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Universidade Federal de São João Del Rei – NEAD

Curso Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho

Gerência de Riscos (GER) – Tarefa 5: Técnicas de Identificação de Perigos

DIEGO DA SILVA MÉGDA

ALTEROSA – MG
Julho de 2019

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1. Após a leitura dos artigos apresentados na Unidade V, /1504/1182",
respectivamente, apresente um CASO PRÁTICO de uma situação em que foi
usada a Técnica do Incidente Crítico (TIC), que pode ser de uma experiência
vivida por você ou oriunda de alguma literatura (artigo) que não seja as
supracitadas.

Como visto na Unidade 5 da disciplina Gerência de Riscos, a Técnica de Incidentes


Críticos (TIC), também conhecida em português como “Confissionário” e em inglês
como “Incident Recall”, é uma análise operacional, qualitativa, de aplicação na fase
operacional de sistemas, cujos procedimentos envolvem o fator humano em qualquer
grau. É um método para identificar erros e condições inseguras que contribuem para a
ocorrência de acidentes com lesões reais e potenciais, onde se utiliza uma amostra
aleatória estratificada de observadores-participantes, selecionados dentro de uma
população. Portanto trata-se de uma técnica de abordagem, em que entrevistas são
realizadas com observadores, a fim de extrair informações envolvendo seus relatos,
recordações e observações a respeitos de atos e condições inseguras que lhes tenham
chamado a atenção1.
Interessantes estudos encontrados na literatura envolvendo a Técnica de Incidentes
Críticos são o apresentado por Coleta (1974) em seu artigo “A técnica dos incidentes
críticos – aplicações e resultados”. Um dos estudos apresentados nesse trabalho é o
efetuados com ajudantes de eletricistas de uma empresa de distribuição de energia
elétrica, quando se buscavam critérios para a seleção e avaliação do pessoal. Nesse estudo
uma fase de descrição das tarefas e operações antecedeu à coleta dos incidentes críticos e
nesta última fase foram entrevistados 45 "chefes de turmas" (supervisores) destes
ajudantes de eletricista, sendo coletados 98 relatos de incidentes críticos.
Os entrevistados relatavam os acontecimentos que julgavam relevantes e o
entrevistador anotava todo o relato com os mínimos detalhes. A seguir procedia-se à
leitura dos relatos para que o entrevistado os confirmasse. Destaca-se que os entrevistados
eram chamados para relatar incidentes positivos e negativos, isto é, acontecimentos
particularmente relevantes onde o comportamento do ocupante do cargo teve
consequências positivas ou negativas para com o objetivo do cargo.
De posse dos relatos dos incidentes críticos procede-se a uma análise de conteúdo dos
mesmos, buscando isolar os comportamentos críticos emitidos pelos ocupantes do cargo

