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AS PRÁTICAS ENVOLVENDO PALEONTOLOGIA COMO

ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS EM MUSEUS DE CIÊNCIAS

LEAL, Marcelo Domingos – PNFM/SEED


marceloleal@pnfm.pr.gov.br

Eixo Temático: Comunicação e Tecnologia


Agência Financiadora: não contou com financiamento

Resumo

Esta comunicação apresenta uma experiência desenvolvida pela equipe de Biologia do Parque
da Ciência Newton Freire Maia (PNFM), instituição voltada a divulgação e popularização da
ciência e tecnologia, mantida pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED). A
referida experiência aborda uma visita temática ao acervo do “PNFM” intitulada “A Procura
dos Dinossauros”, que trabalha com conceitos de Paleontologia, Geologia, além de estratégias
pedagógicas voltadas à parte prática, como simulações de escavações paleontológicas,
identificação de fósseis, entre outras. O objetivo desta visita temática é despertar o interesse
do aluno/participante para questões relativas à Biologia e a Paleontologia, utilizando-se de
recursos interdisciplinares que envolvam o acervo do PNFM. Na fundamentação teórica as
tendências metodológicas para o Ensino de Ciências, e principalmente de Paleontologia são
discutidas, e de maneira particular, a importância desta para a compreensão do mundo a nossa
volta, visto as transformações que este sofreu e pode vir a sofrer futuramente. Além disso, é
dado espaço aos aspectos referentes à utilização de aulas práticas, e como os Museus de
Ciências como ambientes de educação não-formal1 podem contribuir desta forma. Considera-
se, ao final do trabalho, que os resultados atingidos com este foram satisfatórios,
qualitativamente, pois incentivaram aos alunos a busca pelo saber paleontológico, diminuindo
assim dúvidas e confusões referentes ao trabalho deste cientista. Pode-se perceber também, na
questão quantitativa o número de questionamentos, dúvidas, discussões e associações feitas
por alunos e professores, estabelecendo assim uma forte interação entre monitores,
alunos/participantes e professores. A partir da fundamentação teórica e da descrição da visita
temática foi possível perceber que existe a possibilidade de desenvolver atividades de ensino
em Paleontologia em consonância com a realidade dos estudantes e da escola, de maneira
interativa e contextualizada, em uma parceria entre a escola (educação formal) e o museu
(educação não-formal).

Palavras-chave: Divulgação Científica. Prática. Paleontologia. Dinossauros.

1
Educação não-formal: qualquer atividade organizada fora do sistema formal de educação, operando
separadamente ou como parte de uma atividade mais ampla, que pretende servir a clientes previamente
identificados como aprendizes e que possui objetivos de aprendizagem. (MARANDINO, 2008, p.13)
2012

Introdução

O ensino e a aprendizagem de Ciências Naturais, e principalmente no que se refere a


