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FUNDAMENTOS DA

ÁLGEBRA

autora
ANA LÚCIA DE SOUSA

1ª edição
SESES
rio de janeiro  2018
Conselho editorial  roberto paes e gisele lima

Autora do original  ana lúcia de sousa     

Projeto editorial  roberto paes

Coordenação de produção  gisele lima, paula r. de a. machado e aline karina


rabello

Projeto gráfico  paulo vitor bastos

Diagramação  bfs media

Revisão linguística  bfs media

Revisão de conteúdo  cíntia loureiro dos santos

Imagem de capa  shaiith | shutterstock.com

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida
por quaisquer meios (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em
qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Editora. Copyright seses, 2018.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (cip)

S725f Sousa, Ana Lucia de


Fundamentos de álgebra / Ana Lucia de Sousa.
Rio de Janeiro: SESES, 2018.
208 p: il.

isbn: 978-85-5548-591-6.

1. Estrutura algébrica. 2. Grupo. 3. Anel. 4. Operações. I. SESES.


II. Estácio.
cdd 512.5

Diretoria de Ensino — Fábrica de Conhecimento


Rua do Bispo, 83, bloco F, Campus João Uchôa
Rio Comprido — Rio de Janeiro — rj — cep 20261-063
Sumário
Prefácio 7

1. Grupos 9
Operações binárias 10
Definição 10

Propriedades de uma operação binária 13


Propriedade comutativa 13
Propriedade associativa 13
Existência do elemento neutro 15
Existência de elementos simetrizáveis 16
Propriedade distributiva 17

Estruturas algébricas 18
Definição 18

Estrutura de grupo 19
Introdução 19
Definição 20
Grupos comutativos ou abelianos 21
Grupos importantes 25
Propriedades de um grupo 25

Tábua de um grupo finito 28

Definição 29

Operações no conjunto Zm e sua representação na tábua de operação 38


Definição 38
A adição em Zm 39
A multiplicação em Zm 41
2. Grupos de permutações, subgrupos e
grupos cíclicos 49
Grupos de permutações 50
Definição 50

Subgrupos 57
Introdução 57
Definição 57

Potências de um grupo 69
Definição 69
Definição 71

Grupo cíclico 77
Definição 77
Definição 78

3. Classes laterais, subgrupos normais,


grupos quocientes, homomorfismo e
isomorfismo de grupos 83
Classes laterais 84
Definição 3.1.1 85
Definição 3.1.6 88

Subgrupos normais 92
Definição 3.2.1 92

Grupo quociente 96
Definição 3.3.1 96

Homomorfismo de grupos 101


Definição 3.4.1 101
Definição 3.4.2 103
Definição 3.4.4 104
Definição 3.4.5 105
Homomorfismos especiais 108

Isomorfismo de grupos 109


Definição 3.5.1 109
4. Teoria dos anéis 121
Definição de anel 122

Anéis importantes 129


Anel de funções 129
Anel das matrizes 131
Anel em Zm (anel das classes de restos módulo m) 132
Anel produto direto 134

Tipos de anéis 135


Anel comutativo 135
Anel com unidade 137

Propriedades dos anéis 141

Potências e múltiplos de um anel 146

Múltiplo de um anel 148

5. Subanéis, anel de integridade, corpo,


homomorfismo e isomorfismo de anéis,
ideais de um anel 153
Subanel 154
Subanel unitário 159

Anel de integridade 162


Divisores de um anel 163
Anel de integridade ou domínio 164

Corpo 166

Ideais de um anel 171


Definição de ideal à esquerda 171
Definição de ideal à direita 171
Definição de ideal principal 174

Homomorfismos de anéis 178


Definição 178
Definição de núcleo do homomorfismo 180
Definição de Imagem do homomorfismo 180
Alguns resultados importantes sobre os homomorfismos de anéis. 182
Definição de epimorfismo 184
Definição de monomorfismo 184

Isomorfismos de anéis 184


Definição 184
Alguns resultados sobre os isomorfismos de anéis 187
Prefácio

Prezados(as) alunos(as),

Este livro foi desenvolvido considerando as notas de aulas da disciplina


Fundamentos de Álgebra. Ele tem, por finalidade, apresentar conceitos importan-
tes da álgebra abstrata, necessários para a formação do professor de matemática.
O livro abordará, ao longo de cinco capítulos, as estruturas algébricas (grupo,
anel e corpo) de uma forma mais simples. Portanto, esse livro é interessante para o
aluno que deseja conhecer os conceitos básicos da álgebra abstrata.
A álgebra abstrata aborda como foco principal as estruturas algébricas e seus
resultados principais. Assim, o estudante conhecerá as principais demonstrações
de resultados que confirmam a teoria estudada. As demonstrações são importantes
e também têm como objetivo aproximar cada vez mais o estudante à metodologia
axiomática e a formalização de afirmações conceituais no ensino de matemática
que se tornará comum e progressivo, na medida que o estudante evolui no curso.
Os estudantes de licenciatura em matemática questionam muito os professo-
res de disciplinas específicas do curso de matemática, durante as aulas, sobre a ne-
cessidade estudar determinados conteúdos. Logo, esse fato não é diferente quando
o estudante estuda a álgebra abstrata. É muito comum ele perguntar ao professor
sobre a necessidade de se estudar as demonstrações tendo em vista que o curso
é de formação de professor, que vai atuar na educação básica. Nesse momento é
importante que o professor sinalize para o estudante que analisar e compreender
a demonstração de um resultado o ajudará muito na sua forma de raciocinar e de
assimilar novos conceitos matemáticos de forma mais clara.
Esse livro possui cinco capítulos. No primeiro capítulo, será apresentado, ini-
cialmente, o conceito de operação binária e suas propriedades. A partir disso, vem
o conceito de estruturas algébricas onde o estudante compreende que os conjun-
tos numéricos são dotados de propriedades comuns ou não, isto é, propriedade
associativa, existência de elemento neutro, existência de elementos simetrizáveis
ou propriedade comutativa. A presença dessas propriedades nos conduz natural-
mente ao estudo das estruturas algébricas. Nesse capítulo, também será abordada a
estrutura algébrica de grupo, suas propriedades, os principais grupos, os principais
resultados, a tábua de operação de um grupo finito e as operações em Zm.

7
O segundo capítulo apresentará, brevemente e sem se estender muito, o con-
ceito de grupo das permutações e em seguida o conceito de subgrupos e os grupos
cíclicos.
O terceiro capítulo, abordará o conceito de classes laterais, subgrupos nor-
mais, grupos quocientes e homomorfismo de grupos.
É importante que o estudante compreenda com clareza os conceitos apresen-
tados nos capítulos anteriores, pois eles serão necessários para o estudo da estrutu-
ra algébrica de anel, que será apresentada no capítulo quatro deste livro.
O capítulo cinco, apresentará os conceitos de subanel, anel de integridade ou
domínio, homomorfismo de anel, a estrutura algébrica chamada corpo e por fim
ideais em um anel comutativo.
Para uma maior compreensão dos conteúdos, o livro apresentará, para cada
assunto estudado, um número razoável de exemplos, exercícios resolvidos e ativi-
dades propostas.
É importante que o aluno desenvolva o hábito de ler o livro após cada aula;
analisar com atenção os exemplos, os exercícios resolvidos, as demonstrações e
desenvolver as atividades propostas. Desejo que este livro desperte o interesse do
estudante para aprofundar seus estudos nos temas abordados.

Bons estudos!
1
Grupos
Grupos
Para entendermos com clareza o que é um "grupo" devemos compreender
o que são operações binárias. Na literatura, encontramos muitas definições para
operações. As operações ocorrem dentro dos conjuntos a partir do momento que
operamos seus elementos, nesse caso dizemos que elas são internas.
Falar que uma operação é interna é o mesmo que falar que a operação é fecha-
da. Vamos considerar no nosso estudo as operações internas com dois elementos
chamadas de operações binárias.
A partir desse conhecimento vamos estudar a estrutura algébrica chamada
Grupo, a tábua de operação, as operações em Zm e sua representação na tábua
de operação.

OBJETIVOS
•  Conhecer uma operação binária e suas propriedades;
•  Conhecer a definição de grupo e suas propriedades, grupo abeliano, grupo finito e gru-
po regular;
•  Verificar se um determinado conjunto munido de uma operação é um grupo;
•  Analisar a existência de um grupo através da tábua de operação;
•  Identificar na tábua de operação os elementos regulares;
•  Conhecer as operações em Zm;
•  Representar as operações em Zm na tábua de operação.

Operações binárias

Definição

Seja A um conjunto não vazio (A ≠ Ø). Uma operação binária interna, fecha-
da em * é definida como uma aplicação f ou * em A. Representação:
∗: A× A → A
( x, y ) → z = x ∗ y

capítulo 1 • 10
Observe que:
•  Os elementos de A x A são pares ordenados.
•  Dizemos que * (estrela) é uma lei de composição interna em A.
•  Sendo * uma operação em A, temos que para cada par ordenado (x, y) ∈ A
, a imagem será dada por *(x, y) = x*y .
•  x*y (lê-se "x operado com y")

As operações são denotadas por símbolos (*, +, •, ·, ∆ , ...) ao invés das letras
do alfabeto que normalmente usamos (f, g, h...).
f : A× A → A

operação
ou função

EXEMPLO
1. Adição no conjunto dos números naturais.

+ : N×N → N
( a, b ) → a + b
+ : N×N → N
(5, 2 ) → + (5, 2 ) = 5 + 2 = 7

Observe que a imagem do par (a, b) ∈ N x N pela operação de (+) é representada por
a + b, chamada de soma de a e b. Podemos dizer que a adição é uma operação interna,
pois pegando dois elementos quaisquer do conjunto dos números naturais com a operação
de soma encontramos como resultado um elemento a + b, que pertence ao conjunto dos
números naturais.

2. Subtração no conjunto dos números naturais.

− : N×N → N
( a, b ) → a − b
− : N×N → N
(5, 2 ) → − (5, 2 ) = 5 − 2 = 3

capítulo 1 • 11
Nesse exemplo a imagem do par (a, b) ∈ N x N pela operação de (–) é representada por
a – b, chamada de diferença entre dois números naturais a e b. Porém, devemos observar
que essa diferença só será definida quando a > b. A subtração não é uma operação interna
no conjunto dos números naturais, pois 2 – 5 ∈ N.
A operação de subtração no conjunto dos números inteiros Z, ao contrário do conjunto
dos números naturais N, é uma operação interna bem definida para todos os elementos
a, b ∈ Z .

3. A multiplicação é uma operação interna no conjunto dos números naturais.

⋅ : N×N → N
( a, b ) → a.b
⋅ : N×N → N
(5, 2 ) → ⋅ (5, 2 ) = 5 ⋅ 2 = 6
a
4. Quando definimos o quociente entre dois números naturais a e b (escrevemos ),
b
ele só estará definido no conjunto dos números naturais, N, quando b ≠ 0 e for múltiplo de
b. Encontraremos um número tal que a = bc. Podemos dizer que a divisão é a operação que
para todo par ordenado (a, b) ∈ N x N , com b ≠ 0 e b | a (b é divisor de a ou a é múltiplo de
a
b), faz-se corresponder o quociente . No caso dos números racionais (ou reais) não preci-
b
saremos impor que a seja múltiplo de b.

5. Considere no conjunto dos números inteiros, Z, a operação * definida do seguinte modo:

∗: Z×Z → Z
( x, y ) → x ∗ y = x + y − 2

Vamos considerar dois elementos de Z, por exemplo x = 2 e y = 5.


Note que:

(2, 5) → 2 ∗ 5 = 2 + 5 − 2 = 5
( −2, 5) → ( −2 ) ∗ 5 = ( −2 ) + 5 − 2 = 1
( −2, −5) → ( −2 ) ∗ ( −5) = ( −2 ) + ( −5) − 2 = −9 ∈ Ζ

Temos uma operação interna.

capítulo 1 • 12
Propriedades de uma operação binária

Uma operação binária pode possuir as seguintes propriedades:


•  Comutativa;
•  Associativa;
•  Pode admitir elemento neutro;
•  Pode admitir elemento simetrizável;
•  Pode ser distributiva em relação à operação.

Propriedade comutativa

Seja A um conjunto munido da operação * e sejam x e y dois elementos desse


conjunto. A propriedade comutativa será definida se, e somente se, x * y = y * x.

EXEMPLO
1. Verificar se x∆y = xy , com a operação ∆, é comutativa no conjunto dos números
naturais N.
Vamos considerar dois elementos quaisquer em N, por exemplo, 2 e 5.

2 ∆ 5 = 25 = 32 e 5 ∆ 2 = 52 = 25, ou seja 2 ∆ 5 ≠ 5 ∆ 2.

Portanto, a operação não é comutativa.

2. Verificar se x∆y = mdc (x, y) em N é comutativa. O máximo divisor comum de x e y é o


mesmo de y e x.
Portanto, a operação ∆ é comutativa, ou seja, mdc (x, y) = mdc (y, x) assim x∆y = y∆x.

Propriedade associativa

Seja A um conjunto munido da operação * e sejam x, y e z elementos desse con-


junto. A propriedade associativa será definida se, e somente se, (x * y) * z = x * (y * z).

capítulo 1 • 13
EXEMPLO
1. As operações usuais de adição e multiplicação nos conjuntos dos números reais, natu-
rais, racionais e inteiros, respectivamente, R, N, Q e Z, são associativas.

(x + y) + z = x + (y + z)
( xy ) z = x ( yz )

2. A subtração em N não é associativa. Considerando dois elementos quaisquer do conjun-


to dos números naturais, temos:

(8 – 5) – 2 = 3 – 2 = 1
São diferentes
8 – (5 – 2) = 8 – 3 = 5
O mesmo ocorre com a subtração em Z, Q e R.

3. A operação de divisão também não é associativa em N, Z, Q e R. Vamos verificar esse


fato em N.
(12 : 6) : 2 = 2 : 2 = 1
12 : (6 : 2) = 12 : 3 = 4

Encontramos resultados diferentes.

4. Agora vamos considerar em Z a operação * definida por:

∗: Z×Z → Z
( x, y ) → x ∗ y = x + y − 2

A operação * é associativa?
Precisamos de três elementos em Z. Vamos considerar x, y e z. A propriedade é associa-
tiva se (x * y) * z = x * (y * z).

( x ∗ y ) ∗ z = ( x + y − 2) ∗ z = ( x + y − 2) + z − 2 = x + y + z − 4
x ∗ ( y ∗ z ) = x ∗ ( y + z − 2) = x + ( y + z − 2) − 2 = x + y + z − 4

Assim, fica verificada a propriedade associativa em Z com a operação *.

4. Agora vamos considerar em Z a operação * definida por:

∗: Z×Z → Z
( x, y ) → x ∗ y = 2x + y

capítulo 1 • 14
A operação * é associativa?
Precisamos de três elementos em Z. Vamos considerar x, y e z. A propriedade é associa-
tiva se se (x * y) * z = x * (y * z), ∀x, y, z ∈ Z.

( x ∗ y ) ∗ z = ( 2x + y ) ∗ z = 2 ( 2x + y ) + z = 4 x + 2 y + z
x ∗ ( y ∗ z ) = x ∗ ( 2 y + z ) = 2x + ( 2 y + z ) = 2x + 2 y + z

A propriedade associativa em Z, com a operação *, não foi verificada.

Existência do elemento neutro

Seja A um conjunto munido da operação *. Dizemos que a operação * admite


elemento neutro e ∈ A (único) se, e somente se , e * x = x = x * e, ∀x ∈ A.

OBSERVAÇÕES
•  Se a operação * é indicada pela notação + (adição) então o elemento neutro (caso exista)
será denotado por 0 (zero), ∀x ∈ A, isto é, 0 + x = x = x +0.
•  Se a operação * é indicada pela notação (multiplicação) então o elemento neutro (caso
exista) será denotado por 1 (unidade), ∀x ∈ A, isto é, 1 · x = x = x · 1.
•  0 e 1 são os elementos neutros para as operações de adição e multiplicação sobre N, Z,
Q e R.

EXEMPLO
1. Vamos considerar em Z a operação * definida por:

∗: Z×Z → Z
( x, y ) → x ∗ y = x + y − 2

Existe elemento neutro?


Precisamos verificar se ∃e ∈ Z, x ∗ e = x = e ∗ x, ∀x ∈ Z .

x ∗e = x ⇒ x + e −2 = x ⇒ e = 2
e∗x = x ⇒ e + x −2 = x ⇒ e = 2

capítulo 1 • 15
Verificamos a operação pela direita e pela esquerda e encontramos o mesmo valor. As-
sim, e = 2 é o elemento neutro da operação dada.
Portanto, ∃e = 2 ∈ Z, x ∗ 2 = x = 2 ∗ x, ∀x ∈ Z .

2. O elemento da adição no conjunto das matrizes Mmxn (R) é a matriz nula 0mxn.

3. O elemento neutro da multiplicação em Mn (R) é a matriz identidade In.

Existência de elementos simetrizáveis

Seja A um conjunto munido da operação *. Dizemos que a operação * admi-


te elemento simetrizável se, e somente se ∃x ∈ A, x ∗ x = e = x ∗ x, ∀x ∈ Z onde x’
representa o simétrico de x com a operação *.
De acordo com a operação utilizada, o simétrico de um elemento é chamado
de oposto ou inverso. Veja:
•  Se a operação * é indicada pela notação + (adição) então (–x) é o elemento
oposto de x, isto é, (–x) + x = 0 = x + (–x).
•  Se a operação * é indicada pela notação · (multiplicação) então x’ é chamado
de inverso de x, isto é, x’ · x = 1 = x · x’.

Na literatura é comum encontrarmos a notação x–1 ao invés de x’ para denotar


o elemento simétrico.

EXEMPLO
1. Vamos considerar em Z a operação * definida por:

∗: Z×Z → Z
( x, y ) → x ∗ y = x + y − 2

Existem elementos simetrizáveis?


Precisamos verificar se ∃x ’ ∈ A, x ∗ x ’ = e = x ’ ∗ x, ∀x ∈ Z .
Precisamos conhecer o elemento neutro da operação dada. Nesse exemplo o elemento
neutro para a operação dada é E = 2.

capítulo 1 • 16
x ∗ x ’ = e ⇒ x + x ’− 2 = 2 ⇒ x ’ = 4 − x
x ’∗ x = e ⇒ x ’ + x − 2 = 2 ⇒ x ’ = 4 − x

Verificamos a operação pela direita e pela esquerda e encontramos o mesmo valor. As-
sim, x’ = 4 – x é o elemento simétrico da operação dada.
Portanto, ∃x ’ = ( 4 − x ) ∈ Z, x ∗ ( 4 − x ) = 2 = ( 4 − x ) ∗ x, ∀x ∈ Z .

2. Considere o conjunto dos números inteiros (Z) com a operação de adição e um elemen-
to qualquer de Z, por exemplo, o número 4.
O elemento 4 é simetrizável, pois o seu simétrico é –4.

4 + (–4) = 0 (0 é o elemento neutro da adição).

3. O elemento 4 é simetrizável para a operação de multiplicação no conjunto dos números


1
racionais (Q), pois é o seu simétrico (ou inverso multiplicativo).
4
1
4⋅ = 1 (1 é o elemento neutro da multiplicação)
4

2 1
4. A matriz   com a operação de adição no conjunto das matrizes de ordem 2,
6 3
 −2 −1
M2 (R), é simetrizável, pois o seu simétrico é dado pela matriz   . Veja:
 −6 −3
2 1  −2 −1 0 0 
6 3 +  −6 −3 = 0 0  (a matriz nula é o elemento neutro do M2 (R).
     

2 1
5. A matriz   com a operação de multiplicação em M2 (R) não será simetrizável.
6 3

Propriedade distributiva

Seja A um conjunto munido de duas operações * e ∇.


Dizemos que a operação binária ∇ é distributiva à direita em relação à opera-
ção binária * se, e somente se,
x∇ ( y ∗ z ) = ( x∇y ) ∗ ( x∇z ) , ∀x, y, z ∈ A

Dizemos que a operação binária ∇ é distributiva à esquerda em relação à ope-


ração binária * se, e somente se, ( y ∗ z ) ∇x = ( y∇x ) ∗ ( z∇x ) , ∀x, y, z ∈ A .

capítulo 1 • 17
Portanto, se a operação binária ∇ é distributiva à esquerda e à direita em
relação a operação binária * diremos apenas que ∇ é distributiva em relação a
operação *.

EXEMPLO
1. Considere duas operações binárias definidas por: x∇y = x + 3y e x * y = x – y em Z.
Verifique se ∇ é distributiva em relação a operação *.

x∇ ( y ∗ z ) = ( x∇y ) ∗ ( x∇z ) , ∀x, y, z ∈ Z


x∇ ( y − z ) = ( x + 3y ) ∗ ( x + 3z )
x + 3 ( y − z ) = ( x + 3y ) − ( x + 3z )
x + 3y − 3z = x + 3y − x − 3z
x + 3y − 3z ≠ 3y − 3z

Portanto, a operação ∇ não é distributiva em relação a operação.

2. A multiplicação em R é distributiva em relação à adição ou à subtração:

a (b + c ) = ab + ac e a (b − c ) = ab − ac

Agora que estudamos operações binária podemos definir uma estrutura algébrica.

Estruturas algébricas

Definição

Considere um conjunto E não vazio (E ≠ Ø). Dizemos que um conjunto E


tem uma estrutura algébrica quando definimos em E uma operação interna *.

Notação: (E, *) ou E,∗


Classificação das estruturas algébricas: grupoides, semigrupos, monoides e
grupos.

capítulo 1 • 18
Essa classificação dependerá das propriedades verificadas para a operação in-
terna *. Veja:

Também são chamados na literatura de magma. É uma estru-


GRUPOIDES tura algébrica simples que possui apenas a propriedade do
fechamento.

Seja (E, *), um conjunto E munido da operação *. Dizemos que


SEMIGRUPOS (E, *) é um semigrupo se a operação binária * admite a proprie-
dade associativa.

Seja (E, *), um conjunto E munido da operação *. Dizemos que


MONOIDES (E, *) é um monoide se a operação binária * admite a proprie-
dade associativa e a existência do elemento neutro.

Seja (E, *), um conjunto E munido da operação *. Dizemos que


(E, *) é um grupo se a operação binária * admite a propriedade
GRUPOS associativa, possui um elemento neutro e possui elemento si-
métrico para cada elemento do conjunto E com a operação *.

Agora vamos estudar a estrutura algébrica chamada Grupo.

Estrutura de grupo

Introdução

De acordo com a literatura, a Teoria dos Grupos foi desenvolvida por Evariste
Galois. Essa teoria dará início aos estudos da álgebra abstrata e ao mesmo tempo
nos leva a uma reflexão sobre a importância desse conhecimento na formação do
professor de matemática.
A literatura menciona que a teoria dos números e a teoria das equações algé-
bricas no fim do século XVIII e a geometria do início do século XIX deram ori-
gem a definição de grupos. Agora, vamos estudar essa estrutura algébrica chamada
Grupo que está presente em várias áreas da matemática e possui muitas aplicações
em outras ciências, mas antes vamos compreender.

capítulo 1 • 19
Definição

Seja G um conjunto não vazio onde está definida uma operação *.


∗: G× G → G
( x, y ) → x ∗ y , ∀x, y ∈ G e x ∗ y ∈ G
Notação: (G,*)
Dizemos que a operação * define uma estrutura de grupo sobre o conjunto G
se, e somente se, são válidas as seguintes propriedades:

•  G1: propriedade associativa


∀x, y, z ∈ G tem − se ( x ∗ y ) ∗ z = x ∗ ( y ∗ z )

•  G2: existência do elemento neutro

Existe um elemento e ∈ G tal que e * x = x = x * e para todo x em G.

•  G3: existência do elemento simétrico para cada elemento de G


∀x ∈ G, ∃x ∈ G, tal que x ∗ x = e = x ∗ x

Portanto, (G,*) é um grupo.

OBSERVAÇÕES
a) Quando a operação * estiver fixada em G poderemos dizer, simplesmente:

"Seja G um grupo" ou "Consideremos um grupo G" . Fica subentendida a operação * e


a verificação das propriedades G1, G2 e G3.

b) Se a operação for de adição então temos um grupo aditivo (G,+). Nesse caso o
elemento simétrico do elemento x será chamado de oposto de x.
c) Se a operação for de multiplicação então temos um grupo multiplicativo (G, ·) .
Nesse caso o elemento simétrico do elemento será chamado de inverso de x.
d) Quando o conjunto G é finito dizemos que o grupo é finito, caso contrário dizemos
que o grupo é infinito.

capítulo 1 • 20
Grupos comutativos ou abelianos

Consideremos (G,*) um grupo. Se a operação * satisfaz a propriedade co-


mutativa, então podemos dizer que G é um grupo comutativo ou abeliano (em
homenagem ao matemático Niels Henrik Abel).

•  G4: propriedade comutativa


∀x, y ∈ G tem − se x ∗ y = y ∗ x

Portanto, se uma estrutura de grupo admite a propriedade comutativa passa-


mos a chamar esse grupo de grupo comutativo ou grupo abeliano.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
1. Verifique se Z dotado da operação * tal que x * y = x + y – 3 é um grupo.

Solução:
Devemos verificar se são válidas as propriedades G1, G2 e G3.

•  G1: propriedade associativa

∀x, y, z ∈ Z, tem − se ( x ∗ y ) ∗ z = x ∗ ( y ∗ z )
( x ∗ y ) ∗ z ⇒ ( x + y − 3) ∗ z = ( x + y − 3) + z − 3 = x + y + z − 6
( x ∗ y ) ∗ z ⇒ x ∗ ( y + z − 3) = x + ( y + z − 3) − 3 = x + y + z − 6

Assim fica verificada a propriedade associativa.

•  G2: existência do elemento neutro

Existe um elemento e ∈ Z tal que e * x = x = x * e para todo x em Z.

e∗x = x ⇒ e + x −3 = x ⇒ e = 3
x ∗e = x ⇒ x + e − 3 = x ⇒ e = 3

Assim fica verificado que ∃e = 3 ∈ Z, tal que 3 ∗ x = x = x ∗ 3, ∀x ∈ Z

•  G3: existência do elemento simétrico

∀x ∈ Z, ∃x ’ ∈ Z, tal que x ∗ x ’ = e = x ’ ∗ x
x ∗ x ’ = 3 ⇒ x + x ’− 3 = 3 ⇒ x ’ = 6 − x
x ’∗ x = 3 ⇒ x ’ + x − 3 = 3 ⇒ x ’ = 6 − x

capítulo 1 • 21
Assim fica verificado que ∃x ’ = ( 6 − x ) ∈ Z, tal que ( 6 − x ) ∗ x = 3 = x ∗ ( 6 − x ) , ∀x ∈ Z
Portanto, (Z,*) é um grupo.
Podemos verificar se esse grupo é comutativo. Então vamos verificar a propriedade G4.

•  G4: propriedade comutativa

∀x, y ∈ Z, tem-se x ∗ y = y ∗ x
x∗y = x+ y −3
y∗x = y + x −3

A propriedade comutativa foi verificada.


Conclusão: (Z,*) é um grupo comutativo ou abeliano.

2. Verifique se Z dotado da operação * tal que x * y = x + y2 é um grupo.

Solução:
Vamos verificar se são válidas as propriedades G1, G2 e G3.

•  G1: propriedade associativa

∀x, y, z ∈ Z, tem-se ( x ∗ y ) ∗ z = x ∗ ( y ∗ z )
( x ∗ y ) ∗ z ⇒ ( x + y 2 ) ∗ z = ( x + y2 ) + z2 = x + y2 + z2
( x ∗ y ) ∗ z ⇒ x ∗ ( y + z2 ) = x + ( y + z2 )
2
= x + y2 + 2yz2 + z4

A propriedade associativa não foi verificada, observe que o resultado encontrado à direita
é diferente do resultado encontrado à esquerda. Portanto, (Z,*) não é um grupo.

3. Verifique se R2 = {(x, y) / x, y ∈ R} dotado da operação (+), tal que ( x, y ) + ( a, b ) = ( x + a, y + b )


é um grupo.

Solução:
Vamos verificar se são válidas as propriedades G1, G2 e G3.

•  G1: propriedade associativa

∀ ( x, y ) , ( a, b ) e ( c, d) ∈ R2 , tem-se ( x, y ) + ( a, b )  + ( c, d) = ( x, y ) + ( a, b ) + ( c, d) 


( x, y ) + ( a, b )  + ( c, d) ⇒ ( x + a, y + b ) + ( c, d) = ( ( x + a ) + c, ( y + b ) + d)
( x, y ) + ( a, b ) + ( c, d) ⇒ ( x, y ) + ( a + c, b + d) = ( x + ( a + c ) , y + (b + d) )

capítulo 1 • 22
A soma em R2 é associativa, pois existe uma soma em R que também é associativa.

•  G2: existência do elemento neutro

Nesse caso basta considerarmos (0, 0) ∈ R2.

( x, y ) + ( 0, 0 ) = ( x, y )
( 0, 0 ) + ( x, y ) = ( x, y )

Veja (0,0) é o elemento neutro da adição em R2.

•  G3: existência do elemento simétrico

Nesse caso basta considerarmos (–x, – y) ∈ R2 o elemento simétrico de (x, y) para a


operação adição em R2.

( x, y ) + ( −x, − y ) = ( 0, 0 )
( −x, − y ) + ( x, y ) = ( 0, 0 )

Portanto, (R2, +) é um grupo.


Podemos verificar se esse grupo é comutativo. Então vamos verificar a propriedade G4.

•  G4: propriedade comutativa

∀ ( x, y ) , ( a, b ) ∈ R2 , ( x, y ) + ( a, b ) = ( a, b ) + ( x, y )
( x, y ) + ( a, b ) = ( x + a, y + b )
( a, b ) + ( x, y ) = ( a + x, b + y )

A soma em R2 é comutativa, pois existe uma soma em R que também é comutativa.


Conclusão: (R2, +) é um grupo comutativo ou abeliano.

4. Seja A um conjunto não vazio e RA o conjunto das aplicações de A em R. Por exemplo,


vamos considerar A = R. Teremos então RR, conjunto das funções de R.

RR = {f : R → R, funções}

Note que considerando as funções f e g definidas de R R podemos definir:


•  A soma f + g: R → R, onde (f + g) (x) = f (x) + g (x)
•  O produto f · g: R → R, onde (f · g) (x) = f (x) · g (x)

capítulo 1 • 23
A partir dessas definições também podemos definir as operações de adição e multiplica-
ção em RR. Nesse caso, teremos uma função de RR x RR → RR.
Mostre que RA é um grupo aditivo.
Vamos verificar se são válidas as propriedades G1, G2 e G3.

Solução:

•  G1: propriedade associativa

Sejam f (x), g (x), h (x) ∈ RA e x ∈ A, temos (f + g) + h = f + (g + h).


Para todo x ∈ A , temos:

( f + g) + h ( x ) =  f + ( g + h)  ( x )
( f + g)( x ) + h ( x ) = f ( x ) + ( g + h)( x )
( f ) ( x ) + g ( x ) + h ( x ) = f ( x ) + ( g)( x ) + h ( x )
A propriedade associativa foi verificada.

•  G2: existência do elemento neutro

∃g ∈ R A , ∀f ∈ R A tal que f + g = f = g + f

Para todo x ∈ A , temos:

( f + g)( x ) = f ( x )
f ( x ) + g( x ) = f ( x )

g (x) = 0A que é a função nula.

( g + f )( x ) = f ( x )
g( x ) + f ( x ) = f ( x )
g ( x ) = 0A

Logo, verifica-se a existência do elemento neutro g (x) = 0A, f + 0A = f = 0A + f ,

•  G3: existência do elemento simétrico

∀f ∈ R A , ∃g ’ ∈ A , tal que f + g ’ = 0A = g ’ + f
( f + g ’ ) ( x ) = 0A ⇒ f( x ) + g ’( x ) = 0A ⇒ g ’( x ) = −f( x )
( g ’+ f ) ( x ) = 0A ⇒ g ’( x ) + f( x ) = 0A ⇒ g ’( x ) = −f( x )

capítulo 1 • 24
Logo, ∀f ∈ R A , ∃g ’ = − f( x ) ∈ A tal que f( x ) − f( x ) = 0A
Portanto, (RA, +) é um grupo aditivo.

Grupos importantes

•  Z com adição usual de inteiros é um grupo comutativo.


•  Q com adição usual de racionais é um grupo comutativo.
•  ( R, + ) , ( C, + ) ,( Q∗ ,⋅) , ( R ∗ ,⋅) , ( C∗ ,⋅) são grupos comutativos.
•  (Q+,·), Q+ = {racionais positivos} é um grupo comutativo.
_ _ _ _____ 
•  Z m = 0,1, 2,…m − 1, ( Z m , + ) é um grupo comutativo. A operação adição é
 _ _ _____ 
definida por: a + b = a + b .

•  Grupo aditivo de matrizes Mm×n ( Z ) , Mm×n ( Q ) , Mm×n ( R ) , Mm×n ( C ) .


•  Grupos multiplicativos de classes de restos.
•  Grupos de permutações.
•  G = GL2 (R) é um grupo multiplicativo, mas não é abeliano.

GL2 (R) é o conjunto das matrizes quadradas de ordem 2 inversíveis com


elementos em R.

 a b  
GL2 ( R ) =   / a, b, c, d ∈ R e ad − bc ≠ 0 
 c d  

Propriedades de um grupo

As propriedades que veremos são consequências imediatas das propriedades


G1, G2 e G3, estudadas anteriormente. Vejamos:
Considerando (G,*) um grupo, temos que:

a) O elemento neutro é único.


Demonstração:
Sejam e1 e e2 elementos de G.
a ∗ e1 = e1 ∗ a = a, ∀a ∈ G (1 )
a ∗ e2 = e2 ∗ a = a, ∀a ∈ G ( 2 )

capítulo 1 • 25
Em (1), tomando a = e2 ⇒ e2 ∗ e1 = e1 ∗ e2 = e2 , (3 )
Em (2), tomando a = e1 ⇒ e1 ∗ e2 = e2 ∗ e1 = e1 , ( 4 )

Veja que de (3) e (4) temos que e1 = e2. Assim, fica provado que o elemento
neutro é único.

b) O inverso de cada elemento é único.


Demonstração:
Seja a um elemento de G e sejam a'1 e a'2 inversos de a.
a ∗ a 1 = a 1 ∗ a = e, ∀a ∈ G (1 )
a ∗ a 2 = a 2 ∗ a = e, ∀a ∈ G ( 2 )
a 2 = a 2 ∗e = a 2 ∗(a ∗a 1 ) = (a 2 ∗a )∗a 1 = e∗a 1 = a 1

Assim, fica provado que o elemento inverso é único.

c) (a')' = a, para todo a em G.


Demonstração:
Sabemos que a' é o inverso de a. Então a * a’1 = a’1 * a = e. Pela propriedade 2
temos que a é inverso de a'1. Então (a')' = a.

d) (a * b)’ = b’ * a’
Demonstração:
Note que
( a ∗ b ) = b ∗ a = a ∗ ( b ∗ b ) ∗ a = a ∗ e ∗ a = a ∗ a = e (1 )
( b ∗ a )( a ∗ b) = b ∗ ( a ∗ a ) ∗ b = b ∗ e ∗ b = b ∗ b = e (2)

De (1) e (2) temos que b’ * a’ é o inverso de a * b.


Como o inverso é único, podemos concluir que (a * b)’ = b’ * a’.

e) Lei do cancelamento
Seja (G,*) um grupo. Então: a ∗ b = a ∗ c ⇒ b = c e b ∗ a = c ∗ a ⇒ b = c
Demonstração:
Note que:
a ∗ b = a ∗c ⇒ a ∗( a ∗ b) = a ∗( a ∗c) ⇒ ( a ∗ a ) ∗ b = (a ∗ a ) ∗c ⇒ e ∗ b = e ∗c ⇒ b = c

capítulo 1 • 26
f ) Quaisquer que sejam a e b elementos do grupo G existe um único
elemento x de G tal que a * x = b e x * a = b , admite uma única solução
em G.
Demonstração:
x = a’ * b e x = b * a’ são soluções de a * x = b e x * a = b, respectivamente.
Segue que
a ∗(a ∗ b) = (a ∗ a ) ∗ b = e ∗ b = b e (b ∗ a ) ∗ a = b ∗( a ∗ a ) = b ∗e = b

Agora vamos mostrar que a solução é única.


Vamos considerar x1 e x2 soluções de a * x = b . Então a * x1 = b e a * x2 = b
implica que a ∗ x1 = a ∗ x 2 ⇒ x1 = x 2 , pela propriedade do cancelamento.
Podemos concluir que a solução X = a’ * b para a * x = b é única. O mesmo
se verifica com a solução x = b * a’ para a * x = b .

g) Todo elemento de G é regular para a operação *.


Definição de Elementos regulares:
Dizemos que um elemento a de G é regular (ou simplificável) para a operação
* se:
a∗x = a∗y ⇒ x = y (1 )
x ∗ a = y ∗ a ⇒ x = y, ∀x, y ∈ G ( 2 )

Dizemos que a é regular à esquerda (1)


Dizemos que a é regular à direita (2)

EXEMPLO
a) 3 é regular para a adição em N, pois 3 + x = 3 + y então x = y, x, y ∈ N .
b) 3 é regular para a multiplicação e Z, pois 3x = 3y então x = y, x, y ∈ N.
c) 0 não é regular para a multiplicação em Z, pois 0 · 2 ≠ 0 · 3 e 2 ≠ 3.
 1 2
d)   é regular para a adição em M2 x 2 (R), pois:
3 4
 1 2   x1 y1   x2 y2   1 2   x1 y1   x2 y2 
 + = + ⇒ = 
 3 4   z1 w1   z2 w2   3 4   z1 w1   z2 w2 

capítulo 1 • 27
Observação
O conjunto dos elementos regulares de G para a operação * é indicado por R*(G) .

EXERCÍCIO RESOLVIDO
Seja b um elemento do grupo H com a operação * e elemento neutro e. Determine a
solução da equação b–1 * x * b = e .
Observe que nesse exercício aparece a notação b–1 ao invés de b'.

