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UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO – UFOP

NUGEO - NÚCLEO DE GEOTECNIA DA ESCOLA DE MINAS


PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO GEOTÉCNIA

FOLHA DE ROSTO

PROJETO DE PESQUISA - DOUTORADO


EDITAL 01/2020

Número de inscrição (Preenchimento de


responsabilidade da secretaria do programa)

Área de pesquisa: Geotecnia aplicada à mineração

X Geotecnia de contenções e engenharia de fundações

Hidrogeotecnia e geofísica aplicada

Geotecnia de pavimentos

Gestão de riscos geotécnicos e desastres naturais

METODOLOGIA DE DIMENSIONAMENTO
DE CONTENÇÕES EM SOLO GRAMPEADO
BASEADO NA TOPOGRAFIA E RESULTADOS
DE ENSAIOS SPT
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Sumário
1. Introdução.............................................................................................................. 3

2. Justificativa.............................................................................................................4

3. Objetivos................................................................................................................5

3.1. Geral................................................................................................................5

3.2. Específicos......................................................................................................5

4. Revisão Bibliográfica..............................................................................................6

4.1. Definição......................................................................................................... 6

4.2. Sequência executiva.......................................................................................6

4.3.1. Escavação................................................................................................7

4.3.2. Instalação dos Grampos..........................................................................7

4.3.3. Proteção da Face da Escavação.............................................................7

4.3.4. Sistema de Drenagem..............................................................................8

4.3. Comportamento Mecânico do Solo Grampeado.............................................8

4.4. Resistência ao Arrancamento – Atrito Solo X Grampo....................................9

4.5. Ensaios de Arrancamento.............................................................................10

5. Metodologia.......................................................................................................... 11

5.1. Revisão Bibliográfica.....................................................................................11

5.2. Análise dos ensaios de arrancamento e desenvolvimento de equações para


estimativa de qs........................................................................................................11

5.3. Validação de Metodologias de Dimensionamento Existentes.......................12

5.4. Modelagens Numéricas.................................................................................12

5.5. Elaboração de Tese e Defesa.......................................................................12

6. Cronograma de atividades...................................................................................13

7. Bibliografia............................................................................................................ 14

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1. Introdução

Pelo ponto de vista da engenharia geotécnica, o grande crescimento


populacional nas áreas urbanas cria duas situações que conduzem a grandes
oportunidades. A primeira em áreas mais centrais, onde edifícios se tornam
cada vez mais altos com a finalidade de atender a um maior número de
usuários e como conseqüência surge à necessidade de planejar mais vagas
de garagens nas edificações.
Geralmente pavimentos de garagens são construídos no subsolo do
terreno, os quais, também podem ser utilizados para outros fins, criando a
necessidade da execução de estruturas de contenção de forma a se tornar
possível a instalação dos pavimentos enterrados.
A outra situação gerada vem dos problemas de instabilidade de taludes,
naturais ou advindos de cortes, que coloca em risco pessoas, edificações e
estruturas vitais ao funcionamento das cidades como estradas, pontes, redes
de esgoto e abastecimento de água, etc.
Existem várias estruturas de contenção que podem ser aplicadas nas
duas situações, entre elas o solo grampeado, também denominado solo
pregado. Isso, segundo MAGALHÃES (2005) é um sistema de contenção
composto por elementos de reforço constituídos por inclusões semi-rígidas
(chumbadores) em um maciço de solo/rocha associado à aplicação de um
revestimento na face do talude, o qual pode ser, por exemplo, o concreto
projetado armado, e que como qualquer sistema de contenção, conta ainda
com um sistema de drenagem superficial e profunda.
Seu conceito fundamental é reforçar o terreno com inclusões passivas
pouco espaçadas com a finalidade de introduzir resistência à tração e ao
cisalhamento no maciço. Entre as principais vantagens da técnica têm-se:
economia, velocidade de instalação do reforço do paramento, utilização de
equipamentos leves, adaptabilidade da técnica a diferentes características
geométricas da superfície do terreno a ser estabilizado e à flexibilidade na
utilização de obras combinadas (ORTIGÃO et al.,1993 apud DURAND, 2008).
Este projeto tem como objetivo principal o desenvolvimento de um
método de dimensionamento de estruturas grampeadas com fundamentações
teóricas e práticas, bem como, validar metodologias já existentes, e ainda,

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desenvolver equações para a estimativa da resistência ao arrancamento em


grampos (qs) baseado em ensaios SPT e nas mais variadas metodologias
executivas aplicadas.

