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Higiene e Segurança no Trabalho para Soldagem – Prof.

Gilberto Bellini

1) Conceituação de Segurança e Higiene do Trabalho. Histórico. Legislação Ocupacional


Brasileira.
Higiene do trabalho: Conjunto de normas e procedimentos voltado para a integridade física e
mental do trabalhador, preservando-o dos riscos de saúde inerentes às tarefas do cargo e ao
ambiente físico onde são executadas. (Chiavenato, 1999).

Objetivos da Higiene do trabalho


• Manutenção da saúde;
• Eliminação das causas das doenças profissionais;
• Prevenção do agravamento de doenças e lesões;
• Aumento da produtividade pelo controle do ambiente de trabalho.

Plano de Higiene do trabalho


1- Plano organizado – plantão de médicos, enfermeiros e auxiliares

2- Serviços adequados
• Exames admissionais; Primeiros socorros; Registros médicos; Controle de áreas
insalubres; Exames periódicos; Atenção às doenças ocupacionais

3-Prevenção de riscos à saúde


• Químicos (intoxicações, dermatoses, alergias,etc...);
• Físicos (ruídos, temperaturas extremas, esforços excessivos;
• Biológicos (microorganismos, contaminações, contágios,etc...)

4- Serviços adicionais
• Palestras de higiene e saúde;
• Convênio com entidades locais;
• Benefícios médicos para aposentados;
• Cobertura financeira por doença ou acidente;
• Comunicações de mudanças de trabalho, de setor ou horário.

Condições que influenciam a higiene do trabalho


• Tempo (Horas extras, tipo de jornada,etc...);
• Ambiente de trabalho (físico e psicológico);
• Sociais (status).

PCMSO – Programa de Controle de Medicina e Saúde Ocupacional - Lei nº 24/94.


1)Ambiente físico de trabalho
• Iluminação – suficiente, constante e uniformemente distribuída
• Ventilação- circulação de ar, ausência de gases,
• Temperatura – umidade, alta e baixa
• Ruídos – contínuos, intermitentes ou variáveis. Limite 85 decibéis

2) Ambiente psicológico de trabalho


• Relacionamentos agradáveis;
• Atividade laboral motivadora;
• Gerência participativa e democrática;
• Eliminação de stress.

3) Aplicação do princípios de ergonomia


• Máquinas e equipamentos adequados;
• Mesas e instalações ajustadas;
• Ferramentas que reduzam o esforço físico.

4)Saúde ocupacional. Sua ausência causa:

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• aumento nas indenizações;
• afastamentos por doenças;
• aumento dos custos de seguro;
• elevação do absenteísmo e rotatividade de pessoal;
• baixa produtividade e qualidade;
• pressões sindicais.

Segurança do trabalho
Conjunto de normas técnicas, educacionais, médicas e psicológicas usadas para prevenir
acidentes, seja instruindo/convencendo pessoas da implementação de práticas preventivas
(Chiavenato,1999).
Estudo através de metodologias e técnicas próprias das possíveis causas de acidentes do
trabalho, objetivando a prevenção das suas conseqüências
Saúde: Estado de completo de completo bem estar físico, mental e social. (OMS)

A saúde e segurança dos empregados constituem uma das principais bases para a preservação
da força de trabalho adequada. De modo genérico, higiene e segurança do trabalho constituem
duas atividades intimamente relacionadas, no sentido de garantir condições pessoais e materiais
de trabalho capazes de manter certo nível de saúde dos empregados.

