Você está na página 1de 54

Introdução ao

Sensoriamento
Remoto por RADAR

Natural Resources Ressources naturelles


Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá
Canada Canada
Introdução ao Sensoriamento Remoto por
RADAR
-Sinopse do curso-
· Por que usar RADAR em Sensoriamento
Remoto?
· Princípios de RADAR
– SAR
– Resolução e ângulo de incidência
– Freqüência e polarização
· Características da imagem
– Deslocamento topográfico
– Speckle
· Mecanismos de espalhamento
· Introdução aos sensores
Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá
Por que usar radar em sensoriamento remoto?

· Fonte de iluminação controlável


- observação noturna e penetração através de
nuvens e da chuva
· As imagens podem ter alta resolução (3 - 10 m)
· Diferentes feições são registradas ou discriminadas
quando comparadas com sensores ópticos
· Algumas feições da superfície terrestre podem ser
melhor observadas em imagens de radar:
– gelo, ondas do mar
– umidade do solo, massa verde
– objetos artificiais (ex: edifícios)
– estruturas geológicas

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


RADAR
RADAR é a sigla resultante de Radio Detection And
Ranging (Detecção e localização por meio de ondas de
rádio).
Um sistema de radar possui três funções primárias:
- Transmite sinais de microondas (rádio) em direção
a uma cena
- Recebe parte da energia transmitida que é retroespalhada
pela cena
- Registra a intensidade (detecção) e a defasagem
(indicação da distância) dos sinais de retorno.

O radar possui fonte de energia própria e, portanto, pode


operar durante o dia ou à noite e com céu nublado. Este tipo
de sistema é conhecido como um sistema ativo de
sensoriamento remoto.
Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá
RADAR - RAdio Detection And Ranging
(Detecção e localização por meio de ondas de rádio)

Dis
tâ nci
Pul a
so

Eco

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Espectro Eletromagnético

Todas as ondas eletromagnéticas propagam-se à


velocidade da luz. Raios-X, luz visível e ondas de rádio
são alguns exemplos. Estas ondas são descritas através
das variações nos seus campos elétrico e magnético.

As ondas eletromagnéticas são caracterizadas pela


polarização e pela freqüência ou comprimento de onda
(inversamente proporcional à freqüência).

O sensoriamento remoto por radar utiliza o intervalo de


microondas do espectro eletromagnético, entre as
freqüências de 0,3 GHz a 300 GHz ou, em termos de
comprimento de onda, de 1 m até 1 mm.

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Espectro Eletromagnético

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


O Que é Radar de Abertura Sintética (SAR)?

· Um sistema de radar de visada lateral que gera uma imagem de elevada


resolução da superfície terrestre (para aplicações de sensoriamento remoto).
· O radar imageador de visada lateral registra dados ao se deslocar ao longo de sua
trajetória. Desta forma, faixas contínuas da superfície do solo são “iluminadas”
paralela e unilateralmente à direção de vôo e gravadas pelo sistema.
Posteriormente, os sinais coletados são processados para que imagens de radar
sejam geradas.
· A dimensão transversal é denominada alcance (range). A extremidade do alcance
mais próxima do nadir (os pontos diretamente abaixo do radar) denomina-se
alcance próximo (“near range”) e a extremidade mais afastada do radar denomina-
se alcance distante (“far range”).
· A dimensão longitudinal denomina-se azimute.
· Em um sistema de radar, a resolução é definida tanto para a direção azimutal
como para a transversal.
· Utiliza-se processamento de sinais digitais para focar a imagem e obter uma
resolução maior que aquelas adquiridas por radar convencional.

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Conceito de Abertura Sintética
Abertura sintética
Última vez que o SAR
detecta o objeto

Distância percorrida pelo sistema enquanto o objeto Trajetória


estava em observação – abertura sintética de vôo

Primeira vez que o SAR


detecta o objeto

Rastreio
terrestre

Nadir

Varredura

objeto

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Resolução
Como o SAR é um sistema ativo, a resolução real do sensor tem duas dimensões:
a resolução em azimute e a resolução de alcance (range). Não se deve confundir a
resolução de um sistema SAR com espaçamento de pixel, o qual é decorrente da
amostragem efetuada pelo processador de imagem SAR.

