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A Doutrina do Hedonismo Cristão –

Jonh Piper

3. Hedonismo Cristão
“Quero ainda, irmãos, cientificar-vos de que as coisas que me aconteceram têm,
antes, contribuído para o progresso do evangelho; de maneira que as minhas
cadeias, em Cristo, se tornaram conhecidas de toda a guarda pretoriana e de
todos os demais; e a maioria dos irmãos, estimulados no Senhor por minhas
algemas, ousam falar com mais desassombro a palavra de Deus. Alguns,
efetivamente, proclamam a Cristo por inveja e porfia; outros, porém, o fazem
de boa vontade; estes, por amor, sabendo que estou incumbido da defesa do
evangelho; aqueles, contudo, pregam a Cristo, por discórdia, insinceramente,
julgando suscitar tribulação às minhas cadeias. Todavia, que importa? Uma vez
que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por
verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei. Porque
estou certo de que isto mesmo, pela vossa súplica e pela provisão do Espírito de
Jesus Cristo, me redundará em libertação, segundo a minha ardente
expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda
a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu
corpo, quer pela vida, quer pela morte. Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e
o morrer é lucro. Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho,
já não sei o que hei de escolher. Ora, de um e outro lado, estou constrangido,
tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor.
Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne. E, convencido
disto, estou certo de que ficarei e permanecerei com todos vós, para o vosso
progresso e gozo da fé, a fim de que aumente, quanto a mim, o motivo de vos
gloriardes em Cristo Jesus, pela minha presença, de novo, convosco.” (Fp 1.12-
26)
Permita-me ser claro desde o início: Bethlehem não foi edificada em torno
de um slogan ou rótulo. O termo “hedonismo cristão” não está em nenhum
dos documentos oficiais dessa igreja. Não está em nossa constituição, nem
em nosso pacto da igreja, nem em nossa Afirmação de Fé dos Presbíteros,
nem em nossa cartilha de princípios, nem em nossas Dez Dimensões da
Vida da Igreja. Esse termo é cativante, é controverso, não está na Bíblia e
você não precisa gostar dele apenas porque eu gosto.
Então, o ponto central desse capítulo não é de forma alguma defender um
rótulo ou um slogan, mas falar sobre a verdade bíblica ampla e penetrante
que alguns de nós amamos chamar de hedonismo cristão.
Logo, esse capítulo está repleto de algumas das coisas mais interessantes e
maravilhosas que eu amo conhecer e experimentar. Precisamos começar a
trabalhar. Aqui está o esboço:

 Em primeiro lugar, há um problema que precisa ser resolvido por


causa do capítulo 2, sobre a glória de Deus.
 Em segundo lugar, o hedonismo cristão é a solução bíblica para esse
problema.
 C.S. Lewis e o apóstolo Paulo oferecem o fundamento para essa
solução.
 Em quarto lugar, essa solução — o hedonismo cristão — muda tudo
em sua vida, o que eu tentarei demonstrar em onze exemplos.

3.1 A autopromoção de Deus é desprovida de


amor?
No capítulo 2, perguntei: “Por que Deus criou o mundo?”. E respondi:
“Deus criou esse mundo para o louvor da glória de sua graça, demonstrado
supremamente na morte de Jesus”. O problema é que, no coração dessa
resposta, está a autopromoção de Deus. Deus criou o mundo para o seu
próprio louvor e para a sua própria glória.

Oprah Winfrey, Brad Pitt, C.S. Lewis (no início da vida), Eric Reece e
Michael Prowse, entre outros, todos se afastam desse Deus. Eles tropeçam
na autopromoção de Deus.

 Oprah se afastou do cristianismo ortodoxo quando tinha cerca de 27


anos devido ao ensino bíblico de que Deus é zeloso — Deus exige que
ele e mais ninguém receba nossa mais alta lealdade e afeição. Esse fato
não pareceu amoroso para ela.
 Brad Pitt se afastou de sua fé de infância, ele diz, porque Deus afirma:
“Você tem que dizer que eu sou o melhor… parecia ser sobre o ego”.
 C.S. Lewis, antes de se tornar cristão, se queixava que a exigência de
Deus de ser louvado soava como “uma mulher vaidosa que exige
elogios”.
 Erik Reece, o escritor de “An American Gospel”, rejeitou o Jesus dos
Evangelhos porque somente um egomaníaco exigiria que o amássemos
mais do que amamos nossos pais e filhos.
 E Michael Prowse, colunista do London Financial Times, rejeitou
porque somente “tiranos cheios de orgulho anseiam por bajulação”.
Então, as pessoas veem isso como um problema — o fato de que Deus
criou o mundo para o seu próprio louvor. Elas acham que tal autoexaltação
seria algo imoral e desamoroso. Talvez você sinta algo semelhante.

Nossa maior alegria e a maior glorificação de


Deus
Deus é mais glorificado em você quando você está mais satisfeito nele. Esse é o
resumo mais breve do que queremos dizer com o hedonismo cristão. Se
isso é verdade, então não há conflito entre a sua maior alegria e a maior
glorificação de Deus.
De fato, não apenas não existe conflito entre a sua alegria e a glória de
Deus, mas a glória dele brilha na sua alegria, quando a sua alegria está nele.
E já que Deus é a fonte da maior alegria, e já que ele é o maior tesouro do
mundo, e desde que a glória dele é o dom mais satisfatório que ele poderia
nos dar, então essa é a coisa mais bondosa e mais amorosa que ele poderia
fazer — revelar-se, magnificar-se e reivindicar-se para o nosso gozo eterno.
“Na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias
perpetuamente” (Sl 16.11).

Deus é o único ser para quem a autoexaltação é o ato mais amoroso,


porque ele está exaltando para nós o que, exclusivamente, pode nos
satisfazer de modo pleno e eterno. Se exaltamos a nós mesmos, não
estamos amando, porque distraímos as pessoas do Único que pode torná-
las felizes para sempre: Deus. Porém, quando Deus se exalta, ele chama a
atenção para o Único que pode nos fazer felizes para sempre: Ele mesmo.
Deus não é um egocêntrico. Ele é um Deus infinitamente glorioso e
plenamente satisfatório, oferecendo-nos alegria eterna e suprema nele
mesmo.

Essa é a solução para o nosso problema.

 Não Oprah, se Deus não fosse zeloso por todas as suas afeições, ele
seria indiferente à sua miséria final.
 Não Brad Pitt, se Deus não exigisse que você o estimasse como o
melhor, ele não se importaria com a sua alegria suprema.
 Não, Sr. Lewis, Deus não é vaidoso ao exigir que você o louve. Esta é
a maior virtude dele e a sua maior alegria.
 Não, Erik Reece, se Jesus não reivindicasse amor maior do que aos
seus filhos, ele estaria entregando o seu coração àquilo que não pode
satisfazer para sempre.
 Não, Michael Prowse, Deus não deseja a sua bajulação, ele isso
oferece como o seu maior prazer.
Deus é mais glorificado em você quando você está mais satisfeito nele. O
propósito de Deus ao buscar a sua própria glória acaba sendo o amor. E
nosso dever de buscar a glória de Deus acaba sendo uma busca por alegria.
Essa é a solução para o problema da autoexaltação de Deus.

3.2 A base realista e bíblica para o hedonismo


cristão
C.S. Lewis viu o fundamento na experiência humana. O apóstolo Paulo o
demonstra em sua carta aos filipenses.

Aqui está a grande descoberta que encontrei no livro de Lewis, “Reflections


on the Psalms”. Ele está considerando por que a exigência de Deus por
nosso louvor não é vaidosa.
O fato mais óbvio sobre o louvor, porém — seja de Deus, seja de qualquer coisa
— estranhamente me escapara. Eu o considerava um tipo de elogio, aprovação
ou honra. Jamais eu percebera que toda alegria transborda espontaneamente
em louvor a menos que… a timidez ou o medo de aborrecer os outros
deliberadamente apareçam. O mundo ressoa em louvor — amantes louvam
seus amados, leitores seu poeta favorito, os que caminham louvam a paisagem,
torcedores louvam seus times — louvores ao clima, aos vinhos, aos pratos, aos
atores, aos cavalos, às faculdades, aos países, aos personagens históricos, às
crianças, às flores, às montanhas, aos selos raros, aos besouros raros, até
mesmo, por vezes, aos políticos e estudiosos. Eu não havia notado como as
mentes mais humildes, e ao mesmo tempo, mais equilibradas e hábeis louvam
mais, enquanto as mais débeis, desajustadas e descontentes louvam menos…
Eu não havia percebido que enquanto os homens espontaneamente louvam o
que valorizam, assim eles espontaneamente convocam outros para se unirem a
eles em louvor.
“Ela não é amável? Não foi glorioso? Você não acha isso magnífico?”. Os
salmistas, ao convocarem todos a louvar a Deus, estão fazendo o que todos os
homens fazem quando falam do que apreciam. Minha dificuldade, mais geral,
sobre o louvor a Deus dependia da minha negação absurda a nós, no que diz
respeito àquele que é supremamente Valioso, do que nos deleitamos em fazer —
o que realmente não podemos evitar — sobre tudo o que nós valorizamos.
Acho que temos prazer em louvar o que nos agrada porque o louvor não
meramente expressa mas complementa o gozo; ele é a sua consumação. Não é
sem razão que os amantes continuam dizendo uns aos outros quão belos eles
são; o deleite é incompleto até que seja expresso. (C.S. Lewis, Reflections on the
Psalms [New York: Harcourt, Brace and World, 1958], 93–95.)
O mandamento irredutível de Deus para que o consideremos glorioso e o
louvemos é uma ordem pela qual nos satisfazemos com nada menos do que
a consumação de nossa alegria nele. O louvor não é apenas a expressão,
mas a consumação da nossa alegria naquilo que é supremamente deleitoso,
a saber, Deus. Em sua presença há plenitude de alegria; à sua destra há
deleites para sempre (Sl 16.11). Ao exigir nosso louvor, Deus exige o
cumprimento de nosso prazer. Deus é mais glorificado em nós quando
estamos mais satisfeitos nele.

Que Cristo seja visto como grandioso


E é isso que encontramos em Filipenses 1.20-21:

…segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei


envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será
Cristo engrandecido [magnificado, seja visto como grandioso] no meu corpo,
quer pela vida, quer pela morte.
Paulo diz que sua grande paixão na vida — eu espero que seja a grande
paixão do leitor na vida — é que nesta vida Cristo seja visto como
grandioso — supremamente grande. É por isso que Deus nos criou e nos
salvou — para fazer com que Cristo seja visto como ele realmente é —
supremamente grandioso.

Agora, a relação entre os versículos 20 e 21 é a chave para ver como Paulo


pensa que isso acontece. Acontecerá, diz Paulo — Cristo será engrandecido
em meu corpo pela vida ou morte — “porque para mim viver é Cristo e
morrer é lucro” (v. 21). Observe que “vida” no versículo 20 corresponde a
“viver” no versículo 21 e “morte” no versículo 20 corresponde a “morrer”
no versículo 21. Então, Paulo está explicando em ambos os casos — vida e
morte — como Cristo será visto como grandioso.

Jesus será visto como grandioso em minha vida porque “para mim viver é


Cristo”. Ele explica em Filipenses 3.8: “Sim, deveras considero tudo como
perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu
Senhor”. Assim, Cristo é mais precioso, mais valioso, mais satisfatório do
que tudo que a vida nessa terra pode dar. “Considero tudo como perda, por
causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor”.
Isto é o que ele quer dizer quando afirma em Filipenses 1.21: “Para mim,
viver é Cristo”. E, ele diz que assim a sua vida engrandece Cristo — faz com
que ele seja visto como grandioso. Cristo é mais engrandecido na vida de
Paulo quando Paulo, em sua vida, está mais satisfeito em Cristo. Esse é o
ensino claro desses dois textos.
Quando a nossa morte é lucro
E isso fica ainda mais claro quando você considera o que Paulo fala sobre a
morte em Filipenses 1.20-21. Cristo será engrandecido em meu corpo pela
morte, “porque para mim morrer é lucro” (v. 21). Por que a morte seria um
lucro? A resposta está no fim do versículo 23: “tendo o desejo de partir e
estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor”. A morte é lucro
porque significa uma maior proximidade com Cristo. A morte é “partir e
estar com Cristo”.

É por isso que Paulo diz no versículo 21 que morrer é lucro. Você soma
todas as perdas que a morte lhe custará (sua família, seu emprego, sua
aposentadoria dos sonhos, os amigos que você deixa para trás, seus
prazeres favoritos) — você soma todas essas perdas, e então você as
substitui apenas pela morte e Cristo — se quando você faz isso, você diz
alegremente: “lucro!”, então Cristo é engrandecido em sua morte. Cristo é
mais engrandecido em sua morte, quando você está tão satisfeito em
Cristo, que perder tudo e obter somente Cristo é considerado lucro.
Ou para resumir as duas partes do versículo: Cristo é glorificado em você
quando ele é mais precioso para você do que tudo que a vida pode dar ou do
que a morte pode retirar.

3.3 A centralidade da cruz no hedonismo cristão


Essa é a base bíblica para o hedonismo cristão: Deus é mais glorificado em
nós quando estamos mais satisfeitos nele.

E isso realmente já estava implícito no capítulo 2, sobre a glória de Deus.


Deus criou o mundo para o louvor da glória de sua graça, demonstrado
supremamente na morte de Jesus. O que significa que a busca do seu próprio
louvor alcança seu auge onde nos faz o maior bem: na cruz. Na cruz, Deus
afirma a sua glória e fornece o nosso perdão. Na cruz, Deus vindica a sua
própria honra e assegura a nossa felicidade. Na cruz, Deus magnifica o seu
próprio valor e satisfaz a nossa alma.
No maior ato da história, Cristo tornou realidade para os pecadores
indignos que Deus poderia ser mais glorificado em nós pelo fato de
estarmos mais satisfeitos nele.

3.4 11 Ilustrações de como o hedonismo cristão


muda tudo
1. Morte
Acabamos de ver como isso muda a morte. Se você quer fazer com que
Cristo seja visto como grandioso em sua morte, não há grande
desempenho, realização ou sacrifício heroico. Há simplesmente alguém
semelhante a uma criança que se coloca nos braços daquele que faz a
perda de tudo ser um lucro.

2. Conversão
O hedonismo cristão muda a forma como pensamos sobre a conversão.
Mateus 13.44: “O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no
campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante
de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo”. Tornar-se
cristão não significa apenas crer na verdade; significa encontrar um
tesouro. Assim, o evangelismo se torna não apenas persuasão sobre a
verdade, mas aponta as pessoas para um Tesouro — que é mais valioso do
que tudo que elas têm.

3. O combate da fé
O hedonismo cristão muda “o bom combate da fé” (1Tm 6.12). João diz em
João 1.12: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem
feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome”. Crer em Jesus é
recebe-lo. Como o quê? Como o Tesouro infinitamente valioso que ele é. A
fé é ver e fruir deste Tesouro. E assim, o combate da fé é um combate pela
alegria em Jesus. Uma luta para ver e fruir de Jesus é mais preciosa do que
qualquer coisa no mundo. Porque esse fruir demonstra que ele é
supremamente valioso.
4. Luta contra o mal
O hedonismo cristão muda a forma como lutamos contra o mal em nossas
vidas. Jeremias 2.13 dá a definição hedonista cristã do mal: “Porque dois
males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas
vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas”. O mal
é a preferência suicida pelas cisternas vazias do mundo em detrimentos as
águas vivas da comunhão de Deus. Nós lutamos contra o mal pela busca da
mais plena satisfação no rio das delícias de Deus (Sl 36.8).

5. O que o inferno é
O hedonismo cristão muda a forma como pensamos sobre o inferno. Uma
vez que o caminho para ser salvo e ir para o céu é abraçar Jesus como a sua
fonte de maior alegria, o inferno é um lugar de sofrimento, um lugar de
eterna infelicidade, preparado para pessoas que se recusam a ser felizes no
Deus triuno.

6. Autonegação
O hedonismo cristão muda a maneira como pensamos sobre a
autonegação. A autonegação realmente existe nos ensinos de Jesus: “Se
alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me”
(Mc 8.34). Mas, o significado se torna:

 Negue a si mesmo a riqueza do mundo para que você possa ter a


riqueza de estar com Cristo.
 Negue a si mesmo a fama do mundo para ter a alegria da aprovação
de Deus.
 Negue a si mesmo a segurança e proteção do mundo para ter a
comunhão firme e segura de Jesus.
 Negar a si mesmo os prazeres breves e insatisfatórios do mundo, para
que você possa ter plenitude da alegria e prazer etenos à destra de
Deus.
O que significa que não existe tal coisa como autonegação final, porque
viver é Cristo e morrer é lucro.

7. Dinheiro
O hedonismo cristão muda o modo como pensamos em lidar com o
dinheiro e o ato de dar. Atos 20.35: “Mais bem-aventurado é dar que
receber”. 2 Coríntios 9.7: “Cada um contribua segundo tiver proposto no
coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá
com alegria”. O motivo para ser uma pessoa generosa é que isso expressa e
expande a nossa alegria em Deus. E a busca da alegria mais profunda é a
busca por dar e não por receber.

8. Adoração congregacional
O hedonismo cristão muda a forma como realizamos a adoração
congregacional. A adoração congregacional é o ato comunitário de
glorificar a Deus. Mas Deus é glorificado nessa adoração quando as
pessoas estão satisfeitas nele. Portanto, os líderes de louvor — músicos e
pregadores — veem a sua tarefa principalmente como abrir uma fonte de
água viva e oferecer um banquete de comida deliciosa. A tarefa dos
adoradores é beber e comer e dizer um satisfeito: “Ah!”. Porque Deus é
mais glorificado nesses adoradores quando eles estão mais satisfeitos nele.

9. Debilidade e Fraqueza
O hedonismo cristão muda o modo como vivenciamos a debilidade e a
fraqueza. De maneira impressionante e paradoxal, Jesus diz a Paulo quando
fraco e afligido por um espinho: “A minha graça te basta, porque o poder se
aperfeiçoa na fraqueza”. Ao que Paulo responde: “De boa vontade, pois,
mais me gloriarei [sim, esta é a voz do cristão hedonista afligido por um
espinho] nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo”
(2Co 12.9).

10. Amor
O hedonismo cristão muda o significado do amor. Paulo descreve assim o
amor dos macedônios: “Porque, no meio de muita prova de tribulação,
manifestaram abundância de alegria, e a profunda pobreza deles
superabundou em grande riqueza da sua generosidade” (2Co 8.2). No
versículo 8, Paulo chama isso de “amor”. “Abundância de alegria” em “muita
prova de tribulação” e “profunda pobreza” transbordando em generosidade
amorosa. Ainda pobres. Ainda aflitos. Porém, tão cheios da alegria que
transborda em amor. Assim, o hedonismo cristão define o amor como o
transbordamento (ou a expansão) da alegria em Deus que atende às
necessidades dos outros.

11. Ministério
O hedonismo cristão muda o significado do ministério. Qual é o objetivo do
ministério do grande apóstolo Paulo? 2 Coríntios 1.24: “Não que tenhamos
domínio sobre a vossa fé, mas porque somos cooperadores de vossa
alegria; porquanto, pela fé, já estais firmados”. Todo ministério deve ser, de
um modo ou de outro, uma cooperação para a alegria de outros.

É por isso que Deus criou você. É por isso que Cristo morreu por você. É
por isso que nós servimos você como seus pastores. E é por isso que eu
tenho pregado essa mensagem. Somos cooperadores com você para a sua
alegria em Deus. Porque Deus é mais glorificado em você quando você está
mais satisfeito nele.

Yoga é pecado?
Um dos nossos ouvintes, enviou a seguinte pergunta: 
“Pastor John, como um profissional da saúde, estou interessado nos benefícios
de práticas orientais como o Yoga e o Tai Chi por causa dos benefícios que
oferecem para a saúde. Um cristão pode praticar esse tipo de coisa que tem
raízes do misticismo com a consciência tranquila?”
A primeira coisa é que há duas maneiras de abordar questões sobre as
práticas da vida. A primeira é a que chamo de “abordagem minimalista” da
santidade e da piedade, e a outra é a maximalista.

Em outras palavras, no primeiro caso, a pergunta típica é: “O que há de


errado com isso?” E a pergunta se aplica aos filmes, à música, etc. As
crianças frequentemente perguntam aos pais: “O que há de errado com
isso?” E a outra abordagem não é perguntar o que há de errado, mas é
perguntar se me fará mais parecido com Cristo, se é algo que me deixará
mais dedicado a Jesus, se me deixará mais poderoso e cheio do Espírito
Santo, se minhas orações serão mais eficazes por causa disso, se eu serei
mais corajoso para testemunhar, se me deixará mais fraco, se contribuirá
para que eu tenha mais discernimento espiritual sobre os caminhos de
Satanás no mundo, se me ajudará a juntar tesouros no Céu, se me ajudará a
encontrar alegria em Deus e em tudo o que ele é para mim em Jesus.

São duas maneiras de lidar com a vida. Eu posso maximizar minha piedade
e minha santidade, aproximando-me de Deus ou eu posso simplesmente
tentar fazer o máximo de coisas possíveis sem explicitamente cair no
pecado. Com isso, minha intenção não é sugerir que sempre que você lida
com uma atividade questionável,

você precise optar pela renúncia depois de refletir sobre as coisas dessa
maneira. Eu só quero que as pessoas

aprendam a lidar com essas questões com uma grande paixão pela piedade,
e que não pensem somente em termos minimalistas. Essa é a primeira coisa
que eu queria falar.

A segunda coisa é que tanto o Yoga quanto o Tai Chi – com base no pouco
que eu sei e no pouco que eu pesquisei – tem suas raízes em cosmovisões
orientais e essas raízes são profundamente antagônicas ao entendimento
cristão de Deus e da maneira que ele opera no mundo. O Yoga é para o
corpo o que o mantra é para a boca. Uma explicação diz que, no mantra, “a
pessoa tem que entoar uma palavra ou uma frase até conseguir
transcender sua mente e suas emoções e, no processo, é possível descobrir
e alcançar a supraconsciência”. Então, é o uso de uma palavra como mantra
para alcançar a supraconsciência. Em outras palavras, os exercícios de Yoga
fazem parte desse tipo de repetição verbal e filosofia sobre a maneira de se
mover física, emocional e intelectualmente em direção a essa
supraconsciência.
Então, o Yoga foca em uma harmonia entre a mente e o corpo. O Yoga
deriva sua filosofia de uma crença metafísica indiana. A palavra “Yoga” vem
da língua sânscrita e significa “fusão” ou “união” e o objetivo final dessa
filosofia é alcançar um equilíbrio entre mente e corpo e alcançar algum tipo
de iluminação através do mantra e determinados tipos de exercícios físicos
e posturas meditativas. Para alcançar esse objetivo, o Yoga faz uso da
respiração, da postura, do relaxamento e da meditação – para alcançar uma
vida equilibrada, saudável e alegre. É assim que é descrito em muitos
lugares da internet.

Então, se você for no site do YWCA Minneapolis, uma ONG americana, e


clicar em “aulas de ginástica”, há 22 referências ao Yoga: “Yoga para
iniciantes”, “Yoga para pessoas com esclerose múltipla”, “Yoga para jovens”,
“dança e Yoga para jovens”, “Yoga para todos”, etc.

O mesmo se aplica ao Tai Chi, mas com menos intensidade. O Tai Chi tem
raízes religiosas e metafísicas chinesas e, segundo uma definição, “Entende-
se que o Tai Chi é o mais alto princípio, do qual toda a existência procede –
o supremo absoluto”. Esse é o significado de “Tai Chi”. O supremo absoluto
cria o yang e o yin… O movimento gera o yang e quando sua atividade
chega ao limite, transforma-se em tranquilidade e, através da tranquilidade,
o supremo absoluto gera o yin.

Quando a tranquilidade chega ao limite, há um retorno para o movimento e


o movimento, a tranquilidade e a alteração se tornam a fonte do outro. As
transformações do yang e a união do ying produzem tudo e esses, por sua
vez, produzem e reproduzem, o que faz com que o processo nunca tenha
fim. É mais ou menos o que eu aprendi em minha pequena pesquisa.

Os cristãos têm uma cosmovisão radicalmente diferente da visão de mundo


moldada pelo Yoga ou da visão de mundo moldada pelo Tai Chi. Nossa
maneira de enxergar a história, de enxergar a Deus e de entender o que é o
bem-estar é radicalmente diferente.

No Cristianismo, progredir em direção à inteireza se dá através de um Deus


que se comunica de maneira inteligível através da língua por meio de uma
pessoa, Jesus Cristo, que se torna plenamente humano e fala de maneira
inteligível para a mente, não anulando a mente, que através de sua morte e
ressurreição, objetivamente prevalece contra um Satanás real, contra uma
culpa real diante de Deus através de uma real mensagem do evangelho a
nosso favor, de uma vez por todas, na história, fundamentada em eventos
históricos, através de uma compreensão consciente dessa mensagem em
nossas mentes, através da fé em Cristo, pela habitação do Espírito Santo,
através das promessas que foram compreendidas e cridas, através da
alegre meditação sobre essas promessas objetivas, através da
transformação do Espírito Santo, através de palavras objetivas que são
inteligíveis enquanto meditamos e progressivamente nos tornamos
semelhantes a Cristo ao contemplarmos a glória dele na Palavra e no
evangelho, através de obras práticas que nos levam a ajudar outras pessoas
e através de uma vida de transformação para a piedade e para a vida eterna
em que Deus é a nossa alegria para sempre.

Isto é o Cristianismo. É totalmente diferente do tipo de cosmovisão que


está por trás das práticas meditativas – físicas, emocionais e intelectuais –
que fazem parte do Yoga e do Tai Chi.

Considere a visão cristã sobre a saúde e sobre o corpo. Se você perguntar,


“O que isso tem a ver com o corpo?

O que isso tem a ver com os exercícios e com coisas que fazemos com o
corpo?”, eu responderia que a visão cristã sobre a saúde do corpo é uma
visão disciplinada e realista que tem as seguintes características:

1. Nós somos seres caídos e estamos sob uma maldição, uma maldição
física, intelectual e emocional sobre toda a criação e, por isso, todos
morreremos.
2. Nós ressuscitaremos dos mortos se tivermos fé em Jesus e essa é a
saúde que, em última análise, almejamos ter. Nós teremos um corpo, uma
alma e uma mente perfeitamente saudáveis nos Novos Céus e Nova Terra,
depois da ressurreição, e essa é a nossa glória, essa é a nossa esperança.
3. Enquanto isso, nossa natureza exterior está “se definhando”, mas a nossa
natureza interior “se renova de dia em dia” (2 Co 4.16).
4. “O exercício corporal para pouco aproveita”, como diz Paulo, “mas” o
exercício espiritual “para tudo é proveitoso” (1 Tm 4.8), da maneira que eu
descrevi há um minuto.
5. Nós não devemos desnecessariamente causar danos aos nossos corpos,
que são o templo do Espírito Santo, e nós devemos buscar utilizar os
nossos corpos da melhor forma possível nos objetivos que Deus nos deu.
Então, a saúde física é maravilhosa, mas não é o objetivo. É um meio de
alcançar objetivos muito maiores, mas também não é o mais importante,
pois há outros meios que são mais importantes do que ter um corpo super
em forma.
6. É possível que alcancemos os nossos maiores objetivos através da morte,
arriscando as nossas vidas e contraindo ebola, malária ou cegueira dos rios
em alguma atividade missionária. Nós não buscamos o bem-estar físico
como a coisa mais importante. É um objetivo útil, mas é secundário, pois é
um meio de alcançar algo maior e há situações em que precisamos
intencionalmente arriscar as nossas vidas por amor de outra pessoa.
7. E a última coisa seria que qualquer atividade física que começa a
substituir a busca por santidade e o serviço sacrificial, no qual às vezes é
necessário dar a própria vida, provavelmente está começando a ser tratada
como uma religião. Parece-me que o Yoga e o Tai Chi já se identificaram
assim através do próprio nome. Eles já levantaram a bandeira. Eles
levantaram a bandeira da cosmovisão oriental através dos próprios nome,
“Yoga” e “Tai Chi”.
Então, na minha opinião, ao me esforçar para maximizar em vez de
minimizar a minha busca pelos objetivos de Deus e pela prosperidade da
minha própria alma, eu seguiria por outro caminho e buscaria outro tipo de
exercício.

Ninguém vai tirar sua alegria de você


Por que Jesus tinha que deixar a Terra

À medida que sua morte se aproximava, Jesus tornou-se cada vez mais
focado em firmar a alegria de seus discípulos diante da iminente crise. Ele
lida, em João 16:4–24, com duas ameaças principais à alegria deles.
Primeiro, ele está deixando-os e indo para o Pai. Segundo, ele vai morrer
em breve. Ambos parecem ter potencial para minar a alegria duradoura.

Ao responder à perplexidade deles, Jesus fala de uma maneira que se


estende através dos séculos para firmar nossa própria alegria vacilante. Isto
não é incidental. É o que ele pretendia fazer: “Tenho-vos dito estas coisas
para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo” (João
15.11).

Sua tristeza será breve


Primeiro, ele os está deixando. Essa não é uma boa notícia para seus
ouvidos. “. . .  agora, vou para junto daquele que me enviou, . . . porque vos
tenho dito estas coisas, a tristeza encheu o vosso coração”. (Jo 16.5–6).
Essa tristeza é devido ao amor e à ignorância. Amor, porque a alegria deles
está nele. Para a ignorância, porque eles não têm ideia de como sua
ausência física poderia ser a sua vantagem.

Então, Jesus procura solidificar a alegria deles na sua ausência, não


diminuindo o amor, mas removendo a ignorância. Ele diz: “Mas eu vos digo
a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não
virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei” (João 16.7). Entre
as muitas razões pelas quais isso é vantajoso, a principal é que o Espírito
tornará a glória de Jesus mais real. Sim, mais real do que se ele estivesse lá
na carne: “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda
a verdade; . . . Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-
lo há de anunciar. Tudo quanto o Pai tem é meu;” (João 16.13–15).

Isso é de tirar o fôlego. Conseguimos ver o que isso significa para os


discípulos e para nós? Quantos cristãos hoje dizem: “Se eu pudesse estar lá
e o ver face a face!” Ou: “Se eu pudesse ter uma visão de Jesus como ele
realmente era na história – algo tangível”!

