Você está na página 1de 24

FUNDAÇÃO EDUCACIONAL LUCAS MACHADO – FELUMA

FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DE MINAS GERAIS – FCMMG


INSTITUTO DE PÓS-GRADUAÇÃO – IPG
CIÊNCIAS MÉDICAS VIRTUAL - CMV

HANS MÜLLER MORAIS BORGES ARAÚJO

AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO AO CALOR PARA TRABALHADORES


EM ATIVIDADES A CÉU ABERTO

BELO HORIZONTE
2018
HANS MÜLLER MORAIS BORGES ARAÚJO

AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO AO CALOR PARA TRABALHADORES


EM ATIVIDADES A CÉU ABERTO:
Análise da exposição anual relativo ao IBUTG – Índice de Bulbo
Úmido – Termômetro de Globo

Projeto submetido à disciplina Metodologia de


Pesquisa, como requisito parcial de aprovação.
Orientador: Prof. Alexandre Pinto da Silva.

BELO HORIZONTE
2018
3

SUMÁRIO

4
1 INTRODUÇÃO...........................................................................................................
4
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO
…………………………………………………………………………
4
1.2 JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA DO TRABALHO
…………………………………………………
5
1.3 PROBLEMA DE PESQUISA
…………………………………………………………………….
6
2 OBJETIVOS..............................................................................................................
6
2.1 OBJETIVO
GERAL...........................................................................................................
2.2 Objetivo específico.................................................................................................. 6

9
4 REFERENCIAL TEÓRICO.........................................................................................
10
5 METODOLOGIA........................................................................................................
11
6 CRONOGRAMA.........................................................................................................
12
7 ORÇAMENTO...........................................................................................................
13
REFERÊNCIAS.....................................................................................................................
14
ANEXOS..............................................................................................................................
15
APÊNDICE A – TÍTULO DO APÊNDICE.................................................................................
4

1. INTRODUÇÃO

1.1 Contextualização

Desde tempos remotos, o homem já utilizava o calor do sol como fonte de


energia para se aquecer e praticar suas atividades, mas o calor também constitui um
fator de risco importante na saúde ocupacional, estando presente em vários
ambientes de trabalho, como por exemplo: siderurgia, fundições, indúustrias, em
atividades a céu aberto, entre outras.
O homem que trabalha em ambientes com exposição a altas temperaturas
(calor) pode sofrer fadiga, ter seu rendimento diminuído, incorrer em erros de
percepção e raciocínio com o aparecimento de perturbações psicológicas que
podem conduzir a exaustão (WASEM, 2015).
Diferentemente de outros fatores de riscos físicos, o calor não atua de forma
especifica sobre algum tecido ou função biológica determinada, mas atua de forma
complexa, afetando a fisiologia geral do organismo humano, podendo gerar desde
desconforto, até sobrecarga e stress térmico. Durante exposições intensas ao calor,
o organismo se manifesta através de sintomas como: insolação, baixa de pressão
arterial, exaustão, desidratação, câimbras de calor, espasmos musculares e choque
térmico (SALIBA, 2017).
A legislação brasileira, através da NR-15 (Norma Regulamentadora –
Atividades e Operações Insalubres) da Portaria 3.214/78 do Ministério do Trabalhoo
e Emprego (MTE), em seu anexo de Nº 3, estabelece o Índice do Termômetro de
Bulbo Úmido, Termômetro de Globo (IBUTG) com parâmetro para avaliar a
exposição ao calor. Nesse procedimento existem tabelas que complementam o
cálculo do calor gerado pelo metabolismo, sendo que o limite de tolerância para
exposição ao calor depende do tipo de atividade desenvolvida. Outra fonte de
orientação é a Norma de Higiene Ocupacional NHO-06 - Avaliação da Exposição
Ocupacional ao Calor da FUNDACENTRO que apresenta quadro mais detalhado da
classificação e dos valores do metabolismo.

