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AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM
AVALIAÇÃO EM PROCESSO
DA APRENDIZAGEM EM PROCESSO
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Língua
Língua Portuguesa
Portuguesa
2ª série do Ensino Médio Turma ___________________
2ª série do Ensino Médio Turma _________________________
3º Bimestre de 2018 Data ______ /______ /______
3º Bimestre de 2018 Data _______ / _______ / _______
Escola ________________________________________________
Escola _______________________________________________________________________
Aluno ________________________________________________
Aluno ______________________________________________________________________

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Avaliação da Aprendizagem em Processo ∙ Prova do Aluno – 2ª série do Ensino Médio

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Leia o texto e responda às questões 01 e 02.

O sabiá na gaiola
Monteiro Lobato

Lamentava-se na gaiola um velho sabiá.


– Que triste destino o meu, nesta prisão toda a vida. E que saudades dos
bons tempos de outrora, quando minha vida era um contínuo pular de galho em
galho em procura das laranjas mais belas. Madrugador, quem primeiro saudava
a luz da manhã era eu, como era eu o último a despedir-me do sol à tardinha,
cantava e era feliz.
Um dia, traiçoeiro visgo1 me ligou os pés. Esvoacei, debati-me em vão e vim
acabar nesta gaiola horrível, onde saudoso choro o tempo da liberdade. Que
triste destino o meu! Haverá no mundo maior desgraça?
Nisto abre-se a porta da sala e entra o caçador, de espingarda ao ombro e
uma fieira de pássaros na mão.
Ante o espetáculo das míseras avezinhas estraçalhadas a tiro, gotejantes
de sangue, algumas ainda em agonia, o sabiá estremeceu e horripilado verificou
não ser dos mais infelizes, pois que vivia e ainda não perdera a esperança de
recobrar a liberdade de outrora.
Refletiu sobre o caso e murmurou consigo:
– Antes penar que morrer.

LOBATO, Monteiro. Fábulas. São Paulo: Globo, 2008. P.53. Disponível em: <goo.gl/Vp59bQ/>. Acesso em:
07 maio 2018. (adaptado)

1 vis·go (latim viscum, -i, visco). Substantivo masculino. Suco vegetal glutinoso e pegajoso, extraído
da casca do azevinho, usado para apanhar pássaros pequenos. = VISCO. Dicionário Priberam da
Língua Portuguesa. Disponível em: <https://www.priberam.pt/dlpo/visgo> [em linha], 2008 2013, >.
Acesso em: 07 maio 2018.

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Questão 01

Em “E que saudades dos bons tempos de outrora, quando minha vida era
um contínuo pular de galho em galho em procura das laranjas mais belas”, o
conectivo em destaque introduz uma oração subordinada, que acrescenta ao
período a ideia de

(A) modo.
(B) causa.
(C) tempo.
(D) interjeição.
(E) conformidade.

Questão 02

Pode-se afirmar que o texto lido foi escrito a fim de

(A) ensinar princípios morais, por meio de uma narrativa breve sobre pássaros.
(B) descrever, em um romance, o cotidiano do velho sabiá que vive engaiolado.
(C) apresentar um estudo a respeito da tristeza das aves aprisionadas em
gaiolas.
(D) relatar hábitos de um pássaro que à tardinha despede-se do sol, canta e é
feliz.
(E) discutir questões éticas a respeito da legalidade da caça de aves em nosso
país.

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Leia o texto e responda às questões 03 e 04.

Presságio2
Fernando Pessoa

O AMOR, quando se revela,


Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente


Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,


Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P’ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;


Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe


O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

24/04/1928

PESSOA, Fernando.- Obra Poética - Inéditas, Rio de Janeiro: Cia. José Aguilar Editora, 1972, pág. 513.
Disponível em: <http://www.releituras.com/fpessoa_pressagio.asp>. Acesso em: 07 maio 2018.

2 Presságio – substantivo masculino. Intuição; ação de pressentir coisas: tinha seus presságios. Pres-
sentimento; sentimento antecipado de uma ação futura: mau presságio ou bom presságio. Dicioná-
rio Online de Português. Disponível em:<https://www.dicio.com.br/pressagio/> Acesso em: 08 maio
2018.

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Questão 03

Leia os versos:

“Ah, mas se ela adivinhasse,


Se pudesse ouvir o olhar”

Nesses versos, para expressar seus sentimentos, o eu lírico vale-se do uso da


figura de linguagem:

(A) Eufemismo.
(B) Metáfora.
(C) Metonímia.
(D) Aliteração.
(E) Sinestesia.