Alcance
A resolução de alcance de um SAR é determinada por limitações de construção do
radar e do processador, ambos atuando no domínio do alcance inclinado. A
resolução de alcance depende do comprimento do pulso processado; pulsos mais
curtos resultam em uma resolução “maior”. Os dados de radar são criados no
domínio do alcance inclinado, mas normalmente são projetados sobre o plano do
alcance no terreno quando processados em uma imagem.

Azimute
Em um radar de abertura real, a resolução em azimute é determinada pela largura
angular do feixe (varredura) da faixa de terreno iluminada pelo feixe de radar. Para
que dois objetos sejam discriminados numa imagem, devem estar separados em
azimute por uma distância superior à largura do feixe no solo. SAR obteve seu
nome do processamento em azimute, podendo atingir uma resolução em azimute
que pode ser centenas de vezes menor que a largura do feixe da antena
transmitido.

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Resolução em Azimute

Um radar de abertura real (RAR) tem uma resolução


em azimute dada pela largura do feixe azimutal.

Um radar de abertura sintética (SAR) utiliza o


processamento de sinais para obter uma resolução
em azimute menor que o comprimento da antena

largura do feixe
azimutal original
Resolução em azimute
processada

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Célula de Resolução

Fonte: Raney, 1998

rR = resolução de alcance rA = resolução em azimute

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Ângulo de Incidência

Refere-se ao ângulo entre a direção de iluminação do radar e a


normal à superfície do solo. O ângulo de incidência varia entre o
alcance próximo e o alcance distante, dependendo da altura da
trajetória do radar. Essa mudança de ângulo afeta a geometria de
visada.

Ângulo de Incidência Local

O termo ângulo de incidência local leva em consideração o declive


local do terreno em qualquer ponto da imagem.

O ângulo de incidência local determina parcialmente o brilho ou a


tonalidade de cada pixel.

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Microondas
A maioria dos radares de sensoriamento remoto funcionam em comprimentos de onda entre
0,5 cm e 75 cm. As bandas nestas faixas do espectro electromagnético têm sido
arbitrariamente identificadas por letras. As bandas mais frequentemente utilizadas por radares
imageadores são as seguintes:

Banda X: de 2,4 a 3,75 cm (12,5 a 8 GHz). Amplamente utilizada em reconhecimento militar


e, a nível comercial, em levantamentos geográficos. Utilizada no CV-580 SAR (Environment
Canada).

Banda C: de 3,75 a 7,5 cm (8 a 14 GHz). Utilizada em muitos SARs a bordo de satélites,


como por exemplo ERS-1 e RADARSAT.

Banda S: de 7,5 a 15 cm (4 a 2 GHz). Utilizada no Almaz.

Banda L: de 15 a 30 cm (2 a 1 GHz). Utilizada no SEASAT e JERS-1.

Banda P: de 30 a 100 cm (1 a 0,3 GHz). Utilizada no NASA JPL AirSAR.

A capacidade de penetração através da chuva ou em uma camada superficial de um alvo


aumenta com comprimentos de onda maiores. Os radares que operam com comprimentos de
onda superiores a 2 cm não são significativamente afetados pela camada de nuvens. A chuva
torna-se um fator adverso em comprimentos de onda inferiores a 4 cm.

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Tamanho Relativo dos Comprimentos
de Onda na Faixa de Microondas

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Escolha da Freqüência do Radar - 1
· Parâmetros de aplicação:
– O comprimento de onda do radar deverá ser
compatível com o tamanho das feições do alvo que se
deseja discriminar
– ex: Diferenciação do gelo, pequenas feições, usar
banda X
– ex: Cartografia geológica, grandes feições, usar
banda L
– ex: Penetração no interior da folhagem, melhor com
freqüências baixas, usar banda P
Em geral, a banda C é uma boa solução de
compromisso

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Comparação de Freqüências: Bandas C, L e P
COMPARAÇÃO DE FREQÜÊNCIAS
Flevoland, Holanda Imagem agrícola

Banda C

Composição
Banda L Banda P colorida com
múltipla polarização,
cedida pelo JPL.

