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FACULDADE CAMPOS ELÍSEOS

ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO INCLUSIVA

SILVANA CRISTINA DO PRADO SUKADA

INCLUSÃO ESCOLAR PARA PESSOAS COM SÍNDROME DE DOWN

São Paulo

2017
FACULDADE CAMPOS ELÍSEOS

SILVANA CRISTINA DO PRADO SUKADA

INCLUSÃO ESCOLAR PARA PESSOAS COM SÍNDROME DE DOWN

Monografia apresentada á Faculdade


Campos Elíseos, como requisito parcial
para a obtenção do título de Especialista
em Educação Inclusiva, sob supervisão da
orientadora: Prof.Fatima Ramalho Lefone.

São Paulo

2017
FACULDADE CAMPOS ELÍSEOS

SILVANA CRISTINA DO PRADO SUKADA

INCLUSÃO ESCOLAR PARA PESSOAS COM SÍNDROME DE DOWN

Monografia apresentada á Faculdade


Campos Elíseos, como requisito parcial
para a obtenção do título de Especialista
em Educação Inclusiva, sob supervisão da
orientadora: Prof. Fatima Ramalho Lefone.

Aprovado pelos membros da banca examinadora em


___/___/___. com menção ____ (________________).

Banca Examinadora

_________________________________

_________________________________

São Paulo
2017
RESUMO

Este trabalho em Pós- graduação em Educação Inclusiva tem por finalidade relatar
minhas vivências e práticas dentro do sistema de ensino regular, em referência a
visão de uma auxiliar de educação inclusiva nas práticas em sala de aula com
alunos com síndrome de down, sendo este um trabalho realizado no âmbito escolar
com parceria do atendimento educacional especializado (AEE) e toda equipe de
professores, gestores e funcionários, com objetivo de desenvolver o social,
emocional, intelectual e pedagógico do aluno de inclusão em sua aprendizagem,
desta forma amenizando as barreiras presentes no cotidiano. A edificação desses
laços com os alunos com necessidades educacionais especiais e os demais, são
realizados gradativamente dentro da escola buscando uma educação para todos.
Nesse sentido, os estudos foram focados em embasamentos teóricos considerando
toda a política educacional que rege a inclusão sendo este o meu campo de trabalho
atual.

Palavras-chave: Inclusão escolar. Síndrome de Down. Currículo e Aprendizagem.


ABSTRACT

This work in graduate studies in inclusive education is intended to report on my


experiences and practices within the regular education system, in reference to a
vision of inclusive education practices in the classroom with students with down
syndrome, this being a work performed under the educational assistance partnership
school with specialized (AEE) and the whole team of teachers managers and
employees, in order to develop the social, emotional, intellectual and student of
pedagogical inclusion in your learning, thus easing the barriers present in everyday
life. The construction of these bonds with students with special educational needs
and the rest, are made gradually inside the school seeking an education for all. In
this sense, the studies were focused on ramming theorists considering all the
educational policy that governs the inclusion and this is my current work field.

Keywords: School inclusion. Down syndrome. Curriculum and learning.


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO...........................................................................................................6

1.1 OBJETIVOS...........................................................................................................7
1.1.1 OBJETIVO GERAL.............................................................................................7
1.1.2 OBJETIVO ESPECÍFICO....................................................................................7
1.2 JUSTIFICATIVA......................................................................................................7
1.3 PROBLEMA............................................................................................................8
2 PEDAGOGIA: Um amor que nasce no coração....................................................9
2.1 Minha infância: brincadeiras e vivências que me levaram a me
apaixonar por essa profissão..........................................................................9
2.1.1 Magistério - pedagogia - trabalho com crianças com síndrome de
down.......................................................................................................10
3 INCLUSÃO ESCOLAR ..........................................................................................14
3.1 Legislações lei de diretrizes e bases da educação nacional (nº 9394/96
de 20/12/96) sobre a inclusão............................................................................15
3.1.1 Características genéticas da síndrome de down......................................
16 3.1.1.1 Desenvolvimento
e expectativas em relação ao trabalho na
inclusão.................................................................................................17
4 A INCLUSÃO, CURRÍCULO E A APRENDIZAGEM..............................................20
4.1 Visão sociocultural em relação à inclusão ...................................................22
4.1.1 Socialização e aprendizagens entre alunos com necessidades
educacionais especiais, professores e suas respectivas
famílias........22
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................................................................26
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........................................................................27
6

1INTRODUÇÃO

Esta Graduação em Educação Inclusiva tem como objetivo compartilhar o


início de minhas aprendizagens educacionais e vivências escolares. Ao enfatizar a
Inclusão Escolar na rede regular de ensino, relato minhas experiências cotidianas,
unindo as teorias e as práticas vivenciadas durante o curso de Pedagogia e Pós
Graduação.
O interesse em sabe mais sobre a Inclusão Escolar e Social surgiu durante a
Graduação em Pedagogia, quando também iniciei meu trabalho na área da
Educação, atuando como auxiliar de Educação Inclusiva. Este tinha como principal
objetivo auxiliar o aluno com Necessidades Educacionais Especiais em suas
aprendizagens, possibilitando estreitar laços entre docentes, discentes, sociedade,
as famílias e a comunidade escolar, considerando os aspectos que envolvem todo o
processo educacional e educativo.
Meu objetivo com esse tema é demostrar minha trajetória desde a minha
infância que foi marcada por brincadeiras e dificuldades de aprendizagens, o que de
certa forma direcionou meu futuro profissional.
Nesta graduação, aponto as características genéticas da Síndrome de Down,
focando no processo da aprendizagem social, emocional, considerando o currículo
escolar e o desenvolvimento da aprendizagem do aluno com esta Síndrome. A partir
de uma visão sociocultural, aponto algumas características dos processos de
socialização do aluno com Síndrome de Down na escola de ensino regular na qual
está inserido.
Para aprimorar minhas opiniões a respeito de uma educação para todos,
busquei realizar pesquisas e estudos referentes a Educação, estando de acordo
com a Política Nacional de Educação Especial; com a Constituição Federal de 1988;
com a Conferência Mundial de Educação para Todos; com a Declaração de
Salamanca; com as Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional; tudo isso com
intuito de esclarecer dúvidas e aperfeiçoar minhas aprendizagens.
7

1.1 OBJETIVOS

1.1.1 OBJETIVO GERAL

O objetivo geral deste trabalho é compreender a importância da Inclusão


Social das crianças com Necessidades Educacionais Especiais na rede regular de
ensino focando em uma educação para todos.

