Você está na página 1de 60

Princípios dos Processos

Químicos
10.501-5

2. BALANÇOS DE MASSA
Prof.ª Alice Medeiros de
Lima
SUMÁRIO

2.1. Fluxogramas de processo


2.2. Introdução aos balanços de massa
2.3. Classificação dos processos
2.4. Equação geral de balanço
2.5. Balanço de massa para um componente
2.6. Procedimentos para realização de cálculos de balanço de massa
2.7. Balanços em processos de múltiplas unidades
2.8. Reciclo
2.9. Bypass e purga
2.10. Balanço de massa em processos com reação
SUMÁRIO

2.1. Fluxogramas de processo


2.2. Introdução aos balanços de massa
2.3. Classificação dos processos
2.4. Equação geral de balanço
2.5. Balanço de massa para um componente
2.6. Procedimentos para realização de cálculos de balanço de massa
2.7. Balanços em processos de múltiplas unidades
2.8. Reciclo
2.9. Bypass e purga
2.10. Balanço de massa em processos com reação
2.1. FLUXOGRAMAS DE PROCESSO

 Processos químicos são representados por um


desenho esquemático chamado de fluxograma
ou diagrama de fluxo do processo. Estes
diagramas indicam a lógica do processo.
 Na fase de projeto de um processo, vários
diagramas de fluxo são feitos para ilustrar as
alternativas.
2.1. FLUXOGRAMAS DE PROCESSO

 Os 3 principais tipos de fluxograma são:


 BFD (Block flow diagram): diagrama de
blocos
 PFD (Process flow diagram): diagrama de
processo
 P&ID (Piping and instrumentation diagram):
diagrama de instrumentação e tubulação.
2.1. FLUXOGRAMAS DE PROCESSO
 BFD (Diagrama de blocos)
 Representam as principais seções de
processamento em blocos.
 Este nível de detalhe ajuda a sumarizar as
principais unidades do processo, e é muito utilizada
nas fases iniciais de um projeto, quando várias
alternativas do processo estão em consideração.
2.1. FLUXOGRAMAS DE PROCESSO

 BFD
 Diagrama de blocos do processo de produção de cloreto de vinila
(C2H3Cl)
2.1. FLUXOGRAMAS DE PROCESSO
 PFD (Diagrama de fluxo do processo)
 Mostra uma visão mais detalhada do processo.
 Indicam as maiores unidades de processamento (incluindo
trocadores de calor, bombas e compressores), informações
de correntes e as principais malhas de controle.
 São construídos geralmente utilizando-se simuladores de
processo. Adicionalmente, PFDs com maiores detalhes podem
ser construídos usando o AUTOCAD, VISIO, Dia, etc.
2.1. FLUXOGRAMAS DE PROCESSO
PFD
2.1. FLUXOGRAMAS DE PROCESSO
PFD
2.1. FLUXOGRAMAS DE PROCESSO
PFD
2.1. FLUXOGRAMAS DE PROCESSO
P&ID
 Este é o tipo de documento transmitido dos engenheiros
de projeto aos engenheiros responsáveis pela construção
da planta.
 Usado para startup, operação do processo e treinamento
de operadores.
2.1. FLUXOGRAMAS DE PROCESSO
P&ID
 Tem um grande número de informações que não aparecem do PFD:
 Localização e tipo de todos os instrumentos de medida e
controle
 Posicionamento de todas as válvulas
 O tamanho e material de construção das tubulações
 Como consequência, tem-se um número grande de P&ID para um
processo que é representado por um simples PFD.
2.1. FLUXOGRAMAS DE PROCESSO
P&ID
2.1. FLUXOGRAMAS DE PROCESSO
P&ID
2.1. FLUXOGRAMAS DE PROCESSO
Outros tipos de fluxograma...
Planta 3D
2.1. FLUXOGRAMAS DE PROCESSO
Outros tipos de fluxograma...
Planta 3D
2.1. FLUXOGRAMAS DE PROCESSO
Outros tipos de fluxograma...
Planta 3D
2.1. FLUXOGRAMAS DE PROCESSO
Nesse curso, estaremos interessados nos fluxogramas do tipo BFD ou diagrama
de blocos.
Uma unidade de processo (p.ex: reator, coluna de destilação, separador,
etc...) ou um conjunto de unidades é representado por um bloco:

UNIDADE DE
PROCESSO
2.1. FLUXOGRAMAS DE PROCESSO
A entrada e saída de material da unidade é representada por uma
seta:

Saída 2
Entrada 1

Saída 1
2.1. FLUXOGRAMAS DE PROCESSO
Quando o processo tem mais de uma unidade, os blocos
que representam cada unidade são interligados por
meio de setas, que dizem o sentido do processo.
Saída 5 = Entrada 3

Entrada 1 Saída 1 = Entrada 2 Saída 4


UNIDADE 1 UNIDADE 2

Saída 2 Saída 3
2.1. FLUXOGRAMAS DE PROCESSO
 Numerar as correntes.
 Indicar as variáveis conhecidas e principais valores com
suas respectivas unidades nas correntes do fluxograma.
 Para as variáveis desconhecidas, indicar com letras e
índices.

1 3
UNIDADE 1
𝑚ሶ 1 = 100 kg/h 𝑚ሶ 3 = 10 kg/h
xA,1 = 0,5 2 xA,3 = 0,95
xB,1 = 0,5 𝑚ሶ 2 = ? xB,3 = ?
T = 30ºC xA,2 = 0,3 T = 30ºC
P = 1 bar xB,2 = ? P = 1 bar
T = 30ºC
P = 1 bar
EXEMPLO 1

Construir o diagrama de blocos


A uma coluna de destilação alimenta-se 1000 kg/h de uma mistura
de benzeno e tolueno (50% em massa de benzeno).
No topo e no fundo da coluna, retiram-se, respectivamente, 450
kg/h de benzeno e 475 kg/h de tolueno para operação em estado
estacionário.
EXEMPLO 2
Construir o diagrama de blocos
O suco de laranja integral contém 12,0% em massa de sólidos,
sendo o resto de água, enquanto o suco de laranja concentrado
contém 42,0% em massa de sólidos.
Inicialmente, usava-se um processo de evaporação simples para
a concentração, mas os constituintes voláteis do suco escapam
com o vapor de água, deixando o concentrado sem gosto.
O processo atual resolve o problema desviando uma fração de
suco integral do evaporador. O suco que entra no evaporador é
concentrado até 58,0% de sólidos e o produto é depois
misturado com o suco integral desviado para atingir a
concentração de sólidos desejada.
EXEMPLO 3
Construir o diagrama de blocos
Uma mistura líquida contendo 30% molar de benzeno (B), 25% de tolueno
(T) e o restante de xileno (X) alimenta uma coluna de destilação.
O produto de fundo contém 98% molar de X e nenhum B, e 96% do X na
alimentação são recuperados nesta corrente.
O produto de topo alimenta uma segunda coluna. O produto de topo da
segunda coluna contém 97% do B contido na alimentação desta coluna. A
composição desta corrente é 94% molar de B e o resto de T.
EXEMPLO 4
Construir o diagrama de blocos
Dióxido de enxofre pode ser convertido a SO3, que tem muitos usos, incluindo a
produção de H2SO4 e a sulfonação de detergente. Uma corrente de gás (10%
SO2, 9% O2, 81% N2) passa através de um conversor de duplo estágio.
A fração de conversão do SO2 a SO3 (uma única passagem) no primeiro
estágio é 0,75 e no segundo estágio é 0,65. Para reforçar a conversão global
para 0,95, parte da corrente gasosa de exaustão do estágio 2 é reciclada de
volta à entrada do estágio 2.
SUMÁRIO
2.1. Fluxogramas de processo
2.2. Introdução aos balanços de massa
2.3. Classificação dos processos
2.4. Equação geral de balanço
2.5. Balanço de massa para um componente
2.6. Procedimentos para realização de cálculos de balanço de massa
2.7. Balanços em processos de múltiplas unidades
2.8. Reciclo
2.9. Bypass e purga
2.10. Balanço de massa em processos com reação
2.2. INTRODUÇÃO AO BALANÇO DE MASSA

A natureza impõe certas restrições às transformações físicas e


químicas da matéria que precisam ser levadas em conta
quando projetamos um novo processo ou analisamos um já
existente.
Uma dessas é o princípio da conservação da massa, segundo
o qual nada pode ser criado ou destruído (a menos de reações
nucleares).
2.2. INTRODUÇÃO AO BALANÇO DE MASSA
Se em um dado processo 100 g de enxofre estão contidas no carvão diariamente
queimado em uma caldeira, esta mesma quantidade de enxofre por dia, deixará a
câmara de combustão de uma forma ou de outra.

