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A ENERGIA DOS OCEANOS

Carina Aquino Dal’Col

Departamento de Engenharia Elétrica - Universidade Federal do Espírito Santo


carina_ad@hotmail.com

Resumo – Até certo ponto, a humanidade planeta e nos ventos ou nos gradientes de
buscou o desenvolvimento tecnológico e temperatura e salinidade e na ação das marés; e a
industrial sem preocupar-se com o meio energia das ondas, resultante do efeito do vento na
ambiente. Agora, o crescimento desenfreado da superfície do oceano.
população e as concomitantes necessidades A seguir, segundo a classificação
estruturais, que acarretam mais destruição apresentada, cada tipo de aproveitamento da
ambiental, fazem imprescindível o energia dos oceanos será individualmente tratado.
restabelecimento do equilíbrio entre o homem Por fim, uma conclusão será proposta.
e a natureza. Nesse cenário, as energias
renováveis constituem um dos principais II – A ENERGIA DAS MARÉS
pilares na busca desse equilíbrio. Portanto,
As marés, conhecidas pela subida e descida
vista a importância das fontes renováveis na
do nível do mar ao longo da costa, são
geração de energia elétrica, este artigo
conseqüência da ação simultânea das forças
apresenta uma visão geral do potencial
gravitacionais da Lua, do Sol e da Terra, e da
energético dos oceanos, explicitando cada tipo
revolução em torno do centro comum, da Terra e da
de aproveitamento disponível.
Lua, e da Terra e do Sol [1]. A magnitude da
I – INTRODUÇÃO atração imposta por esses campos gravitacionais é
diretamente proporcional à massa dos corpos e
Cerca de 70% da superfície toda Terra é inversamente proporcional ao quadrado da distância
coberta pelos oceanos. Diante de sua entre seus centros [2]. Assim sendo, apesar de
grandiosidade, nada mais trivial que direcionar possuir maior massa, o Sol exerce menor efeito que
pesquisas para o mapeamento do potencial a Lua sobre as marés devido à grande distância da
energético da água dos mares. Assim, viu-se Terra em que se situa. A Figura 1 mostra como a
que o oceano abriga recursos de energia atração gravitacional da Lua e do Sol determinam o
abundantes e os desafios de engenharia nível das marés.
relacionados às formas de aproveitamento
desses recursos têm sido cada vez mais
debatidos.
É notória a complexidade da
implementação, do funcionamento e da
manutenção de sistemas de energia em
ambientes marítimos – que apresentam
limitações de acesso e estão suscetíveis a
tempestades e à corrosão. Contudo, tecnologias
têm sido desenvolvidas e tendem a se
aproximarem da aplicação comercial.
A energia contida nos oceanos
apresenta diferentes classificações de acordo
com sua origem. As mais relevantes,
certamente, são: a energia das marés,
procedente da interação dos campos
gravitacionais da lua e do sol; a energia
térmica, conseqüência direta da radiação solar Figura 1 - Efeito gravitacional do Sol e da Lua sobre as marés
[1].
incidente; a energia das correntes marítimas,
cuja origem está na inércia de rotação do
Os períodos das marés, que ocorrem Há duas marés altas e duas marés baixas por
duas vezes ao dia, são de 12h para a maré solar dia. Gera-se eletricidade numa usina maremotriz a
e de 12h25min para a maré lunar. As marés cada 12h, não havendo geração durante as seis
também são diferentes dependendo do local, horas intermediárias. Alternativamente, as turbinas
isso porque a Terra não é coberta podem ser usadas como bombas para bombear água
uniformemente por oceano, na verdade, extra para dentro do reservatório durante os
continentes separam as bacias oceânicas períodos de baixa demanda de energia elétrica [3].
conferindo-lhes formatos, dimensões e A primeira e maior usina maremotriz
profundidades diferentes. construída no mundo é a de La Rance. Com
O aproveitamento da energia das marés capacidade instalada de 240MW, ainda é muito
para a geração de energia elétrica é bem superior a segunda maior, a de Annapolis no
semelhante à utilizada nas tradicionais usinas Canadá, que possui 20MW de capacidade. O
hidrelétricas, sendo necessária uma barragem estuário do Rio La Rance tem uma área de 22km² e
através de uma baía ou de um estuário para a diferença entre as marés alta e baixa, durante o
represamento da água oceânica. Como a equinócio, são de cerca de 13,5m. A usina conta
construção de barragens é um processo caro, com 24 conjuntos bidirecionais de turbina-gerador
costuma-se buscar lugares estreitos, reduzindo com 10MW cada [4].
a extensão da obra. Assim, construída a
barragem, turbinas e portões são instalados ao
longo de seu comprimento. Quando a maré é
alta, a água enche o reservatório, passando
através das turbinas e gerando energia elétrica.
Na maré baixa, o reservatório é esvaziado e a
água que sai do reservatório passa novamente
através das turbinas, em sentido contrário,
gerando energia elétrica novamente. A Figura
2 representa esse comportamento.