abordagem dos temas Geologia e Paleontologia, já fazem parte dos conteúdos trabalhados em
ciências em todos os níveis de educação, desde 1998, muito embora alguns livros didáticos
necessitem de revisão quanto ao conteúdo apresentado, pelo fato de apresentarem os mesmos
de forma errônea ou, simplesmente nem sequer trazerem este assunto a tona. A Geologia
apresenta como fonte de informação nos livros didáticos, dados superficiais sobre nosso
planeta como, sua idade, a situação ambiental do mesmo, quais tipos de rochas encontramos
nele, etc. Já a Paleontologia é raramente inserida, e quando, sempre com foco nos
dinossauros, relatando seu surgimento, algumas de suas classes, seu modo de vida (de forma
precária) e sua extinção.
A ligação entre o material didático fornecido pelas instituições de ensino e os alunos é
inegável. Porém, não se pode ignorar um elemento fundamental que liga e dá vida ao livro
didático, o professor. Este carrega consigo uma enorme deficiência no que diz respeito o
ensinar de Geologia e Paleontologia, principalmente. Mas, a esta falta de preparação não
devemos imputar como culpa apenas ao professor, e sim a uma má formação acadêmica, visto
que nossas universidades têm um interesse maior na formação de pesquisadores em
detrimento de professores que venham a atuar em diferentes níveis da educação.
Esta situação agrava-se quando analisamos a situação dos profissionais que atuam na
educação infantil, onde uma vasta maioria dos professores não tem uma formação específica
na área de Ciências ou Biologia, sendo muitos da área de Pedagogia ou do extinto curso de
Magistério. Estes professores por obrigação tem que dividir-se entre os conteúdos de
Ciências, Português, Matemática e Estudos Sociais, mesmo sem ter uma formação específica
em nenhuma destas áreas, ou pelo menos mais acentuada. Sem perceber nosso sistema de
ensino superior esta formando profissionais sem preparo, o que acarreta em um ensino de
baixa qualidade, principalmente em uma área específica como a Paleontologia.
Desta forma propor aos professores e aos alunos atividades que possam transformar o
ensino de Ciências/Paleontologia em algo prazeroso, aliando a isso metodologias e
conhecimentos de ensino, podem transformar o que antes era algo de difícil entendimento em
uma viagem prazerosa e divertida pelas Eras Geológicas e as espécies que nelas viveram.
2013

Consonante com estas ideias, apresenta-se nesta comunicação um exemplo de


atividade em forma de visita dirigida, cujo título é A Procura dos Dinossauros, trabalho este
desenvolvido e implementado pela equipe de Biologia do Parque da Ciência Newton Freire
Maia (PNFM), envolvendo então assuntos como a Paleontologia e Geologia.

Desenvolvimento

O estudo dos seres vivos e a busca por informação sobre quem são, de onde vieram,
sua forma de vida, entre outros aspectos, é algo intrínseco a espécie humana, e vem sendo
cultivado por séculos desde que formaram-se as primeiras sociedades organizadas. Filósofos,
matemáticos e mais tarde químicos e cientistas naturais (naturalistas) sempre se encantaram
com a biodiversidade que os rodeava, e tentavam de toda forma explicá-la, sistematizando-a
para um maior entendimento.
Além do estudo e da sistematização das espécies atuais, muitos filósofos e eruditos
antigos, principalmente gregos, depararam-se com estruturas magníficas, as vezes colossais,
que fugiam ao seu conhecimento, e iam mui além da imaginação dos homens da época.
Muitas destas estruturas vieram a dar origem a mitos relacionados com heróis, gigantes e
criaturas colossais. De acordo com MAYOR (2000, p.361) o mito grego consiste numa
mistura complexa de contos sobre a origem do mundo natural e a história de seus primeiros
habitantes. Essas associações mitológicas com o inexplicável resultaram na criação do termo
“geomitologia”, proposto por VITALIANO (1968, p.5-30, 1973, p.305), o qual se refere às
lendas que explicam através de metáforas poéticas e do imaginário mitológico, a existência de
eventos geológicos como terremotos e grandes atividades vulcânicas.
Os achados eram normalmente considerados pelos gregos como ossos de dragões,
ciclopes ou centauros, mas também atribuídos a gigantes ou a esqueletos de seus heróis, os
quais os gregos imaginavam serem dotados de uma maior estatura (MAYOR, 2000, p.361).
Estas estruturas que hoje chamamos de fósseis, foram pouco compreendidas em sua época de
descoberta, mas passados os anos, com o avanço científico e o conhecimento adquirido pelos
então cientistas vêm mais tarde a dar origem a uma promissora área do conhecimento, a
Paleontologia.
O termo Paleontologia usado na literatura foi cunhado apenas no século XIX por
Ducrotay de Blainville, sendo formada a partir das palavras gregas palaios= antigo, onto=
2014

