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Teste 12.

º ano
janeiro 2020

PROPOSTA DE CORREÇÃO
GRUPO I
EDUCAÇÃO LITERÁRIA
A
1. Neste poema, o sujeito poético identifica-se com o navegador Diogo Cão.
Deste modo, Diogo Cão autocaracteriza-se como um navegador com ânsia de
navegar, como demostra o verso: “E para diante naveguei”. Paralelamente, revela um
sentimento de insatisfação e determinação, manifestando capacidade de superação: “E
faz a febre em mim de navegar”. Por outro lado, o sujeito evidencia consciência do seu
papel na concretização de uma obra coletiva e transcendente: “E a Cruz ao alto diz que
o que há na alma”.
Na verdade, o sujeito poético salienta o seu fascínio pelo oceano e uma forte
vontade de autossuperação.
2. O título realça a importância do padrão no contexto do poema. A partir da leitura do
poema podemos verificar várias funções atribuídas a essa pedra emblemática que
sinalizava a posse de Portugal.
Em primeiro lugar, o padrão assinalava a ação da descoberta e testemunhava o
domínio português do oceano: “deixei / Este padrão ao pé do areal moreno”. Por outro
lado, o padrão representava o trabalho da demanda, o facto de a ação do navegador ser
um trabalho transcendente ao serviço de Deus: “Este padrão sinala ao vento e aos céus /
Que, da obra ousada, é minha a parte feita”.
Em suma, o padrão é símbolo da ousadia e determinação do povo português.
3. Os versos “Que o mar com fim será grego ou romano: / O mar sem fim é português”
opõem simbolicamente os limites do “mar grego ou romano” à abrangência do mar
português.
Deste modo, são enaltecidas as viagens marítimas dos portugueses e a superioridade
do povo português face à Antiguidade clássica. Enquanto os gregos e os romanos
dominaram apenas o Mediterrâneo, o mar conhecido, os portugueses desvendaram o
mar desconhecido: “O mar sem fim é português”.
Em suma, estes versos atribuem uma dimensão épico-heroica ao povo português,
pelo sua excecionalidade e esforço de autossuperação.

B
4. Gonçalo Ramires era conhecido como o “Fidalgo da Torre”.
De facto, pertencia à nobreza, com uma linhagem anterior ao Condado Portucalense,
mais interveniente na História de Portugal do que a maioria de outros nobres, como
atestam os exemplos do texto que referem a intervenção dos Mendes Ramires em
momentos marcantes da História da Pátria: ” E os outros Ramires, o de Silves, o de
Aljubarrota, os de Arzila, os d Índia! E os cinco valentes, de quem você talvez nem
saiba, que morreram no Salado!”. Gonçalo vive, no entanto, uma situação de penúria
económica como se pode ler no início do texto: “ Gonçalo foi a Lisboa por causa da
hipoteca da sua quinta de Praga, junto a Lamego” e tem ambições políticas: ” para
conhecer mais estreitamente o seu chefe, o Braz Victorino, mostrar lealdade e
submissão partidária, colher algum fino conselho de conduta Política”. Fica
“impressionado” perante os argumentos do amigo e deixa-se deslumbrar pela ideia de
que a escrita da novela lhe permitirá ascender socialmente.
Em suma, Gonçalo Ramires concentra em si a imagem da decadência da nobreza da
raça e revela o seu caráter interesseiro.
5. Castanheira lança a Gonçalo o repto que está prometido já desde o tempo em que
eram estudantes em Coimbra.

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Teste 12.º ano
janeiro 2020

Na verdade, o desafio parece grande e nobre: a escrita de uma novela histórica, sobre
o seu “avoengo Tructesindo Ramires, alferes-mor de D. Sancho I” para integrar os
“Anais” de que Castanheira é o organizador.
O amigo enumera várias razões que obrigavam Gonçalo a escrever tal obra: o facto
de ele ser um Ramires (“vocês são uma enfiada de Ramires de toda a beleza”), o facto
de os seus antepassados terem percorrido a História de Portugal (“E os outros Ramires,
o de Silves, o de Aljubarrota, os de Arzila, os d Índia! E os cinco valentes, de quem
você talvez nem saiba, que morreram no Salado”), o facto de ser urgente reatar a
tradição e o sentimento nacional (“Portugal, menino, morre por falta de sentimento
nacional”), o facto de poder tirar dividendos políticos com esta novela sobre os seus
bravos antepassados (“amigo, de folhetim em folhetim, se chega a S. Bento”).
Concluindo, Castanheira, um patriota sentimentalista, escolhe argumentos fortes,
capazes de convencer Gonçalo de que se trata de um dever de Português nobre, que lhe
trará grandes benefícios.
6. a) 3; b) 1.
C
As reflexões do Poeta presentes em Os Lusíadas, de Luís de Camões, constituem um
momento de crítica muito relevante na epopeia pelo seu caráter antiépico.
Na verdade, estas reflexões englobam considerações de caráter didático e crítico, na
medida em que desenham um ideal de heroísmo baseado em valores éticos morais e
cívicos afastados da sociedade portuguesa.
A análise centra-se essencialmente na crise de valores e mudanças sociais do final do
século XVI como resultado da ganância e corrupção que as riquezas do Oriente
suscitaram. O Poeta reflete ainda sobre a ingratidão e falta de cultura dos portugueses e
apela a D. Sebastião para contribuir para um Portugal glorioso.
Concluindo, estas reflexões apresentam uma perspetiva crítica sobre uma sociedade
que precisava de corrigir o seu rumo e, paradoxalmente, de grande atualidade.
(130 palavras)

GRUPO II
LEITURA|GRAMÁTICA

Item
1. (A)
2. (D)
3. (C)
4. (A)
5. (D)
6. “(os) protocolos de encontro”.
7. Oração subordinante: “As fórmulas de cumprimento tornaram-se tão
sincopadas a Ocidente”:
Oração subordinada adverbial consecutiva: “que perderam a sua força
expressiva”
8. Sujeito.

Grupo III
ESCRITA

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Tópicos sugeridos

 O mar proporciona a Portugal incertezas, perigos e morte


 todas as dificuldades enfrentadas por aqueles que fazem do mar o seu
local de trabalho;
 a morte a que estão sujeitos os pescadores (Ex: os mariscadores de Vila
do Bispo);
 as descobertas, os naufrágios, as doenças e a morte;
 …
 O mar proporciona a Portugal múltiplas vantagens
 turismo e incremento da economia;
 riqueza marítima (diversidade de peixes, …);
 porta de entrada na Europa;
 no passado: os Descobrimentos e o engrandecimento do país;
 …