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Axline, V. M. (1992). Dibs em busca de si mesmo. 18. ed. Rio de Janeiro: Agir. 290 p.

Tradução de Celia Soares Linhares.

Francisco Nataniel da Silva¹

RESENHA CRÍTICA

Dibs: em busca de si mesmo

Dibs: em busca de si mesmo, é um livro escrito pela autora Virginia M. Axline, psicóloga e
precursora no desenvolvimento da técnica de ludoterapia. A obra se divide em vinte e quatro
capítulos, que abordam o decorrer do processo terapêutico do pequeno Dibs, na qual a mesma
nos propõe uma viagem de muito aprendizado e crescimento através das experiências e
evoluções que o garoto vai desenvolvendo no decorrer de cada sessão.

CAPITULO I

Dibs era uma criança de cinco anos de idade, e estava sempre na sua. Estando na escola, era
hora de ir embora e todas as crianças corriam para pegar seus materiais e casacos, porém Dibs
estava no canto da parece, de cabeça baixa, sem falar nada, era um comportamento frequente
na hora de ir embora. Havia na sala duas professoras, Miss Jane e Hedda, que nesse momento
organizava e ajudava na saída das crianças e após isso ia conversar com Dibs que continuava
no seu cantinho. Professora Hedda se aproxima de modo carinhoso e tenta convencer o garoto
que é hora de guardar os materiais e esperar sua mãe. O autor traz uma fala bem grotesca que
adjetiva Dibs de o “monstrinho”, pois a professora ao se aproximar, Dibs a tenta agredir, com
chutes mordidas e dando forte e repetidos gritos dizendo que não iria para casa. Sempre que o
ia busca na escola era sua mãe e por vezes quando o encontrava agressivo, chamava um
motorista que também costumava busca-lo e o levava para o carro. Dibs repassava
preocupação as professoras e outros profissionais que ali trabalhavam, eles viam nele algo
diferente, mas que não sabiam identificar. Já faziam dois anos que o garoto estava na referida
escola, mas seu desenvolvimento era lento, pois Dibs somente ficava se rastejando pela sala,
sem falar nada, por vezes com livros que intrigava as professoras, pois elas não sabiam
identificar se ele sabia ler, e se não sabia, como podia ficar tanto tempo admirado com um
livro.

Os pais de Dibs pareciam não se preocuparem em saber o que realmente ele tinha, pois as
professoras nunca viram se que o pai de Dibs, e a mãe enchia de elogios a outra filha Dorothy,
na qual dizia considera-la perfeita. Com as reclamações de outros pais devido a presença de
Dibs e pelo mesmo ter arranhado uma criança, a equipe da escola se reúnem para tratar dos
problemas do garoto, chegando a decisão de acompanhar o caso de Dibs com a psicóloga que
iria vê-lo em algumas sessões de ludoterapia.
Aluno do 6º período do curso de Psicologia da Faculdade Evolução Alto Oeste Potiguar¹
CAPITULO II

Na quinta-feira, a psicóloga (Axline) compareceu a escola e dialogou com D. Jane a respeito


de Dibs. Assim que ela chegou a professora apresentou a turma e a psicóloga começa a
observar a turma durante a aula. Axline notou que Dibs mesmo fazendo parte de um grupo
social tão pequeno na escola, mesmo assim ele não interagia. Ele mexia em variados
brinquedos, examinava livros, porem sempre fugindo do contado com os demais colegas.
Terminando o momento de descanso, a psicóloga leva Dibs até a sala de ludoterapia. Logo no
começo ele não se movia, e depois começou a apreciar as coisas, o ambiente e interrogar
sobre cada objeto. Durante a observação ele estava próximo a uma casa de boneca relatou que
não gostava de portas trancada e percebeu que as paredes eram removíveis e foi retirando.
Isso levou a Axline a pensar que ele se libertava de algo que o atava.

CAPITULO III

A psicóloga Axline busca a mãe de Dibs para conversar sobre um provável acompanhamento
profissional com o menino, diante disso fica certo de se verem no dia seguinte. Como relatado
anteriormente, a mãe de Dibs foi logo evidenciando que não tinha expectativa de nenhuma
melhora, e propõe e os encontros poderia ser em sua residência e ainda que pagaria pelo
serviço, porém Axline disse que as sessões aconteceriam na escola que não receberia o
dinheiro dela. A psicóloga expos uma declaração por escrito onde os dados que constatava a
família seriam esquecidos caso o relatório viesse a ser divulgado. A mãe de Dibs deixou
evidente não concederia dados acerca do caso de seu filho e optava junto com o marido por
permanecerem distanciados das sessões, tendo vista que não teriam nada a ofertar de
informações a mais ao caso. Apesar de apresentar uma estrutura de família nuclear, faltavam
características peculiares aos pais, como a vínculo emocional.