ser, logos= estudo, logo, é o estudo dos seres antigos. Já a palavra fóssil originou-se do termo
latino fossilis= extraído da terra (CASSAB, 2004, p.3-11). Como ciência, a Paleontologia
firmou-se apenas no início do século XIX, com o surgimento das primeiras sociedades
científicas paleontológicas, que, com a divulgação de pesquisas serviram de suporte para o
pleno desenvolvimento desta ciência (CASSAB, 2004, p.3-11). O sucesso nesta área demanda
de uma dedicação plena para aquisição de excelentes conhecimentos geológicos e
fundamentos sólidos em Biologia (FAIRCHILD, 2008, p.1).
A forma como os alunos vêm a Paleontologia, forma esta que é transmitida pelos
meios de comunicação (revistas, novelas, filmes, etc) ou pelos professores, é de que a mesma
tem como base central de estudo os dinossauros, determinando assim seu modo de vida e suas
relações inter-específicas. No entanto, a vida do passado geológico sob vários aspectos são
analisadas, afim de que os cientistas possam obter dados que venham a estabelecer a
compreensão do planeta através da Geocronologia, Estratigrafia, Paleoclimatologia etc.
É, portanto na Biologia que o Paleontólogo busca subsídios para estudar os fósseis, já
que eles são restos de um antigo organismo vivo. Em retorno, a Paleontologia fornece aos
biólogos uma dimensão do tempo em que os grandes ecossistemas atuais se estabeleceram e
também informações complementares às teorias evolutivas. Na Geologia, os fósseis são
utilizados como ferramentas para datação e ordenação das sequências sedimentares,
contribuindo assim para o detalhamento da coluna cronológica. Estas duas ciências ajudam na
interpretação dos ambientes antigos de sedimentação, bem como na identificação das
mudanças ocorridas na superfície do planeta através do tempo geológico.

A Paleontologia como parte dos Conteúdos Estruturantes

A compreensão dos fenômenos naturais pelo ser humano, e a compreensão do mundo


que o cerca, são ferramentas importantíssimas para a formação de um cidadão critico e
conhecedor de seu lugar na história do mundo. Para os Parâmetros Curriculares Nacionais
(PCN CIÊNCIAS NATURAIS, 1997, p.14), as Ciências Naturais são instrumentos
importantes para que o homem adquira este entendimento, e assim se reconheça como parte
deste contexto. Dentro deste arcabouço de conhecimentos que deve ser adquirido pelo aluno,
está o ensino de Paleontologia.
2015

Segundo as Diretrizes Curriculares Estaduais de Ciências do Estado do Paraná (DCE,


2009, p.67) o estudo de Paleontologia está inserido dentro do Conteúdo Estruturante
Biodiversidade:

Esse conteúdo estruturante visa, por meio dos conteúdos específicos de Ciências, a
compreensão do conceito de biodiversidade e demais conceitos intrarrelacionados.
Espera-se que o estudante entenda o sistema complexo de conhecimentos científicos
que interagem num processo integrado e dinâmico envolvendo a diversidade de
espécies atuais e extintas; as relações ecológicas estabelecidas entre essas espécies
com o ambiente ao qual se adaptaram, viveram e ainda vivem; e os processos
evolutivos pelos quais tais espécies têm sofrido transformações.

Todos os conteúdos básicos, apresentados nos conteúdos estruturantes, são essenciais


na disciplina de Ciências. No Plano de Trabalho Docente esses conteúdos básicos devem ser
desdobrados em conteúdos específicos a serem abordados pelos professores de Ciências em
função de interesses regionais e do avanço na produção do conhecimento científico. Sob esta
perspectiva, o ensino da Paleontologia tem um papel fundamental para a compreensão da
origem e evolução da Terra e dos sistemas naturais, pois faz menção à composição da
atmosfera, à geografia, a geologia, as modificações climáticas e como estes fatores atuaram
sobre as espécies que por aqui passaram.

