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As Constituições Brasileiras

Ao estudarmos as constituições que o Brasil já teve, e suas principais emendas,


fazemos uma importante revisão sobre conteúdos de nossa história. Os contextos
econômicos, sociais e políticos do Brasil de cada época, desde a independência até os dias
atuais, estão refletidos nas linhas mestras de nossas cartas magnas.

Precisamos lembrar que nossas constituições são apenas textos. Se serão meras
utopias ou se servirão de indicativos para a conquista de direitos e, consequentemente,
para a construção de uma sociedade mais justa e digna vai depender de nossa participação
enquanto homens e mulheres em busca de uma verdadeira cidadania.

1824

Outorgada (tornada pública) pelo imperador D. Pedro I.

- Fortaleceu o poder pessoal do imperador com a criação do quarto poder (moderador),


que permitia ao soberano intervir, com funções fiscalizadoras, em assuntos próprios dos
poderes Legislativo e Judiciário.

- Províncias passam a ser governadas por presidentes nomeados pelo imperador.

- Estabeleceu eleições indiretas e censitárias (homens livres, proprietários e


condicionados ao seu nível de renda).

1891

Promulgada pelo Congresso Constitucional, elegeu indiretamente para a Presidência


da República o marechal Deodoro da Fonseca.

- Instituiu o presidencialismo, eleições diretas para a Câmara e o Senado e mandato


presidencial de quatro anos.

- Estabeleceu o voto universal, não-obrigatório e não-secreto; ficavam excluídos das


eleições os menores de 21 anos, as mulheres, os analfabetos, os soldados e os religiosos.

Os principais pontos da constituição foram:

- Abolição das instituições monárquicas;


- Os Senadores deixaram de ter cargo vitalício;
- Sistema de governo presidencialista;
- O presidente da República passou a ser o chefe do Poder Executivo;
- As eleições passaram a ser pelo voto direto, a descoberto (voto aberto);
- Os mandatos tinham duração de quatro anos;
- Não haveria reeleição;
- Os candidatos a voto eletivo seriam escolhidos por homens maiores de 21 anos, com
exceção de analfabetos, mendigos, praças de pré e religiosos sujeitos ao voto de
obediência;
- Ao Congresso Nacional cabia o Poder Legislativo, composto pelo Senado e Câmara
de Deputados;
- As Províncias passaram a ser Estados de uma Federação com maior autonomia;
- Os Estados da Federação passaram a ter suas Constituições hierarquicamente
organizadas em relação à Constituição Federal;
- Os presidentes das Províncias passaram a ser presidentes dos Estados e eleitos pelo
voto direto à semelhança do Presidente da República;
- A Igreja Católica foi desmembrada do Estado Brasileiro, deixando de ser a religião
oficial do país.
Além disso, consagrava-se a liberdade de associação e de reunião sem armas,
assegurava-se aos acusados o mais amplo direito de defesa, aboliam-se as penas de galés,
banimento judicial e de morte, instituía-se o habeas-corpus e as garantias de magistratura
aos juízes federais (vitaliciedade, inamobilidade e irredutibilidade dos vencimentos).

1934

Promulgada pela Assembleia Constituinte no primeiro governo de Getúlio Vargas.

- Instituiu a obrigatoriedade do voto e tornou-o secreto; ampliou o direito de voto para


mulheres e cidadãos de no mínimo 18 anos de idade. Continuaram fora do jogo
democrático os analfabetos, os soldados e os religiosos. Para dar maior confiabilidade aos
pleitos, foi criada a Justiça Eleitoral.

- Instituiu o salário mínimo, a jornada de trabalho de oito horas, o repouso semanal e


as férias anuais remunerados e a indenização por dispensa sem justa causa. Sindicatos e
associações profissionais passaram a ser reconhecidos, com o direito de funcionar
autonomamente.

Considerada progressista para a época, a nova Constituição:

- instituiu o voto secreto;


- estabeleceu o voto obrigatório para maiores de 18 anos;
- propiciou o voto feminino, direito há muito reivindicado, que já havia sido instituído
em 1932 pelo Código Eleitoral do mesmo ano;
- previu a criação da Justiça do Trabalho;
- previu a criação da Justiça Eleitoral;
- nacionalizou as riquezas do subsolo e quedas d’água no país.

