Você está na página 1de 39

Tecnologia e Sociedade

1
Tecnologia e Sociedade

Educação a Distância

Material Elaborado por Agnelo de Souza Fedel

Revisado por Victor Antonio T. Troitiño

2
Apresentação
É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno, esta apostila
da disciplina de Tecnologia e Sociedade, parte integrante de um conjunto de
materiais de pesquisa voltados ao aprendizado dinâmico e autônomo que a
educação a distância exige. O principal objetivo desta apostila é propiciar aos
alunos uma apresentação geral sobre a participação da Informática na Sociedade,
influências e impacto.
A Unisa Digital oferece outras formas de solidificar seu aprendizado, por
meio de recursos multidisciplinares como chats, fóruns, aulas web, material de
apoio e e-mail.
Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a
Biblioteca Virtual cujo acesso encontra-se no portal da Unisa, www.unisa.br, a
Biblioteca Central da Unisa, juntamente com as bibliotecas setoriais dos pólos,
que fornecem acervo digital e impresso, bem como acesso a redes de informação
e documentação.
Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo no
seu estudo são o suplemento que a Unisa Digital oferece, tornando seu
aprendizado eficiente e prazeroso, concorrendo para uma formação completa, na
qual o conteúdo aprendido influencia sua vida profissional e pessoal.
A Unisa Digital é assim para você: Universidade a qualquer hora e em
qualquer lugar!

Unisa Digital

3
Introdução
Esta apostila se refere à disciplina de Tecnologia e Sociedade aplicada ao
curso de Bacharelado em Sistemas de Informação, na modalidade a distância, da
Unisa – Universidade de Santo Amaro.
Diante do acelerado avanço tecnológico obtido nos últimos anos, o homem
global é um novo tipo de profissional e o cidadão deste “novo tempo” deve estar
preparado para enfrentar as mudanças que acontecem na sociedade.
O desenvolvimento de novas tecnologias de informação e comunicação
está conectando o mundo e agilizando a troca de informações.
Os desafios são constantes porque vivemos em uma sociedade que nos
impele para buscarmos sempre a atualização.
Assim, a Informática assume um papel fundamental, pois possibilita o
desenvolvimento das habilidades e capacidades deste novo profissional e deste
novo cidadão.
Durante este curso, caro aluno, você conhecerá um pouco sobre este
tema. Então, prepare-se para se aproximar mais deste “novo cidadão do mundo”
conhecendo os conceitos que serão apresentados nas próximas páginas desta
apostila!

Victor Antonio T. Troitiño

4
Sumário

Apresentação.................................................................................................... 3
Introdução ......................................................................................................... 4
Sumário ............................................................................................................. 5
Capítulo 1 – INTRODUÇÃO. ............................................................................. 6
1.1. APRESENTAÇÃO................................................................................................. 6
Capítulo 2 – PARA SOCIOLOGIA DA INFORMAÇÃO .................................... 8
2.1. O HOMEM COMO MÍDIA ................................................................................... 8
2.2. “GLOCALIZAÇÃO” ............................................................................................. 9
2.3. O PODER DOS MEIOS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO DE MASSA
10
Capítulo 3 – TEORIAS SOCIOLÓGICAS E A COMUNICAÇÃO DE MASSA 11
4.1. A TEORIA FUNCIONALISTA ........................................................................... 11
4.2. O ESTRUTURALISMO ...................................................................................... 12
4.3. A TEORIA CRÍTICA. .......................................................................................... 13
Capítulo 4 – A CONSTRUÇÃO SOCIAL DA REALIDADE ............................ 15
4.1. O EFEITO OPINIÃO PÚBLICA ......................................................................... 15
4.2. A CAPACIDADE SIMBÓLICA DA COMUNICAÇÃO DE MASSA .............. 15
4.3. CULTURA DE CONSUMO ................................................................................ 16
4.4. PÓS-MODERNIDADE E A ESTETIZAÇÃO DA SOCIEDADE ...................... 17
4.5. A TERCEIRA ONDA: FONTE DE MUDANÇAS ............................................. 18
Capítulo 5 – INDÚSTRIA CULTURAL, TELEVISÃO E INTERNET ................ 25
5.1.
TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO ...................... 25
5.2.
PIERRE BOURDIEU E A PRESSÃO ECONÔMICA SOBRE A TELEVISÃO
26
5.3. INTERNET E AS NOVAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO ................... 27
5.4. PIERRE LÉVY E DOMINIQUE WOLTON: DOIS ENTUSIASTAS ............... 28
5.5. AS MUDANÇAS ESTABELECIDAS PELA CONVERGÊNCIA DIGITAL ... 30
CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................. 36
BIBLIOGRAFIA ............................................................................................... 38

5
Capítulo 1 – INTRODUÇÃO

1.1. APRESENTAÇÃO

Caro aluno, nós estamos saindo da ficção científica para a realidade. É


assim que muita gente sente as mudanças tecnológicas ocorridas nos últimos
quarenta anos.
Do Telex para o Fax e do Fax para a Internet, além de todas as ferramentas
que durante esse período contribuem para várias áreas acadêmicas, científicas e
profissionais dos membros dessa nossa sociedade.
O computador, assim como os Sistemas de Informações e
Telecomunicações, contribuem hoje, com uma série de transformações que não
só ficaram na tecnologia, mas que também promovem mudanças culturais,
políticas, econômicas e sociais em todo o mundo.
Não dá mais para negar a importância que a Informática possui para o
Século XXI. Sem ela não conseguimos visualizar sequer sociedade e indivíduos e
até mesmo a inter-relação entre eles.
O computador tornou-se o grande mediador entre sociedade, indivíduo e
realidade. Seu poder de gerar uma integração sócio-cultural generalizada também
promoveu críticas acirradas por parte de alguns filósofos, sociólogos e
antropólogos, principalmente em se tratando das Novas Tecnologias da
Informação e da Comunicação.
A Internet é principal personagem desta polêmica e tem sofrido ataques
como defesas acirradas por parte de diversos outros pensadores atuais.
As transformações mais patentes, com certeza, são as relacionadas à
transmissão de informações entre indivíduos, grupos, entidades e diversas outras
instituições sociais, que, de posse de um ferramental cada vez mais acessível e
facilitado, reduz, em determinados momentos, espaço e tempo em supostos
conceitos abstratos.
Isso também nos permite deduzir que a “Aldeia Global” pregada por
Marshal McLuhan já é uma realidade inegável e vivida por todos nós quase que
imperceptivelmente.

6
Tudo isso gera, também, uma grande preocupação quanto ao uso devido e
indevido da Informática e de suas ferramentas, pois ainda boa parte da sociedade,
os chamados “analfabetos digitais”, não têm acesso direto e irrestrito a essa
tecnologia, ao menos de maneira a inseri-los efetivamente nesta tal “Aldeia
Global”.
Dessa forma, promover discussões mais aprofundadas sobre a importância
da Informática para a sociedade, assim como de desenvolver maneiras de ampliar
essa inserção digital deve ser uma das características do profissional da área da
Informática.
Por isso, nossa proposta é justamente gerar discussões que sirvam para
tentarmos entender as mudanças ocorridas nas relações sociais a partir do
advento da informática, sejam elas negativas ou positivas, e assim, aferirmos o
papel do profissional de Informática frente à sua condição de agente social.

