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Artigo de opinião

EMPREENDEDORISMO EM MOÇAMBIQUE: QUAIS OS DESAFIOS QUE OS


JOVENS ENFRENTAM E O QUE O FUTURO LHES RESERVA

José Eduardo Cipriano Tafula


Contacto: jose.tafula@ua.pt/jose.tafula@unilurio.ac.mz

Resumo
O empreendedorismo jovem apresenta-se como forma de inclusão de jovens no mercado de trabalho
e em contrapartida é fator preponderante para promoção do desenvolvimento socioeconômico de
Moçambique. O objetivo deste artigo é elucidar os desafios que a camada jovem moçambicana
enfrenta na área do empreendedorismo em Moçambique e perspetivas. Moçambique é um país em
desenvolvimento que ao longo das últimas 2 décadas tem demonstrado um progresso em vários
sectores, com enfâse para a área do empreendedorismo. Com a evolução da tecnologia e ascensão
das Mídias sociais impulsionou empreendedores a estabelecer mudanças na maneira como realizam
as suas atividades o que significou uma progressão notável em Moçambique. Todavia, os dados
relativos a evolução do empreendedorismo são escassos pois trata-se de uma vertente
consideravelmente recente e os mesmos são novos e fragmentados em seu foco, no entanto, há um
interesse crescente da academia e dos profissionais por mais pesquisas e investigações nessa área.
A estratégia de pesquisa adotada para este artigo de opinião foi a revisão bibliografia, sob suporte de
relatórios, livros, jornais, teses de dissertação e legislação moçambicana. Nos últimos anos têm-se
multiplicado iniciativas de apoio ao empreendedorismo, quer por parte do Governo Moçambicano
quer por parte de outras organizações da sociedade civil. Tal interesse reflete-se na Agenda Nacional
de Luta Contra a Pobreza, um programa Governamental para a redução da pobreza, onde um dos
desafios colocados é a promoção do empreendedorismo através do sistema educativo, em que se
destaca o apoio ao empreendedorismo ao nível das Instituições de Ensino, incluindo a incubação de
empresas. Neste artigo, apresentar-se a situação atual do empreendedorismo, alguns indicadores e
os principais problemas enfrentados pela camada jovem neste sector. O resultado evidencia que
apesar de ser um sector em expansão, existem ainda algumas fragilidades e limitações no processo
de inserção dos jovens, e que os países africanos ainda tem um longo caminho a percorrer no que
relaciona a ação governamental ao desenvolvimento empresarial.

Palavras-chave: Empreendedorismo Jovem. Moçambique. Perspetivas. Desafios.

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1. Introdução

O estudo do empreendedorismo (criação e desenvolvimento de empresas) e as


possíveis medidas para seu incentivo tem de a tornar-se cada vez mais e particularmente
importantes no desenvolvimento de várias regiões e países [1][2]. Isso se deve ao
reconhecimento do empreendedorismo como um dos fatores que influenciam o
desenvolvimento económico e social de regiões e países, devido ao seu impacto positivo
na criação de emprego e riqueza. No caso de Moçambique, é importante entender este
tópico devido a sua demografia que é maioritariamente jovem. Afinal de contas, são
muitos os desafios que os moçambicanos enfrentam quando decidem abrir uma empresa
no país. No geral, o cenário empresarial da África Subsaariana é muito diferente dos
contextos dos países mais desenvolvidos, pois se baseia principalmente nos mercados
locais, com integração regional subdesenvolvida e um alto nível de negócios informais.
Além disso, nos países de África Subsaariana onde o Moçambique está incluso, o
ambiente empresarial é particularmente hostil devido a barreiras legais,
regulamentações, insegurança, corrupção, infraestrutura inadequada e sistemas
financeiros deficientes, que inibem a criação e o desenvolvimento de negócios [3].
Mesmo assim, de acordo com uma pesquisa realizada em 2018/2019 pela Global
Entrepreneurship Monitor (GEM), o índice nacional de contexto empreendedorismo
(NECI) para Moçambique é de baixa renda ocupando a posição 54 em relação aos
países do Oriente médio e África e a posição 124 no geral, com uma pontuação 3.2 numa
avaliação de 0 a 10 de pontuação NECI. Nesse sentido, neste artigo são abordados os
principais desafios e as tendências para o futuro do empreendedorismo em moçambique
com enfoque para a população jovem.

