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05/09/2019 Empreendedorismo

EMPREENDEDORISMO
CAPÍTULO 1 - O QUE É
EMPREENDEDORISMO?
Marcelo Telles de Menezes

INICIAR

Introdução
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Os empreendedores são admirados e às vezes invejados. São responsáveis pelo


lançamento de produtos e serviços revolucionários, pela criação de empresas
seculares e pela geração de empregos. Mas o que é empreendedorismo? O que é
ser empreendedor?   Podemos dizer que o empreendedorismo é o motor da
economia e ao longo da história foi responsável por grandes mudanças. E o que o
empreendedor tem de diferente das outras pessoas? Ele nasce pronto, sendo algo
somente para predestinados ou qualquer um pode ser empreendedor? Como ele
afeta a economia?
Muitas pessoas têm medo de empreender. Será que realmente é difícil ser
empreendedor? Quais são os fatores que influenciam o empreendedorismo?
Ao longo deste capítulo, você vai conhecer uma breve história do
empreendedorismo e entender a sua definição, analisar o impacto do
empreendedor na economia e examinar os fatores que influenciam o
empreendedorismo.
Acompanhe essa jornada e bons estudos! 

1.1 Quem é o empreendedor?


Imagine que você está participando de um evento - uma festa, um jantar ou um
congresso – com a oportunidade de conhecer e conversar com pessoas diversas. E
durante aquela conversa básica, que geralmente inclui a pergunta “o que você
faz?”, o seu interlocutor responde: “Eu sou empreendedor.”
Qual a primeira imagem que vêm na sua cabeça? Seria a de um empresário bem-
sucedido, que começou o seu negócio do zero e hoje é dono de uma fortuna? Ou
daqueles vendedores de pipoca que ficam na porta de escolas? Seria um
funcionário dedicado de uma empresa ou de um gerente desta mesma empresa?
Será que você imaginaria que ele é um funcionário público ou o voluntário de uma
ONG?
A maioria das pessoas associa a imagem do empreendedor com a do empresário,
como sendo uma pessoa que cria novos negócios, mas a grande verdade é que
qualquer uma das pessoas descritas no parágrafo anterior, desde o vendedor de
pipoca, passando pelo funcionário de uma empresa e o servidor público, podem
sim ser empreendedores. Sendo assim, vamos conhecer os pontos principais que
definem um empreendedor. 
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1.1.1 O papel do empreendedor


Numa visão mais ampla, o empreendedor é a pessoa que identifica
oportunidades, as explora e as desenvolve, seja na criação de um negócio, na
construção de uma carreira como empregado ou até mesmo em outras áreas ou
outros aspectos da vida (RAE, 2007).

VOCÊ O CONHECE?
Marco Polo (1254-1341) pode ser considerado um dos primeiros exemplos de empreendedor. Ele
vislumbrou uma oportunidade de comercializar as mercadorias orientais, em especial da China, em
Veneza, sendo um dos primeiros a percorrer a Rota da Seda. Ele correu grandes riscos, mas virou uma
referência para os grandes comerciantes da época (MANDUCA; CANDIDO; PATRÍCIO, 2016).  

Outra imagem muita associada ao empreendedor é de que algumas pessoas


nascem para serem empreendedores. Mas ao contrário do que se pensa, as
habilidades, comportamentos e características do empreendedor podem ser
aprendidas e desenvolvidas, por qualquer pessoa que assim desejar.

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Figura 1 - O empreendedor não tem superpoderes, mas é uma pessoa qualquer que pode aprender e
desenvolver as habilidades, comportamentos e características do empreendedor. Fonte: Halfpoint,
Shutterstock, 2018.

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O empreendedor tem um papel crucial no desenvolvimento da economia e da


sociedade como um todo. Aqueles que abrem seu próprio negócio geram
empregos e melhoram a distribuição de renda, já os empreendedores que são
funcionários, são responsáveis por auxiliar as empresas ou o governo a atingirem
seus objetivos. Os empreendedores fazem a história e mudam o mundo em redor
deles com as suas ações, criam modelos de negócios novos e inovadores, como,
por exemplo, o Google.
Ao longo da história, os empreendedores sempre existiram e foram destaques na
sociedade, acumulando grandes fortunas e atraindo a atenção das pessoas.
Porém, recentemente, cada vez mais pessoas estão buscando a opção pelo
empreendedorismo. E qual será o motivo dessa procura? Alguns fatores parecem
estar diretamente relacionados com isso, como nos apontam Baron e Shane
(2007): 

grande destaque na mídia de empreendedores de sucesso com uma imagem


bastante positiva e atraente, fazendo com que estes empreenderes
assumam um papel de herói (ou heroína) numa época que existem poucas
figuras de destaque, ao contrário do que foi no passado;
mudança no entendimento entre patrões e empregados com relação ao
vínculo trabalhista. Antes, ser um funcionário que desempenhasse bem sua
função garantia uma estabilidade empregatícia. Hoje com as crises
econômicas e os cortes e reestruturações nas empresas, os empregados são
menos fieis aos seus empregos e passam a questionar se não estariam
melhores trabalhando por conta própria;
a segurança de um emprego, com o salário garantido na conta, deixou de ser
um valor importante, especialmente para os mais jovens. Muitos passam a
preferir um estilo de vida mais independente em detrimento da segurança o
emprego.

