Você está na página 1de 25

APOLOGÉTICA

AULA 2
Jeiel França
Igreja Batista Aliança
Apologética e Cultura
• A Apologética sempre ocorre dentro de um
contexto cultural específico;
• Estratégias apologéticas que funcionam bem
em uma cultura podem não funcionar em
outra (missionários na Índia e China
perceberam isso);
• Índia - “Por que você quer nos dar mais um
deus de outro país?”: O Hinduísmo tem uma
infinidade de divindades, consideradas
múltiplas manifestações do Ser Supremo;
Apologética e Cultura
• China - “Nossa religião é o
dinheiro”: A “Revolução
Cultural” de 1966 substituiu os
padrões morais do Confucio-
nismo por outros do
Marxismo-Leninismo-Maoísmo,
depois os substituiu novamente
por nenhuma outra coisa senão
o desenvolvimento econômico,
criando um vácuo moral e
espiritual;
Apologética e Cultura
• Paulo usa a imagem da adoção somente para o
público greco-romano (Rm 8,15,23; 9.4; Gl 4.5;
Ef 1.5), mas nunca para judeus, pois esta
prática não existia no judaísmo;
• Necessidade de novas abordagens em sintonia
como o espírito da cultura, com as
cosmovisões e com os padrões de pensamento
típicos desses povos.
Apologética e Cultura
Apologética para judeus (Atos 2.14-40)
• Boa parte dos primeiros convertidos ao
Cristianismo eram judeus;
• Lucas deixa claro qual era o público para quem
Pedro pregou (At 2.5);
• Grande questão: a identidade de Jesus e sua
relação com a “Lei e os Profetas” (AT);
• Tema central: A vinda de Jesus cumpre a
profecia veterotestamentária;
Apologética e Cultura
Apologética para judeus (Atos 2.14-40)
1ª parte (2.14-21): Interpretação do
Pentecostes à luz do AT (Joel 2.28-32);
2ª parte (2.22-28): Interpretação da vida, morte
e ressurreição de Jesus à luz do AT (Sl 16.8-11);
3ª parte (2.29-36): Conclusão teológica sobre
Jesus à luz do AT (Sl 110.1): Jesus é o Cristo!
4ª parte (2.37-40): Apelo ao arrependimento
(Evangelismo).
Apologética e Cultura
Apologética para gregos (Atos 17.16-34)
• Uma das primeiras e mais importantes
interações entre o Cristianismo e a filosofia
grega;
• Paulo estava em Atenas, onde se localizava a
Academia de Platão;
• Para que o Cristianismo fosse compreendido e
aceito nessa cidade, Paulo precisava lidar com
essa colossal herança filosófica;
Apologética e Cultura
Apologética para gregos (Atos 17.16-34)
• A que pontos de contato Paulo recorre diante
de uma cultura sem conhecimento do AT?
Sentido de divindade: Uso da religiosidade dos
atenienses, e de sua busca pelo “Deus
desconhecido” (17.22,23);
“Livro da Natureza”: Sem poder citar
diretamente as Escrituras, Paulo recorre à
criação (Sl 19.1) para apresentar o Deus
criador “desconhecido” (17.24-27);
Apologética e Cultura
Apologética para gregos (Atos 17.16-34)
Literatura local: Sem poder usar o AT, cita o
filósofo de Atenas, Arato, reforçando seu argu-
mento da proximidade de Deus (17.27,28);
“Unindo os pontos”: União da filosofia de
Arato, com a cultura dos “altares anônimos”, a
intuição dos gregos sobre a divindade e a
revelação na criação, para falar de um Deus
que irá julgar a terra através do “homem” que
Ele designou e ressuscitou (17.29-34)!
Apologética e Cultura
Apologética para romanos (Atos 24.1-25)
• A principal razão para preocupação dos
romanos com o Cristianismo era o culto ao
imperador (religião civil importante para a
estabilidade do Império);
• Os cristãos eram acusados de subversão
política por não prestarem esse tipo de culto;
• Essa foi a principal acusação dos judeus contra
Paulo (“perturbador”; 24.1-9), e ele precisou
fazer sua “apologia” (defesa legal; 24.10-21);
Apologética e Cultura
Apologética para romanos (Atos 24.1-25)
• Segundo estudiosos, Paulo conhecia as “regras
de engajamento” estabelecidas pelo costume
legal romano, e se utilizou delas;
• Paulo faz uma refutação específica das
acusações feitas a ele;
• A estratégia de Paulo, em linhas gerais,
consistiu em deixar claro aquilo em que ele
cria.
Apologética e Cultura
Acusação Defesa
Perturbador, promotor de tumultos Ninguém o encontrou discutindo ou
entre os judeus (vs. 5) incitando no templo ou sinagogas (vs. 12);
falta de provas (vs. 13)
Principal cabeça da "seita dos Adoração ao mesmo Deus dos judeus,
nazarenos" (vs. 5) crença no mesmo texto sagrado (Leis e
Profetas) e nos seus ensinos
(ressurreição, por exemplo; vs. 14)
Tentativa de profanação do templo Entrega de esmolas e ofertas; purificação
(vs. 6) cerimonial antes de adentrar no templo
(vs. 17,18); falsas acusações (vs. 19-21)