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Escolha da Freqüência do Radar - 2
· Parâmetros do sistema:
– Freqüências baixas:
  Processamento mais difícil (RCMC, aberturas
longas)
  Necessita de antenas e alimentações maiores
  Eletrônica mais simples
– Freqüências elevadas:
  Necessita de mais potência
  Eletrônica mais complicada
  Boa disponibilidade de componentes para
banda X
· Note que muitos SARs para pesquisa têm faixas de
freqüência múltipla
– ex: JPL AIRSAR, SIR-C, Convair-580

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Polarização
Polarização refere-se à orientação, fase relativa e repetibilidade dos campos elétricos
e magnéticos das ondas eletromagnéticas.

As antenas de um sistema de radar podem ser configuradas para transmitir e receber


a radiação eletromagnética polarizada horizontal ou verticalmente.

A polarização é definida como paralela quando as energias transmitida e recebida


são polarizadas na mesma direção. HH indica energias transmitida e recebida
horizontalmente; VV indica energias transmitida e recebida verticalmente.

A polarização é definida como cruzada quando as energias transmitida e recebida


são polarizadas na direção ortogonal. Por exemplo: HV indica energias transmitida
horizontalmente e recebida verticalmente; VH indica energias transmitida
verticalmente e recebida horizontalmente.

Quando a onda de radar incide em uma superfície e é refletida, a polarização pode


ser modificada, segundo as propriedades da superfície. Tal modificação afeta o modo
como a cena aparece nas imagens polarimétricas de radar e o tipo de superfície pode
freqüentemente ser deduzido da imagem.

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Polarização de Ondas Eletromagnéticas
Campo Elétrico

POLARIZAÇÃO VERTICAL

POLARIZAÇÃO HORIZONTAL

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Escolha da Polarização
· Os SARs operacionais têm normalmente uma única
polarização por questão de economia (ex: HH ou VV)
· Os sistemas de pesquisa tendem a ter polarizações
múltiplas (ex: HH, HV, VV, VH - polarimetria de quadratura)
· Polarizações múltiplas ajudam a distinguir a estrutura física
dos alvos através do retroespalhamento
– o alinhamento em relação ao radar (HH versus VV)
– a aleatoriedade do espalhamento (ex: vegetação - HV)
– as estruturas com vértices proeminentes (ex: ângulo de
fase HH VV)
– Espalhamento de Bragg (ex: oceanos - VV)

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Gelo no Mar de Weddell, Antártida

Imagem do ônibus espacial SIR-C/X

Banda C, HH Banda L, HV Banda L, HH


Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá
Península de Victoria & Saanich, Canadá

Zona urbana

Zona
suburbana
Floresta

Agricultura /
desmatamento

Banda C, HH Banda L, HV Banda L, HH


Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá
Vantagens da Polarimetria
· a matriz de dispersão, a matriz de Stokes e a assinatura
de polarização podem ser computadas para cada pixel
– pode ser uma ferramenta potente de classificação
– tanto para a classificação visual como para a
automática
· a matriz de dispersão pode ser utilizada para
– sintetizar o sinal recebido para qualquer tipo de
polarização transmitida e recebida
– estudar as propriedades de dispersão de superfícies
diferentes
– otimizar a polarização, visando obter uma
detectabilidade ótima

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Vantagens das Imagens com Polarização Múltipla

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Deslocamento do Relevo

Como os radares imageadores geralmente imageiam a


cena de uma perspectiva oblíqua (i.e. imageamento
lateral), eles estão sujeitos a um deslocamento de relevo
unidimensional análogo ao inerente a fotografias aéreas.

Objetos altos são deslocados radialmente em relação ao


nadir em fotografias aéreas, ao passo que a distorção do
terreno em imagens de radar é perpendicular à linha de
vôo (ou trajetória do satélite), causando um deslocamento
de objetos altos em direção ao sensor.

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Deslocamento Topográfico - Sensor Ótico
Sensor ótico

Por triângulos semelhantes

q
q

nadir

Superficie de referência

Deslocamentos topográficos - Sensor ótico


q

* d = Deslocamento horizontal do topo de uma montanha de 100 m (m)

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Deslocamento Topográfico - Sensor de Radar

Direção
de visada
q aparente

Topo da montanha

Superfície de referência
Projeção ortográfica
do topo da montanha
Projeção da distância no solo do
topo da montanha
Deslocamento horizontal do topo de uma montanha de 100 m
aéreo/aéreotransportado
q

satélite
Fonte: T. Toutin, 1992, ROS and SEASAT Image Geometric Correction IEEE-IGARS, Vol. 30, No. 3, pp. 603-609.

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Sombras de radar

As sombras em imagens de radar indicam áreas na superfície do solo não


iluminadas pelo radar. Como nenhum sinal de retorno é recebido pelo sensor, as
sombras de radar exibem uma tonalidade muito escura na imagem.

Em imagens de radar, as sombras ocorrem na direção das distâncias mais


próximas ao sensor (near range) e atrás de objetos altos. São um bom indicador
da direção da iluminação do radar, principalmente se a direção do deslocamento
do sensor estiver omitida ou incompleta.

O ângulo de incidência aumenta do alcance próximo (near range) para o alcance


distante (far range), tornando a iluminação do terreno mais oblíqua. Como
resultado, o sombreamento se torna mais proeminente na direção do alcance
distante (far range).

Informações sobre a cena, tal como a altura de um objeto, também podem ser
obtidas das sombras de radar. Sombreamento em imagens de radar é um
elemento importante na interpretação do relevo de terreno.

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Sombra de Radar

illum

da
inaç
ão

on
de
nte
fre

cena

distorção sombra

Fonte: Raney, 1998

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Encurtamento de Rampa

Encurtamento de rampa numa imagem de radar é a aparente compressão de feições


na cena que estão inclinadas na direção do radar.

Encurtamento de rampa resulta em uma aparência relativamente mais brilhante


destas feições e deve ser levado em consideração pelo intérprete.

O efeito de encurtamento de rampa atinge o máximo quando uma encosta íngreme é


ortogonal ao feixe do radar. Neste caso, o ângulo de incidência local é zero e, como
conseqüência, a base, a encosta e o topo da montanha são iluminados
simultaneamente e, portanto, ocupam a mesma posição na imagem.

Em um determinado declive ou encosta, os efeitos de encurtamento de rampa são


reduzidos para ângulos de incidência maiores. Para ângulos de incidência próximos
de 90°, os efeitos de encurtamento de rampa são eliminados, embora possa ocorrer
um sombreamento intenso. Portanto, para se selecionar o melhor ângulo de
incidência, existe sempre um compromisso entre a ocorrência do efeito de
encurtamento de rampa e o do sombreamento na imagem.

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Encurtamento de Rampa

nda
o

ilu
de

m
te

in
n


fre

ão

cena

deslocamento
encurtamento de rampa

Fonte : Raney, 1998

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Inversão de Relevo (Layover)

Inversão de relevo (layover) ocorre quando a energia


refletida pela parte superior de uma feição é recebida
antes do retorno do sinal da parte inferior dessa mesma
feição. Assim, o topo do alvo será deslocado ou “inclinado”
em relação à sua base quando a imagem é processada.

Em geral, a inversão de relevo é mais predominante em


geometrias de visada com ângulos de incidência menores,
tais como os de satélites.

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Inversão de Relevo (Layover)

ilu m
ina
ção
qi

a
o nd
e
e n te d
fr

cena
distorção

inversão de relevo

Fonte: Raney, 1998

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Deslocamento de Relevo (Sensor de Radar)
O tipo e o grau de deslocamento de relevo em uma imagem
de radar são funções do ângulo em que o feixe de radar
atinge o solo, isto é, depende do declive do solo.