A Abordagem da Paleontologia no PNFM

Mas apesar de importante, esta área do conhecimento é pouco explorada por


professores e consequentemente pouco compreendida pelos alunos. Na tentativa de traçar um
novo conceito sobre o ensino de Paleontologia, é que o Parque da Ciência Newton Freire
Maia vem dispor de forma didática e prática, uma visita temática com foco em Paleontologia,
porém, trazendo como atrativo para crianças e professores o tema dinossauros.
Para que o aluno participe da visita temática A Procura dos Dinossauros não é
necessário que o professor tenha trabalhado com o mesmo em sala de aula o assunto
Paleontologia. Porém, se este trabalho for realizado, o que deveria ser o normal dentro dos
conteúdos estipulados pelo PCN de Ciências naturais e pelas DCE de Ciências, e o aluno vier
ao Parque da Ciência Newton Freire Maia participar da oficina apresentando um
conhecimento relacionado a alguns conceitos de Paleontologia e Geologia, a forma de abordar
o assunto e o entendimento por parte dos alunos será muito superior.
2016

Mas mesmo sem este trabalho em sala de aula, no PNFM a forma como o assunto é
tratado, pode trazer resultados satisfatório, visto que os conteúdos são transmitidos de maneira
simples e didática. Eis alguns tópicos dos assuntos colocados em foco na visita temática:

- quem é o Paleontólogo;
- o que faz um Paleontólogo;
- o que procura um Paleontólogo;
- como trabalha um Paleontólogo;
- o que é um fóssil;
- como um fóssil se forma;
- quais são os tipos de fósseis existentes;
- quais são as condições básicas para se formar um fóssil;
- em que tipo de rocha um Paleontólogo encontra um fóssil;
- existem fósseis no Brasil;
- de quem são as réplicas de fósseis encontradas no Parque da Ciência Newton Freire
Maia;
- quem, e o que eram os dinossauros;
- quando viveram os dinossauros;
- do que se alimentavam os dinossauros;
- dinossauros conviveram com outras espécies de animais;
- existiram dinossauros no Brasil, e quais são eles.

Todos estes conceitos são demonstrados aos alunos e consequentemente aos


professores, através da utilização do acervo do Parque da Ciência Newton Freire Maia, com a
utilização de estratégias pedagógicas que passam pela informação teórica/escrita, visual e
prática. KÖPTCKE (2003, p.116) apresenta dois autores, FALK e DIERLING 2 (1992, p.205)
que definem a educação em museus como o processo pelo qual a experiência vivida é
assimilada em relação a momentos anteriores e posteriores à visita. Segundo os autores, o que
fica gravado na memória das pessoas, seja por meio de uma prática, da abordagem de um
texto, ou da visualização de uma figura constitui uma forma de aprendizagem e transforma

2
FALK, J.; DIERKING, L-D. The Museum Experience. Washigngton DC, Whalesback Books, 1992, p.205.
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estas pessoas, imputando as mesmas emoções agregadas de conhecimento. “Além disso, as


recordações são integradas a categorias mentais que nem sempre correspondem a esquemas
conceituais acadêmicos, mas que dispõe de amplo significado pessoal”. (FALK e DIERLING,
1992 apud KÖPTCKE, 2003, p.116).

A Visita temática A Procura dos Dinossauros como proposta de trabalho para a área de
Paleontologia

