passe origina-se das práticas de cura do Cristianismo primitivo.
Mas há um passado histórico que não pode ser ignorado.
Desde as origens da vida humana na Terra encontramos ritos de aplicação de
passes, não raro acompanhados de rituais, como sopros, a fricção das mãos, a aplicação
de saliva e até mesmo resíduos de saliva com barro na aplicação com doentes.
No próprio Evangelho vemos a descrição de cura de um cego por Jesus usando
essa mistura

Marcos 8:23 - Jesus, pois, tomou o cego pela mão, e o levou para fora da aldeia;
e cuspindo-lhe nos olhos, e impondo-lhe as mãos;
Perguntou-lhe: Vês alguma coisa?
João 9:6 - Dito isto, cuspiu no chão e com a saliva fez lodo, e untou com lodo os
olhos do cego.

O passe nasceu nas civilizações da selva como um elemento de magia


selvagem, um rito de crenças. A agilidade das mãos em fazer e desfazer coisas, sugeria a
existência, nelas, de poderes misteriosos, praticamente comprovados pelas ações
cotidianas da fricção que acalmava a dor, da pressão dos dedos estancando o sangue ou
expulsando um espinho ou ferrão.
As bênçãos foram as primeiras manifestações típicas dos passes.
A descoberta do passe por xamãs, curandeiros, feiticeiros ou qualquer outra
pessoa que tinha na época mediunidade sensivelmente aflorada, acompanhava e
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auxiliava o desenvolvimento do rito, da linguagem e da descoberta de instrumentos que
aumentavam o poder das mãos.
Mas lembremos do passista não possui poderes mágicos.
Dos tempos primitivos até o dia de hoje, a mão é o símbolo do fazer para nos
levar ao saber.

PASSES ESPIRITUAIS
O que é o Passe?
O passe, modalidade de socorro fraterno, enobrecido pelo cristianismo, é
terapêutica revivida e explicada, em sua mecânica e em sua vital importância, pelo
Espiritismo-Cristão. O passe espírita é simplesmente a imposição das mãos, usada e
ensinada por Jesus, como se vê nos evangelhos.
Hoje, popularizada sob tal nome, que lhe define a essência, essa prática sempre
foi de todos os lugares e de todos os tempos, externamente revestida das mais variadas
fórmulas e dos mais exóticos ritos, ajustados ao degrau mental de seus praticantes:
nasce o passe no cântico ou evocação, passando pela vida da "benzedura" e das "rezas"
de médiuns naturais, chegando à benção sacerdotal pelos doentes, encontradiço na
prece maternal em favor de filhos assaltados pelas dores ou pelas angústias e
tribulações, e culmina nos Templos do Espiritismo da atualidade, onde foi incorporado
como recurso fundamental para a rearmonização do perispírito no curso das diversas
provas e expiações e das mais variadas enfermidades da alma e/ou do corpo.
O passe é transfusão dirigida de fluídos.
Como permuta das energias universais, quer entre desencarnados, quer entre
encarnados - elege-se por delicado e precioso auxiliar a ser utilizado no tratamento das
doenças de longo curso; nas crises bruscas e repentinas de dor; no combate às
chamadas "doenças-fantasmas"; nas perturbações espirituais transitórias que sofrem as
almas encarnadas; nas enfermidades da mente; no reequilíbrio de si mesmo, quando o
homem está sob o fogo da auto obsessão, nos abalos do sistema nervoso, na terapia
dos complexos...
Por atuar diretamente sobre o períspirito, ou seja, sobre a matriz onde se
funde o nosso organismo físico e, por conseguinte, onde se localizam as raízes
profundas dos nossos distúrbios somáticos, é o passe o mais importante elemento para
promoção do equilíbrio perdido ou ainda não conquistado, sempre que todo e qualquer
desajuste se instale ou se revele.

