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Tecnologias da Informação

Autor: Prof. Wilson Duarte Lapo


Colaboradores: Prof. Flávio Celso Müller Martin
Prof. Fábio Gomes da Silva
Prof. Fábio Luís Pereira
Professor conteudista: Wilson Duarte Lapo

O professor Wilson Duarte Lapo é graduado em Administração de Empresas e Análise de Sistemas pela FAAP
(Fundação Armando Álvares Penteado, 1988), mestre em Computador Auxiliando no Aprendizado, pela University of
Surrey (1989), especialista em Administração de Empresas pela Universidade de Guarulhos (1995) e especialista em
EaD, Educação a Distância, pela UNIP (2011).

Atua na área acadêmica como professor desde 1988 na FAAP, no curso de Administração de Empresas. Na UNIP, é
docente desde 1991 nos cursos: Administração de Empresas, Ciências Contábeis, Ciências da Computação, Comunicação
Social, Economia, Gestão de Processos, Gestão em Tecnologia da Informação, Hotelaria, Marketing, Publicidade e
Propaganda, e Turismo, seja na modalidade presencial, seja a distância. Também atua no curso de Tecnologia de Redes
e Gestão em Turismo, em diversas disciplinas como: Informática, Tecnologias da Informação, Sistemas, Gerenciamento
de Sistemas de Informação, Gestão das Informações Organizacionais, Laboratório Contábil, Metodologia do Trabalho
Acadêmico, Metodologia da Pesquisa, Teoria Geral de Sistemas, Computação Gráfica, Marketing Digital, Marketing de
Serviços, Elaboração e Análise de Projetos, Qualidade em Projetos Informatizados, Análise de Processos Informatizados,
Sistemas e Cálculo Numérico, Teoria Geral de Administração, Administração da Produção e Logística, Matemática
Aplicada, Economia de Mercado, Modelos Econômicos, Estruturas Organizacionais, Gestão Estratégica de Recursos
Humanos, Higiene Saúde e Segurança nas organizações. Nesta universidade, é ainda orientador de trabalhos conclusão
de curso, assim como de estágios supervisionados, e conteudista dos seguintes livros-textos: Gestão de Sistemas de
Informação (2011), Tecnologia da Informação (2011 e 2012), Gestão do Conhecimento dos Ativos Intangíveis (2010) e
Gestão de Infraestrutura em Tecnologia da Informação (2012).

No mercado corporativo, atua como consultor em tecnologias da informação e nas áreas correlatas dos negócios
empresariais, sendo proprietário da CAST – Consultoria, Assessoria, Sistemas e Tecnologia, fundada em 1991, com sede
em São Paulo, especializada no atendimento a empresas de pequeno e médio porte e a profissionais liberais. Atuou
desde de 1983 como sócio da Worldata Informática Ltda., sediada em Mauá, SP, empresa fabricante de soluções e
consultoria especializada em servidores de comunicação e internet. Tem também como experiência profissional a
atuação, desde 1980, em empresas, como: Banco Itaú, Itautec, Xerox do Brasil, IBM e Status Publicidade e Propaganda.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

L315t Lapo, Wilson Duarte

Tecnologias da informação / Wilson Duarte Lapo. – São Paulo:


Editora Sol, 2012.
200 p., il.

Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e


Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XVII, n. 2-069/12, ISSN 1517-9230.

1. Tecnologia da informação. 2. Informática. 3. Banco de dados.


I. Título.

CDU 004

© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem
permissão escrita da Universidade Paulista.
CENTRO UNIVERSITÁRIO PLANALTO DO DISTRITO FEDERAL – UNIPLAN

Reitoria

Reitor: Prof. Yugo Okida

Vice-Reitor: Prof. Fábio Nogueira Carlucci

Pró-Reitor Acadêmico: Prof. Humberto Venderlino Richter

Pró-Reitor Adminstrativo: Prof. Robson do Nascimento


Sumário
Tecnologias da Informação
Apresentação.......................................................................................................................................................9
Introdução............................................................................................................................................................9
Unidade I
1 O sistema empresarial e seus subsistemas...............................................................................11
1.1 O papel estratégico das Tecnologias da Informação...............................................................11
1.1.1 O sistema empresarial e seus subsistemas.....................................................................................11
1.1.2 Estruturação sistêmica da organização.......................................................................................... 12
1.1.3 Dados, informações e banco de dados........................................................................................... 14
1.1.4 Classificação de sistemas...................................................................................................................... 14
1.2 Fundamentos do uso de TI................................................................................................................ 15
1.2.1 Melhorias de custo e eficiência da empresa................................................................................. 18
1.2.2 Transformação de produtos e serviços para o sucesso na
manutenção e prospecção de mercados................................................................................................... 18
2 Conceitos e componentes de hardware.................................................................................... 22
2.1 Periféricos................................................................................................................................................. 23
2.1.1 Periféricos de entrada............................................................................................................................ 23
2.1.2 Periféricos de saída................................................................................................................................. 25
2.1.3 Periféricos de entrada e saída............................................................................................................. 25
2.2 Memórias.................................................................................................................................................. 26
2.2.1 Disco magnético....................................................................................................................................... 27
2.3 Hardware de rede.................................................................................................................................. 31
2.3.1 Placas de rede............................................................................................................................................ 32
2.3.2 Meios de transmissão............................................................................................................................. 33
2.3.3 Modem......................................................................................................................................................... 37
2.3.4 Hubs.............................................................................................................................................................. 38
2.3.5 Switch........................................................................................................................................................... 39
2.3.6 Roteadores.................................................................................................................................................. 39
2.3.7 Qual é o mais indicado: hub ou switch?........................................................................................ 40
2.4 Mídias de telecomunicações............................................................................................................. 40
2.4.1 Micro-onda terrestre.............................................................................................................................. 41
2.4.2 Satélites de comunicação..................................................................................................................... 42
2.5 Tecnologia celular, a tecnologia móvel........................................................................................ 44
2.5.1 O que é a tecnologia móvel e quais são os benefícios?........................................................... 44
2.5.2 Wireless Fidelity (Wi-Fi)......................................................................................................................... 45
2.5.3 Bluetooth.................................................................................................................................................... 50
3 Conceitos e componentes de Software...................................................................................... 52
3.1 Windows................................................................................................................................................... 53
3.2 Outros sistemas operacionais........................................................................................................... 54
3.2.1 Debian.......................................................................................................................................................... 54
3.2.2 Red Hat........................................................................................................................................................ 54
3.2.3 Unix............................................................................................................................................................... 54
3.2.4 PC-DOS........................................................................................................................................................ 54
3.2.5 MAC OS........................................................................................................................................................ 54
3.2.6 OS/2WARP.................................................................................................................................................. 55
3.3 Funções de um sistema operacional............................................................................................. 55
3.4 Software: básico e aplicativo........................................................................................................... 58
3.4.1 Programas em linguagem de máquina e programas em linguagens procedurais..................58
3.4.2 Softwares aplicativos............................................................................................................................. 59
3.4.3 Programas de gerenciamento de banco de dados..................................................................... 60
3.4.4 Multimídia.................................................................................................................................................. 60
3.4.5 Softwares aplicativos para e-business............................................................................................ 61
4 Conceitos de Telecomunicações...................................................................................................... 63
4.1 Redes de comunicação de dados e telecomunicações.......................................................... 64
4.2 Conceitos de redes LAN, MAN e WAN...........................................................................................71
4.2.1 LAN................................................................................................................................................................ 71
4.2.2 MAN.............................................................................................................................................................. 71
4.2.3 WAN.............................................................................................................................................................. 72
Unidade II
5 Novos usos de TI nas Organizações.............................................................................................. 81
5.1 Internet versus intranet versus extranet..................................................................................... 81
5.2 Qualidade e segurança da informação......................................................................................... 81
5.2.1 A extinção de algumas funções de trabalho nas organizações............................................ 88
5.2.2 Privacidade e internet............................................................................................................................ 89
5.2.3 Privacidade no trabalho........................................................................................................................ 89
5.2.4 Preocupações com a saúde dos usuários....................................................................................... 90
5.3 Planejamento Executivo da Informação e Plano Diretor de Informática...................... 91
5.3.1 Planejamento Executivo da Informação (PEI).............................................................................. 91
5.3.2 Plano Diretor de Informática (PDI)................................................................................................... 92
5.3.3 Onde estamos? Para onde iremos? Como iremos?..................................................................... 95
5.4 Tipologia de sistemas........................................................................................................................... 95
5.4.1 Sistema......................................................................................................................................................... 98
5.4.2 Banco de dados........................................................................................................................................ 99
5.4.3 Sistemas de Apoio Gerencial (SAG)................................................................................................103
5.4.4 Sistemas convencionais......................................................................................................................103
5.4.5 Investigação e identificação de sistemas.....................................................................................109
5.4.6 Análise de sistemas...............................................................................................................................109
5.5 SI na Internet: B2C, B2B, B2G, B2E, B2M e C2C......................................................................111
5.6 Sistemas de suporte às decisões...................................................................................................123
5.6.1 Planejamento operacional e controle.......................................................................................... 124
5.6.2 On-line Analytical Processing (OLAP)........................................................................................... 125
5.6.3 ERP – Enterprise Resorce Planning............................................................................................... 127
5.6.4 CRM – Customer Relationship Management........................................................................... 130
5.6.5 Supply Chain Management ou gerenciamento da cadeia de suprimentos (SCM)...............132
5.6.6 EIS – Executive Information System............................................................................................. 133
5.7 Novas aplicações de TI nas organizações..................................................................................134
6 A EMPRESA NA ERA DA INTERNET.........................................................................................................135
6.1 Erros e desperdícios em informática...........................................................................................141
6.2 As políticas e os procedimentos adotados................................................................................141
Unidade III
7 Planilha Eletrônica................................................................................................................................148
7.1 Conceituação, premissas e método para planilhas...............................................................148
7.2 Iniciando sua planilha.......................................................................................................................149
7.2.1 Carregando o Excel.............................................................................................................................. 149
7.2.2 Abrindo arquivo..................................................................................................................................... 149
7.2.3 Tela, menu e botões............................................................................................................................. 149
7.2.4 Nomeando planilhas (guias) e arquivos.......................................................................................151
7.3 Aprimorando sua planilha...............................................................................................................153
7.3.1 Assistente de funções, estatísticas, financeiras, data............................................................. 153
7.3.2 Endereçamento automático, vinculando dados e planilhas............................................... 159
7.3.3 Funções lógicas (SE, SE com E/OU).................................................................................................161
7.4 Planilhas profissionais.......................................................................................................................164
7.4.1 Configuração de páginas................................................................................................................... 164
7.4.2 Montagem de relatório...................................................................................................................... 167
7.4.3 Autoformatação.................................................................................................................................... 167
7.4.4 Gráficos..................................................................................................................................................... 168
8 Banco de dados.........................................................................................................................................176
8.1 Conceito de banco de dados..........................................................................................................176
8.2 Uso de banco de dados.....................................................................................................................177
8.2.1 Filtrar dados............................................................................................................................................ 178
8.2.2 Subtotais...................................................................................................................................................181
Apresentação

Cabe à disciplina Tecnologias de Informação fazer com que os alunos possam adquirir e/ou produzir
os conhecimentos necessários para o desenvolvimento das atividades exigidas nas organizações em
que atuarão. Além disso, mediante trabalhos e avaliações, oferece aos alunos a oportunidade de
desenvolverem as seguintes competências: o conhecimento e a aplicação de técnicas da Tecnologia
da Informação no ambiente organizacional como ferramenta de apoio administrativo; a capacidade de
análise do ambiente tecnológico organizacional; a resolução de problemas empresariais por meio de
aplicativos; a utilização das ferramentas de TI para comunicação; a identificação da TI como fator crítico
de sucesso; a orientação para processos; o desenvolvimento pessoal; a visão sistêmica.

Para alcançar esse conhecimento em tecnologia, trabalharemos os objetivos específicos da disciplina,


levando os alunos a: compreenderem a terminologia usual de informática; identificarem os elementos que
constituem a Tecnologia da Informação; entenderem as implicações do uso das redes e seus elementos,
as comunicações no mundo dos negócios, além dos recursos computacionais utilizados na disseminação,
interna e externa, da informação na organização: internet, intranet, extranet; perceberem a importância
da informação para a organização e a questão da segurança, da confiabilidade, compartilhamento e
disseminação da informação por meio da TI; conhecer os principais tipos de sistemas de informação
que atendam os diversos níveis hierárquicos e aplicabilidades no ambiente empresarial, bem como os
negócios virtuais de e-commerce e e-business.

Dessa forma, na primeira unidade, apresentamos a conceituação das mais diversas áreas em
tecnologias corporativas, tratando do sistema empresarial e seus subsistemas, entendendo sua relação
com a organização, com os fundamentos e uso da TI. Na segunda unidade, vemos os novos usos da TI,
o uso de redes baseadas na internet, a qualidade e segurança da informação, a tipologia de sistemas,
apresentando aqueles utilizados na gestão dos negócios, e ainda a conceituação das modalidades de
negócio na internet. Na terceira unidade, estudamos a aplicação prática em microcomputador com
a utilização de planilhas eletrônicas, buscando assimilar seu uso, aplicação de fórmulas, assistentes,
elaboração de relatórios, gráficos e banco de dados.

Introdução

Olá, eu sou o seu agente inteligente Borg, Ce-Borg, e vou apresentar-lhe este material que se
destina a ajudá-lo a entender e conhecer as diversas teorias e conceitos que compõem a Tecnologia da
Informação (TI), que nada mais é do que uma metodologia aplicada a diversos recursos computacionais,
que mediam, por meio de redes, hardwares (computadores, impressoras etc.), softwares e outros recursos
tecnológicos, informações em tempo real às pessoas, viabilizando negócios, processos e afins por meio
de sistemas integrados, robótica e telecomunicações.

Você conhecerá os componentes básicos e tipos de sistemas de informação existentes no mercado.


Também se familiarizará com a teoria geral dos sistemas e com as tecnologias de processamento de
informações (programas, equipamentos e homem). O objetivo é desmistificar os conceitos básicos
necessários para ajudá-los a entender como os sistemas de informação podem apoiar as operações, a
tomada de decisão gerencial e a obtenção de fatores críticos para o sucesso das empresas locais e globais.
9
Tecnologias da Informação

Unidade I
1 O sistema empresarial e seus subsistemas

Nesta unidade, você conhecerá os componentes básicos e tipos de tecnologias da informação


contemporâneos. Também se familiarizará com os termos mais usuais que designam os elementos
básicos necessários para se fazer pleno uso do computador e seus acessórios. O objetivo é apresentar os
conceitos básicos necessários para ajudá-lo a entender a Tecnologia da Informação como conjunto de
recursos tecnológicos e computacionais para geração e uso da informação.

O termo Tecnologia da Informação (TI) é, então, comumente utilizado para designar o conjunto de
recursos não humanos dedicados ao armazenamento, ao processamento e à comunicação da informação,
bem como a organização desses recursos em um sistema capaz de executar um conjunto de tarefas. É
a forma de interação de todos esses elementos num processo dinâmico, de constantes mudanças, de
desenvolvimento e de novas formas de realizar negócios.

A TI não se restringe a equipamentos (hardwares), programas (softwares) e redes de comunicação


de dados, mas envolve também o planejamento de informática, o desenvolvimento de sistemas,
o suporte de software, os processos de produção e operação, o suporte de hardware etc., além de
redes que interligam os computadores, a administração de bancos de dados ou outras tecnologias de
processamento e comunicação de informações como a internet.

1.1 O papel estratégico das Tecnologias da Informação

Os sistemas de informação são parte do planejamento estratégico corporativo; as empresas, muitas


vezes, buscam projetos que fortaleçam a sua vantagem competitiva. Para tanto, é necessário ir além da
automatização dos processos manuais, que, na maioria dos casos, são falhos ou defeituosos, até mesmo
quando automatizados. Independentemente do esforço de implantação de sistemas de informação,
deve-se definir um sistema, quando do seu desenvolvimento, com objetivos específicos de racionalização
de desempenho e de otimização dos custos.

O sucesso ou fracasso desse esforço será medido quando a empresa aprender a utilizar
estrategicamente as principais forças da Tecnologia da Informação de forma a vencer as barreiras de
tempo, barreiras geográficas, barreiras de custo e barreiras estruturais.

1.1.1 O sistema empresarial e seus subsistemas

Toda organização é composta por unidades, representadas por diretorias, departamentos, setores,
enfim, outras partes que a integram, e ela integra a sociedade, por meio de seus fornecedores, clientes,
concorrentes e governo, assim como os demais agentes reguladores, sindicatos e associações, todos
11
Unidade I

relacionados e interligados pelas transações comerciais. Esse conjunto complexo forma o sistema
empresarial, e os seus participantes compõem cada subsistema.

Esse conceito é muito amplo e genérico, mas forma uma cadeia de transações comerciais baseadas
em compras, vendas, transferências eletrônicas de valores e entidades controladoras que certificam a
validação das transações, formando, assim, a cadeia de suprimentos, do fornecedor de matérias-primas
até o consumidor final.

Lembrete

Borg:

A visão e o conhecimento dessa cadeia é um requisito dos mais atuais


na formação de profissionais que dominam e entendem as transações
que ocorrem, pois são estas aquelas a serem informatizadas por meio dos
sistemas integrados.

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recursos de dados

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Meios de comunicação e suporte de rede

Figura 1 – Diagrama para visão sistêmica

1.1.2 Estruturação sistêmica da organização

Como o princípio de sistemas estabelece a entrada, o processamento, a saída e a retroalimentação,


uma organização que participa da cadeia de suprimentos, inserida no mercado nacional ou internacional,
atendendo seus clientes com produtos ou prestando serviços, configura-se como um sistema participante

12
Tecnologias da Informação

da atividade econômica e social, assim sendo também um subsistema da economia nacional. Todos
os departamentos dessa empresa interagem entre si, e a informação segue seu caminho, levando à
conclusão dos produtos ou serviços de maneira organizada, mediante processos definidos, com métricas
de desempenho estabelecidas e aferidas, fazendo com que trabalhe como um sistema.

Lembrete

Borg:

Ressalto aqui que esse conceito não necessariamente requer um


computador e um software, mas que, atualmente, seria impossível pensar
em uma organização não informatizada, interligada a outras sem uma rede
de comunicação.

Para cada atividade, o papel dos Sistemas de Informação Estratégica, ou Strategic Information
Systems (SIS), pode favorecer significativamente para a contribuição do processo à cadeia de valor.
Segundo O’Brien (2007), a Tecnologia de Informação é cada vez mais importante no mercado competitivo,
os gerentes de organizações necessitam de toda a ajuda dela que puderem ter. Assim, os sistemas de
informação desempenham três papéis vitais na empresa:

• Apoio às operações empresariais: de contabilidade até acompanhamento de pedidos de


clientes, os sistemas de informação fornecem suportes à administração nas operações do dia a dia
empresarial. À medida que reações rápidas tornam-se mais importantes, torna-se fundamental
a capacidade dos sistemas de informação de coletarem e integrarem as informações com as
funções empresariais.
• Apoio à tomada de decisões gerenciais: assim como os sistemas de informação podem combinar
uma informação para ajudar a administrar melhor a empresa, a mesma informação pode ajudar
os gerentes a identificar tendências e a avaliar o resultado de decisões anteriores. O sistema de
informação ajuda os gerentes a tomarem decisões melhores, mais rápidas e mais informadas.
• Apoio à vantagem estratégica: sistemas de informação projetados em torno dos objetivos
estratégicos da companhia ajudam a criar vantagens competitivas no mercado.

Apoio às
estratégias
para vantagem
competitiva

Apoio à tomada de
decisão empresarial

Apoio às operações e aos processos

Figura 2 – Principais papéis dos sistemas de informação e o apoio que podem dar às empresas

13
Unidade I

Veremos, mais adiante, o detalhamento dessas etapas e as relações com a organização e sua estrutura.

1.1.3 Dados, informações e banco de dados

Dado é a unidade bruta, sem complemento ou descrição, mas de sentido único de uma informação;
por exemplo, 42. O que podemos afirmar, sem medo de errar sobre esse dado, é que ele é um número,
somente isso. Assim, informação é o complemento de um dado, de maneira que dê sentido, orientação,
unidade ou descrição sobre o dado, como 42 anos, 42 (número do endereço ou número de um calçado),
42 unidades de parafusos, 42 pessoas, 42 dias etc.

Banco de dados é o conjunto de informações inerentes e correlatas a um mesmo indivíduo ou


entidade, de uma mesma categoria ou classe. Por exemplo, seu RG, Registro Geral, é uma informação
que advém de um banco de dados de pessoas cadastradas, no qual constam: seu nome, data de
nascimento, número de identificação, data de emissão do documento, órgão expedidor, cidade natal,
filiação e dados do Estado em que você nasceu. Outro exemplo é uma lista telefônica, na qual constam
dados do assinante do serviço, como nome, endereço completo, tudo organizado por ordem alfabética.

Em banco de dados informatizados, podemos pesquisar os registros e relacioná-los a informações,


montando relatórios e analisando dados de maneira linear, indexada ou cruzada. Os cadastros de
clientes, fornecedores, compradores, listas de preços e produtos, relações de CEP e cidades são bancos
de dados encontrados nas empresas e utilizados para preenchimento de documentos como contratos,
notas fiscais e pedidos.

1.1.4 Classificação de sistemas

Inicialmente, os sistemas classificam-se em relação a sua origem, como naturais e cibernéticos.

• Naturais: de origem biológica ou de natureza humana, como o corpo humano (formado por
outros subsistemas), o sistema viário de uma cidade, uma rede de supermercados, entre outros.
• Cibernéticos: formados por componentes eletromecânicos, eletrônicos, como um aparelho de TV,
um automóvel com injeção eletrônica, um robô, um computador, um software etc.

E estes, dependendo de sua capacidade e/ou possibilidade de atualização ou adaptação, classificam‑se


em abertos e fechados.