Inversão de Encurtamento de Sombreamento


Relevo Rampa

0° 90º
Ângulo de incidência local

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Desvanecimento (Fading) e Ruído (Speckle)

O desvanecimento (fading) e o speckle são processos inerentes ao sistema e


reduzem a qualidade da imagem de um sistema imageador coerente.
O desvanecimento ocorre devido à variação no atraso da fase do eco, causada por
alvos múltiplos em uma célula de resolução com variações de alcance menores que
um comprimento de onda.
As interferências locais construtiva e destrutiva aparecem na imagem com tonalidades
claras e escuras, respectivamente.
Os efeitos de desvanescimento e de speckle podem ser significativamente reduzidos
através da utilização de um conjunto independente de dados para estimar uma mesma
área de terreno, o que pode ser feito através de:
• Filtros de múltiplas visadas, que dividem a abertura sintética máxima em sub-
aberturas menores, gerando visadas independentes em áreas-alvo, baseando-se
na posição angular dos alvos. Portanto, as visadas correspondem a diferentes
faixas de freqüência Doppler.
• Cálculo da média (incoerentemente) de pixels adjacentes.
A redução desses efeitos aumenta a resolução radiométrica em detrimento da
resolução espacial.

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Speckle
Interferência construtiva

Resultado

Ondas coerentes Interferência destrutiva


de radar

Resultado

Exemplo de alvo homogêneo

Interferência construtiva

Graus variados de interferência


(entre construtiva e destrutiva)

Interferência destrutiva

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Speckle

Plantação de milho Floresta


Alvo espacialmente uniforme Alvo espacialmente não -uniforme
Textura fina Textura rugosa

300 m 300 m

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Reflectância Difusa e Especular
A rugosidade superficial influencia a refletividade da energia de
microondas e, consequentemente, o brilho dos alvos nas imagens
de radar.

As superfícies lisas e horizontais refletem quase toda a energia


incidente em direção oposta ao sistema de radar e são chamadas
especulares (do latim speculum, que significa espelho). As
superfícies especulares, tais como águas calmas ou rodovias
pavimentadas, aparecem escuras em imagens de radar.

As microondas que incidem sobre uma superfície rugosa são


espalhadas em várias direções. Este fenômeno é conhecido como
reflectância difusa ou distribuída. As superfícies com vegetação
causam reflectância difusa e resultam em uma tonalidade mais
brilhante em imagens de radar.

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Reflectância Difusa e Especular

Refletor de canto
Reflexão difusa
Reflexão especular

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Dispersor 1

Em geral, as cenas observadas por um SAR apresentam


dois tipos de superfícies refletoras: dispersores
distribuídos e dispersores discretos.

Os dispersores discretos caracterizam-se por uma forma


geométrica relativamente simples, como um edifício. O
elemento clássico utilizado para representar um dispersor
discreto é o refletor de canto, um objeto cujo formato é
definido quando todos os lados se cruzam em ângulos
(quase) retos (tal como a intersecção de uma via
pavimentada e um edifício alto).

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Dispersor 2

Dispersores distribuídos consistem de múltiplas áreas ou


superfícies pequenas nas quais a radiação incidente de
microondas é espalhada em várias direções diferentes.
Espalhamento distribuído ocorre em coberturas florestais
ou em áreas agrícolas.

O radar mede aquele componente da energia espalhada


que volta ao sensor ao longo da mesma trajetória do feixe
de ondas incidente.

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Rugosidade Superficial
A rugosidade superficial de uma superfície refletora é
determinada relativamente ao comprimento de onda do
radar e ao ângulo de incidência.

Em geral, uma superfície é considerada lisa se suas


variações de altura são consideravelmente inferiores ao
comprimento de onda do radar. Dado um comprimento de
onda, uma determinada superfície parece mais rugosa à
medida que o ângulo de incidência aumenta.

Superfícies rugosas normalmente aparecerão mais


brilhantes em imagens de radar que superfícies mais lisas,
compostas do mesmo material. Em geral, uma superfície
rugosa é definida como tendo uma variação de altura ao
redor da metade do comprimento de onda do radar.

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Rugosidade Superficial
Modelos de Dispersão da Superfície
Onda incidente Padrão de espalhamento

Lisa

Onda incidente Onda incidente

Padrão de Padrão de espalhamento


espalhamento

Intermediária Rugosa

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Refletores de Canto
Alguns objetos pequenos podem aparecer extremamente brilhantes na
imagem de radar, dependendo da configuração geométrica do objeto.

A parte lateral de um edifício ou ponte, combinada com a reflexão do solo é


um exemplo de um refletor de canto.

