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Autor: Antônio Rogério da Silva

 Análise de Texto: SKINNER, B. F. Sobre o Behaviorismo; caps. 1 e


13, pp. 13-22 e 177-185.

O behaviorismo caracteriza-se por ser uma teoria que em


psicologia e filosofia evita tratar conceitos relacionados aos estados
mentais, desde uma perspectiva introspectiva ou subjetivista. Sua
origem está associada aos trabalhos dos pesquisadores Ivan Pavlov e
John Watson que buscavam princípios científicos para explicarem o
comportamento humano através da observação e experiência
laboratorial. Segundo essa doutrina, os estados mentais são
construções lógicas formadas por disposições comportamentais.

O psicólogo norte-americano Frederic B. Skinner foi aluno de


Watson. Sua principal contribuição ao behaviorismo foi o
estabelecimento do conceito de condicionamento operante. Para
Skinner, todo comportamento seria sujeito a mecanismos de controle
por meio de contingências de reforço de estímulos capazes de
provocar uma determinada ação como resposta. Em seu livro The
Behavior of Organism (O Comportamento dos Organismos, de 1938),
ele relatou suas primeiras experiências de condicionamento de
animais em laboratório. Sua maior preocupação era mostrar como
alguns princípios básicos do ensino podem explicar todas formas de
comportamento humano. Em Tecnologia do Ensino, de 1968, Skinner
apresentou suas máquinas de aprendizagem como uma aplicação
prática de suas idéias para socialização, educação e terapia do
comportamento.

Durante a primeira metade do século XX, o behaviorismo foi uma


corrente dominante, porém o quadro começou a balançar com o
advento da ciência cognitiva, a partir dos anos 50. Para muitos
psicólogos e filósofos cognitivistas, não estava claro que a fórmula
"estímulo-resposta" pudesse ser aplicada a todo tipo de
comportamento humano. Em muitos aspectos, as pessoas parecem
conduzir suas vidas sob um conjunto de crenças e desejos que não
podem ser reduzidos ao arco-reflexo behaviorista.

Sobre o Behaviorismo

Quando Skinner escreve Sobre o Behaviorismo, em 1974, suas


idéias já não ocupavam o centro das atenções, tendo que disputar
espaço com as teses cognitivistas. Por conta disso, todo o livro
assume uma postura defensiva, visando mostrar porque o
behaviorismo ainda seria uma teoria hábil em explicar
adequadamente o comportamento humano, sem precisar apelar para
o vocabulário mentalista que se tornara hegemônico.

Skinner tenta, então, delinear uma variante para o behaviorismo


que trate dos acontecimentos mentais como um comportamento
interno, cuja descrição é acessível à observação experimental. O
texto tem por objetivo apontar as causas do comportamento e, nessa
investigação, as suposições sobre os sentimentos e outros estados
mentais são descartadas. A vinculação da mente ao fato físico e a
perspectiva fisiológica, baseada no exame do sistema nervoso,
também são criticadas, enquanto as alternativas ao behaviorismo
radical, defendido por Skinner, como o estruturalismo e o
behaviorismo metodológico têm seus pontos fracos destacados.

A respeito do estruturalismo, ressalta-se a validade de princípios


organizadores do comportamento, como o costume, que possibilitam
a previsão de ações que ainda não ocorreram. Os padrões de
desenvolvimento históricos são outros componentes estruturais
importantes para compreensão das mudanças, ao longo do tempo.
Entretanto, embora o estruturalismo evitasse uma abordagem
mentalista, na visão de Skinner, falta-lhe informações úteis que
permitam dizer o porque das pessoas seguirem ou não um hábito
qualquer. Tal deficiência deixou margem para manutenção de
explicações mentalistas que complementassem a resposta necessária
sobre as causas do comportamento. Justamente devido ao fato do
estruturalismo dizer apenas como as pessoas agem, não
esclarecendo o porque desse comportamento ocorrer (1).