Tais anseios revelam uma grave ignorância em relação às vantagens que


temos, justamente porque Jesus morreu, ressuscitou e não está aqui na
forma corporal, mas presente por seu Espírito. O Ajudador, o Espírito da
verdade, que o Pai envia é o Espírito do Cristo ressuscitado. “Não vos
deixarei órfãos, voltarei para vós outros” (João 14.18). Quando o Espírito
vem, Jesus vem. E essa presença, ele diz, é melhor do que a presença
corporal de seus dias terrestres.

Ter o Espírito de Cristo trabalhando em nós, glorificando o Cristo


ressuscitado e tornando real para nós tudo o que o Pai é para nós nele e
em seu triunfo sobre a morte – isso é uma maravilha infinitamente superior
ao que os discípulos conheceram em sua vida. Não há glória maior do que a
glória de Deus na face de Cristo ressuscitado (2 Coríntios 4.6). Quanto mais
cheios somos do Espírito Santo, mais claramente vemos e desfrutamos essa
glória.

Essa é a primeira maneira pela qual Jesus procurou firmar a alegria deles
nessas últimas horas sombrias antes de sua morte. Embora essa seja uma
saída a longo prazo, ele estará com eles de uma maneira melhor do que se
sua estada terrestre fosse prolongada indefinidamente.

Real tristeza por um tempo


A segunda maneira pela qual Jesus firma a alegria deles é igualmente
notável. Seus discípulos sabiam que o tinha ouvido corretamente quando
ele disse: “. . .  porque vou para o Pai, e não me vereis mais”; (João 16.10).
Eles entenderam essa “partida” por muito tempo, provavelmente pela vida
inteira.

Mas de repente Jesus diz estas palavras inesperadas: “Um pouco, e não
mais me vereis; outra vez um pouco, e ver-me-eis”. (João 16.16). Agora eles
estão confusos. Ele havia dito: “Eu vou ao Pai.” Ele havia dito que em seu
lugar enviaria o Espírito da verdade. Ele não havia falado de uma mudança
rápida. Então eles começaram a questionar: ” Que vem a ser esse — um
pouco? Não compreendemos o que quer dizer”. (João 16.18).

Toda vez que Jesus tentara explicar aos discípulos que seu caminho para o
Pai era através de horrível crucificação, eles ficavam resistentes ou
confusos. “Eles, contudo, não compreendiam isso e temiam interrogá-lo”.
(Marcos 9.32). Mas isso é o que ele abordaria em seguida. Eles ainda não
compreendem quão grande será a ameaça à sua alegria nos próximos três
dias. Se a alegria deles precisa ser estável e duradoura, ele deve prepará-los
para isso.

Ele faz isso advertindo que a tristeza está a caminho. Ele não tenta firmar a
alegria deles, dizendo que a vida deles será sem tristeza. Pelo contrário, a
tristeza será intensa. E está chegando muito em breve – em apenas “um
pouco”. Então ele diz: “Um pouco, e não mais me vereis”. Essa é a fonte da
tristeza deles. O que ele não diz diretamente é: “Vocês não me verão mais,
porque eu vou morrer”, mas é isso que ele quer dizer. Ele diz essas palavras
indiretamente, “Estas coisas vos tenho dito por meio de figuras” (João
16.25).

A maneira como ele faz o realismo da tristeza deles servir à estabilidade de


sua alegria é, primeiro, dizendo que a tristeza será curta (“. . . outra vez um
pouco, e ver-me-eis”), e depois contrastando sua tristeza com três coisas:
(1) a alegria do mundo, (2) a própria alegria futura e (3) a alegria de uma
mãe após o parto.

1. Tristeza real comparada à alegria imortal


“Em verdade, em verdade eu vos digo que chorareis e vos lamentareis, e o
mundo se alegrará” (João 16.20).

Por que Jesus diz isso nas horas finais de suas tristezas? Porque as coisas
difíceis são menos propensas a abalar o seu mundo se você souber que elas
estão chegando. Essa é a maneira de Jesus dizer: O mundo vai esfregar sal
na ferida de sua tristeza com a minha morte. Em meio aos seus soluços,
vocês ouvirão as vozes zombadoras: “Salvou os outros; a si mesmo se salve,
se é, de fato, o Cristo de Deus, o escolhido”! (Lucas 23.35)

Os discípulos precisavam saber disso. Fazia parte do desígnio de Deus para


a libertação deles. O esquema de zombaria de Herodes em relação a Jesus
era parte do plano eterno (Atos 4.27–28). Esse regozijo do mundo com a
morte de Jesus não o pegou de surpresa. Ele sabia que as misérias de sua
morte seriam agravadas pelo ridículo impiedoso. “O mundo se alegrará”.

Os discípulos precisavam saber disso. Saber disso não os tornava menos


suscetíveis à tristeza. Mas isso os tornaria menos vulneráveis durante a
tristeza. Agora eles sabiam que mesmo a alegria zombeteira dos assassinos
fazia parte do plano de Deus. E Jesus está lhes dizendo: Embora seja
inevitável, será breve.

2. Sua própria alegria futura


“vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria”. (João
16.20)

Essa é a interpretação de Jesus das palavras que eles acharam tão


desconcertantes: “Um pouco, e não mais me vereis; outra vez um pouco, e
ver-me-eis” (João 16.16). Em algumas horas, ele morreria e seria enterrado.
Eles não o veriam mais e ficariam tristes. Intensamente tristes. Então, em
três dias, eles o veriam novamente. “outra vez um pouco, e ver-me-eis”. E
“a vossa tristeza se converterá em alegria” (João 16.20).

Do outro lado da minha morte, ele diz, está minha ressurreição. Do outro
lado da vossa tristeza está a vossa alegria. Quando vocês virem os horrores
amanhã de manhã, não se esqueça que eu já lhes disse isso. Deixem seu
amor por mim partir seu coração com tristezas. Mas não deixem sua
ignorância quebrar sua esperança.

A alegria do mundo será subitamente alterada. O que fez o mundo feliz e


vocês tristes não existirá mais. Eu estarei vivo, eles terão falhado. São
vocês, não eles, quem se regozijará agora. Sua tristeza deve vir, assim como
minha morte deve vir. Mas vocês não ficarão mais triste do que eu ficarei
na tumba.

3. Uma mãe após o parto


Quando uma mulher está dando à luz, ela fica triste porque chegou a hora,
mas quando ela dá à luz o bebê, ela não se lembra mais da angústia, pela
alegria de um ser humano ter nascido no mundo. (João 16.21)

Há mais coisas acontecendo nessa figura do discurso do que o fato óbvio


de que a alegria do nascimento segue as dores do parto. Isso é verdadeiro e
significativo. Primeiro a dor, depois a alegria. Isso será verdade para Jesus e
os discípulos nos próximos três dias.
Mas dores de parto não precedem apenas uma criança; elas produzem um
filho. Não é como se houvesse dores de parto e, no horário previsto, uma
cegonha voasse pela janela com um bebê. O bebê não apenas chegará após
as dores do parto. O bebê vem por meio das dores do parto.

O mesmo acontece com essa nova alegria do outro lado da morte de Jesus.
As dores de parto da mãe nessa figura de linguagem referem-se não apenas
ao desaparecimento de Jesus (“não me vereis”), mas também às angústias
de Jesus. Não apenas pela despedida, mas pela dor. Portanto, a alegria do
outro lado não está apenas por trás dessa dor; está vindo por meio dela. A
dor de Jesus na cruz não apenas precedeu a nova alegria; mas a produziu.

Jesus enfatiza isso pelas palavras que usa no versículo 20. Ele diz: “vossa
tristeza se converterá em alegria”. Ele não diz que sua tristeza “será
substituída pela alegria”, mas literalmente “se converterá em alegria”. Henry
Alford coloca assim: “Não apenas transformada em alegria, mas
transformado de modo a se converter de tal forma  que a própria questão
da tristeza se torne matéria de alegria; como a cruz de vergonha de Cristo
se tornou a glória do cristão, Gálatas 6.14 ”( Greek New Testament, vol. 1,
870).

De onde estamos, deste lado da cruz e da ressurreição, a forma como as


agonias da cruz realmente se tornam nossa alegria é mais clara. Os
sofrimentos de Cristo removem o nosso pecado e a ira de Deus e nos
levam a Deus e à alegria. “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos
pecados, . . . para conduzir-vos a Deus” (1 Pedro 3.18), e “na sua presença
há plenitude de alegria” (Salmo 16:11). “por intermédio de quem [pelo seu
sofrimento] obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual
estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus” (Romanos
5. 2).

Então, quando Jesus diz que após o nascimento de um filho, a mãe “já não
se lembra da aflição, pelo prazer que tem de ter nascido ao mundo um
homem”, ele quer dizer que as dores do parto foram transformadas de uma
lembrança da angústia em algo que trouxe alegria. O mesmo acontece com
as tristezas de Jesus e seus efeitos sobre os discípulos. Jesus queria que
eles soubessem disso com antecedência para firmar sua alegria: Toda essa
tristeza “se converterá em alegria” (João 16.20).

Há mais uma coisa impressionante que Jesus diz, sobre a alegria deles, que
deve torná-los estáveis o suficiente para resistir à tempestade que se
aproxima na Sexta-feira Santa. A criança nascida para aquela mulher na
“figura da linguagem” representa Jesus após a ressurreição. E Jesus, depois
da ressurreição, não poderia morrer jamais. “havendo Cristo ressuscitado
dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele”
(Romanos 6. 9). Quando as dores do parto da morte geram vida, essa vida é
imortal.

Isso significa que a alegria que Jesus promete é alegria imortal. “outra vez
vos verei; o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá
tirar” (João 16.22). Essa alegria indestrutível se deve a “outra vez vos verei”.
Eu ressuscitarei dos mortos. Eu estarei vivo e com vocês, pelo meu Espírito,
para sempre. Sua alegria não pode ser tirada de você porque eu não serei
tirado de vocês. Eu sou a vossa alegria (João 15.11; 17.13). Não vos
deixarei órfãos, voltarei para vós outros” (João 14.18).

Ninguém pode tirar essa alegria


Muitas vezes não atentamos ao fato de que era melhor para nós Jesus nos
deixar e ir ao Pai. “convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o
Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei”
(João 16.7).

Certamente, o Espírito Santo – o Ajudador – estava ativo no mundo antes


de Jesus ir ao Pai. Mas há uma coisa que ele nunca havia feito antes da
ressurreição de Jesus: ele nunca havia glorificado o Senhor ressurreto do
universo! Agora essa é sua principal obra no mundo. “Ele me glorificará”
(João 16.14). Ele faz isso diariamente, e ele o faz soberanamente, em todos
os filhos de Deus. Sempre que vemos a glória de Cristo, aqui está o porquê:
“somos transformados, . . . como pelo Senhor, o Espírito” (2 Coríntios 3.18).
Sem isso, todos nós naufragaríamos nossa própria fé.

Por meio dessa obra exaltadora de Cristo, o Espírito cumpre a promessa de


Jesus de que ninguém tirará nossa alegria de nós (João 16.22). Pense nisso!
Os céticos e zombadores não podem se alegrar. O médico com o relatório
da biópsia não pode se alegrar. Seu cônjuge adúltero não pode se alegrar.
Seus filhos perdidos não podem se alegrar. O clima político, o terror global,
os tiroteios nas escolas, a injustiça racial, o desastre financeiro, o
desemprego, as controvérsias teológicas, os sonhos não realizados e as
memórias de seu próprio fracasso – não podem tirar sua alegria. Ninguém
pode.

“outra vez vos verei; o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém
poderá tirar” (João 16.22). Significado: Eu vou ressuscitar dos mortos. Vou
comprovar isso olhando vocês face a face. Então irei ao Pai. E derramarei
meu Espírito sobre você. E até que eu volte, meu Espírito tornará minha
glória tão real para vocês que ninguém poderá tirar a alegria de vocês.

Não somente alegria


Jesus não promete apenas alegria. “No mundo, passais por aflições; mas
tende bom ânimo; eu venci o mundo (João 16.33). Tenham bom ânimo, de
fato! Mas como não podemos, Ele não apenas venceu o mundo – e o
inferno, o diabo e a morte – mas também permanece conosco e em nós
como um poderoso guerreiro contra todos os nossos inimigos. “Filhinhos,
vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é
aquele que está em vós do que aquele que está no mundo” (1 João 4.4).

Então, sim, haverá tribulação. Dores das mais variadas formas neste mundo
caído com quem não podemos contar. Mas o mundo que nos torna tão
tristes não terá a última palavra. Portanto, a palavra de ordem do cristão
neste mundo é, “entristecidos, mas sempre alegres” (2 Coríntios 6.10).
Através de todo sofrimento, estamos sendo mantidos pelo poder do
Ajudador. Portanto, “Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo,
se necessário, sejais contristados por várias provações” (1 Pedro 1.6).

Você pode se sentir tentado a gritar: “Oh, se eu pudesse voltar e vê-lo


como ele era em carne e osso”! Mas lembre-se, você vê mais dele agora,
pelo Espírito, em sua palavra, do que os discípulos durante sua vida terrena.
E você o verá novamente. Mas não do jeito que ele era. O seu rosto
brilhará “como o sol na sua força”. (Apocalipse 1.16). Anime-se com as
palavras de Pedro: “a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo
agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória (1 Pedro
1.8–9). Essa é a alegria que não pode ser tirada de você.

Biquinis e modéstia

O verão chegou e as perguntas sobre modéstia ressurgem. Então, pastor John,


você pode falar sobre a questão da modéstia em relação às roupas de praia,
especialmente os biquínis? E fale também para os pastores e líderes. Eles devem
separar algum tempo para lidar diretamente com a questão da modéstia? Se
esse for o caso, quais conselhos você daria para esses corajosos pastores sobre
a melhor maneira de passar por esse campo minado?
A questão mais importante é a seguinte: É impossível chegar em uma igreja,
em um ministério de jovens ou em uma escola – uma escola cristã – que
está impregnada de imodéstia e querer resolver o problema com regras
sobre modéstia. Há um lugar para as regras e diretrizes na família, nas
escolas, nos ministérios de jovens, nas igrejas, mas se você tentar reverter a
situação a partir das regras e das diretrizes, você não vai conseguir
promover uma cultura de modéstia que exalta a Cristo, que tem raízes no
evangelho, que tem o poder do Espírito, que é sustentada pela fé, que é
fundamentada na Bíblia, que é livre e cheia de alegria. Você não vai
conseguir. Contudo, esse é o objetivo.

Então, minha abordagem nunca foi começar com as regras e diretrizes, mas
começar com Deus, com o evangelho, com a Bíblia, com o Espírito, com a
fé e com a alegria. Coisas profundas precisam acontecer na alma de uma
mulher e de um homem para que eles sejam capazes de ter pensamentos e
sentimentos sobre essas coisas de uma maneira que honra a Deus.

Até que Deus seja o seu tesouro… Então, eu vou simplesmente dizer o
seguinte para qualquer mulher ou homem que se veste de maneira
inapropriada. Até que Deus seja o seu tesouro, até que seu próprio pecado
seja a coisa que você mais odeia, até que a Palavra de Deus seja a sua
autoridade suprema, que você sente que é mais preciosa do que o ouro,
mais doce do que o mel, até que o evangelho da morte de Cristo em seu
lugar seja a mais preciosa notícia do mundo para você, até que você
aprenda a negar a si mesmo, os prazeres temporários, em prol da alegria e
da santidade duradoura, até que você tenha aprendido a amar o Espírito
Santo e a desejar os frutos dele mais do que os louvores dos homens, até
que você passe a considerar tudo como perda, por causa da sublimidade do
conhecimento de Cristo Jesus, sua atitude em relação à sua roupa e sua
aparência será controlada por forças que não honram a Cristo.

Então, todo pastor pode dizer: “Temos trabalho a fazer”. Refiro-me a um


profundo trabalho na alma. Para um pastor, isso significa que 99% dos seus
esforços será para estabelecer, no coração, essas gloriosas obras
sobrenaturais de Deus. Ele vai pregar, ensinar, adorar e ele e sua família
servirão de exemplos de como o evangelho muda tudo. E ele vai perceber
que, sem a obra do Espírito Santo, através da Palavra e da fé, sua Igreja
será divida em dois grupos de pessoas carnais. Haverá um grupo que vai
ficar furioso sempre que você mencionar sobre modéstia e vai dizer: “Como
você ousa dizer como eu e os meus filhos devemos nos vestir?” Essa é uma
péssima atitude e é uma atitude carnal, mas o outro grupo vai colocar toda
a ênfase na aparência externa com pouco entendimento do coração, que é
o mais importante, e esses dois grupos nunca farão as pazes. Os dois
grupos falharam. Eles não experimentaram a profunda transformação do
evangelho.
Então, meu conselho é que você ensine o seu povo essas coisas. Ano após
ano, exponha o orgulho da libertinagem e da teimosia e exponha o orgulho
do externalismo e do formalismo, que não tem coração e não vê o
evangelho como precioso. Pregue e ore por uma cultura evangélica onde
homens e mulheres tenham uma doce submissão a Cristo, uma satisfação
com a Palavra de Deus, uma humilde disposição de ouvir a sabedoria de
outras pessoas, um desejo de crescer e aprender, uma profunda
desconfiança do poder do mundanismo para controlar os nossos hábitos e
uma amorosa consideração pelas pessoas quando escolhemos o que nós
vestimos.

No momento certo… agora eu estou tentando entrar nos detalhes, no


momento certo, sim, você precisa citar textos como 1 Timóteo 2.8: “Quero,
portanto, que os varões orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem
ira e sem animosidade. Da mesma sorte, que as mulheres, em traje decente,
se ataviem com modéstia e bom senso.” Você precisa trabalhar esses
textos até que todos sintam que a Bíblia realmente se importa com a
maneira que nos vestimos e realmente quer que nos vistamos de uma
maneira que está fundamentada na fé do evangelho, que é humilde, alegre,
exalta a Cristo e serve ao outro. Para finalizar, vou dar três dicas práticas
com base na minha experiência:

Dica nº 1. Quando se trata de diretrizes que se originam no evangelho,


comece com a sua equipe e com os líderes do ministério. Não comece com
todo mundo. Comece a trabalhar de dentro para fora para que se
desenvolva uma cultura em que sua a equipe, os líderes do louvor e os
líderes dos jovens servem de modelo. Trabalhe com seus líderes.
Dica nº 2. Lide com os pais discretamente e trabalhe em prol de objetivos
em comum para os jovens, o que não é fácil, mas é uma prioridade sábia.
Em vez de simplesmente atacar as coisas da maneira mais dolorida – a
maneira que as moças e os rapazes se vestem – vamos envolver os pais.
Dica nº 3. Cultive o alegre sentimento de que a modéstia é bela. Renuncie
qualquer mentalidade que modéstia significa antiquado. Com base na
minha própria experiência… Agora eu vou só dar o meu testemunho como
um homem que já foi adolescente, que já teve 20, 30, 40, 50 e 60 anos de
idade. Eu posso testificar, sem qualquer sombra de dúvida, que em cada
idade da minha vida, da minha vida masculina: as roupas sensuais na mulher
são menos atraentes do que a beleza modesta. É claro que é algo que
chama atenção, que fazem os olhos vivarem. Mas há uma grande diferença
entre chamar a atenção dos homens com roupas sensuais e ser atraente
por ser uma pessoa bela e elegante.
Coragem cristã

Coragem cristã é a vontade de dizer e fazer a coisa certa sem se importar


com o custo terreno, porque Deus promete lhe ajudar e salvá-lo na conta
de Cristo. Um ato demanda coragem se a probabilidade de ser doloroso for
alta. A dor pode ser física, como em guerras e operações de resgate. Ou a
dor pode ser mental, como em confrontos e controvérsias.

Coragem é indispensável por espalhar e por preservar a verdade de Cristo.


Jesus prometeu que a difusão do evangelho encontraria resistência: “Então,
sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por
causa do meu nome.” (Mateus 24:9). E Paulo avisou que, mesmo na igreja, a
fé à verdade passaria por apuros: “Eu sei que, depois da minha partida,
entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que,
dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para
arrastar os discípulos atrás deles.” (Atos 20:29-30; veja também 2 Timóteo
4:3-4).

Portanto, o verdadeiro evangelismo e o verdadeiro ensino vão demandar


coragem. Fugir da resistência no evangelismo ou no ensino desonra Cristo.
Há um tipo de covardia que fala apenas as verdades que são seguras para
serem faladas. Martinho Lutero coloca a questão da seguinte forma:

Se eu professo com a voz mais alta e exponho da forma mais clara cada


porção da verdade de Deus exceto precisamente aquele pequeno ponto
que o mundo e o diabo estão naquele momento atacando, eu não estou
confessando a Cristo, embora eu esteja professando ousadamente a
Cristo. Onde a batalha aperta é que a lealdade do soldado é provada, e
ser constante em todos os campos de batalha além desse é inútil se o
soldado vacila neste ponto. (Citado em Parker T. Williamson,
Standing Firm: Reclaiming Christian Faith in Times of Controversy
[Springfield, PA: PLC Publications, 1996], P. 5)
De onde, então, devemos tirar essa coragem? Considere as sugestões
abaixo.
DE SERMOS PERDOADOS E SERMOS JUSTOS – “E eis que lhe trouxeram
um paralítico deitado num leito. Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico:
Tem bom ânimo, filho; estão perdoados os teus pecados.” (Mateus 9.2).
DE CONFIARMOS EM DEUS E ESPERARMOS NELE – “Sede fortes, e
revigore-se o vosso coração, vós todos que esperais no SENHOR.” (Salmos
31.24; veja também 2 Coríntios 3.12).

DE SERMOS CHEIOS DO ESPÍRITO – “Tendo eles orado, tremeu o lugar


onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com
intrepidez, anunciavam a palavra de Deus.” (Atos 4.31).

DA PROMESSA DE DEUS ESTAR COM VOCÊ – “Não to mandei eu? Sê


forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o SENHOR, teu
Deus, é contigo por onde quer que andares.” (Josué 1.9).

DE SABER QUE AQUELE QUE ESTÁ COM VOCÊ É MAIOR QUE O


ADVERSÁRIO – “Sede fortes e corajosos, não temais, nem vos assusteis
por causa do rei da Assíria, nem por causa de toda a multidão que está com
ele; porque um há conosco maior do que o que está com ele.” (2 Crônicas
32.7).

DE TER CERTEZA QUE DEUS É SOBERANO SOBRE AS BATALHAS – “Sê


forte, pois; pelejemos varonilmente pelo nosso povo e pelas cidades de
nosso Deus; e faça o SENHOR o que bem lhe parecer.” (2 Samuel 10.12).

POR MEIO DA ORAÇÃO – “No dia em que eu clamei, tu me acudiste e


alentaste a força de minha alma.” (Salmos 138:3; veja também Efésios 6.19-
20).

DO EXEMPLO DOS OUTROS – “e a maioria dos irmãos, estimulados no


Senhor por minhas algemas, ousam falar com mais desassombro a palavra
de Deus.” (Filipenses 1.14)

Ansiando por ser firme com vocês,

Pastor John

Resoluções não são suficientes


Hábitos da Graça para um Ano Novo

As resoluções de ano novo podem ser um primeiro passo importante, mas


estão muito longe das mudanças reais e duradouras.

O despertar de um novo ano traz consigo a possibilidade de um novo


começo, ou pelo menos a renovação de um lembrete para virar a página de
algumas (ou muitas) maneiras pelas quais gostaríamos de crescer e
amadurecer nesse novo temos de nossas vidas. Mas todos nós já tentamos
isso várias vezes e sabemos o quão inúteis são as resoluções, se não forem
acompanhadas por algumas coisas mais?

Seja comer e se exercitar, seja para ler a Bíblia e orar , o mecanismo criado
por Deus que chamamos de “hábito” é vital para enxergarmos nossas
sinceras resoluções através de realidades agradáveis. Se realmente
estivermos decididos a ver nossas esperanças se tornarem, em 2020,
hábitos enriquecedores da vida, faremos bem em manter algumas verdades
básicas em mente no início do novo ano.

1. Concentre-se em poucos, não muitos


Melhor do que grandes emoções, as resoluções particulares sobre as
muitas coisas que você deseja “consertar” em sua vida estão sintonizadas
com apenas uma ou duas resoluções realistas e realmente importantes,
com um plano concreto e uma responsabilidade específica. A empolgação
de um novo ano e a facilidade com que podemos desejar mudar,
geralmente nos levam a abocanhar muito mais do que podemos mastigar
em um novo ano.

É muito melhor manter o foco em apenas alguns novos hábitos – melhor


ainda, em apenas um. E se você quiser reduzi-lo a apenas um (ou talvez
dois ou três), é melhor fazer valer a pena. Identifique algo importante que
dará um foco particular à formação de novos hábitos, mesmo que essa
resolução traga benefícios em outras áreas da sua vida. Os “hábitos da
graça” para fortalecer as almas são precisamente isso. Aprofundar-se na
palavra de Deus, na oração ou na igreja local, produzirá uma colheita
inestimável.

Considere um foco específico para o novo ano, ou apenas para os três


primeiros meses de 2020, ou mesmo apenas para janeiro. Um ano é um
longo período de tempo em termos de formação de hábitos; normalmente,
faríamos muito melhor em resolver uma situação de cada vez e fazê-lo a
cada poucos meses, do que tentar muitas coisas por um período de até
doze meses.

2. Torne as cosias mais específicas


A leitura da Bíblia, a oração e a comunhão cristã provavelmente sejam
muito amplas em si mesmas. Dê a elas um foco mais específico, como ler a
Bíblia inteira este ano, ou não apenas ler, mas diariamente meditar sobre
uma pequena passagem ou verso, ou mesmo apenas uma palavra ou frase
(no contexto). Não mantenha um foco geral na “oração”, mas torne-a mais
particular: oração particular todas as manhãs ou oração com seu cônjuge
ou com a família antes de dormir, pontilhando seu dia com “oração
constante” ou alguma nova iniciativa de oração como um grupo
comunitário ou igreja.

Talvez, com o fim do ano se aproximando do fim, você esteja percebendo o


quão irregular o seu compromisso com a igreja tem sido e como seus
relacionamentos são fracos. Você pode decidir aprofundar seu
compromisso de não negligenciar sua reunião “como é o ‘hábito’ de alguns”
(Hb 10.25), seja tornando a manhã de domingo menos negociável ou
priorizando seu investimento na vida juntos, em grupos de comunhão no
meio da semana. Resolva que em 2020 não deixará desculpas tolas de
última hora impedi-lo de se reunir fielmente com o corpo de Cristo, que
você será um meio inestimável e de longo prazo da graça de Deus para
você e através de você, para os outros.

3. Crie um plano realista


Por mais séria que seja a sua resolução, você precisa de uma quantidade
correspondente de planejamento realista. Sejamos honestos, você
realmente não quer enriquecer sua vida de oração se não estiver disposto a
pensar por alguns minutos sobre onde, quando e como orará em 2020.
Mapeie de forma clara e concreta o que seria necessário para cultivar, por
um mês inteiro, o hábito. Pense a longo prazo e verifique se é realista.

Parte de ser realista é aceitar uma certa modéstia em relação aos seus
objetivos. Não tente passar de devoções esporádicas para uma hora todas
as manhãs. Comece com um foco de quinze minutos por dia, talvez até dez,
mas torne-o genuinamente inegociável e veja o que Deus faz. Aumente sua
duração e profundidade, à medida que o absorver das escrituras se tornar
um elemento importante em sua programação e você aprender a acordar
todos os dias com mais fome da Bíblia do que do café da manhã.

4. Encontre a recompensa
Os atletas corredores lhe dirão que ter o coração saudável na velhice não é
sua motivação principal. É um benefício adicional agradável, é claro, mas
não é essa recompensa indescritível e muito distante que os tira da cama
de manhã e os faz calçar seus tênis de maratona. Em vez disso, o que
motiva a maioria dos corredores de longas corridas é se sentir ótimo hoje,
seja pela endorfina, pelo sentimento de realização ou lucidez, ou todos os
itens acima.

Tentar usar a mesma motivação de longo prazo todas as manhãs para sair
da cama e ouvir a voz de Deus nas Escrituras logo nos esgotará. E Deus
não sugere que devamos ser motivados apenas por recompensas distantes
e futuras, por mais importantes que sejam. Deus nos dá motivações
abundantes para hoje. Suas misericórdias se renovam todas as manhãs (Lm
3. 22-23). Ele quer que provemos e vejamos sua bondade agora mesmo (Sl
34.8). Ele pode satisfazer significativamente nossas almas inquietas por
uma ação real e transformadora de vidas agora.

Ao longo dos anos, encontrei a recompensa mais transformadora em


cultivar hábitos de graça, não me tornando mais forte e mais santo como
cristão a longo prazo, mas conhecendo e desfrutando de Jesus hoje. Tendo
minha alma satisfeita com ele hoje. Fazendo meu coração se alegrar com
ele nessa manhã.

O objetivo da disciplina espiritual diária não é, antes de tudo, ser santo ou


obter crescimento, mas conhecer e desfrutar de Jesus e ter nossas almas
satisfeitas, imperfeitamente mas poderosamente, nele. A alegria última, de
qualquer hábito, prática ou ritmo de vida verdadeiramente cristão é, nas
palavras do apóstolo, “por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo
Jesus, meu Senhor”; (Fp 3.8). “Esta é a vida eterna” – e esse é o objetivo
dos meios da graça – “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único
Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”. (Jo 17.3). Faça de
Oséias 6.3 uma bandeira das suas resoluções espirituais para 2020:
“Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR”.

5. Preste contas regularmente


Uma das falhas de tantas resoluções é que elas permanecem privadas.
Quando as compartilhamos, assumimos uma responsabilidade real de
prestar contas. Nós somos pecadores. Nossas cabeças nem sempre estão
presas ao pescoço. Precisamos que outras pessoas perguntem sobre nossas
vidas e nos cobrem a respeito de quem dissemos que queremos ser e pelo
que dissemos que queremos fazer.

Talvez conversar com alguém sobre alguns desses princípios de formar


bons hábitos e considerar um lembrete mensal do calendário para
conversarem a respeito. É um grande meio da graça de Deus que ele não
nos deixe em paz na formação de hábitos espirituais.
6. Cubra seus esforços com oração
No final do dia, e no final de todos os outros, o Espírito Santo, e não nossos
hábitos, é decisivo para produzir qualquer fruto espiritual duradouro.
Cultivar hábitos sábios não é nossa tentativa de trabalhar pela aceitação de
Deus, mas de desenvolver a nossa salvação (Fp 2.12–13).