2. Justificativa
A técnica de solo grampeado, devido a sua eficiência, adaptabilidade,
facilidade de execução e baixo custo, vem sendo cada vez mais aplicado na
solução de diversas obras de contenção no Brasil, é fundamental o
desenvolvimento de metodologias de dimensionamento nacionais,
fundamentadas em quesitos teóricos e práticos condizentes, principalmente,
com os solos brasileiros, bem como, dados hidrológicos, geográficos dentre
outros.
Metodologias de dimensionamento nacionais tendem a facilitar o acesso
e aprendizado na aplicação da técnicas que pode ter como resultado um
aumento da aplicação da técnica no pais.
Segundo FRANCA (2007), os parâmetros envolvidos nos projetos de
solo grampeado relacionam-se com os solos do local da obra e com elementos
como grampos, revestimento da face e sistema de drenagem. Um parâmetro
fundamental nestas avaliações é a resistência ao cisalhamento da interface
solo-grampo. Este parâmetro é obtido através de ensaios em campo ou por
meio equações teóricas baseados nos índices físicos e parâmetros de
resistência dos solos (Beloni,2010).
De acordo com PACHECO E SILVA et al (2008) uma das propriedades
mais técnica de solo grampeado é a resistência ao cisalhamento desenvolvida
na interface entre o reforço e o solo circundante. A quantificação deste
parâmetro é extremamente importante para a realização de projetos mais
seguros e econômicos.
Sendo assim o desenvolvimento de equações que consigam ser o mais
realista possível na determinação do valor de q s, que levem em consideração o
tipo de solo, parâmetros de resistência e metodologia executiva dos grampos,
proporcionarão cada vez mais segurança e economia. Sendo assim, quanto
maior o número de ensaios de arrancamento forem analisados maior será a
confiabilidade das equações.

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Os valores obtidos no ensaio de arrancamento variam de acordo com o


tipo de execução escolhido, já que os grampos podem ser executados
somente com a bainha, fazendo uma re-injeção de calda de cimento ou
múltiplas re-injeções, o que tem o objetivo de aumentar a resistência ao
arrancamento do grampo.

3. Objetivos

3.1. Geral
O projeto proposto tem como objetivo geral desenvolver uma
metodologia de dimensionamento de estruturas grampeadas que leve em
consideração os tipos de solo existentes, o valor da resistência ao
cisalhamento da interface solo-grampo, inclinação do talude e tipo de
execução do grampo.

3.2. Específicos
Como objetivos específicos têm-se:
- Validar as metodologias existentes para situações de projetos
brasileiro;
- Desenvolver modelagens numéricas de estruturas para os mais
diversos tipos de solos, topografia e processos executivos;
- Analisar o resultado de ensaios de arrancamento em grampos em
diversos tipos de solos e executados nos mais diversos modelos executivos;
- Desenvolver equações para a estimativa da resistência ao
arrancamento qs em função de tipo de solo e processo executivo dos grampos;
- Comparar os valores obtidos para q s por métodos semi-empíricos
existentes com os resultados de ensaios de arrancamento;
- Estudar o comportamento carga-deslocamento dos grampos de acordo
com o método executivo aplicado; e
- Estudar o mecanismo de transferência de carga solo X grampo.

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4. Revisão Bibliográfica

4.1. Definição
O solo grampeado é uma técnica muito prática e eficiente para
promover a estabilização de taludes e escavações através do reforço do solo
in situ. Pode ser utilizada tanto de forma provisória como de forma permanente
para o reforço de maciços.
Como já foi dito, para o grampeamento do solo é aplicado um reforço
através da inclusão de elementos resistentes à flexão composta, denominados
“grampos”, que dependo dos esforços podem ser barras de aço, barras
sintéticas, micro-estacas ou até mesmo estacas. Os grampos são instalados
horizontalmente ou sub-horizontalmente, com a função de que o talude seja
capaz de resistir aos esforços de tração e cisalhamento. DURAND (2008) diz
que a presença de uma face flexível, associada com reforços curtos, faz com
que o maciço possa se deformar, mobilizando esforços nos grampos que
garantem a estabilidade do conjunto.
Segundo ZIRLIS et al.(1999) apud MAGALHÃES (2005), os
chumbadores têm a função de promover a estabilização geral do maciço,
enquanto o revestimento de concreto projetado é responsável por garantir a
estabilidade local, junto à face da estrutura

4.2. Sequência executiva


A sequência de execução do solo grampeado é feita em três etapas:
escavação de uma camada com altura previamente determinada, execução
dos grampos e execução da face estabilizadora, devendo a sequência ser
repetida até que seja alcançada a cota desejada. Como pode ser visto na
figura 3.1.

