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Aula TP – 29/10/2019

CONHECIMENTO

Cada área científica existe porque faz sentido e corresponde a uma necessidade.

Vivemos numa sociedade que é considerada uma sociedade do conhecimento.

O que é conhecimento?

O conhecimento diz respeito a uma representação que temos da realidade e de um determinado


fenómeno. Esta representação é o que nos permite mover de uma forma adaptativa. Portanto, os
seres humanos para se moverem adaptativamente criam representações.

Conhecimento é a representação que temos da realidade e que resulta de interações de diversos


níveis de abstração e que pode ser construído de duas grandes formas:
- Abstrato
- Concreto

O que são representações?


São ideias, crenças acerca de um determinado fenómeno.

Conhecimento pode ser construído através:

- Método indutivo: contruir representações da realidade do mais concreto para o mais


abstrato.
Por exemplo, Darwin verificou factos.
- Método dedutivo: do mais abstrato para o mais concreto.
Por exemplo, durante séculos com o paradigma do heliocentrismo “deus criou o
homem” e portanto tudo deriva daí.

No processo de conhecimento temos dois níveis de construção:

- Dependente: mais próximo das características do objeto e do facto. Mais neutro e objetivo,
mais próximo do conceito.
- Independente: em que se nota mais os processos subjetivos do individuo que constrói
conhecimento.
O conhecimento informa as nossas atitudes, comportamentos e o nosso funcionamento na resolução
dos problemas de adaptação. Portanto, o conhecimento é um instrumento valiosíssimo para o
funcionamento de cada individuo mas também da sociedade.

Diferentes formas de conhecimento contribuem para a satisfação de diferentes necessidades.

Qual o critério de validação do conhecimento?

 Critério da Eficácia - todos os indivíduos como sociedade, têm diferentes necessidades e as


sociedades/indivíduos precisam de satisfazer essas necessidades.
 Critério da Validade: daquele tipo de conhecimento porque existem formas de conhecimento
que apesar de respeitadas, na existência de evidências que demonstrem superioridade de
uma determinada resposta sobre as outras, temos a obrigação de a adotar, principalmente
enquanto fazemos disso prática profissional.

NÍVEIS DE ABSTRAÇÃO DA REALIDADE HUMANA


(processo típico de construção de conhecimento)

PARADIGMAS
TEORIAS
MODELOS

PRINCÍPIOS

RELAÇÕES
CONSTRUTOS

CONCEITOS
SÍMBOLOS

FENÓMENOS

FACTOS
FACTOS:
Quando nós o vemos e percecionamos, este, pode transformar-se em fenómeno. É algo neutro e
independente do homem.

FENÓMENOS:
São factos apreendido pelo ser-humano, é algo de que o ser-humano tem consciência. Já é um nível
de abstração da realidade porque já inclui os fatores subjetivos do individuo cognoscente.
Estes fenómenos ao serem percecionados, são simbolizados, codificados e processados, usando
determinados símbolos que nos permitem representá-los. Por exemplo, a nossa comunicação é um
meio de transmissão informação acerca de factos e de fenómenos, quer sejam internos ou externos.

Porque se distingue Factos vs. Fenómenos?


Porque o conhecer e tomar consciência de algo muitas vezes não garante a neutralidade desse
mesmo facto. Tomar conhecimento já introduz a esse facto o enviesamento do processo do individuo
o conhecer, com os estereótipos, crenças.

SIMBOLIZAÇÃO:
O ser humano com mecanismos de perceção e de compreensão da realidade desenvolveu a
simbolização. Esta é extremamente importante na sua arquitetura mental.
Estes SÍMBOLOS captam as características da linguagem e permitem a criação de um conceito.

CONCEITO:
É uma construção da realidade mais abstrata que um facto, o conceito já capta factos. São
informativos relativamente à realidade que o mesmo se refere. Os conceitos tendem a ser neutros,
ou seja, mais objetivos e mais próximos das características do fenómeno.
Contudo, após isto, dá-se efetivamente o primeiro “salto” de nível de abstração porque às vezes a
construção que fazemos de determinados fenómenos é influenciado mais pelas características
subjetivado do individuo do que pelas características objetivas do facto.

CONSTRUTO:
Nível de elaboração de um fenómeno que descreve esse mesmo tendo em consideração já uma
perspetiva subjetiva/ construída/ teórica e posicionamento sobre o fenómeno. Ou seja, depende
mais do que o sujeito está a falar do que a característica do objeto (exemplo de ancora). Já diz
respeito a um conceito que é definido de acordo com determinados aspetos subjetivos.
Ter diferentes construtos permite-nos a construção de RELAÇÕES/associações, entre vários conceitos
e construtos. Ou seja, ter vários conceitos, como por exemplo, “Mãe-fome-leite”, se juntar os 3 tem-
se um padrão “quando com fome mãe dá leite”. Isto leva a criar uma representação deste conceito,
que são estas associações que nos leva a criar padrões, significados, princípios…
Isto leva a desenvolver Modelos Explicativos da Realidade – são descrições das relações entre
diversos princípios que explicam e captam a representação de algo.