Solução:
Devemos isolar a variável x do lado esquerdo, mas para isso devemos excluir o b–1 e o b.
Para fazermos isso usaremos as propriedades dos grupos. Observe que podemos multiplicar
o lado esquerdo e o lado direito por b.

b −1 ∗ x ∗ b = e (multiplicar por b)
( b ∗ b −1 ) ∗ x ∗ b = e ∗ b, mas b ∗ b −1 = e
e ∗ x ∗b = e ∗b (multiplicar por b–1)
e∗x ∗( b ∗ b −1 ) = e∗( b ∗ b −1 )
e ∗ ( x ∗ e) = e ∗ e (Lei do cancelamento)
e∗x = e∗e
x=e

Tábua de um grupo finito

O número de elementos de um grupo G é chamado de ordem do grupo e


denotamos por |G| ou o(G). Um grupo pode ser finito ou infinito. Se o conjunto
G é finito, então temos um grupo finito. Se G não é um grupo finito, então G é
um grupo infinito. O grupo (Z,+) é um exemplo de grupo infinito.
Nos próximos capítulos falaremos mais sobre a ordem de um grupo. Nesse
momento nos interessa mostrar que dado um grupo G finito com uma operação
* podemos representar esse grupo através de uma tábua da operação *. Essa tábua
é chamada tábua do grupo G.

capítulo 1 • 28
De acordo com a literatura, o matemático Arthur Cayley (1821 - 1899) foi o
primeiro a fazer uso da tábua para representar os grupos finitos. A tábua é conhe-
cida como Tábua de Cayley. Nela analisaremos as propriedades que caracterizam
a existência do grupo (associatividade, existência do elemento neutro e existência
do elemento simétrico).

Definição

Seja G = {a1, a2, a3, ..., an} um conjunto com n elementos, onde n ≥ 1.
Considere uma operação * sobre G.
∗: G× G → G

(a ,a ) → a ∗ a
i j i j = a ij

O elemento aij pode ser representado numa tábua de dupla entrada como
mostra a figura a seguir.

Operação Linha fundamental


* a1 a2 ... ai ... ai ... an
a1
a2
...
ai aii
...
ai
...
an
Coluna fundamental
A tábua deve ser lida primeiramente pela linha e em seguida pela coluna.

capítulo 1 • 29
A construção da tábua é bem simples. Inicialmente devemos colocar os ele-
mentos do conjunto G na primeira linha da tábua, chamada de linha fundamen-
tal, e depois colocar esses mesmos elementos também na coluna, chamada de
coluna fundamental.
O elemento aij é encontrado pela interseção da i-ésima linha com a j-ésima
coluna, ou seja, na linha pegamos um elemento ai e na coluna um elemento aj.

ai * aj = aij

EXEMPLO
Construa a tábua da operação x * y = mmc (x, y) sobre o conjunto G = {1, 5, 15, 25}.
Veja como preencher a tábua.

•  Primeira linha:

x ∗ y = mmc ( x, y )
1∗1 = mmc (11
, ) =1
1∗ 5 = mmc (15
, )=5
1∗15 = mmc (115
, ) = 15

•  Segunda linha:

x ∗ y = mmc ( x, y )
5 ∗1 = mmc ( 5,1) = 5
5 ∗ 5 = mmc ( 5, 5) = 5
5 ∗15 = mmc ( 5,15) = 15
5 ∗ 25 = mmc ( 5, 25) = 25

As demais linhas seguem o mesmo procedimento.


Agora vamos analisar a tábua de operação de um grupo finito.
Seja G = {a1, a2, a3, ..., an} um grupo finito de ordem n e a operação *. Neste caso a tábua
com a operação * é chamada de Tábua do grupo G. Porém, para determinarmos que uma
tábua de operação é a tábua de um grupo finito precisamos verificar se as propriedades G1,
G2 e G3 são satisfeitas. Lembrando que as propriedades são:
99 G1: propriedade associativa
99 G2: existência do elemento neutro
99 G3: existência do elemento simétrico para cada elemento de G

capítulo 1 • 30
No caso dos grupos comutativos podemos também verificar a propriedade comutativa.
•  G1: propriedade associativa

∀x, y, z ∈ G tem-se ( x ∗ y ) ∗ z = x ∗ ( y ∗ z )

Na tábua deve-se verificar todos os compostos de três elementos cada um, ou seja,
deve-se determinar 2n3 compostos, onde n é o número de elementos do conjunto dado. Por
exemplo, um conjunto com três elementos, n = 3, teremos que calcular
2 · (3)3 = 54 compostos com 3 elementos cada um.

•  G2: existência do elemento neutro

∃ e ∈ G tal que e ∗ x = x = x ∗ e, ∀x ∈ G

A operação * possui neutro, se existir um elemento cuja linha e coluna são respecti-
vamente iguais a linha e a coluna fundamentais. Veja a existência do elemento neutro na
seguinte tábua com a operação *.
Tábua da operação x * y = mmc (x, y) sobre o conjunto G = {1, 5, 15, 25}.

* 1 5 15 25 Linhas iguais
1 1 5 15 25
5 5 5 15 25
15 15 15 15 75
25 25 25 75 25

Colunas iguais

O elemento neutro encontra-se no cruzamento da linha com a coluna. Nessa tábua o


elemento neutro é 1.
Na tábua a seguir não tem o elemento neutro de acordo com as condições apresentadas.
Veja que não existe nenhuma linha igual a linha fundamental e não existe nenhuma coluna
igual a coluna fundamental.

capítulo 1 • 31
* 1 2 3
1 1 2 3
2 3 1 2
3 2 1 3
•  G3: Existência dos elementos simetrizáveis

∀x ∈ G, ∃x ’ ∈ G tal que x ∗ x ’ = e = x ’ ∗ x

Um elemento ai ∈ G é simetrizável para a operação *, com elemento neutro e quando


∃a j ∈ G, tal que ai ∗ a j = e = a j ∗ ai .
Em outras palavras o elemento neutro aparece em posições simétricas em relação à
diagonal principal. Vamos considerar a tábua a seguir com uma operação * .

* 0 1 2 3
0 0 1 2 3
1 1 2 3 0
2 2 3 0 1
3 3 0 1 2

Elemento neutro: 0
Elementos simetrizáveis: 0, 1, 2, 3
Por quê?

0∗0 = 0
1∗ 3 = 0 = 3 ∗1
2∗2 = 0

Podemos verificar também, na tábua, a propriedade G4 que define o grupo como sendo
um grupo abeliano ou comutativo.

capítulo 1 • 32
•  G4: propriedade comutativa

∀x, y ∈ G, tem-se x * y = y * x

Na tábua verificamos se, ai ∗ a j = a j ∗ ai , ∀i, j ∈ {12


, ,…, n} , ou seja, basta verificar se os
elementos aij e aji que estão em posição simétrica em relação a diagonal principal, são iguais.
Seja a tábua a seguir com uma operação *.

* 0 1 2 3
0 0 1 2 3
1 1 2 3 0
2 2 3 0 1
3 3 0 1 2

A operação * é comutativa, pois a tábua é simétrica em relação a diagonal principal. Além


disso, podemos verificar que:

0∗0 = 0 1∗1 = 2 2∗2 = 0 3∗3 = 2


0 ∗1 = 1 = 1∗ 0 1∗ 2 = 3 = 2 ∗1 2 ∗ 3 = 1= 3 ∗ 2
0∗2 = 2 = 2∗0 1∗ 3 = 0 = 3 ∗1
0∗3 = 3 = 3∗0

Na tábua a seguir a propriedade comutativa não é verificada.

* a b c
a b a c
b a b a
c a b b

Portanto, podemos facilmente verificar através da tábua se uma determinada operação


define uma estrutura de grupo. Vejamos um exemplo adaptado do Livro Álgebra Moderna:
volume único/Higino H. Domingues, Gelson Iezzi, - 4. ed reform. - São Paulo: Atual, 2003.

capítulo 1 • 33
EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
1. Sejam f1, f2, f3, e f4 funções reais definidas de R em R da seguinte maneira:

1 1
f1 = , f2 = − x, f3 = − , f4 = x
x x

Se fG = {f1, f2 , f3 , f4 } , mostre através da tábua de operação que (G, o) é um grupo com a


operação composição. Se for verifique se é um grupo comutativo.

Solução:
Veja que para preencher a tábua basta fazer a composição de funções.

0 f1 f2 f3
f1
f2
f3

f2 ° f3 (f3) = (–x)° – ( 1x (= –(– 1x (= 1x = f 1

( ) =  x    x  = 1 = x = f4
1 1 1
1f1 = f1 f1
   
x
 1 1
f1  f2 = f1 ( f2 ) =    ( − x ) = − = f3
x
  x
 1  1 1
f1  f 3 = f1 ( f3 ) =     −  = = − x = f2
x  x −1
x
 1 1
f1  f4 = f1 ( f4 ) =    ( x ) = = f1
x x

( f3 ) = ( −x )   x  = − x = f3
1 1
2 f1 = f2
 
f2  f2 = f2 ( f2 ) = ( −x )  ( − x ) = − ( −x ) = x = f4
f2  f4 = f2 ( f4 ) = ( − x )  ( x ) = − x = f2

capítulo 1 • 34
( f1) =  − x    x  = − 1 = −x = f2
1 1 1
3 f1 = f3
   
x
 1  1 1
f3  f2 = f3 ( f2 ) =  −   ( − x ) = −  −  = = f1
 x  x x
 1   1  1
f3  f 3 = f3 ( f3 ) =  −    −  = − = − ( − x ) = x = f4
 x  x 1

x
 1  1
f3  f4 = f3 ( f4 ) =  −   ( x ) = − = f3
 x x

( f1) = ( x )   x  = x = f1
1 1
4 f1 = f4
 
f4  f2 = f4 ( f2 ) = ( x )  ( − x ) = − x = f2
 1 1
f4  f 3 = f4 ( f3 ) = ( x )   −  = − = f3
 x  x
f4  f4 = f4 ( f4 ) = ( x )  ( x ) = x = f4

Tábua completa.

0 f1 f2 f3 f4
f1 f4 f3 f2 f1
f2 f3 f4 f1 f2
f3 f2 f1 f4 f3
f4 f1 f2 f3 f4
A propriedade associativa é válida, pois sejam f, g e h funções em G. Verifica-se que:

( f  g)  h = f  ( g  h)
( ( f  g )  h ) ( x ) = ( f  g ) (h ( x ) ) = f ( g (h ( x ) ) )
( f  ( g  h) ) ( x ) = f ( ( g  h)( x ) ) = f ( g (h ( x ) ) )
( f2  f3 )  f1 = f2  ( f3  f1)
f1  f1 = f2  f2
f4 = f4

capítulo 1 • 35
Elemento neutro:
F4, pois a quarta linha é igual a primeira linha fundamental e a quarta coluna é igual a
primeira coluna fundamental. Portanto, f4 é o elemento neutro.

Elementos simetrizáveis:
F1, f2, f3, f4, pois o elemento neutro aparece uma única vez em cada linha e cada coluna
da tábua e, suas posições são simétricas em relação à diagonal principal. Portanto, cada
elemento de G é simetrizável.
Como as propriedades que caracterizam um grupo foram verificadas temos que (G, o) é
um grupo.
Como a tábua é simétrica em relação à diagonal principal; portanto, a propriedade co-
mutativa também é verificada.
Logo, (G, o) é um grupo abeliano ou comutativo.

2. Seja A = {a, b, c} e G= {f/f: A → A bijetiva}. Construir a tábua de operação de compo-


sição de funções em G = { f1, f2, f3, f4, f5, f6} e verificar se (G, o) é um grupo. Se for um grupo
verifique se é um grupo comutativo.

a b c a b c a b c
f1 =   f2 =   f3 =  
a b c a c b b a c

a b c a b c a b c
f4 =   f5 =   f6 =  
b c a c a b c b a
f1  f1 = f2  f2
Solução: f4 = f4
Essa notação indica que:

f2 = ( aa b c
c b (
b é a imagem de c
c é a imagem de b
a é a imagem de a

f1 = {(a, a), (b, c), (c, b)}

capítulo 1 • 36
Agora observe como calculamos cada composto.

f2 f3
a b c
( a b c a b c
f2 ° f3 = f2(f3) = a c b ° b a c = c a b = f5 (( (( (
Em f3 a imagem do elemento a é b.
Em f2 a imagem do elemento b é c.

Segue a tábua preenchida.

* f1 f2 f3 f4 f5 f6
f1 f1 f2 f3 f4 f5 f6
f2 f2 f1 f5 f6 f3 f4
f3 f3 f4 f1 f2 f6 f5
f4 f4 f3 f6 f5 f1 f2
f5 f5 f6 f2 f1 f4 f3
f6 f6 f5 f4 f3 f2 f1

A propriedade associativa é válida, pois sejam f, g e h funções em G. Verifica-se que:

f ( f  g)  h = f  ( g  h)
( ( f  g )  h ) ( x ) = ( f  g ) (h ( x ) ) = f ( g (h ( x ) ) )
( f  ( g  h) ) ( x ) = f ( ( g  h)( x ) ) = f ( g (h ( x ) ) )

Elemento neutro: f1
Elementos simetrizáveis: f1, f2, f3, f4, f5, f6
Logo, (G, o) é um grupo, mas não é um grupo comutativo ou abeliano, pois

f3  f2 = f4 , f2  f3 = f5 e f3  f2 ≠ f2  f3

Na tábua de operação também podemos verificar a presença dos elementos regulares.

Todo grupo é regular.

Na tábua um elemento a é regular quando na linha e na coluna onde o elemento se


encontra não há elementos iguais.

capítulo 1 • 37
Seja o conjunto G = {1, 2, 3, 4, 5}.

* 1 2 3 4 5
1 1 2 3 4 5

2 2 3 4 5 1

3 3 4 3 4 2

4 4 5 4 2 3

5 5 1 2 3 4\

Elementos regulares: R*(G) = {1,2,5}

Operações no conjunto Zm e sua representação na tábua de


operação

Definição

Seja m ≥ 1 um número inteiro. Considere o conjunto quociente Zm de Z pela


congruência módulo m.
_ _ _ _____ 
Z m = 0 ,1 , 2 ,…m − 1 
 
_
onde r indica a classe de restos módulo m determinado pelo inteiro
r ( 0 ≤ r ≤ m − 1) .

capítulo 1 • 38
EXEMPLO
 _ _
a) Z2 = 0 ,1
 
 _ _ _
b) Z2 = 0 ,1, 2 
 

Quando estamos trabalhando em Zm podemos omitir as barras.

No conjunto Zm definimos duas operações: adição em Zm e multiplicação em Zm.

A adição em Zm

A adição em Zm pode ser definida do seguinte modo:


+ : Zm x Zm → Zm

( a, b) → a + b = a + b

Zm com a operação de adição (+) é um grupo comutativo.

EXEMPLO
1. Calcule a soma 27 + 45 considerando Z10.

27 + 45 = 7 + 5 = 7 + 5 = 12 = 2

27 dividido por 10 deixa resto 7.


45 dividido por 10 deixa resto 5.
12 dividido por 10 deixa resto 2.

Esse critério também é usado na construção da tábua de Zm.


{
Veja a tábua para Z4 = 0,12 }
, , 3 com a operação de adição.

capítulo 1 • 39
* 0 1 02 13 02 1
3 02 13 2 3

0 1 2 03 1 2 0 31 2 0 31 20 3
1 2 3

0 1 2 30 1 2 0 31 20 3
1 2 3 0 1 2 3

0 1 2 30 1 20 3
1 2 3 0 1 2 0 31 2 3

0 1 2 30 1 2 3 0 1 2 0 31 2 0 31 2 3

_ _ _____ _ _
1+ 3 = 1+ 3 = 4 = 0, pois 4 dividido por 4 deixa resto 0.
_ _ _____ _ _
3+ 3 = 3 + 3 = 6 = 2, pois 6 dividido por 4 deixa resto 2.

Analisando a tábua note que:


•  Elemento neutro: 0
•  Elementos simetrizáveis: 0, 1 , 2, 3

O inverso de 1 é 3 , pois 1 + 3 + 4 = 0 e o inverso de 3 é 1 .


•  A propriedade associativa é válida.
•  A propriedade comutativa é verificada.

Portanto, (Z4,+) é um grupo comutativo.

Considerando (ZM,+) um grupo as equações do tipo x + a = b terão sempre solução.

x + a = b ⇒ x = b + ( −a )

capítulo 1 • 40
2. Considere o conjunto (Z7, +) . Vamos calcular a solução da equação x + 5 = 3 .
Para resolvê-la devemos somar dos dois lados da igualdade o inverso de 5. O inverso de
5 é 2, pois 2 + 5 = 7, logo:

( x + 5) + 2 = 3 + 2
x + (5 + 2 ) = 3 + 2
x+0=5
x = 5, pois 5 + 5 = 10 = 3

A multiplicação em Zm

A multiplicação em Zm pode ser definida do seguinte modo:


+ : Zm x Zm → Zm

( a, b) → a ⋅ b = a ⋅ b

EXEMPLO
__ __
1. Calcule a soma 27⋅ 45 considerando Z10.
__ __ __ __ _____ __ __
27⋅ 45 = 7 ⋅ 5 = 7 ⋅ 5 = 35 = 5

27 dividido por 10 deixa resto 7.


45 dividido por 10 deixa resto 5.
35 dividido por 10 deixa resto 5.

_ _ _____
Em geral a⋅ b = a ⋅ b não é um grupo, pois excluindo o elemento 0 de Zm não temos
como garantir que o conjunto restante é um grupo multiplicativo. Isso vai ocorrer se a
proposição a seguir for verificada.

Proposição
(Z*m, ·) é um grupo se, e somente se, m é um número primo (m > 1).

capítulo 1 • 41
Essa proposição diz que quando m é um número primo, a multiplicação módulo m
(quando restrita aos elementos de (Z*m), faz com que ele seja um grupo. Basta verificar que
_ _
∀ a ∈ Zm
* , a não é múltiplo de m, e mdc (a, m) = 1. Isso nos faz concluir que como a não é

nulo ele admite simétrico multiplicativo em Z*m. Assim, (Z*m, ·) é um grupo multiplicativo das
classes de resto módulo m.

_ _ _ _
2. Veja na tábua para Z4 = 0 ,1, 2 , 3  a operação de multiplicação.
 

* 0 1 02 13 02 1
3 02 13 2 3

0 1 2 03 1 2 0 31 2 0 31 20 3
1 2 3

0 1 2 30 1 2 0 31 20 3
1 2 3 0 1 2 3

0 1 2 30 1 20 3
1 2 3 0 1 2 0 31 2 3

0 1 2 30 1 2 3 0 1 2 0 31 2 0 31 2 3

_ _ _____ _ _
2⋅ 2 = 2 ⋅ 2 = 4 = 0
_ _ _____ _ _
3⋅ 3 = 3 ⋅ 3 = 9 = 1

Analisando a tábua notamos que:


•  Elemento neutro: 1 .
•  Elementos simetrizáveis: 1 e 3 .
•  A propriedade associativa é válida.
•  A propriedade comutativa é verificada.

(Z4, ·) não é um grupo multiplicativo, pois nem todos os elementos são simetrizáveis.

capítulo 1 • 42
EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. (Adaptado) Resolva em Z18 o sistema a seguir.

_ _ _
5 x + 2 y = 1
 __ _
x + 11y = 7

Solução:
Vamos multiplicar a segunda equação por 13 , pois assim será possível somar as equa-
ções e eliminar uma variável. Devemos ter em mente que estamos resolvendo o sistema
em Z18.

_ _ _ _ _ _ _ _ _
5 x + 2 y = 1 5 x + 2 y = 1 5 x + 2 y = 1
 ⇒ ⇒ ⇒
__ _ __ __ __ __ __ _ __ __ ____ __
x + 11y = 7 × 13 13 x + 13 .11y = 13 . 7 × 13 13 x + 143 y = 91
  
_ _ _
5 x + 2 y = 1
⇒
__ ____ __
13 x + 17 y = 1

Veja que:
143 dividido por 18 deixa resto 17.
91 dividido por 18 deixa resto 1.

Agora vamos somar as duas equações:

_ _ _
5 x + 2 y = 1 __ ___ __ __ __ __ __ __ __
 __ ⇒ 18 x + 19 y = 2 ⇒ 0 .x + 1 . y = 2 ⇒ 1 . y = 2 ⇒ y = 2
___ __
13 x + 17 y = 1

Já encontramos uma solução que é y = 2 . Vamos escolher uma das equações e substi-
tuir o valor encontrado para a variável y. Por exemplo, escolhendo a primeira equação teremos:
_ _ _ _ _ _ _
5 x + 2⋅ 2 = 1 ⇒ 5 x + 4 = 1

O simétrico aditivo de 4 é 14 , pois 4 + 14 = 18 = 0 . Então podemos somar os dois lados


da igualdade por 14 .
_ _ __ _ __ _ __ __ _ __ __ _ __
5 x + 4+ 14 = 1+ 14 ⇒ 5 x + 18 = 15 ⇒ 5 x + 0 = 15 ⇒ 5 x = 15 .

capítulo 1 • 43
_ __
Agora vamos resolver a equação 5 x = 15 .
O simétrico multiplicativo de 5 é 11, pois 5 ⋅11 = 55 = 1 .
Então vamos multiplicar os dois lados da igualdade por 11.
__ _ __ __ __ ____ _ _ _
11⋅ 5 x = 11⋅15 ⇒ 55 x = 165 ⇒ 1x = 3 ⇒ x = 3

 _ _  
Portanto, a solução do sistema será: S  3, 2   .
  

ATIVIDADES
01. Verifique se a operação binária * sobre Z, definida por x * y = x2 + y é associativa.

02. Seja operação binária * definida por:

∗: Z×Z → Z
( x, y ) → x ∗ y = x2 − 2 y

Mostre que a operação * é uma operação interna em Z.

03. Verifique se a operação binária * sobre N, definida por x * y = mmc (x, y) admite elemento
simetrizável.

04. Verifique se a operação (x, y) → x* y sobre o conjunto dos números inteiros (Z) é
um grupo.
x * y = x + y + xy

05. Verifique se a operação (x, y) → x* y sobre o conjunto dos números racionais (Q) é
um grupo.

x+y
x∗y =
3

3
06. Verifique se a operação (a, b) → a* b = a 3 + b3 sobre o conjunto dos números reais
(R) é um grupo.

capítulo 1 • 44
ab
07. Em Q+ defina a seguinte operação: ∀a, b ∈ Q + , a ∗ b = . Verifique se (Q+, *) é um
2
grupo.

08. Verifique se a operação (x, y) → x* y sobre o conjunto R é um grupo.

x * y = x + y + 2xy

09. Verifique se o conjunto dos números reais munido da operação * definida por a * b = 3ab
é um grupo.

10. Dado x ∗ y = x + y + 3 em Z4, verifique se (Z4,*) é um grupo comutativo.


Z6 é um grupo comutativo com a operação *. A operação * é definida do seguinte modo:

a ∗b = a + b + 4

Determine o elemento neutro e o elemento simétrico desse grupo.

{ }
11. O conjunto A = a + b 7 ∈ R∗ / a, b ∈ Q é um grupo com a operação de multiplicação
usual dos números reais. Considerando que o elemento neutro desse grupo é 1 determine o
inverso de x = 2 + 7 ∈ A .

12. Considere o conjunto V = {f1, f2, f3, f4}. Verifique, através da tábua de operação, se (V, o)
é um grupo com a operação composição de funções. Se for um grupo, então verifique se é
um grupo abeliano.

1 2 3 4  1 2 3 4  1 2 3 4  1 2 3 4 
f1 =   f2 =   f3 =   f4 =  
1 2 3 4  2 1 4 3 3 4 1 2  4 3 2 1

13. (Adaptado) Construa a tábua da operação * sobre o conjunto G = {e, f, g, h}, consideran-
do as seguintes informações:
a) f é o elemento neutro d) e* g = h
b) o simétrico de e é e e) todos os elementos de G são regulares.
c) o simétrico de g é h

14. Sejam f1, f2, f3, f4 funções reais definidas de R em R da seguinte maneira:

1 1
f1 = , f2 = − x, f3 = − , f4 = x
x x

capítulo 1 • 45
G = {f1, f2, f3, f4} é um grupo com a operação composição de funções. Considerando a
tábua a seguir determine:
a) f12
b) f2−1
c) ff33
d) f12  f2−1  f33

* f1 f2 f3 f4
f1 f4 f3 f2 f1

f2 f3 f4 f1 f2

f3 f2 f1 f4 f3

f4 f1 f2 f3 f4

15. Mostre que (Zm,+) é um grupo comutativo.

16. Marque a alternativa que indica o elemento neutro da operação binária * sobre R+, defi-
nida por fx ∗ y = x2 + y2 .
a) e = 0 d) e = 3
b) e = 1 e) e = 4
c) e = 2

17. Seja operação binária * definida por:

∗: Z×Z → Z
( x, y ) → x ∗ y = resto da divisão de x + y por 4

Calcule 12 (– 3).
a) 5 d) 1
b) –3 e) 15
c) –4

capítulo 1 • 46
18. Considere a operação binária * sobre R, definida por x * y = mx + ny + kxy, onde m, n
e k são números reais dados. Estabeleça as condições sobre m, n e k de modo que essa
operação seja comutativa.
a) m = k d) m > n
b) m ≠ n e) m = n
c) m < n

19. Seja f (x) – ax + b uma função afim definida de R em R. Considere f (x) um grupo com
relação a composição de funções. A partir dessa informação, indique nas alternativas a se-
guir o elemento inverso do grupo.

b x b
a) f −1( x ) = x − , a ≠ 0 d) f −1( x ) = − + , a ≠ 0
a a a
x b x
b) f −1( x ) = − − , a ≠ 0 e) f −1( x ) = + b, a ≠ 0
a a a
x b
c) f −1( x ) = − , a≠0
a a

20. Seja R um grupo com a operação * definida por x*y = x + y – 5. Marque a alternativa que
indica o elemento inverso do grupo (R,*).
a) x–1 = 2 – x d) x–1 = – x
b) x = 5 – x
–1
e) x–1 = 3 – x
c) x–1 = 10 – x

21. Seja b um elemento do grupo H com a operação * e elemento neutro e. Determine a


solução da equação b * x * b–1 = b.
a) x = e e) x = –b
b) x = b
c) x = 0
d) x = 1

capítulo 1 • 47
22. Encontre a solução do sistema abaixo em Z11.

_ _ _
2 x + 3 y = 7
_ _
5 x + y = 6

 _ _    _ _  
a) S =  2, 3   d) S =  3, 5  
     
 _ _    _ _  
b) S =  0, 2   e) S =  0, 6  
     
 _ _  
c) S =  2, 6  
  

CURIOSIDADES
•  Aprendendo Álgebra com o Cubo Mágico. Disponível em: <https://www.dm.ufscar.
br/profs/waldeck/rubik/rubik3.pdf>; <http://www.mat.ufmg.br/ead/acervo/livros/Alge-
bra_e_Funcoes_na_Educacao_Basica.pdf>.
•  Uma Análise Histórico - Epistemológica do conceito de Grupo: caminhos para uma nova
transposição didática. Disponível em: <www.fae.ufmg.br/ebrapem/completos/04-08.pdf>.
•  Dificuldades de graduandos em Matemática na compreensão de conceitos que
envolvem o estudo da estrutura algébrica grupo. Disponível em: <https://revistas.pu-
csp.br/index.php/emp/article/download/10353/pdf>.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LANG, Serge. Álgebra para Graduação. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda, 2008.
GONÇALVES, Adilson. Introdução a álgebra. 5. ed. Rio de Janeiro: IMPA, 2003.
DOMINGUES, Hygino H.; IEZZI, Gelson. Álgebra moderna. 4. ed. São Paulo: Atual, 2003.
GARCIA, Arnaldo. Álgebra: um curso de introdução. Rio de Janeiro: IMPA-Projeto Euclides, 2003.
DURBIN, John R. Modern algebra: An introduction. 4th ed: Wiley, 2000.
MONTEIRO, L.H. Elementos de Álgebra. Rio de Janeiro: Livro Técnicos Científicos, 1971

capítulo 1 • 48
2
Grupos de
permutações,
subgrupos e grupos
cíclicos
Grupos de permutações, subgrupos e grupos
cíclicos

Agora que já temos conhecimento da definição de grupo e suas propriedades


ou axiomas, podemos dar continuidade ao nosso estudo conhecendo outros gru-
pos, nesse caso os grupos de permutações. Em seguida vamos falar brevemente
sobre a definição de potências de um grupo, que será necessária quando falarmos
sobre subgrupos e grupos cíclicos.

OBJETIVOS
•  Compreender a definição de um grupo de permutação e realizar operações com eles;
•  Conhecer a definição de potência de um grupo;
•  Conhecer a definição de subgrupo e seus principais resultados;
•  Verificar se um determinado subconjunto de um grupo é subgrupo deste grupo;
•  Conhecer subgrupos gerados por elementos do grupo;
•  Conhecer e identificar os grupos cíclicos e ordem de um elemento do grupo.

Grupos de permutações

Definição

Vamos considerar um conjunto E não vazio e S(E) o conjunto de todas as


funções bijetoras f: E → E ou S(E) = { f: E → E ; f bijetiva}. Podemos definir
uma operação "o" chamada de composição de funções. A partir dessa definição
podemos dizer que E é um conjunto não vazio, então S(E) é um grupo.
Isso pode ser facilmente verificado através da análise dos axiomas que carac-
terizam um grupo.
Vejamos:
a) ∀f , g, h ∈ S(E), ( f  g )  h = f  ( g  h ) , assim verifica-se que a propriedade
associativa é válida.

capítulo 2 • 50
b) O elemento neutro da operação composição (o) é dado pela função
identidade Id: E → E, assim Id (x) = x, pois para ∀f ∈ S(E), Id  f = f  Id = f .
c) Como já foi dito toda função f ∈ S (E) é bijetiva e sendo assim, possui
inversa f −1 ∈ S(E) tal que f  f −1 = f −1  f = I .

Concluímos que ( S(E), o), com a operação de composição de funções, é um


grupo chamado de Grupo das Permutações sobre o conjunto E.

OBSERVAÇÕES
1. Podemos indicar S(E) por Sn, onde n é o número de elementos do conjunto. Na literatura
Sn é chamado de grupo simétrico de grau n ou grupo das permutações de grau n.
2. Se o conjunto E possui n elementos, então o número de elementos do conjunto Sn é
exatamente n!, onde n! representa o número de permutações que podemos construir com n
elementos.
Por exemplo, se n = 3 então E = {1, 2, 3}. Veja que há 3! = 6 permutações neste conjun-
to, ou seja, existe ao todo seis bijeções de E em E.
É usual representarmos uma permutação f : {1, 2, 3,…, n} → {1, 2, 3,…, n} por:

 1 2 … n 
f= 
 f (1) f ( 2) … f (n) 

Note que a bijeção f leva cada elemento da linha superior (domínio), no elemento da linha
inferior (imagem).

EXEMPLO
Seja f uma função de S3, onde S3 representa o conjunto de todas as bijeções de {1,2,3},
ou seja, S3 = { f : {12
, , 3} → {12
, , 3} / f é uma bijeção } , onde f(1) = 2, f(2) =3 e f(3) = 1. Po-
demos representar por:

1 2 3 
f= 
 f(1) f( 2) f( 3) 

capítulo 2 • 51
Assim, as permutações cujos valores são f (1) =2, f (2) = 3 e f (3) = 1 será dada por

1 2 3 
f= 
 2 3 1

O grupo ( S(E), o) não é comutativo ou abeliano quando o conjunto E possui mais de 2


elementos. Veja o que diz a proposição 2.2.2 a seguir.

PROPOSIÇÃO
Proposição 2.2.2

•  Se n ≥ 3 então Sn não é abeliano.

Vamos entender essa proposição através de um exemplo.


Considerando o conjunto E = {1, 2, 3} e as funções f e g em S(E).

1 2 3  1 2 3 
f=  e g= 
 2 3 1 1 3 2 

Calculando a fog. Lembre-se que a operação é a composição de funções e ela deve ser
realizada da direita para a esquerda.

=
f( g(1)) f=
(1) 2
f( g(=
2)) f=
( 3) 1
f( g(=
3)) f=
( 2) 3

1 2 3 
Logo, a fog =  
2 1 3

Calculando a gof

g( f=
(1)) g=
( 2) 3
g( f(=
2)) g=
( 3) 2
=
g( f( 3)) g=
(1) 1

1 2 3 
Logo, a gof =  
 3 2 1

capítulo 2 • 52
Agora note que a fog é diferente da gof, ou seja fog ≠ gof.
Logo, fica claro que se o número de elementos de E for maior ou igual a 3, então Sn não
é um grupo abeliano.
Com relação a ordem de Sn apresentamos a proposição 2.2.3.

Proposição 2.2.3

•  A ordem de Sn é n!
1 2 … n 
Essa proposição nos diz que considerando f =   temos que a1 pode ser
 a1 a2 … an 
escolhido de n maneiras. Como f é uma função bijetora não podemos ter repetição dos a1
, sendo assim a escolha do a2 pode ser feita de n – 1 maneiras, e a3 de n – 2 maneiras e
assim por diante. Desse modo, lembrando do princípio da contagem, notamos que existem
n ⋅ (n − 1) ⋅ (n − 2) ⋅ … ⋅ 2 ⋅1 = n! possibilidades.

EXEMPLO
Se n = 3 então E = {1, 2, 3}. Veja que há 3! = 6 permutações neste conjunto, ou seja,
existe ao todo seis bijeções de E em E. Vejamos as permutações.
Id: E → E tal que

E f0 E

1 1

2 2

3 3

Isto é,=
Id (1) 1=
, Id (2) 2 e Id ( 3) = 3 .

Podemos representar esta aplicação com a notação dada anteriormente.

1 2 3  1 2 3 
IId =   =  
 Id (1) Id ( 2 ) Id ( 3)  1 2 3 

capítulo 2 • 53
O mesmo ocorre com as outras permutações.

E f1 E E f2 E

1 1 1 2

2 3 2 1

3 2 3 3

E f3 E E f4 E

1 2 1 3

2 3 2 1

3 1 3 2

E f5 E

1 3

2 2

3 1

Logo, o grupo S3 é composto dos seguintes elementos:

1 2 3  1 2 3  1 2 3  1 2 3  1 2 3  1 2 3  
S3 =  , , , , , 
1 2 3  1 3 2   2 1 3   2 3 1  3 1 2   3 2 1 

Onde

1 2 3 1 2 3 1 2 3
f0 =  , f1 =  , f =  ,
1 2 3 1 3 2 2 2 1 3
1 2 3 1 2 3 1 2 3
f3 =  , f4 =  , f =  
2 3 1 3 1 2 5 3 2 1

A ordem de S3 é 6.

capítulo 2 • 54
Podemos representar S3 na tábua de operação.

* f0 f1 f2 f3 f4 f5
f0 f0 f1 f2 f3 f4 f5

f1 f1 f0 f4 f5 f2 f3

f2 f2 f3 f0 f1 f5 f4

f3 f3 f2 f5 f4 f0 f1

f4 f4 f5 f1 f0 f3 f2

f5 f5 f4 f3 f2 f1 f0

Note que a tábua não é simétrica em relação à diagonal principal, o seja, não verificamos
a propriedade comutativa. Portanto, S3 com a operação de composição de funções (o) é
um grupo.

OBSERVAÇÕES
Agora vamos determinar o simétrico de um elemento do conjunto Sn de um modo bem
simples. Nesse caso basta inverter as linhas e depois colocarmos em ordem as colunas de
acordo com os elementos do domínio.

1 2 … n  −1
 a1 a2 … an 
Seja f =   então f =  .
a a
 1 2 … a n 1 2 … n 

EXEMPLO
1 2 3 4 
Vamos determinar, no grupo (S4, o) o simétrico de f =   , onde o elemento
1 2 3 4   2 4 3 1
neutro é dado por e =  .
1 2 3 4 

capítulo 2 • 55
Solução:
Lembre-se que o elemento de S4 operado com seu simétrico tem como resultado o
elemento neutro.

fof −1 = e = f −1of

Primeiro vamos trocar as linhas de f.

1 2 3 4   2 4 3 1
f= ⇒ 
 2 4 3 1 1 2 3 4 

Segundo passo colocar em ordem as colunas e temos o elemento simétrico.

1 2 3 4 
f −1 =  
4 1 3 2

Veja que: fof–1 = e

1 2 3 4  1 2 3 4  1 2 3 4 
 o = =e
 2 4 3 1  4 1 3 2  1 2 3 4 
f −1of = e
1 2 3 4  1 2 3 4  1 2 3 4 
 o = =e
 4 1 3 2   2 4 3 1 1 2 3 4 

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
1 2 3 4  1 2 3 4 
1. Considere α =   e β=  . Determine β  α .
1 4 3 2  3 1 4 2

Solução:

β  α = β(α)
1 2 3 4  1 2 3 4  1 2 3 4 
βoα =  o = 
 3 1 4 2  1 4 3 2   3 2 4 1
1 2 3 4  1 2 3 4  1 2 3 4 
2. Considere a =  , b =   e c=  três elemen-
 4 1 2 3   3 4 2 1 1 4 3 2 
tos de S4. A partir deles determine a solução x ∈ S4 da equação c * x * a * c = b e com
elemento neutro e.

capítulo 2 • 56
Solução:
Primeiro devemos encontrar x na equação dada. Usando o conhecimento estudado no
capítulo 1 verificamos que x será dado da seguinte forma:

x = c −1 ∗ b ∗ c −1 ∗ a −1

Agora determinamos: c–1 e a–1

1 2 3 4
c −1 =  
1 4 3 2
1 2 3 4
a −1 =  
2 3 4 1

Cálculo do x:

1 2 3 4  1 2 3 4  1 2 3 4  1 2 3 4 
x= ∗ ∗ ∗ 
1 4 3 2   3 4 2 1 1 4 3 2   2 3 4 1
1 2 3 4 
x= 
1 4 2 3 

Subgrupos

Introdução

Já conhecemos a definição de grupo, suas propriedades e seus principais resul-


tados. Agora vamos definir os subgrupos, seus principais resultados (proposições)
e através desses resultados vamos identificar se um determinado subconjunto é um
subgrupo de um grupo G.

Definição

Seja G um grupo e H ⊆ G um subconjunto não vazio de G. Dizemos que H é


um subgrupo de G, quando a operação de G, restrita a H, também for um grupo.

•  Notação: H < G
Sendo assim, H é um subgrupo de G se, e somente se,

capítulo 2 • 57
I. ∀h1 , h2 ∈ H, temos h1h2 ∈ H (Lei do fechamento)
II. ∀h1 , h2 , h3 ∈ H, temos h1 ( h2 h3 ) = ( h1h2 ) h3 (Propriedade associativa)
III. ∃eh ∈ H,∈ H, temos eh h = heh = h, ∀h ∈ H, (Elemento neutro)
IV. ∀h ∈ H, ∃h ∈ H, temos hh = h h = eh (Elemento simétrico)

OBSERVAÇÕES
1. Podemos usar simplesmente h1h2 no lugar de h1 * h2.
2. O elemento neutro eh ∈ H deve ser igual ao neutro de G. Veja:
Considere eh o elemento neutro de H e e o elemento neutro de G.
Note que, dado h ∈ H ⊆ G, temos ehh = h .
Multiplicando ehh = h à direita por h–1 encontramos

ehhh−1 = hh−1 = e ⇒ eh = e

3. O elemento simétrico de h ∈ H é o mesmo simétrico de h em G.


Note que, h’ é o simétrico de h em G. Temos então, hh’ = e.
Como eh = e, pela observação (2), podemos escrever que hh’ = hh’G, onde h’G é o elemen-
to simétrico de G. Multiplicando hh’ = hh’G por h’ encontramos

h ’ hh ’ = h ’ hh’G ⇒ h ’ = h’G .