• Abertos: aqueles que podem ser alterados por intermédio de uma ocorrência de variável
externa ao ambiente e que podem ser modificados para a atualização ou modificação, como um
sistema operacional de código livre chamado Linux, em que se pode, pela programação, realizar
modificações e implementações diversas no código principal do sistema, desde que se domine a
linguagem de programação.
• Fechados: aqueles que não podem ser alterados na forma, ou base, a não ser pelo fabricante do
sistema; por exemplo, no sistema operacional Windows, somente o fabricante pode executar a
alteração ou implementação.
14
Tecnologias da Informação

1.2 Fundamentos do uso de TI

A competitividade exige de uma empresa que quer sobreviver, a longo prazo, o desenvolvimento de
estratégias para enfrentar cinco forças competitivas comuns ao ambiente de atuação da empresa, que,
segundo Porter (1991) são:

• as ameaças de novos concorrentes: muitas ameaças à sobrevivência a longo prazo vêm de


companhias que ainda não estão presentes num determinado mercado ou setor de atividade. A
ameaça de novos concorrentes força a alta administração a monitorar as tendências, especialmente
em tecnologia, que possam propiciar o crescimento de novos concorrentes;
• o poder de barganha dos fornecedores: muitas empresas buscam reduzir sua dependência
de um único fornecedor a fim de limitar seu poder de barganha, pois fornecedores com acesso
a recursos essenciais ou limitados, ou que dominam seus setores, podem exercer uma influência
indevida sobre a empresa;
• as rivalidades entre empresas existentes: em setores de atividades tradicionais, os concorrentes
existentes não constituem toda a ameaça, pois, geralmente, cada empresa foca no seu segmento
de mercado ou nicho. Entretanto, mudanças na administração, na propriedade ou nas regras do
negócio podem dar lugar a ameaças sérias à sobrevivência de longo prazo das empresas;
• o poder de barganha de clientes: os clientes podem crescer e se tornar poderosos como
resultado de sua participação no mercado. Por exemplo, o Walmart é o maior cliente de bens de
consumo e frequentemente impõe suas condições de compra aos fornecedores de tais produtos,
mesmo para uma gigante, como a Procter Gamble;
• as ameaças de produtos/serviços substitutos: essa ameaça existe quando os clientes descobrem
e passam a utilizar produtos diferentes para satisfazer a mesma necessidade.

Uma vantagem competitiva é criada ou mantida por uma companhia que tem sucesso em agregar
valor para os clientes significativamente melhor que seus concorrentes. De acordo com Michael Porter
(1991), a vantagem competitiva pode ser criada adotando-se uma ou mais das seguintes estratégias:

• de custo: uma empresa que consegue baixos custos de produção, poderá reduzir seus preços
finais para cativar os clientes. Os concorrentes com custos mais altos não poderão competir com
a líder em custos mais baixos e, consequentemente, preços finais mais baixos;
• de diferenciação: algumas empresas criam vantagem competitiva ao distinguir seus produtos
com uma ou mais características importantes para seus clientes. Características ou vantagens
exclusivas podem justificar diferenças de preço, qualidade, imagem e garantia para estimular ou
manter a demanda;
• de inovação: produtos ou serviços exclusivos conseguidos com mudanças nos processos
empresariais podem provocar mudanças fundamentais na forma de um setor atuar;
• de crescimento: expandir significativamente a capacidade de produção, entrar em novos
mercados mundiais, conquistar novas áreas ou associar produtos ou serviços relacionados pode
provocar um salto no crescimento de uma empresa;
15
Unidade I

• de aliança: o estabelecimento de novas conexões empresariais e de alianças com clientes,


fornecedores, antigos concorrentes, consultores e outras concentrações de empresas (cluster)
pode criar vantagem competitiva.

Devem-se fazer importantes investimentos em aplicações avançadas de Tecnologia de Informação


que erguem barreiras (virtuais) à entrada de concorrentes internos ou externos ao setor, desenvolver
sistemas de informação interempresariais, cuja comodidade e eficiência geram facilidades para clientes
ou fornecedores. Por exemplo: incluir componentes de TI em produtos e serviços para tornar mais difícil
a sua substituição por concorrentes ou investir em pessoal, hardware, software, bancos de dados e
redes de telecomunicações que permitam acesso tanto aos sistemas transacionais quanto às aplicações
estratégicas.

Segundo Nanini (2001),

O dilema de qualquer diretor responsável pela área da Tecnologia da


Informação é saber conciliar a real necessidade da empresa, a pressão dos
fornecedores (que querem vender suas soluções) e a alta administração
(que busca aumentar a lucratividade a custos baixos). Ao mesmo tempo,
não desperceber o avanço tecnológico que pode auxiliar a empresa a ter
maior competitividade, servindo, ainda, em alguns casos, como instrumento
de marketing. A constante evolução que sofre a tecnologia faz com que
haja um rápido sucateamento do parque tecnológico instalado. O apelo
usado, inclusive pelos concorrentes, no domínio e utilização de determinada
tecnologia da informação, obriga à constante preocupação com o tema por
parte dos dirigentes das empresas (NANINI, 2001, p. 22).

O conceito de cadeia de valor desenvolvido por Michael Porter (1991) entende uma empresa como
uma série de atividades básicas (a cadeia) que adiciona valor a seus produtos e serviços, os quais contêm
uma margem para a empresa, e seus clientes reconhecem seu diferencial (valor). No conceito de cadeia
de valor, algumas atividades de negócios são processos primários (área fim da empresa), enquanto
outros, processos de apoio (área meio da empresa).

Para cada atividade, o papel dos Sistemas de Informação Estratégica ou Strategic Information
Systems (SIS) pode favorecer significativamente para a contribuição do processo à cadeia de valor.
Vejamos:

• processos de apoio: as atividades de apoio criam a infraestrutura necessária que propicia direção
e apoio para o trabalho especializado de atividades primárias;
• serviços administrativos: o papel chave dos SIS aqui é nos sistemas automatizados de escritório
que criam a colaboração ou troca eficaz das informações;
• administração de recursos humanos: os SIS atua em bancos de dados das habilidades dos
funcionários de carreira e terceirizados;

16
Tecnologias da Informação

• desenvolvimento de tecnologia: esse papel dos SIS é projeto assistido por computador (por
programas chamados CAD ou, geralmente, CAM), que simula as condições de fabricação, ou seja,
as ferramentas usadas no desenho são as mesmas disponíveis no chão de fábrica;
• compra de recursos (material de consumo ou spare parts): papel dos SIS de intercâmbio
eletrônico para a troca de dados com fornecedores para gestão de estoque via intranet;
• cadeias de valor: podem ser utilizadas para posicionar estrategicamente as aplicações que se
apoiam em internet de uma organização para ganhar ou manter uma vantagem competitiva.

Conhecimento da
Pessoal de solução
apoio

Engenheiros de Cliente
desenvolvimento

Intranet
A internet

Gerentes de Vendedores
produto

Figura 3 – Componentes de um sistema de informação

Esse modelo de cadeia de valor define diversas formas pelas quais as conexões de internet de
uma empresa com seus clientes podem propiciar vantagens e oportunidades empresariais para criar e
manter vantagem competitiva. Por exemplo, grupos de notícias controlados pela companhia na internet
(newsletter), salas de bate-papo e web site de e-commerce são ferramentas potentes para pesquisa de
mercado e desenvolvimento de produtos, vendas diretas e para apoio e feedback ao cliente.

As conexões de internet de uma companhia podem ser utilizadas para criar e manter a vantagem
competitiva. Exemplo: leilões e compras on-line em web sites de e-commerce de fornecedores e
informação on-line sobre a situação da programação e do embarque de empresa aérea num portal de
e-commerce que dá acesso imediato aos funcionários e clientes. Isso pode reduzir substancialmente os
custos, os tempos de espera e melhorar a qualidade de produtos e serviços.

Conhecer o conceito de cadeia de valor pode ajudar o gestor a decidir como e em que aplicar as
potencialidades estratégicas da Tecnologia da Informação, que, nesses casos, é uma ferramenta ou
fator crítico para o sucesso do negócio. A cadeia de valor mostra os diversos tipos de tecnologias da
informação que poderiam ser aplicados a processos de negócios específicos para ajudar uma empresa a
obter vantagens competitivas no mercado.

17
Unidade I

Para as tecnologias de internet serem utilizadas estrategicamente, as aplicações ou sistemas


aplicativos devem ser corretamente posicionados. A matriz de posicionamento estratégico, que pode
ser utilizada para ajudar uma companhia a otimizar a influência estratégica das tecnologias de internet
para fortalecer o negócio, reconhece duas determinantes fundamentais:

• internas: ampla conectividade disponível, a colaboração e o uso de Tecnologia da Informação


dentro de uma empresa;
• externas: ampla conectividade disponível, a colaboração e o uso de Tecnologia da Informação
por clientes, fornecedores, parceiros empresariais e concorrentes.

1.2.1 Melhorias de custo e eficiência da empresa

Quando há pouca conectividade, colaboração e utilização de tecnologia da informação, deve-se


reconhecer a dificuldade que se impõe à redução dos custos da companhia, assim como à ampliação das
comunicações com seus clientes e fornecedores.

Havendo alta conectividade interna, mas pouca ou nenhuma conectividade com clientes e
fornecedores, a empresa deve, portanto, concentrar-se no desenvolvimento e emprego de tecnologias
da internet (intranets e extranets), além de ferramentas de colaboração (software colaborativo) para
equipar melhor seus funcionários, visando a aumentar a eficiência de seu trabalho e ampliar seus
negócios tanto no mercado atual quanto naquele potencial que a web proporciona.

1.2.2 Transformação de produtos e serviços para o sucesso na manutenção e prospecção de


mercados

Quando uma empresa e seus clientes, fornecedores e concorrentes são amplamente conectados,
as tecnologias de internet (aplicações web) devem ser utilizadas para desenvolver e utilizar produtos
e serviços que reposicionem estrategicamente a companhia no mercado atual, mas também que lhe
permita prospectar novos mercados.

Outra estratégia-chave para tornar-se um e-business bem-sucedido é maximizar o valor para o


cliente, oferecendo alguma vantagem competitiva: menor preço, menor prazo de entrega, maior
qualidade ou maior garantia e assistência técnica. Uma estrutura de e-business criada pela empresa
para focar o seu público-alvo é aquela que utiliza as tecnologias de internet para fidelizar o cliente,
antecipando suas necessidades, reagindo às suas preocupações e oferecendo um atendimento de alta
qualidade.

Tecnologias como as utilizadas nos web sites de intranets (da internet e da extranet) criam novos
canais para comunicações interativas entre uma companhia e seus clientes, fornecedores, parceiros de
negócios e outros agentes do ambiente externo. Daí o encorajamento à colaboração interfuncional
com clientes em desenvolvimento de produto, marketing, entrega, atendimento e suporte técnico. A
empresa que monta uma estrutura de e-business bem-sucedida, focalizada no cliente, tenta “controlar”
a experiência total que a sua clientela, o que pode acontecer por meio de abordagens como:

18
Tecnologias da Informação

• permitir ao cliente fazer pedidos diretamente no seu web site e por meio de parceiros de
distribuição;
• construir de um banco de dados que capta as preferências e a capacidade de compra dos clientes,
permitindo aos funcionários terem uma visão completa de cada cliente. Isso é a base de um
Customer Relationship Management (CRM).

Uma das mais importantes estratégias competitivas da atualidade é a reengenharia de processos de


negócios BPR (Business Process Reengineering). São melhorias que visam a uma aproximação da gerência
por meio do aumento da eficiência e da eficácia dos processos que existem dentro das organizações.
Trata-se de um reexame fundamental e um redesenho completo de processos de negócios, para alcançar
melhorias dramáticas no custo, na qualidade, na velocidade e no atendimento. Esse processo de
reengenharia, BPR, promove a inovação empresarial estratégica visando a melhorias nos procedimentos
empresariais, de forma que uma empresa possa tornar-se uma concorrente muito mais forte, de maior
sucesso e mais competitiva no mercado.

Uma tendência importante nessa área é conhecida por Gestão da Qualidade Total, ou TQM (Total
Quality Management), que enfatiza a melhoria da qualidade focada nas exigências e nas expectativas
do cliente de produtos e serviços. Isso pode envolver muitas características e atributos, tais como o
desempenho, a confiabilidade, a durabilidade, a pronta entrega, a ampla rede de assistência técnica etc.

A TQM utiliza diversas ferramentas e métodos para propiciar esse diferencial:

• qualidade dos produtos ou serviços, que os tornam mais atraentes;


• prazos mais curtos e menos variáveis entre o projeto, a produção e a distribuição;
• maior flexibilidade para atender as exigências e os hábitos do cliente;
• custos menores por meio da redução de retrabalho e eliminação de desperdício.

Agilidade no desempenho competitivo para reagir diante da concorrência é a capacidade de uma


empresa de prosperar em mercados mundiais em rápida transformação, o que aumenta seu desempenho
configurado para conquistar o cliente. Uma empresa ágil depende, em grande medida, da Tecnologia
da Informação, para controlar processos empresariais. Quatro estratégias são fundamentais para isso:

• recompensar os clientes: empresas ágeis recompensam os clientes com soluções aos seus
problemas ou necessidades. Produtos ou serviços de valor agregado são preferidos quando
solucionam problemas com base nas necessidades do cliente;
• cooperar: empresas ágeis cooperam para ampliar a competitividade, formando, às vezes, aquilo que
se conhece como cluster. Isso significa cooperação interna e, quando necessário, cooperação com
concorrentes (nesses casos, parceiros) a fim de trazer produtos e serviços mais rapidamente ao mercado;
• organizar: empresas ágeis organizam-se para controlar ou antecipar possíveis mudanças e
incertezas. Este é um componente-chave que eventuais concorrentes ágeis utilizam para fornecer
respostas rápidas ou alterar condições desfavoráveis;
19
Unidade I

• alavancagem pessoal e informação: empresas ágeis utilizam a capacidade de pessoas e informações


estimulando um espírito empreendedor e oferecendo incentivos aos funcionários para exercerem
a responsabilidade, a adaptabilidade e a inovação.

O modelo empresarial Grátis.Perfeito.Agora, desenvolvido pela Avnet Marshall, ilustra esses princípios
num modelo sucinto para atender seus clientes de forma mais ágil e responsável:

• dimensão grátis: enfatiza que a maioria dos clientes deseja o menor custo por valor recebido, mas
estão dispostos a pagar mais por um serviço de valor agregado;
• dimensão perfeita: enfatiza que produtos e serviços devem, além de ser livres de defeitos,
possuir alta qualidade e personalização, com características adicionadas, antecipando eventuais
necessidades do cliente;
• dimensão agora: enfatiza que os clientes desejam acesso em tempo total a produtos e serviços,
prazos curtos de entrega e conhecimento do prazo de vida dos produtos oferecidos.

Segundo O´Brien (2007),

Uma Empresa Virtual (também conhecida como corporação virtual ou


organização virtual) é uma organização que utiliza Tecnologia da Informação
– hardware, software e telecomunicações – para conectar pessoas, recursos
e ideias. Pessoas e sociedades jurídicas estão constituindo empresas virtuais
a fim de tirar vantagem de oportunidades estratégicas que podem não
existir dentro de uma empresa convencional. Fazendo alianças estratégicas
com outras empresas e formando rapidamente uma empresa virtual com
parceiros de primeira linha, a empresa virtual está mais bem aparelhada
para reunir os componentes necessários para fornecer uma solução de
classe mundial para os clientes e abraçar oportunidades no mercado global
(O’BRIEN, 2007, p. 31).

Para obter e manter sucesso, a empresa virtual deve possuir seis características:

1. adaptabilidade: ser capaz de se adaptar a um ambiente empresarial variado e em rápida mudança;


2. oportunismo: criada, operada e dissolvida para explorar oportunidades de negócios que aparecem
e desaparecem. Precisa acessar novos mercados e compartilhar o mercado ou da lealdade do
cliente, enquanto amplia as instalações e a cobertura do mercado;
3. excelência: precisa desenvolver excelência e, se possível, reconhecimento mundial se desejar
conquistar esse mercado. Obviamente, é indispensável conectar-se de forma consistente por meio
de tecnologias de internet;
4. tecnologia: se utiliza de Tecnologia da Informação e outras tecnologias necessárias para oferecer
todas as soluções aos clientes, a empresa deve oferecer mais do que produtos ou serviços, deve
proporcionar o conceito de soluções completas;

20
Tecnologias da Informação

5. sem fronteiras: deve congregar todas as competências e recursos de parceiros empresariais em


soluções integradas para atender o cliente;
6. baseada na confiança: deve ter o conceito de parceira e, por isso, ser leais e demonstrar confiança
mútua em seus relacionamentos de negócios. Ela precisa mostrar disposição de compartilhar
infraestruturas e riscos.

A Gestão do Conhecimento vem se tornando um dos principais usos estratégicos da Tecnologia


da Informação. Sistemas de Gestão do Conhecimento (Knowledge Management System – KMS) são
utilizados para administrar a aprendizagem organizacional e o know-how da empresa. São sistemas de
TI que apoiam a gestão organizacional, que procuram dar uma perspectiva transversal do processo de
gestão da organização.

O objetivo é ajudar os trabalhadores do conhecimento a criarem, organizarem e tornarem disponíveis


conhecimentos importantes de negócios sempre e onde for necessário, isto é, todos os funcionários
passam a ter conhecimento dos procedimentos da organização, assim como da disseminação do
know-how empresarial imprescindível no desenvolvimento de um novo produto. A amplitude desses
conhecimentos pode englobar o conhecimento explícito, como trabalhos de referência, fórmulas
e processos ou o conhecimento tácito, como as “melhores práticas” e demais recursos internos que
formam os fatores críticos de sucesso.

As tecnologias da internet e de intranet, juntamente com outras tecnologias, como o software


colaborativo (groupware), ou a mineração de dados (data mining) e os grupos de discussão on-line
são utilizados pelos sistemas de gestão do conhecimento para coletar, editar, avaliar e disseminar
conhecimento dentro da organização.

Observação

Groupware: software que apoia o trabalho em grupo, coletivamente.


Trata-se de um sistema que auxilia grupos de pessoas envolvidas em tarefas
comuns e que provê interface para um ambiente compartilhado.

Data mining: pelo uso de algoritmos de aprendizagem ou classificação


baseados em redes neurais e estatística são capazes de explorar um conjunto
de dados, extraindo ou ajudando a evidenciar padrões e auxiliando na
descoberta de conhecimento.

Os sistemas de gestão do conhecimento podem criar ciclos de aprendizagem organizacionais,


também chamados de laços de aprendizagem adaptativa, que permitem construir e integrar o
conhecimento em processos, produtos e serviços empresariais. Com isso, a empresa pode se tornar
uma fornecedora de bens e serviços inovadores que a ajudarão a criar ou manter sua vantagem
competitiva.

21
Unidade I

2 Conceitos e componentes de hardware

Geralmente, os equipamentos conhecidos como computadores são classificados em


microcomputadores, computadores de médio porte e mainframes. Com altos investimentos em pesquisa,
melhorias na tecnologia os microcomputadores tornam-se mais potentes do que nunca e tanto os de
médio porte como os mainframes possuem versões muito ou pouco sofisticadas.

Um sistema de computador é uma combinação de componentes inter-relacionados (hardware e


software), que desempenham funções especializadas para propiciar aos usuários finais uma potente
ferramenta de processamento de informações. Em complemento ao hardware, o software é a parte
lógica, ou seja, o conjunto de instruções e dados processados pelos circuitos eletrônicos do hardware.

Dentro desses parâmetros, pode-se aceitar com generalização os seguintes tipos:

• microcomputadores: são os menores equipamentos de computador, variando em tamanho


desde os assistentes digitais pessoais (Personal Digital Assistants – PDAs ou handhelds – ou
Assistente Pessoal Digital), de bolso, até os notebooks (antigamente conhecidos como laptops) e
os computadores pessoais de mesa (desktop). Podem ser utilizados para aplicações de um único
usuário (monousuário) ou em rede, conectados a servidores de redes locais ou remotas com a
ajuda das telecomunicações;
• médio porte: equipamentos de médio porte ou minicomputadores são maiores e mais potentes
que a maioria dos microcomputadores, mas menores e menos potentes que a maioria dos grandes
mainframes. São destinados especialmente para tarefas especializadas nas quais emprega-se
poder de computação a uma função específica localizada dentro de um departamento – cálculos
de engenharia ou processamento estatístico. Muitas organizações de pequeno e médio porte
utilizam esses computadores para todas as suas operações, particularmente como servidores de
rede de microcomputadores;
• mainframe: é um computador de grande porte, dedicado normalmente ao processamento de um
volume grande de informações. Os mainframes são capazes de oferecer serviços de processamento
a milhares de usuários por meio de milhares de terminais conectados diretamente ou por intermédio
de uma rede. O termo mainframe se refere ao gabinete principal que alojava a unidade central
de processamento nos primeiros computadores. Por possuírem a memória principal (RAM) muito
potente, podem processar informação muito rapidamente (de 10 a 200 milhões de instruções por
segundo – MIPS).

Os computadores sofreram uma rápida e grande evolução desde o início de sua utilização. São
comumente classificados em gerações:

• primeira geração (1951-1958): utilizavam centenas e até milhares de válvulas eletrônicas para seu
processamento e circuito de memória. Esses computadores alcançavam o tamanho de uma sala e
geravam tanto calor que demandavam grandes aparelhos de ar condicionado e apoio de manutenção;
• segunda geração (1959-1963): utilizavam transistores e dispositivos semicondutores de estado
sólido conectados em placas de circuito impresso. Núcleos magnéticos eram utilizados para a

22
Tecnologias da Informação

memória principal, e, para armazenamento secundário, eram utilizados discos magnéticos


removíveis e fitas magnéticas;
• terceira geração (1964-1979): passaram a utilizar circuitos integrados formados por milhares de
transistores em circuitos impressos em chips minúsculos de silício, possibilitando um aumento da
memória e das velocidades de processamento de vários milhões de instruções por segundo (MIPS);
• quarta geração (de 1979 até o presente): utilizam microprocessadores de grande escala (Large
Scale Integration – LSI – Integração em Larga Escala) e de escala muito grande (Very Large Scale
Integration – VLSI – Integração em muito Larga Escala), que possuem centenas de milhares ou
milhões de transistores e outros elementos de circuitos em cada chip;
• quinta geração: a próxima geração de computadores deve manter a tendência rumo a mais
potência, mais velocidade, menor tamanho e maior vida útil, com aplicações que exigirão cada
vez mais processamento como processos de inteligência artificial. Podem vir a utilizar circuitos
supercondutores ou outras tecnologias em desenvolvimento para processar e armazenar
informações vencendo a barreira do superaquecimento do processador.