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que, uma vez reunidos em categorias mais abrangentes, vão fornecer as exigências críticas
a respeito da função, definidas estas em termos comportamentais.
Dos relatos de incidentes apresentados pelos supervisores dos ajudantes de
eletricistas, 211 foram caracterizados como comportamentos críticos, sendo 130 positivos
e 81 negativos, ou seja, a relação aproximada de 1/3 negativos para 2/3 positivos.
Nesse ponto faz-se necessário apresentar as diferenças entre incidentes críticos e
comportamentos críticos. Incidentes críticos, portanto, são as situações, particularmente
relevantes, observadas e relatadas pelos sujeitos entrevistados, enquanto comportamentos
críticos são os comportamentos emitidos pelos sujeitos envolvidos nos incidentes
relatados. Ambos podem ser positivos ou negativos, em função das consequências para
com os objetivos do cargo.
Após tomados todos os relatos e classificados conforme incidentes críticos e
comportamentos críticos, realizou-se o agrupamento dos comportamentos críticos em
categorias mais abrangentes e dispostos em um quadro. Deve-se destacar, conforme
mencionado no presente trabalho, que o sucesso ou fracasso de todo processo baseia-se
na perfeita determinação de categorias e na objetiva definição destas categorias pelo
pesquisador.
Após a categorização dos comportamentos procede-se a um levantamento de
frequências dos comportamentos positivos e/ou negativos. Esse procedimento vai
fornecer posteriormente uma série de indícios para a identificação de soluções para
situações problemáticas evidenciadas.
Um exemplo dessa caracterização apresentado no estudo envolvendo ajudantes de
eletricistas está apresentado no Quadro 1, extraído no presente trabalho.
O Quadro 1 apresenta apenas uma das três categorias em que foram agrupados os 211
comportamentos críticos, na qual envolve “Liderança, relações humanas e organização”.
Do total dos incidentes críticos relatados, 30,3% pertencem à esta grande categoria.
Conforme mencionado no trabalho, estas ordenações puderam fornecer uma série de
sugestões aos processos de seleção, treinamento e avaliação do desempenho, utilizados
na empresa naquela época. Os resultados indicaram ainda a necessidade de abordar os
problemas de treinamento e formação de "ajudantes de eletricista" de maneira diferente
nas diversas regiões do estado, cobertas pelo estudo. Ao mesmo tempo alguns indícios de
necessidade de formação de supervisores e chefes destes "ajudantes de eletricistas" foram
evidenciados, e soluções foram propostas com base nos dados levantados.

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Fonte: Coleta (1974)

2. Com base no vídeo proposto na presente Tarefa, através do link


https://www.youtube.watch?v=3bqrnkiwKbY, apresente uma situação
vivenciada por você ou oriunda de literatura, em que a técnica " What If ??"
foi aplicada, com foco na identificação dos possíveis RISCOS.
Como foi visto na Unidade V da disciplina Gerência de Riscos, o procedimento What-
If é uma técnica de análise geral, qualitativa, cuja aplicação é bastante simples e útil para
uma abordagem em primeira instância na detecção exaustiva de riscos, tanto na fase de
processo, projeto ou pré-operacional, não sendo sua utilização unicamente limitada às
empresas de processo1.
A técnica se desenvolve através de reuniões de questionamento entre equipes. Os
questionamentos englobam procedimentos, instalações, processo da situação analisada e
estão em torno do seguinte preceito: “O que aconteceria se ...?”. A equipe questionadora
é a conhecedora e familiarizada com o sistema a ser analisado, e ela deverá formular uma
série de quesitos em torno da questão central, com a simples finalidade de guia para a
discussão. Para a aplicação o What-If utiliza-se de uma sistemática técnico-administrativa
que inclui princípios de dinâmica de grupo, devendo ser utilizado periodicamente.
Portanto a técnica exige a participação de uma equipe multidisciplinar, com o intuito de
abranger diferentes situações manifestadas através dos questionamentos levantados1.

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Um exemplo prático de aplicação da ferramenta What-If encontrado na literatura é o
apresentado por Lima (2017), em que o autor faz a aplicação da ferramenta de detecção
de risco em uma lavanderia. Inicialmente é analisado o layout e identificados os processos
realizados em cada um dos setores: setor de lavagem e secagem de roupas, setor de
passadoria e o setor em que as roupas são embaladas.
Para facilitar a aplicação e avaliação de cada um dos setores, o autor ainda propõem
um fluxograma para cada um dos setores da lavanderia. O método What-If é então
aplicado em cada setor, organizado com o levantamento das atividades realizadas em cada
um deles (mostrado inclusive nos seus respetivos fluxogramas), seguido pelo
questionamento “O que aconteceria se ...?”, depois, sendo descritas as causas, suas
consequências, observações e recomendações.
O Quadro 2 abaixo apresenta o exemplo de aplicação do método What-If no setor de
lavagem e secagem da lavanderia estudada no trabalho de Lima (2017).
Quadro 2: Método What-If do setor de lavagem e secagem

Fonte: Lima (2017)

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3. Elabore uma planilha de " ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCO APR "
para uma atividade de TRABALHO EM ALTURA.