1.1.2 OBJETIVO ESPECÍFICO

O objetivo específico em relação à Educação Inclusiva é compreender uma


ação política, cultural, social e pedagógica, em defesa para que todos os alunos
tenham os mesmos direitos de aprender e participar sem nenhum tipo de
discriminação no cotidiano escolar seja ele Portador de Necessidades Especiais ou
não.

1.2 JUSTIFICATIVA

A educação nos dias atuais enfrenta grandes mudanças em relação a


desenvolver uma educação para todos, o que analisamos é uma escola tradicional
com métodos de ensino que acabam não atingindo a todos contribuindo para um
fracasso escolar futuro.
Mediante a tantas práticas educativas, chega-se a conclusão de que todos
somos diferentes e que cada um tem seu tempo de aprender e de se desenvolver,
desta forma, percebemos que somos heterogêneos em todos os sentidos, fazendo
de nós um ser único e que juntos fazemos a diferença. Com os alunos com
necessidades educacionais especiais não é diferente, é necessário a oportunidade
de aprender, e de ser, e de exercer sua cidadania dentro da sociedade. A escola é o
ponto chave para que este ciclo educacional para que deixe de ser um paradigma,
incluindo a todos independente da sua etnia, raça, religião ou deficiência sem
discriminação.
8

Diante desse assunto tão importante é necessário repensar em uma nova


fase em relação às práticas pedagógicas presentes no cotidiano escolar. O papel da
instituição escolar é propor mudanças para que efetivamente não ocorra a exclusão,
mas que inclua a todos independente das suas limitações, pois, a inclusão ainda é
um grande desafio a ser vencido.

1.3 PROBLEMA

Por um longo período perpetuou-se dentro do sistema regular de ensino a


exclusão de alunos com necessidades educacionais especiais banindo o direito de
fazer parte da sociedade. Escolas especializadas em educação especial era a forma
mais convencional de cuidar e educar as crianças que apresentavam algumas
limitações físicas, social e intelectual o que acabava excluindo totalmente as
crianças do convívio em sociedade.
Mediante os acordos com a Política Nacional de Educação Especial; com a
Constituição Federal de 1988; com a Conferência Mundial de Educação para Todos;
com a Declaração de Salamanca; com as Leis de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional, houve grande avanço para mudanças educacionais na área da inclusão,
mas que por enquanto ainda continua com estigmas a serem superados.
Os paradigmas que envolvem este tema inclusão escolar, ainda são assuntos
que cerca toda uma geração que infelizmente não tem conhecimento sobre o
assunto e que criam tabus dificultando todo o processo de inclusão seja escolar ou
social.
A tantas dificuldades a serem superadas sobre a efetiva inclusão de todos,
seja pessoas com necessidades educacionais especiais ou não. Qual é o papel da
escola em relação à inclusão? Qual a contribuição em ter uma auxiliar de educação
inclusiva na sala de aula? Qual é o papel do professor e toda equipe gestora em
relação à inclusão perante a sociedade? Quais os recursos são utilizados para que
efetivamente se consolide aprendizagem garantindo uma educação para todos
respeitando as diferenças?
Entre tantas perguntas, o que realmente sabemos é que a inclusão não é
assunto inacabado, mas um campo de trabalho a se trabalhar como um todo em prol
de um único objetivo a de formar cidadãos sem distinção e sem discriminação,
proporcionando a todos o direito a exercer sua cidadania.
9
10

2 PEDAGOGIA: Um amor que nasce no coração

O curso de Pedagogia sempre foi um sonho na minha vida. Ser pedagoga é


uma profissão que sempre me proporcionou satisfação e prazer. A ideia de poder
mediar a aquisição de novos conhecimentos, poder trabalhar atuando e colaborando
no desenvolvimento de uma criança, confirma o meu desejo de ser Educadora. Esta
área, Pedagogia, provou-me grandes conquistas. Hoje, atuando como Auxiliar de
Educação Inclusiva, posso unir a teoria apreendida na Faculdade de Pedagogia e na
Pós-graduação e assim relacioná-la com a prática.
Acredito que, ao longo de minha vida, com minhas pequenas experiências na
área educacional, obtive a base para a escolha desta profissão: pedagogia. Partindo
deste princípio, continuo a acreditar em meus sonhos, confirmando meu amor pela
carreira do magistério.

2.1 Minha Infância: brincadeiras e vivências que me levaram a me apaixonar


por essa profissão

Minha infância foi marcada por muitas brincadeiras com amigos. Nasci e me
criei na cidade de Mogi Guaçu, no bairro do Parque do Estado I, o que me
possibilitou ter amizades sólidas, construindo uma infância feliz e saudável.
Ao completar 6 anos de idade, ingressei na Educação Infantil, me recordo da
primeira professora, Juliana Dias. Minhas expectativas aumentavam a cada aula que
eu vivenciava. Tudo ficou ainda mais apaixonante: as experiências vividas, a
delicadeza, as atitudes, a paciência e o jeito calmo e tranquilo da professora
conduzir a turma. Isso despertava ainda mais em mim a vontade de ser professora.
Lembro-me de ganhar uma lousa que virou meu brinquedo preferido e, desde então,
minha brincadeira: “escolinha”.
À medida que os anos foram passando, esse desejo crescia. Durante o
Ensino Fundamental minhas vivências não foram tão boas quanto na Educação
Infantil. No 1º ano (antiga 1ª série), a professora era autoritária e brava, fazendo-me
com que me sentisse insegura, sufocando meus sentimentos... Esse período foi
frustrante e, em decorrência disso, comecei a apresentar dificuldades de
aprendizagem.
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Nos anos seguintes, conforme prosseguia com meus estudos, a dificuldade


de aprendizagem na disciplina de matemática aumentava, era difícil a compreensão
do conteúdo. A cada dia tornava-se um obstáculo. Fui uma aluna fraca, pois ao final
de cada ano ficava em recuperação.
Nesse período, meus pais realizavam comparações entre mim e meu irmão a
respeito de nosso rendimento escolar. Ele, sendo o mais velho, e, na tentativa de me
ensinar, ajudava-me nas tarefas de matemática, em casa, a fazer contas de
multiplicação e divisão, o que era uma tortura. Ele não demonstrava paciência e
agredia-me verbalmente, chamando-me de burrinha. Meu constrangimento
aumentava ainda mais... Creio que devido à falta de conhecimentos e estudos dos
meus pais essas comparações foram se tornando frequentes.
Ainda sim, considerada uma aluna com dificuldades, prosseguia meus
estudos sem reprovações e sem entender o porquê de tanta dificuldade, porém sem
desistir de meus sonhos.
A vontade de vencer na vida profissional e afetiva superava meus medos e
frustrações. Continuei sonhando, idealizando e construindo projetos, demonstrando
minha capacidade.