2. Desafios do empreendedorismo Jovem em Moçambique


2.1. Barreiras administrativas e regulamentação
A falta de conhecimento e experiência são desafios que o jovem empreendedor costuma
enfrentar, mas não são os únicos. De acordo com empresários que participaram no II
Fórum Empresarial na Cidade da Matola em Maputo, afirmaram que o acesso à terra, a

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burocracia e a falta de recursos humanos especializados e qualificados são os principais


entraves para os negócios. Alem disso, são apontados por [4][5], as necessidades de
políticas e regulamentações de longo prazo para remover as barreiras administrativas e
o reforço das leis que promovam o empreendedorismo.

Embora o ambiente de negócios tenha-se tornado mais favorável nos últimos anos, com
a existência de regulamentos e procedimentos complicados, este continua a impor
custos pesados às empresas principalmente aos empreendedores mais jovens que
queiram se inserir no mundo empreendedor. Por outro lado, a informação sobre
processos regulatórios é difusa e de difícil acesso, dificultando mais uma vez ao jovem
empreendedor ou os que pretendem ser empreendedores vergar no ambiente
empresarial.

Acredito que as campanhas de sensibilização e promoção de atividades


empreendedoras deviam ser melhoradas de modo a disseminar ao público às leis e
regulamentos em todo território nacional. Um caso comprovado pelo [5, p. 15] evidência
de forma clara a dificuldade de acesso as leis em Moçambique, os advogados, os
empresários e mesmo os juízes precisam de ir pessoalmente aos arquivos da Imprensa
Nacional, situada em Maputo, ou pedir a cópia de uma lei por escrito perante pagamento
de uma taxa. Além disso, as conservatórias e autarquias não disponibilizam
publicamente a tabela dos emolumentos nem os documentos exigidos para transações
de propriedades, serviços e bens. O acesso à informação clara ao usuário sobre
regulamentos e procedimentos é importante em todas as áreas da regulamentação e
esta atitude pode resultar numa geração de empreendedores muito mais bem instruídos
no que toca à indústria em que estão inseridos ou aos aspirantes a empreendedores.
Vejamos, se a informação não é de domínio de todos, existirá mais dificuldade em
responsabilizar os organismos de tutela e pode fomentar a informalidade e
consequentemente aumento da corrupção.

2.2. Análise dos fatores que condicionam o Ambiente empreendedor


Em termos gerais, o ambiente de negócios no país diminui entre (2018–2019), caindo da
posição 135 para 139 de acordo com o relatório do “Doing Business 2020”, mesmo com
várias reformas introduzidas com finalidade de remoção de barreiras. Reformas estas,

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foram mais assinaláveis 2007, facto este reconhecido na classificação feita pelo Doing
Business do Banco Mundial onde Moçambique subiu 6 posições em 2008, situando-se
na 134ª posição num universo de 178 países e foi também premiado como o terceiro
país mais reformador da África Subsaariana. Na ótica da Confederação das Associações
Económicas (CTA) esta degradação do ambiente de negócios deveu-se particularmente
a falta de implementação de seis reformas aprovadas pelo Executivo. A revisão pontual
do Código Comercial, que passou a permitir a publicação apenas do extrato simplificado
do estatuto de nova sociedade comercial, e por falta de uma plataforma de comunicação
fiável e permanente esta é desconhecida dos empresários moçambicanos e aspirantes
a empreendedores. Por outro lado, a corrupção e a falta de transparência nos negócios
são os principais obstáculos ao empreendedorismo em Moçambique, país onde 66% dos
jovens preferem ter o seu próprio negócio, revela um relatório da Forbes Insights
publicado em 2015. Acrescenta ainda que a corrupção e a falta de transparência nos
negócios são os principais problemas no que diz respeito ao empreendedorismo,
acredito que este facto deve-se a falta de capital inicial, falta de informação, burocracia
e a existência de um sistema de educação inadequado, este último na minha perceção
contribui significativamente para o sucesso do futuro empreendedor e para os que já
estão no ramo empresarial, para tal, é crucial a adoção de políticas que combinem os
sectores público-privado e do ensino, para desenhar programas virados ao
empreendedorismo e autoemprego. Porem, para a criação de um bom ambiente de
negócio e de emprego para a juventude a estabilidade social e política joga um papel
importante no desenvolvimento do país em geral, num momento em que o país atravessa
uma crise político-militar. Um exemplo muito recente foi relatado pelos Mídias, onde
apontam a crise político-militar que se vive na região centro do país como a causa da
paralisação das transportadoras em Moçambique, uma atividade crucial para galvanizar
o empreendedorismo em todas vertentes, esta crise tem sacudido grandemente os
empreendedores estrangeiros do território nacional.