1.2 Justificativa e relevância do trabalho


5

Nas épocas quentes do ano, em certas áreas geográficas, o próprio calor


solar (carga solar ou radiação solar) pode agravar a situação do trabalhador, além é
claro de se tornar um problema sério nas atividades realizadas a céu aberto, como a
agricultura, a construção civil, atividades de pavimentação, etc. (SOUZA, 2003). As
avaliações ocupacionais do Índice do Termômetro de Bulbo Úmido, Termômetro de
Globo (IBUTG) nestas atividades também sofrem grandes alterações, pois, em
períodos mais amenos, pode-se obter índices que não ultrapassam os limites de
tolerância estabelecidos nas normas legais, diferentemente dos períodos mais
quentes do ano, onde pode-se obter índices que ultrapassem os limites de
tolerância, independentemente da atividade física realizada. Devido esta questão,
um monitoramento frequente da exposição ocupacional do risco físico calor se faz
necessário, pois de acordo com este resultado, poderá ser verificado a necessidade
ou não de implementação de medidas de controle ao agente de risco.

1.3 Problema de pesquisa

Estariam os trabalhadores que realizam atividades a céu aberto expostos a


condições insalubres pelo risco do agente físico calor?
6

2. OBJETIVOS

Os objetivos serão são divididos entre geral e específicos.

2.1 Objetivo geral

Este projeto de pesquisa tem como objetivo a quantificação, no período de um


ano, da exposição ao risco físico calor de trabalhadores que realizam atividades a
céu aberto na região do município de Catalão – Goiás (Sudeste Goiano).

2.2 Objetivos específicos

Nesta perspectiva, a pesquisa poderá determinar o índice de exposição


IBUTG de ambientes externos com carga solar. , dDesta maneira, definindo conclui-
se se estes trabalhadores estão expostos a condições insalubres de trabalho de
acordo como regime de trabalho aplicado.
Com o levantamento da exposição ao risco físico calor de trabalhadores em
atividades a céu aberto poderemos identificar:
a) em que época do ano os índices apresentam valores mais elevados e o
IBUTG médio anual encontrado;
b) análise dos regimes de trabalho e os tipos de atividades e seus limites de
tolerância (NR-15) confrontando-os com os índices encontrados;
c) a necessidade ou não de adoção de medidas de controles ao agente de
risco.
7

3. REFERENCIAL TEÓRICO

Procedeu-se a revisão da produção científica no sentido de obter bases


teóricas e conceituais sobre as quais se baseará o estudo.

3.1 Calor

Calor é um risco físico presente em processos com liberação de grande


quantidade de energia térmica e está presente em várias atividades. A avaliação do
calor a que um indivíduo está exposto é importante, envolvendo uma grande
quantidade de fatores a serem considerados; a temperatura do corpo e as condições
ambientais devem ser levantadas, pois influenciam nas trocas térmicas entre o corpo
humano e o meio ambiente (SOUZA, 2003).
Temperaturas extremas têm influência sobre a quantidade e qualidade de
trabalho que o homem pode realizar, como também sobre a forma em que possa
fazê-lo. O problema industrial frequentemente origina-se pela exposição ao calor
excessivo. O corpo humano produz calor através de seus processos metabólicos.
Para que o organismo atue eficientemente, é necessário que o calor produzido se
dissipe tão rapidamente como se produz. O organismo possui um conjunto de
mecanismos termostáticos de atuação rápida e sensível, que têm como missão
controlar o ritmo dos processos reguladores de temperatura (SOUZA, 2003).
Quando a quantidade de calor liberada para o ambiente é menor do que a
soma da quantidade de calor gerada pelo organismo com a quantidade de calor
recebida de fontes externas, a temperatura do corpo tende a aumentar levando o
indivíduo ao desconforto térmico. Isto pode ainda evoluir ao estresse térmico,
causando debilidade do estado geral de saúde, alterações das reações
psicossensoriais e queda de produção (LAMBERTS, 2002). Saliba (2014) diz que
quanto mais intensa for a atividade física exercida pelo indivíduo, maior será o calor
produzido pelo metabolismo, constituindo, portanto, parte do calor total ganho pelo
organismo.
Segundo Saliba (2014) o calor é um agente presente em vários ambientes de
trabalho, tais como siderúrgicas, indústrias de vidro e em certas atividades a céu
aberto, como na construção civil. Ao contrário de outros agentes ambientais, na
8

avaliação do calor há diversos eventos e fatores envolvidos que devem ser


analisados, através de índices de avaliação de calor correlacionados.