Figura 3 - Usina Maremotriz de La Rance [4].

III – A ENERGIA TÉRMICA


O processo de gerar energia elétrica a partir
da energia térmica dos oceanos, chamado
Conversão de Energia Térmica Oceânica (OTEC –
Ocean Thermal Energy Conversion), vem sendo
estudado desde as primeiras décadas do século XX.
Figura 2 - Funcionamento do sistema de reservatório. Apesar de haver usinas-piloto que comprovam o
funcionamento dessa tecnologia, comercialmente,
Nota-se que a geração de eletricidade ela nunca entrou em operação. Entretanto, devido à
nesse tipo de aproveitamento é bidirecional, motivação ambiental, várias empresas estão
uma vez que ambos os lados da barragem buscando o desenvolvimento de projetos
podem encontrar-se em nível alto ou baixo. comerciais.
Portanto, a utilização de turbinas bidirecionais A reserva de energia térmica do oceano
é a principal diferença do aproveitamento nada mais é do que energia solar armazenada.
hidrelétrico nos rios. Geralmente, as turbinas Tipicamente, há uma distribuição vertical
utilizadas são do tipo Bulbo. permanente da temperatura, onde a agitação das
ondas e outros efeitos do vento podem fornecimento estável e confiável, pois geraria
distribuir o calor da superfície até uma eletricidade 24h por dia de uma forma previsível e
determinada profundidade. Assim, cria-se uma confiável.
camada superficial quente de 50, 100 ou A primeira usina experimental de OTEC foi
mesmo 200 metros, não aquecendo águas construída e brevemente operada em Cuba em
profundas, que permanecem frias. 1930. Após a primeira crise do petróleo, em 1973,
Uma usina baseada no conceito da uma usina de teste foi construída em Keahole Point
OTEC aproveita esse gradiente térmico de e outra na ilha de Nauru, no Havaí. Atualmente,
modo a gerar energia elétrica. Para isso, em um uma equipe de desenvolvimento de energias
circuito fechado, circula um fluido de trabalho alternativas de uma empresa norte-americana está
que tenha ponto de ebulição baixo – por trabalhando no projeto de uma usina piloto, com
exemplo, a amônia. A água da superfície, capacidade de geração de energia de 5 a 10MW,
quente, é bombeada através de um trocador de que poderá funcionar no Havaí em 2014 [6].
calor, evaporando o fluido de trabalho que
aciona uma turbina e gera eletricidade. Em IV – A ENERGIA DAS CORRENTES MARÍTIMAS
seguida, o fluido que deixa a turbina é
As correntes marítimas são movimentos de
bombeado para um segundo trocador de calor,
grandes massas de água, dentro de um oceano ou
dessa vez condensador, que está em contato
mar. Sua formação pode ser resultado de dois tipos
com a água mais profunda e fria. A Figura 4
de força. O primeiro abrange as forças que se
ilustra o funcionamento descrito.
originam no interior das águas oceânicas, devido a
diferenças de temperatura, salinidade e,
conseqüentemente, de densidade, implicando em
diferenças de pressão. Quando, numa mesma
profundidade a pressão é igual, o que raramente
acontece, o líquido mantém-se estável. Se, ao
contrário, houver diferenças de pressão ao longo de
um mesmo nível, estabelece-se um declive e o
deslocamento de massas de água. Devido ao
movimento de rotação da Terra, esse deslocamento
sofre um desvio que, no hemisfério norte, se faz
Figura 4 - Conversão de Energia Térmica Oceânica
para a direita e no hemisfério sul para a esquerda.
(OTEC). Essas correntes são denominadas correntes de
densidade. O segundo grupo abrange forças como
Para funcionar eficientemente, a os ventos e a pressão atmosférica, que atuam sobre
