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Revista Lições Bíblicas CPAD

1º Trimestre de 2020 – Classe dos Adultos


Título: A Raça Humana: Origem, Queda e Redenção
Comentarista da Lição: Claudionor de Andrade
Autor dos Comentários (em azul): Ev Luiz Oliveira
Data da aula: 08 de Março de 2020

LIÇÃO 10
SÓ O EVANGELHO MUDA A CULTURA HUMANA
Nessa aula, vamos ter que inverter a ordem das coisas. Como a explicação sobre o que
é cultura está no tópico 1 da lição, muita coisa do que iríamos falar antes de chegar lá
iria ficar sem a compreensão certa. Então, antes de mais nada, vamos definir o que é
cultura. Vou usar aqui uma definição um pouco diferente da que o comentarista trouxe.

Aos olhos da Sociologia, que é o estudo da organização e do funcionamento das


sociedades, cultura é tudo aquilo que o homem cria, a partir da sua vida em sociedade.
São ideias, costumes, leis, crenças morais, conhecimento, todos adquiridos a partir do
convívio social.

Uma das características mais marcantes da cultura é a sua fácil adaptabilidade, ou seja,
ela se molda facilmente às mudanças de hábitos e de costumes. Por conta dessa
adaptabilidade, a cultura está em constante mudança, pois o ser humano está sempre
mudando, quer para o bem, quer para o mal.

Outro ponto importante a ser colocado é que apenas os seres humanos têm cultura. Os
animais têm apenas instintos.

E encontramos cultura em todos os tipos de sociedade, das mais simples, do ponto de


vista social, como uma tribo indígena, até as mais complexas, como uma comunidade
em uma metrópole como São Paulo. E essa cultura se expressa em sua forma de
expressar, pensar, agir e sentir.

TEXTO ÁUREO

“Porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para convosco, e
como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro.”
(1Ts 1.9)

Aqui, Paulo apresenta o que chamamos de uma quebra de paradigma, que significa
uma mudança de um comportamento considerado “padrão” pela sociedade da época,
que era o de adorar ídolos, para a adoração e o serviço ao Deus verdadeiro. Esse
resultado, além de uma quebra de paradigma, também é uma mudança na cultura dos
convertidos que, abandonando a idolatria, passam a adorar o Deus Todo-Poderoso.

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Comentário por: Ev Luiz Oliveira
VERDADE PRÁTICA

Em consequência do pecado, não há culturas inocentes nem inofensivas, mas todas


elas podem ser transformadas pelo Evangelho de Cristo.

Na realidade, como veremos mais a frente, a Bíblia diz que o mundo jaz no maligno
conforme vemos em 1Jo 5.19 – NVT: “Sabemos que somos filhos de Deus e que o
mundo inteiro está sob o controle do maligno”. Isso significa que toda a cultura secular
está apoiada em princípios que são contrários à Palavra de Deus. Mas o Evangelho
de Cristo, que é o poder de Deus, pode mudar todas as coisas, inclusive a cultura de
um povo que se renda ao poder de Deus, como vemos em 1Ts 1.9 – ARC: “porque
eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para convosco, e como
dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro”. Glórias a
Deus.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

1 Tessalonicenses 1.1-10

1 – Paulo, e Silvano, e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses, em Deus, o Pai, e no


Senhor Jesus Cristo: graça e paz tenhais de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.
2 – Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós em nossas
orações,
3 – lembrando-nos, sem cessar, da obra da vossa fé, do trabalho do amor e da paciência
da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai,
4 – sabendo, amados irmãos, que a vossa eleição é de Deus;
5 – porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em
poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza, como bem sabeis quais fomos entre
vós, por amor de vós.
6 – E vós fostes feitos nossos imitadores e do Senhor, recebendo a palavra em muita
tribulação, com gozo do Espírito Santo,
7 – de maneira que fostes exemplo para todos os fiéis na Macedônia e Acaia.
8 – Porque por vós soou a palavra do Senhor, não somente na Macedônia e Acaia, mas
também em todos os lugares a vossa fé para com Deus se espalhou, de tal maneira
que já dela não temos necessidade de falar coisa alguma;
9 – porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para convosco,
e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro
10 – e esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus,
que nos livra da ira futura.