2.3. Influência política e partidária no sucesso do jovem empreendedor

Moçambique é um dos países menos desenvolvidos do mundo e está muito em baixo


dos principais indicadores internacionais de desenvolvimento, como o Índice de

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Desenvolvimento Humano, e em todos os ambientes de investimentos e relatórios de


negócios. Isso está relacionado ao acesso precário a financiamento, prevalência
percebida de corrupção, burocracia governamental e ineficiente, infraestruturas
inadequadas e nível de educação da força de trabalho [3][4]. A ação governamental
sobre empreendedorismo tem sido orientada para reduzir a exclusão económica, e não
para a capacitação. Provavelmente por isso, os empreendedores continuam sendo um
grupo profissional com perceção negativa em termos de status social. Em tais ambientes,
os empreendimentos empresariais tendem a responder ao aumento da burocracia,
fortalecendo seu envolvimento político com os burocratas e acentuando sua influência
política sobre a formulação de políticas relacionadas à burocracia [6]. Em termos de
regime político, Moçambique é, em termos formais, uma democracia, mas desde o fim
da guerra civil 1992 e a realização das primeiras eleições democráticas a Frelimo tem
sido o partido no poder eleito democraticamente depois da proclamação da
independência em 1975. Este fato tem suscitado vários desafios aos jovens aspirantes
a empreendedores e os atuais empresários.

Será que é possível um empreendedorismo jovem sem nenhuma ligação partidária


(Frelimo) em Moçambique?

Relatos e vários debates revelam que existe uma grande ligação entre o partido no poder
e os mecanismos de acesso a crédito bem como os fatores burocráticos para
empreender em Moçambique. Maior parte dos Jovens empresários querem
"desfrelimizar" o acesso ao crédito. O problema de acesso a oportunidades de negócio
se reflete com maior peso nas províncias, onde a cor partidária conta muito para se poder
projetar qualquer negócio, ao nível de instituições de microfinanças, principalmente
financiamento envolvendo instituições do Estado a credibilidade de um jovem é quase
nula quando não é da FRELIMO. Ilustração clara e controversa do Estado, que no lugar
promover um ambiente empreendedor independente e competitivo, obriga aos jovens
empreendedores e aos aspirantes a empreendedores a se afiliar ao partido Frelimo, para
ver seu negócio evoluir e facilitar o acesso a crédito. É notório neste caso a clara
influência do partido no poder no empreendedorismo jovem em Moçambique. Um caso
muito claro desta influência política no processo empreendedor está ligado aos fundos

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de desenvolvimento distrital vulgos 7 milhões destinados a redução da pobreza urbana


e de apoio a iniciativas juvenis, estes fundos são parte das plataformas, criadas pelo
Estado, para o financiamento de microprojectos. Segundo os observadores, estas
plataformas beneficiam principalmente membros da FRELIMO, partido no poder em
Moçambique.

2.4. O papel das infraestruturas no empreendedorismo jovem

As infraestruturas desempenham um papel preponderante e essencial no


desenvolvimento do empreendedorismo, permite que as empresas interajam entre si e
seus clientes em tempo recorde para comercializem os seus produtos ou serviços, sendo
que a falta de infraestruturas de qualidade representa um enorme desafio para o
ambiente de negócios e para a maturidade do mesmo. Exemplos recentes mostram que
as incubadoras de starups tem desempenhado um papel muito importante na descoberta
de jovens empreendedores em Moçambique, este projeto financiado pela GIZ Experts,
o Createc 2.0, concurso voltado à indústria criativa e negócios digitais, já movimenta
quase meia centena de jovens empreendedores entre criativos e especialistas em
tecnologias de comunicação e informação, este é um exemplo que é preciso maximizar
e alastrar para outras áreas de saber.