3.2 Sobrecarga térmica

Sobrecarga térmica é a carga de calor a que o trabalhador está exposto,


resultante da combinação das contribuições do calor metabólico, temperatura do ar,
umidade, velocidade do ar e do calor radiante.
Segundo Saliba (2017), existem vários fatores que influenciam nas trocas
térmicas entre o corpo humano e o meio ambiente, definindo a severidade da
exposição ao calor. Dentre eles, cinco principais devem ser considerados na
quantificação da sobrecarga térmica:
a) Temperatura do ar:
O sentido de fluxo de calor dependerá da diferença positiva ou negativa
entre a temperatura do ar e a temperatura da pele. Se a temperatura do ar
for maior que a da pele, o organismo ganhará calor por condução-
convecção, e se for menor que a pele, o organismo perderá calor por
condução-convecção. A quantidade de calor absorvido ou perdido é
diretamente proporcional à diferença entre as temperaturas.
b) Umidade relativa do ar:
Este fator influi na troca térmica entre o organismo e o ambiente pelo
mecanismo de evaporação. A perda de calor no organismo por evaporação
dependerá da umidade relativa do ar, isto é, da quantidade de água
presente numa determinada fração ou espaço de ar.
c) Velocidade do ar:
A velocidade do ar no ambiente pode alterar as trocas térmicas, tanto na
condução/convecção como na evaporação. Quando houver um aumento da
velocidade do ar no ambiente, haverá aceleração da troca de camadas de
ar mais próximas ao corpo, aumentando o fluxo de calor, entre o corpo e o
ar. Se a velocidade do ar for maior, haverá uma substituição mais rápida das
camadas de ar mais saturadas com água por outras menos saturadas,
favorecendo a evaporação. Se a temperatura do ar for menor que a do
corpo, o aumento da velocidade do ar favorecerá o aumento da perda de
calor do corpo para o meio. Caso a temperatura do ar seja maior que a do
corpo, este ganhará mais calor com o aumento da velocidade do ar.
d) Calor radiante:
Quando um indivíduo se encontra em presença de fontes apreciáveis de
calor radiante, o organismo absorve calor pelo mecanismo de radiação.
Caso haja fontes de calor radiante com baixa temperatura, o organismo
humano poderá perder calor pelo mesmo mecanismo.
e) Tipo de atividade:
Quanto mais intensa for a atividade física exercida pelo indivíduo, maior
será o calor produzido pelo metabolismo, constituindo, portanto, parte do
calor total ganho pelo organismo.

A Legislação Brasileira, através da Portaria 3.214 de 8 de junho de 1978,


Norma Regulamentadora 15 (NR-15), anexo 3, do Ministério do Trabalho, estabelece
que a exposição ao calor deve ser avaliada através do Ííndice de bBulbo úÚmido –
9

Ttermômetro de gGlobo (IBUTG) (BRASIL, 1978).


Os critérios de avaliação estabelecidos na Portaria supracitada têm por
objetivo a determinação da sobrecarga térmica para efeito da caracterização da
insalubridade. Embora as definições contidas na NHO 06 sejam perfeitamente
aplicáveis ao citado Anexo 3, o Quadro 1 da referida NHO – Taxa Metabólica por
Tipo de Atividade e Limites de Tolerância não devem ser utilizado quando se tratar
de laudo pericial para efeito da caracterização da insalubridade. Todos os demais
procedimentos técnicos apresentados na NHO 06 não conflitam com a NR 15, anexo
3.

3.3 O Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG)

O Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG) é o principal


parâmetro de análise para a quantificação da sobrecarga o estresse térmicoa. O
IBUTG foi desenvolvido por Yaglou e Minard (1957) inicialmente para estudar as
relações entre o calor e suas consequências fisiológicas durante treinamentos
militares. É o índice legal apresentado na NR 15 - Anexo Nº 3 – Limites de
Tolerância para Exposição ao Calor e também é descrito pela norma ISO 7243,
tendo aprovação mínima de 75% dos países membros da ISO.
A NR 15 é a norma reguladora do mMinistério do Ttrabalho que trata das
atividades e operações insalubres e no seu aAnexo nº 3 traz os limites e tolerâncias
para exposição ao calor para caracterizar passível de causar uma sobrecarga
térmica no ambiente.