OBJETIVO GERAL

Demonstrar que a cultura pode ser transformada pelo Evangelho.

Já mencionamos sobre isso na verdade prática.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

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Comentário por: Ev Luiz Oliveira
I. Definir a cultura;
II. Descrever uma cultura dominada pela iniquidade;
III. Mostrar que o Evangelho transforma a cultura.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

A Bíblia relata que o ser humano foi atingido pelo pecado original. Por isso, suas ações
carregam essa herança negativa. Por causa do pecado, o homem está inclinado ao mal.
Entretanto, a Palavra de Deus mostra que o ser humano é “imagem de Deus”. Ainda
que a consequência do pecado fosse trágica, ele não perdeu essa imagem. Assim, é
possível ver homem produzir coisas boas. Nesse sentido, podemos afirmar que a
cultura que o ser humano produz traz consigo a herança do pecado, mas também a
herança da imagem divina, por isso, há aspectos positivos e negativos na cultura
humana. O Evangelho propõe restaurar o ser humano todo e, assim, como
consequência, fazer com que ele produza cultura que glorifique a Deus em todos os
aspectos humanos.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Na lição de hoje, estudaremos a cultura humana através do prisma da Bíblia Sagrada.

É importante nós deixarmos claro que, como regra de fé e prática, a Bíblia Sagrada tem
que ser nosso guia a respeito de todos os assuntos concernentes à vida humana. As
Sagradas Escrituras têm resposta para todas as situações da vida humana.

Nosso intento é mostrar que nenhuma cultura pode ser tida como neutra, ou inofensiva,
porque todas elas acham-se contaminadas pelo pecado de Adão.

Já comentamos sobre isso na Verdade Prática.

Em seguida, veremos que a cultura humana tornou-se o abrigo natural do homicídio, do


sexo depravado, da usura e da rebelião contra Deus.

Afastado de Deus, um povo tende fortemente a, cada vez mais, afundar no lamaçal do
pecado. Em 2Tm 3.13 – ARC, encontramos: “Mas os homens maus e enganadores irão
de mal para pior, enganando e sendo enganados”. E não é exatamente isso que temos
visto no mundo? O próprio Senhor Jesus nos ensinou que, no final dos tempos, haveria
uma crise profunda de amor. Vejamos o que diz em Mt 24.12 – NVI: “Devido ao aumento
da maldade, o amor de muitos esfriará”. Somado a tudo isso temos a atuação do deus
desse século, que cegou o entendimento dos incrédulos, para que não lhes resplandeça
a luz do Evangelho da glória de Cristo, conforme vemos em 2Co 4.4.

Mas a boa notícia é que o Evangelho de Cristo pode transformar qualquer cultura.
Quanto a nós, Igreja de Cristo, não nos conformemos com este mundo que jaz no
Maligno, como fez Israel e Judá. Por aceitar todas as impurezas das culturas vizinhas
e longínquas, ambos os reinos foram destruídos.

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Comentário por: Ev Luiz Oliveira
Essa frase nos faz lembrar o que Paulo escreveu em Rm 12.2 – NVT: “Não imitem o
comportamento e os costumes deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por
meio de uma mudança em seu modo de pensar, a fim de que experimentem a boa,
agradável e perfeita vontade de Deus para vocês”. Temos a responsabilidade de fazer
diferente em relação ao que o mundo faz. Nosso alvo é chegar à estatura completa de
Cristo, conforme o mesmo Paulo disse em Ef 4.13 – ARC: “até que todos cheguemos
à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da
estatura completa de Cristo”. Glórias a Deus!

Mantenhamos nossas propriedades como povo de Deus. Os irmãos de Tessalônica são


um exemplo para todos nós por terem colocado em prática a sua fé no Senhor,
testemunhando de Cristo em diversos lugares.

Nas Escrituras encontramos vários exemplos de pessoas que mantiveram sua


fidelidade ao Senhor, mesmo em ambientes completamente adversos. Um exemplo
clássico é o que ocorreu com Daniel que, mesmo em uma cultura totalmente
corrompida, como era a babilônica, manteve sua vida pautada na cultura israelita, e se
manteve fiel ao seu Deus. O texto bastante conhecido de todos é aquele de Dn 1.8 –
ARC: “E Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar
do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto, pediu ao chefe dos eunucos que lhe
concedesse não se contaminar”.