PRINCIPIOS/ LEIS:
São a descrição de uma regra. É algo mais simples, que faz parte e permite uma lei.
MODELOS:
São descrições das descrições de vários PRINCÍPIOS.

TEORIA:
É uma explicação que fazemos acerca da realidade.

PARADIGMAS:
São um conjunto de princípios de verdades, partilhados por uma determinada sociedade num
determinado momento temporal e que serve de enquadramento às práticas e pensamento dessa
sociedade nesse período.
Os paradigmas alteram-se porque ao longo de séculos tantos factos e fenómenos a provar o oposto,
levou a alteração de um paradigma.
Exemplos: Geocentrismo – dominou o desenvolvimento de teorias e modelos ao longo de seculos, e
filtrava aquilo que era aceite como verdade e adequado.
Os paradigmas alteram-se porque ao longo de séculos tantos factos e fenómenos a provar o oposto,
levou a alteração de um paradigma.

PARADIGMAS → Abstrato
DEDUTIVO

INDUTIVO

FACTOS → Concreto
Aula TP – 05/11/2019

Ao longo do tempo o ser-humano foi tendo respostas para satisfazer as suas necessidades, através
da acumulação de conhecimento de gerações anteriores, que resultou em respostas mais ou menos
adaptativas. A espécie humana atualmente está organizada para se adaptar através do
conhecimento.

Globalização da Sociedade:
Nas sociedades que estão a emergir, o domínio do conhecimento será equivalente a uma “arte” dos
nossos antepassados – a arte associada à mestria de uma determinada competência.

A evolução do conhecimento será cada vez maior, dando mais valor às sociedades do conhecimento.

Nos dias de hoje, o conhecimento é uma mais valia, contudo deverá ser bem empregado pois sofre-
se o risco manipulação das emoções/fragilidades das pessoas através de ideologias extremistas não
viáveis.

A construção do conhecimento tornou-se não apenas um luxo mas sim uma necessidade para os
indivíduos pois quem não tem acesso à mesma, têm as suas capacidades de adaptação hipotecadas.
Eticamente hoje em dia tem de se dar recursos de desenvolvimento adaptativo a todos os indivíduos.

UNIVERSIDADE:
- Meio onde se transmite conhecimento de forma rigorosa;
- Locais especializados na produção e entrega de conhecimento e técnicas;
- Condutas eficazes para a satisfação de necessidades;
- Os professores universitários têm de fazer investigação para puderem fornecer os
desenvolvimentos do conhecimento: reunir o saber mais atual.

Porque é que é importante que o conhecimento tenha determinadas regras e seja produzido de
determinadas formas?
- O nosso cérebro engana-nos acerca da realidade, daí as construções de conhecimento dos
antepassados serem produtos do engano do cérebro. São explicações tão simplistas e
baseadas nos sentidos, assim fomos aprendendo que não devemos nos alicerçar em
impressões e o quão fácil o cérebro nos pode enganar.
- Simultaneamente existimos da dimensão experiencial (cada um de nós sente) e abstrata (no
universo somos um grão de areia) – este nível de complexidade torna o ser-humano
extraordinário – é a abstração/consciência que nos permite ter uma representação cognitiva
da realidade através de imagens, padrões, representações simbólicas/abstratas.
o Dimensão experiencial: os processos desenvolvidos são básicos e precetivos
o Dimensão abstrata: os processos são de ordem superior e simbólicos, de lógica e
preposições que permitem a simbolização da realidade de forma lógica.

Conhecimento da Realidade Autorreferenciada/experiencial:


Processo sistemático de produção de conhecimento que nos permite controlar o enviesamento da
realidade e dar fiabilidade ao conhecimento científico.

 Conhecimento Subjetivo: processo centrado no sujeito.


 Conhecimento Objetivo: processo centrado no objetivo em que o ser-humano precisa de se
concentrar para conhecer as características do objetivo.
Aula TP – 26/11/2019
Acumulação de contribuições:
Em ciência não se descobrem verdades absolutas mas sim de aproximação da realidade.

O teste estatístico testa se há diferenças com base no número da amostra e características da mesma.

Quando o p=000, em que p é a margem de erro, há diferenças porque rejeita a Ho (“não há ≠…”).