HISTÓRICO
1556 – Primeiro livro a abordar problemas relacionados a ocupações e saúde. Georgius Agricula
publicou De Re Metallica, onde eram estudados problemas relacionados à extração e à fundição
do ouro e da prata, enfocando, inclusive, os acidentes de trabalho e as doenças mais comuns
entre os mineiros.
1567 – Primeira monografia a abordar especificamente a relação entre trabalho e doença.
Paracelso estudava vários métodos de trabalho e inúmeras substâncias manuseadas, dedicando
especial atenção às intoxicações ocupacionais por mercúrio.
1700 – Bernardino Ramazzini, considerado o pai da medicina do trabalho, publica sua obra De
Morbis Artificium Diatriba, onde descrevia uma série de doenças relacionadas com cerca de
cinqüenta profissões diversas e estabelecia definitivamente a relação entre saúde e trabalho.
1802 – Foi aprovada na Inglaterra a primeira lei de proteção aos trabalhadores: a “Lei de Saúde e
Moral dos Aprendizes”. Que estabelecia o limite de 12 horas de trabalho por dia, proibia o trabalho
noturno e tornava obrigatório a ventilação do ambiente de trabalho e a lavagem das paredes das
fábricas duas vezes por ano
1834 – O governo britânico nomeia o primeiro Inspetor-Médico de Fábricas, o Dr. Robert Baker.
1842 – Na Escócia, a direção de uma fábrica têxtil contratou um médico que deveria submeter os
menores trabalhadores a exames médicos admissionais e periódicos. Surgiam, então, as funções
do médico de fábrica.
No Brasil, podemos fixar por volta de 1930 a nossa revolução industrial e, embora tivéssemos já a
experiência de outros países, em menor escala, é bem verdade, atravessamos os mesmos
percalços, o que fez com que se falasse, em 1970, que o Brasil era o campeão de acidentes de
trabalho.
1930 – Criação do Ministério do Trabalho. As questões de saúde ocupacional ficariam sob o
domínio desse ministério, ficando-lhe subordinadas as ações de higiene e segurança do trabalho.
1934 – É criada a inspetoria de Higiene e Segurança do Trabalho que é atualmente a Secretaria
de Segurança e Saúde no Trabalho. Órgão competente para coordenar, orientar, controlar e
supervisionar as atividades relacionadas com a segurança e medicina do trabalho, inclusive a
fiscalização do cumprimento dos preceitos legais e regulamentares, em todo território nacional
1978 – O Ministério do Trabalho, através da Portaria nº 3.214, aprovou as Normas
Regulamentadoras (NRs) relativas à segurança e medicina do trabalho. Em 1988, através da
Portaria nº 3.067, foram aprovadas as Normas Regulamentadoras Rurais (NRR).
Em 1988 foi estabelecido que compete ao SUS, além de outras atribuições, executar as ações de
saúde do trabalhador

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2) Acidente, definição prevencionista e legal, equiparações. Ato inseguro e condição
insegura. Incidente critico.
1) Prevenção de acidentes
• Acidente – fato súbito, inesperado, sem intenção, que produz morte, lesão corporal ou
dano material (Chiavenato,1999).
• Acidente de trajeto = acidente de trabalho
Acidente de trabalho é aquele que ocorre pelo exercício do trabalho, formal ou informal, podendo
ocasionar lesão, doença ou morte. A lesão e a doença poderão levar à redução temporária ou
permanente da capacidade para o trabalho.
Considera-se acidente, também, aquele que, ligado ao trabalho, embora não tenha sido a única
causa, tenha contribuído diretamente para a morte, a doença ou, ainda, a redução da capacidade
para o trabalho; aquele que tenha sido sofrido pelo empregado ainda que fora do local do
trabalho, seja no percurso (acidente de trajeto) da residência para o local de trabalho ou deste
último para a residência

Tipos de acidentes
a)Sem afastamento – analisado/ausente das estatísticas.

b)Com afastamento
• Incapacidade temporária (- de 1 ano);
• Incapacidade permanente parcial (-3/4 da capacidade);
• Incapacidade total permanente (-3/4 ou + da capacidade)

Acidente do Trabalho
• Conceito legal; Conceito prevencionista. Causas
• Ato Inseguro; Condição insegura; Fator pessoal de insegurança.
ACIDENTE SEM AFASTAMENTO: é o acidente em que o acidentado pode exercer sua
função normal, no mesmo dia do acidente ou no dia seguinte, no horário regulamentar.
ACIDENTE COM AFASTAMENTO: é o acidente em que o acidentado sofre uma
incapacidade temporária ou permanente que o impossibilita de retornar ao trabalho no mesmo dia
ou no dia seguinte ao acontecido. Pode até mesmo ocorrer a morte do trabalhador.
ACIDENTE DE TRAJETO: é aquele que ocorre no percurso da residência para o local de
trabalho ou deste para aquela, qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de
propriedade do segurado. É equiparado ao acidente do trabalho, conforme art. 21 da Lei 8.213/91.
APOSENTADORIA ESPECIAL: aposentadoria devida a alguns empregados, dependendo da
exposição a agentes de riscos fora do limite de tolerância.
ATO INSEGURO: é um termo técnico utilizado em prevenção de acidentes que, conforme a
escola, possui definições diferentes, porém com o mesmo significado. Entendem-se como atos
inseguros todos os procedimentos do homem que contrariem as normas de prevenção de
acidentes. As atitudes contrárias aos procedimentos e/ou às normas de segurança que o homem
assume podem ou não ser deliberadas. Normalmente, quando essas atitudes não são propositais,
o homem deve estar sendo impelido por problemas psicossociais.
Exemplos de atos inseguros: não seguir normas de segurança, não inspecionar máquinas e
equipamentos com que vai trabalhar, usar caixotes como escada, não usar E.P.I. (Equipamentos
de Proteção Individual), fazer brincadeiras ou exibição, ingerir bebidas alcoólicas antes ou durante
o trabalho, etc.

