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INTRODUÇÃO De acordo com NICOLETI (2001), os


principais fatores que afetam a taxa de
secagem são as propriedades físicas do
Vários modelos foram propostos para
produto, o arranjo geométrico do produto
predizer o comportamento da secagem
em relação à superfície de transferência
de produtos agrícolas, por esses se
de calor, as propriedades físicas do
apresentarem como uma importante
ambiente de secagem e a característica
ferramenta para o profissional da área
do equipamento de secagem. Dos fatores
(SOUZA et al., 2002). Para descrever o
citados, o que mais influencia a taxa de
processo de secagem no período de taxa
secagem é a natureza da matéria prima,
decrescente, utilizam-se modelos
compreendendo a constituição química e
teóricos, semi-empíricos e empíricos,
física das paredes das células.
que são baseados no fenômeno de
transferência de calor e de massa. Dentre os problemas encontrados
durante a secagem têm-se a
Os modelos empíricos e semi-empíricos
complexidade da composição e estrutura
são baseados na lei de Newton, para o
do alimento e, mais especificamente, os
resfriamento, aplicados à transferência de
coeficientes de transferência de calor e
massa. Quando se aplica essa lei, presume-
massa, bem como, as propriedades
se que as condições sejam isotérmicas e
termodinâmicas do alimento. Estas
que a resistência à transferência de umidade
propriedades estão em função da
se restrinja à superfície (BABALIS &
temperatura e umidade, o que torna a
BELESSIOTIS, 2004).
equação diferencial, resultante do novo
O estabelecimento de curvas de sistema não linear e, somente neste
equilíbrio higroscópico é importante para caso, pode ser resolvida por métodos
definir limites de desidratação do numéricos.
produto, estimar as mudanças de
Vários pesquisadores utilizaram modelos
umidade sob determinada condição de
matemáticos para descreverem a secagem
temperatura e umidade relativa do ar
de materiais biológicos: CONDE (2004)
ambiente e para definir os teores de
utilizou o modelo de Page e adaptou-o ao
umidade propícios ao início de atividade
modelo de Thompson para a secagem de
de agentes que irão provocar a
cenoura. FIOREZE e MORINI (2000)
deterioração do produto. É importante
utilizaram o modelo de Thompson para a
ressaltar que, no caso do abacaxi, as
secagem de inhame. SILVA (2000) relatou
condições de secagem e o
a adaptação de um programa de
armazenamento adequado são
computador baseado no modelo de
essenciais para manter a qualidade
Thompson para simular a secagem de raspa
desse produto devido a sua elevada
de mandioca. O modelo de Fick foi utilizado
atividade de água.
por TOGRUL& PEHLIVAN (2004) para
Estudos sobre a movimentação de predizer a secagem de uva, pêssego, figo e
umidade no interior de produtos ameixa; HAWLADER et al. (1991) para
submetidos ao processo de secagem tomates e BABALIS& VELSSIOTIS (2004)
revelaram que, o transporte de umidade para figos.
ocorre por difusão de líquido ou difusão
Considerando as condições pelas
de vapor ou, ainda, pela combinação
quais o produto passa durante o
destes mecanismos, predominando um
processo de secagem, objetivou-se com
ou outro durante a secagem
esse trabalho, implementar um modelo
(ALVARENGA et al., 1980). Entretanto,
de simulação para predizer a secagem
FORTES e OKOS (1981) afirmaram que
de abacaxi em fatias, validando-o por
em determinada fase da secagem, o
meio da comparação de resultados
movimento de umidade é, basicamente,
simulados com experimentais.
determinado pela difusão de líquido.

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MATERIAL E MÉTODOS colocadas umas sobre as outras. As