4. Todo grupo G admite pelo menos dois subgrupos: G e {e}. Eles são chamados de sub-
grupos triviais de G .

Observem que analisar todas essas propriedades é muito trabalhoso, mas com a propo-
sição 2.3.3 poderemos verificar de maneira mais simples que H é um subgrupo de do grupo
G. Vejamos.

PROPOSIÇÃO
Proposição 2.3.3

Seja H um subconjunto não vazio de um grupo G. Então H é um subgrupo de G se, e


somente se, são satisfeitas as seguintes propriedades:
a) ∀h1, h2 ∈ H, temos h1h2 ∈ H
b) ∀h ∈ H, ∃h ’ ∈ H, tal que h ’ ∈ H

capítulo 2 • 58
Demonstração:
Nesta demonstração provaremos a ida e a volta da proposição.
(⇒)
Suponhamos H um subgrupo de G.
Da definição (I) segue (a) ∀h1, h2 ∈ H, temos h1h2 ∈ H .
Seja h ∈ H .
Da definição 2.3.2 (IV) e da observação (3) podemos concluir que h’ ∈ H . Assim, fica
verificada a propriedade (b).
(⇐)
Suponhamos válidas as propriedades (a) e (b).
Então, na definição 2.3.2
I. é verificada por (a).
II. é válida em G, pois em G vale a propriedade associativa.
III. Por (b), ∀h ∈ H, ∃h ’ ∈ H, tal que h ’ ∈ H e por ( a ), hh ’ ∈ H ⇒ hh ’ = e ∈ H .
IV. De (b), h ∈ H, h ’ ∈ H e hh ’ = h ’ h = e .

Segue alguns exemplos de subgrupos:


•  (Z,+) é subgrupo de (Q,+)
•  (Z,+) é subgrupo de (R,+)
•  (Q,+) é subgrupo de (R,+)
•  (Q*, ·) é subgrupo de (R*, ·)
•  (R*, ·)é subgrupo de (C*, ·)
•  (Mm×n ( Z), + ) é subgrupo de (Mm×n ( Q ), + ) .
•  (Mm×n ( Q ), + ) é subgrupo de (Mm×n (R), + ) .
•  (Mm×n (R), + ) é subgrupo de (Mm×n ( C), + ) .

Veja outros exemplos de subgrupos encontrados na literatura.

EXEMPLO
1. Sabemos que (Z,+) é um grupo. Agora vamos considerar o conjunto 2Z de todos os
inteiros pares. Temos que 2Z é um subgrupo de Z, pois como já foi estudado na disciplina de
Teoria dos Números, a soma de dois inteiros pares é par. Além disso, todo inteiro par 2N tem
o seu simétrico –2N = 2 (–n), portanto, também pertence a 2z.

capítulo 2 • 59
Vejamos:
H = {2n/n ∈ Z} é um subconjunto do grupo (Z,+).
O elemento neutro e = 0 pode ser escrito como e = 2 · 0 = 0, 0 ∈ Z
Agora vamos considerar dois elementos de H.

h1 = 2n e h2 = 2m, m, n ∈ Z

Verificando o item (a) da proposição 2.3.3, temos que ∀h1, h2 ∈ H, temos h1h2 ∈ H , assim
h1 + h2 = 2n + 2m = 2(n + m), onde m + n = q ∈ Z .
Agora vamos verificar o item (b) da proposição 2.3.3.
Consideramos um elemento de H da forma h = 2n, n ∈ Z . Teremos

h + h ’ = e ⇒⇒ 2n + h ’ = 0 ⇒ h ’ = −2n ⇒ h ’ = 2( −n), h ’ ∈ H , pois –n ∈ Z .

Portanto, H < (Z,+).

O mesmo ocorre com (nZ, +), onde é um número inteiro. Então podemos dizer que 4Z
é subgrupo de 2Z, 8Z é subgrupo de 2Z, 9Z é subgrupo de 3Z, 12Z é subgrupo de 2Z, 12Z
é subgrupo de 3Z.

2. Seja (Z, *) um grupo onde a operação * é definida por a * b = a + b – 3. Nesta operação


o elemento neutro e = 3 e o elemento simétrico a’ = 6 – a, a Z
Considere o subconjunto 3Z = {3x/x ∈ Z} .
Através da proposição 2.3.3 vamos verificar que (3Z,*) é um subgrupo de (Z, *).
Fica claro que 3Z ⊂ Z e e = 3 ∈ 3Z .

Verificando o item (a) da proposição 2.3.3.


Sejam t e u dois elementos de 3Z, onde t = 3x e u = 3y.

 
t ∗ u = ( 3x ) ∗ ( 3y ) = 3x + 3y − 3 = 3  x + y − 1 . Logo t ∗ u ∈ 3Z
 
  
 ∈Z 

Verificando o item (b) da proposição 2.3.3.


Seja um elemento de 3Z, onde t = 3x.

 
t −1 = 6 − t = 6 − 3x = 3  2
 − x  . Logo t1 ∈ 3Z
 ∈Z 

capítulo 2 • 60
Portanto, (3Z,*) é um subgrupo de (Z, *).

3. Seja (Z6, +) um grupo. Vamos verificar se H = {0, 2, 3, 4} é um subgrupo de (Z6, +).


Veja que:
H é um subconjunto de (Z6, +).
O elemento neutro de Z6 é o zero e 0 ∈ H
Verificando o item (a) da proposição 2.3.3 com todos os elementos de H.

0 + 0 = 0 ∈H 2 + 2 = 4 ∈H
0 + 2 = 2 ∈H 2 + 3 = 5∉H
0 + 3 = 3∈H

A operação de adição não é uma operação interna em H, pois foi verificado que a soma
de dois elementos de H dar como resultado um elemento que não pertence a H. Portanto, H
não é subgrupo de (Z6, +). Como o item (a) da proposição 2.3.3 falhou não será necessário
verificar o item (b).

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
1. Seja (Z12, +) um grupo. Verifique se H= {0, 2, 4, 6, 8, 10} é um subgrupo de (Z12, +) .

Solução:
Veja que
H é um subconjunto de (Z12, +).
O elemento neutro de Z12 é o zero e 0 H

Verificando o item (a) da proposição 2.3.3 com todos os elementos de H.

0 + 0 = 0 ∈H 2 + 2 = 4 ∈H 4 + 4 = 8 ∈H 6 + 6 = 12 = 0 ∈ H
0 + 2 = 2 ∈H 2 + 4 = 6 ∈H 4 + 6 = 10 ∈ H 6 + 8 = 14 = 2 ∈ H
0 + 3 = 3∈H 2 + 6 = 8 ∈H 4 + 8 = 12 = 0 ∈ H 6 + 10 = 16 = 4 ∈ H
0 + 4 = 4 ∈H 2 + 8 = 10 ∈ H 4 + 10 = 14 = 2 ∈ H 8 + 8 = 16 = 4 ∈ H
0 + 6 = 6 ∈H 2 + 10 = 12 = 0 ∈ H 8 + 10 = 18 = 6 ∈ H
0 + 8 = 8 ∈H 10 + 10 = 20 = 8 ∈ H
0 + 10 = 10 ∈ H

A propriedade (a) foi verificada para todos os elementos de H.

capítulo 2 • 61
Verificando o item (b) da proposição 2.3.3.
Cada elemento de H tem seu simétrico em H. Vejamos:

0’ = 0 ∈H
2 ’ = 10 ∈ H, pois 2 + 10 = 12 = 0
4 ’ = 8 ∈ H, pois 4 + 8 = 12 = 0
6 ’ = 6 ∈ H, pois 6 + 6 = 12 = 0

A propriedade (b) foi verificada.


Logo, H < (Z12, +) ou H é um subgrupo de (Z12, +).

2. Verifique se 3Z é subgrupo de 6Z.

Solução:
3Z não é subgrupo de 6Z, pois se considerarmos um elemento de 3Z, por exemplo 3.
Observe que ele não é elemento de 6Z, pois não é possível escrever 3 como múltiplo de 6.
Portanto, 3Z não é subgrupo de 6Z.

3. Seja:
 a11 … a1n  
   
G = A =     / aij ∈ R, A inversível = conjunto das matrizes reais de ordem
  an1 … ann  
 
n invisível = {A ∈ Mn (R ); det ≠ 0}
G com a multiplicação de matrizes é um grupo.

H = {A ∈ G; det A = 1}

Verifique se H é um subgrupo de G.

Solução:
1 0 … 0
Vejamos 0 1 … 0 
H ≠ Ø, pois a matriz identidade I =  ∈H
   
 
0 0 … 1

Verificando o item (a) da proposição 2.3.3.


Vamos considerar as matrizes A e B dois elementos de H. Então detA=1 e detB=1.

det (AB) = (detA)(detB)=1 · 1 = 1 → AB ∈ H

capítulo 2 • 62
Verificando o item (b) da proposição 2.3.3.
Seja a matriz A H. Então detA=1.

1 1
det A −1 = = = 1⇒ A −1 ∈ H
det A 1

Portanto, H é um subgrupo de G.

4. Considere o grupo (C*, ·) → grupo multiplicativo dos números complexos e


H = {z ∈ C / Z = 1} um subconjunto do grupo (C*, ·) .
Verifique se H é um subgrupo de (C*, ·).

Solução:
Note que o elemento neutro do grupo é e = 1 ∈ H.

Verificando o item (a) da proposição 2.3.3.


Considerando dois elementos de H, h1 e h2, onde

h1 = z1 → z1 = a + bi
h2 = z2 → z2 = c + di
|z1| = 1 e |z2| = 1

Temos, |h1 · h2 | = |z1 · z2| = |z1| |z2| = 1 · 1 = 1


Portanto, h1 · h2 ∈ H

Verificando o item (b) da proposição 2.3.3.


Agora considerando h um elemento de H, onde h = z e z = a + bi.
h · h' = e, substituindo h por z ficamos com z · h' = 1, então h' = z . Assim

|h'| = | z | = |z| = 1

Portanto, h' ∈ H . Assim, fica verificado que H é subgrupo de (C*, ·).

capítulo 2 • 63
5. Verifique se 4Z é subgrupo de 2Z.

Solução:
Note que o elemento neutro de 2Z é e = 0, e 0 ∈ 4Z.
4Z e 2Z são conjuntos infinitos. Sendo assim, vamos trabalhar com a representação dos
seus elementos.

Verificando o item (a) da proposição 2.3.3.


Sejam x, y ∈ Z, onde x = 4m e y = 4n, onde m, n ∈ Z.
Logo,

 
x + y = 4m + 4n = 4  m
 + n  ⇒ ( x + y ) ∈ 4Z
 ∈Z 

Verificando o item (b) da proposição 2.3.3.


Vamos verificar que cada elemento de 4Z tem seu simétrico em 4Z.
Seja x ∈ Z, onde x = 4Z, onde m ∈ Z.

–x = 4 (–m), m ∈ Z
–x ∈ 4Z
Portanto, 4Z < 2Z.
Agora vamos conhecer outras proposições dos subgrupos.

PROPOSIÇÃO
Proposição 2.3.4

Seja (G, *) um grupo. Se R e S são subgrupos de G então R ∩ S é um subgrupo de G.

Demonstração:
Temos por hipótese que G é um grupo.
R e S são subgrupos de G.
Pela hipótese temos que R e S contém o elemento e ∈ G,ou seja, e ∈ R e e ∈ S. Portanto,
e R ∩ S . Isso nos mostra que R ∩ S ≠ ∅ . Além disso, R ∩ S ⊂ G, pois R ⊂ G e S ⊂ G .
Vamos considerar dois elementos x, y ∈ R ∩ S. Pela teoria dos conjuntos temos que x, y ∈ R
e x, y ∈ S . Pela hipótese xy ∈ R e xy ∈ S ⇒ xy ∈ R ∩ S (1)

capítulo 2 • 64
Agora considerando um elemento x ∈ R ∩ S , temos que x ∈ R e x ∈ S , pela hipótese
x ’ ∈ R e x ’ ∈ S ⇒ x ’ ∈ R ∩ S (2).
Portanto, de (1) e (2) concluímos que R ∩ S é um subgrupo de G.
Observação:
Note que é falso dizer que se R e S são subgrupos do grupo G, então R S é subgrupo
de G. Veja que supondo G um grupo aditivo dos inteiros, R um subgrupo dos inteiros pares
e S um subgrupo dos múltiplos de 3. Então, 3 + 2 = 5 ∉ R ∪ S Portanto, R ∪ S não é
subgrupo de G.
O mesmo ocorre se considerarmos os conjuntos A = {(a, 0) / a ∈ R} e B = {(0,b) / b ∈ R}
subgrupos de R2. Veja que a união A ∪ B não é um subgrupo de R2. Por exemplo, vamos
considerar dois elementos: (1,0) ∈ A e (0,1) ∈ B ,note que (1,0) + (0,1) = (1,1) ∉ A ∪ B .

Proposição 2.3.5
Determinação de todos os subgrupos de (Z,+)
Se H é um subgrupo de (Z,+) então H = nZ para algum n ∈ Z, n ≥ 0.
Observação: nZ={nk, k ∈ Z}

Demonstração:
Se H = {0} então tomamos n = 0 e H = {0} = O · Z.
Todo elemento de H é múltiplo de 0.

Seja H um subgrupo de Z. Suponhamos H ≠ {0}. Então, existe um elemento m em H, m ≠ 0.


Podemos tomar m > 0, pois se m < 0, − m > 0 e − m ∈ H já que H é um subgrupo.
Considerando o conjunto P = {y ∈ H, y > 0 }, P ≠ Ø, pois m ∈ P.
Pelo Princípio da Boa Ordenação, temos que P tem mínimo. Sendo assim, seja

n = min P ⇒ n ∈ P, n > 0 ⇒ n + n = 2n ∈ H ⇒ n + 2n = 3n ∈ H ⇒ … ⇒ kn ∈ H, k > 0.

Por outro lado,

n ∈ H ⇒ −n ∈ H ⇒ ( −n) + ( −n) ∈ H ⇒ −2n ∈ H ⇒ −3n ∈ H ⇒ … ⇒ kn ∈ H, k < 0.

Logo, ∀k ∈ Z, nk ∈ H ⇒ nZ ⊂ H (1)

Agora vamos mostrar que H ⊂ nZ .


Seja x ∈ H. Dividindo x por n obtemos x = nq + r, onde 0 ≤ r < n. Daí obtemos r = x – nq.
Como x ∈ H e nq ∈ H, temos que r ∈ H.

capítulo 2 • 65
Se r ≠ 0, r > 0 então r ∈ P e r < n o que contraria a minimalidade de n em P. Logo,
r = 0, isto é, x = nq ∈ nZ ∴ H ⊂ nZ. (2)
Portanto, de (1) e (2) temos H = nZ. Assim, verificamos que em qualquer situação x é
múltiplo de um número natural n o que significa que nZ = {nk, k ∈ Z}.
Note que nZ = (–n) Z, para todo n em Z. Por esse motivo consideramos n > 0 quando
vamos encontrar os subconjuntos nZ.
Com essa proposição verifica-se que 4Z é subgrupo de 2Z, ou seja, o conjunto dos múl-
tiplos de 4 é um subgrupo aditivo do grupo formado pelos números pares.

Proposição 2.3.6
Essa proposição mostra que a interseção de uma família de subgrupos é um subgrupo.
Se {Hα } , α ∈ A é uma família qualquer de subgrupos de G então ∩ {Hα } < G.
α∈A

Demonstração:
Por hipótese temos que {Hα } , α ∈ A é uma família qualquer de subgrupos de G.
Como e ∈ {Hα } , ∀α ∈ A, ∩ {Hα } ≠ ∅ .
α∈A

Vamos considerar dois elementos h1 e h2 em ∩ {Hα } .


α∈A

Então h1 · h2 ∈ {Hα } , ∀α ∈ A. Pela hipótese podemos dizer que h1h2 ∈ ∩ {Hα } .


α∈A

Agora considerando h ∈ ∩ {Hα } ⇒ h ∈ {Hα } para cada α, por isso h' ∈ {Hα} . Pelo fato
α∈A
de cada {Hα} ser subgrupo, então h ’ ∈ ∩ {Hα } . Assim, fica provado que ∩ {Hα } < G .
α∈A α∈A

Proposição 2.3.7
Seja G um grupo. Um subconjunto não vazio H de G é um subgrupo de G, se e somente
se, para qualquer h1, h2 ∈ H, h1h’2 ∈ H.

Demonstração:
(⇒)
Por hipótese temos que H é um subgrupo de G. Sejam dois elementos h1, h2 ∈ H . Então
h’2 ∈ H . Portanto, h1h’2 ∈ H.
(⇐)
Suponhamos que para quaisquer h1, h2 ∈ GH, h1h’2 ∈ H. Como H ≠ Ø, existe um elemento
x em H. Segue-se que e = x · x' ∈ H . Seja h ∈ H .
Então h' = e · h' ∈ H .

capítulo 2 • 66
Temos também que h1h’2 ∈ H e portanto, h1h2 = h1 (h2’ ) ∈ H .

Pela proposição 2.3.3, H é um subgrupo de G.

Proposição 2.3.8
Seja G um grupo e H e K subgrupos de G. Então H ∪ K é um subgrupo de G se, e so-
mente se, H ⊂ K ou K ⊂ H .

Demonstração:
(⇒)
Vamos provar que H ∪ K é um subgrupo de G então H ⊂ K ou K ⊂ H. Por hipótese,
suponhamos por absurdo que:

H ⊄ K ⇒ ∃h ∈ H e h ∉ K

K ⊄ H ⇒ ∃k ∈ K e k ∉ H

Agora observe que:

h∈H ⇒ h∈H ∪ K 
 ⇒ hk ∈ H ∪ K ⇒ hk ∈ H ou hk ∈ K
k ∈ K ⇒ k ∈ H ∪ K

Suponhamos que
Hk ∈ H, como H é um subgrupo e h ∈ H , então h’ ∈ H. Sendo assim, teremos h’hk = k ∈ H ,
mas isso é um absurdo! Então H ∈ K não pode ser um subgrupo. Veja que o mesmo ocor-
reria se hk ∈ K, como K é um subgrupo e k ∈ K, então k’ ∈ K . Sendo assim, teremos
hkk’ = h ∈ K , o que é um absurdo! Então H ∈ K não pode ser um subgrupo. Portanto, H ∈ K
ou K ∈ H.
(⇐)
Se

H ⊂ K, H ∪ K = K ⇒ H ∪ K é subgrupo de G.

K ⊂ H, H ∪ K = H ⇒ H ∪ K é subgrupo de G.

Proposição 2.3.9

Seja G um grupo e o conjunto Z(G) o centro de G. Z(G) é um subgrupo de G.


Antes da demonstração vamos definir o centro de G.
Seja G um grupo qualquer.

capítulo 2 • 67
Definimos em G o conjunto Z(G) por Z ( G) = {x ∈ G / xg = gx, ∀g ∈ G} , onde o conjunto
Z(G) é chamado de centro de G. Ele é o conjunto dos elementos que comutam com todos
os outros elementos. Ele é não vazio, pois o elemento neutro e ∈ Z (G). Basta observar que
ex = x = xe, ∀x ∈ G . Logo, Z ( G) ≠ ∅ .
Note que se G é um grupo então Z(G) é um subgrupo de G. Também podemos verificar
que Z(G) é um subgrupo abeliano do grupo G.

Demonstração:
Devemos verificar que
I. ∀x, y ∈ Z ( G) M, temos xy ∈ Z ( G)
II. ∀x ∈ Z ( G) , existe x ’ tal que x ’ ∈ Z ( G)

I. Pela definição de centro sabemos que Z ( G) = {x ∈ G / xg = gx, ∀g ∈ G} , então seja


xy ∈ Z (G). Pela propriedade associatividade de G temos (xy) g = g (xy). Assim, vamos
considerar:
xg = gx, multiplicando por g' os dois lados dessa igualdade encontramos

xgg' = gxg' ⇒ x = gxg' (1)


Seja (xy) g (2)

Substituindo (1) em (2) teremos:

(xy) g =(gxg – 1) yg = gx (g'yg) = gx (g'g) y = g (xy)

Logo, xy ∈ Z (G).

II. Seja x ∈ Z (G), temos pela definição de centro que xg = gx. Queremos mostrar que
existe x' tal que x'g = gx'.
Vale lembrar que podemos usar a notação x' ou x–1 para representar o elemento inverso.
Estamos usando a notação x', mas vocês podem fazer uso da outra sem problema algum.
Considerando xg = gx, note que podemos multiplicar os dois lados da igualdade por x'.

x' (xg) = x'gx


(x'x) g = x'gx ⇒ g = x'gx (1)

Agora vamos substituir (1) em gx'.

capítulo 2 • 68
gx'=(x'gx)x'=x'(gx)x'=x'g(xx')=x'g.
Logo, x’ ∈ Z (G).
Portanto, Z (G) é um subgrupo de G.

Potências de um grupo

Definição

Seja G um grupo com uma operação *. Vamos considerar e o elemento neu-


tro do grupo G, a um elemento de G e m um inteiro qualquer. Vamos definir a
potência de base a e expoente m, denotada por a^m , como sendo o elemento do
grupo G definido por:

e se m = 0

a = a
m m −1 ∗ a se m ≥ 1
 −1 − m
( a ) se m < 0

Sendo (G, *) um grupo onde o elemento neutro é e podemos dizer que:


a1 = a 0 ∗ a = e ∗ a = a
a 2 = a1 ∗ a = a ∗ a
a3 = a 2 ∗ a = ( a ∗ a ) ∗ a
a −2 = ( a2 )
−1 −1
= (a ∗a) = a −1 ∗ a −1
a −3 = a −1 ∗ a −1 ∗ a −1

A definição de potência de um elemento se aplica aos grupos multiplicativos.

capítulo 2 • 69
EXEMPLO
_
1. Considere no grupo (Z7, *) o elemento a = 2 . Veja que:
_
a0 = 1
_ _ _
a1 = a1−1 ⋅ a = a 0 ⋅ a = 1⋅ 2 = 2
_ _ _
a2 = a −1 ⋅ a = a1 ⋅ a = a ⋅ a = 2⋅ 2 = 4
_
a0 = 1
−1
_ _
a −1 =  2  =4
 
2
_ _
a −2 = ( a −1) =  4  = 2
2

 

2. Seja G um grupo multiplicativo GL2 (R) e considerando o elemento

5 4
a= ∈G
 −1 −1

Podemos ter as seguintes potências de a:

 1 0
a) a 0 =  ∈G
 0 1
 1 0  5 4   5 4 
b) a1 = a1−1 ⋅ a = a0 ⋅ a =  ⋅ = 
 0 1   −1 −1  −1 −1

Como consequência imediata da definição de potência podemos definir as seguin-


tes propriedades.
a) ∀a ∈ G, ∀m, n ∈ Z, temos am ⋅ an = am+n
b) ∀a ∈ G, ∀m, n ∈ Z, temos ( am ) = amn
n

c) ∀a ∈ G, ∀m ∈ Z, temos a −m = ( am ) = ( a −1)
−1 m

Agora podemos definir potência de uma operação da seguinte forma:


Seja (G, *) um grupo e seja a um elemento de G. Definimos an = a∗∗
aa ∗
… ∗a
n vezes

capítulo 2 • 70
2. Considere o grupo (Z,+) e a = 4.

a2 = 42 = 4 + 4 = 8, operação adição.

3. Considere o grupo (Z6,+) e a = 4.

a2 = 42 = 4 + 4 = 8 = 2 (resto)

4. Agora observe todas as potências do elemento 2 no conjunto (Z8,+).


a=2
21 = 2
22 = 2 + 2 = 4
23 = 22 + 2 = 4 + 2 = 6
24 = 23 + 2 = 6 + 2 = 8 = 0
25 = 24 + 2 = 0 + 2 = 2 → observe que voltamos ao primeiro valor encontrado na pri-
meira potência.
Então podemos escrever: 2n = {2, 4, 6, 0}.
Veja que {2, 4, 6, 0} é um subconjunto de Z8 obtido a partir das potências de 2. Vamos
chamá-lo de H = {2, 4, 6, 0}. Assim, podemos dizer que H é um subgrupo gerado pelo ele-
mento 2. Denotamos por H = [2] ou H = 2 .
A partir disso podemos apresentar definição de subgrupo gerado por elementos.

Definição

Seja G um grupo e a um elemento de G. Denominamos subgrupo gerado por


a o conjunto de todas as potências inteiras de a, isto é:
a = {…, a −2 , a −1 , a0 , a1 , a 2 ,…} , onde a0 = eG (elemento neutro do grupo G
para todo elemento a de G).
a → representa o subgrupo gerado por a e a é dito gerador do subgrupo.

capítulo 2 • 71
EXEMPLO
1. Considere o grupo (Z10, +). Vamos procurar um subgrupo gerado pelo elemento 5. De-
vemos determinar todas as potências de 5.
51 = 5
52 = 5 + 5 = 10 = 0
53 = 52 + 5 = 0 + 5 = 5 (voltamos ao primeiro valor encontrado na primeira potência).
Portanto, [5] = {0,5}

2. Considere o grupo (Z10, +). Vamos procurar um subgrupo gerado pelo elemento 3.
Devemos determinar todas as potências de 3.
31 = 3
32 = 3 + 3 = 6
33 = 32 + 3 = 6 + 3 = 9
34 = 33 + 3 = 9 + 3 = 12 = 2
35 = 34 + 3 = 2 + 3 = 5
36 = 35 + 3 = 5 + 3 = 8
37 = 36 + 3 = 8 + 3 = 11 = 1
38 = 37 + 3 = 1 + 3 = 4
39 = 38 + 3 = 4 + 3 = 7
310 = 39 + 3 = 7 + 3 = 10 = 0
Veja que conseguimos gerar todo o conjunto Z10 = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9}. Portanto,
[3] = Z10. O elemento 3 gera o próprio grupo Z10. Logo 3 é um gerador do grupo Z10.

3. Considere o grupo (Z6, +). Podemos verificar que os elementos 1 e 5 de Z6 geram


o conjunto Z6. Isso pode ser visto de forma mais simples se verificarmos o mdc (1,6) e o
mdc (5,6).
1 gera Z6 ⇔ mdc(1,6) = 1
5 gera Z6 ⇔ mdc(5,6) = 1
Isso é possível através da proposição 2.4.3.

capítulo 2 • 72
PROPOSIÇÃO
Proposição 2.4.3

Sejam m ∈ N, m > 1 e a ∈ Zm . Então Zm = [a ] ⇔ mdc( a, m) = 1.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
Vejamos alguns exercícios resolvidos interessantes encontrados na literatura.

1. Mostre que G é abeliano se, e somente se, Z (G) = G.

Solução:
Demonstração:
Temos que provar que Z ( G) ⊂ G e G ⊂ Z ( G) .
Daí temos que:

Hipótese 1. G é um grupo abeliano

1, definição 2. ∀x, y ∈ G, temos xy = yx

Suponhamos 3. x ∈ Z (G)

1,3, definição, Teoria dos conjuntos 4. x ∈ G

3,4, Teoria dos conjuntos 5. x ∈ Z ( G) ⇒ x ∈ G

5 6. Z (G) ∈ G

Suponhamos 7. x ∈ G

7, definição, Teoria dos conjuntos 8. x ∈ Z (G)

7,8, Teoria dos conjuntos 9. x ∈ G ⇒ x ∈ Z ( G)

9 10. G ⊂ Z ( G)

5, 10, Teoria dos conjuntos 11. Z (G) = G

capítulo 2 • 73
{ }
2. Verifique se H = a + b 2 ∈ R* / a, b ∈ Q é um subgrupo de G = (R*, ·).

Solução:
Considere, por exemplo, a = 2 e b = 3.
Veja que obtemos 2 + 3 2 ∈ H, assim H ≠ ∅.
Agora vamos considerar x e y dois elementos de H, onde x = a + b 2 e y = c + d 2 , a,
b, c e d em Q. Veja que podemos usar a proposição 5 para verificarmos se H é subgrupo de
G. Então vamos calcular xy' ou xy–1.

x a + b 2 c − d 2 ac − 2bd bc − ad
xy −1 = = ⋅ = 2 + 2 2 ∈H
y c+d 2 c−d 2  c−2
2
d −
c d2
2

∈Q ∈Q

Portanto, H é um subgrupo de G.

 a b  
3. Seja GL (2, R) =    / a, b, c, d ∈ R e ad − bc ≠ 0  . Verifique se o subconjunto
 c d 
  a 0  
D =   / a ∈ R e a ≠ 0  é subgrupo de GL (2, R).
 0 a  

Solução:
 1 0
Veja que D ≠ Ø, pois dado a = 1, temos   ∈D .
0 1

Agora vamos considerar dois elementos de D.


Aqui também usaremos a proposição 5.

−1
b 0  b −1 0 
Veja que y −1 =  =
 −1
0 b  0 b 

Então:

 a 0  b −1 0  ab −1 0 
xy −1 =   −1
=  ∈D
0 a   0 b   0 ab −1

Portanto, D é um subgrupo de GL (2, R).

capítulo 2 • 74
4. Considere o grupo (Z10, +). Determine um subgrupo gerado pelo elemento 2.

Solução:
Devemos determinar todas as potências de 2.
21 = 2
22 = 2 + 2 = 4
23 = 22 + 2 = 4 + 2 = 6
24 = 23 + 2 = 6 + 2 = 8
25 = 24 + 2 = 8 + 2 = 10 = 0
26 = 25 + 2 = 0 + 2 = 2 (voltamos ao primeiro valor encontrado na primeira potência).
Portanto, [2] = {2, 4, 6, 8, 0}, ou seja, o subgrupo gerado pelo elemento 2 é {2, 4, 6, 8, 0}.

5. Verifique se H = {x ∈ Q / x < 0} é um subgrupo de G = (R*, ·).

Solução:
H não é um subgrupo de G.
Note que H não é fechado com relação à multiplicação usual dos números reais. Por
exemplo, −2 ∈ H e − 3 ∈ H, mas ( −2)( −3) = 6 ∉ H .

6. Verifique se H = {5x / x ∈ Z} é um subgrupo de G = (Z, +) .

Solução:
H é subgrupo de G.
Note que H representa o conjunto de todos os múltiplos de 5, H≠ Ø . Sejam a e b dois ele-
mentos em H, onde a=5x e b=5y,x,y . Daí, temos que a + (–b) = a – b = 5x – 5y = 5 (x – y),
que também é múltiplo de 5, ou seja (a – b) ∈ H.
{ }
7. Verifique se H = a + b 3 2 ∈ R* / a, b ∈ Q é um subgrupo de G = (R*, ·) .

Solução:
H não é subgrupo de G.
Note que H não é fechado com relação à multiplicação usual dos números reais, pois
considerando dois elementos de H.

x = 3 2 ∈ H e y = 23 2 ∈ H, x, y ∈ H
xy = ( 2 )(2 2 ) = 2
3 3 3
4 ∉ H.

capítulo 2 • 75
8. Seja (S (E), o) um grupo de permutações sobre o conjunto g = {1, 2, 3}. Verifique se o
subconjunto E = {f1, f2, f3} é um subgrupo de (S (E), o), onde

1 2 3  1 2 3  1 2 3 
f1 =   , f2 =   e f3 =  
1 2 3   2 3 1 3 1 2

Solução:
Vamos considerar o grupo (S3, o).

1 2 3  1 2 3  1 2 3  1 2 3  1 2 3  1 2 3  
fS3 =  , , , , , 
1 2 3  1 3 2   2 1 3   2 3 1  3 1 2   3 2 1 

onde

1 2 3  1 2 3  1 2 3  1 2 3 
0=   , f1 =   , f2 =   , f3 =  ,
1 2 3  1 3 2   2 1 3   2 3 1
1 2 3  1 2 3 
f4 =   , f5 =  
 3 1 2   3 2 1

Seja H1 = {f0, f1} um subconjunto de S3.


Veja que H1 é um subgrupo de S3, pois verificando a propriedade (a) da proposição 2.3.3.

1 2 3  1 2 3  1 2 3 
f0  f0 =   =  = f0 ∈ H1
1 2 3  1 2 3  1 2 3 
1 2 3  1 2 3  1 2 3 
f0  f1 =   =  = f1 ∈ H1
1 2 3  1 3 2  1 3 2 
1 2 3  1 2 3  1 2 3 
f1  f1 =   =  = f0 ∈ H1
1 3 2  1 3 2  1 2 3 

Verificando a propriedade (b) da proposição 2.3.3.

1 2 3 
f1−1 =   = f1 ∈ H1
1 3 2 

Portanto, H1 é um subgrupo de S3.


Da mesma forma, H1 = {f0, f1}, H2 = {f0, f2}, H3 = {f0, f3}, H4 = {f0, f3 · f4} são subgrupos de S3.
Agora podemos definir Grupo Cíclico como sendo um grupo que coincide com um sub-
grupo gerado por seus elementos.

capítulo 2 • 76
Grupo cíclico

Definição

Seja G um grupo. Dizemos que G é um grupo cíclico se existe um elemento a


de G, tal que o grupo G coincide como subgrupo gerado pelos elementos a.
Se G é grupo cíclico então ∃a ∈ G, tal que G = a = {x = a m ; m ∈ Z} .
Podemos usar as seguintes notações: G = [a] ou G = a .

EXEMPLO
1. O grupo multiplicativo G = {1, –1} é cíclico, pois [–1] = {(–1) m/m ∈ Z} = {1, –1} = G.

2. O grupo G = {1, i, –1, i} é um grupo cíclico, onde i e –1 são os geradores do grupo G.

3. O grupo multiplicativo dos números reais positivos não é cíclico, pois não é possível
encontrarmos um número real positivo onde as potências gerem todo o grupo.

4. Se G for um grupo aditivo, então usamos o conceito de múltiplo no lugar de potência de


um elemento. G é cíclico quando existir um elemento a em G tal que G = [a ] = {ka; k ∈ Z} .
Por exemplo, o grupo (Z, +) é cíclico, pois Z = [1].

PROPOSIÇÃO
Proposição 2.5.2

Se a ∈ G é um gerador do grupo cíclico G, então seu simétrico a' é também gerador


de G.

EXEMPLO
Quais são os geradores do grupo (Z8, +)?

[7] = [1] = Z8 = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7}.

capítulo 2 • 77
Isso significa que quando calculamos o subgrupo gerado por um elemento encontramos
também o subgrupo gerado pelo seu simétrico.
Veja que 7 + 1 = 8 = 0.
Então podemos dizer que [5] = [3] = Z8.
Portanto, Z8 é um grupo cíclico gerado pelos elementos 1 e 7 e 5 e 3.
Note que um grupo cíclico pode ter mais de um gerador.

PROPOSIÇÃO
Proposição 2.5.3

Todo grupo cíclico é abeliano.


Demonstração:
Seja (G,*) um grupo cíclico. Então ∃a ∈ G, tal que G = a = {x = am; m ∈ Z} .
Sejam x e y dois elementos de G = [a]. Vamos mostrar que x * y = y * x.
Considere m, n ∈ Z, tal que x = am e y = an.

x * y = am * an = am + n = an + m = y * x
Proposição 2.5.4

Todo subgrupo cíclico de um grupo cíclico também é cíclico.


Significa que se (G, *) é um grupo cíclico gerado pelo elemento a e H é um subgrupo
de G, então H = {e} = [e] (sendo e o elemento neutro da operação *) ou H = [as],onde s é o
menor dos expoentes positivos n satisfazendo an em H.
Para entendermos melhor essa proposição vamos definir a ordem de um elemento
do grupo.

Definição

Dado um elemento a de um grupo G, se existir um menor inteiro positivo n


tal que
an = e = elemento neutro de G

capítulo 2 • 78
então n é denominado a ordem (ou período) do elemento a. Se não existir tal
menor inteiro positivo, tal que an = e, então podemos dizer que a tem ordem zero.
Usamos a notação o(a) para denotarmos a ordem de um elemento do grupo G.

EXEMPLO
1. Vamos considerar o grupo (Z6, +). Seja 3 um elemento de Z6.
Quem é a ordem do elemento 3, ou seja, quem é o (3) ?
Vamos verificar as potências de 3.
31 = 3
32 = 3 + 3 = 6 = 0 (elemento neutro de Z6)
33 = 32 + 3 = 0 + 3 = 3
34 = 33 + 3 = 3 + 3 = 6 = 0 (elemento neutro de Z6)

Agora observe que 32 = 0 e 34 = 0. Vamos escolher o menor expoente {2, 4}. O menor
é 2, logo o (3) = 2.

2. Nesse exemplo vamos verificar quem é a ordem do elemento 7 no grupo

U (Z15) = {1, 2, 4, 7, 8, 11, 13, 14}

Antes vamos conhecer o Grupo dos elementos invertíveis de Zn – (U (Zn), ·).


Considere por exemplo o conjunto Z6 com a operação de multiplicação. Neste conjunto
os elementos 0, 2, 3 e 4 não possuem inverso e portanto, (Z6, ·) não é um grupo.
Agora se retirarmos do conjunto Z6 esses elementos, ficamos com um conjunto
U (Z6) = {1, 5}.
Veja que esses elementos possuem inverso em Z6, pois
1 · 1 = 1, o que implica que 1 – 1 = 1 e 5 · 5 = 25 = 1, o que implica que 5 – 1 = 5.
Este é o grupo dos elementos invertíveis de Z6.

Então, considerando U (Z15) = {1, 2, 4, 7, 8, 11, 13, 14}, já sabemos que ele é um grupo,
de acordo com a explicação anterior.

capítulo 2 • 79
Agora observe as seguintes potências de 7 neste conjunto.
70 = 1
71 = 7
72 = 7 · 7 = 49 = 4
73 = 72 · 7 = 4 · 7 = 28 = 13
74 = 73 · 7 = 13 · 7 = 91 = 1
Portanto, a ordem do elemento 7, o (7) = 4.

ATIVIDADES
1 2 3 4  1 2 3 4  1 2 3 4 
01. Considere α =  , β =   e γ=  três elemen-
4 3 1 2 3 1 4 2 2 1 4 3
tos de S4.
A partir deles determine a solução x ∈ S4 da equação α −1Xβ = γ .