Um sistema de computador é uma combinação de componentes inter-relacionados (hardware +


software) que desempenham as funções básicas do sistema para proporcionar aos usuários finais uma
poderosa ferramenta de processamento de informações.

Lembrete

Hardware (Hw) é toda parte tangível do computador, formado por CPU,


placas, dispositivos eletrônicos e também seus periféricos.

A CPU ou UCP (Unidade Central de Processamento) é a parte principal do computador, o processador


em que ocorre o processamento eletrônico dos dados e sua transformação em informação, componente
principal que está afixado à placa‑mãe do computador e determina o processamento de um sistema
de computador. Um componente-chave da CPU é a unidade lógico-aritmética (ALU), que executa as
funções aritméticas lógicas necessárias ao processamento do computador, a capacidade e o volume
de processamento. A unidade de controle da CPU/UCP interpreta as instruções de programas para o
computador e transmite ordens aos outros componentes do sistema.

2.1 Periféricos

Para seu funcionamento, a CPU depende dos periféricos, que são classificados como: de entrada, de
saída e de entrada e saída, que veremos em seguida.

2.1.1 Periféricos de entrada

Os dispositivos de entrada de um sistema de computador incluem teclados, telas sensíveis ao toque,


canetas, mouses, scanners óticos e outros componentes conhecidos como periféricos de hardware,

23
Unidade I

que convertem dados eletrônicos em formato eletrônico legível pela máquina. A entrada pode ser
direta (manual, pelo usuário final) ou automática (por meio de ligações a redes de telecomunicações).

Alguns dos meios e dispositivos mais comuns utilizados para realizar a entrada de dados são exemplos
de periféricos de entrada, como segue:

• teclados: são os dispositivos mais comuns utilizados para a entrada de dados e de texto;
• dispositivos apontadores: também são largamente utilizados com sistemas operacionais que
possuem uma interface gráfica de comunicação com o usuário. Incluem os seguintes dispositivos:
— mouse;
— trackball;
— pino de indicação: um dispositivo semelhante a um botão no centro da fileira acima do teclado
em alguns PCs notebook;

• o painel sensível ao toque: superfície sensibilizada pela pressão do toque, geralmente abaixo do
teclado, é encontrado em PCs notebook;
• telas sensíveis ao toque: dispositivos que permitem utilizar um computador (entrada de dados)
tocando a superfície de sua tela de vídeo;
• dispositivos de computação baseados em caneta: são utilizados em muitos computadores
de bolso ou PDA e handheld. Esses computadores utilizam um software especial para
reconhecer e digitalizar letras escritas à mão e desenhos dentro de um padrão reconhecido
por esse software;
• sistemas de reconhecimento de voz: por meio de hardware específico e software, digitalizam,
analisam e classificam sua voz e seus padrões sonoros. As palavras reconhecidas são transferidas
para seu hardware e software aplicativo;
• escaneamento ótico: são dispositivos que leem textos, imagens ou gráficos e os convertem em
entrada digital. Há diversos tipos de dispositivos de escaneamento ótico:
— scanners de mesa: utilizados com PCs para capturar a imagem de documentos ou formulários;
— reconhecimento de caracteres óticos (OCR): captura os dados e converte em caracteres de OCR
especiais, que podem ser tratados por processadores de texto;

• Reconhecimento de Caracteres de Tinta Magnética (MICR): empregado pelo setor bancário


para ler e validar a linha magnética de dados de cheques. Leitora de tarja magnética que lê os
dados de identificação do banco e do cliente escritos na parte inferior do cheque;
• faixa magnética: leitora magnética de cartões que lê a tarja magnética que contém até 200
bytes de dados;
• cartões inteligentes: possuem internamente um chip de microprocessador com vários kilobytes
de memória em substituição à tarja magnética;
24
Tecnologias da Informação

• máquinas fotográficas digitais: permitem a captura e o armazenamento de fotografias ou de


vídeos (imagens + voz) com movimento em forma digital, executando, dessa forma, uma função
de filmadora.

2.1.2 Periféricos de saída

Utilizadas somente para a saída das informações, esses dispositivos recebem a informação eletrônica
produzida pelo sistema de computador (informação binária ou digital – bits) em forma inteligível pelo
homem para apresentação aos usuários finais. Os dispositivos de saída incluem monitores de vídeo,
impressoras, unidades de resposta de áudio e outros componentes periféricos de hardware para essa função.

As imagens disponibilizadas em monitores de vídeo podem servir como entrada e também como saída.
Sinais de TV ou fotografias podem ser digitalizadas, gravadas e utilizadas pelo computador. Monitores de
vídeo formam a interface mais comum de saída do computador. De forma geral, são assim encontrados:

• tubo de raios catódicos (CRT): são os monitores de vídeo que utilizam uma tecnologia similar
aos tubos de imagem utilizadas em televisores domésticos;
• monitores de cristal líquido (LCDs): utilizam a mesma tecnologia empregada em calculadoras
eletrônicas e relógios digitais. Os LCDs podem ser de pequeno tamanho e consomem pouca
corrente elétrica para funcionar, o que os torna ideais para dispositivos portáteis;
• monitores de luz eterna de diodo (LKEDs): utilizam a tecnologia de emissores de diodo, tendo
como vantagens o reduzidíssimo tamanho, durabilidade, baixo consumo (menor que LCD), pois
consomem menos corrente elétrica, peso reduzido e extremamente finos.
• monitores de plasma: são gerados quando partículas eletricamente carregadas de gás são
fechadas nas placas de vidro. Esses monitores produzem imagens de qualidade muito alta em
telas planas com mais rapidez que os LCDs. Embora mais caros que monitores de CRT e LCD, são
preferidos nas estações de trabalho; para aplicações, requerem saídas de resolução de vídeo muito
alta, como vídeos em movimento e trabalhos profissionais.

A saída impressa em papel, assim como os monitores de vídeo, ainda é a forma mais comum de saída:

• impressoras a jato de tinta: injetam tinta sobre uma linha de cada vez (deskjet);
• impressoras a laser: utilizam um processo eletrostático (fusor) semelhante ao de uma máquina
fotocopiadora para produzir muitas páginas por minuto de saída de alta qualidade (laser print);
• impressoras a cera por sublimação: utilizam cera aquecida e dispersada sobre a superfície de impressão
ou suporte de impressão, formando imagens e letras com qualidade superior e altíssimo brilho, com boa
performance de impressão, mas ainda a um custo mais elevado, compensado devido à qualidade.

2.1.3 Periféricos de entrada e saída

Utilizadas para a entrada e saída das informações, como monitor toque de tela, multifuncionais,
unidades de disco, gravadores de CDs e DVDs, placas de rede, placas de modem, fax etc. Para o
25
Unidade I

funcionamento e armazenamento das informações no sistema computacional, utilizamos as memórias


explicadas a seguir.

O armazenamento é a atividade de informação na qual os dados e as informações são guardados


de forma organizada para uso posterior nos dispositivos armazenam dados e instruções de programas
necessários ao processamento. O armazenamento primário de um computador, ou memória, é utilizado
para manter informações chave necessárias ao funcionamento do computador (memória somente de
leitura – ROM), enquanto os armazenamentos secundários (como discos magnéticos e unidades de fita)
conservam partes maiores de programas utilizados menos frequentemente e os conteúdos de arquivos
criados pelos usuários finais.

Para propósitos de armazenamento, os dados são geralmente organizados nas seguintes categorias:

• campo: é um conjunto de caracteres que representam uma característica de uma pessoa, lugar,
coisa ou evento. Um endereço residencial constitui um campo;
• registro: é uma coleção de campos inter-relacionados sobre determinado assunto. Por exemplo,
um registro de pedido de venda para certo cliente geralmente contém vários campos, como o seu
nome, número, produto, valor etc.;
• arquivo: é uma coleção de registros inter-relacionados sobre um assunto específico. Por exemplo,
um arquivo de itens em estoques de produtos poderia conter todos os registros de todos os
produtos comercializados pela empresa.

2.2 Memórias

Parte integrante do sistema computacional, com classificação à parte devido a sua importância e a
sua utilização, as unidades e dispositivos de memória determinam a capacidade de armazenamento e
uso dos dados. São elas: Memória ROM, Memória RAM, Memória auxiliar ou massa e Memória cache.

• Memória semicondutora: o armazenamento primário de seu computador é composto por chips


microeletrônicos de memória especializada, como a cache de memória externa e a memória flash.
Há dois tipos de memória:
• Memória ROM (Read Only Memory): memória apenas de leitura, não volátil que é utilizada para
armazenamento permanente dos dados e geralmente gravada pelo fabricante do equipamento
que a suporta;

— pré-gravada com instruções de pré-ignição do computador (boot);


— é um chip de BIOS com programa escrito pelo fabricante do micro.

• Memória RAM (Random Access Memory): memória de acesso aleatório, volátil que pode ser
detectada (lida), alterada (gravada) e regravada;
— formada por buzilhões de bytes, delimita o tamanho da máquina;

26
Tecnologias da Informação

— determina quantos programas você pode executar ao mesmo tempo; devido ao seu espaço,
quanto maior, mais rápido e mais programas abertos simultaneamente.

• Memória cache: também chamada de sombreamento:


— múltiplos de 256 k aceleram comandos;
— utilizada para guardar os endereços e comandos de memória para execução imediata, evitando
segunda ou outras leituras para endereçamento de dados (sombreamento), tornando mais
rápido o acesso a disco e troca de informações.

• Memória massa: também chamada de auxiliar (HD):


— grande capacidade de armazenamento;
— determina quantos programas, arquivos e dados podem ser armazenados.

2.2.1 Disco magnético

A forma mais comum de armazenamento secundário são discos metálicos ou plásticos revestidos
com um composto de óxido de ferro para gravação magnetizada. Os dados são registrados nas trilhas na
forma de pontos magnetizados para formar dígitos binários. Cabeças de leitura/gravação eletromagnética,
posicionadas por braços de acesso eletromecânico são utilizadas para ler e gravar dados. As duas formas
mais comuns de discos magnéticos são os discos flexíveis (3,5”) e os discos rígidos (HDs);

• Grupamento de Discos Rígidos Independentes (RAID): são arranjos de disco de unidades de disco
rígido (HDs) interconectadas para propiciar muitos gigabytes (ou terabytes) de armazenamento
de dados, geralmente em servidores ou host (mainframe);
• fita magnética: armazenamento secundário de acesso sequencial que utiliza cabeças de leitura/
gravação dentro de unidades de fita magnética para ler e gravar dados na forma de pontos
magnetizados sobre a camada de óxido de ferro sobre uma fita plástica resistente. As leitoras de
fita são dispositivos de fita magnética que incluem carretéis de fita e cartuchos em mainframes
e em sistemas de médio porte, pequenos cassetes ou cartuchos para PCs. Fita magnética é
frequentemente utilizada para armazenamento de acervos de longo prazo e armazenamento de
reserva comumente utilizada como backup;
• armazenamento em disco ótico: é um meio de armazenamento bastante aceito para
processamento de imagem, que registra dados por meio de um laser para queimar trilhas
microscópicas num disco plástico e lê os dados utilizando um laser para ler os códigos binários
formados por aquelas trilhas. Há vários tipos diferentes de discos óticos:
— disco compacto de memória apenas de leitura (CD-ROM): cada disco pode armazenar 700 MB
ou mais, dependendo do sistema de compactação;
— disco compacto gravável (CD-R): permite aos usuários gravarem uma única vez os dados e
lê‑los indefinidamente;

27
Unidade I

— disco compacto regravável (CD-RW): permite aos usuários gravarem e apagarem (regravando)
os dados indefinidamente;
— disco de vídeo digital (DVD): cada disco pode armazenar até 8,5 GB de dados em cada um de seus
lados. Igualmente também pode possuir as mesmas características de gravação e leitura dos CDs.

Discos magnéticos são formas mais comuns de armazenamento secundário de dados para os diversos
sistemas de computador. Os discos magnéticos são discos finos de metal ou de plástico revestidos em
ambos os lados por uma fina camada de gravação de óxido de ferro.

Os cabeçotes eletromagnéticos de leitura/gravação são posicionados por braços mecânicos de


acesso entre os discos ligeiramente separados para ler e gravar dados em trilhas circulares concêntricas
(os endereços são únicos para cada elemento de dados – o endereço de cada registro está na chamada
trilha 0 – mais ao centro do disco). As formas mais comuns de discos magnéticos são:

• Disquetes: também chamados de discos/disquetes magnéticos, consistem em discos de filme de


poliéster, cobertos por camada de óxido de ferro magnetizável. Os disquetes são extremamente
portáteis; um disco de 3,5 polegadas cabe num bolso de camisa e pode armazenar de 720 KB até
2,88 MB, sendo mais comum 1,44 MB;

• Unidades de disco rígido: (hard disk – HD) reúne vários discos magnéticos, braços de acesso e
cabeçotes de leitura/gravação em um módulo lacrado. Isso permite velocidades mais altas, maiores
densidades de gravação de dados e aproveitamento do espaço dentro de um ambiente lacrado e
mais estável;
• Redundant Array of Independent Drives ou Redundant Array of Inexpensive Drives (RAID): conjunto
redundante de discos econômicos, é um meio de se criar um subsistema de armazenamento composto
por vários discos individuais, com a finalidade de ganhar segurança e desempenho. Significa arranjos
redundantes de discos independentes. Reúnem-se de seis a mais de cem pequenas unidades de
discos rígidos e seus microprocessadores em uma única unidade. As unidades RAID fornecem grandes
capacidades com alta velocidade de acesso feito por caminhos múltiplos paralelos em muitos discos.
Também são tolerantes a erro, pois existe mais de uma cópia dos dados – redundância.

Alto custo
Alta velocidade
Registra-
dores
Baixa capacidade
Memória cache

Memória principal

Disco rígido, HD, CD Baixo custo


Fita magnética, Pen-drives Baixa velocidade
Memória de massa ou secundária Alta capacidade de
armazenamento

Figura 4 – Hierarquia de memória de quatro níveis

28
Tecnologias da Informação

Dados e informações devem ser armazenados e guardados até serem necessários, por meio de
diversos métodos de armazenamento. Por exemplo, muitas pessoas e organizações ainda dependem de
documentos de papel guardados em arquivos, utilizados como a principal mídia de armazenamento;
às vezes, são exigências legais. Porém, a tendência é depender mais dos circuitos de memória e de
dispositivos de armazenamento secundários dos sistemas de computador para atender as necessidades
de armazenamento. Tome como exemplo as principais tendências nos métodos de armazenamento
primários e secundários. O progresso na integração de escala muito grande (VLSI), que insere milhões
de elementos de circuito de memória em minúsculos chips de memória semicondutora, é responsável
pelos contínuos aumentos na capacidade da memória principal dos computadores. Espera-se que as
capacidades de armazenamento secundário ascendam aos bilhões e trilhões de caracteres, devido,
principalmente, ao uso de mídias ópticas (gigabytes e terabytes).

Dados e informações precisam ser guardados temporariamente após sua entrada, durante o
processamento e antes da saída. O meio de armazenamento de alta velocidade ainda é o sistema mais
caro e proporciona menor capacidade total – são as memórias RAM e flash. Inversamente, o meio de
armazenamento maior custa menos, mas é mais lento devido ao acionamento eletromecânico (HD ou
disco rígido). Os meios de armazenamento também se distinguem pela forma como são acessados pelo
computador:

• acesso direto: meios de armazenamento primário, como os chips semicondutores de memória


(RAM) e os dispositivos de armazenamento secundários, como os discos magnéticos (HDs)
e os discos óticos, têm acesso direto. Isso significa que qualquer elemento de dados pode ser
armazenado diretamente e recuperado pela CPU, selecionando e utilizando quaisquer dos locais
dos meios de armazenamento. Cada local é único e disponível na CPU, independentemente de
outros elementos armazenados, visto que recebem um endereço lógico que indica a localização
física do equipamento (A, B, C, D etc.);
• acesso sequencial: os meios de armazenamento de acesso sequencial, como as fitas magnéticas,
não permitem localização direta de um registro ou dado, por conta do sistema de armazenamento.
Por isso, os dados são armazenados e recuperados por meio de um processo sequencial ou serial,
e a localização de um item individual dos dados exige a busca por sequência, iniciando-se sempre
pelo primeiro registro e passando por todos os elementos de dados que o antecedem.

Os microcomputadores, atualmente, formam a categoria mais importante de sistemas de


computador para todos os usuários finais, e passam a ser vistos como mais um eletrodoméstico. O
poder de computação dos microcomputadores excede agora o dos mainframes das gerações anteriores,
por uma fração do custo desses computadores e do tamanho extremamente reduzido. Dessa forma,
tornaram-se poderosas estações de trabalho interconectadas para os usuários finais nas empresas para
desenvolverem projetos e trabalhos colaborativos.

Quanto à característica de utilização, os computadores sofreram uma adaptação conforme a sua utilização:

• Assistente Pessoal Digital: (PDA) é um dispositivo microcomputador de bolso que permite


controlar informações como compromissos, relações de problemas e contatos de vendas, enviar

29
Unidade I

e receber e-mail, ter acesso a web e trocar informações com seus PCs de escritório ou servidores
de rede;
• instrumentos de informação: são pequenos dispositivos microcomputadores habilitados para a web,
com funções especializadas, como os pedais portáteis, aparelhos de TV, consoles de video games, telefones
celulares e PCs e outros instrumentos ligados ao telefone com fio que podem ter acesso a web;
• notebook: um computador projetado para quem quer um pequeno PC portátil para suas atividades
de trabalho e com pequenas espessuras são os ultrabooks;
• desktop AT e ATX ou computador de mesa: um computador projetado para instalação em uma
escrivaninha de escritório;
• estação de trabalho: um sistema de computador projetado para apoiar o trabalho de uma
pessoa, possuindo grande potência para apoiar o trabalho de profissionais de engenharia, ciências
e outras áreas que requerem grande poder de computação e capacidades gráficas;
• servidores de rede: esses potentes microcomputadores são utilizados para coordenação de
telecomunicações e compartilhamento de recursos em redes de área local (LANs) e sites de
internet e intranet;
• computadores de rede: Network of Computer (NC) constituem uma categoria de microcomputador
destinada basicamente ao uso com internet e intranets por funcionários administrativos,
funcionários operacionais e trabalhadores do conhecimento. Os NCs são microcomputadores de
baixo custo, lacrados e conectados à rede com pouca ou nenhuma capacidade de armazenamento
em disco. Como resultado, dependem de servidores de internet e de intranets para seu sistema
operacional e navegador de rede, para software de aplicações em Java e para acesso a dados e
armazenamento. Dentre as vantagens do NC, temos:
— menor custo de compra;
— manutenção mais fácil;
— licenciamento e distribuição de software mais fácil;
— padronização da plataforma do computador;
— reduzida demanda de suporte ao usuário final;
— maneabilidade aperfeiçoada.

Há vários tipos de computadores de rede:

• TCs ou clientes magros (thin clients): esses dispositivos geralmente não possuem disco rígido
(diskless). Dependem que servidores de rede lhes deem acesso a um sistema operacional e a
softwares aplicativos. Geralmente utilizam um navegador de rede e são capazes de processar
software em Java, Linux ou Windows CE;
• NetPC: esses dispositivos funcionam como um PC com seu próprio software. Podem possuir um
disco rígido, mas não possuem drive para disco flexível ou para CD-ROM. O sistema operacional e
as aplicações são controlados de forma centralizada por servidores de rede;
30
Tecnologias da Informação

• terminais de rede: como todos os terminais, esses dispositivos dependem de um processador


anfitrião (servidor) para realizar o processamento. Por esse motivo, não possuem disco de
armazenamento. Geralmente utilizam versões para múltiplos usuários do Windows 2000, Linux
ou Unix como sistema operacional.

Está em andamento uma importante tendência rumo ao aumento da utilização de tecnologias de


entrada que propiciam uma interface mais natural e amigável com o usuário. Atualmente, pode-se
entrar dados e comandos direta e facilmente em um sistema de computador por meio de dispositivos
apontadores como mouses, painéis sensíveis ao toque e outras tecnologias como o escaneamento ótico,
reconhecimento de grafia e reconhecimento de voz (biometria – dispositivos que identificam o ser
humano por meio de algumas características do seu corpo).

Esses avanços tornaram desnecessário registrar sempre os dados que, teoricamente, são de uso
exclusivo de cada usuário (login e senha) ou identificação de clientes, funcionários que fazem uso da
entrada de dados para se identificar.

Alguns dos meios e dispositivos mais comuns utilizados para realizar a entrada de dados utilizados
também em tecnologia assistiva são:

• teclados: são os dispositivos mais comuns utilizados para a entrada de dados e de texto;
• dispositivos apontadores: também são largamente utilizados com sistemas operacionais que
possuem uma interface gráfica de comunicação com o usuário. Incluem os seguintes dispositivos,
com características especiais que permitem a identificação biométrica do usuário e assim permitir
o acesso ao equipamento, aos sistemas e aos softwares instalados, bem como a internet:

— mouse;
— TrackBall;
— microfones para a captação de sons para deficientes visuais.

Há outras tecnologias de saída mais “amigáveis”, como os sistemas de resposta de voz e a saída
multimídia, cada vez mais encontradas junto com os monitores de vídeo em aplicações empresariais.
Por exemplo, equipamentos de multimídia com a saída de voz e áudio gerados por microprocessadores
de áudio e voz em muitos produtos de consumo. O software de mensagem de voz possibilita que PCs e
servidores em sistemas de mensagens e de correio de voz interajam por meio de respostas de voz, algo
que vem crescendo nos sites da internet e nas intranets de empresas para facilitar reuniões por meio de
videoconferência.

2.3 Hardware de rede

São os dispositivos para montagem de redes e transmissão dos sinais, formados pelas placas de rede,
meios de transmissão (cabos), modem, hub, switch e roteadores. Escolhido o tipo de rede (com fio ou
sem fio) para sua residência, você precisará de alguns itens de hardware de rede básico.