variações nas condições do ar e da fatia,
em cada camada, foram calculadas com
O trabalho foi realizado no Laboratório
base em pequenos incrementos de
de Pré-processamento e Armazenamento
tempo.
de Produtos Vegetais do Departamento
de Engenharia Agrícola, da Universidade Na Figura 1, está apresentado um
Federal de Viçosa (UFV). Na secagem esquema ilustrando como ocorreram as
foram utilizados frutos de abacaxi variações consideradas na simulação de
(Ananas comosus), cultivar Pérola, com secagem de uma camada de espessura
teor inicial de água de 86 % b.u. reduzida, que compõe um leito de
produto a ser secado. Quando o ar passa
Um programa computacional orientado
pela camada fina, durante determinado
a objetos, com interface do usuário
intervalo de tempo, certa quantidade de
amigável e flexível, foi desenvolvido para
água do produto é evaporada, sendo
simular o processo de secagem de
absorvida pelo ar. Nesse intervalo, a
abacaxi. A linguagem de programação
temperatura do ar diminui, em
MS Visual Basic, versão 6, foi utilizada
conseqüência da transferência de calor
no desenvolvimento do programa
sensível do ar para o aquecimento do
computacional.
abacaxi, e do calor latente fornecido para
O modelo matemático da cinética de evaporação parcial da água do produto.
secagem de abacaxi foi implementado A quantidade de água perdida pelo
com base no proposto por THOMPSON produto é calculada por meio de uma
et al. (1968). No modelo, foi utilizado equação empírica de secagem em
como artifício, a divisão do processo de camada delgada. As temperaturas finais
secagem em vários subprocessos. O do ar e do abacaxi, consistentes com o
leito de produto foi considerado como resfriamento evaporativo, são obtidas por
formado por várias camadas de fatias de meio de balanços de energia.
abacaxi com espessuras reduzidas,

AR DE EXAUSTÃ O

Temperatura = T - ∆T, ºC
Razão de mistura = RM + ∆RM, kg H2O /kg ar seco

Abacaxi antes da Abacaxi após a secagem


secagem num tempo ∆t
ABACAXI
Teor de água = U, % bs Teor de água = U - ∆U, % bs
Temperatura = T g, ºC Temperatura = T g + ∆T g, ºC

AR DE SECAGEM

Temperatura = T, ºC
Razão de mistura = RM, kg H2O /kg ar seco

Figura 1: Esquema das variações decorrentes do processo de secagem em camada


delgada durante um intervalo de tempo ∆t.

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No desenvolvimento do modelo foram feitas Admitindo-se que a temperatura da fatia


as seguintes suposições: a secagem de uma era igual à temperatura do ar que o envolve,
camada delgada de produto pode ser descrita tem-se a Equação 2
por uma equação obtida empiricamente; a Tge = Te (2)
temperatura da fatia é igual à temperatura do ar
que a envolve após os balanços de energia, A razão entre as massas de matéria seca
levando-se em conta, o resfriamento e de ar seco foi determinada por meio da
proveniente da evaporação da água do produto, Equação 3
as temperaturas das fatias e do ar; o teor de P ⋅ v e ⋅ A ⋅ ∆x
água de equilíbrio das fatias depende da R= (3)
temperatura e da umidade relativa do ar nas Q ⋅ ∆t ⋅ 60 ⋅ (1 + U 0 )
vizinhanças destas; a entalpia de vaporização em que,
da água nas fatias é constante; a entalpia U0 = teor de água inicial do produto, decimal b.s;
específica do produto depende do teor de água.
∆x = espessura da camada do produto, m;
Para modelar a secagem da camada de
fatias de abacaxi foram utilizados os ∆t = incremento de tempo, h;
procedimentos propostos por SOUZA et al. P = massa específica do produto no início
(2002). Foram executados os seguintes passos: da secagem, kg m-3;
cálculo da umidade de equilíbrio entre o ar e Q = vazão de ar, m3 min-1;
produto; cálculo da umidade de equilíbrio do
A = área da seção transversal, m2; e
produto; cálculo do tempo equivalente; cálculo
da razão de umidade do produto; cálculo da Ve = volume específico do ar, m3 kg-1.
umidade do produto no tempo t + ∆t; cálculo da A entalpia específica do abacaxi foi
razão de umidade; cálculo das temperaturas obtida de MOHSENIN (1980), sendo
finais do ar e do produto; verificação da 3.,6844 kJ kg-1 °C-1.
consistência dos valores de temperatura final e A temperatura de equilíbrio entre o ar de
razão de mistura do ar de saída. secagem e o produto foi determinada,
Para o cálculo da temperatura de equilíbrio conforme descrito por meio da equação de
entre o ar e o produto, foi considerada somente balanço de calor, pela Equação 4,
a troca de calor sensível. Para esta THOMPSON et al. (1968)
determinação, faz-se necessário o seguinte
balanço de energia (Equação 1) (0,24 + 0,45 ⋅ RU ) ⋅ T0 + C p ⋅ R ⋅ (1 + U ) ⋅ Tg 0 (4)
Te =
0,24 + 0,45 ⋅ RU + C p ⋅ R ⋅ (1 + U )
0,24⋅ T0 + W0 ⋅ (588+ 0,45⋅ T0 ) + Cp ⋅ R ⋅ (1 + U) ⋅ Tg0 = (1)
0,24⋅ Te + W0 ⋅ (588+ 0,45⋅ Te ) + Cp ⋅ R ⋅ (1 + U) ⋅ Tge em que,
em que, RU = Razão de umidade, adimensional.
T0 = Temperatura do ar na entrada da camada Para calcular a umidade de equilíbrio
de produto, ºC; do produto foi necessário determinar,
primeiramente, a umidade relativa do ar.
W0 = Razão de mistura do ar na entrada da camada Para isso, foi utilizada a Equação 5,
do produto, kg de vapor d’água por kg de ar seco; apresentada por BROOKER et al. (1992)
Tg0 = Temperatura do produto no instante t, ºC;
100 ⋅ Patm ⋅ W0
Te = temperatura do ar em equilíbrio com o Ur = (5)
produto, ºC; (0,622 + W0 ) ⋅ Pvs
Tge = temperatura do produto em equilíbrio em que,
com o ar, ºC; Ur = Umidade relativa do ar, %;
U = teor de água do produto no tempo t, Patm = Pressão atmosférica, kPa;
decimal b.s.; Pvs = Pressão de vapor de saturação do ar, à
Cp = entalpia específica do abacaxi, kJ kg-1 ºC-1; e temperatura Te, kPa; e
R = razão entre a massa de matéria seca da W0 = Razão de mistura do ar na entrada da
camada de produto e a massa de ar seco que camada do produto, kg de vapor d’água por
passa no intervalo de tempo ∆t, kg kg-1. kg de ar seco.