7
Capítulo 2 – PARA UMA SOCIOLOGIA DA
INFORMAÇÃO

2.1. O HOMEM COMO MÍDIA

Já faz muito tempo que o homem deixou de ser apenas um indivíduo solitário
dentro da sociedade. Tanto o Século XX como o Século XXI, já demonstrou que o
homem desse período possui características bem distintas daqueles dos séculos
anteriores. Isso se deve, principalmente, aos efeitos dos Meios de Informação e
de Comunicação de Massa, que inseriram esse mesmo homem num mundo
quase mágico, onde o homem faz parte de uma nova cultura: a Cultura de Massa
e da Informação.
A Cultura de Massa é produzida segundo normas e regras da fabricação
industrial e difundida de forma maciça para a grande população. Um exemplo
claro dessa cultura são as revistas em quadrinhos, que ainda se encontram entre
o conceito de Arte e o de Produto, sem que ao menos possamos considerar tanto
um como outro indistintamente.
Essa grande população, os indivíduos, que se insere nessa Cultura, pode ser
considerada Massa. Mas esse indivíduo, participante dessa Massa, também
sofreu grandes mudanças de comportamento, principalmente no que tange à sua
característica antropológica de produtor de cultura.
Para o sociólogo Edgar Morin (MORIN, 1990), esse Novo Homem, que
surgiu precisamente no Século XX, pode ser chamado de Homem-Médio, ou
Homem Universal, ou ainda, Homem Mídia. Segundo Morin, o Homem-Médio
seria uma síntese entre o Homem Imaginário, ou seja, aquele que responde às
imagens audiovisuais através da identificação ou projeção com elas, e o Homem-
criança, que é curioso, gosta do jogo, do divertimento, do Mito no Conto, enfim, do
lúdico e da brincadeira.
Dessa maneira, teremos enfim, o Homem como Mídia, que além de ser essa
síntese do Homem Imaginário e do Homem-criança, já pode ser considerado um
Meio de Comunicação (Mídia), pelo seu caráter divulgador, expositor e,

8
principalmente, catalisador de emoções, vontades, gostos, modas, enfim, objetos
simbólicos de toda espécie.
Como Homem Imaginário, o qual responde ao audiovisual, nele se encerra
também todas essas linguagens, principalmente as mais simples, tais como as
dos Meios de Comunicação de Massa. Por isso seu caráter também
“globalizante”, onde qualquer processo de “globalização” ganhará cada vez mais
espaço.

2.2. “GLOCALIZAÇÃO”

Porém, mesmo com fortes indícios de se inserir no processo da


Globalização, esse Homem ainda age de forma local. Daí o termo-síntese
“glocal”, ou seja, a forma de se pensar “globalmente” e de agir “localmente”.
Sabemos que o processo cultural é e sempre será dependente de vários fatores,
sejam econômicos, políticos ou até mesmo geográficos de uma determinada
população. Assim, mesmo sofrendo imposições da globalização, esse indivíduo
tem a necessidade, para não dizer a obrigação, de agir em sua cultura local, que
mesmo influenciada pela cultura de massa globalizante, mas de forma a promover
uma espécie de comportamento misto, ao qual chamaremos de “glocal”.
Essa “glocalização” só é possível por causa dos atuais Meios de
Comunicação de Massa e das Novas Tecnologias da Informação, particularmente
a Internet. Por isso é que Morin chamou esse indivíduo de Homem Universal, pois
além de participar de sua própria cultura, ele tem a possibilidade de se inserir,
caso queira, em outras culturas, aceitá-las, participando até mesmo de mitos,
lendas e costumes de outras civilizações, adaptando-se a elas. Isso, enfim, lhe dá
um caráter de universalidade, de universal.

9
2.3. O PODER DOS MEIOS DE INFORMAÇÃO E
COMUNICAÇÃO DE MASSA

Em se tratando de Indústria Cultural, nada é mais claro que o envolvimento


dos Meios de Informação e da Comunicação de Massa em sua configuração e
manutenção. Esses Meios podem ser considerados os grandes mediadores entre
uma determinada sociedade e a produção cultural massiva. Porém, esse caráter
produtivo também é característica dos Meios de Comunicação, que usam dele
para a transmissão de valores da própria Indústria Cultural. Esse poder dos Meios
de Comunicação já foi devidamente aferido por Marshall McLuhan quando
sintetizou na frase “O meio é a mensagem” toda a fórmula da Mídia atual, ou seja,
“o mesmo conteúdo, transmitido através de meios diferentes, terá efeitos sociais
diversos” (COHN, 1978).
Além disso, ainda pensando como McLuhan, os próprios Meios de
Comunicação, por outra característica também importante, acabam aproximando
culturas, destruindo fronteiras e gerando novas configurações sociais e
comportamentais, mesmo que práticas em alguns casos, mas de maneira nada
sutil, sempre através desse poder simbólico de se definir determinada realidade,
ou seja, de gerar novas realidades sociais.

10
Capítulo 3 – TEORIAS SOCIOLÓGICAS E
A COMUNICAÇÃO DE MASSA

3.1.A TEORIA FUNCIONALISTA

Uma das teorias na área da pesquisa sociológica da Comunicação mais


relevantes do século XX foi a Teoria Funcionalista. Essa teoria tende a explicar o
caráter funcional dos Meios de Comunicação na sociedade. Esse caráter, na
realidade, tende a explicitar as funções desenvolvidas pelo sistema de
comunicação de massa. Diferente da Teoria Hipodérmica, de caráter behaviorista
que tentava explicar a ação de comunicação como uma simples relação de
estímulo e resposta, a Teoria Funcionalista elabora uma série de atividades
específicas dos Meios de Comunicação, entre eles:
a) Vigilância do ambiente;
b) Interpretação dos eventos;
c) Transmissão cultural, e
d) Entretenimento.
Porém, essas atividades não são sinônimas de funções. Ao contrário, as
funções são as conseqüências do fato de os Meios de Comunicação
desenvolverem essas atividades. Daí surge, então, ao menos três funções
determinadas pelos funcionalistas, particularmente Lazarsfeld, Merton e Wright:
1. A atribuição de status e prestígio às pessoas e aos grupos, agora
transformados em objeto de atenção por parte da mídia;
2. O reforço do prestígio para os que se adaptam à necessidade e ao valor
socialmente difundido de serem cidadãos bem-informados;
3. O reforço das normas sociais, ou seja, uma função que exerce a Ética
propriamente dita.
Assim, realizar uma análise funcional dos Meios de Comunicação significa
perceber todas as possíveis funções, sejam de caráter individual, sejam de caráter
institucional, que esses próprios meios podem ter. Isso garante uma série quase
indefinida de funções, que dependem, na realidade, do funcionamento instantâneo
da Mídia.

11
3.2.O ESTRUTURALISMO

Na realidade, o Estruturalismo nasceu das idéias do lingüista Ferdinand


Saussure, que propôs o caráter universal das estruturas mental e cultural, e com
seus efeitos causais na produção de fenômenos sociais perceptíveis, ou seja, todo
processo estrutural da linguagem, através do estudo dos signos (Semiologia).
No entanto foi com o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss que o
Estruturalismo ganhou caráter de Ciência Social. Em seus estudos de
Antropologia Estrutural, Lévi-Strauss chegou a construir modelos de relações
cujas estruturas sejam semelhantes, a ponto de compará-las sistematicamente em
busca de um acordo entre elas.
Pois foi desses estudos que Lévi-Strauss desenvolveu a teoria do
“totemismo”, onde certos fenômenos “naturais”, tais como o comportamento de
certos animais pode ser apropriado para representar um grupo social particular em
uma determinada sociedade. Com isso, Lévi-Strauss percebeu que essa mesma
estrutura “totêmica” estava presente em diversas sociedades, das mais primitivas
às mais desenvolvidas. Um dos grandes exemplos é certo objeto “mágico” de
tribos indígenas que garante ao seu possuidor determinado status em sua
sociedade, assim como certos objetos de consumo, tais como certas marcas de
automóveis ou roupas, em nossa sociedade, que nos garantem também
determinado status.
Outros pesquisadores fora da área da Sociologia ou Antropologia também
usaram do modelo estruturalista, particularmente para pesquisas sobre os Meios
de Comunicação de Massa. O semioticista italiano Umberto Eco, por exemplo,
promoveu vários estudos sobre os fenômenos atuais da cultura popular. Um
desses estudos foi sobre os romances do espião James Bond, escritos por Ian
Fleming. Eco pretendeu mostrar as estruturas latentes no romance popular,
revelando as regras que regem a estrutura narrativa desses romances. O sucesso
popular desse tipo de romance, segundo Eco, só é possível por que a própria
Massa dá seu consenso a ele. Ou seja, a Massa não só aceita a estrutura do
romance popular como as aprova e pede “bis”.
Para entendermos melhor, segue abaixo o esquema (estrutura) apresentado
por Eco:

12
A- M confere uma missão a Bond;
B- O Vilão aparece...
C- Bond impõe um primeiro obstáculo ao Vilão ou o Vilão impõe um primeiro
obstáculo a Bond;
D- A Mulher aparece;
E- Bond conquista a Mulher;
F- O Vilão captura Bond;
G- O Vilão tortura Bond;
H- Bond golpeia o Vilão;
I- Bond, convalescente, desfruta da Mulher e em seguida a perde.

Eco percebeu que todos os romances de Fleming sobre Bond possuem o


mesmo esquema que, mesmo em outra seqüência, serão repetidos todos os
elementos dessa mesma estrutura. Eco ainda sugere que mesmo a visão
ideológica apresentada por Fleming (a Guerra Fria, a União Soviética contra o
Mundo Livre) é determinada pela exigência da cultura de massa, que, por sua vez,
endossa as opiniões do autor.
Enfim, pode-se aplicar o esquema (ou estrutura) proposto por Umberto Eco
em várias categorias do romance popular, seja o policial ou espionagem, sejam os
romances “água-com-açúcar” voltados para o público feminino, assim como a
outros produtos da Indústria Cultural, tais como as Histórias em Quadrinhos, as
Telenovelas ou os filmes hollywoodianos, que também possuem seu próprio
esquema. É só começarmos a analisar um pouco mais de perto esses produtos
atuais da Indústria Cultural que conseguiremos perceber estruturas latentes que
sempre se repetem, por mais que não queiramos assumir.

3.3 A TEORIA CRÍTICA

Um dos primeiros grupos a sustentar o caráter negativo dos meios de


Comunicação de Massa surgiu em 1923 na Alemanha, particularmente na Escola
de Frankfurt. Era composto por pensadores, sociólogos e filósofos que
desenvolveram a teoria de que os veículos de Comunicação, particularmente o
Cinema, o Rádio e mais tarde a Televisão, causavam efeitos nefastos à
sociedade, efeitos estes que, segundo eles, provocavam “torpor” ideológico e até

13
uma visão distorcida da realidade, por meio da transformação dos elementos
culturais em produtos industriais, ou seja, da criação de uma Indústria Cultural.
Marcado por grande influência marxista, esse grupo desenvolveu a chamada
Teoria Crítica, expressa principalmente nos ensaios teóricos de T. W. Adorno, M.
Horkheimer e Marcuse. Para esse grupo, cuja influência nos estudos críticos
sobre os meios de Comunicação alcançou até mesmo a década de oitenta, no
Séc. XX, a Indústria Cultural e seus meios geram padrões de comportamento que
são impostos à massa, com intenções extritamente capitalistas e consumistas.
Para esses teóricos da Escola de Frankfurt, esse papel dos Meios de
Comunicação reduz amplamente o caráter da cultura ocidental, transformando-a
em mero produto a ser consumido, tão descartável quanto qualquer outro produto
industrial.
Sua influência na produção intelectual das décadas de sessenta e setenta,
principalmente durante a vigência de diversos governos autoritários espalhados
pelo mundo, o que acabou corroborando com as idéias marxistas da Escola de
Frankfurt, transformou a Teoria Crítica numa das mais utilizadas para análises
críticas frente aos Meios de Comunicação de Massa, e que às vezes era
exagerada demais, pois era por demais baseada em preceitos, para não dizer
preconceitos, culturais, os quais demonstravam muitas vezes um conservadorismo
cultural mais do que crítica propriamente dita.

14
Capítulo 4 – A CONSTRUÇÃO SOCIAL DA
REALIDADE

4.1. O EFEITO OPINIÃO PÚBLICA

Uma das funções do Jornalismo atual é, com certeza, formar a Opinião


Pública. Mas, o que significa Opinião Pública? Segundo Herbert Blumer, “a
Opinião Pública deveria ser encarada como um produto coletivo”. Como tal, não
constitui uma opinião unânime, mas uma simples opinião coletiva, o que não
significa a opinião da maioria. Por isso, podemos acreditar que essa tal “opinião
pública” seja na realidade, uma opinião formada por diversas opiniões sustentadas
pelo público e, mais precisamente, pelos Meios de Comunicação.
É claro que essa definição tem caráter crítico, tanto na questão da Opinião
Pública como aos Meios de Comunicação de Massa. No entanto, não podemos
esquecer que boa parte das decisões relativas à sociedade, quando da
participação de seus indivíduos, é determinada pela opinião do público.
No entanto, é claro que a formação da opinião pública só ocorre por meio
de argumentos e contra-argumentos, que são aceitos de forma nem sempre
lógica, mas sustentados por necessidades, conceitos e interesses de grupos,
muitas vezes em disputas por determinado poder. Esse poder argumentativo,
muitas vezes encarado como poder de persuasão, não difere em nada do poder
da Publicidade, por exemplo, que utiliza argumentos nem sempre tão lógicos, mas
amparados por sugestões de desejos e não de necessidades claras. Esses
desejos são características simbólicas, presentes em todos os Meios de
Comunicação de Massa.

4.2. A CAPACIDADE SIMBÓLICA DA COMUNICAÇÃO DE


MASSA

A idéia de Símbolo é, antes de tudo, a idéia de abstrato, ou seja, de algo


que materialmente não existe, mas que se constitui numa simulação, ou como
quer o pensador francês Jean Baudrillard (BAUDRILLARD, 1996), num

15
“simulacro”. Esse sentido de “simulacro” tem caráter de elemento simbólico, ou
seja, de uma imagem que represente uma idéia ou um sentido, mas que só é
aceito culturalmente. Na realidade, o caráter simbólico não é natural, mas
desenvolvido artificialmente, principalmente através do poder dos Meios de
Comunicação de Massa, que possuem a capacidade de sua geração e
manutenção.
Essa capacidade determina certo poder de abstração da realidade que os
meios de Comunicação possuem, mas ainda vai mais além. O poder de criação
simbólica que os Meios de Comunicação possuem garante, também, a produção
de bens simbólicos, em contrapartida sobre os bens materiais. Esses bens
simbólicos, muitas vezes revertidos em imagens, idéias e até mesmo simulações,
são o que garantem aos Meios de Comunicação de Massa sua capacidade de
criar novos comportamentos sociais, amparados muitas vezes por nada, além de
ideologias. Por isso essa capacidade simbólica dos Meios de Comunicação gera,
quase sempre, ilusões de posse, status social, poder e de sociabilidade.

