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Estratégias Pedagógicas para Avaliação

Fonte: dolgachov /123rf

EXPEDIENTE
Autoria: Camila Vioto
Edição: Denise Pellegrini
Leitura crítica: Ana Paula Manzalli
Revisão: Denise Rocha
Design instrucional: Sara Marques
Arte: Lucas Taterka
Coordenação: Bruna Carvalho
Realização: Sincroniza Educação

Licença Creative Commons

Este conteúdo está licenciado com uma Licença ​Creative Commons


Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.​
Objetivos ou expectativas de aprendizagem

● Compreender os modelos de Ensino Híbrido e identificar quais são os mais


adequados para trabalhar o letramento em Língua Portuguesa, Matemática e
Ciências
● Aumentar o repertório de estratégias que utilizam o Ensino Híbrido
● Refletir sobre os relatórios de desempenho dos alunos gerados pelas
plataformas digitais, como forma de avaliação para a tomada de decisões na
busca da personalização do ensino

Tópicos a serem abordados

● Retomada: modelos de Ensino Híbrido


● Utilização de tecnologias digitais para acompanhar e orientar o processo de
aprendizagem e avaliar o desempenho dos alunos
● A forma como a avaliação alimenta o processo de personalização do ensino
● Estratégias de letramento com o Ensino Híbrido
○ Rotação por estações
○ Laboratório rotacional
Introdução
Olá, cursista!
Até o momento você estudou sobre os pilares do Ensino Híbrido e seus
modelos de aula, planejamento e avaliação. Neste bloco falaremos sobre algumas
estratégias de avaliação no Ensino Híbrido e sobre como as tecnologias digitais
podem ser utilizadas para avaliar o processo de ensino e aprendizagem e, assim,
colaborar para a personalização do ensino.

1. Retomada: modelos de Ensino Híbrido

A estrutura de muitas escolas, infelizmente, ainda é igual à do século


passado, e não é preciso refletir muito para concluir que atualmente o perfil dos
estudantes é bem diferente. Portanto, o jeito de aprender não pode ser o mesmo.
Os estudantes utilizam, cada vez mais cedo, as tecnologias digitais, e isso os
faz pertencentes a uma geração que estabelece novas conexões com o
conhecimento. Logo, a transformação da escola torna-se urgente e você, professora,
ou professor, tem papel fundamental nesse processo!
Os alunos que a escola recebe hoje têm um perfil que vai muito além daquele
de meros receptores, e as tecnologias digitais, utilizadas de modo criativo e crítico,
são ferramentas capazes de fazê-los trabalhar com autonomia.
Dentro de uma única sala de aula há diferentes mundos trazidos por cada
aluno. As necessidades e os saberes dos estudantes são bem diferentes e, quando
se utiliza sempre a mesma maneira para ensinar a todos, ao mesmo tempo,
desconsidera-se que cada um aprende melhor de uma forma e dentro de um ritmo.
Para alcançar toda a turma de forma eficaz, a professora, ou o professor, deve
definir no planejamento quais recursos e estratégias vai adotar em aula, o que
depende da intencionalidade educativa. Para isso é necessário compreender aquilo
de que as alunas e os alunos precisam se apropriar, avaliar, refletir sobre os níveis
em que cada um se encontra e conhecer os modelos de Ensino Híbrido, para optar
por aquele que vai atender melhor às necessidades dos estudantes, e então planejar
as aulas.
Vídeo: ​Ensino Híbrido e a formação de professores​ ‒ Lilian Bacich e Veronica
Cannata
Ano: ​2016
Autor: ​Lilian Bacich e Veronica Cannata
Sinopse: ​neste vídeo, durante o IV Congresso Brasileiro de Recursos Digitais na
Universidade Presbiteriana Mackenzie, as professoras Lilian Bacich e Veronica
Cannata apresentam e aprofundam o debate acerca do Ensino Híbrido, falando dos
principais desafios contemporâneos referentes a estruturação técnica, avaliação e
adaptação metodológica dos planejamentos político-pedagógicos das instituições.
Trata-se de uma ótima oportunidade para retomarmos os temas abordados durante
o curso, apreciando a fala de duas especialistas que são referência no assunto.