Trocando uma resolução radical por 10.000 pequenas


decisões

Já contei várias vezes a história do dia em que estava conversando


impacientemente com a minha esposa em uma manhã de Domingo, quando
meu filho de 9 anos se manifestou:

“Papai, é assim que um homem cristão deveria estar falando com a sua
esposa?”

Sarcasticamente, rebati:

“O que você pensa?”

Ele respondeu:

“Não faz diferença o que eu penso. O que Deus pensaria?”

Fui para o meu quarto, e dois pensamentos surgiram imediatamente.


Primeiro, meu orgulho foi ferido. Eu quero ser um herói para o meu filho, e
estava envergonhado por ter afetado ele dessa forma com minha atitude e
minhas palavras. Mas isso não durou muito. Logo em seguida, pensei “como
pode Deus me amar tanto a ponto de me dar uma dose simples de cuidado
em meio a esse pequeno e mundano momento no banheiro da família
Tripp?”.

Isso é amor em um nível tão magnífico que sou incapaz de capturá-lo em


palavras. Não passou de um momento em um cômodo, em uma casa de
uma família, em um bloco de uma rua, em uma vizinhança de uma cidade
em um estado, em um país de um continente, em um hemisfério de um
planeta no universo. Ainda assim, Deus estava presente nesse momento,
trabalhando na continuidade da transformação, momento a momento, do
meu coração.
Repensando o ritual anual
Por que estou contando essa história? Bem, chegou aquela época de novo.
É o assunto dos blogs, artigos de jornal, programas de TV e muitos posts no
Twitter. É a época dos ritos anuais de resoluções dramáticas de Ano Novo,
impulsionadas pela esperança de mudanças de vida pessoal imediatas e
significativas.

Mas a realidade é que poucos fumantes realmente deixaram de fumar por


causa de um momento singular de decisão, poucos obesos se tornaram
magros e saudáveis por conta de um momento dramático de compromisso,
poucas pessoas que estavam com muitas dívidas mudaram seu estilo de
vida financeiro porque decidiram assim ao verem o ano velho dar lugar ao
novo e poucos casamentos foram transformados através de uma única
resolução dramática.

Mudanças são importantes? Sim, de certa forma são. O compromisso é


essencial? É claro! Há formas em que nossas vidas são moldadas pelos
compromissos que fazemos. Mas o cristianismo bíblico, cujo centro é o
evangelho de Jesus Cristo, não deposita suas esperanças em grande
momentos dramáticos de mudança.

Vivendo no mais ordinário


O fato é que o poder transformador da graça é mais um processo ordinário
do que uma série de eventos dramáticos. Mudanças pessoais, de vida e de
coração, são sempre um processo. E onde esse processo acontece? Ele
ocorre onde eu e você vivemos diariamente. E onde nós vivemos? Bem,
cada um de nós tem um endereço. Nossas vidas não caminham de
momentos grandiosos em momentos grandiosos. Não, nós vivemos na mais
ordinária rotina.

Muitos de nós não figuraremos os livros de história. A maioria de nós terá


três ou quatro momentos de decisão em nossas vidas, e décadas após
nossa morte, as pessoas mal se recordarão de como foram nossas vidas. Eu
e você vivemos nos pequenos momentos, e se Deus não for o Senhor dos
nossos pequenos momentos e não trabalha para nos moldar em meio a
eles, então não há esperança para nós, pois é nesses momentos que nós
vivemos.

Os pequenos momentos da vida são profundamente importantes


precisamente porque são neles que vivemos e por eles que somos
formados. É aqui que eu penso que o “Cristianismo Dramático” nos deixa
em apuros. Ele pode nos levar a minimizar o significado dos pequenos
momentos da vida e a graça das pequenas mudanças que encontramos lá. E
porque minimizamos os pequenos momentos em que vivemos, tendemos a
ignorar o pecado que é exposto neles. E então falhamos em buscar a graça
que nos é oferecida.

10.000 pequenos momentos


Veja bem, a vida não é definida em dois ou três momentos dramáticos, mas
em 10.000 pequenos momentos. O caráter que foi formado nesses
pequenos momentos é o que molda a forma como você responde aos
grandes momentos da vida.

O que leva a mudanças pessoais significativas?

 10.000 momentos de reflexão pessoal e convicção


 10.000 momentos de submissão humilde
 10.000 momentos de tolice exposta e sabedoria adquirida
 10.000 momentos de pecados confessados e pecados abandonados
 10.000 momentos de fé corajosa
 10.000 momentos de escolha por obediência
 10.000 momentos de abandono do reino do ego e corrida em direção
ao reino de Deus
 10.000 momentos em que abandonamos a adoração à criação e nos
entregamos à adoração ao Criador.
E o que faz isso possível? A graça incansável, transformadora e ordinária.
Jesus é “Emanuel” não porque ele veio à Terra, mas porque ele fez de você
um lugar de habitação para si. Isso significa que ele está presente e ativo
em todos os momentos ordinários da sua vida diária.

A obra de resgate e transformação


E o que ele está fazendo? Nesses pequenos momentos, ele está cumprindo
todas as promessas de redenção que fez. Nesses momentos esquecíveis,
ele está trabalhando para te resgatar de si mesmo e transformá-lo à
semelhança dele. Pela graça soberana, ele te coloca nesses pequenos
momentos diários, criados para te levar além do seu caráter, sabedoria e
graça, para que você possa buscar ajuda e esperança que só podem ser
encontradas nele. Em um processo vitalício de mudança, ele está te
desconstruindo e reconstruindo novamente – e é exatamente disso que
todos nós precisamos!
Sim, eu e você precisamos nos comprometer com a mudança, mas não de
uma forma que anseia por grandiosos momentos de transformação, mas de
uma forma que encontra alegria no, e é fiel, ao processo diário, e passo a
passo, de reconhecer o pecado, confessá-lo, se arrepender, e crer no
perdão. E nesses pequenos momentos, nos comprometemos a lembrar das
palavras de Paulo em Romanos 8.32:

Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como
não nos dará juntamente com ele, e de graça, todas as coisas?
Assim, acordamos todos os dias comprometidos a viver nos pequenos
momentos das nossas vidas com nossos olhos abertos e nossos corações
humildes.

Sua identidade em Cristo significa guerra


Por que as mulheres precisam mais do que conforto

As mulheres cristãs são um grupo carente. Nós sofremos, lutamos, somos


quebradas, sobrecarregadas e desencorajadas. Como isso é tão comum
entre nós (e todas sabemos de alguma forma que não deveria ser), há muito
o que fazer para tentar incentivar, levantar, acompanhar e mostrar que
nossa fraqueza é o palco perfeito para a sua força.

Temos problemas reais e, no meio da tentativa de lidar com eles,


encontramos perguntas que não podemos responder. Quem é Você? Como
você sabe disso? Você se importa? Sua situação está sufocando você?
Essas são perguntas reais, problemas reais que muitas mulheres estão
enfrentando. E assim, nessas conversas sobre nossas necessidades
complexas e nossos problemas, frequentemente ouvimos sobre o grande
conforto cristão da identidade em Cristo.
Por que, então, com tanta conversa sobre a identidade cristã – sobre como
somos amadas e aceitas, sobre como pertencemos a Deus – as mulheres
que compartilham de nossa fé não parecem mais fortes? Nem menos
carentes? Ainda conjugamos as nossas lutas no tempo presente. Trocamos
fracassos como se fossem boas notícias e nos confortamos com ainda mais
fracassos. Queremos declarar umas às outras “o suficiente”. Tratamos a
identidade cristã como se fosse uma grande e aconchegante coberta sob a
qual toda a humanidade deveria estar se acomodando para uma longa
soneca.
Mas e se a nossa identidade em Cristo não for um cobertor?
Na guerra com os cobertores
E se, em vez de um lugar aconchegante para hibernar, nosso envolvimento
com Cristo for na realidade como uma baioneta de aço frio, destinada a um
propósito completamente diferente? Sua identidade em Cristo é uma arma
que matará o “velho homem” que vive dentro de você (Rm 8.13). Fomos
sepultadas na morte, pelo batismo, a fim de andarmos em novidade de vida
(Rm 6. 4).

Se não estamos equipadas por meio de Cristo para combater a natureza


pecaminosa em todos nós, não importa quão espesso ou aconchegante
seja o confortável cobertor. Por baixo, as mãos frias do pecado ainda estão
em volta de nossos pescoços. Essa luta não pode ser confortável. Não
podemos nos acalmar nos livrando de nossos problemas.
Nossos problemas precisam da morte de Cristo, e eles precisam da nossa
morte nele (Gl 2.20). Nós devemos crer no amor de Deus,
completamente. Nós devemos crer em Jesus, absolutamente. Mas a
primeira coisa que precisamos nessa crença é o arrependimento.
Arrependa-se e creia (Mc 1.15). Volte-se contra o seu antigo “eu” e creia
em Cristo (2Co 5.17). Como John Owen diz: “Mate o pecado, ou o pecado
matará você”.
O que nós desesperadamente precisamos não é do conforto em si, mas da
fonte real de conforto – “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus
Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação”! (2Co 1.3).
Precisamos de ferramentas eficazes para combater a própria carne. Eu
acredito que é exatamente isso que seja nossa identidade em Cristo. É a
esperança da vitória sobre o pecado, a confiança de que Cristo fez o que
não podemos fazer. É um irmão mais velho que nos salva. Esse é o ponto
mais difícil da morte para si mesmo e o conforto glorioso da vida nova e
santificada nele.

Inimigos do pecado interior


O pecado é o inimigo (Gn 4. 7). O pecado está em nós. Cristo é o vencedor.
Cristo está em nós. Quando você é fiel à sua identidade em Cristo, você
deve ser o inimigo do pecado em você. Você deve odiar aquelas mãos frias
no pescoço o suficiente para torná-las cativas à Cristo, o suficiente para
clamar ao seu Salvador na confiança de que ele as verá mortas. É por isso
que todas essas simples banalidades fizeram tão pouco para nos fazer
sentir melhor.
Jesus ama você, e é por isso que ele mataria aquela parte de você que ama
o pecado. Se queremos viver bem, precisamos aprender a morrer nele. Sua
identidade em Cristo é o que lhe dá coragem, capacidade e desejo de fazer
isso. Em Cristo, seu pecado não pode governar você. Em Cristo, você não
quer isso. Em Cristo, temos a força para combater isso. E em Cristo,
finalmente teremos a vitória.
Não há palavras para expressar quão profundo, real e libertador é esse
conforto e esse amor. Isso é descanso. Isso é alegria. Isso é vitória. Esta é a
vida real. Mas não é o conforto de pequenas mentiras sobre o quanto
somos bonitos ou o quanto merecemos felicidade; é o conforto de ver a
verdadeira natureza de nosso Salvador e seu amor por nós.

Não é pela nossa beleza, mas a dele, que devemos ser cativadas. Nele,
nossa carne é pregada na cruz. Nele, ela morre. Nele, podemos
verdadeiramente viver sem culpa e sem vergonha alguma. Saber quem
somos em Cristo nos prepara para suportar nossas cargas diárias e
administrar nossas provações de maneira a refletir a glória de nossa
salvação – de maneira a refletir nosso Cristo!

O Maior Conforto
Este é o momento da vitória. Mas não podemos esperar a vitória quando
temos grande medo de lutar. As mulheres cristãs não têm sido tão
necessitadas quanto temos sido covardes. Não devemos mais ter receio ou
medo da natureza de nossa identidade em Cristo. Nossa parte em Cristo é
realmente linda – como um claro nascer do sol em um novo dia cheio de
nova esperança e vida – mas é o mesmo sol que nasce em um dia de
execução.

Lá se vão nossos pecados, nossos grandes inimigos – egoísmo, luxúria,


preguiça, inveja. Lá se vai a nossa carne para morrer em Cristo. Esse é o dia
glorioso em que podemos viver, pertencendo totalmente a ele, forte em
nossa identidade e sob os Eternos Braços de Conforto de Cristo. Senhoras,
empunhem alegremente suas armas, pois vocês pertencem a Deus.

Quando eu (ainda) não desejo Deus


Lutando pela alegria depois de tentar de tudo
Faz quinze anos que escrevi Quando eu não desejo Deus: O que fazer quando
não nos alegramos nele. Eu o escrevi porque centenas de pessoas que
ouvem, com esperança, a mensagem sobre o hedonismo cristão, caem em
desânimo porque não têm, em Deus, a alegria que sabem que deveriam ter.
O hedonismo cristão diz que Deus é mais glorificado em nós quando
estamos mais satisfeitos nele. O que piora a situação se essa satisfação
estiver faltando. Por isso escrevi o livro.
Alguém me perguntou: O que eu diria agora, com a sabedoria acumulada
por setenta e dois anos, àqueles que ainda lutam para “deleitar-se no
Senhor”? (Salmo 37.4). Isso não é só teoria para mim. Não apenas
compartilho essa luta, mas também converso com pessoas reais lutando
com isso. Recentemente, tive uma dessas conversas por e-mail. Vou
compartilhar isso com você abaixo. Mas primeiro uma advertência.

Sabedoria em meio às Trevas


Se podemos ajudar alguém que luta com a falta de alegria na vida cristã,
não é principalmente devido à quantidade de sabedoria que acumulamos
ao longo dos anos, mas de como aplicamos a verdade que temos e se o
Espírito de Deus transforma essa verdade em vida, liberdade e
contentamento.

Não estou minimizando o valor da sabedoria acumulada. O sábio do Antigo


Testamento ordena: “Adquire a sabedoria” (Provérbios 4.7). Jesus “crescia
em sabedoria” (Lucas 2.52). Paulo ora para que “transbordemos de pleno
conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento
espiritual”; (Colossenses 1.9). Sabemos que em Cristo “todos os tesouros da
sabedoria e do conhecimento estão ocultos”. (Colossenses 2.3). Paulo nos
chama: “instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria
(Colossenses 3.16). Tiago nos diz que, se “necessitamos de sabedoria”,
devemos pedi-la a Deus (Tiago 1.5). Pois existe uma “sabedoria que desce
lá do alto” (Tiago 3.17). Nós nunca podemos ter sabedoria demais.

Mas o que quero dizer é que, se você tem trinta anos e não setenta, não
deve ficar intimidado ou paralisado pelo fato de ter, ainda, quarenta anos
pela frente para acumular sabedoria. Ao ler sua Bíblia amanhã de manhã,
ore por uma visão sobrenatural, Deus poderá lhe dar um vislumbre de
alguma verdade preciosa que mais tarde será exatamente a verdade da qual
seu amigo em dificuldades precisará.

Estou fora do alcance da esperança?


Após uma conversa que recentemente iniciei com meu amigo, ele a
continuou em um e-mail. Ele ainda estava angustiado. O que você diz
quando sente que já disse tudo o que saberia dizer – no livro e na
conversa?
Uma resposta é a seguinte: não pense que você precisa de uma resposta
personalizada para o problema que se apresenta. Em vez disso, entenda
que qualquer verdade bíblica preciosa, que tenha ministrado
profundamente a você, embora possa parecer irrelevante para a situação
de seu amigo, pode ser mais útil do que você imagina. Basta seguir em
frente e transbordar para além de suas devoções matinais. Eles conhecerão
a verdade (que pode parecer casual para nós), e a verdade poderá libertá-
los.

Você também pode dar o sensato conselho de que a luta traz esperança de
sucesso, mas abandonar a luta não. Eu acho que é um erro dar garantia
irrestrita a alguém que esteja lutando quando você não sabe se ele nasceu
de novo. Você espera que eles tenham realmente nascido. Eles esperam
que tenham nascido. Mas você não é Deus. E eles estão em um tempo de
escuridão. O que você sabe, além da dúvida, é que: se eles definitivamente
abandonarem a Cristo e a esperança, então não há esperança.

Por isso, achei útil compartilhar com você a forma como respondi ao e-mail
do meu amigo. Lembre-se de que a luta dele tem a ver com padrões de
repetidos pecados, que o fazem sentir-se desesperado por conseguir a
vitória. Essas falhas o deixam sentindo-se distante de Deus e, às vezes,
perguntando-se se ele é um cristão, ou se talvez seja como Esaú que
desprezou a graça com tanta frequência que o verdadeiro arrependimento
não seja mais possível (Hebreus 12. 16–17).

Essa é uma situação aterradora. Não acho que meu amigo seja incomum.
Penso que milhares de cristãos, se fizerem uma pausa para serem
dolorosamente honestos, admitirão as mesmas lutas. É difícil admitir isso,
porque é muito assustador.

Partes da carta a seguir são citações exatas. Outras partes são alteradas o
suficiente para manter a confidencialidade.

Carta a um amigo angustiado


Querido irmão,

Eu simpatizo totalmente com a sua frustração e o seu medo de ser um Esaú


por causa do pecado tão profundo contra a misericórdia, a luz e a paciência
de Deus. Não há uma resposta confortável de como vencer esses medos e
escapar dessa condição. Pela minha própria experiência, o que eu diria é o
seguinte: se você tem a graça de se apegar à misericórdia de Deus e não
jogá-la fora pela apostasia, há esperança.
Essa não é uma resposta confortável. Não fala em termos de certezas
simples – ou seja, que você definitivamente provará não ser um Esaú. Mas
é o único caminho a seguir em direção à luz, esperança e alívio. Não posso
prometer que você seja um filho de Deus, mas posso prometer que, se
você jogar fora a esperança, você provará não ser um filho de Deus.

A palavra de Deus fala frequentemente sobre “esperar” pelo Senhor, como


no Salmo 40:

Esperei confiantemente pelo SENHOR;


ele se inclinou para mim
e me ouviu quando clamei por socorro.
Tirou-me de um poço de perdição,
de um tremedal de lama;
colocou-me os pés sobre uma rocha
e me firmou os passos. (Salmo 40.1-2)
Quanto tempo Davi ficou no “tremedal de lama”? A Bíblia não diz. Mas o
que está claro em todos os salmos é que os salmistas nunca abandonam
Deus quando sentem que ele os abandonou. Algo os impede de fazer isso.

A Bíblia não apenas fala em esperar por Deus no tremedal de lama, mas
também fala de verdadeiros crentes andando em uma espécie de
escuridão. Talvez você tenha considerado esta palavra de Isaías:

Quem há entre vós que tema ao SENHOR


e que ouça a voz do seu Servo?
Aquele que andou em trevas,
sem nenhuma luz,
confie em o nome do SENHOR
e se firme sobre o seu Deus.
Eia! Todos vós, que acendeis fogo
e vos armais de setas incendiárias,
andai entre as labaredas do vosso fogo
e entre as setas que ascendestes;
de mim é que vos sobrevirá isto,
e em tormentas vos deitareis. (Isaías 50.10-11)
Podemos não ser capazes de descrever adequadamente o que significa
andar nas trevas e confiar no Senhor. Parece contraditório. Mas ainda é
assim. Estou sugerindo que isso significaria o seguinte: quando a escuridão
da incerteza e do medo pairar sobre você, na medida em que a graça
permanecer em você, não deixe de ir àquele que você conheceu na luz.
Continue segurando, mesmo que pareça que seja pelas pontas dos dedos.
Saiba disso: as mãos dele seguram as pontas dos dedos dos seus filhos –
dia e noite. Ore pelo amanhecer e pela libertação. Creio que posso, dos
meus setenta e dois anos, encorajá-lo a que o amanhecer chegará.

Paulo fala de uma maneira que captura alguns dos mistérios da batalha que
ocorre contra o pecado:

Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta


morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira
que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus,
mas, segundo a carne, da lei do pecado. (Romanos 7.24,25)
Paulo tem vergonha de sua inconsistência nestes tempos de derrota. Mas
ele não se desespera. Ele desvia o olhar de si mesmo, confessa o seu eu
dividido e continua na batalha.

Mas ele também nos diz que o modo como ele luta, como um santo
imperfeito, é pela esperança de que Cristo o segure mais firmemente do
que ele pode se segurar em Cristo. Ele pode sentir que apenas suas unhas
agarram o penhasco. Mas ele acredita que Cristo agarra suas unhas:

Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas


prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado
por Cristo Jesus. Filipenses 3.12
Ou, parafraseando: “Eu busco a esperança para a perfeição futura, porque
Cristo já me segurou e não me deixa cair.” Às vezes, sentimos ele nos
segurando mais docemente do que em outros momentos. É uma coisa
assustadora quando estamos passando por uma temporada em que não
sentimos nada.

Eu não vou lhe dar uma lista de maneiras de lutar por sua alegria. Tudo isso
está no livro que você já leu. O que estou fazendo nesta carta é
simplesmente lembrá-lo (1) que Deus está presente nas trevas, (2) que ele
está apegado ao seu povo mesmo quando eles se sentem incapazes de se
apegar a ele, e (3) que embora você possa se sentir inseguro quanto à sua
salvação nessa luta, pode ter certeza absoluta de que não terá salvação se
desistir da luta e se afastar.

Posso recomendar uma música sobre o precioso poder do sustento de


Deus? Nos últimos anos, a música “He Will Hold Me Fast” se tornou muito
profunda para mim e se tornou muito doce. Eu amo a afirmação
congregacional firme dessa gravação da Capitol Hill Baptist
Church cantando.
Eu nunca poderia me segurar
Pelo caminho temeroso da vida.
Pois o meu amor é muitas vezes frio,
Ele precisa me abraçar forte.
Que Deus lhe dê a graça de cantar de novo.

Ação de Graças nos faz olhar para Deus

Quando eu tinha oito anos, fiz um exame oftalmológico. Enquanto tentava


decifrar as letras no gráfico, errei tanto que o médico achou que eu estava
brincando. Mas isso não era brincadeira. Eu era muito míope.

Uma semana depois, quando peguei meu primeiro par de óculos, fiquei
chocado. Eu podia ler as placas das ruas, reconhecer os rostos das pessoas
à distância, ver montanhas distantes e folhas individuais nas árvores. Eu
podia ver mais claramente do que nunca. Isso é muito parecido com
gratidão. A gratidão é como um par de óculos, pois nos ajuda a ver a glória
da misericórdia de Deus com mais clareza. E, portanto, porque nossa maior
alegria é ver a glória de Deus, a gratidão aumenta nossa alegria.

A gratidão nos ajuda a ver


Por muitos anos, eu não havia experimentado maior alegria em Deus
através da gratidão. Agradecia obedientemente a Deus por suas bênçãos,
mas como não compreendia o dia de ação de graças, minha gratidão não
me ajudava a ver a gloriosa misericórdia de Deus e, portanto, não
aumentava minha alegria.

O problema era que eu via “ação de graças” principalmente como uma


obrigação a ser cumprida. Deus havia feito algo por mim, então agora eu
lhe devia gratidão. E depois que eu dissesse: “Obrigado”, minha dívida
estaria paga e passaria a me preocupar com outras coisas.

Mas não é assim que a Bíblia fala sobre ação de graças. Considere,
primeiro, como a Bíblia frequentemente liga ação de graças com alegria.
“Saiamos ao seu encontro, com ações de graças, vitoriemo-lo com salmos”.
(Sl 95.2).

“Alegrai-vos no SENHOR, ó justos, e dai louvores ao seu santo nome”. (Sl


97.12).

“Ofereçam sacrifícios de ações de graças e proclamem com júbilo as suas


obras”! (Sl 107.22).

Então, alegria e ação de graças estão conectadas. Mas como?

Podemos pensar que a conexão é óbvia: quando damos graças, nos


alegramos com o que Deus deu. Pense na alegria que sentimos ao sermos
promovidos ou ao sermos curados. Certamente, a alegria nas dádivas de
Deus faz parte da gratidão. Mas não é a única alegria da gratidão. E não é a
maior alegria.

A maior alegria da gratidão


Podemos descobrir a maior alegria da gratidão observando quantas vezes a
palavra de Deus vincula ação de graças ao louvor.

“Dar-te-ei graças na grande congregação, louvar-te-ei no meio da multidão


poderosa”. (Sl 35.18).

“Louvarei com cânticos o nome de Deus, exaltá-lo-ei com ações de graças”.


(Sl 69.30).

“Um dos dez [leprosos], vendo que fora curado, voltou, dando glória a Deus
em alta voz, e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus,
agradecendo-lhe”; (Lc 17.15,16).

Eu estava acostumado a distinguir ação de graças e louvor. E, é claro, são


diferentes: a ação de graças se concentra mais no que Deus faz e louva
quem Deus é. Mas esses versículos mostram que há uma conexão. O fato
de a ação de graças estar ligada ao louvor mostra que a ação de graças não
ignora quem Deus é. O Dia de Ação de Graças nos ajuda a ver e louvar
quem é Deus. E esse ato de ver e louvar a Deus é a maior alegria do dia de
ação de graças.

Como é que isso funciona?

Colocando os óculos
Digamos que você receba uma promoção e queira agradecer a Deus. A
gratidão começa por ver o valor e a misericórdia das dádivas de Deus.

Portanto, lembre-se do valor dessa promoção – talvez seja um trabalho


mais interessante, salário mais alto e uma melhor carreira. Então, você
ponderaria sobre a misericórdia dessa promoção – que, por ser um pecador
que merece apenas o inferno, esse presente é uma misericórdia
infinitamente cara, comprada para você pelo sofrimento de Jesus na cruz.

Então, quando você agradece a Deus, recordando o valor e a misericórdia


dessa promoção, a experiência será como colocar óculos – você vê ainda
mais claramente a glória da graça de Deus em Cristo. E isso aumentará sua
alegria em Deus, porque contemplar a gloriosa misericórdia de Deus é a
nossa mais completa satisfação.

Então, quando Deus nos chama para agradecer, ele não está apenas nos
chamando para agradecer pelo que ele fez. Ele está nos chamando para nos
alegrarmos com quem ele é manifestado no que ele faz. E é por isso que os
hedonistas cristãos apreciam agradecer a Deus: agradecer a Deus leva a ver
mais de Deus, e ver mais de Deus é a nossa maior alegria.

Crescendo em direção à gratidão


Como podemos agradecer a Deus de uma maneira que aumente nossa
alegria em Deus? Aqui estão cinco etapas.

Primeiro, peça a ajuda do Espírito. O objetivo do dia de ação de graças é


ver e sentir a glória da misericórdia de Deus, e não podemos fazer isso sem
a obra do Espírito. Então peça.

Segundo, pondere o valor dos dons de Deus. Considere o valor de cada


dádiva. Pense em saúde, amigos, a comida à sua frente. Pense
especialmente no Salvador, cuja morte pagou por seus pecados e adquiriu
plenitude de alegria nele para sempre.

Terceiro, pense na misericórdia das dádivas de Deus. Não apenas que não
merecemos esses dons, mas por causa de nossos pecados, tudo o que
merecemos é o julgamento de Deus. Peça a Deus para ajudá-lo a ver isso,
para que você se sinta mais maravilhado com a graça e a misericórdia
exibidas nesses presentes comprados por sangue.

Quarto, faça isso até ver e sentir mais da gloriosa misericórdia de Deus.
Continue orando pela obra reveladora de Jesus do Espírito e continue
pensando no valor e na misericórdia das dádivas de Deus, até sentir mais a
gloriosa misericórdia de Deus em Cristo.

Quinto, expresse sua ação de graças e alegre louvor a Deus. Agradeça por
suas dádivas, expressando o valor de cada presente e a misericórdia de
cada dádiva. E regozije-se em como cada dádiva mostra a glória da graça de
Deus para você em Cristo.

Todos nós precisamos de ajuda para ver a gloriosa misericórdia de Deus. E


a gratidão, como os óculos, pode ajudar. Então, para o bem da sua alegria
em Deus, coloque os óculos da gratidão, e veja.

E se eu tivesse 22 anos novamente

“O que você faria se tivesse vinte e dois anos novamente”?

Recentemente me fizeram essa pergunta em uma conferência sobre


missões mundiais. Eu completei 22 anos na metade do meu último ano no
Wheaton College. Eu era especialista em literatura inglesa e fui para o
Fuller Seminary. Fiquei noivo de Noël cinco meses depois de completar 22
anos, pouco antes de me formar. O chamado de Deus na minha vida, como
eu o discerni, era claro, mas amplo: eu me senti chamado à palavra de
Deus. O que faria com isso, eu não fazia ideia.

Ao me fazer essa pergunta, pensei em seguir na direção de “O que eu faria


de diferente”? Mas isso não me pareceu útil porque o que eu teria dito
seria: “Eu tentaria fazer tudo melhor” – orar melhor, adorar melhor, amar
melhor minha esposa, testemunhar melhor aos incrédulos, estudar melhor.
Então, em vez disso, pareceu-me que eu deveria ir na direção de “Quais são
as coisas mais importantes que eu teria feito aos vinte e dois anos”? Não no
abstrato, mas na realidade de onde eu estava e quem eu era em 1968. E se
eu começasse de novo naquelas mesmas circunstâncias? Bem, eu faria seis
coisas.

1. Eu me casaria com a mulher que, mais do que qualquer


outra no mundo, fosse mais radical, mais disposta a arriscar e
que fosse a qualquer lugar por Jesus. Na verdade, eu me
casaria com Noël Henry.
Pouco tempo depois de nos conhecermos, quando eu tinha vinte anos,
estando apaixonados, e já pensando em casamento, perguntei a ela: “Se
Deus me chamasse para ser missionário na África, você iria comigo”? Ela
disse: “Sim, eu me veria sendo chamada para estar ao seu lado e apoiá-lo”.

Nos casamos quando eu tinha vinte e dois anos, e meu primeiro emprego
foi lecionar por seis anos em uma faculdade em St. Paul. Mas quando eu
tinha trinta e três anos, Deus me fez seu chamado irresistível para o
ministério pastoral, e perguntei se ela me apoiaria nisso. Ela disse sim.

Depois de um ano naquele ministério pastoral, fiquei tão desanimado em


uma tarde de domingo que coloquei o rosto nas mãos e disse em voz alta
na mesa da sala de jantar, para que ela pudesse me ouvir do quarto: “Acho
que vou para a África”. Sem hesitar, ela disse lá do quarto: “Me avise
quando for para fazer as malas”.

