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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO

PUC-SP

Cláudia Campestrini Pinto

O Estado da Arte: Previdência Social e Complementar Brasileira na


Perspectiva do Envelhecimento

MESTRADO EM GERONTOLOGIA

SÃO PAULO
2017
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO
PUC-SP

Cláudia Campestrini Pinto

O Estado da Arte: Previdência Social e Complementar Brasileira na Perspectiva do


Envelhecimento

MESTRADO EM GERONTOLOGIA

Dissertação apresentada à Banca Examinadora da


Pontifícia Universidade Católica de São Paulo,
como exigência parcial para obtenção do título de
MESTRE em Gerontologia. Dissertação inserida na
área de concentração Gerontologia Social, linha de
pesquisa com ênfase em Gerontologia: Processos
Políticos-Institucionais e Práticas Sociais do
Programa de Estudos Pós-Graduados em
Gerontologia, vinculado à Faculdade de Ciências
Humanas e da Saúde (FACHS), da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo, sob orientação
da Profª. Dra. Maria Helena Villas Bôas Concone.

SÃO PAULO
2017
Banca Examinadora

____________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________
Dedico está conquista:

Aos meus pais Aníbal e Gema,

À minha querida filha Luana,

À minha família, que sempre me apoiou e incentivou na


trajetória dos meus estudos e por toda ajuda e compreensão
para que eu pudesse desenvolver esta pesquisa.
Um agradecimento especial a (CAPES-PROSUP) pela bolsa módulo taxa
concedida, que me permitiu abster de um dia por semana do meu trabalho
remunerado, para que eu pudesse me dedicar aos estudos das disciplinas e ao
desenvolvimento desta pesquisa.
AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus pela oportunidade de desenvolver um trabalho de pesquisa


científica e de estar realizando um sonho.

A Profª. Drª. Maria Helena Villas Bôas Concone, minha orientadora, pelo
apoio, incentivo e orientação.

A Profª. Drª Maria Elisa Gonzales Manso, ao Profº. Drº. Luiz Alberto David
Araujo, pelo carinho, acolhida e aceite em participar da banca examinadora desta
dissertação, e as contribuições de extrema valia durante minha orientação.

A Profª. Drª. Beltrina Corte, pela compreensão, apoio, paciência e todo


incentivo para que esta pesquisa fosse realizada.

A todos os professores do Programa de Estudos Pós-Graduados em


Gerontologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), pelas
disciplinas ministradas com tanto conhecimento e pelo incentivo à pesquisa
científica, que contribuíram para o meu desenvolvimento intelectual e profissional.

Ao Rafael Arbeche assistente da coordenação do Programa pela atenção e


apoio administrativo.

Ao Bruno Fuzzo pela contribuição na conferência da lista de quadros e


tabelas.

Especialmente ao Profº Walter Vicioni Gonçalves, por ter permitido se abdicar


do trabalho um dia da semana para me dedicar às disciplinas e ao desenvolvimento
desta pesquisa.

Aos meus pais que desde criança me apoiaram e me incentivaram nos meus
estudos para meu aprendizado e crescimento intelectual.

Gratidão à minha filha Luana, uma das minhas maiores incentivadoras,


participando comigo e fazendo-me companhia nas horas de dedicação aos estudos
e pesquisas em casa.
A minha irmã Natalia, com quem dividi minha casa, pela paciência e
compreensão em todos os momentos em que fiquei exausta.

As novas amizades que conquistei durante o período do curso e todo carinho


dos novos amigos.

Aos autores utilizados como referencial teórico nesta dissertação, obrigada


pelos conhecimentos compartilhados e adquiridos durante esta pesquisa.
LISTA DE ILUSTRAÇÃO

Figura 1. Brasil: despesas com previdência – aposentadorias e pensões por morte


do RGPS e do RPPS (2020-2060)............................................................................ 26

Figura 2. Transição Demográfica - Brasil (1880-2050)..............................................29

Figura 3. Taxa de Fecundidade Total– Brasil e Regiões (1940-2010)......................30

Figura 4. Taxas de fecundidade total, segundo as Unidades da Federação – 2000-


2030............................................................................................................................31

Figura 5. Taxas específicas de fecundidade, segundo os grupos de idade Brasil


(2000-2060)................................................................................................................32

Figura 6. Proporção de óbitos por causas segundo os grupos de idade- Homens-


Brasil, 2009................................................................................................................ 33

Figura 7. Proporção de óbitos por causas segundo os grupos de idade- Mulheres-


Brasil, 2009................................................................................................................ 33

Figura 8. BRASIL E GRANDES REGIÕES: Esperança de Vida ao Nascer– Brasil e


Grandes Regiões (1940-2010)...................................................................................34

Figura 9. Esperança de Vida ao Nascer– Brasil e Grandes Regiões (1940-


2010)..........................................................................................................................35

Figura 10. Bônus Demográfico..................................................................................36

Figura 11. Percentual da População por Faixa Etária...............................................37

Figura 12. Relação entre PIA e população idosa: número de pessoas em idade ativa
(15 a 64 anos) por idoso (65 anos ou mais)...............................................................38
Figura 13. Brasil: pirâmides populacionais sobrepostas (1980, 2010 e
2060)..........................................................................................................................39

Figura 14. Razão de dependência demográfica no Brasil (1950-2100)....................40

Figura 15. Figura 15. Razão de Dependência (total e por grupos etários) -Variante
Média - Brasil, 2000 a 2050....................................................................................... 41

Figura 16. Brasil: despesas com previdência – aposentadorias e pensões por morte
do RGPS e do RPPS (2020 a 2060)..........................................................................42

Figura 17. Distribuição das pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas na


semana de referência, por sexo, segundo as Grandes Regiões – 2º trimestre de
2013............................................................................................................................77

Figura 18. Distribuição das pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas na


semana de referência, por posição na ocupação no trabalho principal, segundo as
Grandes Regiões – 2º trimestre de 2013...................................................................78

Figura 19. Percentual de pessoas com carteira de trabalho assinada na população


de pessoas de 14 anos ou mais de idade, empregadas no setor privado no trabalho
principal, segundo as Grandes Regiões – 2º trimestre de 2012 e
2013............................................................................................................................79

Figura 20. Evolução da Projeção da Necessidade de Financiamento do RGPS –


2014-2060..................................................................................................................90
LISTA DE QUADROS

Quadro 1. Descritores - “Previdência Social e Envelhecimento (2006-


2016)”.........................................................................................................................51

Quadro 2. Descritores: “Previdência Social e Demografia (2006-


2016)”.........................................................................................................................53

Quadro 3. Descritores - “Previdência Complementar e Economia (2006-


2016)”.........................................................................................................................55
LISTA DE TABELAS

Tabela 1. Número de trabalhos pesquisados e selecionados (2006-


2016)......................................................................................................................... 49

Tabela 2. Resumo dos Resultados das Simulações.................................................75


LISTA DE QUADROS

Gráfico 1. Número de Trabalhos Pesquisados de “Previdência Complementar”


(2006-2016)................................................................................................................50
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AEPS Anuário Estatístico da Previdência Social.

ABRAPP Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência


Complementar.

AT Annuity Table.

BDTD Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações.

BPC Benefício de Prestação Continuada.

CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

CF Constituição Federal.

CNPC Conselho Nacional de Previdência Complementar.

CNPS Conselho Nacional de Previdência Social .

CMN Conselho Monetário Nacional.

DASIS Diretoria de Apoio Administrativo ao Sistema de Saúde.

Dra Doutora.

Dro Doutor.

EAPC Entidade aberta de previdência complementar.

EC Emenda Constitucional.
EFPC Entidade fechada de previdência complementar.

FACHS Faculdade de Ciências Humanas e da Saúde.

FGV Fundação Getúlio Vargas.

FUNCEF Fundo de Previdência dos Empregados da Caixa.

FUNPRESP Fundo de Previdência Complementar do Servidor Público Federal.

IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

IBCIT Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia.

INPC Índice Nacional de Preços ao Consumidor.

IPEA Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

LOA Lei Orçamentária Anual.

LOAS Lei Orgânica da Assistência Social.

LOPS Lei Orgânica da Previdência Social.

MS Ministério da Saúde.

nº Número.

OCDE Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

OMS Organização Mundial da Saúde.

ONU Organização das Nações Unidas (ONU).


PAC Programa de Aceleração do Crescimento.

PETROS Fundação Petrobras de Seguridade Social.

PEA População economicamente ativa.

PIB Produto Interno Bruto.

PNAD Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

PPA Planos plurianuais.

PREVI Funcionários do Banco do Brasil.

PREVIC Superintendência Nacional de Previdência Complementar.

Prof° Professor.

Profa Professora.

PROSUP Programa de Suporte à Pós-Graduação de Instituições de Ensino


Particulares.

RGPS Regime Geral de Previdência Social.

RPPS Regime Próprio de Previdência Social.

SIM Sistema de Informação sobre Mortalidade.

SVS Secretária de Vigilância em Saúde.

UFPB Universidade Federal da Paraíba.

UFRN Universidade Federal do Rio Grande do Norte.


UnB Universidade de Brasília.

UNESP Universidade Estadual Paulista.

WSK Welfare State Keynesiano.


RESUMO

PINTO. C. C. O ESTADO DA ARTE: PREVIDÊNCIA SOCIAL E COMPLEMENTAR


BRASILEIRA NA PERSPECTIVA DO ENVELHECIMENTO. São Paulo: Dissertação
de mestrado em Gerontologia. Programa de estudos Pós-graduados em
Gerontologia; Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2017.

A revolução demográfica do século XXI sinaliza o rápido processo de


envelhecimento no mundo, revelando um marco histórico na sociedade
contemporânea que é a Revolução da Longevidade, fazendo com que as noções
existentes de velhice e de aposentadoria sejam repensadas, com o aumento da
expectativa de vida. Uma população idosa apresenta desafios sociais e econômicos,
com mudanças sistemáticas e endógenas no comportamento econômico,
especialmente sobre a poupança. Este cenário requer ajustes e reformas na
previdência social e estímulo na previdência complementar auxiliando as pessoas
para uma situação financeira mais equilibrada ao longo da vida, gerando bem-estar
das famílias. O objetivo desta pesquisa foi delinear as abordagens cientifícas do
envelhecimento no Brasil, identificando nessas abordagens a intenção de colaborar
com as definições de políticas públicas no âmbito da previdência social e da
previdência complementar. O método utilizado foi o de revisão bibliográfica
denominada “estada da arte” do tipo retrospectivo e secundário. Com a definição
dos descritores a pesquisa foi realizada nas teses e dissertações publicadas dos
últimos 10 anos (2006 a 2016). Na análise qualitativa constatou-se que a
necessidade de reformas e ajustes na previdência social e a importância do fomento
da previdência complementar, como instrumento de poupança de longo prazo
proporcionará bem-estar social para as famílias e contribui, sobretudo para o
desenvolvimento do País. Conclui-se que o envelhecimento engendra grande
desenvolvimento humano e desafios na elaboração de políticas públicas em
diversas áreas, sobretudo cria oportunidades em novos produtos e serviços.
Enfrentar os desafios de forma previdente permitirá o envelhecimento das pessoas
com dignidade e segurança numa abrangente transformação social da sociedade
contemporânea.

Palavras-Chave: Envelhecimento. Previdência social. Previdência complementar.


Idoso.
ABSTRACT

PINTO. C. C. THE STATE OF ART: BRAZILIAN SOCIAL SECURITY AND


PENSION FUNDS IN THE AGING APPROACHES. São Paulo: Master's Dissertation
in Gerontology. Program of post-graduate studies in Gerontology; Pontifical Catholic
University of São Paulo, 2017.

The twenty-first century demographic revolution signals the rapid aging process in
the world, revealing a historical milestone in contemporary society that is the
Longevity Revolution, making existing notions of old age and retirement rethought,
with increased life expectancy. An elderly population presents social and economic
challenges, with systematic and endogenous changes in economic behavior,
specially on savings. This scenario requires adjustments and reforms in social
security and stimulus in pension funds helping people to a more balanced financial
situation throughout the life, generating welfare of the families. The objective of this
research was to outline the scientific approaches to aging in Brazil, identifying in
these approaches the intention of collaborating with the definitions of public policies
in the scope of social security and pension funds. The method used was the
bibliographic review called "state of the art" of the retrospective and secondary type.
With the definition of the descriptors the research was carried out in theses and
dissertations published during the last 10 years (2006 to 2016). In the qualitative
analysis, it was observed that the need for reforms and adjustments in social security
and the importance of fostering complementary social security as a long-term savings
instrument provides social welfare for families and contributes, above all, to the
country's development. It is concluded that aging engenders great human
development and challenges in the elaboration of public policies in diverse areas,
mainly creates opportunities in new products and services. Facing challenges in a
provident way will allow the aging of people with dignity and security in a
comprehensive social transformation of contemporary society.

Keywords: Aging. Social Security. Pension Funds. Elderly.


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 21

CAPÍTULO 1 – OBJETIVOS..................................................................................... 45

1.1 Objetivo Geral ..................................................................................................... 45

1.2 Objetivos Específicos .......................................................................................... 45

CAPÍTULO 2 – METODOLOGIA .............................................................................. 46

CAPÍTULO 3 – RESULTADOS E DISCUSSÃO ....................................................... 48

3.1 Descritores - “Previdência Social e Envelhecimento (2006-2016)” .............. 56

3.1.1 Trabalho I: Ensaios sobre seguridade social no Brasil ..................................... 56

3.1.2 Trabalho II: A Previdência Social no estado contemporâneo:

Fundamentos,financiamento e regulação ................................................................. 58

3.1.3 Trabalho III: O “fardo” da velhice e do envelhecimento: subjetividades e

políticas públicas no Brasil. ....................................................................................... 59

3.1.4 Trabalho IV: Envelhecimento, ciclo de vida e mudanças socioeconômicas:

novos desafios para os sistemas de seguridade social ............................................. 61

3.1.5 Trabalho V: Reforma da Previdência Social: simulações e impactos sobre os

diferenciais de gênero ............................................................................................... 63

3.1.6 Trabalho VI: Ensaio de uma didática da matemática com fundamentos na

pedagogia histórico-crítica utilizando o tema seguridade social como eixo

estruturador ............................................................................................................... 65

3.1.7 Trabalho VII: Mudança do regime previdenciário de repartição para o regime

misto: uma perspectiva para o Brasil ........................................................................ 67


3.1.8 Trabalho VIII: Economia da Longevidade: O envelhecimento da população

brasileira e as políticas públicas para os idosos........................................................ 69

3.2 Descritores: “Previdência Social e Demografia” (2006-2016) ....................... 71

3.2.1 Trabalho I: A Dinâmica demográfica e a sustentabilidade do modelo de

financiamento do regime geral de previdência social ................................................ 71

3.2.2 Trabalho II: Um Estudo sobre a Mortalidade dos Aposentados Idosos do

Regime Geral de Previdência Social do Brasil no período de 1998 a 2002 .............. 73

3.2.3 Trabalho III: A Previdência Social Brasileira após a transição demográfica:

Simulações de Propostas de Reforma ...................................................................... 74

3.2.4 Trabalho IV: Estado, Políticas Públicas e Previdência Social no Brasil: uma

Análise a partir da Aposentadoria por Tempo de Contribuição ................................. 79

3.3 Descritores: “Previdência Complementar e Economia” (2006-2016) ........... 81

3.3.1 Trabalho I: As entidades fechadas de previdência complementar enquanto

instrumentos de atuação do estado na economia ..................................................... 81

3.3.2 Trabalho II: A importância da previdência complementar e os reflexos no

contexto brasileiro ..................................................................................................... 85

3.3.3. Trabalho III: A regulação da previdência complementar fechada sob a

perspectiva da economia comportamental e a adesão automática como proposta

para a mitigação de vieses cognitivos ....................................................................... 87

CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 89

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 96


21

INTRODUÇÃO

Temática e Problematização

A previdência é a mais importante de todas as causas que tornam a vida


humana diferente da dos animais (...). A inteligência, como o exemplifica a
história humana, tem duas formas principais: previsão e técnica (RUSSEL,
1983, p.16, apud, HORVARTH JÚNIOR, 2006, p. 23).

Em consonância com Beauvoir (1990):

Quando compreendemos o que é a condição dos velhos, não podemos


contentar-nos em reivindicar uma “política de velhice” mais generosa, uma
elevação das pensões, habitações sadias, lazeres organizados. É todo o
sistema que está em jogo, e a reivindicação só pode ser radical: mudar a
vida (BEAUVOIR, 1990. p. 665).

O propósito desta dissertação é delinear o estado da arte das abordagens


científicas do envelhecimento no Brasil. Queremos identificar nessas abordagens a
intenção de colaborar com as definições de políticas públicas no âmbito da
previdência social e como a previdência complementar pode estimular o crescimento
da poupança privada na estrutura etária da população em crescimento econômico.

No Brasil existem três pilares no regime previdenciário. Dois deles são


obrigatórios, e operados por órgãos públicos, que recolhem a contribuição e pagam
os benefícios aos aposentados e pensionistas. Um dos sistemas compulsórios é o
Regime Geral de Previdência Social (RGPS), operado por órgãos públicos, que
recolhem a contribuição e pagam os benefícios aos aposentados e pensionistas
(TAVARES, 2012, p. 57). É responsável pela substituição da renda do trabalhador
contribuinte quando ele perde a capacidade de trabalho, seja por doença, invalidez,
idade avançada, morte ou desemprego involuntário, ou ainda por maternidade ou
reclusão, previstos no artigo 18 da Lei nº 8.213, de 24/07/1991 que dispõe sobre os
planos de benefícios da Previdência Social (BRASIL, 1991).