CONDIÇÃO INSEGURA
É a condição do ambiente de trabalho que oferece perigo e ou risco ao trabalhador. São exemplos
de condições inseguras: instalação elétrica com fios desencapados, máquinas em estado precário
de manutenção, andaime de obras de construção civil feitos com materiais inadequados.

INCIDENTES CRÍTICOS:
 Todo evento observável, em uma determinada situação de trabalho, que apresente um
caráter anômalo;
 O erro humano pode ser considerado uma classe de incidente crítico;
 Na realidade, um incidente crítico pode levar à um ou vários erros humanos;

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 Para levantar os incidentes críticos, deve-se ter um conhecimento aprofundado do sistema
de produção.

ALGUNS TIPOS DE INCIDENTES CRÍTICOS:


 Material: fadiga de material, freio gasto;
 Ambiental: elevação do nível de ruído, queda na iluminação, produto escorregadio
derramado no piso;
 Tarefa: alteração da cadência de produção, modificação dos horários;
 Pessoal: indisposição repentina, substituição de um operador por outro não qualificado;...

3) Classificação dos Riscos Ocupacionais. Análise de Riscos. Análise Preliminar de Riscos.


Série de Riscos (Árvore de Causas). Reconhecimento, avaliação e controle de riscos.
Classificação de riscos: Riscos de Operação.

Risco é a probabilidade da ocorrência de alterações ou danos à saúde, quando os fatores de risco


ou os agentes estão presentes e a exposição se faz de uma determinada forma e intensidade e
tempo suficientes

CLASSIFICAÇÃO DOS PRINCIPAIS RISCOS OCUPACIONAIS EM GRUPOS, DE ACORDO


COM A SUA NATUREZA E A PADRONIZAÇÃO DAS CORES CORRESPONDENTES.
(Tabela I do Anexo à Portaria No. 25, de 29 de dezembro de 1994, do Ministério do Trabalho e Emprego)

GRUPO 1: GRUPO 2: GRUPO 3: GRUPO 4: GRUPO 5:


VERDE VERMELHO MARROM AMARELO AZUL
Riscos Riscos Riscos Riscos Riscos de
Físicos Químicos Biológicos Ergonômicos Acidentes
Ruídos Poeiras Vírus Esforço Físico Arranjo Físico
Intenso Inadequado
Vibrações Fumos Bactérias Levantamento e Máquinas e
Transporte Manual Equipamentos sem
de Peso Proteção
Radiações Névoas Protozoários Exigência de Ferramentas
Ionizantes Postura Inadequadas e
Inadequada Defeituosas
Radiações Neblinas Fungos Controle Rígido de Iluminação
Não Produtividade Inadequada
Ionizantes
Frio Gases Parasitas Imposição de Eletricidade
Ritmos Excessivos
Calor Vapores Bacilos Trabalho em Turno Probabilidade de
e Noturno Incêndio ou
Explosão
Pressões Substâncias, Jornadas de Armazenamento
Anormais Compostos Trabalho Inadequado
ou Produtos Prolongadas
Químicos em
geral
Umidade Monotonia e Animais
Repetitividade Peçonhentos
Outras situações Outras situações
causadoras de de riscos que
stress físico e/ou poderão contribuir
psíquico para a ocorrência
de acidentes

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CIPA – Objetivos:
• Observar e relatar condições de risco existentes no ambiente de trabalho;
• Solicitar medidas com o objetivo de reduzir ou eliminar os riscos;
• Discutir as causas dos acidentes ocorridos;
• Solicitar medidas acidentes;
• Orientar os demais trabalhadores, quanto as medidas de prevenção;
• Fornecer apoio logístico ao SESMT.
FUNDAMENTOS DE ERGONOMIA
Ergonomia é a ciência que trata da interação entre homem e tecnologia, visando adaptar tarefas,
sistemas, produtos e ambientes às habilidades e limitações físicas e mentais das pessoas. Projeto
ergonômico é a aplicação da informação ergonômica ao design de ferramentas, máquinas,
objetos, tarefas, sistemas e ambientes ao uso humano seguro, confortável e efetivo. Nada mais do
que o princípio do design centrado no usuário: A Ergonomia procura adaptar o trabalho ao
trabalhador, o produto ao usuário. Estende-se do mobiliário de trabalho ao de casa, hoje em dia
órgãos de defesa do consumidor solicitam testes de produtos de consumo e apenas são
aprovados os mais eficientes e que satisfaçam as condições de consumo.
A ergonomia também estuda, cores, iluminação, umidade, temperatura e ruídos, leva em
consideração o local de trabalho por inteiro, as funções de cada pessoa e tempo de permanência
que cada função exige, pois o conforto é diretamente proporcional à produtividade.
O objetivo prático da Ergonomia é a adaptação do posto de trabalho, dos instrumentos, das
máquinas, dos horários, do meio ambiente às exigências do homem. A realização de tais
objetivos, ao nível industrial, propicia uma facilidade do trabalho e um rendimento do esforço
humano.
A Ergonomia é considerada por alguns autores como ciência, enquanto geradora de
conhecimentos. Outros autores a enquadram como tecnologia, por seu caráter aplicativo, de
transformação. Apesar das divergências conceituais, alguns aspectos são comuns as várias
definições existentes:
 a aplicação dos estudos ergonômicos;
 a natureza multidisciplinar, o uso de conhecimentos de várias disciplinas;
 o fundamento nas ciências;
 o objeto: a concepção do trabalho.