1 2 3 4  1 2 3 4 
a) X=  d) X= 
4 1 3 2  2 4 3 1
1 2 3 4  1 2 3 4 
b) X=  e) X= 
1 2 3 3  4 3 1 2
1 2 3 4 
c) X= 
3 1 4 2
1 2 3 4  1 2 3 4 
02. Considere α =   e β=  . Calcule α .
–1

1 4 3 2  3 1 4 2
1 2 3 4  1 2 3 4 
a)   d)  
1 4 3 2  2 3 1 4
1 2 3 4  1 2 3 4 
b)   e)  
4 2 1 3  3 4 2 1
1 2 3 4 
c)  
 3 2 4 1
1 2 3 4  1 2 3 4  −1 −1
03. Considere α =   e β=  . Calcule α  β .
1 4 3 2  3 1 4 2
1 2 3 4 
a) 
1 2 3 4
 d)  
1 4 3 2  2 3 1 4
1 2 3 4 
b) 
1 2 3 4
 e)  
4 2 1 3  3 4 2 1
1 2 3 4 
c)  
 3 2 4 1
capítulo 2 • 80
1 2 3 4  1 2 3 4  −1
04. Considere α =   e β=  . Calcule ( α  β ) .
1 4 3 2   3 1 4 2 
1 2 3 4 
a) 
1 2 3 4
 d)  
1 4 3 2  2 3 1 4
1 2 3 4 
b) 
1 2 3 4
 e)  
4 2 1 3  3 4 2 1
1 2 3 4 
c)  
 3 2 4 1

05. Considere no grupo (Z7, *) o elemento a = 2 . 4Determine


8 16 a3.
a) 2 4 8 1 6 2 d)
4 8 16
b) 2 4 8 1 6 2 4 e)
8 16
2 4 8 16
c)

06. Considere no grupo (Z7, *) o elemento a = 2 . 4Determine


8 16 a–3.
a) 2 4 8 1 6 2 d)
4 8 16
b) 2 4 8 1 6 2 4e) 8 1– 6
2 4 8 16
c)

5 4
07. Seja G um grupo multiplicativo GL2 (R) e considerando o elemento a =  ∈G .
 −1 −1
Determine a .
–1

1 5   1/ 5 −5 
a)   d)  
1 4   −4 / 5 −3 / 5
 −1 −5   2 10 
b)   e)  
1 4  −1 −4 
1 4
c)  
 −1 −5 

08. Considerando o grupo (Z,+), determine 2–4.


a) –16 d) –8
b) 16 e) 4
c) 8

09. Considerando o grupo (Z*7, ·) e a = 5. Determine a2.


a) 25 d) 10
b) 5 e) 4
c) 8

capítulo 2 • 81
10. Considere o grupo (Z10, +). Determine um subgrupo gerado pelo elemento 4.
a) [4] = {2, 4, 6, 10} d) [4] = {4, 6, 8, 0}
b) [4] = {2, 4, 6, 8, 0} e) [4] = {2, 4, 6, 8}
c) [4] = {2, 4, 8, 0}

11. Considere o grupo (Z6, +) e 2 um elemento de Z6. Determine a ordem do elemento 2.


a) o (2) = 1 d) o (2) = 4
b) o (2) = 2 e) o (2) = 5
c) o (2) = 3

LEITURA
P-Grupos. Disponível em: <http://www.mat.ufmg.br/pet/Mono_Alice.pdf>.
Grupos de Permutações e Grupos Finitos Simples. Disponível em: <http://www.propp.ufms.br/
gestor/titan.php?target=openFile&fileId=610>.
Uma análise histórico-epistemológica do conceito de grupo. Disponível em: <http://www.
repositorio.ufrn.br:8080/jspui/handle/123456789/14197>.
FARMER, David W.. Grupos e Simetrias: um guia para descobrir a matemática. Serie A Matemática
em Construção. Tradução Cristina Isabel Januario. Editora Gradiva. Portugal, 1999.
Grupos e Simetria - UNIFEMM. Disponível em: <www.unisete.br/net/Simetrias.pdf>.
DOMINGUES, José Sérgio.Grupos Finitos Gerados por dois elementos a e b. UFMG-2006.
Disponível em: http://www.mat.ufmg.br. Mozaico de Alhambra em Granada Conceito de Grupo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LANG, Serge. Álgebra para Graduação. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda, 2008.
GONÇALVES, Adilson. Introdução a álgebra. 5. ed. Rio de Janeiro: IMPA, 2003.
DOMINGUES, Hygino H.; IEZZI, Gelson. Álgebra moderna. 4. ed. São Paulo: Atual, 2003.
GARCIA, Arnaldo. Álgebra: um curso de introdução. Rio de Janeiro: IMPA-Projeto Euclides, 2003.
DURBIN, John R. Modern algebra: An introduction. 4th ed: Wiley, 2000.
MONTEIRO, L.H. Elementos de Álgebra. Rio de Janeiro: LTC, 1971.

capítulo 2 • 82
3
Classes laterais,
subgrupos normais,
grupos quocientes,
homomorfismo e
isomorfismo de
grupos
Classes laterais, subgrupos normais, grupos
quocientes, homomorfismo e isomorfismo de
grupos
Neste capítulo, estudaremos, inicialmente, as Classes Laterais e o Teorema
de Lagrange. Será importante notar que quando a classe lateral à esquerda for
igual a classe lateral à direita, teremos um subgrupo normal do grupo dado. Com
a definição do subgrupo normal, será possível construir um grupo chamado de
grupo quociente.
Também conheceremos a definição de homomorfismo de grupos e prova-
remos os seus principais resultados. Vamos definir e identificar o núcleo de um
homomorfismo e a imagem de um homomorfismo. Em seguida veremos o iso-
morfismo de grupos. Notaremos que o estudo dos isomorfismos entre grupos é
importante, pois grupos isomorfos possuem propriedades em comum.
Por fim, será apresentado o Teorema Fundamental do Homomorfismo, que
produz os isomorfismos a partir de homomorfismos de grupos.

OBJETIVOS
•  Conhecer a definição de classes laterais;
•  Identificar e calcular as Classes Laterais;
•  Conhecer o Teorema de Lagrange e sua demonstração;
•  Definir subgrupos normais;
•  Definir grupo quociente e construir um grupo quociente;
•  Reconhecer e conceituar homomorfismos e isomorfismos de grupos;
•  Conhecer as propriedades dos homomorfismos de grupos e seus principais resultados.
•  Conhecer o Teorema Fundamental do homomorfismo de grupos.

Classes laterais

Vamos começar esse estudo considerando um grupo G finito e H um sub-


grupo de G. A partir do subgrupo H, definiremos uma classe de equivalência
chamada de Classes Laterais. Considerando G um grupo finito apresentaremos o

capítulo 3 • 84
Teorema de Lagrange que mostrará que a ordem de H divide a ordem do grupo, e
que o quociente dessa divisão é o índice. Veremos que é importante compreender
bem o conceito de classes laterais e o Teorema de Lagrange, pois é a partir deles
que poderemos falar em Subgrupo normal e grupo quociente.

Definição 3.1.1

Seja (G, *) um grupo de ordem finita e seja (H,*) um subgrupo de G, dado


um elemento a G , definimos:
a) a ∗ H = {x = a ∗ h, h ∈ H} , classe lateral à esquerda, módulo H.
b) H ∗ a = {x = h ∗ a, h ∈ H} , classe lateral à direita, módulo H.

OBSERVAÇÕES
•  Se o grupo for comutativo, temos a * H = H * a.
•  Se G for um grupo aditivo, então podemos representar as classes do seguinte modo:

– Classe lateral à esquerda, módulo H: a + H = { a + h / h ∈ H} ;


– Classe lateral à direita, módulo H: H + a = {h + a / h ∈ H} .
•  Sendo G um grupo multiplicativo, é comum denotarmos as classes laterais por aH ou Ha
no lugar de a.H ou H.a.
•  Se e for o elemento neutro do grupo G, então podemos escrever eH=H.
•  Podemos denotar o conjunto das classes laterais à esquerda de H por G/H e à direita de
H por H/G. Veja que podemos definir G/H e H/G como quocientes de grupos, que mais a
frente transformaremos em grupos.

Agora vejamos alguns exemplos de como determinar as classes laterais.


Lembramos que se o enunciado sinalizar que o grupo é comutativo, podemos
calcular as classes laterais à esquerda ou à direita.

capítulo 3 • 85
EXEMPLO
1. Considere (Z6, +) um grupo comutativo e H = {0, 3} subgrupo de (Z6, +) .
As classes laterais, módulo H, à esquerda serão:
0 + H = {0 + 0, 0 + 3} = {0,3} = H + 0
1 + H = {1 + 0, 1 + 3} = {1,4} = H + 1
2 + H = {2 + 0, 2 + 3} = {2,5} = H + 2
3 + H = {3 + 0, 3 + 3} = {3,0} = H + 3
4 + H = {4 + 0, 4 + 3} = {4,1} = H + 4
5 + H = {5 + 0, 5 + 3} = {5,2} = H + 5

Note que as classes laterais distintas à esquerda de H são: 0 + H, 1 + H e 2 + H.


Portanto, o conjunto das classes laterais à esquerda de H será:

G/H = Z6/H = {0 + H,1 + H,2 + H} = {H,1 + H,2 +H}

2. Considere o grupo multiplicativo G = {1, i, –1, –i} e H = {1, –1} subgrupo de G.


As classes laterais, módulo H, à esquerda serão:
1 · H = {1 · 1,1 · (–1)} = {1, –1} = H · 1
(-1) · H = {(–1) · 1,(–1) · (–1)} = {–1, 1} = H · (–1)
i · H = {i · 1, i · (–1)} = {i, –i} = H · i
(–i) · H = {(–i) · 1, (–i) · (–1)} = {–i, i} = H · (–i)

Note que as classes laterais distintas à esquerda de H são: 1 · H e i · H


Portanto, o conjunto das classes laterais à esquerda de H será: G/H = {H, iH}

3. Seja (Z,+) um grupo e o subgrupo H = 4Z = {4n / n ∈ Z } dos múltiplos de 4. Determine


as classes laterais à esquerda de H.
Sabemos que qualquer inteiro dividido por 4 só poderá deixar resto 0, 1, 2 ou 3. As-
sim teremos:
0+H=H+0=H
1 + H = {1+ h / h ∈ H} = {1+ 4n / n ∈ Z }
2 + H = {2 + h / h ∈ H} = {2 + 4n / n ∈ Z }
3 + H = { 3 + h / h ∈ H} = { 3 + 4n / n ∈ Z }

capítulo 3 • 86
Portanto, o conjunto das classes laterais à esquerda de H = 4Z em Z será:

G/H = {H,1 + H,2 + H,3 + H} ou Z/4Z={4Z,1 + 4Z,2 + 4Z,3 + 4Z}

Agora vamos analisar algumas proposições importantes sobre as classes laterais.

PROPOSIÇÃO
Proposição 3.1.2

A união de todas as classes laterais módulo H é igual a G.

Demonstração
Consideremos e o elemento neutro do Grupo G. Também podemos dizer que e ∈ H.
sendo assim, todo elemento a de G e será elemento da classe aH, pois a = ae. Se cada ele-
mento de G está numa classe lateral, módulo H, então fica verificado que a união de todas as
classes laterais módulo H é igual ao conjunto G.
Para exemplificar essa proposição vamos considerar o exemplo 1.
Considere (Z6, +) um grupo comutativo e H = {0, 3} subgrupo de (Z6, +).
As classes laterais, módulo H, à esquerda serão:
0 + H = {0 + 0, 0 + 3} = {0,3} = H + 0
1 + H = {1 + 0, 1 + 3} = {1,4} = H + 1
2 + H = {2 + 0, 2 + 3} = {2,5} = H + 2
3 + H = {3 + 0, 3 + 3} = {3,0} = H + 3
4 + H = {4 + 0, 4 + 3} = {4,1} = H + 4
5 + H = {5 + 0, 5 + 3} = {5,2} = H + 5

Note que as classes laterais distintas à esquerda de H são: 0 + H, 1 + H e 2 + H, ou


seja, {0, 3}, {1, 4} e {2, 5}
Pela proposição temos que

G = Z6 = H U (1+ H) U (2 + H) = {0, 3} U {1, 4} U {2, 5} = {0, 1, 2, 3, 4, 5}

capítulo 3 • 87
Proposição 3.1.3

Para quaisquer a,b elementos de G, aH =bH se, e somente se, a–1 · b ∈ H .

Demonstração
(⇒)
Por hipótese temos que ∀a, b ∈ G , aH = bH. De acordo com a proposição 2, a ∈ aH.
Como aH = bH, temos também que a ∈ bH. Sendo assim, existe um h ∈ H tal que a = bh.
Então podemos dizer que a–1 · b = h–1 ∈ H.
(⇐)
Por hipótese temos a–1 · b = h–1 ∈ H. Sendo assim, existe h H tal que a–1 · b = h. O que
nos dar a = bh–1. Seja x ∈ aH. Então x = ah1, onde h1 é um elemento de H. Teremos, então
x = ah1 = (bh–1) h1 = b (h–1 h1). Isso nos mostra que x ∈ bH. Logo, aH ⊂ bH e bH ⊂ aH.
Podemos concluir, pela teoria dos conjuntos, que aH = bH.

Proposição 3.1.4
Se aH e bH são duas classes laterais módulo H genéricas, então aH = bH ou aH ∩ bH=Ø.

Demonstração
Suponhamos que existe um elemento x ∈ aH ∩ bH. Sendo assim, existem dois elemen-
tos h1, h2 ∈ H tal que x = ah1 = bh2. Então a–1 · b = h1 · h2 ∈ H. Pela proposição 3.1.3 temos
que aH = bH.

Proposição 3.1.5
As classes laterais de a à esquerda de H e à direita de H têm a mesma cardinalidade.
Significa que Toda classe lateral aH tem a mesma quantidade de elementos que H, isto
é, existe uma função bijetora de H em aH. Em outras palavras podemos dizer que |aH |= | H |
e |Ha|=| H |, assim |aH |=|Ha |.

Definição 3.1.6

Sendo G um grupo finito e H um subgrupo de G, o índice de H em G é o


número de classes laterais distintas, módulo H, em G, e é denotado por |G/H| ou
(G: H). Em outras palavras podemos dizer que a cardinalidade do conjunto das
classes laterais à esquerda de H (ou à direita) é chamada de índice de H em G.

capítulo 3 • 88
•  No exemplo 1 vimos que G/H = {H, 1 + H, 2 + H}, assim |G/H| = 3;
•  No exemplo 2 vimos que G/H = {H, iH}, assim |G/H| = 2;
•  No exemplo 3 vimos que G/H={H, 1 + H, 2 + H, 3 + H}, assim |G/H| = 4.

A partir dessa definição podemos enunciar o Teorema de Lagrange. Com ele


fica fácil identificar os subgrupos de G, já que ele reduz o número de subconjuntos
de G.
Por exemplo, se o grupo G possui 6 elementos o número de subconjuntos
serão 26 = 64. Note que podemos considerar os subconjuntos com 1, 2, 3 e 6
elementos que são os divisores de 6. Destes podemos considerar apenas os sub-
conjuntos com 2 e 3 elementos, visto que os subconjuntos com 1 e 6 elementos
já são subgrupos triviais.

PROPOSIÇÃO
Proposição 3.1.7
•  Teorema de Lagrange

Seja H um subgrupo de um grupo finito G, então a o (G) = (G: H) · o (H) ou |G| = |G/H| · |H|,
ou seja,

|G|
| G / H |=
|H|

Demonstração:
Suponhamos que (G: H) = r e seja {a1 H, a2H, ..., arH} o conjunto de todas as classes
laterais à esquerda módulo H.
Pela proposição 3.1.2 temos a1 H ∪ a2H∪ ... ∪ arH = G.
Como cada elemento de G figura em uma única dessas classes e como o número de
elementos de cada classe é o (H) (proposição 3.1.5), temos então que r · o (H) = o (G), mas
r = (G: H).
Logo, (G: H) · o (H) = o (G) ou |G| = |G/H| · |H|.

capítulo 3 • 89
EXEMPLO
1. Considere o grupo G = (Z10, +). Vamos considerar também o subconjunto H1 de G.

H1 = {0, 2, 4, 8}

Podemos verificar se esse subconjunto é candidato a subgrupo de G usando o Teorema


de Lagrange. Veja que H1 = {0, 2, 4, 8}, tem 4 elementos e 4 não divide 10. Logo, H1 não é
candidato a subgrupo de G.

2. Considere o grupo G = (Z10, +). Seja H2 = {0, 2, 4, 6, 8} o subconjunto de G. Usando


o Teorema de Lagrange verifica-se que H2 é candidato a subgrupo de G, pois H2 possui 5
elementos e 5 divide 10.
Agora vamos verificar se H2 = {0, 2, 4, 6, 8} é subgrupo G = (Z10, +).
Verificamos que:
0 é um elemento de H2 e é o elemento neutro de G.
0 + 0 = 0 ∈ H2 2 + 2 = 4 ∈ H2 4 + 4 = 8 ∈ H2 6 + 6 = 2 ∈ H2
0 + 2 = 2 ∈ H2 2 + 4 = 6 ∈ H2 4 + 6 = 0 ∈ H2 6 + 8 = 4 ∈ H2
0 + 4 = 4 ∈ H2 2 + 6 = 8 ∈ H2 4 + 8 = 2 ∈ H2 8 + 8 = 6 ∈ H2
0 + 6 = 6 ∈ H2 2 + 8 = 0 ∈ H2
0 + 8 = 8 ∈ H2

O simétrico de 2 em G é 8, pois 2 + 8 = 10 = 0 e 8 ∈ H2
O simétrico de 4 em G é 8, pois 4 + 6 = 10 = 0 e 6 ∈ H2
O simétrico de 8 em G é 8, pois 8 + 2 = 10 = 0 e 2 ∈ H2
O simétrico de 6 em G é 8, pois 6 + 4 = 10 = 0 e 4 ∈ H2
Portanto, H2 é um subgrupo de G.

Corolário 3.1.8
Seja G um grupo finito. Se | a ∈ G e H = [a ] , então o( a ) | o( G).
Esse Corolário sinaliza que se G é um grupo finito e a é um elemento de G, então a
ordem de a divide a ordem de G.

capítulo 3 • 90
EXEMPLO
1. Seja G um grupo de ordem 135. Considerando o Corolário 3.1.8 ficar fácil verificar que
um grupo de ordem 135 pode ter um subgrupo de ordem 5. Nesse caso basta verificar que
5/135. Também podemos ter um subgrupo de ordem 9, pois 9/135.

2. Seja G um grupo de ordem 135. É possível este grupo ter um subgrupo de ordem 6?
Usando o Corolário 3.1.8 veremos que 6 não divide 135. Logo, não é possível um grupo
de ordem 135 ter um subgrupo de ordem 6.

Corolário 3.1.9
a ∈ GSe
Seja G um grupo |finito. eH H = [oa(]a, )então
| a=∈[aG], eentão | o( G).o( a ) | o( G).
Demonstração
Seja H = [a]. Então, pelo Teorema de Lagrange, o (G) = o (H) · (G: H). Mas ao (G) =e
Logo, | a o( G)= e= ( a o( G) )=
( G:H) e=
( G:H) eG .

Corolário 3.1.10
Se G é um grupo de ordem prima, então G é cíclico.
Demonstração
Por hipótese o (G) = p , onde p é um número primo.
Suponhamos a um elemento de G, a ≠ e. Temos pelo corolário 3.1.8 que o(a)/o(G).
Então, o (a) = 1 ou o (a) = p.
Se o (a) = 1, então a = e, mas isto contraria o fato de a ≠ e.
Então, o (a) = p e [a] = {e, a, a2, a3, ...,a–1}.
Como G tem p elementos, G = [a].
Concluímos que G é cíclico.

OBSERVAÇÕES
1. Se o (G) = p primo, então todos os elementos de G diferentes de e são geradores do
grupo cíclico G.
2. Os grupos de ordem 2, 3, 5, 7, ..., p primos são cíclicos e, portanto, comutativos.
3. Todo grupo de ordem prima é cíclico, como foi verificado no corolário 3.1.10, e só tem
subgrupos triviais, ou seja, H = {e} e H = G.

capítulo 3 • 91
Corolário 3.1.11
Se G é um grupo finito e o (G) ≤ 5, então G é abeliano.
Observe que é fácil verificar esse corolário analisando a ordem de G.
Se a ordem de G for 1, então é um grupo abeliano e G = {e}.
Se a ordem de G for 2, 3 e 5, pela observação (2), G é abeliano.
Agora vejamos quando a ordem de G for 4. Veja que se existe um elemento a ∈ G, x ≠ e,
tal que a ordem de x é 4, então o grupo G é gerado por x, ou seja, G = [x]. Nesse caso
G é cíclico.

Subgrupos normais

Agora vamos conhecer a definição de subgrupos normais. Veremos mais


adiante que a partir deles poderemos construir os grupos quocientes.

Definição 3.2.1

Seja G um grupo e seja H um subgrupo de G. Diz-se que H é um subgrupo


normal de G ou que o subgrupo H é normal em G se, ∀h ∈ H e ∀a ∈ G temos
a–1 ha ∈ H.
Notação: H  G ou H∆G . Usamos mais a primeira notação.
Essa definição nos leva a proposição 3.2.2 que apresenta condições para veri-
ficarmos a existência de subgrupos normais.

PROPOSIÇÃO
Proposição 3.2.2

Seja H um subgrupo de G, então as seguintes afirmações são equivalentes.


I. H  G ;
II. ∀a ∈ G, a −1Ha ⊂ H , onde a–1 H = {a–1 ha; h ∈ H} = H;
III. aH = Ha, ∀a ∈ G ;
IV. Se a, b ∈ G, Ha · Hb = {x · y; x ∈ Ha e y ∈ Hb} = Hab.
As seguintes equivalências são verificadas:

capítulo 3 • 92
Seja H um subgrupo de G. Um subgrupo H de G é dito subgrupo normal ( H  G ) se
a) I ⇒ II
Queremos mostrar que a–1 Ha = H. Nesse caso devemos verificar que a–1 Ha ∈ H e
H ⊂ a–1 Ha.
Pela definição 3.2.1 temos que

∀h ∈ H e ∀a ∈ G temos a–1 ha ∈ H ⇒ a–1 Ha ⊂ H (1)

Podemos trocar a por a–1 em (1), temos aHa–1 ⊂ H . Note que

aHa–1 ⊂ H ⇒ a–1 (aHa–1) a ⊂ a–1 Ha ⇒ H ⊂ a–1 Ha (2)

Logo, de (1) e (2) a igualdade a–1 Ha = H é verificada.

b) II ⇒ III
Em (II) temos que a–1 Ha = H, ∀a ∈ G . Então podemos escrever que

a(a–1 Ha) = aH ⇒ Ha = aH.

c) III ⇒ IV
Seja Ha · Hb = H (aHb) = H ((aH) b) = H ((Ha) b) = H (Hab) = Hab.
Significa que sendo H um subgrupo normal de um grupo G e Ha e Hb duas classes laterais,
o conjunto das classes laterais é um grupo para a multiplicação definida por (Ha)(Hb) = H (ab).
O subgrupo H é o elemento neutro deste grupo e o inverso de Ha é Ha–1.

EXEMPLO
1. H = {e} é um subgrupo normal de G.
Observe que sendo H = {e}, a–1 ea = a–1 ae = e ∈ H . Assim, pela proposição 3.2.2,
∀a ∈ G, a −1Ha ⊂ H . Logo, {e} é um subgrupo normal de G.

2. H = G é um subgrupo normal de G.
Considerando g um elemento de G, temos que a–1 ga ∈ G, para todo g em G. Pela propo-
sição 3.2.2, temos aGa −1 ⊂ G, ∀a ∈ G. Concluímos, então, que G é um subgrupo normal de G.

capítulo 3 • 93
3. Se G é um grupo comutativo, então todos os seus subgrupos são normais.
Note que se h H e a G, então a–1 ha = ha–1 a=h, G é comutativo. Concluímos que
aHa −1 ⊂ H, ∀a ∈ G. Assim fica verificado que H é subgrupo normal.

4. Agora vamos à tábua de operação de um grupo chamado grupo Diedral D6.

* e a a2 b ba ba2
e e a a2 b ba ba2

a a a2 e ba2 b ba

a2 a2 e a ba ba2 b

b b ba ba2 e a a2

ba ba ba2 b a2 e a

ba2 ba2 b ba a a2 e

Considere o subgrupo H = {e, b}.


Vamos determinar inicialmente as classes laterais.

eH = e {e, b} = {e, b} = He
aH = a {e, b} ={a, ba2}
Ha = {e, b} a = {a, ba}. Note que aH ≠ Ha.

Logo, o subgrupo H = {e, b} não é um subgrupo normal do grupo diedral D6.

5. Considerando a tábua anterior podemos verificar que o subgrupo H = {e, a, a2} é um


subgrupo normal, pois todas as classes laterais são iguais.

capítulo 3 • 94
PROPOSIÇÃO
Proposição 3.2.3

Se H é um subgrupo de G e (G: H) = 2 então H é um subgrupo normal de G.

Demonstração
Por hipótese temos que H é um subgrupo de G e (G: H) = 2.
Suponhamos a um elemento de G.
Vamos analisar duas situações:
I. Se a for um elemento de H, então aH = H = Ha.
II. Se a não for um elemento de H, então aH ≠ H e Ha ≠ H.

Assim, aH e H são classes laterais diferentes e pelo fato de (G: H) = 2, faz com que elas
sejam as únicas classes laterais.
Pela proposição 3.1.2 temos que G = H ∪ aH e pela proposição 3.1.4 temos que
H ∩ Ha= Ø. Portanto, podemos concluir que H é um subgrupo normal de G.
Como consequência dessa proposição temos o corolário 3.2.4.

Corolário 3.2.4
|G|
Seja G um grupo finito. Se H é um subgrupo de G e | H |= , então H é um subgrupo
2
normal de G.

Demonstração
|G|
Por hipótese temos que H é um subgrupo de G e | H |= .
2
Da hipótese podemos escrever |G| = 2 · |H| (1)
Pelo Teorema de Lagrange temos que |G| = |H| |G/H| (2)
Substituindo (2) em (1), teremos |H| |G/H|= 2 · |H|. Cancelando |H| dos dois lados da
igualdade encontramos |G/H| = 2, e pela proposição 3.2.3 concluímos que H é um
subgrupo normal de G.

capítulo 3 • 95
EXEMPLO
Considerando o grupo diedral D6 = { e, a, a2, b, ba, ba2} e o subgrupo H = {e, a, a2} fica fácil
verificar que H é um subgrupo normal do grupo diedral D6, pois pelo corolário 3.2.4 temos
que 2 |H| = |D6|.
Lembrando que |H| = 3 e |D6|= 6.

Grupo quociente

Agora vamos definir grupo quociente.

Definição 3.3.1

Seja G um grupo e H um subgrupo de G tal que aH = Ha, ∀a ∈ G. Então


G/H é um grupo. Esse grupo será chamado de grupo quociente com respeito a H.
G / H = {aH / a ∈ G}

(G/H,.) é um grupo com essa operação, pois podemos verificar as proprieda-


des a seguir:

ATENÇÃO
Lembramos que chamamos G/H o conjunto de todas as classes laterais à esquerda ou
à direita de H em G.

Propriedade associativa

∀a, b, c ∈ G,
(aH)[(bH)(cH)] = (aH)[(bc)H ] = a ( bc ) H = (ab)cH = [(ab)H ](ccH) = [(aH)(bH)](cH).

Assim, verificamos a propriedade associativa.

capítulo 3 • 96
Existência do elemento neutro

∀a ∈ G, (eH)(aH) = ( ea ) H = aH e (aH)(eH) = (ae)H = aH

Assim, temos eH=H como sendo o elemento neutro de G/N.

Existência do elemento inverso

∀a ∈ G, (aH)(a −1H) = ( aa ) H = eH e (a −1H)(aH) = (a a)H = eH

Assim, temos que o elemento inverso de aH é o elemento a^(-1) N.

OBSERVAÇÕES
Se G for um grupo finito, então pelo Teorema de Lagrange, podemos observar que:

o( G)
o( G=
/ N) (=
G : N)
o(N)

PROPOSIÇÃO
Proposição 3.3.2

Seja G um grupo e H um subgrupo normal de G.


I. Se G é um grupo comutativo então o grupo quociente G/H é comutativo.
II. Se G é um grupo cíclico então o grupo quociente G/H é cíclico.

Demonstração (I)
Por hipótese temos que G um grupo e H um subgrupo normal de G e G é um grupo co-
mutativo. Suponhamos aH e bH duas classes laterais em G/H. Temos que

(aH) (bH) = abH por definição de G/H.


(aH) (bH) = baH
(aH) (bH) = (bH) (aH)

Concluímos que G/H é um grupo comutativo.

capítulo 3 • 97
Demonstração (II)
Por hipótese temos que G é um grupo e H um subgrupo normal de G e G é um gru-
po cíclico.
Suponhamos que G é gerado por um elemento a de G, isto é, G = [a]. Então podemos
dizer que a classe lateral aH é gerador do grupo G/H, pois aH é um elemento de G/H e po-
demos escrever ak para algum k em Z (definição de grupo cíclico). Assim, aH = ak H = (aH)k,
para todo k em Z. Portanto, G/H é um grupo cíclico.
Agora vamos verificar alguns exemplos de grupos quocientes.

EXEMPLO
1. Considere o grupo aditivo (Z6, +) e H = {0,3} um subgrupo de G. Descreva os elementos
e construa a tábua de operações do grupo quociente Z6/H.
Vamos determinar as classes laterais de H em G.
Z6 = {0, 1, 2, 3, 4, 5}
H = {0, 3}
0 + H = {0, 3} = H
1 + H = {1, 4}
2 + H = {2, 5}
3 + H = {3, 0} = H
4 + H = {4, 1} = 1 + H
5 + H = {5, 2} = 2 + H

Observe que temos apenas 3 classes distintas: 0 + H, 1 + H e 2 + H.


Logo, temos o grupo quociente Z6/H = {H, 1 + H, 2 + H}.

A operação de classes neste caso é definida por: (a + H) + (b + H) = (a + b) + H.

capítulo 3 • 98
Agora vejamos a Tábua para a operação de adição em Z6/H.

+ H 1+H 2+H
H H 1+H 2+H

1+H 1+H 2+H H

2+H 2+H H 1+H

(0 + H) + (0 + H) = (0 + 0) + H = 0 + H = H
(0 + H) + (1 + H) = (0 + 1) + H = 1 + H
(0 + H) + (2 + H) = (0 + 2) + H = 2 + H
(1 + H) + (1 + H) = (1 + 1) + H = 2 + H
(1 + H) + (2 + H) = (1 + 2) + H = 3 + H = H
(2 + H) + (2 + H) = (2 + 2) + H = 4 + H = 1 + H

2. Considerando o grupo (Z, +) e o subgrupo H = 4Z dos inteiros múltiplos de 4. H é um


subgrupo normal de Z. Determine o grupo quociente Z/4Z.
Já vimos que o conjunto das classes laterais à esquerda de H = 4Z em Z será:

G/H = {H, 1 + H, 2 + H, 3 + H} ou Z/4Z = {4Z, 1 + 4Z, 2 + 4Z, 3 + 4Z}

Assim, o grupo quociente Z/4Z = {0 + 4Z, 1 + 4Z, 2 + 4Z, 3 + 4Z}

3. nZ = {nk/k Z} é um subgrupo normal do grupo (Z, +) e que as classes laterais de nZ em


Z são da forma:

0 + nZ = nZ, 1 + nZ, 2 + nZ¸ ..., (n – 1) + nZ

Como o grupo (Z, +) é cíclico e gerado pelo elemento 1, podemos dizer que o grupo
quociente Z/nZ também é cíclico (pela proposição 3.3.2 (II)) e é gerado pela classe lateral
1 + nZ.
Diante disso podemos dizer que no exemplo 2 o grupo quociente é cíclico e é gerado
pela classe lateral 1 + 4Z.

capítulo 3 • 99
4. Construa a tabela do grupo quociente Z6/H, onde H = {e, a, a2}. Considere a tábua de
operação do grupo diedral D6.

* e a a2 b ba ba2
e e a a2 b ba ba2

a a a2 e ba2 b ba

a2 a2 e a ba ba2 b

b b ba ba2 e a a2

ba ba ba2 b a2 e a

ba2 ba2 b ba a a2 e

Determinando as classes laterais à esquerda de H encontramos apenas duas classes


distintas, ou seja, (G: H) = |G|/|H|. Assim, teremos 6: 3 = 2 classes laterais. Logo,
G/H = {H, bH}. Lembrando que as classes podem ser facilmente determinadas através
da tabela dada.

eH = e {e, a, a2} = {e, ea, ea2}={e, a, a2}= aH = a2 H = H


bH = b {e, a, a2}={be, ba, ba2} = {b, ba, ba2} = abH = ba2 H

A tabela do grupo quociente D6/H = {H, bH} será da seguinte forma:

· H BH
H H bH

bH bH H

capítulo 3 • 100
Homomorfismo de grupos

Até agora trabalhamos com a estrutura algébrica de grupo. Foi possível notar
que existem subconjuntos que preservam a estrutura de grupo dentro do grupo
dado, que são os subgrupos.
Agora vamos pensar na seguinte questão: Podemos comparar duas estruturas
algébricas? Isto é, se considerarmos dois grupos G1 e G2, podemos relacioná-los a
partir de uma função f definida de G1 em G2 tal que não se perca, para suas ima-
gens, a estrutura de grupo?
Veja que quando isto ocorrer, tal função, que desempenha o mesmo papel que
uma transformação linear entre espaços vetoriais, já estudados na disciplina de
Álgebra Linear, é chamada de homomorfismo de grupos.

Definição 3.4.1

Vamos considerar dois grupos (G1, *) e ( G2 ,∆ ) , e uma aplicação f: G1 → G2.


Dizemos que f é um homomorfismo de grupos, de (G1, *) em ( G2 ,∆ ) se, e so-
mente se, f ( x ∗ y ) = f ( x ) ∆ f ( y ) ∀x, y ∈ G1 .
Observe que a definição apresentada preserva a estrutura dos grupos. Além
disso, fica bem clara as operações que estão presentes. No domínio temos a opera-
ção * dos elementos de G1, e em G2 temos a operação ∆, ou seja f ( x ) ∆ f ( y ) ∈ G2 .

Podemos usar a notação de produto usual.

Vejamos a definição dada através da figura a seguir:

(G1, *) (G2, )

x f(x)
y f(y)
f(x) f(y)
x*y f(x*y)

capítulo 3 • 101
EXEMPLO
1. Sejam G = (R, +) e H =(R*, ·) dois grupos. A função exponencial definida por
f : G → H, f( x ) = 2x é um homomorfismo de G em H, pois para quaisquer x, y ∈ G temos:

f ( x + y ) = 2 x + y = 2 x .2 y = f ( x ) ⋅ f ( y )

  
f ( x∗y )

Veja:

(R,+) (R*, .)
+
1 21=2

2 22=4

1+2 21+2=8

Então, f (1 + 2) = 8.
f (1 + 2) = f(1) · f(2)

2. Sejam os grupos G = R2 = R · R com a operação de adição

(a, b) + (c, d) = (a + c, b + d) e H = (R, +).

Seja T : G → H, T( x, y ) = 5x − 4 y .
Para quaisquer X = (x1, y1) e Y = (x2, y2) em G temos que T é um homomorfismo de G
em H, pois
T (X + Y) = T((x1, y1) + (x2, y2 ))=
= T (x1 + x2, y1 + y2) =
= 5 (x1 + x2 ) – 4 (y1 + y2)=
= (5x1 – 4y1) + (5x2 – 4y2)=
= T (x1, y1) + T (x2, y2)=
=T (X) + T(Y)

capítulo 3 • 102
3. Sejam os grupos f : R → R∗+ , f( x ) = x + 1.
Veja que para todo x, y em R, f (x + y) = (x + y) + 1 ≠ (x + 1) (y + 1)
Portanto, f : R → R∗+ , f( x ) = x + 1 não é um homomorfismo, pois não preserva a operação.
4. Sejam os grupos: (R+*, ·) e (R, +) . Mostre que f : R∗+ → R, f( x ) = log2 x é um homomor-
fismo de (R , ·) em (R, +) .
+
*

∀x, y ∈ R∗+ , ( x, y ) = f( x ) + f( y )
f

log2 ( xy ) = log2 x + log2 y

Portanto, fica verificado que f : R∗+ → R, f( x ) = log2 x é um homomorfismo de (R+*, ·)


em (R, +).

5. f : (R, + ) → (R, + ), f( x ) = x2

f (x + y) = f (x + y)2 = x2 + 2xy + y2 ≠ x2 + y2 = f (x) + f (y)

Portanto, f não é homomorfismo, pois

f (2 + 3) = 52 = 25 e f (2) + f (3)= 22 + 32 = 4 + 9 = 13.

Logo, f (2 + 3) ≠ f (2) + f (3).


Também podemos citar como exemplo o homomorfismo canônico, também conhecido
como homomorfismo projeção canônica. É a partir dele que enunciaremos o Teorema do
homomorfismo de grupos/Teorema do isomorfismo.

Definição 3.4.2

Considere G um grupo e H um subgrupo normal de G. Seja a aplicação entre


G e o grupo quociente G/H, definida por π: G → H onde π (a) = aH. Veja que π é
um homomorfismo de grupo. Considerando a e b dois elementos de G, temos que

π (ab) = (ab) H = aH · bH = π (a) · π (b).

capítulo 3 • 103
Portanto, π é um homomorfismo de grupo chamado de homomorfismo canô-
nico ou homomorfismo projeção canônica de G em G/H.
Vejamos alguns resultados importantes sobre os homomorfismos.

PROPOSIÇÃO
Proposição 3.4.3

Vamos considerar dois grupos (G1, *) e (G2, ∆), e uma aplicação f: G1 → G2 um homo-
morfismo de grupos e e1 e e2 elementos neutros de G1 e G2, respectivamente. A partir disso
são válidas as seguintes propriedades:
a) f (e1) = e2, ou seja, a imagem f (e1) do elemento neutro e1 do grupo G1 é o elemento
neutro e2 do grupo G2, isto é f (e1) = e2.
Demonstração:
Temos que f (e1) = f (e1 e1) = f (e1) f (e1) ou seja f (e1) = f (e1) f (e1) multiplicando-se os
dois lados dessa igualdade por f (e1)–1, temos que, e2 = f (e1).

b) f (x–1) = (f(x))–1, para todo x em G1. Aqui observamos que a imagem do simétri-
co de qualquer elemento x do grupo G1 é igual ao simétrico da imagem de x, isto é,
f(x–1) = (f (x))–1.
Demonstração:
Como x ∈ G1 podemos escrever f (e1) = f (x · x–1) = f (x) · f (x–1)
Mas por (a) temos que f (e1) = e2 . Assim, e2 = f (e1) = f (x) · f (x–1)
Isto significa que f (x) e f (x–1) são um o simétrico do outro, ou seja

f (x–1) = (f (x))–1.