Quanto ao behaviorismo metodológico, característico dos


primeiros adeptos do behaviorismo, destaca-se a introdução da
história ambiental como um fator decisivo para compreensão do
comportamento. Com isso, circunstâncias e comportamento podem
ser relacionados e o papel do meio ambiente é realçado. Enquanto a
interpretação mentalista paralisasse as demandas mais profundas,
por não levar em conta esse fator fundamental, a atenção dada às
causas ambientais do comportamento abriu novas questões que não
podiam ser mais negadas.

Por adotar essa postura empírica, o behaviorismo metodológico


pôde ser associado ao positivismo lógico, corrente filosófica para a
qual os acontecimentos mentais não deveriam ser alvo de uma
ciência natural, por serem fatos "inobserváveis", do ponto de vista
científico. Para os positivistas lógicos, se um autômato pudesse
reproduzir o comportamento de uma pessoa, nenhuma explicação
mentalista seria mobilizada para o entendimento de seu
desempenho, a não ser os estímulos que o fizeram agir de tal modo.
O behaviorismo metodológico teria a seu favor a descarga de
qualquer filosofia introspectiva. Todavia, esses pioneiros admitiam a
existência de fatos mentais, apesar de não os considerarem em suas
pesquisas, o que proporcionava a especulação sobre mundos
paralelos e um dualismo anacrônico, cujas provas não podiam ser
fornecidas(2).

A fim de superar esse problema, o behaviorismo radical, no qual


Skinner se filia, propõe restaurar a introspecção sob os limites daquilo
que pode ser observado dentro da pele humana. Nesse sentido, busca
o behaviorista radical observar o corpo e sua interação com o meio
ambiente, equilibrando os acontecimentos externos antecedentes e
os ocorridos no mundo privado, interno de cada um. Esse tipo de
abordagem facilitaria o estabelecimento de uma linguagem
comportamental apta a traduzir os termos mentalistas, sempre do
ponto de vista behaviorista(3).

A influência cultural é assim admitida como um dos aspectos


importantes da interpretação comportamental e todos os termos
mentalistas são traduzidos na linguagem behaviorista. O vocabulário
mental é considerado algo que pode ser superado com o
esclarecimento do papel do meio ambiente, devendo ser admitido
apenas como uma linguagem popular a ser superada com a
divulgação adequada das conclusões científicas. O vocabulário
técnico não deve ser esquecido quando a discussão assume ares mais
precisos e a transição da psicologia popular para o behaviorismo
radical é uma mudança histórica a ser efetuada. As conseqüências
práticas disso podem ser percebidas, segundo Skinner, na educação,
política, psicoterapia e na ciência penal que procuram superar o
vocabulário leigo.(4)

Na Própria Pele

Para um behaviorista radical, uma pessoa não passa de um


organismo que possui um repertório de comportamento formado
pelas contingências de reforço, ao longo de sua vida. Por sua vez, a
concepção mentalista considera os membros da espécie humana
pessoas, porque eles se comportam como quem possuísse
características internas específicas, como sensações, vontade e
inteligência. Uma decisão sobre esses dois pontos de vista opostos é
tomada a partir de algumas bases de comparação(5).

Um apelo à simplicidade não pode servir de apoio a teses


behaviorista ou mentalista, embora os argumentos daquela pareçam
mais complexos do que desta. Quanto ao controle do comportamento,
segundo Skinner, os behavioristas têm sido mais aptos a induzirem
mudanças que os mentalistas. A precisão na previsão do
comportamento de uma pessoa também tem maiores chances de
ocorrer se a história dela puder ser resgatada, o que as
pressuposições mentalistas não poderiam fornecer, pois esta se passa
fora da mente.

Uma interpretação behaviorista é mais eficaz na descrição do


comportamento de alguém do que uma mentalista, pois apenas
observando as ações do indivíduo poder-se-ia identificar as suas
idéias e especular sobre sua constituição genética e história
ambiental. Esse tipo de interpretação não se detém em uma causa
arbitrária como a mente de uma pessoa, mas avança numa cadeia
causal infinita que os mentalistas não podem enfrentar sem levar em
conta o ambiente vivido.