Mesmo com a crise econômica iniciada em 2014, empreender é o desejo de muitos


brasileiros. Em uma pesquisa recente sobre empreendedorismo no Brasil, 36% dos
entrevistados são donos de seu próprio negócio ou realizaram alguma ação em
vistas de ter seu próprio negócio no último ano. Ter um negócio está em quarto
lugar entre os sonhos dos brasileiros, atrás de viajar pelo Brasil, ter uma casa
própria ou um carro (GEM, 2017).  
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Um conjunto de programas e ações estruturais tem colaborado para a difusão do


espírito do empreendedorismo no Brasil. Esse processo tem início em 1994 com a
estabilização econômica com o Plano Real, passando pelo lançamento do
Programa Brasil Empreendedor em 1999, pela Lei Geral da Micro e Pequena
Empresa de 2006 e a criação do Micro Empreendedor Individual (MEI) em 2008
(DORNELAS, 2017).
Destaca-se também a participação do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas) na promoção da educação empreendedora e na
capacitação e orientação para os pequenos e microempresários por todo país.
Mesmo com todo este suporte, a vida do empreendedor no Brasil não é fácil. Os
principais fatores limitantes estão relacionados com a burocracia, a carga
tributária e a infraestrutura. A mortalidade das empresas nos dois primeiros anos
de vida é elevada, mas tem melhorado nos últimos anos. Esses aspectos resultam
na observação que o medo de fracassar é o mais impactante para decidir
empreender (GEM, 2016).  
Melhorar o cenário do empreendedorismo no Brasil depende de uma evolução das
políticas públicas do governo, mas também de um melhor entendimento do
processo de empreender, dos fatores de sucesso, dos tipos de empreendedorismo,
entre outros. E o primeiro passo é compreender o que é empreendedorismo, como
vamos ver a seguir.

1.2 Conceituando Empreendedorismo


Podemos considerar que o ato de empreender é tão antigo quanto a civilização,
por ser um fruto do trabalho humano, seja na busca de oportunidades de
crescimento ou como uma alternativa de sobrevivência.  Contudo, a definição de
empreendedorismo, e o seu entendimento, evoluiu e continua evoluindo ao longo
do tempo (LAUREATE, 2013).   Para Filion, (1999, p. 18),  um dos principais
estudiosos do tema empreendedorismo, “definir empreendedorismo é um desafio
perpétuo, dada a ampla variedade de pontos de vista para estudar o fenômeno”.
Por isso, para entender melhor o conceito de empreendedorismo, é necessário
estudar a sua origem e evolução. 

1.2.1 Breve histórico do empreendedorismo


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O primeiro registro de uso do termo “empreendedor” é atribuído ao economista


de origem franco-irlandesa Richard Cantillon, em 1755, que definiu como sendo
um indivíduo que assume riscos. Esta definição diferenciava o empreendedor do
capitalista, aquele que fornecia o capital (DORNELAS, 2017).  

VOCÊ SABIA?
A palavra empreendedor tem origem no francês “entrepreneur”, que por sua vez,
deriva de duas palavras em latim: “inter”, que significa “reciprocidade” e
“prehender”, que pode ser entendido como “pegar” ou “capturar” e também é
associado ao vocábulo comprador. Podendo ser entendido com o “intermediário”
de algo, ou se um negócio, como é o caso (DORNELAS, 2017; LAUREATE, 2013).  

Nesse período, meados do século XVIII, a Inglaterra estava iniciando o processo da


Revolução Industrial que acabou se alastrando pela Europa, surgindo os primeiros
empreendedores segundo este conceito: pessoas que pegavam os recursos
emprestados com os capitalistas para produzir algo novo. Antes disso, os
empreendedores era basicamente os comerciantes, principalmente, aqueles que
se aventuravam pelos mares em busca de novas rotas de comércio, como
Cristóvão Colombo (MANDUCA; CANDIDO; PATRÍCIO, 2016).
Já em 1814, outro economista francês, Jean-Baptiste Say (1767-1832) utilizou a
palavra empreendedor se referindo ao indivíduo que transfere recursos de um
setor cuja produtividade é baixa para outro de produtividade maior, sendo muito
importante para o funcionamento do sistema econômico. Nesse sentido, o
empreendedor era o intermediário entre as classes produtoras e entre estas e os
clientes (MARIANO; MAYER, 2011). No ano de 1871, o economista austríaco Carl
Menger (1840 – 1921) agregou à definição de empreendedor a ideia de que seria
aquele que se antecipa às necessidades futuras (MANDUCA; CANDIDO; PATRÍCIO,
2016).
No final do século XIX e início do século XX, com a produção em massa e a linha de
montagem, o termo empreendedor passou a ser associado com imaginação e
inovação. O empreendedor percebe as oportunidades relacionadas à inovação e
aliado com sua capacidade de realização, desenvolve novos produtos e serviços
que são oferecidos para a sociedade (MARIANO; MAYER, 2011).  

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Saiba que esse período é marcado pelo surgimento de grandes empreendedores,


que arriscaram tudo e conseguiram enriquecer e montar empresas que prosperam
até os dias de hoje. O fundador da Ford Motor Company, Henry Ford (1863-1947),
se destaca não só pelo sucesso da sua empresa, mas também por ser o expoente
de uma nova produção em massa e da linha de montagem. Outro que se destacou
mais por sua habilidade de inovação e criação de novos produtos foi Thomas
Edison (1847–1931), fundador da Edison General Electric Company, que deu
origem a General Electric Company (GE). Entre suas invenções se destacam:
lâmpada elétrica incandescente, câmera cinematográfica, fonógrafo e bateria de
(MARIANO; MAYER, 2011; MANDUCA; CANDIDO; PATRÍCIO, 2016). 