Figura 3. 1 - Etapas executivas da técnica de Solos Grampeados (SOLOTRAT ENGENHARIA


GEOTÉCNICA, 2003 apud FRANCA, 2007)

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4.3.1. Escavação
A escavação é feita em estágios e suas alturas variam de 1 a 2 metros
dependendo da resistência do solo, pois a superfície obtida deve fica estável
por tempo suficiente para a colocação dos grampos e execução da face. A
escavação pode ser realizada de forma manual ou com o auxilio de máquinas,
sendo a escolha do executor dentro das possibilidades aplicadas a cada obra.

4.3.2. Instalação dos Grampos


Os grampos podem ser instalados por percussão, ou perfuração e
devem ser executados imediatamente após a conclusão da escavação no nível
projetado. A execução de uso comum no Brasil é realizada por perfuração, que
pode ser feita de forma manual ou com auxílio de equipamentos mecânicos.
Os furos têm, geralmente, entre 50 a 120 mm e para garantir a estabilidade de
suas paredes podem ser utilizados fluidos estabilizadores como água e lama.
A escolha do método de perfuração deve ser tal que garanta a estabilidade da
cavidade formada até a inserção da barra e preenchimento com calda de
cimento (ABRAMENTO et al.,1998 apud MAGALHÃES,2005).
Após o furo limpo, é inserida a barra de aço, dotada de espaçadores,
com a função de garantir o cobrimento da armadura e centralizar a barra de
aço no interior do grampo. Caso sejam realizadas re-injeções de calda de
cimento, deve ser colocado junto à barra, tubos de re-injeção, de polietileno ou
similar com 8 a 15 mm de diâmetro, no qual são acoplados válvulas de injeção
a cada 0,5 m a partir de 1,5 m da boca do furo. O número de tubos a serem
colocados varia de acordo com o numero de re-injeções que serão
executadas, pois a cada injeção o tubo é perdido.
Após, a barra inserida no interior do furo é feito a bainha, que consiste
no preenchimento do furo com calda de cimento que pode ser realizado por
injeção em baixa pressão ou por lançamento ascendente (por gravidade).
Caso sejam executadas re-injeções, deve-se aguardar um mínimo de 12h entre
cada uma das fases, tomando-se o valor da pressão máxima e volume de
concreto injetado, esse procedimento é repetido para todas as fases de re-
injeções previstas.

4.3.3. Proteção da Face da Escavação


A proteção da face tem a função de não permitir processos de rupturas

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localizadas e erosão superficial que são causadas por intempéries naturais e


escoamento superficial.
A proteção é feita, geralmente, através da colocação de tela metálica
sobre a face do talude que é coberta por concreto projetado, com espessura
variando de 5 a 15 cm. Há estudos mais recentes em que se utiliza concreto
projetado reforçado com fibras sem que haja à necessidade da colocação da
tela metálica e até mesmo a proteção com peças de concreto pré-fabricadas.

4.3.4. Sistema de Drenagem


A drenagem é composta por um sistema superficial e outro profundo. O
superficial é composto por canaletas de pé e de crista, e proteção de
paramento que pode ser realizado por barbacãs ou dreno linear continuo. A
drenagem profunda é feita através de drenos sub-horizontais profundos.

4.3. Comportamento Mecânico do Solo Grampeado


Durante as fases de escavação do solo grampeado, à medida que vai
sendo executado o desconfinamento lateral, o maciço tende a se deslocar na
direção da escavação, mobilizando os esforços no grampo.
Por trás da face do talude até a sua linha potencial de ruptura, têm-se a
formação da zona ativa, onde as tensões cisalhantes geradas nas laterais dos
grampos têm a mesma direção de movimentação do maciço, enquanto que na
zona passiva, localizada após a linha potencial de ruptura, esses esforços têm
direção contrária (Figura 3.2). Os esforços de tração nos grampos acontecem
devido à direção oposta da tensão cisalhante lateral ocorrida na zona ativa e
passiva do grampeamento. O atrito entre a interface solo-grampo, na zona
passiva é principal elemento de estabilização da estrutura.