4.3. CULTURA DE CONSUMO

Os estudos sobre o consumerismo ou sobre a Cultura de Consumo geram


hoje uma infinidade de argumentos e teorias que possuem, como premissa
principal, a expansão da produção e acúmulo capitalista de bens. Além disso, há
outras características que são consideradas, tais como o próprio poder de
consumo, muitas vezes imaginada como poder de compra de bens de consumo,
gera a ilusão de liberdade individual e a possibilidade de igualdade social, podem
ser considerados também como “alimentadores da capacidade de manipulação
ideológica e controle ‘sedutor’ da população, prevenindo qualquer alternativa
melhor de organização das relações sociais” (FEATHERSTONE, 1995), ou seja,
mesmo que a capacidade da obtenção de bens de consumo possa ser
considerada como uma forma de liberdade individual, ela também alimenta
processos de controle das massas, que são “guiadas” por “desejos” celebrados
pela Indústria Cultural e Simbólica.
Não é à toa que existe uma relação bem próxima entre Indústria Cultural,
Cultura de Consumo e Meios de Comunicação de Massa. Tanto um como os
outros possuem características semelhantes, principalmente quando olhamos

16
pelos seus aspectos industriais e mercantilistas. Se definirmos que é a Indústria
Cultural que gera seu próprio público - e não o contrário - é claro que é a Cultura
de Consumo que gerará, também, o público consumista, assim como o público
que também é originado dos Meios de Comunicação de Massa.
No entanto, há outras características que garantem o consumerismo, tais
como, novamente, o caráter simbólico existente também nas mercadorias. Essas
mercadorias, particularmente as geradas pela Indústria Cultural, são dotadas de
grande poder simbólico, oferecendo sonhos, imagens e prazeres embutidos nas
mercadorias.
A divulgação dessas características simbólicas é garantida pela própria
Publicidade e seus mecanismos argumentativos, além de sua ampla veiculação
pela Mídia. Só isso já garante à Publicidade um papel essencial nesse processo:
o de garantir a circulação desses bens simbólicos, assim como de sua exploração
emocional.

4.4. PÓS-MODERNIDADE E A ESTETIZAÇÃO DA SOCIEDADE

O sociólogo britânico Mike Featherstone, ao procurar desmontar os


processos da Cultura de Consumo, deparou com um dado essencial: nesse
período chamado de pós-modernidade, a Cultura de Consumo tem gerado, junto
com “o colapso das distinções entre alta-cultura e cultura de massa/popular, uma
promiscuidade estilística generalizada” (FEATHERSTONE, 1995), que acaba por
gerar o que chamaremos de “estetização da vida cotidiana”, onde o maior trunfo
se encontra na qualidade das imagens, acima da qualidade da realidade.
Essa concepção já havia sido verificada por Jean Baudrillard, quando expôs
sua teoria sobre os “simulacros”, além de ter corroborado com a teoria sobre “o
apagamento da fronteira entre o real e a imagem”. Isso se dá, segundo esses
autores, pelo excesso de imagens geradas pelos Meios de Comunicação de
Massa, assim como pela própria Indústria Cultural, que contribui com a
intensificação de modelos estéticos acima dos modelos tradicionais de consumo,
ou seja, de bens simbólicos acima dos bens materiais.
Essa valorização da imagem como argumento se aproxima da valorização
dos produtos da Comunicação e de seus Meios, ou seja, da mera informação e da
mera imagem. Vimos isso quando nos deparamos com programas e seriados de

17
Televisão que são até mesmo mais ovacionados que seus próprios produtores, ou
então, páginas da Internet que vendem softwares, imagens, sons, vídeos e textos
virtuais, que hoje acumulam valores incalculáveis numa das principais bolsas de
valores: a Nasdaq.

4.5. A TERCEIRA ONDA: FONTE DE MUDANÇAS

Aprendemos em nossos estudos durante o Segundo Grau que a História da


Humanidade foi dividida em períodos históricos. Essa divisão em Pré-História,
Idade Antiga, Idade Média, Idade Moderna e Idade Contemporânea serviram para
muitos como um meio de se explicar o desenvolvimento da própria sociedade
humana. Essa divisão era vista dessa maneira:

Pré-História Idade Antiga Idade Média


 A formação do  Aprimoramento do  Com a queda do
Homem enquanto Modo de Produção Império Romano, por
ser social. Agrícola para o Modo volta do Séc. IV,
Escravista. inicia-se a Idade
Média.

 Início do Modo de  Surgimento da  Características:


Produção Agrícola. Democracia Grega e a) Riqueza em forma
do conceito de de terras e
cidadão, mas com territórios e Modo
restrições. de Produção
Feudal;
 Cultura baseada na b) Domínios religioso,
Mitologia. econômico e político
da Igreja Católica;
 Início e fim do c) Sociedade de
Império Romano. castas: Clero,
Realeza, Guerreiros
e Vassalos.

18
Idade Moderna Idade Contemporânea Idade Pós-Moderna
 Inicia entre os Séc.  Entre os Sécs. XVIII  Início após o
XVI e XVII a partir: e XX, com o lançamento da
a) Da queda do poder desenvolvimento da Bomba Atômica em
político da Igreja Indústria como um Hiroshima e
Católica; Modo de Produção. Nagasaki.
b) Crescimento
comercial com as  Fortalecimento das  Desenvolvem-se os
navegações; Nações e amplo Setores de Serviços
c) Início da Revolução crescimento dos e de Informação em
Industrial na Centros Urbanos; detrimento do Setor
Europa. surgimento de Industrial.
guerras
 Em 1789 ocorre a intercontinentais no  Com isso, a Indústria
Revolução Francesa, Séc. XX: a 1ª e 2ª começa a sua
quando se discute, Guerras Mundiais. dependência para os
pela primeira vez, os Serviços de
Direitos do Homem e  Crescimento da Informação.
da Sociedade. produção de bens
Crescimento das materiais e de
cidades e do homem consumo.
Urbano e Burguês.

No entanto, a partir do final do século XX, muitos pensadores começaram a


rever esses conceitos de divisão histórica da sociedade humana, particularmente
quando começam a ocorrer mudanças sociais sistemáticas e constantes, advindas
dos novos sistemas de Informação e Comunicação baseadas na Informática. No
entender de muitos pensadores, já na primeira Revolução Industrial, ocorrida entre
os séculos XVIII e XIX, o incremento das máquinas facilitou o rendimento do
trabalho humano. Segundo Adam Schaff (SCHAFF, 1995), a segunda Revolução
Industrial que implantou novas configurações técnico-industriais a partir da
microeletrônica, microbiologia e da energética, promoveu outro salto qualitativo,

19
com a eliminação do trabalho humano em boa parte dos casos, mas tanto com
conseqüências positivas quanto negativas.
Para Schaff, essa segunda Revolução pode ser vista de duas maneiras: a
primeira (mais otimista) aponta para uma sociedade mais democrática e
materialmente mais rica, pois as Novas Tecnologias realmente forneceriam até
mesmo a redução das horas de trabalho e um maior rendimento produtivo. Além
disso, como já podemos sentir, essa segunda Revolução Industrial aproxima
culturas e promove uma universalização mais acirrada. No entanto, Schaff
também mostra alguns caminhos um tanto negativos, tais como a classe em
declínio, rumando ao totalitarismo; o poder nas mãos das multinacionais,
interferindo na política internacional; o fim das culturas locais e seus folclores
únicos, etc.
Porém há os que enxergam de maneira diferente de Adam Schaff as
mudanças promovidas pela Sociedade da Informação. “A Informação será a
maior mercadoria a ser produzida pelo ser humano a partir do Século XXI”. Essa
afirmação é do filósofo e sociólogo norte-americano Alvin Toffler (TOFFLER,
1995), que desde a década de 70 vem promovendo estudos relativos aos efeitos
que a formação de uma Rede Mundial de Informação poderá trazer para a
humanidade. Para entendermos o que Toffler quer nos dizer, precisamos
compreender qual a lógica desse seu pensamento. Segundo ele, a História
Econômica mostra que o desenvolvimento da humanidade se dá a partir de
grandes mudanças que os modelos de produção fornecem. Ou seja, a sociedade
humana deu grandes saltos de desenvolvimento a partir das mudanças nos
processos de produção.
A esses “saltos” Toffler chamou de “Ondas”. Para ele, a metáfora das
“ondas” explica, de forma simples, o que tem ocorrido com o homem desde sua
Pré-História. Do mesmo modo que uma onda do mar, quando passa, modifica
tudo que está por debaixo dela, as “Ondas” tofflerianas também modificam tudo
por onde passam. Toffler esquematiza dessa maneira:
1ª Onda: A primeira grande “Onda” por qual o homem passou ocorreu
quando, ao deixar de ser nômade, o homem desenvolve um sistema social
baseado no sistema de produção agrícola. Ou seja, quando ele desenvolveu a
arte do plantio, da agricultura, produzindo seu próprio sustento, aprendendo a
trabalhar a terra (e posteriormente também os animais). Basicamente, esse