De suas principais medidas, podemos destacar que a Constituição de 1934:

- Prevê nacionalização dos bancos e das empresas de seguros;


- Determina que as empresas estrangeiras deverão ter pelo menos % de empregados
brasileiros;
- Confirma a Lei Eleitoral de 1932, com Justiça Eleitoral, voto feminino, voto aos 18
anos (antes era aos 21) e deputados classistas (representantes de classes sindicais);
- Cria a Justiça do Trabalho;
- Proíbe o trabalho infantil, determina jornada de trabalho de oito horas, repouso
semanal obrigatório, férias remuneradas, indenização para trabalhadores demitidos sem
justa causa, assistência médica e dentária, assistência remunerada a trabalhadoras
grávidas;
- Proíbe a diferença de salário para um mesmo trabalho, por motivo de idade, sexo,
nacionalidade ou estado civil e
- Prevê uma lei especial para regulamentar o trabalho agrícola e as relações no campo
(que não chegou a ser feita) e reduz o prazo de aplicação de usucapião a um terço dos
originais 30 anos.

1937

Outorgada (concedida) no governo Getúlio Vargas.


- Instituiu o regime ditatorial do Estado Novo: a pena de morte, a suspensão de
imunidades parlamentares, a prisão e o exílio de opositores.

- Suprimiu a liberdade partidária e extinguiu a independência dos poderes e a


autonomia federativa. Governadores e prefeitos passaram a ser nomeados pelo
presidente, cuja eleição também seria indireta. Vargas, porém, permaneceu no poder,
sem aprovação de sua continuidade, até 1945.

De suas principais medidas, pode-se destacar que a Constituição de 1937:

- Concentra os poderes executivo e legislativo nas mãos do Presidente da República;


- Estabelece eleições indiretas para presidente, que terá mandato de seis anos;
- Acaba com o federalismo;
- Acaba com o liberalismo;
- Estabelece a pena de morte;
- Retira do trabalhador o direito de greve;
- Permitia ao governo expurgar funcionários que se opusessem ao regime;
- Previu a realização de um plebiscito para referendá-la, o que nunca ocorreu.
Foram dispositivos básicos regulados pela carta: a igualdade de todos perante a lei; a
liberdade de manifestação de pensamento, sem censura, a não ser em espetáculos e
diversões públicas; a inviolabilidade do sigilo de correspondência; a liberdade de
consciência, de crença e de exercício de cultos religiosos; a liberdade de associação para
fins lícitos; a inviolabilidade da casa como asilo do indivíduo; a prisão só em flagrante
delito ou por ordem escrita de autoridade competente e a garantia ampla de defesa do
acusado.

1946

Promulgada no governo de Eurico Gaspar Dutra, após o período do Estado Novo,


restabeleceu os direitos individuais e extinguiu a censura e a pena de morte.

- Instituiu eleições diretas para presidente da República, com mandato de cinco anos.
- Restabeleceu o direito de greve e o direito à estabilidade de emprego após 10 anos
de serviço.
- Retomou a independência dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e a
autonomia dos estados e municípios.
- Retomou o direito de voto obrigatório e universal, sendo excluídos os menores de
18 anos, os analfabetos, os soldados e os religiosos.
- Retomada do pleno estado de direito democrático após o período militar.
- Ampliação e fortalecimento das garantias dos direitos individuais e das liberdades
públicas.
- Retomada do regime representativo, presidencialista e federativo.
- Destaque para a defesa do meio ambiente e do patrimônio cultural da nação.
- Garantia do direito de voto aos analfabetos e aos maiores de 16 anos (opcional) em
eleições livres e diretas, para todos os níveis, com voto universal, secreto e obrigatório.

Reformas Constitucionais

1961

Adoção do parlamentarismo.

Foi aprovada na Câmara dos Deputados, em primeira discussão, por 234 votos contra
59, e, em segunda discussão, por 233 votos contra 55, a ementa constitucional que
instituiu um regime parlamentar no Brasil semelhante ao vigente na República Federal da
Alemanha (Alemanha Ocidental), cujos dispositivos visavam impedir a queda sucessiva
de gabinetes e limitar a casos muito específicos o poder do Presidente da República de
dissolver a Câmara dos Deputados.