PONTO CENTRAL

Toda cultura pode ser transformada pelo Evangelho de Cristo.

I – O QUE É A CULTURA

De acordo com a Bíblia Sagrada, o ser humano foi criado para fazer e produzir cultura,
a partir da criação divina. Neste tópico, veremos, ainda, a cultura dos gentios e a cultura
do povo de Deus.

Aqui vemos, conforme o modelo de outras lições, um sumário do que será visto nesse
tópico da lição.

1. Definição de cultura. No princípio, a cultura tinha a ver apenas com o cultivo da


terra, visando a produção de alimentos (Gn 4.2).

Realmente, uma das definições de cultura que encontramos no dicionário é: ação,


processo ou efeito de cultivar a terra; lavra, cultivo.

Depois, passou a ser considerada como a soma de todas as realizações humanas:


espirituais, intelectuais, materiais etc. Semelhante tarefa foi considerada enfadonha por
Salomão (Ec 1.1-13). A cultura pode ser definida também pela maneira como uma
nação encara as demandas e reivindicações divinas (Lv 20.23).

O comentarista fala que cultura pode ser considerada como a soma das realizações
humanas. Também cita outra definição, relacionada à interpretação das demandas
divinas. Porém, eu gosto da definição complementar do Pr Wagner Gaby, que

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Comentário por: Ev Luiz Oliveira
encontramos na lição 12 do 3º Trimestre de 2008: “cultura é o conjunto das realizações
materiais, filosóficas e espirituais de uma sociedade. Ela compõe a visão de mundo de
um povo, de uma época, e de um grupo social organizado”. Atentem para o detalhe
complementar: a cultura compõe a visão de mundo de uma sociedade. Vejam que a
definição de cultura que trouxemos no início dessa vem corroborar, ou seja, confirmar
essa definição dada pelo Pr Gaby.

2. A cultura dos gentios. Por haverem perdido o verdadeiro conhecimento de Deus,


que lhes havia transmitido o patriarca Noé, logo após o Dilúvio, os seres humanos
passaram a adorar a criatura em lugar do Criador (Rm 1.18-25). E, a partir daí, puseram-
se a imaginar coisas vãs e soberbas (Gn 11.6; Sl 2.1).

Na realidade, conforme diz esse texto de Romanos 1, quando a pessoa não quer saber
de Deus, Deus se afasta essa pessoa fica completamente sob a influência do inimigo
das nossas almas, que a leva a praticar atos completamente contrários à Palavra de
Deus.

Hoje, a antropologia cultural vê, como meros fenômenos sociológicos e culturais, a


prostituição, o homicídio, a corrupção e até mesmo o infanticídio (2Rs 23.7; Lv 20.1-5;
Ed 9.11).

A Antropologia Cultural é um dos quatro grandes ramos da Antropologia Geral – ciência


que estuda o Homem e a Humanidade de forma integral –, junto à Antropologia Física,
a Arqueologia e a Linguística, é o ramo do conhecimento que se dedica a compreender
os mecanismos da vida humana em sociedade, no aspecto cultural. Por fenômenos
sociológicos podemos entender aqueles comportamentos que, mesmo que
inicialmente, fossem considerados “condenáveis”, acabam sendo aceitos pela
sociedade, em nome do “bom convívio” naquela sociedade. E essa ideia de “errado”
acaba sendo abandonada, tendo em vista que os referenciais vão sendo, dia após dia,
removidos do cotidiano das pessoas.

3. A cultura do povo de Deus. A visão do povo de Deus, quanto à cultura, tem como
fundamento a Bíblia Sagrada, a inspirada, inerrante e completa Palavra de Deus (2Tm
3.16,17). Por essa razão, tudo quanto fazemos tem como base esta proposição: a Terra
é do Senhor (Sl 24.1).