Definição 3.4.4

Imagem de um homomorfismo

Seja f: G1 → G2 um homomorfismo de grupos. Definimos a imagem de f por

Im(f ) = {h ∈ G2 / ∃g ∈ G1 , f ( g ) = h}

capítulo 3 • 104
PROPOSIÇÃO
Proposição 3.4.5

A imagem de f, Im (f) = f (G1) = {f(x)/x ∈ G1}, é um subgrupo de G2. Em outras palavras,


a imagem de um homomorfismo f é um subgrupo de G2, Im (f) < G2.
Demonstração:
Como e2 = f (e1) Im (f), segue que Im (f) ≠ Ø.
Vamos considerar dois elementos de Im (f). Sejam x1, y1 Im (f).
Precisamos mostrar que

x1, y1 Im (f) e que x–1 Im(f).

Como x1, y1 Im (f) segue que existe um elemento x que pertence a G1 tal que f (x) = x1
e também existe um elemento y que pertence a G1 tal que f (y) = y1. Com isto temos que

f (x) · f (y) = f (x · y) Im (f)


x 1
–1
= (f(x))–1 = f (x–1) ∈ Im (f)

Portanto, Im (f) < G2.

Definição 3.4.5

Núcleo de um homomorfismo

Seja f: G1 → G2 um homomorfismo de grupos, onde os grupos considerados


são (G1, *) e ( G2 ,∆ ) , e o elemento neutro de G2, e2.
Definimos núcleo do homomorfismo f ao conjunto {x ∈ G1/ f (x) = e2}.
Podemos indicar por N (f ).

N (f ) = {x ∈ G1; f (x) = e2}

Isso significa que N (f ) é o conjunto de todos os elementos do grupo G que


são levados para o neutro e2 de G2 mediante o homomorfismo f.

capítulo 3 • 105
Veja a ilustração:

f
G1 G2

N(f) e2

Note na ilustração que o núcleo de um homomorfismo f nunca é vazio, isto é


N (f ) ≠ Ø, pois pela propriedade (a) onde f (e1) = e2, temos que e1 ∈ N (f ).

EXEMPLO
1. Sejam os grupos (R+*, ·) e (R, +) e o homomorfismo f: R+* → R, f (x) = 2x. Aplicando a
condição para que um elemento x de G1 pertença ao N (f), temos f (x) = e2. Então 2x = 1.
O que nos dar x = 0. Portanto, N (f) = {0}.

2. Sejam os grupos (R+*, ·) e (R, +) e o homomorfismo f: R+* → R, f (x) = logx. Aplican-


do a condição para que um elemento x de G1 pertença ao N (f), temos f (x) = e2. Então
logx = 0 ⇒ x = 1.
Portanto, N (f) = {1}.

3. Consideremos o homomorfismo de grupos Podemos verificar o núcleo de f da seguinte


forma:
f (x, y)= e2 → (x – y, 0) = (0, 0) → x = y

Portanto, N (f) = {(x, y) ∈ Z · Z/x = y}.


Da definição de núcleo podemos verificar alguns resultados importantes.

capítulo 3 • 106
PROPOSIÇÃO
Proposição 3.4.6

O núcleo de f, N (f), definido por N (f) = {x ∈ G1; f (x) = e2} é um subgrupo normal de G1.
Demonstração:
Para demonstrar que o núcleo de um homomorfismo é um subgrupo normal de G_1,
precisamos mostrar, em primeiro lugar, que N (f) < G1 e, por fim, mostrar a normalidade.
•  Primeira parte: N(f) < G1

Vamos considerar x, y ∈ N (f)


Precisamos mostrar que xy ∈ N (f) e que x–1 ∈ N (f).
Note que por f ser um homomorfismo de grupos podemos escrever

f (xy) = f (x) · f (y) = e2 · e2 = e2

Portanto, xy ∈ N (f).
Também podemos escrever que f (x–1) (f(x))–1 = (e2)–1 = e2. Portanto, x–1 ∈ N (f).
Verificamos a primeira parte.
•  Segunda parte: N (f) é subgrupo normal de G1.

Note que para todo g em G1 e para todo x ∈ N(f) temos

f (gxg–1)=f ((gx) g–1 ) = f (gx) · f (g–1) = f (g) · f (x) · (f (g))–1 =


= f (g) · e2 · (f(g))–1 = f (g) · (f(g))–1 = e2

Portanto, gxg–1 ∈ N (f) , para todo g em G1 e para todo x ∈ N (f).


Assim, considerando a primeira e a segunda parte fica provada a proposição.

Proposição 3.4.7

Seja f: G1 → G2 um homomorfismo de grupos. Então f é injetiva se, e somente se,


N (f) = {e1}.

capítulo 3 • 107
Demonstração:
(⇒)
Seja f: G1 → G2 um homomorfismo de grupos.
Por hipótese f é injetiva. (1)
Seja a um elemento do N (f).
Temos então que f (a) = e2.
Pela proposição 3.4.3, f (e1) = e2 e (1), temos que a = e1.
Portanto, N (f) = {e1}.
(⇐)
Vamos considerar dois elementos a e b do grupo G1 tais que f (a) = f (b).
Multiplicando cada lado de f (a) = f (b) por (f(b))–1, obtemos f (a) · (f(b))–1 = e2.
Porém, e2 = f (a) · (f(b))–1 = f (a) · f (b–1) = f (ab–1)
Portanto, ab–1 ∈ N (f) = {e1}. Então, ab–1 = e1 e assim a = b. Logo, f é injetora.

Proposição 3.4.8

Seja f: G1 → G2 e g: G2 → G3 homomorfismos de grupos, então a composta gof: G1 → G3


é um homomorfismo.

Demonstração:
Sejam a, b elementos de G1.
Temos que
(gof) (ab) = g (f (ab)) =
= g (f (a) · f (b)) =
= g (f (a)) · g (f (b)) =
= (gof) (a) · (gof) (b)

Portanto, (gof) é um homomorfismo.

Homomorfismos especiais

1. Se f é um homomorfismo de G1 → G2 e se a aplicação f é sobrejetora,


então diremos que f é um epimorfismo de G1 → G2.
2. Se f é um homomorfismo de G1 → G2 e se a aplicação f é injetora,
então diremos que f é um monomorfismo de G1 → G2.

capítulo 3 • 108
3. Se f é um homomorfismo de G1 → G2 e se a aplicação f é bijetora,
então diremos que f é um isomorfismo de G1 → G2.
4. Um homomorfismo de f: G → G é chamado de endomorfismo.
5. Um isomorfismo f: G → G é chamado de automorfismo.

Agora estamos interessados no estudo de um homomorfismo que tenha uma


bijeção, pois a partir dela podemos dizer que dois grupos são isomorfos ou não.
Então estudaremos agora o isomorfismo de grupos.

Isomorfismo de grupos

Definição 3.5.1

Vamos considerar dois grupos (G1, *) e ( G2 ,∆ ) . Dizemos que uma aplicação


é um isomorfismo de grupos, de (G1, *) em ( G2 ,∆ ) se, e somente se:
a) f é uma bijeção
b) f ( x ∗ y ) = f ( x ) ∆ f ( y ), ∀x, y ∈ G1 , f é um homomorfismo de grupos.

Usamos a notação G1 ≈ G2 (leia-se: G1 é isomorfo a G2) significa que existe


um isomorfismo de G1 e G2.
A condição (b) mostra que o isomorfismo f conserva as operações estrela e
triângulo, ou seja, operar em G1 por meio de é o mesmo que operar nos elemen-
tos correspondentes por meio de ∆.

OBSERVAÇÕES
1. Quando G1 = G2 =G e f: G → G é um isomorfismo, podemos chamar f de automorfismo
de G.
2. Dois conjuntos G1 e G2 possuem a mesma cardinalidade quando existe uma bijeção en-
tre eles. A partir dessa informação podemos dizer que dois conjuntos são isomorfos quando
possuem o mesmo número de elementos.
3. Se um grupo for abeliano, o outro também deverá ser abeliano.
4. Se determinado tipo de equação tem solução em um deles, então uma equação equiva-
lente também tem solução no outro.
5. Dois grupos são isomorfos quando possuem a mesma propriedade algébrica, caso con-
trário eles não são isomorfos.

capítulo 3 • 109
EXEMPLO
1. Considere os grupos G = (Z3, +) e H = (Z6,+). Vamos verificar se os grupos G e H são
isomorfos .
Agora analisando o exemplo dado podemos observar que Z3 tem três elementos, en-
quanto que Z6 tem 6 elementos. Portanto, não pode existir bijeção entre eles e, daí, G não é
isomorfo a H.

2. Os grupos G = (S3, o) e H = (Z6, +) não são isomorfos, pois S3 é um grupo não abeliano
com 6 elementos e Z6 é abeliano com 6 elementos.

3. Os grupos G = (Z, +) e H = (R, +) não são isomorfos, pois Z é um conjunto enumerável,


enquanto que R é não enumerável. Logo, não pode existir bijeção entre eles. Portanto, G não
é isomorfo a H.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
  m n  
G = {2m3n / m, n ∈ Z} e H =    / m, n ∈ Z  dois grupos.
  −n m  

Mostre que G é isomorfo a H.

Solução:
Para provarmos que existe um isomorfismo entre G e H, devemos verificar as duas con-
dições dadas na definição de isomorfismo, ou seja, encontrar uma função f: G → H que seja
bijetora, e verificar a existência de um homomorfismo de grupos.

m n
Seja f: G → H definida por f (2m3n ) =  .
 −n m

Sejam m, n, p, q ∈ Z tais que f (2m 3n) = f (2p 3q)

 m n   p q
Assim, temos  =  ⇒m=p e n = q ⇒ 2 3 = 2 3 .
m n p q

 −n m  −q p 

capítulo 3 • 110
Isso mostra que a função f é injetiva. (1)
Dado um elemento genérico X em H, temos que X é da forma 
a b
 , onde a, b ∈ Z .
 −b a 
 a b
Escolhendo x = 2a 3b ∈ G, temos que f ( x ) = f(2a3b ) =  =X.
 −b a 
Isso mostra que a função f é sobrejetora. (2).
Portanto, de (1) e (2) fica verificado que a função f é bijetiva.
Por último devemos verificar a presença do homomorfismo de G em H.
Sejam m, n, p, q ∈ Z tais que f (2m 3n) = f (2p 3q). Temos

 m+p n+q
f ( xy ) = f (2m3n2p3q ) = f (2m+p3n+ q ) =  =
 − (n + q ) m + p 
m n  p q 
= =  ] = f(2 3 ) + f(2 3 ) = f( x ) + f( y )
m n p q
 −n m  −q p 

Logo, f é um homomorfismo de grupos. Portanto, fica provado que G é isomorfo a H.


Vejamos alguns resultados sobre isomorfismo.

PROPOSIÇÃO
Proposição 3.5.2

Se f: G1 → G2 é um isomorfismo então f–1: G1 → G2 é um isomorfismo.

Proposição 3.5.3

Seja f: G1 → G2 um homomorfismo de grupos.


I. G1 é abeliano se, e somente se, G2 é abeliano.
II. G1 = [a] se, e somente se, G2 = [f (a)]

A proposição 3.5.3 mostra que isomorfismos transformam grupos comutativos/abelia-


nos em grupos comutativos, assim, como transformam grupos cíclicos em grupos cíclicos.
Agora vamos conhecer o Teorema do Homomorfismo para Grupos. Ele é um dos teore-
mas mais importantes da teoria elementar dos grupos, pois através dele é possível produzir-
mos isomorfismos entre grupos.

capítulo 3 • 111
Proposição 3.5.4

•  Teorema do homomorfismo

Sejam G1 e G2 dois grupos multiplicativos, seja f um epimorfismo de f: G1 → G2 e consi-


deremos o grupo quociente G1/N, onde N = N (f). Nestas condições, temos:
a) Existe uma única aplicação f*: G1/N → G2 tal que f* oπ = f, onde π é o homomor-
fismo canônico de G1 → G1/N;
b) f* é um isomorfismo, portanto G1/N ≅ G2.
Observe que os vários homomorfismos considerados no enunciado anterior podem ser
visualizados de forma mais clara no diagrama que se segue:

– f: epimorfismo;
– N = N (f): núcleo de f;
– π: homomorfismo canônico;
– f* oπ = f;
– f*: isomorfismo (denominado isomorfismo induzido pelo epimorfismo f).

Demonstração:
a) Existe uma única aplicação f*: G1/N → G2 tal que f* oπ = f, onde π é o homomor-
fismo canônico de G1 → G1/N;
Observemos que se aN e bN são dois elementos quaisquer de G1/N, então temos
Portanto, xN → f(x) é uma aplicação f* de G2/N em G2. Veja que essa observação inicial
é importante para mostrar que, de fato, f* é uma aplicação, ou seja, que definição de f* no
elemento xN, f* (xN) = f(x), não depende do representante x da classe lateral xN.
Agora vamos provar que f* é sobrejetora.
De fato, para todo x' em G2 existe um elemento x de G1 tal que f (x) = x', pois, pela hipó-
tese se, f é sobrejetora, o que resulta em f* (xN) = f (x) = x'.

f* oπ = f

capítulo 3 • 112
De fato, para todo x em G1, temos (f* oπ) (x) = f* (π (x)) = f* (xN) = f (x), logo f* oπ = f .

Unicidade de f*.
Consideremos uma aplicação g: G1/N → G2 tal que goπ = f. Para todo xN em G1/N temos

g (xN) = g (π (x)) = (go π) (x) = f (x) = (f* oπ) (x) = f* (π (x)) = f* (xN)

Portanto, g = f*.
b) f* é um isomorfismo, portanto G1/N → G2.
f* é um homomorfismo.
Com efeito, se xN e yN são dois elementos quaisquer de G1/N, temos

f* (xN · yN) = f* ((xy) N) = f (xy) = f (x) f (y) = f* (xN) f* (yN)

f* é um isomorfismo.
Para verificarmos que f* é um isomorfismo, basta mostrarmos que o núcleo de f se re-
duz ao elemento neutro N do grupo quocienteG1/N. De xN ∈ N(f*) vem f* (xN) = 1 G2, logo
x ∈ N (f) = N e então xN = N é o elemento neutro de G1/N.
Portanto, fica provado o Teorema do homomorfismo de grupos.
Agora vamos apresentar uma aplicação do Teorema do homomorfismo de grupos.

EXEMPLO
1. Seja G um grupo qualquer e G/G o grupo quociente trivial, isto é, G/G = {G}. Vamos
verificar que G/G é isomorfo a {e}.
Veja que f: G → G, onde f (x) = e é um homomorfismo nulo. Nesse caso N (f) = G e
Im (f) = {e}. Pela proposição 3.5.4, G/N (f) é isomorfo a Im (f).

2. Se G é um grupo qualquer, então G/{e} = {{g}, g em G}. Vamos verificar que G/{e} é iso-
morfo a G.
Veja que f: G → G, onde f (x) = x é o homomorfismo identidade. Nesse caso N (f) = {e} e
Im (f) = G. Pela proposição 3.5.4, G/{e} é isomorfo a G.
Agora veremos alguns exercícios abordados na literatura sobre os conteúdos estudados.

capítulo 3 • 113
EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Considere (Z6, +) um grupo comutativo e H = {0, 2, 4} subgrupo de (Z6, +) Determine o
conjunto das classes laterais à esquerda de H.
Solução:
0 + H = {0 + 0,0 + 2,0 + 4} = {0, 2, 4} = H + 0
1 + H = {1 + 0,1 + 2,1 + 4} = {1, 3, 5} = H + 1
2 + H = {2 + 0,2 + 2,2 + 4} = {2, 4, 0} = H + 2
3 + H = {3 + 0,3 + 2,3 + 4} = {3, 5, 1} = H + 3
4 + H = {4 + 0,4 + 2,4 + 4} = {4, 0, 2} = H + 4
5 + H = {5 + 0,5 + 2,5 + 4} = {5, 1, 3} = H 5
G/H = {H, 1 + H, 2 + H}

2. Seja G = {A ∈ Mn (R); A é inversível} e o subgrupo H = { A ∈ G; detA = 1}. Mostre que


H é um subgrupo normal de G.

Solução:
Basta mostrar que para toda matriz A ∈ G, A–1 HA ⊂ H.
Seja X ∈ A–1 HA. Então existe uma matriz B H tal que X = A–1 BA .

detX = det(A–1 BA) = (detA–1) (detB) (detA) = (detA)–1 (detB) (detA)=


= detB = 1.

Então X é um elemento de H. Podemos concluir que A ∈ G, A–1 HA ⊂ H. Logo, H é um


subgrupo normal de G.

3. Considere o grupo G = (Z10, +). Verifique se o subconjuntos H={0, 2, 4} de G é um sub-


grupo de G.

Solução:
H = {0, 2, 4} , tem 3 elementos e 3 não divide 10. Logo, H não é subgrupo de G.

4. Seja H = {0, 8} um subconjunto de G = (Z10, +). Verifique se H é um subgrupo de G.

Solução:
H = {0, 8}, tem 2 elementos e 2 divide 10. Logo, H é um candidato a subgrupo de G.

capítulo 3 • 114
Vamos verificar se ele é subgrupo de G.
H tem 2 elementos.
0 é um elemento de H.
O simétrico de 8 em G é 2, pois 8 + 2 = 10 = 0. Observe que 2 não pertence a H. Logo,
H não é subgrupo de G.

5. Seja H = {1, 2, 4, 6, 8} um subconjunto de G = (Z10, +). Verifique se H é um subgrupo de G.

Solução:
H = {1, 2, 4, 6, 8}, tem 5 elementos e 5 divide 10. Logo, H é um candidato a subgrupo
de G.
Vamos verificar se ele é subgrupo de G.
Observe que 0 não é um elemento de H. Logo, H não é subgrupo de G.

 0 −2   1 2
6. Seja H = [a] um subgrupo de G = GL2 (R), onde a =   , e seja x = 0 3 .
1/ 2 0   
Verifique se H é subgrupo normal de G.

Solução:

Vamos determinar inicialmente as potências da matriz a.

 −1 0 
a2 = a · a =  
 0 −1
 0 2
a3 = a2 · a = 
 −1/ 2 0 
 1 0
a4 = a3 · a =   = e= elemento neutro de GL2 (R).
0 1

Logo, o(a) = 4 e H = {e, a, a2, a3}. Agora temos xH = {x, xa, xa2, xa3} , então

  1 2   1 −2   −1 −2   −1 2  
xH =  
0 3  , 3 / 2 0  ,  0 −3 ,  −3 / 2 0  
         

e Hx = {x, ax, a2 x, a3 x} , então

  1 2   0 −6   −1 −2  0 −6  
Hx =  
0 3  , 1/ 2 1  ,  0 −3 ,  −1/ 2 0  
         

Como xH ≠ Hx, podemos dizer que H não é um subgrupo normal de G.

capítulo 3 • 115
7. Dados os grupos G e H verifique se existe um homomorfismo de f: G → H.
G = (Z,+) e H = (Z, +), f (x) = 8x.

Solução:
Se f for um homomorfismo, devemos mostrar que f ( x ∗ y ) = f( x ) ∆ f( y ) ∀x, y ∈ G .
Se f não for homomorfismo, então devemos apresentar um contra-exemplo que mostre
que essa igualdade não existe.
Para quaisquer x, y em Z, temos:

f (x + y) = 8 (x + y) = 8x + 8y = f (x) + f (y)

Logo, f é um homomorfismo de Z em Z.

8. Dados os grupos G e H verifique se existe um homomorfismo de f: G → H.


G = (Z, +) e H = (Z, +), f (x) = 8x + 1.

Solução:
Se f for um homomorfismo, devemos mostrar que f ( x ∗ y ) = f( x ) ∆ f( y ) ∀x, y ∈ G .
Se f não for homomorfismo, então devemos apresentar um contra-exemplo que mostre
que essa igualdade não existe. Para quaisquer x,y em Z, temos:

f (x + y) = 8 (x + y) + 1 = 8x + 8y + 1 ≠ f (x) + f (y)

Logo, f não é um homomorfismo de Z em Z.


Vamos considerar f (1) = 8 e f (2) = 15.

f (1 + 2) = f (3) = 8 (3) + 1 = 24 + 1 = 25
e f (1) + f (2) = 8 + 15 = 23

Assim, podemos observar que f (1 + 2) ≠ f (1) + f (2).


Logo, f não é um homomorfismo.

9. Dados os grupos G e H verifique se existe um homomorfismo de f: G → H.


G = (R, ·) e H = (R, ·), f (x) = |x|.

capítulo 3 • 116
Solução:
Se f for um homomorfismo, devemos mostrar que f ( x ∗ y ) = f( x ) ∆ f( y ) ∀x, y ∈ G .
Se f não for homomorfismo, então devemos apresentar um contra-exemplo que mostre
que essa igualdade não existe. Para quaisquer x,y em R, temos

f (xy) = |xy| = |x||y| = f (x) · f (y)

Logo, f é um homomorfismo de G em H.

10. Dados os grupos G e H verifique se existe um homomorfismo de f: G → H.


G = (R, +) e H = (R · R, +), f (x) = (2x, 3x)

Solução:
Se f for um homomorfismo, devemos mostrar que f ( x ∗ y ) = f( x ) ∆ f( y ) ∀x, y ∈ G .
Se f não for homomorfismo, então devemos apresentar um contra-exemplo que mostre
que essa igualdade não existe.
Para quaisquer x, y em R, temos:

f (x + y) = (2 (x + y), 3 (x + y)) = (2x + 2y, 3x + 3y)

Por outro lado, f (x) + f (y) = (2x, 3x) + (2y, 3y) = (2x + 2y, 3x + 3y).
Portanto, f (x + y) = f (x) + f (y).
Concluímos então que f é um homomorfismo.

ATIVIDADES
01. Determine todos os subgrupos de (Z6, +).
a) {0, 2, 4} d) {0}, {0, 2, 4}, {0, 3} e Z6
b) {0, 2, 4}, {0, 3} e Z6 e) {0}, {0, 2, 4}
c) {0}, {0, 2, 4}, {0, 3}

 0 −2   1 2
02. Seja H = [a] um subgrupo de GL2 (R), onde a=   , e seja x= 0 3 . Calcule
1/ 2 0   
as classes laterais xH.
a) {x, a, xa2, xa} d) {xa, xa2, xa3}
b) {a, xa2, xa3} e) {x, xa, xa2, xa3}
c) {x, xa, xa , a }
2 3

capítulo 3 • 117
03. Considere (Z6, +) um grupo comutativo e H = {0, 2, 4} subgrupo de (Z6, +). Determine
o número de classes laterais distintas que podemos encontrar à esquerda(ou à direita) de H.
a) 1 d) 4
b) 2 e) 5
c) 3

04. Seja o grupo (Z4, +). e o subgrupo H = {0, 2}. Determine o grupo quociente Z4/H.
a) {H, 1 + H } d) {1 + H }
b) {H, 2 + H } e) {1 + H, 2 + H }
c) {H, 3 + H }

05. Determine todos os subgrupos de (Z6, +).


a) {1, 2, 4}, {0, 3} e Z6 d) {1}, {0, 2, 4}, {0, 5} e Z6
b) {0}, {0, 2, 4} e Z6 e) {0}, {1, 2, 4}, {0, 5}
c) {0}, {0, 2, 4}, {0, 3} e Z6

06. Seja o grupo G = {1, i, –1, –i} e o subgrupo H = {1, –1}. Determine o grupo quociente
G/ H.
a) {H} d) {H, i H}
b) {H, –i H} e) {i H}
c) {i H, –H}

07. Sejam G = (Z12, +) e H = {0, 4, 8} um subgrupo de G. Construa a tábua do grupo quo-


ciente (G/H, +), identifique seu elemento neutro e os inversos (aditivos) de 1 + H e 2 + H.

08. Mostre que um grupo G é abeliano se, e somente se, f: G → H definida por f (x) = x–1 é
um homomorfismo.

09. Considere G = Z · Z com a seguinte operação adição:

(a, b) + (c, d) = (a + c, b + d)

Mostre que f: G → H, f (x, y) = (0,3x + 5y) é um homomorfismo.

capítulo 3 • 118
10. Dados os grupos G e H verifique se existe um homomorfismo de f: G → H.

G = (GL2 (R), +) e H = (Z, +), f (X) = tr (X) = traço de X

LEITURA
Teorema de Lagrange e bases de espaços vetoriais. Disponível em: <http://www.ime.unicamp.
br/~ftorres/ENSINO/CURSOS/Heitor_2013.pdf>.
Grupos, Subgrupos e “Finitude”. Disponível em: <http://www.dma.ufv.br/downloads/MAT%20
632/2008-I/Texto%20sobre%20Grupos%20-%20MAT%20632%20-%202008-I.pdf>.
Subgrupos normais e grupos quociente. Disponível em: <http://cmup.fc.up.pt/cmup/mdelgado/
oldsite/ensino/Algebra-CC-05-06/aula16.pdf>.
Teoria de Grupos Abstratos e Alguns Exemplos Clássicos. Disponível em: <http://www.propp.ufms.br/
gestor/titan.php?target=openfile&fileid=650>.
O Problema do Isomorfismo para as Álgebras de Grupos Racionais de p-Grupos Extra-Especiais.
Disponível em: <http://www.mat.ufmg.br/~anacris/textos/Allan.pdf>.
Grupos e seus Automorfismos. Disponível em: <http://www.mat.ufmg.br/~pgmat/monografias/
Mono009.pdf>.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LANG, Serge. Álgebra para Graduação. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda, 2008.
GONÇALVES, Adilson. Introdução a álgebra. 5. ed. Rio de Janeiro: IMPA, 2003.
DOMINGUES, Hygino H.; IEZZI, Gelson. Álgebra moderna. 4. ed. São Paulo: Atual, 2003.
GARCIA, Arnaldo. Álgebra: um curso de introdução. Rio de Janeiro: IMPA-Projeto Euclides, 2003.
DURBIN, John R. Modern algebra: An introduction. 4th ed: Wiley, 2000.
MONTEIRO, L.H. Elementos de Álgebra. Rio de Janeiro: LTC, 1971.

capítulo 3 • 119
capítulo 3 • 120
4
Teoria dos anéis
Teoria dos anéis
Anel é uma estrutura algébrica - (um conjunto não vazio) onde estão definidas
duas composições internas: Adição (+) e a multiplicação (·). Devemos lembrar que
o Grupo (estrutura algébrica estudada na disciplina Fundamentos de Álgebra I)
possui apenas uma operação – (G, *).
As operações de Adição (+) e a multiplicação (·) em um anel devem satisfazer
propriedades bem definidas. Por exemplo, o conjunto dos números inteiros é um
anel com as operações usuais de adição e multiplicação. O mesmo ocorre com os
conjuntos dos números reais, racionais e complexos. Observe que devemos conhe-
cer quais conjuntos possuem propriedades aritméticas que nos leve a realizar, de
forma satisfatória, as contas. Essa necessidade converge para a definição de anel e
dos seus seis axiomas.
Nesse capítulo conheceremos melhor a estrutura de anel, suas propriedades e
os tipos de anéis. Também será apresentada a definição de potências e múltiplos
de anéis.

OBJETIVOS
•  Conhecer a definição de anel e as propriedades que caracterizam o anel;
•  Identificar a estrutura de anel;
•  Conhecer alguns anéis importantes;
•  Reconhecer os tipos de anéis e alguns resultados sobre eles;
•  Conhecer e provar algumas propriedades comuns aos anéis;
•  Conhecer as propriedades de potência e múltiplos de elementos de um anel.

Definição de anel

Seja A um conjunto não vazio, com as operações usuais de adição e multipli-


cação indicadas por:
+ : A× A → A
( x, y ) → x + y, ∀x, y ∈ A e x + y ∈ A
⋅: A× A → A
( x, y ) → x ⋅ y, ∀x, y ∈ A e x ⋅ y ∈ A

capítulo 4 • 122
Veja que a adição e a multiplicação são funções de A · A em A, sendo assim,
a operação de adição associa para cada par (x, y) ∈ A · A um único elemento
x + y ∈ A · A operação de multiplicação associa a cada par (x, y) ∈ A · A um único
elemento x · y ∈ A .
Então podemos denotar o anel A com as operações de usuais de adição (+) e
multiplicação (·), por (A, +, ·) .

OBSERVAÇÃO
Também podemos representar as operações do anel A por * e ∆. Assim teremos (a, *, ∆),
onde a primeira operação * é chamada de adição e a segunda operação ∆ é chamada de
multiplicação.

A estrutura algébrica (A, +, ·) é denominada anel, se:


I. (A, +) é um grupo comutativo ou abeliano;
II. (A, ·) é um semigrupo;
III. Valem as propriedades distributivas da multiplicação em relação a
adição.
x ⋅ ( y + z ) = ( x ⋅ y ) + ( x ⋅ z ) , ∀x, y, z ∈ A e
( x + y ) ⋅ z = ( x ⋅ z ) + ( y ⋅ z ), ∀x, y, z ∈ A

Vamos entender melhor as afirmações anteriores.


I. (A, +) é um grupo comutativo ou abeliano, ou seja, devemos verificar
as propriedades/axiomas de grupo.
– A1: propriedade associativa para a adição
∀x, y, z ∈ A, tem-se ( x + y ) + z = x + ( y + z )

– A2: existência do elemento neutro para a adição

Existe um elemento e = 0 ∈ A tal que 0 + x = x = x + 0 para todo x em A.

– A3: existência do elemento simétrico para a adição


∀x ∈ A, ∃( − x ) ∈ A, tal que x + ( − x ) = 0 = ( − x ) + x

capítulo 4 • 123
– A4: propriedade comutativa para a adição

tem-sex (+x y+ =y )y++z x= x + ( y + z )


∀x, y, z ∈ A, tem-se

II. (A, ·) é um semigrupo, ou seja, devemos verificar a propriedade asso-


ciativa para a multiplicação.
– Propriedade associativa para a multiplicação

∀x, y, z ∈ A,, tem


tem-se ( x·+y)y )· +z z==xx·+(y( y· +z)z )
-se (x

III. Valem as propriedades distributivas da multiplicação em relação a


adição.
( y + z ) = ( x ⋅ y ) + ( x ⋅ z ), ∀x, y, z ∈ A e
( x + y ) ⋅ z = ( x ⋅ z ) + ( y ⋅ z ), ∀x, y, z ∈ A

Se (A, +, ·) satisfaz estas condições, então dizemos que (A, +, ·) é um anel.

Resumindo: Um anel é um conjunto A ≠ Ø onde são definidas duas operações, Adição


(+) e a multiplicação (·), satisfazendo os seguintes axiomas:

a) Propriedade associativa para a adição


∀x, y, z ∈ A, tem-se ( x + y ) + z = x + ( y + z )

b) Existência do elemento neutro para a adição


Existe um elemento 0A ∈ A tal que 0A + x = x = x + 0A para todo x em A.
Observação: O elemento 0a é chamado de elemento neutro ou zero da adição
do anel A.

c) Existência do elemento simétrico para a adição


∀x ∈ A, ∃( − x ) ∈ A, tal que x + ( − x ) = 0 = ( − x ) + x

capítulo 4 • 124
OBSERVAÇÃO
O elemento (–x) é chamado de elemento simétrico de x. Assim, se x, y ∈ A então x – y ∈ A
e podemos efetuar a operação x + (–y) = x – y Chamamos de operação subtração em A a
operação que cada (x, y) ∈ A · A associa o elemento x – y ∈ A.

d) Propriedade comutativa para a adição

tem-sex (+x y+ =y )y++z x= x + ( y + z )


∀x, y, z ∈ A, tem-se

e) Propriedade associativa para a multiplicação

∀x, y, z ∈ A,, tem


tem-se ( x·+y)y )· +z z==xx·+(y( y· +z)z )
-se (x

OBSERVAÇÃO
Podemos omitir o símbolo (·) e escrever apenas (xy) z = x (yz).

f ) Valem as propriedades distributivas da multiplicação em relação a


adição.
x ⋅ ( y + z ) = ( x ⋅ y ) + ( x ⋅ z ) , ∀x, y, z ∈ A e
( x + y ) ⋅ z = ( x ⋅ z ) + ( y ⋅ z ), ∀x, y, z ∈ A

Se (A, +, ·) satisfaz os axiomas anteriores, então dizemos que (A, +, ·) é um


anel.

EXEMPLOS
Veja alguns exemplos de anéis:
a) (Z, +, ·) anel dos números inteiros.
b) (R, +, ·) anel dos números reais.
c) (Q, +, ·) anel dos números racionais.
d) (C, +, ·) anel dos números complexos.

capítulo 4 • 125
É importante reconhecer a partir dos axiomas/propriedades se um determinado conjunto
é um anel com as operações usuais. Veja o seguinte exemplo:

1. Mostre que o conjunto Z dotado das leis de composição ⊕ e ⊗ abaixo definidas é um


anel.

x ⊕ y = x + y +1
x ⊗ y = x + y + xy

Devemos verificar os seis axiomas citados anteriormente.


a) Propriedade associativa para a adição
∀x, y, z ∈ Z, tem-se (x + y) + z = x + (y + z)

(x ⊕ y) ⊕ z = x ⊕ (y ⊕ z)
( x + y + 1) ⊕ z = x ⊕ ( y + z + 1)
( x + y + 1) + z + 1 = x + ( y + z + 1) + 1
x+ y+z+2 = x+ y+z+2

A propriedade associativa para a adição foi verificada.

b) Existência do elemento neutro para a adição

x⊕e = x =e⊕x
x + e + 1= x
e + 1= 0
e = −1

Existe um elemento (–1) ∈ Z tal que x ⊕ ( −1) = ( −1) ⊕ x = x para todo x em Z.


Veja: x ⊕ ( −1) = x + ( −1) + 1 = x .

c) Existência do elemento simétrico para a adição

x ⊕ y = −1 = y ⊕ x
x + y + 1 = −1
y = −2 − x
∀x ∈ Z, ∃( −2 − x ) ∈ Z, tal que x ⊕ ( −2 − x ) = −1 = ( −2 − x ) ⊕ x

Veja: x ⊕ ( −2 − x ) = x + ( −2 − x ) + 1 = x − 2 − x + 1 = −1.

capítulo 4 • 126
d) Propriedade comutativa para a adição
∀x, y, ∈ Z, tem-se x ⊕ y = y ⊕ x

x⊕y =y⊕x
x + y + 1= y + x + 1

A propriedade comutativa para a adição foi verificada.

e) Propriedade associativa para a multiplicação


∀x, y, z ∈ Z, tem-se ( x ⊗ y ) ⊗ z = x ⊗ ( y ⊗ z )

(x ⊗ y) ⊗ z = x ⊗ (y ⊗ z)
( x + y + xy ) ⊗ z = x ⊗ ( y + z + yz )
x + y + xy + ( x + y + xy ) z = x + y + z + yz + x ( y + z + yz )
x + y + xy + xz + yz + xyz = x + y + z + yz + xy + xz + xyz

A propriedade associativa para a multiplicação foi verificada.

f) Valem as propriedades distributivas da multiplicação em relação a adição.


x ⊗ ( y ⊕ z ) = ( x ⊗ y ) ⊕ ( x ⊗ z ) , ∀x, y, z ∈ Z e
(x ⊕ y) ⊗ z = (x ⊗ z) ⊕ ( y ⊗ z), ∀x, y, z ∈ Z
x ⊗ ( y ⊕ z ) = ( x ⊗ y ) ⊕ ( x ⊗ z ) , ∀x, y, z ∈ Z
x ⊗ ( y + z + 1) = ( x + y + xy ) ⊕ ( x + z + xz )
x + y + z + 1+ x ( y + z + 1) = x + y + xy + x + z + xz + 1
x + y + z + 1+ xy + xz + x = x + y + xy + x + z + xz + 1
2x + y + z + xy + xz + 1 = 2x + y + z + xy + xz + 1
( x ⊕ y ) ⊗ z = ( x ⊗ z ) ⊕ ( y ⊗ z ) , ∀x, y, z ∈ Z
( x + y + 1) ⊗ z = ( x + z + xz ) ⊕ ( y + z + yz ) , ∀x, y, z ∈ Z
x + y + 1+ z + ( x + y + 1) z = x + z + xz + y + z + yz + 1
x + y + 1+ z + xz + yz + z = x + z + xz + y + z + yz + 1
x + y + 2z + xz + yz + 1 = x + y + 2z + xz + yz + 1

Conclusão (Z, ⊕, ⊗) é um anel.

capítulo 4 • 127
EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
1. Mostre que o conjunto Z dotado das leis de composição * e ∆ abaixo definidas é um anel.
x ∗ y = xy
x∆y = x + y

Solução:
a) Propriedade associativa para a adição
∀x, y, z ∈ Z, tem-se ( x ∗ y ) ∗ z = x ∗ ( y ∗ z )

(x ∗ y) ∗ z = x ∗ (y ∗ z)
( xy ) ∗ z = x ∗ ( yz )
xyz = xyz

A propriedade associativa para a adição foi verificada.


b) Existência do elemento neutro para a adição

x ∗e = x = e∗x
xe = x
e =1

Existe um elemento 1 ∈ Z tal que x * 1 = 1 * x = x para todo x em Z.


Veja: x * 1 = x · 1 = x .

c) Existência do elemento simétrico para a adição

x ∗ y = 1= y ∗ x
xy = 1
1
y= , x≠0
x

Veja neste caso que o conjunto Z com as operações dadas não é um anel, pois ele não
é um grupo com a operação * (não possui inverso). Logo, Z dotado das leis de composição
* e ∆ não é um anel.

capítulo 4 • 128
2. Verifique se o conjunto Z dotado das leis de composição * e ∆ abaixo definidas é um
anel.
x∗y = x−y
x∆y = xy

Solução:
Propriedade associativa para a adição
∀x, y, z ∈ Z , tem-se (x * y) * z = x * (y * z)

(x ∗ y) ∗ z = x ∗ (y ∗ z)
(x − y) ∗ z = x ∗ (y − z)
x − y − z = x − (y − z)
x−y−z ≠ x−y+z

A propriedade associativa para a adição não foi verificada.


Portanto, (Z, *, ∆) não é um anel.

Anéis importantes

Agora vamos conhecer alguns anéis importantes que aparecem com frequên-
cia nos exercícios.

