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O inferno e o fogo eterno

Escrito por Lucas Banzoli , às 22:55

A Igreja Católica trata o destino dos pecadores como condenados a um inferno de


tormento eterno como um ponto de fé indiscutível. E, para isso, eles se utilizam de
algumas interpretações distorcidas dos textos bíblicos, que mais servem de prova
contra eles do que a favor, as quais eu refuto com mais exaustão e amplitude em
meu livro sobre o tema: A Lenda da Imortalidade da Alma, e aqui farei apenas
breves comentários sobre cada passagem.

-O “Fogo Eterno”

Os imortalistas argumentam que a linguagem bíblica acerca do “fogo eterno”


implica necessariamente que os ímpios passarão de eternidade em eternidade
queimando em meio às chamas como em um processo infindável. Porém, a
linguagem bíblica acerca de fogo eterno é bem diferente disso. Biblicamente, fogo
eterno é uma linguagem aplicada para os efeitos irreversíveis da destruição, e
não para um processo literalmente sem fim.

Para explicar isso com exemplos práticos à luz da Sagrada Escritura, basta vermos
aquilo que Deus diz sobre Edom:

“Os ribeiros de Edom se transformarão em piche, e o seu pó, em enxofre; a sua


terra se tornará em piche ardente. Nem de noite nem de dia se apagará;
subirá para sempre a sua fumaça; de geração em geração será assolada, e
para todo o sempre ninguém passará por ela” (Isaías 34:9-10)

Onde é que estão os edomitas? Já desapareceram há muitíssimo tempo e na sua


terra o fumo não está subindo nem queimando e muito menos o piche está ardendo
até hoje. Mas seria de se esperar que víssemos um fogo literalmente queimando
até os dias de hoje como em um processo sem fim na terra de Edom, no caso da
linguagem de “fogo eterno” (“nem de noite nem de dia se apagará... subirá para
sempre a sua fumaça... de geração em geração será assolada”) implicasse
naquilo que os imortalistas afirmam que implica.

Os ribeiros de Edom não estão queimando até hoje. O fogo que Deus enviou sobre
Edom não durou de “geração em geração” em sentido literal. Nem tampouco vemos
alguma fumaça subindo de lá em tempo contínuo e ininterrupto. Qualquer um
poderia olhar para essa descrição e pensar: “Deus mentiu! A Bíblia é uma farsa!
Viva o ateísmo! Viva Dawkins”! Não tão cedo. Só pensa que a profecia bíblica não
se cumpriu se estiver com um conceito errado daquilo que o “fogo eterno”
signifique.

Se olharmos pela ótica imortalista, realmente, a profecia falhou e a Bíblia mente.


Mas, se olharmos exegeticamente, apenas constatamos que o fogo eterno é uma
linguagem bíblica para uma destruição irreversível causada pelo fogo. Em
outras palavras, o fogo que consumiu Edom a deixou em ruínas para sempre
(“eterno”), não por estar queimando até hoje, mas porque os efeitos da destruição
são eternos (irreversíveis). Da mesma forma, lemos Deus dizendo aos israelitas:

“Mas, se não me ouvirdes, e, por isso, não santificardes o dia de sábado, e


carregardes alguma carga, quando entrardes pelas portas de Jerusalém no dia de
sábado, então, acenderei fogo nas suas portas, o qual consumirá os palácios de
Jerusalém e não se apagará” (Jeremias 17:27)

Aqui vemos que Deus disse que se o povo israelita deixasse de santificar o sábado,
ele iria acender fogo nas portas da cidade que “não se apagará”. Lemos em 2ª
Crônicas 36:19-21 que esta profecia se cumpriu. A cidade está queimando até
hoje? É claro que não! Os palácios antigos da cidade nem existem mais, muito
menos estão queimando até hoje.

As portas da cidade também não estão em chamas. Então, o que aconteceu com a
profecia bíblica? Não se cumpriu? Deus falhou? Pelo contrário: a profecia se
cumpriu perfeitamente, quando temos em vista o significado real do termo “fogo
eterno” ou “que não se apagará”. Como já vimos, este fogo eterno significa uma
destruição completa e irreversível, cujos efeitos são permanentes.