A análise química das cinzas e da fuligem (gases de chaminé ou fumos) revelará a


quantidade de enxofre em cada uma dessas substâncias. Mas, necessariamente, a soma
das duas quantidades deverá ser igual a 100 g.

Para relacionar-se as quantidades de matérias envolvidas em um dado processo, realiza-


se a contabilidade das massas totais e de cada componente, tendo em mente o princípio
da conservação da massa.
2.2. INTRODUÇÃO AO BALANÇO DE MASSA

A natureza impõe certas restrições às transformações físicas e


químicas da matéria que precisam ser levadas em conta
quando projetamos um novo processo ou analisamos um já
existente.
Uma dessas é o princípio da conservação da massa, segundo
o qual nada pode ser criado ou destruído (a menos de reações
nucleares).
SUMÁRIO
2.1. Fluxogramas de processo
2.2. Introdução ao balanço de massa
2.3. Classificação dos processos
2.4. Equação geral de balanço
2.5. Balanço de massa para um componente
2.6. Procedimentos para realização de cálculos de balanço de massa
2.7. Balanços em processos de múltiplas unidades
2.8. Reciclo
2.9. Bypass e purga
2.10. Balanço de massa em processos com reação
2.3. CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS
 Baseado no procedimento de entrada/saída dos materiais:
 Batelada
 Contínuos
 Semi-contínuos

 Baseado na dependência das variáveis do processo com relação


ao tempo
 Estado estacionário
 Transiente
2.3. CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS
Batelada
A alimentação é introduzida no sistema de uma só vez no início do processo e
todos os produtos são retirados algum tempo depois. Nenhuma massa atravessa
a fronteira do sistema no intervalo de tempo decorrido entre a alimentação e a
remoção dos produtos.
Exemplo: A alimentação é introduzida no sistema de uma só vez no início do
processo e todos os produtos são retirados algum tempo depois. Nenhuma massa
atravessa a fronteira do sistema no intervalo de tempo decorrido entre a
alimentação e a remoção dos produtos.

∆t
2.3. CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS

Contínuo
A alimentação e os produtos fluem continuamente enquanto dura o processo. Há
contínua passagem de matéria através das fronteiras do sistema.
Exemplo: bombeamento de uma mistura de líquidos para uma coluna de
destilação, à vazão constante, e retirada contínua das correntes de vapor e
líquido do topo e da base da coluna.
2.3. CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS

Semi-Contínuo (“semi-batch”)
A entrada de material é praticamente instantânea e a saída é contínua, ou vice-
versa. Há passagem contínua de matéria através de apenas uma fronteira
(entrada ou saída) do processo.
Exemplo:
1. adição contínua de líquidos em um tanque misturador, do qual nada é retirado
2. escape de gás de um botijão pressurizado.
2.3. CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS
Estado estacionário ou em regime permanente

Se os valores de todas as variáveis de um processo (todas as


temperaturas,pressões, vazões, etc.) não se alteram com o tempo (a menos de
pequenas flutuações) o processo é dito operar em estado estacionário ou
regime permanente.

Fonte: http://pubs.acs.org/doi/abs/10.1021/acs.iecr.5b04928
Fonte: https://doi.org/10.1016/j.jprocont.2013.06.011
2.3. CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS

Estado não-estacionário ou em regime transiente

São aqueles processos onde ocorrem alterações dos valores das variáveis de processo com o
tempo.

Os processos em batelada e semi-contínuos, pela sua natureza, são operações em estado


transiente, já que em ambos os casos há alteração das variáveis ao longo do tempo.