Anel de funções

Seja K um conjunto não vazio e (A, +, ·) um anel. Denotamos por AK o con-


junto de todas as funções de K em A, ou seja, AK ={f: K → A}.
Duas funções f e g são iguais se possuem o mesmo domínio, a mesma imagem
e o mesmo contradomínio. Sendo assim, se considerarmos duas funções f e g em
AK, podemos dizer que f = g se, e somente se f(x) = g(x), para todo x em K.
Podemos definir duas operações: Adição e multiplicação em AK.
Para f, g ∈ AK definimos f + g e f · g por:

f + g : K → A, (f + g)(x) = f(x) + g(x)


f · g : K → A, (f · g)(x) = f(x) · g(x)

Veja que a cada par de funções f, g → AK associamos funções (únicas) f + g,


f · g → AK. Assim, a adição (+) e a multiplicação (·) são operações em AK.

capítulo 4 • 129
EXEMPLO
Seja o conjunto de todas as funções de Z em Z, denotado por A = ZZ = {f: Z → Z}, onde
a soma f + g e o produto f · g de duas funções em A são definidas a seguir:

f + g : Z → Z, (f + g)(x) = f(x) + g(x)


f · g : Z → Z, (f · g)(x) = f(x) · g(x)

Veja que estas duas operações satisfazem os axiomas de grupos.


a) Propriedade associativa para a adição
∀f, g, h ∈ A, tem-se ( f + g) + h = f + ( g + h)

( f + g) + h ( x ) = ( f + g) ( x ) + h( x ) = f( x ) + g( x )  + h( x ) = f( x ) + g( x ) + h( x )  =


= f( x ) + ( g + h)( x ) = f + ( g + h) ( x )

A propriedade associativa para a adição foi verificada.

b) Existência do elemento neutro para a adição


Sendo O a função nula O: Z → Z, O(x) = 0. Podemos escrever:

( f + O)( x ) = f ( x ) + O ( x ) = f ( x ) + 0 = f( x ), ∀f ∈ A

c) Existência do elemento simétrico para a adição


∀f ∈ A, a função (–f) ∈ A definida por (–f) (x) = –f (x) tal que

f + ( − f ) ( x ) = f ( x ) + ( − f ) ( x ) = f ( x ) − f( x ) = 0 = O( x ).

d) Propriedade comutativa para a adição


∀f, g ∈ A, tem-se f + g = g + f

( f + g) ( x ) = f( x ) + g( x ) = g( x ) + f( x ) = ( g + f ) ( x )

A propriedade comutativa para a adição foi verificada.

e) Propriedade associativa para a multiplicação


∀f, g, h ∈ A, tem − se ( f ⋅ g) ⋅ h = f ⋅ ( g ⋅ h)

( f ⋅ g) ⋅ h ( x ) = ( f ⋅ g) ( x ) ⋅ h( x ) = f( x ) ⋅ g( x )  ⋅ h( x ) = f( x ) ⋅ g( x ) ⋅ h( x )  =


= f( x ) ⋅ ( g ⋅ h)( x ) = f ⋅ ( g ⋅ h) ( x )

A propriedade associativa para a multiplicação foi verificada.

capítulo 4 • 130
f) Valem as propriedades distributivas da multiplicação em relação a adição.

f ⋅ ( g + h) = ( f ⋅ g) + ( f ⋅ h) , ∀f, g, h ∈ A
 f ⋅ ( g + h)  ( x ) = f( x ) ⋅ ( g + h)( x ) = f( x ) ⋅ g( x ) + h( x )  = f( x ) ⋅ g( x ) + f( x ) ⋅ h( x ) =
= ( f.g)( x ) + ( f.h)( x ) = ( f ⋅ g + f ⋅ h)( x )

O mesmo procedimento pode ser realizado para (f + g) · h = f · h + g · h.


Conclusão (A, +, ·) é um anel de funções de Z em Z.
Temos também como anéis de funções os seguintes conjuntos: (QQ, +, ·), (RR, +, ·) e
(C , +, ·).
C

Anel das matrizes

Considere A um anel e seja n um elemento em N, onde n ≥ 1. Denotamos


por Mn(A) o conjunto das matrizes quadradas de ordem n, com entradas em A.
  a11 a12 … a1n  
  
 a a 22 … a 2n
Mn ( A ) =   21  / a ∈ A 
       ij
 
  a n1 a n2 … a nm  
 

Em Mn(A) definimos duas operações usuais - Adição e Multiplicação da se-


guinte forma:
Vamos considerar inicialmente a matriz

 x11 x12 … x1n 


x x 22 … x 2n 
X =  21  ∈ M ( A ) por x =  x 
 ij 
      n
 
 x n1 x n2 … x nm 

A partir dela podemos definir duas matrizes X = [xij] e Y = [yij] em Mn(A).


Temos as operações a seguir:
•  X + Y = [xij] + [yij] = [zij] = Z, onde zij = xij + yij
n
•  X · Y = [xij] · [yij] = [zij] = Z, onde zij = ∑ x ik y kj
k =1

capítulo 4 • 131
Com estas operações podemos dizer que (Mn(A), +, ·) é um anel.
Assim são anéis os seguintes conjuntos de matrizes: (Mn(Z), +, ·), (Mn(R), +, ·),
(Mn(Q), +, ·), (Mn(C), +, ·) e (Mn(Zm), +, ·)

Anel em Zm (anel das classes de restos módulo m)

Seja m ≥ 1 um número inteiro. Considere o conjunto quociente Zm de Z pela


congruência módulo m, onde
_ _ _ _____ 
Z m = 0 ,1 , 2 ,…m − 1 
 

Definimos duas operações: adição e multiplicação em Zm.


No conjunto Zm definimos duas operações:

•  A adição em Zm
+ : Zm × Zm → Zm
 _ _  _ _ _____
 a, b  → a + b = a + b
 

•  A multiplicação em Zm
⋅ : Zm × Zm → Zm
 _ _  _ _ _____
 a, b  → a ⋅ b = a ⋅ b
 

A partir destas operações podemos dizer que (Zm, +, ·) é um anel.


Vamos verificar os seis axiomas.
_ _ _ _ _  _ _ _ _
a) a +  b+ c  =  a + b  + c, ∀ a, b, c ∈ Z m (propriedade associativa)
   

DEMONSTRAÇÃO
_ _ _ _ _ _ _ _ _
a +  b+ c  =  a + b  + c, ∀ a, b, c ∈ Zm
   
_  _____   _____  _ _________ __________
a +  b + c  =  a + b  + c ⇒ a + (b + c ) = ( a + b ) + c
   

capítulo 4 • 132
_ _ _ _ _ _
b) a + 0 = a = 0+ a, ∀ a ∈ Z m (existência do elemento neutro)

DEMONSTRAÇÃO
_ _ _ _ _ _
a + 0 = a = 0+ a, ∀ a ∈ Zm
_____ _ _____
a+0=a =0+a
_ _ _ _ _ _ _
∃e = 0 ∈ Zm , ∀ a ∈ Zm tal que a + 0 = a = 0+ a

_ ___ _ ___ _ _
c) a + ( −a ) = 0 = ( −a )+ a, ∀ a ∈ Z m (Existência do elemento simétrico)

DEMONSTRAÇÃO
_
Dado a ∈ Zm, temos que a ∈ Z e –a ∈ Z. Assim, a – a = –a + a = 0
_ ________ ___ _ _ ______ _ ___ ___
Então podemos escrever 0 = ( −a ) + a = ( −a )+ a e 0 = a − a = a + ( −a ) onde ( −a ) é o
_
simétrico de a .

_ _ _ _ _ _
d) a + b = b+ a, ∀ a, b ∈ Z m (Propriedade comutativa)

DEMONSTRAÇÃO
_ _ _ _ _____ _____
a + b = b + a, a + b = b + a

capítulo 4 • 133
_  _ _ _ _  _ _ _ _
e) a⋅  b⋅ c  =  a⋅ b  ⋅ c, ∀ a, b, c ∈ Z m (Propriedade associativa)
   

DEMONSTRAÇÃO
_ _ _ _ _ _ _ _ _
a⋅  b⋅ c  =  a⋅ b  ⋅ c, ∀ a, b, c ∈ Zm
   
_  _____   _____  _ _________ __________
a⋅  b ⋅ c  =  a ⋅ b  + c ⇒ a ⋅ (b ⋅ c ) = ( a ⋅ b ) ⋅ c
   

_ _ _ _ _  _ _ _ _ _
f ) a⋅  b+ c  =  a⋅ b  +  a⋅ c  , ∀ a, b, c ∈ Z m (Propriedade distributiva)
     

DEMONSTRAÇÃO

_ __ _ _ _ _
 a + b  c =  a⋅ c  +  b⋅ c 
     

A outra igualdade é verificada de modo análogo.

Anel produto direto

Considere dois anéis A e B. O produto cartesiano A x B é um anel, pois pode-


mos definir as operações de adição e multiplicação da seguinte forma:
•  A adição em A · B: (x1,y1) + (x2,y2) = (x1 + x2, y1 + y2)
•  A multiplicação em A · B: (x1,y1) · (x2,y2) = (x1 · x2, y1 · y2)

Com estas operações podemos dizer que (A x B, +, ·) é um anel. Este anel é


chamado de anel produto direto ou produto cartesiano dos anéis A e B.

capítulo 4 • 134
EXEMPLO
Se A = B = Z, temos (Z x Z, +, .) um anel com as operações

(x1, y1) + (x2, y2) = (x1 + x2, y1 + y2)


(x1, y1) · (x2, y2) = (x1 · x2, y1 · y2)

OBSERVAÇÃO
•  Seja (A, +) um grupo comutativo. Podemos definir uma multiplicação trivial no conjunto A
por ab = 0, para todo a, b em A. A partir disso temos o anel (A, +, ·). Veja que se ({0}, +, ·) é
um grupo com apenas um elemento, então ele é um anel unitário.
•  Seja E um conjunto e P = 2E o conjunto de todas as partes de E. Definimos para X e Y em
2E as seguintes operações:

X + Y = (X ∪ Y)\(X ∩ Y)
X·Y=X∩Y

A partir delas temos que (2E, +, ·) é um anel. Ele é conhecido por anel de Boole sobre o
conjunto E.
•  Agora seja n um inteiro positivo. O conjunto dos múltiplos de n, denotado por nZ, é o con-
junto nZ = {nk/ k ∈ Z} . Sabemos que a soma ou o produto de dois múltiplos de n nos fornece
como resultado um múltiplo de n. Os axiomas de anel são verificados, daí podemos dizer que
(nZ, +, ·) é um anel para todo n > 0.

Tipos de anéis

Anel comutativo

Seja A um anel munido das operações de adição (+) e multiplicação (·), (A, +, ·).
Este anel é denominado anel comutativo se a operação de multiplicação (·) for
comutativa, ou seja, se xy = yx, ∀x, y ∈ A.

capítulo 4 • 135
EXEMPLO
Mostre que o conjunto Z dotado das leis de composição ⊕ e ⊗ abaixo definidas é um
anel comutativo.

x ⊕ y = x + y +1
x ⊗ y = x + y + xy

(Z, ⊕, ⊗) é um anel, pois todos os axiomas que caracterizam um anel foram verificados.
Agora vamos verificar se este anel apresenta a propriedade comutativa em relação a
operação de multiplicação (·). Para isto basta analisarmos se ∀x, y ∈ Z, x ⊗ y = y ⊗ x .
Usaremos a segunda operação: x ⊗ y = x + y + xy

∀x, y ∈ Z, x ⊗ y = y ⊗ x
x⊗y = y⊗x
x + y + xy = y + x + yx

A propriedade foi verificada.


Portanto, (Z, ⊕, ⊗) é um anel comutativo.
Exemplos de anéis comutativos: (Z, +, ·), (R, +, ·),(Q, +, ·),(C, +, ·),(RR, +, ·) e (Zm, +, •).

OBSERVAÇÃO
Os anéis das matrizes não são anéis comutativos se n ≥ 2
Vejamos:
Seja (M2 · 2(Z), +, ·) o anel das matrizes quadradas com números inteiros. Vamos consi-
derar dois elementos deste anel:

 −1 1 2 0 
X=  e Y = 5 2 
 −2 0   
 −1 1 2 0   −1⋅ 2 + 1⋅ 5 −1⋅ 0 + 1⋅ 2   3 2 
XY =   = = 
 −2 0  5 2   −2 ⋅ 2 + 0 ⋅ 5 −2 ⋅ 0 + 0 ⋅ 2   −4 0 
2 0   −1 1 2 ⋅ ( −1) + 0 ⋅ ( −2 ) 2 ⋅1+ 0 ⋅ 0   −2 2 
YX =   = = 
5 2   −2 0  5 ⋅ ( −1) + 2 ⋅ ( −2 ) 5 ⋅1+ 2 ⋅ 0   −9 5

Podemos observar que XY ≠ YX. Logo, o anel (M2 · 2(Z), +, ·) não é um anel comutativo.

capítulo 4 • 136
Anel com unidade

Seja A um anel munido das operações de adição (+) e multiplicação (·), (A, +, ·).
Este anel é denominado anel com unidade ou anel unitário se existir 1A ∈ A
tal que , em outras palavras podemos dizer que um anel com unidade é um anel
A cuja operação de multiplicação possui um elemento neutro, que chamamos por
1A ou simplesmente por 1. Ele é denominado a unidade do anel.

EXEMPLO
1. Mostre que o anel Z dotado das leis de composição ⊕ e ⊗ abaixo definidas é um anel
com unidade.

x ⊕ y = x + y +1
x ⊗ y = x + y + xy

Agora vamos verificar se este anel possui unidade. Por questões práticas vamos consi-
derar xy = y ⋅ x = x, ∀x ∈ A , onde y = 1A.
Para isto basta analisarmos se ∀x, y ∈ Z, x ⊗ y = y ⊗ x = x .
Usaremos a segunda operação: x ⊗ y = x + y + xy .

∀x, y ∈ Z, x ⊗ y = y ⊗ x = x
x⊗y =x
x + y + xy = x
y + xy = 0
y(1+ x ) = 0
y=0
∀x, y ∈ Z, ∃0 ∈ Z, tal que x ⊗ 0 = 0 ⊗ x = x

A propriedade foi verificada. Portanto, (Z, ⊕, ⊗) é um anel com unidade.


Como já verificamos que (Z, ⊕, ⊗) é um anel comutativo podemos concluir que (Z, ⊕, ⊗)
é um anel comutativo com unidade.

2. O número 1 é a unidade dos anéis abaixo. Logo eles são anéis com unidade:
a) (Z, +, ·) anel dos números inteiros.
b) (R, +, ·) anel dos números reais.
c) (Q, +, ·) anel dos números racionais.
d) (C, +, ·) anel dos números complexos.

capítulo 4 • 137
3. O anel (Zm,+, ·) é um anel com unidade para m ≥ 2, m é um elemento dos conjuntos dos
_
inteiros. Neste caso a unidade deste anel é a classe 1 .

4. O anel das matrizes (Mn · n (A), +, ·) é um anel com unidade, pois a unidade é a matriz
identidade de ordem n · n.

1 0 … 0
0 1 … 0 
In = 
  
 
0 0 … 1

a b 
Veja o anel das matrizes (M2 · 2 (R), +, ·) e IX =   um elemento deste anel. Este anel
 c d
 1 0
possui elemento unidade II2 =  .
0 1
a b   1 0  a b
X ⋅ I2 =  = =X
c d 0 1 c d
1 0  a b  a b
I2 ⋅ X =  = =X
0 1 c d c d

Agora vejamos alguns resultados envolvendo os anéis comutativos e os anéis


com unidade.

PROPOSIÇÃO
Proposição 1

Se (A, +, ·) é um anel comutativo, então (AK, +, ·) é comutativo.

Demonstração:
Seja K um conjunto não vazio e (A,+, ·) um anel. Denotamos por AK o conjunto de todas
as funções de K em A, ou seja, AK ={f: K → A}.
Para f, g ∈ AK definimos f + g e f · g por:

f + g : K → A, (f + g) (x) = f (x) + g (x)


f · g : K → A, (f · g) (x) = f (x) · g (x)

capítulo 4 • 138
Propriedade Comutativa para a multiplicação
∀f, g ∈ A, tem-se f · g = g · f

( f ⋅ g) ( x ) = f( x ) ⋅ g( x ) = g( x ) ⋅ f( x ) = ( g ⋅ f ) ( x ) ⇒ f ⋅ g = g ⋅ f

A propriedade comutativa foi verificada. Portanto, (AK, +, · ) é um anel comutativo.

Proposição 2

Se (A, +, ·) é um anel com unidade, então (AK, +, · ) tem unidade.

Demonstração:
Por hipótese temos que (A, +, ·) é um anel com unidade.
Vamos definir K um conjunto não vazio e B como sendo uma função de K em A, onde
B (x) = 1 para todo x em K. Podemos escrever:

( f ⋅ B ) ( x ) = f( x ) ⋅ B( x ) = f( x ) ⋅1= f( x ), e
(B ⋅ f ) ( x ) = B( x ) ⋅ f( x ) = 1⋅ f( x ) = f( x )

Então segue que f (x) · B (x) = f (x) = B (x) · f (x).


Portanto, B é a unidade de AK.
Se A tem unidade, então a unidade de AK é a função constante 1, isto é,
B : K → A, B( x ) = 1.
Podemos concluir a partir da preposição 1 e da proposição 2 que (AK, +, ·) é um anel
comutativo com unidade.

Proposição 3

Se (A,+, ·) é um anel com unidade, então (Mn · n (A),+, ·) tem unidade.


Verificamos que a matriz identidade é a unidade do anel das matrizes.

Proposição 4

(Zm, +, ·) é um anel comutativo com unidade.


– Zm é um anel comutativo, pois
__ __ _ _
x y = y x, ∀ x, y ∈ Zm
__ __ __ __
x y = xy = yx = y x

capítulo 4 • 139
– Zm é um anel com unidade, pois
_
Dado x ∈ Zm , ∀x ∈ Z.
Como 1 é um elemento de Z e a· 1 = 1 · x = x, podemos escrever que
_ __ _ _ _ __ _ _
x = 1⋅ x = 1⋅ x e x = x ⋅1 = x⋅ 1

_
Logo, 1 ∈ Zm é uma unidade de Zm.
Conclusão: (Zm , +, ·) é um anel comutativo com unidade.

Proposição 5

Sejam os anéis (A,+, ∆) e (B,+, ·).


I. Se A e B são anéis com unidade, então A x B tem unidade.
II. Se A e B são comutativos, então A x B é comutativo.

Vejamos:
I. Se A e B são anéis com unidade, então A · B tem unidade.
Demonstração
Por hipótese temos que os anéis A e B possuem unidade.
Vamos considerar 1A a unidade do anel 1A e 1B a unidade do anel B.
Então, (1A, 1B) é um elemento do produto cartesiano A x B, para todo par (a, b) em
A x B. Sendo assim, podemos escrever (1A, 1B) · (a, b) = (1A ∆ a, 1B · b) = (a, b) = (a ∆ 1A, b · 1B)
= (a, b) · (1A, 1B).
Portanto, (1A, 1B) é a unidade de A · B.

II. Se A e B são comutativos, então A · B é comutativo.


Demonstração:
Por hipótese temos que A e B são anéis comutativos. Sejam (a, b) e (c, d) elementos do
produto cartesiano A · B. Pela hipótese temos (a, b) (c, d) = (a ∆ c, b · d) = (c ∆ a, d · b) = (a, b) =
(c, d) · (a, b). Portanto fica provado que A · B é comutativo.

EXEMPLO
O anel Z · Z4 é um anel comutativo com unidade, pois Z e Z4 são anéis comutativos
com unidade.

capítulo 4 • 140
Propriedades dos anéis

Segue alguns resultados dos anéis.

PROPOSIÇÃO
Se (A, + , ·) é um anel e x, y, z ∈ A então:
I. O zero é único
II. O simétrico é único
III. x · 0 = 0 · x = 0
IV. –(x + y) = (–x) + (–y)
V. –(–x) = x
VI. x + y = x + z então y = z
VII. –(xy) = (–x) y = x (–y)
VIII. x (y –z) = xy – xz
IX. (x – y) z = xz – yz
X. (–x) (–y) = xy
XI. A equação x + z = y tem solução única x = y – z

Demonstrações
I. O zero é único
Queremos provar que ∃! 0 ∈ A, ∀x ∈ A tal que x + 0 = 0 + x = x .
Suponhamos que (A, + , ·) é um anel.

Pelo axioma do Elemento neutro


Suponhamos que exista outro zero em A.

∃ 0 ’ ∈ A, ∀y ∈ A tal que y + 0 ’ = 0 ’ + y = y

Daí podemos escrever:

(1) 0' + 0 = 0'


(2) 0' + 0 = 0

Pela igualdade de (1) e (2) podemos concluir que 0' = 0.


Logo, 0 é o único elemento neutro do anel A.

capítulo 4 • 141
II. O simétrico é único
Queremos provar que ∀x ∈ A, ∃! ( − x ) ∈ A tal que x + ( − x ) = ( − x ) + x = 0 .
Suponhamos que (A, + , ·) é um anel.

Pelo axioma do Elemento simétrico


Suponhamos que exista outro elemento que chamaremos de b em A, que também é
simétrico de x tal que ∀x ∈ A, ∃ b ∈ A tal que x + b = b + x = 0 (1)
Como
–x = (–x) + 0
–x = (–x) + (x + b) De (1) b + x = 0
–x = [(–x) + x] + b Axioma da Associatividade
–x = 0 + b Axioma do elemento simétrico
–x = b Axioma do elemento neutro

Logo, fica provado que ∀x ∈ A, ∃! ( − x ) ∈ A tal que x + ( − x ) = ( − x ) + x = 0 .

III. x · 0 = 0 · x = 0
Pelo axioma do elemento neutro podemos escrever 0 = 0 + 0 (1)
Multiplicando (1) por x à esquerda temos x · 0 = x · (0 + 0) (2)
Em (2) podemos aplicar o axioma da distributividade.

x · 0 = x · 0 + x · 0 (3)

Pelo axioma do elemento simétrico, existe um simétrico –(x · 0) para x · 0. Somando


–(x · 0) em (3), em ambos os lados da igualdade teremos:

x · 0 + [–(x · 0)] = (x · 0 + x · 0) + [–(x · 0)] (4)

Usando em (4) o axioma da associatividade.

x · 0 + [–(x · 0)] = x · 0 + (x · 0 + [–(x · 0)]) (5)

Usando em (5) o axioma do elemento simétrico.

0 = x · 0 + 0 (6)

capítulo 4 • 142
Usando em (6) o axioma do elemento neutro.

0 = x · 0 (7)

Logo, fica provado que x · 0 = 0 para todo x em A.

IV. –(x + y) = (–x) + (–y)


Seja (A, + , ·) um anel.
Suponhamos x, y ∈ A.
Pelo axioma do elemento simétrico temos:

∀x ∈ A, ∃ ( − x ) ∈ A tal que x + ( − x ) = ( − x ) + x = 0 (1)


∀y ∈ A, ∃ ( − y ) ∈ A tal que y + ( − y ) = ( − y ) + y = 0 (2 )

Somando (1) e (2).

( x + y ) + ( −x ) + ( − y ) = 0 Aplicando o axioma da associatividade


( x + y ) + ( − y )  + ( − x ) = 0 Aplicando o axioma da associatividade
( x + y + ( −y )) + ( −x) = 0 Aplicando o axioma da associatividade
( x + 0 ) + ( −x ) = 0 Aplicando o axioma da associatividade
x + ( −x ) = 0
Logo ( x + y ) + ( −x ) + ( − y )  = 0. Por tan to, − ( x + y ) = ( − x ) + ( − y ).

Logo (x + y) + [(–x) + (–y)]. Portanto, –(x + y) = (–x) + (–y).

V. –(–x) = x
Seja (A, + , ·) um anel.
Suponhamos x ∈ A.
∃ ( − x ) ∈ A tal que x + ( − x ) = ( − x ) + x = 0 + ( − y )
∃ − ( − x ) ∈ A tal que x + −( − x )  = −( − x )  + x = 0

Como
−( − x ) = [ −( − x )] + 0
= −( − x ) + [( − x ) + x] Axioma da associatividade
= [ −( − x ) + ( − x )] + x Axioma do elemento simétrico
=0+x Axioma do elemento neutro
=x

Portanto, para todo elemento x em A, –(–x) = x.

capítulo 4 • 143
VI. x + y = x + z então y = z
Seja (A,+, ·) um anel.
Por hipótese temos x + y = x + z (1)
Como A é um anel, então ∀x ∈ A, ∃ ( −x ) ∈ A tal que x + ( − x ) = ( − x ) + x = 0 .
Somando (–x) em ambos os lados de (1), obtemos:
(–x) + x + y = (–x) + x + z Usando o axioma da associatividade
[(–x) + x] + y = [(–x) + x] + z Usando o axioma do elemento simétrico
0 + y = 0 + z Usando o axioma do elemento neutro
y=z

Portanto, x + y = x + z então y = z (Lei do cancelamento)

VII. –(xy) = (–x)y = x(–y)


Devemos demonstrar que:
a) –(xy) = (–x) y
b) –(xy) = x (–y)
c) (–x) y = x (–y)

a) Seja (A,+, ·) um anel.


Como A é um anel, então ∀x ∈ A, ∃ ( −x ) ∈ A tal que x + ( −x ) = ( −x ) + x = 0 .
Suponhamos xy ∈ A.
Então podemos escrever: xy + [– (xy)] = 0 (1)
Por outro lado, usando o axioma da associatividade, temos x (y + (–y)) = x · 0 = 0.
Usando o axioma do elemento simétrico e a propriedade V. Temos xy + x(–y) = 0 (2)
Igualando (1) e (2), temos:

xy + [–(xy)] = xy + x (–y) Usando a propriedade VI.


Logo, –(xy) = x(–y)

b) Seja (A,+, ·) um anel.


Como A é um anel, então ∀x ∈ A, ∃ ( −x ) ∈ A tal que x + ( − x ) = ( − x ) + x = 0 .
Suponhamos xy ∈ A.
Então podemos escrever: xy + [– (xy)] = 0 (1)
Por outro lado, usando o axioma da associatividade, temos y (x + (–x)) = y · 0 = 0.
Usando o axioma do elemento simétrico e a propriedade V.
Temos yx + y (–x) = 0 → xy + (–x)y = 0 (2)

capítulo 4 • 144
Igualando (1) e (2), temos:

xy + [–(xy)] = xy + (–x)y Usando a propriedade VI.


Logo, –(xy) = (–x)y

c) Seja (A,+, ·) um anel.


Como A é um anel, então ∀x ∈ A, ∃ ( −x ) ∈ A tal que x + ( − x ) = ( − x ) + x = 0 .
Suponhamos xy ∈ A.
Então podemos escrever: xy + x(–y) = 0 (1)
Por outro lado, usando o axioma da distributividade, temos y (x + (–x)) = y · 0 = 0.
Usando o axioma do elemento simétrico e a propriedade V.
Temos yx + y (–x) = 0 → xy + (–x) y = 0 (2)
Igualando (1) e (2), temos:

xy + x(–y) = xy + (–x)y Usando a propriedade VI.


Logo, x(–y) = (–x)y

VIII. x (y – z) = xy – xz
Seja (A, + , ·) um anel e x, y, z ∈ A.
Temos: x (y – z) = x (y + (–z)) = xy + x (–z) (pelo axioma da distributividade).
Pela propriedade VII, temos xy + (–xz) = xy – xz.
Portanto, x(y – z) = xy – xz.

IX. (x – y) z = xz – yz
Seja (A, + , ·) um anel e x, y, z ∈ A.
Temos: (x – y) z = (x + (–y)) z = xz + (–y) z (pelo axioma da distributividade).
Pela propriedade VII, temos xz + (–yz) = xz – yz.
Portanto, (x – y)z = xz – yz.

X. (–x) (–y)
Seja (A, + , ·) um anel.
Pela propriedade VI temos (–x)(–y) = –(x(–y)) = –(–(xy)).
Logo, –(–(xy)) = xy. Pela propriedade V.

capítulo 4 • 145
XI. A equação y + x = z tem solução única x = z – y.
Seja (A, + , ·) um anel.
Seja x = z – y. Podemos escrever x = (–y) + z. (1)
Substituindo (1) em y + x = z encontramos:

y + [(–y) +z] = [(–y) +y] + z Usando o axioma do elemento simétrico


y + [(–y) +z] = 0 + z Usando o axioma do elemento simétrico
y + [(–y) +z] = z Usando o axioma do elemento neutro
[(–y) +y] + z = z Usando o axioma da associatividade e do elemento simétrico
z=z

Logo, x = (–y) + z é solução da equação y + x = z.

Potências e múltiplos de um anel

Seja (A,+, ·) um anel com as operações de adição (+) e multiplicação (·). Dado
um elemento a do anel n ∈ N∗ , n ≠ 0 . Definimos a n-ésima potência de um ele-
mento a de um anel A, denotado por an, da seguinte forma:
a1 = a
a n = a n −1 ⋅ a se n > 1

Quando o anel (A,+, ·) possui unidade também podemos definir a0 = 1.


Como consequência imediata da definição podemos definir a seguinte propo-
sição de potências de um anel.

PROPOSIÇÃO
Sejam (A,+, ·) um anel, a, b ∈ A e m, n ∈ N∗ . Então:
a) ∀a ∈ A, ∀m, n ∈ N∗ , temos am ⋅ an = am+n
b) ∀a ∈ A, ∀m, n ∈ N∗ , temos ( am ) = amn
n

c) ∀a ∈ A, ∀m, n ∈ N∗ , temos am ⋅ an = am+n , quando ab = ba

Vamos demonstrar por indução a proposição anterior.

capítulo 4 • 146
a) ∀a ∈ A, ∀m, n ∈ N∗ , temos am ⋅ an = am+n
Por indução sobre n verificamos que:
Para n = 1 temos am ⋅ an = am ⋅ a1 = am ⋅ a = am+1
A propriedade é válida para n = 1.
Agora vamos considerar verdadeiro para n = k ≥ 1.

am ⋅ ak = am + k

Vejamos que é válido para n = k + 1.

am ⋅ ak +1 = am ⋅ ( ak ⋅ a1) = ( am ⋅ ak ) ⋅ a1) = am+k ⋅ a1 = a (m+k ) +1 = am+ (k +1)

b) ∀a ∈ A, ∀m, n ∈ N∗ , temos ( am ) = amn


n

Por indução sobre n verificamos que:


Para n = 1 temos ( am ) = ( am ) = am = am⋅1 .
n 1

Veja que a propriedade é válida para n = 0.


Agora vamos considerar verdadeiro para n = k ≥ 1.

amk = ( am ) = amk
k

Vejamos que é válido para n = k + 1.

( am ) = ( am ) ( am ) = amk am⋅1 = amk +m⋅1 = am(k +1)


k +1 k 1

c) ∀a ∈ A, ∀m, n ∈ N∗ , temos am ⋅ an = am+n


Por indução sobre n verificamos que:
=
Para n = 1 temos ( ab )n (=
ab)1 ab = a1b1
A propriedade é válida para n = 1.
Agora vamos considerar verdadeiro para n = k ≥ 1.

(=
ab)n (=
ab)k akbk quando ab = ba.

Vejamos que é válido para n = k + 1.

( ab)k +1 = ( ab)k ( ab)1 = ak bk a1b1 = ak a1bkb1 = ak +1bk +1

capítulo 4 • 147
Observe que se o anel A possui unidade a proposição anterior é válida para quaisquer
elementos m e n em N. Veja que se n = 0 teremos:

ama 0 = am ⋅1 = am = am+ 0

( am )
0
= 1 = a 0 = am⋅0

( ab )0 = 1= 1⋅1= a0 ⋅ b0

Além disso, podemos considerar que dado um elemento a do anel A, existe um elemento
a ∈ A e podemos definir n−n = ( a −1) , n ∈ N .
–1
n

Veja que é possível verificar para m, n ∈ Z que

am ⋅ an = am + n

( am )
n
= amn

Se ab ∈ A e ab = ba, então ( ab ) = an bn .
n

Múltiplo de um anel

Seja (A,+, ·) um anel com as operações de adição (+) e multiplicação (·). Dado
um elemento a do anel e n ∈ Z . Define-se o múltiplo de a com coeficiente m,
denotado por ma, como sendo o elemento de A definido por recorrência do se-
guinte modo:
•  0 · m = 0
•  m · a = (m – 1) · a + a, se m ≥ 1
•  m · a = (–m) (–a), se m < 0

PROPOSIÇÃO
Seja A um anel, a, b ∈ A a ∀m, n ∈ Z temos:
a) (m + n) a = ma + na;
b) m (na) = (mn)a;
c) (–m) a = m (–a) = –(ma);
d) m (a + b) = ma + mb.

As demonstrações serão feitas por indução.

capítulo 4 • 148
Demonstrações
a) (m + n) a = ma + na
Seja A um anel, e m, n ∈ Z .
Por indução sobre n verificamos que:
Para n = 1 temos (m + 1) a = ma + 1a a propriedade é verdadeira.
Agora vamos considerar verdadeiro para n = k ≥ 1.

(m + k) a = ma + ka

Vejamos que é válido para n = k + 1.

(m + k + 1) = ma + ka + 1a = ma + (ka + 1a) = ma + (k + 1)a.

b) m (na) = (mn) a
Seja A um anel, a ∈ A e m, n ∈ Z .
Por indução sobre n verificamos que:
Para n = 1 temos m (1a) = (m1) a a propriedade é verdadeira.
Agora vamos considerar verdadeiro para n = k ≥ 1.

m (ka) = (mk) a

Vejamos que é válido para n = k + 1.

m ((k + 1) a) = m (ka + a) = mka + ma = (mk + m) a = (m(k+1)) a.

c) (–m)a = m(-a) = –(ma)


Seja A um anel, a A e m Z .

(–m) a = (–1) ma = m (–1a) = m (–a) = (–a)m = (–1a)m = (–1) (am) = (–1) (ma) = –(ma)

d) m (a + b) = ma + mb
Seja A um anel, a, b ∈ A e m ∈ Z .
Por indução sobre m verificamos que:
Para m = 1 temos 1 (a + b) = 1a + 1b a propriedade é verdadeira.

capítulo 4 • 149
Agora vamos considerar verdadeiro para m = k ≥ 1.

k (a + b) = ka + kb

Vejamos que é válido para m = k + 1.

(k + 1) (a + b) = ka + kb + 1a + 1b

ATIVIDADES
Segue alguns exercícios presentes na literatura sobre o assunto estudado.

01. Mostre que (A, +, o) não é um anel. Considere as funções f, g e h definidas de R em R


por f (x) = x2 , g (x) = 2x e h (x) = x + 2.

02. Seja (A, *) um grupo abeliano. Mostre que (A, *,+) não é um anel. Considere a operação
a + b = a.

03. O conjunto z dotado das leis de composição ⊕ e ⊗ é um anel.

x ⊕ y = x + y +1
x ⊗ y = x + y + xy

A partir dessa informação marque a alternativa que indica o elemento simétrico.


a) ∀x ∈ Z, ∃( −1− x ) ∈ Z d) ∀x ∈ Z, ∃( −2 + x ) ∈ Z
b) ∀x ∈ Z, ∃( 2 + x ) ∈ Z e) ∀x ∈ Z, ∃( −2 − x ) ∈ Z
c) ∀x ∈ Z, ∃(1− x ) ∈ Z

04. O conjunto Z dotado das leis de composição * e ∆ abaixo definidas é um anel.


x∗y = x+ y
x∆y = 0

capítulo 4 • 150
A operação * é a operação de adição usual e a operação ∆ é a operação de multiplicação
usual. O elemento neutro desse anel é
a) e = 1 d) e = 2
b) e = –1 e) e = –2
c) e = 0

05. Marque a alternativa correta que apresenta o elemento neutro do anel (Q, *, ∆) com as
operações definidas por a * b = a + b – 1 e a ∆ b = a + b – ab.
a) e = 4 d) e = 2
b) e = 5 e) e = 3
c) e = 1

06. Considere as operações x * y = x + y – 2 e x ∆ y = xy – 2x – 2y + a, com a ∈ ℤ. Para


que valor de a, (Z, * , ∆) é um anel?
a) a = 2 d) a = 1
b) a = 6 e) a = 3
c) a = –2

07. Encontre a solução da equação 3x + 2 = 6x + 7 no anel Z8.


a) x = 1 d) x = 10
b) x = –5/2 e) x = 9
c) x = 5

08. Verifique se Z3 · M2 (Z) é um anel comutativo.

  _  y y  _ 
Z3 x M2(Z) =   x,  11 12   / x ∈ Z3 e yij ∈ Z 
 y y 
   21 22   

09. Verifique se o conjunto Z dotado das leis de composição * e ∆ abaixo definidas é um anel
comutativo com unidade.
x∗y = x+ y
x∆y = 0

A operação * é a operação de adição usual e a operação ∆ é a operação de multiplicação


usual.

capítulo 4 • 151
LEITURA
Álgebra Abstracta - Teoria dos Anéis. Disponível em: <https://paralysisbyanalysis52.wordpress.
com/2012/07/16/algebra-abstracta-teoria-de-aneis-post-5/#more-2082>.
Introdução a Teoria de Anéis. Disponível em: <http://www.mat.ufmg.br/~marques/Apostila-Aneis.
pdf>.
Breve História da Álgebra Abstrata. Disponível em: <http://www.bienasbm.ufba.br/M18.pdf>.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LANG, Serge. Álgebra para Graduação. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda, 2008.
GONÇALVES, Adilson. Introdução a álgebra. 5. ed. Rio de Janeiro: IMPA, 2003.
DOMINGUES, Hygino H.; IEZZI, Gelson. Álgebra moderna. 4. ed. São Paulo: Atual, 2003.
GARCIA, Arnaldo. Álgebra: um curso de introdução. Rio de Janeiro: IMPA-Projeto Euclides, 2003.
DURBIN, John R. Modern algebra: An introduction. 4th ed: Wiley, 2000.
MONTEIRO, L.H. Elementos de Álgebra. Rio de Janeiro: Livro Técnicos Cienti_cos, 1971.

capítulo 4 • 152
5
Subanéis, anel de
integridade, corpo,
homomorfismo e
isomorfismo de
anéis, ideais de um
anel
Subanéis, anel de integridade, corpo,
homomorfismo e isomorfismo de anéis, ideais
de um anel
No estudo de grupos definimos uma estrutura menor, que preserva as proprie-
dades do grupo, chamada de subgrupo. Agora, de forma análoga, vamos definir
uma estrutura chamada subanel. Sendo assim, você aprenderá a identificar o su-
banel, compreender sua importância dentro da teoria dos anéis e analisar os seus
principais resultados. Além disso, vamos entender o que é divisor de um anel e
anel de integridade, também chamado do domínio de integridade, e seus princi-
pais resultados.
Será apresentada a definição de uma outra estrutura algébrica chamada corpo
e por fim falaremos de homomorfismo e isomorfismo de anéis e seus principais
resultados, e ideal de um anel.