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A pressão de vapor de saturação do ar aw = Atividade de água; e


foi determinada utilizando-se a Equação Xm = Conteúdo de água na camada molecular, b.s.
6, recomendada por ASAE Standard
D271.2 (ASAE, 1998) Para o cálculo da constante de
Guggenheim utilizou-se a Equação 8
8
Te − 255,38 = ∑ A [ln(0,00145P )]
i vs
i
(6)
 (H − H n ) 
i =0 C = c0 exp m  (8)
em que,  RT 
A0 =19,5322; em que,
A1 =13,6626; Hm = Entalpia específica de sorção da
A2 =1,1768; primeira camada, kJ mol-1;
A3 =-0,1897; Hn = Entalpia específica de sorção das
multicamadas, kJ mol-1;
A4 =0,08745;
R = Constante universal dos gases = 8,314 x
A5 =-0,01741;
10-3, kJ mol-1 K-1;
A6 =0,0021477;
T = Temperatura, K; e
A7 =-0,1383.10 -3; e
c0 = Constante = 5,26x 104
A8 =0,38.10 -5.
Para o cálculo da constante K3
Para o cálculo do teor de água de utilizou-se a Equação 9
equilíbrio utilizou-se o modelo de GAB
(Equação 7), com os parâmetros para o
 (λ − H n ) 
abacaxi, obtidos por NICOLETI (2001) K 3 = k 0 exp  (9)
 RT 
(C − 1)K 3 a w X m K 3aw X m em que,
U= + (7)
1 + (C − 1)K 3 a w 1 − k3aw k3 = Constante da equação 07
em que, Ko = constante da equação = 33,84
U = Teor de umidade de equilíbrio, decimal b.s. λ = calor de condensação da água pura, kJ mol-1
C = Constante de Guggenheim; As constantes da Equação de GAB para
K3 = Constante o abacaxi são mostradas na Tabela 1

Tabela 1: Constantes da Equação de GAB para abacaxi


Parâmetros do Modelo de GAB Temperatura oC
40 50 60 70
U % b.s. 81,79 13,19 6,33 6,37
C 0,132 0,526 1,110 0,850
C0 5,26x 10 4
∆Hc = (Hm- Hn) kJ mol -1 -30,24
K3 0,713 0,899 1,003 1,022
K0 33,84
-1
∆Hk = ( λ -Hn) kJ mol -9,66
Fonte: NICOLETI (2001). Em que: U é o conteúdo de água na camada molecular, % b.s., C é a
constante de Guggenheim, C 0 é uma constante, H m é a entalpia específica de sorção da primeira
-1 -1
camada, kJ mol , H n é a entalpia específica de sorção das multicamadas, kJ mol k 3 é a constante da
-1
Equação 7, K o é a constante da Equação 8, λ é o calor de condensação da água pura, kJ mol .