OBJETO E OBJETIVO DA ERGONOMIA


Se, para um certo número de disciplinas, o trabalho é o campo de aplicação ou uma extensão do
objeto próprio da disciplina, para a ergonomia o trabalho é o único possível de intervenção.
A ergonomia tem como objetivo produzir conhecimentos específicos sobre a atividade do trabalho
humano.
O objetivo desejado no processo de produção de conhecimentos é o de informar sobre a carga do
trabalhador, sendo a atividade do trabalho específica a cada trabalhador.
O procedimento ergonômico é orientado pela perspectiva de transformação da realidade, cujos
resultados obtidos irão depender em grande parte da necessidade da mudança. Mesmo que o
objetivo possa ser diferente de acordo com a especialização de cada pesquisador, o objeto do
estudo não pode ser definido a priori, pois sua construção depende do objetivo da transformação.
Em ergonomia o objeto sobre o qual pretende-se produzir conhecimentos, deve ser construído por
um processo de decomposição/ recomposição da atividade complexa do trabalho, que é analisada
e que deve ser transformada.
O objetivo é ocultar o mínimo possível a complexidade do trabalho real. Quanto mais ergonomia
aprofunda o seu questionamento sobre a realidade, mais ela é interpelada por ela mesma.

Ruído - Introdução
A exposição ao ruído no trabalho tem gerado grande parte dos problemas dos profissionais.
A sociedade moderna tem multiplicado as fontes de ruído e aumentado o seu nível de pressão
sonora.
O ruído é uma das formas de poluição mais freqüentes no meio industrial

No Brasil, a surdez é a segunda maior causa de doença profissional

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O ruído afeta o homem nos planos físico, psicológico e social. Pode, com efeito:
1. Lesar os órgãos auditivos;
2. Perturbar a comunicação;
3. Provocar irritação;
4. Ser fonte de fadiga;
5. Diminuir o rendimento do trabalho.

Som: É qualquer oscilação de pressão (no ar, água ou outro meio) que o ouvido humano possa
detectar. Quando o som não é desejado, é molesto e incômodo, pode ser chamado de barulho.

Ruído: É um fenômeno físico que, no caso da Acústica, indica uma mistura de sons, cujas
freqüências não seguem uma regra precisa.

Qual a origem do ruído ?


O ruído, na sociedade moderna, provém de diversas fontes, e as mais freqüentes são: mecânica;
Choques; Vibrações; Aerodinâmica; Ressonâncias; Turbulências e Explosões

Efeitos do ruído
- Estresse, Insônia, Depressão, Perda de audição, Agressividade, Perda de atenção e
concentração, Perda de memória, Dores de Cabeça, aumento da pressão arterial, Cansaço,
Gastrite e úlcera, Queda de rendimento escolar e no trabalho, Surdez (em casos de exposição à
níveis altíssimos de ruído)

Dose de ruído: parâmetro utilizado para caracterização da exposição ocupacional ao ruído,


expresso em porcentagem de energia sonora, tendo por referência o valor máximo da energia
sonora diária admitida
Dose Diária: A dose de ruído é uma variante do ruído equivalente, para o qual o tempo de
medição é fixado em 8 horas.
Dosímetro de Ruído: medidor integrador de uso pessoal que fornece a dose da exposição
ocupacional ao ruído.

Controle do Ruído: são medidas que devemos tomar, no sentido de atenuar o efeito do ruído
sobre as pessoas. Controle do ruído na fonte; no meio de propagação e no receptor

Medidas de controle
Para evitar ou diminuir os danos provocados pelo ruído no local de trabalho, podem ser adotadas
as seguintes medidas: a) Medidas de proteção coletiva: isolamento de ruído, enclausuramento da
máquina produtora; b) Medida de proteção individual: fornecimento de equipamento de proteção
individual (EPI) (no caso, protetor auricular). O EPI deve ser fornecido na impossibilidade de
eliminar o ruído ou como medida complementar. c) Medidas médicas: exames audiométricos
periódicos, afastamento do local de trabalho, revezamento. d) Medidas educacionais: orientação
para o uso correto do EPI, campanha de conscientização. e) Medidas administrativas: tornar
obrigatório o uso do EPI: controlar seu uso.