A partir dos 16 anos, os cidadãos podem se inscrever na Previdência Social,


e todo trabalhador com carteira assinada é automaticamente filiado à Previdência
Social. Quem trabalha por conta própria precisa se inscrever e contribuir
mensalmente para ter acesso aos benefícios previdenciários. É importante manter
22

as contribuições em dia para ter os direitos garantidos, previstos na Lei nº 8.213, de


24/07/1991 (BRASIL, 1991).

A segunda forma de previdência oficial é o Regime Próprio de Previdência


Social (RPPS), também obrigatória. Destina-se exclusivamente aos funcionários
públicos Federais, Estaduais, Municipais e do Distrito Federal (IBRAHIM, 2009, p.
31).

Em vez de contribuírem para o Regime Geral da Previdência Social, esses


servidores contam com um sistema próprio de contribuição.

Alguns estados, entretanto, e principalmente, municípios optam pela adesão


ao Regime Geral em vez de constituir um Regime Próprio, devido a dificuldades
financeiras ou em função da quantidade elevada de segurados subordinados à
administração pública. No entanto, os novos servidores públicos federais (titulares
de cargos efetivos, suas autarquias e fundações, inclusive funcionários da União
vinculados ao poder judiciário, ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas)
deverão contribuir para a previdência complementar se quiserem ter uma
aposentadoria condizente com o salário que recebem na ativa.

Em maio de 2012, entrou em vigor a Lei nº 12.618 que instituiu novo regime
de previdência complementar para o funcionalismo federal. A gestão da nova
previdência será de responsabilidade do Fundo de Previdência Complementar do
Servidor Público Federal (FUNPRESP) e cada um dos poderes da União terá o seu
próprio fundo (BRASIL, 2012).

O terceiro regime é o de previdência complementar facultativo; de caráter


complementar, é integrada por dois segmentos distintos com características
próprias: Previdência Complementar Fechada, conhecida como Fundos de Pensão,
e Previdência Complementar Aberta, formada por empresas com fim único de operar
nesse segmento ou por seguradoras que criam e administram planos de benefícios.
(TAVARES, 2012, p. 57).

A previdência social no Brasil está amparada na Constituição Federal de


1988, sendo uma organização estatal que ampara seus beneficiários nos riscos
sociais coletivos, de forma contributiva e compulsória. O Estado no papel provedor
23

de Bem-Estar Social tem por objetivo aliviar o desequilíbrio social, da proteção social
aos trabalhadores de forma compulsória e contributiva, sendo da competência
unicamente da União para legislar sobre seguridade social artigo 22, XXIII da
Constituição Federal (CF) (BRASIL, 1988).

Os direitos relativos à previdência social fazem parte dos assim denominados


direitos fundamentais sociais, os quais, de acordo com o disposto pelo art. 6º da
Constituição Federal de 1988, são os direitos à educação, à saúde, ao trabalho, à
moradia, ao lazer, à segurança, à previdência social, à proteção à maternidade e à
infância, à assistência aos desamparados (TAVARES, 2012).

Entende-se que os direitos sociais são os direitos de igualdade, ou seja,


aqueles que têm o escopo de fazer com que o Estado atue de maneira positiva,
garantindo, assim, a dignidade humana de todos os cidadãos.

De acordo como citado no artigo 194 da Constituição Federal de 88, a


seguridade social consiste em um conjunto de ações de iniciativa dos Poderes
Públicos e da sociedade, destinado a assegurar o direito à saúde, à previdência
social e à assistência social (BRASIL, 1988).

Segundo a forma resumida por Leite, apud, Balera (1998, p. 17) 1, o conceito
de seguridade social é o conjunto de medidas com as quais o Estado, procura a
atender às necessidades básicas do ser humano, proporcionando tranquilidade ao
dia de amanhã.

Assim, o Estado também deverá prestar serviços de assistência social cujos


objetivos estão explicitados no artigo n° 203 da Constituição Federal (Texto
promulgado em 05/10/1988) e transcrito a seguir na íntegra:

Seção IV- DA ASSISTÊNCIA SOCIAL

Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar,


independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por
objetivos:

1
Este conceito está exibido no livro Curso de Direito Previdenciário, organizado por Wagner Balera.
São Paulo. LTr, 1998.
24

I- a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice;

II - o amparo às crianças e adolescentes carentes;

III - a promoção da integração ao mercado de trabalho;

IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a


promoção de sua integração à vida comunitária;

V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora


de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à
própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a
lei (BRASIL, 1988).

As políticas públicas governamentais com a participação da sociedade visam


atender, as necessidades básicas da população, com benefícios e serviços
oferecidos nas áreas de Previdência Social, Saúde e Assistência Social, porém,
neste trabalho o tema que será desenvolvido é o da Previdência Social que
abrangerá somente o Regime Básico Geral de Previdência Social – RGPS,
destinado aos trabalhadores da iniciativa privada.

O sistema de previdência social tem como objetivo básico manter a


normalidade social, tendo como base o primado do trabalho, o bem-estar social e a
justiça sociais, bem como a erradicação das necessidades sociais, assegurando a
cada um dos integrantes da comunidade o mínimo essencial para a vida em
comunidade, tendo os recursos geridos por órgãos públicos (HORVATH JÚNIOR,
2010, p.4).

O sistema previdenciário originou em 1883, na Alemanha, através da Lei do


chanceler Otto Von Bismarck2que conseguiu aprovar seu projeto do sistema de
aposentadoria pública em 1883. A lei de Bismarck é um marco histórico da
previdência social no mundo, sendo a proteção garantida pelo Estado, por
intermédio da arrecadação compulsória dos trabalhadores, caracterizando os
princípios da obrigatoriedade para filiação e da contributividade para o custeio,

2
Bismarck um dos grandes da História foi um estadista na Alemanha, cuja figura histórica, é
considerada, uma das mais importantes na segunda metade do século XIX e na primeira do século
XX. “Não se pode pensar a Alemanha moderna sem Bismark” (FERNANDES. M. L. 1974 p. 12 – Livro
BISMARCK – Biblioteca de História- grandes personagens de todos os tempos- Editora Três, Rio de
Janeiro).
25

princípios amplamente utilizados na previdência social até os dias de hoje


(FERNANDES, 1974).

A partir do modelo de Bismarck, a proteção social propagou-se no mundo,


principalmente no período entre as duas guerras e aumentando cada vez mais o
número de pessoas protegidas (Ibid, 1974).

Num momento em que o mundo atravessava um período turbulento de


guerras e pós-guerras, as nações passaram a se preocupar com a seguridade
social, procurando instituir programas de proteção para resolver os problemas
sociais.

Na Inglaterra, após a Segunda Guerra Mundial surge o Estado do Bem-estar


também conhecido por sua denominação em inglês de Welfare State3, com o
objetivo de melhorar a qualidade de vida da população.

O Plano Beveridge, mais importante relatório do período da evolução


securitária (IBRAHIM, 2009 p. 47), foi apresentado ao Parlamento Britânico em
Novembro de 1942, e que estabeleceu a organização do seguro social, a cobertura
na área de saúde e assistência social, cujo objetivo foi trazer soluções aos
problemas sociais gerados no período pós-guerra e com o advento da
industrialização. O estudo iniciou-se pelo diagnóstico da miséria4, nos anos que
precederam a guerra, sobre a carência das famílias e dos ingleses, em geral nos
seus meios de subsistência (BEVERIDGE, 1943).

Importante ressaltar que o Estado do bem-estar social passou a interferir na


economia, regulando as atividades produtivas a fim de assegurar a geração de
riquezas e diminuir as desigualdades sociais. O modelo está correlacionado com o
crescimento econômico e a produtividade de trabalho da população, do país. Seu
auge foi atingindo na década de 1960, mas no decorrer dos anos 70, entrou em
crise. Nos países industrializados ocidentais, verifica-se que a crise do modelo de

3
O termo Estado do Bem-Estar Social (Welfare State) foi utilizado pela primeira vez em 1884,na
Noruega por Ebbe Hertzberg. (nota retirada de o livro curso de direito previdenciário, Fabio Zambitte
Ibrahim, 14ª edição, Rio de Janeiro, 2009, p.47).
4
“A abolição da miséria exige, em segundo lugar, um ajustamento das rendas, tanto nos períodos de
salários como nos de interrupção dele, às necessidades da família.” (BEVERIDGE, 1943, p. 13)- Livro
O Plano Beveridge, William Beveridge, Editora José Olympio, Rio de Janeiro, 1943. Original inglês:
Social Insuranceand Allied Services, Sir William Beveridge.
26

Estado do bem-estar social está associada à crise fiscal provocada pela dificuldade
em equilibrar os gastos públicos com o crescimento econômico (CANCIAN, 2007,
p.2).

Esse quadro pode ser visto atualmente no Brasil, quando o País está
enfrentando sua pior crise econômica das últimas décadas, com o aumento do
desemprego (14 milhões de pessoas), e a redução da arrecadação do sistema
previdenciário. Segundo projeções de estudo do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (IPEA), o efeito do envelhecimento populacional deverá ser bastante
intenso e rápido impactando as contas da previdência social, o que deverá exigir
ajustes no sistema para garantir a sustentabilidade a médio e longo prazo da
Seguridade Social, conforme dados da Figura 1 (COSTANZI & ANSILIERO, 2017,
pp. 21- 22),

Figura 1. Brasil: despesas com previdência – aposentadorias e pensões por morte do RGPS e do
RPPS (2020-2060).

Fonte: IPEA , 2017.

O Brasil está em processo de envelhecimento populacional que, segundo


estudos, ocorre em velocidade maior que a ocorrida em Países Europeus. Por outro
27

lado, a previdência social adota o regime de financiamento de repartição simples5,


um sistema que propõe a solidariedade entre gerações (trabalhadores em atividade
financiam os atuais benefícios recebidos por aposentados e pensionistas) e o pacto
geracional. As contas da previdência social, portanto, tendem a desequilibrar se
novos trabalhadores ativos não ingressam no sistema; este seria o cenário num país
em processo de envelhecimento populacional.

O problema adicional é que o dinheiro arrecadado para a previdência não é


exclusivamente gasto com ela. Há outros benefícios sociais que são custeados com
esta arrecadação. Então faltam gestão e vontade política para a eficiência dos
gastos com a previdência. Um exemplo foram os valores emprestados pela União
nas décadas de 50 e 60 do sistema previdenciário e que não foram devolvidos ao
sistema (HORVATH JÚNIOR, 2006).

Segundo Horvath Júnior (2006) parte do chamado “milagre brasileiro”


(construção de Brasília, construção da Transamazônica, da ponte Rio-Niterói, da
construção de Itaipu, construção das usinas atômicas de Angra dos Reis dentre
outras) foi financiado com recursos dos trabalhadores brasileiros, cujos valores
foram objeto de empréstimo e não de doação, aos cofres da previdência.

O panorama geral dos gastos da previdência é que o gasto representa 8,1%6


do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, ou seja, R$ 424 bilhões7 para um PIB de
R$ 5,9 trilhões em 2015. Se nenhum ajuste for feito na previdência a projeção do
gasto subirá para 17,2% do PIB em 2060. O outro ponto relevante que impacta a
previdência social é o novo paradigma demográfico do Brasil onde se verificam
vários fatores, a saber:

 Uma nova composição familiar, com apenas um único filho;

 O aumento da esperança de vida ao nascer;

5
A previdência social no Brasil é adota o regime de repartição simples para seu financiamento, a luz
do artigo 195 da Constituição Federal de 1988 que cita que o sistema será financiado por toda a
sociedade e no artigo 10 da Lei 8.212 de 1991 que instituiu o plano de custeio da previdência social.
6
Dados do site do Ministério da Fazenda, 30/03/2017 (www.fazenda.gov.br).
7
Este dado consta da proposta orçamentária do Ministério da Previdência Social, aprovada em 2014
pelo Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), servindo de subsídio para o projeto de Lei
Orçamentária Anual (LOA) 2015. (www.previdencia.gov.br).
28

 A diminuição do ritmo de crescimento da população (renovação das “bases”)


e da força de trabalho, com consequente redução do número de contribuintes
para a previdência social;

 Rápido aumento das idades avançadas e mudanças na estrutura etária com o


envelhecimento da população.

Observa-se uma nova composição familiar: o crescimento vertical dado à


importância dos avós e a diminuição de filhos, graças, sobretudo ao papel social que
a mulher vem desempenhando na sociedade e no mercado de trabalho. A redução
da taxa de natalidade por mulher no Brasil foi drástica, pois em 1980 era de 4,3
crianças por mulher (IBGE), segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) ,
hoje a taxa geral é cerca de metade.

A população brasileira vem atravessando uma importante transformação na


demografia. Os eventos de fecundidade e mortalidade vêm se alterando
rapidamente nas últimas décadas, apresentando desafios e oportunidades para a
sociedade. Estes fatos não são exclusivos do Brasil, grande parte do mundo vem
apresentando modificações no comportamento reprodutivo e a fecundidade se
reduziu para níveis muito baixos, com taxas inferiores ao número necessário para
manter a população com o mesmo tamanho no longo prazo. Observa-se uma
mudança no comportamento das mulheres que passaram a ter filhos em idades mais
adiantadas em virtude da entrada no mercado de trabalho (BANCO MUNDIAL, 2011,
p.18).

Esse fenômeno, denominado “transição da fecundidade”, que combinado com


a redução das taxas de mortalidade, altera significativamente as taxas de
crescimento e na estrutura etária das populações caracterizando o processo de
transição demográfica (Idib, 2011, p. 18).

No Brasil essa taxa reduziu para apenas 1,77%, o que não é suficiente para
cobrir o número de óbitos no país a cada ano. Conforme podemos observar na
Figura 2, que a redução da fecundidade começa na década de 60 e perpassa pelos
anos 80 e 90 (IBGE, 2010).
29

Figura 2. Transição Demográfica - Brasil (1880-2050).

Fonte: IBGE, 2010.

Com esse processo da redução da taxa de fecundidade, o país experimenta


necessariamente uma transformação de sua estrutura etária alterando o formato da
pirâmide populacional. É um dos fenômenos sociais mais importantes da sociedade
contemporânea e acontece de forma sincrônica com o progresso das forças
produtivas e o desenvolvimento econômico.

Conforme demonstrado na Figura 3, a taxa de fecundidade reduz quase a


metade na década de 90, quando comparamos com a década de 80, o que é
considerado muito rápido, apenas uma década para uma nação se preparar para
uma nova composição familiar que afeta vários setores econômicos, familiares e
previdenciários.
30

Figura 3. Taxa de Fecundidade Total– Brasil e Regiões (1940-2010).

Fonte: IBGE, 2010.

Considerando a redução de nascimentos, especialmente pela melhora dos


níveis educacionais da população, segundo o estudo técnico do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE)8a projeção é de declínio dos níveis de fecundidade
da população. A taxa de fecundidade total, que havia sido estimada para 1,9 filhos,
em média, por mulher, em 2010, no cenário proposto para a projeção, alcançaria 1,5
filhos, em média, por mulher em 2030. Pela dificuldade em se estimar
comportamentos a tão longo prazo, optou-se por manter esse valor praticamente
constante até o ano de 2060, horizonte da projeção para as unidades da Federação,
conforme demonstrado a seguir na Figura 4.

8
Mudança Demográfica no Brasil no Início do Século XXI Subsídios para as projeções da população.
IBGE, Rio de Janeiro, 2015.
31

Figura 4. Taxas de fecundidade total, segundo as Unidades da Federação – 2000-2030.

Fonte: IBGE, 2015.

A melhora nos níveis educacionais contribui para o efeito de envelhecimento


da estrutura de fecundidade, em que, por exemplo, a fecundidade das adolescentes,
apesar de ainda apresentar-se em altos níveis, apresentaria uma tendência de
queda em função dos progressos na educação.

O estudo do IBGE (2015) projetou as taxas de fecundidade até 2060,


considerando as mulheres que tinham, no mínimo, o ensino médio completo nos seis
Estados brasileiros com o maior percentual de mulheres com este nível de
escolaridade, sendo: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina,
Paraná e Distrito Federal, conforme demonstrado a seguir na Figura 5.
32

Figura 5. Taxas específicas de fecundidade, segundo os grupos de idade


Brasil (2000-2060).

Fonte: IBGE, 2015.

Aliados a queda das taxas de fecundidade, a partir da metade do Século XX,


os avanços na medicina e a melhoria nas condições de vida e saúde das pessoas
proporcionaram um considerável aumento da expectativa de vida, tanto para
homens como para mulheres, essas projeções são baseadas nos Indicadores
Sociodemográficos e de Saúde no Brasil (IBGE, 2009).

No Brasil o processo de transição demográfica, iniciou-se a partir da década


de 1940, com a da queda das taxas de mortalidade através da implementação das
políticas de saúde pública e dos avanços da medicina, particularmente os
antibióticos. O Brasil praticamente reduziu pela metade sua taxa bruta de
mortalidade em apenas 20 anos, entre 1940 e 1960 (IBGE, 2010), enquanto os
países desenvolvidos levaram aproximadamente100 anos para lidar com a transição
demográfica, conforme demonstrado na Figura 6 e 7, a seguir (BANCO MUNDIAL,
2011).
33

Figura 6. Proporção de óbitos por causas segundo os grupos de idade- Homens- Brasil, 2009.

Fonte: MS/ SVS/ DASIS, Sistema de Informação sobre Mortalidade- SIM (2009).

Figura 7. Proporção de óbitos por causas segundo os grupos de idade- Mulheres- Brasil, 2009.

