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INFECÇÕES HOSPITALARES EM MATERNIDADES BRASILEIRAS:

REVISÃO INTEGRATIVA

RODRIGUES, P.A.P1; SILVA, A.N.A2; RICARTE, E.C3; NASCIMENTO, C.G.P4;


SANTOS, J.R5; RIBEIRO, P.V.L6; MACÊDO, A.E.C7; SILVA, G.M.B8; MIRANDA,
T.A.S9; SARAIVA, E.M.S10

FACULDADE DE JUAZEIRO DO NORTE1,2,3,4,5,6,7,8,9,10

RESUMO

Introdução: As infecções hospitalares se configuram em uma das causas de


morbimortalidade mais frequente nestas unidades de saúde. Nesse cenário
inclui-se os hospitais-maternidade, considerando a parcela de parturientes
submetidas a procedimentos cirúrgicos, podendo resultar em complicações
para saúde da gestante, neonato e feto. Objetivo do estudo foi apresentar as
taxas de infecções ocorridas em hospitais-maternidade do Brasil, bem como os
fatores relacionados à sua ocorrência. Metodologia: Tratou-se de uma revisão
integrativa, de caráter descritivo com abordagem qualitativa, realizada em
março de 2019 junto às bases de dados eletrônicos LILACS, MEDLINE e
SciELO, utilizando os seguintes descritores: “Maternidade” e “Infecções”.
Resultados e Discussão: Foram selecionados 7 artigos para o estudo, dos
quais destacamos os principais achados: amostras obtidas de gestantes
apresentaram 9,8% de culturas positivas; em maternidade pernambucana as
complicações associadas à infecção corresponderam a 0,9% dos casos; em
maternidade pública da cidade de Goiânia foi encontrado uma taxa de 2,92%
de infecção e os motivos que ocasionaram a infecção estavam relacionados à
modalidade de parto cesáreo, duração do trabalho de parto e o número de
toques; em maternidade piauiense 29,9% dos óbitos maternos são decorrentes
de infecções; amostras de gestantes em maternidade cearense indicaram que
4,2% tiveram resultado positivo confirmado pelo teste sorológico Streptococcal;
em maternidade de Belo Horizonte dentre as pacientes submetidas à cesariana
6,8% das infecções foram notificadas por vigilância ativa; em maternidade do
Rio de Janeiro 4,3% dos internamentos foram decorrentes de complicações
geradas por infecção. Conclusões: Diante do cenário encontrado propõe-se o
desenvolvimento de medidas preventivas para ocorrência de infecções em
gestantes, visando promover uma maior segurança às pacientes.
Palavras-chave – Hospitais-maternidade; Contaminação; Parturientes.
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ABSTRACT

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Revista Interdisciplinar de Ciências Médicas - Anais - Teresina-PI
CNPJ:14.378.615/0001-60
Registro: ISSN 2594-522X
Introduction: Hospital infections are one of the most frequent causes of
morbidity and mortality in these health units. This scenario includes maternity
hospitals, considering the portion of parturients who underwent surgical
procedures, which may result in health complications for pregnant women,
newborns and fetuses. Objective of the study was to present the rates of
infections in maternity hospitals in Brazil, as well as the factors related to their
occurrence. Methodology: This was an integrative, descriptive review with a
qualitative approach, performed in March 2019 with the electronic databases
LILACS, MEDLINE and SciELO, using the following descriptors: “Maternity” and
“Infections”. Results and Discussion: Seven articles were selected for the
study, highlighting the main findings: samples obtained from pregnant women
presented 9.8% of positive cultures; in Pernambuco maternity, complications
associated with infection corresponded to 0.9% of cases; In a public maternity
hospital in the city of Goiânia, an infection rate of 2.92% was found and the
reasons for the infection were related to cesarean delivery mode, duration of
labor and number of touches; in Piauí maternity 29.9% of maternal deaths are
due to infections; samples from pregnant women in Ceará maternity indicated
that 4.2% had positive result confirmed by Streptococcal serological test; in
Belo Horizonte maternity hospital among patients undergoing cesarean section
6.8% of infections were reported by active surveillance; in a maternity hospital
in Rio de Janeiro 4.3% of hospitalizations were due to complications generated
by infection. Conclusions: Given the scenario found, it is proposed to develop
preventive measures for the occurrence of infections in pregnant women,
aiming to promote greater safety to patients.
Keywords - Maternity hospitals; Contamination; Parturients.
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INTRODUÇÃO
As infecções hospitalares são uma das causas de morbimortalidade mais
frequente nos hospitais, inclusive nas maternidades, na qual está associada às
parturientes submetidas a procedimentos cirúrgicos. É considerado um
transtorno importante na saúde pública justamente por resultar em um grande
aumento nas complicações da saúde da gestante, neonato e feto (SOUZA et
al., 2015).
Segundo o Ministério da Saúde infecção hospitalar é toda contaminação que o
paciente apresenta após admissão no serviço de saúde, onde sua ocorrência
se dá após 48 horas. Um levantamento internacional apontou que as Infecções
Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), acomete 1 em cada 10 pacientes
hospitalizados e ocasionando 5000 mortes anuais (SOUZA et al., 2015).
A adoção de medidas preventivas torna-se essencial na redução da ocorrência
de infecções, higienização das mãos é um método preventivo, simples, no qual