31
Unidade I

• Roteador: é considerado o coração da rede residencial e é o dispositivo que roteia todo o tráfego
para e da internet para os vários computadores da sua rede. Permite que você compartilhe arquivos
e impressoras e fornece uma camada básica de segurança contra ameaças da internet.
• Conexão de internet de alta velocidade (DSL ou cabo): você pode contratar o serviço de
internet de alta velocidade (comumente também citada como banda larga) da companhia
telefônica local (para DSL), da empresa de comunicação via satélite ou por cabo. Ambos os tipos
de conexão são consideravelmente mais rápidos do que o acesso discado.
• Modem: conecta o serviço de internet ao computador para que você possa navegar e acessar
seus e-mails. Dependendo do tipo de serviço de banda larga, será preciso comprar ou alugar um
modem a cabo ou DSL. Você poderá também comprar um modem na loja de artigos eletrônicos.
Um roteador de gateway é uma solução integrada que combina as funções de roteador e de
modem a cabo ou DSL para que não sejam necessários dois dispositivos separados.
• Adaptador de rede: permite que seus computadores se conectem à rede. Se você já possuir um
adaptador sem fio ou de rede pré-instalado no computador, talvez não precise comprar outro. Há
diferentes tipos de adaptadores disponíveis, dependendo do seu computador.

Veremos detalhadamente cada item:

2.3.1 Placas de rede

A placa de rede é o componente responsável pelo meio de comunicação dos equipamentos


interligados (entenda-se as CPUs conectadas), tem a função de estabelecer a comunicação, verificar
a integridade do sinal de dados enviados e recebidos e a eventual correção dos erros. A escolha desse
dispositivo depende da arquitetura de rede escolhida, do tipo de cabeamento e da modalidade de redes
– com ou sem fio (cabos tipo par trançado), uma vez que as placas de rede se prestam à comunicação
com cabos, incluindo aí as fibras ópticas.

Figura 5 – Placa de rede Fast Ethernet

Para haver comunicação entre as placas de rede é necessário algum meio físico de comunicação.
Atualmente, temos as opções de utilização de redes em fibra óptica, ondas de rádio de alta frequência
e micro-ondas.

32
Tecnologias da Informação

Ainda hoje, prevalece a utilização de cabos de par trançado, cabos coaxiais em detrimento de
projetos mais antigos em que essa tecnologia prevalecia, realidade que está mudando pela relação
custo‑benefício na utilização de redes sem fio, redes móveis baseadas em tecnologia 3G, sempre
considerando as vantagens e desvantagens da adoção de cada tecnologia, bem como a segurança e
necessidade da adequação do volume de dados a ser transmitido.

2.3.2 Meios de transmissão

Cabeamento é o meio para a transmissão de dados e proporciona o funcionamento da rede que pode
ser executado utilizando os meios de transmissão que veremos em seguida.

• Par traçado ou entrelaçado

Os cabos de par trançado vêm substituindo os cabos coaxiais desde o início da década de 1990.
Atualmente, a utilização de cabos coaxiais está deixando de ser adotada, devido às novas e mais
recentes tecnologias e, principalmente, por causa do barateamento da fibra óptica. É importante
ressaltar a necessidade de blindagem dos cabos para evitar ou diminuir as interferências e também a
de se verificar as distâncias em metragem das áreas que devem ser cobertas pela rede e a hostilidade
do ambiente, bem como as interferências eletromagnéticas possíveis de outros equipamentos
eletrônicos.

Figura 6 – Cabo de par trançado

Temos os cabos sem blindagem, UTP, Unshielded Twisted Pair, e os cabos blindados, STP, Shielded
Twisted Pair. A diferença entre estes é que, no blindado, os cabos entrelaçados ficam protegidos, a
blindagem externa agrega a proteção contra interferências elétricas e de rádio, assim como de lâmpadas
fluorescentes e alguns cabos elétricos próximos (incluindo os telefônicos).

• Cabo coaxial

São formados por quatro camadas: um condutor interno de cobre para transmissão de dados, uma
camada isolante plástica (dielétrico), uma malha de metal protetora das duas anteriores e o revestimento
chamado de jaqueta.

33
Unidade I

Figura 7 – Cabo coaxial descascado

Existem quatro tipos diferentes de cabos coaxiais chamados de 10Base5, 10Base2, RG-59/U e RG-62/U.

Figura 8 – Cabo de par trançado e cabo coaxial

• Par trançado x coaxial

Em termos de vantagem e desvantagem, o cabo coaxial, pelo seu preço, perde o comparativo e
tecnicamente temos diferenças como:

— Distância máxima: com o coaxial é de 185 metros contra 100 metros do par trançado.
— Resistência a interferências: como o par trançado não possui blindagem, o cabo coaxial é
sujeito a maior interferência, enquanto os blindados possuem maior resistência ou muitas
vezes até superior quando comparados aos trançados.
— Mau contato: os cabos coaxiais têm mais problemas com relação ao contato e, como não possuem
terminadores, quando ocorre uma desconexão, temos de verificar todos os computadores da

34
Tecnologias da Informação

rede e, ao usarmos o par trançado, sendo necessário o uso de Hub, temos aí a centralização
dos cabos nesse aparelho, e isso facilita a verificação das conexões aos outros computadores
da rede.
— Custo: os cabos par trançados são muito mais baratos que os blindados, mesmo com a
necessidade de Hubs, que atualmente custam por volta de 20 dólares, por cerca de 40 reais ou
menos, com 8 a 12 portas, e esse preço tem caído a cada ano.
— Velocidade máxima: a escolha aqui é pelo par trançado categoria 5, uma vez que permite a
transmissão de dados a 1000 mbps (placas PCI 10/100), além da problemática de encontrar
as placas de rede para coaxiais, exceto as placas ISA 10 megabits, que possuem os dois
conectores.

• Fibra óptica

Como os fios de fibra são muito finos, é possível incluir um grande volume deles em um cabo
de tamanho modesto, o que é uma grande vantagem sobre os fios de cobre. Como a capacidade de
transmissão de cada fio de fibra é bem maior que a de cada fio de cobre, e eles precisam de um volume
muito menor de circuitos de apoio como repetidores, usar fibra em links de longa distância acaba saindo
mais barato. A vantagem reside em serem imunes a interferência eletromagnética, pois transmitem
luz, e não sinais elétricos, tornando seu uso viável nos ambientes em que os fios de cobre apresentam
problemas.

No entanto, ainda que os cabos de fibra óptica transmitam a velocidades maiores e sejam imunes
a interferência eletromagnética, são mais caros e difíceis de instalar, necessitando de equipamentos
específicos para sua solda e mão de obra especializada na instalação, sendo mais usados em redes
grandes do que nas de pequeno porte, motivo pelo qual as redes sem fio vem se destacando pelo baixo
custo e maleabilidade.

Para a redução da atenuação utiliza-se a luz infravermelha com comprimentos de onda de 850 a
1550 nanômetros, de acordo com a rede escolhida. Antigamente, eram utilizados LEDs nos transmissores,
já que eles são uma tecnologia mais barata, mas com a introdução dos padrões Gigabit e 10 Gigabit,
eles foram quase que inteiramente substituídos por lasers, que oferecem um chaveamento mais rápido,
suportando, assim, a velocidade de transmissão exigida pelos novos padrões de rede. Existem padrões
de fibra óptica para uso em redes Ethernet desde as redes de 10 megabits. Antigamente, o uso de
fibra óptica em redes Ethernet era bastante raro, mas com o lançamento dos padrões de 10 gigabits a
utilização vem crescendo, e os links de fibra vem sendo usados, sobretudo, para criar backbones e links
de longa distância.

Existem dois tipos de cabos de fibra óptica, o multímodo ou MMF (multimode fiber) e o
monomodo ou SMF (singlemode fiber). As fibras monomodo possuem um núcleo muito mais fino,
de 8 a 10 mícrons de diâmetro, enquanto as multímodo utilizam núcleos mais espessos, tipicamente
com 62.5 mícrons:

35
Unidade I

Figura 9 – Fibra óptica

Figura 10 – Comparativo dos cabos coaxial, par trançado e fibra óptica

Figura 11 – Fibra óptica

36
Tecnologias da Informação

2.3.3 Modem

Os modems, diferentes em função das placas de som que transmitem sinais sonoros, trabalham
modulando o sinal analógico em digital e vice-versa, mas trabalham de forma diferente, convertendo
dados em sinais sonoros que são, então, transmitidos por meio da linha telefônica. Os modems discados
foram os grandes responsáveis pela popularização do acesso à internet, afinal, nada mais lógico do que
usar as linhas telefônicas, largamente disponíveis para realizar a comunicação entre computadores.

Os modems apresentaram uma notável evolução na última década. Os primeiros deles eram capazes
de transmitir apenas 300 bits de dados por segundo, enquanto que os modelos mais atuais são capazes
de manter conexões com velocidades de até 56 Kbits por segundo. Assim, tiveram um papel essencial no
desenvolvimento e popularização da internet, já que são aparelhos relativamente baratos que permitem
a qualquer um que tenha um micro e uma linha telefônica acessar a rede pagando apenas uma ligação
local. Se não fossem eles, a internet jamais teria se tornado popular como é hoje.

Porém, atualmente vemos que os modems tornaram-se obsoletos, pois são lentos, se comparados
com outras formas de acesso, e não permitem que uma conexão dure muito tempo, devido ao preço das
chamadas telefônicas e ao fato de a linha ficar ocupada. Somados os impostos, uma hora conectado em
horário comercial custa cerca de R$ 1,70 apenas em tarifas telefônicas. Acesse três horas por dia cinco
dias por semana e aumentará em cerca de 100 reais a sua conta telefônica. Claro que sempre existe a
opção de acessar durante a madrugada, período em que pagamos apenas um pulso por ligação, mas as
olheiras começam a incomodar depois de algum tempo.

Se esta for a velocidade, baixar arquivos grandes num modem de 33 ou 56k é realmente uma
tortura. Para alguém que utiliza a internet de forma esporádica pode ser satisfatório, mas, para os mais
experientes, é realmente muito limitante. Atualmente, têm surgido várias opções de acesso rápido,
algumas oferecendo apenas downloads mais rápidos, enquanto outras trazem também a realização do
sonho de ficar conectado 24 horas por dia pagando apenas a taxa mensal. Atualmente, temos disponíveis
as linhas ISDN e ADSL, acesso via cabo e acesso via satélite. Claro que essas tecnologias ainda não estão
disponíveis para todo mundo, mas dentro de pouco tempo é bem provável que você esteja acessando
por de uma delas.

O ADSL (Assimetric Digital Subscriber Line) já é uma tecnologia largamente adotada no mundo todo
como meio de acesso rápido à internet. Aqui no Brasil, um bom exemplo é o Vivo Speedy, oferecido no
estado de São Paulo pela empresa Vivo, antiga Telefônica. A grande vantagem do ADSL é permitir o
acesso à internet ao mesmo tempo em que a linha de telefone fica livre para voz ou fax ou mesmo uma
ligação via modem, porém usando para as duas funções o mesmo fio telefônico. As chamadas de voz
utilizam apenas frequências baixas, entre 300 e 3400 Hz, desperdiçando todas as demais frequências
que poderiam ser transportadas por meio do cabo. O ADSL consiste, então, em instalar dois modems
ADSL, um na casa do assinante e outro na central telefônica, que comunicam entre si utilizando apenas
frequências acima de 5000 Hz, não interferindo nas chamadas normais de voz.

O cabo telefônico é usado como um meio de comunicação entre os dois modems ADSL apenas para
permitir a comunicação do seu modem com o modem da central. É justamente por isso que não são
37
Unidade I

cobrados pulsos, apenas a taxa mensal. O sinal vai para um roteador, para o provedor de acesso e, em
seguida, para a internet. É por isso que, mesmo usando o ADSL, continua sendo necessário pagar por
um provedor de acesso. Como a comunicação entre os dois modems é contínua, basta ligar o micro e o
modem para estar conectado.

O ADSL permite velocidade de 2 até 8 megabits, dependendo do quanto sua casa estiver distante da
central, porém a velocidade de acesso fica limitada à do plano que for escolhido: quanto mais rápido
mais caro. Como o próprio nome sugere, uma das desvantagens do ADSL é o fato de o serviço ser
assimétrico. Os 256 k ou mais são apenas para download. O upload fica limitado a apenas 128 k nos
planos de 256 e 512k ou 256 k no plano de 2 megabits, segundo informações da Companhia Vivo em
seu site.

2.3.4 Hubs

Ao escolhermos uma topologia estrela, fazemos a distribuição do sinal com um hub recebendo a
conexão do servidor e distribuindo o sinal pelas suas portas. Temos dois tipos desse equipamento: os
ativos e os passivos.

Figura 12 – Hub 8 portas

Hubs passivos funcionam como espelho, recebem os sinais e transmitem para os outros equipamentos
conectados à rede, sem qualquer melhoria de sinal como amplificação ou filtros, sendo que a metragem
deve ser inferior a 100 metros devido à utilização de cabos de par trançado.

Já um hub ativo distribui o sinal como um repetidor que, ao receber um sinal fortalece-o e o
retransmite. Isso representa a vantagem de recebermos um sinal proveniente de 100 metros e podermos
transmiti-lo por mais um trecho de 100 metros, o que nos permite uma rede maior, apesar de ser, então,
mais cara.

Os primeiros hubs eram de 8 portas e com limitações, pois somente permitiam ligar micros a suas
portas. Atualmente, podemos conectar mais de um hub a uma das portas na chamada Up Link de cabo
hub, e estes passam a “se enxergar”. Quando não houver essa porta, podemos utilizar um cabo crossover,
que liga diretamente dois micros para realizar a ligação de dois hubs mediante duas portas comuns.

38
Tecnologias da Informação

Observação

Caso você esteja interligando hubs passivos, a distância total entre dois
micros não poderá ser maior que 100 metros, o que é bem pouco no caso
de uma rede grande. Assim, seria mais recomendável usar hubs ativos, que
amplificam o sinal.

Já no caso de precisar unir dois hubs que estejam muito distantes,


poderá usar um repetidor que, colocado estrategicamente no meio do
caminho, servirá para viabilizar a comunicação entre eles.

2.3.5 Switch

Um switch é um equipamento que realiza a interligação de vários hubs e consequentemente vários


micros, podendo ser também utilizado diretamente na conexão desses computadores, mas com a
vantagem de encaminhar os pacotes de rede ao destinatário correto, e onde existem placas de rede
diferentes que transmitem na velocidade correta evitando congestionamentos, atrasos e perdas de
sinais, compreendendo assim uma vantagem enorme na velocidade e exatidão. Existem alguns switches
mais baratos que são utilizados para eliminar os hubs chamados de hubs-switches.

Ao analisarmos a função do switch, vemos que é muito parecida com a de uma ponte chamada de
bridge, sendo que este possui mais portas e melhor desempenho e, ao ser utilizado em combinação,
melhora o desempenho e a possibilidade de adicionar mais nós à rede com melhor performance do que
se utilizássemos os hubs. Quando precisamos interligar várias redes, utilizamos roteadores, pois são mais
avançados e nos possibilitam criar diversas redes diferentes que se comunicam ou se desligam pela ação
destes.

Um switch funciona de maneira semelhante ao hub, mas direciona os dados ao computador


destinatário criando uma espécie de canal de comunicação exclusiva, o que evita que o sinal fique
preso nos demais computadores da rede, aumentando, assim, o desempenho da rede, disponibilizando a
informação. Isso reduz a ocorrência de erros como colisão de pacotes e perda de sinal.

2.3.6 Roteadores

Para as redes de maior porte, utilizamos um equipamento chamado roteador (roouter), que é mais
inteligente que os switches, que além de executar a mesma função destes ainda escolhe a melhor
rota que o pacote de dados deve seguir para chegar ao seu destino pelo caminho mais curto e menos
congestionado; daí seu nome.

Existem dois tipos de roteadores, os estáticos e os dinâmicos.

• Estáticos: é o tipo mais barato e escolhe o menor caminho para os dados, sem levantar o
congestionamento da via.
39
Unidade I

• Dinâmicos: tipo mais caro e sofisticado, em que se mapeia o congestionamento de uma rede,
procurando fazer o caminho mais rápido (mesmo sendo o mais longo) sendo o mais livre, sem
congestionamento.

Os roteadores interligam várias redes e trabalham em conjunto com os hubs e switches contando
com recursos diversos como firewall, melhorando a segurança da rede contra invasões.

Figura 14 – Roteador

2.3.7 Qual é o mais indicado: hub ou switch?

Para uma pequena rede de três computadores, o uso de hub-switches parece ser o mais indicado,
pois os preços são equivalentes aos dos hubs, e, além disso, para compartilhar a internet com banda
larga, oferece maior estabilidade nas conexões.

O uso de roteadores é voltado para redes corporativas (empresas), uma vez que seus preços mais
caros inviabilizam o uso em pequena escala, mesmo sendo possível adaptar duas placas de rede em
um PC e este se tornar um roteador, esses dispositivos são mais complexos de manipulação; daí sua
utilização para controle de muitos computadores na rede.

Muitos usuários com acesso à internet por ADSL conseguem usar seus modems como roteadores (se
possuírem os recursos) e compartilham a conexão da internet com os equipamentos no local, utilizando
somente o modem/roteador, não sendo necessário deixar o microcomputador principal ligado.

2.4 Mídias de telecomunicações

Mídias de telecomunicações são os meios para transmissão dos sinais de rede. Entre elas, estão:
micro-onda terrestre, satélites de comunicação, tecnologias celular, tecnologias sem fios (wireless) LAN,
Wi-Fi e Bluetooth.

40
Tecnologias da Informação

2.4.1 Micro-onda terrestre

Para que os sinais de rádio, TV, dados, internet ou outros, via ondas eletromagnéticas, possam ser
transportados por distâncias maiores, alimentando outras emissoras da mesma rede ou alimentando as
diversas estações repetidoras, outro tipo de frequência é utilizada: a de micro-ondas.

O equipamento que gera sinal de micro-ondas é um transmissor de ondas eletromagnéticas como


qualquer outro, mas tem a capacidade de irradiar sinais em ondas com amplitude muito pequenas, em
torno de 1 centímetro de amplitude, na faixa de SHF, com frequência entre 2 GHz a 13 GHz. Essas ondas
são muito pequenas, mas de frequência muito alta, tendo, por isso, a capacidade de, mesmo com pouca
potência, atingir longo alcance. Por ser modulado em alta frequência, com pequeno comprimento de
onda, o sinal de micro-ondas é ainda mais direcional que o da TV. Por isso, é utilizado com uma antena
em forma de parábola transmissora, apontada diretamente para a antena receptora.

Quando a antena TX está diretamente apontada para a RX, chamamos de enlace de micro-ondas, ou
link de micro-ondas. Qualquer obstáculo entre as duas antenas provoca a perda ou até a queda de potência
do sinal transmitido. Nas frequências de 2,5 GHZ até 4,5 GHz, o sinal é menos direcional que de 7 GHz
para mais. Mesmo na faixa dos 2,5 GHz, obstáculos prejudicam o sinal, mas é de 7 GHz para cima que até
mesmo nuvens carregadas de chuva chegam a interromper a transmissão, isso porque quanto mais alta a
frequência, mais próxima ela está das frequências visíveis, em que obstáculos provocam sombras.

Como as micro-ondas oferecem excelente qualidade de sinal, são utilizadas para os enlaces de TV
terrestre em todo o Brasil, assim como em outros países. Elas transmitem sinais não só de TV, mas também
qualquer outro sinal que possa ser convertido em radiofrequência. A rede terrestre de micro‑ondas
no Brasil teve início com a criação da Embratel, que teve por tarefa criar rotas interligando todas as
empresas de telecomunicações entre si, em todos os Estados, e as interligações internacionais entre
Brasil e demais continentes.

As rotas terrestres de micro-ondas transmitem a telefonia, rádio, TV, dados, telex, fax, radiofoto,
textos, internet etc. A banda de passagem de um link de micro-ondas é de 6 MHz, ou seja, em cada link
de micro-ondas, passa um canal de TV analógico ou 960 canais de telefone simultaneamente. Quem faz
a junção de todas as tecnologias de comunicação são as operadoras e a Embratel. Muitas vezes, fazemos
uma ligação telefônica de uma cidade para outra e nem temos a noção por onde passa nossa voz, pois o
sistema automático busca as rotas mais curtas, escolhendo outras quando estas estão sobrecarregadas,
o que acontece rápida e automaticamente, sem que demos atenção a essa comodidade.

Pelo fato de a frequência de micro-ondas ser altamente direcional, caminhar em linha reta e sofrer
perda de potência graças a obstáculos entre as antenas TX e RX, não há como transmitir com apenas um
link um sinal entre Rio de Janeiro e São Paulo. Para que isso acontecesse, a antena TX, em uma cidade,
precisaria estar muito alta para poder “enxergar” a antena RX. Mesmo considerando as condições ideais,
em que toda topografia do solo entre o Rio de Janeiro e São Paulo fosse plano, sem montanhas ou serras,
ainda assim não conseguiríamos fazer essa transmissão com apenas um link. Pela potência é possível,
mas existe outro fator de relevância: a curvatura da Terra, que não é acompanhada pelo sinal, visto que
este caminha em linha reta, o que torna necessário, então, instalar pontos de repetição de sinal.
41
Unidade I

Para fechar grandes distâncias, são necessários vários links no meio do caminho; na mesma torre, deve
haver um equipamento receptor (RX) e um transmissor (TX). Esse conjunto de recepção e retransmissão
serve para repetir o sinal vindo de sua origem geradora até que chegue ao seu ponto de recepção final.
É assim que é montada a rota terrestre de micro-ondas. São várias estações repetidoras de sinal que
permitem um enlace completo pela somatória de várias repetidoras existentes para superar a curvatura
da superfície do planeta.

Antes do satélite de comunicações, todo sistema de telefonia utilizava apenas os cabos subterrâneos
instalados ao longo das rodovias interligando as cidades e o sistema de micro-ondas terrestre. A televisão
também era transmitida entre cidades distintas por meio de rotas terrestres. Com a atual digitalização
e compressão digital de sinal, uma micro-onda com banda de 6 MHz pode transmitir até cinco canais
de TV digitais simultaneamente.