Fonte: MS/ SVS/ DASIS, Sistema de Informação sobre Mortalidade- SIM (2009).
34

A taxa bruta de mortalidade do Brasil, no período 1921-1940, que era de 24,8


óbitos para cada 1 000 habitantes, passou para 9,8%, apresentando um decréscimo
de aproximadamente 61%. Na segunda metade do Século XX, dá-se também o
início do processo de transição epidemiológica9. Em 1980 a expectativa de vida
aumentou de 62,4 para 74 anos em 2013. Aos 60 anos a sobrevida era de 16,6 anos
e passou para 23,1 anos, no mesmo período observado, segundo dados estatísticos
do IBGE (2010). Na Figura 8 a seguir, verifica-se a mesma tendência da trajetória do
aumento da expectativa de vida ao nascer em todas as regiões do Brasil.

Figura 8. BRASIL E GRANDES REGIÕES: Esperança de Vida ao Nascer– Brasil e Grandes


Regiões (1940-2010).

Fonte: IBGE, 2010.

Estudos mais recentes do IBGE (2013), com projeções para até 2060,
confirmam a trajetória do aumento da expectativa de vida, da população brasileira,

9
Transição epidemiológica refere-se às mudanças de longo prazo, nos padrões de morbidade,
invalidez, e morte de uma população e que em geral, ocorrem com outras transformações
demográficas sociais e econômicas. Há correlação direta entre os processos de transição
demográfica e epidemiológica, modificando o perfil de saúde da população com predominância de
doenças crônicas que implicam em anos de tratamento e utilização de serviços de saúde, ao invés
das doenças infecciosas que se resolvem rápido através da cura ou com o óbito.
Fonte: www.ibge.gov.br/pnad
35

conforme demonstrado na Figura 9 que fatalmente pressionará as despesas


previdenciárias. Discussões sobre a reforma do sistema previdenciário como, por
exemplo, o aumento da idade de aposentadoria e políticas públicas que incentivem
os nascimentos, inevitavelmente será necessário, para o equilíbrio das contas do
sistema de previdência social e das contas públicas.

Figura 9. Esperança de Vida ao Nascer– Brasil e Grandes Regiões (1940-2010).

Fonte: IBGE, 2013.

Outro fator importante é o chamado bônus demográfico que é representado


pelo período em que há uma alta proporção de pessoas em idade potencialmente
ativa e elevada proporção de adultos, relativamente à participação de crianças e
idosos. Por outras palavras, maior número de pessoas em idade ativa, favorece o
desenvolvimento econômico proporcionando mais recursos para os investimentos e
gastos sociais.

O bônus demográfico propicia mais reservas e aumento dos recursos


disponíveis por indivíduo. No Brasil esse fenômeno atingirá seu pico entre os anos
de 2022 e 2023, quando as razões de dependência voltarão a crescer e começará a
36

ser fechada a janela de oportunidades demográficas, conforme demonstrado na


Figura 10.

Figura 10. Bônus Demográfico.

Fonte: IBGE, 2010.

Para que o Brasil se beneficie deste período é imprescindível que se busque:


a qualidade educacional; adoção de políticas adequadas de emprego; estes
esforços poderiam criar esse excedente econômico de fato, incorporando a
população no mercado de trabalho, com a possibilidade de maiores investimentos
em capital humano e de incremento da taxa bruta de capital fixo (IBGE, 2010).

Há exemplo, de outras nações como o Japão, a China, os Estados Unidos e a


Europa, o bônus demográfico teve contribuição importante para recuperação dos
países frente à crise econômica do pós-guerra, políticas públicas para a contenção
do ritmo de queda da população economicamente ativa e a ampliação de geração
de empregos.

De acordo com o último censo de 2010 do IBGE para cada 100 brasileiros, 69
estão em idade produtiva. Porém esse quadro só vai permanecer até a próxima
década. Conforme demonstrado na Figura 11, a seguir:
37

Figura 11. Percentual da População por Faixa Etária

Fonte: IBGE, 2010.

Estima-se que a partir de 2023 deve iniciar a tendência de queda da


população economicamente ativa, sendo que o número de idosos será maior,
ultrapassando o número de crianças. Com este quadro, configuram-se as mudanças
na estrutura etária brasileira e na taxa de razão de dependência, outro ponto
relevante para o financiamento da previdência social, no modelo orçamentário de
repartição simples.

Segundo estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) de


Costanzi & Ansiliero (2017, pp. 7 -8), este processo de transição demográfica no
Brasil deu início ao processo de envelhecimento populacional determinando
atualmente um rápido aumento da relação entre a quantidade de idosos e a
população em idade ativa (PIA). Portanto, a PIA apresenta uma trajetória de redução
de sua participação na população total, situação esperada a partir da próxima
década, com a aceleração do processo de envelhecimento populacional brasileiro
encerrando-se o chamado bônus demográfico, conforme demonstrado na Figura 12,
a seguir.
38

Figura 12. Relação entre PIA e população idosa: número de pessoas em idade ativa (15 a 64 anos)
por idoso (65 anos ou mais).

Fonte: IPEA, 2017.

Segundo estudo do IPEA de Costanzi & Ansiliero (2017, pp. 7 -8), na


Previdência Social o impacto do aumento do número de idosos na população total
tende a levar ao aumento dos seus beneficiários.

De acordo com as projeções do estudo do IPEA de Costanzi & Ansiliero


(2017, pp.33 -34), no Brasil, a população idosa vai saltar de cerca de 23 milhões de
pessoas com 60 anos ou mais em 2014 para cerca de 41,54 milhões em 2030, e
73,55 milhões em 2060 onde a participação dos idosos na população total vai saltar
de 11,3% em 2014 para cerca de 18,6% em 2030, e 33,7% em 2060. Atualmente
uma em cada dez pessoas é idosa, mas seguindo esta tendência em 2060, uma em
cada três pessoas será idosa, conforme demonstrado a seguir na Figura 13.
39

Figura 13. Brasil: pirâmides populacionais sobrepostas (1980, 2010 e 2060).

Fonte: IPEA, 2017.

No primeiro momento dessa transformação, a base da pirâmide populacional


se estreita, enquanto aumenta o peso relativo da população adulta. Após décadas
de transformação da estrutura de idade, há um aumento da população idosa
alterando o formato da pirâmide populacional, gerando alterações na razão de
dependência demográfica entre os grupos populacionais predominantemente
consumidores e os majoritariamente produtivos.

De acordo com o IBGE a taxa de razão de dependência é o peso da


população considerada inativa, nas faixas etárias entre 0 a 14 anos e 65 anos e
mais de idade, sobre a população economicamente ativa (PEA) (15 a 64 anos de
idade). Esta taxa é utilizada para acompanhar a evolução do grau de dependência
econômica da população sinaliza o processo de envelhecimento populacional e
ajuda a subsidiar a formulação de políticas nas áreas de saúde e da previdência
social.

A Figura 14 demonstra a razão de dependência no Brasil no período de 1950


a 2100. Verifica-se que, entre 1950 e 1970, houve aumento da percentagem do
40

número de crianças entre 0 e 14 anos, comparada com a população adulta de 15 a


64 anos, elevando também a razão de dependência total. Em 1970, 90% das
pessoas tinham idade para trabalhar. Desde a década de 60, observa-se a trajetória
da queda de nascimentos, atingindo em 2025 aproximadamente 44% das pessoas
em idade produtiva (44 pessoas dependentes para cada 100 pessoas em idade
produtiva).

Figura 14. Razão de dependência demográfica no Brasil (1950-2100).

Fonte: World Population Prospects: The 2012 Revision, Disponível em: http://esa.un.org/unpd/wp
p/index.htm.

Esse fenômeno da queda de natalidade é fundamental para o início do


desenvolvimento econômico e social, como uma "janela de oportunidade" que requer
políticas adequadas para que se alcance o bem-estar da população. Entre 2025 e
2030, porém, a tendência é de redução do bônus demográfico e a relação entre
consumidores e as pessoas produtivas se altera. Em relação à previdência social,
portanto, quanto menor a média de idade dos beneficiários da previdência, mais
curta será essa janela de oportunidade para o desenvolvimento do Brasil, conforme
demonstrado a seguir na Figura 15.
41

Dessa forma, o Brasil tem pouco tempo para aproveitar o bônus demográfico,
aumentar a produtividade, diminuir a pobreza e investir em infraestrutura econômica
e social.

Figura 15. Razão de Dependência (total e por grupos etários) -Variante Média - Brasil, 2000 a 2050.

Fonte: IPEA , 2010.

Os dados da Figura 16 a seguir, demonstram que o impacto do


envelhecimento populacional sobre as despesas previdenciárias da Previdência
Social, será rápido e significativo apresentando um desafio às políticas públicas e
para a sociedade, exigindo reformas no sistema previdenciário para garantir sua
sustentabilidade a médio e longo prazo.
42

Figura 16. Brasil: despesas com previdência – aposentadorias e pensões por morte do RGPS e do
RPPS (2020 a 2060)

Fonte: IPEA, 2017.

Os benefícios da Previdência social são limitados ao teto legal, cuja


explicação para esse limite é que o objetivo previdenciário básico é o alimentar.
Então, para a manutenção do padrão de vida do trabalhador e de sua família que
percebiam na ativa, foi criada a previdência complementar que tem por objetivo
proporcionar uma proteção extra ao benefício de aposentadoria da Previdência
Social.

A Constituição brasileira de 1988 que introduziu o regime de previdência


complementar em seu artigo 202, redação dada pela Emenda Constitucional nº 20,
de 15/12/98, conforme segue:

"Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e


organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência
social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o
benefício contratado, e regulado por lei complementar" (BRASIL, 1988).

A Lei Complementar n.º 109 de 2001 é a norma geral que dispõe sobre o
regime de previdência complementar, e regulamenta o artigo 202, caput da
43

Constituição Federal. A lei é um marco regulador das relações de previdência


complementar no Brasil, trazendo em seu artigo 4° as espécies de entidades:
entidade fechada de previdência complementar (EFPC) e a entidade aberta de
previdência complementar (EAPC) (BRASIL, 2001).

Existem dois tipos de previdência complementar: a chamada aberta, que


possibilita a adesão de qualquer pessoa, e a fechada, restrita a participantes de um
grupo vinculado a um fundo de pensão (entidade ou sociedade civil que administra o
patrimônio formado pelas contribuições de participantes e patrocinador), ou seja, um
não depende do outro. Em outras palavras, o participante de um plano privado não
precisa receber os benefícios da previdência social para requerer o benefício da
previdência complementar e vice-versa (Ibid,2001).

O primeiro tipo é formado por entidades de previdência complementares


abertas ou seguradoras autorizadas, enquanto o segundo por fundações ou
sociedades civis sem fins lucrativos que integram a previdência complementar
fechada (Ibid,2001).

A previdência complementar e a previdência social são dois regimes


autônomos.

A previdência complementar fechada é constituída por sociedades civis sem


fins lucrativos e estabelecidos exclusivamente para essa atividade. Eles são criados
pelos empregadores, isoladamente ou em conjunto com seus empregados, com o
objetivo de complementar o regime geral da previdência social (Ibid,2001).

A previdência complementar aberta, por sua vez, é um sistema operado por


empresas privadas, com finalidade lucrativa. São definidas genericamente como
Entidades Abertas de Previdência Complementar (EAPC) (Ibid,2001).

Nesta dissertação, será abordado a previdência complementar fechada.


A previdência complementar fechada é histórica, disciplinar e atualmente exerce o
principal regime que compreende os Fundos de Pensão. Possuem larga experiência,
tradição e efetividade.
44

A entidade fechada possui participação de uma empresa ou de várias, e o


plano de benefícios é financiado, de modo geral, com contribuições dos empregados
e da empresa.

Esta dissertação compõe-se de três capítulos. No primeiro capítulo, apresento


o objetivo principal e os objetivos específicos desta pesquisa. No segundo capítulo
tratou-se de abordar os aspectos metodológicos que embasaram esta pesquisa. No
terceiro capítulo apresento os resultados selecionados na revisão bibliográfica e a
discussão, utilizando como aporte teórico os estudos encontrados e os autores
utilizados como referencial teórico desta pesquisa. E por último, apresentam-se as
principais conclusões e considerações finais alcançadas com esta dissertação.
45

CAPÍTULO 1 – OBJETIVOS

1.1 Objetivo Geral

 Apresentar o Estado da Arte na Previdência Social e Complementar


Brasileira na perspectiva do envelhecimento.

1.2 Objetivos Específicos

 Compreensão contemporânea sobre o Estado da Arte na Previdência


Social.

 Compreensão contemporânea sobre o Estado da Arte na Previdência


Complementar.

 Verificar a importância da previdência complementar fechada como proteção


financeira adicional aos trabalhadores, para o período da vida pós-emprego.
46

CAPÍTULO 2 – METODOLOGIA

O campo da pesquisa científica requer revisões sistemáticas e metódicas que


auxiliam os pesquisadores a sumarizar o conteúdo disponível na literatura. O
presente capítulo fornece a trajetória metodológica adotada pela pesquisadora para
esta dissertação.

O método de pesquisa para a investigação neste trabalho é a revisão


bibliográfica denominada “estado da arte” ou “estado do conhecimento”. Em
consonância com Ferreira (2002), o estado da arte é definido:

[...] Definidas como de caráter bibliográfico, elas parecem trazer em comum


o desafio de mapear e de discutir uma certa produção acadêmica em
diferentes campos do conhecimento, tentando responder que aspectos e
dimensões vêm sendo destacados e privilegiados em diferentes épocas e
lugares, de que formas e em que condições têm sido produzidas certas
dissertações de mestrado, teses de doutorado, publicações em periódicos e
comunicações em anais de congressos e de seminários[...] ( FERREIRA,
2002 p. 257) .

A revisão bibliográfica empregada nesta pesquisa consiste em analisar o


conteúdo da produção científica no Brasil sobre a temática proposta nesta
dissertação.

A pesquisa estado da arte é um estudo do tipo retrospectivo e secundário. O


termo estado da arte é oriundo da tradução literal do inglês, tendo por objetivo
compreender a produção de uma determinada área de conhecimento em
dissertações de mestrado, teses de doutorado artigos de periódicos e publicações.

Recentes no Brasil, os estudos de estado da arte já se tornaram relevantes


para se compreender em uma determinada área do conhecimento, a abrangência
das pesquisas realizadas, tendências teóricas e aspectos metodológicos.

Esses trabalhos contribuem com a teoria e a prática de uma área do


conhecimento, possibilitando examinar as temáticas abordadas nas pesquisas, à
relação entre o pesquisador e a prática do tema em tela, as sugestões e proposições
apresentadas pelos pesquisadores e as contribuições da pesquisa para mudanças e
inovações.
47

Os procedimentos para início da pesquisa começaram com a definição dos


descritores para direcionar as investigações que foram realizadas, com as palavras-
chave “previdência social”, “envelhecimento”, “demografia”, “economia”, “previdência
complementar”, “longevidade”, “idoso” e “velhice”.

Para acesso as fontes de pesquisas e acervos de biblioteca eletrônica foram


utilizadas a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) que reúne
as teses e dissertações defendidas em instituições brasileiras de ensino e pesquisa,
cuja interface é disponibilizada pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia (IBICT).

Para o processo da pesquisa foram considerados os seguintes critérios de


seleção:

 Período de publicação: últimos 10 anos (2006 a 2016)

 Tipo de material: dissertações de mestrado e teses de doutorado;

 Idioma: português;

 Área do conhecimento: todas com o objetivo de classificar e mapear as


publicações em pesquisa científica dos últimos 10 anos;

 Leitura dos resumos dos trabalhos selecionados de 2006 a 2016.

 No desenvolvimento da pesquisa (2006 a 2016), a pesquisadora efetuou a


leitura dos resumos dos trabalhos encontrados neste período, para identificar o
descritor nas palavras-chave adotadas na presente dissertação de forma a
identificar e selecionar os trabalhos que tenham relação com a investigação em
tela.

Foi elaborada uma tabela em Excel, com diversos fatores de análise e


informações levantadas dos trabalhos que foram selecionados e analisados
qualitativamente.

Ressalta-se a importância da pesquisa estado da arte para se identificar


problemáticas universais, tendências, políticas, etc. permitindo fazer comparações
com estudos de estado da arte com outras regiões, outros estados e países.
48

CAPÍTULO 3 – RESULTADOS E DISCUSSÃO

Com a definição dos descritores com as palavras-chave “previdência social”,


“envelhecimento”, “demografia”, “economia”, “fundamentos”, “previdência
complementar”, “longevidade”, “idoso” e “velhice”, primeiramente foi feita a busca
dos trabalhos com a combinação e relevância de cada uma das palavras-chave,
sendo:

A primeira busca foi uma combinação do termo “previdência social” com cada
uma das demais palavras sendo: “previdência social” AND “envelhecimento”;
“previdência social” AND “demografia”; “previdência social” AND “economia”;
“previdência social” AND “longevidade”; “previdência social” AND “idoso”;
“previdência social” AND “velhice”; “previdência social” AND “fundamentos”.

Na segunda busca foi adotado o mesmo procedimento de combinação das


palavras-chave, porém com o termo “previdência complementar”.

A partir da leitura do resumo de cada trabalho encontrado, foi feita a seleção,


cujo critério adotado com o tema “previdência social” foi à investigação do
envelhecimento populacional e o impacto no desenvolvimento econômico e social
brasileiro.

Para a expressão “previdência complementar”, foram selecionados os


trabalhos que discutiram o aumento da poupança individual e doméstica, para que
no futuro as pessoas possam usufruir de sua longevidade com mais qualidade de
vida.

