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O Auto da Barca do Inferno

de Gil VicenteTIPOS E PROCESSOS DE CÓMICO



De situação:
é o que a personagem faz e as circunstâncias dasua actuação que provocam o riso.

De personagem ou de carácter:
é a maneira de ser e de se apresentar da personagem que provoca o riso.

De linguagem:
é o vocabulário usado e o próprio discurso queprovocam o riso.Gil Vicente oferece-nos
registos ou níveis de língua
adequados às personagens em cena.Exemplos:

Nível cuidado –
com o Fidalgo ou o Frade.

Nível corrente, familiar ou mesmo popular –
c o m   a Alcoviteira.

Calão –
com o Parvo.
 
Gil Vicente usa imensos recursos estilísticos tendentes ao cómicode linguagem:

O Eufemismo –
consiste em transmitir, de forma atenuada, uma ideia ou realidade que é desagradável.Exemplos
:
“Vai
 pêra
ilha perdida…”= Inferno

Veremos esta barca de tristura…” = BarcaInfernal“ Chegando ao nosso cais…” = Inferno

A Ironia -
quando as palavras significam o contrário do que noíntimo pensamos, ou estão em desacordo com a
realidade.Exemplos: “ Ó poderoso dom Anrique,/ cá vindes vós?”“ E m b a r c a i a v o s s a d o ç u r a /
q u e c á n o s entenderemos.”“E ela, por não te ver, despenhar-se-á dum cabeço.”
Processos cómicos
Os tipos de cómico estão definidos no teu manual, à página 153. Fica aqui uma explicação:

Resulta de uma não adaptação de uma pessoa à situação em que


se encontra.
NOTA: em termos de linguagem mais popular, será fazer figuras
Situação tristes, voluntária ou involuntariamente.

Resulta de uma não adaptação da linguagem ao contexto.


NOTA: o uso de calão é o exemplo mais frequente, mas poderá ser
Linguage a utilização de uma linguagem demasiado cuidada para um
m auditório pouco escolarizado.

Resulta de uma não adaptação de uma pessoa à sua própria


realidade.
NOTA: em termos de linguagem mais popular, será alguém com
Carácter “manias”!

Servem ainda o processo cómico alguns recursos estilísticos como a ironia, eufemismo
e jogo de linguagem. Verifica em recursos expressivos.

Registos de língua
Os registos de línguas surgem no teu manual à página 272… Mas fica aqui uma explicação:

Apresenta uma intenção e realização estéticas. Recorre a uma


Literária linguagem figurativa.

Registo culto da língua, usado em situações formais –


conferências, colóquios, cartas (não familiares), alguns textos
jornalísticos de opinião, discursos (políticos e outros),
… Caracteriza-se pelo uso de formas de tratamento cuidadas
Cuidada e respeitosas.

Corrente ou Segue a norma linguística pretendendo ser o registo médio da


padrão língua. Usado na comunicação social em texto informativo.

Usa-se fundamentalmente entre amigos e em família. Recorre a


um vocabulário e construção frásica simples, podendo haver
menor preocupação linguística. Em muitos contextos identifica-se
Familiar facilmente pelo emprego de diminutivos.

Popular Registo provocado pela falta de cultura linguística, desleixo ou


hábitos. Pode resultar em regionalismo (quando característico de
uma região), gíria (quando próprio de um grupo socioprofissional)
ou calão (quando usado grosseira e ofensivamente).

Linguagem codificada e própria de certos grupos


socioprofissionais. Muitos termos de diversas gírias são usados
no dia-a-dia sem que nos percebamos que os estamos a usar
(escolas: feriado = furo; futebol: frango; segurança: bófia =
Gíria moina).

Expressões consideradas grosseiras ou ofensivas. Algumas


palavras pretendem disfarçar o calão, mas não deixam de o ser
Calão (fosca-se, fonha-se, carago).

Expressão própria de uma determinada região. Alguns vocábulos


como bica/café; imperial/fino (cerveja). Um fenómeno mais
específico e interessante de regionalismo está patente
no mirandês  que é a segunda língua oficial de Portugal. É a
língua própria do povo de Miranda do Douro e deve-se,
essencialmente, ao isolamento a que a região esteve sujeita em
Regionalis tempos. É falada por cerca de 15 mil pessoas e é aprendida nas
mo escolas da região. Assemelha-se ao Português antigo.

Usada em conjugação com as anteriores, conforme a


competência linguística do utilizador, mas marcada por termos
próprio de uma técnica ou ciência.
EX.: Os motores caracterizam-se pela sua cilindrada e a
sua potência é medida em cavalos e binário (corrente).
Técnico- Aquela máquina tem uma cilindrada do caneco e potência até
científica dizer chega (popular).

NOTA: os registos dependem muito da variação situacional: a produção linguística


adapta o seu discurso a cada situação de comunicação em concreto – cada falante, de
forma voluntária e deliberada, utiliza registos de língua mais formais ou mais informais.
Não confundir estes aspectos com o desconhecimento da língua. 

https://aulapartilhada.wordpress.com/auto-da-barca-do-inferno/