Processo de Produção de Conhecimento


 Sistemático
 Típico têm em consideração o fenómeno em causa
 Organizado

Fases da Produção de Conhecimento


1. Fase da Problematização: em geral um processo começa por uma questão de investigação,
que corresponde à fase de problematização. Levantam-se questões olhando para a realidade
e depois problematiza-se.

2. Fase da Revisão da Literatura: levantar questões leva-nos a pensar nas coisas como, por
exemplo, “o que é que já se sabe sobre isto?”. Importa perceber o que já foi feito.

3. Fase das Hipóteses: antecipa hipóteses que vão ser testadas. Termina a fase da
fundamentação e inicia-se a experimentação.
- As hipóteses são proposições testáveis, claras, não-ambíguas e objetivas.

4. Fase dos Métodos: métodos que vão ajudar a testar as hipóteses.


- Participantes
- Instrumentos
- Procedimentos
- Recolha
- Analise

5. Fase da Descrição dos Resultados: tendo os resultados procedemos à descrição dos mesmos.

6. Fase da Discussão dos Resultados: perceber o significado daqueles resultados em relação


aquilo que já se sabe.
7. Fase de Comunicação dos Resultados: existem diversas formas de comunicação de
resultados, por exemplo, através de uma dissertação ou tese (comunicar à comunidade
cientifica), artigos científicos, conferências…
Possíveis questões para cada fase:
o “Qual o estado do conhecimento?” – Revisão da Literatura
o “O que vou testar?” – Hipóteses
o “Como vou fazer?” – Métodos
o “O que é que encontrei?” – Resultados
o “O que significa?” – Discussão
o “O que interessa a quem?” – Comunicação

FASES APLICADAS NA ESTRUTURA DE ARTIGO CIENTIFICO:

 Problematização ➜ Título
 Revisão ➜ Introdução/fundamentação (é nesta fase que se descreve as variáveis)
 Métodos ➜ Metodologia
 Descrição dos resultados ➜ Resultados
 Discussão dos resultados ➜ Discussão
 Comunicação dos resultados ➜ Referências bibliográficas
Aulas TP – 03/12/2019 – 17/12/2019

Problematização
↳ Questão de Investigação (tema/circuncisão)
↳ Tem de ser pensada num determinado contexto, numa rede conceptual.

Por exemplo: Quando falamos em Psicologia a nossa localização conceptual remete-se para uma
determinada dimensão de um comportamento.
Quando delimitamos a área de investigação estamos a delimitar um conjunto de fenómenos que
entram na área, ou seja, estamos a cingir ao mapa concetual pelo qual a questão de investigação se
rege.

TEMA:

 É um nível dentro de um conceito maior (é um tema dentro de uma estrutura concetual).


 É uma área/zona concetual ou disciplinar.

PROBLEMATIZAÇÃO:

 Identificar a problematização já é circunscrever a um fenómeno concreto.


 A problematização varia de uma preposição simplista a complexa.
 As questões simplistas só têm 2 variáveis.
 Variável = fenómeno físico, psicológico, biológico que pode assumir diferentes valores.
 Variáveis dicotómicas (masculino/feminino);
 Introduzir variáveis complexifica e delimita a problematização.

ESTUDOS DESCRITIVOS
Será que A x B?

x = “se relaciona” ➜ É o verbo (tipo de problematização que estamos a levantar)

 Estudos descritivos descrevem uma determinada variável num determinado fenómeno.


 Estes estudos problematizam o fenómeno, descrevendo-o.
 Os verbos “ser”/ “estar” têm de estar implícitos na problematização dos fenómenos.
 Descrevem as propriedades da realidade – Quais as propriedades/constituintes da realidade?
 Exemplos de Estudos Descritivos:
- Estudo de Indivíduos: descrever de forma individualizada características;
- Epidemiologia: comparar indivíduos para perceber as semelhanças e se existe variância
nesses grupos (descrição do fenómeno entre vários grupos);
- Estudos de Larga Escala: caracterizar o fenómeno na população geral, criando leis gerais.

ESTUDOS DE CORRELAÇÃO / ASSOCIAÇÃO

Como se associam diferentes componentes ou diferentes variáveis?


Verbo = “e”

 Há Correlação quando a tendência de variação é semelhante e proporcional.


 Estes estudos permitem-nos predizer um determinado fenómeno.
 Descrevem a associação de 2 variáveis e em que essa associação pode ser positiva (correlação
positiva) ou negativa (correlação negativa).
 Testes Estatísticos de Correlação = através destes é possível perceber se existe correlação /
covariância entre a associação das variáveis.

ESTUDOS DE CAUSALIDADE

Verbo = “impacto” / “provoca” / “é efeito”

 Estes estudos descrevem de que forma uma variável é causa de efeito na outra.