No decurso da pesquisa foi elaborada uma planilha em Excel com as


informações levantadas de cada trabalho, com as seguintes informações:

 Título da pesquisa;

 Datada publicação;

 Tipo de produção: dissertação ou tese;

 Nome dos autores;


49

 Resumo da pesquisa;

 Instituição que publicou a pesquisa;

 Id para consulta virtual;

 Área do conhecimento.

A síntese dos resultados das pesquisas e dos trabalhos de dissertações e


teses que foram encontrados e selecionados, com cada combinação das palavras-
chave, está apresentada na Tabela 1, a seguir:

Tabela 1. Número de trabalhos pesquisados e selecionados (2006-2016).

Nº de trabalhos
Combinação das expressões e Nº de trabalhos
selecionados
palavras – chave encontrados

Previdência Social e
Envelhecimento
43 8

Previdência Social e
Demografia
11 4

Previdência Complementar
e Economia
28 3

TOTAL 89 15

Fonte: Pesquisadora.

Destaca-se que ao combinar as expressões “previdência social” e


“previdência complementar” com as palavras-chave: longevidade, idoso, velhice, os
trabalhos encontrados foram os mesmos quando a pesquisa foi feita com as
combinações das palavras-chave da Tabela 1.
50

Quando feita a pesquisa adotando simplesmente a expressão “previdência


complementar” no período de 2006 a 2016 foram encontrados 124 trabalhos
publicados. A pesquisadora realizou a leitura do resumo de todos os trabalhos para
conhecer quais são os temas que estão sendo investigados sobre previdência
complementar. A síntese desta pesquisa apresenta-se no Gráfico1, a seguir:

Gráfico 1. Número de Trabalhos Pesquisados de “Previdência Complementar” (2006-2016).

Fonte: Pesquisadora.

O tema investigado com o maior número de trabalhos publicados é o de


investimentos, representando 30% do total das pesquisas. Em seguida, os regimes
próprios de previdência e estudos de caso com 15% e 14% respectivamente. Nota-
se que o assunto de governança corporativa e riscos, que é recente no Brasil, vêm
despertando interesse por esta área de conhecimento com 13 trabalhos publicados
que corresponde a 10% do total.

Os trabalhos que foram selecionados, entre o período de 2006-2016, com a


utilização da metodologia “estado da arte” para estruturar as produções científicas
sobre previdência social, complementar e envelhecimento, estão organizadas com
suas principais informações em três quadros separados pela combinação de dois
descritores utilizados nesta pesquisa, a saber:
51

Quadro 1. Descritores - “Previdência Social e Envelhecimento (2006-2016)”.

Local e Ano
Ordem Título da Autor Palavras- chave ID para Publicação Área do
publicação consulta saber
Previdência social
Universidade MESQUITA, Seguridade social
I ENSAIOS SOBRE Federal do Riovaldo Risco de longevidade http://hdl.hand TESE Economia
SEGURIDADE SOCIAL NO Rio Grande Alves de Envelhecimento le.net/10183/7
BRASIL do Sul populacional 0013
(2012) Demografia
Previdência social
A PREVIDÊNCIA SOCIAL Universidade IBRAHIM, Seguridade social http://www.bdt
NO ESTADO do Estado do Fábio Financiamento d.uerj.br/tde_b Ciências
II
CONTEMPORÂNEO Rio de Zambitte Aposentadoria usca/arquivo.p TESE Humanas
FUNDAMENTOS, Janeiro Direitos fundamentais hp?codArquivo
FINANCIAMENTO E (2011) Direitos sociais =2637
REGULAÇÃO Regulação

O "FARDO" DA VELHICE E Universidade AIDAR, Velhice https://reposit Pós-


III DO ENVELHECIMENTO: Federal de Maria Aura Subjetividades orio.ufu.br/han TESE graduação
SUBJETIVIDADES E Uberlândia Marques Previdência social dle/123456789 em
POLÍTICAS PÚBLICAS NO (2014) Políticas públicas /16324
História
BRASIL
Seguridade social
ENVELHECIMENTO, CICLO Universidade PASINATO, Envelhecimento http://www.bdt
DE VIDA E MUDANÇAS do Estado do Maria Tereza populacional d.uerj.br/tde_b Saúde
IV
SOCIOECONÔMICAS: Rio de de Marsillac Políticas públicas usca/arquivo.p TESE Coletiva
NOVOS DESAFIOS PARA Janeiro Idosos hp?codArquivo
OS SISTEMAS DE (2009) Cuidados de longa =5386
SEGURIDADE SOCIAL duração
52

REFORMA DA
PREVIDÊNCIA SOCIAL: Universidade MARRI, Previdência social http://www.bibli
V SIMULAÇÕES E IMPACTOS Federal de Izabel Desigualdade de otecadigital.uf TESE Economia
SOBRE OS DIFERENCIAIS Minas Gerais Guimaraes gênero mg.br/dspace/
DE GÊNERO (2009) Microssimulações handle/1843/A
MSA-7ZTH32
ENSAIO DE UMA DIDÁTICA
DA MATEMÁTICA COM Universidade Didática da
FUNDAMENTOS NA Estadual MATTIAZZO Matemática Educação
VI
PEDAGOGIA HISTÓRICO- Paulista- Cardia, Matemática e http://hdl.handl TESE para a
CRÍTICA UTILIZANDO O UNESP Elizabeth seguridade social e.net/11449/10
Ciência
TEMA SEGURIDADE (2009) Matemática e 1987
SOCIAL COMO EIXO previdência social
ESTRUTURADOR

MUDANÇA DO REGIME Pontifícia Previdência social Ciências


VII PREVIDENCIÁRIO DE Universidade FERREIRA, Déficit http://tede2.pu Sociais
REPARTIÇÃO PARA O Católica do Christiano Superávit crs.br/tede2/ha DISSERTAÇÃO aplicadas
REGIME MISTO: UMA Rio Grande Reforma ndle/tede/3929
a
PERSPECTIVA PARA O do Sul Brasil
Economia
BRASIL (2012) Capitalização
Poupança

ECONOMIA DA Pontifícia População brasileira


LONGEVIDADE: O Universidade FELIX, Envelhecimento https://sapienti Economia
VIII
ENVELHECIMENTO DA Católica de Jorgemar populacional a.pucsp.br/han DISSERTAÇÃO Política
POPULAÇÃO BRASILEIRA São Soares Idosos dle/handle/938
E AS POLÍTICAS PÚBLICAS Paulo 2009 Políticas públicas 9
PARA OS IDOSOS Previdência social
Fonte: Pesquisadora.
53

Quadro 2. Descritores: “Previdência Social e Demografia (2006-2016)”.

Local e Ano ID para Área do


Ordem Título da Autor Palavras- chave consulta Publicação saber
publicação
Dinâmica
A DINÂMICA demográfica Regime
DEMOGRÁFICA E A geral de previdência http://reposit
I SUSTENTABILIDADE DO UnB/UFPB/ LIMA, Diana social orio.unb.br/h TESE Ciências
MODELO DE UFRN * Vaz de Modelo de andle/10482/ Contábeis
FINANCIAMENTO DO (2013) financiamento 13596
REGIME GERAL DE Equilíbrio financeiro
PREVIDÊNCIA SOCIAL e atuarial
Brasil

UM ESTUDO SOBRE A Universidade SOUZA, Idoso


MORTALIDADE DOS Federal de Mariana Mortalidade http://hdl.han
II APOSENTADOS IDOSOS Minas Cristina Probabilidade dle.net/1843/ DISSERTAÇÃO Demografia
DO REGIME GERAL DE Gerais Macieira RGPS AMSA-
PREVIDÊNCIA SOCIAL DO (2009) 8AMNS9
BRASIL NO PERÍODO DE
1998 A 2002
Reforma da
A PREVIDÊNCIA SOCIAL VIGNA, Bruno Previdência
III BRASILEIRA APÓS A FGV ** Zanotto Transição http://hdl.han
TRANSIÇÃO (2010) demográfica dle.net/10438 DISSERTAÇÃO Economia
DEMOGRÁFICA: Informalidade do /1788
SIMULAÇÕES DE mercado de trabalho
PROPOSTAS DE Equilíbrio geral
REFORMA computável
54

ESTADO, POLÍTICAS Universidade CAVALLIERI, Reforma da


PÚBLICAS E Estadual Maíra Pitton Previdência. http://hdl.han
IV PREVIDÊNCIA SOCIAL NO Paulista- Aposentadoria por dle.net/11449 DISSERTAÇÃO Ciências
BRASIL: UMA ANÁLISE A UNESP tempo de /98971 Sociais
PARTIR DA (2009) contribuição. Déficit.
APOSENTADORIA POR Demografia.
TEMPO DE Mercado de
CONTRIBUIÇÃO trabalho.
Fonte: Pesquisadora.

* UnB/UFPB/UFRN- Universidade de Brasília, Universidade Federal da Paraíba, Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
** FGV- Fundação Getúlio Vargas.
55

Quadro 3. Descritores - “Previdência Complementar e Economia (2006-2016)”.


Local e Ano
Ordem Título da Autor Palavras- chave ID para Publicação Área do
publicação consulta saber
AS ENTIDADES
FECHADAS DE http://www
PREVIDÊNCIA Universidade SOUZA, Aposentadoria .teses.usp Direito
COMPLEMENTAR de São Silas Previdência complementar .br/teses/d DISSERTAÇÃO Econômico
I ENQUANTO Paulo Cardoso Previdência privada isponiveis/ e
INSTRUMENTOS DE (2015) de Fundos de pensão 2/2133/tde Financeiro
ATUAÇÃO DO ESTADO 26022016-
NA ECONOMIA 091559/
Aposentadoria
A IMPORTÂNCIA DA Universidade VIEIRA, Previdência complementar http://repo
II PREVIDÊNCIA de Brasília Júlio Previdência privada sitorio.unb DISSERTAÇÃO Economia
COMPLEMENTAR E OS (2014) César Fundos de pensão .br/handle/
REFLEXOS NO Alves 10482/164
CONTEXTO BRASILEIRO 37
Regulação
A REGULAÇÃO DA Previdência complementar
PREVIDÊNCIA fechada
COMPLEMENTAR MARTINS, Adesão automática http://hdl.
III FECHADA SOB A FGV Luis Adesão presumida handle.net DISSERTAÇÃO Direito
PERSPECTIVA DA (2015) Felipe Análise econômica do direito /10438/15
ECONOMIA Lopes Direito e economia. 293
COMPORTAMENTAL: E A Economia comportamental I
ADESÃO AUTOMÁTICA Paternalismo libertário
COMO PROPOSTA PARA Opt-in. Opt-out
A MITIGAÇÃO DE VIESES Opção padrão
COGNITIVOS Vieses cognitivos
Fonte: Pesquisadora.
56

3.1 Descritores - “Previdência Social e Envelhecimento (2006-2016)”

3.1.1 Trabalho I: Ensaios sobre seguridade social no Brasil

As análises foram iniciadas com os trabalhos selecionados com os descritores


“Previdência Social e Envelhecimento”. O primeiro é o de Riovaldo Alves de
Mesquita, intitulado “Ensaios sobre seguridade social no Brasil” (2012) que teve por
objetivo analisar como a revolução demográfica e o crescimento econômico afetam
a sustentabilidade da previdência social no longo prazo. O autor realizou três
ensaios sendo que no primeiro analisou o impacto do risco de longevidade na
previdência complementar fechada bem como as causas e consequências sociais e
econômicas do envelhecimento populacional. A primeira conclusão é que o
envelhecimento populacional é irreversível e o crescimento da produtividade
provavelmente será insuficiente para manutenção dos custos da previdência social
em relação ao PIB, sendo necessárias reformas políticas no sistema que possam
garantir a sustentabilidade a longo prazo.

Seguindo a tendência mundial, a queda da fecundidade no Brasil é a principal


causa do envelhecimento da população que já se encontra abaixo do nível de
reposição, seguida do aumento da sobrevida dos idosos. Segundo o autor, a
evolução tecnofisiológica reduzirá a taxa de mortalidade dos idosos.

A segunda conclusão mostra que o crescimento econômico será insuficiente


para estabilizar o custo previdenciário do PIB. A oferta de trabalho será declinante, e
o crescimento da economia dependerá do aumento do estoque de capital e do
crescimento da produtividade dos fatores de produção.

A terceira conclusão é de que se o crescimento econômico não garantir


trajetórias sustentáveis de custeio e de contribuição, a reforma no sistema se faz
necessária, com mudanças levando em consideração o envelhecimento e a redução
da população economicamente ativa.

As reformas podem ser paramétricas, com alteração da idade de


elegibilidades, tempo de contribuição, taxa de reposição, taxa de crescimento real do
valor de benefício e alíquotas de contribuição.
57

Outra alternativa de reforma seria criar etapas intermediárias entre o


aposentado e o trabalhador em atividade, com a redução da jornada de trabalho
isentando total ou parcialmente de contribuições, resultando na elevação do salário
líquido horário. Dessa forma, o pagamento dos benefícios seria por um percentual
menor do que o valor integral da aposentadoria plena, aumentando gradativamente
à medida que o trabalhador for se aproximando da saída definitiva do mercado de
trabalho.

A reforma também pode ser estrutural com mudança no regime de


financiamento de repartição simples para capitalização sendo dois pontos neste tipo
de reforma, a saber: O primeiro ponto seria o envolvimento do Estado diretamente
na administração do sistema reformado ou apenas papel regulador e fiscalizador, e
o segundo ponto, seria a classificação de um benefício assistencial ou
previdenciário.

A mudança total ou parcial para o regime de capitalização possibilita a


administração das contas individuais por instituições privadas, com ou sem fins
lucrativos, sobretudo o arcabouço regulatório e fiscalizador é de responsabilidade do
Governo.

Quanto ao segundo ponto, a classificação dos benefícios assistenciais ou


previdenciários deveria ser considerada como um seguro, com a garantia de um
benefício básico de caráter assistencial, financiado por repartição simples e
suplementado por um benefício financiado pelo regime de capitalização.

Por fim, o autor Mesquita (2012) concluiu a necessidade de conscientização


da transição demográfica na sociedade brasileira, como o aumento do número de
idosos na população, a redução da força de trabalho e a desaceleração do
crescimento econômico são fatores que devem ser pensados para as reformas e
políticas para a seguridade social.
58

3.1.2 Trabalho II: A Previdência Social no estado contemporâneo:


Fundamentos, financiamento e regulação

O segundo trabalho é uma tese publicada no ano de 2011, do autor Fabio


Zambitte Ibrahim, também tem como tema a previdência social na era
contemporânea, propondo traçar em linhas gerais um novo modelo de previdência
social no Brasil, unindo os aspectos mais difundidos e mal desenvolvidos do debate
previdenciário nacional.

Segundo Ibrahim (2011), o atual modelo da previdência social no Brasil que é


constituído num dos modelos mais antigos e tradicionais da América Latina, passa
por momentos difíceis, num rápido contexto de envelhecimento populacional e das
novas realidades da força de trabalho, com coberturas nos moldes bismarckianos,
que carecem de revisão, para um novo modelo fundamentado na justiça social em
três dimensões – necessidade, igualdade e mérito.

O autor Ibrahim (2011) entende os tópicos mínimos necessários para um


modelo previdenciário parte de temas abstratos como a justiça social, tendo como
fundamento dos sistemas protetivos, a natureza dos direitos sociais, o financiamento
e o papel do Estado em seu patrocínio e regulação.

Ibrahim (2011) que uma reforma mais adequada estaria traçada em três
pilares de previdência social, apresentada sob novos fundamentos. O primeiro pilar
seria compulsório, público e universal, exigindo requisitos mínimos como idade, por
exemplo, e um benefício básico.

O segundo pilar, também público e compulsório, visará à complementação de


acordo com a renda individual, com a meta de garantir nível mínimo de bem-estar
comparado ao patamar antes da aposentadoria. O terceiro pilar é a previdência
complementar, organizado de forma autônoma, privada e voluntária com a renúncia
das pessoas ao consumo do presente, mas para no futuro desfrutarem de um
benefício maior de aposentadoria.

A proposta do modelo de três pilares tem a prerrogativa de atender um ideal


tridimensional da justiça social e assegurar, com mais eficácia, a jus
fundamentalidade da previdência social, como garantia constitucional, frente às
59

perspectivas gerais da Constituição Federal de 1988 e a constante busca de uma


vida digna.

Para manter o equilíbrio da previdência, que ainda seria financiada pelo


regime de repartição simples nos dois primeiros pilares, ações do Estado devem ser
propositivas como forma de reequilibrar o sistema, com reformas no sistema como o
fim da aposentadoria por tempo de contribuição e a readequação da aposentadoria
especial, além da equiparação de idades entre homens e mulheres. Adicionalmente,
para aumentar a taxa de natalidade, a reforma deve criar novos serviços voltados
para as crianças, com o oferecimento de creches e pré-escolas, estimulando a
mulher ter dois filhos, evitando assim a redução da população ativa, e ainda
permitindo o reingresso das mulheres no mercado de trabalho, de forma mais célere,
e consequentemente as mulheres fariam jus a um benefício maior de aposentadoria.

O autor Ibrahim (2011), sustenta em sua tese, que o financiamento do novo


modelo previdenciário, do primeiro pilar, deve adotar como forma de exação, os
impostos, sendo estes, suportados por cobranças de empresas, previstas na
Constituição, enquanto o segundo pilar seria custeado por recursos próprios das
pessoas que manifestarem interesse em contribuir para este pilar.

Para que o sistema proposto funcione adequadamente, com uma gestão


equilibrada, há necessidade da evolução do arcabouço regulatório, permitindo a
estruturação independente de órgãos ou entidades, que possam estimular a
fiscalização, o controle do sistema e o acompanhamento do gasto previdenciário,
onde os três pilares funcionem em perfeita harmonia.