20
processo produtivo (a agricultura) diferenciou o homem dos outros animais, pois
forneceu a ele os quesitos necessários para sua organização social e cultural.
Durante esse longo período, a humanidade desenvolveu, também, alguns
sistemas produtivos, tal como o comunitário, escravista e o feudal, além de outros
sistemas relativos a estes. Nesse período, a base da formação da sociedade era,
tranqüilamente, a Agricultura. Assim, podemos dizer que a 1ª Onda durou até o
fim da Idade Média, quando do advento da Revolução Industrial.
2ª Onda: Nesta nova onda de mudanças, que surge com a Revolução
Industrial, a própria Sociedade se modifica, pois além de conhecer novas formas
de trabalho (do produtor e mão-de-obra agrícolas ao industrial e mão-de-obra
qualificadas para a produção industrial seriada), conheceu, também, novas
relações sociais e culturais que surgem daí: das pequenas “vilas” ou feudos para
as grandes cidades (depois metrópoles), cujas bases estruturais já não mais eram
os centros de produção agrícola, mas os grandes centros industriais, com suas
fábricas e todo um contingente de trabalhadores semiqualificados para a produção
em série de produtos que iriam modificar as relações entre capital e trabalho.
Durante esse período (que basicamente perdurou até o século XX), o homem
conheceu uma diversidade de produtos que transformaram o modo humano de
estar e ver o mundo. A base era estritamente industrial, pois agora a agricultura
estava em segundo plano e dependia totalmente dos processos industriais.
Nessa 2ª Onda, o homem pôde vislumbrar vários “sonhos”, antes utópicos,
de uma sociedade mais justa, mais igualitária, mais confortável. Mas, o que vimos
não foi exatamente isso. As relações trabalhistas que daí surgiu mostraram ser
tão desagradáveis quanto as escravistas da 1ª Onda. Uma série de novos
problemas, tais como o abuso do poder do capital (ou seja, dos donos das
fábricas) com relação aos trabalhadores assalariados, por exemplo, forneceram
razões para uma grande crítica ao novo sistema, principalmente no século XIX,
com diversos levantes trabalhistas sugerindo mudanças na forma de distribuição
das rendas obtidas pela indústria.
No entanto, não dá para negar que a Revolução Industrial também
provocou uma revolução no modo de agir e pensar do homem. Antes dela o
mundo era muito maior, ou seja, antes das máquinas da Revolução Industrial as
distâncias eram muito maiores; o comércio padecia da falta de estruturas viárias; o
conforto da vida social, a educação e a saúde públicas eram inviáveis, oferecendo

21
uma vida média de no máximo trinta anos para o geral da população. Com a 2ª
Onda, as distâncias diminuíram, a idade média de vida da população aumentou e,
principalmente, surgiram meios de informação e comunicação que permitiram com
que o homem tivesse acesso às mais diversas informações.
Do telégrafo à Internet, passando pelo rádio, pela televisão, pelo satélite e
pelo computador, os mais diversos veículos de informação e comunicação só
puderam surgir com o advento da indústria. Dessa forma, além das grandes
mudanças provocadas nas relações de trabalho, também vimos surgir mudanças
quantitativas e qualitativas nas relações culturais, cujas bases agora são os meios
de comunicação de massa.
3ª Onda: Com o advento da Indústria, e posteriormente, com as Novas
Tecnologias, particularmente as da Informação e da Comunicação, a sociedade se
viu diante de um novo sistema social e cultural. A base agora não é mais os
produtos oriundos da produção agrícola e nem da produção industrial, mas sim da
produção da Informação: daí o termo “Sociedade da Informação”. Se
anteriormente a sociedade dependia do sistema de produção agrícola e, mais
tarde, do sistema de produção industrial, sem o detrimento do primeiro, agora a
sociedade depende, assim como a agricultura e a indústria, de um novo sistema: o
de produção da Informação.
Percebe-se que nem um nem outro sistema descarta o outro anterior, mas
cria-se uma interdependência onde, de modo crescente, o anterior depende do
posterior, e assim por diante. Dessa maneira, a primeira riqueza produzida pela
sociedade, historicamente falando, foi retirada da agricultura; o segundo período
de riqueza surge dos processos industriais, que abraçaram a agricultura; e o
terceiro período de produção de riqueza agora está nas mãos do sistema de
Informação, que tanto abraçou a agricultura (sem informação não se planta nem
se colhe nada) como a indústria (que depende totalmente dos processos gerados
pelo sistema de Informação, ou seja, basicamente de softwares e tecnologias da
Informática).
Com essas tecnologias, também se sentem mudanças de âmbito político,
econômico e cultural, através do qual a sociedade já percebe novos paradigmas
de comportamento, até mesmo familiares. Por isso, entrar na 3ª Onda não
significa somente mudar comportamentos trabalhistas, empresarias e produtivos.
Significa, também, a geração de novas relações sociais e culturais, assim como o

22
fim de antigos empregos e serviços e o surgimento de novas áreas de trabalho,
mais com base na Informatização e na Informação do que em condições de
trabalhos braçais e manuais.
Veja o quadro a seguir e perceba como se deu o surgimento da 3ª Onda,
prevista por Alvin Toffler:

1 a O n da 2a Onda 3a Onda

- Sistema de Produção - Sistema de Produção - Sistema de Produção


Agrícola; Industrial; “Informacional”;
- Sistema de - Sistema de - Sistema de
Comunicação via Comunicação via Comunicação baseado
transmissão Verbal Oral transmissão Verbal nas Tecnologias da
e depois Escrita; Escrita, com tecnologia Comunicação e da
- Sistema Social e industrial própria; Informática (Internet);
Cultural com base na - Sistema Social e - Sistema Social e
formação de tribos, clãs Cultural com base na Cultural com base na
e, posteriormente em formação de cidades e, formação de tribos
feudos; posteriormente, urbanas e comunidades
- Modo de Produção metrópoles; da infosfera;
Comunitário, para o - Modo de Produção - Avanço do Modo de
Escravista e, depois, Capitalista (Força Produção Capitalista
para o Feudal. Produtiva). (“know-how”).