OBJETIVOS
•  Verificar se um determinado subconjunto é um subanel;
•  Conhecer a definição de divisor de um anel;
•  Conhecer a definição de um anel de integridade;
•  Conhecer a definição de corpo;
•  Compreender que todo corpo é um anel de integridade ou domínio;
•  Conhecer a definição ideal de um anel;
•  Conhecer a definição de homomorfismos e isomorfismo de anéis.

Subanel

Seja (A, +, ·) um anel e S ≠ Ø um subconjunto não vazio de A. Dizemos que


(S,+, ·) é um subanel de A, se ele é um anel com as operações do anel A, isto é:
I. S é fechado para as operações de adição e multiplicação, ou seja,
x + y ∈ S xy ∈ S, ∀x, y ∈ S

II. (S,+, ·) também for um anel.

capítulo 5 • 154
OBSERVAÇÕES
1. Todo anel possui pelo menos dois subanéis que são chamados de subanéis triviais. São
eles o {0} e o próprio anel A.
2. Como desejamos encontrar novos exemplos de anéis vamos trabalhar com os chama-
dos subanéis não triviais.

Veja que de acordo com a definição, para (S,+, ·) ser um anel teremos que
verificar se os seis axiomas que caracterizam o anel são verificados no conjunto S.
Esta verificação é trabalhosa. Para minimizarmos este trabalho vamos apresentar
uma proposição 5.2.1 que será muito útil para determinarmos se um subconjunto
é um subanel de um anel dado.

PROPOSIÇÃO
Proposição 5.2.1

Seja (A, +, ·) um anel e S um subconjunto não vazio de A. Dizemos que (S, +, ·) é um


subanel de um anel A se, e somente se, x, y ∈ S
I. x – y ∈ S
II. xy ∈ S

Demonstração
Inicialmente devemos mostrar que:
Se (S, +, ·) é um subanel de um anel A, então x − y ∈ S, xy ∈ S, ∀x, y ∈ S. .
Por hipótese (S, +, ·) é um subanel de um anel A. Pelo fechamento da definição de anel
temos que x − y ∈ S, ∀x, y ∈ S . Além disso, como o grupo (S, +) está contido no grupo (A, +),
segue que x − y ∈ S, ∀x, y ∈ S . Logo, x − y ∈ S, xy ∈ S, ∀x, y ∈ S.
Por último mostraremos que:
Se x − y ∈ S, xy ∈ S, ∀x, y ∈ S., então (S, +, ·) é um subanel de um anel A.
Temos por hipótese que x − y ∈ S, xy ∈ S, ∀x, y ∈ S.
Como x − y ∈ S, ∀x, y ∈ S temos que (S, +) é um subgrupo de (A, +). Sendo assim, as
propriedades de grupos são válidas.
Como x − y ∈ S, ∀x, y ∈ S fica válida a propriedade do fechamento para a multiplica-
ção. Agora temos que finalizar a demonstração verificando as propriedades de anel para
a multiplicação.

capítulo 5 • 155
Propriedade associativa para a multiplicação

∀x, y, z ∈ S ⇒ x, y, z ∈ A, tem-se ( x ⋅ y ) ⋅ z = x ⋅ ( y ⋅ z )

A associatividade da multiplicação em S é herdada da associatividade de A.

Valem as propriedades distributivas da multiplicação em relação a adição em A.

x ⋅ ( y + z ) = ( x ⋅ y ) + ( x ⋅ z ) , ∀x, y, z ∈ S ⇒ x, y, z ∈ A e
(x + y) ⋅ z = (x ⋅ z) + ( y ⋅ z), ∀x, y, z ∈ S ⇒ x, y, z ∈ A

Verificamos também que:


∀x ∈ S ⇒ x ∈ A. Assim, é válido em A, a · 1 = a.
Se A for um anel comutativo, então S também será comutativo. Isto significa que a co-
mutatividade de S é herdada de A. Se o anel A não for comutativo, então S também não
será comutativo.
Portanto, fica provada a proposição.

EXEMPLO
Alguns exemplos de subanéis
a) (Z, +, ·) é um subanel de (Q, +, ·), (R, +, ·) e (C, +, ·);
b) (R, +, ·) é um subanel de (C, +, ·);
c) (Q, +, ·) é um subanel de (R, +, ·) e (C, +, ·);
d) (Z, +, ·) é um subanel com unidade de (Q, +, ·);
e) (Q, +, ·) é um subanel com unidade de (R, +, ·);
f) (Mn (Z), +, ·) é subanel de (Mn (Q), +, ·), (Mn (R), +, ·) e (Mn (C), +, ·));
g) (Mn (R), +, ·) é subanel de (Mn (C), +, ·);
h) (Mn (Q), +, ·) é subanel de (Mn (R), +, ·) e (Mn (C), +, ·).

Vejamos outros exemplos:


1. O conjunto dos números pares é um subanel de Z (conjunto dos números inteiros), pois
dado o conjunto S = {2n/n ∈ Z} veja que:
∀x, y ∈ S e ∀m, n ∈ Z , temos x = 2n e y = 2m.

capítulo 5 • 156
Usando a proposição 5.2.1, temos que:

x – y = 2n – 2m = 2 (n – m), onde (n – m) ∈ Z, então x – y


xy = (2n) (2m) = 2 (n2m), onde n2m ∈ Z, então xy.

Portanto, o conjunto dos números pares é um subanel Z.


A partir desse exemplo podemos dizer que 2Z é um subanel de Z.

2. O conjunto dos números ímpares não é um subanel de Z (conjunto dos números intei-
ros), pois dado o conjunto S = {2n + 1; n ∈ Z} veja que:
∀x, y ∈ S e ∀m, n ∈ Z , temos x = 2n + 1 e y = 2m + 1
Usando a proposição 5.2.1, temos que

x – y = 2n + 1 – (2m + 1) = 2n + 1 – 2m – 1 = 2n – 2m = 2 (n – m)

que é um número par. Logo, onde x – y ∉ S.


Portanto, o conjunto dos números ímpares não é um subanel de Z, ou seja, dado dois
elementos de S, 1 e 3, por exemplo, note que 3 – 1 = 2 ∉ S.

_
3. O conjunto 3 Z6 é um subanel de Z6. Veja que:
_ _
3 Z6 = 3{0,12
, , 3, 4, 5} = {0, 3, 0, 3, 0, 3} = {0, 3}

Usando a proposição 5.2.1, temos que:


_ _
0 – 0 = 0 ∈ 3 Z6 0 · 0 = 0 ∈ 3 Z6
_ _
0 – 3 = 3 ∈ 3 Z6 0 · 3 = 0 ∈ 3 Z6
_ _
3 – 0 = 3 ∈ 3 Z6 3 · 0 = 0 ∈ 3 Z6
_ _
3 – 3 = 0 ∈ 3 Z6 3 · 3 = 9 = 3 ∈ 3 Z6

4. Dado o conjunto S = {0, 3, 6} observe que ele não é um subanel de Z12, pois dados dois
elementos de S, por exemplo, 3 e 6 verificamos que 3 – 6 = 3 + 6 = 9 ∉ S.

{ }
5. Seja o conjunto S = x + y 2 / x, y ∈ Z . Este conjunto é denotado por

{
Z  2  = x + y 2 / x, y ∈ Z }

capítulo 5 • 157
Vamos verificar se ele é um subanel do anel (R, +, ·).
Vamos considerar dois elementos do conjunto Z  2  .

a ∈ Z  2  ⇒ a = x + y 2 , ∀x, y ∈ Z.

b ∈ Z  2  ⇒ b = z + w 2 , ∀z, w ∈ Z.

   
( ) ( )
a − b = x + y 2 − z + w 2 = x + y 2 − z − w 2 =  x y − w 2
− z + 
 ∈Z   ∈Z 
Logo, a − b ∈ Z  2 
   
( )( )
ab = x + y 2 z + w 2 = xz + zy 2 + 2yw + xw 2 =  xz + 2yw  +  xw + zy  2
        
 ∈Z   ∈Z 
Logo, ab ∈ Z  2 

Portanto, Z  2  . é subanel de (R, +, ·).

{ }
O anel Z  p  = x + y p / x, y ∈ Z é chamado, na literatura, de anel Z adjunção p e
ele é subanel de (R, +, ·) . Sendo assim, podemos dizer que:
•  Z é subanel de Z  p  ;
•  Z  p  é subanel de Q  p  ;
•  Q  p  é subanel de R .

Agora vamos verificar que Z  p  não é subanel de Q. Nesse caso temos que
Z  p  ⊄ Q. Veja que podemos escrever p = (0+1 · p ) ∈ Z, ou seja, p ∈ Z.
Agora vamos verificar que p ∉ Q.
Suponhamos por absurdo que p ∈ Q Veja que podemos escrever
x
p = , onde x, y ∈ Z, y ≠ 0, x e y são primos entre si.
y

x2
p= ⇒ x2 = py2 ⇒ p | x2 ⇒ p | x (1)
y2
fazendo x = pw
(pw )2 = py2 ⇒ p2w2 = py2 ⇒ pw2 = y2 ⇒ p | y2 ⇒ p | y ( 2)

De (1) e (2) temos um absurdo, pois x e y são primos entre si. Logo, p ∉ Q.
Portanto, concluímos pela teoria dos conjuntos que Z  p  ⊄ Q.

capítulo 5 • 158
  x 0  
6. O conjunto S =    / x, y ∈ R  é um subanel de (M2 (R)).
  y 0  

Considerando dois elementos do conjunto S:

 x 0  z 0
 y 0  e  w 0  , onde x, y, z, w ∈ R
   
 x 0  z 0  x − z 0
 y 0  −  w 0  =  y − w 0  onde ( x − z ) e ( y − w ) ∈ R
 
     
∈S

 x 0   z 0   xz 0 
 y 0   w 0  =  yz 0  onde ( xz ) e ( yz ) ∈ R
 
    
∈S

Logo, S é subanel de (M2 (R)).

7. O conjunto dos múltiplos de n, onde n é um elemento do conjunto dos números naturais


(N) e n ≥ 2 definido por nZ = {nk/k ∈ Z} é um subanel de Z. Vejamos:
Sejam k1, k2 ∈ Z , onde a = nk1 e b = nk2, ∀a, b ∈ nZ.
•  a – b = nk1 – nk2 = n (k1 – k2), onde (k1 – k2) , então a – b∈ nZ
•  ab = (nk1) (nk2) = n (nk1 k2), onde nk1 k2 ∈ Z, então ab ∈ nZ

Portanto, nZ é um subanel do anel (Z, +, ·).


Então podemos dizer que para cada inteiro positivo n, o conjunto
nZ = {0, ±n, ±2n, ±3n, ...} é um subanel de Z (conjunto dos números inteiros).

Subanel unitário

Seja (A, +, ·) um anel unitário. Dizemos que o subanel (S, +, ·) é subanel uni-
tário do anel A se a unidade de (S, +, ·) for igual a unidade de A, isto é, 1s = 1A.

OBSERVAÇÕES
Seja A um anel unitário e S um subanel de A. O subanel S pode ter ou não unidade, mas
caso tenha, a unidade pode ser ou não igual a do anel A. Quando possuem a mesma unidade
dizemos que o subanel é subanel unitário do anel.

capítulo 5 • 159
EXEMPLO
1. Z é um subanel unitário de Q.

2. Q é um subanel unitário de R.

3. Z é um subanel unitário de Z  p  .

4. Z  p  é um subanel unitário de Q  p  .

5. Q  p  é um subanel unitário de R.

6. O conjunto dos múltiplos de n, onde n é um e lemento do conjunto N e n ≥ 2 definido por


nZ = {nk/k ∈ Z} é um subanel de Z, mas não tem unidade. Veja:
Supondo que y = nK ∈ Z seja a unidade de nZ teremos yw = w, para todo w ∈ nZ. Fazen-
do w = n = n · 1 ∈ nZ, temos yw = w → yn = n → yw · n = n → yw = 1. Isto é um absurdo,
pois falamos inicialmente que n ≥ 2. Logo, nZ não tem unidade.
Concluímos então que nZ não é um subanel unitário de Z.
A partir deste exemplo podemos dizer que 2Z, 3Z, 4Z, .... são subanéis de Z, mas não
possuem unidade.

7. O conjunto é um subanel do anel (M2 (Z), +, ·).

 1 0
Note que a unidade do anel A é 1A =   , enquanto que a unidade do subanel S é
 1 0 0 1
1S =  .
0 0 

Assim, fica claro que as unidades são diferentes, ou seja, 1s ≠ 1A. Concluímos que o su-
banel S não é subanel unitário do anel A.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
1. Sejam R e S subanéis de um anel (A,+,.). Prove que R S também é um subanel de A.

Solução:
Seja R ∩ S não vazio, pois 0 ∈ R ∩ S.

capítulo 5 • 160
Dados dois elementos a, b ∈ R ∩ S, temos que a, b ∈ R e a, b ∈ S. Portanto,

a–b∈Rea–b∈S⇒a–b∈R∩S
ab ∈ R e ab ∈ S ⇒ ab ∈ R ∩ S

Logo R ∩ S é subanel de A.

a 
2. (Adaptado) Verifique se C =  / a, n ∈ Z, n ≠ 0  é um subanel dos conjuntos dos racio-
 2n 
nais.

Solução:
Vamos considerar dois elementos do conjunto C.

a b
e , onde a, b, n, m ∈ Z e n, m ≠ 0.
2n 2m

Agora vamos verificar se as condições da proposição 5.2.1.

a b ma − nb a b
− = , onde n, m ∈ Z * e (ma − nb ) ∈ Z. Logo, − ∈C
2n 2m 2nm 2n 2m
a b ab ab a b
⋅ = = , , 2nm ∈ Z * e ab ∈ Z. Logo, ⋅ ∈C
2n 2m 4nm 2(2nm) 2n 2m
Conclusão: C é subanel de Q.

3. Verifique se o subconjunto S= {x ∈ Q / x ∉ Z} é subanel do anel (Q, +, ·).

Solução:
S não é um subanel de Q, pois se considerarmos dois elementos

3 2 3 2
∈ Q ∈ Q veja que   ⋅   = 1∉ S
2 3 2 3

4. Dado o anel Z10 verifique:


{ }
a) Se A = 0, 2, 4, 6, 8 é um subanel de Z10.
{ }
b) Através da tabela se A = 0, 2, 4, 6, 8 possui unidade.
c) A unidade de um subanel tem de ser a mesma do anel todo?

capítulo 5 • 161
Solução:
{ } { }
a) A = 0, 2, 4, 6, 8 é um subanel de Z10, pois o conjunto A = 0, 2, 4, 6, 8 é formado
pelas classes dos elementos pares, sendo assim são válidas as condições dadas pela
proposição 5.2.1, ou seja, ele é fechado para a multiplicação e para a subtração. Portan-
{ }
to, A = 0, 2, 4, 6, 8 } é um subanel de Z10.

{ }
b) Através da tabela se A = 0, 2, 4, 6, 8 possui unidade.
Segue a tabela com a operação de multiplicação onde fica fácil verificar que a unidade
{ }
de A = 0, 2, 4, 6, 8 é 6 .

0 2 4 6 8
0 0 0 0 0 0
2 0 4 8 2 6
4 0 8 6 4 2
6 0 2 4 6 8
8 0 6 2 8 4

c) A unidade de um subanel tem de ser a mesma do anel todo?


Nem sempre é a mesma. Veja que a unidade de Z10 é 1 e a unidade do subanel
{ }
A = 0, 2, 4, 6, 8 é 6 .

Anel de integridade

Antes da definição de Anel de Integridade vamos definir divisor de um anel.

capítulo 5 • 162
Divisores de um anel

Seja A um anel com as operações usuais de adição e multiplicação, e sejam x e


y dois elementos de A, com x ≠ 0 e y ≠ 0. Se xy = 0A, podemos dizer que x e y são
divisores próprios de zero.

0A é o zero do anel.

EXEMPLO
1. Seja o anel Z6.
Considerando dois elementos deste anel. Por exemplo, 2 e 3.
Note que 2 ≠ 0 e 3 ≠ 0. O produto 2 · 3 = 6 = 0.
Portanto, 2 e 3 são divisores próprios de zero.

2. Seja o anel Z6.


Considerando os elementos 3 e 4 em Z6, 3 ≠ 0 e 4 ≠ 0 também observamos que o pro-
duto 3 · 4 = 12 = 0. Portanto, o anelZ6 admite 3 divisores de zero: 2, 3 e 4.

3. Seja o anel Z7.


Considerando dois elementos deste anel. Por exemplo, 2 e 3.
Note que 2 ≠ 0 e 3 ≠ 0. O produto 2 · 3 = 6 ≠ 0. Portanto, o anel Z7 não possui divisores
próprios de zero.

4. Vejamos os divisores de zero no anel das matrizes de ordem M2 (R). O anel das matrizes
(Mn (A), +, ·) tem divisores de zero para todo n ≥ 2.
Sejam dois elementos deste anel:

 0 3  0 −4 
  e   ∈ M2 (R )
0 0 0 0 
 0 3   0 −4   0 0 
 . =  = 0M2 (R )
0 0 0 0  0 0

capítulo 5 • 163
 0 3   0 −4 
Assim,   e   são divisores de zero em M2 (R).
0 0 0 0 

Assim, podemos dizer que se n ≥ 2, então (Mn (Z), +, ·), (Mn (R), +, ·), (Mn (Q), +, ·) são
anéis com divisores de zero.

OBSERVAÇÕES
Podemos verificar os divisores de zero no anel Zm através do mdc(a,m), onde a é um
elemento de Zm do seguinte modo:
Seja a um elemento de Zm. Podemos dizer que a é um divisor de zero, se o mdc (a, m) ≠ 1.
Por exemplo, considere o Anel Z54. Nesse anel 36 é divisor de zero no anel Z54, pois o
mdc (36, 54) = 18 ≠ 1. Isso significa que existe um elemento no anel Z54 que multiplicado
por 36 dá zero.
Vejamos: 36 · 3 = 108 = 0 (lembrando que 108 dividido por 54 deixa resto 0 no anel Z54).

Anel de integridade ou domínio

Podemos definir anel de integridade ou domínio do seguinte modo:


Um anel A é dito anel de integridade ou domínio se ele é um anel comutativo
com unidade e não possui divisores de zero e
∀x, y ∈ A, xy = 0 ⇒ x = 0 ou y = 0

Podemos também usar a contrapositiva.


∀x, y ∈ A, x ≠ 0 e y ≠ 0 ⇒ xy ≠ 0

A partir da definição podemos dizer que todo domínio é um anel.

EXEMPLO
1. O anel Z7 é um anel de integridade, pois ele não possui divisores próprios de zero.
Considerando dois elementos deste anel. Por exemplo, 2 e 3.

2≠0e3≠0e2·3=6≠0

capítulo 5 • 164
2. O anel Z8 não é um anel de integridade, pois possui divisores de zero. Considerando dois
elementos deste anel. Por exemplo, 2 e 4.

2 ≠ 0 e 4 ≠ 0 e 2 · 4 = 8 = 0.

Assim, 2 e 4 são divisores de zero em Z8.

3. Considere o conjunto dos números inteiros, Z, com as operações

x ∗ y = x + y e x∆y = 0

Este conjunto (Z, *, ∆), com estas operações, é um anel já que todos os axiomas do anel
são verificados. Além disso, é fácil verificar que (Z, *, ∆) é um anel comutativo sem unidade.
Neste caso ele não é um anel de integridade.

4. O anel dos inteiros de Gauss Z [i] = {a + bi; a, b ∈ Z} é um domínio de integridade.


Carl F. Gauss, entre 1808 e 1825, pesquisava sobre a reciprocidade cúbica e biqua-
drática. Ele observou durante seus estudos que a pesquisa ficaria mais fácil se ele traba-
lhasse com um conjunto Z [i] chamado de anel dos inteiros de Gauss. Ele provou que esse
com as operações de adição e multiplicação resulta numa estrutura chamada de domínio
de integridade.

OBSERVAÇÕES
a) Zm é anel de integridade se, e somente se, m for primo.
b) A Lei do Cancelamento é verificada. Seja A um domínio. Se ab = ac com a ≠ 0, então b = c.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
1. Mostre que se A é um anel de integridade e x é um elemento de A tal que x2 = 1, então
x = 1 ou x = –1.

Solução:
Temos como hipótese que A é um anel de integridade e x2 = 1.
Vamos somar (–1) nos dois lados da igualdade x2 = 1.

capítulo 5 • 165
x2 + (–1) = 1 + (–1)
x2 – 1 = 0
(x – 1) (x + 1) = 0

Como A é um anel de integridade, temos a + 1 = 0 ou a – 1 = 0.


Concluímos então que a = –1 ou a = 1.
2. Considere o anel comutativo com unidade (Q, *, ∆), onde as operações são definidas do
seguinte modo:

x * y = x + y – 1 e x ∆ y = x + y – xy

Verifique se (Q, *, ∆) é um anel de integridade.

Solução:
Vamos considerar dois elementos de Q (conjunto dos números racionais).
∀x, y ∈ Q,
x ∆ y = 0Q (zero do anel da primeira operação)
x∆y=1
x + y – xy = 1

1− y
x= ⇒ x = 1( y ≠ 1)
1− y

Se y = 1, então x + y – xy = 1 ⇒ x + y – x · (1) =1 ⇒ 1 = 1 (V).


Assim, se x ∆ y = 0Q ⇒ x = 0Q ou y = 0Q.
Portanto, (Q, *, ∆) é um anel de integridade.

Corpo

Um Corpo é um anel comutativo com unidade que chamaremos de K. Este


anel é denominado corpo se todo elemento não nulo de K possuir inverso multi-
plicativo, ou seja,

Se ∀x ∈ K, x ≠ 0 então ∃x–1 ∈ K tal que x ∙ x–1 = 1

capítulo 5 • 166
Assim concluímos que um corpo é um anel, (K, +, ·), unitário e comutativo
no qual todo elemento diferente de zero possui inverso.
Se (K, +, ·), é um corpo, então:
•  (K,+) é um grupo abeliano;
•  É válida a propriedade associativa com a operação de multiplicação;
•  É válida a propriedade distributiva da multiplicação sobre a adição;
•  É válida a propriedade comutativa com a operação de multiplicação;
•  1k é o elemento neutro de K;
•  ∀x ∈ K, x ≠ 0 então ∃x–1 ∈ K tal que x ∙ x–1 = 1.

EXEMPLO
1. O conjunto dos números reais (R), o conjunto dos números racionais (Q) e o conjunto
dos números complexos (C) são corpos.

2. (Q, +, ·) é um corpo com as operações usuais. Veja:


x
Ele é um anel comutativo com unidade. Além disso, para a = ∈ Q , x e y são elementos
x y
de Z e y ≠ 0. Daí vem que x ≠ 0 e ∈ Q . Então,
y
x x y
a −1 = ∈ Q, pois ⋅ = 1
y y x

3. (R, +, ·) é um corpo com as operações usuais. Veja:


Ele é um anel comutativo com unidade 1. Além disso, para

1 1
x ∈ R, x ≠ 0, entª o∈R e x ⋅ =1
x x
ou seja, todo elemento não nulo tem inverso.

4. O anel das funções RR não é um corpo, pois ele não é um anel de integridade.

5. No conjunto das matrizes Mn (A), mesmo que A seja um corpo, temos que Mn (A) não é
um anel de integridade para n ≥ 2.

capítulo 5 • 167
OBSERVAÇÕES
a) O conjunto dos números inteiros Z, não é um corpo, pois nem todo elemento de Z possui
inverso multiplicativo. Veja que 3 ∈ Z, mas não existe y ∈ Z tal que 3y = 1.
b) O conjunto Zp com as operações de adição e multiplicação, com p é primo é um corpo.
Se n é um inteiro positivo e não é primo, Zn não é domínio de integridade.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
1. Seja A =(Q, *, ∆) um anel comutativo com unidade onde as operações são defini-
das como

ab
a ∗ b = a + b − 2 e a∆b = a + b −
2

Verifique se A é um corpo. Considere que nesse anel o elemento neutro para a operação
de adição é dado por OA = 2 e o elemento neutro para a operação de multiplicação é dado
por 1A = 0.

Solução:
Vamos verificar primeiro se o anel A = (Q, *, ∆) é um domínio de integridade.
Para verificar se é domínio de integridade ∀a, b ∈ Q, com b ≠ 2, temos que resolver a
equação a∆b = OA ⇒ a∆b = 2.

ab
a∆b = 2 ⇒ a + b − = 2 ⇒ 2a + 2b − ab = 4 ⇒ a ( 2 − b ) = 4 − 2b ⇒
2
⇒ a (2 − b ) = 2 (2 − b ) ⇒ a = 2

Note que A = (Q, *, ∆) é um domínio de integridade, pois temos dois elementos b ≠ 2 e a


≠ 2, onde fica verificado que a∆b = OA ⇒ a∆b = 2.
Lembre-se que todo domínio de integridade não possui divisores de zero.
Agora vamos verificar se A=(Q, *, ∆) é um corpo.
∀a, b ∈ Q com a ∈ 2 , devemos determinar a–1 ∈ Q tal que

a∆a −1 = 1A ⇒ a∆a −1 = 0

capítulo 5 • 168
Os elementos do anel têm inverso multiplicativo, pois

a∆a −1 = 1A ⇒ a∆a −1 = 0
a ⋅ a −1 2a
a + a −1 − = 0 ⇒ 2a + 2a −1 − a ⋅ a −1 = 0 ⇒ a −1 = −
2 2−a

Ou seja, todos os elementos têm inverso com a operação ∆. Logo, A=(Q, *, ∆) é um corpo.
2. Mostre que o anel (C, +, ·) com as operações usuais é um corpo.

C = {a + bi; a, b ∈ R}
(a + bi) + (c + di) = (a + c) + (b + d) i
(a + bi) · (c+di) = (ac – bd) + (ad + bc) i

Considere:
O elemento neutro da adição: 0 + 0i.
O elemento neutro da multiplicação: 1 + 0i.

Solução:
O inverso do número complexo a+bi, não nulo é dado por

a b
− i
a2 + b2 a2 + b2

Note que:

( a + bi) ⋅  
a b
− i =
 a2 + b2 a2 + b2 
 a2 −b2   −ab ba 
= 2 − 2 i +  +  i = 1+ 0i
a +b
2 a + b2   a2 + b2 a2 + b2 

O inverso está bem definido, pois a2 + b2 = 0 ⇒ a = b = 0 ⇔ a + bi é nulo.


Portanto, C é um corpo.

3. No corpo Z11 resolva a equação x3 = x.

Solução:
O fato de Z11 ser um corpo nos permite o uso das propriedades da adição e da
multiplicação.

capítulo 5 • 169
Assim, podemos escrever a equação x3 = x do seguinte modo:

x3 = x → x3 – x =0 → x (x2 – 1) = 0 → x (x – 1) (x + 1) = 0

Como Z11 é um anel de integridade, temos que:

x = 0 ou x – 1 = 0 ou x + 1 = 0.

Logo, x = 0, x = 1 e x = –1 = 10.
Portanto, S = {0, 1, 10}
Podemos omitir as barras.

PROPOSIÇÃO
Proposição 5.4.1

Se K é corpo, então K é anel de integridade.

Demonstração
Seja K um corpo e x e y elementos de K tal que xy = 0. Se K é um corpo, então K é
um anel comutativo com unidade. Assim, para provar que K é um anel de integridade basta
verificarmos que K não tem divisores de zero, isto é, basta verificar a proposição 5.3.2, que
diz que se x, y são dois elementos do anel A e xy = 0 então x = 0 ou y = 0. Podemos provar
por absurdo. Veja:
Por hipótese, temos x e y elemento de K e xy = 0.
Suponhamos por absurdo que x ≠ 0 e y ≠ 0. No entanto, se x ≠ 0 e y ≠ 0, então xy ≠ 0.
Isso contradiz a hipótese. Portanto, x = 0 ou y = 0.
Logo, K não tem divisores próprios de zero, o que implica que ele é um anel de integridade.
Podemos observar que existe anel de integridade que não é corpo. Considerando (Z, +, ·).
Ele é um anel de integridade, mas não é um corpo. Se ele é um anel de integridade, tem 0
(zero) como elemento neutro, –x como elemento simétrico e 1 como unidade. Porém, ele não
é um corpo, pois se considerarmos um elemento deste conjunto, por exemplo, 2 observamos
que não existe x em Z tal que 2x = 1.

capítulo 5 • 170
Ideais de um anel

O estudo sobre os ideais de um anel foi desenvolvido por Dedekind no final


do século XIX. Através do estudo dos ideais de um anel podemos construir os
anéis quociente. Definimos ideal de um anel do seguinte modo:
Seja um anel A e um subconjunto não vazio B do anel A. De acordo com o
nosso estudo sobre os subanéis, temos que B será um subanel de A se forem satis-
feitas as seguintes condições:
∀x, y ∈ B, temos x − y ∈ B
∀x, y ∈ B, temos xy ∈ B

Veremos que os ideais são subconjuntos de um anel que satisfazem as condi-


ções anteriores. Portanto, podemos dizer que eles são subanéis.

Definição de ideal à esquerda

Seja o anel (A, +, ·) e I um subconjunto não vazio de A. Dizemos que I é um


ideal à esquerda de A quando:

Definição de ideal à direita

Seja o anel (A, +, ·) e I um subconjunto não vazio de A. Dizemos que I é um


ideal à direita de A quando:
a) ∀x, y ∈ I ⇒ x − y ∈ I
b) a ∈ A e x ∈ I ⇒ xa ∈ I

Portanto, dado um anel (A, +, ·) e I um subconjunto não vazio de A. Dizemos


que I é um ideal de A quando I é ideal à esquerda e à direita de A.
Sendo assim, para verificarmos se um subanel é um ideal de um anel é ne-
cessário verificar se é ideal à direita e à esquerda. Quando tratamos com um anel
comutativo as definições se coincidem, assim basta analisar:

capítulo 5 • 171
OBSERVAÇÕES
Para todo anel A, temos que A e {0} são ideais de A. Eles são chamados de ideais triviais
de um anel.

EXEMPLO
1. Considere um anel (Z, +, ·) e I = 2Z (conjunto dos números pares).
Note que:
Se x, y ∈ I, então podemos definir dois elementos de I da seguinte forma: x = 2m e y = 2n,
onde m e n são elementos de Z. Agora temos que:
a) x − y = 2m − 2n = 2(m − n) ∈ I
b) Se a ∈ A então ax = a(2m) = 2( am) ∈ I
Logo, fica verificado que 2Z é um ideal no anel Z.

2. Considere um anel (Q, +, ·) e I = Z.


Veja que I não é um ideal do anel (Q, +, ·), pois se considerarmos um elemento de I , por
1
exemplo x = 1 e um elemento de (Q, +, ·), por exemplo ∈ Q . Note que:
3
1 1
ax = ⋅1 = ∉ I
3 3

Logo, fica verificado que Z não é um ideal no anel Q, mesmo sabendo que Z é um suba-
nel de Q.

3. O conjunto das matrizes.

 a b  
Seja A = M2 (R) e I =   ∈ M2 (R)  .
 0 0  

Dados dois elementos X e Y de I, fica fácil verificar que x – y ∈ I. Agora vamos verificar:
a) Se I é um ideal à direita de A.
Vamos considerar um elemento N ∈ A e um elemento X de I.

a b x y 
Seja X=  e N= 
0 0  z w
 a b   x y   ax + bz ay + bw 
XN =   =  ∈I
 0 0 z w   0 0 

capítulo 5 • 172
Logo, I é um ideal à direita de A.

a) Se I é um ideal à esquerda de A.

a b x y 
Seja X=  e N= 
 0 0   z w
 x y   a b   xa xb 
NX =   =  ∉I
 z w   0 0   za zb 

Logo, I não é um ideal à esquerda de A.


4. Vamos considerar o anel Z3. Seja:

0 · Z3 = 0 · {0, 1, 2} = {0}
1 · Z3 =1 · {0, 1, 2} = {0, 1, 2} = Z3
2 · Z3 = 2 · {0, 1, 2} = {0,1, 2} = Z3

Os ideais do anel Z3 são 0 · Z3,1 · Z3 =2 · Z3 = Z3.

PROPOSIÇÃO
Proposição 5.5.1

Seja I é um ideal do anel A com unidade. Se I contém um elemento inversível de A, então I = A.

Demonstração
Por hipótese temos que I é um ideal do anel A com unidade e I contém um elemento
inversível de A. Vamos considerar que I é um ideal à direita de A. Por definição sabemos que
I ⊆ A (1).
Seja x um elemento de A. Pela hipótese existe um elemento y em I, tal que y–1 está em
A. Como I é ideal à direita de A, y ∈ I e y–1 x A. Logo, x pode ser escrito como x = y (y–1x) ∈ I.
Portanto, pela teoria dos conjuntos temos que A ⊆ I (2). De (1) e (2), concluímos que I=A.
A partir deste resultado podemos dizer que um corpo só possui ideais triviais. Veja que se I
é um ideal do corpo K, então existe um elemento x em I e como K é um corpo, temos que x–1 é
um elemento de K. Logo, I possui um elemento inversível de K. Assim podemos dizer que I = K.
Isso nos leva a concluir que K possui apenas ideais triviais, I = K e I = {0}.

capítulo 5 • 173
Proposição 5.5.2

Se A é um anel e x um elemento de A , então:


•  Ax = {ax/a ∈ A} - ideal à esquerda de A.
•  xA = {xa/a ∈ A} - ideal à direita de A.

Esta proposição nos diz que podemos gerar ideais de qualquer anel. Isso ocorre quando
consideramos os múltiplos de um elemento fixado no anel. A partir da proposição 2 podemos
apresentar a próxima definição que nos fala sobre ideal principal.

Definição de ideal principal

Seja A um anel comutativo com unidade e x um elemento de A.


•  O ideal à esquerda Ax é chamado ideal principal à esquerda de A gerado por x.
•  O ideal à direita xA é chamado de ideal principal à direita de A gerado por x.

Podemos usar a notação I (a) = {ax/x ∈ A}, nesse caso I (a) é um ideal de A
chamado ideal principal gerado por a.

EXEMPLO
1. O conjunto dos números pares é um ideal principal de Z (conjunto dos números inteiro)
gerado pelo elemento 2, ou seja:

I (2) = {2x/x ∈ Z} = 2Z
I (1) = {1x/x ∈ Z} = Z
I (–1) = {(–1)x/x ∈ Z} = Z

2. Agora vamos pensar num anel A que não tem unidade.


Seja A = 2Z = {2x/x ∈ Z}. Vejamos o ideal gerado por 2.
Temos 2A = 2 · (2Z) = 4Z que é formado pelos múltiplos de 4.
Observe que o ideal gerado pelo elemento 2 não contém o elemento 2.

capítulo 5 • 174
a) Um anel de integridade no qual todos os ideais são principais é denominado anel
principal. O conjunto dos números inteiros, Z, é um anel principal.
b) O anel comutativo A é anel principal quando todo ideal de A é ideal principal.

3. Vamos considerar o anel Z4. Seja:


0 · Z4 = {0}
1 · Z4 = {0, 1, 2, 3}
2 · Z4 = {0, 2}
3 · Z4 = {0, 1, 2, 3}

Todos são ideais do anel Z4. Esses ideais são todos principais. Assim, podemos dizer que
Z_4 é um anel principal, de acordo com a definição 6.

PROPOSIÇÃO
Proposição 5.5.4

Se I e J são ideais de um anel A, então


I. I ∩ J é um ideal de A, I ∩ J= {x ∈ A / x ∈ I e x ∈ J}
II. I + J é um ideal de A, I + J= {x + y ∈ A / x ∈ I e y ∈ J}

EXEMPLO
1. Seja 2Z ∩ 3Z = 6Z
Um elemento de 2Z ∩ 3Z é múltiplo de 6 e todo elemento de 6Z é múltiplo de 2 e 3.

2. Agora vamos analisar neste exemplo o conjunto das matrizes.

 a b    a 0  
Seja A=M2 (R) e I =   ∈ M2 (R)  e J =   ∈ M2 (R) 
 0 0    b 0  

Como já foi visto no exemplo 3, I é um ideal à direita de A, mas não é ideal à esquerda.
Fica fácil verificar, seguindo o mesmo procedimento realizado no exemplo 3, que J é ideal à
esquerda e não é ideal à direita.

capítulo 5 • 175
 a 0  
Agora veja que I ∩ J =   ∈ M2 (R)  .
 0 0  

I ∩ J não é ideal de A, pois ele não é ideal nem à direita e nem à esquerda de A.

 a b  
Agora veja que I + J =   ∈ M2 (R)  .
 b 0  

I + J não é ideal de A, pois ele não é ideal nem à direita e nem à esquerda de A.
De fato, se considerarmos:

1 1  1 1
X=  ∈I + J e N =   ∈ A fica fácil verificar que I+J não é um ideal em A.
1 0  1 1
1 1 1 1   2 1
NX =   =  ∉I + J
1 1 1 0   2 1
1 1  1 1  2 2 
XN =   =  ∉I + J
1 0  1 1  1 1 

OBSERVAÇÕES
Em geral a união de ideais não é um ideal. Observe 2Z ∪ 3Z não é um ideal de Z, pois se
tomarmos dois elementos 2, 3 em 2Z ∪ 3Z é fácil ver que 3 – 2 = 1 que não é um elemento
de 2Z ∪ 3Z.

PROPOSIÇÃO
Proposição 5.5.5

Sejam m e n elementos do conjunto dos números naturais. Então, mZ + nZ = dZ se, e


somente se, mdc (m, n) = d.

capítulo 5 • 176
EXEMPLO
1. 2Z +3Z = Z, mdc (2, 3) = 1

2. 360 Z + 540 Z = 180 Z, mdc (360, 540) = 180

3. Vamos analisar o anel Z8.


Ideais 2 · Z8 = {0, 2, 4, 6} e 4 · Z8 = {0, 4}
2 · Z8 + 4 · Z8 = 2Z8

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
1. Seja I = {f: R → R/f (1) + f (2) = 0} e (RR, +, ·).
Verifique se I é um ideal do anel (RR, +, ·).

Solução:
Considere: f (x) = –2x + 3 e h (x) = x, por exemplo.
f (1) = –2 (1) + 3 = 1
f (2) = –2 (2) + 3 = –1
f (1) + f (2) = 1 + (–1) = 0, então f (x) é um elemento de I.
Seja g (x) = h(x) · f (x) = x · (–2x + 3) = –2x2 + 3x

g (1) = –2(1)2 + 3 (1) = 1


g (2) = –2(2)2 + 3 (2) = –2
g (1) + g (2) = 1 + (–2) = –1 ≠ 0.

Logo, g (x) não é um elemento de I.


Podemos concluir que I não é um ideal do anel (RR, +, ·).