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Figura 2 - Empreendedores cujas empresas existem até hoje e suas principais inovações: Henry Ford e
o modelo Ford T, Thomas Edison e a lâmpada elétrica. Fonte: Jovanovic Dejan / aradaphotography /
Marzolino / Everett Historical, Shutterstock, 2018.

O capitalismo no início do século XX é então impulsionado pela inovação e


progresso tecnológico resultado do trabalho dos empreendedores. Os principais
economistas nesse período voltam a discutir o conceito de empreendedorismo

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Com isso são identificadas três teorias dinâmicas do empreendedorismo (RAE,


2007):

Kirzner (Escola Austríaca): O empreendedor reativo é um agente de ajuste


na economia de mercado.
Schumpeter (Escola Alemã): O empreendedor inovador é uma agente das
mudanças econômicas.  
Leibenstein (Escola de Chicago): O empreendedor causa mudança
incremental e gradual por meio da gestão da empresa. 

Schumpeter é um dos principais autores da definição moderna do


empreendedorismo, descrevendo o empreendedor como um inovador e não
alguém que busca somente o lucro, que está engajado na destruição criativa
rompendo o fluxo circular da economia de mercado baseada na produção e
consumo, que tende a um equilíbrio de preços, por meio da introdução de novos
produtos e processos que substituem os produtos e empresas existentes que se
tornam marginais ou não competitivas. Para ele, o empreendedor é um líder que
possui qualidades como intelecto, determinação, iniciativa, visão de futuro e,
especialmente, intuição. Aqui vale destacar intuição como sendo a capacidade de
ver coisas numa forma que depois de um tempo se provam verdadeiras,
aprendendo no seu mundo natural e social de maneira que suas ações podem ser
calculadas de forma simples e confiável (RAE, 2007; CHIAVENATO, 2012). Para
Kirzner, o empreendedor é como um oportunista alerta, que está sempre atento a
oportunidades de lucro no curto prazo que ocorrem devido a um desequilíbrio no
mercado, onde as habilidades de velocidade do movimento e de tomada de
decisão astuta são essenciais. A atividade do empreendedor envolve ações
criativas de aprendizagem de descoberta e que o empreendedor supera outros no
mercado, pois possui uma habilidade superior para perceber e agir nas
oportunidades (RAE, 2007).  
Já Druker considera que a introdução e aplicação da inovação é um aspecto vital
do empreendedorismo. Segundo ele, o empreendedorismo está diretamente
relacionado a assumir riscos, e o comportamento do empreendedor é de
geralmente abrir mão de sua carreira e segurança em nome de uma ideia,
investindo tempo e dinheiro em um futuro incerto (CHIAVENATO, 2012).

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Na segunda metade do século XX, começaram os primeiros estudos apontando


que poderia existir o empreendedorismo dentro de uma organização, que foi
denominado de intraempreendedorismo. Este conceito passou a ter grande
destaque principalmente devido ao papel que as atividades desenvolvidas nas
organizações têm na sociedade. Percebeu-se que o empreendedor coorporativo
tem características e habilidades similares ao empreendedor que cria um negócio
(MARIANO; MAYER, 2011).
A partir da década de 1980, o estudo do empreendedorismo expandiu e espalhou
para outras disciplinas, principalmente, na busca de outras formas de abordagem
que incorporassem as rápidas mudanças tecnológicas à sua dinâmica. Tal
interesse resultou numa série de instituições de ensino oferecendo cursos sobre o
assunto (FILION, 1999).  
Leite (2008) considera os anos 80 como a década do empreendedorismo, com a
percepção pela sociedade da importância do empreendedor para o
desenvolvimento das nações.
Com os avanços no campo da tecnologia da informação, a partir da década de
1990, aumentaram as possibilidades de criação de novos produtos e serviços,
fazendo surgir uma grande quantidade de empresas de sucesso. Surge então um
novo perfil de empreendedor, em que se destacam Bill Gates (1955-) fundador da
Microso e Steve Jobs (1955-2011) da Apple, e mais recentemente Larry Page e
Sergey Brin (ambos 1973-) do Google e Mark Zuckerberg (1983-) do Facebook
(MARIANO; MAYER, 2011).  

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Figura 3 - Empreendedores de sucesso como Larry Page, Sergey Brin, Mark Zuckerberg, Steve Jobs e
Bill Gates tiveram suas trajetórias contadas em livros e filmes. Fonte: JStone / aradaphotography /
Paolo Bona / Annette Shaff, Shutterstock, 2018.

Outro fenômeno ainda mais recente é a criação das startups, pequenas empresas
de tecnologia que buscam desenvolver produtos e serviços escaláveis, que tem
atraindo ainda mais pessoas para o empreendedorismo (MANDUCA; CANDIDO;
PATRÍCIO, 2016).  
Filion (1999) considera o empreendedorismo como um passo em direção à
conquista da liberdade. Se antes era expresso na criação (ou no
intraempreendedorismo) de grandes corporações, hoje se observa a força
empreendedora nos pequenos negócios. Com isso, a partir da década de 90, um
número cada vez maior de pessoas tem escolhido o autoemprego.

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As discussões sobre o empreendedorismo e sua definição seguem nos dias de


hoje, e Chiavenato (2012) procura resumir as contribuições dos diversos autores
da área sobre o tema, como você pode observar na figura abaixo.

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Quadro 1 - Contribuições de diversos autores para o entendimento e a definição do


empreendedorismo. Fonte: CHIAVENATO, 2012, p. 20.