3.3.1 As componentes do IBUTG

São várias as componentes que interferem na mensuração do índice IBUTG,


sendo as principais a radiação térmica, a temperatura de bulbo seco, a temperatura
de bulbo úmido, a umidade e a velocidade do ar.
Conforme Saliba (2017), explica que:
A radiação térmica é medida através do termômetro de globo (Tg), que
consiste de uma esfera oca de cobre pintada externamente de tinta preta
com um termômetro de mercúrio ou outro tipo de sensor que dê leitura
idêntica que é colocado no interior dessa esfera.
10

A temperatura de bulbo seco (Tbs) é medida com um termômetro composto


de mercúrio ou algum outro sensor que possua leitura idêntica. A
temperatura de bulbo seco nada mais é do que a temperatura do ar
ambiente sem a presença de calor radiante.
A temperatura de bulbo úmido (Tbn) é medida com o auxílio de um
termômetro de mercúrio comum revestido com uma camisa pavio de
algodão branca embebido com água destilada.

3.3.2 Avaliação Ocupacional de calor

Conforme a NR 15, o IBUTG é calculado para ambientes internos ou externos


sem carga solar como segue na equação 1, bem como para ambientes externos
com carga solar, como segue na equação 2:
IBUTG = 0,7 tbn + 0,3 tg (equação 1)
IBUTG = 0,7 tbn + 0,1 tbs + 0,2 tg (equação 2)
Onde:
tbn = temperatura de bulbo úmido natural;
tg = temperatura de globo;
tbs = temperatura de bulbo seco.

De acordo com a norma, dependendo da temperatura IBUTG medida e do


tipo de atividade, o trabalhador deve ter um tempo de descanso. O quadro nº 1 traz
os limites de tolerância para exposição ao calor, em regime de trabalho intermitente
com períodos de descanso no próprio local de prestação de serviço.

Quadro nº 1
REGIME DE TRABALHO TIPO TIPO DE ATIVIDADE
DE ATIVIDADE INTERMITENTE
COM DESCANSO NO PRÓPRIO
LEVE MODERADA PESADA
LOCAL DE
TRABALHO (por hora)
Trabalho contínuo até 30,0 até 26,7 até 25,0
45 minutos trabalho
30,1 a 30,5 26,8 a 28,0 25,1 a 25,9
15 minutos descanso
30 minutos trabalho
30,7 a 31,4 28,1 a 29,4 26,0 a 27,9
30 minutos descanso
15 minutos trabalho
31,5 a 32,2 29,5 a 31,1 28,0 a 30,0
45 minutos descanso
Não é permitido o trabalho, sem
a doção de medidas adequadas acima de 32,2 acima de 31,1 acima de 30,0
de controle
11

Fonte: NR 15, anexo 3.

A determinação do tipo de atividade (Leve, Moderada ou Pesada) é feita


consultando-se o Quadro nº 3 da NR-15, transcrito na Tabela 2 abaixo.

Quadro nº 3 – Taxa de Metabolismo por Atividade


TIPO DE ATIVIDADE kcal/h
SENTADO EM REPOUSO 100
TRABALHO LEVE
125
Sentado, movimentos moderados com braços e tronco.
150
Sentado, movimentos moderados com braços e pernas.
150
De pé, trabalho leve em máquina ou bancada, principalmente com os braços
TRABALHO MODERADO
180
Sentado, movimentos vigorosos com braços e pernas.
175
De pé, trabalho leve em bancadas ou maquina, com alguma movimentação.
220
De pé, trabalho moderado em bancadas ou maquina, com alguma movimentação.
300
Em movimento, trabalho moderado de levantar e empurrar.
TRABALHO PESADO
440
Trabalho intermitente de levantar, empurrar ou arrastar pesos.
550
Trabalho fatigante
Fonte: NR-15 – Anexo 3

Quando a exposição ao calor é em regime de trabalho intermitente, e o


período de descanso é feito em um local com temperatura mais amena e o
colaborador está em repouso ou atuando em uma atividade leve, os limites de
tolerância são dados através do Quadro nº2 da NR-15.