Para Skinner, além dessas considerações, os behavioristas


estariam em condições de estabelecer relações com outras
disciplinas, melhor que os mentalistas. O behaviorismo restauraria o
papel do indivíduo e as importância das circunstâncias econômicas,
políticas e culturais que estão na base de seu comportamento. Na
fisiologia, a corrente comportamental proporcionaria o abandono de
concepções mentalistas equivocadas, como relações neurais com
imagens, lembranças etc. Formalmente, a psicologia sustentada pelos
fenômenos subjetivos não constitui uma ciência, o que só o estudo do
comportamento poderia construir sem cometer circularidades(6).

A Mente Behaviorista

Ao longo da história, a mente tem sido justificada por intermédio


de uma mistura de argumentos anatômicos, físicos e sentimentais.
Esse tipo de fisiologia ingênua persiste até nossos dias na tentativa
de descrever um sistema nervoso conceitual que procura explicar um
comportamento mental que já é pressuposto sem maiores
explicações. Essa postura é justamente acusada de circular, ou
arbitrária, uma vez que ela procurar delinear a ação humana como
uma atividade cerebral que é inferida a partir do próprio
comportamento que precisa ser explicado.

O sistema nervoso apresenta dificuldades de compreensão muito


maiores que uma abordagem comportamental. Para Skinner, o
conhecimento preciso da ação ainda está longe de ser obtido pela
fisiologia. Tal como no princípio de incerteza da física quântica, a
observação do comportamento, por meio dos neurônios, é perturbada
pela própria observação. A manipulação do comportamento é mais
eficaz quando há o controle do ambiente, do que quando é feita uma
intervenção direta no aparelho fisiológico. Somente um ambiente
social melhor poderá livrar o ser humano das guerras, crimes e
pressões econômicas.

A fisiologia procura controlar o comportamento desde o


esclarecimento dos processos físicos internos de uma pessoa. Nessa
análise, uma compreensão importante será dada quando se perceber
que tais processos são históricos. Essa ciência mostrará como o
organismo é afetado pelas contingências de reforço, tornando mais
completa a explicação behaviorista da ação humana(7). A auto-
observação de indivíduo contribui para essa perspectiva na medida
em que se admite as condições corporais formadoras do
comportamento, ao longo do tempo. Ela serviria para ressalvar a
importância da análise histórica que fornece a teoria evolutiva desse
tipo de sistema fisiológico. Todo conhecimento adquirido por essa
introspecção virá da observação de estímulos e respostas, sem
relação direta com o sistema nervoso que lhe serve de mediação. Os
comportamentos verbal, lógico, matemático e introspectivo foram
construídos pelas contingências de sobrevivência e não fazem parte
de um conjunto de dotes inatos, oriundos da seleção natural
especialmente para tal fim, mas que surgiram por outras razões
naturais(8).

A fisiologia começou sua pesquisa a partir de inferências sobre o


funcionamento do sistema nervoso. Em seguida, a observação direta
substituiu o método inferencial. Para manter as inferências como
válidas, leis e princípios gerais foram propostos sem dar muita ênfase
às partes do sistema nervoso. Entretanto, por ainda desviar a atenção
para o interior da cabeça, tal sistema nervoso conceitual, como o
estudo da consciência, afastou-se da história genética e pessoal. O
estudo do sistema nervoso é importante para o entendimento dos
processos de pensamento, desde que estes sejam tidos por processos
comportamentais e não metáforas questionáveis sobre o
funcionamento interno da mente(9).

Referência Bibliográfica

BLACKBURN, S. Dicionário Oxford de Filosofia; trad. Desidério Murcho


et al. - Rio de Janeiro: Zahar, 1997.

SKINNER, F.B. Sobre o Behaviorismo; trad. Mª da P. Villalobos. - São


Paulo: Cultrix, 1988.