Depois de quatro anos nesse ministério pastoral, Deus nos tocou


poderosamente pela causa das missões mundiais e perguntei-lhe: “E se
convidarmos todos da Igreja que estejam seriamente interessados em
seguir para missões a se juntarem a nós em nossa sala de estar na sexta à
noite”? Ela disse. sim. E duas vezes por ano (habitualmente) pelos próximos
vinte anos, recebíamos cerca de cem pessoas em nossa sala de estar e sala
de jantar com todos os móveis movidos para os quartos do andar de cima.

Então, se eu tivesse vinte e dois anos de novo, me casaria com essa mulher.

A lição para você: ore para que seu futuro, ou atual cônjuge, seja, mais do que
qualquer outro, no mundo, o cristão mais radical, mais disposto a assumir riscos
e que vá a qualquer lugar por Jesus.
2. Eu pegaria essa minha jovem esposa e iria para uma igreja
que crê na Bíblia, que prega a Bíblia, estruturada na Bíblia e
obediente à Bíblia.
Eu frequentaria o culto corporativo daquela igreja com minha esposa todos
os domingos.

Procuraríamos nos lançar aos ministérios da igreja na esperança de que


essa comunidade de crentes guardasse e aumentasse nossa fé, ajudasse a
identificar nossos dons espirituais e nosso chamado, e nos catapultasse
para uma vida de ministério.

Aos 22 anos, como recém-casados, Noël e eu ingressamos na igreja Lake


Avenue Congregational Church em Pasadena, Califórnia. Noël descobriu o
dom para trabalhar com jovens adultos com deficiência mental. E eu
descobri o dom para ensinar quando lecionava para meninos da sétima,
depois aos da nona série, e depois para a “Classe Galileus” de jovens
adultos da Escola Dominical.
Onde seu chamado para o ministério ou missão é confirmado e
alimentado? Na igreja local.

Estive sob os cuidados dos diáconos da Igreja Lake Avenue e fui


encaminhado para a ordenação. Glenn Dawson ficou em contato comigo
por três anos durante o seminário e por mais três anos durante os estudos
de pós-graduação na Alemanha, até 1975, sete anos depois, quando fui
ordenado ao ministério do evangelho na mesma igreja local. Um
relacionamento incrível.
A lição para você: Encontre uma igreja que crê na Bíblia, que prega a Bíblia,
estruturada na Bíblia e obediente à Bíblia. Participe, sirva, descubra seus dons e
seja responsável perante a comunidade ao seguir o chamado de Deus.
3. Eu iria para o seminário.
Eu iria para o seminário e passaria três ou quatro anos totalmente imerso
no mais rigoroso estudo da Bíblia em grego e hebraico, com o objetivo de
estabelecer uma base para uma vida inteira vendo a glória de Cristo em sua
palavra tão claramente que eu nunca vacilaria em meu compromisso de
acreditar e falar o que a Bíblia ensina, em qualquer lugar do mundo que
Deus me colocasse.

Eu não priorizaria os cursos práticos, mas cada chance que o currículo me


desse, priorizaria cursos exegéticos, na suposição (que ainda acredito aos
setenta e dois anos) que, em geral, as habilidades práticas são aprendidas
melhor no trabalho da igreja; mas que o aprofundamento e aprimoramento
das habilidades exegéticas alcançadas por uma vida de leitura frutífera são
melhor realizados no rigoroso ato de dar e receber em uma classe, sob o
olhar atento de um professor habilidoso.

Eu daria maior prioridade em aprender a penetrar no significado original – a


intenção original – dos escritores bíblicos, porque esses são os mesmos
significados e realidades que serão relevantes entre todos os povos do
mundo – a qualquer momento, por todo tempo. Minhas ideias sobre o
mundo ocidental moderno e minhas suposições sobre a aplicação desses
significados à minha situação não são a questão principal quando Deus me
coloca em um grupo de pessoas com uma cultura radicalmente diferente da
minha. Mas os significados originais dos parágrafos da Bíblia são de suma
importância. É isso que eu buscaria acima de todas as coisas.
A lição para você: quer você frequente ou não um seminário, torne-se o mais
saturado da Bíblia possível, colocando-se sob a influência dos mais perspicazes
professores da Bíblia, tanto os mortos quanto os vivos.
4. Eu resolveria ler minha Bíblia todos os dias pelo resto da
minha vida.
Eu tornaria a leitura da Bíblia mais importante do que comer, fazer
exercícios e beijar minha esposa.

Já se foram cerca de 18.340 dias desde que completei vinte e dois anos e
acho que mais li minha Bíblia do que comi nesses dias. Certamente li minha
Bíblia mais que assisti televisão ou filmes nesses dias. Eu li minha Bíblia
nesses dias mais do que beijei minha esposa, porque muitas vezes me
afastei dela, mas quase nunca me afastei da Bíblia.

Mas tenho aprendido algumas coisas sobre a leitura da Bíblia e, se eu


tivesse vinte e dois anos novamente, minha resolução de ler a Bíblia soaria
algo como isto:

 Decido todos os dias, ao ler minha Bíblia, me esforçar através da


névoa da vaga compreensão até o verdadeiro significado do próprio
texto;
 e eu me esforçaria através do significado do texto até a intenção da
mente do autor – tanto a intenção humana quanto a divina;
 e eu me esforçaria através dessa intenção até a realidade por trás de
todas as palavras, gramática e lógica;
 e eu insistiria nessa realidade até que se tornasse uma
realidade emocionalmente experimentada, com emoções que
correspondam à natureza da realidade;
 e eu insistiria nessa experiência proporcionalmente emocional da
realidade por trás do texto até que ela se transformasse em palavras e
ações em minha vida;
 e eu insistiria nessas palavras e ações emocionalmente
experimentadas até que outros vissem essa realidade e se juntassem a
mim nesse encontro com a palavra de Deus.
Nada é mais rapidamente revelado no campo missionário do que um
encontro superficial com o Deus vivo e as realidades gloriosas que ele
revelou nas Escrituras. A leitura superficial da Bíblia que não penetrar nas
palavras, levando da intenção à realidade e da experiência à ação, será de
pouca utilidade quando confrontada com as forças demoníacas massivas de
povos não alcançados.
A lição para você: Leia sua Bíblia todos os dias da sua vida. Se você tem tempo
para o café da manhã, nunca diga que não tem tempo para a palavra de Deus.
Não aprecie a leitura da Bíblia pelo fato de sua consciência estar limpa quando
a caixa da leitura da Bíblia estiver marcada em sua lista, mas desfrute do
encontro vivo e sobrenatural com a realidade revelada por Deus nas Escrituras.
5. Eu me tornaria um hedonista cristão.
Ou seja, eu procuraria encontrar mais alegria em Deus do que em qualquer
outra coisa no mundo, por uma questão de santidade pessoal,
perseverança através da dor e promoção da glória de Deus.

Eu teria clareza e certeza a respeito da frase: Deus é mais glorificado em


mim quando estou mais satisfeito nele.

O que significa que, por saborear a doçura das promessas de Deus, eu


mataria qualquer sensação crescente de orgulho, autoconfiança, luxúria,
cobiça e medo, pelo poder do Espírito Santo. Porque, a menos que esses
pecados morram, eu serei perseguido pela inutilidade nesta vida e
condenado na próxima.

Aos vinte e dois anos, eu reconheceria que, na luta pela alegria em Deus,
através de todas as circunstâncias da vida, nas iluminadas ou nas sombrias,
está a chave essencial em minha missão para uma vida de santidade
autêntica e perseverança frutífera, onde Deus obtém a glória.

A lição para você: Torne-se um cristão hedonista, quer você chame a si mesmo


assim ou não. Não vise a fama. Não almeje gratificação sexual. Não vise a
riqueza. E não almeje segurança. Aponte para a alegria satisfatória em Deus,
que o capacitará para humildade, castidade, simplicidade e amor sacrificial, que
corre riscos.
6. Eu reconheceria que não sou meu, que fui comprado por
um preço e que pertenço, corpo e alma, a Jesus Cristo ara seu
uso e sua glória neste mundo.
E eu me oferecia a Deus e diria a ele que ele pode fazer comigo o que
quiser, a qualquer momento e em qualquer lugar.

E eu memorizaria o Salmo 25 e confiaria nas incríveis promessas de


orientação que são dadas nesses versículos preciosos.

“Bom e reto é o SENHOR, por isso, aponta o caminho aos pecadores. Guia
os humildes na justiça e ensina aos mansos o seu caminho”. (Sl 25.8–9)
A lição para você: Memorize o Salmo 25. Ore como se ele fosse seu. Entregue-
se inteiramente a Deus e à sua missão. E confie nele.

Deus “cafeinou” seu mundo


Café, chá e refrigerante para a glória de Cristo

Ao contrário do dinheiro, a cafeína cresce literalmente nas árvores – e não


apenas em um arbusto ou dois. Mais de cem espécies de plantas ao redor
do mundo, em quatro continentes, contêm cafeína. Até os cristãos podem
se surpreender ao descobrir o quanto Deus “cafeinou” o mundo que ele
criou.

Uma das primeiras instruções de Deus para a nossa raça é esta: “Eis que
vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície
de toda a terra…” (Gn 1.29). Deus quer que os portadores de sua imagem
exerçam domínio sobre seu mundo cafeinado. Isso não exige uso, por um
lado, ou abstenção, por outro, mas sim o trabalho muito mais difícil de
experimentar cuidadosamente, observar os efeitos, fazer julgamentos
sábios, aprender o uso adequado (ou não) e exercer o autocontrole.

Efeitos da cafeína
Cientistas de todo o mundo tem notado os efeitos das drogas – a cafeína é
uma droga, e poderosa. A cafeína “aguça a mente” e, como Murray
Carpenter acrescenta em seu livro “Caffeinated”, a droga “não apenas
aumenta a acuidade; também pode melhorar o humor”. Ao contrário da
maconha, a cafeína (em doses moderadas) nos deixa mais acordados com o
mundo em vez de menos.
John Piper escreve,

“É uma droga poderosa que permite que você seja um pai mais alerta, uma mãe
mais consciente, ou um funcionário mais competente… A maioria dos
bebedores de café espera permanecer acordada, fazer seu trabalho com mais
confiança e dirigir com mais segurança. Certamente é possível abusar da
cafeína, mas, como estimulante natural, é mais comumente usada não como
uma fuga da realidade, mas como um esforço para interagir responsavelmente
com a realidade”.
Qual seria, então, o uso moderado e responsável para o adulto médio? O
USDA recomenda menos de 400 miligramas por dia. São cerca de quatro
xícaras de café (cerca de 100 miligramas cada) ou oito xícaras de chá ou
refrigerante com cafeína (cerca de 50 miligramas cada). Os efeitos da
cafeína geralmente duram de cinco a seis horas.

A droga mais popular do mundo


A cafeína é a droga mais popular do mundo, consumida com mais
frequência por meio das bebidas mais populares – café, chá e refrigerantes.
Hoje, cerca de 90% dos adultos americanos consomem cafeína
diariamente. Como funciona a cafeína? Não é um estimulante direto, mas
indireto. É como colocar um bloco de madeira embaixo do pedal do freio
do nosso corpo. Na verdade, não nos dá energia, mas evita que nosso
corpo desacelere e se canse.

As Escrituras não mencionam cafeína, mas elas nos dão tudo o que
precisamos para observar, aprender e decidir sabiamente como nós,
cristãos, podemos usar corretamente (ou abster-nos de usar) a cafeína para
a glória de Cristo – a saber, para nossa busca da satisfação que exalta a
Cristo para nós e para os outros. Como acontece com outras substâncias
poderosas, que ocorrem naturalmente na criação ou decorrentes do cultivo
humano, Deus nos fez procurar o uso prudente e doador de vida (em vez
de roubador de vida) do mundo que criou.

Como devemos pensar sobre o usar ou evitar cafeína na busca da


satisfação em Deus? Considere quatro princípios ancorados na sua Palavra.

1. Deus criou cafeína para os cristãos


Primeiro Timóteo 4.3 adverte contra aqueles que “exigem abstinência de
alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis
e por quantos conhecem plenamente a verdade”. Por hora, o principal ponto a
observar é que Deus projetou as dádivas deste mundo não para os
humanos em geral, mas especificamente para crentes.
Casamento e sexo, comida e bebida, Deus os designou, mesmo após o
pecado e a queda, “para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e
por quantos conhecem plenamente a verdade”. O bem que os incrédulos, ou
crentes ingratos, possam receber pelo uso adequado da cafeína é
secundário. O principal é o benefício recebido pelos crentes conscientes e
agradecidos em Cristo. O que significa que é vital perguntar: como Deus
pode ter criado cafeína para os cristãos? Como essa graça comum de Deus
pode servir a propósitos especiais ou santos na vida cristã?
Para qualquer comida ou bebida que colocamos em nossa boca – de fato
por toda a vida – começamos com 1Coríntios 10.31: “Portanto, quer comais,
quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de
Deus”. Colossenses 3.17 nos permite considerar o uso (ou abstenção) de
cafeína como uma ação explicitamente cristã: “E tudo o que fizerdes, seja em
palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a
Deus Pai”. À medida que ponderamos os efeitos colaterais e dosagens,
precisamos perguntar: Posso participar da glória do Pai? Posso consumir
em nome de Jesus? Queremos relembrar que nossos corpos são “templo
do Espírito Santo” e almejamos glorificar a Deus por meio deles (1Coríntios
6.19–20).
Nossa sociedade pode insistir violentamente: “Farei o que quiser com meu
corpo”. Mas, com prazer, nos submetemos ao chamado do Cristo
ressuscitado: “Apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo” (Romanos 12.1–
2).

Meditação e oração
Como, mais especificamente, os efeitos do despertar e aguçar a mente pela
cafeína podem servir à busca da alegria cristã? O jornalista Stephen Braun
observou “a conexão entre cafeína e devoção religiosa”. Várias lendas
sobre a descoberta de cafeína, de todo o mundo, associam os benefícios da
cafeína à meditação e oração.

Fala-se de um pastor de cabras árabe chamado Kaldi, que notou os efeitos


energéticos em seu rebanho quando este comia de um certo arbusto
contendo cafeína. Kaldi experimentou as bagas do arbusto por si mesmo.
Um monge sonolento observou sua energia por cinco horas.

“Impressionado, o monge perguntou a Kaldi o segredo de sua energia. Kaldi


mostrou-lhe as bagas. O monge ficou encantado ao descobrir que agora podia
orar mais e com mais atenção. Ele espalhou a notícia para seus colegas monges,
que experimentaram outras maneiras de consumir as bagas. Eventualmente, as
pessoas descobriram que torrar as sementes, triturá-las e embebê-las em água
quente produzia uma bebida saborosa e que dava um “chute” maior do que o
que seria conseguido com a simples mastigação dos frutos e sementes que
contêm cafeína”. (Braun, Buzz: The Science and Lore of Alcohol and Caffeine,
111)
A cafeína pode funcionar como um inseticida natural, ajudando as plantas a
evitar predadores. No entanto, de acordo com Braun, essa não é “a
explicação completa para a presença da cafeína em tantos tipos de plantas”
(113). Os cristãos podem ver impressões digitais divinas e serem capazes
de preencher algumas lacunas em suas explicações. Piper comenta: “Se
você precisa de cafeína para mantê-lo acordado pela manhã, deixarei isso
com sua consciência. Talvez seja para isso que Deus a criou. Ficar acordado
para orar é certamente um uso melhor da cafeína do que ficar acordado
para qualquer outra coisa” (When I Don’t Desire God, 161–162).

Amor e boas obras


Mas a cafeína não apenas nos mantém despertos de joelhos e sobre nossas
Bíblias, mas também pode ajudar na busca do amor e das boas ações.
Braun se refere ao café como “a poção protestante”. O café chegou à
Europa em meados do século XVII, através de seus portos marítimos mais
empreendedores. Braun cita James Howell, que escreveu em 1660 que,

“essa bebida proporcionou uma maior sobriedade entre as nações. Enquanto


anteriormente aprendizes e funcionários costumavam tomar cerveja ou vinho
de manhã, que pela vertigem que causam no cérebro os tornavam muitos
impróprios para os negócios, agora eles compartilham dessa bebida estimulante
e civilizada”. (124).
A teologia da reforma, complementada pela cafeína (e não pelas cervejas
matinais), produziu “a ética do trabalho protestante”. A utilidade do café
pode ir além de ajudar os exercícios espirituais matinais (meditação e
oração) e ajudar os esforços energéticos para atender às necessidades de
outras pessoas durante o dia.

No entanto, a graça comum da cafeína na criação de Deus, e a dádiva que


pode ser para os cristãos, não deve nos “embalar para dormir” em relação
aos perigos do uso não discernido. Sobre a menção da consciência de
Pedro, temos mais a dizer.

2. Deus julgará nossos hábitos


Carpenter escreve: “O dilema da cafeína é este: pode ser uma droga fantástica
– uma das melhores – mas, como qualquer droga poderosa, pode causar
problemas com consequências reais”. A cafeína forma hábitos e produz
efeitos colaterais leves, embora reais, quando retirados. E diferentes
fisiologias individuais lidam com a droga de maneiras diversas. Os efeitos
são leves em alguns e mais agudos em outros.

Declarado puro
Apesar do que alguns grupos bem-intencionados argumentariam, a cafeína
é “pura” para o uso cristão. Muito antes da descoberta da cafeína, Jesus
nos ensinou: “Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa
contaminar”; (Marcos 7.15; também Mateus 15.11). O apóstolo Paulo
confirma: “Todas as coisas, na verdade, são limpas” (Romanos 14.20), e nos
lembra: “Não é a comida que nos recomendará a Deus, pois nada perderemos,
se não comermos, e nada ganharemos, se comermos”. (1Coríntios 8.8).
Reconhecer os perigos do uso inadequado não concede aos
abstencionistas o direito de julgar a consciência de outras pessoas. O
próprio Cristo (não os irmãos cristãos) será o juiz sobre se seus servos
agem fielmente ou não. Dados os diferentes efeitos da cafeína em
diferentes pessoas, devemos observar seu uso particularmente e sermos
cautelosos ao instruir outras pessoas sobre seus hábitos. Muitos têm
motivos bons e honrados para se abster; outros têm boas e honradas bases
para praticar.

Teste seu consumo


Uma pergunta espiritualmente vigilante que os consumidores comuns
podem fazer é: Estou mascarando padrões pecaminosos ou prejudiciais
com o uso de cafeína? Como Matthew Lee Anderson perguntou: “Usamos
essas bebidas para compensar nossos vícios ou compromissos antibíblicos
de descanso e do sábado”? A cafeína está alimentando um “ativismo”
pecaminoso ou um esforço profano para ir além dos limites dados por Deus
da nossa humanidade criada por ele? Anderson acrescenta,

“Muitos de nós dependem de cafeína para alimentar nossas obsessões no


trabalho. Os abusos de cafeína revelam uma cultura sobrecarregada e exausta
que se recusa a descansar. Uma xícara de chá é um presente maravilhoso.
Cinco xícaras por dia podem significar dependência doentia”.
Como cristãos, devemos estar atentos em observar os efeitos negativos da
cafeína. Isso me ajuda a não apenas me sentir acordado, mas também a ter
uma expectativa artificial? Muita cafeína altera o meu humor de maneira
irresponsável? A cafeína é um disfarce para a falta de sono pecaminosa? É
uma máscara para a desobediência? Por que ela me ajudaria a estar mais
acordado hoje? É por razões idólatras (Provérbios 23.4) ou por um fluir de
energia que pode ajudar outras pessoas a fortalecerem a alma?

Que ninguém seja julgado


No final, cada cristão estará diante de Cristo para responder pelo seu
próprio uso de cafeína. As Escrituras fundamentam nossa autoavaliação
cuidadosa, mas não dizem aos outros que devem se abster. “Ninguém, pois,
vos julgue por causa de comida e bebida” (Colossenses 2.16). Talvez o
melhor destaque seja Romanos 14.3–4:

“quem come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que
come, porque Deus o acolheu. Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu
próprio senhor está em pé ou cai; mas estará em pé, porque o Senhor é
poderoso para o suster”.
Os cristãos farão distinções honestas e de bom coração na escolha de
consumir ou não cafeína, e não devem se julgar por elas.

3. Deus nos chama para não sermos dominados


De fato, os cristãos são livres para comer e beber e, sobre essa liberdade, o
apóstolo Paulo nos dá uma instrução vital: “não me deixarei
dominar” (1Coríntios 6.12).
Alguns anos atrás, logo após decidir não ser dominado por nada – incluindo
cafeína – fiquei quarenta dias sem ela. Ironicamente, foi uma experiência
reveladora. Os três primeiros dias foram mais difíceis do que eu esperava.
E, após a primeira semana, ficou mais fácil do que o esperado.

Se você está acostumado a tomar café todas as manhãs, provavelmente


sente dor de cabeça por abstinência de cafeína quando não a ingere por
um dia. Dependendo da gravidade da dependência, pode levar vários dias
para restabelecer seu corpo, sua mente e sua produção de energia para
níveis normais. A redefinição completa normalmente leva cerca de uma
semana.

Talvez você queira considerar um jejum de cafeína. Ou, pelo menos,


comece a monitorar com mais cuidado a quantidade de cafeína que você
consome todos os dias – se é realmente um nível saudável e se você
poderia reduzir o consumo. Como todos as boas dádivas de Deus, ele nos
chama ao autocontrole e à moderação fiel. A sabedoria de Provérbios
25.16 aplica-se à cafeína: “Achaste mel? Come apenas o que te basta, para
que não te fartes dele e venhas a vomitá-lo”. Como acontece com qualquer
um dos bons dons de Deus, exceto o de si mesmo, devemos preservar o
dom desafiando nossa própria vontade pecaminosa por excesso ou “luxúria
do querer mais”, como CS Lewis o chamou.

4. Deus nos convida a santificá-lo


Finalmente, se você usa cafeína, não consuma apenas, mas faça-o com
ação de graças (e fé), tendo em vista o que Deus diz em sua palavra.
Responda a ele em oração e, ao fazê-lo, santifique sua bebida com cafeína,
como em toda a vida. O aviso que ouvimos em 1Timóteo 4.3 repousa nessa
explicação e visão nos dois versículos seguintes:
“pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é
recusável, 5 porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado”.
(1Timóteo 4.4–5)
Talvez um bom primeiro teste para nosso consumo de cafeína seja: Eu o
recebo com ações de graça? (1Timóteo 4.4). Bebo em sua presença, diante
de sua face, com fé? Romanos 14.23 diz que “tudo o que não provém de fé
é pecado”. Bebo como cristão ou como os ímpios?

Porém, temos mais a dizer do que simplesmente participar de rotinas de


gratidão consciente a Deus. Primeiro Timóteo 4.5 nos motiva a dar um
passo adiante e tornar isso santo pela palavra de Deus e pela oração. “A
palavra de Deus” é simplesmente o que Deus diz sobre isso. Procurei
preencher este artigo com textos bíblicos relacionados ao que Deus diz
sobre a bondade de sua criação, incluindo cafeína, bem como sobre a
sabedoria e gratidão com que ele nos chama para receber sua dádivas.

Ninguém beba para si mesmo


A oração é a nossa resposta de volta a Deus à luz do que ele diz. Tornamos
sagrado o consumo de cafeína por meio de orações curtas e sussurradas de
louvor, ação de graças e petição. Talvez algo como o seguinte:

Pai, eu te louvo como aquele por quem mais vale a pena ficar acordado. Te
agradeço por “cafeinar” seu mundo e dar esse presente para nosso alerta,
energia e alegria. Se agrade em usá-la no meu corpo e santifique-a. Deixe-me
alerta para o Senhor e seu evangelho e para as necessidades dos outros. Dê-me
energia para atos de amor, serviço sacrificial e testemunho do evangelho.
Capacite-me, particularmente pelo seu Espírito, para fazer Jesus ser
manifestado hoje. Em nome dele, eu oro. Amém.
Em Romanos 14–15, quando Paulo aborda as questões secundárias que
estavam dividindo alguns cristãos no primeiro século, ele baseia seus
ensinamentos nessas preferências aparentemente pequenas na realidade
sólida do que Cristo realizou por nós. E não é irrelevante para o nosso uso
ou abstenção de cafeína hoje:

“Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se
vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer,
pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor. Foi precisamente para esse fim
que Cristo morreu e ressurgiu: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos”.
(Romanos 14.7–9)
Se chamamos alegremente Jesus de “Senhor”, reconhecemos que somos
dele, e genuinamente procuramos viver para ele, e não para nós mesmos,
então as coisas importantes estão no lugar certo e nós podemos desfrutar
da cafeína para a glória de Cristo.

Pratique derrotar suas distrações

A distração não é derrotada em alguns golpes, mas em muitos, pequenos e


habituais. Portanto, não vou prometer oferecer, em mil palavras, uma
espada mágica que pode matar o “Dread Dragon da Distração” em três ou
quatro ataques simples. Não descobri tal espada e não acredito que exista.

Em primeiro lugar, o que me dá alguma autoridade sobre a questão da


distração? Não é meu conhecimento em manter o foco, mas meu
conhecimento em me distrair. Se minhas observações e autoavaliações são
precisas, estou no lado “acima da média” do espectro distraído. Eu conheço
essa luta interior e a luto diariamente.

Esperar lutar diariamente é uma mentalidade necessária para que a luta


seja vencida. Distração não é um simples inimigo; deve ser combatido em
numerosas frentes. A vitória é alcançada não por um glorioso golpe de
estado de determinação, mas pela insurgência lenta do desenvolvimento de
hábitos redutores de distração.

A velocidade de Deus
No entanto, isso provavelmente vai requerer, de nossa parte, uma
“recalibração” das expectativas. Nós, filhos da era da alta tecnologia e
informação, e netos da era industrial e de manufatura, achamos cada vez
mais difícil apreciar a velocidade de Deus. Aprendemos a avaliar a eficiência
em rapidez, quantidade e custo. Produza algo desejável rápido, em grande
escala e barato, e o resultado será sucesso. Também aprendemos a
valorizar a disponibilidade e a desvalorizar a durabilidade.

Mas quando Deus constrói as coisas, ele geralmente leva muito tempo
(pelo menos da nossa perspectiva) para fazê-lo. E o que ele constrói, ele
constrói para durar. Considere como ele nos projetou. Precisamos de
aproximadamente nove meses desde a concepção até o ponto em que
podemos sobreviver fora do útero. Então, precisamos de aproximadamente
duas décadas adicionais antes de adquirir maturidade, conhecimento e
habilidades desenvolvidos o suficiente para vivermos independentemente
de nossos pais.
E como nossa maturidade, conhecimento e habilidades são adquiridos
durante essas duas décadas? Através de repetição rigorosa. A memória
muscular e de informações são desenvolvidas e sustentadas através do
árduo processo da prática diária e habitual.

O lento milagre diário


Agora, sabemos que Deus às vezes emprega poder milagroso para provocar
mudanças instantâneas na vida das pessoas. Libertação e dádivas de cura
são aspectos muito reais do reino de Deus nesta era. A Bíblia ainda nos
ordena a sinceramente desejá-los e buscá-los (1Coríntios 12.31). Acredito
que se os desejássemos e os procurássemos mais, eles ocorreriam com
mais frequência.

No entanto, todo o testemunho das Escrituras e da história redentora nos


diz que mesmo quando são mais frequentes, transformações milagrosas e
instantâneas são sempre excepcionais (raras) nesta era, não normativas. A
maioria de nossas curas será experimentada através de processos
relativamente lentos com os quais Deus maravilhosa e sabiamente equipa
nosso corpo. E a maioria de nossas libertações será experimentada através
de processos relativamente lentos (às vezes frustrantemente) com os quais
Deus equipa maravilhosa e sabiamente nossas mentes e almas –
substituindo reações habituais de crença em promessas enganosas e
acusações de condenação, por reações habituais de fé na verdadeira
promessas e aceitação graciosa de Deus.

Falamos muito sobre os hábitos da graça em Desejar a Deus, porque as


rotinas constroem e moldam o caráter, a habilidade, o afeto e a criatividade
humanos. As escrituras ensinam e a história reforça que as rotinas habituais
de meditação bíblica, oração e comunhão na igreja são os principais meios
graciosos de Deus para nossa transformação. Roma não foi construída em
um dia. Nós também não. Somos construídos lenta, incrementalmente,
minuciosamente, tijolo por tijolo, dia após dia, ao longo do tempo – na
velocidade de Deus.

O que as distrações lhe dizem


Deus quer que sejamos libertados do efeito fragmentador da distração
infrutífera (Lucas 10.40). Ele quer que nos concentremos no que é mais
importante (Lucas 10.41,42). Mas é muito improvável que recebamos uma
solução rápida, porque há mais distrações do que costumamos perceber.
De fato, temos muito a aprender com tudo o que está acontecendo em nós
quando somos tentados a nos distrair.
Primeiro, as distrações frequentemente nos dizem o que amamos,
confiamos e tememos. Gravitamos em torno dos desejos que ansiamos e
nos afastamos dos medos que desejamos evitar. Ouça o que suas
distrações familiares (habituais) estão dizendo. Em que você está buscando
alegria? Em que você está procurando abrigo? Do que você está tentando
escapar?

As distrações também nos dizem onde formamos maus hábitos mais cedo
na vida que ainda não abordamos adequadamente. Alguns maus hábitos
devem-se ao crescimento de sistemas familiares desfeitos, e outros são
hábitos indulgentes que formamos na juventude ou adolescência, pelos
quais devemos agora estar maduros o suficiente para assumir a
responsabilidade.

As distrações também podem nos dizer realidades biológicas com as quais


devemos lidar: TDAH, TOC, depressão crônica, transtorno bipolar e outras
doenças. Os tratamentos com medicamentos supervisionados por um
médico especializado podem ser de grande ajuda, mas também precisamos
cultivar ativamente novos hábitos para mitigar os efeitos de uma biologia
desordenada.

O que suas distrações estão lhe dizendo? Registre-as conforme você as


observa por duas ou três semanas. Você não lutará com elas até que saiba
o que as está abastecendo. Distrações alimentadas por diferentes amores
ou medos desordenados, biologia ou velhos hábitos comuns exigem
estratégias de batalha habituais diferentes.

Treinado pela prática constante


Hábitos saudáveis são estratégias. Se resoluções são nossos objetivos
(resultados desejados), hábitos são nossas estratégias. Ou, para usar uma
metáfora diferente, o mecanismo de nossa determinação deve funcionar
nos trilhos de nossos hábitos. A resolução só pode viajar até onde os trilhos
dos hábitos foram estabelecidas.

Hebreus 5.14 diz exatamente isso: “Mas o alimento sólido é para os adultos,


para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para
discernir não somente o bem, mas também o mal”.
Esse versículo ajuda a definir nossas expectativas. A maturidade espiritual é
o objetivo; prática constante é o meio.

Quando jogávamos futebol no ensino médio, todos os jogadores se


divertiam. Poucos de nós gostamos dos exercícios monótonos de
construção de habilidades. Ninguém que eu conhecia gostava dos
exaustivos exercícios de condicionamento. Mas nossa capacidade de
vencer jogos foi em grande parte determinada pelo quão arduamente nos
esforçamos na prática.

A prática constante é a única maneira de desenvolver e manter qualquer


habilidade em qualquer coisa, incluindo a habilidade de distinguir entre
foco produtivo e distração infrutífera.

Mas como?
Sim, mas o que fazemos para praticar constantemente resistir à distração?
Eu disse a você que não tinha soluções prontas para oferecer. E nem a
Bíblia tem. Você já reparou que ela raramente nos dá instruções claras e
práticas? Por que será?

Uma razão, acredito, é que nossos comportamentos são motivados por


fatores divergentes e complexos, e, portanto, as fórmulas são tipicamente
de ajuda marginal. O que me ajuda pode não ser muito útil para você.

Mas outra razão é que o difícil processo de lutar por ambiguidades,


resistência interna e confusão faz parte do próprio treinamento.
Aprendemos coisas necessárias sobre nossos afetos, fraquezas e corpos. O
processo difícil acaba gerando benefícios de maior fé, sabedoria e
perseverança que se estendem muito além da questão da distração.

Se pedirmos a Deus, ele nos dará o que precisamos nesta luta (1Coríntios
10.13; Filipenses 4.19). Mas devemos ter em mente: todos os aspectos da
luta pela fé são uma luta (1Timóteo 6.12). Precisamos desenvolver
perseverança (Hebreus 10.36). Precisamos aprender a disciplinar e
controlar nosso corpo (1Coríntios 9.27).

Deus não está preocupado apenas com a maneira mais eficiente de nos
libertar da distração. Ele está preocupado com o que produzirá o fruto
espiritual maior e mais duradouro em nossa vida. Portanto, em espírito de
oração, tente derrotar a distração através da insurgência lenta e constante
da construção de novos hábitos, um de cada vez.

Um tipo diferente de filha

Enquanto escrevo isso, minha filha mais nova está completando trinta e
sete anos. Parece que os aniversários das minhas filhas, mais do que o meu
próprio, conduzem-me a sentir a minha idade: como é possível que a mais
nova das minhas três meninas tenha agora quase quarenta anos?

Mas esses pensamentos fugazes sobre o envelhecimento dão lugar a


reflexões sobre o passado, de como era mais simples criar filhos três
décadas atrás. (O engraçado é que eu lembro da minha mãe dizendo a
mesma coisa para mim quando minhas filhas eram pequenas). Eu procurei
criar minhas filhas para resistir à gigantesca onda do feminismo que
ameaçava a sua feminilidade. Minhas filhas são, nos dias de hoje, mães
habilidosas e dedicadas. Mas o mundo parece um lugar mais assustador do
que era naquela época e a maternidade uma tarefa mais desafiadora. Como
minhas netas, tão felizes e despreocupadas em sua infância de garotinhas,
resistirão às mentiras e insultos que o mundo com certeza lançará sobre
elas?

“Não podemos presumir que um lar cristão ou uma boa igreja imunizar
nossas filhas contra mensagens tóxicas feministas.”

Com toda a confusão cultural sobre questões relacionadas a gênero,


podemos ficar tentados a entrar em pânico e jogar fora a cartilha bíblica.
Mas não devemos hesitar quando seguimos o plano do evangelho para
criar nossas filhas. Tampouco podemos ser apáticas, supondo que um lar
cristão ou uma boa igreja imunizará nossas filhas contra mensagens tóxicas
feministas. Precisamos estar atentas e astutas – preparando nossas filhas
para discernir e rejeitar o falso ensino sobre a feminilidade de nossa cultura
(1 Pedro 5.8, Mateus 10.16). Devemos nos fincar perto das Escrituras
enquanto caminhamos pelo mesmo caminho de fidelidade como as mães
consagradas que nos antecederam.

Treinamento filhas para serem mulheres
A autêntica maternidade, agora e sempre, requer autêntica
semeadura. Quando cultivamos um jardim, não jogamos as sementes no
chão ao acaso e esperamos fileiras impecáveis com os nossos vegetais
favoritos. Em vez disso, selecionamos nossas sementes e plantamos em
linhas retas para obter uma boa colheita. Da mesma
forma, devemos ser intencionais ao plantar sementes de feminilidade bíbli
ca na vida de nossas filhas.
Simplificando, a feminilidade bíblica é o projeto encantador de Deus para as
mulheres, conforme revelado na Bíblia. De fato, quando Paulo diz a Tito
como construir uma igreja, que ilumina uma era tenebrosa e maligna, com o
evangelho, ele diz a ele para certificar-se de
que as mulheres mais velhas transmitam o coração e os hábitos da feminili
dade divina às mulheres mais jovens (Tito 2.3-5).
Como mães cristãs, não devemos negligenciar incluir os fundamentos da
feminilidade bíblica na educação de nossas filhas. Pense sobre isso: Estou
preparando minha filha para ser o tipo de mulher que é forte o suficiente
para se submeter ao seu marido? Determinada o suficiente para completar
a difícil tarefa de criar filhos? Criativa o suficiente para construir uma casa
que seja ao mesmo tempo uma estufa e um farol, cultivando a mensagem
do evangelho e transmitindo-a para um mundo em trevas? Inteligente o
suficiente para ver como o estudo da história, da hermenêutica e da
horticultura podem ser usados em sua missão evangelística?

Um tipo diferente de mulher
“O fato de eu ser uma mulher não me faz um tipo diferente de cristã, mas o
fato de eu ser cristã faz de mim um tipo diferente de mulher”, Elisabeth
Elliot escreveu certa vez. Se quisermos criar nossas filhas para serem
diferentes tipos de mulheres – não conformistas em um mundo possesso
de fúria, revoltado contra o evangelho – devemos ter certeza de dar-lhes
treinamento estratégico e especializado.

Devemos ensinar-lhes a beleza e a base da feminilidade bíblica através do


nosso exemplo fiel (embora falho) e do nosso ensinamento gracioso.
“Por causa do amor constante de Cristo, a mãe que semeia com lágrimas
colherá com alegria”.
Devemos também arrancar as ervas daninhas do feminismo que nossa
cultura semeia e que possam criar raízes no coração de nossas
filhas. Quando minhas filhas ainda estavam no início da adolescência,
percebi que, apesar dos meus melhores esforços para cultivar o coração e
os hábitos da feminilidade bíblica, certas ideias feministas haviam
penetrado em seus pensamentos. Eu decidi estudar com elas o livro de
Elisabeth Elliot, Let Me Be a Woman[i] (Deixe-me Ser uma Mulher) que
ajudou nos a desmistificar a propaganda feminista e provou ser uma
período imprescindível de aprendizado para nos encantarmos com o
projeto de Deus para as mulheres.

Fiel e cheia de fé
Mais importante ainda, a maternidade verdadeira requer fé. Colocamos as
sementes no chão, mas a princípio não vemos como ou mesmo se estão
crescendo. Nós simplesmente observamos, regamos e repetimos. As
sementes não brotarão se não plantarmos. Elas não sobreviverão se não
arrancarmos as ervas daninhas. Elas não florescerão se não
molharmos. Mas, em última
análise, temos que confiar em Deus para trazer o crescimento (1Coríntios
3.6). Ele promete que vamos ceifar uma colheita se não desistirmos
(Gálatas 6.9).
Como nos mantemos sem desistir? Lembremos a nós mesmas que não
importa como nossa cultura se agite e mude, a verdade, relevância e poder
das Escrituras permanecerão. Deus ainda está no comando. De geração em
geração, ele se assenta sobre o trono. Ele governa os períodos, as estrelas e
as ondas gigantescas do feminismo (Salmos 29.10). Ele é o Deus que
diariamente nos sustenta em cada dia mau (Salmos 68.19). Por causa do
amor constante de Cristo, a mãe que semeia com lágrimas colherá com
alegria (Salmos 126.5).

As orações que nossos adolescentes mais precisam


Durante uma curta temporada de nossa jornada como pais, meu marido e
eu nos sentíamos como se estivéssemos agarrados às rédeas de um cavalo
em fuga. Batalhas diárias sobre o horário de ir dormir
e negociações em torno de limites tomaram o lugar de conversas afetuosas
e risadas ao redor da mesa. Nós lamentávamos a perda conforme
procurávamos palavras para orar
sobre a vida em família que mais parecia ser uma zona de guerra.
Nós estávamos desesperadamente tentando manter limites contra a
pressão alimentada por hormônios para afrouxar os padrões bíblicos de
santidade em casa, enquanto também contornávamos a pressão de
iminentes decisões sobre faculdade e
carreira, e isso nos conduziu a ficarmos de joelhos. Mas num momento em
que a oração deveria ter sido uma corda de segurança crucial, descobri
que não confiava em minhas próprias orações pelos meus filhos
adolescentes.
Eu poderia até mesmo saber o que pedir a Deus quando eu estava me
sentindo insegura sobre meus próprios motivos? Como uma mãe pede
ajuda a Deus para lidar com os argumentos diários sem cair nos salmos
imprecatórios?
Oração na panela de pressão
Porque eu tenho uma estrutura de pensamento prático, minhas orações
pelas pessoas que eu amo estão, na maioria das vezes, ligadas por
preocupações cotidianas. Mesmo assim,
estou aprendendo a adotar as orações que Deus nos dá em sua palavra –
orações de importância muito mais duradoura do que as que eu
normalmente estou inclinada a orar.
A oração de Jesus por seus discípulos em João 17 vem da panela de
pressão de suas últimas horas nesta terra. Em um contexto sombrio e
desanimador de traição e angústia mental, ele conseguiu colocar palavras
em torno de seus anseios mais profundos por seus amados amigos. Após
três anos de ministério intenso, de amor e liderança de um grupo
indisciplinado de discípulos (que eram propriamente jovens adultos), Jesus
derramou palavras de esperança para o futuro deles. Sua oração se ampliou
além do impacto imediato para tocar um mundo que ainda precisa
desesperadamente contemplar sua glória.
Orar as palavras de Jesus pelos meus adolescentes eleva meus olhos além
de cada necessidade imediata para as preocupações maiores e mais
urgentes que Jesus expressou pelos seus seguidores de todos os tempos,
aqueles que estavam com ele na Última Ceia e aqueles que se sentam em
torno de nossas mesas de jantar hoje.
1.  Senhor, eles são seus
“Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos
confiaste . . . É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que
me deste, porque são teus.” (João 17.6, 9)
Jesus estava ciente de que cada um de seus fiéis discípulos era um
presente de Deus. Ele disse isso em alta voz enquanto se preparava para
deixá-los, confiando no poder santificador da palavra de Deus para mantê-
los (João 17.17).
Entregar nossos filhos a Deus quando eles eram crianças foi relativamente
fácil em comparação com a tarefa de confiá-los aos cuidados de Deus
agora que eles estão chacoalhando as chaves do carro em seus bolsos e
tomando suas primeiras decisões financeiras. “Senhor, este menino é teu, e
teu amor por ele é mais perfeito e puro que o meu próprio amor” torna-se
um reconhecimento importante no caminho para um coração tranquilo. O
poder da palavra e do Espírito ainda estão em ação, e não é diminuído pelo
meu medo ou minha falta de fé.
2. Senhor, nos faça um
“Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam um,
assim como nós.” (João 17.11)
Jesus nasceu em um mundo dividido. Os nós-contra-eles das interações
entre judeus e gentios que caracterizavam a Palestina do século I foram
pintados numa tela da ocupação romana. Ele escolheu doze discípulos cujo
leque ideológico ia de fanáticos políticos a coletores de impostos
profissionais, e sua oração pela unidade entre os fiéis ainda reverbera pelas
linhas étnicas e raciais da atualidade. Nos nossos bancos de igreja e nas
nossas casas, Deus nos chama para sermos um.
Com a progressão da independência e o afastamento natural desses anos
de
adolescência, continuo a orar para que nossa unidade familiar não seja pre
judicada pelas diferentes opiniões e políticas ou pelo distanciamento que
vem com os novos endereços e
agendas. Eu oro para que o próprio Jesus nos una, apesar de todas as
nossas diferenças e distâncias.
Há também uma unidade interna ou integridade que pode parecer elusiva,
mas é crucial para a formação espiritual de um jovem adulto. O filósofo
dinamarquês Søren Kierkegaard definiu a pureza de coração como a
habilidade de “desejar uma coisa”, e minha oração pelos meus jovens
adultos cristãos é que essa “uma coisa” seja a glória de Deus.
3. Senhor, guarde-os do mal
“Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal.” (João 17.15)
Em uma noite escura, quando o inimigo parecia ter a controle do
jogo, Jesus orou por proteção para aqueles que ele amava. Ele sabia que
sua eficácia iria demandar contato íntimo com o mundo e toda a sua
confusão, mas ele confiava no poder de Deus para mantê-
los puros, fiéis e sem mácula.
Um momento de desatenção, um lapso de julgamento, uma falta imatura de
discrição: existem dez mil maneiras para um adolescente cair
inadvertidamente no erro. (E há também a grande possibilidade de que eles
possam procurá-lo.)
Em vez de permitir que minha imaginação produza cenários de arrepiar os
cabelos, eu me esforço pra seguir o conselho de Paul Miller no
livro O Poder de uma Vida de Oração.  Quando “levamos nossa ansiedade
para Deus”, ele diz, “descobriremos que escorregamos adentro a orações
constantes” (57). Essa não é uma fórmula ruim para sobreviver à
adolescência.
4. Senhor, dê-lhes da sua alegria
“Mas, agora, vou para junto de ti e isto falo no mundo para que eles tenham o 
meu gozo completo em si mesmos.” (João 17.13)
Consciente de que a alegria poderia faltar entre seus discípulos, Jesus orou
para que eles a procurassem nos lugares
corretos. O ódio pelo mundo não pode extinguir a alegria do Senhor.
Adolescentes com água encanada, internet de alta velocidade e acesso a
antibióticos ainda podem estar cronicamente insatisfeitos com a vida. A
clássica citação de John Piper “Deus é mais glorificado em nós quando
estamos mais satisfeitos nele” serve de modelo para minhas orações por
todos os meus filhos. Jesus era consumido com justiça representando a
glória de Deus (João 17.4), e a maior alegria dos meus filhos também será
encontrada em cooperar com Deus no cumprimento de sua vontade para
sua glória.
5. Senhor, santifica-os
“Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.” (João 17.17)
Enquanto seguramos fielmente as rédeas, enquanto oramos pedindo
sabedoria para prover raízes e asas aos nossos filhos em crescimento, é um
alívio saber que também podemos liberar nossos adolescentes para uma
busca independente da verdade por meio da palavra de Deus. As perguntas
que eles trazem para a mesa de jantar, que nos fazem engasgar com nossa
carne assada enquanto procuramos por uma resposta, são um bom sinal de
que um processamento interno está acontecendo por trás dos seus olhos.
Ore para que o Espírito Santo use os versículos bíblicos memorizados por 
seus filhos em seus anos primários. Introduza seu filho adolescente à
literatura cristã clássica e aos podcasts favoritos que preparam a mesa para
um banquete sobre a verdade.
Quando pais oram sobre uma Bíblia
aberta, as palavras da Escritura envolvem os desejos dos nossos corações 
e nos dão as palavras que não temos. Jesus termina sua oração por seus
discípulos oferecendo a si mesmo, totalmente santificado para a vontade
do Pai. Talvez seja isso que nossos adolescentes mais precisam: pais com
um propósito único e determinado de seguir a ele. Nós não o faremos com
perfeição, mas o nosso próprio progresso permeado de tropeços em
direção ao discipulado nos coloca no mesmo caminho que nossos
adolescentes – e que alegria é viajar em direção a Cristo juntos.

Eu estava muito facilmente satisfeito


Quando descobri hoje algo de 50 anos atrás

Uns cinquenta anos atrás, 16 de Novembro de 1968, foi um dos dias mais
importantes da minha vida.

Nada é mais importante em todo o universo do que que Deus ser


glorificado, e Cristo seja magnificado, e os corações do povo de Deus
estejam satisfeitos nele. As implicações desta verdade bíblica são
abrangentes. E em um determinado dia um evento começou a trazer tudo
isso para mim.

Desde os 22 anos, o hedonismo cristão tem sido meu objetivo, guia e força.
Agora, aos 72 anos, é minha preparação final para me encontrar Jesus face
a face. Há pouca razão para você se importar com o que eu penso. Mas
você deve se importar infinitamente (eu uso a palavra cuidadosamente) se
Deus revelou que o hedonismo cristão é verdadeiro. Eu gostaria de
convencê-lo de que ele revelou.
Para isso, vou contar o que aconteceu comigo há cinquenta anos, em 16 de
novembro de 1968, e porque isso fez toda a diferença. Experiência não é
autoridade. Mas pode ser um indicador útil.

Uma tensão não resolvida


Durante meus quatro anos no Wheaton College, em Illinois, de 1964 a 1968,
tomei consciência de uma tensão não resolvida em minha experiência
cristã. Por um lado, eu sabia, por instrução de meu pai e do Novo
Testamento, que eu deveria viver para a glória de Deus. “Portanto, quer
comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória
de Deus”. (1Co 10.31). Por outro lado, eu sabia por experiência que era
motivado continuamente por um desejo de satisfação profunda.
Essas pareciam motivações concorrentes. Eu poderia tentar fazer com que
Deus parecesse ótimo, ou eu poderia visar minha própria satisfação. Eu não
tinha uma estrutura de pensamento em que esses dois motivos se
encaixassem. Eles pareciam alternativos.

Na verdade, quando adolescente, era assim que ouvia o chamado para o


serviço cristão. “Você se renderá à vontade de Deus para sua vida, ou
continuará buscando sua própria vontade”? Era uma marca de minha
própria imaturidade que isso parecesse um dilema frustrante: “Ou siga a
vontade de Deus e viva com a frustração de que seus desejos ficarão para
sempre insatisfeitos, ou siga a sua vontade e permaneça para sempre fora
de sintonia com Deus”.

A atmosfera que respirei


Mas não foram apenas os pregadores que alimentaram o fogo da minha
frustração. O próprio Jesus disse: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a
si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. (Mc 8.34). O que poderia ser mais
claro? Seguir a vontade de Jesus significava não seguir a minha vontade,
mas negá-la. Desobedeça e seja arruinado, ou obedeça e viva frustrado.

Foi a atmosfera que respirei. Procurar a glória de Deus ou buscar minha


própria satisfação. Ou ainda. Buscar a vontade de Deus e a glória de Deus,
ou buscar minha vontade e minha felicidade. E parecia algo defeituoso
buscar minha felicidade. Você não pode servir para glória de Deus e para
sua alegria.

Eu não fui o único que respirou essa atmosfera. C.S. Lewis disse:
“Se existe, na maioria das mentes modernas, a noção de que desejar o nosso
próprio bem e, sinceramente, ter esperança no gozo dele é algo ruim, afirmo
que essa noção surgiu de Kant e dos estoicos”. (The Weight of Glory, 27).
Immanuel Kant foi um filósofo alemão cujas visões da motivação cristã,
intencional ou não, tiveram esse tipo de efeito. De fato, a ateísta Ayn Rand
rejeitou o cristianismo em grande parte porque ela cheirava esse ar
“kantiano”, e achou que isso minava a verdadeira virtude. Em uma crítica
afiada, ela disse:

“Uma ação é moral, disse Kant, somente se a pessoa não tem o desejo de
realizá-la, mas a realiza por um senso de dever e não obtém nenhum benefício
dela de qualquer tipo, nem material nem espiritual. Um benefício destrói o valor
moral de uma ação. (Assim, se alguém não tem o desejo de ser mau, não pode
ser bom; se alguém tem, pode). (For the New Intellectual, 32).
A atmosfera que respirei era exatamente o que Rand descreveu: ser
motivado por um benefício próprio “destrói o valor moral de uma ação”.

Cego para a recompensa


Mesmo eruditos bíblicos proeminentes espalham essa atmosfera. Ainda me
lembro de um comentário sobre Lucas 14.13–14 de T.W. O livro de
Manson, The Sayings of Jesus, que era proeminente quando eu era
estudante. Jesus disse: “… ao dares um banquete, convida os pobres, os
aleijados, os coxos e os cegos; e serás bem-aventurado, pelo fato de não
terem eles com que recompensar-te; a tua recompensa, porém, tu a
receberás na ressurreição dos justos”.
Em face disso, Jesus parece estar nos motivando para a arriscada
hospitalidade de “mãos abertas”, dizendo-nos que seremos
“recompensados com a ressurreição”. Com certeza parece que devemos
priorizar nossa própria recompensa a longo prazo em detrimento das
perdas de curto prazo aqui. Mas Manson escreveu: “A promessa de
recompensa por esse tipo de vida está lá como um fato. Mas você não deve
viver assim por causa da recompensa. Se você faz isso, está vivendo do
velho modo egoísta”.

Em outras palavras, Jesus nos prometeu uma recompensa, mas ele não
esperava que fôssemos motivados por ela. Isso soa estranho, não é? Ayn
Rand sentiu esse tipo de pensamento no ar e pensou que representava o
verdadeiro cristianismo. Então ela rejeitou o cristianismo. Antes de sua
morte, escrevi para ela depois da minha descoberta do hedonismo cristão
para tentar persuadi-la do contrário. Ela nunca escreveu de volta.
O problema piora
Quando me formei na faculdade em 1968, ainda não havia descoberto o
hedonismo cristão. A atmosfera ainda estava pesada com a tensão entre a
busca da glória de Deus de um lado e a busca da minha felicidade do outro.
Isso estava prestes a mudar.

Entrei na minha primeira aula no Fuller Seminary com meu professor Daniel


Fuller (filho do fundador) no outono de 1968 e ouvi coisas que nunca tinha
ouvido antes sobre a relação entre a glória divina e a felicidade humana. O
Dr. Fuller me indicou Jonathan Edwards, Blaise Pascal, C.S. Lewis – e a
Bíblia! Edwards e Pascal agravaram o problema antes de melhorar.

A avalanche de Edwards
Edwards conquistou minha confiança exaltando a centralidade, a
importância, a supremacia e o valor da glória de Deus além de todas as
outras realidades. E ele fez isso de uma forma tão completa, apaixonada e
bíblica que não havia possibilidade de ele estar à beira de “contrabandear”
uma teologia centrada no homem.

Seu livro The End for Which God Created the World (O fim para o qual Deus
criou o mundo) talvez seja a mais completa e convincente demonstração de
que a glória de Deus é o objetivo final de todas as coisas. O que foi tão
avassalador sobre esse livro foi a avalanche de passagens bíblicas usadas
para mostrar a paixão de Deus por sua glória.
Isso era novo para mim. Eu sabia do meu dever de viver para a glória de
Deus. Mas eu nunca tinha ouvido que Deus vive para a glória de Deus. Eu
nunca tinha ouvido falar que o mandamento de Deus para que eu o
glorificasse era um convite para me juntar a ele em seu zelo pela sua
própria glória. Mas eu fui arrastado nessa avalanche de verdade bíblica – da
eternidade para a eternidade.

 Deus predestinou seu povo “para o louvor da glória da sua graça”


(Efésios 1. 4–6).
 Deus criou o mundo e todos nós “para a sua glória” (Salmo 19. 1;
Isaías 43. 7).
 Deus enviou seu Filho como a encarnação de Deus para que
disséssemos: “Vimos a sua glória, glória como do único Filho do Pai”
(João 1.14).
 Deus designou seu Filho para morrer como a propiciação pelos
nossos pecados para a glória de Deus: “… precisamente com este
propósito vim para esta hora. Pai, glorifica o teu nome”. (João 12. 27–28;
Romanos 3. 25–26).
 Deus nos santifica “por meio de Jesus Cristo, para glória e louvor de
Deus” (Filipenses 1. 11).
 Deus envia Cristo de volta à terra pela segunda vez como a
consumação de todas as coisas “para ser glorificado nos seus santos e
ser admirado” (2Tessalonicenses 1.9-10).
Então, na tensão que sentia entre perseguir a glória de Deus e buscar
minha felicidade, nenhuma solução poderia ser encontrada em enfraquecer
minha busca pela glória de Deus. As apostas nesse lado do dilema foram
aumentadas para o nível mais alto possível. Sem acordo. Sem diminuição.
Eu digo isso com grande alegria, porque eu não estava, e não estou
procurando uma forma de me afastar da supremacia absoluta e inalterada
da glória de Deus em todas as coisas. Essa é a grande estrela polar no
paraíso da minha mente.

A proposta de Pascal
Mas e a outra metade do dilema – a busca da felicidade? As apostas foram
aumentadas deste lado também. Blaise Pascal disse isso mais
poderosamente do que eu ousaria, embora isso fosse o que eu suspeitasse
ser verdade:

“Todos os homens buscam a felicidade. Isso não tem exceção. Seja qual forem
os diferentes meios que empreguem, todos eles tendem a esse fim. A causa de
alguns irem à guerra e de outros evitá-la está no mesmo desejo em ambos, com
diferentes visões. A vontade nunca dá o menor passo a não ser com esse
objetivo. Esse é o motivo de toda ação de todo homem, mesmo daqueles que se
enforcam”. (Pensées, 45).
Se você não concorda com Pascal, não pare de ler aqui, porque o
hedonismo cristão não se sustenta por ele estar certo. O hedonismo cristão
não é sobre a busca da alegria que é (todas as pessoas buscam a felicidade),
mas a busca da alegria que deve ser (todas as pessoas devem buscar a
felicidade).

Meu ponto aqui é simplesmente que Edwards e Pascal agravaram meu


problema antes que as coisas melhorassem. Agora o dilema não era apenas
uma luta privada dentro de John Piper. Era uma tensão titânica entre a
maior lealdade de Deus (sua glória) e a inexorável paixão do homem (nossa
felicidade). No meu nível pessoal, a tensão era ainda mais real: Deus não
poderia deixar de valorizar sua glória acima de todas as coisas. E John Piper
não podia deixar de perseguir a felicidade mais do que ele poderia deixar
de ficar com fome.

Então veio a descoberta do que chamei de hedonismo cristão. Aconteceu


em duas etapas.

Muito facilmente satisfeito


Em seu programa de aula, o Dr. Fuller citou  C.S. Lewis sob o título
“Estamos muito facilmente satisfeitos”. Realmente? Eu pensei que o
problema era que queríamos estar satisfeitos. Agora Fuller estava dizendo:
Não, nosso problema não é que queremos estar satisfeitos, mas nosso
desejo de estar satisfeito é muito fraco. Ele citou Lewis. Eu precisava ver a
citação no contexto.

Em 16 de novembro de 1968, eu estava na Livraria Vroman’s, no Colorado


Boulevard, em Pasadena. (A loja ainda está lá!) A brochura azul de
Lewis, The Weight of Glory, estava diante de mim, com a face para cima em
uma mesa de ofertas especiais. Eu abri e li a primeira página. Nada tem sido
o mesmo desde então.
“O Novo Testamento tem muito a declarar sobre renúncia, mas não da
renúncia como um fim em si. Ele diz-nos que devemos negar a nós mesmos e
tomar a nossa cruz para poder seguir a Cristo. E quase todas as descrições da
recompensa que se seguirá a essa renúncia contêm um apelo ao desejo natural
de felicidade. . ..
Na realidade, se considerarmos as promessas pouco modestas de galardão e a
espantosa natureza das recompensas prometidas nos evangelhos, diríamos que
nosso Senhor considera nossos desejos não demasiadamente grandes, mas
demasiadamente pequenos. Somos criaturas divididas, correndo atrás de
álcool, sexo e ambições, desprezando a alegria infinita que se nos oferece, como
uma criança ignorante que prefere continuar fazendo seus bolinhos de areia
numa favela, porque não consegue imaginar o que significa um convite para
passar as férias na praia. Ficamos muito facilmente satisfeitos”.
Esses foram ventos de outras terras. Foi exatamente o oposto do que T.W.
Manson me disse sobre não viver em função da recompensa prometida por
Cristo. Lewis me disse que eu não estava vivendo o suficiente para a
recompensa! Cristo nos deu “promessas escancaradas de recompensa” . . .
e nos encontra com nossos desejos não extremamente fortes, mas fracos
demais”. O problema não é o desejo de felicidade, mas que nos
contentamos com bolinhos de areia quando nos é prometido o paraíso. O
grande problema com a humanidade é que não desejamos a felicidade com
conhecimento e paixão suficientes.
Todos os instintos bíblicos em mim sabiam que isso estava certo. Quantas
vezes eu pude ler as palavras de Jesus: “É mais abençoado dar do que
receber” (Atos 20.35) e tentar me convencer: “Sim, mas não deixe a benção
prometida influenciar sua doação”? Essa batalha acabou. Jesus fez a
promessa, e ele queria que isso nos movesse. Obrigado, C.S. Lewis, por me
libertar da negação do óbvio.

Claro, o que ainda não era óbvio era como a ordem de Jesus para buscar a
recompensa se conectava com o amor de Deus por sua glória. Esse foi o
próximo estágio da descoberta.