O ensino por meio de aulas expositivas continua tendo o seu lugar e a sua
importância, mas a aprendizagem não se dá apenas por meio da explicação de
conceitos pelo professor. No Ensino Híbrido, os saberes das alunas e dos alunos
são valorizados, e o papel do professor deve ser de mediador. Dessa forma os
estudantes podem construir suas hipóteses, testá-las e sistematizar os conceitos,
em um processo mais indutivo de aprendizagem (conforme estudamos no primeiro
módulo).
Nesse percurso, é imprescindível que os estudantes façam
experimentações. No processo de ensino e aprendizagem, os modelos de Ensino
Híbrido são excelentes aliados. Eles são divididos em dois tipos: os sustentados,
que combinam as vantagens da educação on-line com os benefícios da sala de aula
típica das escolas brasileiras; e os disruptivos, que rompem com as principais
características das salas de aula que conhecemos, como a divisão por séries ou
anos, o currículo e a divisão por disciplinas.
Entre os modelos sustentados, temos rotação por estações, laboratório
rotacional e sala de aula invertida. Entre os disruptivos, os flex, ​à la carte​ e virtual
enriquecido e a rotação individual. A seguir, retomaremos os quatro modelos
rotacionais de Ensino Híbrido estudados no módulo anterior.

1.1 Modelos de rotação

Para que você relembre as características dos modelos de rotação que


compõem o Ensino Híbrido, ouça o podcast a seguir.

Para apoiar seus estudos e sua consulta ao nosso material, sistematizamos


as características dos modelos rotacionais do Ensino Híbrido no quadro abaixo.
Trata-se de um resumo do que apresentamos em nosso podcast!
Quadro 1 - Modelos de rotação no Ensino Híbrido

Fonte: elaborado pela autora

Retomamos neste tópico os modelos de Ensino Híbrido e vimos que, além


da rotação individual, os sustentados são os mais adequados, já que inserem as
tecnologias digitais no processo de ensino e aprendizagem, conservando o modelo
educacional da maioria das escolas do Brasil. Antes de avançar para o próximo
tópico, que tal responder à atividade a seguir?
1) A professora Natália pretende incluir em seu planejamento de Língua Portuguesa
uma aula semanal no modelo do Ensino Híbrido, contemplando a aprendizagem
colaborativa. A turma do 6° ano tem 23 crianças e ela conta com 12 notebooks,
pelo período de 1 hora. Nesse contexto, o modelo de Ensino Híbrido ​mais
indicado​ é:
a) Rotação por estações
● Incorreta: a professora levaria aproximadamente 10 minutos para
dividir os grupos e explicar as atividades, tendo, portanto, 50
minutos de aula. Se fossem montadas 3 estações, as crianças teriam
por volta de 15 minutos para realizar cada atividade, tempo
insuficiente para que todas concluíssem seus trabalhos.
b) Laboratório rotacional
● Correta: utilizando esse modelo, a professora dividiria a turma em
dois grandes grupos. Um deles faria uma atividade impressa e o
outro, com os notebooks, acessaria uma plataforma definida
antecipadamente. Se a explicação das atividades e a divisão dos
grupos levassem cerca de 10 minutos, as alunas e os alunos ainda
teriam 25 minutos para realizar cada atividade.
c) Sala de aula invertida
● Incorreta: nesse modelo, os alunos têm acesso a um conteúdo em
casa e resolvem uma atividade em sala.
d) Modelo flex
● Incorreta: a organização dos estudantes não se dá por séries/anos,
como na maioria das escolas do Brasil. Portanto, é um modelo
disruptivo e a proposta seria inviável nas circunstâncias descritas.
e) Rotação individual
● Incorreta: a rotação individual não contemplaria a aprendizagem
colaborativa, citada na contextualização.