ESTUDOS EXPERIMENTAIS

A ➜ B
efeito
A (causa) = Variável Independente – os seus valores são independentes da outra variável.
B (consequência) = Variável Dependente

O que causa determinado efeito?

 Manipula-se a variável independente para exercer/influenciar a outra variável:


 Manipulação de variáveis: permite desenvolver componentes que têm efeito noutra
variável.
 Existem:
 Variáveis independentes
 Variáveis dependentes
 Variáveis parasita/controlo
 Grupo experimental: manipulação da variável dependente
Grupo de controlo: manipulação da variável independente
 Condição Experimental: testar um efeito nas 2 variáveis
 Aleatoriedade: condição que cumpre todos os critérios para ser um estudo experimental.
 Estudos quase-experimentais: a amostra é selecionada por conveniência.

Estudos Anteriormente Falados: Recolhem dados empíricos, analisam os dados e constroem uma
nova e completa representação da realidade.
Aulas TP – 07/01/2020

ESTUDOS TEÓRICOS

 Analisam outros estudos e fazem uma síntese dos resultados de uma forma mais integradora,
para produzir conhecimento.
 O nível de análise da realidade não é empírico mas sim de síntese integradora.
 Vários estudos convergem para responder a uma questão de investigação.

Os estudos Meta-analíticos e de Revisão Sistemática são os mais citados, pois fazem uma
fundamentação teórica muito robusta num determinado tema com investigadores muito
experimentes.

 Revisões Sistemáticas (síntese qualitativa):

Fazem uma revisão sistemática dos estudos existentes, passando por um determinado conjunto de
critérios, isto é, fazem uma representação muito robusta acerca de uma temática. Fazem uma síntese
do que foi publicado num determinado espaço temporal.

Processo de um Estudo Teórico / Revisão Sistemática:


1. Indentificação
2. Screening
3. Elegibilidade
4. Incluídos

 Meta-Análises (síntese quantitativa):

Ao invés de fazer uma síntese das conclusões, faz-se uma análise global dos indicadores dos vários
estudos analisados, fazendo deles variáveis individuais.
Aulas TP – 21/01/2020

METODOLOGIA

1. Participantes / Amostra: têm de ter as características necessárias para generalizar.

 Amostra: diz respeito a uma representação de um grupo maior – retirar exemplares de algo
maior como representativo.
 As pessoas que participam num estudo em Psicologia não se chamam de “amostra” pois é
considerado algo redutor.
 De acordo com as hipóteses que se está a testar, os participantes devem ter as características
necessárias para haver congruência com o que se está a estudar, assim:
o Critérios de inclusão: de entre todos os indivíduos possíveis os participantes devem
ter características que os tornam adequados e representativos do grupo que se está a
estudar. Tem de se definir critérios que os participantes devem ter.
o Critérios de exclusão: indivíduos que não cumpram com o critério de elegibilidade.

 Técnicas de Amostragem (seleção dos participantes): uma vez definido o perfil de quem
queremos, precisamos de selecionar os participantes, atendendo a:
1. Universo – todos os indivíduos
2. População – indivíduos que permitem uma generalização dos resultados
3. Amostra – exemplares representativos

- Técnicas Probabilísticas: a seleção de um individuo é baseado na probabilidade, que cada


um tem de ser representativo no que se está a estudar.
 Aleatória simples: seleção aleatória da amostra.
 Estratificada: técnica que considera a estrutura que a população tem para a
seleção da amostra (dentro desta existem múltiplas variantes).
- Técnicas Não-Probabilísticas: os critérios da constituição da amostra tem de ser
característicos da população mas não são feitas fórmulas probabilísticas.
 Amostra por conveniência: não são tão fiáveis pois os indivíduos podem não ser
totalmente representativos da população. São indicadores de tendências contudo
para fazer leis gerais tem de se replicar estas tendências (ex.: bola de neve =
identificam o individuo com determinada característica e depois o mesmo
identifica outro individuo com as mesmas características).
A seleção dos participantes pode pôr em causa as conclusões.

2. Instrumentos: servem para captar as variáveis.

 As características dos instrumentos permitem avaliar o que se consegue adequar ou não.


 Os instrumentos têm de ser escolhidos em função:
o Variável que se está a estudar
o Construto
o Características psicométricas: instrumentos que estão concebidos para ser uma medida
de “coisas” psicológicas – ter características específicas para captar os processos
psicológicos.
 Validade
 Sensibilidade Sem estas características estamos a hipotecar os testes
 Fiabilidade

3. Procedimentos: como vamos recolher os dados.

 Recolha de dados
 Análise de dados – deve ficar clarificado como tudo foi realizado.

NOTA: ver melhor esta aula no livro “Metodologia da Investigação em Psicologia e Educação”.

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