2.4.2 Satélites de comunicação

Os satélites existem com finalidades diferentes. Desde 1957, 75% deles são de uso militar, mas
temos ainda os científicos, os de navegação e os de comunicação, desenvolvidos com os objetivos de
telecomunicação, observação, alerta avançado, ajuda à navegação e reconhecimento, que giram em
diferentes altitudes e consequentemente órbitas superiores.

Os satélites americanos possuem tecnologia de altíssima resolução espacial, como o Big Bird, que
identifica objetos de poucos centímetros de tamanho. No segmento militar, temos o Key Hole, satélite
espião com varredura igual à da televisão em tempo real. E uma prova do segmento bélico é a tecnologia
de GPS Global Positioning System – Sistema de Posicionamento Global, que, com 16 satélites, com
sistema de navegação, fornece aos terminais a localização de onde se encontram, com um erro de 1
metro (já o uso militar o erro é de 10 centímetros).

Integram os satélites científicos: os meteorológicos (pesquisa e observações do clima e prevenção


de desastres climáticos, prevenção e detecção de tempestades, chuvas granizos, secas etc.); os de
exploração do universo (voltados para observação do cosmos); os de coleta de dados (visam à elaboração
de informações sobre fenômenos físicos, químicos e biológicos da superfície da Terra e da atmosfera,
pela varredura e uso de sensores).

Os satélites de comunicação, utilizados para transmissão de informações digitais ao redor do mundo


civil especificamente, podem ser de múltiplos acessos, isto é, servem simultaneamente a diversas
estações terrestres de localidades e mesmo países diferentes.

Arquitetura de comunicações móveis por satélite

Gateways e Base Stations são as estações terrestres formadas por dois tipos de operadores, os GOCC
e os SOCC:

• GOCC (Ground Operations Control Center): responsável pelo planejamento e controle do uso de
satélites pelos terminais gatway e a coordenação desse uso com o SOCC.
42
Tecnologias da Informação

• SOCC (Satellite Operations Control Center): executam o controle da órbita, o rastreamento e


fornecem serviços de telemetria e comando (T&C) para a rede (constelação) de satélites cujo
lançamento também supervisionam.

Cada estação recebe as informações dos satélites, processa as chamadas e encaminha para a rede
de destino terrestre, e um gatway pode servir a mais de um país, efetuando assim a integração com as
redes fixas e móveis de telecomunicação terrestre.

• Visão geral de uma chamada telefônica

Ao se fazer uma chamada telefônica, via satélite, um ou mais gatways são utilizados, e assim a
chamada é encaminhada até a rede telefônica pública existente com sua infraestrutura chamada de
rede PLMN, Public Land Mobile Network, (território público de rede móvel), que encaminha a ligação
ao receptor chamado, e, finalizada a ligação, é informado, ao provedor de serviços de comunicação, o
tempo de duração para fins da cobrança por esse serviço.

• Métodos de Acesso
— TDMA (Time Division Multiple Access): as ligações são sequenciais, e o espectro é dividido em
intervalos de tempo.
— FDMA (Frequency Division Multiple Access): a largura de banda total disponível é dividida e
permite vários usuários ao mesmo tempo.
— CDMA (Code Division Multiple Access): cada estação transmite com um código próprio, e as
ligações são feitas ao mesmo tempo, em banda espalhada.

• Comunicação entre satélites

Satélites comunicam entre si por meio de ISLs (Inter Satellite Links), que é a ligação de satélites na
mesma camada, que se encontram na mesma linha de vista, o que aumenta a autonomia, reduzindo
o número de gatways e atrasos e, além disso, permite rotear longas distâncias, contando com a
comunicação dupla entre dois agentes móveis.

A comunicação de muitos ISLs exige um suporte sofisticado e complexo, o que o torna cara e
complicada sua implementação, pois envolve uma complexa focagem das antenas entre satélites,
sistema de alta complexidade devido a routers em movimento, maior consumo de combustível e tempo
de vida menor. Como existem muitos satélites e várias orbitas deles, há a necessidade de se comunicar
com todos nas diversas camadas (órbitas).

• Comunicações distantes provocam atrasos

Uma comunicação implica a utilização de muitos ISLs para se completar, e cada passagem por um satélite
ocasiona um atraso devido ao processamento e tempo em uma fila de espera. Assim, por serem necessários nova
arquitetura e protocolos que melhorem a situação, propôs-se, então, a arquitetura Satellite over Satellite (SOS).

43
Unidade I

2.5 Tecnologia celular, a tecnologia móvel

A computação móvel permite às pessoas usá-la sem estarem vinculadas a um único local. Qualquer
empresa com funcionários que trabalham longe do escritório pode se beneficiar disso. Se você está
viajando para reuniões ou visitas de vendas, trabalhando a partir do site de um cliente ou em casa, os
dispositivos móveis podem ajudá-lo a manter contato e fazer o uso mais produtivo de seu tempo. Você
pode usar uma variedade de dispositivos para ficar em contato, incluindo laptops, netbooks, PDAs e
Terceira Geração (3G), os telefones inteligentes. Os dispositivos de TI também podem mudar a maneira
de fazer negócios: as novas tecnologias levam a novas formas de trabalhar e a novos produtos e serviços
oferecidos aos seus clientes.

Figura 15 – Celular por satélite e smartphones

2.5.1 O que é a tecnologia móvel e quais são os benefícios?

A tecnologia móvel é exatamente o que o nome indica, é portátil. Exemplos de dispositivos móveis
de TI incluem:

• computadores portáteis e netbooks;


• computadores de bolso ou assistentes pessoais digitais;
• telefones inteligentes, telefones celulares;
• sistema de posicionamento global (GPS);
• equipamentos de débito sem fios/terminais de pagamento por cartão de crédito.

Os dispositivos móveis podem ser habilitados para usar uma variedade de tecnologias de comunicação,
tais como:

• Wireless Fidelity (Wi-Fi): um tipo de tecnologia de rede local sem fio.


• Bluetooth: para conectar dispositivos móveis sem fio.
• Terceira geração (3G), sistema global para comunicações móveis (GSM) e General Packet Radio
Services (GPRS) de dados: serviços de rede de dados para celulares.

44
Tecnologias da Informação

• Dial-up de serviços: serviços de rede de dados usando modems e linhas telefônicas.


• Acesso seguro a uma rede privada: redes virtuais privadas.

É possível, portanto, o dispositivo de rede móvel a um escritório em casa ou na internet enquanto


se viaja.

Benefícios

A computação móvel pode melhorar o serviço que você oferece a seus clientes. Por exemplo, você
pode acessar seu sistema de gestão da relação cliente, via internet, o que lhe permite atualizar os dados
do cliente ao mesmo tempo longe do escritório. Alternativamente, você pode permitir aos clientes pagar
por serviços ou mercadorias sem ter de ir até o caixa; usando, por exemplo, um terminal sem fio, o
cliente pode pagar por sua refeição sem sair da mesa. Há outros usos possíveis que você pode desfrutar,
tal como acessar seu banco de dados ou sistemas de contabilidade mesmo fora do local de trabalho, a
partir da rede do escritório. Você pode, entre outras coisas:

• configurar a conta de um novo cliente;


• verificar os preços e disponibilidade em estoque;
• colocar uma ordem em linha.

Isso leva a uma grande flexibilidade para trabalhar, permitindo o trabalho em casa ou durante as
viagens. Cada vez mais, hot spots de rede estão sendo prestados nas áreas públicas para que permitam
a conexão de volta para a rede do escritório ou na internet. O crescimento da computação em nuvem
também tem impacto positivo sobre a utilização de dispositivos móveis, com suporte a mais flexíveis
práticas de trabalho, ao prestar serviços por intermédio da internet.

Desvantagens

Há custos envolvidos na criação do equipamento e no treinamento necessário para fazer uso de


dispositivos móveis, visto que estes podem expor dados importantes para pessoas não autorizadas se
as devidas precauções não forem tomadas para garantir para que dados sigilosos sejam mantidos em
segurança.

2.5.2 Wireless Fidelity (Wi-Fi)

O uso de Wi-Fi permite a conexão sem fio de equipamentos informatizados, não só


computadores, mas telefones e impressoras, o que está popularizando essa tecnologia em
ambientes empresariais e, principalmente, em espaços domésticos e locais públicos, como bares,
lanchonetes, cafés, praças de alimentação, livrarias, aeroportos, universidades etc. Como esse
uso está presente em nossos dias, veremos as suas principais características, explicando o seu
funcionamento a seguir.

45
Unidade I

• O que é Wi-Fi?

O termo Wi-Fi é a abreviatura do termo em inglês Wireless Fidelity – Fidelidade sem fio, embora a
Wi-Fi Alliance, entidade responsável principalmente pelo licenciamento de produtos baseados nessa
tecnologia, nunca tenha afirmado tal conclusão. Encontramos o termo também grafado como WIFI,
WiFi ou até mesmo wifi, todas estas fazem referência à mesma tecnologia, que é um conjunto de
especificações para redes locais sem fio baseadas no padrão IEEE 802.11 (definido pelo Institute of
Electrical and Electronics Engineers).

Essa rede conecta equipamento e dispositivos compatíveis, como telefones celulares, consoles de
video games, impressoras etc., que estejam geograficamente próximos, por volta de 10 a 15 metros, sem
o uso de cabos, proporcionando mobilidade, ampliação de equipamentos e dispositivos, sem instalações
ou ampliações de cabos e demais dispositivos de conexão, evitando também furação de paredes e
demais alvenarias.

O que contribuiu para a implementação dessa tecnologia é sua flexibilidade e facilidade de instalação
em diversos lugares, a baixo custo, sendo assim facilmente implantadas em hotéis, aeroportos, rodoviárias
e demais locais públicos, em muitos casos de maneira gratuita, oferecendo acesso à internet bastando
para tanto o hardware para conexão (por exemplo: um tablet ou smartphone compatível com Wi-Fi).

• Um pouco da história do Wi-Fi

A ideia de redes sem fio não é nova; o que atrapalhava era a falta de padronização de normas
específicas devido a propostas diferentes de diversos estudiosos.

Em 1999 algumas empresas, como 3Com, Nokia, Lucente Technologies (atual Alcatel-Lucent) e
Symbol Technologies (adquirida pela Motorola), uniram-se para criar um grupo a Wireless Ethernet
Compatibility Alliance (WECA) chamando-se Wi-Fi Alliance, em 2003. No momento em que este livro era
escrito, o grupo contava com a participação de mais de 300 empresas e entidades participantes.

A WECA adota as especificações do IEEE 802.11, que é o padrão de redes IEE802.3 (Ethernet), com a
diferença de trabalhar com radiofrequência, não sendo necessário criar nenhum protocolo específico,
sendo possível o uso de redes que utilizam os dois padrões simultaneamente.

Para batizar a tecnologia e procurar um termo de fácil pronúncia e rápida associação a sua proposta,
a WECA contratou uma empresa especializada em marcas, a Interbrand, que criou a denominação Wi-Fi,
o logotipo da tecnologia, e a ideia deu tão certo que adotou em 2003 o nome de Wi-Fi Alliance.

• Funcionamento do Wi-Fi

Borg:

Ao chegar nesse ponto do texto, é natural que você esteja querendo saber como o Wi-Fi funciona.
Como você já sabe a tecnologia é baseada no padrão IEEE 802.11, o que não quer dizer que todo produto
46
Tecnologias da Informação

que trabalhe nessas especificações seja Wi-Fi, sendo necessário uma avaliação e certificação pela Wi-Fi
Alliance para garantir que os produtos que possuem o selo seguem as normas de funcionalidade que
garantem a interoperabilidade entre si. Isso não significa que aqueles que não possuem o selo não
funcionam, mas que estão sujeitos a riscos e problemas de compatibilidade. Veremos a seguir como
funcionam, de uma mesma maneira, como se ambos os protocolos fossem uma coisa só (para fins
práticos, são mesmo).

O padrão IEEE 802.11 determina normas para criação e uso de redes sem fio, por transmissão de
sinais em radiofrequência, propagando-se pelo ar; e podem cobrir áreas na casa das centenas de metros.
Como existem mais serviços utilizando sinais de rádio, é necessário que cada um opere de acordo com
as exigências. Existem faixas de uso que não necessitam de aprovação direta de entidades do governo,
como as faixas ISM (Industrial, Scientific and Medical), que podem operar, entre outros, com os seguintes
intervalos: 902 MHz a 928 MHz, 2,4 GHz a 2,485 GHz e 5,15 GHz a 5,825 GHz (dependendo do país, esses
limites podem sofrer variações).

Observação

Borg:

Como você verá a seguir, são justamente essas duas últimas faixas que
o Wi-Fi utiliza, no entanto, tal característica pode variar conforme a versão
do padrão 802.11.

Para uma rede desse tipo ser estabelecida, é necessário que os dispositivos chamados de STA Station
conectem-se aos aparelhos que fornecem acesso, os Access Point (AP) – pontos de acesso. Quando um
ou mais STAs se conectam a um AP, forma-se uma rede chamada de Basic Service Set (BSS) – Base
de preparação de serviço. Para evitar que duas redes entrem em conflito, é importante que cada uma
tenha sua identificação Service Set Identifier (SSID) – Identificador de Preparação de Serviço, que é um
conjunto de caracteres, que, após definido, é inserido no cabeçalho de cada pacote de dados na rede.
Sendo assim, o SSID é o nome dado a cada rede sem fio.

Figura 16 – Estações (STAs) e Access Point (AP) Wi-Fi 2 antenas

47
Unidade I

• 802.11 (original)

A primeira versão do padrão IEEE 802.11 foi lançada em 1997 e, após sete anos de estudo, a versão
original passou a ser conhecida como 802.11-1997 ou 802.22 legacy, chamada aqui de 802.111 original.

Como é uma tecnologia de transmissão por radiofrequência, o IEEE determinou que o padrão
parasse no intervalo de frequências entre 2,4 GHz e 2,4835 GHz. Sua taxa de transmissão de dados é de
1 Mbps ou 2 Mbps e é possível usar as técnicas de transmissão Direct Sequence Spread Spectrum (DSSS),
espectro de intervalo de sequência direta, e Frequency Hopping Spread Spectrum (FHSS), espectro de
intervalo de frequência em salto. Ambas as técnicas permitem transmissões utilizando vários canais
dentro de uma frequência; no entanto, a DSSS cria vários segmentos de informações transmitidas e as
envia, simultaneamente, aos canais (dispositivos conectados). Já a FHSS envia os sinais para a frequência
a ser transmitida em um certo período e em outro utiliza outra frequência; daí o termo salto. Isso resulta
em uma transmissão com velocidade menor, mas menos suscetível a interferências, devido a mudança
constante.

O DSSS é mais rápido, mas sofre maiores interferências, por fazer uso de todos os canais ao mesmo
tempo.

• 802.11b

Em 1999, foi lançada a atualização do padrão 802.11, recebendo o nome 802.11b, tendo como principal
característica a possibilidade de estabelecer conexões nas seguintes velocidades de transmissão: 1 Mbps,
2 Mbps, 5,5 Mbps e 11 Mbps. O intervalo de frequências é o mesmo utilizado pelo 802.11 original, mas a
técnica limita-se ao DSSS (o FHSS não opera com taxas superiores a 2 Mbps), utilizando assim a técnica
chamada Complementary Code Keying (CCK), código de chaveamento complementar.

A área de cobertura de uma transmissão 802.11b pode chegar a 400 metros em ambientes abertos
e 50 metros lugares fechados (escritórios e residências). O alcance pode sofrer influência de diversos
fatores, como objetos que causam interferências (televisores), barreiras que impedem a transmissão
(como paredes) e outros, dependendo do ponto de localização. Esse padrão foi, assim, o primeiro a ser
adotado em larga escala (industrial), sendo o responsável pela popularização das redes sem fio Wi-Fi.

• 802.11a

O padrão 802.11a, disponibilizado ao final de 1999, quase na mesma época da versão 802.11b, tem
como característica operar com taxas de transmissão de dados de 6 Mbps, 9 Mbps, 12 Mbps, 18 Mpbs,
24 Mpbs, 36 Mpbs, 48 Mpbs e 54 Mpbs.

O alcance geográfico é de cerca de 50 metros, e, ao usar a frequência diferente da original 5 GHz, isso
resulta em menor possibilidade de interferência, por ser um valor pouco usado. Contudo, apresenta‑se
como problema o fato de muitos países não possuírem regulamento para essa frequência, além de
algumas dificuldades em operar com dispositivos dos padrões original e 802.11b.

48
Tecnologias da Informação

A técnica utilizada na transmissão é Orthogonal Frequency Division Multiplexing (OFDM), divisão de


frequência multiplexada ortogonal. Nela, a informação a ser transmitida é dividida em vários pequenos
conjuntos de dados, que são transmitidos simultaneamente em diferentes frequências, de modo a não
interferirem nas outras, tornando uma técnica muito satisfatória. No entanto, apesar de sua performance
maior, esse padrão não chegou a se popularizar, como o 802.11b.

• 802.11g

O padrão 802.11g, disponibilizado em 2003, é tido como sucessor natural do 802.11b, sendo totalmente
compatível com o último. Tem como principal atrativo operar com taxas de transmissão de 54 Mbps e também
sob as faixas de 2,4 GHz, com o mesmo poder de cobertura. A técnica utilizada é OFDM, mas quando é feita
com um dispositivo 802.11b, utiliza a técnica DSSS, o que lhe dá esse espectro maior de utilização.

Figura 17 – Roteador wireless da 3Com: suporte aos padrões 802.11b, 802.11g e a conexões Ethernet

• 802.11n

Esse padrão surgiu em 2004 com equipamentos para o padrão 802.11g e os anteriores, substituindo‑os
e tendo como principal característica o uso de um esquema chamado Multiple-Input and multiple‑output
(MIMO), capaz de aumentar consideravelmente as taxas de transferência de dados, pela combinação de
várias vias de transmissão.

Isso permite usar dois, três ou quatro emissores e receptores para a mesma rede, e, nesse caso, o
uso de três antenas (vias de transmissão) e a mesma quantidade de receptores, fazendo transmissões na
faixa de 300 Mbps e, teoricamente, podendo atingir até 600 Mbps.

A frequência pode operar nas faixas 2,4 GHz e 5 GHz, o que o torna compatível com padrões anteriores
e a técnica de transmissão padrão é OFDM, com determinadas alterações com o esquema MIMO, em
algumas literaturas chamados de MIMO-OFDM, cuja cobertura pode ultrapassar os 400 metros.

• Outros padrões 802.11

Existem outros padrões menos populares por diversos motivos, como o 802.11d, aplicado somente
em alguns países, onde os outros não podem ser aplicados. Outro exemplo é o padrão 802.11e, que tem
49
Unidade I

como foco a qualidade do serviço, o que o torna interessante para aplicações que são severamente
prejudicadas por ruídos, como as comunicações por VoIP, voz por meio de internet protocolo.

O padrão 802.11f, que tem como característica a desconexão de AP de sinal fraco para conectar
em um AP de sinal mais forte dentro da mesma rede, mas apresenta problemas, causa transtornos ao
usuário quando o procedimento é feito de maneira indevida.

Outro destaque é o padrão 802.11h, uma versão do 802.11a, que conta com recursos de alteração
de frequência e controle do sinal, devido ao fato da frequência de 5GHz ser usada em diversos sistemas
na Europa.

Existem outras especificações de redes sem fio, mas devem ser utilizadas somente para motivos
muitos específicos, para que se opte em mudar das versões mais populares e também pela escolha da
mais atual.

2.5.3 Bluetooth

Desenvolvida em um consórcio entre a Ericsson, IBM, Nokia, Toshiba e Intel, é uma tecnologia de
transmissão de dados, via sinais de rádio de alta frequência, entre dispositivos eletrônicos próximos (ideal
no máximo a 10 metros de distância, mas podendo, em alguns casos, funcionar em até 100 metros), tendo
como trunfo a transmissão barata e poder ser incluída em qualquer tipo de dispositivo eletrônico.

Esse novo mundo Bluetooth interliga micros, celulares, smartphones, mouses, joysticks, fones de
ouvido e, em alguns anos, ligará a internet a outros eletrodomésticos, como cafeteiras comunicando-se
com celulares para informar que o café acabou ou a geladeira mandar um e-mail avisando que está
sem gelo.

A grande vantagem é ser um padrão aberto e livre de pagamento de royalties, o que leva os fabricantes
de eletrônicos a dotarem a tecnologia, conforme as especificações a seguir:

• alcance ideal: 10 metros;


• alcance máximo: 100 metros (em condições ideais e, com ambos os transmissores operando com
potência máxima);
• frequência de operação: 2.4 GHz;
• velocidade máxima de transmissão: 1 Mbps;
• potência da transmissão: 1 mW a 100 mW.

Usos para o Bluetooth

A parte futurista desse tópico é a possibilidade de interligação de diversos equipamentos via internet
e a possibilidade de interagir com os mais variados dispositivos utilizando conexões sem fio, surgindo
daí novas ideias quando várias pessoas trabalham em conjunto.
50
Tecnologias da Informação

O atendimento ou a realização de uma chamada pelo celular, ou mesmo o acesso à internet, tudo
isso, via comando de voz, sem a necessidade de manusear o equipamento, tirá-lo do bolso, digitar a
mensagem e, ainda, ao volante de um automóvel, só é possível com o uso da tecnologia embarcada no
veículo e no celular.

A interligação de um tablet, em locais que não tenhamos redes Wi-Fi mas que possua Bluetooth,
com um celular para utilização de redes 3G e 4G, amplia o uso do tablet.

O fone estaria ligado tanto ao celular quanto ao palm. Existem transmissores Bluetooth pequenos o
suficiente para serem usados num fone de ouvido sem fio. Já existem até alguns produtos, como o da
figura 18.