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é uma medida individualizada relevante com eficácia no controle de infecções
(PRADO et al., 2013).
No cotidiano pode se observar que a prática de higienização não é aderida
pelos profissionais da saúde. Aspectos multifatoriais estão relacionados como:
carência de produtos apropriados e disponíveis para realizar a limpeza do
ambiente e privação de pias, e carência de administração para monitorar esses
processos. A realidade é que ainda existe escassez de produtos e
equipamentos nos serviços de saúde, o que dificulta a redução de
contaminação (ARAUJO et al., 2017).
Dessa forma o objetivo do estudo foi apresentar as taxas de infecções
ocorridas em hospitais-maternidade do Brasil, bem como os fatores
relacionados com a sua ocorrência, através de uma revisão literária em bases
de dados eletrônicos.
METODOLOGIA
Tratou-se de uma revisão integrativa, de caráter descritivo com abordagem
qualitativa. A busca de dados ocorreu durante o mês de março de 2019, nas
bases de dados eletrônicos: LILACS (Literatura Científica e Técnica da América
Latina e Caribe), MEDLINE (Medical Literature Analysis and Retrieval System
Online) e SciELO (Scientific Electronic Library Online) utilizando os descritores
“Maternidade” e “Infecções”. Os critérios estabelecidos para seleção dos
artigos foram: Brasil como país de estudo, disponibilidade do artigo na íntegra e
de maneira gratuita, idioma português e publicações ocorridas entre os anos de
2000 a 2018. Os critérios de exclusão estabelecidos foram: artigos duplicados
nas bases consultadas e aqueles que não apresentava a taxa de infecção em
hospitais-maternidade.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Mediante a adoção do protocolo de pesquisa, foram selecionados 7 artigos, os
quais foram organizados em ordem cronológica de publicação para
apresentação dos respectivos objetivos e resultados da pesquisa.
Monteiro et al., (2002), em estudo cearense, buscou determinar percentual de
infecção assintomática intrauterina em gestantes sem suspeita clínica ou
obstétrica de infecção, e encontrou que 9,8% das amostras analisadas
apresentaram culturas positivas, os patógenos mais identificados foram
Ureaplasma urealyticum, Mycoplasma hominis e Peptostreptococcus sp.
Em maternidade pernambucana, Queiroz e colaboradores (2006), encontrou
que 0,9% dos casos de complicações clínicas estavam associadas à infecção.
Guimarães et al., (2007), em maternidade pública da cidade de Goiânia,
encontrou uma taxa de 2,92% de infecção e os motivos que ocasionaram a
infecção estavam relacionados à modalidade de parto cesáreo, duração do
trabalho de parto e o número de toques.
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Nascimento et al., (2007), em maternidade piauiense 29,9% dos óbitos
maternos são decorrentes de infecções e e 16,8% sofreram reinternação por
algum tipo de infecção.
Amostras de gestantes em maternidade cearense indicaram que 4,2% tiveram
resultado positivo confirmado pelo teste sorológico Streptococcal em estudo
realizado por Linhares e colaboradores em 2011.
Foi observado pelo estudo de Romanelli et al., (2012), em maternidade de Belo
Horizonte que dentre as pacientes submetidas à cesariana, 6,8% das infecções
ocorridas foram notificadas por vigilância ativa.
Adesse et al., (2015), encontrou em maternidade do Rio de Janeiro que 4,3%
dos internamentos ocorridos no período analisado foram decorrentes de
complicações geradas por infecção.
Ressalta-se que a maioria desses casos poderia ser evitada se os serviços
prestados pelos hospitais fossem de qualidade e seguros, a fim de reduzir as
infecções ocasionadas nos pacientes (SOARES et al., 2012).

CONCLUSÕES
Diante do estudo foi visto que há a incidência de infecções em gestantes e
parturientes no Brasil. Dentre os microorganismos encontrados na literatura
cita-se Ureaplasma urealyticum, Mycoplasma hominis e Peptostreptococcus sp.
Logo propõe-se o desenvolvimento de medidas preventivas para ocorrência de
infecções em gestantes, visando promover uma maior segurança às pacientes
em hospitais-maternidade.
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