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FACULDADE DE DIREITO DO VALE DO RIO DOCE - FADIVALE


CURSO DE DIREITO

PROJETO DE PESQUISA

A SUPERLOTAÇÃO DO SISTEMA CARCERÁRIO E O FENÔMENO DA


RESSOCIALIZAÇÃO: uma leitura do direito comparado e suas possíveis
contribuições para o sistema pátrio.

Bárbara Úrsula Marcena Rodrigues – 24891 8º per. BN


Professor (a) Orientador (a)1

SUMÁRIO
1 DADOS DE IDENTIFICAÇÃO. 2 OBJETO DA PESQUISA. 2.1 TEMA. 2.2
DELIMITAÇÃO DO TEMA. 2.3 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA. 2.4 HIPÓTESE(S).
3 JUSTIFICATIVA. 4 OBJETIVOS. 4.1 OBJETIVO GERAL. 4.2 OBJETIVOS
ESPECÍFICOS. 5 EMBASAMENTO TEÓRICO. 5.1 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA. 6
METODOLOGIA. 6.1 TÉCNICAS DE PESQUISA. 7 CRONOGRAMA. 8 SUMÁRIO
PRÉVIO DO ARTIGO CIENTÍFICO. REFERÊNCIAS.

1 DADOS DE IDENTIFICAÇÃO

Nome:Bárbara Úrsula Marcena Rodrigues Turma: 8º per. B N Matrícula:24891


Endereço: Rua Aires da Cunha nº 244 apt.401 Bairro: Morado do Vale
Cidade: Governador Valadares /MG
e-mail: marcenaababi@gmail.com Telefone: (33) 99977-2536
Professor(a) Orientador(a): Rosângela Gonçalves Coelho Villas Boas
Área de pesquisa: Direito Penal

2 OBJETO DA PESQUISA

2.1 TEMA

Direito Penal e o sistema carcerário.

2.2 DELIMITAÇÃO DO TEMA

A superlotação do sistema carcerário e o fenômeno da ressocialização

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Teodolina Batista da Silva Cândido Vitório
Governador Valadares, 24 de junho de 2020.
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Uma leitura do direito comparado e suas possíveis contribuições para o


sistema pátrio

2.3 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA

A superlotação das cadeias é um problema crescente merecendo ser


enfrentado pela sociedade contemporânea os preceitos constitucionais.
Diante disso vem o questionamento: quais são os modelos prisionais
adotados por outros países e que contribuições poderiam oferecer para o sistema
prisional pátrio?

2.4 HIPÓTESE (S)

A reinserção do preso a sociedade tem sido feita com acompanhamento


determinado, ou seja, acompanhamento material, social, jurídico. O Estado com
intuito de ser efetivo no art. 25 da LEP criou os Centros de Apoio ao Egresso, onde
oferece a ele bem como sua família, dando continuidade ao processo de
reintegração social que fora iniciado nas unidades prisionais
O Estado junto com a comunidade desenvolve algumas atividades e
convênios com as empresas para a reinserção ao trabalho pós-pena, em duas
situações: os presos provisórios e condenados que progride para o semiaberto.
Os benefícios dos presos previstos em lei dependem unicamente da disciplina
dentro das unidades prisionais, como dispõe a LEP

A prestação de trabalho externo, a ser autorizada pela direção do


estabelecimento, dependerá de aptidão, disciplina e responsabilidade, além do
cumprimento mínimo de 1/6 (um sexto) da pena. Parágrafo único do art. 31 da LEP
Revogar-se-á a autorização de trabalho externo ao preso que vier a praticar fato
definido como crime, for punido por falta grave, ou tiver comportamento contrário

O trabalho externo ou interno do preso nas unidades prisionais não é regido


pela CLT, mas possui caráter educativo, originariamente estabelece a LEP em seu
art. 28, que assim dispõe: “O trabalho do condenado, como dever social e condição
de dignidade humana, terá finalidade educativa e produtiva
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3 JUSTIFICATIVA

O ordenamento jurídico pátrio tem como um de seus princípios, o da


legalidade, o Estado se submete ao que a lei preceitua. Se a lei proíbe todo tipo de
tortura, e determina ainda que o preso deverá ser tratado de forma humana e digna ,
assim deverá ser, cumprindo-a ipsis literis da norma.