2. Utilização de tecnologias digitais para acompanhar e orientar o


processo de aprendizagem e avaliar o desempenho dos alunos

Depois de retomar as características dos modelos de Ensino Híbrido, é hora


de abordar a avaliação. Se houver questionamentos sobre as avaliações que eram
realizadas na sua escolarização, você certamente vai se lembrar de um dos únicos
modelos que eram utilizados: a prova! Ela era vista muitas vezes como um
instrumento de punição ou como mera ferramenta de classificação ao final de um
bimestre, semestre ou ano.
Os métodos de avaliação precisam ser repensados ‒ e estão sendo ‒, já que
papel, lápis e caneta não são mais os únicos recursos disponíveis, e avaliar apenas
para classificar não é mais concebível. No Ensino Híbrido, “isso fica bastante claro: é
preciso adotar a função diagnóstica da avaliação de maneira central, se existe a
pretensão de repensar o ambiente escolar” (RODRIGUES, 2015, p. 124). A
tecnologia digital possibilita novos métodos de avaliação modificando, assim, a
forma como são entregues esses resultados ‒ on-line ‒, o que proporciona mais
praticidade ao trabalho docente, pela forma objetiva com que os dados são
coletados. É importante enfatizar, sobretudo, que o termo “híbrido”, neste contexto,
remete à utilização do virtual e do físico. Os recursos materiais de avaliação,
portanto, não devem ser substituídos, mas usados em conjunto com os instrumentos
on-line.
As tecnologias digitais seriam apenas uma tarefa a mais para a professora,
ou o professor, se não fossem capazes de gerar alguma modificação no processo de
ensino e aprendizagem. Além de proporcionarem aos alunos uma forma mais
atrativa de avaliação, baseada na coleta automática de dados ‒ muitas vezes os
estudantes nem percebem que estão sendo avaliados ‒, as tecnologias digitais
respeitam o ritmo de cada um, já que os estudantes não precisam estar todos na
mesma página do livro ou da apostila ao mesmo tempo.
Essas tecnologias permitem à professora, ou ao professor, fazer uma análise
posterior dos dados obtidos, já que pouco provavelmente o docente daria conta de
observar a todos em sala de aula, mesmo que em subgrupos. Dessa forma, a
avaliação vista como forma de verificação da aprendizagem vai além de aprovar ou
reprovar estudantes. A análise dos dados favorece a personalização do ensino, o
que possibilita oferecer conteúdos no momento oportuno, com o melhor método e da
maneira mais adequada a cada aluno, aproveitando assim o potencial de cada um.
Após analisar as informações obtidas e definir, no planejamento, as
habilidades que serão trabalhadas, é preciso escolher uma ferramenta que esteja de
acordo com os objetivos de aprendizagem. Considerando as áreas de Língua
Portuguesa, Matemática e Ciências, temos algumas sugestões de recursos
educacionais digitais (REDs), a saber:

● Kahoot! ​‒​ ​Nessa plataforma, é possível criar ​quizzes​ com questões objetivas,
fornecendo aos alunos de duas a quatro opções de resposta. Esse recurso
oferece relatório de desempenho, que pode ser utilizado como forma de
avaliação. É possível ver, detalhadamente, a resposta de cada aluno para
cada questão do ​quiz.
● Google Formulários​ ‒ Conforme já apresentamos aqui neste módulo, eles
permitem a criação de perguntas e dá à professora, ou ao professor, acesso
ao desempenho dos estudantes. Quando configurado no modo teste, o
Google Formulários habilita em cada pergunta uma "Chave de Resposta",
onde a professora ou o professor insere o gabarito de sua prova. Com isso,
ela pode ser corrigida automaticamente, o que economiza tempo e esforço do
professor!
● Flippity​ ​‒​ ​Esse recurso foi apresentado no módulo anterior. Trata-se de um
banco de ferramentas em que é possível criar cruzadinhas, cartões de
estudo, atividades interativas e muito mais! Com a possibilidade de inventar
jogos, a plataforma é uma grande aliada na personalização do ensino, tão
necessária para lidar com a defasagem e a heterogeneidade dos estudantes.
● Socrative ​‒​ ​Essa ferramenta permite à professora, ou ao professor, obter
informações sobre o desempenho dos estudantes. Os estudantes podem
responder às perguntas pelo celular, por exemplo, e o professor terá acesso,
em tempo real, às respostas, à sua média e ao ranking, e poderá utilizar
esses dados para personalizar a sua aula.
● Plickers ​‒ Ferramenta com atuação em versão web ‒ que roda a partir do
navegador, sem a necessidade de instalação prévia ‒ e em versão de app
para dispositivos móveis. Proporciona à professora ou ao professor a coleta
de dados por meio de perguntas de múltipla escolha através de um
escaneamento das respostas em tempo real. O Plickers armazena
automaticamente o desenvolvimento individual de cada estudante, o que gera
uma visualização privilegiada ao docente, com médias comparadas e gráficos
individuais e coletivos.
● Edpuzzle​ ​‒ Plataforma de criação, edição e curadoria de vídeos para fins
pedagógicos. Possibilita o cadastro da escola e a criação de turmas para a
organização do conteúdo e sua difusão entre os estudantes de maneira
específica. Potencializa uma aprendizagem individualizada na qual os
estudantes podem ter feedback imediato ou comentários individualizados por
parte da professora ou professor. A plataforma também pode ser configurada
para que seja permitido o recolhimento de dados enquanto os estudantes
assistem aos vídeos ou interagem com eles.
● Khan Academy​ ‒ A maior plataforma adaptativa gratuita do mundo contém
milhares de atividades e vídeos nas áreas de Matemática e Ciências. Você
pode criar turmas em sua conta na Khan Academy e vincular as contas de
seus alunos a elas. Com isso, será dado acesso a diferentes relatórios de
desempenho dos estudantes, indicando onde eles tiveram dificuldade, por
quanto tempo estudaram, quantas habilidades desenvolveram etc. É possível
também realizar recomendações de atividades aos alunos, através da
plataforma, de acordo com suas necessidades (intervenção a partir da
avaliação).