tecnologia exige uma temperatura diferencial as águas, imprimindo-lhes movimentos. Os ventos,
de pelo menos 20°C [5]. Essa diferença de quando sopram numa mesma direção durante certo
temperatura é encontrada facilmente em tempo, provocam deslocamento de águas e
grandes extensões dos mares tropicais, originam correntes. Estas, tal como as correntes de
mostradas na Figura 5. densidade, sofrem em mar profundo um desvio de
45°, para a direita no hemisfério norte e para a
esquerda no hemisfério sul [7].
Como essas massas de água estão em
deslocamento, carregam energia cinética, que pode
ser capturada por turbinas, semelhantes às turbinas
eólicas, acopladas a um gerador para produção de
Figura 5 - Locais potenciais para instalação de OTEC's energia elétrica. Essas turbinas são submersas,
(mais vermelho melhor). presas ao fundo do oceano e possuem engrenagens
de posicionamento para orientar as pás na direção
O que chama atenção para essa da corrente marítima. Além disso, algumas
tecnologia é que, diferentemente da maioria apresentam um sistema de elevação das turbinas
dos aproveitamentos de energia renovável, ela acima do nível do mar para facilitar o acesso e
pode garantir um nível mínimo de
permitir manutenção a partir de embarcações
de serviço de pequeno porte.
Ao comparar com o aproveitamento
eólico, apesar de as correntes marítimas terem
menor velocidade que os ventos, a densidade
da água do mar é cerca de 800 vezes maior que
a densidade dos ventos. Dessa forma, para
gerar uma mesma quantidade de energia, é
necessária uma corrente marítima de
velocidade menor que a do vento. Por
exemplo, a potência de uma corrente marítima
de 3,7km/h é igual à de um vento de 32,4km/h.
Além disso, outras vantagens frente à Figura 7 - Turbinas da SeaGen sendo elevadas para
manutenção [8].
energia eólica são: a menor necessidade de
espaço, visto que as turbinas podem ser
V – A ENERGIA DAS ONDAS
posicionadas mais próximas uma da outra; a
ausência de impacto visual, por estarem As ondas são provocadas pelo vento, que, ao
submersas; e o fato de as correntes oceânicas criar forças de pressão e fricção, perturba o
serem relativamente constantes em relação à equilíbrio da superfície dos oceanos, transmitindo
direção e à velocidade. Porém, também há energia para a água. Depois de criadas, as ondas
desvantagens, como, por exemplo, os gastos podem viajar milhares de quilômetros em alto-mar
com cabos submarinos para a transmissão da praticamente sem perdas de energia, porém, ao
energia até a costa e a corrosão. chegarem às regiões costeiras, devido à interação
O primeiro protótipo de turbinas com o fundo do mar, parte dessa energia é
marítimas foi instalado no ano de 2000 na dissipada.
costa de Cornwall, sudeste da Inglaterra, com A potência de uma onda é proporcional ao
350kW de capacidade de geração. Já a primeira quadrado da sua amplitude e ao seu período. Ondas
turbina em operação comercial, a SeaGen, de elevada amplitude (cerca de 2m) e de período
encontra-se no estreito de Strangford Lough, elevado (7 a 10s) excedem, normalmente, os 50kW
na Irlanda do Norte, e entrega mais de por metro de frente de onda [9]. A densidade de
6000MWh por ano à rede de energia elétrica potência das ondas, medida em kilowatt por metro
do Reino Unido. A SeaGen produz 1,2MW de frente de onda, de várias partes do mundo é
com correntes de 2,4m/s, o que indica um fator apresentada na Figura 8.
de capacidade maior que 60% [8].