São muitos os problemas sociais vivenciados atualmente, a começar pela


superlotação nos presídios. A causa desta grave problemática pode estar
relacionada a muitos fatores: à falta de presídios em número suficiente em relação à
quantidade de criminosos, ao excesso de cometimento de crime dentro do país, à
inobservância das especificações legais sobre o assunto, à falta de fiscalização por
parte do Estado, à falta de atenção para o tema por parte do Estado. A LEP diz
expressamente, qual deve ser o tamanho da cela onde o preso ficará, com quantas
pessoas ele poderá dividir o espaço, porém está difícil encontrar um presídio que
cumpre estas regras, fazendo com que as celas fiquem superlotadas, sem espaço
ao menos para dormir , se alimentar com dignidade. Gerando muita revolta e
perturbação dentro do ambiente prisional.

O tratamento desumano para com os presos é alarmante. Não é porque uma


pessoa cometeu um crime que deverá ser punida de forma agressiva, nem ficar sem
alimentação, sem banho, sem visita da família e amigos ou sofrendo torturas para
assimilar seu desvio de conduta. O aprisionamento, ou seja, a retirada de liberdade
do sujeito, por si só e seus acessórios (como o trabalho ou o estudo dentro do
cárcere) já trazem reflexões necessárias para mudanças e transformações na vida
do cidadão, desde que feitas como , descrito na norma legal , sem excessos , mais
primando por sua segurança, respeito e bem-estar , com vistas a sua
ressocialização.

4 OBJETIVOS

4.1 OBJETIVO GERAL

Analisar o problema do sistema carcerário brasileiro no que se refere


aplicabilidade do princípio constitucional da dignidade da pessoa humana no
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tratamento aos presos, e sua ressocialização, a partir do estudo do Direito


Comparado.

4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

a) Analisar o sistema carcerário brasileiro


b) Compreender a causa de seu mal funcionamento.
c) Verificar a aplicabilidade e funcionalidade do Programa de Ressocialização
d) Analisar os modelos do sistema carcerário de outros países, e de que
forma podem contribuir para o direito pátrio.

5 EMBASAMENTO TEÓRICO

5.1 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Releva salientar para o presente debate o art. 88 da Lei de Execuções


Penais:

Art. 88. O condenado será alojado em cela individual que conterá dormitório,
aparelho sanitário e lavatório.
Parágrafo único. São requisitos básicos da unidade celular:
a) salubridade do ambiente pela concorrência dos fatores de aeração,
insolação e condicionamento térmico adequado à existência humana;
b) área mínima de 6,00m2 (seis metros quadrados).

Quanto a melhor doutrina, destaca-se o que Greco (2015):

“Há uma necessidade inafastável, por parte dos Estados, de observância


dos requisitos mínimos exigidos para os locais onde são cumpridas as
penas de privação de liberdade. No Brasil, infelizmente, em alguns Estados
da Federação, os condenados são mantidos presos
em containers, utilizados para o transporte de cargas em navios.
Permanecem, nos dias de verão, em locais sem qualquer ventilação, onde a
temperatura média gira em torno de 50 graus; não existem camas ou
mesmo espaço suficiente para que possam repousar; devido à superlotação
das celas, são obrigados a fazer um revezamento para que, enquanto
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alguns dormem sobre papelões estendidos pelo chão, outros aguardem sua
vez.” (GRECO, 2015, p.345).

As palavras do renomado autor de direito criminal, Greco (2015, p 245), são:

O sistema prisional está falido, e isso não é novidade. Os meios de


comunicação constantemente divulgam imagens de presos, em quase todos
os Estados da Federação brasileira, que sofrem com o problema da
superlotação carcerária. Seus direitos mais comezinhos são deixados de
lado. Tomar banho, alimentar-se, dormir, receber visitas, enfim, tudo o que
deveria ser visto com normalidade em qualquer sistema prisional, em alguns
deles, como é o caso do Brasil, parece ser considerado regalia.” (Greco,
2015, nota do auto