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O tempo equivalente é definido como o delgada (Equação 12), conforme descrito


intervalo de tempo que o produto deveria em RODRIGUES, 2006
ficar exposto às condições existentes, no
tempo t (Te, W 0), para que o teor de água RU f = f (Te , UR , t e + ∆t ) (12)
fosse reduzido do valor inicial (U0) para o
em que,
valor atual (U). Para se determinar o tempo
equivalente na secagem de abacaxi utilizou- RUf = Razão de umidade final do produto,
se a Equação 10 (Equação de Lewis) adimensional.
U −Ue A umidade do produto no tempo t + ∆t foi
RU = = exp(− k .t eq ) (10) determinada conforme a Equação 13
U0 −Ue
U f = RU f ⋅ (U 0 − U e ) + U e (13)
em que,
em que,
teq = Tempo de secagem, h; e
Uf = Teor final de água do produto na
k =Parâmetro dependente da temperatura do ar, s-1.
camada, no tempo t + ∆t, decimal b.s.
Nas equações empíricas de secagem em
A razão de mistura do ar, consistente
camada delgada podem ocorrer outras
com a perda de umidade do produto, foi
variáveis; como o teor inicial de água do
determinada por um balanço de massa
produto e/ou a velocidade do ar. Em
utilizando a Equação 14
algumas equações, o efeito da umidade
relativa do ar é desprezado. A razão de W f = W 0 + R ⋅ (U − U f ) (14)
umidade do produto foi calculada para o em que,
tempo t, conforme a Equação 11
Wf = Razão de mistura do ar na saída da
U − Ue camada de abacaxi, kg de vapor d’água por
RU 0 = (11)
U0 − Ue kg de ar seco.
A razão de umidade do produto nas As temperaturas finais do ar e do produto
condições de ar Te e W 0, durante um foram determinadas por meio de um balanço
intervalo de tempo ∆t, foi determinada pela de energia que leva em conta a perda de
equação empírica de secagem em camada umidade do produto conforme Equação 15

0,24 ⋅ Te + W0 ⋅ (588 + 0,45 ⋅ Te ) + C p ⋅ R ⋅ (1 + U ) ⋅ Tge + (Wf − W0 ) ⋅ Tge =


0,24 ⋅ Tf + Wf ⋅ (588 + 0,45 ⋅ Tf ) + C p ⋅ R ⋅ (1 + U ) ⋅ Tgf + (Wf − W0 ) ⋅ ∆L v (15)

em que, t + ∆t. O quarto termo do lado esquerdo da


Tf = Temperatura do ar saindo da camada do igualdade representa a quantidade de
produto, ºC; energia contida na água, que está sendo
retirada do produto. O último termo da
Tgf = Temperatura do produto na camada no
equação representa a quantidade de energia
tempo t + ∆t, ºC; e
adicional necessária para evaporar a água
∆Lv = Entalpia de vaporização acima do valor do produto, acima da quantidade necessária
para evaporação da água livre, kJ kg-1 de água. para evaporar a água livre.
A entalpia de vaporização da água no Admitindo-se que a temperatura do
abacaxi foi obtida de MOHSENIN (1980), produto é igual à do ar que a envolve, tem-
sendo seu valor de 283,772 kJ kg-1. se a Equação 16
O primeiro e o segundo termo de cada
lado da Equação 15 representam as Tgf = Tf (16)
entalpias, inicial e final do ar. O terceiro
termo de cada lado da equação representa a Explicitando T f na Equação 16, obtém-
energia contida no produto, nos tempos t e se a Equação 17:

(0,24 + 0, 45 ⋅ W 0 ) ⋅ Te − (W f − W 0 ) ⋅ (588 + ∆ L v − Te ) + C p ⋅ R ⋅ (1 + U ) ⋅ Te
Tf = (17)
0 , 24 + 0 , 45 ⋅ W f + C p ⋅ R ⋅ (1 + U )

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Efetuados os cálculos, é necessário verificar feitos, simulando a condensação de água no


se o resultado obtido é factível. Em certos casos, produto.
podem-se obter resultados em que a umidade Nesses novos balanços, o ponto de estado Tf
relativa do ar, determinada matematicamente, é e Wf, não factível, serão corrigidos para o ponto
superior a 100 %. Se isso ocorrer, novos * *
balanços de massa e de energia deverão ser de estado Tf e Wf . Esses novos balanços são
representados pelas Equações 17 e 18.