1963

Volta ao presidencialismo.

Cerca de 80% dos eleitores votaram pelo restabelecimento do presidencialismo. O


plebiscito foi convocado pelo presidente João Goulart (Jango) para decidir sobre a
manutenção ou não do sistema parlamentarista, em vigor desde a renúncia de Jânio
Quadros, em 1961. A partir da vitória no plebiscito, João Goulart passou a governar o
país com todos os poderes constitucionais.

1964-1967

Com o golpe de Estado e até 1967, são decretados quatro atos institucionais que
permitem ao governo legislar sobre qualquer assunto. É instituída, entre outras coisas, a
Lei de Greve e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS); decretam-se o fim da
estabilidade no emprego, as eleições indiretas para presidente da República e
governadores de estados. O Poder Judiciário torna-se mais dependente do Executivo. São
extintos os partidos políticos e é criado o bipartidarismo.

1967

Uma Carta constitucional institucionaliza o regime militar de 1964.

- Mantêm-se os atos institucionais promulgados entre 1964 e 1967.


- Fica restringida a autonomia dos estados.

O presidente da República pode expedir decretos-leis sobre segurança nacional e


assuntos financeiros sem submetê-los previamente à apreciação do Congresso. As
eleições presidenciais permanecem indiretas, com voto descoberto.

De suas principais medidas, podemos destacar que a Constituição de 1967:

- Concentra no Poder Executivo a maior parte do poder de decisão;


- Confere somente ao Executivo o poder de legislar em matéria de segurança e
orçamento;
- Estabelece eleições indiretas para presidente, com mandato de cinco anos;
- Militariza a Presidência da República, dando às Forças Armadas uma força
gigantesca;
- Restringe o federalismo;
- Estabelece a pena de morte para crimes de segurança nacional;
- Restringe ao trabalhador o direito de greve;
- Abre espaço para a decretação posterior de leis de censura e banimento.

1968

Ato Institucional nº5

Suspensão da Constituição.

Poderes absolutos do presidente: fechar o Congresso, legislar sem impedimento,


reabrir cassações, demissões e demais punições sumárias, sem possibilidade de
apreciação judicial.

1969

Nova emenda constitucional, que passou a ser chamada de Constituição de 1969. Foi
promulgado pelo general Emílio Garrastazu Médici (escolhido para presidente da
República por oficiais de altas patentes das três Armas e com ratificação pelo Congresso
Nacional, convocado somente para aceitar as decisões do Alto Comando militar).

Incorporou o Ato Institucional nº5.

Mandava punir a todos que ofendessem a Lei de Segurança Nacional. Extinguiu a


inviolabilidade dos mandatos dos parlamentares e instituiu a censura aos seus
pronunciamentos. Suspendeu a eleição direta para governadores, marcada para o ano
seguinte.

1979

Reforma da Constituição de 1969, em que é revogado o AI-5 e outros atos que


conflitavam com o texto constitucional. Quanto às medidas de emergência, o presidente
poderia determiná-las, dependendo apenas da consulta a um conselho constitucional,
composto pelo presidente da República, pelo vice-presidente, pelos presidentes do
Senado e da Câmara, pelo ministro da Justiça e por um ministro representando as Forças
Armadas. O estado de sítio só poderia ser decretado com a aprovação do Congresso.

1988

A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, promulgada em 5 de


outubro de 1988, é a lei fundamental e suprema do Brasil, servindo de parâmetro de
validade a todas as demais espécies normativas, situando-se no topo do ordenamento
jurídico. Pode ser considerada a sétima ou a oitava constituição do Brasil (dependendo de
se considerar ou não a Emenda Constitucional nº 1 como um texto constitucional) e a
sexta ou sétima constituição Brasileira em um século de república. Foi a constituição
brasileira que mais sofreu emendas: 72 emendas mais 6 emendas de revisão.