Os processos contínuos, no entanto, podem ocorrer tanto em regime permanente como em


transiente. Se num dado ponto do sistema, as variáveis alterarem-se com o tempo, o
regime será transiente. Mas, se naquele ponto, não houver alteração, o regime será
permanente, mesmo que essas variáveis tenham valores diferentes em um outro ponto do
mesmo sistema, mas também aí constantes no tempo.
SUMÁRIO
2.1. Fluxogramas de processo
2.2. Introdução ao balanço de massa
2.3. Classificação dos processos
2.4. Equação geral de balanço
2.5. Balanço de massa para um componente
2.6. Procedimentos para realização de cálculos de balanço de massa
2.7. Balanços em processos de múltiplas unidades
2.8. Reciclo
2.9. Bypass e purga
2.10. Balanço de massa em processos com reação
2.4. EQUAÇÃO GERAL DE BALANÇO

SAI = ENTRA + GERADO – CONSUMIDO - ACUMULADO


(através da (através da (dentro do (dentro do (dentro do
fronteira) fronteira) sistema) sistema) sistema)

Pode ser aplicada para qualquer material que entra ou deixa um sistema: pode tanto ser
aplicada à massa total de componentes do sistema ou a qualquer espécie molecular ou
atômica envolvida no processo.
2.4. EQUAÇÃO GERAL DE BALANÇO

Princípio da conservação da massa para um volume de controle:


a transferência total de massa para dentro ou para fora de um
volume de controle durante um intervalo de tempo ∆t é igual à
variação total (aumento ou diminuição) da massa total dentro do
volume de controle durante ∆t.

ACÚMULO = ENTRA - SAI


2.4. EQUAÇÃO GERAL DE BALANÇO

Balanço Diferencial:
✓ Indicam o que está acontecendo num dado instante.
✓ Cada termo da equação de balanço é expresso em termo de
uma velocidade (taxa);
✓ Tem unidades da quantidade balanceada dividida pela
unidade de tempo (g SO2/s; pessoa/ano; barris/dia).
✓ Este é o tipo de balanço usualmente aplicado a um processo
contínuo.
2.4. EQUAÇÃO GERAL DE BALANÇO

Balanço Integral:
✓ Descrevem o que acontece entre dois instantes de tempo (t).
✓ Cada termo da equação de balanço é então uma quantidade
balanceada com sua respectiva unidade (g SO2; pessoa;
barris).
✓ Este tipo de balanço é usualmente aplicado a processos em
batelada, com os dois instantes de tempo sendo o momento
imediatamente após a entrada da alimentação e o momento
imediatamente anterior à retirada do produto.
2.4. EQUAÇÃO GERAL DE BALANÇO

SAI = ENTRA + GERADO – CONSUMIDO - ACUMULADO

Referem à produção ou consumo da matéria relacionadas


às transformações provocadas por reações químicas.

REAGE
Componente produzido (Produto)

Componente consumido (Reagente)

SAI = ENTRA + REAGE - ACUMULADO

𝑑𝑚
𝑚ሶ 𝑠𝑎𝑖 = 𝑚ሶ 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎 + 𝑚ሶ 𝑟𝑒𝑎𝑔𝑒 −
𝑑𝑡
2.4. EQUAÇÃO GERAL DE BALANÇO
BALANÇO DE MASSA TOTAL OU GLOBAL SAI = ENTRA + REAGE - ACUMULADO

PROCESSOS CONTÍNUOS (Sem reação química)


Estado Estacionário (regime permanente): 𝑑𝑚
𝑚ሶ 𝑠𝑎𝑖 = 𝑚ሶ 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎 + 𝑚ሶ 𝑟𝑒𝑎𝑔𝑒 −
𝑑𝑡
𝑚ሶ 𝑠𝑎𝑖 = 𝑚ሶ 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎

𝑑𝑚
Estado não Estacionário (regime transiente): 𝑚ሶ 𝑠𝑎𝑖 = 𝑚ሶ 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎 + 𝑚ሶ 𝑟𝑒𝑎𝑔𝑒 −
𝑑𝑡
𝑑𝑚
= 𝑚ሶ 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎 − 𝑚ሶ 𝑠𝑎𝑖
𝑑𝑡

PROCESSOS BATELADA (Sem reação química)


Pela sua própria natureza, esses processos se desenvolvem em regime transiente.
dm 𝑚𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙 = 𝑚𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙
=0
dt
SUMÁRIO
2.1. Fluxogramas de processo
2.2. Introdução ao balanço de massa
2.3. Classificação dos processos
2.4. Equação geral de balanço
2.5. Balanço de massa para um componente
2.6. Procedimentos para realização de cálculos de balanço de massa
2.7. Balanços em processos de múltiplas unidades
2.8. Reciclo
2.9. Bypass e purga
2.10. Balanço de massa em processos com reação
2.5. BALANÇO DE MASSA PARA UM COMPONENTE
PROCESSO BATELADA (Sem reação química)
SAI = ENTRA → REAGE (A) = 0
dm A
=0 𝑚𝐴,𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙 = 𝑚𝐴,𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙
dt