Figura 8 - Distribuição da energia das ondas (níveis de


potência das ondas em kW/m de frente de onda) [10].

Há diferentes tecnologias na extração da


energia das ondas. O critério de classificação
Figura 6 - Desenho artístico da SeaGen [8].
adotado na esmagadora maioria de referências
relaciona-se com a distância do dispositivo à costa,
dessa forma, agrupando-os em: dispositivos
costeiros, dispositivos próximos da costa e
dispositivos afastados da costa [9].
Quanto maior a distância da costa, anos de funcionamento, foi destruído por uma
maior a profundidade e, portanto, menor a tempestade. Já a central LIMPET (Land Installed
interação das ondas com o fundo do oceano e Marine Power Energy Transmitter) é o primeiro
menor a dissipação de energia. Assim, nota-se dispositivo de aproveitamento de energia das ondas
que o fator preponderante não é somente a a ser explorado comercialmente no Reino Unido.
distância em relação à costa, mas sim a Em operação desde novembro de 2000, possui dois
profundidade do ponto de instalação dos grupos turbina-gerador de 250kW cada, totalizando
dispositivos. 500kW nominais, e localiza-se numa região de
Os aproveitamentos costeiros são intensidades de onda anuais médias entre 15 e
fixados na linha da orla costeira e revelam 25kW/m de frente de onda incidente [12].
vantagens importantes, como a maior
facilidade de instalação e manutenção e a
ausência de grandes extensões de cabos
submarinos. Porém, têm a desvantagem de não
tirar proveito do regime de ondas mais
energético presente nos locais de maiores
profundidades.
Dentre as tecnologias costeiras, a que se
encontra mais desenvolvida é a Coluna de
Água Oscilante (OWC, Oscillating Water
Column). Um sistema OWC consiste em uma
câmara oca parcialmente submersa, cuja parte
de inferior é aberta abaixo da superfície do
mar. Quando uma onda entra na estrutura, o ar
que havia dentro dela é forçado a passar Figura 10 - LIMPET OWC.
através de uma turbina devido ao aumento da
pressão interior. Quando a onda retorna ao Existem alguns dispositivos do tipo OWC
mar, a pressão interior diminui, fazendo com que são classificados como próximos da costa
que entre ar na câmara e a turbina seja devido à sua instalação ser feita não na linha da
acionada novamente. Assim, energia elétrica é costa, mas próxima dela em locais de
gerada tanto na saída do ar quanto na entrada. profundidades de até 20m. Esse é o caso do
Para isso, turbinas com a propriedade de OSPREY (Ocean Swell Powered Renewable
manter o sentido de rotação independente do Energy), desenvolvido em meados da década de 90
sentido do fluxo de ar são utilizadas nessa para ser colocado em águas de 20m de
aplicação. A Figura 9 ilustra o funcionamento profundidade. Porém, um acidente na fase de
de um sistema OWC. instalação levou à interrupção do projeto. Há planos
de recuperá-lo e associar a ele uma turbina eólica
offshore.

Figura 9 - Tecnologia da Coluna de Água Oscilante


(OWC) [11].

Em 1985, um sistema OWC foi


instalado em Tofteshallen, na Noruega, com
Figura 11 - Antevisão artística do OSPREY [9].
capacidade de 500kW. Em 1988, após três
O conceito da absorção pontual de energia
foi provado em grande escala em 2004, através de
uma instalação piloto no mar de Portugal. Neste
momento, está a ser desenvolvida a engenharia
detalhada de um demonstrador pré-comercial
otimizado de 250 kW [13].