Quadro nº 2 – Limites de Tolerância


MÁXIMO
M (Kcal/h)
IBUTG
175 30,5
200 30,0
250 28,5
300 27,5
350 26,5
400 26,0
450 25,5
500 25,0
Fonte: NR-15 – Anexo 3

M é a taxa de metabolismo média ponderada para uma hora dada pela


Equação:
12

M = (Mt x Td+ Md x Td)/60

Onde:
Mt= taxa de metabolismo no local de trabalho;
Tt= soma dos tempos, em minutos, em que se permanece, no local de trabalho;
Md= taxa de metabolismo no local de descanso;
Td= soma dos tempos, em minutos, em que se permanece, no local de descanso.

Já o IBUTG é o valor IBUTG médio ponderado de uma hora dado pela


Equação:

IBUTG = (IBUTGt x Tt + IBUTGd x Td)/60

Sendo:
IBUTGt = valor do IBUTG no local de trabalho
IBUTGd = valor do IBUTG no local de descanso
De acordo com a NR-15 deve-se fazer a medição nos tempos mais
desfavoráveis do ciclo do trabalho, onde Tt + Td = 60 minutos corridos e as taxas de
metabolismo Mt e Md serão obtidas consultando-se o Quadro n.º 3.

3.4 Relação Calor X Saúde

A sobrecarga térmica ocorre quando o corpo sai de seu equilíbrio térmico, isto
é, recebe mais calor do que pode dissipar, causando seu aquecimento a
temperaturas acima de 38 °C. Quanto maior a temperatura do corpo, maiores são os
efeitos fisiológicos provocados pelo calor. Segundo Jackliotsch, et.al (2016) a
exposição ao calor extremo pode resultar em doenças ocupacionais causadas por
estresse térmico, incluindo acidente vascular cerebral, exaustão, cãibras, erupções e
até a morte. O calor também pode aumentar o risco de lesões dos trabalhadores,
devido ao suor das mãos, embassamentoembasamento dos óculos de segurança,
tonturas, pode reduzir a função do cérebro responsável pela capacidade de
raciocínio, criando riscos adicionais.
Os sintomas iniciais nas pessoas expostas ao calor excessivo podem ser
detectados quando a pele começa a ficar seca e quente, ou podendo ser verificada
13

sudorese profunda, calafrios, dor de cabeça e fadiga severa, causando desconforto


e afetando negativamente o desempenho e a segurança no trabalho. Em estágios
mais avançados, o indivíduo pode ainda apresentar fala ininteligível e sofrer
alucinações, confusão mental, tonturas e desmaios. Estes sintomas podem evoluir
para a insolação, que é doença mais grave decorrente do calor e, se não for tratada
de imediato, pode leva à morte.
Há estudos que verificam agravos ou alterações nas respostas fisiológicas de
órgãos ou sistemas do corpo humano, relacionados à exposição ao calor. Como
exemplos, cita-se:
 Complicações renais são relatadas no trabalho de Tawatsupa et al. (2012);
 Consequências cardiovasculares são abordadas nos trabalhos de Barbosa
(2011), Barbosa et al. (2012) e Sett e Sahu (2014);
 Disfunções cognitivas são identificadas por Jay e Kenny (2010);
 Diversos sintomas são identificados por Bethel e Harger (2014), tais como
erupções cutâneas, cãibras e espasmos musculares, tonturas, desmaios,
dores de cabeça, sudorese severa, fadiga e extrema fraqueza, náuseas e
vômito e estado de confusão.
14

4. METODOLOGIA

4.1 Área de Estudo

O estudo foi realizado no município de Catalão – Goiás (Sudeste Goiano),


centro-oeste brasileiro, localizado à latitude 18° 9' 57" sul e à longitude 47° 56' 47"
oeste e à altitude de 835 metros.

Fonte: Wikipédia, 2018.

4.2 Estratégia de amostragem

Conforme Saliba (2016, p. 90) são necessárias avalições ao longo dos meses
e do ano para o risco físico calor, pois os resultados das avaliações podem variar
significativamente em função das condições climáticas. Portanto, foram realizadas
avaliações quantitativas do risco físico calor, durante o período de um ano, outubro
de 2017 a setembro de 2018, sendo realizadas 10 (dez) avalições mensais em dias
aleatórios, nos horários mais quentes do dia (12h00 até 15h00), de acordo com o
15

anexo 3 da NR-15, que determina que a avaliação deve ser feita no período mais
desfavorável do ciclo de trabalho.