Desenvolver atividades que venham a dinamizar a forma de ensino de Paleontologia


entre os estudantes e professores, viabilizando aos mesmos interar-se dos aspectos históricos e
científicos da ciência, utilizando assim técnicas que venham a atender as necessidades de
educadores e educandos, sistematizadas em espaços de educação não-formal como o PNFM,
podem estimular a busca a uma melhor compreensão das áreas de conhecimento, a saber,
Paleontologia e Geologia.
A visita temática A Procura dos Dinossauros, foi organizada e vem sendo implantada
desde o ano de 2009 pela equipe de Biologia do Parque da Ciência Newton Freire Maia, uma
instituição mantida pela Secretaria de Educação do Estado do Paraná – SEED e que recebe
estudantes provenientes de escolas públicas e particulares, além de visitantes da comunidade.
O PNFM é um museu de ciências destinado à divulgação e popularização científica,
que atua nas mais variadas áreas do conhecimento humano, entre as quais, Astronomia,
Biologia, Física, Geografia, Geologia, História, Matemática, Química e Arte. O Parque da
Ciência Newton Freire Maia, mais conhecido pelo público visitante como Parque da Ciência,
é constituído pelo Exploratório, espaço composto por cinco pavilhões temáticos (Introdução,
Cidade, Energia, Água e Terra), além do Herbário (um dos poucos no Brasil de cunho
didático/científico) e o Palco Paraná (uma enorme maquete do Estado do Paraná com
aproximadamente 2.000 m2 em uma escala de 1:6.600).
A equipe de Biologia como todas as outras equipes que representam áreas diversas do
conhecimento, contam com um grupo de estudos e pesquisas, denominado GPC (Grupo de
Pesquisa Científica), onde ocorrem seminários e discussões referentes ao acervo do PNFM,
formas de atendimento, idealização e execução de visitas temáticas. Em relação ao
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desenvolvimento de programas de atendimento destaca-se, como fruto das discussões e


reflexões do GPC, o “Programa CT&S” (iniciais de Ciência, Tecnologia e Sustentabilidade),
atualmente em fase de desenvolvimento e implantação. Conforme destaca Rocha (2005a, p.6)
o Programa CT&S:

Constituído de etapas ou módulos, desenvolve-se por meio de oficinas temáticas que


tratam, respectivamente, de assuntos pertinentes aos campos da ciência e da
tecnologia no enfoque da sustentabilidade. As áreas de Astronomia, Biologia, Física,
Geografia, História, Matemática e Química, por sua vez, são trabalhadas, sempre
com base no tema respectivo ao módulo. Destaca-se, nessa ação, o processo
interdisciplinar ocorrido, tanto na preparação das oficinas no tocante ao
comportamento dos monitores que as desenvolvem, quanto no comportamento dos
alunos que as assistem (ROCHA, 2005a, p. 6).

Esta abordagem interdisciplinar praticada no GPC e consequentemente no


atendimento ao público, pode ser observada na elaboração da visita temática A Procura dos
Dinossauros, que traz como foco o despertar do interesse de alunos e professores ao ramo
Paleontologia e Geologia, usando recursos interdisciplinares que envolvem o acervo do
PNFM nas diversas áreas do conhecimento como: História, Geografia, Química, Física, etc.
A visita temática A Procura dos Dinossauros tem como tempo de duração
aproximadamente 2 horas/aula. Este tempo, porém refere-se apenas à parte teórica, o que
traria desconforto aos alunos, sendo então dividida em fases diferentes, com abordagens
distintas: teoria, prática e observação. O número máximo de participantes por visita temática é
de no máximo 20 participantes, visto que além deste número torna-se difícil dar atenção de
forma adequada a todos.
Na primeira parte da visita, o aluno é apresentado a uma série de conceitos básicos
sobre o que vem a ser Paleontologia e Geologia, o que estas ciências procuram e quem são os
cientistas que com ela trabalham. Primeiramente o espaço a ser utilizado é a Sala Milton
Santos, um espaço que tem como objetivo principal tratar dos assuntos referentes ao Espaço
Geográfico (paranaense, brasileiro e mundial), Espaços Luminosos e Opacos e Globalização
aos olhos de Milton Santos, importante geógrafo social brasileiro. Esta estrutura dispõe de
uma ampla tela com dois projetores, onde o monitor tem como material de apoio uma
2019

apresentação em slides referente aos tópicos relacionados com Paleontologia já comentados.