Louvor: cumprimento da alegria


Ironicamente, Lewis forneceu a chave, tornando o enigma mais sombrio.
Ele ressaltou que o amor de Deus pelo louvor de sua glória havia sido um
enorme obstáculo para ele chegar à fé. Quando ele leu os Salmos, ele disse,
eles pareciam imaginar o desejo de Deus “por nossa adoração como uma
mulher vaidosa que deseja elogios” (Reflections on the Psalms, 109).
Desde aqueles dias em 1968, aprendi que muitos outros tropeçaram no
amor de Deus por sua glória. Para muitos, esse amor parece uma viagem ao
ego – como uma megalomania. Como Lewis superou essa pedra de
tropeço? Em seu livro Reflexões sobre os Salmos, ele explicou como:

“O fato mais óbvio sobre o louvor – seja de Deus ou de qualquer coisa – havia
me escapado estranhamente. Pensava nisso em termos de elogio, aprovação ou
entrega de honra. Eu nunca tinha notado que todo prazer transborda
espontaneamente em elogios, a menos que (e às vezes até) devido à timidez ou
o medo de entediar os outros sejam deliberadamente reprimidos. . ..
Eu também não havia notado que, assim como os homens elogiam
espontaneamente o que eles valorizam, eles também nos instam
espontaneamente a juntar-se a eles para elogiá-lo: ‘Isso não é adorável? Não foi
glorioso? Você não acha isso magnífico’? Os salmistas, ao pedir a todos que
louvem a Deus, estão fazendo o que todos os homens fazem quando falam do
que lhes importa. Toda a minha dificuldade, de forma geral, sobre o louvor a
Deus, dependia da minha absurda negação, no que diz respeito ao
extremamente valioso, o que gostamos de fazer, o que de fato não podemos
deixar de fazer, sobre tudo o que valorizamos.
Acho que gostamos de elogiar o que apreciamos, porque o elogio não apenas
expressa, mas completa o prazer; é a própria realização. Não é por obrigação
que os amantes continuam dizendo uns aos outros como são bonitos; o prazer é
incompleto até que seja expresso”. (109–11, grifo nosso)
Essa foi a chave. O prazer transborda em elogios. Mais precisamente,
elogios não expressam apenas prazer; é a própria realização. Louvor é
prazer – a expressão de prazer do que valorizamos.

Se o louvor é o transbordamento de alegria no que valorizamos, e se essa


alegria não é completa até transbordar em louvor, então Deus está
buscando nossa satisfação máxima quando exige nosso louvor. Ele sabe
que é o tesouro todo-satisfatório do universo. Isso é um fato, e nenhuma
falsa humildade pode torná-lo falso. Ele também sabe que não
encontraremos plenitude de felicidade em nenhum outro lugar senão nesse
próprio tesouro. Finalmente, ele sabe que louvor é a realização dessa
felicidade.

Portanto, ele nos ordena a desfrutá-lo plenamente e convida que esse


desfrute chegue à sua realização – a saber, no transbordar do louvor. Em
outras palavras, o amor de Deus por sua glória e nosso desejo por ser feliz
culminam na mesma experiência de adoração. Isso não é megalomania. Isso
é amor.

Casamento Feliz
E é também o casamento feliz do amor de Deus em ser glorificado e meu
desejo em ser satisfeito. Louvor é obediência ao mandamento de Deus de
que ele seja glorificado. E louvor é a realização do meu desejo de estar
satisfeito. Essas duas realidades maciças do universo – glorificação divina e
desejo humano – não estão em última análise em desacordo. O antigo
conflito – que nunca deveria ter existido – acabou. Foi um ano decisivo:
1968. O hedonismo cristão foi descoberto. Esse tem sido o objetivo, o guia
e a força da minha vida e ministério por cinquenta anos.

Ele suportou a prova do tempo – cinco décadas de casamento, quatro


décadas de criação de filhos e três décadas de ministério pastoral, todas
tecidas com fios de tristeza e alegria. A todo momento, o hedonismo
cristão tem sido meu objetivo, guia e força saturados de Bíblia. Ele tocou
todas as áreas da vida. E lamento que não tenha penetrado mais
profundamente.

Não pretendo ser o melhor exemplo do hedonismo cristão. Conheço


muitos outros que encarnam essa realidade melhor que eu. Mas sou uma
testemunha. E oro para que meu testemunho não seja em vão. Em toda a
minha vida e ministério, eu (ainda) digo como cristão hedonista, não estou
escrevendo para “que eu tenha domínio sobre sua fé, mas [eu] quero
cooperar para sua alegria” (2Coríntios 1.24). E se Deus me der mais anos de
vida, oro para que, até o fim, meu objetivo seja o mesmo do apóstolo Paulo:
“que ficarei e permanecerei com todos vós, para o vosso progresso e gozo
da fé”, (Filipenses 1.25).

Dessa maneira, não fazemos da alegria a um deus. Mostramos, antes, que


em tudo o que encontramos maior alegria é nosso Deus. E quanto maior a
alegria nele, maior a glória que lhe damos. Onde está nosso maior tesouro,
há o maior prazer de nosso coração. Essa foi a grande descoberta de 1968:
sem conflitos! A glória de Deus e nossa alegria aumentam juntas. Pois Deus
é mais glorificado em nós quando estamos mais satisfeitos nele.

A igreja está cultivando a solidão?


Entrevista com Rosaria Butterfield

A igreja está cultivando a solidão? Rosaria Butterfield responde, sim.

Ela acredita que declaramos independência uns dos outros em nossa


cultura e, infelizmente, em nossas igrejas. Era uma vez, a igreja que “Da
multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava
exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era
comum” (Atos 4.32). Compartilhavam o tempo, compartilhavam a comida,
compartilhavam as posses. Compartilhavam a identidade. Eles eram a
igreja primitiva – uma família unida pelo sangue de Jesus.
Muitas de nossas igrejas hoje, no entanto, deixaram para trás aquela
imagem da família de Deus. A “cultura absolutamente fraca ou inexistente
da família de Deus” da igreja ocidental contemporânea tem promovido um
agravamento inigualável da solidão, com mulheres solteiras em particular,
soterradas no fundo.

A Crise da Solidão
Entrevistei Rosaria Butterfield, autora do livro The Gospel Comes with a
House Key (O Evangelho Vem com uma Chave da Casa), que fala sobre
o tema da codependência. Conforme conversávamos sobre amizade e
limites, nos restringimos
à solidão, especialmente entre as mulheres solteiras.
“Mulheres solteiras”, ela diz, “estão fazendo um tipo de mergulho em águas
profundas que mulheres casadas não
estão. Quando você é casada, existe alguém segurando seus tornozelos qu
ando você está pendurada sobre um abismo. Existem essas mulheres
solteiras e ninguém está lá. Quem vai segurar seus tornozelos? Esta é uma
ilustração poderosa do que Rosaria chama de “crise de solidão”. “Nós [a
Igreja] criamos o problema e agora estamos pedindo aos solteiros que
encontrem a solução”, diz Rosaria. “Dizer a uma mulher solteira que já está
solitária para assumir a responsabilidade de estabelecer limites nos
relacionamentos”, é não entender o problema.
“Precisamos fazer algo sobre
essa cultura de isolamento e falta de família de Deus na igreja.” Ela diz:
“Pessoas desesperadas fazem ídolos”. Se derrotarmos o desespero, talvez a
igreja possa estar no ofício não apenas da destruição de ídolos, mas da
prevenção de ídolos.

Cultivando a Família de Deus


Como, então, cultivamos de maneira prática a cultura de Atos 4 “um
coração e alma” na família de Deus dos dias de hoje? A igreja pode mudar
seu funcionamento de muitas vezes sozinha e ocasionalmente junta, para
muitas vezes juntos e ocasionalmente sozinha?

“Um coração e uma alma” podem começar com um lar. Rosaria faz um
chamado audacioso: “A maioria das famílias deveria estar vivendo
comumente com solteiros na igreja”. Ela continua: “Seu propósito, assim
como na paternidade, não é criar dependência, mas ajudar as pessoas a
decolar. A vida em comunidade é um arranjo de curto prazo, para as épocas
da vida em que há necessidade de uma fiel
presença”. Discipulado, em sua mente, deveria crescer a partir do funciona
mento da família cristã.
Rosaria descreve vários benefícios para a família da
aliança ao abrir suas portas: (1) muitos na igreja podem ter intimidade e
relacionamento seguros; (2) reduz a necessidade de intervenção ou
aconselhamento da igreja porque mais questões são tratadas
organicamente em comunidade; (3) coloca uma pressão saudável em um
casamento para ser um casamento piedoso e não recorrer a “viver juntos
como companheiros de quarto”; e (4) visualmente representa a família de
Deus.
Podemos chorar juntos. Podemos nos alegrar juntos. Podemos suportar
fardos juntos. Podemos viver a vida juntos – porque já estamos
juntos. Você não pode ganhar mais por ter “tudo em comum” (Atos 4.32)
do que dividindo espaço de vida e tudo nele com irmãos e irmãs em
Cristo. Afinal de contas, um dia, como a noiva coletiva de Cristo, todos ter
emos um lugar de moradia com nosso Deus. Para sempre (Apocalipse
21.3).
Mas Rosaria nos encoraja
a funcionar como família de Deus, mesmo quando não vivemos sob o mes
mo teto. “À nossa mesa, temos muitos solteiros da igreja que não moram
em nossa casa. Eles vêm, eles jantam, nós temos devocionais e [nós] temos
uma compreensão de onde as pessoas estão [espiritualmente]”. As
Escrituras preveem essa união do corpo marcada pelas reuniões “dia a dia”,
pela assiduidade à igreja, pela oração e pelo partir do pão em nossos lares
(Atos 2.42–47). Nossas casas podem e devem estar abertas a um ritmo
regular de alimentar almas e corpos famintos.

Para o seu pequeno grupo


“Um coração e uma alma” requer uma lembrança ativa de
que compartilhamos uma identidade. Quando comemoramos o quarto
aniversário da minha filha mais velha, fizemos uma festa para as crianças e
seus pais. Quase todas as pessoas do nosso pequeno grupo vieram – e
nenhuma delas tinha filhos. Eles eram todos solteiros.
Durante a maior parte da vida do nosso pequeno grupo, fomos o único
casal casado. Nossos filhos têm servido de modelo para nós em como a
família de Deus se parece, quando eles recebem e interagem com nossos
irmãos e irmãs quando eles entram pela porta adentro – desde os mais
jovens com seus vinte e poucos, aos mais velhos com seus setenta e
poucos anos. Para eles, cada pessoa tem um nome, identidade, talentos e
personalidade. Para eles, como deveria ser para
nós, temos tudo em comum: Jesus.
Então, como devem se parecer as nossas comunidades de pequenos
grupos? Rosaria nos aponta para os Salmos de Peregrinação (Romagem):
Pense em como seria fazer aquela peregrinação até Jerusalém. Este é um
esforço comunitário, e nesta comunidade há pessoas que são muito
pequenas e muito velhas. Há pessoas que não podem andar sozinhas e
pessoas que precisam ser carregadas. Existem pessoas que carregam outras
pessoas. Existem amizades de diferentes idades e todos os tipos de outras
diferenças, e, no entanto, estamos todos nos dirigindo à Jerusalém. E este
precisa ser o modelo para nossa família de Deus cristã, a fim de que todos
nós estejamos nos dirigindo para esta Nova Jerusalém.
Rosaria adverte fortemente contra pequenos grupos homogêneos,
particularmente aqueles que se separam por idade, sexo, época de vida ou
luta contra pecados comuns. “O que as mulheres solteiras precisam não são
mais mulheres solteiras. O que as famílias jovens precisam não são mais
famílias jovens”. Por quê? Rosaria continua: “Pequenos grupos organizados
por uma categoria sociológica realmente enfraquecem relacionamentos
para atravessar diferenças em uma igreja. E isso enfraquece nossa
capacidade de realmente servir uns aos outros ”.
Rosaria nos encoraja a “deixar espaço para amizades reais e orgânicas”.
Cristo é nossa comunhão e nós somos membros de seu corpo. E quando
exibimos nossa unidade pelo sangue à medida que interagimos através das
nossas diferenças, nós não apenas servimos uns aos outros; nós damos ao
mundo um retrato da comunhão genuína e daquele que a capacita.

Ideias Práticas para Igrejas


“Um coração e uma alma” devem ser uma missão coesa em toda a igreja.
Para as igrejas menores, Rosaria diz que cultivar uma cultura de família de
Deus pode acontecer mais naturalmente. Mas para aqueles de nós em
igrejas maiores, os anciãos deverão liderar a determinação de como os
tipos certos de relacionamentos serão estabelecidos e nutridos. Aqui estão
algumas ideias que Rosaria oferece aos pastores, anciãos e líderes da igreja
à medida que crescemos em nosso estilo de vida de família de Deus.

1. Fornecer casas que recebam durante as festas
Rosaria recomenda: “Algumas casas da igreja são locais que recebem
outros durante as festas – sem perguntas; sem convite necessário.” Em
igrejas maiores, esta iniciativa pode requerer que líderes da igreja compilem
uma lista de membros com portas abertas nos feriados do ano, e ter
pessoas que se inscrevam para se juntarem a elas – um início formal para
um ritmo orgânico à caminho.
2. Incentive pequenos grupos a agir como uma família
Pequenos grupos derrubam as paredes de grandes igrejas em casas de
família. Eles são frequentemente o meio pelo qual vivenciamos a
comunhão, satisfazemos as necessidades do ministério dentro da igreja,
juntamos ideias e executamos evangelismo em nossos bairros e cidades.
Rosaria nos lembra porque todos os três são necessários:
Vamos pedir-lhes que sejam irmãos e irmãs no Senhor. Vamos nos
certificar que à medida que servimos ao Senhor juntos, e vamos até lá, e
temos conversas difíceis, tenhamos tido muito tempo para jogar cartas uns
com os outros ou montar um quebra-cabeças juntos na mesa da sala de
jantar – que nós realmente nos conheçamos um ao outro nesse nível.

Nós depositamos nossos planos e tempo aos pés da cruz, não apenas por


causa do ministério externo na comunidade, mas por causa
de conhecermos bem uns aos outros. Temos noites de jogos, comemos
alimentos não preferidos e abrimos mão da hora de ir para cama das
crianças (e nossa) em prol da comunhão, assim como fazemos por causa de
estudar a palavra de Deus e engajar o mundo descrente à nossa volta.
3. Promova a intimidade baseada na vizinhança
Não importa o quanto a visão de Rosaria seja estranha para as famílias da
igreja, todos nós podemos dar passos adiante, especialmente se
começarmos a sonhar e orar com membros da igreja em nossa
vizinhança. Muitos dos seus conselhos presumem que não moramos longe
um do outro. O compartilhar regular de refeições, pregar a palavra um ao
outro, atividades recreativas e vida missional na comunidade
geralmente exigem proximidade.
Uma maneira prática de promover, então, é simplesmente
descobrir quem vai à sua igreja e vive perto de você. Você sabe?

Família agora e para sempre
A igreja está cultivando solidão? Possivelmente. De qualquer
maneira, há um chamado aqui para todos nós: que através de nossas fiéis
orações, escuta e obediência, nossa vida cotidiana e ministério retratem a
realidade de “um coração e alma” da igreja, a verdadeira família de Deus. E
para aqueles de nós que sentem que a família de Deus é uma realidade
inatingível, Rosária resume o nosso caminho à
diante: “Faça o que você faz e abra ainda mais os seus braços.”

Deus sabe o que você não tem

“Deus prometeu suprir todas as nossas necessidades. O que não temos


agora, não precisamos agora”.

Quando Elisabeth Elliot (1926–2015) disse isso, eu me animei. E acenei


concordando. Lembro-me de sua vida, seu marido missionário assassinado,
sua devoção ao evangelho, seu fervor absoluto para com Jesus e a
congruência de suas palavras e prática, e digo: “Amém”.

As circunstâncias de sua vida eram coisas de lenda para uma garota em


crescimento como eu. Era inegavelmente evidente que Deus estava
orquestrando todas as dificuldades e decepções maciças que ela
experimentou, no mínimo, para ajudar todo o resto de nós. Eu queria ser
como ela, porque queria conhecer o seu Deus tão profundamente quanto
ela conhecia – o tipo de Deus que fazia cada provação valer a pena.

Mas eu não contava totalmente com os recursos de sua fé inabalável em


Deus. Eu pensava, ou pelo menos esperava, que a intimidade e confiança
que ela tinha em Jesus poderia vir através de uma vida de conforto.
Descobri que, para ser como ela e conhecer a Deus de tal forma, precisaria
aprender a feliz entrega da disciplina. Eu teria que trilhar um caminho
através do sofrimento e precisaria descobrir a beleza em minhas próprias
“cinzas estranhas[i]”.

Quais são as nossas necessidades?


Eu estava na porta da maior sala de emergência do nosso hospital infantil
de última geração. Mal havia espaço para mim quando treze médicos se
moveram com urgência, esbarrando um no outro, com palavras enérgicas
vindas do médico responsável. E no meio disso tudo, nosso filho de treze
meses, parecendo pálido e sem vida. Eu queria chorar alto ou gritar o nome
do meu filho, ou fazer alguém me dizer como isso iria terminar.

Eu não fiz nada disso. Fiquei em silêncio, sem me mover, apertando as


mãos, enquanto meu coração não pulsava, mas parecia se dissolver. Eu
pensei que se eu ficasse quieta e comportada, eles me permitiriam ficar
perto do meu filho. Eu os assisti colocar uma agulha intravenosa
diretamente em seus ossos para fazer chegar os medicamentos à sua
medula o mais rápido possível. Segui atrás da maca com o rosto pálido
enquanto a enfermeira ritmicamente bombeava o ventilador manual,
respirando para o nosso filho, até chegarmos ao nosso quarto na UTI e ele
poder ser ligado à máquina.

Eu tinha aprendido anos antes (talvez não tão bem quanto deveria) que
Deus não é obrigado a nos dar filhos. E que às vezes ele os leva embora
depois de dar. Meu eu ingênuo de vinte e poucos anos ficou chocado com
essa realidade. Subconscientemente acreditando estar imune ao aborto,
fiquei surpresa quando aconteceu. As simples palavras de Jó me
confortaram e me assustaram: “O Senhor o deu e o Senhor o tomou” (Jó
1.21).

E agora, com cinco crianças vivas – a mais nova com sérios problemas
médicos – eu me deparei com outro plano que não correspondia ao meu.
Que, para ser justa, é uma ocorrência diária. Não tenho certeza se já tive
um dia de acordo com o meu plano. Mas as diferenças entre o meu plano e
o de Deus, com algumas exceções notáveis, geralmente eram de pequena
escala. Ver a vida do meu filho na balança não era uma diferença de
pequena escala entre o plano de Deus e o meu.

O que significa prosperar


Naquela noite, no hospital, sozinha com meu filho inconsciente e o som do
ventilador fazendo um tipo aterrorizante de silêncio, Deus estava
retrabalhando minha compreensão da carência e da prosperidade. Nos
próximos anos, eu me depararia com muitas perguntas sobre o que eu
precisava e o que nossa família precisava para prosperar como seu povo.

Eu precisava que meu filho fosse saudável? Quão saudável era saudável o
suficiente? Será que nossos filhos mais velhos precisavam de uma infância
imaculada pelo sofrimento? Eles precisavam de uma família com menos
“necessidades”? Eles precisavam de mim para educá-los em casa o tempo
inteiro para se tornarem pessoas cristãs decentes? Eu precisava dormir?
Quanto? Precisava de menos vômito na minha vida? Quão coerente eu
precisava ser para ser uma humana gentil?

Você provavelmente tem suas próprias perguntas. Você precisa de um


casamento saudável? Você precisa que seu filho seja salvo? Você precisa se
mudar para uma cidade diferente, uma casa diferente, um bairro diferente?
Você precisa se livrar da sua dor crônica? Você precisa de Deus para lhe
dar um “sim” ao pedido que você tem trazido a ele nos últimos vinte anos?
Você precisa se livrar de sua solidão? Você precisa de estabilidade ou
mudança?

O que exatamente Paulo quer dizer quando promete: “E o meu Deus,


segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de
vossas necessidades”? (Filipenses 4.19).

A calma após a tempestade


Meu filho passou por aquela internação traumática no hospital. Eu também.
Embora não tenha sido a última vez que estivemos lá.

Eu senti vontade de declarar vitória. Nós sobrevivemos. Minha fé estava


intacta – até fortalecida. Mas uma descoberta da última década da minha
vida foi que os grandes testes nem sempre são o teste que achamos que
são. De alguma forma, passamos por essas grandes provas assustadoras.
Pela graça e orações e a ajuda do povo de Deus, nós nos apegamos à
esperança nas promessas de Deus e suportamos. Mas muitas vezes são os
pequenos desafios que seguem os grandes que ameaçam nos desvendar.

Alguns anos depois daquela sinistra estadia no hospital, quando eu deveria


estar feliz com o progresso do meu filho e como as coisas estavam indo
bem, encontrei-me dizendo a Deus às duas horas da manhã: “Eu não posso.
Eu não posso mais viver assim. Eu não posso fazer as coisas que eu tenho
que fazer todos os dias dormindo tão pouco a cada noite. Eu preciso que o
Senhor me dê alívio. Eu preciso que o Senhor abrande esse desastre
noturno”. Você vê, nosso filho interrompeu o sono por causa de seus
problemas neurológicos. Ele tem melhorado em suas convulsões, mas, em
geral, os cinco anos de sua vida têm sido desafiadores na questão do sono.
E foi essa pequena provação que estava ameaçando me fazer regredir.

Cuidado com pequenas provações


Eu tinha a ideia de que, para discipular meus filhos, eu precisava ser
coerente e menos afoita. Eu tinha a ideia de que, para que Deus me usasse
para guiá-los a ele, eu precisava me desfazer desse puro estado de limite da
minha paciência. Estava tudo bem em ser trazida para baixo – eu já tinha
estado lá muitas vezes – mas quão baixo eu tinha que chegar? Quer dizer,
eu lia artigos cristãos que declaravam que o sono é um ato de humildade.
Então, por que Deus me negaria essa humildade? Eu queria confiar nele
com meus olhos fechados.

Mas Deus não me deixou direcionar meu coração para necessidades


menores. Nós temos necessidades maiores do que o sono. Temos
necessidades maiores do que a nossa saúde ou a saúde dos nossos filhos.
Temos necessidades maiores do que um cônjuge ou alívio da dor crônica.
Nós temos necessidades maiores do que coerência. Temos necessidades
maiores do que esse emprego, carreira ou casa. Temos necessidades
maiores do que servir a Deus como esperávamos.

O que eu realmente precisava era ler mais de perto o texto de Filipenses 4,


a fim de descobrir que o próprio Paulo tinha avançado mesmo sem suas
necessidades básicas terem sido satisfeitas. Ele diz assim: “Tanto sei estar
humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as
circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim
de abundância como de escassez”; (Filipenses 4:12). Paulo enfrentou
necessidades não atendidas e aprendeu a abundar nelas.

Em todas as circunstâncias
As ideias de Deus sobre nossa prosperidade são diferentes das nossas.
Pensamos que prosperar significa oito horas de silêncio, um bom trabalho,
estar rodeado de pessoas que nos tratam com respeito, tendo a
oportunidade de ter sucesso em algo, bons cuidados médicos, um
casamento amoroso e crianças felizes. Essas são coisas boas, mas elas não
são as coisas que Deus está mais preocupado em nos dar nesta vida para
nossa prosperidade.
Na economia de Deus, nós prosperamos quando nossa necessidade por ele
é encontrada nele. Queridos irmãos e irmãs, não há nenhuma circunstância
sob o céu que Deus não esteja usando para nos tornar carvalhos de justiça.
Não há necessidade de que ele não se encha de si mesmo. A promessa é
realmente verdadeira: Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir,
em Cristo Jesus, cada uma de nossas necessidades (Filipenses 4.19). Não há
nada de que realmente precisamos que não seja encontrado em Cristo.

Ainda mais, as circunstâncias onde uma necessidade ou desejo terreno


tenha sido negada são, muitas vezes, seus meios customizados de acelerar
nossa santidade e felicidade nele. Quando queremos, recebemos mais de
Cristo. Quando sofremos, nossa solidariedade com ele cresce.

Como de costume, Elisabeth estava certa: “Deus prometeu suprir todas as


nossas necessidades. O que não temos agora, não precisamos agora” E o
que precisamos agora, nós temos agora: a mão soberana amorosa de Deus
Pai trabalhando todas as coisas para o nosso bem (Romanos 8.28); Cristo, o
Filho, como nosso advogado, Salvador e justiça (1João 2. 1; Filipenses 3.20;
1Coríntios 130); e a intercessão, ajuda e consolo do Espírito Santo que nos
cercam dia a dia (Romanos 8. 26-27).

Então, no final de nossas vidas, nós verdadeiramente poderemos dizer: “Eu


nunca senti necessidade de nada. Eu nunca tive um ‘não’ do meu Pai que
não fosse um ‘sim’ para coisas melhores e mais profundas”.

Distração pode te custar tudo


Um dos ditos mais repetidos de Jesus nos Evangelhos é alguma versão
disso: “Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça” (Marcos 4.23). Se formos
sábios, ouviremos com atenção o que quer que Jesus diga, especialmente o
que ele diz repetidamente. E nesse caso, ouvir é exatamente o que ele está
nos dizendo para fazer.
Há uma razão muito importante por trás da exortação de Jesus:

“Atentai no que ouvis. Com a medida com que tiverdes medido vos
medirão também, e ainda se vos acrescentará. Pois ao que tem se lhe dará;
e, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado”.

Você entende o que Jesus está dizendo? O fato de esse aviso em si mesmo
ser um pouco difícil de entender ilustra seu ponto: escute e pondere com
cuidado, pois, se você não o fizer, não entenderá e, se não entender,
perderá qualquer capacidade para entender o que deve fazer.
Tudo depende de quão bem você ouve o que Deus está dizendo – o que
comumente chamamos de palavra de Deus. E ouvir bem a Deus exige muita
atenção. Você está prestando atenção?

O estranho objetivo das parábolas


Jesus dá esse aviso no contexto em que ele conta uma série de parábolas.
As parábolas eram “histórias de enigmas” nas quais Jesus ocultava
profundos segredos do reino de Deus em metáforas breves e que muitas
vezes soavam terrenas. Nas histórias registradas em Marcos 4, ele usa os
solos de um fazendeiro (Marcos 4.1-8), uma lâmpada de óleo (Marcos 4.
21-25) e sementes (Marcos 4.26-32).

Leia-os. Você os entende? Naturalmente, Jesus explica a parábola dos solos


(Marcos 4.13-20). Mas e a lâmpada ou as sementes? Essas histórias
parecem mais simples do que são. Nós realmente não as entenderemos a
menos que estejamos prestando atenção.

E nós temos Bíblias! Nenhum dos ouvintes originais de Jesus havia ouvido
essas parábolas antes. Elas não foram escritas para que pudessem ser lidas
repetidamente, ter sua estrutura gramatical examinada e ser
convenientemente referenciadas com outras partes das Escrituras. Os
primeiros ouvintes ouviram essas histórias uma vez. Se eles não estivessem
prestando atenção, eles poderiam perder o reino. Isso seria uma distração
que custaria muito.

Quando Jesus explicou aos seus discípulos por que ele ensinava por
parábolas, ele disse que o fazia, citando partes de Isaías 6.9-10, para que
seus ouvintes “vendo, vejam e não percebam; e, ouvindo, ouçam e não
entendam; para que não venham a converter-se, e haja perdão para eles”
(Marcos 4.12). Aqui, novamente, a explicação difícil de entender de Jesus
ilustra seu ponto: se não estivermos ouvindo atentamente, perderemos o
que ele está dizendo.

Deus está realmente dizendo enigmas para que as pessoas não entendam?


Não e sim. Jesus contou parábolas para revelar os mistérios espirituais do
reino, e ele realmente queria que as pessoas os entendessem. É por isso
que ele disse: “Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça” e “Preste atenção”.
Mas seu método revelador testou a vigília espiritual e a seriedade dos
ouvintes. Aqueles que estivessem escutando e realmente prestando
atenção ouviriam. Mas o espiritualmente entorpecidos e distraído não o
ouviriam. Jesus queria dar o reino ao primeiro, não ao segundo. Aqueles
que não prestam atenção revelam sua estupidez espiritual – insensibilidade
que tem sérias consequências: perder o reino de Deus.

As formas contra intuitivas de Deus


Se as palavras de Jesus aqui soam contra intuitivas, elas são. Jesus falou e
agiu de maneira consistente com as palavras e os caminhos de Deus ao
longo da Bíblia, capturados neste texto:

“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os


vossos caminhos, os meus caminhos, diz o SENHOR, porque, assim como
os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais
altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do
que os vossos pensamentos”. (Isaías 55.8-9)

Eu vi essa passagem, ou uma parte dela, citada em memes cristãos,


calendários e cartões comemorativos, muitas vezes com uma bela paisagem
inspiradora, com o mar ou o céu ao fundo. Mas se inseríssemos imagens
bíblicas como pano de fundo, elas seriam coisas como uma árvore proibida
no Éden, a existência de Satanás, uma inundação terrível, Abraão prestes a
sacrificar Isaque, Jacó disfarçado de Esaú, José definhando na prisão, Israel
com um mar diante deles e do exército egípcio atrás, Raabe, a prostituta
cananeia, casando-se com um israelita, entrando na linhagem messiânica,
Davi escondendo-se de Saul em uma caverna, Jeremias chorando por causa
de mulheres judias cozinhando seus bebês, Jesus dormindo em um cocho e,
acima de tudo, Jesus adulto mutilado e pendurado em uma cruz romana.

Os caminhos de Deus verdadeiramente não são os nossos caminhos.


Nenhum de nós teria escrito a história da redenção como Deus tem feito. A
história em si aponta para uma personalidade e uma intencionalidade por
trás dela.

E se estivermos prestando atenção, poderemos detectar a personalidade e


a intencionalidade na forma estranha como Jesus comunica o reino de
Deus em parábolas difíceis de entender. Nenhum de nós faria isso dessa
maneira.

Familiar, rico e distraído


O principal qualificador é se estamos prestando atenção. Porque, como Jesus
disse, se não estamos prestando atenção ao que Deus diz, perderemos o
que Deus está fazendo. Essa é uma distração que custa caro.
Pela graça de Deus, temos uma vantagem sobre os ouvintes originais de
Jesus: temos a autoridade da palavra escrita de Deus. De fato, nunca tantos
cristãos tiveram tanto acesso à palavra de Deus como nós temos hoje.

Mas não devemos ser induzidos a pensar que tanto acesso e familiaridade
com o ensino de Jesus significa que não enfrentamos o mesmo perigo que
os ouvintes do primeiro século. Podemos ter uma visão mais clara do reino
do que as multidões que ouviram as parábolas de Jesus, mas estamos tão
ameaçados pela audição desinteressada como qualquer um jamais esteve
(Hebreus 5.11).