4.3 Equipamento utilizado

Para obtenção das amostras no Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo


Médio (IBTUG) foi utilizado o equipamento Medidor de Stress Térmico Digital,
Modelo TGD – 200 da marca Instrutherm.

Fonte: Autor, 2018.

4.4 Estratégia de Avaliação e tratamento estatístico dos dados

Consideram-se agentes físicos as diversas formas de energia a que possam


estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões anormais,
temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, bem como o
infrassom e o ultrassom (NR-09). Com exceção do ruído, não há normas definindo
os tratamentos estatísticos aos dados, dependendo do agente e condições de
exposição. Assim, por exemplo, numa avaliação de calor a céu aberto, ou em local
onde condições climáticas influenciam nos dados, podem ser feitas avaliações ao
longo do ano e aplicar os parâmetros de limite de confiança inclusive da distribuição
16

normal (SALIBA, 2016).


A aplicação dos métodos utilizados no tratamento estatístico dos agentes
químicos não se aplicam aos resultados das exposições aos agentes físicos, devido
à falta de conhecimento dos modelos de distribuição apropriados dos dados.
Entretanto, foi constatado que as distribuições normal e log-normal são apropriadas
para os dados das avalições dos riscos físicos, de modo que os métodos dos
agentes químicos podem ser adaptados aos agentes físicos (NIOSH, 1977).
No presente trabalho foram obtidos o total de 120 (cento e vinte) amostras,
avaliações quantitativas de calor. Conforme Saliba (2016, p. 90-91) foi determinado
a média aritmética do IBUTG e o desvio padrão, considerando o tamanho da mostra
superior a 30 (trinta) foi utilizado a distribuição normal com variável Z nos cálculos
dos intervalos de confiança.
Equações utilizadas:
Equação 1 – Limites de confiança

Equação 2 – Desvio padrão

Equação 3 – Média aritmética

X = X1+X2+X3+… Xn
n
Onde:
 LSC = Limite Superior de Confiança;
 LIC = Limite Inferior de Confiança;
 X = média aritmética;
 Z = valor da variável z na tabela de distribuição normal acumulada
(unilateral), para confiança de 95%, conforme Niosh (1977, p. 66);
 S = desvio padrão da amostra;
17

 N = tamanho da amostra.

5. ANALISE DOS RESULTADOS E DISCUSSÕES

5.1 Avaliações quantitativas do risco físico calor

Tabela 1 – Avaliações quantitativas do risco físico calor realizadas ao longo do ano.

Mês Nº Tbn Tbs Tg IBUTG ºC

1 21,5 30,5 42 26,5


2 19,5 30,2 39,8 24,63
3 20,5 33,5 47,2 27,14
4 18,7 35 47,5 26,09
5 19,3 28,9 39,1 24,22
out/17
6 19,2 32,5 45,3 25,75
7 21,5 28 46,5 27,15
8 21 28,9 45,3 26,65
9 20,7 26,8 45 26,17
10 20 33,1 51,2 27,55
11 21,2 22,5 35,9 24,27
12 21 24,5 39,8 25,11
13 22,2 26 40 26,14
14 22,1 28,1 42,5 26,78
15 22,3 27,5 42,9 26,94
nov/17
16 24 30,2 39,6 27,74
17 23,5 28,7 38,2 26,96
18 23 33,5 43,1 28,07
19 23,2 26,9 30,1 24,95
20 21,5 25,6 34 24,41
21 25 30,8 42 28,98
22 23,5 26 31 25,25
23 22,8 27,3 31,5 24,99
24 24,8 30,5 41,6 28,73
25 24,9 31,9 43,4 29,3
dez/17
26 23,6 30,5 45,2 28,61
27 24,7 30,7 34,7 27,3
28 24,8 33,3 40,2 28,73
29 24,6 34 45 29,62
30 23,2 27 34,5 25,84
jan/18 31 22,5 26,5 38,7 26,14
32 24,3 30 42,5 28,51
33 23 33 46,7 28,74
34 23,4 32 42,7 28,12
18