A Análise Preliminar de Riscos (APR) consiste no estudo, durante a fase de


concepção ou desenvolvimento prematuro de um novo sistema, com o fim de se
determinar os riscos que poderão estar presentes na sua fase operacional1.
A APR é, portanto, uma análise inicial “qualitativa”, desenvolvida na fase de
projeto e desenvolvimento de qualquer processo, produto ou sistema, possuindo
especial importância na investigação de sistemas novos de alta inovação e/ou pouco
conhecidos, ou seja, quando a experiência em riscos na sua operação é carente ou
deficiente. Apesar das características básicas de análise inicial, é muito útil como
ferramenta de revisão geral de segurança em sistemas já operacionais, revelando
aspectos que às vezes passam desapercebidos1.
O Quadro 3 apresenta a APR para trabalho em altura.
Quadro 3: APR – Trabalho em Altura.
Descrição da Atividade ou Operação Principal
Trabalho em Altura conforme item 35.1.2 da Norma Regulamentadora NR-35
Tarefa Perigo Ações Preventivas
Verificar procedimentos estabelecidos na
Norma Regulamentadora NR-18 para
montagem de andaimes e movimentação
sobre os mesmos
Manter pessoal treinado para prestar
Montagem e desmontagem de Queda de peças, ferramentas e/ou
primeiros socorros e veículo para eventual
andaimes materiais
emergência à disposição

Verificar as condições das peças dos


andaimes, utilizá-las somente em boas
condições de uso

Usar efetivamente cinto de segurança modelo


paraquedista, equipado com trava quedas,
interligado à corda estática de segurança com
Içamento de pessoas e materiais Queda de pessoas e/ou materiais dimensões e compatibilidade com o trava-
quedas. Seguir demais condições
estabelecidas na NBR 11370 – ABNT, NR-
35, NR-6 e especificações técnicas

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Movimentar-se em altura sempre preso ao
trava-quedas e este ao sinto de segurança,
utilizando, quando necessário 02 talabartes.

A área de trabalho em altura deverá ser


delimitada, cercada e sinalizada contra o
acesso de pessoas

Manter pessoal treinado para prestar


primeiros socorros e veículo para eventual
emergência à disposição

Quedas de pessoas, materiais e/ou Verificar disposto no item 18.15.8 da NR-18.


Subida em escadas Verificar recomendações técnicas da
ferramentas
Fundacentro sobre escadas, rampas e
passarelas. Consultar Portaria SIT n.º 712, de
12 de abril de 2018.

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Referências bibliográficas

1) ALBERTON, A. Uma Metodologia para Auxiliar no Gerenciamento de Riscos e


na Seleção de Alternativas de Investimentos em Segurança. Universidade Federal
de Santa Catarina, Dissertação (Mestrado), Programa de Pós-Graduação em
Engenharia de Produção. Florianópolis, 1996.

2) COLETA, J. A. D. A Técnica dos Incidentes Críticos - Aplicações e Resultados.


Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada, v. 25, n. 2, p. 99-141. Rio de Janeiro,
1973.

3) LIMA, L. F. Aplicação do método “What-if...”, como Técnica de Identificação de


Perigos e Operabilidade em uma Lavanderia de Campina Grande-PB.
Universidade Estadual da Paraíba, Centro de Ciência e Tecnologia, Monografia
(Graduação), Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental. Campina
Grande, 2017.

4) CAMISASSA, M. Q. Segurança e Saúde no Trabalho: NRs 1 a 36 Comentadas e


Descomplicadas. Rio de Janeiro: editora Forense; São Paulo: editora Método,
2015.

5) MINISTÉRIO DA ECONOMIA. Segurança e Saúde no Trabalho. Portaria SIT


712/2018. Disponível em < http://trabalho.gov.br > Acesso em 11 de julho de
2019.

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