História

Desde 1964 o Brasil estava sob uma ditadura militar, e desde 1967 (particularmente
subjugado às alterações decorrentes dos Atos Institucionais) sob uma Constituição imposta
pelo governo federal. O regime de exceção, em que as garantias individuais e sociais eram
restritas, ou mesmo ignoradas, e cuja finalidade era garantir os interesses da ditadura,
internalizados em conceitos como segurança nacional, restrição das garantias fundamentais
etc, fez crescer, durante o processo de abertura política, o anseio por dotar o Brasil de uma
nova Constituição, defensora dos valores democráticos. Anseio que se tornou necessidade
após o fim da ditadura militar e a redemocratização do Brasil, a partir de 1985.
Independentemente das controvérsias de cunho político, a Constituição Federal de 1988
assegurou diversas garantias constitucionais, com o objetivo de dar maior efetividade aos
direitos fundamentais, permitindo a participação do Poder Judiciário sempre que houver lesão
ou ameaça de lesão a direitos. Para demonstrar a mudança que estava havendo no sistema
governamental brasileiro, que saíra de um regime autoritário recentemente, a constituição de
1988 qualificou como crimes inafiançáveis a tortura e as ações armadas contra o estado
democrático e a ordem constitucional, criando assim dispositivos constitucionais para
bloquear golpes de qualquer natureza. Com a nova constituição, o direito maior de um
cidadão que vive em uma democracia representativa foi conquistado: foi determinada a
eleição direta para os cargos de Presidente da República, Governador do Estado e do Distrito
Federal, Prefeito, Deputado Federal, Estadual e Distrital, Senador e Vereador. A nova
Constituição também previu maior responsabilidade fiscal. Pela primeira vez, uma
Constituição brasileira define a função social da propriedade privada urbana, prevendo a
existência de instrumentos urbanísticos que, interferindo no direito de propriedade (que a
partir de agora não mais seria considerado inviolável), teriam por objetivo romper com a
lógica da especulação imobiliária. A definição e regulamentação de tais instrumentos, porém,
deu-se apenas com a promulgação do Estatuto da Cidade em 2001.

Estrutura

A Constituição de 1988 está dividida em nove títulos. As temáticas de cada título são:

Título I — Princípios Fundamentais


Do artigo 1º ao 4º temos os fundamentos sob os quais constitui-se a República
Federativa do Brasil.

Título II — Direitos e Garantias Fundamentais


Do artigo 5º ao 17 são elencados uma série de direitos e garantias, reunidos em cinco
grupos básicos:4
Capítulo I: Direitos e Deveres Individuais e Coletivos;
Capítulo II: Direitos Sociais;
Capítulo III: Nacionalidade;
Capítulo IV: Direitos Políticos;
Capítulo V: Partidos Políticos.
As garantias ali inseridas (muitas delas inexistentes em Constituições anteriores)
representaram um marco na história brasileira.

Título III — Organização do Estado


Do artigo 18 ao 43 é definida a organização político-administrativa (ou seja, das
atribuições de cada ente da federação (União, Estados, Distrito Federal e Municípios);
além disso, tratam das situações excepcionais de intervenção nos entes federativos,
versam sobre administração pública e servidores públicos militares e civis, e também das
regiões do país e sua integração geográfica, econômica e social.

Título IV — Organização dos Poderes


Do artigo 44 ao 135 é definida a organização e as atribuições de cada poder (Poder
Executivo, Poder Legislativo e Poder Judiciário), bem como de seus agentes envolvidos.
Também definem os processos legislativos, inclusive os que emendam a Constituição.

Título V — Defesa do Estado e das Instituições Democráticas


Do artigo 136 ao 144 são definidas as questões relativas à Segurança Nacional,
regulamentando a intervenção do Governo Federal através de decretos de Estado de
Defesa, Estado de Sítio, intervenção das Forças Armadas e da Segurança Pública.

Título VI — Tributação e Orçamento


Do artigo 145 ao 169 são estabelecidas as limitações tributárias do poder público
(União, Estados, Distrito Federal e Municípios), organizando o sistema tributário e
detalhando os tipos de tributos e a quem cabe cobrá-los. Tratam ainda da repartição das
receitas e das normas para a elaboração do orçamento público.