Behaviorismo Radical x Behaviorismo metodológico: Paradigmas da abordagem


comportamental

Eduardo Alencar [eduardo_alencar]

13/9/06

Autor: Eduardo Alencar


Resumo

A Psicologia não possui uma única unidade conceitual e / ou metodológica, isso por que até
hoje, tal ciência não chegou a um acordo de como estudar o seu objeto de estudo (o
homem), dentre algumas abordagens, podemos destacar como unidades de analise deste
objeto de estudo: o comportamento, a mente, a existência, a personalidade, a subjetividade,
dentre outras que surgem frente aos avanços e investimentos científicos que sustentam o
deslanche desta ciência.

O presente trabalho visa destacar a importância do comportamento humano como unidade de


análise para a compreensão do homem enquanto objeto de estudo da psicologia, sob ao olhar
da Analise do Comportamento que mantém suas raízes filosóficas no Behaviorismo Radical do
Americano B.F. Skinner diferenciando-a do Behaviorismo Metodológico de J.Watson que
segundo Thomaz, Silva, Alencar, Bueno e Rocha (2005 ; 2006), uma das causas para o
levantamento de injustas críticas à Analise do Comportamento seria a concepção errada que
alunos recebem na graduação, como por exemplo, generalizar o behaviorismo radical com o
metodológico acreditando que tal abordagem ignora sentimentos, subjetividade, consciência
e outros eventos de “natureza” interna.

Palavras Chaves: Behaviorismo Radical, Behaviorismo Metodológico, Análise do


Comportamento, Abordagem Comportamental.

Behaviorismo radical, behaviorismo metodológico, psicologia comportamental,


analise do comportamento, analise aplicada do comportamento, analise experimental do
comportamento, psicologia cognitivo – comportamental, psicologia analítico –
comportamental, psicologia cognitivista, psicologia experimental, psicologia da
aprendizagem, comportamentalismo....quem passou pela graduação de psicologia
certamente se deparou com uma destas terminologias que muitas vezes acabam sendo
interpretadas como uma única coisa: Abordagem comportamental.

Assim como as abordagens psicodinâmicas englobam para muitos a psicanálise, a psicologia


analítica, lacaniana....E nas abordagens existenciais encontram-se a fenomenologia,
psicologia humanista, gestalt, psicologia existencial, dentre outras, verificamos enquanto
psicólogos, que cada vez mais, abordagens surgem focando diferentes unidades de analise,
ou defendendo cada vez mais sua concepção, na (s) maneira (s) em que devemos ou
deveríamos estudar o homem (comportamento, personalidade, existência, etc.) e dentro
destas abordagens (as considerad
as comportamentais, psicodinâmicas, existenciais, etc.) encontramos uma saudável
“discussão” dentro de cada “ramificação”.

Não significa que tais “ramificações” defendam a mesma unidade de analise 100% iguais. É
o caso de Skinner (behaviorismo radical) que contrapões Watson (behaviorismo
metodológico) conforme veremos na seqüência deste artigo. É importante deixar claro que
há ainda, “ramificações” dentro destas abordagens que servem para estudos específicos,
como por exemplo: o Behaviorismo Radical é a filosofia da analise do comportamento,
analise aplicada do comportamento, psicologia experimental, psicologia analítico –
comportamental, psicologia cognitivo – comportamental, ou seja, enquanto filosofia, visa
trazer subsídios epistemológicos para um sólido embasamento teórico, que posteriormente,
fornecerá meios para o deslanche de experimentos (psicologia experimental, estudos de
laboratório, etc.), de formação de conceitos (analise do comportamento, psicologia
comportamental, etc.) e aplicação de conceitos (analise aplicada do comportamento,
psicologia analítico – comportamental, etc.), assim como o behaviorismo metodológico é a
filosofia do comportamentalismo.