A conexão desse tipo de equipamento bluetooth ao sistema de áudio de um veículo ou ao fone


de ouvido sem fio que utilize a tecnologia Bluetooth proporciona liberdade de uso e ampliação das
aplicações, mas é importante observar a legislação do país referente ao uso de celulares ao se dirigirem
automóveis. Como exemplo, o fone de ouvido como o da figura 18:

Figura 18 – Fone de ouvido Bluetooth

Com esse fone de ouvido e microfone, é possível tanto ouvir músicas em MP3 e gravar notas de
voz pela conexão com o tablet ou com o smartphone, além do uso para atendimento de chamadas em
qualquer local, acessar dados de uma agenda de compromissos ou de uma pesquisa em uma base de
dados corporativa ou na internet.

Esse conceito é o que chamamos de PAN ou Personal Area Network, uma rede de área pessoal entre
os dispositivos que carrega no bolso, na pasta etc. Com ele, quando se chega em casa ou no escritório,
o tablet automaticamente formaria uma rede com o PC, configurando-o automaticamente, fazendo o
sincronismo periódico sem a necessidade do velho ritual de colocá-lo em rede com cabos e apertar os
botões e esperar. Poderíamos programar outras tarefas, como as transferências das fotos do celular ou da
câmera digital de maneira automática para o PC ou para a sua página nas redes sociais, compartilhando
assim com seus amigos e familiares; se não for usuário de redes sociais, o compartilhamento mediante
e-mail ou simplesmente salvá-las em um disco virtual na rede e disco rígido físico no PC.

Estes, claro, são alguns exemplos, existem muitas outras aplicações possíveis aqui. A ideia seria fazer
todas as conexões que seriam possíveis utilizando fios, mas de uma forma bem mais prática. Outra
51
Unidade I

possibilidade é baixar conteúdos, como clips, músicas e demais mídias diretamente para o dispositivo
Bluetooth, mediante o pagamento de uma taxa de cinco dólares anuais, respeitando aí os direitos
autorais.

Veja que, entre as aplicações citadas, não estão planos de criar redes usando apenas o Bluetooth,
pois o padrão é muito lento para isso. Ele serviria no máximo para compartilhar a conexão com a web
entre dois PCs próximos e compartilhar pequenos arquivos. Para uma rede mais funcional, seria preciso
apelar para os cabos de rede ou um dos padrões de rede sem fio citados anteriormente, que são mais
rápidos e têm um alcance maior que o Bluetooth.

Finalmente, outra área em que o Bluetooth será muito útil é nas Internet Appliances. Se você
nunca ouviu o termo, refere-se a periféricos que oferecem alguma funcionalidade relacionada à web.
O conceito pode ser usado para adicionar recursos à maioria dos eletrodomésticos, mas algum tipo de
conexão sem fio é essencial para tudo funcionar. Na casa do futuro, é fácil imaginar um PC servindo
como servidor central, concentrando recursos que vão desde espaço em disco e conexão com a web até
poder de processamento. Todos os outros dispositivos podem utilizar os recursos do servidor.

3 Conceitos e componentes de Software

Software (SW) é a parte intangível do computador, representada pelos programas, linguagens, dados
e informações, atualmente também músicas e imagens.

Sistemas operacionais são um conjunto de programas que gerenciam e controlam o computador


pelo do controle ou gerenciamento das áreas de memória, processamento, informação e periféricos. É
a alma do computador, o programa que dá um sopro de vida ao hardware, e é, por meio dele, que se
trocam dados com o processamento, armazenam-se dados, com acesso eletrônico ou papel. Quanto ao
seu funcionamento, são divididos em monotarefas, os monousuários (para um só usuário) e multitarefas,
os multiusuários (diversos usuários). Ex.: Windows 98, Windows XP, 2003, Vista; Linux, Debian, Red Hat,
Unix; PcDos, IBMdos, Mac OS, OS X, OS/2Warp etc.

Linux
1%
Mac OS X 10.4 Outros
0% 17%

Windows 7
7% Windows XP
43%
Mac OS X 10.5
21%

Windows Vista
11%

Figura 19 – Sistemas operacionais mais utilizados

52
Tecnologias da Informação

3.1 Windows

O Windows é um sistema operacional fabricado pela Microsoft de Bill Gates e Paul Allen. Seu
precursor foi o MS-DOS, também da Microsoft. O Windows é um conjunto de programas que controla o
computador por meio de subsistemas e que não trabalha sozinho. Ele precisa fazer uso de um aplicativo,
um programa especializado, tal como o Cristal Reports (gerador de relatórios) ou então um pacote de
aplicativos, como o Office.

Lembrete

Borg: lembre-se da definição de Sistemas Operacionais, conjunto de


programas que controla o computador pelo gerenciamento das áreas de
processamento, memória, periféricos e informações.

Pode-se dizer que o Windows é um sistema operacional multitarefa, construído sob técnicas de
programação orientada a objeto e que comporta endereçamento de 32 bits. Como sistema operacional
multitarefa, ele pode rodar dois ou mais programas simultaneamente. Tecnicamente falando, isso não
significa que os programas rodem em paralelo: o sistema operacional alterna entre eles numa velocidade
tal que, do ponto de vista do usuário, eles parecem rodar ao mesmo tempo.

Além disso, o Windows permite a execução de multitarefa baseada em threads (canais), uma
unidade de código executável à qual pode ser alocado espaço extra. Outros sistemas operacionais, tal
como o Unix, adotam outro tipo de sistema: de partições, isto é, conseguido por meio da divisão do
disco rígido em partes, ou seja, os programas não operam em segundo plano. Já o Windows, embora
adote endereçamento plano de memória, também pode simular um sistema desse e comportar um
mecanismo dinâmico de gerenciamento da memória, que lhe permite otimizar o espaço livre em disco.
Aliás, endereçamento plano significa que o sistema adota um tipo de memória linear, virtual, no qual a
divisão de memória independe da memória física (e, consequentemente, da distribuição de elementos
de hardware). Um complexo sistema de gerenciamento da memória virtual substitui o velho sistema de
partições com vantagem.

Provavelmente, você também deve saber, partindo da utilização do gerenciador de programas


(Windows Explorer), que o sistema se organiza hierarquicamente em unidades (drives), pastas, arquivos,
documentos etc. Costumeiramente, as duas primeiras unidades referem-se ao drive de disco flexível
(disquetes); a terceira unidade (raiz C) refere-se ao disco rígido e outras unidades podem referir-se
a diversos elementos, como o drive de rede. Observe que isso pode ser mudado e que, portanto, essa
ordem pode variar de computador para computador.

Além disso, um programa qualquer pode dispor tanto de uma interface de chamadas quanto de interface
gráfica. Quando você opera o sistema a partir de linhas de comando, tem uma interface de chamadas (tal
como o Prompt do MS-DOS). Quando você opera a partir de elementos gráficos, tais como janelas e botões
de comando, tem uma interface gráfica. O Windows, fundamentalmente, dispõe de uma interface gráfica,
porém é possível ativá-lo por uma linha de comando: o Iniciar/Executar da barra de tarefas.
53
Unidade I

3.2 Outros sistemas operacionais

Existem vários sistemas operacionais, como o Unix e seus variantes (Linux, GNU) e o OS/2. Considera‑se,
normalmente, que os programas que rodam sobre um sistema operacional não rodam sobre outro, o
que, porém, nem sempre é verdade.

3.2.1 Debian

Debian é uma organização exclusivamente de voluntários dedicada ao desenvolvimento de software


livre e a promover os ideais da comunidade de Software livre. O Debian Project começou em 1993,
quando Ian Murdock lançou um convite aberto a criadores de software para contribuírem para uma
distribuição de software completa e coerente, baseada no relativamente novo Kernel Linux. Esse
relativamente pequeno grupo de dedicados entusiastas, originalmente com fundos da Free Software
Foundation e influenciados pela filosofia GNU1, cresceu com o passar dos anos para uma organização
com cerca de 1.010 debian developers.

3.2.2 Red Hat

O principal produto da Red Hat costumava ser o Red Hat Linux, que era vendido para uso privado e
para as empresas. Porém, em 2004, a Red Hat iniciou uma separação dos dois mercados. Com a criação
do Red Hat Enterprise Linux, a Red Hat começou a concentrar os seus esforços no mercado das empresas,
mais rentável e, após a versão 9, acabou com o desenvolvimento da versão pessoal, o ambiente desktop,
que foi substituído pelo Fedora Core, uma distribuição cuja atualização é mais rápida por ser aberta (o
desenvolvimento é realizado por uma comunidade aberta) e a qual passou a ser patrocinada pela Red
Hat e dirigida pelo Fedora Project, e que deriva da distribuição Red Hat Linux original. A maior parte
das receitas da Red Hat vem das empresas que pagam anualmente as suas subscrições para a versão
enterprise do produto.

3.2.3 Unix

É um sistema operacional portátil, multitarefa e multiusuário, originalmente criado por Ken


Thompson, que trabalhava nos Laboratórios Bell (Bell Labs) da AT&T. A marca UNIX é uma propriedade
do The Open Group, um consórcio formado por empresas de informática.

3.2.4 PC-DOS

O PC-DOS é um antigo sistema operacional da IBM. Sua primeira versão, o PC-DOS 1.0, foi lançada
em agosto de 1981, para o IBM PC-XT.

3.2.5 MAC OS

O Macintosh Operating System (Mac OS) é a denominação do sistema operacional padrão dos
computadores Macintosh produzidos pela Apple. Sua evolução ocorreu até a versão Mac OS X. A primeira

1 
<http://www.gnu.org/philosophy/philosophy.pt-br.html>. Acesso em: 19 jul. 2012.
54
Tecnologias da Informação

versão foi lançada em 1984. Até antes da versão 7.6, era chamado apenas de System (ex.: System 4,
System 7). Da versão 7.6 em diante passou a ser chamado de Mac OS. O Mac OS X (lê-se Mac OS dez, e
não Mac OS xis), um sistema operacional desenvolvido, fabricado e vendido pela Apple destinado aos
computadores Macintosh, que combina a tradicional, mas algo alterada GUI desenvolvida nos anteriores
Mac OS com um estável e comprovado Kernel UNIX.

Foi o primeiro sistema gráfico amplamente usado em computadores a usar ícones para representar
os itens do computador, como programas, pastas e documentos. Também foi pioneiro na disseminação
do conceito de desktop como uma área de trabalho com ícones de documentos, pastas e uma lixeira,
em analogia ao ambiente de escritório. De início, as pastas eram criadas renomeando uma pasta vazia
que estava sempre na raiz do disco. A partir do System 2.0, o sistema foi modificado, com a inclusão do
comando nova pasta no menu Arquivo do Finder.

O lançamento do Mac OS X foi um marco para o sistema operacional. Em sua décima versão, foi
remodelado como um todo, inclusive o kernel, que passou a ser baseado no do Unix BSD. Assim, o Mac
OS X, lançado inicialmente pela Apple Computer em 2001, é uma combinação do Darwin (um kernel
derivado do microkernelMach) com uma renovada GUI chamada Aqua. As primeiras versões do Mach
(não microkernel) foram derivadas do BSD.

3.2.6 OS/2WARP

OS/2 é um sistema operacional da IBM. A sigla significa operating system/2. Foi concebido para
a linha de computadores PS/2, sendo mais tarde adaptado a PCs comuns. Competiu com o Windows
nos anos 1990 no segmento Desktop, mas foi descontinuado pela IBM para o usuário final. Ele ainda é
vendido como pacote de soluções para grandes empresas para rodar no servidor AS/306, permanecendo
restrito ao meio corporativo.

O OS/2 pode ser utilizado ainda não oficialmente por usuários finais por meio do eComStation, que
é nada mais do que a versão 4.52 (2001) com drivers atualizados e versões dos programas OpenOffice e
Mozilla Firefox inclusas.

3.3 Funções de um sistema operacional

O Sistema Operacional de um computador gerencia as operações da CPU, controla a entrada/saída


e os recursos de armazenamento e atividades do sistema de computador e fornece vários serviços de
apoio à medida que o computador executa os programas aplicativos dos usuários. A interface de usuário
é a parte do que permite a este se comunicar com o computador.

Tais interfaces podem ser acionadas por comando (o usuário digita as instruções de comando
pelo teclado), dirigidas por menu (o usuário seleciona com o mouse ou com o teclado os comandos
apresentados na tela) e gráficas (o usuário seleciona comandos, com o mouse ou outros dispositivos
apontadores, que aparecem como ícones, botões, barras e outras imagens). Por meio da interface, o
usuário final tem acesso aos seguintes recursos:

55
Unidade I

• gerenciamento de recursos: programas que administram o hardware de um sistema de


computador, incluindo sua CPU, memória principal RAM, dispositivos de armazenamento
secundários e periféricos de entrada e saída;
• gerenciamento de arquivos: sistemas operacionais também contêm programas de gerenciamento
de arquivo que controlam a criação, a exclusão e o acesso a arquivos de dados convencionais e
programas. O gerenciamento de arquivos envolve a manutenção de registro, a localização física
de arquivos em discos magnéticos e outros dispositivos de armazenamento secundário;
• gerenciamento de tarefas: programas de gerenciamento administram as tarefas de computação
dos usuários finais, visto que é preciso, às vezes, exercer múltiplas tarefas ao mesmo tempo. Eles dão
a cada tarefa uma fatia do tempo de processamento da CPU (multitarefa) e determinam a prioridade
que as tarefas têm umas sobre as outras e quanto tempo mais de processamento é necessário.

Os sistemas operacionais podem conter programas adicionais (ou base para que sejam adicionados
mais tarde) chamados utilitários, que ajudam a manter a integridade do sistema e sua interface com o
hardware do sistema. Utilitários comuns são empregados para desfragmentar a unidade de disco rígido
de um sistema, comprimir o espaço de programas e arquivos necessários para armazenamento ou para
outras funções.

• linguagens: são utilizadas para escrever os programas de computador em nível de máquina ou


de alto nível – linguagem humana. Ex.: SQL, HTML, XML, Delphi, Cobol, Basic, Fortran etc.;
• compiladores: utilizados para depurar e achar erros de programação nas linguagens que
necessitam disso, compactando e criando o executável da linguagem. Ex.: Debug;
• aplicativos: encontrados em pacotes ou individualmente, são utilizados para as aplicações
comerciais Ex.: MS-Office, OpenOffice, StarOffice; seus componentes são:

— editores de texto: para produção de documentos, contratos, cartas, memorandos, enfim, textos
diversos. Ex.: Winword, Wordpad, Starword;
— planilhas eletrônicas: para a execução de cálculos, manipulação de série de dados, simuladores,
gráficos e pequenas macros programáveis. Ex.: Excel, Lótus 123, Starcalc;
— apresentação comercial: para a elaboração de slides para as mais diversas apresentações em
tela ou projeção. Ex.: PowerPoint;

• banco de dados: para manipulação, armazenamento, seleção e uso dos dados. Exemplo: Oracle,
SQL, Mysql, Paradox etc.;
• navegadores: são os programas para navegação na internet, conhecidos como browser, em que
se seleciona o endereço eletrônico e se visualiza a imagem e o código HTML da página no site. Ex.:
IE – Internet Explorer, Mozilla Firefox, Safári, Netscape e outros;
• ferramentas de comunicação: são aquelas que proporcionam interação entre usuários de
forma síncrona e on-line, como bate-papo, Messenger (MSN), Skype (voIP, voz sobre IP – internet
protocolo), chats e outros; e de forma assíncrona, como os fóruns, Orkut (comunicadores) e e-mail;
56
Tecnologias da Informação

• ferramentas: são os programas para administração do computador e dos sistemas, manutenção


dos discos, calculadoras, bloco de notas etc. Exemplo: Pctools, Defrag, Scandoctor, Scandisk;
• antivírus e vacinas: são programas para imunização, limpeza ou prevenção contra vírus de
computador; seu uso é de suma e necessária importância para prevenção de informações e dados.
Ex.: AVG, Norton AntiVirus, Avast, McAfee etc.;
• firewall: é um programa (parede ou barreira de fogo) que fica entre o computador e a internet,
barrando e/ou controlando o acesso às páginas e impedindo que programas suspeitos ou
maliciosos, bem como os vírus, ataquem o computador; pode ser equipamento (HW) ou software.
Ex.: MS-Firewall;
• editoração eletrônica: são programas utilizados para editoração de jornais, revistas e peças
impressas, como anúncios. Ex.: Page Maker;
• softwares de autoria: são as ferramentas case em que se constroem sistemas através de
metodologias de desenvolvimento. Ex.: Rational;
• sistemas integrados: são os softwares que integram as operações das empresas com os bancos
de dados e geram relatórios para controle da unidade de negócio. Ex.: softwares contábeis, folha
de pagamento, contas a pagar e receber, fichas de estoque, sistemas de informações gerenciais
etc.;
• sistemas especialistas: são os desenvolvidos somente para determinada especialidade. Ex.:
software para eletroencefalografia, eletrocardiograma, mapeamento bucal, aferir pressão, injeção
eletrônica, controle numérico computadorizado (CNC) etc.;
• gráficos: programas para desenho em computação gráfica com ou sem animação. Ex.: 3Dstudio,
Wave Front, Final Cut, CAD, CAE, CAM etc.;
• protocolos: são padrões de comunicação aplicados às redes e sistemas; como exemplo, IP –
internet protocol (protocolo de internet), rede 802.11g etc.;
• arquivos: são os dados armazenados em computador ou em uma unidade de memória portátil,
incluindo aqui também as músicas e imagens, representados pelas diversas extensões de cada tipo
de dados, como doc, txt, xls, jpeg, mpeg, mp3, gif, ppt, imp, exe, bak, imp, sys, bat, zip, zar etc.

Saiba mais

Indico o livro de Bill Gates, no qual descreve suas ideias sobre a evolução
Tecnológica:

GATES, B. A empresa na velocidade do pensamento. São Paulo: Schwarcz


Ltda., 1999.

Com essa leitura, você pode aprofundar os conceitos aqui trabalhados.

57
Unidade I

3.4 Software: básico e aplicativo

A palavra software é utilizada para designar o conjunto de instruções (programas) que fazem o
computador executar todas as funções necessárias e desejadas pelos seus usuários. Um programa de
computador é composto por uma sequência de instruções, que é interpretada e executada por um
processador. O software cria a interface e gerencia a entrada, o processamento, a saída, o armazenamento
e as atividades de controle dos sistemas de informação. O software do computador geralmente é
classificado em dois tipos principais de programas: software de sistemas e aplicativos.

• Software de sistemas: são programas que gerenciam e apoiam os recursos e as operações de um


sistema de computador:
— programas de gerenciamento de sistemas: gerenciam o hardware e comunicam informações
cruciais a todo o sistema de informação. Exemplos são os sistemas operacionais (SO), ambientes
operacionais (como as interfaces gráficas do usuário), sistemas de gestão de banco de dados e
monitores de telecomunicações;
— programas de desenvolvimento de sistemas: são ferramentas para gerar novos programas
aplicativos ou aplicações específicas de sistemas de informação. Exemplos são os tradutores de
linguagem de programação, programação de ambientes e pacotes de engenharia de software
auxiliada por computador (case).

• Software aplicativo: são programas que orientam o desempenho de um determinado uso ou


aplicativo de computadores, para gerar produtos de informação específicos pelos usuários finais:
— programas aplicativos de finalidades gerais: permitem aos usuários finais criar grande
quantidade de produtos de informação diferentes dentro de uma categoria de conhecimento
geral. Exemplo: os programas de processamento de textos, planilhas eletrônicas, gerenciamento
de banco de dados, programas gráficos e pacotes integrados;
— programas de aplicações específicas: são voltados para funções muito determinadas dentro
de uma área de negócio. Como exemplos, temos os programas para folha de pagamento,
contabilidade, faturamento ou de controle financeiro.

Existem os programas personalizados (legados e feitos sob medida) e os padronizados. Há uma


tendência (por várias razões: custo, tempo de desenvolvimento, falta de profissionais etc.) em optar
por programas projetados e desenvolvidos por programadores profissionais (dentro da própria empresa)
para a utilização de pacotes padronizados adquiridos pelos usuários finais de fornecedores de software.
Essa tendência torna possível aos usuários finais a produção de produtos de informação, geralmente de
forma rápida e de baixo custo, e a adaptação do programa para fazer novos produtos de informação
sem precisar reescrever o próprio programa – parametrização.

3.4.1 Programas em linguagem de máquina e programas em linguagens procedurais

As linguagens técnicas de programação específicas e mais próximas da linguagem de máquina,


que utilizam códigos de base binária ou simbólicos, ou linguagens procedurais, têm sido preteridas
58
Tecnologias da Informação

por linguagens naturais, não procedurais, que estejam mais próximas à linguagem falada
(geralmente em inglês). Essas linguagens são classificadas como de quarta geração, pois utilizam
interfaces gráficas de usuário que tornam o desenvolvimento de aplicativos de software mais
fácil para usuários finais leigos em programação. Alguns softwares (case) apresentam dispositivos
de ajuda inteligentes (intuitivos) chamados, às vezes, de assistentes, que apresentam ao usuário
algumas características do produto de informação desejado e, em seguida, automatizam o restante
do processo com base nas respostas.

3.4.2 Softwares aplicativos

Há inúmeros programas aplicativos, de finalidades gerais e específicas, comumente utilizados em


empresas. Destacam-se:

• correio eletrônico: software de comunicação que permite enviar mensagens eletrônicas pela
internet ou por uma intranet. Exemplos: Eudora, webmail;
• programas de processamento de texto: são programas que tornam mais fácil a criação,
alteração, edição e impressão de documentos num computador. Exemplos: Microsoft Word, Corel,
WordPerfect;
• planilha eletrônica: software que ajuda a projetar e criar planilhas eletrônicas financeiras para
utilizar em análise, planejamento e modelagem de negócios. Exemplos: Microsoft Excel, Calc;
• apresentações gráficas: software que gera apresentações multimídia de gráficos, animações,
clipes de vídeos e também de páginas da web. Exemplos: Microsoft PowerPoint, Lotus
Freelance;
• software multimídia: é utilizado para criar uma grande variedade de produtos de apresentação,
de informação, com vasta aplicação nas áreas da educação e de entretenimento; normalmente
vem com ferramentas para captar e editar vários tipos de mídia, como vídeo, áudio, animação etc.
Exemplos: Corel Draw, Adobe PhotoShop, Macromedia, Shockwave;
• gerenciadores de informações pessoais: ajuda usuários finais a armazenar, organizar e recuperar
informações, como agendas e compromissos de administração, reuniões e clientes etc. Exemplos:
Lotus Organizer, Microsoft Outlook;
• software de groupware: software de colaboração que auxilia grupos de trabalho ou equipes
a trabalharem juntos na elaboração de tarefas de grupo. Exemplos: Lotus Notes, Microsoft
Exchange;
• navegador de rede: é a interface fundamental de software (browser) que você utiliza para os
recursos da internet, tais como e-mail, sites da rede mundial de computadores, bem como as
intranets e extranets empresariais. Os dois navegadores mais populares são o Mozilla Firefox e
Microsoft Explorer;
• navegadores de rede como cliente universal: são conhecidos como cliente universal, quer
dizer, o componente de software é instalado na estação de trabalho de todos os clientes (usuários)

59
Unidade I

em redes de computadores do tipo cliente/servidor de qualquer empresa. Formam conjuntos


de softwares de comunicação e de colaboração que incluem fóruns de discussão, bancos de
dados, conferência de áudio e de dados, mensagens instantâneas, telefone pela internet (VoIP),
programação de grupo, agendamento e edição de páginas da web.