Embora a criação de uma empresa ainda continua a ser complicada em qualquer parte
do mundo, em Moçambique ainda há um conjunto de fatores que torna este processo
mais complexo. O primeiro está relacionado com a infraestrutura tecnológica, a taxa de
penetração da Internet é muito baixa, cerca de 5,9%, fator atualmente impulsionador do
empreendedorismo jovem no mundo no geral. Vários estudos têm mostrado que os
portais de emprego online podem melhorar a eficiência de contratação dos recursos
humanos qualificados e especializados, reduzindo os custos de recrutamento e
agregando escala nacional e internacional, o que leva à melhores resultados tanto do
lado da procura bem como da oferta de emprego. Em outras palavras, haveria grandes
benefícios para o nosso empreendedor se pudesse aceder a um segmento muito mais
amplo da oferta de trabalho simplesmente por colocar a sua vaga num portal de emprego
online. De toda forma, com uma taxa de 5,9% de penetração da Internet, Moçambique
não é um país onde se pode depender exclusivamente de portais de emprego online

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para recrutar o seu pessoal, especialmente se o seu objetivo for de construir maior
capacidade com a força de trabalho local. Em segundo lugar está o acesso a rede de
transportes. Moçambique em particular, só pode tirar maior vantagem da sua estratégica
localização geográfica, com fortes investimentos no desenvolvimento de infraestruturas
rodoviárias, ferroviárias e marinhas de modo a alavancar e dar maior competitividade ao
empreendedorismo além-fronteiras e de forma globalizada. O desenvolvimento ou
capacidade da rede de infraestrutura pode atrair investimentos diversificados caso sejam
de qualidade e de fácil acesso por parte de todos intervenientes na cadeia de negócios.
A deficitária infraestrutura que o país tem, contribui, definitivamente, para a falta de
incentivos ao investimento e da indústria jovem. Acredito que a modernização da
infraestrutura poderá sustentar e galvanizar a economia e criar mais empreendimentos
e inclusive captar mais empreendedores estrangeiros no país. Por conseguinte, a falta
dela, não restam dúvidas que inibe o crescimento económico e compromete o
empreendedorismo.

2.5. Impactos Socioculturais no empreendedorismo jovem

A perceção de que é desejável iniciar uma nova empresa, é resultado da cultura, da


subcultura, da família e de todo resto social que influencia um indivíduo, portanto reduzir
o empreendedorismo á uma visão económica não é suficiente. Ainda que exista muita
oferta do mesmo tipo de negócio é notável a arte de inovação bem como a identificação
de oportunidades por parte dos jovens moçambicanos aos empreendimentos já
existente. Este grupo social funciona também como agentes de mudança na sociedade
aproveitando as oportunidades com vista a melhorar o sistema. Nem tudo é um mar de
rosas, a questão de género no alcance das oportunidades de negócio em Moçambique
é um desafio, e tem sido discutida e promovida de modo a estimular o empreendedorismo
jovem no género feminino. O empreendedorismo feito por mulheres jovens tem desafios
ligados a aspetos sociais, culturais e económicos, pois uma parte da sociedade
moçambicana desenvolveu uma certa expectativa sobre o papel da mulher como esposa,
Mãe e domestica, a maioria das mulheres que estão no mundo empresarial estão no
sector informal por falta de conhecimento das normas e oportunidade para a sua
formalização, por outro lado, o acesso a credito tem sido um entrave para os jovens no

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geral, devido ao condicionalismo que assustam e desanimam os empreendedores


conjugado com falta de domínio das mulheres, acabam apenas ficando a empreender
de forma informal. Mesmos com política de promoção da igualdade e equidade de género
no desenvolvimento económico, social, político e cultural bem definidos pelo estado
moçambicano o empoderamento económico das mulheres está ainda muito longe das
expectativas desejadas. Ações estão a ser desenvolvidas desde 2005 pelo estado
moçambique, onde o mesmo estabeleceu o fundo de desenvolvimento distrital, fundo
este que visa apoiar à reabilitação da economia, promoção e desenvolvimento de
instituições financeiras baseadas na comunidade que encorajam o equilíbrio de género
nas atividades económicas e promove a poupança e o crédito. Acredito que estes
problemas socioculturais e económicos podem ser colmatados se a disseminação a
todos níveis, de políticas que ajudam a promover o empreendedorismo feminino, criar
incentivos claros e o preparo da jovem empreendedora para exercer seu papel triplo
(Mãe-maternidade, esposa-doméstica e trabalhadora-empreendedora).