( )
0,24 ⋅ Tf + Wf ⋅ (588 + 0,45 ⋅ Tf ) + Wf* − Wf ⋅ Tf + C p ⋅ R ⋅ (1 + U ) ⋅ Tf =
(18)
( )
0,24 ⋅ Tf* + Wf* ⋅ 588 + 0,45 ⋅ Tf* + C p ⋅ R ⋅ (1 + U ) ⋅ Tf*

Na Equação 19, existem duas variáveis a Determinou-se, após o corte, o teor de água
* * do produto em estufa conforme as Normas
serem determinadas, Tf e Wf . A outra condição
Analíticas do Instituto Adolfo Lutz (1985).
usada para tornar possível a determinação do
ponto de estado factível, é que a umidade relativa Utilizaram-se um secador de lotes de leito
determinada matematicamente seja, no máximo, fixo, com controle automático da
igual a 100 %. temperatura do ar de secagem, composto
por um ventilador de 372,85 W, três
A quantidade de água condensada no
resistências elétricas de 400 W cada e
produto faz com que o seu teor de água
*
bandeja com diâmetro de 0,335 m.
passe a ser U f (Equação 19) Movimentou-se o ar perpendicularmente ao
sentido da bandeja. Reduziu-se a umidade
Wf* − Wf do abacaxi, por meio da secagem com ar
U *f = U f − (19)
R aquecido e circulação forçada até o teor de
Selecionaram-se os frutos de abacaxi água final de, aproximadamente, 20 % b.u.
(Ananas comosus), variedade pérola, Utilizaram-se as temperaturas do ar de
atendendo aos padrões comerciais de secagem, as quais variaram de 60, 65 e
qualidade. Efetuou-se a pré-lavagem dos 70 °C e a velocidade do ar de secagem de
frutos com água potável e foram imersa em 0,5; 0,75 e 1,00 m s-1 conforme descrito na
água clorada de concentração de 10 ppm de Tabela 2. Utilizaram-se três secagens para
cloro, por dez minutos. Cortou-se o abacaxi cada tratamento. O delineamento
em fatias de, aproximadamente, 0,01 m e experimental utilizado foi um esquema
estas foram cortadas em metades. fatorial 3X3.

Tabela 2: Disposição dos tratamentos em relação à temperatura e velocidade do ar


de secagem
Tratamento Temperatura Velocidade
( oC) (m s -1)
1 70 1,00
2 70 0,75
3 70 0,50
4 65 1,00
5 65 0,75
6 65 0,50
7 60 1,00
8 60 0,75
9 60 0,50

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Figura 2: Esquema do secador utilizado na secagem de abacaxi.

A velocidade de saída do ar no secador foi em que,


monitorada por meio de um termoanemômetro e = Erro relativo médio;
(precisão de ± 0,8oC e ± 5% + 1 d) e a massa
Yj = Valor obtido experimentalmente;
do produto foi medida em uma balança digital,
com precisão centesimal, em intervalos de Y1 = Valor simulado; e
trinta minutos. Mediram-se as temperaturas de n = Número de dados.
bulbo seco e bulbo úmido e do ar de exaustão
nos pontos a, b e c por meio de termopares
RESULTADOS E DISCUSSÃO
tipo T, utilizando-se um sistema de aquisição
de dados, conforme apresentado na Figura 2.
Para avaliar os desvios entre os resultados As curvas de simulação de secagem
simulados e os obtidos experimentalmente, de abacaxi utilizando-se o modelo
utilizou-se o erro relativo médio, o coeficiente implementado, bem como os pontos
de determinação e o coeficiente de variação. obtidos experimentalmente e a
O erro relativo médio foi determinado correspondência entre os mesmos, são
conforme a Equação 20. apresentadas nas Figuras de 3 a 11.
Também está representado o coeficiente
 Y j − Y1  de determinação (R 2 ) e o erro relativo
∑  (20) médio (E m ).
e=  Y1 
n

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100
100

Teor de água (dados simulados) -


90 Erro médio = 8,26%
80 2
r = 0,99
80
Teor de água - % b. u.

70 Observado
60
Simulado

% b. u.
60
50
40
40
30
20
20
10
0
0 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0
0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 7,0 Teor de água (dados observados) - % b. u.
Tempo - h

(b)
(a)
Figura 3: Resultados observados e simulados do teor de água em relação ao tempo
no tratamento 1 (a) e a correspondência entre seus valores (b).