O aspecto mais relevante da LEP é seu caráter iminente ressocializador, ou


seja, buscou fazer com que o detento com direito a ter saia do cárcere reeducado,
com potencial para ter uma vida social novamente, emprego, família, amigos,
moradia. Todavia, o que acontece não é o que a lei prevê, mas totalmente o
contrário, fazendo com que o cidadão tem, uma escola do crime dentro do presídio,
por estar em contato com todos os tipos de criminosos, inclusive com aqueles que
cometeram crimes mais graves, saindo mais violento, mais revoltado e sem
nenhuma reeducação, com uma tendência de cometer crime muito maior do que
quando entrou. Isto inclusive explica a quantidade de reincidentes hoje.
Provavelmente quem comete um crime, cometerá outro, é o que diz o estudo feito
no país.
Cabe destacar as palavras do doutrinador Bitencourt (2004):

(...) atualmente predomina uma atitude pessimista, que já não tem muitas
esperanças sobre os resultados que se possa conseguir com a prisão
tradicional. A crítica tem sido tão persistente que se pode afirmar, sem
exagero, que a prisão está em crise. Essa crise abrange também o objetivo
ressocializador da pena privativa de liberdade, visto que grande parte das
críticas e questionamentos que se fazem à prisão refere-se à
impossibilidade – absoluta ou relativa – de obter algum efeito positivo sobre
o apenado. (BITENCOURT, 2004, p. 471).
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É necessário dizer que o descumprimento de tais normas invoca os direitos


humanos, visto que não acontece proteção nenhuma à vida dentro de um
estabelecimento prisional, o que devia acontecer, mesmo que fosse mínima.
Segundo Carvalho (2003, p 156):

“A Lei de Execução Penal (LEP) brasileira é elogiada em todo o mundo, e


representa um dos maiores avanços jurídicos de nossa história. O grande
desafio das entidades da sociedade civil que atuam nesta área, sempre foi o
de reduzir a distância entre o arcabouço legal e o panorama real do sistema
penitenciário.

O descumprimento não é só quanto às normas infraconstitucionais, mas


também contra a Constituição Federal, que deve ser seguida e cumprida por todas
as esferas, todos os poderes, todos os brasileiros e estrangeiros que aqui residem.
A CF cita em alguns artigos a pessoa do preso, mas em vários outros
momentos fala de forma geral, abrangendo todos os seres humanos residentes no
Brasil.
Logo no artigo 1º, inciso III, pode-se perceber a preocupação que o país tem
em resguardar a vida, e não só ela, mas a dignidade da pessoa humana, princípio
este básico dos direitos humanos e um direito irrenunciável, que abrange respeito à
vida, à liberdade, às diferenças de cor, raça, nível social, intelectual, como exposto a
seguir:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos


Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado
Democrático de Direito e tem como fundamentos:

I - A soberania;

II - A cidadania (

III- a dignidade da pessoa humana BRASIL,2016, p.1)


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O artigo 5º da CF dá uma aula de direitos e garantias fundamentais e, em seu


inciso III é visto o que parece uma ideia utópica quanto ao que se refere ao Sistema
Penitenciário Nacional: “III - ninguém será submetido à tortura nem a tratamento
desumano ou degradante;”.
Até porque, somente pelo fato de o sujeito preso não ter onde dormir, o que
comer, o mínimo de higiene ou o que mais cita o artigo 88 da LEP, supracitado no
presente trabalho, já se encaixa no desumano ou degradante a que se refere o
inciso. Portanto, hoje, no Brasil, o descumprimento de normas é tão grave que
chega a nível de Constituição Federal, que jamais poderia ser descumprida, muito
menos assim, de forma que todo aquele que queira, consiga ver, bastando entrar em
um presídio ou assistir uma cobertura jornalística sobre o assunto.
Mais uma vez, Greco (2015, p) usa brilhantes palavras para demonstrar a
problemática carcerária atual no país:

O sistema prisional agoniza, enquanto a sociedade, de forma geral, não se


importa com isso, pois crê que aqueles que ali se encontram recolhidos
merecem esse sofrimento. Esquecem-se, contudo, que aquelas pessoas,
que estão sendo tratadas como seres irracionais, sairão um dia da prisão e
voltarão ao convívio em sociedade. Assim, cabe a nós decidir se voltarão
melhores ou piores