3.1.3 Trabalho III: O “fardo” da velhice e do envelhecimento: subjetividades e


políticas públicas no Brasil.

A tese defendida pela autora Maria Aura Marques Aidar, publicada em 2014,
tem como tema central o estudo dos aspectos relativos aos idosos, com uma análise
subjetiva do velho e seu problema no contexto social, como o aumento da
expectativa de vida e o impacto nas contas públicas. A autora também aponta a
60

necessidade de políticas públicas para o sistema de previdência social que possa


garantir uma vida digna aos idosos.

O trabalho apresenta uma discussão sobre a Previdência Social, que tem por
objetivo prover um benefício na doença, velhice e morte e que pelas dificuldades
econômicas geram a necessidade de políticas públicas, para que os benefícios
previdenciários tenham cobertura para uma vida digna.

As leis e políticas públicas que têm o idoso como foco principal é outro ponto
discutido pela autora. A Organização das Nações Unidas (ONU) se destacou como
motivadora de leis e políticas públicas, para que o direito da cidadania dos idosos
seja respeitada, o quem nem sempre é visto na sociedade.

A autora Aidar (2014) cita um trecho do livro “A Velhice” da escritora Simone


de Beauvoir, que “ao decidir sobre o destino do velho, o adulto decide seu próprio
futuro” (1990, p.56). O Brasil que durante muito tempo se intitulou de um “país
jovem” atualmente está passando por um processo de envelhecimento populacional.
A autora enfatiza que por questões culturais, os brasileiros não pensem no futuro, e
dessa forma, não se preparam para o futuro, não pensam numa velhice tranquila.
Neste contexto brasileiro de país jovem e cultural de não se preparar para o futuro,
os governantes utilizaram os recursos previdenciários, que não retornaram as suas
origens.

A tese aborda a velhice como uma forma de problema social no Brasil, pela
atenção dada pela ONU a este tema, mas principalmente pela fragilidade que se
encontra boa parte dos idosos no país. Esta situação acaba por excluir os idosos da
sociedade, pois são carentes de recursos, sem acesso a informação, com serviços
de saúde precários.

Destaca-se também a falta de participação dos idosos na sociedade


reivindicando os seus direitos, no seu exercício pleno de cidadania, mas que
profissionais que atuam no campo da velhice, como os gerontólogos, assistentes
sociais, profissionais que trabalham em abrigos e áreas de lazer, defendem a
imagem da velhice alegre, positiva e atuante.
61

A autora Aidar (2014) conclui seu trabalho como principal ponto a ser
considerado, a educação contínua, para os velhos e para os jovens. Ela defende o
desenvolvimento do censo crítico e da consciência política, de modo que os
processos políticos sejam associados como direitos sociais e conclui que é preciso
se preparar para a vida, para o reconhecimento do outro, para a cidadania e para o
direito de reivindicar. Quem se organiza, avança.

3.1.4 Trabalho IV: Envelhecimento, ciclo de vida e mudanças


socioeconômicas: novos desafios para os sistemas de seguridade social

A tese da autora Maria Tereza de Marsillac Pasinato, publicada em 2009,


discorre sobre o processo de envelhecimento populacional, gera um desafio no
processo de desenvolvimento que possa garantir a dignidade humana e a equidade
entre os grupos etários nas distribuições dos recursos, direitos e responsabilidades
sociais.

Na previdência social, o desafio se estende para os cuidados de longa


duração, postulado pelos idosos com perda de capacidade instrumental e/ou
funcional para lidar com as atividades cotidianas. A perda de autonomia e
independência dos idosos requer o apoio de cuidadores, cuja demanda foi suprida
pelas famílias, onde o homem é o provedor e a mulher a cuidadora.

No segundo capítulo, a pesquisadora analisou a nova constituição familiar,


com a mulher inserida no mercado de trabalho, se dedicando a carreira profissional,
e conquistando assim, sua independência financeira e concluiu que é necessário
repensar os tradicionais pilares da seguridade social – famílias, Estado e mercado,
para uma nova distribuição de responsabilidades pelos cuidados dos idosos. Em
tempos de crise econômica, transformações sociais e mudanças nos contratos de
gênero, sugerem que as famílias não possam arcar com as responsabilidades pelo
cuidado das pessoas mais frágeis da família, sem a ajuda do Estado e/ou da
participação do mercado.

A pesquisadora abordou o tema de cuidados de longa duração de idosos com


a experiência internacional, em países desenvolvidos e em desenvolvimento e o
62

resultado demonstrou a tendência do aumento dos custos, direcionando a


necessidade de políticas voltadas para a seguridade social – previdência, saúde e
assistência social. No Brasil, o desfio orçamentário desse novo risco social é
agravado por condições socioeconômicas adversas, tais como a pobreza, a
exclusão e o nível de desigualdade observado na sociedade.

As análises internacionais foram feitas nos países da Alemanha, Dinamarca e


Estados Unidos, e todos sinalizaram que as demandas por cuidados de longa
duração são entendidos como responsabilidades dos sistemas de seguridade social.
A Dinamarca conta com um sistema mais amplo de seguridade social, com
cobertura universal dos riscos e de sua população, sendo de responsabilidade do
Estado com prestação de bens e serviços não contributivos. Na Alemanha os
serviços de cuidados de longa duração são de responsabilidade dos seguros-saúde.

Nos Estados Unidos, a autora apresenta uma dicotomia para a questão dos
cuidados de longa duração, onde idosos pobres são assegurados por programas
assistências públicos e os idosos com melhores condições de renda possuem várias
alternativas de programas e modalidades oferecidas pelo setor privado.

A autora Pasinato (2009) conclui com a experiência internacional dos três


países analisados é busca pela divisão de responsabilidades entre os setores
públicos e privados, já que as experiências e tendências dos idosos com perda
funcional são comuns entre todos.

No terceiro capítulo desta produção científica, a autora aborda a


problematização na sociedade brasileira, constatando que a verticalização das
famílias, o aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho e o
envelhecimento populacional, engendram a necessidade de pautar na agenda dos
gestores de políticas públicas os cuidados de longa duração. A autora ainda defende
que além da criação do arcabouço regulatório, a implementação de um sistema de
monitoramento e fiscalização, no caso o de Seguridade Social, permitindo melhor
articulação entre os órgãos públicos e a sociedade que pode ser representada, por
exemplo, pelos Conselhos de Idosos.

Na opinião da autora, no Brasil é necessário rediscutir e redefinir uma série de


parâmetros do atual sistema de seguridade social, em especial os trabalhadores
63

informais, bem como a estrutura de benefícios e serviços, observando-se a


conjuntura das mudanças demográficas, sociais e econômicas para os próximos 10,
20 ou 30 anos.

Por fim, em sua conclusão a autora Pasinato (2009), retrata a importância da


valorização e incorporação dos cuidadores informais, especialmente os de baixa
renda, pelo sistema de seguridade social brasileiro, sendo necessário construir um
arcabouço institucional para o sistema de seguridade social, incorporando os
cuidados de longa duração para os idosos com perda de autonomia e
independência, esta que é uma nova demanda da sociedade brasileira.

3.1.5 Trabalho V: Reforma da Previdência Social: simulações e impactos sobre


os diferenciais de gênero

A pesquisa científica selecionada da tese da autora Izabel Guimarães Marri,


publicada em 2009, versa sobre o cenário de envelhecimento populacional, ressalta
a informalidade do mercado de trabalho e a preocupação com o equilíbrio dos
sistemas de previdência social no Brasil e em vários países do mundo, onde
reformas são necessárias.

O objetivo deste trabalho foi de verificar possíveis mudanças nas regras de


elegibilidade de aposentadorias, pensão e Benefício de Prestação Continuada
(BPC)10 no Brasil e a geração de desigualdades de renda entre os sexos na velhice.
A autora utilizou micros simulações contrafactuais e dados da Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios (PNAD), 2006, analisou as regras de alguns benefícios, com
abordagem dos diferenciais de gênero na renda de homens e mulheres idosas.

Em suma os resultados encontrados mostraram que as possíveis alterações


reduziriam a renda das mulheres idosas, comparado à renda dos homens idosos

10
O BPC é um benefício da assistência social assegurado pelo Governo, à luz da Lei nº 8.742 de
07/12/1992 – Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS). O valor do BPC corresponde ao valor de
um salário mínimo, pago para pessoas idosas com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência de
qualquer idade e que não têm direito à previdência social. Para se ter direito a renda familiar nos dois
casos deve ser inferior a 1/4 do salário mínimo. Não há pagamento de 13º nem direito a pensão por
morte.
64

gerando ainda mais desigualdade neste grupo populacional. A autora chegou à


conclusão de que introduzir idade mínima para aposentadoria por tempo de
contribuição de homens e mulheres, resultaria em maiores reduções das despesas
com benefícios. Tendo em vista a necessidade de redução as despesas do sistema,
do ponto de vista do equilíbrio atuarial e orçamentário é importante que a reforma do
sistema estabeleça um limite mínimo de idade.

Ressalta-se que ao equiparar a idade mínima exigida para aposentadoria


entre homens e mulheres, respeita-se o princípio da equidade, no entanto o
reconhecimento de que a mulher ainda desempenha a função do cuidado com a
11
família, e com isso a impede sua entrada no mercado de trabalho , não permite
que as mulheres tenham o direito a uma aposentadoria, sugerindo o aumento da
desigualdade de renda entre os idosos (homens e mulheres).

Outra alteração que causa redução na renda familiar é a impossibilidade de


se acumular dois benefícios, no caso das mulheres uma aposentadoria e uma
pensão. No estudo realizado pela autora, esse impacto é causado em mais de 61 mil
12
idosas e 17 mil idosos abaixo da linha da pobreza , correspondendo ao acréscimo
de 8% e 2% sobre o número de idosas e idosos pobres observados no ano de
2006, e 81 mil homens e 79 mil mulheres na idade adulta. Sobretudo, a concessão
de dois benefícios a um mesmo beneficiário, e financiados pelo mesmo sistema,
ainda em regime de repartição, parece não ser socialmente justo, mas merece
atenção pelo efeito negativo que pode ocasionar na renda média destas famílias.

Os impactos das alterações nas regras do BPC merecem outro olhar nos
resultados, por ser um benefício assistencial e que atende a população de
baixíssima renda. Aumentar a idade para a elegibilidade ao recebimento, bem como
a redução do valor do benefício, afetaria negativamente as mulheres que são a
maioria que percebem o BPC, aumentando a desigualdade entre os idosos.

A autora Marri (2009), enfatiza que o principal objetivo de restringir o


recebimento do BPC é o incentivo a aposentadoria entre os trabalhadores de baixa

11
Esta realidade aplica-se principalmente às famílias de baixa renda que não possuem recursos para
terceirizar o cuidado com familiares (filhos e idosos), segundo informado na conclusão do trabalho.
12
Segundo nota do trabalho a linha de pobreza foi definida em ½ salário mínimo vigente em 2006,
tendo como referência a renda familiar per capita. A redução do valor da pensão segundo a idade dos
filhos não teria impactos significativos sobre o número de pobres.
65

renda, estimulando assim o mercado de trabalho dessas pessoas que não possuem
incentivos a contribuir, já que possuem um benefício assistencial garantido pelo
sistema de igual valor e em idade muito próxima da aposentadoria.

A última alteração estudada pela autora é a desindexação do valor mínimo de


aposentadoria (piso previdenciário), que reajusta os valores dos benefícios
concedidos pelo sistema previdência social. Pelos resultados de sua pesquisa, a
redução do piso previdenciário aumentaria ainda mais a desigualdade de renda
entre homens e mulheres, devido ao maior de número de mulheres que recebem o
piso previdenciário. Outro dado relevante é que a diminuição do piso aumentaria
também o percentual de pobres, elevando de 47% e 77% o número de pobres entre
os idosos e as idosas, respectivamente. Entretanto, o piso previdenciário pressiona
as contas públicas, visto que seu valor tem recebido ganhos reais desde a década
passada. Porém, a autora coloca uma questão importante a ser pensada: se o valor
do piso já alcançou um nível considerado socialmente justo, em um país com o
desenvolvimento econômico como o do Brasil, e conclui que a indexação do piso ao
salário mínimo, por ter recebido aumentos acima da inflação, contribuiu para a
manutenção dos rendimentos recebidos pelas mulheres.

Por fim, a conclusão da autora é que todas alterações das regras que foram
dispostas no trabalho, tendem a aumentar o diferencial de renda entre os gêneros,
observando-se maior redução na renda média das mulheres e contribuindo para o
aumento da pobreza entre as famílias e mulheres, destacando que as políticas
públicas que não levarem em consideração estes impactos, sugere o aumento
indesejado de desigualdade de renda entre os sexos na velhice.

3.1.6 Trabalho VI: Ensaio de uma didática da matemática com fundamentos na


pedagogia histórico-crítica utilizando o tema seguridade social como eixo
estruturador

Esta tese desenvolvida pela autora Cardia Elizabeth Mattiazzo (2009), que é
professora, teve como abordagem de pesquisa o ensaio de uma Didática da
Matemática, embasada na Pedagogia Histórico- Crítica e foi desenvolvida com a
participação de professores e alunos de escolas públicas na aplicação de conteúdos
66

matemáticos para compreensão do tema político-sociais relacionados à Seguridade


Social. A autora ressalta a importância do conhecimento da Matemática no contexto
da Seguridade Social como Direito Humano, para todos os cidadãos, que por vezes,
é insuficiente e pouco científico e faz uma crítica da Didática aplicada aos alunos em
salas de aula, ressaltando que a política educacional brasileira dos conteúdos
curriculares está fraca e os processos didáticos apresentam frouxidão, conforme
revelado pelos indicadores oficiais e não oficiais.

Para a aplicação da Didática proposta no trabalho científico, a autora planejou


uma atividade de ensino e aprendizagem utilizando o tema: “Déficit da Previdência
Social: mito ou realidade”? tema este escolhido como motivador da reforma do
sistema e de suas discussões veiculadas na mídia. A atividade foi aplicada para
alunos da Graduação em Matemática e alunos do Ensino Médio. Os alunos foram
questionados sobre a questão do déficit do sistema em função de opiniões
contraditórias anunciadas pela mídia e para que os alunos pudessem formar uma
opinião a respeito, os conceitos de déficit e de Previdência Social foram ensinados a
eles.

Segundo a autora da tese, ensinar Matemática e Seguridade Social possibilita


aos alunos o desenvolvimento de senso crítico e de conhecimento político com as
questões político-sociais e ainda ressalta a importância deste conhecimento dos
jovens e da sociedade contemporânea na construção da reforma do sistema de
Previdência Social.

Os resultados da atividade mostraram o aumento do conhecimento dos


alunos que passaram a reconhecer a Previdência Social como componente da
Seguridade Social (58%), a reconhecer a Seguridade Social como objetivação
humana (66,5%) e a reconhecer a Seguridade Social como direito humano (80,5%)
e pode-se concluir que os conhecimentos sobre Seguridade social adquiridos pelos
jovens os tornam cidadãos mais críticos e mais preparados para sua vida
profissional.

Por fim, a autora Mattiazzo (2009) concluiu que os conhecimentos das áreas
de matemática e atuarial podem ajudar-nos a compreender e avaliar o sistema de
seguridade social contribuindo para suas reformas, quando necessárias e ainda
67

defendo que o papel da escola é de se aproximar do tema da Seguridade Social


preparando os jovens para se tornarem cidadãos críticos e que possam participar e
decidir sobre o melhor sistema de proteção social desejado para si e seus
dependentes.

3.1.7 Trabalho VII: Mudança do regime previdenciário de repartição para o


regime misto: uma perspectiva para o Brasil

O trabalho do autor Christiano Ferreira (2012), foi desenvolvido com o objetivo


de tratar de alternativas de reforma do sistema da Previdência Social para redução
do déficit ao longo do tempo. Esta discussão se faz necessária no contexto da
inversão da pirâmide populacional brasileira, em virtude da mudança demográfica
que o Brasil vem passando com taxas crescentes de envelhecimento populacional.
O pesquisador realizou uma resenha dos fatos relevantes da trajetória da
Previdência com estudos e projeções atuariais no Brasil e examinou diversos
regimes de previdência na América Latina, América do Norte, Ásia e países
europeus, no sentido de contribuir para o equilíbrio atuarial do sistema de
previdência brasileiro.

A dissertação teve como propósito também incentivar ações do Governo para


aumentar a arrecadação para o custeio da Previdência Social junto ao setor informal
e autônomo, visto que com o crescimento econômico o déficit tende a reduzir. Ainda
ressalta a importância do sistema previdenciário como uma política de distribuição
de renda, garantindo uma renda mínima para a população brasileira.

Ferreira (2012) salienta que os sistemas financiados pelo regime de


repartição na Europa, tornarão insustentáveis no médio e longo prazo. No Brasil, o
cenário não é diferente. O estudo possibilitou verificar que a mudança do regime
orçamentário, também chamado de repartição13 para um sistema de capitalização14

13
Regime financeiro orçamentário ou repartição simples consiste na arrecadação dos recursos
suficientes para cobrir as despesas esperados do mesmo exercício. Não há constituição de reservas
matemáticas para fazer frente aos compromissos calculados sob esse regime.
14
O regime financeiro de capitalização prevê acumulação de recursos, durante a fase laboral, para
pagamento dos benefícios futuros. Neste regime há constituição de reservas matemáticas.
68

resulta em altos custos de transição, acarretando no aumento de impostos, o que


causaria impacto no crescimento econômico brasileiro.