PROCESSO CONTÍNUO (Sem reação química)


(a) Regime transiente
ACÚMULO(A) = ENTRA(A) - SAI(A)
dm A
= ṁ A,E − ṁ A,S
dt

(b) Regime permanente


SAI(A) = ENTRA(A)
ṁ A,E = ṁ A,S
EXEMPLO 5

Duas misturas metanol-água estão contidas em recipientes


separados. A primeira mistura contém 40% de metanol e a
segunda contém 70% de metanol.
Se 200 g da primeira mistura são combinadas com 150 g da
segunda, qual será a massa e a composição do produto?
EXEMPLO 6
Mil quilogramas por hora de uma mistura de benzeno e
tolueno que contém 50% benzeno em massa são separadas
por destilação em duas frações. A vazão mássica do benzeno
na corrente de saída do topo é 450 kg B/h, e para o tolueno
na corrente de saída do fundo é 475 kg T/h. A operação se
desenvolve em regime permanente. Escreva os balanços para
o benzeno e o tolueno para calcular as vazões não
conhecidas nas correntes de saída.
SUMÁRIO
2.1. Fluxogramas de processo
2.2. Introdução ao balanço de massa
2.3. Classificação dos processos
2.4. Equação geral de balanço
2.5. Balanço de massa para um componente
2.6. Procedimentos para realização de cálculos de balanço de massa
2.7. Balanços em processos de múltiplas unidades
2.8. Reciclo
2.9. Bypass e purga
2.10. Balanço de massa em processos com reação
2.6. PROCEDIMENTOS PARA REALIZAÇÃO DE CÁLCULOS DE
BALANÇO DE MASSA

Todos os problemas de balanço material são variações de um único tema:


dado valores de algumas variáveis nas correntes de entrada e saída,
calcular os valores das demais.

A resolução das equações finais é uma questão de álgebra, mas a obtenção


dessas equações dependem do entendimento do processo.

Alguns procedimentos facilitam essa tarefa de a partir da descrição do


processo, montar-se as equações de balanço correspondentes.
2.6. PROCEDIMENTOS PARA REALIZAÇÃO DE CÁLCULOS DE
BALANÇO DE MASSA

Indicação das Variáveis no Fluxograma


1. Escreva os valores e unidades de todas as variáveis conhecidas sobre as linhas
que indicam as correntes de processo.
Por exemplo: uma corrente contendo 21% O2 e 79% N2 molar a 320°C e 1,4
atm fluindo a vazão de 400 mols/h pode assim ser indicada:

400 mols/h

0,21 mols O2/mol


0,79 mols N2/mol
T = 320°C
P = 1,4 atm
2.6. PROCEDIMENTOS PARA REALIZAÇÃO DE CÁLCULOS DE
BALANÇO DE MASSA

Indicação das Variáveis no Fluxograma


2. Indique sobre as respectivas correntes as variáveis desconhecidas com símbolos
algébricos e unidades.
Por exemplo: se as frações molares do exemplo anterior não fossem conhecidas,
a corrente poderia assim ser indicada:
400 mols/h

0,21 mols O2/mol x (mols O2/mol)


0,79 mols N2/mol 1-x (mols N2/mol)
T = 320°C T = 320°C
P = 1,4 atm P = 1,4 atm
2.6. PROCEDIMENTOS PARA REALIZAÇÃO DE CÁLCULOS DE
BALANÇO DE MASSA

Indicação das Variáveis no Fluxograma


3. Se uma vazão volumétrica de uma corrente é conhecida, é útil indicá-la
no fluxograma na forma de vazão mássica ou molar, uma vez que os
balanços não são normalmente escritos em termos de quantidades
volumétricas pois há frequentemente variação de densidade.