Nesse tópico vimos a importância da avaliação no trabalho com o Ensino


Híbrido: ela permite coletar e analisar dados de forma prática para tomar decisões e
personalizar o ensino. Também retomamos alguns REDs vistos no módulo anterior,
que serão muito úteis no desenvolvimento do trabalho de letramento em Língua
Portuguesa, Matemática e Ciências por meio do Ensino Híbrido. Agora responda à
atividade a seguir, antes de passar ao tópico seguinte.

#ATIVIDADE 2#

2) No Ensino Híbrido, a coleta e a análise de dados são de extrema importância para


a avaliação como verificação da aprendizagem, visando à personalização do
ensino. Em relação à avaliação nessa modalidade de ensino, podemos afirmar
que:
a) Diante da proporção que as tecnologias digitais tomaram, as avaliações
on-line devem substituir as tradicionais.
● Incorreta: apesar da importância das atividades virtuais, elas não
substituem as avaliações impressas; a ideia é agregar e
diversificar as ferramentas de avaliação.

b) Os relatórios de desempenho criados pelas plataformas on-line são recursos


que, somados às avaliações tradicionais, permitem a personalização do
ensino.
● Correta: o Ensino Híbrido é a combinação do virtual e do físico. Os
recursos on-line, portanto, não substituem os recursos materiais,
mas devem ser somados a eles. Além disso, os relatórios gerados
pelas plataformas proporcionam mais praticidade e podem ser
analisados posteriormente.

c) Os dados gerados nas plataformas digitais servem à professora, ou ao


professor, apenas para verificação.
● Incorreta: os relatórios gerados virtualmente podem e devem ser
utilizados como uma das formas de avaliação, pois fornecem
dados para a tomada de decisões.

d) As ferramentas on-line são sempre pagas. Portanto, não são todas as escolas
que têm acesso a esse tipo de avaliação.
● Incorreta: existem ferramentas totalmente gratuitas, ou que
oferecem planos sem custo. O Google Formulários é uma delas.

e) As atividades dentro do Ensino Híbrido não podem ser avaliadas, já que as


aulas são gerenciadas também pelos alunos, e não somente pelos
professores.
● Incorreta: diferentemente das aulas tradicionais, as aulas
baseadas no Ensino Híbrido permitem aos estudantes participar
ativamente, no centro do processo de ensino e aprendizagem, e as
diferentes formas de avaliação são de extrema importância para
que os professores atuem na personalização do ensino.