CAPITULO IV

Após alguns dias nenhuma resposta dos pais de Dibs teria chegado, Axline se informa com a
diretora da escola, mas nenhum retorno foi dado e Dibs continuava na mesma, em sala. Enfim
a autorização chegou e logo foi marcada a ludoterapia com ele. Ao chegarem na sala, que era
diferente da anterior, Dibs começa a nomear todos os objetos que encontrara e questiona-se
sobre suas semelhanças, igualmente fez no primeiro encontro. Quis tirar o agasalho e Axline
deixou livre para tirar, mas ele não fazia nenhum gesto, dando a entender que queria ajuda,
igual sempre acontecia em sala de aula, e assim Axline ajudou-o. Logo após vai em direção as
tintas e organiza-as, formando os números de seis cores no espectro, e depois ia lendo seus
rótulos. A terapeuta mantinha-se neutra e surpresa mas tentou não transmitir nenhuma reação.
Logo mais ele se direciona para brincar na caixa de areia, onde organiza os soldados de dois
em dois. Ao entrar areia em seu sapato ele fica choramingando de modo a pedir ajuda para
retira-los, pois Dibs não fazia nada sozinho, mas confirmou quando Axline perguntou se ele
gostava se suas ajudas. Passando pouco tempo em contato com a areia, Dibs escuta um
barulho de carro na rua e pede para fechar a janela, e Axline o questiona se realmente quer
isso, pois a sala estava muito quente.

Aluno do 6º período do curso de Psicologia da Faculdade Evolução Alto Oeste Potiguar¹


Eram inúmeras as vezes que Axline refletia sobre a vontade de acolher Dibs quando o mesmo
estava a choramingar, tentar acalenta-lo e demonstrar afeto e simpatia, porem sabia que em
nada iria adiantar diante dos problemas emocionais que ele enfrentava e ele precisava voltar
para casa para encarar a realidade. Ao termino da sessão sua mãe já o aguardava e quando
Dibs a vê começa novamente a espernear e gritar. Axline prefere não ficar ali para não tomar
nenhuma posição para ambos os lados, assim deixando-os resolverem a situação de modo
pessoal deles. Dibs parecia não ter autonomia, pois sempre estava a depender dos outros para
algo, talvez por essa autonomia nunca fora estimulada.

CAPITULO V

Semana seguinte ao chegar na sessão de ludoterapia, Dibs observa o letreiro que está na porta
e questiona algumas vezes lendo-os. Ele desta vez fala para tirar o casaco, só que usava a
terceira pessoa do singular para referir a si próprio. Novamente ele vai brincar com a casinha
de bonecas e observa que nenhuma das portas tinha fechaduras, o que fez com que ele
desenhasse as fechaduras, pois relatou que as portas tinha que ficar fechadas e trancadas.
Nessa sessão Axline observou que Dibs, além de ler, tinha um rico vocabulário mesmo que
não utilizasse muito, e também que sabia resolver problemas por si só. Após brincar com
alguns brinquedos ele foi brincar com tintas-a-dedo, indagando que não conhecia. Faltando
apenas cinco minutos para ir embora ele decide brincar com as aquarelas. Desenhou uma casa
com fechaduras e grades nas janelas e disse que nela havia um porão e um quarto repleto de
brinquedos. Acabando o tempo, Dibs ficou procurando várias outras atividades, fingindo não
ouvir o que a terapeuta, dizia para não ir embora, pois queria ficar ali para sempre, até que
Axline o convenceu após falar que semana que vem ele voltaria. Um ganho nesse encontro foi
que Dibs sorriu e se comunicou mais frequentemente, confirmando assim o que a escola
sempre acreditou, que ele não terá um retardado mental. Ao sair Dibs muda novamente o
letreiro da porta, de “Não perturbe” para “Sala de Ludoterapia”, e ainda surpreende sua mãe
em não encontra-lo esperneando, e sim a acompanhando suavemente. Dibs mostra nessa
sessão que é um garoto inteligente e esperto, mas parece que algo o bloqueia de modo a não
agir de forma desinibida continuamente.