35 23,3 33,8 45,3 28,75


36 24,5 30,5 40,5 28,3
37 25,2 33,7 46,2 30,25
38 24,4 28,3 32,8 26,47
39 24,2 30 35,1 26,96
40 24,4 29,5 39,6 27,95
41 25,6 30,1 48,1 30,55
42 24,2 31,5 48,8 29,85
43 25,5 31,1 46,5 30,26
44 24,4 29,2 47,9 29,58
45 23 26,2 42,5 27,22
fev/18
46 23,5 27,2 49,7 29,11
47 23,6 28,8 49,2 29,24
48 22,6 26 44,8 27,38
49 23,7 30,5 47,1 29,06
50 24 29,7 34,6 26,69
51 23,7 31 53,5 30,39
52 23,7 29,5 50,5 29,64
53 23,9 30,1 48,2 29,38
54 22,7 26,5 40,5 26,64
55 23 30,1 42,5 27,61
mar/18
56 23,9 32 36,2 27,17
57 24,3 32,3 43,5 28,94
58 22,5 28 42,5 27,05
59 22 27,9 39,5 26,09
60 22,5 30 43,9 27,53
61 24,9 30 43,1 29,05
62 21,2 27,6 39 25,4
63 22 26,1 41,1 26,23
64 23 26,9 43,7 27,53
65 21,7 27 42,2 26,33
abr/18
66 25,1 32,7 47,6 30,36
67 24,4 32,4 41,7 28,66
68 21,5 27,2 40,6 25,89
69 21,8 28 41,1 26,28
70 21,2 26,4 42,8 26,04
mai/18 71 22,2 29,6 42,1 26,92
72 21,3 27,2 41,4 25,91
73 20,1 26 42,9 25,25
74 21 26,6 41,7 25,7
75 21,3 26,5 39,9 25,54
76 17,1 19,2 33,4 20,57
77 18 26,2 40,8 23,38
78 21,9 26,5 42 26,38
79 19,1 24 34,5 22,67
19

80 18,9 24,3 36,2 22,9


81 19,5 27,4 40,5 24,49
82 19,9 27 36,5 23,93
83 21 28,7 42,2 26,01
84 20,2 28,8 41,8 25,38
85 19,3 26,2 38 23,73
jun/18
86 22,3 30,5 42,1 27,08
87 18,5 26,5 30,1 21,62
88 22 30,8 39,9 26,46
89 18,1 26,8 36,5 22,65
90 21 28,6 35,7 24,7
91 19 26,8 40,6 24,1
92 18,2 26,4 38,2 23,02
93 18,5 23,4 39 23,09
94 18,8 26,8 40,1 23,86
95 18,3 26,6 38,7 23,21
jul/18
96 18,8 25,6 35,5 22,82
97 21,5 26,9 42,2 26,18
98 19,2 27,2 41,2 24,4
99 19,7 28,2 45,8 25,77
100 22,1 29,4 45 27,41
101 0
102 0
103 0
104 0
105 0
ago/18
106 0
107 0
108 0
109 0
110 0
111 0
112 0
113 0
114 0
115 0
set/18
116 0
117 0
118 0
119 0
120 0
Fonte: Autor, 2018.


20

6. CONCLUSÃO

7. CRONOGRAMA

Tabela 1: Cronograma de atividades

CRONOGRAMA DE DATA: OUTUBRO DE 2017 ATÉ SETEMBRO DE 2018.


ATIVIDADES
MESES
ITENS ATIVIDADES JAN. FEV. MAR. ABR. MAI. JUN. JUL. AGO. SET.
OUT. NOV. DEZ.
Avaliações
quantitativas
01
do risco físico
calor.
Pesquisa da
02 referência
bibliográfica
Apresentação
do
03 andamento
da pesquisa
ao orientador

04 Revisão

Avaliação
dos
Resultados e
04 entrega do
projeto para
avaliação do
orientador.
Fonte: Dados gerados pelo autor, 2018.

Previsto
LEGENDA
Realizado

8. ORÇAMENTO
21

Tabela 2: Recursos para a realização do projeto em 2018


Item Valor (R$)
Papel A4 10
Cartucho de tinta para impressora 30
Medidor de stress térmico IBUTG 3.000
Calibração do equipamento 200
Água destilada 20
120 avaliações quantitativas de calor 12.000
Total 15.260,00
Fonte: Dados gerados pelo autor.
22

REFERÊNCIAS

BARBOSA, C. M. G. et al. Burnt Sugarcane Harvesting – Cardiovascular Effects


on a Group of Healthy Workers, Brazil. September 27, 2012. Disponível em:
<http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3459900/>. Acesso em: 11 julho.
2018.