Na busca de uma definição final para o empreendedorismo, RAE (2007) considera


que os conceitos tradicionais de empreendedor incluem: uma pessoa que cria
organizações e uma pessoa que conhece e age para explorar uma oportunidade,
porém não incluem a criatividade, as mudanças e as incertezas envolvidas na
atividade do empreendedor. As teorias processuais ou dinâmicas assumem que a
incerteza existe e dão ao empreendedor a chance de criar e explorar as
oportunidades de inovação e lucro.
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A concepção dinâmica do papel do empreendedor é de um agente que cria,


reconhece e age nas oportunidades. Isso inclui o uso da inovação para fazer coisas
novas, operar com flexibilidade e se adaptar a um contexto mais amplo, trabalhar
em condições de risco e incerteza, realizar mudanças e ganhar a recompensa a
partir dos lucros. Se o empreendedorismo é visto como um processo, ele consiste
de uma pessoa, da busca por oportunidades de mercado, comportamento
inovador e da junção dos recursos necessários para explorar essas oportunidades
(RAE, 2007).  
Filion (1999) constrói uma definição completa do que é o empreendedor a partir
da contribuição dos mais diversos autores das diferentes épocas, chegando ao
seguinte resultado:

o Empreendedor é uma pessoa criativa marcada pela capacidade de


estabelecer e atingir objetivos que mantém alto nível de consciência do
ambiente em que vive, usando-se para detectar oportunidades de
negócios. Um empreendedor continua a aprender a respeito de possíveis
oportunidades de negócios e a tomar decisões moderadamente arriscadas
que objetivam a inovação, continuará a desempenhar um papel
empreendedor (FILION, 1999, p. 19). 

Dolabela (2006, p. 29), reconhecido como um dos principais professores brasileiros


de empreendedorismo, apresenta uma definição bem mais simples: “o
empreendedor é alguém que sonha e busca transformar seu sonho em realidade”.
Agora que você já sabe a história do empreendedorismo e sua definição, vamos
dar uma olhada no histórico do empreendedorismo no Brasil.

 1.2.2 Breve histórico do empreendedorismo no Brasil


Inicialmente, o empreendedorismo no Brasil no período colonial era baseado na
agricultura e no extrativismo. Caldeira (2009) demonstra que durante os três
primeiros séculos do Brasil colônia havia um forte mercado interno, independente
de Portugal, bastante dinâmico e em crescimento.
Provavelmente o primeiro grande empreendedor brasileiro seja Irineu Evangelista
de Souza (1813-1889), mais conhecido com Barão de Mauá. Após observar o
impacto da Revolução Industrial na Inglaterra, ele retornou ao Brasil decidido a
investir na industrialização do país. Barão de Mauá investiu em negócios diversos,

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tendo construído a primeira ferrovia brasileira, a primeira fundição de ferro e o


primeiro estaleiro, além de ter sido banqueiro. Em seu auge, teve sob seu controle
8 das 10 maiores empresas brasileiras na época (LOH, 2016).  
No final do século XIX, tem início o período industrial, que abre espaço para
muitos empreendedores, imigrantes ou nacionais, que têm a oportunidade de
atingir um novo status na sociedade. O empreendedorismo brasileiro é marcado
pela criação e crescimento de empresas originadas em grupos familiares, como a
família Matarazzo, das Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo (MANDUCA;
CANDIDO; PATRÍCIO, 2016).  

VOCÊ QUER VER?


A série Os Gigantes do Brasil (MELLO, 2016) narra a saga de 4 grandes empreendedores brasileiros que
mudaram o país no final do século XIX e início do XX, principalmente no urbanismo e na
industrialização. São eles: Francisco Matarazzo (1854-1937), Guilherme Guinle (1882-1960), Giuseppe
Martinelli (1870-1946) e Percival Farquhar (1864-1953).  

Outros grupos familiares se destacaram ao longo dos anos, como é o caso da


Família Klabin-Lafer, na indústria de papel, de José Ermírio de Moraes (1900-1973),
criador do grupo Votorantim, e de Roberto P. Marinho (1904-2003), das
Organizações Globo (MANDUCA; CANDIDO; PATRÍCIO, 2016).   Um dos brasileiros
que se destacaram por seu espírito empreendedor é o apresentador Silvio Santos
(1930-), dono do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), que começou como
ambulante. O Grupo Silvio Santos é formado por mais de 30 empresas, nos mais
diversos ramos, e seu fundador segue empreendendo, e com mais de 70 anos de
idade, entrou recentemente para o mercado de cosméticos com a empresa
Jequiti. (MANDUCA; CANDIDO; PATRÍCIO, 2016).
O homem mais rico do Brasil, Jorge Paulo Lemann (1939), juntamente com seus
sócios, Carlos Alberto Sicupira (1948-) e Marcel Herrmann Telles (1950-), talvez
sejam hoje os empreendedores brasileiros de maior sucesso internacional. São os

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donos da maior cervejaria do mundo, a Anheuser-Busch InBev, além do Burger


King, da Kra Heinz (conhecida por seu ketchup), das Lojas Americanas e da B2W
do ramo de e-commerce (GRADILONE, 2017).  
Mesmo com esse histórico de empreendedores brasileiros de sucesso, Dornelas
(2017) afirma que somente na década de 1990 o movimento do
empreendedorismo começou a ganhar forma, com o lançamento do Empretec
pelo SEBRAE e a criação da Sociedade Brasileira para Exportação de So ware
(So ex).
Fernandes (2013) pontua que o ensino do empreendedorismo no Brasil começou
apenas em 1981, num curso de especialização da Escola de Administração de
Empresas de São Paulo (EAESP) da FGV, e que em 1989 foi lançado o primeiro livro
no Brasil em língua portuguesa sobre empreendedorismo.
O SEBRAE teve origem em 1972, sobre a alcunha de CEBRAE (Centro Brasileiro de
Apoio Gerencial às Pequenas e Médias Empresas), tendo passado por uma
reformulação em 1990, quando recebeu a denominação atual, se transformando
num serviço social autônomo e passou a fazer parte do chamado sistema S,
juntamente com SENAC, SESI e SENAI (MELO, 2008).  
A missão do SEBRAE é “(...) promover a competitividade e o desenvolvimento
sustentável das micro e pequenas empresas (MPE) e fomentar o
empreendedorismo no Brasil” (MARIANO; MAYER, 2011, p. 81). Este é um dos
órgãos do governo mais conhecido do empreendedor brasileiro, que encontra o
apoio para iniciar sua empresa, além de consultorias e treinamentos para
desenvolvimento do empreendedor e da empresa, nos mais diversos aspectos de
gestão da empresa, como o controle financeiro, marketing, gestão de pessoas,
vendas, entre outros (DORNELAS, 2017).  
A So ex foi criada para apoiar o desenvolvimento das empresas de so ware do
país com foco no mercado externo, com ações de capacitação para o empresário
de informática em gestão e tecnologia. Para Dornelas (2017), a história da So ex e
do empreendedorismo no Brasil na década de 1990 seguem juntas. Foram os
programas que esta instituição desenvolveu junto a incubadoras de empresas e
universidades em todo país que despertou o interesse pelo tema
empreendedorismo. A empresa foi reformulada, mas continua apoiando o
empreendedorismo relacionado à tecnologia de informação e às startups.

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VOCÊ QUER LER?


O livro “O Segredo de Luísa” (DOLABELA, 2006) conta a história de uma empreendedora fictícia em sua
saga para abrir e gerenciar uma empresa no interior de Minas Gerais. O livro lançado em 1999, do
professor Fernando Dolabela, é um dos mais utilizados para o ensino do empreendedorismo,
fornecendo uma metodologia para o aprendizado adequado do tema para qualquer pessoa.  

O Empretec, um acrônimo de empreendedores e tecnologia, é o principal


treinamento de empreendedorismo do SEBRAE e foi lançado em 1993. É uma
metodologia de ensino de empreendedorismo da ONU (Organização das Nações
Unidas), sendo promovido em cerca de 40 países. O treinamento tem como foco a
capacitação na identificação de novas oportunidades de negócio e no
desenvolvimento das características comportamentais do empreendedor,
utilizando uma metodologia vivencial (MELO, 2008; MARIANO; MEYER, 2011).
Percebe-se que apesar do desenvolvimento tardio de programas de educação
empreendedora no país, hoje o Brasil tem o potencial para desenvolver o ensino
de empreendedorismo, num tamanho e abrangência comparável apenas aos
Estados Unidos (DORNELAS, 2017).
Nesse breve histórico de alguns importantes empreendedores brasileiros é
possível perceber a importância do empreendedor para o crescimento do país. A
seguir, vamos examinar a relação entre o desenvolvimento econômico e o
empreendedorismo.

1.3 Perspectiva econômica


Baron e Shane (2007) são categóricos ao afirmarem que o empreendedorismo é
um motor para o desenvolvimento econômico. Eles se baseiam em uma série de
dados estatísticos dos Estados Unidos, que mostram o impacto do
empreendedorismo nas economias da sociedade, como por exemplo:

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elevado corte de vagas de emprego nas grandes corporações americanas e,


mesmo assim, queda na taxa de desemprego;
a cada ano mais de 600 mil empresas são abertas e este número duplicou
nos últimos 20 anos;
uma em cada oito pessoas trabalham por conta própria nos EUA;
crescimento no número de cursos de empreendedorismo no país.

Dolabela (2006) concorda que o empreendedor é o motor da economia, com sua


percepção de novas oportunidades e sua característica de agente de mudança
contribui para o desenvolvimento econômico e para a inovação.
Esse fato já era percebido desde os tempos de Schumpeter, que em seu livro
“Teoria do Desenvolvimento Econômico”, de 1911, argumentou a força motriz do
crescimento econômico como sendo o empreendedor, que introduz inovações no
mercado que tornam os produtos e tecnologias existentes obsoletos,
característica do processo de destruição criativa (BARROS; PEREIRA, 2008).
Essa percepção quanto à importância do empreendedorismo não encontra eco na
Teoria Econômica Neoclássica, que considera a acumulação do capital físico
(equipamentos, máquinas etc) e humano, progresso tecnológico e expansão de
mercados como sendo os principais determinantes do crescimento econômico
(BARROS; PEREIRA, 2008).
Fontanele (2010) considera que essa ausência do empreendedor do paradigma
neoclássico se deve às dificuldades teóricas, o que resulta em lacunas no
entendimento dos mecanismos básicos de funcionamento da economia.
Voltando a Barros e Pereira (2008), os autores apresentam outra teoria que
procura explicar o papel do empreendedor no crescimento econômico, a Teoria do
Empreendedorismo pelo Transbordamento do Conhecimento. Ela pressupõe que
quando uma nova ideia ou novo conhecimento, criados nos centros de pesquisa e
desenvolvimento (P&D) de grandes empresas ou de universidades, não são
aproveitadas pela instituição que a criou, elas podem resultar em oportunidades
para o empreendedor.
A partir dessa teoria, uma pesquisa empírica conduzida na Alemanha procurou
testar uma hipótese de crescimento econômico: uma maior atividade
empreendedora deve gerar níveis mais altos de crescimento econômico, já que o
empreendedorismo é este mecanismo de transbordamento e comercialização de

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conhecimento. O resultado confirmou a hipótese, pois nas regiões onde havia


mais empreendedorismo tanto o Produto Interno Bruto (PIB) quanto a sua
variação eram maiores. O empreendedorismo é, portanto, um elemento
importante para explicar o desempenho econômico regional (BARROS; PEREIRA,
2008).  Sendo assim, vamos avançar nosso estudo e conhecer as consequências do
empreendedorismo sob o ponto de vista da economia. 

1.3.1 Impactos e resultados do empreendedorismo 


As transformações ocorridas com o lançamento de novos produtos no mercado,
com as mudanças tecnológicas e nos processos produtivos são formas que avaliar
a contribuição do empreendedor para o crescimento econômico. As iniciativas
empreendedoras têm como impactos o aumento da eficiência, que resulta num
aumento na concorrência, além de alterações no comportamento do consumidor.
A descoberta de novos produtos é potencializada e acelerada por uma cultura
empreendedora, sendo que sua disseminação tem um importante papel no
processo de aprendizagem (FONTENELE, 2010).  
Quanto mais ocorrem entradas de novos competidores, mais inovação é gerada e
há aumento da produtividade, resultados da inovação em si e também das ações
das empresas para impedir a entrada de novos concorrentes. Barros e Pereira
(2008) apresentam o estudo de Aghion e Howitt que conclui que este efeito de
entrada de novos concorrentes é mais positivo e significativo em países mais
desenvolvidos em termos de tecnologia. Pode-se entender que os novos negócios
são introduzidos nos mercados pelos empreendedores a partir de uma inovação,
seja ela um novo produto ou serviço, uma nova qualidade de produto ou serviço,
uma nova forma de produção, a abertura de um mercado novo, uma fonte nova de
matéria-prima ou uma nova forma de organização. A criação de um novo negócio,
com ou sem inovação, aumenta a concorrência e tem o potencial de provocar a
saída de empresas do mercado, ou uma reação das empresas estabelecidas seja
com outra inovação ou por fusões e aquisições (BARROS; PEREIRA, 2008). Esse
processo tem como resultado uma nova estrutura de mercado mais eficiente e
com maior dinamismo econômico. Isso se traduz nos indicadores de valor
adicionado, como o PIB e de níveis de emprego. Veja na figura a seguir a relação
entre o empreendedorismo e o desempenho econômico. 

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Figura 4 - A relação entre


empreendedorismo e desempenho econômico a partir da concorrência e/ou da inovação. Fonte:
BARROS; PEREIRA, 2008, p. 984.

Fica claro que a capacidade empreendedora de uma nação tem relação com o seu
desenvolvimento econômico e por isso, nada mais natural que haja um grande
interesse em se medir o quão empreendedor é um país. Nesse sentido, foi criada
em 1999 o projeto Global Entrepreneurship Monitor (GEM), ou Pesquisa Global sobre
Empreendedorismo (MARIANO; MAYER, 2011). 

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O relatório de pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2017) foi criado por duas instituições que
estudam o tema empreendedorismo: a Babson College, de Boston, EUA, e a London Business School,
de Londres, Inglaterra. Realizado anualmente é uma referência mundial nos estudos de
empreendedorismo. Você pode acessar a versão de 2016, disponível em:
<http://www.bis.sebrae.com.br/bis/download.zhtml?t=D&uid=941a51dd04d5e55430088db11a262802
(http://www.bis.sebrae.com.br/bis/download.zhtml?
t=D&uid=941a51dd04d5e55430088db11a262802)>. 

Na pesquisa realizada em 2016, participaram 65 países, dos cinco continentes, o


que representa 70% da população mundial e 83% do PIB. O Brasil participa do
desde o ano 2000, sendo a pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de
Qualidade e Produtividade (IBPQ) em parceria com o SEBRAE. .
Conduzida por meio de uma amostragem estatística da população, a pesquisa tem
como objetivo: “identificar as atitudes da população em relação à atividade
empreendedora, as taxas de empreendedorismo, as motivações e as
características dos empreendedores e de seus empreendimentos, além das
condições para empreender” (GEM, 2017, p. 17).  
Nesse ponto, é importante conhecer a definição de empreendedorismo adotado
pelo GEM, como sendo:

qualquer tentativa de criação e desenvolvimento de novos negócios ou


criação de novas empresas, como o trabalho por conta própria, uma nova
organização empresarial, ou a expansão de uma empresa já existente, por
um indivíduo, uma equipe de pessoas, ou um negócio estabelecido” (GEM,
2017, p. 17).  

Observe que a definição adotada, apesar de bastante ampla, não vincula o


empreendedorismo à inovação, algo que foi bastante destacado ao longo deste
capítulo, sendo o simples fato de se criar um empreendimento ser suficiente para
caracterizar o empreendedorismo. Além disso, como inclui a expansão de uma
empresa já existente, esta definição também engloba o intraempreendedorismo.

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Empreendedores reconhecem oportunidades. Entrepreneurship and small business management (2ª


ed., Capítulo 1). Nueva York, NY: Pearson Education. (https://mym.cdn.laureate-
media.com/2dett4d/LNO/ENTP/0000/PT/PDF/LNO_ENTP0000_ENTP_C01_PT.pdf)

Com o estudo anual do GEM ficou claro que a criação de empresas por si só não
resulta num maior desenvolvimento econômico, pois isso só ocorre se os  novos
negócios foquem em oportunidades de mercado. Por conta disso, faz-se
necessário duas novas classificações de empreendedorismo trazidas por Dornelas
(2017):

Empreendedorismo de Oportunidade: a empresa é criada com um


planejamento prévio, em que o empreendedor tem claro aonde quer chegar,
visando sempre à geração de lucros, empregos e riqueza.
Empreendedorismo de Necessidade: os negócios são geralmente criados
informalmente, por falta de opção do empreendedor por estar
desempregado e não encontrar trabalho. 

