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Onda oceânica de superfície

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As ondas oceânicas de superfície são ondas de superfície que ocorrem nos oceanos.
São geradas pelo vento que cria forças de pressão e fricção que perturbam o equilíbrio
da superfície dos oceanos. O vento transfere parte da sua energia para as ondas ao
exercer na superfície da água uma força resultante de diferenças de pressão, provocadas
por flutuações na velocidade do vento próximo à interface ar-mar. A superfície
perturbada é restabelecida por ação da gravidade. A interação cíclica entre a força de
pressão exercida pelo vento e a força da gravidade, faz com que ondas se propaguem, se
distanciando progressivamente de sua zona de geração. Ondas desse tipo também
podem ocorrer em lagos e lagoas.

O movimento das ondas em oceanos e lagos/lagoas segue expressões matemáticas com


base nas Leis da Mecânica Newtoniana. Isso permite que ondas oceânicas sejam
simuladas em computadores. Modelos de onda como o [WAVEWATCH III] permitem
a aplicação de leis físicas e aproximações matemáticas, em conjunto com sistemas de
previsão do tempo (que fornecem simulações do vento), possibilitando prever a geração
de ondas através da modelagem ambiental numérica, atividade realizada em diversos
centros de previsão do tempo no mundo (incluindo o CPTEC no Brasil). A previsão de
ondas auxilia atividades econômicas no mar e aumenta a segurança de atividades
marítimas comerciais (navegação, pesca, exploração petrolífera etc) e recreacionais
(vela, surfe etc).

Vaivém de duas partículas superficiais quando passa um trem de ondas

Índice
 1 O «sentir do fundo» pelas ondas
 2 Pela altura de uma onda sabemos qual é a profundidade da água
 3 As ondas e as tempestades
 4 Por que as ondas chegam à praia quase paralelas à costa?
 5 Ver também

O «sentir do fundo» pelas ondas


Se pusermos um pedaço de madeira a flutuar na água do mar ele move-se um pouco
para a frente na crista de cada onda e depois um pouco para trás quando o vale entre as
ondas passa. Ou seja, a forma de onda vai-se aproximando da praia, mas cada porção de
água só se move para a frente e para trás. Se pusermos o pedaço de madeira a flutuar a
várias profundidades dentro de água, veremos que eles se movem no interior da água
em órbitas aproximadamente circulares.

Movimento das partículas da água numa onda.


A=Movimento orbital em águas profundas
B=Movimento orbital elíptico em águas rasas
1= Direção de propagação da onda.
2= Crista
3= Vale

As órbitas têm um raio maior perto da superfície e vão tendo cada vez um raio menor
até que deixam de existir a uma profundidade que é cerca de metade da distância entre
as cristas das ondas (ou seja, metade do comprimento de onda de propagação).

A uma distância da praia em que o fundo está a uma distância igual a cerca de metade
do comprimento de onda, os movimentos orbitais dos níveis mais profundos começam a
ser restringidos porque a água já não se pode mover verticalmente; apenas se pode
mover para a frente e para trás, na horizontal. Um pouco acima, a água já se pode mover
um pouco verticalmente e as órbitas passam de circulares a elípticas. À superfície, as
órbitas podem ainda ser circulares.

Pela altura de uma onda sabemos qual é a


profundidade da água
Este fenómeno de distorção das órbitas, que se dá quando as ondas «sentem o fundo»,
faz com que a onda seja retardada, diminuindo o comprimento de onda de propagação,
porque a distância à próxima crista vai diminuindo. Como resultado, a água que chega
acumula-se e faz com que a crista da onda cresça e se torne mais angulosa. A inclinação
da onda (a razão entre a sua altura e o comprimento de onda) aumenta até que, ao
chegar a um valor de cerca de 1/7, a água já não se consegue suportar a si própria e a
onda rebenta. A profundidade da água é então cerca de 1,3 vezes a altura da onda (a
distância vertical entre um vale e a crista que se lhe segue).

A distância à costa em que este fenómeno ocorre depende da inclinação do fundo. Se o


fundo da costa for muito inclinado, muitas ondas pequenas rebentarão na costa. Se o
fundo é mais suavemente inclinado, as ondas rebentarão mais longe. Por isso, o sítio de
rebentação das ondas é um bom indício para sabermos qual é a profundidade da água.

Para estimar a altura de uma crista de onda que rebenta mais longe da praia, podemos
procurar o local de onde vemos a crista da onda alinhada com o horizonte. A altura da
onda é igual à distância vertical entre o olhos e o ponto mais baixo para o qual a água
desce no seu movimento de vaivém na praia.

As ondas e as tempestades
O intervalo entre ondas numa costa (o seu período) pode ser de alguns segundos ou de
uns 15 a 20 segundos. Se observarmos com atenção veremos que em cada dia ou em
cada parte de um dia existe uma certa regularidade no intervalo entre as ondas. Só que
essa regularidade é complexa; como por exemplo uma série de ondas pequenas com um
período curto alternando com ondas maiores com períodos mais longos. Essa
regularidade dá-nos uma ideia, ainda que grosseira, das muitas tempestades perto e
longe que as geraram. As várias ondas de diferentes alturas e períodos que rebentam
numa costa são fundamentalmente o resultado da interferência das ondas provocadas
por tempestades de severidade diferente e ocorrendo a distâncias diferentes.