Segundo Malerbi (2003), para o behaviorismo metodológico, o ambiente refere-se apenas às


condições externas, neste sentido tal behaviorismo considera importante o critério de
“verdade” via consenso público, ou seja, o qual só pode ser alcançado para eventos externos
e públicos (visto igualmente por mais pessoas além do observador). Na medida em que os
aspectos do ambiente interno não são, e não podem ser observados por observadores
independentes, eles não poderiam, segundo essa abordagem, ser objeto de uma ciência,
neste sentido, defendem que o objeto de estudo seja somente o comportamento observável,
mesmo que não ignorasse os sentimentos, subjetividade, Watson não acreditava que estes
deveriam ser unidades de analise sobre o homem, enquanto um objeto de estudo.

Figueiredo e Santi (2003), afirmam que a perspectiva do comportamentalismo de Watson


enquadra-se na busca de uma sociedade administrativa e estritamente funcional, onde o
comportamentalismo na verdade não seria um projeto de psicologia científica, mas um
projeto de uma nova ciência , ou seja, uma ciência do comportamento que viria ocupar o
lugar da psicologia. Esta deveria ser, segundo Watson, uma ciência natural, um ramo da
biologia, onde o sujeito era caracterizado como um sujeito que não sente, não pensa, não
decide, não deseja e não é responsável pelos seus atos, seria então, apenas um organismo e
enquanto organismo, o ser humano se assemelharia a qualquer outro animal. Por estas
influências é que a forma de conhecer a psicologia científica dedicou grande atenção aos
estudos dos seres humanos com ratos, pombos, cachorros e macacos, dentre outros
animais.

Matos e Tomanari (2002), por sua vez trazem a visão do behaviorismo radical que propõe
que o objeto de estudo da psicologia deva ser o comportamento dos seres vivos,
especialmente do homem. É radical na medida em que nega ao psiquismo a função de
explicar o comportamento, embora não negue a possibilidade de , por meio de uma
estrutura da linguagem, estudar eventos encobertos, tais como pensamento e as emoções,
só acessíveis ao próprio sujeito.

Segundo Forisha e Milhollan (1978), devido a sua preocupação com controles científicos,
Skinner, frente aos rigores científicos, não fez diferente, realizou a maioria de suas
experiências com animais inferiores - principalmente pombo e rato branco. Desenvolveu o
que se tornou conhecido como "caixa de Skinner", um aparelho adequado para o estudo
animal. Tipicamente, um rato era colocado dentro de uma caixa fechada que contém apenas
uma alavanca e um fornecedor de alimento, quando o animal aperta a alavanca sob as
condições / critérios estabelecidos pelo experimentador, uma bolinha de alimento cai sobre a
tigela, recompensando-o, após o animal ter fornecido esta resposta, o experimentador
poderia então, colocar o comportamento deste animal sob controle de uma infinita variedade
de estímulos, além disso, tal (is) comportamento (s) poderia ainda, ser modelado ou
modificado gradativamente até que aparecerem respostas que ordinariamente não faziam
parte do repertório comportamental do indivíduo, ou seja, diferente de Watson, êxitos nestes
esforços levaram Skinner a acreditar que as leis da aprendizagem aplicam-se a todos os
organismos vivos, independente de “entidade” internalista.

Matos e Tomanari (2002), complementam ainda que um grande passo dado por Skinner que
superou os “buracos” do behaviorismo metodológico foi o de considerar o comportamento
como algo que está sempre em reconstrução, ou seja, acreditar em um modelo de seleção
pelas conseqüências, não só frente as características anatômicas e fisiológicas, mas também
as comportamentais que passam por sucessivos crivos de uma seleção baseada nos contatos
com dos organismos vivos com o seu ambiente, neste crivo, alguns comportamentos são
eliminados, por inadequados, e outros são mantidos, por eficazes em garantir a adaptação e
sobrevivência, isto é, o comportamento humano passou a ser compreendido, considerando-
se que o homem sofre influências de contingências filogenéticas (atuando no nível do banco
genético das espécies), de contingências ontogenéticas (atuando no nível de repertórios
comportamentais dos indivíduos) e de contingências culturais (atuando no nível das práticas
grupais de uma cultura ou sociedade), ou seja, a integração destes três níveis trouxe aos
analistas do comportamento a ferramenta para avaliar o sujeito como um todo, incluindo os
seus aspectos subjetivos como a consciência e o autoconhecimento por exemplo. A Analise
funcional do comportamento (estimulo antecedente – resposta do organismo – evento
conseqüente à resposta), ferramenta coerente com os determinantes citados por Matos e
Tomanari (2002) busca dar ao observador, terapeuta, cientista do comportamento uma “luz”
que esclareça ordem entre eventos sujeito – ambiente.