Intercalado a este momento teórico, os alunos fazem incursões ao Sítio de Paleontologia,
prática esta que serve para estimular e não permitir que o mesmo fique muito tempo sentando,
podendo vir a perder o interesse pelo assunto. Nesta ida ao Sítio Paleontológico, os alunos
ficam, a saber, onde trabalha um Paleontólogo e quais ferramentas de escavação fazem parte
do seu dia-a-dia. Estas incursões que utilizam os recursos físicos do PNFM trazem aos alunos
um vislumbre do local exato de aplicação do conhecimento teórico adquirido na Sala Milton
Santos.
Ao tratarmos do assunto fósseis, o monitor responsável pela visita conduz os alunos
novamente ao Sítio Paleontológico, e estimula os mesmos a manusearem e observarem alguns
exemplares fossilíferos das regiões de Jaguariaiva e São Luis do Purunã, ambas localizadas no
Segundo Planalto do Estado do Paraná, o Planalto de Ponta Grossa. Muitos destes fósseis são
simples conchas, porém cada uma com mais de 300 m.a.a. (milhões de anos atrás) de história.
Estas estruturas aguçam a curiosidades dos participantes da visita temática, que levantam
dúvidas como: Por qual motivo estas estruturas se formaram? Como elas se formaram? Por
qual motivo encontramos fósseis de conchas tão longe do litoral? Em que tipo de rocha estes
fósseis estão incrustados? Ao recebermos estas perguntas acabamos atingindo nosso objetivo,
gerar dúvidas, questionamentos, observações e então, esforçamo-nos ao máximo para sanar
todas estas, fazendo com que os alunos venham a entender o que é um fóssil, como ele se
forma, quais são os tipos de fósseis que existem, que espécies de seres vivos tem maior
probabilidade de sofrer um processo de fossilização, quais partes dos animais e dos vegetais
podem ser mais suscetíveis a sofrer o processo de fossilização, quais as condições para que
este processo ocorra, entre outras.
Em uma segunda etapa ainda na Sala Milton Santos quebramos um pouco do
formalismo e instigamos os alunos a participarem de duas brincadeiras. Segundo GILDA
RIZZO (2001, p.40) "(...) a atividade lúdica pode ser, portanto, um eficiente recurso aliado do
educador, interessado no desenvolvimento da inteligência de seus alunos, quando mobiliza
sua ação intelectual".
Em uma destas brincadeiras os alunos são divididos em quatro grupos de número
igual, ou próximo disso, e são desafiados a montar três dinossauros em EVA. Esta brincadeira
é feita apenas após os visitantes estarem familiarizados com questões como quem são os
dinossauros e como podemos classificá-los. Na visita temática a classificação dos dinossauros
2020

é feita de forma simples, para que o aluno entenda de que estes animais fazem parte do Reino
Animal, e que dentro deste reino existem Ordens específicas, das quais exemplificamos aos
mesmos. Ensinamos ao visitante que existem basicamente duas grandes Ordens dentro do
mundo dos dinossauros, a Ordem Saurichia e a Ordem Ornithischia. Dentro da Ordem
Saurichia encontramos os dinossauros Terápodes (carnívoros, bípedes e com quadril de
réptil), como o Alossaurus fragilis e os Saurópodes (herbívoros, quadrúpedes e com quadril
de réptil) como o Argentinosaurus huinculensis. Já dentro da Ordem Ornithischia
(herbívoros, quadrúpedes em sua grande maioria, e com quadril de ave) encontramos espécies
como o Triceratops horridus e o Stegossaurus armatus.
Para a montagem das figuras os alunos contam com o auxílio de quatro figuras que
representam os quatro grandes dinossauros a serem montados, imagens estas que são deixadas
nos telões da Sala Milton Santos. Os três exemplares a serem montados são: um Ceratossauro
(Ceratosaurus nasicornis), um Parassaurofolo (Parasaurolophus walkeri), um
Braquiossauro (Brachiossaurus brancai, Brachiosaurus altithorax), e um Amazonsauro
(Amazonsaurus maranhensis).
Outra atividade desenvolvida neste momento da visita trata-se de um jogo onde os
alunos têm como objetivo classificar uma série de dinocards (cartões de dinossauros com
informações como: nome popular, científico, altura, peso, local onde viveram, forma de
alimentação, formato do quadril (ave ou réptil), principais inimigos, além de uma figura
ilustrativa do mesmo) desenvolvidos pelos monitores do PNFM, em um total de 64 diferentes
espécies, de todos os continentes. Esta classificação pode ser quanto à forma de alimentação,
a forma de locomoção (bípede ou quadrúpede), o formato do quadril e como isto influencia na
locomoção do animal, o local de origem, e várias outras, conforme o tempo, o conhecimento e
a idade dos visitantes permitirem. Estas duas atividades visam fixar o conhecimento dos
alunos, visto que os mesmos já tiveram contato com estas informações na apresentação de
slides, na visita ao Sítio Paleontológico e no manuseio com fósseis.
O terceiro momento da visita temática A Procura dos Dinossauros, tem como intuito
demonstrar aos alunos como se dá o trabalho de um Paleontólogo. Visando isto a equipe do
PNFM, com a colaboração da equipe de manutenção técnica, trabalhou na montagem de duas
quadras de escavação, que consistem em duas grandes caixas com areia para que os alunos
2021