4. Quando várias correntes de processo estão envolvidas é interessante


numerá-las. Assim as vazões podem ser indicadas por: V1, V2, V3, m1, m2,
m3...
EXEMPLO 7
Uma experiência de velocidade de crescimento de certos organismos requer o
estabelecimento de um ambiente de ar úmido enriquecido em oxigênio. Três
correntes são alimentadas à câmara de evaporação para produzir uma corrente
de saída com a composição desejada:
(1) água líquida alimentada à vazão de 20 cm³/min
(2) ar (21% O2 e 79% N2 molar)
(3) Oxigênio puro, com vazão molar igual a um quinto da vazão molar da corrente
(2).
O gás de saída é analisado e observa-se que ele contém 1,5% (molar) de água.
Calcule as variáveis desconhecidas.
2.6. PROCEDIMENTOS PARA REALIZAÇÃO DE CÁLCULOS
DE BALANÇO DE MASSA

Base de cálculo
O primeiro passo no procedimento de um balanço de um processo é escolher
uma quantidade (mássica ou molar) ou vazão (mássica ou molar) de uma
corrente ou de um componente de uma corrente como uma base de cálculo.
Todas as variáveis desconhecidas de uma corrente serão então determinadas
relativamente à base escolhida.

Se nenhuma quantidade ou vazão é conhecida, deve-se assumir uma (neste caso,


escolhe-se uma quantidade de uma corrente com composição conhecida).
EXEMPLO 8

Uma solução aquosa de hidróxido de cálcio contém 25% Ca(OH)2 em


massa.
Deseja-se obter uma solução 5% dessa base, diluindo-se a corrente
original com uma corrente de água pura.
Calcule a relação g H2O/g solução alimentada.
2.6. PROCEDIMENTOS PARA REALIZAÇÃO DE CÁLCULOS
DE BALANÇO DE MASSA
Dada a descrição de um processo, o valor de várias variáveis de processo e
a lista daquelas a serem determinadas:
1. Desenhe um fluxograma e indique todos os valores das variáveis
conhecidas.
2. Escolha base de cálculo, uma quantidade ou vazão de uma das correntes
de processo. Se nenhuma quantidade ou vazão for conhecida, assuma uma
qualquer como base de cálculo (100 kg, 100 kg/h, etc.).
3. Indique no fluxograma, através de letras e índices, as variáveis
desconhecidas.
4. Converta valores de volumes ou vazões volumétricas em quantidades
mássicas ou molares, usando dados tabelados de densidades ou as leis dos
gases.
2.6. PROCEDIMENTOS PARA REALIZAÇÃO DE CÁLCULOS DE
BALANÇO DE MASSA
5.Se houver uma mistura de unidades mássicas e molares é conveniente adotar-se
uma ou outra para a realização dos cálculos transformando-as de acordo com
procedimento já estudado (conversão de frações mássicas em molares ou vice-
versa).
6. Escreva as equações de balanço material, identificando o tipo de processo em
questão (contínuo, batelada, transiente, permanente, com reação ou sem reação).
Como as equações de balanço de massa são interdependentes, se não houver
reação e N espécies estiverem presentes, você pode escrever no máximo Neq. Se
uma for a equação de balanço total então você escreverá (N-1) equações para
componentes.
Escreva os balanços numa ordem tal que envolverem o menor número de variáveis
desconhecidas sejam escritos em primeiro lugar.
Lembre-se que o número de equações tem que ser iguais ao número de variáveis
desconhecidas. Caso contrário há algo de errado.
EXEMPLO 9

Uma mistura contendo 45% benzeno (B) e 55% tolueno (T) em massa é
alimentada em uma coluna de destilação. A corrente de saída do topo
contém 95%B em massa. A corrente que sai pelo fundo do destilador contém
8% do benzeno alimentado.
A vazão de alimentação é de 2000 kg/h.
Determine a vazão da corrente de topo e as vazões de benzeno e tolueno na
corrente de fundo.
REFERÊNCIAS

Felder, R. M., Rosseau, R. W. Princípios Elementares dos Processos Químicos, Ed. LTC,
3ª ed., 2005.
Himmelblau, D. M., Riggs, J. B. Engenharia Química – Princípios e Cálculos, Ed. LTC,
7ª ed., 2006.
Badino Junior, A. C., Cruz, A. J. G. Balanços de Massa e Energia – Um texto básico
para análise de processos químicos. EdUFSCar, 2010.
Seider, W. D., Seader, J.D., Lewin, D. R. Product & Process Design Principles –
Synthesis, analysis and evalutation. Ed. Wiley, 2ª ed., 2009.
Silla, H. Chemical Process Engineering. Ed.Marcel Dekker, 2003.

Você também pode gostar