3.4.3 Programas de gerenciamento de banco de dados

São ferramentas fundamentais para os desenvolvedores de sistemas aplicativos na criação de todo


tipo de cadastros: clientes, funcionários, produtos etc. Os Sistemas Gerenciadores de Banco de Dados
(SGBDs) também permitem aos usuários finais configurar arquivos e registros de bancos de dados em
seus computadores pessoais. A maioria dos pacotes de administradores de base de dados (DBMS) executa
as quatro tarefas básicas:

• desenvolvimento do banco de dados: permite a criação e a organização do conteúdo, as


relações e a estrutura dos dados necessários para construir um banco de dados;
• consulta do banco de dados: permite o acesso aos dados para recuperação de informações e
geração de relatórios;
• manutenção de bancos de dados: possibilita aos usuários adicionar, apagar, atualizar, corrigir e
proteger os dados do banco de dados;
• desenvolvimento de aplicação: possibilita aos usuários desenvolver protótipos de telas de
entrada de dados, consultas, formulários e etiquetas para uma mala-direta.

3.4.4 Multimídia

Refere-se à integração baseada em computador, de gerenciar um conjunto de recursos de


comunicação audiovisual e propiciar alternativas aos usuários finais na forma de adquirir, usar, obter a
vantagem de produtos de informação por meio das múltiplas mídias. Outros recursos que se tornaram
indispensáveis nos meios empresariais e acadêmicos são os programas geradores de gráficos e de bancos
de dados. Reunidos a demais softwares para processamento de texto e de planilha eletrônica, formam
pacotes de software integrados, projetados para trabalhar juntos, como um conjunto de aplicativos de
escritório.

As tecnologias-chave utilizadas para a geração de programas em multimídia incluem:

• linguagem de autoria: uma linguagem de programação de alto nível com comandos em inglês
corrente;
• disco compacto interativo: padrão proposto pela Philips Corp. para leitura de dados de um disco
ótico de CD-ROM;
• áudio comprimido: é projetado para aumentar a capacidade de armazenamento de sistemas de
discos; é uma forma de compactação;

60
Tecnologias da Informação

• sistema de edição por computador: é um sistema de edição de vídeo controlado por computador
para aumentar a precisão e a qualidade da edição quadro a quadro – que depende do hardware
em boas placas de vídeo;
• áudio digital: é uma técnica para armazenar áudio analógico como séries de números, ou seja,
convertendo para o sistema digital;
• vídeo digital interativo: sistema de compressão de imagens de vídeo até uma taxa de 160 por 1,
essencial para converter grandes quantidades de dados gerados nos vídeos digitalizados;
• vídeo interativo: permite que o usuário controle a sequência de eventos que se desdobram numa
tela de vídeo (interferência na sequência de eventos) por meio da manipulação de comandos
realizados em computador.
• Interface Digital de Instrumento Musical (Musical Instrument Digital Interface – MIDI): é o
protocolo de transmissão de dados em série para transportar informação musical entre dispositivos
musicais eletrônicos que sejam compatíveis.
• placa de som: é uma placa de circuito impresso, um software que capta e reproduz um som em
um PC;
• storyboard: um projeto que permite a visualização de uma sequência de cenas cinematográficas,
muito utilizado na publicidade, na animação e em cinema para exibir a estrutura de toda a
obra;
• placa de captura de vídeo: placa de circuito que, junto com software apropriado, permite aos
usuários finais a digitalização de vídeo analógico de diversos dispositivos externos, como televisão,
videocassete, câmaras 8 mm ou ainda máquinas fotográficas.

3.4.5 Softwares aplicativos para e-business

São pacotes de aplicativos que apoiam a tomada de decisão administrativa e os usuários


operacionais.

• Planejamento de Recursos Empresariais (Enterprise Resource Planning – ERP): é um pacote


de softwares interfuncionais para integrar, fazer reengenharia e automatizar os processos
empresariais básicos de uma companhia, para melhorar sua eficiência, agilidade e rentabilidade.
• Administração do Relacionamento com o Cliente (Customer Relationship Management –
CRM): sistema que se baseia em ERPs no sistema de faturamento para analisar e traçar o perfil
dos clientes, visando a conhecer os seus gostos, as preferências, rejeições e os demais hábitos de
compras. Essas ferramentas possibilitam que as companhias identifiquem, atinjam e retenham
seus melhores clientes.
• Administração de Recursos Humanos: são sistemas de informação que apoiam as atividades
de administração de recursos humanos que têm como principal função executar e gerar a folha
de pagamento, além de permitir recrutamento, seleção e contratação, remanejamento de cargos,
avaliações de desempenho, treinamento e desenvolvimento dos funcionários.

61
Unidade I

• Administração Financeira e Contabilidade: são sistemas de informação que registram e relatam


transações empresariais, legais, fluxo de capitais por uma organização e produzem demonstrativos
financeiros. Desse modo, eles oferecem não só informações para planejamento e controle de
operações empresariais, como também a trilha de auditoria para a manutenção de um registro
legal e histórico.
• Administração da Cadeia de Suprimentos: é a cadeia de processos empresariais e de inter-
relacionamentos entre empresas (logística) que precisam construir, vender e entregar um produto
a seu cliente final. Aplicações de administração da cadeia de suprimentos integram práticas de
administração com tecnologias de informação para otimizar a informação e os fluxos de produção,
armazenamento e entrega dos produtos entre esses processos e parceiros.

Uma linguagem de programação permite ao programador ou ao usuário final desenvolver um


conjunto de instruções que constituem o programa do computador. Cada linguagem de programação
possui seu vocabulário, sua gramática e seus usos exclusivos. As principais categorias de linguagens de
programação são estas descritas:

• linguagens de máquina ou linguagens de primeira geração: são níveis mais básicos das
linguagens de programação. Utilizam códigos binários exclusivos para o computador, exigindo
que os programadores tenham um conhecimento detalhado de determinada CPU para a qual
desejam desenvolver um software;
• linguagens assembler ou linguagens de segunda geração: reduzem as dificuldades para
escrever o código de linguagem por meio do uso de programas tradutores (assemblers) que
convertem a linguagem simbólica do código em linguagem de máquina;
• linguagens de alto nível ou linguagens de terceira geração: utilizam instruções chamadas
declarações, que se assemelham à linguagem humana ou a instruções matemáticas. São traduzidas
em linguagem de máquina por compiladores ou intérpretes;
• linguagens de quarta geração: esse termo descreve uma série de linguagens de programação
que são menos procedurais e mais conversacionais que as linguagens anteriores. Linguagens não
procedurais deixam que os programadores especifiquem os resultados que desejam, enquanto o
programa trabalha com o computador para determinar a sequência de instruções que produzirá
aqueles resultados;
• linguagens orientadas a objetos: a Programação Orientada a Objetos (OOP) vincula dados e
instruções em objetos que podem ser combinados de muitas maneiras diferentes com outros
objetos para criar programas. Ao contrário das linguagens procedurais, os sistemas orientados
a objetos ordenam que outros objetos executem ações sobre si mesmos. Assim, os objetos são
mais eficientes e podem ser utilizados de novo para criar novos programas. Java é um exemplo
de uma programação orientada a objeto, especificamente projetada para aplicações em tempo
real, interativas e baseadas em redes. O que torna a Java tão especial é que ela é independente
de plataforma computacional, o que significa que qualquer computador e qualquer sistema
operacional em qualquer lugar de uma rede pode executá-la;

62
Tecnologias da Informação

• HTML: é uma linguagem de descrição de página que cria documentos em hipertexto ou hipermídia.
A HTML embute códigos de controle, ou rótulos (tags) no texto ASCII de um documento. Esses
rótulos são utilizados para designar títulos, cabeçalhos, gráficos, componentes de multimídia,
além de hyperlinks dentro do documento;
• XML: ao contrário da HTML, a XML descreve o conteúdo de páginas da web, identificando os
rótulos de contexto aos dados em documentos dessa rede. Classificando dados desse modo, uma
informação de uma web site em XML é mais fácil de ser encontrada, classificada e analisada.

Pacotes de programação ajudam os programadores no desenvolvimento de programas de computador.


Incluem-se:

• programas tradutores de linguagem: traduzem um conjunto de instruções para a linguagem de


máquina do próprio computador. Os mais típicos são:
— assembler: traduz os códigos de instrução simbólica de programas escritos em uma linguagem
assembler em linguagem de máquina;
— compilador: traduz as instruções de linguagem de alto nível;
— intérprete: é um tipo especial de compilador que traduz e executa uma instrução de programa
de cada vez;

• ferramentas de programação: as comuns incluem os editores orientados a gráficos e os depuradores


para ajudar a identificar e evitar erros durante a programação.

Saiba mais

Para ampliar seus conhecimentos e aprofundar nas questões


de sistemas, indico o seguinte filme que relata o início da Apple e da
Microsoft:

PIRATES of silicon valley [Hackers, piratas da informática / Piratas de


computador]. Direção: Martyn Burke. Warner Home Video, 1999. 1 DVD
(97 min.).

4 Conceitos de Telecomunicações

Com a necessidade crescente de interligação de unidades, empresas com filiais, lojas com escritórios,
pessoas com seus computadores a distância e a própria comunicação pessoal, e de ter à disposição dados
e informações, em qualquer local e momento, as telecomunicações fazem-se presentes e importantes
na vida profissional e pessoal dos profissionais atuais.

63
Unidade I

Utilizando o conceito de emissor, meio e receptor, adequando-o à informática, temos, por meio
dos satélites, redes tradicionais de cabos e redes sem fios, a união dos dispositivos eletrônicos, fixos ou
móveis, remotos ou locais aos servidores e à própria internet.

Esse conceito é formador da metodologia de TI, que reúne hardware, software, redes, dados e
informações disponíveis a qualquer momento e em qualquer local, em que você pode acessar suas
informações, transacionar com o banco, o governo, fornecedores e clientes, para trabalho, diversão e
entretenimento.

As redes de computadores surgiram com a necessidade de integração do hardware dos computadores,


inicialmente nos anos 1960, com os Mainframes (computadores de grande porte), em decorrência da
necessidade de operacionalização e funcionamento dos periféricos.

Nos anos 1970, a necessidade era a interligação de computadores localizados em endereços ou


locais físicos diferentes; daí as tecnologias de redes do tipo ponto a ponto utilizando estruturas de
telecomunicação baseadas em telefonia pública (o embrião da internet no mercado americano).

Já na segunda metade da década de 1980, com a evolução e disponibilização da infraestrutura de


telecomunicação pública e, principalmente nos anos 1990, com o uso da internet na plataforma gráfica,
entenda-se aí Windows, ocorreu uma disseminação muito forte do uso de redes, mas ainda com custos
elevados de implantação, manutenção e operacionalização, aliados a diversos sistemas operacionais
de redes, que, ao passarem a adotar o protocolo TCP/IP, padronizaram-se ou foram substituídos pelo
Windows.

A partir de 2000, o barateamento do hardware de rede e a adoção do protocolo TCP/IP, com a espantosa
e rápida evolução da internet muito mais em relação às pessoas, e, nas empresas, as tecnologias de redes
popularizam-se, ocorrendo, consequentemente, o uso com o incremento do hardware direcionado à
computação pessoal, à integração com o celular, com o notebook, o netbook e PDA (assistente pessoal
digital); com as tecnologias de redes móveis, 3G e 4G, intensificam e colocam as redes não só nas
corporações como nos pequenos negócios e nas residências.

Essas tecnologias de redes, com ou sem fio, promovem uma maior integração dos componentes
de hardware, software e peopleware, barateando ainda mais o custo e mudando o papel das redes,
que passaram de simples integradoras de hardware para compartilhadoras de recursos, integrando os
sistemas, dados, impressoras e pessoas.

4.1 Redes de comunicação de dados e telecomunicações

A comunicação eletrônica que origina uma mensagem escrita, sonora ou imagem é a transmissão de
um sinal de um remetente por meio de um condutor, ou seja, o veículo que transporta eletronicamente
o sinal da origem até o seu destino.

As telecomunicações referem-se à transmissão eletrônica de sinais utilizando os meios atualmente


disponíveis, que são cabos de linha telefônica, cabos de dados aéreos – terrestres ou submarinos,
64
Tecnologias da Informação

ondas de rádio e satélite. A comunicação dos dados faz uso do hardware, do software e dos meios de
telecomunicações disponíveis nas regiões de cada país.

As redes de computadores consistem em dispositivos que conectam os equipamentos – hardwares –,


entre si para se estabelecer a comunicação de dados locais (Local Area Network – LAN), redes municipais
(Metropolitan Area Network – MAN) e redes internacionais (Wide Area Network – WAN).

As quatro principais formas de se utilizar estrategicamente a tecnologia da informação são:

• barreiras de tempo: o uso dos sistemas de informação conectados pelas telecomunicações


(on‑line) é fundamental para superar as barreiras de tempo, concentrando-se na redução de
intervalos e nas operações Just-in-time. O objetivo é encurtar o tempo de resposta dos fornecedores,
as demandas do cliente e reduzir o investimento nos estoques a um mínimo. Oferecer informações
em tempo real (real-time) significa identificar imediatamente uma necessidade e oferecer a
solução;
• barreiras geográficas: redes de telecomunicação dão acessibilidade instantânea a todos os
recursos da organização para compartilhar as habilidades e resolver problemas ou aproveitar
oportunidades. As comunicações de dados utilizadas nas tecnologias de computação tornam
possível executar atividades empresariais chaves nos locais em que são mais necessárias, melhor
executadas ou onde apoiem melhor a vantagem competitiva de uma empresa;
• barreiras de custo: os avanços das telecomunicações permitem que os sistemas de informação
sejam compartilhados com rapidez entre funcionários, clientes e fornecedores baseados em
qualquer lugar do mundo. Também facilita a coordenação local das atividades e integração dos
departamentos de uma empresa, aumentando a eficiência operacional e dando suporte à tomada
de decisão. Com isso, a redução dos custos é significativa em muitas áreas: vendas, produção,
estoques e distribuição. Por exemplo, a tomada de decisão numa unidade remota (filial) pode ser
implementada sob a orientação da direção que está centralizada (matriz) com maior economia,
sem sacrifício da eficiência do processo;
• barreiras estruturais: as telecomunicações podem fazer com que um sistema de informação de
vendas continue funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana, vendendo mesmo quando
a empresa física estiver fechada. Dessa forma, são vencidas as barreiras estruturais tradicionais
dos negócios que restringem a forma como a empresa é administrada (horário de atendimento ao
público e disponibilidade de mão de obra). Além disso, otimizam o tempo de processamento dos
pedidos feitos ao canal de distribuição, que reagem rapidamente à demanda do cliente.

A internet é a rede mundial de computadores, e seu nome quer dizer “entre redes” (inter = entre
e net = redes); é o modelo da “infovia”, ou rodovia da informação. É acessível a todos aqueles que
possuem computador com modem, software de comunicação e conta um provedor (empresa jurídica
como a Telefônica, por exemplo) de acesso (exigência da Anatel, empresa brasileira que regulamenta as
telecomunicações no Brasil). Veja, em seguida, as ramificações da internet em todo o globo:

65
Unidade I

Figura 20 – Concentração de redes de fibra óptica nos EUA

A internet desenvolveu-se a partir de uma rede criada em 1969 pelo Departamento de Defesa dos
Estados Unidos e foi batizada de Arpanet. A sua maior característica é permitir que se conectem redes
com computadores e sistemas operacionais de todos os tipos. Ninguém a “dirige”, do ponto de vista
mundial (como se fosse um monopólio), ela não é controlada por uma sede central pública ou privada. É
criada e mantida pelas empresas de telecomunicações de cada país onde é acessada, conectando umas
às outras.

A partir de 1995, a internet tornou-se comercial, saindo do controle acadêmico-científico.


Surgem então mais de 1,5 milhões de redes de hospedagem na internet criadas pelas diversas
organizações. As empresas estão no negócio, em parte, para tirar vantagem das comunicações
fáceis com todo o mundo, disponíveis por meio de correio eletrônico e de protocolos de
transferência de arquivo (File Transfer Protocol – FTP). Elas também estão no ciberespaço por
encontrar aí o canal de realização de transações comerciais – comércio eletrônico – comprando
e vendendo bens e serviços para clientes distantes conectados por meio das telecomunicações
no padrão da TCP-IP.

Muitas empresas públicas e privadas descobriram o valor empresarial da internet pelo comércio
eletrônico. Reduções de custos significativos podem ocorrer devido às aplicações que utilizam a internet
e às tecnologias que se apoiam nela (como as intranets e extranets), geralmente desenvolvidas, operadas
e mantidas de forma menos dispendiosa que os sistemas tradicionais. Exemplo: os bancos comerciais
poupam enormes quantias em dinheiro cada vez que os clientes utilizam seu site em lugar de utilizarem
as agências ou o sistema de suporte telefônico da companhia.

Há outras importantes razões de valor comercial, que incluem atração de novos clientes com
marketing e produtos inovadores, assim como a retenção da clientela com melhor atendimento e
suporte on-line. Para algumas empresas, o comércio pela internet é a única fonte de receitas por meio
de aplicações de valor comercial.

Em suma, as empresas estão criando web sites de comércio eletrônico, independentemente de lojas
físicas, visando a seis principais itens de valor comercial:
66
Tecnologias da Informação

1. Gerar novas fontes de receitas de vendas on-line.


2. Reduzir custos por meio de vendas e atendimento ao cliente on-line.
3. Atrair novos clientes via marketing eletrônico e propaganda na rede (mailing list) para vendas
on-line.
4. Aumentar ou manter a fidelidade dos clientes existentes a partir do aperfeiçoamento do serviço e
do suporte ao cliente via internet.
5. Desenvolver novos mercados e canais de distribuição para seus produtos e serviços via web.
6. A partir do conhecimento do perfil dos seus clientes, desenvolver novos produtos com base em
informações prospectadas na rede.

Como qualquer modelo de comunicação, segue-se o padrão, que é uma rede de telecomunicações:
conectar um emissor a um receptor em um canal para compartilhar mensagens. Os componentes
básicos são:

• terminais: microcomputadores conectados ou estações de entrada e saída de vídeo que fazem a


ponta final no processo de emissão e recepção para a rede;
• canais de telecomunicações e mídia: um canal conecta um usuário ou a rede toda com os
demais participantes/interessados de outra rede. A mídia é o meio ou modo específico pelo qual
o canal é conectado. Os canais de telecomunicações utilizam combinações de diversas mídias,
como fios de cobre, cabos coaxiais, cabos de fibra ótica e rádios de micro-ondas para transmitir
informações;
• computadores: todos os tipos e tamanhos de computadores podem ser e são conectados a
redes de telecomunicações seguindo o protocolo-padrão da Internet, que é o TCP-IP. É comum
as redes incluírem um mainframe como anfitrião para a rede (host), um minicomputador como
um processador de front-end e um microcomputador de uso comum, como um servidor de rede
para um pequeno grupo local de estações de trabalho de microcomputadores conectados numa
LAN;
• software de controle de telecomunicações: controla a interação dos computadores e o fluxo de
informação pelas telecomunicações. Mainframes utilizam monitores de telecomunicações para
atuarem como computadores anfitriões (host). Os microcomputadores que atuam como servidores
dispõem de sistemas operacionais de rede especialmente projetados para esse fim, enquanto os
microcomputadores individuais da rede acessam suas funções por meio dos vários programas de
comunicações existentes;
• redes locais (LAN): conectam computadores e outros dispositivos de processamento de informação
a um servidor, dentro de uma área física limitada, que pode ser um escritório, uma sala de aula,
um prédio, uma fábrica etc. As LANs são comuns em muitas organizações por disponibilizarem
acesso à rede de telecomunicações que conecta usuários finais em escritórios, departamentos e
outros grupos de trabalho;

67
Unidade I

• redes remotas municipais (MAN): cobrem cidades e todas as áreas geográficas. Redes que cobrem
uma grande cidade ou área metropolitana fazem parte dessa categoria, sendo essenciais para
realizar as atividades cotidianas das organizações pública e privadas;
• redes remotas transnacionais (WAN): cobrem grandes áreas geográficas, conectando cidades,
áreas metropolitanas, estados e países. Tornaram-se uma necessidade para realizar as
atividades cotidianas, conectando as organizações privadas e governamentais e seus usuários
finais;
• servidor de rede: como mencionado anteriormente, este é um PC compartilhado, com uma grande
capacidade de disco rígido para armazenamento secundário. Muitos servidores também têm mais
RAM que cada uma das estações de trabalho na rede;
• sistema operacional (software) de rede: é apropriado para executar o controle, a interface entre os
usuários e o hardware de máquina, e também os periféricos de telecomunicações que os conecta.
São softwares que controlam o compartilhamento de recursos e o fluxo de comunicações entre
computadores e periféricos em uma rede local (LAN);
• interconexão: a maioria das LANs é conectada a outras redes por meio de telecomunicações,
as quais podem ser outras LANs e MANs, redes remotas, mainframes (ou host) ou redes muito
extensas, como a internet, as WANs.