Figura 3. 2 - Zona Ativa e Passiva em estruturas grampeadas (SPRINGER, 2001)

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Próximo à ruptura, ou seja, para grandes deslocamentos, há a formação


de uma zona cisalhante, próxima a linha potencial de ruptura, onde se
desenvolvem esforços cisalhantes e momentos fletores nos grampos, como
podem ser visto na Figura 3.3.

Figura 3. 3 - Desenvolvimento de zona de cisalhamento em muro experimental de solo


grampeado (CLOUTERRE,1991, apud PROTO SILVA,2005)

4.4. Resistência ao Arrancamento – Atrito Solo X Grampo


A resistência ao arrancamento, denominado também por atrito solo X
grampo, é o parâmetro mais importante para o dimensionamento de uma
estrutura em solo grampeado, dado pelo atrito desenvolvido entre o grampo e
o solo (similar ao atrito lateral desenvolvido por uma estaca) e designado por
(qs).
Os principais fatores que influenciam a resistência unitária qs são:
- características mecânicas do solo;
- características mecânicas da calda de cimento;
- metodologia executiva dos furos e;
- processo de injeção.
Seu valor pode ser obtido através de ensaios de arrancamento ou
estimado através de correlações empíricas com parâmetros do solo obtidos em
ensaios de campo. Deve-se ressaltar que os ensaios de arrancamento são
uma necessidade imprescindível para avaliação do atrito solo x grampo (qs) e
desenvolvimento do projeto executivo.

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4.5. Ensaios de Arrancamento


Mesmo que o valor de qs possa ser estimado através de métodos
teóricos e semi-empíricos, a forma mais adequada para sua determinação é a
realização de ensaios de arrancamento no campo. Por meio destes, obtém-se
diretamente o valor da força de tração necessária para promover a
movimentação do grampo no interior da massa de solo, e assim determinar o
valor de qs.
Em função de não haver no Brasil uma norma técnica para a execução
de ensaios de arrancamento em grampos, procedimentos, esquemas de
montagem e recomendações dos ensaios são reportados da literatura pela
experiência de outros autores. (SPRINGER, 2006)
O princípio básico do ensaio de arrancamento consiste em aplicar uma
força de tração junto à cabeça do grampo, por meio de um macaco hidráulico
monitorado, até provocar um movimento de cisalhamento entre o solo e o
grampo. Para cada carga aplicada, registra-se o deslocamento da cabeça do
grampo através de um extensômetro (Conforme 3,4). Obtendo, assim, a curva
carga vs deslocamento, da qual se retira o valor da máxima carga axial de
tração no grampo.(CLOUTERRE, 1991 apud FRANÇA, 2007)

Figura 3. 4 - Ensaio de arrancamento (ORTIGÃO e SAYÃO, 1999 apud LIMA,2002)

CLOUTERRE (1991) apud HENRIQUES JUNIOR (2007) classifica os


ensaios de arrancamento em 3 tipos:
(i) Ensaio preliminar – realizado durante a fase de projeto com o objetivo
de se medir o valor de qs a ser utilizado ou de validar um novo procedimento

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executivo de solo grampeado no local da obra;


(ii) Ensaio de conformidade – realizado no início da construção, visando
verificar a estimativa da resistência ao arrancamento (qs) utilizada no projeto;
(iii) Ensaio de inspeção – realizado durante a construção em grampos
previamente escolhidos, sem que ocorra a ruptura dos mesmos.
Cabe ressaltar que os três ensaios são idênticos quanto aos
procedimentos de montagem e execução e que nenhum dos grampos
ensaiados deve ser incorporado à estrutura.

5. Metodologia

5.1. Revisão Bibliográfica


Nesta etapa será realizada uma extensa revisão bibliográfica sobre solo
grampeado, que irá abranger desde seu conceito e histórico até o
comportamento do grampo e sua interação com o solo. Serão estudadas as
metodologias de dimensionamento e as correlações existentes para estimativa
de parâmentos de resistência e a montagem e execução do ensaio de
arrancamento. Outro tema a ser abordado na revisão diz respeito à dosagem e
aplicação de aditivos expansores à caldas de cimento.