2. Vamos considerar o anel Z4. Verifique se {0, 2} é um ideal do anel Z4.

Solução:
∀x ∈ I, e ∀a ∈ Z4, x · a ∈ I
Z4 = {0, 1, 2, 3}
I = {0, 2}

capítulo 5 • 177
0 ⋅ {0,12
, , 3} = { 0 } ∈ I
2 ⋅ { 0,12
, , 3} = { 0, 2} ∈ I

Portanto, {0, 2} é um ideal do anel Z4.

Homomorfismos de anéis

Definição

Sejam (A, +, ·) e (B, +, ·) dois anéis e seja a função f: A → B. Dizemos que f


é um homomorfismo do anel A no anel B se, e somente se, são válidas as seguin-
tes condições:
a) f ( x + y ) = f ( x ) + f ( y )
b) f ( xy ) = f ( x )f ( y )

EXEMPLO
1. Seja f: Z · Z → Z tal que f (x, y) = x.
Vamos considerar dois elementos de Z · Z (produto direto).

( x, y ) , ( a, b ) ∈ ZxZ
f(( x, y ) + ( a, b)) = f( x + a, y + b)
=x+a
= f( x, y ) + f( a, b )
f(( x, y ).(aa, b)) = f( xa, xb)
= xa
= f( x, y ) ⋅ f( a , b )

Logo, f é um homomorfismo de anel.

2. Seja f: A → B tal que f (a) = 0.

Para a, b ∈ A, temos :
f ( a + b ) = f ( a ) + f (b ) = 0 + 0 = 0
f( ab) = f( a ) ⋅ f(b) = 0 ⋅ 0 = 0

Logo, f é um homomorfismo de anel.

capítulo 5 • 178
3. Seja f: A → B tal que f (a) = a.

Para a, b ∈ A, temos :
f ( a + b ) = f ( a ) + f (b ) = a + b
f( ab) = f( a ) ⋅ f(b) = ab

Logo, f é um homomorfismo de anel.

4. Seja f: Z → Z tal que f (x) = –x.

Para x, y ∈ Z, temos :
f( x + y ) = −( x + y ) = ( − x ) + ( − y ) = f( x ) + f( y )
f( xy ) = −( xy )
f( x ) ⋅ f( y ) = ( −x )〈( − y ) = xy
f( xy ) ≠ f( x ) ⋅ f( y )

Logo, f não é um homomorfismo de anel.


5. Seja f: (S, +, *) → (Z, +, ·) tal que f (x) = 2x.

x ∗ y = 2xy
Para x, y ∈ S, temos :
f( x + y ) = 2( x + y ) = 2( x ) + 2( y ) = f( x ) + f( y )
f( x ∗ y ) = 2(2xy ) = 4xy = ( 2x )( 2y ) = f( x ) f( y )

Logo, f não é um homomorfismo de anel.

6. Seja f: A → B, onde A = Z[ 2 ] e B = Z[ 2 ], tal que f( a + b 2 ) = a − b 2 .


Vamos considerar dois elementos de A: a + b 2 e c + d 2.

( ) ( )
f( a + b 2 + c + d 2 ) = f( a + b 2 ) + f c + d 2 ( )
(
= (a − b 2 ) + c − d 2 )
= (a + c)-(b + d) 2
( )( )
f( a + b 2 c + d 2 ) = f( a + b 2 ) f c + d 2 ( )
= (a − b 2 ) (c − d 2 )

= ac - ad 2 − bc 2 + 2bd
= ( ac + 2bd) − ( ad + bc ) 2

Logo, f não é um homomorfismo de anel.

capítulo 5 • 179
Definição de núcleo do homomorfismo

Seja f: A → B um homomorfismo de anéis. Definimos núcleo do homomor-


fismo f que é formado pelos elementos de A cuja imagem por f é igual ao zero do
anel B.

N (f ) = {x ∈ A/ f(x) = 0B}

Definição de Imagem do homomorfismo

Seja f: A → B um homomorfismo de anéis. A imagem do homomorfismo f é


a imagem da função f.

Im (f ) = {f (x)/x ∈ A}

EXEMPLO
1. Seja A um anel e f uma função definida de A em A onde f (x) = x.
Veja que neste caso o N (f) = {0} e a Im (f) = A.

2. Seja A um anel e f uma função definida de A em A onde f (a) = 0.


Veja que neste caso o N (f) = a e a Im (f) = {0}.

3. Seja A um anel e f uma função definida de Z em R onde f (x) = x.


Veja que neste caso o N (f) = {0} e a Im (f) = Z.

4. Seja A um anel e f uma função definida de A · A em M2 (A) onde

 x 0
f ( x, y ) =  
0 y 
 x 0  0 0 
N( f ) =  =  ⇒ x = y = 0. Assim, N( f ) = {( 0, 0)}.
0 y  0 0 
  x 0 
Im( f ) =    ∈ M2 ( A ) 
 0 y  

capítulo 5 • 180
5. Seja a função definida de f : Z  3  → Z  3  , onde f( a + b 3 ) = a − b 3 .
Como o elemento neutro é 0, podemos escrever que a + b 3 ∈ N ( f ) , assim

( )
f a + b 3 = 0 ⇔a + b 3 = 0 ⇔ a = 0 e b = 0

Logo, N (f) = {0} .

6. Seja Z · Z o anel munido das seguintes operações:

(a, b) + (c, d) = (a + c, b + d) e (a, b) · (c, d) = (ac, bd)

Considere também a aplicação β: Z · Z → Z · Z definida por β (a, b) = (0, b).


a) Prove que β é um homomorfismo de anéis.
b) Determine o núcleo N(β) de β.
c) Determine a imagem Im(β) de β.
a) Prove que β é um homomorfismo de anéis.
β é um homomorfismo de anéis, pois β ((a, b) + (c, d)) = β (a, b) + β (c, d) e
β((a, b) · (c, d)) = β (a, b) · β (c, d).
Veja:
β ((a, b) + (c, d)) = β (a + c, b + d) = (0, b + d) = (0, b) + (0, d) =
= β (a, b) + β (c, d).
β ((a, b) · (c, d)) = β (ac, bd) = (0, bd) = (0, b) · (0, d) = β (a, b) · β (c, d).

b) Determine o núcleo N(β) de β.


Sabemos que (a, b) β N (β) ⇔ β (a, b) = (0, 0) β (a, b) = (0, 0) β b = 0.
Portanto, N (β) = {(a, 0); a ∈ Z}.

c) Determine a imagem Im (β) de β.


Pela definição de β, para qualquer elemento b ∈ Z, ∃(a, b) ∈ Z · Z tal que β (a, b) = (0, b).
A partir disso, segue que Im (β) = {(0, b); b ∈ Z}.

capítulo 5 • 181
( ) 2
7. A função f: Z2 → Z2 definida por f x = x é um homomorfismo de anéis. Determine seu
núcleo N (f) e sua imagem Im (f).

Solução:
( ) 2
Considerando f x = x temos que:

( ) 2
f 0 =0 =0

f (1 ) = 1 = 1
2

{}
Logo, N ( f ) = 0 e Im ( f ) = Z2

Alguns resultados importantes sobre os homomorfismos de anéis.

Vejamos na proposição a seguir.

PROPOSIÇÃO
Proposição 5.6.4

Seja f: A → B um homomorfismo do anel A no anel B. Então:


I. f (0A) = 0B, ou seja todo homomorfismo de anéis leva elemento neutro em elemento
neutro.
II. f (–a) = –f (a), para todo elemento a em A.
III. f (a – b) = f (a) – f (b), para todo elemento a e b em A.
IV. Seja A um anel com unidade 1A, e f uma função sobrejetora, o mesmo ocorre com
o anel B e a unidade do anel B será 1B = f (1A).
V. Seja A um anel com unidade, f uma função sobrejetora e x invertível com relação a
multiplicação, então f (x) também é invertível e f(x–1)=(f(x))–1 .

EXEMPLO
Vamos verificar se f: Z → Z, onde f (x) = 2x + 1 é um homomorfismo.
Veja que o elemento neutro do anel Z é zero, e a f (0) = 2 (0) + 1 = 1, ou seja f (0) ≠ 0.
Portanto, f não é um homomorfismo.

capítulo 5 • 182
PROPOSIÇÃO
Proposição 5.6.5

Seja f: A → B um homomorfismo do anel A no anel B. Então:


I. Se S é um subanel de A, então f (S) é subanel de B.
II. Se I é ideal de A, então f (I) é ideal de f (A) = Im (f).

EXEMPLO
1. Seja f: Z → R, onde f (x) = x é um homomorfismo.
Temos que 2Z é subanel de Z e também ideal de Z. Assim, f (2Z) = 2Z R. Pela proposição
5.6.5 podemos dizer que 2Z é subanel de R e que 2Z é ideal de f (Z) = Z.
Note que neste exemplo f é um homomorfismo. 2Z é ideal de Z, porém f(2Z)=2Z não é
 1  1
1 elemento de R. Agora o produto 2 ⋅   = 1
2 ⋅e é=um
ideal de R, pois 2 é um elemento de 2Z
2 2
e 1 não é um elemento de 2Z. Assim não podemos dizer que se f é um homomorfismo e I é

um ideal de A, então f(I) é ideal de B.

2. Seja f: Z → Z4, onde f (x) = ( )


f x é=um
2
x homomorfismo.
Veja que 2Z é um ideal de Z.
f (2Z) é subanel de Z4 e f(2Z) é ideal de f (Z).
f (Z) = Im (f) = Z4. Veja que f (2Z) = {0, 2}, logo {0, 2} é ideal de Z4 = f (Z).

PROPOSIÇÃO
Proposição 5.6.6

Seja f: A → B um homomorfismo do anel A no anel B. Então:


I. Im (f) é subanel de B.
II. N (f) é ideal de A.

Veja um exemplo encontrado com frequência na literatura.


Seja f: 4Z → Z6 e f (x)= ( ) 2
= xhomomorfismo.
f x um
N (f) é ideal de 4Z e Im (f) é subanel de Z6.

capítulo 5 • 183
Agora vamos verificar quem é o núcleo e a imagem de f.
Para verificarmos N(f) vamos considerar um elemento x = 4y de 4Z tal que f (x) = 0, isto
é, 4 y = 0.
Então,
0 = 4y ⇔ 4y – 0 ∈ 6Z ⇔ 4y ∈ 6Z ⇔ 6|4y ⇔ 3|y ⇔ y = 3u ⇔
⇔ x= 12u ∈ 12Z.

Logo, N(f)=12Z.
A Im (f) é subanel de Z6. Em Z6 temos os subanéis {0}, {0, 2, 4}, {0, 3} e Z6. Vamos verificar
qual desses subanéis é a imagem de f.
Veja que f (0) = 0, f (4) = 4 e f (8) = 2. Assim, a Im (f) = {0, 2, 4}. Nesse caso a imagem
de f é diferente de Z6, pois 1 não é um elemento da imagem.

Definição de epimorfismo

Seja f: A → B um homomorfismo do anel A no anel B. Podemos dizer que f é


um epimorfismo quando f é sobrejetora, ou seja, Im (f ) = B.

Definição de monomorfismo

Seja f: A → B um homomorfismo do anel A no anel B. Podemos dizer que f


é um monomorfismo quando f é injetora, ou seja, f (x) = f (y) implica em x = y.
Quando a f é monomorfismo e epimorfismo dizemos que f apresenta um
homomorfismo bijetor. Podemos chamar os homomorfismos bijetores de isomor-
fismos, que será o nosso próximo assunto.

Isomorfismos de anéis

Definição

Um isomorfismo de um anel (A, +, ·) em um anel (B, +, ·) é uma função f: A → B


que é um homomorfismo e é bijetora. Assim, dizemos que quando existe um iso-
morfismo entre os anéis A e B, eles são isomorfos. Portanto, eles têm as mesmas
propriedades.

capítulo 5 • 184
Notação: A e B são isomorfos e usaremos a notação A B.
Note que se existe um isomorfismo de anéis f: A → B, então f–1: A → B é
um isomorfismo. Isso significa que uma propriedade é transportada através do
isomorfismo de A para B, e o mesmo ocorre e B para A.

EXEMPLO
1. Seja A um anel qualquer e f: A → A · {0}, onde f (x) = (x, 0). f é um isomorfismo.
Vamos considerar x e y elementos de A.

f (x + y) = (x + y, 0) = (x, 0) + (y, 0) = f (x) + f (y)


f (xy) = (xy, 0) = (x, 0) (y, 0) = f (x) f(y)

Logo, f é um homomorfismo.
•  f é injetora, pois f (x) = (0, 0) ⇔ (x,0)=(0,0) ⇔ x = 0. Logo N (f) = {0} e f é injetora.
•  f é sobrejetora, pois considerando y = (x, 0) A · {0} e x um elemento do anel A, temos
f (x) = (x, 0) = x. Logo, f é sobrejetora.
Podemos concluir que f é um isomorfismo, ou seja, A ≅ A×{0} .
Com esses exemplos temos:
Z é isomorfo a Z · {0},
Z7 é isomorfo a Z7 · {0} e
M2 (Q) é isomorfo a M2 (Q) · {0}.

2. Seja a função definida de f : Z  3  → Z  3  , onde f( a + b 3 ) = a − b 3 . É um iso-


morfismo, pois é bijetor.

  a 0  
3. Seja A =    / M2 (R)  . Neste exemplo não temos um isomorfismo.
  0 b  
  a 0  
Sendo f: R → B, veja que a Im( f ) = {f( a ) / a ∈ R} =    ∈ M2 (R) 
 0 a  

Veja que a Im (f) ≠ B, a f não é sobrejetora. Portanto, não temos um isomorfismo.

4. Sejam os anéis A = (R, *,∆) e B=(R, *,∆) com as operações

x * y=x + y – 1 e x ∆ y = x + y – xy.

capítulo 5 • 185
f: A → B definida por f (x) = –x + 1 é um isomorfismo de anéis. Nesse exemplo temos
um isomorfismo de anéis. Veja: f é um homomorfismo.
Vamos considerar x,y dois elementos do anel A.

f (x + y) = –(x + y) + 1 = –x – y + 1
f (x) * f (y) = f (x) + f (y) – 1 = (–x + 1) + (–y + 1) – 1 = – x – y + 1

Logo, f (x + y) = f (x) f (y).

f (xy) = –xy + 1
f (x) ∆ f (y) = f (x) + f (y) – f (x) f (y) =
= (–x + 1)+ (–y + 1) – (–x + 1)(–y + 1)= –xy + 1

Logo, f (xy) = f (x) ∆ f (y).


Concluímos que f é um homomorfismo de anéis.
Vamos verificar se a f (x) é uma função injetora.
Suponhamos f (x) = f (y) → –x + 1 = –y + 1 → x = y. Logo, f é injetora (1)

Vamos verificar se a f (x) é uma função sobrejetora.


Seja y ∈ B = R, sendo y = –x + 1. Podemos escrever x = –y + 1 ∈ A = R.
Como f (x) = –x + 1 = –(–y + 1) + 1 = y – 1 + 1 = y (2)
Logo, a f é sobrejetora.
De (1) e (2) concluímos que a f é bijetora.
Assim, fica demonstrado que f é um isomorfismo de anéis.

5. Seja Z · Z o anel munido das seguintes operações:

(a, b) + (c, d) = (a + c, b + d) e (a, b) · (c, d) = (ac, bd)

Considere também a aplicação β: Z · Z → Z · Z definida por β (a, b) = (0, b).


a) Prove que β é um homomorfismo de anéis.
b) Determine o núcleo N(β) de β.
c) Determine a imagem Im(β) de β.
d) β é um isomorfismo?

capítulo 5 • 186
Solução:
a) Prove que β é um homomorfismo de anéis.
β é um homomorfismo de anéis, pois β ((a, b) + (c, d)) = β (a, b) + β (c, d) e
β ((a, b) · (c, d)) = β (a, b) · β (c, d).
Veja:
β ((a, b) + (c, d)) = β (a + c, b + d) = (0, b + d) = (0, b) + (0, d)=
= β (a, b) + β (c, d).
β ((a, b) · (c, d)) = β (ac, bd) = (0, bd) = (0, b) · (0, d) = β (a, b) β (c, d).

b) Determine o núcleo N (β) de β.


Sabemos que (a, b) ∈ N(β) ⇔ β (a, b) = (0, 0) ⇔ (a, b) = (0, 0) ⇔ b = 0.
Portanto, N (β) = {(a, 0); a ∈ Z}.

c) Determine a imagem Im (β) de β.


Pela definição de β, para qualquer elemento b ∈ Z, ∃ (a, b) ∈ Z ·Z tal que β (a, b) = (0, b).
A partir disso, segue que Im (β) = {(0, b); b ∈ Z}.

d) β é um isomorfismo?
De acordo com os resultados encontrados nos itens (a) e (b) podemos concluir que β não
é um isomorfismo, pois não é injetora e nem sobrejetora.

Alguns resultados sobre os isomorfismos de anéis

Vejamos na proposição a seguir.

PROPOSIÇÃO
Proposição 5.7.3

Se f: A → B é um isomorfismo de anéis, então f–1: B → A é um isomorfismo de anéis.

Demonstração:
Já é do nosso conhecimento que a função inversa f–1 é bijetora. Então vamos mostrar
apenas que ela é um homomorfismo de anéis.
Vamos considerar x e y dois elementos de B. Como a função é sobrejetora podemos
definir f (a) = x e f (b) = y, ∀a, e ∈ A Assim, temos que

capítulo 5 • 187
f–1 (x) = a e f–1 (y) = b.

Como f é um homomorfismo podemos escrever que

f–1 (x + y) = f–1 (f (a) + f (b)) = f–1 (f (a + b)) = a + b = f–1 (x) + f–1 (y).
f–1 (xy) = f–1 (f (a) f (b)) = f–1 (f (ab)) = ab = f–1 (x) · f–1 (y).

Assim fica provado que f–1: B → A é um isomorfismo de anéis.

Proposição 5.7.4

Seja f: A → B um isomorfismo de anéis. Então:


I. A tem unidade ⇔ B tem unidade.
II. A é comutativo ⇔ B é comutativo.
III. A não tem divisores de zero ⇔ B não tem divisores de zero.
IV. A é domínio ⇔ B é domínio.
V. A é corpo ⇔ B é corpo.

EXEMPLO
1. Q · {0} é um corpo, pois Q · {0} é isomorfo a Q.

  x 0  
2 A =   / M2 (R)  é um corpo, pois A é isomorfo a R.
 0 x  

  x 0  
3. R não é isomorfo a A =    / M2 (R)  , pois o anel A tem divisores de zero. Como R
 0 y  
é um corpo, R não pode ter divisores de zero.

Note que esta proposição mostra que o isomorfismo preserva a estrutura algébrica para
o anel.

capítulo 5 • 188
ATIVIDADES
Segue alguns exercícios presentes na literatura sobre o assunto estudado.

01. Seja f: Z → Z tal que f (x) = 2x. Verifique se f é um homomorfismo de anel.

02. Seja f: C → C tal que f(x) = ( ) =x


2
f x . Verifique se f é um homomorfismo de anel.

  a 0  
03. 3. Seja A =    / M2 (R)  . Verifique se existe um isomorfismo de anel.
 0 a  

04. Verifique se o subconjunto S = {x ∈ Q / x ∉ Z} é subanel do anel (Q, +, ·).

05. Verifique se o subconjunto S = 3Z é subanel do anel (Q, +, ·).

06. Verifique se o subconjunto S = Q – Z é subanel do anel (Q, +, ·).

07. Verifique se S é subanel de M2(R).

08. O centro do anel A é o conjunto Z ( A ) = {x ∈ A / xa = ax, ∀a ∈ A} . Verifique que Z(A)


é subanel de A.

09. Marque a alternativa correta.


a) Seja f: Z · Z → Z tal que f (x, y) = x. (f não é um homomorfismo de anel).
b) Seja f: A → B tal que f (a) = 0. (f é um homomorfismo de anel).
c) Seja f: A → B tal que f (a) = a. (f não é um homomorfismo de anel).
d) Seja f: Z → Z tal que f (x) = 2x. (f é um homomorfismo de anel).
e) Seja f: Z → Z tal que f(x) = –x. (f é um homomorfismo de anel).

 x 0
10. Seja A um anel e f uma função definida de A · A em M2(A) onde f (x, y) =   . De-
0 y 
termine o N (f).
a) N (f) = {(0, 0)} d) N (f) = {(3, 0)}
b) N (f) = {(0, 1)} e) N (f) = {(0, 1)}
c) N (f) = {(2, 0)}

capítulo 5 • 189
11. Indique o ideal principal em Z6 gerados por [2].
a) {0, 2} d) {0}
b) {0, 4} e) {0, 2, 4}
c) {2, 4}

12. Considere a proposição:


Se I e J são ideais de um anel A, então I ∩ J é um ideal de A, e I ∩ J = {x ∈ A, x ∈ I e
x ∈ J}. A partir da proposição determine 2Z ∩ 3Z.
a) 2Z d) 5Z
b) 3Z e) 6Z
c) 4Z

13. Determine todos os ideais de Z8.


a) {0}, {0, 2, 4, 6}, {0, 4} e Z8 d) {0}, {0, 4} e Z8
b) {0} e {0, 2, 4, 6} e) {0, 2, 4, 6}, {0, 4} e Z8
c) {0}, {0, 2, 4, 6} e {0, 4}

14. Considere a seguinte proposição: Sejam m e n elementos do conjunto dos números


naturais. Então, mZ + nZ = dZ se, e somente se, mdc (m, n) = d. A partir dela marque a alter-
nativa que representa a operação 2Z + 3Z.
a) 5Z d) 2Z
b) 6Z e) Z
c) 3Z

15. A função β: Z → Z · Z é um homomorfismo do anel (Z, +, ·) no anel (Z · Z, +, ·). Nessas


condições, quanto é β(0)?
a) (0, 0) d) (1, 1)
b) (1, 0) e) (1, 2)
c) (0, 1)

16. Marque a alternativa que indica a função que é um homomorfismo de anéis.


a) f: R · R → R, f (x, y) = x2 e) f: R · R → R, f (x, y) = x2 – 5x + 6
b) f: R · R → R, f (x, y) = x + y
c) f: R · R → R, f (x, y) = 0
d) f: R · R → R, f (x, y) = –x

capítulo 5 • 190
17. Marque a alternativa que indica o conjunto que é ideal de R.
a) I = Z d) I = { Q[ 2 ] = {a + b 2 /a ⋅ b ∈ Q }
b) I = Q e) I = {0}
c) I = R – Q

18. Qual dos conjuntos a seguir é um ideal do anel Z?


a) I = { −4k + 1/ k ∈ Z } d) I = { −4k / k ∈ Z }
b) I = {4k + 1/ k ∈ Z } e) I = {4k / k ∈ Q }
c) I = { −4k + 3 / k ∈ Z }

LEITURA
Conflitos de Aprendizagem na Disciplina de Álgebra Abstrata. Disponível em: <http://www.
fecilcam.br/rpem/documentos/v2n2/v2n2_artigo%209.pdf>.
Introdução a Teoria de Anéis. Disponível em: <http://www.mat.ufmg.br/~marques/Apostila-Aneis.
pdf>.
Breve História da Álgebra Abstrata. Disponível em:
•  <http://www.bienasbm.ufba.br/M18.pdf>.
•  <http://ecalculo.if.usp.br/historia/dedekind.htm>.
•  <http://www.matematica.br/historia/dedekind.html>.
•  <http://pergamumweb.udesc.br/dados-bu/00001a/00001adb.pdf>.
Exemplo de um Anel de Ideais Principais que não é um Anel Euclidiano. Disponível em: <http://
www.ime.unicamp.br/~ftorres/ENSINO/MONOGRAFIAS/GA_M2_2013.pdf>.
Ideais Primos e Primitivos em Subanéis Admissíveis. Disponível em: <http://projetos.unioeste.br/
cursos/cascavel/matematica/xxiisam/artigos/08.pdf>.
Inteiros De Gauss. Disponível em: <https://www.ime.unicamp.br/~ftorres/ENSINO/.../DC_M2_
FM_2013.pdf>.

capítulo 5 • 191
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LANG, Serge. Álgebra para Graduação. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda, 2008.
GONÇALVES, Adilson. Introdução a álgebra. 5. ed. Rio de Janeiro: IMPA, 2003.
DOMINGUES, Hygino H.; IEZZI, Gelson. Álgebra moderna. 4. ed. São Paulo: Atual, 2003.
GARCIA, Arnaldo. Álgebra: um curso de introdução. Rio de Janeiro: IMPA-Projeto Euclides, 2003.
DURBIN, John R. Modern algebra: An introduction. 4th ed: Wiley, 2000.
MONTEIRO, L.H. Elementos de Álgebra. Rio de Janeiro: Livro Técnicos Científicos, 1971.

GABARITO
Capítulo 1

01. A propriedade associativa não é verificada.

02. * é operação interna em Z.

03. A operação * sobre N admite elemento neutro e = 1. A operação binária * não admite
elemento simetrizável sobre N.

04. (Z, *) não é um grupo.

05. (R, *) não é um grupo.

06. (R, *) é um grupo.

07. (Q+, *) é um grupo

08. (Z, *) não é um grupo

09. Não é um grupo, pois não existe elemento neutro para a operação.

10. Elemento neutro: e = 2 e Elemento simétrico: a ’ = 4 − a

−2 + 7
11. x ’ =
3

capítulo 5 • 192
12. (V, o) é um grupo comutativo.

0 f1 f2 f3 f4
f1 f1 f3 f3 f4

f2 f2 f1 f4 f3

f3 f3 f4 f1 f2

f4 f4 f3 f2 f1

13.

* e f g h
e f e h g

f e f g h

g h g e f

h g h f e

14.
a) f4 c) f3
b) f2 d) f1

15. (Zm, +) é um grupo comutativo ou abeliano, pois as propriedades que caracterizam um


grupo foram verificadas. Além disso, foi verificada a propriedade comutativa. Proprieda-
de associativa

_ _ _ _ _ _ _ _ _
G1 : a +  b+ c  =  a + b  + c, ∀ a, b, c ∈ Zm
   
_ _ _ _ _ _ _ _ _
a +  b+ c  =  a + b  + c, ∀ a, b, c ∈ Zm
   
_  _____   _____  _ _________ __________
a +  b + c  =  a + b  + c ⇒ a + (b + c ) = ( a + b ) + c
   

capítulo 5 • 193
Existência do elemento neutro
_ _ _ _ _ _
G2 : a + 0 = a = 0+ a, ∀ a ∈ Zm
_ _ _ _ _ _
a + 0 = a = 0+ a, ∀ a ∈ Zm
_____ _ _____
a+0=a =0+a
_ _ _ _ _ _ _
∃e = 0 ∈ Zm , ∀ a ∈ Zm tal que a + 0 = a = 0+ a

Existência do elemento inverso


_ _ _ _ _ _
G3 : a + a ’ = 0 = a ’ + a, ∀ a ∈ Zm
_ _ _____ _ _
a + a ’ = a + a ’ = 0, ∀ a ∈ Zm

_ _____
Logo a + a ’ ≡ 0 (mod m) ou que a ’ ≡ −a (mod m) ⇒ a ’ = m − a .
_
Isso nos mostra que todo elemento a ∈ Zm é simetrizável para a operação adição e seu
_____
simétrico é m − a .

Propriedade comutativa
_ _ _ _ _ _
G4 : a + b = b+ a, ∀ a, b ∈ Zm
_ _ _ _ _ _
a + b = b+ a, ∀ a, b ∈ Zm
_____ _____
a +b =b+a

16. alternativa A possui elemento neutro e = 0.

17. alternativa D 12 * (–3)= 1.

18. alternativa E m = n.

x b
19. alternativa E f −1( x ) = − , a≠0.
a a

20. alternativa C x – 1 = 10 – x.

21. alternativa B x = b.

capítulo 5 • 194
22. E.

Capítulo 2

01. A

02. A

03. B

04. D

05. D

06. B

07. C

08. D

09. E

10. B

11. C

Capítulo 3

01. D

02. E

03. B

04. A

05. C

capítulo 5 • 195
06. D

07. As classes laterais à esquerda do módulo H são:


•  0 + H = {0 + 0, 0 + 4, 0 + 8} = {0, 4, 8} = H
•  1 + H = {1 + 0, 1 + 4, 1 + 8} = {1, 5, 9}
•  2 + H = {2 + 0, 2 + 4, 2 + 8} = {2, 6, 10}
•  3 + H = {3 + 0, 3 + 4, 3 + 8} = {3, 7, 11}
•  4 + H = {4 + 0, 4 + 4, 4 + 8} = {4, 8, 0} = H
A partir destas classes laterais todas as outras classes laterais se repetem. Portanto, o
grupo quociente será G/H = {H, 1 + H, 2 + H, 3 + H}.
Observe que a adição em G/H é definida por (a + H) + (b + H) = (a + b) + H. A tábua
é a seguinte:

+ H 1+H 2+H 3+H


H H 1+H 2+H 3+H

1+H 1+H 2+H 3+H H

2+H 2+H 3+H H 1+H

3+H 3+H H 1+H 2+H

O elemento neutro do grupo quociente G/H é o H.


Como (1 + H) + (3 + H) = H temos que o inverso aditivo de 1 + H é o 3 + H.
Como (2 + H) + (2 + H) = H temos que o inverso de 2 + H é o próprio 2 + H.

08. (Ida) Suponhamos que G seja um grupo abeliano e x, y sejam elementos de G. Então,
f (xy) = (xy)–1 = y–1 x–1 = x–1 y–1 = f (x) f (y). Logo, f é um homomorfismo.
(Volta) Suponhamos que f seja um homomorfismo de G → G. Sendo assim, para quaisquer
elementos x e y de G, temos: f (xy) = f (x) f (y) → (xy)–1 = x–1y–1. Agora calculando o inverso
de cada membro desta igualdade encontraremos:

[(xy)–1]–1 = [x–1 y–1]–1 → xy = (y–1)–1 (x–1)–1 → xy = yx

Portanto, fica provado que G é um grupo abeliano.

capítulo 5 • 196
09. Vamos considerar dois elementos de G, (a,b) e (c,d). Temos que:
f ((a, b) + (c, d)) = f (a + c, b + d) = (0, 3a + 3c + 5b + 5d) = (0, (3 + 5b) + (3c + 5d))
= (0, 3a + 5b) + (0, 3c + 5d) = f (a, b) + f (c, d). Portanto, f é um homomorfismo.

10. Se f for um homomorfismo, devemos mostrar que f ( x ∗ y ) = f( x ) ∆ f( y ) ∀x, y ∈ G .


Se f não for homomorfismo, então devemos apresentar um contra-exemplo que mostre
que essa igualdade não existe.

a b  e f  a + e b + f 
Para quaisquer X =   ∈G e Y =   ∈ G, temos X + Y =  
 c d g h  c + g d + h

f (X) + f (Y) = tr (X) + tr (Y) = (a + d) + (e + h) = a + d + e + h.

Agora vejamos que f (X + Y) = f (X) + f (Y). Então f é um homomorfismo de grupos.

Capítulo 4

01. (fo (g + h)) (x) = (f (g + h)) (x) = f (2x + x + 2) = f (3x + 2) = (3x + 2)2

(fog + foh) (x) = (fog) (x) + (foh) (x) = f (g) + f(h) = f (2x) + f (x + 2) = (2x)2 + (x + 2)2 =
= 4x2 + x2 + 4x + 4 = 5x2 + 4x + 4.

Como a fo (g + h) ≠ fog + foh, temos que (A, +, o) não é um anel.

02. Suponhamos que (A, *,+) é um anel. Usando o axioma da distributividade da multiplica-
ção com relação a adição temos:
a + (b * c) = a
(b * c) + a = (b * c)

Assim, podemos notar que a + (b * c) ≠ (b * c) + a. Portanto, (A, *,+) não é um anel.

03. E

04. C

05. C

capítulo 5 • 197
06. B

07. A

08. Não é comutativo, pois

 _  1 1   _ 1 0    _ 2 0    _ 1 0   _  1 1   _ 1 1 
 2,     2,    = 1,    e  2,     2,    = 1,  
 0 0    1 0    0 0    1 0   0 0   1 1 

09.
a) Propriedade Associativa para a adição

∀x, y, z ∈ Z tem-se ( x ∗ y ) ∗ z = x ∗ ( y ∗ z )
(x ∗ y) ∗ z = x ∗ (y ∗ z)
(x + y) ∗ z = x ∗ (y + z)
x + y + z = x + (y + z)
x+y+z=x+y+z

A propriedade associativa para a adição foi verificada.

b) Existência do Elemento Neutro para a adição

x ∗e = x = e∗x
x+e=x
e=0

Existe um elemento 0 ∈ Z tal que x * 0 = 0 * x =x para todo x em Z.


Veja: x * 0 = x + 0 = 0.

c) Existência do Elemento simétrico para a adição


x∗y = e = y∗x
x∗y =e
x+y=0
y = −x
∀x ∈ Z, ∃( − x ) ∈ Z, tal que x ∗ ( − x ) = 0 = ( − x ) ∗ x
Veja : x * ( − x ) = x + ( − x ) = 0.

capítulo 5 • 198
d) Propriedade Comutativa para a adição

∀x, y ∈ Z, tem-se
x∗y = y∗x
x+y=y+x

A propriedade comutativa para a adição foi verificada.

e) Propriedade Associativa para a multiplicação

∀x, y, z ∈ Z, tem-se ( x∆y ) ∆z = x∆ ( y∆z )


( x∆y ) ∆z = x∆ ( y∆z )
0∆z = x∆0
0=0
( x∆y ) ∆z = x∆ ( y∆z ) = 0

A propriedade associativa para a multiplicação foi verificada.

f) Valem as propriedades distributivas da multiplicação em relação a adição.

x∆ ( y ∗ z ) = ( x∆y ) ∗ ( x∆z ) , ∀x, y, z ∈ Z e


( x ∗ y ) ∆z = ( x∆z ) ∗ ( y∆z ) , ∀x, y, z ∈ Z
x∆ ( y ∗ z ) = 0 = 0 + 0 = ( x∆y ) + ( x∆z ) = ( x∆y ) ∗ ( x∆z )
( x ∗ y ) ∆z = 0 = 0 + 0 = ( x∆z ) + ( y∆z ) = ( x∆z ) ∗ ( y∆z )

Logo, (Z, *, ∆) é um anel.


A propriedade comutativa para a multiplicação.
Veja que ( x∆y ) = ( y∆x ) , ∀x, y ∈ Z, pois x∆y = 0 = y∆x .
Logo, (Z, *, ∆) é um anel comutativo.
A existência de unidade no anel.
Suponhamos x ∈ Z a unidade de Z.

( x∆y ) = x ∀x, y ∈ Z
x∆y = x
0 = x, ∀x ∈ Z

Observe que temos uma contradição. Logo, (Z, *, ∆) não possui unidade.
Portanto, (Z, *, ∆) é apenas um anel comutativo.

capítulo 5 • 199
Capítulo 5

01.

Para x, y ∈ Z, temos :
f( x + y ) = 2( x + y ) = 2( x ) + 2( y ) = f( x ) + f( y )
f( xy ) = 2( xy ) ≠ f( x ) ⋅ f( y )

Logo, f não é um homomorfismo de anel.

02.

Para x, y ∈ C, temos :
_____ __ __
f( x + y ) = x + y = x + y = f( x ) + f( y )
_____ __ __
f( xy ) = x ⋅ y = x ⋅ y = f( x ) ⋅ f( y )

Logo, f é um homomorfismo de anel.

03. Começamos verificando se existe um homomorfismo.

 x 0  y 0
Sendo f: R → A, definimos f( x ) =   e f( y ) = 0 y  , ∀x, y ∈ R.
 0 x   
Temos:
x + y 0  x 0  y 0
f( x + y ) =  = + ⇒ f( x ) + f( y )
 0 x + y  0 x  0 y 
 xy 0   x 0   y 0
f( xy ) =  =  ⇒ f( x ) ⋅ f( y )
 0 xy  0 x  0 y 

Portanto, f é um homomorfismo.
Veja que a Im(f) = A. Assim, f é sobrejetora.

 x 0  0 0 
f( x ) = 0 ⇔  = ⇔x=0
0 x  0 0 

Neste caso o N(f) = {0}, a f é injetora.


Portanto, podemos concluir que existe um isomorfismo.

04. A não é um subanel de Q, pois se considerarmos dois elementos, por exemplo:

3 2 3 2
, ∈ Q, mas ⋅ = 1∉ A
2 3 2 3

capítulo 5 • 200
05. 3Z é um subanel de Q. Veja:
3Z ⊂ Q. Ele é formado pelos múltiplos de 3. Vamos considerar dois elementos
∀x, y ∈ 3Z e ∀m, n ∈ Z , temos x = 3n e y = 3m.
•  x – y = 3n – 3m = 3 (n – m), onde (n – m) ∈ Z, então x – y ∈ Z
•  xy = (3n) (3m) = 3 (n3m), onde n3m ∈ Z, então xy
Logo, 3Z é subanel de Q.

06. Q - Z não é subanel de Q. Veja:


p p
Este conjunto é formado pelas frações do tipo ∈ Q, mas ∉ Z.
q q
5 3 5 3
Por exemplo, ∈ Q − Z e ∈ Q − Z, mas − = 1∉ Q − Z
2 2 2 2

Logo, o conjunto S = Q – Z não é fechado em relação à subtração. Portanto, S não é


subanel de Q.

07. Considerando dois elementos do conjunto S:

0 x  0 w 
 z y  e  v u  , onde x, y, z, w, u, v ∈ R, temos
   
 0 x   0 w   0 x − w
 z y  −  v u  = z − v y − u  onde ( x − w ) , ( z − v ) e ( y − u) ∈ R
     
∈S

0 x  0 w   xv xu 
 z y   v u  =  yv zw + yu ∉ R
    
∉S

Logo, S não é subanel de M2(R).

08. Sejam x, y ∈ Z( A ) tal que xa = ax e ya = ay ∀a ∈ A.


Temos:
( x − y )a = xa − ya = ax − ay = a( x − y ) ∴ ( x − y ) ∈ Z( A )
( xy )a = x( ya ) = x( ay ) = ( xa ) y = ( ax ) y = a( xy ) ∴ xy ∈ Z( A )

Portanto, Z(A) é subanel de A.

09. B

10. A

capítulo 5 • 201
11. E

12. E

13. A

14. E

15. A

16. C

17. E

18. D

capítulo 5 • 202
ANOTAÇÕES

capítulo 5 • 203
ANOTAÇÕES

capítulo 5 • 204
ANOTAÇÕES

capítulo 5 • 205
ANOTAÇÕES

capítulo 5 • 206
ANOTAÇÕES

capítulo 5 • 207
ANOTAÇÕES

capítulo 5 • 208

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