CAPITULO VI

Entrando a semana seguinte Axline consegue sondar que Dibs sempre que se aproxima-se de
algo que o arremete a questões emocionais ele retirava-se, o fazendo ir para outro ponto mais
especifico, como por exemplo as leituras dos rótulos. Diante dessa sessão a psicóloga se
questiona muito sobre questões curiosas de Dibs, tipo, como poderia ele saber ler, solucionar
problemas se o mesmo não tinha uma interação social, e ainda porque tinha uma linguagem
verbal considerável e sendo como principal para assinalar os estímulos. Dibs através do
diálogo arquitetou o que iria fazer com o tempo que lhe restava, quando Axline anunciou que
restava apenas poucos minutos e ele sempre fingia ignorar, de modo que estava sempre
mamando em uma mamadeira cheia de água, a morder o bico que era de borracha. Ao passar
pela casa de boneca, faz um concerto na janela quebrada, e ao ser informado que que restava
apenas cinco minutos para finalizar, ele comunicou que desejava que os brinquedos
permanecessem todos no mesmo lugar. Após isso, recolhe seu casaco e sai da sala.
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CAPITULO VII

Ao chegar novamente na sala, Dibs se encontra risonho e de imediato observa se os


brinquedos estavam como ele havia deixado. A psicóloga comunica a passagem de outras
crianças pela sala e por isso não havia de estarem como ele os deixou. Axline relata que que
ele sentia-se seguro lindando com os objetos inanimados como pauta central da comunicação.
Dibs quebra a ponta do lápis e Axline sai para aponta-lo. Tendo um grande espelho na sala, o
que seria mesmo um vidro transparente na qual concedia a visão de uns pesquisadores de
apenas um lado da sala. Ao voltar Dibs relata a ela que o aquecedor do ar não estava
funcionando, o que fez ele fazer uma juntura mencionando sua escola, ao falar do coelho que
havia la. Com isso a psicóloga observou que mesmo Dibs não se relacionando ativamente
com o grupo ele notava tudo ao seu redor. Ele conversou sobre o dia da independência e
relatou que seria justamente no dia da sessão e por isso para ele era um dia importante.
Quando faltava apenas cinco minutos, Dibs brinca com um soldado espancando-o e dizendo
ser seu pai, e ao relembrar o tempo que estava se encerrando, joga o boneco/pai na caixa de
areia e diz que o mesmo iria vir busca-lo. Ao sair comenta com o pai sobre o dia da
independência, mas o pai age com palavras violentas. Perante isso fica o questionamento de
como se dar essa relação afetuosa de pai e filho na família de Dibs, e o que isso implica em
tais comportamentos do garoto.

CAPITULO VIII

No dia seguinte a mãe de Dibs telefonou para Axline e marcou de se encontrarem ás dez horas
do mesmo dia. Se mostrando extremamente ansiosa, iniciou relatando uma preocupação com
o filho, já que ele se mostrava mais infeliz nos últimos dias, apesar de ter saído mais do
quarto. A psicóloga acreditava que essa mudança de atitude se deveria ao fato de a mãe ter
passado a perceber o sofrimento do filho. O afeto havia ganhado espaço na relação, e
consequentemente, houve uma mudança no comportamento. Ela nunca teve nenhum tipo de
experiência como mãe e mulher (dona de casa), e quando Dibs nasceu “foi como uma espada
em seu coração”, tamanho desapontamento. Seu marido era um cientista renomado e ela, uma
cirurgiã bem sucedida, e com a gravidez passaram a afastar-se um do outro, e da vida social.
Após o nascimento de Dibs, ela abandonou o trabalho e viu seus sonhos da família serem
destruídos, com a chegada de uma criança “anormal”. Ela, juntamente com o marido, se
envergonhava do filho, e não queria que os amigos o conhecessem. Levaram Dibs a um
neurologista, que não detectou problema algum. Logo depois foram a um psiquiatra, que foi
enfático ao afirmar que Dibs não apresentava deficiência mental, era apenas uma criança
rejeitada, e os pais é quem precisavam de ajuda profissional. Eles ficaram chocados, pois
apesar de não terem muitos amigos, eram respeitados pelos que os conheciam, e nunca
haviam apresentado problemas pessoais. A partir daí, tentaram conviver com o filho da
melhor maneira possível, mas este fato desestabilizou o casamento. Sem nunca expor a
situação para ninguém, decidiram ter outro filho (Dorothy), para que interagisse com Dibs,
porém eles nunca se deram bem.
Em casa, depois da última sessão, o pai relatou para a esposa, o diálogo do filho sobre o Dia
da Independência, como algo idiota e sem sentido, e ela começou a chorar. Dibs ouviu a
conversa dos pais e num acesso de raiva, disse ao pai que o odiava. Ele também chorou, pela
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primeira vez, e a partir daquele momento, os dois começaram a se reaproximar, e se viram
amedrontados frente a situação. A mãe relatou que, após as sessões, os ataques e fúria de Dibs
desapareceram. Diante daquele relato, Axline inferiu que, durante a vida, os pais se
preocuparam em serem pessoas bem sucedidas e manter um status, ou seja, a posição no
sistema social. Era mais fácil ver o filho como um doente mental, do que acreditar que ele era
resultado de suas incapacidades em lidar com as emoções.

CAPITULO IX

Na semana seguinte Dibs chegou à sessão atestando estar feliz. Comentou que havia mais
alguém na Sala de Ludoterapia, pois ouvira conversar abafadas ali, demonstrando ótima
percepção do ambiente. Brincou na caixa de areia, sempre falando suas ações. Ao aproximar-
se o fim da sessão, ele permanecia na areia, e parou rapidamente para referir-se a Dorothy, sua
irmã, e dizendo que desejava trancá-la na casa de bonecas. Dibs saiu mais cedo, pois iria ao
médico tomar algumas vacinas. Mas antes de se retirar, relatou a psicóloga que se alegraria
caso o médico espetasse a irmã com as agulhas. É interessante observar que crianças só
demonstra, ou quase sempre, tais comportamentos agressivos, como o de Dibs com a irmã,
em função da observação de alguém fazendo.

CAPITULO X

Ao chegar à sessão seguinte, Dibs parou em frente à porta e leu a tabuleta: “Favor não
perturbe”. Entrou calmamente, tirou seu agasalho e passeou por alguns brinquedos. Parou no
depósito de areia, formou uma montanha e brincou que os soldadinhos lutavam para subir até
o cume. Ao final, enterrou um dos soldadinhos na areia, se referindo a ele como seu pai.
Estava sepultando-o sem chance para subir a colina. Ele parecia fugir daquele assunto ao falar
sobre outras coisas, menos perigosas. Dibs apresentava algumas situações não agradáveis em
relação ao seu pai diante de suas brincadeiras, assim como por sua irmã, representando senas
como forma de externar seus sentimentos.

CAPÍTULO XI

Dibs retornou à sessão bastante agitado. Começou a brincar com uma caixa de prédios, e
assim permaneceu montando uma cidade. Ao deixar a caixa, montou um quebra-cabeça,
enquanto mencionava as professoras (D. Jane e Hedda) como pessoas adultas, bem como a
mãe e as empregadas. Falou sobre o jardineiro de sua casa, com quem conversava e lhe
contava histórias. Dibs sentia saudades dele e tristeza, pois não o via desde que deixou sua
casa, já que haviam criado um vínculo afetivo. A identidade de valores, presente na relação
contribuiu para a atração interpessoal entre Dibs e o jardineiro. O horário de ir embora
chegou, apesar de que Dibs quisesse ficar mais tempo.

CAPITULO XII

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Na quinta-feira seguinte Dibs não compareceu à sessão, pois estava doente com sarampo.
Nesse período Axline lhe enviou flores acompanhadas de um cartão, o que o deixou feliz.
Logo que se recuperou na semana seguinte ele retornou. Mencionou um comentário feito pelo
pai, de que as flores recebidas, criam raízes e podem ser plantadas depois, se mantidas
inicialmente na água. Dibs relatou que apenas ouviu a observação feita pelo pai, e sorriu, sem
manter um diálogo. Axline quis saber se os dois conversavam com frequência, e após um
longo intervalo, se distraindo com alguns brinquedos, ele respondeu negativamente. Ela
percebeu que Dibs processava as informações que lhe eram passadas, mas questionava se seu
comportamento havia mudado em casa. Ele afirmou que, enquanto estava doente, não podia
ler, por conta do quarto escuro, apesar de gostar muito. Nesse período ele apenas ouvia discos
de estórias, e algumas contadas por sua mãe. Era claro que Dibs sabia ler e escrever, mas o
que intrigava Axline era como isso ocorreu, sem o domínio da linguagem verbal,
imprescindível para absorver o mundo que o cerca. Com o relato de Dibs, a psicóloga
percebeu que o relacionamento com a mãe já se processava de maneira mais saudável.

CAPITULO XIII

Dibs voltou a sessão com bastante alegria, pois sua mãe iria buscá-lo um pouco mais tarde, já
que tinha alguns compromissos. Cantarolou uma música com o nome de todas as cores que
estavam no cavalete, e revelou que não gostava da cor amarela. Passou a brincar com água,
lavou louças e fez uma festa imaginária para outras crianças, onde mudava o tom de voz
constantemente. Ora sua voz era formal como a de sua mãe, ora era submissa e humilde.
Durante a brincadeira Dibs tropeçou numa xícara, e derramou a água no chão. Parou com a
festa imaginária e começou a brigar consigo mesmo, se chamando de estúpido e desatento.
Após esta cena chamou Axline para que fossem para o escritório. A psicóloga acreditou que
ele de fato havia passado por uma situação semelhante, por conta da intensidade do ocorrido.
Já no escritório ele marcou no calendário que estava sobre a mesa, a data do seu aniversário,
da mãe, do pai e da avó. Mencionou apagar a marcação do aniversário do pai, mas não o fez.
Um pouco depois do horário habitual a mãe chegou para buscar Dibs. Mais uma vez Dibs
demostra algo intrigante na relação entre ele e o pais, mas que a psicóloga ainda não sabia o
que seria exatamente.

CAPITULO XIV

Axline estava na recepção quando Dibs chegou com sua mãe, e elogiou de forma espontânea,
o vestido que ela usava. Ele havia levado para a sessão o presente que ganhou do pai de
aniversario, um conjunto internacional de códigos. Durante a conversa Dibs afirmou que não
gosta de falar com as pessoas, apesar de ouvi-las e entende-las. Axline percebeu que ele
preferia falar sobre objetos concretos. Relatou também que gosta da psicóloga, pois ela o
ajuda e não o chama de idiota. Fez muita bagunça com água e trocou mensagens com Axline
em sua máquina. Os relatos de Dibs, demostras haver um não respeito em relação ao convívio
familiar, ao menos não com ele, pois Dibs frisa bastante em palavras pesadas, nas quais ele
não gosta.

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CAPITULO XV

Dibs retornou na semana seguinte fazendo planos para a sessão. Passou os olhos pela casinha
de bonecas e identificou nela toda sua família. No meio da conversa, sempre mencionava um
microscópio que possui. Na casa de bonecas Dibs começou a contar uma história. Nela, sua
mãe queria ficar sozinha e por isso foi passear no parque, a irmã foi embora para a escola e o
pai estava isolado fumando um charuto. O pai também resolveu ir passear, comprou um
microscópio para seu garoto e voltou par casa. Ao retornar o pai chamou Dibs, que saiu tão
apressado ao seu encontro, que esbarrou na mesa e quebrou um objeto. O pai gritou,
chamando de idiota, e Dibs buscou a boneca mãe. Um menino gigante apareceu, trancou todas
as portas e janelas para que os pais não pudessem sair, e quando o pai acendeu um novo
charuto, provocou acidentalmente um incêndio. Os bonecos pai e mãe se debatiam e Dibs
agiu como se fosse salvá-los. Ele começou a chorar diante daquela brincadeira, demonstrando
nervosismo. Confessou á Axline que chorava, não porque os pais estavam trancados no
incêndio, mas porque reviveu os momentos em que seus pais o trancavam no quarto, apesar
de não fazerem mais isso. Para Axline, Dibs sofrera também pela privação de amor e respeito
pelo qual havia passado. Diante dessa sessão Dibs denota sofrimentos que veio em sua
lembrança de momentos passados, que veio à tona através das brincadeiras.

CAPITULO XVI

Dibs entrou na Sala de Ludoterapia sorrindo e, ao avistar uma cerca na areia, feita por outra
criança, foi logo desmanchando e dizendo que não as apreciava. Passou para o conserto de
uma casinha de bonecas e relatou que seu pai não gosta que ele fale com o vento ou coisas
inanimadas. Quando o pai lhe pergunta algo, ele ignora, deixando-o furioso. Parou em frente a
um boneco, chamando- o de pai, e dizendo que o mataria. Em outro momento falou sobre as
crianças de sua classe, mencionando seus nomes pela primeira vez. Axline havia pensado em
inserir outra criança na sessão, para verificar uma possível interação, mas quando levantou
essa possibilidade para Dibs, ele respondeu negativamente, de forma agressiva, afirmando que
aquele tempo era somente dos dois. Voltou-se para as tintas no cavalete e logo chamou Axline
para irem até seu escritório. Chegando lá se alegrou ao observar a estante cheia de livros. O
tempo da sessão havia acabado e, antes de se despedir, reforçou que não queria outra mais
ninguém na sessão, além dos dois. Quando a mãe chegou Dibs correu em sua direção,
abraçou-a fortemente e disse com espontaneidade que lhe queria bem. Ambas ficaram
surpresas com a reação inesperada e a mãe chorou de emoção. Aos poucos Dibs estava
desabrochando seus sentimentos afetivos, embora ainda tenha muitos interiorizados de modo
que o causa sofrimento.

CAPITULO XVII

No dia seguinte a mãe de Dibs ligou para Axline marcando de se encontrarem. Ela a procurou
para relatar as melhoras percebidas no filho, e se encorajou após a demonstração explicita de
afeto, no dia anterior. Ele se mostrava mais calmo e mais feliz. Apesar de conversar pouco já
apresentava um interesse pelos acontecimentos da casa. A mãe afirmou que, mesmo
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acreditando que o filho era deficiente mental, desde muito cedo o incentivou a ler e se
comportar como pessoas normais. Os seus sentimentos em relação à Dibs eram ambíguos,
pois duvidava a capacidade do filho, mas ao mesmo tempo tinha esperanças de que ele
mudasse. Para ela, Dibs só encontrava paz na presença da avó, que lhe aconselhava a ser
paciente e deixá-lo desabrochar. A mãe se culpava e entendia que havia feito muito mal ao
filho. Mostrou para Axline, desenhos feitos por Dibs e relatou que ele possuía uma estranha
habilidade, incomum para uma criança de seis anos. A mãe já havia entendido que não
permitirá que Dibs fosse uma criança normal, ao forçá-lo a provar suas capacidades, desde
muito cedo. Afirmou que todos esses sentimentos negativos estavam se transformando, e
sentia-se orgulhosa dos avanços do filho. O pai, apesar de não querer ter filhos, também
estava se transformando. Para Axline, inúmeras crianças não encontravam tratamento
profissional por conta da resistência dos próprios pais em tentar curar-se, junto com o filho.

CAPITULO XVIII

Na segunda-feira D. Jane telefonou para Axline e relatou o pregresso de Dibs na escola. A


transformação era progressiva e, aos poucos, ele iniciava papos, e se aproximava cada vez
mais sua cadeira do grupo, na sala de aula. Porém se alguém o magoasse, ele retornava ao seu
estado anterior, de evidente distanciamento. Marcaram de se encontrar, juntamente com
Hedda. Relataram a Axline que, gradualmente, Dibs respondia ás perguntas que lhe eram
feitas, e fazia atividades habituais. Na escola se interesse pelas tintas e apresentava uma
evolução compatível com o de outras crianças da sua idade, inferior ao que mostrava na Sala
de Ludoterapia ou em casa. Axline imaginou que Dibs pudesse estar sufocando suas
habilidades, para se adaptar ao grupo de sua idade. Para ela, o que faltava era promover seu
desenvolvimento social, para formação de sua personalidade, pois assim, ele se mostraria tal
como era. Mas antes disse era preciso promover um ajustamento pessoal e social. D. Jane e
Hedda relataram que Dibs adora música, e em seu aniversário, bem como dos outros alunos,
ela comemoraram com festa. Para a surpresa de todos, ao começarem a cantar os “Parabéns”,
sua voz soava mais alto que a dos colegas. Segundo Axline, Dibs usava suas habilidades
sociais como mecanismo de defesa, uma barreira em relação ao mundo, pois se as mostrasse,
correria o risco de ser isolado dos colegas, por conta das diferenças. Na escola havia salas
especiais para os superdotados, mas ele não estava preparado para se inserir beste contexto.
Em uma festividade da escola, onde os alunos escolhiam quais personagens encenar, Dibs
candidatou-se e quis ser o vento. Para surpresa geral ele encenou tão bem, que improvisou
letra e melodia, deixando todos fascinados.