Figura 12 - Modelo do OSPREY com a inclusão da


turbina eólica [9].

Já os equipamentos que se enquadram


Figura 14 - Antevisão artística do AWS [9].
na classificação de afastados da costa são os
mais recentes e podem aproveitar o regime de
ondas mais energético nas zonas de maior
profundidade. Os modos de extração da
energia das ondas utilizados nesse caso são:
conversão de energia tipo corpo flutuante
(absorção pontual), conversão de energia do
tipo progressivo, e galgamento.
Como tecnologia da classe dos corpos
flutuantes, absorção pontual, há o Archimedes
Wave Swing (AWS), desenvolvido por uma
empresa dos Países Baixos. Consiste em dois
cilindros ocos, preenchidos por ar
pressurizado, colocados um sobre o outro. O ar Figura 15 - Central piloto do AWS [14].
de preenchimento deve estar a uma pressão que
equilibre o peso do cilindro superior, chamado A conversão de energia das ondas do tipo
flutuador, e da coluna de água exterior que ele progressivo é encontrada no dispositivo Pelamis,
sustenta. Assim, com a passagem das ondas, a desenvolvido por uma empresa na Escócia. O
coluna de água aumenta nas cristas e diminui Pelamis é um equipamento alongado, com uma
nas cavas, produzindo um movimento dimensão longitudinal da ordem de grandeza do
oscilatório na vertical que aciona um gerador comprimento de onda e estão dispostos no sentido
elétrico linear. de propagação da onda, de modo a gerarem um
efeito de bombardeamento progressivo associado à
passagem da onda, por ação de um elemento
flexível em contato com a água. Ele é composto por
uma estrutura articulada, semi-submersa, composta
por diferentes módulos cilíndricos unidos por juntas
flexíveis. O movimento ondulatório das ondas
incidentes provoca a oscilação dos módulos
cilíndricos em torno das juntas que os unem,
pressurizando o óleo e forçando-o a passar por
motores hidráulicos que acionam geradores
Figura 13 - Funcionamento do AWS [8]. elétricos [9].
Um parque de 40 dispositivos Pelamis,
ocupando uma área de 1km², teria capacidade O Wave Dragon, dispositivo que funciona
instalada de 30MW. por galgamento instalado na Dinamarca, foi o
primeiro aproveitamento de energia das ondas
afastado da costa a, em Junho de 2003, entregar
energia a uma rede elétrica durante o teste de uma
central piloto construída à escala de 1:4,5 (potência
instalada de 20kW). Essa unidade de teste
acumulou mais de 20000 horas de experiência no
suprimento de eletricidade a residências [15]. O
sistema possui: dois braços refletores, que focam as
ondas incidentes para uma rampa; um reservatório,
que armazena a água que galgou a rampa; e
turbinas de baixa queda, tipo Kaplan.

Figura 16 - Antevisão artística de um parque de Pelamis


[9].

Figura 19 - Antevisão Artística do Wave Dragon.

Figura 17 - Lançamento do primeiro Pelamis à escala


1:1 [9].