Livro: ​Ensino Híbrido: personalização e tecnologia na educação


Autores: ​Lilian Bacich, Adolfo Tanzi Neto e Fernando de Mello Trevisani (orgs.)
Ano: ​2015
Editora: ​Penso
ISBN: ​978-85-8429-048-2
Sinopse: ​o livro é resultado do trabalho do Grupo de Experimentações em Ensino
Híbrido, composto de professores e coordenadores. O projeto foi desenvolvido pela
Fundação Lemann e pelo Instituto Península. A publicação apresenta os modelos ​de
Ensino Híbrido,​ relata a experiência de alguns professores e, no final, oferece
templates c​ om exemplos de planejamento que podem servir de inspiração para o
trabalho com sua turma.

3. Como a avaliação alimenta o processo de personalização do


ensino

Depois de abordar no tópico anterior a avaliação no Ensino Híbrido e retomar


alguns REDs, vamos, a seguir, tratar da avaliação como caminho para a
personalização do ensino. A avaliação, principalmente a diagnóstica e a processual
(que, como o próprio nome diz, ocorre durante o processo), é fundamental para que
a professora, ou o professor, tenha repertório sobre os alunos e possa realizar um
processo contínuo de verificação e replanejamento. Segundo os educadores Grant
Wiggins e Jay McTighe
A avaliação efetiva mais se parece com um álbum de memórias com
lembranças e fotografias do que com uma única fotografia instantânea. Em
vez de usar apenas um teste, de um único tipo, ao final do ensino, os
professores avaliadores eficazes reúnem inúmeras evidências ao longo do
caminho usando uma variedade de métodos e formatos (WIGGINS e
MCTIGHE, 2019, p. 148).

Dessa forma, as avaliações fornecem dados que permitem a tomada de


decisões. Após aplicar a avaliação diagnóstica em todos os alunos e identificar
diferentes níveis de proficiência em sua turma, por exemplo, é o momento de
planejar: é possível agrupar os alunos por nível de conhecimento em um
determinado tópico ‒ a fim de dar as orientações de acordo com as necessidades
deles, fazendo intervenções pontuais ‒ ou agrupar aqueles com níveis diferentes, o
que promove a aprendizagem colaborativa, entre pares. Isso vai depender da
atividade proposta e dos seus objetivos. A avaliação também norteia a professora,
ou o professor, para que faça as alterações necessárias em seu planejamento,
possibilitando aos alunos alcançarem com mais facilidade os objetivos propostos.
De acordo com Leandro Lima e Flávia Moura, participantes do grupo de
experimentações em Ensino Híbrido que resultou no livro ​Ensino Híbrido​:
personalização e tecnologia na educação, ​no contexto do Ensino Híbrido, outro
ponto positivo para a avaliação é que

em um modelo clássico, o aluno tem aulas por um período de tempo, e


somente após uma avaliação é que o professor identifica falhas. No ensino
híbrido, essas falhas devem ser identificadas a cada aula e utilizadas como
combustível das atividades seguintes. Um modelo de avaliação contínua é
mais adequado para acelerar a orientação pedagógica dos estudantes
(LIMA e MOURA, 2015, p. 99).

Não é viável esperar o final do bimestre ou trimestre para avaliar as alunas e


os alunos. A avaliação pode e deve ocorrer em cada atividade, mesmo que de
maneira informal, tornando possíveis as intervenções necessárias para que os
estudantes avancem. Nem todas as avaliações precisam produzir uma nota. O
importante é o professor assumir o papel de observador para intervir quando for
necessário.
Com base na avaliação diagnóstica, coletando as informações dos alunos, é
possível agrupá-los intencionalmente. Uma boa opção é o trabalho com
agrupamentos produtivos, que levam em consideração as diferenças entre os
saberes das alunas e dos alunos. Pode-se, então, personalizar o ensino, adequando
as atividades e direcionando cada aluno àquelas que vão ajudá-lo a avançar de
acordo com o seu nível de conhecimento no assunto estudado.
Os agrupamentos produtivos e a adequação das atividades já são adotados
por alguns professores, mesmo sem as tecnologias digitais. A questão é que no
trabalho com o Ensino Híbrido as tecnologias digitais permitem coletar dados mais
facilmente, analisá-los e classificá-los para tomar decisões, planejar e agir de
maneira mais rápida e assertiva em sala de aula. Assim, a personalização do ensino
torna-se possível e as mudanças são feitas ao longo do processo, para que os
estudantes tenham condições de potencializar seus saberes, com a ação do
professor, que atua como mediador.
Os agrupamentos produtivos englobam os conhecimentos que já foram
construídos pelos alunos, a heterogeneidade presente na sala de aula e o trabalho
da aprendizagem colaborativa, que é a troca entre pares. Essa troca pode contribuir
para a consolidação dos saberes, uma vez que os alunos trabalham em conjunto,
dividindo hipóteses, confrontando-as e confirmando-as ou reformulando-as. Além
disso, essa proposta de trabalho permite ao aluno estar no centro do processo, já
que o papel da professora, ou do professor, passa a ser de mediação.
Com uma postura adotada em aulas tradicionais, dificilmente o professor,
sozinho, seria capaz de alcançar a todos os alunos, contemplando a
heterogeneidade que o ambiente escolar oferece.
Neste tópico, vimos que a avaliação é indispensável ao ensino
personalizado, que é facilitado pelo Ensino Híbrido. Tratamos também da
importância de realizar as avaliações diagnósticas e as processuais ‒ que, com a
utilização das tecnologias digitais, geram relatórios de desempenho dos alunos. Por
fim, você viu que a análise dos dados permite planejar as aulas de forma que todos
os alunos sejam atendidos em suas necessidades. Agora, antes de iniciar o último
tópico, realize a atividade a seguir.