39
O PASSISTA
Pondera-se, por vezes, que a aplicação de passes exige que o homem possua
determinadas qualidades inatas, chegando-se mesmo a confundi-las com mediunidade
curativa ou com o conhecimento de certas e determinadas "orações secretas".
Assim, nem todos poderiam ministrá-los.
Essas afirmações trazem uma verdade e um engano ao mesmo tempo.
O engano está na restrição que se queira criar, selecionando aqueles que não
possuam dons especiais para ser passista. Na realidade qualquer pessoa pode aplicá-lo,
e o aplica mesmo inconscientemente, já que os Mentores Divinos, na sua tarefa de
amparo, nem sempre podem aguardar a perfeição do intermediário que se lhes oferece
para só então exercer sua benção regenerativa.
E a verdade está em que o conhecimento do mecanismo do passo no
aprimoramento moral e espiritual do homem facultam mais eficácia nos seus efeitos,
criando condições básicas no paciente.
Num sentido geral, ninguém recebe uma graça ou um acréscimo especial da
Misericórdia Divina para ser, aqui na Terra, um passista comum. E no mesmo sentido,
ninguém, para essa atividade normal, traz missão especialíssima.
Por isso é que, mesmo sem nunca tê-lo praticado, qualquer um de nós, que
repletemos o coração de confiança nos Planos Celestes e sustentemos pensamentos de
amor e humildade, pode ensaiar as primeiras experiências de transmitir essa
maravilhosa força de saúde e harmonia em favor de nossos semelhantes. E o fato de
não nos julgarmos dignos ou possuídos de suficientes conhecimentos não nos exime de
submeter os nossos semelhantes à ação de nossos pensamentos. E esse envolvimento
natural é uma fases embrionárias em que desenvolvemos nossa vontade e que nos
conduzirá, um dia, à condição de passistas espontâneos e generosos, tão logo nos
empreguemos na conquista do Bem.

TÉCNICA E MECANISMO DO PASSE


Os elaboradores e divulgadores de técnicas de passes não sabem o que fazem.
A técnica do passe não pertence a nós, mas exclusivamente aos Espíritos Superiores. Só
eles conhecem a situação real do paciente, as possibilidades de ajudá-lo em face de
seus compromissos nas provas, a natureza dos fluídos de que o paciente necessita e
assim por diante. Os médiuns vivem a vida terrena e estão condicionados na
encarnação que merecem e de que necessitam. Poucos sabem da natureza dos fluidos,
da maneira apropriada e eficaz de aplicá-los, dos efeitos diversos que eles podem
40
causar. Na verdade, o médium só tem uma percepção geral e vaga, geralmente
epidérmica, dos fluidos. As pessoas que acham que os passes ginásticos e circenses ou
dados em grupos mediúnicos formados ao redor do paciente são passes fortes estão
muito equivocadas.
No conhecimento dos fluidos, os pensamentos do homem imprimiram aos
fluidos universais à sua volta as suas características individuais, a sua coloração afetiva,
os seus impulsos ideativos e até forma. Tais fluidos são desses modos movimentados,
sob o comando mental, à direção exata que a criatura lhes determina.
Atingindo o ponto mentalizado pelo homem, essa onda poderá afinizar-se com
o objeto ou pessoa e passará a envolvê-la e será, consequentemente, por ela absorvido,
até o limite de sua capacidade, produzindo, em decorrência, a reação benéfica ou
maléfica do magnetismo admitido. Se não houver identidade de propósitos, aspirações,
ideais, afetividade entre emissor e o mentalizado, essa onda será repelida de pronto,
sem deixar vestígios de sua presença ou passagem.
Essa é a atividade normal do homem.
E é nessa atividade cotidiana e ininterrupta do pensamento, agindo e reagindo
sobre fluidos, que se encontra o mecanismo do passe.
No ato comum de pensar, porém, nem sempre o homem constrói. Não raro
suas emissões são plenas de rancor, gerando miasmas terríveis que o intoxicam e que
intoxicam o seu próximo e suas vítimas.
Já na emanação para o passe esse envolvimento é benéfico, calmante, filtrado
pela Espiritualidade Superior, que dela só aproveita o que possua de melhor -
principalmente quando o passista alimenta a oração em seu mundo íntimo.
Orando, o homem eleva as suas vibrações.
Une-se aos céus.
Recebe das fontes puras e imaculadas do Universo energias benéficas,
passando a ocupar a posição de um transformador de eletricidade que, recebendo o
impulso elétrico, o submete a uma série de operações e o promana revigorado,
ajustado, equilibrado, de acordo com a necessidade do que vai alimentar.
Os fluidos, fortalecidos pela oração, magnetizam os órgãos perispirituais
desequilibrados, restabelendo-lhes, ou criando-lhes a harmonia de base e, em
decorrência, surtindo os efeitos da cura.