possam escavar e encontrar réplicas de dinossauros montadas especialmente para esta


finalidade. As réplicas procuradas pelos alunos são: metade do crânio de um Triceratops
horridos, o fragmento final da cauda de um Stegossaurus armatus com um dos quatro
espigões de defesa na ponta desta, dois dentes de Tyrannosaurus rex, a metade de um crânio
de uma Maiassaura (Maiasaura peeblesorum) da família dos dinossauros bico-de-pato, uma
garra de Deinonychus antirrhopus (lagarto de garra terrível), e pequenas réplicas de insetos e
fragmentos de samambaias. Após escavaram usando apenas um pincel, os alunos têm o
trabalho de identificar os animais por eles achados, sendo que cada fóssil será desenterrado
por no máximo três crianças.
Ao final deste trabalho cada aluno leva como lembrança de sua visita um souvenier da
visita temática de Paleontologia, A Procura dos Dinossauros, uma pequena réplica fóssil que
pode ser um: dente de dinossauro, uma pequena garra, uma libélula, uma folha de samambaia,
um chifre, um trilobita ou uma pata de terápode (dinossauro carnívoro).
Com isso podemos dizer que o cerne da visita temática A Procura dos Dinossauros foi
de utilizar a paleontologia como ferramenta nas atividades iniciais de aprendizagem de alunos
da Educação Infantil, e aguçar nos alunos do Ensino Fundamental e Médio o gosto pelo
conhecimento paleontológico e geológico. A partir destes objetivos principais, a equipe de
Biologia do PNFM traçou objetivos específicos, que aos poucos vem sendo alcançados:

Considerações Finais

O ensino de Ciências, e em específico o de Paleontologia e Geologia podem tornar-


se agradáveis, de fácil entendimento e estimulante aos alunos, deixando assim de ser um
“fardo” aos docentes. Para isso devemos quebrar barreiras contra áreas consideradas mui
específicas e de difícil acesso ao professor e ao estudante, a saber, a Paleontologia e a
Geologia, entre outras. A quebra destas pode dar-se através de práticas simples e que podem
trazer resultados a curto prazo, estimulando os alunos a pesquisarem, indagarem e
concluírem, além de mostrar o quão prazeroso pode ser conhecer a história geológica e
paleontológica do nosso planeta.
Como um espaço público de divulgação científica, e um poderoso instrumento a
favor de educadores e educandos, o Parque da Ciência Newton Freire Maia, busca de forma
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prática, aplicada e criativa maneiras de facilitar o acesso a informação de nosso público,


sejam eles professores, alunos, ou visitantes ocasionais.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais : ciências


naturais/Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília:MEC/SEF, 1997, p.14.

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FAIRCHILD, T.R.. 2008. De Volta ao passado: Paleontologia e paleontólogos. Disponível


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KÖPTCKE, L. S. A Análise da Parceria Museu-Escola Como Experiência Social e


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MARANDINO, M. Educação em Museus: a mediação em foco. GEENF/FEUSP/Pró-


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ROCHA, M. Educação, Ciência e Tecnologia: o mito da Ciência presente no


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