LER (ou L.E.R.) é a abreviatura de Lesão por Esforço Repetitivo (em Inglês RSI (Repetitive
Strain Injury).

O termo LER refere-se a um conjunto de doenças que atingem principalmente os membros


superiores, atacam músculos, nervos e tendões provocando irritações e inflamação dos mesmos.
A LER é geralmente causada por movimentos repetidos e contínuos com conseqüente sobrecarga
do sistema músculo-esquelético. O esforço excessivo, má postura, stress e más condições de
trabalho também contribuem para aparecimento da LER. Em casos extremos pode causar sérios
danos aos tendões, dor e perda de movimentos. A LER inclui várias doenças entre as quais,
tenossinovite, tendinites, epicondilite, síndrome do túnel do carpo, bursite, dedo em gatilho,
síndrome do desfiladeiro torácico e síndrome do pronador redondo. Alguns especialistas e
entidades preferem, atualmente, denominar as LER por DORT ou LER/DORT. A LER também é
conhecida por L.T.C. (Lesão por Trauma Cumulativo).

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- As principais vítimas são digitadores, publicitários, jornalistas, bancários e todos os profissionais
que têm o computador como companheiro de trabalho.
Não é contagiosa, pois não é causada por bactérias, fungos ou vírus, mas sim por movimentos
repetitivos.
- Penso que por se definir a LER como um conjunto de doenças e não como uma doença
específica. Quando alguém diz que tem LER, na verdade trata-se de uma tendinite, tenossinovite
ou outro tipo de doença causada por esforço repetitivo.
D.O.R.T. - Distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho. LER é a designação de qualquer
doença causada por esforço repetitivo enquanto DORT é o nome dado as doenças causadas pelo
trabalho. Alguns especialistas e entidades preferem, atualmente, denominar LER por DORT ou
ainda LER/DORT.
Sintomas da LER
Em geral dores nas partes afetadas. A dor é semelhante a dor de reumatismo ou de esforço
estático, como por exemplo a dor causada quando se segura algo com o braço, por longo tempo,
sem movimentá-lo. Há formigamentos e dores que dão a sensação de queimadura ou as vezes
frio localizado. A LER acentuou-se demasiadamente na década de 1990, com a popularização dos
computadores pessoais.
Também podem ser causa de LER atividades esportivas que exijam grande esforço. Da mesma
forma a má postura ou postura incorreta, compressão mecânica das estruturas dos membros e
outors fatores podem causar LER.

Possíveis causas
1. posto de trabalho inadequado e ambiente de trabalho desconfortável, 2. atividades no trabalho
que exijam força excessiva com as mãos, 3. posturas inadequadas e desfavoráveis às
articulações, 4. repetição de um mesmo padrão de movimento, 5. tempo insuficiente para realizar
determinado trabalho com as mãos. 6. jornada dupla ocasionada pelos serviços domésticos. 7.
atividades esportivas que exijam grande esforço dos membros superiores. 8. compressão
mecânica das estruturas dos membros superiores. 9. ritmo intenso de trabalho
10 pressão do chefe sobre o empregado 11. desconhecimento do trabalhador e ou empregador
sobre o assunto 12. metas de produção crescentes e preestabelecidas, 13. jornada de trabalho
prolongada 14. falta de possibilidade de realizar tarefas diferentes 15. falta de orientação de
profissional de segurança e ou medicina do trabalho 16. mobiliário mal projetado e
ergonomicamente errado. 17. postura fixa por tempo prolongado, 18. tensão excessiva e repetitiva
provocada por alguns tipos de esportes;

Quais as doenças decorrentes de esforços repetitivos?


1. tenossinovites,
2. tendinites,
3. síndrome do túnel do carpo
4. bursites
5. mialgias

Fases
Fase 1 - Apenas queixas mal definidas e subjetivas, melhorando com repouso.
Fase 2 - Dor regredindo com repouso, apresentando poucos sinais objetivos.
Fase 3 - Exuberância de sinais objetivos, e não desaparecendo com repouso.
Fase 4 - Estado doloroso intenso com incapacidade funcional (não necessariamente permanente).

Estágios
Estágio 1 - Dor e cansaço nos membros superiores durante o turno de trabalho, com melhora nos
fins de semana, sem alterações no exame físico e com desempenho normal.
Estágio 2 - Dores recorrentes, sensação de cansaço persistente e distúrbio do sono, com
incapacidade para o trabalho repetitivo.
Estágio 3 - Sensação de dor, fadiga e fraqueza persistentes, mesmo com repouso. Distúrbios do
sono e presença de sinais objetivos ao exame físico.