41
CONHECENDO O PASSISTA
UTILIZANDO OUTRAS TÉCNICAS.
Ministrado independentemente de qualquer faculdade ou Dom especial no
homem, o passe enriquece-se quando o passista venha a conhecer-lhe o mecanismo.
Há recursos que por vezes ignora.
Vejamos:
- Repulsão: O enfermo, não raro, repele as providências somadas a seu favor e
reverbera os fluídos que o envolvem, anulando o tratamento que se lhe ministra.
Recusa o remédio que lhe é necessário.
- Vencendo a Repulsão - Se o enfermo rebelde se submete a tratamento
apenas para satisfazer amizades, ou em deferência a alguém a quem se liga, após os
primeiros socorros formais e de resultados negativos, será induzido, pelo passista, a
estreitas relações fraternas com ele. A conversação sadia faz-se um imperativo,
tornando-se tão agradável quanto possível e sendo conduzida com tato psicológico pelo
assistente, procurando-lhe os pontos de penetração ou vulnerabilidade. Identificando o
caminho de acesso ao mundo íntimo do paciente, através dele o passista procura
estabelecer afinização para, pouco a pouco, ofertar-lhe o tratamento preciso.
- Confiança: A união pela simpatia ou pelo respeito do paciente ao passista é
veículo extraordinário e dinâmico para a canalização de fluidos salutares, tornando-se
indispensável via de acesso de que o passista se utilizará nobremente.
- Magnetismo: Toda doença é, no fundo, uma perturbação magnética das
células orgânicas e perispirituais, cujo reequilíbrio se alcança hipnotizando os
componentes do órgão enfermo e dirigindo-os a rearborização natural.
-Vontade: À vontade, embora incipiente, é a manipuladora e orientadora dos
fluidos, edificando ou destruindo, à proporção que se extrema.
- Sexo: A vibração oriunda da organização sexual é fonte de energia criadora
que a Providência Divina confia à nossa vontade, permitindo-nos recriar a vida onde a
mesma esteja em princípio de fenecimento.
À medida que esses conhecimentos, e outros mais, passam a ser de domínio do
passista, novos horizontes se abrem à sua frente, permitindo-lhes movimentar mais e
melhor os recursos da prece e os do seu próprio magnetismo, favorecendo enfermos
vários que se beneficiam com essa terapia do Espiritismo-Cristão.

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PREPARAÇÃO PARA O PASSE
É muito comum chegarem pessoas ao Centro, ou mesmo dirigindo-se à casa de
um médium, pedindo passe com urgência.
O passe não pode ser dado a qualquer momento ou de qualquer maneira.
Deve sempre ser precedido de preparação do passista e do ambiente, bem
como do paciente. Médium precisa de preparação para bem se dispor ao ato mediúnico
do passe. Atender a esses casos imediatamente é dar prova da ignorância das leis do
passe.
Tudo depende de sintonias que precisam ser estabelecidas. Sintonia do
médium com o seu estado íntimo; sintonia do passista com o Espírito que vai atendê-lo;
sintonia das pessoas presentes no ambiente que se deve formar no recinto. Tudo isso se
consegue através da prece e do interesse de todos pela ajuda ao necessitado.
Dar passe sem essas medidas preparatórias é uma imprudência e um
desrespeito as Entidades Espirituais que podem estar empenhados em outros afazeres
naquele momento. A falsa ideia de que basta estendermos as mãos sobre uma pessoa
para socorrê-la é uma pretensão que tem suas raízes nas práticas mágicas. O passe não
é um ato de magia, mas uma ação de caridade, uma ação consciente de súplica às
entidades espirituais superiores que nos amparam.
Na Umbanda, também tem a preparação do médium e do ambiente. Portanto,
acostume-se a chegar antes do começo dos trabalhos... siga a sua preparação, seja
como paciente ou como médium. Muitas pessoas costumam chegar apenas na hora da
consulta, ignorando a ação do passe. Mal sabem essas pessoas que é no passe que são
detectados os reais problemas, e que a consulta é apenas o complemento do passe.