Aqui precisamos olhar com mais atenção para esse conceito. Conforme mencionamos
anteriormente, cultura é a visão de mundo de uma sociedade e é formada pela própria
sociedade. Para o cristão, a visão de mundo que devemos ter é aquela que glorifica ao
nome do Senhor. Como assim? Temos a responsabilidade de apresentar Deus para as
pessoas, através de nosso testemunho, seja através da pregação, do ensino ou mesmo
do exemplo de vida. E a nossa visão de mundo deve ser aquela que a Bíblia ensina:
amar a Deus sobre todas as coisas e nosso próximo como a nós mesmos; aperfeiçoar
nossa vida através da santificação; sermos sal e luz nesse mundo corrompido, entre
outras coisas. Essa postura faz grande diferença na vida daquele que a pratica.

Haja vista os filhos de Israel. Eles consagravam ao Senhor até mesmo suas colheitas
(Lv 23.10). Portanto, tudo quanto fizermos tem de ser aferido por este mandamento
apostólico: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei
tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31).

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Comentário por: Ev Luiz Oliveira
Glórias a Deus! Esse versículo de 1Co 10.31 deve nortear nossa vida.

II – UMA CULTURA DOMINADA PELA INIQUIDADE

O homem foi posto no Éden, para lavrar a terra e fazer cultura, a partir da criação divina
(Gn 1.26; 2.5). Mas, devido ao pecado, toda a cultura humana pôs-se contra Deus.

Conforme comentamos, a cultura humana é influenciada pelo inimigo das nossas almas
e, por conta disso, está se afastando cada vez mais do Criador.

1. A cultura original. Se a Terra é do Senhor, todos deveriam saber que, neste mundo,
não passamos de servos de Deus (Sl 24.1). Logo, tudo quanto produzimos deveria ser
um reflexo da glória do Criador.

Essa afirmação é verdadeira, tendo em vista que, de acordo com as Sagradas


Escrituras, toda a terra deveria glorificar ao Senhor. O último verso do livro de Salmos,
que é o Sl 150.6 – ARC, nos diz: “Tudo quanto tem fôlego louve ao Senhor. Louvai ao
Senhor!”

Se não tivéssemos caído em pecado, nossa cultura seria uma extensão da divina. Mas,
por causa da Queda, a humanidade passou a trabalhar contra Deus (Ec 7.29).

Conforme mencionamos, depois da queda, a humanidade passou a ter outro senhor.

2. A cultura do homicídio. Como resultado da apostasia de Adão, o homicídio é


rapidamente incorporado à cultura humana. Haja vista que Lameque, para celebrar a
morte de dois homens, escreveu um poema (Gn 4.23). Os heróis daquele tempo eram
os vilões que se davam à opressão e à matança (Gn 6.4,11). Hoje, vemos aqueles dias
replicarem-se em todos os segmentos sociais; a cultura da morte não mudou. O que
dizer do aborto, da eutanásia e da cruel indiferença ao próximo?

Aqui, meus irmãos, eu gostaria de comentar algo que eu tenho visto, mas que não
podemos considerar doutrina. Qual seria o motivo para o homem matar outro homem?
Em primeiro lugar, precisamos levar em consideração que Satanás é inimigo de Deus
e da Igreja, conforme podemos inferir em Mt 13.39 – ARC: “O inimigo que o semeou é
o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos”. Porém, mesmo sendo
inimigo do Criador, o diabo não pode fazer nada contra Ele diretamente, muito menos
matá-lO, o que, certamente, deve ser o seu desejo em relação a Deus. Segundo essa
teoria, pelo fato de o Criador estar numa posição inalcançável, Satanás decidiu matar
o homem, que foi feito imagem e semelhança de Deus. Levando as pessoas a
praticarem homicídio, o inimigo tenta atingir o Todo-Poderoso indiretamente. Conforme
eu disse, não podemos considerar essa teoria como doutrina, mas vemos esse conceito
nas Sagradas Escrituras, em relação à Igreja de Cristo. Em Ap 12.13-17 vemos uma
passagem em metáfora, onde encontramos o episódio em que o dragão, que simboliza
Satanás, perseguindo a descendência da mulher que gerou o menino, que irá reger as
nações com cetro de ferro. Vejam aqui o mesmo conceito sendo aplicado. Satanás, não
podendo tocar na mulher, nem no seu filho, foi fazer guerra aos descendentes da
mulher, que no caso seríamos nós, os servos de Deus. Outro ponto a ser considerado
é que vemos um esforço gigantesco, no reino espiritual, para macular, cada vez mais,

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Comentário por: Ev Luiz Oliveira
a imagem de Deus que o homem traz sobre si. Seja através das práticas homoafetivas,
seja através da degradação moral, através do uso de drogas, violência e prostituição,
vemos uma força espiritual agindo sobre os filhos da desobediência, de forma a tornar
o homem “irreconhecível”, no que diz respeito à imagem de Deus.