Além de considerar sentimentos, subjetividade, consciência, o analista do comportamento


com base filosófica no behaviorismo radical defende o uso de laboratório (analise
experimental do comportamento, por exemplo) com alguns diferenciais, que segundo
Sidman (2003), podemos citar como exemplos a possibilidade de acompanhar todas as
mudanças nas condições experimentais relevantes para a pergunta que fazemos (problema
de pesquisa), onde tal restrição permite definições e medidas precisas, objetivas, tanto da
conduta que nos preocupa, como das condições de observação, considerar que o laboratório
permite alterar o ambiente de um sujeito e então retorná-lo ao seu estado original, neste
sentido, obtemos controle sobre as condições experimentais, tornando-as possíveis de
descobertas, como por exemplo, se um evento em particular realmente faz um indivíduo agir
diferentemente, dentre outras variáveis metodológicas que não restringem o nosso objeto de
estudo como o comportamentalismo de Watson fazia.

Na graduação de psicólogo dos cursos disponíveis no Brasil hoje, estão presentes até nas
abordagens de Desenvolvimento Humano as contribuições da abordagem comportamental
enquanto possibilidade de compreensão do homem. Quando Carvalho (1999), afirma que ao
discriminarmos aquilo que sentimos e falamos sobre sentimentos, nada mais é do que
comportamentos aprendidos, produtos da comunidade verbal em que interagimos, que nos
ensina a descrever o que fazemos, o que pensamos e o que sentimos e por tanto o que é
certo, errado, tristeza, alegra, estamos considerando, que eventos internos, antes
considerado via determinantes internalistas, começaram a ser compreendidos via unidade de
analise comportamental, o que contrapõe as injustas críticas de que o behaviorismo radical
nega eventos internos.

Oito dias antes de sua morte, Skinner recebeu da APA – American psychologist Association o
prêmio por “Destacada a contribuição à psicologia ao longo da vida”, deste a fundação desta
associação (1974), Behavioristas do Brasil e do Mundo, cerca de 6.500 espalhados pelo
planeta, segundo Hubner (2005), vêem tomando os cuidados científicos oriundos da filosofia
do behaviorismo radical, abandonando o comportamentalismo de Watson, que no contexto
histórico – cultural de hoje, deixa como marca, contribuições para ter gerado em segunda
instância, a ciência do comportamento de Skinner, mais completa, cientificamente adaptada
para abarcar as demandas que exijam uma intervenção comportamental.

Hubner (2005), parece concordar com Thomaz, Silva, Alencar, Bueno e Rocha (2005 ;
2006), que no resumo deste artigo, destacou uma das causas das injustas críticas à Analise
do Comportamento como sendo a construção de uma incorreta concepção de alunos
enquanto graduandos de psicologia, quando afirma que no Brasil, ainda há, mesmo com este
reconhecimento internacional (APA), com a presença da mídia, com as comprovações
científicas dos experimentalistas, profissionais e alunos contrapondo-se a abordagem
comportamental por falhas na compreensão de sua metodologia, como por exemplo, ao
generalizar as práticas de cientistas do comportamento com bases filosóficas do
behaviorismo radical com cientistas do comportamento que utilizam-se de ferramentas
embasadas no behaviorismo metodológico de Watson.