3)​ A professora Natália, do 9° ano, está planejando uma aula no formato laboratório
rotacional, com atividades de Biologia. As sondagens feitas por ela através de
alguns exercícios sobre a Primeira Lei de Mendel mostram que 25% da turma
teve 100% de aproveitamento, 25% alcançou a média proposta e 50% dos
estudantes ficaram abaixo da média do desempenho esperado na resolução dos
exercícios.
É possível que todos os estudantes façam juntos as novas atividades de análise
de cruzamento genético propostas por Natália?

a) Não, pois os níveis dos alunos da turma são muito diferentes.


● Incorreta: as turmas de todas as etapas de escolarização são
sempre heterogêneas. Cabe à professora, com base nas
avaliações diagnósticas anteriores, fazer os agrupamentos
necessários de acordo com a proficiência e assertividade dos
estudantes no conteúdo.

b) Sim, todas as turmas são heterogêneas, pois os saberes dos alunos são
diferentes. Nesse caso, Natália pode trabalhar com agrupamentos produtivos
para potencializar os conhecimentos dos estudantes.
● Correta: o foco do ​Ensino Híbrido ​é coletar dados e analisá-los
para a personalização do ensino. Tendo acesso aos resultados das
avaliações, Natália pode planejar as mesmas atividades para todos
os alunos, trabalhar com agrupamentos produtivos e fazer as
intervenções e adequações necessárias, visando à equidade.

c) Sim, é possível a todos os estudantes fazerem as mesmas atividades, mas


não no modelo de laboratório rotacional.
● Incorreta: o modelo de laboratório rotacional abre à professora um
leque de possibilidades. A subdivisão dos grupos é uma delas, e,
com um número reduzido de alunos, pode-se dar ainda mais
atenção àqueles com maiores dificuldades.

d) Na atividade on-line, os alunos podem realizar os mesmos trabalhos com


graus de dificuldade variados. Já na outra atividade, se fosse impressa, isso
não seria possível.
● Incorreta: a professora não precisa criar um tipo de atividade para
cada estudante. A forma de trabalhar a mesma atividade com cada
aluno é que pode ser diferenciada.

e) Não, porque o ideal é uma aula no modelo rotação por estações, para dividir
a turma por nível de proficiência no conteúdo.
● Incorreta: mesmo que a aula fosse em rotação por estações, não
há necessidade de dividir os estudantes por nível de proficiência.
Natália pode trabalhar com agrupamentos produtivos.