O empreendedorismo de oportunidade está diretamente relacionado ao


desenvolvimento econômico e é muito mais presente em países desenvolvidos. Já
o de necessidade, normalmente fracassa e agrava os índices de mortalidade de
negócios, sem gerar desenvolvimento econômico, sendo mais comum em países
em desenvolvimento (DORNELAS, 2017).  

CASO
Com o objetivo de se verificar se o empreendedorismo realmente afeta
positivamente o desenvolvimento econômico de uma região, foi
desenvolvida uma pesquisa em Minas Gerais, que procurava investigar a
relação entre a taxa de desemprego e o empreendedorismo em cada
região do estado. Para cada um dos 853 municípios do estado foram
avaliados:
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- Taxa de Desemprego (TDE): a proporção de desocupados em relação à


população economicamente ativa, com base no censo demográfico do
IBGE.
- Taxa de Empreendedorismo (TE): a proporção dos trabalhadores por
conta própria em relação à população economicamente ativa, utilizando a
mesma base de dados.

O resultado mostrou que nos municípios com maior taxa de


empreendedorismo, a taxa de desemprego era menor. Porém um TE maior
não resulta em um aumento no PIB, indicador de melhor desempenho
econômico. Provavelmente, a maior quantidade de pessoas trabalhando
por conta própria deve ser em atividades alternativas ao desemprego, com
baixa produtividade e renda, o que realmente não se reflete em
crescimento econômico. Esse resultado mostra a importância de políticas
públicas que favoreçam o empreendedorismo que gere emprego e renda, e
não aquele que existe como alternativa ao desemprego. Tais políticas terão
impactos positivos tanto sociais quanto econômicas (BARROS; PEREIRA,
2008).  

Em 2016, o empreendedorismo de oportunidade foi de 57% (por necessidade


43%) do total de negócios na fase de empreendedorismo inicial, um dos menores
índices entre os países pesquisados. Chama a atenção o fato que em 2014 a taxa
de empreendedorismo por oportunidade chegou a um ápice histórico de 71%. A
queda nos últimos anos deve-se à crise econômica no país (GEM, 2017).   Esse
resultado corrobora o de outras pesquisas que indicam que em países ricos a
atividade empreendedora é associada a uma maior taxa de crescimento
econômico, e em países pobres, ou em desenvolvimento, incluso na lista o Brasil,
esta relação é inversa. Ou seja, o empreendedor por necessidade tem pouca
contribuição sobre o dinamismo da economia local (BARROS; PEREIRA, 2008)..
Para alterar esse quadro e tornar o empreendedorismo uma mola propulsora do
desenvolvimento econômico no Brasil é importante entender os fatores que
influenciam o desenvolvimento do empreendedor, como vamos abordar a seguir.

1.4 Fatores positivos e negativos para o


desenvolvimento do empreendedor
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O relatório GEM, além de medir a atividade empreendedora, auxilia na


identificação dos fatores responsáveis pelas diferenças no nível de
empreendedorismo entres os países, o que pode facilitar a identificação das
políticas públicas que podem ser eficazes para o desenvolvimento de novos
negócios (DORNELAS, 2017).  
O empreendedorismo é um fenômeno complexo condicionado a fatores culturais,
mas que também é influenciado por questões políticas e econômicas, sendo
resultado dos hábitos, práticas e valores das pessoas. Em países desenvolvidos,
com economia estável, os empreendedores agem de forma diferente daqueles
num país pobres e com população carente. O fato é que o empreendedor é
influenciado diretamente pelo meio onde vive, sendo um fenômeno cultural
(DOLABELA, 2006).   

VOCÊ SABIA?
A taxa de empreendedores nascentes ou novos tem crescido desde 2012, mesmo
num cenário econômico adverso, marcado pela queda do PIB e recessão. Este
crescimento pode ser explicado por fatores sociais, como o aumento do nível de
escolaridade da população, pela política governamental, com a criação do MEI
(Micro Empreendedor Individual), e por mudança na cultura, com o brasileiro a
cada dia mais propenso a empreender (GEM, 2017).  

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A pesquisa do GEM avalia o contexto social, cultural e político para tentar explica
as diferenças na taxa de empreendedorismo entre os países, com o seguinte
modelo (GEM, 2017):

Requisitos Básicos: Instituições; Infraestrutura; Estabilidade


macroeconômica; e Saúde e educação fundamental;
Catalisadores de Eficiência: Educação superior e capacitação; Mercado de
bens de serviço; Mercado de trabalho; Mercado financeiro; Prontidão
tecnológica; e Tamanho do mercado;
Inovação e Empreendedorismo: Apoio financeiro; Políticas
governamentais; Programas governamentais; Educação e capacitação;
Infraestrutura comercial e profissional; Acesso ao mercado; Acesso à
infraestrutura física; e Normas culturais e sociais. 

Assim, é preciso ter condições favoráveis para empreender, seja em relação ao


âmbito pessoal, seja a partir das políticas públicas de incentivo.   Assim, vamos
abordar essas condições no item a seguir. 