Título VII — Ordem Econômica e Financeira


Do artigo 170 ao 192 são reguladas a atividade econômica e financeira, bem como as
normas de política urbana, agrícola, fundiária e reforma agrária, versando ainda sobre o
sistema financeiro nacional.
Título VIII — Ordem Social
Do artigo 193 ao 232 são tratados os temas relacionados ao bom convívio e
desenvolvimento social do cidadão, como deveres do Estado, a saber: Saúde (Seguridade
Social e Sistema Único de Saúde); Educação, Cultura e Desporto; Ciência e Tecnologia;
Comunicação Social; Meio Ambiente; Família (incluindo nesta acepção crianças,
adolescentes e idosos); e populações indígenas.

Título IX — Disposições Constitucionais Gerais


Do artigo 234 ao 250 (o artigo 233 foi revogado) são tratadas as disposições esparsas
versando sobre temáticas variadas e que não foram inseridas em outros títulos em geral
por tratarem de assuntos muito específicos.

Características

Formal: possui dispositivos que não são normas essencialmente constitucionais.


Escrita: apresenta-se em um documento sistematizado dentro de cada parâmetro.
Promulgada: elaborada por um poder constituído democraticamente.
Rígida: não é facilmente alterada. Exige um processo legislativo mais elaborado,
consensual e solene para a elaboração de emendas constitucionais do que o processo
comum exigido para todas as demais espécies normativas legais. Alguns autores a
classificam como super rígida.
Analítica: descreve em pormenores todas as normas estatais e direitos e garantias por
ela estabelecidas.
Dogmática: constituída por uma assembleia nacional constituinte.

Emendas Constitucionais

O artigo 60 da Constituição estabelece as regras para o processo de criação e aprovação


de Emendas Constitucionais. Uma emenda pode ser proposta pelo Congresso Nacional (um
terço da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal), pelo Presidente da República ou
por mais da metade das Assembleias Legislativas dos governos estaduais. Uma emenda é
aprovada somente se três quintos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal aprovarem
a proposta, em dois turnos de votação.
As emendas constitucionais devem ser elaboradas respeitando certas limitações,
definidas pelo artigo 60. Há limitações materiais, conhecidas como cláusulas pétreas (§ 4º),
limitações circunstanciais (§ 1º), limitações formais ou procedimentais (incisos I, II, III, §
3º). Há ainda uma forma definida de deliberação (§ 2º) e promulgação (§ 3º).
Implicitamente, considera-se que o art. 60 da Constituição é inalterável, pois alterações
neste artigo permitiriam uma revisão completa da Constituição. Nos casos não abordados
pelo art. 60, é possível propor emendas. Os órgãos competentes para submeter emendas
são: a Câmara dos Deputados, o Senado Federal, o Presidente da República e de mais da
metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada
uma delas, pela maioria relativa de seus membros.
Os direitos fundamentais, previstos nos incisos do artigo 5º, também não comportam
Emendas que lhes diminuam o conteúdo ou âmbito de aplicação.
A emenda constitucional de revisão, conforme o art 3º da ADCT (Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias), além de possuir implicitamente as mesmas limitações
materiais e circunstanciais, e os mesmos sujeitos legitimados que o procedimento comum
de emenda constitucional, também possuía limitação temporal - apenas uma revisão
constitucional foi prevista, 5 anos após a promulgação, sendo realizada em 1993. No
entanto, ao contrário das emendas comuns, ela tinha um procedimento de deliberação
parlamentar mais simples para reformar o texto constitucional pela maioria absoluta dos
parlamentares, em sessão unicameral e promulgação dada pela Mesa do Congresso
Nacional.
A Constituição brasileira já sofreu 72 reformas em seu texto original, sendo 72 emendas
constitucionais tendo a última sido promulgada no dia 2 de abril de 2013, e 6 emendas de
revisão constitucional. A única Revisão Constitucional geral prevista pela Lei Fundamental
brasileira aconteceu em 5 de outubro de 1993, não podendo mais sofrer emendas de revisão.
Mesmo assim, houve tentativas, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 157, do
deputado Luiz Carlos Santos, que previa a convocação de uma Assembleia de Revisão
Constitucional a partir de janeiro de 2007.