2.1.1 Magistério – pedagogia – trabalho com crianças com síndrome de down

No ano de 1995, ao completar quatorze anos, ao invés de escolher cursar o


colegial, comecei a pensar em realizar um curso técnico que me proporcionasse
uma profissão. Foi então que, ao ler um jornal, vi a informação que tanto almejava: a
carreira do magistério. Após as inscrições e a realização da prova, recebi a notícia
de minha aprovação. Iniciou-se uma nova fase em minha vida pessoal: o sonho de
ser pedagoga.
O curso era ministrado no período noturno o que fez com que meus pais
apresentassem certo medo, mas mesmo assim me apoiaram nessa nova escolha.
Sentindo-me feliz e realizada, logo recebi boas notícias: após o segundo ano do
curso, a prefeitura apoiaria a carreira do magistério na cidade de Mogi Mirim, abrindo
vagas no campo de atuação como estagiária, o que me alegrou ainda mais, pois a
chance do primeiro emprego era grande. Tudo foi se encaixando. Ao chegar ao
segundo ano do magistério, um concurso foi realizado pelo antigo DEC
(Departamento Educação e Cultura). Logo as notícias se confirmaram: meu primeiro
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trabalho, na área da educação, iniciava-se e meus sonhos começavam a se realizar.


Esse período foi muito construtivo. Cada dia apaixonava-me pela atuação na
carreira do magistério. A primeira escola na qual trabalhei se chamava Reino
Encantado: Educação Infantil e, melhor ainda, era perto de casa. Meu aprendizado
crescia a cada ano.
Trabalhei como estagiária por dois anos, o que foi uma experiência
maravilhosa para mim. Novas oportunidades surgiam. No ano de 1997, deixei de
atuar na área da educação para trabalhar registrada, no comércio. Foi meu segundo
emprego, esse em uma loja chamada Disco Som, onde permaneci por 4 anos, sem
abandonar o curso de magistério. Nesse período escolar, comecei a namorar. No
ano de 2002, casei-me e realizei mais um sonho: o de construir uma família. Assim
que me casei, entrei no cursinho Anglo, preparando-me para a Faculdade, pois
percebia que meus estudos haviam sido fracos. Foi um período intenso, no qual me
dediquei aos estudos, até mesmo parando de trabalhar.
Em 2003, mais um sonho tornando-se realidade: comecei a Faculdade de
Pedagogia na Instituição Maria Imaculada. Uma nova fase a percorrer: as disciplinas
vinham ao encontro de minhas experiências já vividas. Mais uma vez, a
oportunidade de trabalho apareceu: cargo de estagiária. Nesse mesmo ano, atuei na
escola Aquarela, perto de minha casa e, mais uma vez, pude unir a teoria com a
prática.
Minha vida em 2003 foi de grandes mudanças. Por volta de julho desse
mesmo ano, algumas oportunidades foram ocorrendo no campo de trabalho, agora,
fora do Brasil. Ao final deste ano, optei por abrir mão dos meus sonhos, trancando a
matrícula na Faculdade. Fui seguindo rumo a novos horizontes, abraçando uma
nova oportunidade: viver fora do país. Em Fevereiro de 2004, mudei-me para o
Japão e passei a viver por lá até 2008. Esse período foi de grande crescimento
profissional, afetivo, e que deixou muitas saudades...
Em 2007, vivendo ainda no Japão e após 5 anos de casada, engravidei da
minha filha. Minha vida tomou um novo rumo, pois estava realizando mais um
sonho: o de ser mãe. Assim, em julho de 2008, grávida de 7 meses, retornamos, eu
e meu marido, para o Brasil, pois não éramos mais apenas 2, agora éramos 3
pessoas.
Em 10 de Outubro de 2008 nasceu minha linda princesa, Lívia Sayuri, o que
deu um novo sentido para minha vida. Durante os três anos seguidos dediquei-me a
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curtir a maternidade.
Quando minha filha ingressou na Educação Infantil, em 2012, percebi que era
a hora de retomar meus estudos e prosseguir com meus sonhos e fui em busca de
realizá-lo. No início de 2012, retomei o 3º semestre da Faculdade, após nove anos
sem estudar, o que fez com que eu encontrasse dificuldades para me integrar na
turma, mas logo me adaptei e superei este desafio.
O ano de 2012 foi de muita busca e perseverança, afinal, além do que
precisava estudar das matérias do semestre, teria que cursar mais quatro
adaptações, pois a grade curricular havia mudado e o curso, que antes era de três
anos, passou a ser de quatro anos. Com dedicação, consegui fazê-las em 2012 e
2013. Cursei as adaptações nas disciplinas de Educação, Comunicação e
Tecnologia I e II, Pedagogia e Ciências I e II, tendo o prazer de ser orientada pela
Professora Samantha Lodi.
Ainda no ano de 2012, prosseguindo com meus estudos, comecei a
frequentar o curso de Matemática, que era realizado todos os sábados e que era
ministrado por um ex-aluno da Faculdade, graduado na mesma, o Gustavo.
Aproveitei esta oportunidade para tentar superar as dificuldades que tive na infância
nessa disciplina, e o resultado foi muito produtivo. Nesse mesmo ano, em meados
do mês de abril, abriu concurso para cargo efetivo na Prefeitura de Mogi Guaçu,
para o qual a atuação poderia ser baseada no magistério. Novamente fui à busca de
trabalhar na área educacional.
Quando saiu a classificação final, senti-me feliz e realizada, pois minha
classificação havia sido na posição de número 44, e sabia que a possibilidade de me
chamarem era grande. Naquele mesmo ano, em 24 de outubro, passei a fazer parte
do quadro de funcionários da Prefeitura de Mogi Guaçu, o que me trouxe grande
satisfação profissional, atuando como Auxiliar de Educação Inclusiva.
Meu trabalho tomava outro rumo e a insegurança crescia em meu coração.
Não sabia como trabalhar com crianças com necessidades educacionais especiais o
que me faria, mais uma vez, ir à busca de conhecimento novo: o de acompanhar e
colaborar pedagogicamente com a aprendizagem de um aluno com suas limitações
especiais e específicas.
Minha atuação profissional como Auxiliar de Educação Inclusiva iniciou-se na
EMEF “Profª Maria Diva Franco de Oliveira.” Fui muito bem recebida para
acompanhar alunos que necessitavam de uma auxiliar.
14