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Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional
A Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional pode ser definida como um conjunto de
regras, ferramentas e procedimentos que visam eliminar, neutralizar ou reduzir a lesão e os danos
decorrentes das atividades.
Características
Uma das principais ferramentas dessa gestão denomina-se Gestão de Riscos, a qual atua no
reconhecimento dos Perigos e da classificação dos Riscos (Risco Puro). Normalmente a Gestão
de SSO - Segurança e Saúde Ocupacional faz parte de um Sistema de Gestão (Gestão da
Qualidade).
Atualmente, os Sistemas de Gestão de SSO estão baseados em normas internacionais, tais como
OHSAS 18001 e BS-8800.
A OHSAS 18001 consiste em um Sistema de Gestão, assim como a ISO 9000 e ISO
14000, porém com o foco voltado para a saúde e segurança ocupacional. Em outras palavras, a
OHSAS 18001 é uma ferramenta que permite uma empresa atingir e sistematicamente controlar e
melhorar o nível do desempenho da Saúde e Segurança do Trabalho por ela mesma estabelecido.
OHSAS é uma sigla em inglês para Occupational Health and Safety Assessment Series,
cuja tradução é Série de Avaliação de Saúde e Segurança Ocupacional. Assim como os Sistemas
de Gerenciamento Ambiental e de Qualidade, o Sistema de Gestão de Segurança e Saúde
Ocupacional também possui objetivos, indicadores, metas e planos de ação.
A implantação da OHSAS 18001 retrata a preocupação da empresa com a integridade
física de seus colaboradores e parceiros. O envolvimento e participação dos funcionários no
processo de implantação desse sistema de qualidade é, assim como outros sistemas, de
fundamental importância.
Benefícios
Como principais benefícios da sua implementação podem-se destacar:
•Redução de riscos de acidentes e de doenças profissionais; •Redução de custos (indenizações,
multas, prêmios de seguro, prejuízos resultantes de acidentes, dias de trabalho perdidos);
•Melhoria geral da produtividade e do desempenho da organização; •Conformidade com a
legislação vigente; •Motivação dos colaboradores num ambiente de trabalho seguro e saudável;
•Abrangência das atividades de prevenção a toda a organização; •Redução das taxas de
absentismo.
Vantagens frente à sociedade:
•Imagem de responsabilidade social da organização; •Compromisso para o cumprimento da
legislação aplicável; •Solução Automatizada.
O Desafio
Para o mercado hoje, não basta apenas fornecer um produto com qualidade ou com baixos
custos, é necessário também que as empresas demonstrem que os seus processos são
controlados de forma eficiente e responsável e que podem fornecer produtos e serviços de
confiança. Além disso, é imprescindível demonstrar a sua preocupação com o meio ambiente, e
principalmente com a saúde de seus colaboradores.
Alguns problemas e desafios podem ser encontrados durante a implantação ou certificação da
OHSAS 18000:
•Resistência à mudança cultural; •Dificuldade em atender os requisitos da norma na organização;
•Pressões de regulamentação; •Recursos limitados; •Tempo reduzido;
Para lidar com todos os desafios encontrados durante a implantação, um sistema de
gestão integrado e automatizado pode ser certamente bastante útil.
A função principal do serviço de saúde ocupacional é cooperar com a gerência e com os
trabalhadores, atuando na prevenção e contribuindo para a melhoria contínua da segurança e das
condições de trabalho.
As boas práticas de segurança e higiene ocupacional são importantes para evitar
acidentes e garantir a saúde dos trabalhadores. As boas práticas de segurança estão associadas
com a melhoria das condições de trabalho. Subestimar os riscos do ambiente de trabalho ou
subestimá-los cria um ambiente propício à ocorrência de acidentes.
Muitas organizações no Brasil ainda têm uma visão restrita em relação à segurança, à
medicina do trabalho e à saúde ocupacional. O tratamento dessas questões se restringe à coleta
de dados estatísticos, ações reativas a acidentes do trabalho e respostas a causas trabalhistas.

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Segurança e saúde iniciam-se como sistema de gestão através de normas como a OHSAS
18001/99 (Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional – Especificação) e BS
8800/96 (Diretrizes para Sistemas de Gerenciamento de Segurança e Saúde Ocupacional), além
do Prêmio Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional.