PASSE E ORAÇÃO
O passe é transmissão de energias humanas somadas com as emanações
Divinas encontráveis nos reservatórios da Natureza, agindo em favor do reequilíbrio
continuamente rompido pela vivência egoísta e orgulhosa dos seres em evolução.
Alguns passistas não oram.
Dispensam, com esse comportamento, os mais preciosos recursos de que
seriam intermediários levados algumas vezes por presunção, outras por falsa ciência ou
ainda pelo orgulho de mil formas fantasiado.
Nesses casos são, não raro, suplementados pelos pacientes, que, no momento
do passe, aceitam as sugestões mentais de seus Mentores Espirituais e adentram ao
estado de prece, absorvendo os recursos grosseiros emprestados pelo passista que não
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ora, e recebendo o concurso Divino que lhes responde positivamente aos seus rogos
silenciosos.
O passe nem sempre é uma oração.
A oração, porém, é sempre um passe, um auto passe.
Sustentando-se de preces ao transmitir fluido o passista é um intermediário
consciente que, humilde, se ergue ao Alto, afinizando-se com as zonas imaculadas do
Universo, carreando-lhe a potencialidade natural para o doente.
Quem não ora assemelha-se a um herbanário que confia apenas em suas
experiências pessoais, enganosas e plenas de falhas.
Quem ora é o que se utiliza os mais aprimorados laboratórios, tornando-se um
componente do conjunto que trabalha pelo bem comum, supervisionado por Jesus, o
Mestre e Médico das Almas.
Nos Templos do Espiritismo-cristão, onde as noções da espiritualidade são as
mais avantajadas, nenhum passista dispensa a oração, por reconhecer-lhe o valor
inconteste e experimentalmente comprovado. Sabe que orando não repete nenhuma
fórmula mística ou cega, pois analisa no passe a sublimidade de seu mecanismo.
Identifica-se como intermediário mais ou menos consciente, e, nessa posição, está
convicto de que o servo não prescinde da colaboração amorável e sábia de seu Senhor.
A oração não tem fórmula.
É vibração profunda da alma, e quanto mais espontânea, ditada pelas
circunstâncias e pela afetividade, maior teor vibratório alcança e mais energias soma.
Por vezes é proferida silenciosamente.
Noutras, quando o paciente é dos que sentem dificuldades de orar, ou dos que
humildemente se dizem incapazes ou indignos de dirigirem-se ao Pai Amantíssimo, ela é
feita a meia-voz, produzindo o duplo efeito de centralizar bons fluidos e auxiliar o
paciente a viver-lhe os benefícios indizíveis.

PASSE E FLUÍDOS
O passe é transfusão de fluidos.
Ë uma permuta de períspirito para períspirito, muito semelhante à do sangue.
Como um enfermo orgânico poderá transmitir na doação ou transfusão
sanguínea, determinadas doenças ao socorrido, também o passista poderá transferir ao
paciente os seus desajustes espirituais, subordinando-se essa transmissão, é natural, à
afinidade que estabeleça entre si.

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É indispensável, pois, que o passista esteja compenetrado de seu dever de
sustentar clima mental sadio, elevado, para que no momento do passe transfunda
energia restauradora.
A vontade que movimenta os fluídos regeneradores, capazes de rearborizar o
períspirito ou o organismo enfermiço, pode manipular fluídos deletérios pelo mesmo
mecanismo, criando ou acentuando males em curso de instalação ou de
desenvolvimento.
Já, por conseguinte, grande responsabilidade no ato fraterno de doar-se,
cabendo ao passista ser uma permanente usina geradora de saúde e harmonia,
trazendo em seu coração o desejo de ser útil ao seu próximo.
Em decorrência do desequilíbrio do passista, alguns pacientes podem revelar
uma acentuação mórbida de seus sintomas. O assistente poderá concluir,
apressadamente, que esteja operando sobre um doente desinteressado de sua própria
cura. Não raro, porém, se analisar mais detidamente, concluirá que houve um desajuste
seu e que, ao revés de ter transmitido fluídos benéficos, envolveu o socorrido em
vibrações deletérias, as quais, então, reagiram negativamente sobre o perispírito,
agravando o quadro clínico.
O fluido é um veículo neutro, que se molda aos ditames de nossa vontade,
refletindo-nos inteiramente, e tanto conduzindo na sublimação em si quanto portando
miasmas umbralinas, pelos quais somos os responsáveis diretos.
E a presença do mentor espiritual do passista não modifica esse mecanismo.
O passista poderá receber-lhe fluidos puros. Estes, porém, serão tisnados ao
contato de suas emanações individuais, que lhes alteram o teor regenerativo, poluindo-
os antes de transferi-los ao enfermo.
Ou poderá o passista, à semelhança do enfermo, repelir o auxílio que chega. do
Alto, por estar momentaneamente desajustado com a Espiritualidade Maior.
Ninguém, pois, substituirá o passista na sua necessidade fundamental de
elevar-se espiritualmente, não se deixando vencer pelas induções silenciosas que
recolhe diretamente da aura do assistido, porque a sua posição é a de quem centralizam
fluidos e lhes imprime as suas características de amor e humildade ou de desajuste e
emoções indisciplinadas.