4. Estratégias de letramento em Língua Portuguesa, Matemática e


Ciências com o Ensino Híbrido
Depois de estudarmos, no tópico anterior, a importância da avaliação para o
ensino personalizado e as vantagens trazidas pela utilização das tecnologias digitais
nesse sentido, vamos focar, agora, estratégias de letramento em Língua
Portuguesa, Matemática e Ciências no Ensino Híbrido. Considerando que, durante o
processo de aprendizagem, os alunos constroem hipóteses e progridem com a
mediação feita pelos professores, é evidente que as turmas serão bastante
heterogêneas ‒ e as diferenças de proficiência tendem a aumentar ao longo dos
anos de escolarização. Como possibilitar aos alunos com defasagens avançarem,
de forma que, ao mesmo tempo, os que estão no nível esperado para seu ano não
sejam desestimulados com as atividades propostas?
Esse é um desafio a ser enfrentado diariamente nas escolas, e o ​Ensino
Híbrido​ pode ser um grande aliado por proporcionar a personalização do ensino.
Leandro Lima e Flávia Moura defendem que:

personalizar não é traçar um plano de aprendizado para cada aluno, mas


utilizar todas as ferramentas disponíveis para garantir que os estudantes
tenham aprendido. Se um aluno aprende com um vídeo, outro pode
aprender mais com uma leitura, e um terceiro com a resolução de um
problema – e, de forma mais completa, com todos esses recursos
combinados. Quando um professor usa um texto e a mesma sequência de
exercícios para todos os estudantes, ele exclui essas possibilidades e
impõe um único caminho para construir o conhecimento. (LIMA e MOURA,
2015, p. 98)
Portanto, você não precisa planejar e levar para a sala de aula uma
atividade diferente para cada estudante de acordo com o nível de conhecimento em
que eles se encontram no momento. Com os modelos de rotação do Ensino Híbrido,
é possível, por exemplo, em uma mesma aula, atingir positivamente a toda a turma,
pois cada estação pode abordar um conteúdo de forma diferente. Além disso, com
as plataformas digitais, podem-se direcionar as atividades a cada estudante, de
forma ainda melhor.
A seguir apresentamos ideias simples para o trabalho por meio do Ensino
Híbrido. São planejamentos de aula nos modelos rotação por estações e laboratório
rotacional. Essas sugestões não são receitas a ser seguidas passo a passo, mas
inspirações para que você, conhecendo a realidade da sua escola e as
características dos alunos da sua turma, faça mudanças e adequações em busca de
um trabalho de qualidade.
4.1 Rotação por estações
Tabela inspirada nos templates de planos de aula apresentados no livro ​Ensino Híbrido:
personalização e tecnologia na educação

Observações: ​para a realização dessa atividade, a professora, ou o professor, pode


organizar as estações em uma mesma sala, e se dividir entre as estações 1, 2 e 3,
intervindo quando necessário, já que elas podem demandar um pouco de auxílio
para a compreensão de termos e conjunturas.
4.2 Laboratório rotacional
Tabela inspirada nos templates de planos de aula apresentados no livro ​Ensino Híbrido:
personalização e tecnologia na educação

Observações: ​caso a escola não tenha muitos computadores à disposição ou uma


rede de internet rápida, não haverá problema para pôr em prática o que foi estudado
aqui, pois trabalhar com os alunos em duplas e grupos é ainda mais produtivo!
No último tópico deste módulo, vimos algumas estratégias de letramento
planejadas com os modelos sustentados do Ensino Híbrido, aqueles que conservam
as características típicas das salas de aula das escolas do nosso país. Para testar
seus conhecimentos sobre o tema, responda à atividade abaixo.

4)​ Elisa é professora de Matemática de uma turma de 9° ano com trinta alunos. Na
escola há apenas dez computadores. É possível que Elisa trabalhe com os
modelos de Ensino Híbrido, rotação por estações e/ou laboratório rotacional, em
alguma de suas aulas?