Hubner (2005) ilustra este fato exemplificando que ao se referir a Skinner para alguns
alunos e profissionais, recebemos como palavras chaves: S-R, experimento com ratos, caixa
de Skinner, condicionamento, onde poucos sabem que este autor dedicou grande parte de
sua obra em temas como utopia, educação, amor, humor e uma das mais reconhecidas: a
linguagem e o comportamento verbal.

A Autora destaca ainda que, ao contrário do que muitas pessoas confundem, o behaviorismo
radical se propõe a estudar eventos não observáveis (consciência, raiva, ciúmes, etc.), neste
sentido é que o seu “behaviorismo” é considerado radical, não de extremo, mas de ir até a
“raiz” dos eventos para buscar a ordem entre os eventos, para isso, suas características
enquanto ciência, foca cuidados para jamais tornar-se uma ciência dualista ou mentalista
que transfere e modifica a função dos eventos encobertos. Ao decorrer seu artigo, Hubner
(2005) finaliza esta discussão com opiniões que vão de encontro com os dados apontados
até o momento separando o behaviorismo radical do metodológico e por tanto as práticas de
cientistas que tomam como embasamento teórico os X ou Y behaviorismo.

CONCLUSÃO

Hubner (2005), Thomaz, Silva, Alencar, Bueno e Rocha (2005 ; 2006), dentre outros autores
já levantaram dados para nos fazer refletir sobre a importância da multiplicação adequada
de informações na relação entre professores – alunos em um ambiente escolar. Um aluno
que não compreende a teoria, certamente, terá sua prática comprometida, é neste sentido
que este artigo objetivou deixar claro algumas diferenças entre o behaviorismo radical x o
behaviorismo metodológico, para que sérios analistas do comportamento, não sejam
injustamente criticados pelas suas práticas.

Poderíamos abordar a diferença entre Skinner e Watson durante páginas e páginas, para
quem tiver a curiosidade de checar as produções bibliográficas do americano B.F. Skinner,
terá dados suficientes para dizer que o behaviorismo radical preocupou-se por demais com
as questões sociais, comportamentos de grupos e individuais, agências controladoras,
comportamento verbal, enfim, neste caminho, o prêmio da APA foi mais do que merecido,
sem Skinner, talvez ainda estaríamos aplicando as práticas do behaviorismo metodológicos,
o que, com os avanços atuais da psicologia, seria uma erro agravante para a prática de
psicólogos.

BIBLIOGRAFIA

Carvalho, S.G. (1999). O lugar dos sentimentos na ciência do comportamento e na


psicoterapia comportamental. Universidade Presbiteriana Mackenzie. Revista Psicologia:
Teoria e prática, 1(2): 33-36.

Hubner, M.M.C. (2005). O Skinner que poucos conhecem: contribuições do autor para um
mundo melhor, com ênfase na relação professor – aluno. Momento do professor. Revista de
educação continuada, São Paulo, ano 2, número 4, p. 44-49.

Milhollan, F. e Bill, E. F. (1978). Skiner & Rogers: maneiras constrastantes de encarar a


educação. São Paulo: Summus. 8º edição.
Malerbi, F.E.K. (2003). Sobre comportamento e cognição Vol. 1. (página 239). São Paulo:
Esetec

Matos, M. A e Tomanari, G.Y. (2002). A análise do comportamento no laboratório didádico.


Barueri: Manole. Capítulo I, página 4-8.

Sidman, M. (2003). Coerção e suas implicações. Campinas : Livro Pleno.

Thomaz, C.R.C Silva, D.R.S Alencar, E.T.S Bueno, K e Rocha, T. (2005). A concepção dos
alunos sobre o behaviorismo radical e sua concepção de psicologia. Divulgação de pesquisa e
painel no XIV congresso brasileiro de psicoterapia e medicina comportamental – ABPMC.
Campinas.

Thomaz, C.R.C Silva, D.R.S Alencar, E.T.S Bueno, K e Rocha, T. (2006). A concepção dos
alunos sobre o behaviorismo radical e sua concepção de psicologia. Artigo publicado em meio
eletrônico: www.redepsi.com.br . São Paulo