3. Perspetivas do empreendedorismo Jovem em Moçambique


A prosperidade futura e o bem-estar social e económico de qualquer país e do mundo
em geral dependerão, entre outras coisas, da capacidade que estes exibam para
promover com sucesso e de maneira sustentável um espírito empreendedor dinâmico
que incorpore a inovação como um de seus princípios e pilares orientadores. Contudo,
a mudança de paradigma não acontece de um momento para o outro. É preciso dotar da
população jovem de habilidades práticas, formação, apoio e recursos que lhes permitam
transformar os seus sonhos em realidade esta declaração é confirmado pelas estatísticas
do Banco mundial quando se trata de condições gerais para a promoção do clima de
empreendedorismo.

Todo negócio tem uma missão a cumprir e uma visão do futuro que o norteie exigindo
uma perspetiva clara dos grupos de interesse e os valores que o consagram. Tudo isso
precisa ser muito claro para que todos os grupos de interesse saibam exatamente o que
fazer, como, quando e onde. A visão de futuro é a componente que consiste em
desdobrar os objetivos a serem alcançados, e quando os objetivos globais estão
claramente estabelecidos e definidos, o negócio torna-se economicamente mais

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racional. Embora as empresas sejam dotadas de vários elementos concretos


(equipamentos, máquinas, instalações, tecnologia entre outros recursos) são as pessoas
que as fazem atingir os objetivos e garantir a dinâmica do negócio, daí o
empreendedorismo ser considerado também como um sistema social pois são as
pessoas que proporcionam qualidade, produtividade e competitividade da empresa.
O [7] defende que não existe desenvolvimento económico sem que por base existam
líderes empreendedores, ou seja, os recursos humanos são cruciais neste sector. Dai
surge o termo educação empreendedora, ou seja, a educação também sustenta o
desenvolvimento económico, estou neste caso a falar de empreendedorismo, para dizer
que não existe apenas o empreendedorismo na forma “criar empresa”. Criar valor,
significa fundamentalmente ter espírito de iniciativa.

Várias ações têm sido implementadas no sector da educação, com a expansão de vários
cursos tecnológicos, de agricultura, energia e outros, que tem aumentado e despertado
o interesse da camada jovem na área de empreendedorismo, este fato gera uma visão
mais alargado do mundo empresarial. A existência de escolas superior vocacionadas ao
ensino de empreendedorismos são uma realidade em moçambique (Exemplo: Escola
Superior de Negócios e de Empreendedorismo de Chibuto), bem como a reformulação
dos currículos de modo a incluir no ensino primário, secundário e superior disciplinas
ligadas estritamente ao empreendedorismo. Existe uma tendência de melhoria da
capacidade técnica dos empreendedores, isto deve-se a experiência e formação que os
jovens tem adquirido; A nova abertura de linhas de financiamento e redução de barreiras
ao acesso ao crédito é uma evidencia clara que o país esta preocupado com o
empreendedor jovem, o caso mais recente é a linha de credito que os bancos comerciais
tem concedido aos principiantes ou aspirantes a empreendedores, incentivos (uma
percentagem acrescida ao valor concedido ao pedido de financiamento); A criação de
Incubadoras de negócios pelas instituições financeiras, de ensino e pesquisa, tem sido
uma forma de impulsionar a atividade empreendedora; As políticas e regulamentações
aprovadas recentemente para microempresas facilitam e incentivam o desenvolvimento
do empreendedorismos. Exemplo disto é a instalação em todo país de Bancos de
Atendimento Únicos (BAU) e que em um dia é possível abrir um negócio formal de
pequena escala. Agora fica por saber se estes todos mecanismos e instituições, estão a

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funcionar de forma coesa, inteligente e com aproveitamento máximo das suas sinergias
para ajudar o jovem empreendedor e ao aspirante a suprir as suas dificuldades.