5.2. Análise dos ensaios de arrancamento e


desenvolvimento de equações para estimativa de qs
Serão analisados o resultado de mais de 300 ensaios de arrancamento
bem como os respectivos ensaios de sondagem SPT de cada um deles. Estes
resultados são oriundos de ensaios de arrancamentos executados em diversas
obras pelo Brasil, com variados modelos executivos de grampos e tipos de
solo.
Com os resultados dos ensaios de SPT serão estimados os valores de
qs para cada grampo e ensaiado e este será comparado com o obtido no
ensaio de arrancamento, desta forma pode-se observar quais equações
existentes são significativas estatisticamente na obtenção de qs.
Os dados de carga de arrancamento dos ensaios estudados serão
correlacionados com o tipo de solo, o valor Nspt e modelo executivo e por
análises estatísticas serão desenvolvidas equações para a estimativa do valor
de qs

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Ainda nas análises serão emitidas recomendações para


dimensionamento e execução de estruturas grampeadas com objetivo de se
garantir o sucesso de obras futuras.

5.3. Validação de Metodologias de Dimensionamento


Existentes
Para diversos projetos já executados pelo autor serão aplicados
diferentes metodologias de dimensionamento existentes e por meio de
modelagem numéricas em análises de estabilidade e tensão X deformação
serão verificados a eficiência na utilização deste métodos. Assim será possível
definir quais as metodologias podem conduzir a resultados com segurança
suficiente.

5.4. Modelagens Numéricas


Para várias obras executadas pelo autor serão realizadas diversas
modelagens numéricas em condições 2d e 3d em diferentes softwares, como
Plaxis, Geo5, GeoStudio, Slide e outros. Em cada modelagem serão realizadas
análises de estabilidade, análises de tensão X deformação. Com resultados de
métodos numéricos e análises das modelagens 2d e 3d com auxílio do
software Abacus serão desenvolvidos modelos de dimensionamento de
estruturas grampeadas. Este modelo levará em consideração os valores de
Nspt, tipos de solo, inclinação do talude e modelo executivo do grampo.

5.5. Elaboração de Tese e Defesa


Nesta etapa todos os estudos, ensaios e modelagem realizados, bem
como os resultados e conclusões obtidos serão apresentados no trabalho de
tese que será defendido no final do programa.

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6. Cronograma de atividades

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7. Bibliografia

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT - NBR 6489 - Prova de


carga direta sobre terrenos de fundações. Rio de Janeiro, ABNT 1984.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT - NBR 5629 - Tirantes
ancorados no terreno - Projeto e execução. Rio de Janeiro, ABNT 2013.
BELONI, M. L. (2010) "Resistência ao arrancamento de grampos em solo residual de
gnaisse", Dissertação de Mestrado, UFV, Viçosa, 152p.
DUARTE, L. N. (2006), "Análise de prova de carga instrumentada em uma sapata rígida",
Dissertação de Mestrado, UFV, Viçosa, 134p.
FRANÇA, F. A. N. (2007), “Ensaios de arrancamento em solo grampeado executados em
laboratório”, Tese de Mestrado, USP, Universidade São Paulo, São Paulo, 125p.
LIMA, L. C., (2008), "Análise de Provas de carga realizadas em micro-estacas utilizadas no
reforço das fundações de uma ponte histórica do Recife-PE", DIssertação de Mestrado,
CTG/UFPE, Recife, 187p.
MIRANDA, S. B. (2009), "Estudo da Resistênciaao cisalhamento de interface em reforços
unidirecionais", Dissertação de Mestrado, USP, Universidade de São Paulo, São Carlos, 129p
PACHECO E SILVA, D. " Análise de diferentes metodologias executivas de solo pregado a
partir de ensaios de arrancamento realizados em campo e laboratório" Tese de Doutorado,
USP, São Carlos, 348p.
PORTO, T. B. (2015), "Ancoragens em solos - comportamento geotécnico e metodologia via
web para previsão e controle", Tese de Doutorado, UFOP, Ouro Preto, 224p.
PROTO SILVA, T., (2005), “Resistência ao Arrancamento de Grampos em Solo Residual de
Gnaisse”. Tese de M.Sc., DEC/PUC-Rio, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 140 pp.
SANTOS, F.,A. (2013). "Avaliação do desempenho de uma cortina de estacas espaçadas,
atirantada, em areias". Dissertação de Mestrado, UFRGN, Natal , 167p.
SPRINGER, F. O. (2006), “Ensaios de Arrancamento de Grampos em Solo Residual de
Gnaisse”, Tese de Doutorado, Departamento de Engenharia Civil, PUC-RIO, 309p.
ZIRLIS, A.C.; PITTA, C.A.; SOUZA,G.J.T. (2008), "Um caso de obra especial: Contenção
pelo Método de Solo Grampeado, subjacente a um solo grampeado pré-existente", São
Paulo(SP)

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