a) Não, pois trabalhando sozinha seria inviável dividir a sala em dois ou mais
grupos.
● Incorreta: é possível, sim, dividir os alunos para que realizem
atividades diferentes, mesmo com um professor apenas. Basta
planejar uma das atividades de forma que eles possam realizá-la
sozinhos ou colaborativamente, e dar mais atenção aos que
estiverem fazendo a segunda atividade.
b) Sim, pois os alunos podem usar os computadores em duplas. Ela pode utilizar
o mesmo espaço para as atividades, ficando em condições de auxiliar a todos
os alunos.
● Correta: dependendo da atividade, não é necessário que cada
aluno tenha à disposição um computador. Além disso, é possível
planejar atividades que os estudantes tenham autonomia para
realizar. Assim, a professora pode se fixar em apenas uma delas.
Se for realmente necessária a ajuda de mais um professor, uma
alternativa é trabalhar em conjunto com o colega de outra turma da
mesma série.
c) Não, pois, mesmo que ela dividisse a turma em dois grupos, o número de
computadores ainda seria insuficiente.
● Incorreta: para utilizar os dispositivos digitais, não é necessário
que cada aluno tenha um aparelho. Nesse caso, a professora pode
planejar atividades em duplas.
d) Não, pois, para trabalhar no formato de rotação por estações, ela precisa da
ajuda de mais duas professoras.
● Incorreta: mesmo no trabalho de rotação por estações, em que se
divide a turma em três ou mais grupos, é possível planejar parte
das atividades para que os alunos a realizem sem a ajuda do
professor.
e) Sim, porque ela pode trabalhar no formato de rotação por estações ou
laboratório rotacional sem utilizar os computadores, já que a quantidade de
máquinas é insuficiente.
● Incorreta: não há problema em se inspirar nos modelos rotacionais
para atividades sem internet, mas, para ser considerado Ensino
Híbrido, é indispensável que uma das atividades ocorra com o
elemento on-line.

Foram muitos os conhecimentos apresentados aqui, e talvez você esteja se


perguntando por onde começar a pôr tudo isso em prática. Sugerimos, como
primeiro passo, realizar uma avaliação diagnóstica da turma sobre um novo tema
que você vai abordar no próximo mês e organizar os alunos em agrupamentos
produtivos. Assim, você vai oferecer condições a todos de realizar as atividades e
avançar em seus conhecimentos. Para isso, por que não utilizar o Google
Formulários? Seguindo as dicas que passamos no bloco anterior deste módulo, você
terá a ajuda da tecnologia para mapear os conhecimentos e defasagens de seus
alunos e ficará muito mais fácil propor intervenções assertivas!

A proposta de aplicação prática é a mesma do curso presencial. Se você


ainda não começou, este é o momento de pôr a mão na massa! Opte por um dos
planos de aula elaborados pelo seu grupo e fotografados por você na oficina, para
aplicar na turma. Você pode, inclusive, adotar as sugestões deixadas por seus
colegas, no flipchart, e adaptar o que for necessário de acordo com as necessidades
dos seus alunos.
Após a aplicação, registre a experiência: o que deu certo? O que precisa ser
alterado? O que você observou em relação à aprendizagem dos estudantes? Não se
esqueça de levar suas impressões para compartilhar com os demais professores na
próxima oficina.
Bom trabalho!

Considerações Finais
Caro cursista, neste bloco do curso, estudamos mais um pouco sobre o
Ensino Híbrido, passando pelos seus modelos sustentados ‒ que são os que mais
se aproximam das características das escolas do Brasil ‒, e retomamos os recursos
educacionais digitais, que podem facilitar e ampliar suas estratégias de avaliação.
Trouxemos também dois planejamentos de aula para você aproveitar como
inspiração.
Nós, professores, temos ao nosso alcance a oportunidade de mediar os
estudantes na construção de suas competências e habilidades, que vão abrir a eles
muitas portas. Que o façamos da melhor forma, por meio de pesquisas e práticas
carregadas de sentido e reflexão!
Até mais!
Referências

BACICH, L.; NETO, A. T.; TREVISANI, F. M. (Orgs.). ​Ensino Híbrido:


personalização e tecnologia na educação.​ ​Porto Alegre: Penso, 2015.

LIMA, L. H. F.; MOURA, F. R. ​O professor no Ensino Híbrido.​ In: Ensino Híbrido:


personalização e tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, 2015.

MEC. ​Base Nacional Comum Curricular,​ 2018. Disponível em


http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_sit
e.pdf

WIGGINS​, G; MC​TIGHE​, J. ​Planejamento para a compreensão: ​alinhando


currículo, avaliação e ensino por meio da prática do planejamento revers​o.​ ​Porto
Alegre: Penso, 2019.

#AVALIAÇÃO DO MÓDULO#

Conte para nós o que você achou deste módulo, respondendo a este
[Formulário]​.
Sua opinião é muito importante para que a gente possa melhorar
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#AVALIAÇÃO DO MÓDULO#