3. A cultura do erotismo. O erotismo também impregnou rapidamente a cultura


humana; o casamento foi logo banalizado (Mt 24.37-39).

Os principados e potestades estão agindo, de forma a que todos os resquícios de justiça


e santidade sejam removidos da cultura popular. E a pureza sexual é uma das virtudes
mais combatidas pela cultura popular. Hoje, o chavão, ou modelo adotado pela
sociedade é: “ninguém é de ninguém”. Essa mudança cultural está influenciando
grandemente a sociedade e esse pensamento maligno já tomou conta de muitas vidas.
Mas a Palavra de Deus nos adverte que, se quisermos entrar no descanso eterno,
preparado por Cristo, devemos nos abster, ou seja, não praticar o que o mundo
incentiva. Paulo nos diz, em Rm 12.2 – NVT, conforme já citamos na introdução dessa
lição, que não podemos tomar a forma, ou seja, fazer a mesma coisa que o povo que
não conhece a Deus faz. Nós temos que ser diferentes, ter uma cultura diferenciada: a
cultura do Reino de Deus.

A fraqueza moral, iniciada pelo homicida Lameque, fez-se cultura (Gn 4.23). A
promiscuidade precisou apenas de um exemplo, a fim de espalhar-se. Que Deus tenha
misericórdia de nossa geração.

Nesse versículo apontado pelo comentarista temos dois problemas: o homicídio


cometido por Lameque e a referência às suas duas esposas. Pelo contexto desse
subtópico, acreditamos que o comentarista está se referindo à bigamia e não ao
assassinato cometido. Assim sendo, a Bíblia nos diz n v.19 de Gn 4 que Lameque foi o
primeiro homem a tomar duas mulheres como esposas, quebrando, assim, o padrão
deixado por Deus para a família. Aí já temos um exemplo claro de formação de uma
cultura contrária aos princípios defendidos pelas Sagradas Escrituras.

4. A cultura do consumo irrefreado. A cultura do mundo pré-diluviano, quanto ao


consumo desenfreado, em nada diferia da nossa. Naquele tempo, as pessoas, já
tomadas pela apostasia, não faziam outra coisa senão comer e beber (Mt 24.37,38).

Aqui, carecemos de evidências para podermos confirmar essas afirmações do


comentarista. Alguns comentaristas concordam que os versículos apontados pelo
comentarista apontam para uma época em que o povo seguia com sua vida cotidiana,
comendo, bebendo, casando-se e dando-se em casamento.

Hoje, gasta-se exageradamente naquilo que não satisfaz; é o consumo pelo consumo
(Is 55.2).

A cultura hoje valoriza o que a pessoa tem, não o que ela é. É a cultura consumista que
está imperando na sociedade. Mas nós, salvos em Cristo Jesus, temos que manter e
desenvolver a cultura do Reino de Deus. E que cultura é essa? A cultura do ser ao invés
de ter. Paulo nos ensina em Fp 4.12,13 – ARC: “Sei estar abatido e sei também ter
abundância; em toda a maneira e em todas as coisas, estou instruído, tanto a ter fartura
como a ter fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade. Posso todas as

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coisas naquele que me fortalece”. Independente da condição financeira, Paulo tinha
convicção de sua posição no Reino de Deus. E, cada um de nós deve cultivar essa
mesma certeza, conforme João nos diz em 1Jo 3.2 – NAA: “Amados, agora somos
filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que,
quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo
como ele é”; agora, somos filhos de Deus!

Eis o resultado de toda essa gastança: famílias endividadas e muita gente à beira da
miséria. Sejamos próvidos e não pródigos.

Próvido significa prudente, precavido. Muitos pensam, erroneamente, que o pródigo da


parábola estava ligado ao fato de o filho ter ido embora da casa do pai. Mas, o
significado da palavra é esbanjador. O filho da parábola esbanjou tudo o que tinha
recebido do seu pai e acabou passando fome depois disso. Que essa lição possa nos
ajudar a melhorar nossa visão sobre o que é realmente importante para a vida de um
servo de Deus.

