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Experiência amorosa e reflexão sobre o Amor Luís de Camões | Rimas

SÍNTESE DOS CONTEÚDOS

 O Amor é um dos temas recorrentes na lírica de Camões: a força motriz, o motivo principal, o motor, a razão de
viver. Vive de Amor, com Amor e para o Amor.
 Sentimento inexplicável e paradoxal. Cantou todas as formas do Amor:

o Amor Platónico (conceçao neoplatónica) – conceito de amor ideal, superior, único, perfeito, espiritualizado
(reduzido a manifestações espirituais – elevação de nível espiritual), sereno, depurado, racionalmente
intelectualizado que ignora o desejo e não exige a presença física da amada. É um Amor circunscrito a uma
contemplação espiritual, que exclui a sensualidade. O Amor petrarquista gera harmonia, proporciona
conhecimento, cognitivo e espiritual, e é redentor. O sujeito poético parece ter apenas olhos, o mais
intelectual dos sentidos, para a contemplação da amada, que surge como um ser angelical, e para atingir o
estado de exaltação amorosa, que tanto aspira.

o Amor Experienciado – conceito de amor fortemente marcado pela sensualidade, o amor físico, vivido,
sensual, carnalmente consomado; referência à mulher e à sua sedução, sem qualquer sentimento de pecado.
Amor profundo e loucamente sentido.

o Amor Conturbado (conflito):


 Contradições e efeitos que provoca no sujeito poético: instabilidade emocional /carência afetiva-
alegria, dor, prazer, sofrimento; divido entre o anseio espiritual e o desejo; esperança; desespero;
engano, desengano.
 Fonte de inquietação e de desespero, de angústia e de insatisfação da alma;
 Sofrimento como suplício: sujeito poético marcado pelos sentimentos culpa, saudade, insatisfação,
angústia; dor da não correspondência amorosa; ausência da amada.

 Concluindo, o amor na lírica camoniana configura-se como um círculo vicioso: ao ideal, sucede-se
a experiência e a inevitável desilusão.

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Para complementar: O amor na Poesia de Camões

Camões escreveu poemas que refletiam o seu mundo interior, as suas vivências, as suas

emoções, alegrias, tristezas e preocupações, traduzindo assim a subjetividade dos poemas.

T
oda a caracterização do amor, em Camões, é feita com paradoxos, A dimensão
eufórica e
ideias que se excluem, o que nos mostra as duas faces do amor. Por
disfórica do
um lado, um sentimento puro e reconfortante e por outro lado, Amor
um sentimento capaz de produzir as maiores mágoas e o mais
forte sofrimento. Logo, é um amor que produz tensão em quem ama entre o
desejo e a razão e conduz à frustração.
O tema do Amor está presente em toda a poesia camoniana. Pode ser
tomado como um sentimento alegre e frutífero (correspondência amorosa, ou
como origem de sofrimento, de contradições e de desespero. Por exemplo, devido
ao tempo que não volta atrás, o sujeito poético vive angustiado com as lembranças
do Bem passado que se tornaram num Mal presente.
Os seus poemas revelam um estado de profunda
instabilidade, como fonte de desequilíbrio que lança o amante em
situações contraditórias, através da experiência de sentimentos
opostos: a desilusão e a esperança; a alegria e a tristeza.
Na lírica de Camões, o amor é descrito como um
sentimento que entusiasma o homem, tornando-o capaz de
atingir o Bem, a Beleza e a Verdade. Também aparece como um
sentimento de significado contrário pela própria natureza. Por
um lado, o Amor é manifestação do espírito, por outro é
manifestação física. Para Camões, o Amor deve ser
experimentado, deve ser sentido e não apenas mental, um sentimento de pensamento.
Camões amou muito e desde muito cedo: “Bebi o veneno amoroso de menino”. Com muita
sinceridade, atribui parte do seu infortúnio aos erros que cometeu mas muito contribuiu o Amor.
Estabelece entre paixão amorosa e o sofrimento uma relação de causa e efeito. É no auge do desespero
e da amargura que a paixão se afirma com todo o seu poder: dececiona, humilha, submete, desnorteia,
… O sujeito poético demonstra sofrimento, sente-se arruinado, sem esperança, revoltado, angustiado e
cheio de saudade, sentimentos provocados pela ausência da sua amada (visão negativa e pessimista
do amor).

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 Que experiências amorosas confessa o Poeta?

Quase sempre a experiência amorosa se apresenta como negativa: o Poeta é um conhecedor profundo da
dor de amar. O Amor é fonte de desenganos, desilusões, sofrimento. Apesar disso, o Poeta apaixona-se, enredado
pelos olhos da amada; queixa-se da sua indiferença, principalmente quando ama verdadeiramente, possuído de
amor «puro e limpo».

 Que tipo de reflexão faz sobre o Amor?

Tendencialmente negativa. Apesar de não poder fugir-lhe, de lhe estar «destinado», o Amor não lhe dá as
alegrias que gostaria de receber, por causa da indiferença da amada, apesar da certeza do seu amor.

 Camões canta apenas o Amor não correspondido?

Na lírica camoniana, o Amor é cantado nas suas múltiplas formas. O poeta evidencia um profundo
conhecimento da alma humana, oferecendo-nos nos seus poemas a sua experiência de vida.

 De que modo é diversificada a reflexão amorosa na lírica camoniana?

Na lírica camoniana, é apresentada a experiência amorosa e uma reflexão sobre o Amor diversificada.
Encontramos o Amor platónico contemplativo, o Amor-paixão, o conflito interior decorrente do conflito amoroso, a
oposição razão/desejo, o sujeito dominado pelo Amor.

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