Neste período tive o prazer de conhecer e dar suporte para a


complementação dos estudos de Matheus, aluno do 9º ano, do período da manhã e
também da aluna Gabriela, do 5º ano, da tarde. Ambos casos de atenção às
necessidades educativas específicas.
Quanta surpresa! Uma lição de vida! Logo percebi suas potencialidades: força
de vontade e determinação, socialização e integração. A cada dia uma nova lição de
vida. Quanto aprendizado que essas crianças puderam me dar. Percebi que suas
limitações foram impostas, de certa forma, pela sociedade, e que esses alunos,
como outros, têm muito a ensinar a todos na luta para serem aceitas.
Trabalhei por dois meses com o Matheus, até o final do ano de 2012, sendo
que este encerrou os seus estudos na EMEF “Profª Maria Diva Franco de Oliveira”,
formando-se no 9º ano, e dando prosseguindo em seus estudos na ETEC. Essas
experiências motivaram-me a não desistir, e me abriram uma nova possibilidade de
trabalho nesta área da inclusão, área esta que ainda não é muito bem aceita pelos
discentes, por medo. Medo que eu também tive no início ao trabalhar com esses
alunos com necessidades educacionais especiais.
No ano seguinte, para minha surpresa, continuei trabalhando com a Gabriela,
uma linda menina, com Síndrome de Down, cursando novamente o 5º ano que havia
sido reprovada por não estar alfabetizada.
Continuando meus estudos, em 2013, com o meu trabalho e cheia de
expectativas, fui à busca de novos conhecimentos, agora para tentar auxiliar a aluna
Rafaela em suas dificuldades escolares e em sua socialização no cotidiano escolar.
15

3 INCLUSÃO ESCOLAR

Embora a inclusão seja um assunto da atualidade, durante alguns séculos


esses indivíduos viveram à margem da sociedade, obtendo uma educação
diferenciada e separada dos demais, sendo considerados diferentes e incapazes.
Para MAZZOTA (2005):
Buscando na história da educação informações significativas sobre o
atendimento educacional dos portadores de deficiência, pode-se constatar
que, até o século XVIII, as noções a respeito da deficiência eram
basicamente ligadas a misticismo e ocultismo, não havendo base científica
para o desenvolvimento de noções realísticas. O conceito de diferenças
individuais não era compreendido ou avaliado (p.16).

Os históricos sobre a inclusão escolar e social vivenciados no Brasil


perpetuam, individualizando as diferenças, baseados em conceitos pré-
determinados pela sociedade. Se não bastasse, ainda estão presentes muitos
empecilhos, tais como: falta de infraestrutura das escolas e ausência de recursos
materiais para atender a esses educandos.
Existe uma carência em relação à formação dos educadores quanto ao
processo de inclusão escolar e também uma escassez de investimentos para
atender aos alunos com necessidades educacionais especiais (NEE). Em algumas
regiões do nosso país, existem trabalhos visando essas mudanças e modificando
paradigmas existentes em nossa sociedade, o que nos faz pensar que podemos
dizer que estamos caminhando rumo à verdadeira inclusão.
Para garantir esses direitos, alguns movimentos nacionais e internacionais
foram iniciados no Brasil pela Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988), que
traz como um dos objetivos fundamentais: “promover o bem para todos, sem
preconceitos de origem, raça, cor, idade ou quaisquer outras formas de
discriminação” (Art.3º, inciso IV).
No contexto mundial, estabeleceu-se a Declaração Mundial de Educação para
Todos (1990), aprovada pela Conferência Mundial de Educação para Todos que
aconteceu em Joimtiem, Tailândia, de 5 a 9 de março de 1990, e teve como objetivo
satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem, buscando propagar e
assegurar uma política educacional.
A Declaração de Salamanca foi elaborada na Conferência Mundial sobre
Educação Especial, realizada pela UNESCO, em Salamanca, na Espanha (1994), e
16

vem tratar de políticas relacionadas às práticas em Educação Especial. Esta


declaração é considerada mundialmente um dos mais importantes documentos,
reafirmando o compromisso para a Educação para Todos, incluindo as pessoas com
Necessidades Educacionais Especiais, sem discriminação, abrangendo o pleno
desenvolvimento (BRASIL, 1994).
Em 9 de julho de 2008, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência é ratificado, sendo:
Primeiro tratado internacional com status constitucional da História do Brasil,
foi confirmada, na manhã desta quarta feira (9), pelo presidente Senado,
Garibaldi Alves, a Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU)
sobre os direitos das pessoas com Deficiência.
Construída com a participação de organizações de deficientes de todo o
mundo, a convenção è a primeira do século XXI e foi definida como
documento histórico por Garibaldi (BRASIL, 2008).

Para a Legislação Nacional, (BRASIL, 2008), em seu Art. 24, sobre a


Educação, a Ratificação da Convenção tem como principal objetivo:
Promover, proteger e assegurar o exercício pleno desenvolvimento de todos
os direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoas com
deficiência e promover o respeito pela sua dignidade, são princípios da
convenção a não-discriminação, a plena e efetiva participação e inclusão na
sociedade, o respeito pela diferença, a igualdade de oportunidades e a
acessibilidade se tornando um verdadeiro tratado jurídico e político em prol
da educação inclusiva (BRASIL, 2008).