Nunca os cristãos possuíram tanta riqueza quanto os cristãos ocidentais


hoje, o que apresenta muitas tentações para nós e ameaça nos destruir
(1Timóteo 6. 9-10). E nunca os cristãos foram bombardeados com tantas e
tão variadas distrações quanto nós. Excessivamente familiar,
excessivamente rico e excessivamente distraído é uma receita para o tipo
de audição desinteressada que muitas vezes se manifesta como
sendo capaz de explicar o que Jesus quer dizer sem realmente nos levar a fazer
o que ele diz.
É um falso consolo ser capaz de ensinar com precisão um texto se não o
obedecermos, se funcionalmente nossas ansiedades e desejos carnais nos
governarem, não os mandamentos e promessas de Jesus. Esta pode ser
uma forma mais enganosa de audição desinteressada do que simplesmente
não ouvir ou esquecer.

Preste muita atenção


“Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às
verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos”. (Hebreus 2. 1). Se
não estamos prestando atenção, podemos nem perceber que estamos à
deriva. Podemos olhar em volta e ver muitos outros cristãos distraídos e
desinteressados, que falam sobre a conversa de Jesus sem andar nos
passos de Jesus, acham que deve ser normal e presumem que estejam indo
bem. A única maneira de sabermos se estamos prestando muita atenção ao
que Jesus diz, da maneira que ele quer dizer, é se estamos realmente
fazendo o que ele diz (João 14.15).

A vida cristã deve ser uma vida atenta (Marcos 13.37; Lucas 21.36; Efésios
6.18; 1 Tessalonicenses 5.6; 1Pedro 5.8). A vida cristã é uma vida
ouvinte (Marcos 4.24; Lucas 8.21; João 10.27; Romanos 10.17; Hebreus
3.7-8). Mas a escuta atenta de Jesus não vem naturalmente. Deve ser
cultivada e diligentemente guardada. E não há fórmula para como prestar
mais atenção. Ela é cultivada tornando a atenção um hábito – praticando os
hábitos da graça. Aprendemos a prestar atenção
intencionalmente tentando prestar atenção. O Espírito nos ajudará se
pedirmos ao Pai que nos ensine (Lucas 11.9-10; Salmos 25.4).
Então, seja o que for preciso, devemos prestar atenção ao que ouvimos.
Pois os caminhos e palavras de Jesus são muitas vezes contra intuitivos, e
vivemos em uma época destrutiva de distração. E tudo depende de quão
bem estamos ouvindo Jesus.

‘Hedonismo’ não é uma palavra ruim? Carta a um


adolescente sobre o prazer em Deus

Caro Thomas,

Recebi sua carta sobre a palavra hedonismo e a maneira como a uso na


frase “Hedonismo Cristão”. Eu realmente não quero que você
fique confuso. Mas fico feliz que você tenha ficado surpreso – surpreso o
suficiente para lembrar o que ouviu e confuso o suficiente para
efetivamente escrever sua carta.
Isso é parte do porquê eu uso a palavra hedonismo. Faz com que as pessoas
cocem a cabeça, pensem e escrevam cartas. Tentarei explicar por que uso a
palavra hedonismo – que basicamente significa “uma vida dedicada à busca
do prazer”. Mas primeiro, vamos começar com uma história.
Suponha que você tenha um irmão de 10 anos chamado Joe, que acha que
você é a melhor coisa do mundo. Ele te admira. Ele acha que você é legal.
Ele adora passar tempo com você. E ele gosta de pescar. Seu aniversário
está chegando e você realmente quer fazê-lo feliz com um presente
especial.

Então você faz alguns trabalhos avulsos pelo bairro, ajudando pessoas que
estão trabalhando em seus jardins, para poder ganhar dinheiro extra e
comprar uma vara de pesca e uma caixa de equipamento própria. Mas para
torná-lo especial você coloca uma nota na caixa de equipamento que diz:
“Este é um certificado de promessa de que vou levá-lo para pescar o dia
todo no sábado após o seu aniversário. Só você e eu.”

Você ganha o dinheiro, compra os presentes, embrulha-os e coloca a nota


dentro da caixa. Em seu aniversário, Joe abre os pacotes e ama a vara e a
caixa de equipamento. Então ele abre a caixa e encontra sua nota. Ele
desdobra e lê. “Uau”, diz ele, “esse é o maior de todos! Tom, eu amei a vara
e a caixa de equipamento. Mas o dia todo com apenas você e eu –
pescando! Uau!”

E suponha que você sorriu e disse: “O prazer é meu, Joe. Na verdade, não
consigo pensar em nada que me faria mais feliz neste sábado do que passar
o dia com você”.

Então o rosto de Joe fica vermelho. A alegria deixa o seu coração. E ele
bufa: “É o seu prazer! Nada te deixaria mais feliz! Então é tudo sobre você!
É tudo sobre o que te faz feliz! Você é muito egoísta”!
Você fica atordoado com essa reação. Sem palavras.

A razão pela qual você está atordoado e sem palavras é que


isso nunca aconteceria. Joe nunca responderia dessa maneira. Por que não?
De fato, você disse: “O prazer é meu”. Você disse: “Não consigo pensar em
nada que me deixaria mais feliz”. Mas você e eu sabemos que Joe nunca
ficaria chateado com isso. Ele nunca trataria você como se estivesse sendo
egoísta.
Por quê? Porque quando você encontra seu prazer em passar um tempo
com Joe, você o honra. E ele sente isso. Você o trata como especial. Você
diz: “Há algo em você que me faz querer estar com você”.

Honre a Deus, desfrutando-o


Aqui está a principal questão à qual quero chegar: sua busca por sua
felicidade ao sair com Joe chama a atenção para o valor de Joe, não para
o seu ego. Isso valoriza Joe – não você. Sua felicidade em passar tempo com
Joe é centrada em Joe, não centrada em seu “eu”. Joe sente isso. Ele recebe
como presente. Ele não se sente usado. Ele se sente amado.
Thomas, aqui está o ponto: essa história é uma parábola de como você
deve se relacionar com Deus. O hedonismo cristão ensina que você deve
buscar sua maior e mais longa felicidade em conhecer a Deus e estar com
Deus. Quando você faz isso, Deus é honrado. Você estará dizendo a Deus:
“Não consigo pensar em nada que me faça mais feliz neste sábado (ou para
a eternidade) do que passar o dia (ou sempre) com o Senhor”. Deus não vai
chamá-lo de egoísta se você se sentir dessa forma! Ele se sentirá honrado.
Ele vai chamar isso de adoração.
De fato, o modo como eu resumo o hedonismo cristão é que Deus é mais
glorificado em você quando você está mais satisfeito nele.

Você vê para onde isso leva? Isso leva à exigência de que você e eu não só
podemos, mas devemos ser tão felizes quanto pudermos em Deus. Porque
é isso que o honra. Sim, é uma exigência bíblica! “Agrada-te do Senhor” (Sl
37. 4). “Alegrai-vos no Senhor” (Sl 32.11; Fp 3.1).

Alegre-se no Doador, Não Apenas nas suas


Dádivas
Mas note cuidadosamente que o objetivo é nos alegrarmos “no Senhor”, e
não primeiramente em suas dádivas. Nele como pessoa, não como um
distribuidor de presentes nos quais nos alegramos mais do que nele
próprio. Isso é chamado de idolatria. O Hedonismo Cristão não tem como
objetivo ter Deus como um mordomo – alguém para quem você toca uma
campainha quando quer que ele lhe traga alguma coisa.
Isso seria como dizer a Joe: “O que eu realmente quero no próximo sábado
é que você faça o almoço, reme o barco, coloque meus anzóis na água,
recolha os peixes e limpe tudo quando terminarmos”. Em outras palavras,
“Eu realmente não quero passar tempo com você como pessoa. Eu só
quero seus serviços”. Muitas pessoas tratam Deus dessa maneira. Mas isso
não é cristianismo. Não é hedonismo cristão.

O hedonismo cristão diz o seguinte: Busque o seu prazer com todas as suas
forças, a saber, o prazer em Deus como pessoa. Torne-se o tipo de
adolescente que acha Deus mais desejável do que qualquer outra coisa. E
quando você apreciar qualquer outra coisa – como pizza, futebol, música
ou amigos – deixe que tudo isso seja o gatilho para uma alegria maior em
Deus. Assim essas coisas não se tornam ídolos. Tornam-se provas da
bondade, misericórdia e excelência de Deus – provas de que é o próprio
Deus quem satisfaz.

Plenitude para sempre


Ok, agora podemos abordar a palavra hedonismo. Quando eu estava no
décimo ano, eu tinha um “Webster’s Collegiate Dictionary”. Ele definia o
hedonismo como “viver para o prazer”. Hoje uma pesquisa no Google me
leva a esta definição: “a busca incessante pelo prazer”. Ambos são o que
quero dizer com o hedonismo: Viver para – buscar implacavelmente – o
prazer.
Naturalmente, a palavra é frequentemente usada para descrever uma vida
dedicada ao prazer pecaminoso. Ou às vezes é usada para descrever um
modo de pensar sobre a vida onde se decide o que é certo apenas pelo
prazer que pode dar. Eu não quero dizer nenhuma dessas coisas.
Quando coloco a palavra cristão após ela e a chamo de hedonismo
cristão, quero dizer que os prazeres mais fortes e mais longos só podem ser
encontrados em Deus por meio de tudo o que Jesus fez ao morrer por nós,
ressuscitar e governar sobre o mundo. A Bíblia diz que isso é, de fato, o que
encontramos quando encontramos a Deus: “Na tua presença há plenitude
de alegria; na tua destra, delícias perpetuamente”. (Sl 16.11).

Melhor que a vida


Ao usar a palavra hedonismo, quero que o mundo se sente e diga: “Sério?”
Thomas, seus amigos não-cristãos provavelmente acham que conhecem o
caminho para os melhores prazeres. Eles não conhecem. O caminho do
prazer pecaminoso leva apenas à destruição. Deus nos ama demais para
nos deixar seguir por esse caminho sem nos avisar: “Amados, exorto-vos,
como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais,
que fazem guerra contra a alma”. (1Pe 2.11). A Bíblia os chama de “prazeres
transitórios” (Hb 11.25). Eles não são os melhores. E eles não duram.
Os prazeres que temos em Deus, agora e para sempre, são realmente
melhores do que o mundo tem a oferecer, mesmo em seus melhores e mais
inocentes momentos. “Mais alegria me puseste no coração do que a alegria
deles, quando lhes há fartura de cereal e de vinho”. (Sl 4.7).

Sem Brincadeiras
Thomas, chegou um momento em minha vida quando fui atingido pela
verdade de que Deus ordena que eu seja mais feliz nele do que em
qualquer outra coisa. Quero dizer, fui atingido, surrado, detonado. Foi
maravilhoso e assustador. Maravilhoso, porque eu sabia que queria
perseguir minha felicidade. E assustador porque eu sabia que precisaria de
um milagre na minha vida se quisesse desfrutar mais de Deus do que de
comida, televisão, esportes e amigos.

Desde então, eu tenho procurado encontrar palavras para mostrar como a


vida cristã é impactante, chocante e radical. Não é um modo de vida fácil
ou confortável. É extremamente ameaçador para aqueles que querem
apenas brincar de igreja enquanto continuam amando as dádivas de Deus
mais do que a Deus. A palavra hedonismo é a forma que encontrei para
confrontar esses falsos cristãos. Se eles tropeçam em minhas palavras, eles
podem tropeçar na ilusão na verdade.
Espero que isso o ajude, Thomas. Eu o admiro por escrever. Quando eu
tinha a sua idade eu não gostava de ler, assim, eu poderia estar cometendo
um erro em pensar que você pudesse gostar de ir mais fundo no assunto
do hedonismo cristão. Mas, se for esse o caso, escrevi uma versão
condensada do meu grande livro. São apenas 96 pequenas páginas. É
chamado “Plena Satisfação em Deus”. Eu acredito que é fiel ao que a Bíblia
ensina. E, claro, sua autoridade final é a Bíblia. Eu não sou.
Se você o ler, eu oro para que ele coloque você em uma peregrinação ao
longo da vida em descobrir que “Os preceitos do SENHOR são retos
e alegram o coração… São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito
ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos”. (Sl 19.
8, 10).

Um chamado para que adolescentes sejam livres

Eu estou escrevendo pela libertação de adolescentes. Eu escrevo para


desafiar adolescentes a viverem “como pessoas livres” (1 Pedro 2.16). Seja
sábio, forte e livre da escravidão da cultura – conformidade. Em outras
palavras, eu estou chamando os adolescentes para um estilo de vida radical
em tempos de guerra.

A Criação de “Adolescentes”
Sendo um adolescente, é importante que você saiba que a ideia de
“adolescência” foi criada há somente setenta anos. A palavra “adolescente”
não existia antes da Segunda Guerra Mundial. Não havia uma categoria
para seres humanos entre a infância e a vida adulta. Você era uma criança e
depois você era um jovem adulto.

Há somente cem anos, você teria uma responsabilidade decisiva aos treze
anos de idade na fazenda ou na empresa do seu pai – ou na cozinha e na
sala de tecelagem da sua mãe. Você seria treinado para um trabalho
remunerado ou para um empreendimento familiar até os dezessete anos,
estaria casado até os vinte e seria um marido e um pai responsável – ou
uma esposa e mãe – até o os vinte e poucos.

Talvez seja difícil para você imaginar esse cenário. E eu não estou dizendo
que podemos voltar para essa época ou que devemos querer voltar. Meu
objetivo é que você seja liberto pela verdade. A verdade libertará você. A
verdade que você não precisa se encaixar nas expectativas
contemporâneas que a sua cultura ou seus colegas impõe.

Muitos poucos adolescentes têm consciência da história. Essa ignorância


conduz a um tipo de escravidão. A maioria dos adolescentes são escravos
das expectativas de seus colegas e das grandes indústrias que vendem suas
roupas, música, tecnologias e entretenimento.
Essa escravidão é tão agradável – e tão consistentemente recompensada –
que a possibilidade de se libertar da conformidade à cultura adolescente
raramente passa pela sua cabeça. Se conscientizar historicamente que
outras possibilidades existem pode libertá-lo para um estilo de vida radical
em tempos de guerra em nome de Jesus.

O Que “Adolescente” Significava Há Setenta


Anos
Em 1944, a revista Life cobriu o novo fenômeno teen. O artigo disse,

Há um período na vida de toda moça americana em que a coisa mais


importante do mundo é fazer parte da multidão e agir e falar exatamente
como eles. Essa é a adolescência.

Esse não é um princípio muito invejável para o significado de “adolescente”.


As coisas não mudaram muito nos últimos sessenta anos. Um adolescente
escreveu para o jornal da minha cidade natal:

A maioria dos meus amigos não se sentem confortáveis com as roupas mais
populares, mas usam mesmo assim. Chamar atenção nem sempre vale a
pena. A sociedade diz para sermos diferentes e, ao mesmo tempo, para
sermos iguais.

Como se vestir para agradar a si mesmo, aos seus pais e aos seus colegas?
Não é possível. Adolescentes acabam abrindo mão de seus valores para se
encaixar. Se pretendemos sobreviver ao ensino médio ou até ao ensino
fundamental, sem perturbações, precisamos nos vestir para agradar nossos
colegas.

Seremos os próximos líderes desta nação. Precisamos enxergar no que nós


nos tornamos e mudar. (Minneapolis StarTribune, 16 de novembro de
2002; A23).

Não é fácil ser um adolescente cristão. Você desesperadamente quer que


as pessoas gostem de você. Ser rejeitado pelos amigos pode ser
devastador. Mas como essa jovem moça, você sabe, no fundo do coração,
que viver para fazer com que as pessoas gostem de você é escravidão. E se
você pertence a Jesus, essa escravidão pode ser um tormento pior do que a
rejeição.

O Que Significa Ser Legal?


Para muitos, ser legal é tudo. Mas o que é legal? É realmente o telefone
que você tem? Ou os filmes que você viu? Ou se você é forte, rápido ou
bonito? Ou o jeito que seu cabelo mexe e a forma do seu corpo? Você não
é burro. Você sabe que viver para essas coisas é superficial e não faz
sentido.

O que é legal para um jovem de catoreze anos? Eu acho que o que eu vou
dizer agora é centenas de vezes mais legal do que telefones, roupas, filmes
e jogos. O ano é 1945. A Segunda Guerra Mundial continuava a pleno
vapor. Milhares de adolescentes queriam lutar. A Batalha de Iwo Jima foi
uma das mais mortíferas – 6.800 soldados americanos foram enterrados
naquela pequena ilha, muitos eram adolescentes.

Jack Lucas conseguiu persuadir o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados


Unidos a aceitá-lo aos cartorze anos de idade [em 1942], enganando os
recrutas com seu porte musculoso… Ele viajou clandestinamente em uma
embarcação que saiu de Honolulu e sobreviveu através da comida que ele
recebia de membros solidários do Corpo de Fuzileiros Navais.

Aos dezessete anos, ele desembarcou em Iwo Jima no Dia D sem um rifle.
Ele pegou um que estava jogado na praia e lutou até chegar no meio da
ilha. Agora, um dia depois do Dia D, Jack e três companheiros estavam
rastejando pelas trincheiras quando oito japoneses surgiram na frente
deles. Jack atirou na cabeça de um deles.

Então, seu rifle emperrou. Enquanto ele tentava resolver o problema, uma
granada caiu aos seus pés. Ele avisou aos outros e enfiou a granada de
baixo das cinzas vulcânicas. Imediatamente depois, outra granada caiu
perto dele. Jack Lucas, dezessete anos de idade, se jogou em cima das duas
granadas. “Lucas, você vai morrer”, ele se lembra de ter pensado…

A bordo do navio-hospital Samaritano, os médicos não conseguiam


acreditar. Um deles disse: “Talvez ele era jovem e duro demais para
morrer”. Ele suportou 21 operações reconstrutivas e se tornou o mais
jovem do país a ganhar a Medalha de Honra – e a recebê-la no primeiro
ano do ensino médio. (James Bradley, Flags of Our Fathers, 174-175)

Vocês são Soldados Adolescentes em uma


Guerra
Saber que você está participando de uma guerra muda a definição de legal.
Se a sua família está sob ataque, você não fica mais ansioso por causa de
suas roupas ou do seu cabelo. E nós estamos em uma guerra. O inimigo é
mais forte do que o Eixo da Alemanha, o Japão e a Itália. De fato, mais
forte do que todos a junção de todas as forças humanas. A batalha é diária.
Ela acontece em todos os lugares. E suas vitórias e derrotas conduzem ao
Céu ou ao inferno.

“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes


contra as ciladas do diabo”. (Efésios 6.11)

“Combate o bom combate da fé”. (1 Timóteo 6.12)

“Combate o bom combate”. (1 Timóteo 1.18)

“Porque as armas da nossa milícia não são carnais”. (2 Coríntios 10.4)

“Participa dos meus sofrimentos como bom soldado de Cristo Jesus”. (2


Timóteo 2.3)

“Exorto-vos… a vos absterdes das paixões carnais, que fazem guerra contra
a alma”. (1 Pedro 2.11)

O Que Está Realmente Acontecendo?


Não faça parte das multidões de adolescentes cegos que não sabem o que
está acontecendo. Eles pensam que saber qual é o último lançamento do
cinema, o mais novo aplicativo para o iPhone ou quais músicas estão nas
paradas de sucesso significa saber o que está acontecendo. Essas coisas
são como flores cortadas. Brilham hoje, mas amanhã são jogadas fora. São
completamente insignificantes quando comparadas aos eventos que
moldam o curso da eternidade.

O que está realmente acontecendo é que povos e nações ou estão sendo


escravizadas por Satanás ou estão sendo libertas por Cristo. E Cristo luta
nessa guerra pela liberdade através dos cristãos, incluindo cristãos
adolescentes.

O Campo de Batalha do Dinheiro


Considere, por exemplo, o campo de batalha do dinheiro. A trombeta
tocou. Você é o soldado. A batalha começou. Talvez você não se sinta rico,
mas você tem muitas coisas. As coisas que você tem ameaçam estrangular
a sua alma, mentindo sobre o quanto elas são importantes e trazem
satisfação (Marcos 4.19). E o dinheiro que você não tem ameaça feri-lo
criando em você uma paixão para ser rico.
O Grande General enviou uma mensagem pessoal para você no campo de
batalha. Ela diz,

“Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas


concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na
ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e
alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram
com muitas dores”. (1 Timóteo 6.9-10)

Depois, junto com o aviso, ele enviou a grande promessa de que ele nunca
deixará você abandonado e sozinho nessa guerra.

“Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes;
porque ele tem dito. De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te
abandonarei. Assim, afirmemos confiantemente: O Senhor é o meu auxílio,
não temerei; que me poderá fazer o homem?” (Hebreus 13.5-6)

Essa confiança faz com que você seja liberto do medo e da ganância: O
Comandante Supremo não deixará que eu pereça no campo de batalha.
Então, olhe nos olhos do seu inimigo. Olhe para a cobiça e para o desejo e
mate-os com a Espada do Espírito e com os prazeres superiores de Cristo:
“Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do
conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas
as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo” (Filipenses 3.8).

O Campo de Batalha do Conforto


Ou considere o campo de batalha do conforto e da facilidade. Quase todas
as forças na sua vida colocam pressão sobre você para maximizar o seu
conforto com a facilidade e a tranquilidade de nossa época. Mas o Grande
General lhe enviou uma mensagem enquanto o inimigo cerca você.
Lembre-se do grande guerreiro Moisés! Lute como ele lutou!

“Pela fé, Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha
de Faraó, preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir
prazeres transitórios do pecado; porquanto considerou o opróbrio de
Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque
contemplava o galardão”. (Hebreus 11.24-26)

Ah, vitórias nessa guerra serão recompensadas! Sim, serão – mais do que é
possível imaginar! Mas o inimigo quer que você pense que todas as
recompensas são nesta vida. Ele jogou panfletos com propagandas
mentirosas que dizem: “O Céu é um conto de fadas. Você é um tolo por
viver pela recompensa do Céu e não pela recompensa do conforto e da
facilidade nesta vida!”

Mas o Comandante Supremo continuamente contradiz essas propagandas


mentirosas com suas promessas espetaculares. Não importa o quanto seja
difícil lutar – também não importa se você morrer em serviço – ele
ressuscitará você e lhe dará os maiores prazeres eternamente.

“Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos


perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e
exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram
aos profetas que viveram antes de vós”. (Mateus 5.11-12)

“Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno


peso de glória, acima de toda comparação”. (2 Coríntios 4.17)

“Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de


alegria, na tua destra, delícias perpetuamente”. (Salmo 16.11)

Com essa espada em nossa mão, nós fazemos recuar as hordas mentirosas
da segurança, da facilidade e do conforto e nos oferecemos para servir a
Cristo nas missões mais arriscadas.

O Campo de Batalha do Ego


Ou considere o campo de batalha do ego e da necessidade de ser aprovado
pelos colegas. Ah, como esse inimigo é poderoso! Ele já engoliu mais
adolescentes do que qualquer outro adversário, mais até do que a cobiça.
Ele chega com histórias terríveis sobre o quanto a sua vergonha será
dolorosa se você não se conformar com este mundo. Ele vai mentir para
você e dizer que a única alternativa ao estado de espírito, à moda, à música,
aos filmes e aos prazeres sexuais desse mundo é a completa vergonha e
humilhação.

O Grande General vê tudo. Seu walkie-talkie ascende com mensagens para


seus adolescentes preparados para o combate. Não se iluda. Eles dizem
que você experimentará a vergonha. Não. Não. São eles que vão jogar o
jogo fútil de tentar transformar sua vergonha em glória. Mas você vê a
realidade pelo que ela é. Eles não. Eles “andam [como] inimigos da cruz de
Cristo. O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória
deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas
terrenas” (Filipenses 3.18-19).
Eles acham que tudo que é divertido está com eles. É uma diversão de tolo
– como uma montanha-russa em que, no momento mais emocionante, o
carrinho sai dos trilhos.

Você é quem conhece a realidade. Você sabe o que é duradouro – o que


realmente satisfaz. Para eles, tudo é como a erva e como a flor da erva.

“Pois toda carne é como a erva, e toda a sua glória, como a flor da erva;
seca-se a erva, e cai a sua flor; a palavra do Senhor, porém, permanece
eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada”. (1 Pedro
1.24-25)

Internalize as mensagens do Comandante. Sua identidade é mais profunda,


mais forte, mais duradoura e mais gloriosa do que qualquer superficialidade
que seus inimigos tentam forçá-lo a aceitar. “Acaso, não sabeis que o vosso
corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da
parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados
por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (1 Coríntios 6.19-
20). “Vós, porém, sois… povo de propriedade exclusiva de Deus” (1 Pedro
2.9). Vocês são filhos e filhas do Criador do universo (Romanos 8.16).

Ninguém Despreze a Tua Adolescência


Nós poderíamos prosseguir falando sobre diversos tipos de campos
batalhas em que você precisa lutar. Mas você entendeu a ideia. O inimigo
mente, o Comandante Supremo responde com a verdade. “E a verdade vos
libertará” (João 8.32).

Quando o Grande General diz, “Ninguém despreze a tua mocidade” (1


Timóteo 4.12), o que ele quer dizer é: Não se conforme ao esteriótipo do
jovem descuidado, sem objetivo e superficial. Quebre o molde. Você
pertence a Cristo. Mostre ao mundo que há outro tipo de adolescente na
terra.

Esse adolescente não é uma folha sendo levada pelo vento das tendências
culturais. Ele não é uma água-viva sendo levada pela corrente de nossa
época. Ele é uma árvore que permanece firme em meio às maiores
tempestades. Ele é um golfinho que avança contra as ondas e nada contra a
maré. Ele está indo para algum lugar.

Sonhe em ser um tipo de adolescente que o mundo não é capaz de


explicar. Quem sabe um dia, se houver muitos como você, eles inventarão
um novo nome e “adolescente” será uma nota de rodapé nos livros de
história.
6 lições simples para problemas de saúde mental
Eu estava trabalhando em um hospital e fazendo uma visita à ala
psiquiátrica. Quando cheguei, fui recebido por um jovem amável que
conheci na igreja. Eu pensei que ele era um acompanhante até que ele
disse que era um paciente e que aquela era a sua quarta
internação. Enquanto isso, uma enfermeira nos viu conversando, e quando
ele e eu terminamos de nos falar, ela perguntou se eu o conhecia.
“Sim, nós frequentamos a mesma igreja”.

“Ah, nós o amamos. Achamos que todos aqui deveriam ir a essa igreja. Eu
não sei o que eles fazem, mas pelo menos três dos nossos pacientes
melhoraram muito depois de irem para lá”.

A igreja que frequentamos era relativamente pequena (talvez cerca de cem


participantes), com muitos jovens (várias pessoas recém-casadas), e, que eu
saiba, sem profissionais de saúde mental. Parecia normal. E, no entanto, a
ajuda que essa igreja dava aos pacientes psiquiátricos havia se
destacado para a equipe.
Ao refletir sobre essa igreja e outras semelhantes, identifiquei seis
princípios que guiavam os seus cuidados junto àqueles com problemas
complicados — problemas que seriam identificados como psiquiátricos.
Estes incluem depressão, transtorno bipolar, transtorno de identidade
dissociativa, anorexia e outros transtornos comumente tratados com
medicação. Estou assumindo que a pessoa já está sob os cuidados de um
psiquiatra.

1. Seja paciente e bondoso com todos


Este princípio é óbvio, mas não é fácil (1Co 13.4). Podemos nos relacionar
bem com aqueles que são semelhantes a nós, mas demoramos para ser
pacientes com aqueles que não compreedemos. Paciência e bondade não
são intimidadas por excentricidades, diferenças ou problemas complicados.
Se alguém é desencorajador ou perturbador, não exageramos; reações
intensas estão entre os piores passos que podemos dar. Em vez disso,
podemos simplesmente perguntar: “Está tudo bem? Parece que há algo em
sua mente”. O visitante solitário recebe um convite para almoçar. A
bondade inclui outras pessoas e as reúne na família maior da igreja, onde as
peculiaridades são abundantes.
2. Não deixe a medicação o assustar
Quando as pessoas são corajosas o suficiente para mencionar que fazem
uso de medicação psiquiátrica, os membros da igreja tendem a se afastar.
Isso, pensamos, é para os profissionais, e seria imprudente se envolver. No
entanto, quando alguém toma medicação psiquiátrica, isso significa que
algo dói e a vida pode parecer esmagadora. Significa que a pessoa
conheceu o sofrimento e essa é uma razão para se aproximar.
Há precauções para nós aqui. Muitas vezes, em assuntos sobre os quais
sabemos pouco, falamos com grande confiança. Nós superinterpretamos o
sofrimento em esforços equivocados para encontrar causas e remédios.
Podemos optar por interpretações demoníacas quando os problemas de
uma pessoa parecem estranhos para nós. Tais reações irrefletidas, claro,
nunca ajudam. Antes, queremos conhecer a pessoa, ser sensibilizados por
suas dificuldades, perguntar-lhes o que seria útil, examinar as Escrituras
juntos e depois chegar ao Deus que nos convida a achegar-nos com as
nossas necessidades (Hb 4.16).

3. Ore com eles


Nós oramos quando estamos aflitos e somente Deus pode ajudar, e somos
consolados quando nossos relacionamentos nos levam a este
lugar. Qualquer busca pelo conselho perfeito falhará. Em vez de conselhos,
a oração é o nosso destino.
Este princípio também é óbvio, mas nem sempre é fácil. A oração conecta
as nossas necessidades com as promessas e planos de Deus, mas não
podemos ser confusos sobre qualquer um deles. Essa confusão nos leva a
no mínimo dois lugares. Primeiro, este é um momento natural para pedir
socorro aos outros. Quem pode nos dar uma melhor compreensão das lutas
da pessoa? Quem pode nos dar uma melhor compreensão das promessas
para que possamos orar? Em segundo lugar, à medida que continuamos a
buscar as Escrituras juntos em busca de passagens que sejam significativas
para a pessoa em dificuldade, podemos sempre orar: “Ajuda-nos, Pai”.

4. Descanse no que você sabe


Nós não entenderemos os detalhes biológicos. Não damos conselhos sobre
remédios — nós somos gratos por existirem médicos que têm experiência
com medicações. Mas sabemos que existem realidades espirituais no
âmago de toda a miséria. O sofrimento é uma ocasião para reconsiderar o
amor de Deus, os sofrimentos de Jesus, a presença do Espírito e tantas
outras verdades cativantes que trazem conforto e esperança.
Então, vamos procurar um caminho para as Escrituras. Faremos perguntas
como: “Você está familiarizado com as escrituras?” ou, “Existe alguma
passagem da escritura que você achou útil? Há algo que você achou
doloroso?”. Então, partimos juntos para um texto ou tema importante.
Nosso objetivo é fazer isso juntos. Se a outra pessoa ficar em silêncio
depois de mencionarmos uma passagem, então perguntamos o que
aconteceu. A passagem foi inútil? Isso provocou algo especialmente difícil?
Converse sobre o que você sabe. Lembre-se, abaixo dos comportamentos
incomuns identificados pela psiquiatria moderna estão as lutas comuns a
todos nós, como corpos caídos, relacionamentos rompidos, culpa,
vergonha, raiva e medo. Todos estes têm conexões próximas com nosso
conhecimento de Jesus.