BARBOSA, C. M. G.; Avaliação cardiovascular e respiratória em um grupo de


trabalhadores cortadores de cana-de-açúcar queimada no estado de São Paulo.
Tese doutorado. São Paulo: 2011.

BETHEL, J. W.; HARGER, R. Heat-Related Illness among Oregon Farmworkers.


Int. J. Environ. Res. Public Health, n. 11, p. 9273-9285, 2014. Disponível em:
<http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4199019/pdf/ijerph-11-09273.pdf>.:
Acesso em: 11 julho. 2018.

BRASIL, MTE. Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978. Aprova as normas


regulamentadoras — NR — do capítulo V, título II, da Consolidação das Leis do
Trabalho, relativas a segurança e medicina do trabalho. Disponível em:
http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR15/NR-15.pdf

FUNDACENTRO. Norma de higiene ocupacional NHO 6: avaliação da exposição


ocupacional ao calor. São Paulo, 2002.

JACKLITSCH, Brenda, et, al. Criteria for a Recommended Standard, Occupational


Exposure to Heat and Hot Environments. NIOSH, 2016.

JAY, O.; KENNY G. P. Heat Exposure in the Canadian Workplace. American


Journal of Industrial Medicine, v. 53, p. 842–853, 2010.

LAMBERTS, Roberto. Conforto e Stress Térmico. Dissertação de mestrado -


Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Santa Catarina, 2011.

MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Norma Regulamentadora 15. Anexo


nº 3 Limites de Tolerância para exposição ao calor. Disponível em: <
http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR15/NR15-ANEXO3.pdf >.
Acesso em 17/06/2018.

SALIBA, Tuffi Messias. Manual Prático de Higiene Ocupacional e PPRA: Avaliação e


controle dos riscos ambientais – 8º Ed. São Paulo, LTr. 2017.

SALIBA, Tuffi Messias. Manual prático de avaliação e controle de calor. PPRA. 6ª ed.
São Paulo, LTr, 2014.

SALIBA, Tuffi Messias e LANZA, Maria Beatriz de Freitas. Estratégia de avaliação


dos riscos ambientais- tratamento estatístico dos dados. Editora LTR, São Paulo
2016.
23

SETT, M; SAHU, S. Effects of occupational heat exposure on female brick workers


in West Bengal, India. Glob Health Action, n.7, 2014. Disponível em:
<http://dx.doi.org/10.3402/gha.v7.21923>. Acesso em: 11 julho. 2018.

SOUZA, Selene. M. A. GUELLI U., Apostila do Curso de Engenharia de Segurança


58 do Trabalho - Sobrecarga Térmica e Temperaturas Baixas. Universidade Federal
de Santa Catarina: Florianópolis, 2003.

TAWATSUPA, B; et. al. Association Between Occupational Heat Stress and Kidney
Disease Among 37 816 Workers in the Thai Cohort Study (TCS). J Epidemiol, v.
22, n. 3, p. 251-260, 2012. Disponível em:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22343327. Acesso em: 10 julho 2018.

WASEN, Lucas Adolfo. Estudo das condições térmicas do setor de peletização de


uma unidade industrial produtora de plásticos. Trabalho de Conclusão de Curso –
Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNIpSINOS. São Leopoldo. 2015.
24

ANEXOS

Neste tópico devem constar documentos que ajudem a comprovar e dar


credibilidade ao trabalho ou que pretendam demonstrar como algumas das partes do
trabalho foram feitas. Portanto, devem constar dos Anexos modelos dos
instrumentos de pesquisa e outros documentos que possam complementar o
entendimento do trabalho.

Quando há mais de um anexo, cada um deles deve conter, no alto da página, a


indicação ANEXO em letras maiúscula, seguida da letra que lhe dá ordem (os
anexos não são numerados e sim identificados com letras). No texto, a citação dos
anexos deve vir entre parêntesis se isto ocorrer no final da frase. Se estiverem
inseridos na redação, não será necessário.

Os Anexos devem se limitar ao estritamente necessário.