Se as praias do Atlântico têm ondas mais altas e são boas para os surfistas é porque as
muitas tempestades que ocorrem em todo o Atlântico são reforçadas pelos ventos
predominantes vindos de Oeste, no Hemisfério Norte. As costas atlânticas da América
do Norte são piores para os surfistas porque os ventos de Oeste sopram contra as ondas
que avançam para a costa em direcção a leste e diminuem o seu efeito.
Ondas de tempestade. Porto Covo, Portugal

Durante tempestades, em águas mais profundas, a força do vento vai formando ondas
pequenas que aos poucos vão crescendo. O tamanho das ondas depende da força do
vento, do tempo que o vento sopra numa só direcção e da área de mar aberto em que o
vento sopra sobre a água. Mas, segundo os marinheiros, a altura das ondas não deverá
ser nunca muito maior do que cerca de 1/10 da velocidade do vento em km/h. Ou seja,
um furacão com ventos de 120 km/h pode produzir ondas de cerca de 12 metros de
altura. Ondas de 13,5 metros de altura são bastante comuns em tempestades mas já
foram observadas ondas de 33 metros.

Quando as ondas se afastam da zona de tempestade vão-se tornando mais regulares e de


menor altura e são chamadas ondas de superfície (ondas que viajam em águas mais
profundas do que metade do comprimento de onda).

Podem viajar centenas de quilómetros e mesmo atravessar todo um oceano. Uma onda
com um período de T segundos viaja a uma velocidade que, em km/h, é cerca de 5,6 * T
e com um comprimento de onda, em metros, que é cerca de 1,53* T². (Uma onda de
superfície com 10 segundos de período viajará a 56 km/h e terá um comprimento de 153
metros). As várias tempestades que ocorrem num oceano vão produzir ondas de
diferentes alturas e períodos que interferem umas com as outras, como as ondas que se
formam quando atiramos várias pedras para a superfície de um lago, até acabarem por
se aproximar de uma costa.

Quando uma onda de superfície se aproxima da costa e encontra águas menos profundas
do que metade do seu comprimento de onda, só o seu período continua o mesmo. A sua
velocidade e comprimento de onda diminuem e a altura aumenta. Para uma onda de
superfície com 10 segundos de período isso começará a acontecer quando a
profundidade das águas for cerca de 76 metros (153/2).
Ondas a rebentar paralelas à costa. Porto Covo, Portugal

Por que as ondas chegam à praia quase paralelas à


costa?
Se olharmos o oceano de cima, de um ponto mais elevado numa costa, vemos o padrão
horizontal de cristas de onda que se aproximam dela. E podemos então notar que, seja lá
de que direcção as ondas venham, elas acabam por se ir encurvando ao chegar mais
perto da costa de modo a chegarem à praia numa direcção quase perpendicular a ela,
mas raramente exactamente perpendicular.

O que se passa é que, quando uma onda se aproxima da costa numa direcção que faz um
determinado ângulo com a perpendicular à costa, as partes mais próximas da costa
«sentem» o fundo mais cedo e, nessas partes, a velocidade de propagação das ondas
diminui. À medida que cada parte da crista da onda vai sentindo o fundo, as partes que o
sentiram antes vão diminuindo cada vez mais a sua velocidade. Deste modo e de uma
forma contínua a linha da onda vai sendo encurvada: um fenómeno a que se chama
refracção das ondas, por ser similar ao que se passa com os raios de luz na refracção
óptica. E é isto que faz com que as ondas acabem por chegar à praia numa direcção
quase perpendicular a ela e rebentem de um modo quase paralelo à costa.

Na refracção, passa-se algo de parecido com uma fila de soldados que vira uma esquina
em formação, com os soldados que estão mais perto da esquina a andarem mais devagar
e os que estão longe dela a andarem mais depressa.

Se uma onda encontra uma parte da costa mais saliente, como um promontório, a parte
que a «sente» primeiro diminui mais depressa de velocidade e as outras partes, de
ambos os lados, seguem em frente mas vão sendo encurvadas e vão acabar por rebentar
de cada um dos lados dessa saliência (os soldados em frente ao promontório param e os
outros atacam-no rodeando-o de ambos os lados). As ondas convergem nessas partes
mais salientes e ao rebentar gastam nelas a maior parte da sua energia, causando mais
erosão do que nas outras partes da costa. Nas baías, a refracção faz com que as ondas
divirjam e a energia aí despendida seja mínima, tornando as baías mais calmas.

As partes salientes das costas «chamam as ondas». E a energia das ondas é assim
distribuída de forma ir tornando a linha de costa cada vez mais rectilínea.
As ondas provocadas pelos ventos das tempestades podem ser extremamente
destrutivas. Chegam por vezes a conseguir levantar estruturas de mais de 2000
toneladas. Mas as ondas mais destrutivas são as associadas aos maremotos,tsunami e
ondas marítimas.