Processamento distribuído é a capacidade de dividir as demandas de uma determinada tarefa por


toda a rede para tirar proveito da capacidade ociosa de processamento.

Arquiteturas cliente-servidor, que são frequentemente utilizadas nas empresas, possuem os seguintes
componentes:

• cliente: é, geralmente, um microcomputador que atende a um usuário final para a maior


parte de suas necessidades de processamento. Programas para o cliente e capacidade extra de
processamento são fornecidos, quando necessários, pela rede;
• servidor: é um anfitrião ou um mainframe que se ocupa do controle da logística de
encaminhamento de dados, informações e capacidade de processamento aos clientes no sistema.
Em redes pequenas, o servidor poderia ser um único PC. Em redes maiores, o servidor pode ser
um minicomputador ou um mainframe. Em organizações muito grandes, várias redes poderiam
ser servidas, cada uma por seu próprio minicomputador, o qual, por sua vez, conecta‑se ao
mainframe anfitrião.

A maioria das organizações utiliza um sistema de Redes Privadas Virtuais (VPNs). Uma rede privada
virtual utiliza com segurança a internet – uma rede pública –, como sua principal rede de distribuição,
mas se apoia nos firewalls e em outros dispositivos de segurança de suas conexões de internet e de
intranet. Exemplo: uma Rede Privada Virtual (VPN) permite a uma empresa utilizar a internet para criar
intranets seguras e conectar os escritórios de suas filiais distantes e suas fábricas e extranets seguras
entre ela e seus clientes e fornecedores.

68
Tecnologias da Informação

Sistemas de comunicação: incluem o rádio, a TV, o fac-símile (fax), a telefonia convencional


e a comunicação escrita. Os sistemas não convencionais incluem as redes de computadores. Ambos
completam os sistemas de informação, pois um necessita do outro, considerando que comunicação
depende de: emissor, receptor, meio de transmissão e mensagem.

A telecomunicação é o processo de comunicação de dados entre redes de computadores


interconectadas e dispositivos periféricos para processar e trocar dados e informações. É a união dos
sistemas de comunicação com os sistemas de informação na chamada convergência de tecnologias
de informação. O hardware específico, como o modem, por exemplo, permite aos computadores de
locais distantes compartilharem informações utilizando linhas telefônicas e outras formas – mídias –,
de transmissão de dados.

Além dos elementos da comunicação, deve-se adicionar integridade e privacidade às


transações de telecomunicação, visando, especialmente, à segurança para viabilizar negócios
remotamente. Exemplo: transações bancárias pela internet, comércio eletrônico, mensagens
eletrônicas etc.

A evolução das telecomunicações pode ser bem observada nas novas gerações de celulares: 2G, 2,5G
e 3G, que tendem a incorporar nos aparelhos os recursos de rede sem fio, de internet, de web, de Voz
pela Internet (VoIP) etc. A telefonia móvel de segunda geração (2G) não é um padrão ou um protocolo
estabelecido, é uma forma de nomear a mudança de protocolos de telefonia móvel analógica para
digital.

A 3G é a terceira geração de padrões e tecnologias de telefonia móvel, substituindo a 2G. É baseada


na família de normas da União Internacional de Telecomunicações (UIT), no âmbito do Programa
Internacional de Telecomunicações Móveis do International Mobile Telecommunications (IMT-2000).
É um padrão global para a terceira geração (3G) de comunicação sem fio, definido pela International
Telecommunication Union (UIT ou ITU).

Uma rede de computadores é um sistema de microcomputadores e servidores reunidos por


software e hardware de telecomunicações. Computadores em rede conseguem um poder suplementar
de computação dos outros computadores na rede, o que pode incluir outros microcomputadores,
minicomputadores e mainframes.

Os canais de telecomunicações fazem uso de uma ampla gama de mídias que, em alguns casos,
complementam-se: quando usadas mais de uma, amplia as funções e características da rede de
telecomunicações. Em outros casos, as mídias competem diretamente entre si e esperam conseguir os
clientes de outras mídias. Algumas das principais mídias de telecomunicações (já tratamos de algumas
delas anteriormente), são:

• fios de pares trançados: é a linha telefônica tradicional – par metálico – utilizada em todo o
mundo. É a mídia de telecomunicações mais amplamente difundida, mas está limitada pela
quantidade de dados que consegue conduzir e a velocidade de transmissão;

69
Unidade I

• cabo coaxial: é um fio rígido de cobre ou de alumínio envolto em espaçadores, geralmente


plástico, para seu isolamento e proteção. Pode levar mais informação e em velocidades superiores
às dos fios trançados (10/100/1000 MBPS). É também é um portador de alta qualidade, com pouca
interferência; porém, de alto custo; é geralmente limitado às LANs;
• fibras óticas: são filamentos capilares de fibra de vidro torcidos e envolvidos em uma capa protetora.
Elas transmitem pulsos luminosos para portar informação e, sendo então canais extremamente
rápidos, confiáveis e com a vantagem de não produzirem nenhuma radiação eletromagnética.
Contudo, a junção (fusão) dos cabos em conexões é difícil;
• micro-ondas terrestres: a radiação por micro-ondas terrestres transmite sinais de rádio por meio
de suas antenas de alta velocidade em caminhos de linha reta entre as estações de repetição;
• satélites de comunicações: em órbita geossíncrona, são utilizados para transmitir e receber sinais
de micro-ondas para qualquer lugar da Terra que utilize antenas parabólicas para recebê-los e
enviá-los;
• rádio celular: transmissores de baixa potência dentro de cada célula (limitada ao alcance da antena)
do sistema, que permitem aos usuários a utilização de várias frequências para comunicações;
• LANs sem fios: algumas redes locais são completamente sem fios (wireless), utilizando transmissão
por ondas de rádio ou infravermelhas, eliminando, assim, o custo de instalação de fios de dados
nos prédios existentes;
• Modem (Modulador-DEModulador): um dispositivo que converte os sinais digitais de dispositivos
de entrada e saída em frequências adequadas (analógicas) para transmissão e, em outro terminal
de recepção, converte-os novamente de analógicos a sinais digitais;

A função básica de um multiplexer é combinar múltiplas entradas num único terminal de dados. No
lado da recepção, um multiplexer divide o fluxo único de dados nos sinais múltiplos originais.

• multiplexador: muitos para muitos – é um dispositivo eletrônico que possibilita a um único canal
de comunicações transmitir dados simultâneos de muitos terminais;
• processadores de Internet work: processadores de comunicações utilizados por redes locais para
conectá-las com outras redes, locais ou remotas. Exemplos incluem chaves, roteadores, hubs,
switches e gateways;
• firewall: porta de fogo virtual formada por computadores, processadores de comunicações e
software que protegem as redes de computadores de invasão, filtrando todo o movimento na
rede e atuando como um ponto seguro de transferência para acesso a e de outras redes;
• middleware: é a designação genérica utilizada para referir os sistemas de software que se
executam entre as aplicações e os sistemas operativos. Software que ajuda vários sistemas de
computadores conectados a trabalharem juntos, promovendo, assim, a sua interoperabilidade.
O objetivo do middleware é facilitar o desenvolvimento de aplicações, tipicamente aplicações
distribuídas, assim como facilitar a integração de sistemas legados ou desenvolvidos de forma não
integrada;

70
Tecnologias da Informação

• processamento distribuído: um sistema de processamento distribuído ou paralelo é um sistema


que interliga vários nós de processamento (computadores individuais que podem ser de vários
tipos e marcas) de maneira que um processo de grande consumo seja executado no nó “mais
disponível”, ou mesmo subdividido por vários nós, conseguindo, portanto, ganhos óbvios nessas
soluções: uma tarefa qualquer, se divisível em várias subtarefas, pode ser realizada em paralelo.
É a capacidade de dividir as demandas de uma determinada tarefa por toda a rede, para tirar
proveito da capacidade disponível de processamento.

Software de administração de rede: conjunto ou solução de software como os sistemas operacionais


de rede e de telecomunicações utilizados para determinar prioridades de transmissão, enviar (trocar)
mensagens, verificar terminais na rede e formar linhas de espera (filas) de pedidos de transmissão.

4.2 Conceitos de redes LAN, MAN e WAN

Há vários tipos básicos de topologias ou estruturas de rede, em redes de telecomunicações empregadas


para criação das LANs, MANs e WANs.

4.2.1 LAN

A rede local denominada LAN, Local Area Network, interliga os microcomputadores, as impressoras,
hub e switch, dados em discos e servidores em um espaço físico local, dentro de um mesmo prédio, por
exemplo. Pode ser com ou sem fio, em diversas estruturas e arquiteturas.

PC PC PC Banco de dados
e pacotes
de software
compartilhado

Servidor de rede

PC PC
Impressora
compartilhada

Processador de interconexão
com outras redes

Figura 21 – Rede local

4.2.2 MAN

As MAN, Metropolitan Area Network, redes remotas municipais, cobrem cidades e todas as áreas
geográficas são essenciais para realizar as atividades cotidianas das organizações pública e privadas.

71
Unidade I

PC PC PC Banco de dados
e pacotes
de software
compartilhado

Servidor de rede

PC PC
Impressora
compartilhada

Processador de interconexão
com outras redes

Figura 22 Rede metropolitana

4.2.3 WAN

A WAN, World Area Network, é uma rede mundial, interliga diversos servidores, microcomputadores
e várias estruturas de redes mundialmente, intercontinentalmente, estabelecendo, assim, a internet.

San Francisco
San Ramon

Richmond Calgary Aberdeen


Bakersfield Londres
Langley
Genebra

New Orleans
La Habra
Houston

Cingapura
Abidjan
Nova Guiné

Brisbane

Figura 23 Principais links (backbones) de redes no mundo

72
Tecnologias da Informação

Ontário

Califórnia Noruega

Manitoba Rede Bélgica


Remota
Mundial
Colúmbia Brasil
Britânica
África do
Japão Sul
Chile

Figura 24 – Principais nós de servidores no mundo

Três topologias básicas utilizadas em redes remotas e em redes locais de telecomunicações são:

• Estrela: uma rede que conecta os computadores de usuários finais a um computador central
(servidor);

Rede estrela

Figura 25 – Topologia de rede em estrela

73
Unidade I

• Anel: uma rede que conecta os computadores locais entre si, formando um anel;

Rede anel

Figura 26 – Topologia de rede em anel

• Barramento: é aquela na qual computadores locais compartilham o mesmo barramento (cabo) ou


canal de comunicações.

• Barramento varal ou BUS: é aquela na qual computadores locais compartilham o mesmo


barramento (cabo) ou canal de comunicações.

Rede de barramento

Figura 27 – Topologia de rede em barramento

74
Tecnologias da Informação

• Ponto a ponto: é a mais antiga das configurações e pouco utilizada atualmente. Permite a ligação
entre dois computadores com aplicações para ligar um micro a um notebook.

Rede ponto a ponto

Figura 28 – Topologia de rede ponto a ponto

Quadro 1 – Comparação entre as topologias de redes

Topologia Pontos positivos Pontos negativos


A rede pode ficar lenta em momentos de
Estrutura simples; requer menos cabos para
Barramento uso mais intenso; as falhas são difíceis de
instalar. localizar.
Instalação razoavelmente simples; apresenta Na falha de uma estação, toda a rede para de
Anel desempenho uniforme sob condições diversas de funcionar.
tráfego.
Mais tolerante a falhas, fácil de instalar e de Custo de instalação mais elevado porque
Estrela monitorar. utiliza mais cabeamento.

Fonte: Pinheiro, 2006.

Algumas topologias ligam-se à unidirecionalidade ou bidirecionalidade do meio de transmissão.


Fora esse fator, teoricamente, qualquer meio de transmissão pode ser usado em qualquer topologia.
Entretanto, algumas combinações são mais usadas do que outras nas redes de computadores atuais
devido aos custos dos dispositivos e acessórios, que inviabilizam seu uso em alguns projetos de
redes.

A tabela a seguir apresenta as combinações de mídias de transmissão mais usadas em redes de


computadores. Nela também foi considerada a característica de unidirecionalidade ou bidirecionalidade
do meio, quando requerida.

Quadro 2 – Combinação de mídias de transmissão com a topologia da rede

Mídia de Transmissão Barramento Anel Estrela


Cabo de Par Trançado X X X
Cabo Coaxial X X
Cabo de Fibra Óptica X

Fonte: Pinheiro, 2006.

Existem alguns objetivos a serem alcançados com a construção de uma rede de computadores
qualquer. Quando interconectamos computadores, eles podem processar mais e melhor as informações
e, quando as pessoas trabalham em rede, concretizam tarefas em um menor espaço de tempo e com
menos esforço, ou seja, com mais eficiência.

75
Unidade I

Utilizar corretamente uma topologia de rede significa proporcionar aos usuários uma estrutura com
confiabilidade e segurança, necessários para que o intercâmbio de informações ocorra satisfatoriamente
e que atenda as necessidades de comunicação de todos.

Quase todas as redes em uso têm como base algum tipo de padrão de Interconexão de Sistemas
Abertos ou OSI (Open Systems Interconnection). O padrão OSI foi desenvolvido em 1984 pela
Organização Internacional de Normas (ISO), uma federação global de organizações nacionais de normas
que representa cerca de 130 países. O centro desse padrão é o modelo de referência OSI, um conjunto
de sete camadas que define os diferentes estágios pelos quais os dados devem passar de um dispositivo
para outro em uma rede. Vejamos cada uma delas:

• camada de aplicação: fornece todos os serviços de comunicações para aplicações do usuário final;
• camada de apresentação: fornece todos os formatos e códigos para transmissão apropriada de
dados;
• camada de sessão: apoia todas as sessões de telecomunicações;
• camada de transporte: apoia toda a organização e a transferência de dados entre os nós na rede;
• camada de rede: fornece roteamento adequado pelo estabelecimento das conexões entre os links
de rede;
• camada de ligação de dados: apoia toda a organização e a transmissão de dados livres de erros na
rede;
• camada física: fornece toda a transmissão física de dados nos principais meios de telecomunicações
na rede.

Saiba mais

Leia o artigo de Ana Lúcia Moura Fé, intitulado “Reforma geral na


rede”, disponível neste endereço: <http://info.abril.com.br/corporate/
infraestrutura/reforma-geral-na-rede.shtml>. Acesso em: 10 jul. 2012.

Com uma total reconstrução de sua infraestrutura, a TecBan dá um


salto em nível de segurança, ganha mais flexibilidade e reduz custos.

Exemplo de aplicação

Após a leitura do artigo “Reforma geral na rede”, responda às questões para colocar em prática seu
aprendizado e fixar os conceitos que estudamos neste livro-texto.

76
Tecnologias da Informação

Questões:

1) Na visão de administrador, relacione a importância dos conceitos da TI, identificados no case e na


teoria apresentada na Unidade I.

2) Identifique o papel da TI no case apresentado.

3) Como você entende a importância do conhecimento dos termos da TI no desempenho de suas


funções no dia a dia?

Respostas:

1) É importante conhecer os termos técnicos e terminologias de TI para desempenhar a ação de


planejamento e execução para as etapas que um projeto possa vir a requerer.

2) Você deve falar sobre o papel estratégico de TI, nas organizações, como infraestrutura na tomada
de decisão ou como a própria decisão, assim podemos ver no case, em que a saída encontrada é a
tecnologia em hardware (computadores e servidores) e em rede.

3) É importante para o entendimento dos tipos de equipamentos e soluções que devem ser
apresentadas à empresa na busca de produtividade e redução de custos, mesmo que para isso se decida
por uma solução mais cara, mas a longo prazo mais vantajosa.

Resumo

Nesta unidade, apresentamos os conceitos de tecnologias da informação,


exemplificando as tecnologias existentes, demonstrando também, quanto à
criação e inovação, as mais recentes aplicações disponíveis e as vantagens
desse mundo informatizado, que pela óptica da informática, contribui no
processo de automação e nos leva a melhores índices de produtividade.

Para desvendar as tecnologias, foram apresentados os conceitos e


definições da Tecnologia da Informação, o seu entendimento e a utilização
por parte das empresas e das pessoas, relacionando os equipamentos
(hardware) e os programas (softwares) que são utilizados e a correta
nomenclatura dos dispositivos (periféricos), incluindo os componentes
eletrônicos, a placa mãe e as memórias, dando assim uma maior visualização
desse mundo. Transpondo uma linguagem técnica para aquela mais próxima
do dia a dia, procuramos desmistificar os microcomputadores e todos os
termos técnicos de sua composição, que para muitos são complicados.

77
Unidade I

Com relação às redes de computadores, trabalhamos sua montagem


e a disposição dos equipamentos (hardware de rede) e as aplicações,
conjuntamente com os softwares e sistemas, as vantagens e a velocidade,
além da integração que as redes proporcionam, principalmente com a
integração de plataformas diferentes pelo uso da internet.

Falando em redes, vem a imediata preocupação com a segurança da


informação, assunto que abordamos com o intuito de esclarecer, prevenir
e demonstrar as metodologias, procedimentos e normas. E como isso
somente não basta para resolver os prováveis problemas em decorrência
de vírus, comentamos os antivírus, as vacinas e as medidas preventivas que
estão incluídas na metodologia e procedimentos destes.

Como aplicação principal de redes, trabalhamos genericamente os


conceitos de internet e, especificamente, as modalidades de comércio e
negócios eletrônicos, tipificando e exemplificando, mostrando as aplicações
e trabalhando com a produtividade proporcionada pelo uso.

Quanto à criação e desenvolvimento de sistemas, abordamos as noções


e conceitos necessários para planejar e projetar um sistema baseado
na necessidade do usuário e no atendimento dos requisitos de uma
organização. Esse usuário é o trabalhador desempenhando sua atividade,
que, por fim, está baseada nos processos.

Por fim, comentamos sobre a inovação com o uso das tecnologias,


comentando as aplicações e tendências de uso de sistemas (softwares e
hardwares), com base nas demandas empresariais e pessoais, demonstrando
as mais diversas formas de comunicação e computação que atualmente
são desenvolvidas e estão à nossa disposição, algumas vezes até gratuitas
ou com uma sensível redução de custos.

Esses enfoques são trazidos a você, caro aluno, no intuito de demonstrar


um pouco deste iceberg de informações, oportunidades e opções do mundo
da tecnologia em uma fração de tempo, pois a inovação e o desenvolvimento
não param e, com certeza, já temos algum lançamento de Tecnologia da
Informação que nos obriga a dizer que esse estado da arte já está defasado.
Bem-vindos ao mundo da revolução da Informação.

Exercícios

Questão 1. (prova de Bacharelado em Ciência da Computação, Enade 2008). Na comunicação


sem fio, o espectro de radiofrequência adotado é um recurso finito e apenas determinada banda de
frequência está disponível para cada serviço. Dessa forma, torna-se crítico explorar técnicas de múltiplo
78
Tecnologias da Informação

acesso que permitam o compartilhamento da banda de frequência do serviço entre os usuários. Que
opção apresenta apenas técnicas de múltiplo acesso para o compartilhamento da banda de frequência
alocada a um serviço?

A) Bluetooth, WiFi e WiMax.


B) CDMA, GSM e TDMA.
C) 3G, WAP e ZigBee.
D) CDMA, FDMA e TDMA.
E) CCMP, TKIP e WEP.

Resposta correta: Alternativa D.

Análise das alternativas

A) Alternativa Incorreta.

Justificativa: não são técnicas de múltiplo acesso, mas tecnologias móveis de comunicação.

B) Alternativa Incorreta.

Justificativa: GSM não é uma técnica de múltiplo acesso, mas sim uma tecnologia móvel de
comunicação.

C) Alternativa Incorreta.

Justificativa: não são técnicas de múltiplo acesso. 3G e ZigBee são tecnologias móveis de comunicação
e WAP é um protocolo para internet móvel.

D) Alternativa Correta.

Justificativa: somente esta alternativa inclui apenas técnicas de múltiplo acesso. CDMA: dados e voz
separados dos sinais por códigos e, posteriormente, transmitidos em amplo conjunto de frequências.
FDMA: o espectro de frequências disponíveis é dividido em canais, sendo cada um destes alocados para
um usuário no momento da chamada. TDMA: divisão dos canais de frequência em intervalos de tempo.

E) Alternativa Incorreta.

Justificativa: não são técnicas de múltiplo acesso, mas protocolos de segurança para redes sem fio.

Questão 2. (prova de Bacharelado em Ciência da Computação, Enade 2008). Uma arquitetura de


rede é usualmente organizada em um conjunto de camadas e protocolos com o propósito de estruturar
o hardware e o software de comunicação. Como exemplos, têm-se as arquiteturas OSI e TCP/IP. A
79
Unidade I

arquitetura TCP/IP, adotada na Internet, é um exemplo concreto de tecnologia de interconexão de redes


e sistemas heterogêneos usada em escala global. Com relação à arquitetura TCP/IP, assinale a opção
correta.

A) A camada de interface de rede, também denominada intra-rede, adota o conceito de portas para
identificar os dispositivos da rede física. Cada porta é associada à interface de rede do dispositivo e
os quadros enviados transportam o número das portas para identificar os dispositivos de origem e de
destino.

B) A camada de rede, também denominada inter-rede, adota endereços IP para identificar as redes e
seus dispositivos. Para interconectar redes físicas que adotam diferentes tamanhos máximos de quadros,
a camada de rede adota os conceitos de fragmentação e remontagem de datagramas.

C) A camada de transporte é responsável pelo processo de roteamento de datagramas. Nesse processo,


a camada de transporte deve selecionar os caminhos ou rotas que os datagramas devem seguir entre os
dispositivos de origem e de destino, passando assim através das várias redes interconectadas.

D) A camada de aplicação é composta por um conjunto de protocolos, que são implementados pelos
processos executados nos dispositivos. Cada protocolo de aplicação deve especificar a interface gráfica
ou textual oferecida pelo respectivo processo para permitir a interação com os usuários da aplicação.

E) A arquitetura TCP/IP é uma implementação concreta da arquitetura conceitual OSI. Portanto, a


arquitetura TCP/IP é também estruturada em 7 camadas, que são as camadas: física, de enlace, de rede,
de transporte, de sessão, de apresentação e de aplicação.

Resolução desta questão na plataforma.

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