Bem, se o Sistema de Informação pode modificar tanto as condições de


produção da própria indústria, o que se pode falar do sistema cultural. Ao
entendermos que o “produto” final do Sistema Agrícola é toda a produção agrícola
e pecuária, assim como o do Sistema Industrial são os produtos industriais, tais
como vestimentas, ferramentas, objetos utilitários e uma série infindável de
maquinários que facilitam nossa vida, o Sistema de Informação (ou Informacional)
oferece um bem genérico que não pode ser contabilizado como “matéria”, mas sim
como um bem “Simbólico”, calculável somente pelo seu caráter “imaterial”, mas
utilitário em toda nossa vida pessoal, social, trabalhista e cultural.
Grandes exemplos podem ser dados: os softwares, ou programas, de
computador que são usados pela maioria (para não dizer todas) das indústrias

23
para controlar, organizar e contabilizar a produção; os endereços pessoais do
correio eletrônico (e-mail) da Internet, contribuindo na aproximação das pessoas;
até mesmo os programas de TV e de rádio, que fornecem tanto informação básica
como entretenimento à população, vimos uma série sem fim de utilização dentro
da atual sociedade, a ponto de nos tornarmos “dependentes” dessa estrutura, tal
como a sociedade já foi da agricultura e dos produtos industriais. Vê-se que um
não descarta o outro, como já foi visto anteriormente. Sente-se, porém, uma
interdependência dos processos, a ponto de uma grande “convergência” de
âmbito digital, onde informações agrícolas, industriais, pessoais, comerciais, etc.
deverão estar totalmente inseridas nos próximos dez anos.

24
Capítulo 5 – INDÚSTRIA CULTURAL,
TELEVISÃO E INTERNET

5.1. TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO

Quando falamos em Comunicação Social, entendemos que o termo se


refere a um processo de comunicação que é desenvolvido pela e para a
sociedade. Bem, de certo modo sim, mas na realidade a Comunicação é um fato
vital para a vida humana. Desde de seu primórdio, o homem vem se destacando
entre os animais principalmente por causa da criação de um componente
importantíssimo: a linguagem de dupla articulação, ou seja, o homem pensa e
responde através de um sistema de códigos extremamente complexo, mas que
permite com que ele possa atribuir significados às coisas, aos sentimentos, às
idéias, enfim, a tudo que nos cerca.
Além disso, esse sistema complexo de códigos (a linguagem) também
permite com que o homem desenvolva cada vez mais duas de suas grandes
criações: a Sociedade e a Cultura. Assim, com a comunicação desenvolvida, o
homem pôde promover o desenvolvimento de uma sociedade também cada vez
mais complexa.
Além da linguagem falada, o homem também desenvolveu outras forma de
comunicação ao longo de sua História. Somente no Século XX, para se ter uma
idéia, foram desenvolvidos o Rádio, o Telégrafo, a Televisão, o Cinema, o Telex,
os Sistemas de Telecomunicação Via Satélite e até mesmo a Internet. Ou seja,
desde que Gutemberg desenvolveu os tipos móveis de impressão (ou prensa
móvel) no Século XV, que foi o princípio dos sistemas atuais de impressão de
jornais, revistas e etc, a sociedade mudou muito e se desenvolveu de maneira
extraordinária.
A tudo isso chamamos de Tecnologias da Comunicação e da Informação.
Atualmente os fatos, idéias, sentimentos, atitudes e opiniões são compartilhados
por milhões de pessoas da maior parte do planeta graças aos meios de
comunicação e de informação. Por essa razão é que o especialista em

25
comunicação de massa Marshall McLuhan afirmou certa vez que o mundo
contemporâneo é uma autêntica “aldeia global”, pois os meios de comunicação
moldam essas idéias, fatos e sentimentos de grupos cada vez maiores de
pessoas.

5.2. PIERRE BOURDIEU E A PRESSÃO ECONÔMICA SOBRE


A TELEVISÃO

O sociólogo francês Pierre Bourdieu, analista e crítico dos Meios de


Comunicação, especialmente da televisão, procurou analisar o modo como a
televisão coloca em risco diferentes áreas do conhecimento, assim como a vida
política e a própria democracia. Em seu livro “Sobre a Televisão”, Bourdieu trata
especificamente do universo do jornalismo, que segundo ele é um campo que
está sob a pressão do campo econômico a partir de uma realidade a qual a
televisão cada vez mais se submete: o índice de audiência. É através dos índices
de audiência que a lógica comercial se impõe às produções culturais.
Segundo ele, "em um universo dominado pelo temor de ser entediante e
pela preocupação de divertir a qualquer preço, a política está condenada a
aparecer como um assunto ingrato, que se exclui tanto quanto possível dos
horários de grande audiência, um espetáculo pouco excitante, ou mesmo
deprimente, e difícil de tratar, que é preciso tornar interessante” (BOURDIEU,
1997). Para Bourdieu, há uma tendência, tanto nos Estados Unidos quanto na
Europa, “em sacrificar cada vez mais o editorialista e o repórter-investigador em
favor do animador-comunicador, a informação, a análise, a entrevista
aprofundada, a discussão de conhecedores ou reportagem em favor do puro
divertimento e, em particular das tagarelices insignificantes dos talk shows entre
interlocutores habituais e intercambiáveis (...)” (BOURDIEU, 1997).
No entanto, Bourdieu se esquece que cada país, cada região, possui seu
próprio modelo de televisão. Há muita diferenciação entre TV Pública e a TV
Privada, além das características também diferenciadoras, da TV aberta com a TV
a cabo. Mesmo assim, Bourdieu merece espaço pelo seu trabalho de verificação,
argumentação e crítica, frente à estrutura político e econômica existente em quase
todos os Meios de Comunicação, e especificamente, a televisão.

26
5.3. INTERNET E AS NOVAS TECNOLOGIAS DA
INFORMAÇÃO

Além de moldar a vida das pessoas, as Novas Tecnologias de


Comunicação e de Informação criaram também um novo espaço para o
pensamento, para o conhecimento e para a comunicação. Esse espaço é a
Internet, que promoveu uma verdadeira revolução social, comparada apenas à
revolução que a prensa móvel de Gutemberg criou nos quinhentos anos seguintes
de seu desenvolvimento (Século XV) .
É claro que além de aproximar as pessoas, desenvolver novas idéias e
ampliar o conhecimento, a internet também está contribuindo com uma nova
formação cultural no mundo todo, principalmente quando também aproxima
elementos culturais de várias partes do planeta, às vezes unindo e contribuindo
com a formação e reforma cultural de algumas sociedades.
Não dá para negar a contribuição da Internet e das Novas Tecnologias da
Informação e da Comunicação quanto ao que tange no desenvolvimento e
aproximação cultural. Dessa maneira, novo processo de Interação Social é
desenvolvido, onde as Novas Tecnologias, e até mesmo o espaço virtual da
Internet, contribuem com o avanço da participação cada vez maior e interativa dos
indivíduos no meio social.
Dessa maneira, a formação cultural dessa sociedade, assim como a
criação de novos elementos culturais, se tornam cada vez mais reais, pois essa
interatividade promovida pelas Novas Tecnologias da Informação e da
Comunicação possibilita transformar, ao mesmo tempo, os envolvidos na
comunicação em emissores, receptores, produtores e consumidores de
mensagens.

27
Isso se dá pela facilidade da produção e do envio de mensagens através
da rede virtual. Sendo assim, uma nova formação cultural de âmbito mundial está
surgindo, provocando mudanças claras nas relações e nos processos sociais.