CAPITULO XIX

Ao chegar à sessão Dibs pediu que fossem para o escritório. Chegando lá pediu para usar o
gravador de Axline, e gravou sua própria voz, dizendo seu nome, de todos da sua casa,
professores e colegas da escola. Em outra gravação, encenou seu pai se zangando e
chamando-o de estúpido. Em seguida ele mudava sempre de assunto, ora falando de coisas
banais, ora ouvindo suas gravações. Voltou a gravar, e desta vez contou a história de um
garoto que morava com os pais e a irmã em um casarão. Na gravação ele brigava com o pai,
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dizendo que o odiava e que iria puni-lo, mas ao desligar o gravador, disse que aquela história
era um faz de conta. Ouviram a última gravação e, ao final, disse odiar o pai e que o
desprezava, pois já não significava muito para o filho. Pediu para retornarem à sala de
brinquedos e foi logo cavando um buraco profundo no deposito de areia, onde enterrou o
boneco pai. Dibs afirmava que ia prendê-lo para que lamentasse tudo de ruim que lhe fizera e
lhe deixara triste. Na encenação o pai implorava para que não fosse preso e se dizia
arrependido. Dibs pegou o boneco filho e o fez salvar o pai da prisão. Ao falar com Axline,
disse que havia conversado com o pai em casa, e que eles haviam saído para passear na praia,
durante o fim de semana. No passeio o pai ensinou coisas sobre o mar, os dois fizeram
castelos de areia juntos, “sem palavras zangadas”, o que o deixou feliz.

CAPITULO XX

No encontro seguinte Dibs chegou dizendo que não teria muitas oportunidades para ver
Axline antes das férias, já que restavam somente mais dois encontros. A família tida,
incluindo a avó, iria para uma ilha. Dibs pegou uma boneca e disse ser sua irmã. Relatou que
iria envenená-la com um pudim de arroz, para que desaparecesse, pois ela o perturba e eles
brigam quando estão juntos em casa. No ano seguinte ela voltará a morar com a família, e
Dibs afirma que não se importa, pois sua presença já não o perturba mais. No cavalete,
misturou várias cores de tintas e afirmou ser o veneno. Mas antes de envenená-la, pegou a
boneca mãe e ordenou para que ela construísse uma montanha. Dibs virou-se para Axline e
disse que confeccionaria presentes para todos da família, para que ninguém ficasse esquecido.
Retornou ao deposito de areia e embalou a boneca mãe nos braços, dizendo que iria cuidar
dela, colocando-a posteriormente junto aos outros bonecos na casinha. Pintou manchar
brilhantes num papel e afirmou que o desenho era a felicidade. Reafirmou que faltavam
apenas mais dois encontros e Axline lhe assegurou que poderia voltar para uma visita, caso
desejasse. Segundo a psicóloga, com aquele crescente processo de autoconhecimento, Dibs
estava aprendendo a lidar com suas emoções e habilidades, formando em si uma autonomia
outrora esquecida.

CAPITULO XXI

Na semana seguinte Axline levou para a sessão um material novo, que consistia em várias
miniaturas de pessoas, casas animais, árvores, entre outros. O material foi projetado como um
teste de personalidade, mas seria usado na ocasião, apenas como mais um brinquedo. Dibs
abriu o estojo, dispôs as peças no chão e foi logo montando uma cidade inteira. Á medida que
ia construindo, ia também contando uma história e relatando a finalidade de cada objeto.
Durante a construção do seu mundo, ele vai até a parede recoberta pelo espelho, onde bate
forte e diz que construiu uma cidade completa, como Nova York, e que sem dúvida alguém
datilografava naquele escritório. Continuou a construção e se lembrou de que iria ao barbeiro
quando terminasse a sessão. Ele relatou que não sentia mais medo ao cortar o cabelo,
certamente porque estava crescendo (tomando consciência de si). Identificou um boneco
como sendo seu pai, e o colocou em frente a um sinal de “PARE”, em sua miniatura de
cidade. O pai estava esperando o sinal mudar para continuar o trajeto, mas quando o horário
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terminou, ele olhou para o mundo que havia construído, e sorriu ao perceber o pai ali, imóvel.
Dibs havia construído uma cidade bem organizada, demonstrando inteligência, capacidade de
globalizar o todo, integração e criatividade. Sentimentos hostis foram expressos de forma
direta, em relação ao pai e a mãe. Demonstrou também que possui consciência das suas
responsabilidades. De fato Dibs estava crescendo. Era nítido o amadurecimento que Dibs
vinha desenvolvendo, de tal forma que o mesmo tomava conta disso.