Questão 04

No poema “Presságio”,

(A) o poeta demonstra ser incapaz de revelar seus sentimentos; pois eles não
são verdadeiros.
(B) a definição do que é o sentimento amoroso é a temática principal desenvolvida
por seu autor.
(C) o eu lírico está perdidamente apaixonado e é uma pessoa que declara
abertamente sua paixão.
(D) o amor do poeta transforma-se em uma polêmica sobre a maneira de se
revelar esse sentimento ao mundo.
(E) a poesia é uma forma de o eu lírico confessar seus sentimentos e sua
incapacidade de revelá-los ao ser amado.

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Leia o texto e responda às questões 05 e 06.

DOMINGO
João Anzanello Carrascoza.

André seria o primeiro a chegar; viria com as crianças, elas todas com aqueles
olhos azuis de doer os nossos, a calmaria de lagos, mas no fundo o agito dos
oceanos: os três já estavam na idade de perguntar tudo, e espalhavam, como
conchas, o constrangimento por onde passavam. Depois, seria a vez de Pedro
e a menina, os dois de quase nunca falar; às vezes machucava ouvir o silêncio
deles, se não fosse o ruído do motor do carro se acercando, ninguém diria que
teriam vindo, mas, sim, se materializado, de repente, no meio da família. Logo
saberíamos, pelo latido dos cachorros, que Marcos tinha estacionado; sempre
os trazia na caçamba da caminhonete e, mal abria a portinhola, os bracos3 já
saíam correndo, famintos pelas larguezas do campo. João viria em seguida,
sempre solteiro, no seu carro esportivo, mas com alguma nova companhia, o que
costumava gerar incômodo, apesar de ser um estímulo às boas maneiras. Não
tardaria também para a moto de Madalena encostar à sombra do flamboyant4,
e ela descer falando alto, enfiada numa daquelas calças jeans justíssimas (que
reprovávamos), os óculos escuros refletindo cada um de nós na varanda, as
crianças brincando sem saber que a vida nelas já ia envelhecendo, todos os
meus filhos bebendo seus drinques, felizes pelo momento de leveza. Era um
conforto tê-los tão perto, com suas virtudes e seus defeitos, a maioria herdados
de nós mesmos. Tão logo fôssemos à mesa, Maria, a mãe deles, sentaria ao
meu lado, e eu ocuparia a cabeceira e abriria um sorriso, como das outras vezes,
um sorriso que dizia, tudo termina, e era por estar lá com eles, vivendo mais um
desses encontros finitos, que eu sorriria.

CARRASCOZA. João Anzanello. Domingo. Disponível em: <https://blogs.oglobo.globo.com/prosa/post/


um-conto-inedito-de-joao-anzanello-carrascoza-113087.html>. Acesso em: 11 maio 2018.

3 Braco (s) o Braco Húngaro de Pelo Curto, mais conhecido como Vizsla, é um cachorro que agrega
diversas qualidades do Pointer e do Braco Alemão: é veloz, dono de um olfato bastante sensível,
permitindo que siga rastros sem problemas. É rápido em encontrar a presa e é capaz de caçar de
um modo perfeito. Disponível em: <http://www.cachorrogato.com.br/racas-caes/vizsla-braco-hungaro-
-pelo-curto/>. Acesso em: 11 maio 2018.
4 Flamboyant (Delonix regia) é árvore que pode medir cerca de 12 metros de altura e pertence à
família Fabaceae. Espécie tem origem em Madagascar, na África. Disponível em: <http://g1.globo.
com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/flora/noticia/2016/11/flamboyant-tem-origem-da-africa-e-foi-
-introduzida-no-brasil-no-seculo-19.html>. Acesso em: 12 maio 2018.

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Questão 05

O texto lido é um conto visto que

(A) focaliza um debate entre os familiares que costumam se reunir no fim de


semana.
(B) combina palavras e significados de maneira harmoniosa, estética, em versos
livres.
(C) se trata de uma longa história com o tema: momentos em família - pais,
filhos e netos.
(D) é uma narrativa concisa, com número restrito de personagens, ação, conflito,
espaço e tempo únicos.
(E) descreve com detalhes o casal, seus filhos e suas atividades domingueiras.

