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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO

DEPARTAMENTO DE SOCIOLOGIA E ANTROPOLOGIA- CCH


CURSO DE ENFERMAGEM
DISCIPLINA DE SOCIOLOGIA

Hudson Israel das neves1


Rosilene Rocha Reis
Sophia Caroline Camargo
Ignaldo Rodrigues Bata2

ANÁLISE CRÍTICA DO FILME “AS SUFRAGISTAS” ASSOCIADA AO


PENSAMENTO DE KARL MARX

Segundo Karl Marx, o liberalismo pregado pelo sistema capitalista


proclamava o cidadão como um ser possuidor de igualdade política e jurídica.
Sendo a liberdade e a justiça direitos inalienáveis de todo cidadão. Marx, por sua
vez, pregava a inexistência de tal igualdade social, pois percebia as
desigualdades provocadas pelas relações de produção do sistema capitalista
como contraposições do sistema e a base da formação das classes sociais. Nesse
sentido, o filme ‘As sufragistas’ aborda a luta da classe feminina pela igualdade
salarial e pelo direito ao voto em uma sociedade patriarcal e preconceituosa.
“O movimento sufragista tem suas origens na urbanização e na
industrialização do século XIX”, diz a historiadora Lidia Possas, da
Universidade Estadual Paulista (Unesp), esse movimento tinha o objetivo de
estender o direito do voto às mulheres, assim como lutar por condições de
igualdade perante o homem, combatendo o machismo e o patriarcado.
A alienação do homem frente ao exercício do trabalho na sociedade
capitalista e das relações de classe excludentes podem ser observadas nessa obra
da dramaturgia através da história de uma operária chamada Maud Watts que
desde os 7 anos trabalhava em uma lavanderia e mesmo aos 24 anos sendo a
líder daquela seção, trabalhando pesado e de forma impecável, continuava
ganhando um salário inferior aos dos homens da sua mesma posição, sujeitando-
se a problemas de saúde decorrentes do ambiente insalubre e tendo que perder a

1
Discentes do curso de Enfermagem da Universidade federal do Maranhão

2
Docente da Universidade Federal do Maranhão
si mesma nesse processo. Todas essas relações de alienação, discutida por Karl
Marx em seus escritos, como a exploração, miséria e opressão vivida pela classe
operária são questões discutidas no filme - As sufragistas - e que serão
comentadas no transcorrer dessa leitura.
O filme mostra as relações de classe que perpassam o ambiente de
trabalho: mesmo lutando por igualdade, eram as mulheres de classe mais baixa
que sofriam com as represálias, já que não podiam nem mesmo pagar sua fiança,
ademais a hostilidade para com militantes de elite, já que era questionável o fato
de elas até mesmo terem trabalhado um dia. A desigualdade de gênero - umas
das principais pautas evidenciadas no filme – é bem visível, principalmente,
quando mostra apenas o homem como ser político capaz de exercer a
democracia através do voto e o fato dele ter uma média salarial mais elevada
comparada ao público feminino, que não recebia a quantidade que se equiparava
ao período de trabalho (mais-valia, Karl Marx); a luta por igualdade de gênero
era a principal pauta feita pelas mulheres da época.
Fazendo uma correlação a pirâmide social - na qual um grupo detentor do
poder se encontra no topo, e o grupo oprimido, o proletariado, se encontra em
sua base – é fácil evidenciar no filme que o homem, no âmbito social, é aquele
que obtém vários privilégios, e consequentemente, que possui uma vasta gama
de recursos para se desenvolver dentro da sociedade, seja no meio político, seja
no meio do trabalho; já a mulher era vista como uma posse do homem, o ser que
deveria sempre estar disponível para realizar os seus desejos, cuidar dos filhos e
manter a casa limpa. Não ganhava o mesmo salário que o homem porque isso
poderia significar a sua liberdade, o sentimento de superioridade dentro do
próprio lar, tais pensamentos que eram altamente reprimidos na época.
Além de serem os detentores dos meios de produção, a burguesia
também é a possuidora do poder político; para Karl Marx o proletariado é
manipulado pelas falsas ideologias de progresso pela burguesia, e com isso, o
mesmo acaba não reconhecendo que se encontra em uma situação de exploração
e alienação. O filme relata o quão difícil é tomar consciência da exploração
sofrida quando aquele meio que você está inserido é o único que conheceu, as
mulheres em especial, além da jornada de trabalho, ainda lutam para não serem
tratadas como objetos sexuais por seus patrões. Quando a consciência política de
Mauds é despertada e ela toma conhecimento da violência que sofre no cotidiano
da fábrica, além da negligência quanto as leis em geral para com as mulheres em
relação aos homens, ela se vê livre da alienação do seu cotidiano, ou seja,
baseado nas ideologias de Marx, ela e as outras mulheres passaram a ter a
consciência de si, como um grupo subjugado dentro dessa sociedade sexista, o
que estimulou, consequentemente, a consciência do que elas precisavam para
mudar a sua realidade social e quais elementos eram necessários para almejar tal
feito. Isso explica a mobilização de mulheres, principalmente dentro das fábricas
de lavar roupa, que fortaleceram e fizeram as manifestações acontecerem.
Embora pareça fácil o “despertar”, Mauds lidava com uma rotina exaustiva de
trabalho, a criação do filho, cuidar da casa e do marido e ainda lidar com o
patrão e a crítica de outras mulheres que não apoiavam o movimento, tendo que
abdicar de sua vida pessoal, suas relações familiares e seu emprego em prol da
mudança.
Maud e várias outras mulheres que resistiram e não deixaram o
movimento enfraquecer, receberam o nome de rebeldes sufragistas que violavam
as leis e colocaram em desequilíbrio o bem comum da época. Foi graças a esse
movimento e muitos outros que ocorreram em 1960 e que mantem as suas raízes
na contemporaneidade é foi possível realizar várias conquistas como no âmbito
nacional que reconheceu a igualdade entre homens e mulheres na Constituição
de 1988 e mais atualmente a Lei Marinha da Penha, e no internacional, a
implantação do dia internacional da mulher que comemora a importância do
movimento feminista além de colocar na agenda pública a necessidade de
atenção às políticas de gênero.
REFERÊNCIAS

PACHECO, Rodrigo da Paixão. As sufragistas e o feminismo. Disponível em:


<https://jus.com.br/artigos/67973/as-sufragistas-e-o-feminismo>. Acesso em: 07 out.
2019.

KÜHL, Luciana. As Sufragistas | Por que o mundo precisa do


feminismo. Disponível em: <https://zinema.com.br/critica-as-sufragistas/>. Acesso
em: 07 out. 2019.

MORAES, M. L. Q. O Encontro Marxismo-Feminismo no Brasil. In: RIDENTI,


Marcelo; REIS, Daniel A.(Org.) A história do Marxismo no Brasil. Campinas-SP:
Editora UNICAMP, 2007.

Super Interessante. O que foi o movimento sufragista?. Disponível em:


<https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-foi-o-movimento-sufragista/>.
Acesso em: 04 out.2019.

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