CAPITULO XXII

Dibs chegou para sua última sessão antes das férias e sugeriu que fossem para o escritório.
Contou o que irá fazer nas férias e pediu para que pudesse acrescentar mais algumas palavras
na gravação anterior. Disse que fez muitas coisas na sala de brinquedos e possivelmente
voltaria para uma visita no outono. Foram para a Sala de Ludoterapia e Dibs reconstruiu sua
cidade, acrescentando uma prisão, onde colocaria a irmã. Escolheu um boneco adulto e disse
que era Dibs grande, crescido, do tamanho do pai. Em sua nova cidade, ele e Axline eram
vizinhos e enterra a prisão na caixa de areia. Afirma que Dibs adulto não tem mais medo, é
grande, forte e corajoso. Para Axline, Dibs já começava a formar um autoconceito mais
compatível com suas capacidades e realizava sua integração pessoal. Ele havia trocado o
pequeno, amedrontado e imaturo Dibs por um autoconceito fortalecido, seguro. Entendia seus
próprios sentimentos e já conseguia enfrentá-los e controlá-los. Com essa segurança ele podia
aceitar e respeitar as outras pessoas.

CAPITULO XXIII

Quando Axline retornou de férias a mãe de Dibs já havia telefonado para marcar mais uma
visita, a última. Ela afirmou que o filho estava ótimo, o verão foi maravilhoso e estava
relacionando-se bem com a família. Dibs chegou confiante e conversando com as
funcionárias, o que mostrou grande mudança desde a última visita. Ele chegou dizendo que
queria vê-la mais uma vez e desejava ir para o escritório. Chegando lá ele observou toda a
sala e escreveu um bilhete, dando adeus ao escritório e a Axline. Foram para a sala de
brinquedos onde se despediu de tudo, derramou tintas no chão e destruiu a mamadeira,
afirmando que não era mais um bebê. Visitaram a igreja que ficava próxima ao Centro de
Orientação Infantil, e disse que se sentia muito pequeno diante da grandeza do lugar. Correu
pelo centro da igreja e quando o organista começou a tocar, Dibs sentiu medo e quis ir
embora. Ouviu um pouco mais o som e retornaram à sala de Axline. O garoto questionou por
que algumas pessoas acreditavam em Deus e outras não, e afirmou que se sentia solitário, pois
seus pais não eram religiosos. Dibs afirmou que estava aprendendo a jogar beisebol com o
pai, para acompanhar os colegas da escola. Quando sua mãe chegou. Dibs despediu-se e
foram embora. Dibs estava formando seu senso crítico e reflexivo das coisas ao seu redor, e
sem medo de externa-los.

CAPITULO XXIV

Aluno do 6º período do curso de Psicologia da Faculdade Evolução Alto Oeste Potiguar¹


Dois anos depois Dibs se encontrava conversando com um coleguinha. Sua família tinha se
mudado para um apartamento com jardim, próximo à casa de Axline. Eles se encontraram na
rua e ele relembrou de tudo o que passaram na Sala de Ludoterapia, inclusive que havia
passado dois anos e quatro meses do último encontro. Ele havia marcado a data no calendário.
Axline disse que eram vizinhos e o garoto ficou feliz com a notícia. Dias depois Axline se
encontrava com a família na rua e os pais agradeceram a ela pelo progresso de Dibs. Ele
estava realmente mudado.
Toda a vida de experiências e busca de sentido que Dibs foi construindo através do processo
terapêutico foi uma lição de vida a todos que tem a oportunidade de ler esta obra. Um garoto
que “preso” em seu mundo tão único, não conseguia se abrir ao externo que o cercava, não
por escolha, mas por questões que o fazia se distanciar de tudo que o fazia sofrer para viver a
sua realidade. Os atravessamentos que Dibs experienciou com sua família desde o nascimento
foi tirando de si sua autonomia, sua pessoa critério, sua liberdade. Um garoto que guardava
em si, uma força admirável, força essa capaz de suportar as dores, rejeições, falta de afeto e
culpabilidade. Através da ludoterapia, Dibs pode ser ele mesmo, sem julgamentos, desamores,
imposições. Durante as sessões ele era o verdadeiro Dibs, com seus medos, sonhos, que aos
poucos foi se desenvolvendo e amadurecendo-se, pois foi capaz de perceber que não era mais
um bebe e sim um cara maduro e corajoso. Esta obra nos apresenta o caminho da liberdade,
do conhecimento de nós mesmo, pois tantas vezes nos fechamos ao mundo e deixamos de
experienciar tantas coisas que nos edifica e nos faz dar e ser sentido.
“O ser humano tem a capacidade, latente ou manifesta, de compreender-se a si mesmo e
resolver seus problemas de modo suficiente para alcançar a satisfação e eficácia necessárias
ao funcionamento adequado.” – Carl Rogers.

Aluno do 6º período do curso de Psicologia da Faculdade Evolução Alto Oeste Potiguar¹

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