Remédios Constitucionais

A Constituição de 1988 incluiu dentre outros direitos, ações e garantias, os


denominados “Remédios Constitucionais”. Por Remédios Constitucionais entendem-se as
garantias constitucionais, ou seja, instrumentos jurídicos para tornar efetivo o exercício dos
direitos constitucionais.
Os Remédios Constitucionais (listados abaixo) são previstos no artigo 5º e no artigo
129-Inciso III, da Constituição de 1988:
Habeas Data - artigo 5º, Inciso LXXII - sua finalidade é garantir ao particular o acesso
às informações que dizem ao seu respeito constantes do registro de banco de dados de
entidades governamentais ou de caráter público ou correção destes dados, quando o
particular não preferir fazer por processo sigiloso, administrativo ou judicial.
Ação Popular - artigo 5º, Inciso LXXIII e Lei n.º 4.171/65) - objetiva anular ato lesivo
ao patrimônio público e punir seus responsáveis.
Ação Civil pública - artigo 129, Inciso III - objetiva reparar ato lesivo aos interesses
descritos no artigo 1º (todos os incisos), da Lei nº 7.347.
Habeas Corpus - artigo 5º, Inciso LXVIII - instrumento tradicionalíssimo de garantia
de direito, assegura a reparação ou prevenção do direito de ir e vir, constrangido por
ilegalidade ou por abuso de poder.
Mandado de Segurança - artigo 5º, Inciso LXIX - usado de modo individual, tem por
fim proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data.
Mandado de Segurança Coletivo - artigo 5º, Inciso LXX - usado de modo coletivo, tem
por finalidade proteger o direito de partidos políticos, organismos sindicais, entidades de
classe e associação legalmente constituídas em defesa dos interesses de seus membros ou
associados.
Mandado de Injunção - artigo 5º, Inciso LXXI - usado para viabilizar o exercício de
um direito constitucionalmente previsto e que depende de regulamentação.

Política Urbana e Transferências de Recursos

Entre outros elementos inovadores, esta Constituição destaca-se das demais na medida
em que pela primeira vez estabelece um capítulo sobre política urbana, expresso no artigo
182 e no artigo 183. Até então, nenhuma outra Constituição definia o município como ente
federativo: a partir desta, o município passava efetivamente a constituir uma das esferas de
poder e a ela era dada uma autonomia e atribuições inéditas até então.
Com isso, a Constituição de 1988 favoreceu os Estados e Municípios, transferindo-
lhes a maior parte dos recursos, porém sem a correspondente transferência de encargos e
responsabilidades. O Governo Federal continuou com os mesmos custos e com fonte de
receita bastante diminuídas. Metade do imposto de renda (IR) e do imposto sobre
produtos industrializados (IPI) — os principais da União — foi automaticamente
distribuída aos estados e municípios. Além disso, cinco outros tributos foram transferidos
para a base de cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Ao mesmo tempo, os constituintes ampliaram as funções do Governo Federal.
Assim, a Carta de 88 promoveu desequilíbrios graves no campo fiscal, que têm
repercutido nos recursos para programas sociais ao induzir a União a buscar receitas não
partilháveis com os Estados e Municípios, contribuindo para o agravamento da
ineficiência e da não equidade do sistema tributário e do predomínio de impostos indiretos
e contribuições. Consequentemente houve uma crescente carga sobre tributos tais como
o imposto sobre operações financeiras (IOF), contribuição de fim social (FINSOCIAL),
contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), entre outros.

Em relação às Constituições anteriores, a Constituição de 1988 representa um


avanço.

As modificações mais significativas foram:

- Direito de voto para os analfabetos;


- Voto facultativo para jovens entre 16 e 18 anos;
- Redução do mandato do presidente de 5 para 4 anos;
- Eleições em dois turnos (para os cargos de presidente, governadores e prefeitos de
cidades com mais de 200 mil habitantes);
- Os direitos trabalhistas passaram a ser aplicados, além de aos trabalhadores urbanos
e rurais, também aos domésticos;
- Direito a greve;
- Liberdade sindical;
- Diminuição da jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais;
- Licença maternidade de 120 dias (sendo atualmente discutida a ampliação).
- Licença paternidade de 5 dias;
- Abono de férias;
- Décimo terceiro salário para os aposentados;
- Seguro desemprego;
- Férias remuneradas com acréscimo de 1/3 do salário.

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