PASSE E AMBIENTE
O passe não exige ambiente próprio.

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Como socorro de emergência, nem sempre é possível exercê-lo em local
apropriado, se bem que este tornará mais ativo seus efeitos, desencadeando reações
salutares mais profundas.
Num centro ou terreiro, os Mentores Espirituais terão o recanto que
prepararão devidamente, atendendo aos dispositivos Superiores, isolando-a da
influenciarão miasmática inferior e higienizando-a como um ambiente hospitalar
especializado.
A reflexão sadia do passista contribuirá para sustentá-la depurada. E a oração
será o canal a recolher permanentemente fluidos puros, que alimentarão o serviço de
passes e de fluidificação de água, beneficiando, de modo ainda inabordável em sua
profundidade total, aos enfermos das mais variadas classificações.
A presença do doente não a maculará.
As suas vibrações desequilibradas, produtoras de percentagem enorme de
doenças aparentemente orgânicas, não superarão o ambiente. E demorar-se no local
lhe equivalerá a um banho necessário para as suas disfunções e anomalias.
Reconhecendo-lhe a excelência indiscutível, não deverá subordinar o seu
trabalho à sua existência ou, então, só trabalhar espiritualmente com segurança e
confiança quando esteja na mesma.
Obviamente não se deve deixar uma pessoa da assistência adentrar no
ambiente onde os Guias Espirituais estão trabalhando com o passe. Ou seja, a pessoa
deve aguardar sua vez para tomar seu passe, onde o plano espiritual estará preparado
para recebê-la. Não se deve, também, tomar-se de inconcebível purismo, policiando ou
proibindo a entrada de pacientes à sessão de passes.
A virtude sempre repousa no equilíbrio.

PASSE E SIMPATIA
A ação do passe começa pela simpatia.
É necessário que se entreteça um laço de simpatia e de confiança, unindo o
doente e o passista na mesma onda mental, sem o que toda providência poderá ser
baldada, por repelir o enfermo o benefício fluídico que lhe chega com a colaboração
afetiva do assistente.
Por vezes o doente não simpatiza com o passista.
Repulsão sempre espiritual é evidente.
Os motivos em que se fundamenta essa repulsão são os mais variados,
podendo alinhar-se: antipatia pessoal; desafetos particulares; influenciarão obsessiva;
união às zonas inferiores da espiritualidade. São todos sintomas de ausência de
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vigilância e oração, é certo, mas que chegam a medrar em determinada ocasiões e que,
se não forem pronta e rapidamente corrigidos, poderão neutralizar a ação fluídica ou
mesmo dispersá-la.
A antipatia - venha do assistido ou do assistente - deve sempre de ser vencida,
cabendo ao Espírita-cristão a iniciativa da correção, sem exigir colaboração alguma de
seu semelhante, por ser ele o que detém a posição de doador de Vida e a quem cabe
dar sempre mais, porque é quem mais recebeu.
Muitas vezes o assistido, prefere escolher esse ou aquele médium, ou muitas
vezes essa ou aquela entidade que lhe é mais confiável ou que lhe inspire confiança e
segurança.
Conquistar a confiança do enfermo é preliminar indispensável de todo socorro,
a fim de fundirem-se ambos, assistido e assistente, no mes-mo clima espiritual elevado.
E não se pode obrigar o paciente a ser portador de equilibrada disposição
íntima, como a da confiança e da simpatia espontâneas e naturais.
Para que a confiança se gere é indispensável que o socorrido registre
interiormente uma sensação de segurança íntima, frente ao passista. Como
consequência se conclui que o passista deve possuir noção aprimorada da função que
exerce, dos passes, porque esses seus conhecimentos, essa sua própria segurança,
funcionarão como poderosa alavanca que remove parte da crosta que poderá separá-lo
do enfermo.
Quando os passes são ministrados por um grupo de passistas, preferível é
deixar ao arbítrio do interessado a escolha espontânea de quem lhe transmitirá os
recursos regenerativos.
Quando opera sozinho e o doente não se liga a ele pela simpatia, deverá
encaminhá-lo delicadamente a algum outro companheiro de ideal, na tentativa de
ajustar espiritualmente o enfermo, já que o grande propósito de todo passista é
socorrer sempre, em nome de Jesus.

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