• Com uma “apologia” culturalmente adequada,


Paulo abriu oportunidade para explicar o Evangelho
para o governador Félix e sua esposa (24.22-25).
Apologética e Cultura
Apologética na Modernidade (1750-1960)
• Período histórico oriundo do movimento
intelectual chamado de Iluminismo;
• Questionava a religião e a metafísica, pois
estas não podiam ser identificadas pela
observação científica (Naturalismo);
• Ambiente cultural do Ocidente pregando a
“razão humana universal” (razão iluminista)
como chave para os mistérios da vida;
Apologética e Cultura
Apologética na Modernidade (1750-1960)
• John Locke e Claude Helvétius: o ser humano
como “tábula rasa” (“puro”), podendo ser
aperfeiçoado pelo meio político e educacional;
• Nesse período, a defesa racional da
fé (argumentação) tornou-se essencial;
• Apologética voltada para os aspectos lógicos e
racionais da fé, pois os pensamentos cristãos
eram considerados “ilógicos” ou “irracionais”
(como a doutrina da Trindade);
Apologética e Cultura
Apologética na Modernidade (1750-1960)
• Infelizmente, negligenciava os aspectos
relacionais, imaginativos e existenciais da fé,
e minimizava seus elementos de mistério;
• Perigo de importar o racionalismo para o
Cristianismo ao invés de levar o Evangelho
para a cultura racionalista!
• Duro golpe no século XX com as Guerras
Mundiais: como justificar o racionalismo
diante da irracionalidade da guerra?
Apologética e Cultura
Apologética na Pós-Modernidade (1970-)
• O termo surgiu em 1971 como estilo
arquitetônico, mas se difundiu nos campos
filosófico, comportamental, político e social;
• Se define como combinação do “melhor” do
modernismo (“racionalismo”; Ciências Exatas)
com elementos da tradição clássica;
• Rejeita o “uniformitarianismo” (forma única
de pensar e se comportar), que considera
como “opressivo” (influência do marxismo);
Apologética e Cultura
Apologética na Pós-Modernidade (1970-)
• Valoriza a “diversidade” e o “pluralismo” em
todas as formas (cultural, religiosa, sexual,... );
• Considera que a liberdade humana vem da
identificação, contestação e subversão dessas
“metanarrativas” controladoras;
• É criticada por sua superficialidade (não se
aprofunda em nada), ecletismo (tudo é válido)
e relativismo (não existe certo ou errado; a
razão é adaptável, e a verdade não é única).
Apologética e Cultura
Apologética na Pós-Modernidade (1970-)
• Segundo o teólogo Vanhoozer, a Pós-
Modernidade apresenta 4 críticas:
Razão: É contextual e relativa, jamais universal;
por isso a proliferação de “ideias” pouco
racionais (ideologias política, de gênero,
ambiental, reprodutiva, jurídica, histórica, etc);
Verdade: É opressiva; todos tem a “sua
verdade”; não existem verdades universais e
absolutas, todas as interpretações são válidas;
Apologética e Cultura
Apologética na Pós-Modernidade (1970-)
Pós-verdade: forma de modelagem da opinião pública
em que os fatos objetivos têm menos influência que
os apelos à emoções e às crenças pessoais .
“O que você acha?”, “Como você se sentiu?”, “Como foi
pra você...?”, “Qual foi a sensação...?”
História: Não existe uma narrativa, um “fio
condutor” na História; é tudo obra do acaso;
Eu: Todas as formas de definição de identidade
são abertas, fluidas e parciais (gênero,
moralidade, ética, etc).
Apologética e Cultura
• Mesmo a Igreja foi afetada por essa mentalidade:
Timothy Keller (Pastor fundador da Redeemer
Presbyterian Church – NY):
“No final da década de 1980, minha esposa Kathy, e eu nos
mudamos para Manhattan com nossos três filhos para
iniciar um igreja voltada a uma população que, em grande
parte, não frequentava igrejas [...]. Muitos de meus
primeiros contatos afirmaram que as poucas congregações
capazes de conservar seus fiéis haviam conseguido isso
adaptando os ensinamentos cristãos tradicionais ao
espírito mais pluralista local. ‘Não lhes diga que precisam
crer em Jesus – aqui isso é visto como mentalidade
estreita’”.
Apologética e Cultura
Estratégias para a Pós-Modernidade
• Se conscientizar e compreender o contexto
pluralista e relativista em que vivemos;
• Utilizar a atração profunda por histórias e
imagens (não se sentem à vontade com o
argumento racional);
• Aproveitar o interesse em uma verdade que
possa vivenciada, e não provada;
• Importância da “apologética encarnacional”,
que é a ênfase na vida fiel (testemunho).
Apologética e Cultura
Fundamentos intelectuais da Apologética
1. Compreender o evangelho cristão;
2. Compreender o contexto em que se faz apo-
logética;
3. Criar estratégias apologéticas fiéis ao evange-
lho para desenvolver “pontos de contato” com
o contexto cultural.
“OS CRENTES DEVEM ADMITIR SUAS DÚVIDAS – E
TAMBÉM DE SEUS AMIGOS E VIZINHOS – E LUTAR
COM ELAS. JÁ NÃO BASTA APEGAR-SE ÀQUILO EM
QUE VOCÊ CRÊ SIMPLESMENTE PORQUE RECEBEU
COMO HERANÇA. SOMENTE SE LUTAR PROFUNDA E
LONGAMENTE COM OS ARGUMENTOS CONTRÁRIOS
ÀS SUAS CONVICÇÕES VOCÊ SERÁ CAPAZ DE
FORNECER OS FUNDAMENTOS DE SUA FÉ AOS
CÉTICOS – E A VOCÊ MESMO – QUE SEJAM
PLAUSÍVEIS E NÃO RIDÍCULOS OU OFENSIVOS.”
(TIMOTHY KELLER – PASTOR E APOLOGETA CRISTÃO)
HTTPS://WWW.THEGOSPELCOALITION.ORG/REVIEWS/SOULS-OF-CHINA-

RETURN-OF-RELIGION-AFTER-MAO/

HTTPS://WWW.THEGOSPELCOALITION.ORG/ARTICLE/FUELING-EVANGELISM-IN-

SOUTHEASTERN-INDIA/

Você também pode gostar