NR 26 - Sinalização de Segurança (126-000-6)


26.1 Cor na segurança do trabalho.
26.1.1 Esta Norma Regulamentadora - NR tem por objetivo fixar as cores que devem ser usadas
nos locais de trabalho para prevenção de acidentes, identificando os equipamentos de segurança,
delimitando áreas, identificando as canalizações empregadas nas indústrias para a condução de
líquidos e gases e advertindo contra riscos.
26.1.2 Deverão ser adotadas cores para segurança em estabelecimentos ou locais de trabalho, a
fim de indicar e advertir acerca dos riscos existentes. (126.001-4 / I2)
26.1.3 A utilização de cores não dispensa o emprego de outras formas de prevenção de acidentes.
26.1.4 O uso de cores deverá ser o mais reduzido possível, a fim de não ocasionar distração,
confusão e fadiga ao trabalhador.
26.1.5 As cores aqui adotadas serão as seguintes:

- vermelho; - azul; - lilás;


- amarelo; - verde; - cinza;
- branco; - laranja; - alumínio;
- preto; - púrpura; - marrom.
26.1.5.1 A indicação em cor, sempre que necessária, especialmente quando em área de trânsito
para pessoas estranhas ao trabalho, será acompanhada dos sinais convencionais ou da
identificação por palavras. (126.002-2/I2)
26.1.5.2 Vermelho. (126.003-0 / I2): O vermelho deverá ser usado para distinguir e indicar
equipamentos e aparelhos de proteção e combate a incêndio. Não deverá ser usado na indústria
para assinalar perigo, por ser de pouca visibilidade em comparação com o amarelo (de alta
visibilidade) e o laranja (que significa Alerta).
I) É empregado para identificar: caixa de alarme de incêndio; hidrantes; bombas de incêndio;
sirenes de alarme de incêndio; caixas com cobertores para abafar chamas; extintores e sua
localização; indicações de extintores (visível a distância, dentro da área de uso do extintor);
localização de mangueiras de incêndio (a cor deve ser usada no carretel, suporte, moldura da
caixa ou nicho); baldes de areia ou água, para extinção de incêndio; tubulações, válvulas e hastes
do sistema de aspersão de água; transporte com equipamentos de combate a incêndio; portas de
saídas de emergência; rede de água para incêndio (sprinklers); mangueira de acetileno (solda
oxiacetilênica).
II) A cor vermelha será usada excepcionalmente com sentido de advertência de perigo:
- nas luzes a serem colocadas em barricadas, tapumes de construções e quaisquer outras
obstruções temporárias; em botões interruptores de circuitos elétricos para paradas de
emergência.
26.1.5.3 Amarelo. (126.004-9 / I2): Em canalizações, deve-se utilizar o amarelo para identificar
gases não liquefeitos. O amarelo deverá ser empregado para indicar "Cuidado!", assinalando:
partes baixas de escadas portáteis; corrimões, parapeitos, pisos e partes inferiores de escadas
que apresentem risco; espelhos de degraus de escadas; bordas desguarnecidas de aberturas no
solo (poços, entradas subterrâneas, etc.) e de plataformas que não possam ter corrimões; bordas
horizontais de portas de elevadores que se fecham verticalmente; faixas no piso da entrada de
elevadores e plataformas de carregamento; meios-fios, onde haja necessidade de chamar
atenção; paredes de fundo de corredores sem saída; vigas colocadas a baixa altura; cabines,
caçambas e gatos-de-pontes-rolantes, guindastes, escavadeiras, etc.; equipamentos de transporte
e manipulação de material, tais como empilhadeiras, tratores industriais, pontes-rolantes,
vagonetes, reboques, etc.; fundos de letreiros e avisos de advertência; pilastras, vigas, postes,
colunas e partes salientes de estruturas e equipamentos em que se possa esbarrar; cavaletes,
porteiras e lanças de cancelas; bandeiras como sinal de advertência (combinado ao preto);
comandos e equipamentos suspensos que ofereçam risco; pára-choques para veículos de