III – O EVANGELHO TRANSFORMA A CULTURA

Agora, precisamos responder a esta pergunta: “É possível transformar uma cultura


dominada pela iniquidade?”.

Nesse tópico veremos que, através do Evangelho, pode-se mudar a cultura de uma
região ou de uma comunidade, pois o Evangelho é o poder de Deus. Mas que fique
claro que a Bíblia nos diz que a maioria das pessoas iria rejeitar a salvação oferecida
por Deus. Mesmo numa situação como essa, ainda é possível a igreja exercer seu papel
influenciador na sociedade. O Senhor diz que somos o sal da terra e a luz do mundo.
Se exercermos nossa função conforme encontramos nas Escrituras Sagradas, o
Espírito Santo pode nos usar para influenciar as pessoas à nossa volta de forma
positiva. Em Mt 5.13-16 – NAA: “Vocês são o sal da terra; ora, se o sal vier a ser
insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora,
ser pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade
situada no alto de um monte. Nem se acende uma lamparina para colocá-la debaixo de
um cesto, mas num lugar adequado onde ilumina bem todos os que estão na casa.
Assim brilhe também a luz de vocês diante dos outros, para que vejam as boas obras
que vocês fazem e glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus”. Essa influência que
a Igreja exerce sobre a sociedade pode ser chamada de iniciativa para mudança da
cultura popular, em prol do Reino de Deus.

1. Jesus nasceu num contexto cultural. Nenhum homem é capaz de viver à parte de
uma cultura; somos seres culturais.

Isso se dá pois estamos inseridos nessa cultura, pois vivemos em sociedade. Mas isso
não significa que devemos acompanhar todos os costumes defendidos por essa cultura.
Nós, como Igreja, devemos desenvolver e defender a cultura do Reino que nos
comissionou como seus embaixadores. Em 2Co 5.20 – NVT, temos: “Agora, portanto,
somos embaixadores de Cristo; Deus faz seu apelo por nosso intermédio. Falamos em
nome de Cristo quando dizemos: Reconciliem-se com Deus!”. Paulo nos dá a entender,
nesse texto, que precisamos defender a cultura do Reino de Deus, do qual somos
embaixadores, ou seja, um representante legal desse Reino.

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Aliás, o próprio Filho de Deus, quando de sua encarnação, foi acolhido numa sociedade
dominada por três grandes culturas – a judaica, a grega e a romana (Jo 19.20). Todavia,
a sua mensagem transformou milhões de pessoas oriundas de todas as culturas do
mundo, conduzindo-as a viver num só corpo (Rm 10.12).

Cristo sempre foi e sempre será o exemplo perfeito a ser seguido por nós. Se levarmos
em conta apenas os seus ensinos, veremos o quanto preciso Ele foi nas suas palavras.
Cristo nos deixou um legado de fé, esperança e santidade. Não se impressionava com
a aparência, de quem quer que fosse, mas sempre agiu de forma equilibrada e assertiva
em toda a sua vida. Ele não se deixou influenciar pela cultura judaica da sua época,
mas foi muito além, estabelecendo os fundamentos para o Reino de Deus. No chamado
Sermão do Monte, ele trabalhou nos alicerces desse Reino, mostrando àqueles que
queriam segui-lo, que seria necessário ir mais adiante para poder fazer parte desse
Reino. Ele disse várias vezes: “ouvistes o que foi dito”, apontando para a cultura
desenvolvida a partir dos mandamentos de Êxodo 20. Mas, logo em seguida, o Senhor
Jesus fazia o ajuste necessário: “mas eu vos digo que”. Vejam que quebra de
paradigmas nosso Senhor provocou naquela geração!

2. O Evangelho transforma a cultura. Conquanto não nos seja possível converter toda
uma sociedade, podemos influenciá-la com a mensagem do Evangelho. Haja vista o
que aconteceu em Éfeso, durante a terceira viagem missionária de Paulo, quando
praticantes de artes mágicas queimaram seus livros em público (At 19.19). Se
quisermos, de fato, transformar o nosso país, devemos evangelizá-lo de acordo com o
modelo de Atos dos Apóstolos (At 1.8).