Atualmente, observamos três visões distintas para os regimes de previdência:


países com reformas neoliberais, adotando a capitalização, países com concepções
de economia socialmente sustentáveis, com o conceito do Bem-Estar social para a
população, adotando políticas de emprego e renda mínima e a terceira visão com
um regime misto, garantindo uma renda mínima no regime de repartição e
permitindo que o trabalhador contribua para um regime de capitalização para
aumentar sua renda na aposentadoria, como por exemplo, os veículos financeiros,
chamados de Fundos de Pensão.

Sobretudo, o regime de capitalização permite reduzir o custo do sistema de


repartição, mas o Governo, sem dúvida, deve implementar políticas de educação,
conceder incentivos fiscais, a fim de conscientizar a população para a formação de
poupança previdenciária.

Os resultados da pesquisa para as pensões rurais apontam que o trabalhador


rural permanecendo no campo, não contribui para o aumento da miséria nas
grandes cidades, e ainda cria mercados consumidores a partir das famílias do
campo, potencializando microrregiões e mesorregiões.

Para o benefício de Pensão por Morte o pesquisador chegou à conclusão que


deve ser feita uma reforma baseada nos sistemas internacionais dos EUA e da Itália.
A reforma deve apresentar carência para a concessão ao benefício; as pessoas
deverão ser casadas ou terem união estável no mínimo de 10 anos; e o valor do
benefício para cônjuge sem filhos deve ser de 60% do valor da aposentadoria do
beneficiário falecido, aumentando para 80% se o cônjuge tiver um filho, chegando
até o limite de 100%; se o beneficiário da pensão por morte casar-se novamente o
benefício será cancelado automaticamente.

O último ponto da pesquisa foi relacionada à assistência domiciliar móvel do


idoso, baseada na experiência dos países como Alemanha, Canadá, Suécia e
Dinamarca, o “Social Dependency Insurance”, cuja experiência poderia ser adaptada
para a realidade brasileira. Estes serviços seriam de responsabilidade da
Seguridade Social, do setor da Saúde, e teria por finalidade auxiliar o tratamento dos
69

idosos com idade avançada, em seus próprios lares, com enfermeiras e médicos
alocados para este tipo de atendimento, permitindo desafogar os hospitais do
sistema público.

Por fim, a dissertação sugere novos estudos empíricos e aperfeiçoamente do


tema de novas pesquisas nas áreas de econometria e macroeconomia, visando
analisar os impactos das políticas previdenciárias.

3.1.8 Trabalho VIII: Economia da Longevidade: O envelhecimento da população


brasileira e as políticas públicas para os idosos

A dissertação de mestrado em Economia Política foi desenvolvida por


Jorgemar Soares Felix (2009), onde analisou a transição demográfica brasileira nas
últimas décadas e as políticas públicas em função do envelhecimento da população.
Foi analisado o terceiro capítulo, especificamente o item 3.4 que dispõe sobre a
importância da seguridade social e a situação do idoso brasileiro contemporâneo
tendo a previdência social um pilar para garantir o bem-estar do idoso. Na análise do
autor chama atenção o alto nível de cobertura entre a população idosa, sendo a
maior parte da renda dos idosos sendo provida pelo benefício da previdência social
tirando-o de uma situação de pobreza em comparação à totalidade da população
brasileira.

O autor destacou em seu trabalho a problemática do déficit da previdência e


as duas reformas ocorridas em 1998 e 2002 na tentativa de ajustar o sistema para
enfrentar o envelhecimento da população o aumento da longevidade e o incentivo à
formalização do mercado de trabalho e a necessidade de se instituir a idade mínima
para a aposentadoria, fato este já estudado pelos países europeus.

O autor Felix (2009), citou em seu trabalho opinião da Dra. Ana Amélia
Camarano de Mello Moreira, pesquisadora do IPEA, em temas como
envelhecimento populacional, demografia e arranjos familiares. Camarano destaca a
falta de atenção à formalização do mercado de trabalho, e a retração do emprego
que causam maior impacto no equilíbrio das contas da previdência social do que o
envelhecimento populacional. Camarano ainda ressalta a necessidade de
70

programas de saúde preventiva e de envelhecimento ativo, políticas públicas de


flexibilidade do trabalho, redução da jornada, trabalho-parcial e aposentadoria-
parcial e ainda salienta que tais políticas vigoram em países da Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Esse conjunto de políticas
públicas mantém o equilíbrio da previdência social e contribui para o bem-estar do
idoso.

O autor Felix (2009), destaca que o envelhecimento populacional não é uma


catástrofe, conforme visão de alguns autores e que este efeito pode ser reduzido na
Previdência Social com políticas públicas, e que a Previdência no Brasil é um
importante sistema de combate à desigualdade social à população idosa no
presente e no futuro. Também propõe mais estudos acadêmicos e a ampliação de
pesquisas sobre o impacto econômico do envelhecimento populacional nos serviços
públicos.

Por fim, conclui que os desafios do envelhecimento populacional implicam a


adoção de uma nova lógica econômica voltada para as necessidades sociais e
menos financeiras. O autor propõe a construção da Economia da Longevidade que
implica em quebra de paradigmas econômicos e mais aprofundamento deste estudo
pelos economistas. Este novo modelo proposto requer outro tipo de participação do
indivíduo nas decisões do Estado e na cobrança de serviços e proteção social.

Na experiência internacional a Economia da Longevidade dependeria de outra


forma de participação dos países periféricos, onde se concentra a maior parte da
população idosa até o final deste século, garantindo maior autonomia na condução
de suas políticas econômicas domésticas.

O autor Felix (2009), finaliza que a Economia da Longevidade contribuiria


para a sociedade deixar de perceber o envelhecimento apenas como catastrófica, e
que há uma oportunidade de se estabelecer um novo mercado consumidor, com
políticas públicas equacionáveis e previdentes.
71

3.2 Descritores: “Previdência Social e Demografia” (2006-2016)

3.2.1 Trabalho I: A Dinâmica demográfica e a sustentabilidade do modelo de


financiamento do regime geral de previdência social

O primeiro trabalho selecionado com base na pesquisa com os descritores


“Previdência Social e Demografia” é de Diana Vaz de Lima (2013), e teve por
objetivo estudos os impactos da transição demográfica no Brasil e o regime de
financiamento da Previdência Social, considerando como fatores de mudanças a
estrutura etária e a dos contribuintes e beneficiários do sistema de previdência
social, com o uso de modelos analíticos da técnica de simulação de Monte Carlo.

O recorte temporal para estimativas e projeções da situação financeira


previdência social foi o período de 2003 a 2030, onde foram utilizadas premissas
demográficas com dados do IBGE e para estrutura etária dos contribuintes, pessoas
físicas, e dos ativos, os dados fornecidos pela base de dados Anuário Estatístico da
Previdência Social (AEPS) Infologo15, no período compreendido entre 2003 a 2011.
Para as premissas econômicas, foram consideradas as características do mercado
brasileiro e as estatísticas fornecidas pelo também AEPS Infologo para os valores
correspondentes ao montante das receitas e despesas previdenciárias, também no
mesmo período de 2003 a 2011.

A autora Lima (2013), apresentou como resultado de sua análise da receita


previdenciária, os crescimentos da arrecadação previdenciária, em todos os anos
analisados, explicando que o fator para este crescimento pode ser a o bônus
demográfico que sugere maior crescimento econômico, resultando em um número
maior de contribuintes ativos quanto pela evolução do valor médio de contribuição.

Ao analisar a receita previdenciária para os períodos de 2012 a 2030 e 2003 a


2030, foi destacado que o envelhecimento populacional afetará a receita
previdenciária ao longo dos anos. Com o declínio da fecundidade, no futuro, os
contribuintes atuais serão financiados por uma população muito menor de
contribuintes, e essa relação de dependência pode comprometer o equilíbrio

15
AEPS Infologo é o Anuário Estatístico da Previdência Social que reúne dados históricos da
Previdência Social, sendo instrumento como principal fonte de informações para pesquisadores,
estudantes, gestores públicos e privados. Está disponível no site: www.previdencia.gov.br.
72

financeiro do sistema previdenciário, já que nos cenários desenvolvidos no trabalho,


se confirma a redução da receita previdenciária para o período de 2012 a 2030,
sinalizando a prevalência da arrecadação em faixas etárias mais velhas.

Com relação à investigação da despesa previdenciária de 2003 a 2011,


verificou-se que o montante das despesas duplicaram comparando com o ano de
2003, cujo valor médio anual do benefício pago apresentou trajetória crescente em
todos os anos analisados, com aumento real de 40% nos valores pagos em 2001
comparativamente a 2003 e conclui que o aumento da despesa foi decorrente do
maior número de beneficiários, principalmente com idade acima de 60 anos e pela
evolução do valor médio do benefício no período analisado.

A autora Lima (2013), analisou o resultado previdenciário total para os


períodos de 2012 a 2030 e 2003 a 2030, e averiguou evidência de aumento
significativo no financiamento das contas previdenciárias, ao longo dos anos,
resultando cinco vezes maior do que a necessidade de financiamento examinada no
ano de 2003. Os principais fatores que causam os déficits apurados em sua
investigação são o “valor médio do benefício” e o “número de beneficiários”.

Sobretudo, os déficits apurados em sua investigação acerca dos dados


históricos da previdência social foram decorrentes de decisões políticas como a
utilização do montante arrecadado para a construção da sede da Associação
Comercial do Rio de Janeiro na década de 1930 e a década de 1950 para a
construção de Brasília.

Por fim a autora Lima (2013), conclui que o equilíbrio financeiro e atuarial é
fundamental para garantia do pagamento de benefícios previdenciários a longo
prazo e indica como uma das alternativas para o financiamento, a técnica de
segregação de massa, e a adoção de modelos híbridos de financiamento como vem
acontecendo em experiências internacionais observadas em países como a França,
Itália, Espanha e Estados Unidos.
73

3.2.2 Trabalho II: Um Estudo sobre a Mortalidade dos Aposentados Idosos do


Regime Geral de Previdência Social do Brasil no período de 1998 a 2002

O segundo trabalho, com os descritores “Previdência Social e Demografia”,


do ano de 2009, foi um estudo feito pela Mariana Cristina Macieira Souza, com o
objetivo de estudar a mortalidade dos aposentados idosos (60 anos e mais), da
Previdência Social brasileira entre o período de 1998 e 2002, onde foi construída
uma tábua de mortalidade com base nas probabilidades de morte dos aposentados.
Os motivos que ensejaram a autora desenvolver a tábua de mortalidade foi o
processo de envelhecimento no Brasil, sobretudo o aumento da expectativa de vida
(as pessoas aposentadas vão receber o benefício por um período maior de tempo) e
a falta de construção de tábuas brasileiras que são utilizadas nos cálculos atuariais e
previdenciários, que são utilizados para dar base ao desenvolvimento de políticas
públicas, monitoramento e controle das contas previdenciárias do sistema.

As probabilidades de morte dos aposentados idosos foram analisadas


considerando o sexo e a idade, onde a autora Souza (2009), obteve a expectativa de
vida a partir da experiência desta população analisada e comparou com as tábuas
de mortalidade do IBGE de 2008 e americana Annuity Table (AT-83), cujo resultado
da tábua nova construída pela autora Souza (2009) demonstrou aderência nas duas
tábuas comparadas. A curva de mortalidade feminina á que ficou mais próxima da
tábua AT-83.

Ressalta-se que as tábuas de mortalidade são instrumentos muito utilizados


pelos atuários, notadamente a expectativa de vida, para mensurar o valor presente
dos benefícios de aposentadorias e pensão, onde se observa o risco de
longevidade. Daí a importância das tábuas de mortalidade e sua aderência na
população que está sendo estudada, para que o resultado seja eficiente, o mais
próximo da realidade comportamental da massa.

Por fim, a autora Souza (2009) salienta a necessidade do desenvolvimento de


outros trabalhos com dados da Previdência Social, para coortes específicas, onde
permitirá uma análise da tendência futura de mortalidade.
74

3.2.3 Trabalho III: A Previdência Social Brasileira após a transição


demográfica: Simulações de Propostas de Reforma

O terceiro trabalho foi desenvolvido pelo Bruno Zanotto Vigna (2006), e


através de simulações, a longo prazo, investigou qual o impacto fiscal das
mudanças introduzidas pela transição demográfica no Brasil e seu agravamento nas
contas previdenciárias com a informalidade do mercado de trabalho, e um sistema
estruturado no regime de repartição, e mostra quais propostas de reforma do
sistema previdenciário apresenta maior resultado da redução dos déficits, onde
avaliou os impactos econômicos de cada uma de suas propostas apresentadas no
em seu trabalho.

O autor Vigna (2006), fez uma breve síntese do histórico regulatório que
aprovou as alíquotas de contribuição do imposto previdenciário, onde transcrevo na
íntegra a seguir, para melhor entendimento dos resultados do estudo:
Quando a LOPS (Lei Orgânica da Previdência Social – Lei nº 3.807 de
26/08/1960) foi aprovada, as alíquotas de contribuição do imposto
previdenciário eram de 6,8% do salário-de-contribuição pagos pelo
trabalhador, além de outros 6,8% referentes à participação do empregador.
Em 1972, a Lei nº 5.859 elevou ambas alíquotas para 8%. Em 1981,
introduziu-se a progressividade das alíquotas: a mais alta, para salários
entre 15 e 20 salários-mínimos. Em 1989, a Lei nº 7.787 elevou a alíquota
de contribuição dos empregadores para 20% da folha de pagamentos. Em
agosto de 1995, passou a vigorar nova escala de alíquotas de contribuição
dos trabalhadores, variando de 7,65% a 11%, determinada pela Lei 9.032
de 28/04/1995 (VIGNA, 2006, p.35).

O autor Vigna (2006), observou que a trajetória crescente das alíquotas de


contribuição é explicada pelo aumento da informalidade no mercado de trabalho e
pela estrutura demográfica do país.

Os resultados das simulações indicaram que se o sistema não passar por


uma reforma, a alíquota continuará com trajetória crescente causando graves
consequências para o mercado de trabalho.

A tabela 2, a seguir apresenta o resumo dos resultados encontrados das


simulações, indicando quais são as alíquotas previdenciárias que gerariam equilíbrio
ao sistema para cada cenário estudado, a saber.
75

Tabela 2. Resumo dos Resultados das Simulações.

Fonte: VIGNA (2006).

n = taxa de crescimento da população;


E = Esperança de vida;
A = Idade média de aposentadoria;
Inativ = Alíquota de contribuição dos inativos;
R = Taxa de reposição previdenciária;
F = Aumento na cobertura previdenciária;
Alíquota = soma das alíquotas do empregado e do empregador, sobre a folha de
salários dos empregados, necessária ao equilíbrio do sistema,

Entendendo os resultados da tabela, a primeira coluna “1960” estão os


parâmetros e variáveis exógenas que descreviam a economia brasileira na década
de 60. Nas demais colunas, as variáveis destacadas em verde foram alteradas para
novas simulações e resultados. Então para o cenário de “1960” a alíquota
necessária para o equilíbrio do sistema é de 29,9%.

Vejamos a simulação da coluna “2010a”, com três variáveis alteradas e que


destacam a conjuntura demográfica brasileira prevista pelo IBGE para o ano de
2010 sendo a redução da taxa de crescimento da população para 1%, o aumento da
expectativa de vida para 80 anos de idade e o aumento da idade média de
aposentadoria, que são as três variáveis mais significativas que impactam o
equilíbrio do sistema. Para esta simulação a alíquota de equilíbrio é de 55,1%,
76

25,2% maior comparada ao cenário da coluna “1960”. Desta forma, podemos afirmar
que os aspectos demográficos impactam o regime previdenciário quando financiado
pelo regime de repartição.

Continuando a análise das simulações, o autor Vigna (2006), no cenário


“2010b” altera apenas a variável da idade média de aposentadoria, aumentando de
55 anos para 57,5 anos de idade, que tem como base uma proposta de reforma do
sistema incluindo a idade mínima de aposentadoria para 60 anos para homens e 55
para mulheres. Podemos notar que a alíquota de contribuição reduz de 55,1% para
44,1%, correspondendo a uma diminuição de 11%, quando comparamos ao cenário
“2010 a”.

No cenário “2010 c” foi prevista a introdução de contribuição pelos inativos,


com uma alíquota de 10% sobre o valor do benefício, onde a alíquota de
contribuição resulta numa redução de 11,1%, passando para 40%.

Na quinta simulação o cenário “2010 d” simula a redução da taxa de


reposição previdenciária16 de 60% para 50%, impactando na redução da alíquota
previdenciária de equilíbrio em 9,2%.

O último cenário simulado “2010 e” trabalhou com a hipótese do aumento de


trabalhadores formais e contribuintes ao sistema previdenciário de 40% para 50%,
onde se verifica a redução de 11,1% na alíquota de contribuição previdenciária de
equilíbrio. A proporcionalidade de redução é de para cada 1% de aumento na
cobertura, a alíquota de equilíbrio cai 1,4%.

Conclui-se que dentre as variáveis simuladas, a que mais causa impacto de


redução na alíquota de contribuição previdenciária de equilíbrio é a formalização do
mercado de trabalho.

Após a leitura da dissertação “A Previdência Social Brasileira após a transição


demográfica: Simulações de Propostas de Reforma” a pesquisadora realizou uma
pesquisa com dados da PNAD, do segundo trimestre de 2013 para complementar a
o trabalho lido e que estão sendo apresentados a seguir:

16
Taxa de reposição previdenciária corresponde ao percentual do benefício pago pela Previdência
Social comparado ao rendimento bruto, recebido na ativa.
77

Segundo dados da PNAD, do segundo trimestre de 2013, as mulheres eram


maioria na população em idade para trabalhar, porém a predominância é dos
homens, para todas as Grandes Regiões do Brasil, conforme demonstrado na Figura
17.