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transporte pesados, com listras pretas. Listras (verticais ou inclinadas) e quadrados pretos serão
usados sobre o amarelo quando houver necessidade de melhorar a visibilidade da sinalização.
26.1.5.4 Branco. (126.005-7 / I2):O branco será empregado em: passarelas e corredores de
circulação, por meio de faixas (localização e largura); direção e circulação, por meio de sinais;
localização e coletores de resíduos; localização de bebedouros; áreas em torno dos equipamentos
de socorro de urgência, de combate a incêndio ou outros equipamentos de emergência; áreas
destinadas à armazenagem; zonas de segurança.
26.1.5.5 Preto. (126.006-5 / I2): O preto será empregado para indicar as canalizações de
inflamáveis e combustíveis de alta viscosidade (ex: óleo lubrificante, asfalto, óleo combustível,
alcatrão, piche, etc.). O preto poderá ser usado em substituição ao branco, ou combinado a este,
quando condições especiais o exigirem.
26.1.5.6 Azul. (126.007-3 / I2): O azul será utilizado para indicar "Cuidado!", ficando o seu
emprego limitado a avisos contra uso e movimentação de equipamentos, que deverão
permanecer fora de serviço.
- empregado em barreiras e bandeirolas de advertência a serem localizadas nos pontos de
comando, de partida, ou fontes de energia dos equipamentos.
Será também empregado em canalizações de ar comprimido; prevenção contra movimento
acidental de qualquer equipamento em manutenção; avisos colocados no ponto de arranque ou
fontes de potência.
26.1.5.7 Verde. (126.008-1 / I2): O verde é a cor que caracteriza "segurança". Deverá ser
empregado para identificar canalizações de água; caixas de equipamento de socorro de urgência;
caixas contendo máscaras contra gases; chuveiros de segurança; macas; fontes lavadoras de
olhos; quadros para exposição de cartazes, boletins, avisos de segurança, etc.; porta de entrada
de salas de curativos de urgência; localização de EPI; caixas contendo EPI; emblemas de
segurança; dispositivos de segurança; mangueiras de oxigênio (solda oxiacetilênica).
26.1.5.8 Laranja. (126.009-0 / I2) O laranja deverá ser empregado para identificar: canalizações
contendo ácidos; partes móveis de máquinas e equipamentos; partes internas das guardas de
máquinas que possam ser removidas ou abertas; faces internas de caixas protetoras de
dispositivos elétricos; faces externas de polias e engrenagens; botões de arranque de segurança;
dispositivos de corte, borda de serras, prensas.
26.1.5.9 Púrpura. (126.010-3 / I2)
A púrpura deverá ser usada para indicar os perigos provenientes das radiações eletromagnéticas
penetrantes de partículas nucleares. Deverá ser empregada a púrpura em:portas e aberturas que
dão acesso a locais onde se manipulam ou armazenam materiais radioativos ou materiais
contaminados pela radioatividade; locais onde tenham sido enterrados materiais e equipamentos
contaminados; recipientes de materiais radioativos ou de refugos de materiais e equipamentos
contaminados; sinais luminosos para indicar equipamentos produtores de radiações
eletromagnéticas penetrantes e partículas nucleares.
26.1.5.10 Lilás. (126.011-1 / I2) O lilás deverá ser usado para indicar canalizações que
contenham álcalis. As refinarias de petróleo poderão utilizar o lilás para a identificação de
lubrificantes.
26.1.5.11 Cinza. (126.012-0 / I2)
a) Cinza claro - deverá ser usado para identificar canalizações em vácuo;
b) Cinza escuro - deverá ser usado para identificar eletrodutos.
26.1.5.12 Alumínio. (126.013-8 / I2)
O alumínio será utilizado em canalizações contendo gases liquefeitos, inflamáveis e combustíveis
de baixa viscosidade (ex. óleo diesel, gasolina, querosene, óleo lubrificante, etc.).
26.1.5.13 Marrom. (126.014-6 / I2)
O marrom pode ser adotado, a critério da empresa, para identificar qualquer fluído não
identificável pelas demais cores.
26.2 O corpo das máquinas deverá ser pintado em branco, preto ou verde. (126.015-4 / I2)
26.3. As canalizações industriais, para condução de líquidos e gases, deverão receber a aplicação
de cores, em toda sua extensão, a fim de facilitar a identificação do produto e evitar acidentes.
(126.016-2 / I2)
26.4 Sinalização para armazenamento de substâncias perigosas.
26.5 Símbolos para identificação dos recipientes na movimentação de materiais.
26.6 Rotulagem preventiva.

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- Palavra de Advertência - as palavras de advertência que devem ser usadas são:
- "PERIGO", para indicar substâncias que apresentem alto risco;
- "CUIDADO", para substâncias que apresentem risco médio;
- "ATENÇÃO", para substâncias que apresentem risco leve.

- Indicações de Risco - As indicações deverão informar sobre os riscos relacionados ao


manuseio de uso habitual ou razoavelmente previsível do produto. Exemplos: "EXTREMAMENTE
INFLAMÁVEIS", "NOCIVO SE ABSORVIDO ATRAVÉS DA PELE", etc.

- Medidas Preventivas - Têm por finalidade estabelecer outras medidas a serem tomadas para
evitar lesões ou danos decorrentes dos riscos indicados.
Exemplos: "MANTENHA AFASTADO DO CALOR, FAÍSCAS E CHAMAS ABERTAS" "EVITE
INALAR A POEIRA".
- Primeiros Socorros - medidas específicas que podem ser tomadas antes da chegada do
médico.

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