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VARIACAO DA TAXA DE CAMBIO

Segundo Marçal et al. , o primeiro modelo a apresentar de forma explicita as relações comerciais entre
países foi a “abordagem das elasticidades”. Esta veio à luz nas décadas de 30 e 40 como uma adição à
analise keynesiana do multiplicador do comércio exterior. A “abordagem das elasticidades” para além de
ter fornecido um suporte para modelar as relações comerciais entre os países ao longo do tempo, também
forneceu modelos funcionais para as demandas de importação e exportação bem como para a função do
saldo comercial empiricamente testáveis. O modelo pioneiro da análise da relação entre taxa de câmbio
e balança comercial foi a “abordagem marshaliana de equilíbrio parcial” que baseou-se na abordagem das
elasticidades. Neste modelo existe grande consenso sobre quais sejam os determinantes básicos das
demandas de importação e de exportação, a saber, a taxa de câmbio real (preços relativos), a renda real
doméstica e a renda real do resto do mundo. Contudo, após a II Guerra Mundial, houve um aumento da
importância do comércio internacional, o que deu origem a novos modelos que passaram a incluir a
determinação da renda na teoria do balanço de pagamentos, surgindo a versão “enfoque da absorção”.
Porem apenas com a inclusão da também determinação dos preços relativos, ocorreu um grande salto
teórico, segundo Dornbusch. (MARÇAL; NISHIJIMA; MONTEIRO, 2009)

A partir daí, com a inclusão dos mercados de ativos e a questão da mobilidade capital, constitui-se o que
hoje se conhece como modelo de Mundell- Fleming. Esse modelo é um modelo macroeconômico para
uma economia aberta com estruturas de equilíbrio geral walrasiano.
A rápida internacionalização financeira e o desenvolvimento dos mercados de ativos nas ultimas décadas,
fez com que o foco central da balança de pagamentos se volta-se para a conta de capitais. E a ausência de
tratamento das expectativas nos modelos de Mundell-Fleming fizeram com que estes fossem superados
por dois novos enfoques, o enfoque monetário da balança de pagamentos e o enfoque pelo equilíbrio de
portfólio. Segundo Gonçalves et al (1998) estes reivindicam a dinâmica dos mercados de ativos como
elemento central na macroeconomia aberta, atribuindo-lhes um papel mais influente do que naqueles
modelos.

Mais recentemente têm surgido novos modelos e equilíbrio geral seguindo a linha

Macroeconómica aberta com otimização intertemporal que levam o tempo e as expectativas em


consideração nas decisões dos agentes, dentro de uma pesquisa que busca micro fundamentos para os
modelos agregados. (MARÇAL; NISHIJIMA; MONTEIRO, 2009)

Ao verificar a evolução destes modelos constata-se que não existem contradições quanto a importância
da taxa de cambio real, bem como da renda, na determinação dos fluxos de comercio, mas sim observa-
se uma mudança de enfoques. Para além disso, os modelos vão se diferenciando um do outro ao longo
do tempo por inclusão de novas variáveis que até então não eram consideradas.

CONCEITOS

Taxa de Câmbio

A taxa de câmbio é definido como o custo de uma unidade de moeda nacional em termos de unidades de
moeda estrangeira ou é o custo de uma unidade de moeda estrangeira em termos do número de unidades
de moeda nacional. No entanto, este conceito é o conceito da taxa de câmbio nominal, sendo que a taxa
de câmbio real é a razão dos preços dos bens de dois países expressos na mesma moeda. A taxa de câmbio
real é a razão dos preços dos bens estrangeiros em relação aos preços dos bens domésticos, medidos na
mesma moeda (DORNBUSCH, FISCHER 2007), pode ser expresso da seguinte forma: 𝑹=𝒆𝑷𝒇 𝑷 onde : 𝑅 =
taxa de câmbio real 𝑒 = taxa de câmbio nominal 𝑃!= índice de preço em moeda estrangeira 𝑃 = índice
de preço em moeda nacional

Segundo Genésio de Carvalho (2007), os dois factores principais que influenciam a taxa de câmbio de um
país são: a balança de pagamentos e o regime cambial do país emissor da moeda. Vale ressaltar, segundo
Marçal, Nishima e Monteiro (2009), o Banco Central apenas possui controle sobre a taxa de câmbio
nominal e, mesmo assim, esse controle é apenas parcial. Desse modo, o controle sobre a taxa de câmbio
real é realizado de forma indireta por parte do governo. A taxa de câmbio é uma variável económica
muito importante porque intermedia todas as transações entre residentes e não-residentes de um país .
Por outras palavras, todas as contas da balança de pagamentos são influenciadas pela taxa de câmbio,
cujas variações afectam a exportação, importação, entradas de capitais estrangeiros, rentabilidade de
aplicações no exterior, volume de reservas, etc. (CARVALHO, SILVA 2007). Segundo Dornbusch e Ficher
(2011), a taxa de câmbio real mede a competitividade de um país no comércio internacional, ou seja, é
esta que é usada para análise dos fluxos comerciais. Sendo que, um aumento na taxa de câmbio real, ou
uma depreciação real, é descrito como um aumento de competitividade dos produtos domésticos pois,
os produtos estrangeiros tornam-se mais caros em relação aos preços dos domésticos, o que
provavelmente fará com que as pessoas optem pelo produto doméstico e incentiva a exportação. Por
outro lado, um declínio na taxa de câmbio real, ou apreciação real, significa que os bens domésticos têm
se tornado relativamente mais caros em relação aos do estrangeiro, o que resulta na perdida da
competitividade e aumento das importações. Contudo, conforme aborda Castilho, Teixeira e Peres
(2008), há outros factores que tem capacidade de influenciar a magnitude dos efeitos de uma
desvalorização ou valorização cambial sobre os componentes da balança comercial. Pode-se citar, por
exemplo, a sensibilidade dos fluxos de comércio na presença de variações da taxa de câmbio, bem como
a magnitude do repasse da taxa de câmbio para os preços comercializáveis adotados pelas empresas que
realizam transações internacionais. Além disso, Castilho, Teixeira e Peres (2008) citam a possibilidade de
alterações no câmbio nominal afetarem a taxa de câmbio real. Krugman (2010) afirmou que, o aumento
da oferta de moeda de um país faz com que a sua moeda se deprecie no mercado cambial, enquanto que
um diminuição na oferta dessa moeda faz com que ela se aprecie.