Após a implantação das Leis Nacionais de Educação para inclusão, um novo


processo estabelece-se para a divulgação de uma nova tomada de conscientização,
utilizando-se de recursos para propagar a conscientização e a aceitação do
processo de inclusão, por meio dos veículos de comunicação, da mídia, das
propagandas sociais e de todos os recursos disponíveis, procurando, assim,
resgatar o respeito, a dignidade, a igualdade social, a emocional e a educativa
desses indivíduos, de forma participativa.

3.1 Legislações lei de diretrizes e bases da educação nacional (nº 9394/96 de


20/12/96) sobre a inclusão

A escola pública hoje está vivenciando grandes mudanças na área


educacional, sendo a inclusão o foco, baseando-se em discussões, buscando novas
alternativas de propiciarmos uma educação de igualdade e qualidade para todos.
A educação passa a ser direito assegurado pela Constituição Federal a todas
as pessoas, então podemos entender que se estende também às pessoas com
17

necessidades educacionais especiais. A sociedade hoje está apresentando uma


nova consciência diante da inclusão, menos preconceituosa, contribuindo para que
esses indivíduos possam atuar e participar em sociedade de forma produtiva.
A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) dedica o capítulo V para tratar
da Educação Especial, sendo:
Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a
modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede
regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais.
§1º Haverá, quando necessários serviços de apoio especializado, na escola
regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial.
§2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços
especializados, sempre que, em função das condições específicas dos
alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino
regular.
§ 3º A oferta de educação especial, dever constitucional do Estado, tem
início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil.
Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com
necessidades especiais:
-I – currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização
específica, para atender às suas necessidades;
II – terminalidade específica para aqueles que não puderam atingir o nível
exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas
deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa
escolar para os superdotados;
III – professores com especialização adequada em nível médio ou superior,
para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular
capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns;
IV – educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na
vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não
revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante
articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que
apresentam uma habilidade superior nas áreas artística intelectual ou
psicomotora;
Art. 60. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão
critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos,
especializadas e com atuação exclusiva em educação especial, para fins de
apoio técnico e financeiro pelo Poder Público (BRASIL, 1996).

Mesmo com a Educação Especial sendo assegurada por lei, ainda existem
muitos obstáculos a serem vencidos, tais como: adequação do currículo por parte
dos professores; busca de novos conhecimentos para atender as pessoas com
necessidades educacionais especiais de forma igualitária.

3.1.1 Características genéticas da síndrome de down

Apesar de haver inúmeras deficiências, buscar-me-ei aprofundar-me na


Síndrome de Down ou trissomia 21, considerada uma alteração genética, na qual
ocorre um atraso do desenvolvimento, tanto das funções motoras do corpo, como
18

das funções mentais.


Segundo González (2007), a Síndrome de Down é uma alteração genética,
caracterizada pela presença de um cromossomo a mais no par 21, chamada de
trissonomia 21. A Síndrome de Down, relatada em 1866 pelo médico John Langdon
Down, que verificou características desta síndrome em algumas crianças com atraso
intelectual, pode ocorrer de três formas: a trissomia simples, translocação e
mosaicismo. A trissonomia simples, em que todas as células possuem 47
cromossomos, é a forma mais comum e representa cerca de 90% dos casos. Na
translocação, o cromossomo extra do par 21 fica unido a um cromossomo de outro
par e no mosaicismo, o que ocorre é um erro da distribuição dos cromossomos na
segunda ou terceira divisão celular. Nesse caso, tanto o óvulo como o
espermatozóide têm um número normal de cromossomos, podendo se dividir
normalmente, porém, num momento determinado, uma das células se divide
anormalmente, tendo como resultado uma célula com 47 cromossomos e outra com
45.
A criança com Síndrome de Down quando estimulada de forma correta,
proporcionando sua inclusão com domínio dos conteúdos e com a relação com os
outros educandos, pode alcançar um desenvolvimento próximo ao de uma criança
comum.

3.1.1.1 Desenvolvimento e expectativas em relação ao trabalho na inclusão

No decorrer de meus estudos, no curso de Pedagogia, jamais imaginei que


iria trabalhar com pessoas com NEE e hoje busquei ainda mais me especializar
nesta área sendo que atualmente curso pós-graduação em educação inclusiva. A
oportunidade surgiu e acabei entrando nesse campo de trabalho, que é maravilhoso
e ao mesmo tempo árduo. Assim, iniciei essa fase profissional participando
ativamente do processo de inclusão na rede regular de ensino, construindo laços
entre o professor, a criança e eu, trabalhando como auxiliar de educação inclusiva,
contribuindo para que a criança com NEE sinta-se acolhida e respeitada.
Apesar ser diferenciado o tempo de desenvolvimento da criança com
deficiência intelectual, isso não quer dizer que esta não seja capaz. Sendo assim, as
expectativas quanto à aprendizagem desse aluno podem ser valorizadas como
qualquer outra, na expectativa de que o mesmo avance quanto à leitura, à escrita e
19

à alfabetização, se necessário realizando adaptações curriculares, utilizando-se de


recursos para auxiliar no processo de ensino.
Nas observações e experiências vividas por mim, pude notar e avaliar o
quanto de benefícios a inclusão escolar proporcionou para o desenvolvimento social,
emocional e cognitivo da aluna Gabriela (portadora de Síndrome de Down) em
conjunto com o trabalho desenvolvido pela equipe do AEE (Atendimento
Educacional Especializado), que visa proporcionar ajuda na adaptação do currículo,
utilizando-se de técnicas e métodos diferenciados, além da frequência da aluna na
sala de recursos multifuncionais para colaborar no desenvolvimento de suas
capacidades.
No início da escolarização no ensino regular, a aluna Gabriela mostrava-se
tímida e insegura, mas demonstrava gostar de estar dentro do ambiente escolar. A
cada bimestre aperfeiçoava e avançava na aprendizagem de seus conhecimentos.
As amizades entre os alunos proporcionaram interação, autoconfiança e
grandes avanços no desenvolvimento de suas aprendizagens, tanto da leitura
quanto da escrita. Os processos de socialização fizeram toda a diferença. Ao iniciar
o 1º bimestre do ano de 2013, a aluna Gabriela cursava o 5º ano e não estava
totalmente alfabetizada, mas em meados do 3º bimestre ela já dominava a leitura, e
ao ser convidada para ler para a classe, para surpresa de todos, ela realizou a
leitura do livro: “O mundinho da água”, participando ativamente da aula de forma
segura. Um momento de superação e de prestígio, sendo Gabriela, após a leitura,
aplaudida e reverenciada por seus colegas.
As atividades proporcionavam à aluna entusiasmo e suas superações foram
sendo vencidas a cada dia, proporcionando valorização da sua autoestima. Por
muitas vezes nas aulas, Gabriela se negava a realizar as atividades. Artes era uma
das disciplinas que negava realizar, pois achava que não sabia desenhar. Porém,
aos poucos, a professora, em um trabalho conjunto com a sala, foi conquistando e
convencendo a aluna a realizar as atividades de Artes. No começo resistiu, mas
depois superou tal barreira.
Uma das dificuldades apresentadas pela aluna Gabriela estava na
organização dos seus pensamentos, devido à deficiência intelectual causada pela
própria síndrome. Em relação aos fatos pessoais, que ocorrem no seu dia a dia, ela
relata com perfeição e os conta com detalhes, mas quando pede para imaginar uma
história e escrevê-la, a aluna ainda encontra dificuldades, pois sua escrita reflete
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suas dificuldades: identificar os fonemas e confundi-los devido às semelhanças,