Já a extração da energia das ondas do


tipo afastada da costa por galgamento,
funciona de modo parecido com uma barragem
de uma hidrelétrica convencional. Esse
mecanismo consiste em um reservatório que é
preenchido pela entrada da água das ondas a
níveis acima da média do oceano circundante. Figura 20 - Wave Dragon: protótipo em escala 1:4,5.
A água capturada fica retida e quando liberada,
caem de volta ao oceano passando por uma VI – CONCLUSÕES
turbina, que aciona um gerador. Nota-se que a
idéia básica do galgamento é usar os Vistas as muitas fontes de energia presentes
conhecidos e provados princípios das usinas no oceano, é evidente seu tremendo potencial
hidrelétricas tradicionais em uma plataforma energético ainda não explorado em grande escala.
offshore flutuante. Apesar dos progressos obtidos no desenvolvimento
de tecnologias para a conversão dessas energias em
energia elétrica, elas ainda são imaturas, basta notar
o grande número de diferentes dispositivos e sua
variedade em tamanho. Isso demonstra que o
aproveitamento da energia dos oceanos ainda
apresenta desafios de engenharia e necessita de
Figura 18 - Princípio de funcionamento do muita pesquisa e desenvolvimento. Assim, sistemas
aproveitamento por galgamento.
experimentais poderão ser transformados em [7] Portal EmDiv. (s.d.). Acesso em 03 de
usinas de geração de energia elétrica confiáveis Novembro de 2010, disponível em Site Portal
e de menor custo. EmDiv:
Além disso, como toda intervenção http://www.emdiv.com.br/pt/mundo/asmaravi
humana na natureza, mesmo que os oceanos lhas/994-as-correntes-maritimas.html
seja uma fonte de energia renovável, há [8] Marine Current Turbines. (s.d.). Acesso em 09
impactos ambientais no seu aproveitamento. de Novembro de 2010, disponível em Site da
Devido ao fato das tecnologias ainda estarem Marine Current Turbines:
em fase de avaliação ou desenvolvimento, http://www.marineturbines.com/
esses impactos ainda não foram completamente [9] Cruz, J. M. (2004). Energia das Ondas.
mapeados. Contudo, alguns são de fácil MARETEC, Portugal.
percepção, como, por exemplo, o alagamento [10] Sabzehgar, R., & Moallem, M. (2009). A
quando se constrói barragens – caso da Review of Ocean Wave Energy Conversion
conversão da energia das marés. Ainda assim, Systems. IEEE Electrical Power & Energy
pesquisadores avaliam que as perturbações no Conference.
meio-ambiente seriam mínimas, sendo que o [11] Wave Power. (s.d.). Acesso em 07 de
maior impacto que poderá haver acontece Novembro de 2010, disponível em Site da
quando da instalação dos equipamentos no University of Strathclyde Energy Systems
mar. Research Unit:
Em geral, os principais impactos no http://www.esru.strath.ac.uk/EandE/Web_site
meio-ambiente são: possíveis alterações no s/01-02/RE_info/wave%20power.htm
regime das ondas, das correntes marítimas e [12] Voith. (s.d.). Acesso em 07 de Novembro de
das marés, perturbando o padrão de vida de 2010, disponível em Site da Voith Hydro
algumas espécies marinhas; ruído; riscos à Wavegen Limited:
navegação. http://www.wavegen.co.uk/what_we_offer_li
mpet_islay.htm
REFERÊNCIAS [13] AWS Ocean Energy (s.d.). Acesso em 07 de
Novembro de 2010, disponível em Site da
[1] Miyao, S. Y. (1997). Marés: como são AWS Ocean Energy:
produzidas? É viável utilizar sua energia? http://www.awsocean.com/archimedes_waves
Ciência & Ensino, 17-19. wing.aspx?ln=3
[2] Bonjorno, R. A. (1999). Física [14] Leistra, R. (s.d.). Acesso em 07 de Novembro
Fundamental. São Paulo: FTD. de 2010, disponível em Site Seabed Assist:
[3] Sheth, S. (2005). Tidal Energy in Electric http://www.seabedassist.nl/foto_eng.html
Power Systems. IEEE. [15] Wave Dragon (s.d.). Acesso em 09 de
[4] J. F., C., Benbouzid, M. E., & Elghali, S. Novembro de 2010, disponível em Site da
E. (2007). Marine Tidal Current Electric Wave Dragon: http://www.wavedragon.net
Power Generation Technology: State of
the Art and Current Status. IEEE.
[5] National Renewable Energy Laboratory.
(s.d.). Acesso em 07 de Novembro de
2010, disponível em Site da Ocean
Thermal Energy Conversion:
http://www.nrel.gov/otec/
[6] Tribune, I. H. (25 de Maio de 2010).
Mercado Ético. Acesso em 06 de
Novembro de 2010, disponível em Site
da Terra, Mercado Ético:
http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/
empresas-comecam-a-explorar-a-energia-
dos-oceanos/

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