1.4.1 Condições para empreender


Para Fontenele (2010), a criação de empresas nos diferentes países é influenciada
pelo apoio do governo ao empreendedorismo, por incentivos de leis e instituições,
pela disponibilidade de facilidades para gestação de novas empresas,
infraestrutura e cursos de formação e pelo apoio ao crescimento e sobrevivência
das startups.
A educação para o empreendedorismo é fundamental para o desenvolvimento de
uma cultura empreendedora, sendo que muitos lugares, como no Reino Unido,
falharam em criar tal cultura, apesar do forte discurso político destacando a
importância do empreendedorismo. As políticas geralmente estão relacionadas
com incentivo financeiro de curto prazo, que é relativamente fácil de ser feito, ao
invés de estarem relacionadas com mudanças culturais de longo prazo, que são
mais difíceis. Tais políticas não são desenvolvidas a partir do diálogo com os
empreendedores, e apesar das mensagens encorajadoras do governo, os
empreendedores encontram dificuldades práticas para acessar os recursos, o
apoio e as oportunidades necessárias para começar e administrar seus negócios
(RAE, 2007).
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Ainda segundo RAE (2007), há quatro fatores que devem ser considerados com
relação ao papel do empreendimento na sociedade:
 
1)                Os objetivos políticos devem ser claramente entendidos no contexto
nacional, para cada objetivo (reduzir a pobreza, criar empregos, reduzir as
atividades estatais, por exemplo) são necessárias estratégias e diretrizes em
ambientes diferentes.
2)                A natureza do empreendimento e do empreendedorismo deve ser
considerada, como o modelo americano de “livre” economia de mercado;
subsídios agrícolas; economia comunitária; negócios familiares etc.
3)                Quão inclusiva ou exclusiva será a abordagem, como o incentivo à
formalidade. Para muitos países, a economia informal é substancial e importante.
Problemas relacionados ao racismo ou preconceitos.
4)         Qual o papel do governo em criar e implementar políticas para empreender.
A maioria dos governantes e ministros não possui experiência de
empreendedorismo. Muitos argumentam que a melhor contribuição que o
governo pode dar para a criação de uma cultura de empreendedorismo é não
interferir.
 
A mentalidade empreendedora é um dos fatores que influenciam o surgimento de
uma cultura empreendedora e a criação de novos negócios. Esse conceito está
associado à avaliação da pessoa quanto ao ambiente em que está inserida e as
condições que influenciam sua decisão de empreender, com os seguintes
resultados (GEM, 2017):

Convivência com empreendedores: está relacionado com conhecer


pessoalmente alguém que começou um negócio nos últimos 2 anos, como é
o caso de 41,3% da população brasileira. Sendo o segundo maior índice
entre os BRICS (conjunto de países formados por Brasil, Rússia, Índia, China
e África do Sul);
Oportunidades de novos negócios: o Brasil é um dos países que mais
acredita na existência de boas oportunidades de negócio em curto prazo;
Conhecimento, habilidade e experiência para gerenciar um novo
negócio: Brasil e Estados Unidos são os países cuja população se sente mais
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preparada para empreender;


Medo de fracassar: não é um impeditivo para abrir um novo negócio, como
afirmam 57,6% da população do Brasil;

Com relação às condições para empreender no Brasil, relacionados aos aspectos


econômicos, sociais, culturais e institucionais, a pesquisa GEM de 2016 identifica
como os cinco principais fatores favoráveis e limitantes ao empreendedorismo,
conforme mostra a a figura a seguir. Chama atenção a presença dos programas
governamentais tanto como fator favorável quanto como fator limitante, porém o
percentual de entrevistados que considerou como limitante (77%) é amplamente
superior aos que considera favorável (25%) (GEM, 2017).  

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Figura 5 - Os cinco principais fatores favoráveis e limitantes ao empreendedorismo no Brasil, segundo


especialistas entrevistados para o relatório GEM de 2016. Fonte: Elaborado pelo autor, adaptado de
GEM, 2017.

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Outro aspecto curioso, é que a corrupção é considerada um fator limitante para


apenas 2% dos entrevistados mesmo no atual cenário brasileiro, em que os
escândalos de corrupção fazem parte do noticiário diário.
A importância das políticas públicas de apoio ao empreendedorismo e às micro e
pequenas empresas são reforçadas pelas pesquisas sobre o empreendedorismo
no Brasil. Mostram também que é necessário reduzir a carga tributária e a taxa de
juros, e também melhorar o ambiente de negócios e reduzir da burocracia. Tais
ações podem ter impactos sociais significantes ainda mais numa economia de
elevada taxa de desemprego. Iniciativas como a criação de incubadoras de
empresas e o estimulo às cooperativas são favoráveis à criação de oportunidades
de trabalho (BARROS; PEREIRA, 2008).  
Na opinião de Dornelas (2017), ainda faltam políticas públicas duradouras para
consolidação do empreendedorismo no país, mesmo com os avanços recentes nas
políticas do Governo Federal de apoio ao empreendedorismo.
Espera-se que o governo atue de forma efetiva para melhorar o ambiente para o
empreendedorismo no país e que cada vez mais pessoas estejam dispostas a
empreender com foco em oportunidades (e não por necessidade) para que o Brasil
tenha um maior desenvolvimento econômico e social.

Síntese
Chegamos ao fim deste capítulo, e você pode conhecer o que é
empreendedorismo e a suas definições, entendeu como este conceito evoluiu ao
longo dos anos e descobriu a importância do empreendedorismo para o
desenvolvimento econômico dos países e os fatores que facilitam ou dificultam a
ação empreendedora.
Neste capítulo, você teve a oportunidade de:
aprender sobre quem é o empreendedor;
compreender o conceito de empreendedorismo;
conhecer um pouco da história de importantes empreendedores do Brasil e
do mundo;
relacionar o desenvolvimento econômico com o empreendedorismo;

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identificar as condições culturais e estruturais para o desenvolvimento do


empreendedorismo.

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