pois, ao falar, a aluna encontra dificuldade quanto à sonoridade, preferindo que
alguém fale ou dite, minimizando ou eliminando seus erros. Creio que um
acompanhamento com um especialista, um fonoaudiólogo, ajudará a superar essa
fase.
Durante o ano letivo de 2013, pude dividir com a aluna conteúdos,
aprendizados, amizade, atenção, alegrias, tristezas, angústias, dificuldades e
anseios, mas mesmo com todas suas limitações, Gabriela, de 15 anos e com
Síndrome de Down, demonstrava-se esforçada e com um imenso coração.
Acreditar no potencial da aluna foi primordial e fez toda a diferença. É claro
que, mesmo com todas as limitações dos portadores desta doença, a sociedade tem
muito mais para aprender com esses indivíduos, proporcionando transformações
humanas, respeitando a igualdade e a capacidade de cada um. “A inclusão,
portanto, implica mudança desse atual paradigma educacional, para que se encaixe
no mapa da educação escolar que estamos retraçando” (MANTOAN, 2003, p.15).
A inclusão vem ao encontro destas expectativas, com paradigmas
educacionais, desestruturando conceitos pré-determinados ao longo dos anos
escolares. Essa nova visão de remodelamento do sistema de ensino para
adequação em prol da inclusão não irá somente beneficiar os alunos com
necessidades educacionais especiais, mas a todos aqueles que de alguma forma
apresentam dificuldades de aprendizagem. Segundo MANTOAN (2003):
Embora a inclusão seja uma prática recente e ainda incipiente nas nossas
escolas, para que possamos entendê-la com maior rigor e precisão,
considero-a suficiente para questionar que ética ilumina as nossas ações na
direção de uma escola para todos (p.29).

A educação inclusiva surge como uma saída contra a segregação e a


exclusão escolar, baseada na interação entre todos os alunos e respeitando as
diferenças.
Por enquanto, a inclusão ainda é um tabu a ser vencido, pois diante de tantas
mudanças educacionais correntes no Brasil, existem visões distorcidas sobre a
inclusão, nas quais as opiniões dividem-se, causando grande impacto no ambiente
escolar. Cabe à Gestão Administrativa aplicar de forma ética, estabelecendo uma
relação de cumplicidade, esclarecendo dúvidas, dando apoio pedagógico a todos
envolvidos no ambiente escolar, proporcionando o atendimento igualitário, seja para
pessoas com NEE ou não, contemplando a interação entre todos.
21

4 A INCLUSÃO, O CURRÍCULO E A APRENDIZAGEM

A inclusão social é um processo em construção, seja ele na escola ou na


sociedade, e é preciso buscar transformar e ajustar a realidade em que vivemos,
atendendo a demanda escolar e suprindo as dificuldades de ensino-aprendizagem
dos alunos, de acordo com as necessidades encontradas.
O desenvolvimento intelectual do aluno com deficiência deve ser objeto de
preocupação constante do professor. A inteligência deve ser estimulada e
educada para que ele possa evoluir. E o aluno que apresenta deficiência
intelectual não escapa à regra (GOMES et al, 2010, p.7).

Sendo assim, para que verdadeiramente a escola possa ser inclusiva é


necessário mudar e valorizar a inclusão dentro do processo educacional, buscando
alcançar os verdadeiros objetivos, considerando o desenvolvimento intelectual do
aluno com deficiência.
O currículo escolar, foco da formação do sujeito, deve ser elaborado pelo
Atendimento Educacional Especializado (AEE), sendo este voltado para o aluno com
deficiência intelectual, trabalhando nas salas de recursos multifuncionais, o que dará
subsídios para a iniciação do processo de inclusão, relatando quais áreas deverão
ser trabalhadas para o bom desenvolvimento da criança dentro do ensino regular.
Podem ser trabalhados os seguintes aspectos: emocional, social, cognitivo e
educativo, sempre de acordo com o que se pede no Programa Educativo
Individualizado, (PEI).
É função do professor da AEE organizar situações que favoreçam o
desenvolvimento do aluno com deficiência intelectual e que estimulem o
desenvolvimento cognitivo e da aprendizagem. É também seu papel
produzir materiais didáticos e pedagógicos, tendo em vista as necessidades
específicas desses alunos na sala de aula do ensino regular (GOMES al,
2010, p.9).

Quando a escola recebe um aluno com NEE na rede de ensino regular, é


extremamente importante que os profissionais envolvidos estejam cientes dos
conteúdos a serem aplicados de acordo com o PEI da criança, o que serve como
guia orientador no processo de ensino, possibilitando estratégias a serem
trabalhadas, pois nele está a avaliação do profissional do AEE que também irá
trabalhar em conjunto com o professor do ensino comum, esclarecendo dúvidas e
avaliando o desempenho do aluno quanto às suas conquistas.
Como assegurado na legislação nacional:
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É importante considerar que a interação do aluno com seus pares na classe


comum fazem dele um agente participativo que contribui ativamente para a
constituição de um saber compartilhado. O aluno deverá perceber-se como
sujeito que contribui para a construção de saberes coletivos, retirando disso
múltiplas vantagens, inclusive a de acessar um papel social valorizado.
Oportunizar ao aluno com deficiência intelectual viver integralmente a sua
escolarização no espaço da sala comum permite que ele se beneficie dessa
convivência (GOMES et al, 2010, p.18).