Questão 06

O trecho “Tão logo fôssemos à mesa, Maria, a mãe deles, sentaria ao meu lado,
e eu ocuparia a cabeceira e abriria um sorriso, como das outras vezes, um sorriso
que dizia, tudo termina, e era por estar lá com eles, vivendo mais um desses
encontros finitos, que eu sorriria” mostra que, para o narrador-personagem,

(A) os encontros dominicais breves certamente continuarão a acontecer no


futuro.
(B) os momentos felizes da vida passam e isso o leva a desfrutá-los alegremente.
(C) a companhia de Maria era tão importante nessas ocasiões, que o levava a
sorrir.
(D) o sorriso que ele abria todas as vezes era motivado por ele ser uma pessoa
bem humorada.
(E) os encontros familiares aos domingos, por serem infinitos, obrigavam-no a
sorrir para mostrar sua alegria.

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Leia o texto e responda à questão 07.

VII - A PRECE
[...]

Como é solene e grave no meio das nossas matas a hora misteriosa do


crepúsculo, em que a natureza se ajoelha aos pés do Criador para murmurar a
prece da noite!

Essas grandes sombras das árvores que se estendem pela planície; essas
gradações infinitas da luz pelas quebradas da montanha; esses raios perdidos,
que, esvazando-se5 pelo rendado da folhagem, vão brincar um momento sobre
a areia; tudo respira uma poesia imensa que enche a alma.

O urutau6 no fundo da mata solta as suas notas graves e sonoras, que, reboando
pelas longas crastas7 de verdura, vão ecoar ao longe como o toque lento e
pausado do ângelus8.

A brisa, rogando as grimpas9 da floresta, traz um débil sussurro, que parece o


último eco dos rumores do dia, ou o derradeiro suspiro da tarde que morre.

Todas as pessoas reunidas na esplanada sentiam mais ou menos a impressão


poderosa desta hora solene, e cediam involuntariamente a esse sentimento
vago, que não é bem tristeza, mas respeito misturado de um certo temor.

De repente, os sons melancólicos de um clarim prolongaram-se pelo ar quebrando


o concerto da tarde; era um dos aventureiros que tocava a Ave-Maria.

Todos se descobriram.

5 esvazar vazar, esvaziar, vaziar. Dicionário de sinônimos. Disponível em: <https://dicionariocriativo.


com.br/esvazar>. Acesso em: 08 jun. 2018.
6 urutau: urutau (Nyctibius griseus), pássaro que em tupi-guarani significa ave-fantasma, durante
o dia permanece totalmente imóvel sobre um tronco, um galho ou um mourão de cerca. À noite, faz
ecoar um canto melancólico, parecido com um lamento humano.
7 Crasta o mesmo que claustro.Etimologia (origem da palavra crasta). Do latim claustra. Galeria co-
berta que, num convento, compõe os quatro lados de um pátio; conjunto composto por essa galeria
e pátio. Dicionário Online de Português. Disponível em: <https://dici.com.br/crastas> e <https://www.
dicio.com.br/claustro/>. Acesso em: 14 maio 2018.
8 Ângelus: Hora da Ave-Maria.
9 Grimpa: o mesmo que cimo, cume, crista. Dicionário Online de Português. Disponível em: <ht-
tps://www.dicio.com.br/grimpa/>. Acesso em: 16 maio 2018.

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D. Antônio de Mariz, adiantando-se até à beira da esplanada para o lado do
ocaso, tirou o chapéu e ajoelhou.

Ao redor dele vieram grupar-se sua mulher, as duas moças, Álvaro e D. Diogo;
os aventureiros, formando um grande arco de círculo, ajoelharam-se a alguns
passos de distância.

O sol com seu último reflexo esclarecia a barba e os cabelos brancos do velho
fidalgo10 [...]

Era uma cena ao mesmo tempo simples e majestosa a que apresentava essa
prece meio cristã, meio selvagem; em todos aqueles rostos, iluminados pelos
raios do ocaso, respirava um santo respeito.

Loredano foi o único que conservou o seu sorriso desdenhoso, e seguia com
o mesmo olhar torvo11 os menores movimentos de Álvaro, ajoelhado perto de
Cecília e embebido em contemplá-la, como se ela fosse a divindade a quem
dirigia a sua prece.