Visto isso, Camargo retrata a necessidade de mudanças conjunturais


urgentes no sistema:

Mudanças radicais neste sistema se fazem urgentes, pois as penitenciárias


se transformaram em verdadeiras "usinas de revolta humana", uma bomba-
relógio que o judiciário brasileiro criou no passado a partir de uma legislação
que hoje não pode mais ser vista como modelo primordial para a
carceragem no país. O uso indiscriminado de celular dentro dos presídios,
também é outro aspecto que relata a falência. Por meio do aparelho os
presidiários mantêm contato com o mundo externo e continuam a comandar
o crime. Ocorre a necessidade urgente de modernização da arquitetura
penitenciária, a sua descentralização com a construção de novas cadeias
pelos municípios, ampla assistência jurídica, melhoria de assistência
médica, psicológica e social, ampliação dos projetos visando o trabalho do
preso e a ocupação, separação entre presos primários e reincidentes,
acompanhamento na sua reintegração à vida social, bem como
oferecimento de garantias de seu retorno ao mercado de trabalho entre
outras medidas.” (CAMARGO, 2006, p 712.).
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Nesse diaparão, vale ressaltar que o Direito Comparado apresenta variados


modelos prisionais que merecem ser considerados, com o fito de se lembrar
elementos que possam contribuir para o aprimoramento do sistema carcerário
nacional

7 CRONOGRAMA

Mês / ano jan./19 fev./19 mar./19 abr./19 maio/19 jun./19


Atividades / semanas 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4
Definição do tema / x x x x x
delimitação
Elaboração do x x x x x x x x x
Projeto de pesquisa
Levantamento x x x x x x x x
bibliográfico/(referências)
Revisão do(a) x x
orientador(a)
Leitura e fichamento da x x x
Documentação
Pesquisa de campo (se x x x x
for o caso)
Análise e reflexão x x x x x x x
crítica da
documentação
Estrutura do texto/ x x x
Sumário do TCC
Digitação x x x x x x x x x
Redação preliminar do x x x x x x x x
TCC
Mês / ano jul./19 ago./19 set./19 out./19 nov./19 dez./19
Atividades / semanas 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4
Análise e reflexão x x x x x x x x x x x x X x
crítica da
documentação
Pesquisa de campo (se x x x x
for o caso)
Redação do TCC x x x x x x x x x x
Revisão do(a) x x x x x
orientador(a)
Revisão do português x x
Ajustes finais x x
Redação definitiva x x x x
Digitação x x x x x
Apresentação e defesa x
do TCC out. 2020

8 SUMÁRIO PRÉVIO DO ARTIGO CIENTÍFICO


1 INTRODUÇÃO. 2 SISTEMA PRISIONAL BRASILEIRO. 3 PROBLEMAS PELO
MAL FUNCIONAMENTO DAS CADEIAS. 4 A APLICABILIDADE E
FUNCIONALIDADE DO PROGRAMA DE RESSOCIALIZAÇÃO.5 O SISTEMA
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CARCERÁRIO E O DIREITO COMPARADO. 6 CONTRIBUIÇÃO DO SISTEMA


PRISIONAL ESTRANGEIRO PARA O DIREITO NACIONAL. 7 CONCLUSÃO.
REFERÊNCIAS.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Constituição federal. Vade Mecum. 21. ed. São Paulo: Saraiva,
2016.Disponível em :
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso: 23
out.2019.

BRASIL. Lei 7.210 de 11 de julho de 1984, institui a Lei de Execução Penal (DOU
13.07.1984). Disponível em: https://www.planalto.gov.br/execucaopenal.htm. Acesso
em: 10 de maio de 209.

BITENCOURT, Cezar Roberto. Falência da pena de prisão: causas e alternativas.


4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2004.

CAMARGO. Joaquim Augusto. Direito Penal Brasileiro. São Paulo: revista dos
Tribunais ,2006

CARVALHO. Salo.Penas e Garantias. Rio de Janeiro: Lúmen Juris ,2003.

GRECO, Rogério. Direitos Humanos, Sistema Prisional e Alternativa São Paulo:


Saraiva, 2015.

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