Quando duas superfícies formam um ângulo reto e estão voltadas para o


radar, forma-se um refletor de canto diédrico. O sinal de retorno de um
refletor de canto diédrico é intenso apenas quando as superfícies refletoras
estão quase perpendiculares à direção da iluminação.

As reflexões mais fortes são causadas pelos refletores de canto triédricos


que são formados pela intersecção de três superfícies planas mutuamente
perpendiculares e voltadas para o radar.

Pesquisadores colocam freqüentemente refletores de canto em diversas


posições no solo para atuar como pontos de referência nas imagens de
radar.

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Refletores de Canto

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Espalhamento Volumétrico
O espalhamento volumétrico está relacionado com
processos de dispersão múltipla em um meio, como a
cobertura vegetal de uma plantação de milho ou de uma
floresta. Este tipo de espalhamento pode também ocorrer
em camadas de solo muito seco, areia ou gelo.

O espalhamento volumétrico é importante, pois influencia o


retroespalhamento registrado pelo radar. O radar recebe os
dois tipos de retroespalhamento, superficial e volumétrico.

A intensidade do espalhamento volumétrico depende das


propriedades físicas do meio (sobretudo das variações na
constante dielétrica) e das características do radar
(comprimento de onda, polarização e ângulo de incidência).

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Reflexões

Retroespalhamento
do dossel Reflexão solo-tronco

Retroespalhamento (Refletor de canto)


do solo

Reflexão dossel-solo

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Teor de Umidade

A presença de umidade aumenta a constante dielétrica complexa do material.


A constante dielétrica influencia a capacidade do material em absorver, refletir
e transmitir energia na faixa de microondas.

O teor de umidade de um material pode alterar suas propriedades elétricas,


afetando o modo como esse material aparece numa imagem de radar.
Materiais idênticos podem variar na aparência em momentos ou locais
diferentes, de acordo com a quantidade de água que contém.

A refletividade, e portanto, o brilho da imagem da maioria da vegetação e


superfícies naturais, aumenta com o aumento do seu teor de umidade.

As microondas podem penetrar em materiais muito secos, como a areia do


deserto. O espalhamento resultante é afetado tanto pelas propriedades
superficiais como pelas sub-superficiais. Em geral, quanto maior o
comprimento de onda do radar, maior é a penetração da energia no material.

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Comparação de SARs Orbitais e Aerotransportados

· Vantagens de SARs orbitais


– Maior cobertura por segundo (Km2/s)
– Custos operacionais mais baixos ($/Km2)
– Não depende das condições de vôo ou da proximidade de
aeroportos
– Campos de visadas mais amplos
– Processamento de sinal mais simples (sem compensação de
movimento)
· Desvantagens
– Projeto, construção e lançamento mais dispendiosos
– Maior dificuldade na obtenção de polarizações e freqüências
múltiplas
– Impossibilidade de deslocar o sistema e adquirir imagens sob
encomenda
– Resolução geralmente inferior

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Comparação das Geometrias de Imageamento

SAR orbital

SAR aerotransportado

aerotransportado
10 – 100 km
SAR orbital
25 – >500 km
FAIXA DE IMAGEAMENTO

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Escolha da Faixa de Imageamento

· Limitada por ambigüidades do alcance e capacidade


de armazenamento de dados
· É uma solução de compromisso entre a resolução em
azimute, número de visadas e capacidade de
processamento.
· Para satélites: tipicamente 30 - 150 km
· Para aviões: tipicamente 10 - 100 km
· RADARSAT consegue faixas mais largas por feixe de
radar reduzindo a resolução e usando cuidadosamente
o peso da antena para controlar as ambigüidades do
alcance
· RADARSAT e o futuro Envisat utilizam ScanSAR para
obterem varreduras extra-largas

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


RADARSAT-1

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá


Modos de Imageamento do RADARSAT-1 SAR

Estendido baixo

Rastreio terrestre
do satélite

ScanSAR Estendido alto


Largo

Standard
Fino

Centro Canadiense de Sensoriamento Remoto, Ministerio de Recursos Naturales de Canadá

Você também pode gostar