5. Almeje um equilíbrio
Embora a busca pela resposta seja geralmente equivocada, sempre temos
necessidade de conhecer melhor alguém. O desafio, tanto individual
quanto em grupo, é amar os outros conhecendo-os; e amá-los, incluindo-
os na comunidade onde ouvimos a palavra, conhecemos as alegrias e as
lutas das outras pessoas e participamos da adoração. Em outras palavras,
por vezes você fala sobre as lutas de uma pessoa e outras vezes não.

6. Ande em humildade e confiança


Podemos resumir todos esses princípios desta maneira: nós andamos em
humildade diante de Deus e dos outros; estamos atentos às nossas
limitações, necessidades e dependência da sabedoria dos outros; e
caminhamos com crescente confiança no Deus que está mais perto do que
pensávamos. Ele é a nossa necessidade mais profunda.

Podemos estar confiantes de que temos tudo o que precisamos para a


vida e piedade no conhecimento de Jesus (2Pe 1.3). Estamos confiantes de
que paciência e bondade são o conjunto apropriado para o ministério de
todas as pessoas. Sem essa confiança, nunca daríamos o primeiro passo em
direção a outra pessoa. No entanto, essa confiança está associada à
humildade que parece necessitada e muitas vezes sobrecarregada. A
humildade busca a ajuda do Senhor, do seu povo, daqueles com
experiência em um problema particular e daquele que está em aflição.
Desta forma — em fraqueza — pretendemos que a glória de Cristo se torne
mais visível para o mundo.
Senhor, ajuda-me a sentir minha necessidade de ti

Um dos dons mais misericordiosos que Deus pode nos dar é uma profunda
e aguda consciência de nossa dependência dele em tudo.

Viver a vida cristã depende de nossa total dependência da graça de Deus,


que recebemos por meio de Jesus Cristo, pelo Espírito Santo. Jesus disse
isso assim:

“Eu sou a videira; vós sois as varas. Quem permanece em mim e eu nele,
esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (João 15.5)

Todo cristão professo concorda que devemos permanecer em Cristo. Mas


nossa concordância só é importante no grau em que cremos ser isto
verdade. Quanto menos sentirmos nossa necessidade de Cristo, menos
permaneceremos nele.

Se Não Sentirmos Fome, Não Comeremos


Eu digo “sentir” porque isto se aproxima do tipo de conhecimento de nossa
necessidade de Jesus ,que ele quer que nós tenhamos. Não é meramente
um conhecimento cerebral, mas experiencial, como saber que necessitamos
de alimento.

Mas uma coisa é saber que necessitamos de nutrientes para o nosso corpo
quando não comemos há 24 horas; saber que necessitamos de nutrientes
para o nosso corpo depois de ter devorado um saco de batatinhas com um
litro de refrigerante é outra coisa. Não é provável que comamos alimentos
dos quais realmente necessitamos após haver saciado nosso apetite com
porcarias. Se não sentirmos fome, não comeremos, especialmente o tipo de
alimento de que mais necessitamos.

O mesmo é verdade sobre a nutrição espiritual. Se não sentimos fome de


Deus porque estamos comendo porcarias espirituais, não é provável que
desejemos comer o alimento do qual mais necessitamos, o alimento vindo
da Videira.

Se Não Permanecermos, Não Sobreviveremos


Quando Jesus nos deu seu mandamento sobre permanecermos nele, ele
não estava nos dando um nobre ideal a seguir, como se fosse uma frase de
efeito inspiradora. Ele também nāo quis colocar isto como uma opção para
cristãos mais sérios, que almejam à “vida mais profunda”. O que ele quis
dizer é que só sobreviveríamos se permanecêssemos. Tal como a nutrição
física, a boa nutrição espiritual é uma questão de vida ou morte. É por isso
que Jesus prosseguiu dizendo no próximo verso,

“Quem não permanece em mim é lançado fora, como a vara, e seca; tais
varas são recolhidas, lançadas no fogo e queimadas.” (João 15.6).

Estas são palavras sérias. Jesus estava a poucas horas da crucificação. para
seus discípulos, tudo estava prestes a mudar radicalmente. Jesus ia morrer,
depois ressuscitar, depois os deixar e ascender ao Pai, e então enviar seu
Espírito Santo para ajudá-los a continuar sua missão (João 16: 4-15). Eles
haviam aprendido a depender dele para tudo. Agora, eles teriam que
aprender a depender dele para tudo, sem que ele estivesse presente
fisicamente.

A sua própria sobrevivência dependeria de permanecerem nele (João 15.4),


e com isso ele quis dizer viver (relembrar, crer, amar e investir tudo) por
suas palavras, mais do que em suas próprias percepções naturais (João
15.7), tal como haviam crido nele quando ele estava fisicamente com eles.
Eles teriam que andar pela fé e não por vista, de maneiras que pareceriam
tolas e fracas para o mundo (2 Coríntios 5.7; 1 Coríntios 1.18-25). Se não o
fizessem, eles secariam e morreriam.

Isso não é menos verdade para nós. Permanecer em Cristo, nossa videira, é
a única maneira pela qual podemos sobreviver espiritualmente.

Como Deus Aumenta Nossa Dependência


Agora, se nossa sobrevivência depende da nossa permanência, e só é
plausível que permaneçamos em Cristo quando sentimos nossa
necessidade dele (sentir fome pela comida que só ele pode fornecer), então
o que realmente necessitamos é de uma consciência profunda e aguda de
nossa dependência dele para tudo. Devemos implorar à Videira e ao
Agricultor (João 15.1) para que façam o que for necessário para nos ajudar
a se nos apegarmos à Videira e provarmos nossa conexão com ela, pelo
fruto que produzimos (João 15.3-4).

Como deveremos esperar nos sentir, quando Deus responder a esta oração
por um maior senso de dependência dele? Como sempre nos sentimos em
dependência : fraqueza e impotência.

Sentirmo-nos dependentes é o oposto de nos sentirmos fortes em nossa


auto-suficiência, tal como sentirmos fome é diferente da impassividade que
sentimos após nos saturarmos com refrigerante e batatinhas. O aumento
da permanência é o resultado direto de nossa maior sentido de
necessidade de permanecer. O ramo com maior probabilidade de
permanecer na Videira, é o ramo que sente sua própria impotência e teme
a morte que a separação trará.

Se entendermos isto, entenderemos o que Paulo quis dizer quando disse:


“Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas
perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou
fraco, então é que sou forte.” (2 Coríntios 12.10). Deus usou estas coisas
para impulsionar a Paulo a depender da graça de Cristo, ao invés de em si
mesmo, e portanto, Paulo aprendeu a ser grato por elas.

E estas são as coisas que nosso Pai-Agricultor usa para desarraigar coisas
infrutíferas e aumentar nossa dependência do Filho-Videira (João 15.2). E,
embora inicialmente nāo pareçam como grandes misericórdias, elas
verdadeiramente o são. Porque a diferença entre um ramo que permanece
na videira e cresce forte e frutífero e um ramo em que isto não acontece, é
o grau em que um ramo sabe (crê e sente) que, fora da videira, nada poderá
fazer (João 15.5).

Custe o Que Custar, Senhor


Todos nós apenas nos apegamos (permanecemos) àquilo que realmente
cremos que nos dá vida. E a esta Videira vamos mais frequentemente para
buscarmos aquilo que consideramos que mais nos dá vida. Para nós, essa
Videira necessita ser Cristo. Permanecer nele é uma questão de vida ou
morte. Portanto, vamos fazer disso, a nossa oração:

Custe o que custar, Senhor, aumente minha consciência de minha dependência


de ti em tudo, para que eu permaneça continuamente em ti pela fé.

Eu não procurei pela Marie Kondo, mas parece que não consigo escapar
dela.

Meu feed de notícias, minhas visualizações na Netflix, até mesmo no


encontro do ministério de mulheres da minha igreja, ali está ela. É como se
todo mundo estivesse anunciado que ela foi levantada para um tempo
como esse. Sua missão? A organização dos nossos lares.

Kondo lançou um novo documentário baseado no seu processo de


organização, popularizado pelo seu livro best-seller internacional A mágica
da arrumação: A arte japonesa de colocar ordem na sua casa e na sua vida. Seu
método, contudo, não é meramente encontrar novos  truques de
armazenamento, ou encorajamento que direciona a doação de boa vontade
anual. Ao contrário, o chamado dela é para as pessoas se moverem através
de suas posses item por item, fazendo uma pergunta simples: isso desperta
alegria em você? Se sim, isso fica. Se não, isso vai embora. O que poderia ser
mais simples que isso?

O Evangelho da Kondo
Minha interação com o método da Kondo tem sido de certa forma indireta.
Eu encontrei suas ideias através de reviews de livros e seu documentário,
mas especialmente através das reações das minhas amigas e conhecidas
que estão buscando implementar suas táticas. Seja escrevendo nas mídias
sociais ou discutindo seu processo pessoalmente, o tom das conversas não
parece como uma conversa informal de escritório sobre um reality show
polêmico. Na verdade, me lembra o foco e esforço de corredores amadores
sérios comparando nossos calendários de treino e os melhores
desempenhos pessoais.
A imensidão da resposta prova que ela sabe de alguma coisa. Os
americanos estão saturados de coisas espalhadas sobre as coisas.
Acabamos de sair do Natal, que para muitos de nós significa tentar
entender onde guardar nossos novos itens quando já estamos abarrotados
com os antigos.

Todos sabemos que os anúncios mentem para nós, que nos vendem
produtos que não precisamos com promessas que eles não podem cumprir.
Esse conhecimento não é poder. Apesar da nossa solidão e insatisfação
permanecerem, continuamos a tampar esses buracos emocionais com
brinquedos. Acreditamos que nossas coisas nos deveriam fazer felizes,
mesmo que todas as evidências apontem para longe disso. Que forma
estranha de caminhar pela fé os americanos vivem.

Ainda assim, sentimos que nosso relacionamento com as coisas está fora
de ordem. Kondo não é a primeira ou a única pessoa a interagir com nossa
intuição aqui — veja o crescimento do “movimento das casas pequenas” e
do “minimalismo” mais amplamente. Mas tem algo na abordagem dela que
parece coçar nossa coceira.

A Kondo Descobriu Alguma Coisa?


Ela não nos destruiu como um trator gigante, condenando nossas
tendências de colecionadores ou nos envergonhando pelo o que temos
acumulado. Ao invés disso, Kondo nos pede para engajar nossas emoções
rumo as nossas coisas — a liberar gratidão por elas. Talvez o serviço delas
para nós seja completo, mas ainda podemos reconhecer o que elas nos
deram e sermos gratos por isso. A vergonha é substituída por alegria. Isso
não tem um pouco do evangelho? Ao passar por este processo, somos
encorajados a sermos menos dependentes das nossas coisas — menos
possuídos por elas. Kondo quer restabelecer nossa ação no relacionamento
com o que temos, ao invés de sermos controlados pelas nossas possessões.

Quão libertador isso é! Fica claro que muitos que estão usando o método
da Kondo estão colhendo benefícios de verdade. Materialismo é uma das
pragas mais mortais na vida americana, e esse método parece uma espada
robusta colocada na mão no momento certo.

Mas enquanto a Kondo pode ter resolvido um problema massivo, o


movimento parece ter descoberto um outro ainda maior. Uma manchete
diz “As dicas enganosamente simples sobre ‘arrumação’ de Marie Kondo
estão espalhando o evangelho da alegria quando os americanos mais
precisam” (NBC). Não parece ser justamente o que precisamos? Não parece
se alinhar com o que acreditamos?
Kondo levou muitos de nós a organizar nossas casas, mentes e corações,
mas é o que encontramos embaixo, onde todas as nossas coisas estiveram
uma vez, que importa mais. O problema é que Kondo ainda está pedindo
para que as nossas coisas sejam o que despertam nossa alegria. Apenas uma
porção menor das coisas.

Organizando Pessoas?
Sim, ela milita contra nossa tendência acumuladora, o que é bom. Sim, ela
nos encoraja a sermos pessoas gratas. Amém! Mas quando nos
perguntamos a cada coisa se ela nos traz a porção certa de alegria, ainda
estamos pensando nas coisas como o local de contentamento.
Talvez de forma mais significativa, esse método de organização poderia nos
levar a pensar como seres humanos de troca também. Não estou
simplesmente insinuando que essa é a intenção da Kondo, mas é difícil não
aplicar a lógica nessa direção. Consultores e médicos corretamente alertam
sobre permitir narcisistas e outras pessoas tóxicas nos abusarem. Mas se
tencionamos nossa mente para manter apenas o que nos dá uma
quantidade específica de alegria, somos suscetíveis a deixar aquele
mecanismo jorrar em nossos relacionamentos também. A vida é realmente
sobre como cada coisa, ou pessoa, nos faz sentir?

O que então é uma resposta apropriada para o cristão? Kondo está


encarando uma necessidade real, um problema que alguns de nós (apesar
de certamente não todos) têm. Talvez possamos ver além da magnética
solução de Marie em direção a uma solução do evangelho. Uma solução
que tem se escondido de forma imperceptível na sombra de uma passagem
frequentemente mal usada: “Tudo posso naquele que me fortalece”
(Filipenses 4.13).

O Segredo da Abundância
Não é pouco usual ver esse versículo retirado para funções que não foi
designado, como prometer proeza atlética ou sucesso profissional. Como
todas as afirmações, contudo, ela deve ser entendida no seu contexto. No
versículo anterior, o apóstolo Paulo escreve, “Sei o que é passar
necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente
em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo
muito, ou passando necessidade” (Fp 4.12).

Segredo. Não é exatamente para isso que Kondo está nos levando? Nós
americanos não sabemos exatamente como viver em abundância. Não no
sentido que não sejamos fartos — claramente somos. Não, mas no sentido
de que justamente no meio da abundância, nós perdemos nosso caminho.
Não sabemos prosperar na abundância. Isso nos afoga ao invés de levantar
nossos barcos. Deve existir um segredo para dominar isso, ao invés de
deixar isso nos dominar, certo? Como podemos ser as mais ricas apesar de
sermos as pessoas mais infelizes de todos os tempos?
Parte de o que é tão apelativo no método de Kondo é a gratidão —
substituir nossa negligente e insensível atitude sobre nossas coisas com
gratidão. Nossos corações facilmente crescem entorpecidos, e então o
processo de engajar as coisas significativamente nas nossas vidas diárias
desperta algo profundo. Tanto cristãos como não-cristãos sentem isso.

O pano de fundo da Kondo e a visão de mundo influenciada pelo


xintoísmo, contudo, não pode suprir corretamente o destino da gratidão
saudável. Ela mostra gratidão aos itens por eles mesmos, como se eles
tivessem ouvidos para ouvir e corações para receber o obrigado.
Verdadeiramente eles não tem vida neles mesmos. Eles não deram a si
mesmos. Os presentes não foram designados para receber essa resposta
humana válida. Eles só foram feitos para servir de sinalização para o próprio
Doador.

Possuídos por Deus


Quando somos enraizados em Cristo, nossa abundância está não em
quanto mais ou menos possuímos, mas em quem nos possui. Posses
terrenas não apenas entram em nossas vidas silenciosamente. Elas tomam
espaço, demandam conservação e proteção e amarram nossos corações.
Percebemos que temos menos confiança pelas pessoas, menos tempo para
hospitalidade, menos espaço emocional para Deus.

Ser possuído por Jesus produz justamente o oposto. Enquanto crescemos


nele, mergulhamos na abundância de perdão e graça — tesouros que não
foram feitos para serem colecionados, mas compartilhados
extravagantemente. Quando buscamos primeiramente seu reino e sua
justiça, vemos nossas coisas como portas de acesso para adoração a Deus e
servir os outros. E se nossas muitas coisas forem roubadas? Como o autor
de Hebreus celebra, “Porque também vos compadecestes das minhas
prisões, e com alegria permitistes o roubo dos vossos bens, sabendo que
em vós mesmos tendes nos céus uma possessão melhor e permanente” (Hb
10.34).

Kondo diz, apenas mantenha os itens que despertem sua alegria. Paulo diz,
“tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.13), porque ele primeiramente
pode dizer “E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela
excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a
perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa
ganhar a Cristo” (Fp 3.8).

Uma Possessão Melhor


Marie Kondo quer que digamos adeus para as coisas que não precisamos,
para que possamos manter com gratidão o que já temos e que desperta
nossa alegria. Ainda assim, sabemos lá no fundo que até a camisa mais
imaculadamente dobrada, como organizacionalmente útil que possa ser,
não pode no fundo fazer isso. Nossas mais amadas e significativas
bugigangas não vão realmente nos fazer felizes agora, nem passarão pelos
portões celestiais.

Se existe magia transformadora de vida na arrumação, quanto mais poder


reside na verdade do evangelho de ser possuído para sempre por Deus. Por
causa de Cristo, quando o Pai olha para nós, ele sente deleite. Ele nunca vai
nos mover para o cesto de roupas sujas. Ao invés, Jesus prometeu que na
casa de seu Pai tem muitas moradas, onde ele está preparando um lugar
eterno para nós. Firmados nessa promessa irrevogável, podemos cantar
com um profeta antigo, “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto
na vide… todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha
salvação” (Hc 3.17-18).
Talvez a moda de Marie Kondo possa nos acordar para os tesouros que já
possuímos em Cristo, o maior despertador de alegria. Ainda melhor, talvez
possa nos estimular a compartilhar a riqueza.

Como você define a alegria?


Ao começarmos esta série sobre alegria na carta de Paulo aos Filipenses,
achei que deveríamos começar com uma definição de alegria. Definições
são simplesmente descrições da maneira que as pessoas usam as palavras.
As palavras não têm definições intrínsecas. Elas recebem definições com
base na maneira que são usadas pelas pessoas. Quando eu digo que eu
quero definir alegria, eu estou perguntando: De quem é a alegria da qual
estamos falando, ou de que uso da palavra nós estamos falando?
Falo sobre a alegria da maneira que a palavra é usada nas cartas de Paulo,
especialmente no livro de Filipenses. Eu não estou simplesmente
perguntando sobre o significado de alegria de forma geral. Eu estou falando
da alegria cristã, da maneira que Paulo, o apóstolo, a descreve. Então,
primeiro eu vou dar a minha definição e, depois, eu vou analisá-la por
partes:
A alegria cristã é um sentimento bom na alma, produzido pelo Espírito Santo,
quando ele nos faz ver a beleza de Cristo na Palavra e no mundo.

Um Sentimento Bom
A alegria cristã é um sentimento bom. O que eu quero dizer com isso é que
não se trata de uma ideia. Não é uma convicção. Não é uma persuasão ou
uma decisão. É um sentimento. Ou – eu vou usar as palavras de forma
intercambiável – uma emoção. Uma das marcas que diferencia uma ideia de
uma emoção ou um sentimento é que você não tem controle imediato
sobre os seus sentimentos ou sobre as suas emoções. Você não pode
estalar os dedos e decidir sentir algo.

Por exemplo, suponha que você vai acampar. Você acorda e vê uma
enorme silhueta de um urso na sua barraca, um urso-pardo. Ele parece
faminto. Você não diz: “Agora, deixa-me pensar sobre isso. Tem um urso.
Ursos são grandes. Ursos são perigosos. Conclusão: eu devo sentir medo,
então agora eu vou começar a sentir medo”. Emoções não funcionam
assim. O pensamento funciona assim, mas os sentimentos não. É algo que
acontece com você, o que significa que a Bíblia é cheia de mandamentos
para fazermos coisas que estão imediatamente fora do nosso controle –
mandamentos para se alegrar, para temer, para sermos gratos e
compassivos.

Uma das razões que me fazem ser o tipo de cristão que eu sou, com a
teologia que eu tenho, é que eu sei que a Bíblia exige de mim coisas que eu
não sou capaz de imediatamente produzir pelo meu próprio poder. Eu sofro
os efeitos da queda. Eu sou pecador. Mas, ainda assim, eu sei que eu
deveria sentir emoções que a Bíblia espera que eu sinta. Eu reconheço que
sou culpado.

Santo Agostinho disse, “Pai, ordena o que tu queres e dá o que tu ordenas”.


Ele sabia que Deus ordenou que ele sentisse determinadas emoções que
ele mesmo não era capaz de produzir. Então, ele orou, “Ó Deus, se tu
exiges essas coisas de mim, dá-me a capacidade de cumprir o que ordenas”.

Então, a primeira parte dessa definição é que a alegria é um sentimento


bom.

Na Alma
A segunda parte da minha definição é que esse sentimento bom é na alma.
Com isso, eu quero enfatizar que não é no corpo. A alma, a parte imaterial
da minha pessoa, experimenta a alegria. O corpo pode até sentir os efeitos
disso. Talvez eu sinta borboletas no estômago. Talvez eu pule de alegria.
Pode haver lágrimas de alegria rolando pelo meu rosto. Contudo, nenhum
desses efeitos no meu corpo são a própria alegria. Todos são distintos da
alegria.

O corpo é formado por substâncias químicas, músculos e nervos. É


formado por elétrons, átomos e moléculas. E quando essas moléculas se
mexem, não se trata de um evento moral. O corpo não tem certo e errado.
Um movimento do meu braço para frente e para trás não tem uma
significância moral até que, pela minha vontade ou pela minha emoção, eu
diga para meu braço socar alguém. Aí se torna mal. Ou abraçar um
necessitado. Aí se torna bom. Minha alma transmite virtude, certo ou
errado, para as partes físicas da minha vida. E a Bíblia claramente diz que é
certo sentir alegria em Deus. Ou que é errada sentir ansiedade pela
situação. As emoções podem ser certas ou erradas e elas precedem os
movimentos corporais. Os sentimentos são movimentos da alma.

Produzido pelo Espírito


A terceira parte da definição é que esses movimentos da alma são
produzidos pelo Espírito Santo, o que é evidente porque eu não sou capaz
de fazer com que essas coisas aconteçam. Eles são chamados de fruto do
Espírito Santo. “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz,
longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio
próprio” (Gálatas 5:22-23). Portanto, a alegria que enche a minha alma
diante de Deus procede da obra do Espírito Santo.

Uma Visão de Jesus


A quarta parte é que o Espírito Santo não realiza essa obra de forma
mágica, sem envolver a mente, mas fazendo-me contemplar a glória e a
beleza de Jesus Cristo.
Filipenses 3:1 diz, “alegrai-vos no Senhor”. Como você pode se alegrar no
Senhor se você não sabe nada sobre o Senhor? Como você pode se alegrar
no Senhor se você não enxerga as coisas sobre o Senhor que fazem essa
alegria entrar no seu coração? Isso é obra do Espírito Santo.

O que ele faz não é simplesmente apertar um botão para que você se
alegre sem qualquer conteúdo mental. Segundo João 16:14, o Espírito
Santo é dado para glorificar Jesus Cristo, o que significa que o Espírito
Santo abre os olhos do meu coração para ver a beleza de Cristo. Quando
eu vejo Cristo em tudo que ele realiza e em tudo que ele é, meu coração se
enche de alegria por ele.

O Espírito Santo dá esse fruto fazendo-nos ver a beleza de Jesus Cristo.

Na Palavra e no Mundo
A última parte é que nós o vemos na Palavra e no mundo. É evidente que o
lugar mais autoritativo e mais claro para vermos Cristo é na sua Palavra, a
Bíblia. É por isso que o Espírito Santo inspirou sua Palavra. É para
conhecermos a Cristo através da leitura da Palavra. O Espírito nos dá olhos
para ver a beleza de Jesus que alegra os nossos corações.

Não é somente na Palavra que vemos Cristo. Nós o vemos em suas dádivas
nas pessoas. Nós o vemos em suas dádivas da natureza. Nós o vemos na
dádiva da comida e em todas as coisas boas que nosso Pai celestial nos dá.
Toda dádiva de Cristo a nós pretende comunicar alguma coisa sobre Cristo.
Então, nós não vemos Cristo somente – nós não saboreamos
Cristo somente – em sua Palavra, mas também em suas obras.
Ao falarmos sobre a alegria nos próximos cinco vídeos, eu estou
trabalhando com a definição de que a alegria é sentimento bom na alma,
produzido pelo Espírito Santo, quando ele nos faz ver a beleza de Cristo na
Palavra e em sua obra.
 

Série: Jesus e a jornada rumo a alegria


Esse vídeo é o primeiro de uma série de seis partes sobre o tema da alegria
no livro de Filipenses. John Piper caminha conosco em um pequeno estudo
sobre como entender a alegria, sobre como buscá-la e aplicá-la em todas as
áreas da vida. Aqui estão os outros vídeos da série.

Parte 1: Como você define a alegria?


Parte 2: O que é o hedonismo cristão?

Parte 3: Qual é a alegria secreta no sofrimento?

Parte 4: Nós precisamos nos alegrar em Deus para crer?

Parte 5: De que maneira a alegria superabunda em amor?

Parte 6: A alegria morre na tristeza?


  VIDEO

Sexo oral é pecado?

Perguntas relacionadas à intimidade sexual devem ser tratadas com o que


podemos chamar de modéstia verbal e não com palavras chocantes e
grosseiras. Eu acredito que a falta de modéstia no vestir e no falar são
erradas. Isso é o que vai direcionar a minha forma de falar.

Essas questões são legítimas. Não tenho problema em responder a esse


tipo de pergunta. É uma questão um pouco difícil e delicada, mas não tem
problema. As pessoas querem direcionamento bíblico, então vou me
esforçar para responder com sabedoria bíblica.

Em primeiro lugar, eu estou presumindo que a pergunta é somente sobre


pessoas que estão casadas ao dar esse conselho. Fora do casamento, eu
creio que é errado. Podemos falar mais detalhadamente sobre isso em
outro momento, mas a resposta curta é a seguinte: o sexo oral parece ser
ainda mais íntimo e delicado do que a cópula. Nós sabemos disso porque
até os casados se perguntam se podem fazer. É como se fosse um estágio
de intimidade que talvez seja inapropriado até para os casados, então
pensar que pode ser um substituto inocente para a cópula, para que as
pessoas possam obedecer a letra da lei fora do casamento, é uma ilusão.
Essa é a primeira observação.
No casamento, eu diria o seguinte: se o sexo oral é errado, eu consigo
pensar em quatro motivos possíveis para que seja considerado errado. Eu
vou dizer quais são e depois eu farei a seguinte pergunta: “Essas quatro
coisas existem?” Número 1, seria errado se fosse proibido na Bíblia.
Número 2, seria errado se não fosse natural. Número 3, seria errado se
causasse danos à saúde. E número 4, seria errado se fosse cruel. Então,
vamos analisar uma de cada vez.

Número 1, eu não acredito que o sexo oral seja explicitamente proibido em


e qualquer mandamento bíblico. Se for proibido pela Bíblia, terá que ser
com base em algum princípio, não com base em um mandamento explícito.

Número 2, é uma prática que não é natural? Essa é complicada. As


genitálias masculina e feminina são tão claramente feitas uma para a outra
que há uma adequação ou beleza natural. E o sexo oral? Talvez isso faça
você pular à conclusão de que não é natural. Mas eu não sou tão rápido
para chegar nessa conclusão por causa do que Provérbios e Cantares de
Salomão dizem sobre os seios de uma esposa. O que vou dizer é uma
analogia, então reflita. Parece-me que não há nada mais natural do que um
bebê aconchegado nos braços da mãe, mamando em seus seios. É para isso
que servem os seios. Eles são projetados para amamentar os bebês.

Sendo assim, há algo que seja fisicamente natural sobre a fascinação de um


marido pelos seios da sua esposa? Bem, talvez você diga: “Não, não é para
isso que servem os seios”. Mas Provérbios 5:19 diz: “Saciem-te os seus
seios em todo o tempo; e embriaga-te sempre com as suas carícias”. E
Cantares de Salomão 7:7-8 é ainda mais explícito. É dito sobre a mulher:
“Esse teu porte é semelhante à palmeira, e os teus seios, a seus cachos.
Dizia eu: subirei à palmeira, pegarei em seus ramos. Sejam os teus seios
como os cachos da vide”.

Bem… Embora não exista muita correlação anatômica entre as mãos ou os


lábios de um homem e os seios de sua esposa, realmente parece ser
“natural” em outro sentido, a saber, no prazer e desejo inerente que Deus,
em sua Palavra, parece recomendar para o nosso deleite no casamento.

Então, eu pergunto: Será que há desejos parecidos por sexo oral ou por
outras formas de sexo? Sendo assim, eu não acho que devamos limitar o
casal com base na ideia de que não é natural. É arriscado, mas essa é a
minha posição sobre a questão de ser natural.

Número 3, causa danos à saúde? Bem, é possível que sim, caso houver
doenças sexualmente transmissíveis, e é possível que seja praticado de
maneiras que são prejudiciais. Então, o casal precisa ser muito honesto e
cuidadoso, não assumindo riscos que carecem de amor, o que nos leva à
quarta razão, a número 4.

É insensível? Eu acho que esse é o ponto mais sensível da questão e é o


ponto que causa mais impacto. Você pressionará o seu cônjuge a fazer
sexo oral se ele ou ela achar desagradável? Se você fizer isso, estará sendo
insensível. É pecado ser insensível. Efésios 4:32: “Sede uns para com os
outros benignos”. A palavra-chave aqui é “pressionar”. Eu sei que 1
Coríntios 7:4 diz: “A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e
sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre
o seu próprio corpo, e sim a mulher”, e o contexto dessa passagem é sobre
sexo.

Então, na prática, o que isso significa? Bem, significa que tanto o marido
quanto a mulher podem dizer um ao outro: “Eu gostaria de ____.” E os dois
têm o direito de dizer: “Eu não gostaria de ____.” E em um bom casamento,
em um casamento biblicamente belo, um busca ser mais benigno do que o
outro. Então, esses são os princípios que eu acredito que devem servir de
parâmetro para o casal cristão nessa questão do sexo oral.

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