O ministério de Paulo em Éfeso, que durou, pelo menos, dois anos, segundo vemos em
At 19.10, causou profunda mudança na vida da cidade, por conta do grande número de
pessoas que se converteu. Quando uma pessoa aceita a Cristo como Salvador e inicia
sua caminhada com Ele, é necessário que haja uma mudança no seu comportamento
pois, a partir desse momento, essa vida se transforma em uma nova criatura diante de
Deus. E essa transformação nos motiva a abandonar a cultura secular e abraçar a
cultura celestial. Paulo diz, em Cl 3.2,3 – ARC: “Pensai nas coisas que são de cima e
não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com
Cristo em Deus”.

3. Os crentes de Corinto, um exemplo da influência do Evangelho. Corinto era uma


das cidades mais promíscuas no período do Novo Testamento. Não obstante, Paulo,
ao levar-lhe o Evangelho, resgatou preciosas almas aprisionadas a um contexto
moralmente doentio (1Co 6.9-11). Apesar de seus graves problemas, a igreja coríntia
detinha todos os dons espirituais (1Co 1.7). O mais importante, porém, é que os seus
membros, dantes escravizados por Satanás, eram agora chamados de santos em Jesus
Cristo (1Co 1.1,2).

Paulo permaneceu em Corinto por 18 meses, conforme nos informa At 18.11,


ensinando a Palavra de Deus. Aqui podemos ver que, nem sempre, a implantação da
cultura celestial é “automática”, mesmo quando o Evangelho é aceito por um povo.
Apesar de que, conforme o comentarista pontuou, na igreja em Corinto se manifestava

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os nove dons do Espírito Santo, pudemos entender que a implantação da cultura do
Reino de Deus foi bem demorada, custosa e difícil. Havia lá:

• Crentes carnais: “E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como
a carnais, como a meninos em Cristo” – 1Co 3.1;
• Imoralidade sexual na família: “Comenta-se por toda parte que há imoralidade
sexual em seu meio, imoralidade que nem mesmo os pagãos praticam. Soube
de um homem entre vocês que mantém relações sexuais com a própria
madrasta” – 1Co 5.1 – NVT;
• Injustiça entre os irmãos: “Em vez disso, vocês mesmos cometem injustiças e
causam prejuízos até contra os próprios irmãos” – 1Co 6.8 – NVT;
• Imoralidade sexual em geral: “Os alimentos foram feitos para o estômago, e o
estômago para os alimentos. É verdade, mas um dia Deus acabará com os dois.
Vocês, contudo, não podem dizer que nosso corpo foi feito para a imoralidade
sexual. Ele foi feito para o Senhor, e o relacionamento que o Senhor tem conosco
inclui nosso corpo” – 1Co 6.13 – NVT.

Tudo isso nos mostra que a mudança de cultura não é automática. Depende de muito
esforço por parte de quem ensina e também de quem aprende, pois o processo de
santificação e instrução precisa se desenvolver na vida daquele que aceita a Cristo,
caso contrário, como diz o adágio: “a pessoa entra no Evangelho mas o Evangelho não
entra na pessoa”. Que o Senhor nos guarde de sermos negligentes com a sua obra e
nos ajude a nos esforçar por alcançar, com a ajuda do Espírito Santo e do ministério da
Igreja, a medida da estatura completa de Cristo Jesus, conforme encontramos em Ef
4.13 – ARC.

CONCLUSÃO

A cultura atual em nada difere da pré-diluviana.


No entanto, podemos influenciá-la através da pregação do Evangelho de Cristo.
Se levarmos a sério a promessa de Atos 1.8, viremos não apenas a influenciá-la, mas
igualmente transformá-la.
Afinal, somos o sal da terra e a luz do mundo.
Somente a Igreja de Cristo reúne essas propriedades tão raras para abalar as estruturas
deste mundo que jaz no Maligno. Sejamos santos. Evangelizemos e façamos missões!
É a ordem de Cristo. Nós podemos transformar a cultura da sociedade atual, como fez
o apóstolo Paulo em Tessalônica.

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Comentário por: Ev Luiz Oliveira