100 100

Teor de água (dados simulados) -


90
Observado Erro médio = 4,83%
80 80 2
r = 0,99
Simulado
Teor de água - % b. u.

70
60
60
% b. u.

50
40
40
30
20
20
10 0
0 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0
0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 Teor de água (dados observados) - % b. u.
Tempo - h

(b)
(a)
Figura 4: Resultados observados e simulados do teor de água em relação ao tempo
no tratamento 2 (a) e a correspondência entre seus valores (b).

100 100
90
Teor de água (dados simulados) -

80 80 Erro médio = 9,2%


2
r = 0,98
Teor de água - % b.u.

70 Observado
60 Simulado
60
% b. u.

50
40 40
30
20 20
10
0 0
0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0
Tempo - h Teor de água (dados observados) - % b. u.

(a) (b)

Figura 5: Resultados observados e simulados do teor de água em relação ao tempo


no tratamento 3 (a) e a correspondência entre seus valores (b).

389

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100 100
90

Teor de água (dados simulados) -


Erro médio = 2,62%
80 80 2
r = 0,99
Observado
Teor de água - % b.u.
70
Simulado
60 60

% b. u.
50
40 40

30
20 20

10
0 0
0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0
0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0
Teor de água (dados observados) - % b. u.
Tempo - h

(b)
(a)

Figura 6: Resultados observados e simulados do teor de água em relação ao tempo


no tratamento 4 (a) e a correspondência entre seus valores (b).

100 100

Teor de água (dados simulados) -


90
Observado Erro médio = 7,84%
80 80
Simulado 2
r = 0,99
Teor de água - % b.u.

70
60 60
% b. u.

50
40 40

30
20 20

10
0 0
0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0

Tempo - h Teor de água (dados observados) - % b. u.

(a) (b)

Figura 7: Resultados observados e simulados do teor de água em relação ao tempo


no tratamento 5 (a) e a correspondência entre seus valores (b).

100 100
90
Teor de água (dados simulados) -

Erro médio = 8,07%


80 2
Observado 80 r = 0,99
Teor de água - % b.u.

70 Simulado
60 60
% b. u.

50
40 40

30
20 20

10
0 0
0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0
0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0
Teor de água (dados observados) - % b. u.
Tempo - h

(a) (b)

Figura 8: Resultados observados e simulados do teor de água em relação ao tempo


no tratamento 6 (a) e a correspondência entre seus valores (b).

390

Simulação de Secagem
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100 100

Teor de água (dados simulados) -


90
Erro médio = 3,33%
80 80 2
r = 0,99
Teor de água - % b.u.

70 Observado
Simulado
60 60

% b. u.
50
40 40

30
20
20
10
0
0
0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0
0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0
Teor de água (dados observados) - % b. u.
Tempo - h

(a) (b)

Figura 9: Resultados observados e simulados do teor de água em relação ao tempo


no tratamento 7 (a) e a correspondência entre seus valores (b).

100 100
90 Teor de água (dados simulados) -
Erro médio = 8,98%
80 80 2
r = 0,99
Teor de água - % b.u.

Observado
70
Simulado
60 60
% b. u.

50
40 40

30
20 20

10
0
0
0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0
0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0
Teor de água (dados observados) - % b. u.
Tempo - h

(a) (b)

Figura 10: Resultados observados e simulados do teor de água em relação ao tempo


no tratamento 8 (a) e a correspondência entre seus valores (b).

100
Teor de água (dados simulados) -

100
90 Observado
80 Erro médio = 11,33%
Simulado 2
80 r = 0,99
Teor de água - % b.u.

70 60
% b. u.

60
50 40

40
20
30
20
0
10 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0
0 Teor de água (dados observados) - % b. u.
0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0 14,0
Tempo - h

(a) (b)

Figura 11: Resultados observados e simulados do teor de água em relação ao tempo


no tratamento 9 (a) e a correspondência entre seus valores (b).

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Simulação de Secagem

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