5.4. PIERRE LÉVY E DOMINIQUE WOLTON: DOIS


ENTUSIASTAS

É a partir das décadas de oitenta e noventa que surgem dois pensadores mais
entusiastas quanto às Tecnologias da Informação e da Comunicação, que nesse
período alcançaram enorme poder de influência por meio da Internet e da TV a
Cabo: Pierre Lévy e Dominique Wolton.
O filósofo francês Pierre Lévy foi um dos primeiros a defender as Novas
Tecnologias da Informação, particularmente a Informática e a Internet. Em seus
livros e ensaios, Lévy defende a tese de que todas as tecnologias de informação
geradas pelo homem sempre serviram para o desenvolvimento do conhecimento
humano, desde a Linguagem, como estrutura básica do desenvolvimento sócio-
cultural do homem, até a Internet e o Ciberespaço, que hoje gera uma infinidade
de informações, o que pode acarretar na amplitude do Conhecimento e
principalmente dos processos educacionais.
De acordo com Lévy, antes da popularização da Internet o espaço público de
comunicação era controlado por intermediários institucionais que preenchiam uma
função de filtragem entre os autores e consumidores de informação. Hoje, com a
Internet quase todo mundo pode publicar um texto sem passar por uma editora
nem pela redação de um jornal. No entanto, essa liberdade de publicações que a
Internet oferece acarreta no problema da veracidade, da garantia quanto a
qualidade da informação. A cada minuto, novas pessoas assinam a Internet,
novos computadores se interconectam, novas informações são injetadas na rede.
“Quanto mais o ciberespaço se estende, mais universal se torna. Novas maneiras
de pensar e de conviver estão sendo elaboradas no mundo das telecomunicações
e da informática.” (LÉVY, 1993).
Um outro sociólogo francês, Dominique Wolton, também corrobora com as
idéias de Lévy e as estende para os Meios de Comunicação de Massa,
particularmente a Televisão. Para Wolton, diferente do que pregou Bourdieu, a

28
comunicação é um grande valor humanístico e democrático baseado na igualdade
e liberdade dos interlocutores. Trata-se de um valor humanístico porque é inerente
ao ser humano e é democrático, porque só a democracia coloca a igualdade como
condição para a comunicação.
Por isso Wolton defende acirradamente o uso da TV aberta pela sociedade.
Segundo ele “não podemos enxergar o ser humano como um ser passivo. Frente
à TV, por exemplo, não somos passivos, pois nosso cérebro está funcionando.
Existe uma interação.” Aos que criticam a televisão, Wolton responde que, “para
que haja sufrágio universal, é necessária a mídia de massa. A TV não reduz a
desigualdade, mas impede mais desigualdade. Sem comunicação de massa, não
há democracia de massa.” (WOLTON, 1996).
Reconhecendo no telespectador um agente ativo e crítico, Wolton situa a
televisão, principalmente aquela voltada para o grande público, um instrumento de
democratização e modernização, o que contribui para reforçar os laços sociais. “É
um antídoto contra o isolamento a que os indivíduos são submetidos no mundo
contemporâneo.” (WOLTON, 1996). Num dos capítulos de seu livro “Elogio do
grande público”, no qual dedica um estudo à televisão brasileira, ele apresenta
uma argumentação polêmica: a Rede Globo representa a confirmação de suas
teses, pois os programas e novelas que veicula assistidos pela população em
geral, constituem fator de integração e têm contribuído para valorizar a identidade
nacional.
Dessa forma, percebe-se que tanto Pierre Lévy quanto Dominique Wolton
apresentam argumentos interessantes sobre os mecanismos, uso e convergência
das Tecnologias da Informação e dos Meios de Comunicação de Massa, que, para
eles, se transformam em instrumentos do desenvolvimento humano e social.

29
5.5. AS MUDANÇAS ESTABELECIDAS PELA CONVERGÊNCIA
DIGITAL

Há vários pensadores atuais que vêem na “convergência digital” o grande


meio de transformação social das próximas décadas. Um deles é Nicholas
Negroponte, diretor do The Media Lab, um laboratório de pesquisa do MIT
(Massachusets Institute of Technology), que está procurando definir a futura
direção da comunicação eletrônica. Segundo ele, logo estaremos “jogando fora”
nossos aparelhos de TV, telefones, rádios, computadores, celulares e outros
aparelhos de comunicação que conhecemos atualmente. Para Negroponte, a
tecnologia de rede baseada em fibra de alta capacidade, mais a tecnologia do
wireless, onde se dá o transporte de informação à curta e média distância, estarão
acessíveis à toda população mundial em poucos anos. E mais ainda, tudo isso
num único aparelho, misto de computador/televisão/rádio/comunicação
eletrônica/etc.
As mudanças já estão sendo sentidas, tanto nos aspectos pessoais como
nos aspectos profissionais do uso da informação. No caso deste último, as
mudanças já estão ocorrendo: o comércio e a transferência de know-how via meio
eletrônico, assim como o treinamento para qualificação e a educação à distância
são uma realidade que não tem como desaparecer, mas sim se tornar cada vez
mais presente na sociedade. Se antes o que mantinha o emprego da população
era a mão-de-obra pouco qualificada, que sustentou tanto a agricultura como a
indústria em períodos anteriores, agora, com as Novas Tecnologias da Informação
e com a convergência digital, o nível de qualificação aumentou, para não dizer que
tranformou-se totalmente.
Ao voltarmos à discussões referentes à formação da 3ª Onda (Capítulo 4.5
desta apostila), vimos que quase nada se requeria da mão-de-obra, seja na 1ª
Onda (Sistema Agrícola) como na 2ª Onda (Sistema Industrial), apenas
treinamento básico para se trabalhar com instrumentos e maquinários. Já nesta
3ª Onda, onde o nível de Informação e Informatização sugere e requisita uma
qualificação intelectual cada vez maior, além de acesso irrestrito à Rede Mundial
de Informação, o trabalhador da 3ª Onda é aquele que, além de saber usar as
informações cada vez mais diversificadas da Rede, deve saber também

30
desenvolver informações que serão difundidas na grande malha, na “aldeia global”
que está se formando.
Dessa maneira, a convergência do instrumental de comunicação num único
meio digital que sirva tanto para nosso lazer como para nosso trabalho acabará
por requerir um outro homem e uma outra sociedade, mais ligados ao
desenvolvimento e transmissão de informação como bem simbólico do que na
obtenção de matéria-prima e, posteriormente, na produção de bens tangíveis.
Não estamos dizendo, assim, que tanto a produção agrícola como a produção
industrial acabaram a partir do desenvolvimento das Novas Tecnologias da
Informação. Muito pelo contrário, elas continuarão, porém agora com o suporte
inevitável e irrestrito das Tecnologias da Informação, que sustentarão esses
sistemas produtivos.
Abaixo listaremos, sem nenhum caráter de julgamento, algumas das
possibilidades atuais e futuras relativas a atual 3ª Onda, ou da Sociedade da
Informação, onde algumas das quais, como veremos, poderão ser vistas como
fatores positivos, negativos ou até mesmo neutros para a sociedade:

Nas Relações Sociais

1 A redução das distâncias sociais e individuais, por causa do uso dos


instrumentos da Rede (Internet, por exemplo).
2 Maior individualismo nos aspectos do lazer, mas, paradoxalmente, uma
maior procura pelo “grupalismo” e pela convivência comunitária.
3 Maior conforto e segurança nos lares.
4 A possibilidade da redução da carga de trabalho e, conseqüentemente,
maior convivência familiar.
5 A possibilidade de uma formação social mais baseada na diversidade
sócio-cultural.
6 Maior participação da vida social de grupos minoritários (segundo cor,
religião ou opção sexual).
7 O surgimento de novas classes sociais dentro da Sociedade da
Informação, onde a divisão entre os “alfabetizados” digitais e os
“analfabetizados” digitais ocorrerá, com o aumento conseqüente do

31
desemprego.
8 Maior preocupação com Ecologia e Meio Ambiente, sentida diretamente
nas relações sociais.
9 Maior agilidade nas decisões de caráter sócio-familiar.
10 A família será o ponto focal das relações sociais.