Durante o momento em que o rei da luz, suspenso no horizonte, lançava ainda


um olhar sobre a terra, todos se concentravam em um fundo recolhimento, e
diziam uma oração muda, que apenas agitava imperceptivelmente os lábios.

Por fim o sol escondeu-se; Aires Gomes estendeu o mosquete12 sobre o


precipício, e um tiro saudou o ocaso.

Era noite.

[...]

ALENCAR, José de. O Guarani. 20. ed., São Paulo: Ática, 1996 (Bom Livro). p. 28, 29. Disponível em:
<http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000135.pdf>. Acesso em: 14 abr. 2018.

10 Fidalgo: pessoa com título de nobreza; aristocrata.


11 Torvo: que causa terror, terrível.
12 Mosquete: arma de fogo semelhante a uma espingarda.

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Questão 07

Nesse excerto de O Guarani, a cena de um anoitecer apresenta características


próprias do Romantismo, como o

(A) egocentrismo e a veracidade dos fatos.


(B) medievalismo e as descrições objetivas.
(C) cristianismo e a exaltação da natureza pátria.
(D) sentimento amoroso e a linguagem filosófica.
(E) retorno ao passado histórico e à agitação citadina.

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Leia o poema e responda às questões 08 e 09.

Motivo

Cecilia Meireles

Eu canto porque o instante existe


e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,


não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.


Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

MEIRELES, Cecília. Antologia Poética. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2001. Disponível em:
<https://www.pensador.com/frase/MTAxOTc2/>. Acesso em: 14 maio 2018.

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Questão 08

Na terceira estrofe da poesia “Motivo”, a repetição da conjunção se, seguida de


termos que se opõem, demonstra as

(A) incertezas que angustiam o eu lírico nas trilhas de sua vida de poeta.
(B) alternativas que deixam o poeta mudo e incapaz de entoar um canto.
(C) ações que devem ser realizadas pelo poeta, que é objetivo e realista.
(D) diversas hipóteses com que o poeta se depara por ser alegre e triste.
(E) dúvidas sobre a imensa vontade do eu lírico, de seguir vivendo ou não.

Questão 09

O poema é basicamente composto por termos que se opõem, tais como alegre/
triste; gozo/tormento; noites/dias etc. e que caracterizam uma figura de linguagem
denominada

(A) ironia.
(B) antítese.
(C) metáfora.
(D) comparação.
(E) prosopopeia.

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Leia o texto e responda às questões 10, 11 e 12.

O homem trocado
Luis Fernando Verissimo

O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação.


Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.
- Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo.
- Eu estava com medo desta operação...
- Por quê? Não havia risco nenhum.
- Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos...
E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de
bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que
nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos. Descoberto
o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois
o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento
de um bebê chinês.
- E o meu nome? Outro engano.
- Seu nome não é Lírio?
- Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e...
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia.
Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O
computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
- Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês
passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.
- O senhor não faz chamadas interurbanas?
- Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram
felizes.
- Por quê?

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- Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas
que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:
- O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples
apendicite.
- Se você diz que a operação foi bem...
A enfermeira parou de sorrir.
- Apendicite? - perguntou, hesitante.
- É. A operação era para tirar o apêndice.
- Não era para trocar de sexo?

VERISSIMO, Luís Fernando. O homem trocado. Disponível em: <https://www.pensador.com/contos_de_


luis_fernando_verissimo/>. Acesso em: 18 maio 2018.

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Questão 10

O personagem deu entrada no hospital para

(A) trocar de sexo.


(B) procurar sua verdadeira identidade.
(C) pagar a dívida feita por sua mulher.
(D) retirar o apêndice.
(E) procurar outra opinião médica.

Questão 11

O texto lido aborda, de maneira bem humorada,

(A) os sentimentos de uma enfermeira.


(B) o cotidiano hospitalar de um enfermo.
(C) os aspectos dramáticos da vida humana.
(D) o momento derradeiro de um doente terminal.
(E) o pensamento filosófico de uma pessoa desequilibrada.

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Questão 12

Os elementos da narrativa que se apresentam no conto O homem trocado são

(A) fatos científicos, longas descrições, métrica e personagens.


(B) narrador em terceira pessoa, dois personagens, tempo e espaço únicos.
(C) enredo não linear, juízo de valor, narrador em terceira pessoa e tempo.
(D) juízo de valor, narrador em primeira pessoa, espaço e longas descrições.
(E) narrador em terceira pessoa, enredo não linear, fatos científicos e métrica.

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