Figura 17. Distribuição das pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de
referência, por sexo, segundo as Grandes Regiões – 2º trimestre de 2013.

Fonte: IBGE, Diretora de Pesquisa, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios Contínua 2013.

Este dado é bastante importante porque impacta a aposentadoria das


mulheres. Percebe-se que as mulheres ainda ficam mais suscetíveis a viver a
velhice na linha da pobreza, pela falta de uma trajetória do trabalho com registro,
pois a mulher ainda assume o papel de cuidadora da família. Atualmente, com a
necessidade de formalizar o registro das empregadas domésticas, esse cenário
tende a diminuir, onde a mulher passa a participar do sistema previdenciário e
garantir uma aposentadoria mínima.

Conforme demonstrado na Figura 18, as diferenças regionais do mercado de


trabalho, cabendo as Regiões Norte e Nordeste com percentual de 59,9% de
trabalhadores formais por conta própria e para trabalhadores familiares auxiliares o
percentual de 11,6%.
78

Figura 18. Distribuição das pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de
referência, por posição na ocupação no trabalho principal, segundo as Grandes Regiões – 2º
trimestre de 2013.

Fonte: IBGE, Diretora de Pesquisa, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional


por Amostra de Domicílios Contínua 2013.

Outro dado interessante da PNAD sobre o contingente de trabalhadores


formais é a distribuição da população por faixas etárias sendo: os jovens de 18 a 24
anos com 14%, adultos com faixa etária entre 25 a 39 anos o percentual de 40% e
na faixa de 40 a 59 anos, cerca de 37%. Os idosos correspondem a 6,5%. Isto
posto, pode-se dizer que 77% da população economicamente ativa está entre 25 e
59 anos e contribuindo para o sistema de previdência. Logo, uma reforma do
sistema da Previdência Social estabelecendo uma idade mínima acima de 60 anos
abrange a maioria das pessoas que ainda estão trabalhando. O que acontece na
prática, é que muitas pessoas acabam se aposentando mais cedo pela Previdência
Social, mas continuam trabalhando o que faz com que o benefício da previdência do
governo sirva de aumento de renda. Porém, do ponto de vista de equilíbrio das
contas previdenciárias, estabelecer a idade mínima é bastante importante e pelos
dados da PNAD não penalizaria tanto as pessoas que trabalham em média até os
60 anos.

Na Figura 19, podemos observar na população com idade de 14 anos ou


mais, com carteira de trabalho assinada, do setor privado, correspondem a 76,4%,
no Brasil, que comparado ao 1º trimestre de 2013, houve um aumento de 1,20%.
79

Figura 19. Percentual de pessoas com carteira de trabalho assinada na população de pessoas de 14
anos ou mais de idade, empregadas no setor privado no trabalho principal, segundo as Grandes
Regiões – 2º trimestre de 2012 e 2013.

Fonte: IBGE, Diretora de Pesquisa, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios Contínua 2013.

Então, políticas públicas devem ser desenvolvidas para estimular o aumento


da população economicamente ativa e contribuintes do sistema de previdência, onde
o efeito seria o equilíbrio das contas previdenciárias, no sistema de repartição, e a
inclusão, principalmente das mulheres, com um benefício mínimo de aposentadoria
garantido pelo sistema e que contribuiria para sua subsistência da velhice.

3.2.4 Trabalho IV: Estado, Políticas Públicas e Previdência Social no Brasil:


uma Análise a partir da Aposentadoria por Tempo de Contribuição

Esta dissertação de mestrado de 2009 foi desenvolvida pela Maíra Pitton


Cavallieri, tendo a pesquisa o objetivo de analisar o Sistema do Regime Geral de
Previdência Social, a partir da Emenda Constitucional nº 20, de 16 de dezembro de
1998, realizada pelo Governo Fernando Henrique, onde se procurou avaliar o
impacto da Aposentadoria por Tempo de Contribuição, em dois aspectos: o atuarial
e o social. A pesquisa se baseou numa revisão literária e com dados coletados
disponibilizados pela Dataprev, pelo IBGE e IPEA.
80

A emenda alterou a estrutura de concessão do benefício de Aposentadoria


por Tempo de Contribuição, com a implementação da regra do fator previdenciário,
atuando na mudança dos cálculos dos benefícios desta modalidade.

A autora Cavallieri (2009) analisou os dados coletados e verificou evidências


nas mudanças advindas da Emenda Constitucional (E.C) nº 20/98 gerando redução
nas despesas previdenciárias com a Aposentadoria por Tempo de Contribuição, com
a desaceleração no ritmo das concessões, uma vez que o fator previdenciário
constitui em redução do benefício. Sobretudo, a redução das despesas
previdenciárias não foi suficiente para eliminar o desequilíbrio atuarial.

Outro ponto que a autora Cavallieri (2009), constatou em sua análise é que a
Emenda Constitucional nº 20/98 não expandiu os direitos sociais com a inclusão da
população que está fora do sistema previdenciário, por estarem inseridos no
mercado informal de trabalho, restringindo apenas aos direitos trabalhistas e
previdenciários, dispondo apenas sobre os assuntos atuariais, demográficos e
fiscais. As novas exigências para concessão da Aposentadoria por Tempo de
Contribuição geraram redução no número de novos benefícios reduzindo as
despesas previdenciárias no período entre 1998 e 2000.

A autora defende que, a inclusão de pessoas no sistema, através de políticas


de formalização, podem aumentar efetivamente o nível de arrecadação,
desonerando os gastos com assistência social a idosos que não tiveram condições
de contribuir ao sistema, durante seu período laborativo.

Um ponto crítico do trabalho foi que a reforma foi conduzida sem considerar
as necessidades reais da maioria excluída, sem o debate com a participação da
população, ficando restrita a pequenos grupos, resultando em uma reforma precária
e sem bases sólidas de sustentação.

Em sua pesquisa, a autora Cavallieri (2009), destacou políticas


governamentais a partir do ano de 2007, com a questão de inclusão previdenciária
divulgando dados positivos pelo Ministério da Previdência, cuja arrecadação
previdenciária no primeiro semestre de 2008 foi 9,9% maior comparada ao mesmo
período em 2007. Segundo o Ministério, este aumento da arrecadação foi decorrente
do aumento real dos salários pagos no país, do aumento da formalização da mão de
81

obra no mercado de trabalho e a melhoria da gestão de benefícios previdenciários,


comprovando assim que a formalidade do emprego é muito importante para o
sistema de previdência. A autora cita o Plano Simplificado de Inclusão
Previdenciária, criado pelo governo Lula, em abril de 2007, cujo objetivo era o de
incluir ao sistema de previdência os trabalhadores de menor renda (pipoqueiros,
camelôs, pedreiros, manicures) e donas de casa.

A autora Cavallieri (2009), concluiu que a manutenção do sistema de


previdência depende de ajustes nas regras de aposentadorias como a inclusão da
idade mínima e da inclusão dos trabalhadores no mercado informal.

3.3 Descritores: “Previdência Complementar e Economia” (2006-2016)

3.3.1 Trabalho I: As entidades fechadas de previdência complementar


enquanto instrumentos de atuação do estado na economia

O primeiro trabalho selecionado com base na pesquisa com os descritores


“Previdência Complementar e Economia” é do autor Silas Cardoso de Souza (2015),
e teve como propósito pesquisar três entidades fechadas de previdência
complementar chamadas de Fundos de Pensão, sendo: Caixa de Previdência dos
Funcionários do Banco do Brasil (Previ), Fundação Petrobras de Seguridade Social
(Petros) e Fundo de Previdência dos Empregados da Caixa (Funcef) que são
patrocinadas por empresas estatais. A pesquisa também averiguou a expansão
financeira do capitalismo, e a crise no desenvolvimento brasileiro, pesquisando o
papel dos Fundos de Pensão como instrumento de atuação do Estado no
desenvolvimento econômico, investigando também, o arcabouço regulatório dos
Fundos de Pensão, analisando a alocação dos seus investimentos e o perfil dos
seus dirigentes.

O trabalho buscou investigar nas últimas décadas do século XX, as mudanças


econômicas mundiais e brasileiras, ainda verificou que o Welfare State Keynesiano
(WSK) foi uma ordenação econômica que possibilitou a expansão da riqueza e
estabilidade financeira na maioria dos países capitalistas, onde o Estado teve o
papel de atuar na ampliação de proteção social, com o processo de acumulação no
82

período laborativo. O autor Souza (2015), salienta que a partir da década de 1970 se
inicia o período de acumulação financeira por todo o mundo, notadamente, gerando
maior mobilidade do capital e a desregulamentação dos sistemas financeiros. O
autor ressalta uma característica importante do ciclo de expansão financeira, os
chamados investidores institucionais17, tendo como papel de destaque os Fundos de
Pensão que são instituições, sem fins lucrativos, que arrecada contribuições dos
participantes em período laborativo, sendo estes recursos investidos no mercado
financeiro com o objetivo de auferir rentabilidade, a longo prazo, para no futuro
promover o pagamento de benefícios previdenciários, estruturado no regime de
capitalização, se tornando um agente capitalista adotado no mundo todo.

O ritmo da expansão financeira no Brasil foi ameaçado com o aumento dos


juros e os choques do petróleo, instituindo uma profunda crise fiscal, observada na
década de 1980, que engendrou a moratória da dívida externa, sendo o setor
público muito afetado pelo grande volume do passivo das estatais em moeda
estrangeira.

Na análise do arcabouço regulatório da seguridade social no Brasil, verificou-


se que a Constituição Federal de 1988 estabeleceu dois pilares de previdência, a
saber: o setor básico formado pela previdência social, de responsabilidade do
Estado, financiada pelo setor público, trabalhadores e empregadores, estruturada
num regime de repartição com cobertura universal e de participação compulsória
para os trabalhadores com emprego formal, formando assim o conceito de
solidariedade entre gerações, modelo este que se constitui no conceito de Estado de
Bem- Estar Social.

O segundo pilar previdenciário citado no trabalho é o setor privado e


complementar. Em 15 de julho de 1977 é criada a primeira lei que dispõe sobre a
previdência complementar (as entidades fechadas), que organiza juridicamente e

17
Investidor Institucional é uma instituição financeira ou estatal que investe no mercado de capitais.
São considerados investidores institucionais o Estado e outras instituições públicas, os bancos, as
seguradoras, os fundos de investimento, os fundos de pensões e outras entidades que invistam no
mercado de capitais comprando e vendendo grandes quantidades de valores mobiliários. Pelos
grandes volumes de títulos que movimentam nos mercados financeiros, os investidores institucionais
são considerados como os mais importantes agentes no mercado de capitais, atuando com uma
perspectiva de longo prazo e muitas vezes assumindo riscos mais elevados desde que as
expectativas de retorno sejam elevadas. Por: Paulo Nunes Economista pela Universidade Nova de
Lisboa, professor universitário nas áreas da economia e da gestão, gestor e consultor de empresas.
Mail de contacto: geral@knoow.net
83

institucionaliza as entidades fechadas, passando a ser regulada e fiscalizada por


vários setores do Governo (Conselho Nacional de Previdência Complementar
(CNPC), Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC),
Conselho Monetário Nacional (CMN)18. Com o passar dos anos, verifica-se a
expansão do sistema de previdência complementar despertando o papel de
incentivador da formação da poupança interna e do nível de investimento do país.

No ano de 2001 um importante avanço do arcabouço jurídico da previdência


complementar, é constatado com a publicação das Leis Complementares nº
108/2001 e nº 109/2001, estabelecendo regras e princípios gerais que disciplina o
caput do artigo 202 da Constituição Federal, regulando o seu funcionamento, os
planos de benefícios e os controles de governança corporativa.

A Lei Complementar nº 108/2001 disciplina as entidades fechadas


patrocinadas por entes estatais (União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios, inclusive suas autarquias, fundações, sociedades de economia mista e
empresas controladas direta ou indiretamente).

o
Art. 1 A relação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios,
inclusive suas autarquias, fundações, sociedades de economia mista e
empresas controladas direta ou indiretamente, enquanto patrocinadores de
entidades fechadas de previdência complementar, e suas respectivas
entidades fechadas, a que se referem os §§ 3o, 4o, 5o e 6o do art. 202 da
Constituição Federal, será disciplinada pelo disposto nesta Lei Complementar
(BRASIL,2001).

A Lei Complementar nº 109/2001 disciplina as entidades fechadas que são


patrocinadas por empresas do setor privado:

o
Art. 1 O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado
de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é
facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos
termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto
nesta Lei Complementar (BRASIL, 2001).

o
Art. 2 O regime de previdência complementar é operado por entidades de
previdência complementar que têm por objetivo principal instituir e executar
planos de benefícios de caráter previdenciário, na forma desta Lei
Complementar (BRASIL,2001).

18
Disponível em: http://www.previdencia.gov.br/.
84

Todo poder regulatório exercido no sistema de previdência complementar,


exerce grande protagonismo na economia nacional, especialmente os Fundos de
Pensão patrocinados pelas estatais tais como: a Previ, Petros e Funcef, que foram
objetos de estudo do trabalho selecionado. O autor ainda afirma que por meio
destes fundos o Estado brasileiro exerceu seu poder acionário, com participações no
mercado financeiro estimulando alguns setores da economia e cita como exemplo a
participação forte dos Fundos de Pensão das estatais como empreendedores nas
áreas de infraestrutura e logística, promovendo investimentos necessários ao
desenvolvimento de setores específicos sendo que somente investimentos gerados
pelo setor privado sozinho não seriam suficientes para o desenvolvimento esperado
para as ferrovias, rodovias aeroportos, concessões de hidrelétricas, exploração e
produção de petróleo.

O autor Souza (2015), analisou a carteira de investimentos dos Fundos de


Pensão, observando comportamento diferenciado entre os fundos. Constatou que a
maioria dos Fundos de Pensão privados, possuem investimentos mais
conservadores, concentrados em renda fixa, concentrados em títulos públicos de
baixo risco. Já os três Fundos de Pensão, pesquisados pelo autor conferiram
maiores participação no segmento de renda variável, com participações em fundos
de investimentos em ações e no segmento de estruturados. Porém, os Fundos de
Pensão acompanham os movimentos do mercado financeiro, alterando a
composição de suas carteiras de investimentos de acordo com as oportunidades de
maiores retornos que o mercado pode oferecer, reiterando os compromissos com a
rentabilidade e segurança do patrimônio dos Fundos de Pensão.

O autor Souza (2015), conclui com sua pesquisa, que o Estado atua na
economia através dos Fundos de Pensão, visando a expansão financeira do
capitalismo que utiliza o mercado financeiro se articulando com investidores públicos
e privados e ainda ressalta a importância do aprofundamento da pesquisa teórica e
empírica sobre Fundos de Pensão, que servem de instrumentos oferecidos pelo
direito econômico, pela sociologia economia e pela economia política e sugere cinco
linhas de pesquisas:

1. Verificar se na estratégia de desenvolvimento dos Fundos de Pensão das


estatais se realmente existe uma lógica e alinhamento aos instrumentos de
85

planejamento governamental, tais como os planos plurianuais (PPA), o


Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e as políticas setoriais;

2. A segunda linha de pesquisa seria a lógica decisória adotada para os


Fundos de Pensão;

3. A terceira linha refere-se à participação dos Fundos de Pensão


patrocinada pelas estatais nas inciativas de ciência, tecnologia e
inovação;

4. A quarta linha é sobre o comportamento das empresas patrocinadoras


em relação às questões trabalhistas e de sustentabilidade social e
ambiental;

5. A quinta e última linha de pesquisa seria averiguar a relação entre os


Fundos de Pensão das estatais e o planejamento, o uso e a ocupação
do solo urbano.

3.3.2 Trabalho II: A importância da previdência complementar e os reflexos no


contexto brasileiro

O segundo trabalho com o tema previdência complementar foi elaborado por


Júlio César Alves Vieira (2013), com uma análise quantitativa do período de 1995 a
2012, da evolução do número de participantes e das reservas técnicas das
entidades abertas e fechadas. Com os resultados de sua análise, o autor fez uma
correlação desses resultados com indicadores econômicos tais como: produto
interno bruto, teto da previdência social, inflação medida pelo Índice Nacional de
Preços ao Consumidor (INPC) e taxa de desemprego, população economicamente
ativa (PEA) e taxa de analfabetismo. O trabalho apresenta a previdência
complementar como uma alternativa para manutenção do bem-estar e qualidade de
vida, na fase de aposentadoria.

O autor Vieira (2013), fez um breve histórico sobre a evolução da previdência


social no Brasil e o arcabouço jurídico da previdência complementar aberta e
fechada, tendo abordado a questão da educação financeira e previdenciária, como
86

aspecto relevante para a população no entendimento da previdência complementar.


Outro dado importante encontrado pelo autor, é que o tema previdência
complementar ainda é incipiente no meio acadêmico, apesar do crescente aumento
interesse pelo tema.

Em relação aos dados pesquisados, o autor encontrou como resultado que o


montante das reservas técnicas correspondentes às entidades abertas de
previdência privada tiveram grande crescimento no período entre 1995 e 2012, em
relação ao PIB, aumentando de 0,3% para 7,4% em 2012. As reformas
implementadas na previdência social estimularam dois crescimentos neste setor,
sendo: aumento de adesões, apresentando crescimento de 538% e aumento no
valor das contribuições.

A previdência complementar fechada também apresentou crescimento, porém


menor quando comparamos com as abertas. O crescimento em relação ao PIB em
1995 era de 10,6% e passou para 15,2% em 2012. O número de novos participantes
no sistema aumentou apenas 33%, no mesmo período analisado. Observa-se a
pouca expansão no sistema de previdência fechada, com a estagnação de novas
empresas que patrocinam planos de benefícios aos seus empregados.