32
Na Educação e Cultura:

1 O aumento da Educação virtual/digital, onde o “conhecimento” será o


ponto focal.
2 O acesso irrestrito à informações culturais e educacionais, tais como
livros, “papers”, revistas, teses e outros instrumentos culturais digitiais.
3 O compartilhamento de aspectos culturais, provocando uma
“universalização” entre os povos.
4 O aumento dos aspectos crítico-culturais da sociedade.
5 A banalização da diversidade cultural frente à massificação das
informações.
6 A possibilidade do aumento do tempo para a educação formal e informal.
7 O aumento das características comerciais dos produtos culturais.
8 A convergência digital dos Meios de Informação e Comunicação,
possibilitando sua acessibilidade quase irrestrita pela sociedade.
9 A necessidade da total alfabetização formal e digital de toda a sociedade.
10 Mesmo com a possibilidade de “universalização” cultural, com a
possibilidade de formação de “tribos”, surgirá uma nova diversidade
cultural, agora baseada nas “tribos de Rede”.

33
Na Política e Economia:

1 A possibilidade cada vez maior da participação direta da sociedade em


questões da administração pública.
2 O acesso irrestrito às informações de caráter político e econômico, via
rede.
3 A possibilidade da monopolização política/econômica e o surgimento de
totalitarismos dado o controle eletrônico e digital das informações
públicas.
4 O aumento dos aspectos crítico-sociais da sociedade.
5 O controle rígido da política e da economia via rede.
6 Mudanças possíveis na formação de organizações e instituições político-
econômicas, onde o principal instrumento será a informação.
7 A possibilidade de grupos minoritários (segundo cor, religião ou opção
sexual) estarem mais presentes nas discussões das políticas sociais,
através de suas próprias organizações (ONG´s, por exemplo).
8 A possibilidade do surgimento de novos grupos ideológico-políticos, dada
a nova configuração social e econômica.
9 O uso das novas tecnologias, por grupos político-econômicos, para o
controle das massas.
10 O fim do controle de informações jornalísticas e publicitárias por grupos
político-econômicos.

34
Nas Relações de Trabalho:

1 O aumento do trabalho intelectual e simbólico, em detrimento do trabalho


manual, pesado.
2 O aumento do trabalho “remoto”, ou seja, das condições do trabalho
realizado “em casa”, a partir das possibilidades remotas do uso do
computador pessoal. o surgimento de “escrritórios virtuais”.
3 A “robotização” da produção industrial e o fim da mão-de-obra de “chão de
fábrica”.
4 O aumento do desemprego, devido ao analfabetismo “digital”.
5 O aumento do treinamento e da formação profissional via “web”.
6 A redução possível da carga horária de trabalho dado o trabalho “remoto”.
7 A redução das distâncias físicas.
8 A facilitação de distribuição de “know-how” entre empresas e instituições
de pesquisas.
9 A agilização das condições técnicas e tecnológicas industriais.
10 O aumento do e-commerce e da agilidade de distribuição e entrega de
bens de consumo.

Com tudo isso, podemos perceber que são muitas as mudanças que estão
ocorrendo e que ocorrerão frente à nova Sociedade da Informação, ou da 3ª
Onda. São mudanças que pdoerão ocorrer de frorma mais ou menos drásticas
(com possíveis embates entre grupos que procurarão manter o “status quo” da 2ª
Onda, tais como ocorreram quando do surgimento da primeira Revolução
Industrial, onde vimos até mesmo guerras, revoltas e mudanças paradigmáticas
expressivas de comportamento, em todas as áreas da sociedade (vide quadro
anterior).
Mesmo assim, serão incontestes os benefícios que a Sociedade da Informação
trarão ao homem, assim como os malefícios que dela surgirão. “Quem viver,
verá!”.

35
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Só poderemos compreender o papel do homem e de suas criações quando


sentirmos vividamente suas consequências. Assim também será com o uso da
Informática e de todo o sistema de Informação e Comunicação que dela tem
surgido. Já sentimos a realidade do trabalho “remoto” e dos “escritórios virtuais”,
assim como das novas relações sociais que surgem com a rede mundial de
informação (internet). No campo empresarial também há grandes mudanças
paradigmáticas nas condutas, sejam industriais, sejam comerciais.
Não dá mais para voltarmos a viver sem os instrumentos oriundos da
Informática, em todos os aspectos. O homem “universal”, ou seja, o homem da
Informação, desenvolveu novas necessidades baseadas na Sociedade da
Informação, por isso irrevogáveis para as próximas gerações. Do uso educacional
(vide nossas aulas virtuais e via satélite), passando pelo uso empresarial (não
conseguimos mais sugerir antigos sistemas manuais de cálculos contábeis, ou de
controle de estoque, e até mesmo da administração de pessoal, por exemplo,
dentro das empresas, sem o uso de sistemas informatizados), chegando até aos
novos procedimentos eletrônicos de escolha, e até mesmo controle, de nossos
representantes políticos (vide as urnas eletrônicas que há anos são usadas no
Brasil durante as eleições).
A sociedade mudou. E não mudou somente por causa de sua atuação cada
vez mais democrática, participativa e até mesmo comunitária. Mudou por que tem
pela frente instrumentos que lhe proporcionou, e está proporcionando, novas
possibilidades de atuação, de crítica, de obtenção de informações básicas e
importantes para sua vida social. O gênero humano, que para seu próprio
desenvolvimento, passou por diversas fases de crescimento e amadurecimento,
gerou sistemas produtivos, dos mais simples aos mais complexos, também gerou,
com base nesses primeiros, mudanças sociais, culturais e políticas, que também
passaram das mais simples às mais complexas, ora em seu benefício, ora em
benefício de grupos majoritários (de âmbito político-econômico).
Conhecer esses aspectos, essas mudanças, assim como participar
efetivamente de discussões críticas sobre a participação das Novas Tecnologias
da Informação, é condição essencial para os novos profissionais que estão

36
surgindo, sejam desta área, sejam das outras diversas áreas do conhecimento,
pois todas elas, atualmente, começam a depender desse instrumental do
“microchip” e do mundo virtual. Uma dependência sem vícios, mas com
possibilidades diversas, onde o conhecimento, a criatividade, a ética, o
pensamento ecológico e até mesmo a participação comunitária serão, com
certeza, os principais requisitos do profissional deste século XXI.

37
BIBLIOGRAFIA

BAUDRILLARD, Jean. A Troca Simbólica e a Morte. São Paulo: Edições Loyola,


1996.

BOURDIEU, Pierre. Sobre a Televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora,


1997.

COHN, Gabriel. Comunicação e Indústria Cultural. 4ª ed. São Paulo:


Companhia Editora Nacional, 1978.

DIAS, Reinaldo. Introdução à sociologia. São Paulo: Pearson, 2007.

FEATHERSTONE, Mike. Cultura de Consumo e Pós-modernismo. São Paulo:


Studio Nobel, 1995.

FERREIRA, D. Manual de Sociologia: dos clássicos à sociologia da


Informação. São Paulo: Atlas, 2001.

LÉVY, Pierre. As Tecnologias da Inteligência. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993.

MORIN, Edgar. Cultura de Massas no Século XX. Vol. 1. 8ª ed. Rio de Janeiro:
Forense-Universitária, 1990.

SCHAFF, A. A Sociedade Informática: as conseqüências sociais na segunda


revolução industrial. 4ª ed. São Paulo: Editora da Universidade Estadual
Paulista: Brasiliense, 1995.

STRAUBHAAR, Joseph e LAROSE, Robert. Comunicação, Mídia e Tecnologia.


São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004.

STRINATI, Dominic. Cultura Popular: Uma Introdução. São Paulo: Ed. Hedra,
1999.

38
TOFFLER, Alvin e Heidi. Criando uma nova civilização: a política da Terceira
Onda. Rio de Janeiro: Record, 1995.

WOLF, Mauro. Teorias das Comunicações de Massa. São Paulo: Martins


Fontes, 2003.

WOLTON, Dominique. Elogio do grande público - Uma teoria crítica da


televisão. São Paulo: Ed. Ática, 1996.

39

Você também pode gostar