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A prática de stalking, por acontecer em relações humanas, impactam diretamente no

funcionamento da sociedade, seja com consequências patológicas para as pessoas ou, então,
numa negação da liberdade civil, fundamento de nossas organizações sociais.

São inegáveis as terríveis consequências para as pessoas que sofrem nessas situações. A
sensação de ser perseguido ou exigido excessivamente por alguém, pode provocar
inseguranças sobre relacionamentos futuros, bem como fobias ou outros transtornos,
interferindo, assim, negativamente tanto na vida privada das pessoas, quanto, num nível
macro, até mesmo no funcionamento da sociedade, já que é algo que afeta as relações entre
as pessoas, as quais organizam e mantém uma sociedade.

Sartre dizia que a condição humana é a liberdade, sendo que, apesar disso, por não suportar
essa liberdade, o ser humano defensivamente tende a negar tanto a sua liberdade, como a dos
outros. O pensamento do filósofo pode ajudar a entender os perigos do “stalking”, já que, ao
negar a liberdade dos outros, transformando-os em objetos perseguidos, negamos a própria
liberdade que nos constitui enquanto humanos, tendo como consequência relações
idealizadas e entristecidas, o que pode resultar numa sociedade fundamentada no desânimo,
incapaz de criar melhores maneiras de se organizar, visto que negar as liberdades é o mesmo
que negar a realidade.

Num âmbito individual, não se omitir durante situações abusivas de perseguição,


compartilhado narrativas e solicitando ajuda, pode ajudar a reduzir as consequências ruins
dessa prática. Num âmbito mais geral, seria interessante a implantação de políticas públicas
para a disseminação de grupos de debates em escolas ou ambientes de trabalho, por exemplo,
para que assim, possa haver mais segurança para a procura de ajuda, seja por parte de quem
sofre ou de quem pratica.