4. Conclusão
Uma coisa é certa, o país está num bom caminho, lê-se nos estudos e debates
promovidos pela Mozefo Young Leaders 2019 em Moçambique, que salienta que
Moçambique precisa agora de políticas inteligentes para garantir um crescimento
económico geral e que o maior desafio que enfrenta tem haver com as competências,
onde isso exige que, a partir da base, os jovens tenham acesso à escola e tenham
atitude, o país deve olhar a formação do capital humano como um elemento prioritário
para galvanizar o sector empresarial juvenil. O empreendedorismo precisa de ser
sustentado, ou seja, deve ser sustentável, com isso quero dizer que não devemos
somente pensar nos jovens, temos de investir em todo ciclo, isto é, nas crianças, com
sistemas de ensino que seja realmente de promoção ou virada ao empreendedorismo.

Para conseguirem ultrapassar as dificuldades os jovens devem ser resilientes,


persistentes, pacientes e ter a capacidade de acreditar nos seus próprios projetos e nos
seus sonhos. É preciso que o país criei parcerias público-privado para melhorar os
incentivos financeiros e criar incubadoras mais alargadas em todo o país para
acompanhar os jovens que se dedicam a inovação e ações ligadas ao
empreendedorismo.

Se queremos melhorar o ambiente de negócio e empreendedor é necessário criar um


ambiente criativo em todo ciclo de vida do cidadão moçambicano, pois os mesmo vivem
e crescem num ambiente condicionado e cheio de entraves que travam a criatividade. É
de conhecimento de todos nós, que a criatividade é algo que precisa de um treinamento
constante e permanente para captar técnicas que lhe possam ajudar o empreendedor a
quebrar barreiras de financiamento de projetos com ideias que mostrem potencialidades
de serem vendidas, aos investidores e aqueles que possuem meios de apoiar. Os jovens
devem deixar de ser movido por razões pessoais e de necessidades básicas ou de fontes
de renda para iniciar uma atividade empreendedora; o empreendedorismo deve ser visto
como uma fonte, para a promoção social e de emprego de outros jovens. Mais ousado
ainda o jovem empreendedor moçambicano deve olhar para o empreendedorismo como

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algo que transpõe fronteiras e não algo que se fecha num único sítio de modo a quebrar
barreiras em todos sentidos, o mesmo deve criar intercâmbios contínuos, para tal, é
necessário um ambiente de negócios favoráveis que permita a inserção de
empreendedores jovens no mercado e isso só se consegue fazer se tivermos uma
educação e preparação dos jovens.

Todos governos devem financiar a jovens empreendedores, criar movimentos que


inspirem jovens inovadores, apostar em plataformas que ampliem as vozes de jovens
com vontade de inovar e promover uma educação de qualidade.

Referencias bibliográficas
[1] D. B. Libombo, “Entrepreneurship Promotion in Mozambique: The Role of Higher
Education Institutions,” PQDT - Glob., p. 200, 2016.
[2] GEM, Global Entrepreneurship Monitor 2017/2018. 2018.
[3] D. Libombo, A. Dinis, and M. Franco, “Promoting Entrepreneurship Education
through University Networks — A Case Study in Mozambique,” Entrep. Educ.
Train., 2015, doi: 10.5772/59344.
[4] R. Pereira, “Redento Maia Renato Pereira Redento Maia Introduction,” vol. 10, no.
October, pp. 96–109, 2019.
[5] B. Mundial, “Doing Business em Moçambique 2019,” p. 176, 2019.
[6] G. T. Lumpkin, L. Steier, and M. Wright, “in Family Business Business and
Strategic,” Strateg. Entrep. J., vol. 306, pp. 285–306, 2011, doi: 10.1002/sej.
[7] W. C. NUNES, “A INCUBADORA DE EMPRESAS COMO FATOR DE REDUÇÃO
DA MORTALIDADE DOS PEQUENOS EMPREENDIMENTOS: uma perspectiva
de crescimento da economia maranhense,” Universidade Federal de Pernambuco,
2003.

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