O autor Vieira (2013), concluiu que é fundamental a educação financeira e


previdenciária a população mostrando a necessidade de disciplina e programação
para sua aposentadoria, pela falta de cultura que o brasileiro apresenta na formação
de poupança e planejamento financeiro no presente e no futuro, sendo ainda um
grande desafio para o nosso país.

Com bases nas pesquisas da regulamentação e arcabouço regulatório do


sistema de previdência complementar, o autor Vieira (2013), registra sua opinião
com que houve grande avanço normativo com adequada estrutura regulamentar
vigente, tornando a previdência complementar uma alternativa confiável e segura
para o trabalhador brasileiro.
87

3.3.3. Trabalho III: A regulação da previdência complementar fechada sob a


perspectiva da economia comportamental e a adesão automática como
proposta para a mitigação de vieses cognitivos

O terceiro trabalho foi elaborado por Luis Felipe Lopes Martins (2015), que
investigou a adesão automática no sistema de previdência complementar fechada, a
partir do conceito de racionalidade, tendo como base a Análise Econômica e
Comportamental do Direito. O autor Martins (2015), verificou que existem desvios de
racionalidade das pessoas na hora de decidir sobre sua participação na previdência
complementar, onde ele chama de vieses cognitivos.

O autor Martins (2015), enfatiza que existem comprovações empíricas de que


as decisões das pessoas nem sempre são economicamente racionais. Esses vieses
cognitivos podem influenciar na decisão das pessoas de forma a não escolher a
melhor alternativa para seu bem-estar, por razões como inércia, procrastinação e
superotimismo. A escolha de participar do sistema de previdência complementar
sugere a ocorrência de vieses cognitivos, pois se trata de decisão futura, por um
longo período de tempo, com renúncia do consumo no presente para usufruir no
futuro.

Dessa forma, medidas regulatórias como a adesão automática, por exemplo,


podem minimizar os vieses cognitivos, respeitando ainda a facultatividade da pessoa
em participar do sistema. A adesão automática prevista na regulamentação inclui
automaticamente as pessoas nos planos de benefícios, onde a pessoa precisa
manifestar o desejo de não participar, minimizando assim, os efeitos da inércia, da
autoconfiança e otimismo exarcebado das pessoas que fazem com que não tomem
decisões para seu bem-estar. É importante ressaltar, que a maioria dos planos de
benefícios de previdência fechada, também asseguram benefícios de seguridade,
como o auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e pensão por morte de ativo,
sendo coberturas que a pessoa ou seus beneficiários podem usufruir no presente,
por estes riscos envolvidos na vida de qualquer ser humano.

A adesão automática é uma novidade no Brasil, mas diversos países adotam


esta medida, com resultados muito positivos, conforme pesquisa do autor Martins
(2015), onde transcrevo trecho na íntegra abaixo sobre os resultados:
88

Estados Unidos e Reino Unidos criaram comitês específicos para o estudo e a


utilização das lições da economia comportamental na formulação de políticas
públicas. Na Nova Zelândia, após a adoção da adesão automática na
previdência privada, os níveis de cobertura do setor subiram de 15,8%, em
2006, para 64,4%, em 2013. No Reino Unido, com a implementação da adesão
automática, 2013 foi o primeiro ano de aumento no nível de adesão desde
2006, revertendo ma tendência de queda nos níveis de cobertura
previdenciária. Entre os empregados do setor privado, a taxa de cobertura
subiu de 26% em 2011 para 35% em 2013, o primeiro aumento em uma
década. Após a implementação desse desenho de escolha em planos privados
nos Estados Unidos, verificou-se o aumento de 49% para 86% na adesão
(MARTINS, 2015).

O autor Martins (2015), destaca sua conclusão baseado nos resultados das
pesquisas quantitativas, onde indicam que o percentual de pessoas que optam por
sair do sistema de previdência complementar é bem menor que o percentual de
pessoas que opta por aderir aos planos e por tanto, a regulação jurídica do sistema
deve levar em consideração esses resultados para garantir o bem-estar das
pessoas.
89

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A revolução demográfica do século XXI sinaliza que o mundo está


envelhecendo rapidamente, indicando um marco histórico na sociedade
contemporânea que é a Revolução da Longevidade. A redução da mortalidade
observada em todos os países, incluindo os subdesenvolvidos, tem gerado aumento
na população com idade acima dos 60 anos, apresentando desafios e oportunidades
no desenvolvimento de políticas públicas e uma nova forma de pensarmos a velhice
e a aposentadoria.

“Revolução é o colapso da ordem social em favor de um novo sistema... A


revolução da longevidade nos força a abandonar as noções existentes de
velhice e de aposentadoria. Esta construção social é simplesmente
insustentável diante do incremento de 30 anos de vida”. (KALACHE, 2015,
p. 16)

No Brasil este processo demográfico de envelhecimento está sendo


acelerado. Na França demorou mais de um século enquanto que no Brasil está
acontecendo em apenas duas décadas. A projeção é que a população idosa irá se
triplicar nas próximas quatro décadas com ritmo acelerado. (BANCO MUNDIAL,
2011, p. 19). Uma população idosa apresenta necessidades peculiares criando
desafios sociais e econômicos, sugerindo reformas e ajustes na previdência social,
assistência à saúde, planejamento urbano e mercado de trabalho.

Os gastos públicos com a previdência social no Brasil são semelhantes aos


dos países da OCDE19 em percentagem do PIB, logo as projeções para as próximas
quatro décadas irão causar pressões fiscais adicionais sobre os gastos
previdenciários.
De acordo com as projeções oficiais nas peças orçamentárias da União 20,
verifica-se um déficit de aproximadamente 1% do PIB de 2015 O cálculo atuarial das
peças orçamentárias indica uma necessidade de financiamento crescente atingindo
10% do PIB em 2060, conforme observado na Figura 20 (VALES et al., 2015, p.14).

19
OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, com sede em Paris na França é um
organismo composto por 34 membros. Reúne os países mais industrializados do mundo e alguns países
emergentes atuando nos âmbitos internacional e intergovernamental. Fonte: WWW.sain.fazenda.gov.br
20
PLDO 2016 (Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias):http://bit.ly/1KiiUpu
90

Figura 20. Evolução da Projeção da Necessidade de Financiamento do RGPS – 2014-2060.

Fonte: ABRAPP – Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar,


trabalho – “Previdência complementar e poupança doméstica: desafios gêmeos no Brasil”, 2015.

Diante destas novas circunstâncias de envelhecimento, o sistema de


previdência social precisa de políticas de natureza estrutural com a criação de
idades mínimas para aposentadoria produzindo o efeito de reduzir as despesas
fiscais e ainda incentivar a oferta de trabalho (BANCO MUNDIAL, 2011, p. 53).

Todos os trabalhos que foram selecionados e seus resumos e considerações


finais lidos pela pesquisadora, sobre os descritores “previdência social” e
“envelhecimento”, os autores recomendam a reforma no sistema de previdência
social com a criação de idade mínima para aposentadoria, bem como de políticas
que incentivem o trabalho formal, onde novos contribuintes participariam do sistema,
aumentando a receita previdenciária.

Os resultados das pesquisas certificam que a previdência social, garantindo o


benefício mínimo correspondente ao valor do salário mínimo vigente no Brasil, e a
cobertura dos benefícios previdenciários aos trabalhadores rurais (1991-1993) foram
91

responsáveis pela redução da desigualdade e quase erradicação da pobreza entre


os mais velhos (BANCO MUNDIAL, 2011, p. 50).

O envelhecimento da população concebe mudanças sistemáticas e


endógenas no comportamento econômico e nos indicadores macroeconômicos,
especialmente sobre a poupança que é particularmente importante. Acredita-se que
o envelhecimento proporciona a diminuição da poupança e do crescimento
econômico, conforme explicado pela teoria do ciclo de vida.

Se as políticas públicas forem implementadas adequadamente é provável que


haja aumento de acumulação de capital e aumentos do crescimento, da renda e da
riqueza. No entanto, um estudo econométrico evidencia que o aumento da razão de
dependência na idade mais velha tem causado aumento na taxa de poupança
privada, sugerindo que o envelhecimento pode contribuir com crescimento no futuro
(BANCO MUNDIAL, 2011, p. 50).

O aumento médio da taxa de poupança no futuro será provável uma vez que
a estrutura populacional será composta em grande parte por trabalhadores e idosos
com alto nível de poupança. Mas é importante destacar, que este efeito só será
alcançado através de políticas públicas que criem incentivos para a poupança
privada em instituições confiáveis para os investidores. O Brasil ainda terá um
período de bônus demográfico até 2030, segundo projeções do IPEA, onde pessoas
em plena atividade devem ser incentivadas a poupar, se preparando para um
período de aposentadoria com ganhos extras de vida, e com recursos que possam
manter suas necessidades e seu bem-estar (COSTANZI & ANSILIERO, 2017).

Nesse contexto econômico, fiscal e demográfico e adicionalmente ao regime


geral da previdência, o estímulo à previdência complementar pode auxiliar as
pessoas para uma situação financeira mais equilibrada ao longo da vida, gerando
bem-estar às famílias, representando uma importante oportunidade para o aumento
da taxa de poupança do país.

De acordo com o estudo da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de


Previdência Complementar (ABRAPP) realizado por Vales et al., (2015, p. 47), existe
um enorme potencial para a ampliação da previdência complementar fechada, e por
consequência o aumento da poupança familiar de longo prazo.
92

Segundo Vales et al., (2015, p. 47) “É preciso traçar uma estratégia para
enfrentar necessária e simultaneamente os dois desafios ditos gêmeos: poupança e
previdência complementar”,

Em um dos trabalhos pesquisados observa-se a convergência do estudo da


Abrapp, realizado por Vales et al., (2015), que concluiu que o Estado atua na
economia através da previdência complementar fechada, visando a expansão
financeira do capitalismo e que servem de instrumentos oferecidos pelo direito
econômico e pela economia política.

Segundo estudo da Abrapp, realizado por Vales et al., (2015), os desafios


gêmeos refletem questões complexas e problemáticas, que nunca foram abordadas
de forma vinculadas nas análises técnicas e nas decisões políticas. Uma das
proposições da política macroeconômica é vincular o aumento da poupança das
famílias com a necessidade social de ampliar a rede de proteção dos trabalhadores,
ainda sem vínculo empregatício tradicional, de forma sustentável ao longo do tempo.
Os Fundos de Pensão se tornam uma opção que não se limita a formação de
poupança, mas na manutenção da poupança de longo prazo, sem permitir liquidez
imediata, podendo ser estimulada pelo consumo.

A poupança de longo prazo, não visa apenas proteger as famílias para o seu
bem-estar social, mas para projetos de investimentos de longo prazo, sobretudo na
área de infraestrutura, ampliando o desenvolvimento do país.

Em outro trabalho pesquisado com o descritor “previdência complementar” o


autor chegou à conclusão de que é fundamental a educação financeira e
previdenciária à população mostrando a necessidade de disciplina e programação
para sua aposentadoria, pela falta de cultura que o brasileiro apresenta na formação
de poupança e planejamento financeiro no presente e no futuro, sendo ainda um
grande desafio para o nosso país.

Em outro trabalho selecionado o autor com bases nas pesquisas da


regulamentação e arcabouço regulatório do sistema de previdência complementar,
chegou à conclusão que houve grande avanço normativo com adequada estrutura
regulamentar vigente, tornando a previdência complementar uma alternativa
confiável e segura para o trabalhador brasileiro.
93

Por fim, a expansão da previdência complementar e da poupança a longo


prazo é de interesse nacional, pois permitirá a redução dos gastos públicos para
rendas (média e alta), ampliando a rede de proteção social a população que não
possui uma cobertura mínima previdenciária. A poupança estável e de longo prazo
pode financiar grandes projetos de investimentos, dispensando o governo de
precisar oferecer desonerações tributárias e crédito público (VALES et al., 2015).

Voltando ao tema da Revolução Demográfica, um dos desafios do


envelhecimento da sociedade contemporânea do ponto de vista singular ou coletivo
é o processo de envelhecimento ativo (durante a vida inteira). No ano de 2000, a
Organização para a Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE) definiu
envelhecimento ativo como:

[...] a capacidade das pessoas que avançam em idade terem uma vida
produtiva na sociedade e na economia. O que quer dizer que possam
determinar a forma como repartem o tempo entre as atividades de
aprendizagem, o trabalho, o lazer e os cuidados a outros (OCDE, 2000).

Este conceito rompe parâmetros com as questões do envelhecimento e


enquadram uma nova concepção de envelhecer nas nossas sociedades, emergindo
como projeto que abre janelas para um horizonte de vida que se prolonga,
permeando uma estratégia sempre a favor da igualdade de oportunidades e da não
discriminação pela idade e por gênero no acesso à qualificação, ao emprego e à
formação (QUARESMA, 2007).

Políticas públicas devem ser traçadas a partir de uma visão global,


estratégica, flexível e preventiva. Segundo citação de Walker:

“deve assumir um equilíbrio entre direitos e obrigações. Por outras palavras,


esta estratégia dever ser multidimensional, aplicável ao indivíduo e à
sociedade, de forma integrada. Os indivíduos devem tirar partido das
possibilidades de educação permanente e de formação contínua, promover
a sua própria saúde e bem-estar ao longo de toda a vida” (WALKER, 2002).

O processo de envelhecimento que engendra grandes desafios na elaboração


de políticas públicas em diversas áreas, mas que merecem atenção especial são as
áreas de saúde e previdência social, cujo tema foi objeto desta pesquisa também.
94

Por outro lado, o envelhecimento cria oportunidades em novos produtos e


serviços, por demanda da sociedade em sua conscientização e mobilização
internalizando o conceito de envelhecimento ativo. A Organização Mundial da Saúde
(OMS) também definiu este conceito num processo que busca otimizar as
oportunidades de saúde (bem-estar físico, mental e social), participação e
segurança, buscando a melhorar a qualidade de vidas das pessoas ao envelhecer
(GUIMARÃES, 2006).

Não obstante, a população de idosos mostra contínuo processo de


crescimento nas próximas décadas, possui efetivo potencial de consumo
favorecendo o surgimento de novas oportunidades de negócios no setor imobiliário,
saúde, serviços financeiros, educação, tecnologia, mercado editorial e disseminação
de informações (GUIMARÃES, 2006).

Segundo Guimarães (2006), com a adoção de políticas dentro do conceito de


envelhecimento ativo, cria-se uma ampla e diversificada demanda na área de lazer e
entretenimento, estimulando a oferta de serviços tais como: academia e programas
específicos de ginástica, dança e biodança, programas gastronômicos, festivais e
programas de integração comunitária, grupos de animadores em residências e
serviços de busca de parceiros para ajudar os viúvos e solteiros.

Outro campo de pesquisa relevante para questões do envelhecimento é o


tema sugerido pelo Felix (2009), onde o autor sugere denominar “Economia da
Longevidade”. O autor sugere que para enfrentar os desafios do envelhecimento
populacional, implica na quebra de paradigmas, onde uma nova lógica econômica
deve ser adotada para as necessidades sociais de bem-estar da população, e com a
participação do indivíduo nas decisões do Estado e na cobrança de serviços e
proteção social, diferentemente das políticas públicas que, sobretudo possuem
objetivos financeiros, seguidas de dogmas econômicos.

Felix (2006) conclui que a Economia da Longevidade contribuiria para a


sociedade com uma visão positiva do envelhecimento, ao contrário das previsões
catastróficas apoiadas pela publicidade, sem perceber as oportunidades das
transformações sociais que o processo de envelhecimento populacional concebe na
sociedade e que os desafios das políticas públicas são equacionáveis e previdentes.
95

O envelhecimento engendra grande desenvolvimento humano. As


experiências e habilidades da população de idosos são recursos preciosos para a
economia, às famílias e para a sociedade em geral. A participação ativa desses
idosos na sociedade, em seu pleno exercício de cidadania, torna-se indispensável
para compensar a diminuição de jovens. Através de políticas públicas estratégicas
desenvolvidas no conceito de envelhecimento ativo e enfrentando os desafios de
forma previdente, permitirá o envelhecer dos indivíduos com dignidade e segurança,
numa abrangente transformação social da sociedade contemporânea.

A velhice não é um fato estático; é o resultado e o prolongamento de um


processo. Em que consiste este processo? Em outras palavras, o que é
envelhecer? Esta ideia está ligada à ideia de mudança. Mas a vida do
embrião, do recém-nascido, da criança, é uma mudança contínua. Caberia
concluir daí, como fizeram alguns, que nossa existência é uma morte lenta?
É evidente que não. Semelhante paradoxo desconhece a verdade essencial
da vida: ela é um sistema instável no qual se perde e se reconquista o
equilíbrio a cada instante; a inércia é que é o sinônimo de morte. A lei da
vida é mudar (BEAUVOIR, 1990. p. 17).
96

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previdência complementar para os servidores públicos federais titulares de cargo
efetivo, inclusive os membros dos órgãos que menciona; fixa o limite máximo para a
concessão de aposentadorias e pensões pelo regime de previdência de que trata o
97

art. 40 da Constituição Federal; autoriza a criação de 3 (três) entidades fechadas de


previdência complementar, denominadas Fundação de Previdência Complementar
do Servidor Público Federal do Poder Executivo (Funpresp-Exe), Fundação de
Previdência Complementar do Servidor Público Federal do Poder Legislativo
(Funpresp-Leg) e Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público
Federal do Poder Judiciário (Funpresp-Jud); altera dispositivos da Lei no 10.887, de
18 de junho de 2004; e dá outras providências. Brasília, DF, 2012. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12618.htm. Acesso em
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