Desse ponto de vista, a ação docente é um dos eixos responsáveis pelo


sucesso da inclusão. É preciso uma participação ativa e participativa entre professor
e alunos comuns e alunos com NEE, sendo que a escola desenvolve o papel de
lugar socializador, aproximando as diversidades existentes e crescentes na
sociedade, pois é nela que a criança irá conviver sistematicamente com outras
crianças de origens diferentes, raças, culturas, classes e com pessoas com
necessidades especiais. É o cenário da realidade de um direito social e educacional
para todos tornando-se um desafio para a escola, comunidade escolar, família e
com os alunos ao cumprirem este direito de forma conjunta.
Sabe-se que a escola comum deverá incluir no seu Projeto Político
Pedagógico ações que assegurem os direitos a um currículo adaptado aos alunos
com necessidades educacionais especiais, na metodologia de ensino, na avaliação,
investindo na capacitação dos seus professores, assegurando uma aprendizagem
não somente para alunos com NEE, mas para atender e suprir as necessidades da
heterogeneidade dos alunos.
Outro ponto fundamental é a aprendizagem, sendo um processo que
desenvolve as habilidades, as competências e conhecimentos, os valores que são
adquiridos ou modificados durante todo percurso da vida, possibilitando o sujeito a
estar sempre aprendendo de acordo com seus pensamentos e vivências. É
importante proporcionar aos alunos com NEE a oportunidade de aprender conteúdos
novos, ampliando e avançando de acordo com sua capacidade e respeitando suas
limitações. Temos que entender que somos seres diferentes e cada qual desenvolve
suas aprendizagens de acordo com seus ritmos e conhecimentos prévios.
O ensino e a aprendizagem da criança com deficiência intelectual objetivam
desenvolver suas capacidades, utilizando recursos e materiais pedagógicos
adaptativos, para facilitar a compreensão. Sugere-se utilizar termos simples no
momento da abordagem do conteúdo escolar, tomando cuidado para não
desmotivar o aluno e, se possível, realizar atividades visando a flexibilização do
currículo, com desafios gradativos, atendendo à necessidade individual do aluno.
23

4.1 Visão sociocultural em relação à inclusão

A visão sociocultural em relação à inclusão social ainda é uma experiência


pequena e carregada de preconceitos e discriminação. É difícil pensarmos que
pessoas são excluídas do meio social em razão das suas características físicas,
como cor de pele, altura, peso e formação física, culpabilizando-as.
A escola é um espaço socializador, tendo como foco a inclusão na sua
realidade, estreitando os laços entre professor e aluno, aluno e aluno, tornando-se
um espaço da heterogeneidade e lidar com a diversidade se torna um grande
desafio tanto para os gestores quanto para os professores. Mas que graça teria se
todos agissem de igual forma ou pensássemos da mesma forma?
Sendo assim, nada teria sentido. São as diferenças que nos completam
enquanto seres humanos, por meio das quais cada qual contribui de diferentes
maneiras para a sociedade, e cada sujeito torna-se único e insubstituível. Mediante
tantas diferenças, porque é tão difícil aceitar a inclusão de cidadãos que, de igual
forma, têm direitos de exercer sua cidadania de acordo com suas capacidades?
Quando os professores se defrontam com os alunos com NEE dentro da sala
de aula, demonstram-se incapazes e inseguros e procuram evitar tal espaço escolar.
O medo do desconhecido é o pior inimigo do sucesso, tornamo-nos capazes
quando enfrentamos os medos e, diante desse paradigma tão evidente ainda na
nossa sociedade, resta-nos o desafio de que estes estigmas sejam superados,
acreditando ser a inclusão algo diferente porque, enfim, somos todos diferentes e
aprendemos conforme nossos conhecimentos e nossas vivências.
Assim, creio que novas visões devem surgir e que só mudaremos a forma de
pensar quando nos dermos a chance de provar do novo, reestruturando novos
conceitos sobre as práticas educativas e desmistificando a inclusão escolar e social.

4.1.1 Socialização e aprendizagens entre alunos com necessidades educacionais


especiais, professores e suas respectivas famílias

Apesar do avanço nas discussões sobre o respeito à diversidade, os


paradigmas tradicionais e estigmas estão ainda presentes no pensamento
pedagógico, nos conceitos e nas práticas, sendo estes motivos evidentes quando se
trata sobre o tema inclusão escolar. Para FERREIRA (2007):
24

Frente à inexistência clara de uma resposta, as professoras e professores


vão se orientando pelo senso comum cuja racionalidade é a de que, no
decorrer do processo escolar, os alunos com deficiência intelectual são
incapazes de aprender. Tais necessidades emanam de uma representação
social que considera que eles são mais lentos, e, devido à dificuldade nos
processos cognitivos, devem aprender menos conteúdo e que estes sejam
mais simplificados, já que as abstrações são complicadoras dos processos
de apropriação do conhecimento (p. 102).

Existem questionamentos que se formam no senso comum da sociedade, que


criam estigmas em relação à socialização e à aprendizagem dos alunos com (NEE)
e suas aprendizagens. Mitos que familiares de alunos comuns e professores têm
sobre alunos com NEE. É preciso que os olhares se voltem para os desafios que
hoje nos impõem quando falamos em educação “Para Todos”. A escola e os
gestores da educação devem compreender esses paradigmas no campo
educacional e social, buscando alcançar uma igualdade social sem distinção.
Com objetivo de valorizar e defender a inclusão dentro do sistema regular de
ensino é preciso pensar em novas alternativas pedagógicas eficientes que atendam
às diferenças. Se ficarmos focados em uma escola única e não nos atentarmos a
novos projetos, estaremos insistindo na exclusão de muitos alunos que são seres
distintos e que aprendem conforme seus conhecimentos e capacidades individuais.
Muitos professores alegam precisar de capacitação para atender alunos com
NEE, mas sabemos que, somente através da prática, iremos ampliar nossos
conhecimentos e para entender o processo de inclusão não é diferente. Precisamos
aprender através da prática, pois nenhum aluno é igual ao outro, todos apresentam
características diferentes umas das outras. Cada caso é um caso e deverá ser
adaptado por meio do cotidiano escolar junto com a família do aluno. Segundo
MARTINES (2008):
O professor, na sua condição de sujeito, elabora representações do espaço
escolar pelas quais organiza sua ação, toma decisões, resolve conflito e
exerce intencionalmente sua ação educativa. No seu trabalho pedagógico,
experimenta vivências emocionais diversas, suscetíveis de organizar-se em
sentidos subjetivos que, surgidos na ação, também a mediatizam
participando em alguma medida na caracterização de sua ação como mais
ou menos criativa. É o professor, na sua condição de sujeito, quem planeja
e desenvolve o trabalho pedagógico a partir de suas configurações
subjetivas, das características do contexto em que atua e da subjetividade
social que o caracteriza (p.77).

O professor é o ponto chave do sucesso da inclusão dentro da concepção de


educação comprometida com processo social das pessoas com NEE, requerendo
um profissional com capacidade de inovação e participação por meio do
envolvimento afetivo que proporcione um ambiente propício à aprendizagem,
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integrado às famílias dos alunos e a prática a cidadania.


Pensando na relação e na socialização entre alunos, professores e alunos
com NEE, é preciso querer transformar a prática pedagógica e buscar um pouco do
que sabem do processo de inclusão. É preciso que professores das escolas comuns
e profissionais especializados trabalhem juntos para que o ambiente escolar seja
inclusivo, atendendo às necessidades específicas dos alunos que apresentam
dificuldades de aprender e aos alunos com deficiência.
Inevitavelmente, muitos professores acham a ideia de incluir alunos com NEE
em sua classe preocupante e ficam apreensivos a princípio. Porém, a experiência
demonstra que a maioria dos professores ao vivenciar essa experiência muda sua
opinião, pois, ao utilizarem novas ferramentas educacionais que atendam as
necessidades específicas dos alunos com NEE ou alunos comuns, tornam-se
capazes de ensiná-los por meio de diferentes estratégias.
Os alunos dos dias de hoje são privilegiados por poderem frequentar uma
escola na qual já podem vivenciar a experiência da inclusão no seu dia a dia. A
escola é um ambiente propício a viver o processo de inclusão. Os alunos aprendem
a não ter uma visão de exclusão, possibilitando a eles provar da solidariedade e das
diversidades existentes no meio social.
As famílias dos alunos comuns ainda têm dificuldades em aceitar um aluno
com NEE na sala de seus filhos, devido à ideia errada de que a qualidade do ensino
irá piorar. Tais conceitos veem carregados de preconceitos que estão presentes há
muito tempo em nossa sociedade. Esses pais, é claro, não são culpados de
pensarem de tal forma, pois o percurso histórico de nossa sociedade colocava essa
visão distorcida de que os diferentes deveriam ser educados separados. É
importante se esclarecer sobre as dúvidas sobre a inclusão Social e Escolar, e o
professor tem um papel fundamental nesse aspecto ao mostrar o lado positivo da
inclusão, quebrando com as barreiras ainda existentes.
Nas minhas pequenas experiências como Auxiliar de Educação Inclusiva,
pude vivenciar alguns processos de inclusão. No início do ano letivo, os professores
demonstravam-se inseguros mediante o novo, mas, apoiados pela equipe
pedagógica e pelos especialistas do Atendimento Educacional Especializado,
buscaram aperfeiçoar seus métodos, sempre preocupados em realizar da melhor
maneira o seu trabalho.
Quantos aos alunos comuns, em nenhum momento apresentaram rejeição ou
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discriminação com os alunos com NEE. Ao contrário, diante da diferença,


integraram-se sem preconceito e ajudaram nas atividades escolares quando
necessário, demonstrando carinho e afeição. Posso dizer que nesse processo de
inclusão escolar e social não existe uma receita mágica que seja capaz de ensinar,
preparar, mas que é preciso vivenciar estas experiências cada dia, aprendendo e
agindo por meio do fazer pedagógico.
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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A inclusão socioeducativa é uma importante fonte de socialização e de


oportunidades que a escola tem como caminho ao proporcionar tais experiências e
vivências. A vida do cidadão, ao se respeitar a diversidade de forma humana e
democrática, permitirá a equidade de oportunidades e uma sociedade mais justa.
De acordo com a fundamentação teórica de FERREIRA (2007), GOZALLES
(2007), MANTOAN (2003), MARTINEZ (2008), MAZZOTA (2005), pode-se constatar
que, para que o processo de inclusão aconteça efetivamente, é necessário que
algumas barreiras sejam removidas e repensadas sobre a educação.
A implantação de políticas públicas contribuiu para grande avanço no sentido
de garantir o ensino de qualidade para todos, sejam estes pessoas com
necessidades educacionais especiais ou não, sendo necessária ação e força de
vontade de todos os envolvidos para seu sucesso.
Apesar das leis garantirem uma educação de qualidade e respeito, ainda
existem muitos obstáculos a serem vencidos. Os primeiros passos rumo aos direitos
sobre a verdadeira inclusão já foram alcançados. Agora, teremos que trabalhar a
conscientização dos profissionais da educação em uma iniciativa conjunta com a
escola, para que esta seja um espaço inclusivo. Todos devemos buscar subsídios e
adequar a infraestrutura para o atendimento às especificidades individuais, não
somente dos alunos com necessidades especiais, mas a de todos, respeitando e
compreendendo as diferenças humanas.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Oficial, art. 3, inciso IV, 1988.

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______. Ministério da Educação e do Desporto. Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de


1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Brasília, DF: MEC, 1996.

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sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e de seu Protocolo Facultativo,
Assinados em Nova Iorque, em 30 de março de 2007. Brasília, DF: MEC, 2008.

CONFERÊNCIA MUNDIAL SOBRE EDUCAÇÃO PARA TODOS. Declaração


mundial sobre educação para todos: plano de ação para satisfazer as
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intelectual pode se viabilizar na perspectiva do letramento? In: JESUS, Denise
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Aprendizagem: uma relação necessária? In: TACCA, Maria Carmem V.R. (Org.).
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MAZZOTA, Marcos J. S. Educação especial no Brasil: história e políticas públicas.


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