No caso da profecia acima, o fogo realmente destruiu completamente os palácios de


Jerusalém, que simplesmente deixaram de existir – não estão até hoje entre as
chamas. No caso dos ímpios, é a mesma coisa que acontecerá: serão consumidos
completamente pelo fogo eterno, isto é, serão completamente consumidos de modo
irreversível. Deus também disse sobre a floresta do Neguebe:

“Diga à floresta do Neguebe: Ouça palavra do Senhor. Assim diz o Soberano, o


Senhor: Estou a ponto de incendiá-la, consumindo assim todas as suas árvores,
tanto as verdes quanto as secas. A chama abrasadora não será apagada, e todos
os rostos, do Neguebe até o norte, serão ressecados por ela. Todos verão que eu, o
Senhor, acendi, e não será apagada” (Ezequiel 20:47,48)

Notem que Deus diz que essa floresta seria “consumida” e que o fogo “não seria
apagado”. Essa linguagem é exatamente a mesma que Deus emprega para o
destino final dos ímpios: serão “consumidos” (Sf.1:18; Lc.17:27-
29; Is.47:14; Sl.21:9; Jó 20:26-29; Ap.20:9; Is.26:11; Naum 1:10; Sl.21:9;
Lc.17:27-29) pelo “fogo eterno” (Mt.25:41; 18:8).

Para os imortalistas, essa linguagem bíblica de consumir pelo fogo eterno significa o
prosseguimento eterno de vida, queimando em meio às chamas de um inferno
eterno. Já pela Bíblia, vemos que essa mesma linguagem é expressa para tratar
das florestas do Neguebe, que seriam “consumidas” (Ez.20:47) por um fogo
que “não seria apagado” (v.48). E as florestas do Neguebe estão queimando até
hoje? Não! Não!! Não!!! Mil vezes: não!

Portanto, a linguagem bíblica de consumir por um fogo eterno que não é apagado
não implica no prosseguimento eterno de vida através de um processo infindável
em meio às chamas em algum lugar, mas sim na extinção completa do sujeito,
com efeitos eternos (permanentes), assim como ocorreu com a floresta do
Neguebe (Ez.20:47,48), com os palácios de Jerusalém (Je.17:27), com os ribeiros
de Edom (Is. 34:9-10) e com Sodoma e Gomorra:

“De modo semelhante a estes, Sodoma e Gomorra e as cidades ao redor se


entregaram a imoralidade e a relações sexuais antinaturais, foram postas como
exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno” (Judas 7)

Judas chama o fogo que caiu sobre Sodoma e Gomorra (registrado em Gênesis
19:24) de “fogo eterno”. Porém, será que em Sodoma e Gomorra está entre
chamas até os dias de hoje? Certamente que não! No lugar, atualmente, encontra-
se o Mar Morto. Não há fogo eterno dentro do Mar Morto, e o fogo que caiu sobre
Sodoma e Gomorra serviu para consumir completamente as cidades e
exterminar por completo os seus habitantes, e não deixá-los para sempre em
meio àquelas chamas, embora Judas tenha chamado de “fogo eterno”!

O que mais impressiona é que Judas diz que este fogo “eterno” que caiu sobre
Sodoma e Gomorra era uma figura (tipologia) do fogo eterno do dia do Juízo Final,
o que se deduz claramente da frase que ele diz: “...foram postas como exemplo”.
Em outras palavras, aquilo que aconteceu com Sodoma e Gomorra será o mesmo
que ocorrerá com os pecadores no dia do Juízo. Por acaso Sodoma e Gomorra
sofrem entre as chamas até hoje? Por acaso o fogo que caiu naquelas cidades
serviu para exterminar por completo tudo e todos, ou para continuar
queimando para sempre?

A resposta é óbvia: o exemplo de Judas elucida bastante a questão e nos mostra


com clareza incontestável a verdade bíblica do aniquilamento dos ímpios pelo “fogo
eterno”. Poderia passar mais quinhentas passagens que tratam disso, mas por
enquanto chega, isso é só um artigo, quem quiser leia o meu livro com mais de 850
mil caracteres sobre isso.

O resumo de tudo isso é o seguinte: o fogo eterno não é uma linguagem que


expressa tormento eterno, consciente e infinito como em um processo, mas sim
uma linguagem que denota claramente um aniquilamento (cessação completa de
vida) com efeitos eternos (irreversíveis) para aquele que sofrer este dano da
segunda morte. Ou seja, o fogo é eterno em seus efeitos, e não em seu processo.
Qualquer principiante de Bíblia consegue perceber isso quando se depara com todas
as evidências bíblicas.
Antes de terminar, penso ser útil passar o repertório bíblico de aniquilamento dos
ímpios (onde em meu livro eu cito aproximadamente 175 passagens em sequencia,
aqui irei apenas fazer um breve resumo de citações, quem quiser pode ir conferir
cada uma delas). Biblicamente, vemos que os ímpios serão:

-eliminados (cf. Pv.2:22; Sl.37:9; Sl.37:22; Sl.104:35; Is.29:18-


20), destruídos (cf. 2Pe.2:3; 2Pe.2:12,13; Tg.4:12; Mt.10:28; 2Pe.3:7; Dt.7:10;
Fp.1:28; Rm.9:22; Sl.145:20; Gl.6:8; 1Co.3:16,17; 1Ts.5:3; 2Pe.2:1; Sl.145:20;
Sl.94:23; Pv.1:29; 1Ts.5:3; Jó 4:9; Sl.1:4-6; Sl.73:17-20; Sl.92:6,7; Sl.94:23;
Pv.24:21,22; Is.1:28; Is.16:4,5; Is.33:1; Lc.9:25; Gl.6:8;
1Ts.1:8,9), arrancados (cf. Pv.2:22), mortos (cf. Jo.8:24; Jo.11:28; Jo.6:47-51;
Is.65:15; Rm.6:23; Is.11:4; Pv.11:19; Sl.34:21; Rm.8:13; Sl.62:3; Pv.15:10;
Tg.1:15; Rm.8:13; Pv.19:16; Is.66:16; Je.12:3; Rm.1:32; Ez.18:21; Ez.18:23,24;
Ez.18:16,28; 2Co.7:10; Rm.6:16; 2Co.3:6; Hb.6:1), exterminados (cf. Sl.37:9;
Mc.12:5-9; At.3:23), executados (cf. Lc.19:14,27), serão devorados (cf.
Ap.20:9; Jó 20:26-29; Is.29:5,6; Sl.21:9), se farão em cinzas (cf. 2Pe.2:6;
Is.5:23,24; Ml.4:3), não terão futuro (cf. Sl.37:38; Pv.24:20), perderão a
vida (cf. Lc.9:24), serão consumidos (cf. Sf.1:18; Lc.17:27-29; Is.47:14;
Sl.21:9; Jó 20:26-29; Ap.20:9; Is.26:11; Naum 1:10; Sl.21:9; Lc.17:27-
29), perecerão (cf. Jo.10:28; Jo.3:16; Sl.37:20; Jó 4:9; Is.66:17; Sl.37:20;
Sl.68:2; Sl.73:27; At.13:40,41; Is.1:28; Is.41:11,12; 1Co.1:18; Rm.2:12;
2Co.4:3; 2Co.2:15,16; Lc.13:2,3; Lc.13:4,5; 2Ts.2:10), serão despedaçados (cf.
Lc.20:17,18; Mt.21:44; 1Sm.2:10), virarão estrado para os pés dos justos (cf.
At.2:34,35),desvanecerão como fumaça (cf. Sl.37:20; Sl.68:2; Is.5:24), terão
um fim repentino (cf. Sf.1:18; Pv.24:21,22; Is.29:5,6; 1Ts.5:3; Is.29:18-20;
2Pe.2:1), serão como a palha que o vento leva (cf. Sl.1:4-6; Is.5:24;
Is.29:5,6), serão como a palha para ser pisada pelos que vencerem (cf.
Ml.1:1,3; Mt.5:13; Hb.10:12,13), serão reduzidos ao pó (cf. Sl.9:17; Is.5:24;
Is.29:5,6; Lc.20:17,18; Mt.21:44; 2Pe.2:6), desaparecerão (cf. Sl.73:17-20;
Is.16:4,5; Is.29:18-20), deixarão de existir(cf. Sl.104:35), serão apagados (cf.
Pv.24:20), serão reduzidos a nada (cf. Is.41:11,12; 1Co.2:6),serão como se
nunca tivessem existido (cf. Ob.1:16), serão evaporados (cf. Os.13:3), será
lhes tirada a vida (cf. Pv.22:23; Jo.12:25), e não mais existirão (cf. Sl.104:35;
Pv.10:25).

Cabe ao leitor honesto e pensante discernir se essa linguagem bíblica se parece


mais com aniquilamento ou com um tormento infinito com consequente
subsistência eterna de existência...

E, antes de terminar, deixo aqui um desafio a todos os que seguem a doutrina


católica do tormento eterno do inferno:

-Que me tragam um único exemplo bíblico onde comprovadamente um


“fogo eterno” está queimando literalmente até os dias de hoje como em
um processo infindável de dias.

Ficarei imensamente grato por isso.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.


Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli.