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JUIZA DOS

ESPECIA IS FEDERA IS – A RCÊNIO BRA UNER

A ULA 1 - ORIGEM A LIENÍGENA E REMOTA

1.JUIZADOS ESPECIAIS FEDERAIS - ORIGEM ALIENÍGENA E REMOTA

O juizado especial esteve presente historicamente em três países do mundo.

O primeiro sistema de acesso à justiça que buscou simplificar ao povo é encontrado na

Inglaterra, por meio das chamadas C ounty C ourts, ou C ortes de C ondados. Neste sistema, em

1846, pensa-se que a justiça deveria se aproximar das zonas onde não existiam órgãos judiciais

organizados, através de mecanismos deformalizados onde as pessoas pudessem buscar suas

pretensões de forma mais rápida e simplificada. Este modelo da Inglaterra possui uma estrutura

jurisdicional muito semelhante ao que existe hoje com as Justiças Itinerantes.

O primeiro país do mundo que observa a necessidade de que causa de menor monta ou

menor importância econômica devam ter um trâmite mais simplificado para encontrarem uma

solução mais rápida são os EUA. No ano de 1934, os EUA construiu um sistema de acesso à

justiça para pleitos de pouca importância econômica, chamado de Poor Man’s C ourt ou C orte do

Homem P obre, que alcançava pleitos de até U$ 50,00.

Esse modelo de C orte do Homem P obre é transformado ao longo dos anos em diversos

outros, até alcançar o sistema atual na maior parte dos Estados dos EUA, cujas demandas

alcancem a quantia de 5 a 10 mil dólares, denominado de Small C laims.

Já o último modelo alienígena é o desenvolvido pela C hina, onde busca-se uma solução

jurisdicional por meio de juízes leigos dos bairros. Assim, todas as questões daquele determinado

bairro ou distrito, antes de serem encaminhadas à justiça, passam por esses juízes leigos que

tentam a composição numa verdadeira primeira audiência de conciliação.

2. JUIZADOS ESPECIAIS NO BRASIL

Saindo do aspecto internacional dos juizados especiais, é muito importante compreender

como a justiça especializada de pequena monta é vista no Brasil. No Brasil C olônia e no Império,

havia um sistema de acesso à justiça que em um primeiro momento confunde-se com

Administração P ública, no sentido de quem era administrador público também prestava a

jurisdição.

Nesta organização colonial e imperial brasileira havia juízes classificados pelo valor da

causa, podendo encontrar até mesmo juízes andando pela cidade sem uma sede específica e com

o objetivo de resolver pequenos litígios. Após 1832, ainda no Brasil Império, opta-se por uma

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Aula1 - Origem Alienígena e Remota

organização jurisdicional de hierarquia, fazendo com que os juízes não mais sejam administradores
e passem a ser magistrados de primeira e segunda instância de apelação muito bem delimitada.

Assim, nessa reorganização efetuada em 1832, passou-se a desconsiderar o valor da causa para

fins de organização de procedimento e surgiu o mesmo trâmite jurisdicional para causas de grande

e pequena monta sem nenhum tipo de facilitação.

Essa desconsideração da simplificação das causas de pequena monta podem ser

encontradas no C ódigo de P rocesso C ivil de 1973, onde, por exemplo, irá considerar o valor da

causa para diferenciar o procedimento ordinário do procedimento sumário. O procedimento

sumário, portanto, identifica um tipo de juiz que poderia tramitá-lo, chamados de Juízes de Alçada,

que ainda, como carreira em extinção, é órgão público de julgamento utilizado nos juizados,

principalmente estaduais.

É importante saber que essas ponderações feitas com base em valor da causa nos

procedimentos sumário e nos juízos de alçada, não geravam uma solução mais rápida de

demandas de pequena monta e tardavam em dar uma solução de justiça ao jurisdicionado. Assim,

um até então juiz gaúcho chamado Tanger Jardim da C omarca de Rio Grande/RS, que se tornou

desembargador posteriormente, incomodado com a quantidade de processos constantes na Vara

que atuava, criou nos processos com limite de até 20 salários mínimos a necessidade de uma

audiência de conciliação prévia, no qual busca uma solução consensual entre as partes e caso não

fosse obtido resultado satisfatório, passava-se ao momento de instrução do processo.

Diante da grande satisfação nos resultados, o Tribunal de Justiça gaúcho propagou essa

ideia do Juizado de P equenas C ausas. O Juizado de P equenas C ausas, visto com essa

configuração de uma mera tentativa de conciliação antes de um procedimento posterior é

homenageado em um segundo momento pela Lei n. 7.244/84 que prevê nas ações de até 20

salários mínimos nas ações de pagar quantia e entrega de coisa um procedimento simplificado que

busca a conciliação ou a jurisdição.

O texto constitucional de 1988, observando o sucesso dos juizados de pequenas causas em

alguns Estados da Federação, passa a positivar os juizados especiais através de um critério

qualitativo-material (causas de menor complexidade), isto é, além de haver uma causa com

pequeno valor, deve ela não gerar uma instrução complicada.

A partir da criação obrigatória destes juizados pelo texto constitucional, há poucos Estados

que efetivamente aplicaram em seu território esse sistema, a exemplo do Mato Grosso do Sul,

Santa C atarina e Rio Grande do Sul. No entanto, os Juizados Especiais Estaduais são

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efetivamente implementados por meio da Lei 9.099/95, que cria um limite de valor no importe de

até 40 salários mínimos.

A Justiça Federal, observando o sucesso dos juizados estaduais, promove pressões ao

P oder Legislativo para criar em seu âmbito os juizados especiais federais, o que se deu por meio

da EC 22/98, que acrescentou a estrutura prevista no artigo 98, §1º da C RFB/88, sendo

regulamentado pela Lei 10.259/01, cujo limite é de 60 salários mínimos.

Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados criarão:


I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes
para a conciliação, o julgamento e a execução de causas cíveis de menor
complexidade e infrações penais de menor potencial ofensivo, mediante os
procedimentos oral e sumaríssimo, permitidos, nas hipóteses previstas em lei, a
transação e o julgamento de recursos por turmas de juízes de primeiro grau;
II - justiça de paz, remunerada, composta de cidadãos eleitos pelo voto direto,
universal e secreto, com mandato de quatro anos e competência para, na forma da
lei, celebrar casamentos, verificar, de ofício ou em face de impugnação apresentada,
o processo de habilitação e exercer atribuições conciliatórias, sem caráter
jurisdicional, além de outras previstas na legislação.
§ 1º Lei federal disporá sobre a criação de juizados especiais no âmbito da Justiça
Federal.

Essa Lei é muito simplificada e irá suprir suas lacunas de acordo com a Lei 9.099/93.

A Justiça Estadual, analisando o Juizado de Fazenda P ública Federal muito bem sucedido,

verifica que o seu juizado não abrange causas do P oder P úblico, então a Justiça Estadual cria um

Juizado Especial de Fazenda P ública através da Lei 12.153 /2009, copiando praticamente a

estrutura do juizado federal.

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A ULA 2 - PRINCÍPIOS

1.PRINCÍPIOS DO JEF

Nesta aula serão abordados os princípios do Juizado Especial Federal. Estes princípios são

retirados não da Lei 10.259/01, mas sim da Lei 9.099/95, dos juizados estaduais, na medida em

que a primeira lei é extremamente simplificada e sintética.

Os princípios estão previstos no artigo 2º da Lei 9.099/95:

Art. 2º O processo orientar-se-á pelos critérios da oralidade, simplicidade,


informalidade, economia processual e celeridade, buscando, sempre que possível, a
conciliação ou a transação.

P ara fins de memorização, os princípios do juizados formam a palavra C EIOS:

CELERIDADE

EC ONOMIA P ROC ESSUAL

INFORMALIDADE

ORALIDADE

SIMP LIC IDADE

Sobre a interpretação de todos estes princípios é necessário impor no juizado federal

um vetor interpretativo de busca da autocomposição. Mesmo levando em conta que o processo

deve ser célere, econômico, informal, predominantemente oral e simplificado, deve o processo

sempre viabilizar a possibilidade de que as pessoas cheguem a um acordo. O juizado prefere

soluções consensuais do que uma decisão de mérito do magistrado, por isso o vetor interpretativo

para levar em conta para que o acesso à justiça do juizado possa ser entregue conforme prevê as

Lei 9.099/95 e 10.259/01.

1.1 PRINCÍPIO DA ORA LIDA DE

O primeiro princípio da oralidade é extremamente importante para a sistemática do juizado

federal e para a sua própria estruturação. O princípio da oralidade vigorando e predominando em

termos processuais não significa atos totalmente falados e sem documentação, porque há uma

grande diferença entre oralidade e processo verbal.

O processo verbal seria aquele totalmente falado, ao passo que o processo oral é aquele

que conta não tão somente com uma estrutura verbal, mas a prevalência da palavra falada sobre

a escrita, conforme entende C hiovenda. Isso significa que nos juizados o procedimento seja

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estruturado com ajuizamento, contestação, embargos declaratórios e pedido de execução, todos

orais.

Assim, passa a surgir diversos momentos processuais que no procedimento comum

demandam peças escritas. O procedimento oral não pressupõe todo o trâmite procedimental

falado, mas sim uma valorização da palavra dita frente à palavra escrita. P ara que essa oralidade

ocorra, é necessário concentrar os atos em audiência, quando possível, exatamente para

possibilitar que a verbalização dos atos seja facilitada.

Essa oralidade irá gerar uma imediatidade entre o juiz e a fonte da prova oral. As

audiências em juizado podem ser realizadas por conciliadores e servidores do juízo e se ratificadas

pelo juiz em um segundo momento serão perfeitamente válidas, mas em termos ideais se os atos

são concentrados em audiência, é possível uma maior imediatidade do magistrado seguida de

uma prova oral desenvolvida neste momento.

O artigo 132 do C P C /1973 trazia o princípio da identidade física do juiz, afirmando que

aquele magistrado que conduzisse o feito deveria,em regra, julgá-lo, salvo exceções. Este princípio

não foi repetido expressamente no C P C /2015 e por isso alguns autores entendem que não mais

existe no direito processual civil brasileiro. Outros autores, como Marinoni, entende que o princípio

da identidade física do juiz brota em diversos outros artigos do C P C /2015, como o 366.

Art. 366. Encerrado o debate ou oferecidas as razões finais, o juiz proferirá sentença
em audiência ou no prazo de 30 (trinta) dias.

O majoritário compreende que o princípio da identidade física do juiz não é repetido no

C P C /2015, cabendo à jurisprudência determinar se está implícito, como entende Marinoni, ou

inexistente como outros autores preferem, mas em sede de juizado, principalmente em face da

oralidade, não há como pretender esquecer que o princípio da identidade física do juiz deve

prevalecer, na medida em que os atos são orais em sua maioria e concentrados em audiência.

Finalmente, a oralidade gera como decorrência a irrecorribilidade das decisões

interlocutórias, salvo única exceção que é a decisão liminar cautelar ou antecipatória, a qual

permite a interposição do respectivo recurso.

1.2 PRINCÍPIO DA INFORMA LIDA DE E SIMPLICIDA DE

Os princípios da informalidade e simplicidade afirmam que deve existir uma deformalização

do processo, que gere homenagens ao seu objetivo e não à formalidades. Exemplos da

materialização destes princípios são os mutirões de audiências em que centenas de casos são

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julgados em um dia pelo Judiciário por meio de tentativas de conciliação e atermações mediante as

possibilidades das partes trazerem as suas pretensões ao juízo sequer precisar de um advogado
para tanto.

Essa simplificação do procedimento que primeiramente ocorre nos juizados vem aos

poucos comunicando o processo civil comum. No TRF da 4ª Região, por exemplo, começou-se a

disponibilizar para as partes, em juizado, áudio e vídeos de provas orais produzidas, dispensando

os termos de transcrição e essa ideia passou a ser adotada no processo comum, devidamente

autorizada pela lei do processo eletrônico e pelo atual C P C .

FONAJEF 85: não é necessária degravação de áudio de audiência, desde que o áudio
esteja acessível ao órgão judicial.

1.3 PRINCÍPIOS DA CELERIDA DE E ECONOMIA PROCESSUA L

C omo princípio da celeridade e economia processual há diversos reflexos no juizado no

sentido de evitar procedimento e técnicas protelatórias. Assim, não há prazos qualificados para

Defensoria P ública e P oder P úblico, bem como não há intimações pessoais. A partir disso é

construído uma sistemática muito mais rápida, simplificada e econômica.

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A ULA 3 - PA RTES E PROCURA DORES

1. PARTES E PROCURADORES

Quando se fala em partes e procuradores, é preciso levar em consideração dois critérios

para verificar a legitimidade ativa e passiva. São eles:

a) Qualidade de parte; e,

b) P olo ocupado pela parte.

Determinadas pessoas naturais e pessoas jurídicas estão adaptadas completamente ao

polo ativo do juizado federal, assim como determinadas pessoas jurídicas estão encaixadas como

rés. Quem normalmente é réu no juizado federal quase nunca é autor, bem como aquele que é

autor quase nunca é réu neste tipo de procedimento. P ortanto, trata-se de um procedimento

onde os polos processuais estão praticamente pré-determinados.

1.1 SUJEITO ATIV O DO JUIZA DO FEDERA L

A delimitação do sujeito ativo no juizado federal brota do artigo 6º, inciso I da Lei 10.259/01:

Art. 6o Podem ser partes no Juizado Especial Federal C ível:


I – como autores, as pessoas físicas e as microempresas e empresas de pequeno
porte, assim definidas na Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996;
II – como rés, a União, autarquias, fundações e empresas públicas federais.

P odem ser autores no juizado federal as pessoas físicas. Normalmente são pessoas que

buscam um pleito de saúde, de matéria previdenciária, indenizatória frente aos C orreios e demais

causas de pequena monta. A admissão destas pessoas como autoras é muito facilitada, na

medida em que podem ser incapazes, desde que recebendo curador especial se for o caso,

conforme enunciado nº 10 do FONAJEF.

Enunciado 10
O incapaz pode ser parte autora nos Juizados Especiais Federais, dando-se-lhe
curador especial, se ele não tiver representante constituído.

O incapaz, inclusive, pode conciliar em juizado, desde que haja participação do Ministério

P úblico, segundo enunciado 81 do FONAJEF.

Enunciado 81:
C abe conciliação nos processos relativos a pessoa incapaz, desde que presente o

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representante legal e intimado o Ministério Público.

Existem pessoas jurídicas que podem ser autoras no juizado, desde que sejam de menor

complexidade estrutural, como as microempresas e empresas de pequeno porte, ME e EP P ,

devendo comprovar tal condição com documentação hábil (FONAJEF nº 11).

Enunciado 11:
No ajuizamento de ações no Juizado Especial Federal, a microempresa e a empresa
de pequeno porte deverão comprovar essa condição mediante documentação
hábil.

Também podem ser parte autora no juizado mais dois entes despersonalizados, como o

espólio (FONAJEF 82) e o condomínio edilício (FONAJEF 9 e 111).

Enunciado 9
O condomínio residencial poderá propor ação no Juizado Especial, nas hipóteses do
art. 275, inciso II, item b, do C ódigo de Processo C ivil.
Enunciado 111:
O condomínio, se admitido como autor, deve ser representado em audiência pelo
síndico, ressalvado o disposto no § 2° do art. 1.348 do C ódigo C ivil (nova redação –
XXI Encontro – Vitória/ES).
Enunciado 82:
O espólio pode ser parte autora nos juizados especiais cíveis federais.

C om isso, permite-se que os entes despersonalizados atuem no juizado especial federal

sem qualquer dificuldade.

1.2 SUJEITO PA SSIV O NO JUIZA DO

O juizado constrói o seu procedimento através da edificação de réus típicos. Os réus típicos

são:

a) União;

b) Autarquias;

c) Fundações; e,

e) Empresas públicas federais.

É possível que uma dessas entidades acima descrita estejam em uma demanda no polo

passivo de juizado federal e outra pessoa física ou jurídica tenha que acompanhá-la como

litisconsórcio passivo necessário. Neste situação, haverá um litisconsórcio passivo necessário

atípico (FONAJEF nº 21).

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Enunciado 21:
As pessoas físicas, jurídicas, de direito privado ou de direito público estadual ou
municipal podem figurar no pólo passivo, no caso de litisconsórcio necessário.

Exemplo: um casal, cuja relação é fática e não documentada, possui uma criança

devidamente registrada no nome do pai, servidor público federal. A mãe ajuíza uma ação de

pensionamento contra a União em benefício do filho e dela mesma que vivia em união estável,

juntando provas específicas. A União concede a pensão em favor da criança, mas não a mãe.

Após requerer o pensionamento através de ação, o polo passivo deverá ser composto pela ré

típica, que é a União, mas também pela criança, porque se o direito for concedido, a criança terá a

sua pensão redimensionada. Neste processo específico, a criança será um réu atípico, segundo

entendimento do FONAJEF.

Os juizados federais, assim como os estaduais, permitem o chamado pedido contraposto,

cujo objetivo é redimensionar a causa de pedir inicial para que a pretensão seja revertida ao autor.

Esse pedido contraposto, no juizado federal, só é viabilizado a réus atípicos, ao passo que réus

típicos (União, Autarquias, Fundações e Empresas públicas federais) não podem utilizá-lo, segundo

enunciado nº 12 do FONAJEF.

Enunciado 12:
No Juizado Especial Federal, não é cabível o pedido contraposto formulado pela
União Federal, autarquia, fundação ou empresa pública federal.

1.3. COMPETÊNCIA E PROCEDIMENTO

A alçada de 60 salários mínimos, em toda sua extensão, permite que a pessoa sem estar

representada por profissional jurídico promova a demanda de forma oral ou escrita, sem qualquer

restrição. É o que dispõe o enunciado 67 do FONAJEF:

Enunciado 67:
O caput do artigo 9º da Lei n. 9.099/1995 não se aplica subsidiariamente no âmbito
dos Juizados Especiais Federais, visto que o artigo 10 da Lei n. 10.259/2001
disciplinou a questão de forma exaustiva.

O acesso à justiça no juizado é viabilizado pela ausência de advogados apenas na primeira

instância. Qualquer possibilidade de recurso das decisões do juizado federal demandará a presença

do advogado na representação do interessado. Sempre que interessado precise ter acesso à

segunda instância por meio da Turma Recursal, é necessária a presença do advogado constituído.

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Outra situação surge através da representação por não advogado, conforme prevê o

artigo 10, da Lei 10.259/01.

Art. 10. As partes poderão designar, por escrito, representantes para a causa,
advogado ou não.

Neste caso, pode ser a pessoa que possui alguma dificuldade de locomoção, por exemplo,

e autoriza que alguém promova a ação em seu nome. Na prática, pessoas começaram a angariar

causas apresentando-se como representantes de pessoas carentes e para coibir tal atitude, os

juizados passaram a exigir que essa representação não tenha caráter habitual e seja sem fins

econômicos (enunciado 83 FONAJEF).

Enunciado 83:
O art. 10, caput, da Lei n. 10.259/2001 não autoriza a representação das partes por
não-advogados de forma habitual e com fins econômicos.

O juizado, pela sua simplicidade, celeridade e fácil acesso, veda intervenções, inclusive a

assistência, conforme enunciado nº 14 do FONAJEF, exatamente para evitar que o procedimento

possa ser atrasado indevidamente.

Enunciado nº 14
Nos Juizados Especiais Federais, não é cabível a intervenção de terceiros ou a
assistência.

Ainda tratando deste tema, o enunciado nº 19 do FONAJEF dispõe que é possível a

limitação do litisconsórcio facultativo pelo juiz em juizado especial federal, de modo idêntico ao que

determina o C P C no artigo 113, § 1 e 2º.

Art. 113. Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, em conjunto,
ativa ou passivamente, quando:
I - entre elas houver comunhão de direitos ou de obrigações relativamente à lide;
II - entre as causas houver conexão pelo pedido ou pela causa de pedir;
III - ocorrer afinidade de questões por ponto comum de fato ou de direito.
§ 1o O juiz poderá limitar o litisconsórcio facultativo quanto ao número de litigantes
na fase de conhecimento, na liquidação de sentença ou na execução, quando este
comprometer a rápida solução do litígio ou dificultar a defesa ou o cumprimento da
sentença.
§ 2o O requerimento de limitação interrompe o prazo para manifestação ou
resposta, que recomeçará da intimação da decisão que o solucionar.

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Aula3 - Partes e Procuradores

1.4. GRATUIDA DE DA JUSTIÇA

O acesso à justiça nos juizados não gera custas e sucumbência, salvo quando interposto o

recurso, quando a parte derrotada deverá arcar com tais despesas processuais. A gratuidade tem

importância nos juizados em sede recursal, mas nada impede que o juiz verifique a qualquer

momento se a parte possui condições de arcar com as despesas processuais.

Os enunciados de nº 38 e 50 do FONAJEF tratam da gratuidade da justiça:

Enunciado 38:
A qualquer momento poderá ser feito o exame de pedido de gratuidade com os
critérios da Lei nº 1.060/50. Para fins da Lei nº 10.259/01, presume-se necessitada a
parte que perceber renda até o valor do limite de isenção do imposto de renda.
Enunciado 50:
Sem prejuízo de outros meios, a comprovação da condição sócio-econômica do
autor pode ser feita por laudo técnico confeccionado por assistente social, por auto
de constatação lavrado por oficial de justiça ou através de oitiva de testemunha.

Nos processos do juizado federal são comuns todas as hipóteses de verificação de

capacidade econômica, inclusive por meio de oficial de justiça e assistente social no âmbito do

benefício do LOAS.

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A ULA 4 - CITA ÇÕES E INTIMA ÇÕES

1.CITAÇÕES E INTIMAÇÕES

No juizado predominam as comunicações mais simplificadas, e com isso admite-se as

publicações postais, principalmente em processos físicos que irão deformalizar a estrutura do

processo civil comum, permitindo-se que o ato de comunicação seja válido, desde que obtenha-se

um AR assinado por qualquer pessoa no endereço onde reside aquele que deva ser comunicado.

Assim, não necessita que o AR seja assinado por mão própria, segundo determina o enunciado 74

do FONAJEF.

Enunciado 74
A intimação por carta com aviso de recebimento, mesmo que o comprovante não
seja subscrito pela própria parte, é válida desde que entregue no endereço declarado
pela parte.

Há que considerar o disposto no artigo 8º da Lei 10.259/01 sobre o tema:

Art. 8o As partes serão intimadas da sentença, quando não proferida esta na


audiência em que estiver presente seu representante, por ARMP (aviso de
recebimento em mão própria).
§ 1o As demais intimações das partes serão feitas na pessoa dos advogados ou dos
Procuradores que oficiem nos respectivos autos, pessoalmente ou por via postal.
§ 2o Os tribunais poderão organizar serviço de intimação das partes e de recepção
de petições por meio eletrônico.

A interpretação mais adequada, segundo enunciado 74 e o artigo 8º da Lei 10.259/01, é

que os atos do juizados federais sejam passíveis de comunicação postal sem necessidade de mão

própria, salvo intimação de decisão final.

Tanto as intimações como as citações podem ocorrer de forma eletrônica. Assim, se há

uma citação de um réu típico em que tem-se o endereço eletrônico, será perfeitamente válida a

comunicação dos atos processuais. Também é possível a intimação telefônica de acordo com o

enunciado 73 do FONAJEF, cabendo ao servidor a responsabilidade de efetuar a citação ou

intimação.

Enunciado nº 73
A intimação telefônica, desde que realizada diretamente com a parte e devidamente

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Aula4 - Citações e Intimações

certificada pelo servidor responsável, atende plena mente aos princípios


constitucionais aplicáveis à comunicação dos atos processuais.

Além da citação e intimação eletrônica e da telefônica, é possível a auto-intimação

eletrônica que preferirá ao e-mail, segundo enunciado nº 3 do FONAJEF.

Enunciado nº 3
A auto-intimação eletrônica atende aos requisitos das Leis nºs 10.259/2001 e
11.419/2006 e é preferencial à intimação por e-mail.

Dentro do sistema eletrônico, as auto-intimações que o advogado da parte pode fazer,

prefere a intimação descrita pelo enunciado do FONAJEF.

O enunciado 84 do FONAJEF afirmava que não havia necessidade de intimação da parte

acerca do laudo pericial, de modo que não havia nulidade. Hoje, o enunciado está cancelado e

passou a ser necessária a intimação da parte acerca do laudo pericial.

Quanto à questão das citações e intimações, a Defensoria P úblico não terá prazo em dobro

(enunciado 53 FONAJEF) e também não haverá intimações pessoais (enunciado 7 FONAJEF).

Enunciado nº 7
Nos Juizados Especiais Federais o procurador federal não tem a prerrogativa de
intimação pessoal.

O artigo 9º da Lei 10.259/01 traz a menção expressa da não permissão de prazos

qualificados em sede de juizado federal.

Art. 9o Não haverá prazo diferenciado para a prática de qualquer ato processual
pelas pessoas jurídicas de direito público, inclusive a interposição de recursos,
devendo a citação para audiência de conciliação ser efetuada com antecedência
mínima de trinta dias.

A única prerrogativa do P oder P úblico é a citação nos 30 dias anteriores à data da

audiência de conciliação.

1.1 COMUNICA ÇÕES V IA WHATSA PP

O FONAJEF, na reunião dos juízes construiu cinco enunciados acerca das comunicações via

Whatsapp.

Enunciado nº 193
Para a validade das intimações por Whatsapp ou congêneres, caso não haja prévia

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Aula4 - Citações e Intimações

anuência da parte ou advogado, faz-se necessário certificar nos autos a visualização


da mensagem pelo destinatário, sendo suficiente o recibo de leitura, ou recebimento
de resposta à mensagem enviada
Enunciado nº 194
Existindo prévio termo de adesão, o prazo da intimação por Whatsapp ou congênere
conta-se do envio da mensagem, cuja data deve ser certificada nos autos; em não
havendo prévio termo de adesão, o termo inicial corresponde à data da leitura da
mensagem ou do recebimento da resposta, que deve ser certificada nos autos.
Enunciado nº 195
Existindo prévio termo de adesão à intimação por Whatsapp ou congêneres, cabe à
parte comunicar eventuais mudanças de número de telefone, sob pena de se
considerarem válidas as intimações enviadas para o número constante dos autos.
Enunciado nº 196
O termo de adesão a intimação por Whatsapp ou congêneres subscrito pela parte ou
seu advogado pode ser geral, para todos os processos em tramitação no Juízo, que
será arquivado em Secretaria.

O enunciado 193 permite a comunicação do ato processual à parte mesmo que ela não

tenha manifestado interesse nesta modalidade de citação ou intimação. Sendo visualizada ou

respondida a mensagem, a comunicação via WhatsApp estará certificada como válida.

O enunciado 194 dispõe que se há um termo de adesão em que a parte aceita receber

comunicações via WhatApp, as intimações e citações serão válidas, independentemente se apenas

forem visualizadas ou respondidas.

Se o termo de adesão existir previamente, o prazo da intimação contará a partir do envio

da mensagem. Não havendo o termo de adesão, a partir do momento que receber a mensagem

ou que respondê-la será contado o prazo processual.

Este termo de adesão assinado pela parte também obriga a comunicação da mudança de

número de telefone ao P oder Judiciário, sob penas das comunicações terem a realização feita no

número antigo, conforme enunciado 195.

P or fim, o enunciado 196 admite a criação de termo de adesão de comunicação via

WhatsApp a diversos processos em trâmite ao mesmo tempo, acumulando todas as intimações e

citações através do aplicativo.

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A ULA 5 - COMPETÊNCIA

1. COMPETÊNCIA DO JUIZADO FEDERAL

Trata-se de tema importante não só para a prova, mas para o dia-a-dia, a fim de se saber

quando uma demanda ficará no juizado ou não, e quais serão os critérios utilizados.

É importante destacar que a competência do juizado é delimitada na alçada de até 60

(sessenta) salários mínimos. Em regra, se há uma demanda na Justiça Federal de até 60

(sessenta) salários mínimos, irá para o Juizado Federal.

Essa competência é absoluta onde houver Juizado Federal sediado, conforme art. 3º, §3º,

da Lei nº 10.259/01:

A rt. 3º C ompete ao Juizado Especial Federal C ível processar, conciliar e julgar


causas de competência da Justiça Federal até o valor de sessenta salários mínimos,
bem como executar as suas sentenças.
§ 3º No foro onde estiver instalada Vara do Juizado Especial, a sua competência é
absoluta.

Atualmente, quase todas as subseções da Justiça Federal possuem Juizado Federal.

P ortanto, onde houver Juizado Federal sediado, haverá competência absoluta para o trâmite de

uma demanda, não sendo opção da parte levá-la para o Juizado ou para justiça comum.

Um equívoco quanto à competência no direcionamento do feito - de mais de 60 (sessenta)

salários mínimos para o Juizado Especial, ou de menos de 60 (sessenta) salários mínimos

direcionados para a Justiça C omum - gera extinção do processo. De acordo com o Enunciado nº

24 do FONAJEF, conclui-se, nesse sentido, que a incompetência gera extinção do processo.

Enunciado nº. 24
Reconhecida a incompetência do Juizado Especial Federal, é cabível a extinção do
processo, sem julgamento de mérito, nos termos do art. 1º da Lei n. 10.259/2001 e
do art. 51, III, da Lei n. 9.099/95, não havendo nisso afronta ao art. 12, § 2º, da Lei
11.419/06. (Nova redação – V FONAJEF).

A orientação sobre o equívoco, quanto ao manejo da competência do Juizado Federal gerar

extinção e não o envio do processo ao juízo competente, prevalece frente à dicção da Lei do

P rocesso Eletrônico (Lei nº 11.419, art. 12, § 2º). Tal Lei não derrogou o sistema originado da Lei

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nº 9.099/95, no qual processos que concluem a incompetência do juizado levam à extinção do feito

(ou processos nos quais a competência seria do juizado, estando no procedimento comum).

Deve-se isto ao fato de que as Leis nº 9.099/95 e 10.259/01, em suas estruturas, têm a

estratégia de distinguir o processo e não enviá-los ao juízo competente, por se entender que seja

muito mais econômico e célere que a parte ajuíze a demanda no juízo competente.

O limite de 60 (sessenta) salários mínimos, o qual gerará a verificação de competência em

Juizado Especial Federal, tomará como base o valor da causa. Esse, por sua vez, levará em conta

o valor do salário mínimo na propositura da ação, conforme preleciona o Enunciado 15 do

FONAJEF:

Enunciado nº. 15
Na aferição do valor da causa, deve-se levar em conta o valor do salário mínimo em
vigor na data da propositura de ação.

Durante o processo, o magistrado poderá verificar que o valor da causa foi mal

quantificado no início da ação, controlando esse valor a qualquer momento e declarando sua

incompetência para continuar o trâmite do pleito. O Enunciado nº 49 do FONAJEF é claro ao

permitir que, durante o processo, o juiz possa perceber que se equivocou em momento anterior,

realizando o controle do valor da causa, conforme segue:

Enunciado nº. 49
O controle do valor da causa, para fins de competência do Juizado Especial Federal,
pode ser feito pelo juiz a qualquer tempo.

Quando se vai a juízo solicitando um beneficio previdenciário, o valor da causa deve ser

quantificado de forma dificultosa, pois deve-se levar em conta o que se deseja receber para o

futuro em benefícios previdenciários e parcelas já vencidas quanto ao pleito previdenciário

proposto.

Logo, ao requerer em via administrativa junto ao INSS, inicia-se a contagem de parcelas

vencidas e, posteriormente, é feito um pleito judicial do benefício previdenciário requerido junto ao

INSS que foi negado, quantificando-se o valor da causa com a projeção de 12 (doze) parcelas

vincendas somadas às vencidas desde a entrada do requerimento junto ao órgão previdenciário

até o ajuizamento da ação.

EXEMPLO: Um indivíduo vai ao INSS e faz o requerimento administrativo. Via de regra,

esse será o início de suas parcelas vencidas e, após 5 (cinco) meses do requerimento

administrativo, ajuíza-se ação judicial do benefício previdenciário negado. O valor da causa será

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quantificado com a projeção de 12 (doze) parcelas vincendas ao ajuizar a ação, somadas às


parcelas vencidas durante o tramite do requerimento administrativo. Seriam 5 (cinco) meses

somados a 12 (doze) meses, com o total de 17 (dezessete) meses de benefício previdenciário a

ser recebido.

A mesma projeção vale para os benefícios previdenciários que não possuem limite no

tempo - como pensão e aposentadoria - não sendo permitida a renúncia das 12 (doze) parcelas

vincendas para que se enquadre na competência do Juizado Especial, somente das parcelas

vencidas.

EXEMPLO: A projeção das 12 (doze) parcelas vincendas que se deseja receber somam 60

(sessenta) salários mínimos, no entanto, somados com as 5 parcelas vencidas, ultrapassam o

limite do Juizado Especial Federal. Será possível, então, renunciar as parcelas vencidas, pleiteando

somente as vincendas durante o curso do processo.

EXEMPLO: C aso a projeção das 12 (doze) parcelas ultrapassem os 60 (sessenta) salários

mínimos, a competência será comum, não sendo possível renunciar, pois excede a alçada.

Tais cálculos de parcelas vencidas e vincendas também serão aplicados aos pleitos de tutela

de saúde, no qual há um tratamento mensal sem limite de tempo, por exemplo, projetando-se o

tratamento em 12 (doze) meses, ainda que dure mais de um ano.

Tratando-se de Juizado Especial Federal, quando o valor da causa tiver litisconsórcio ativo

(vários autores no polo ativo), leva-se em conta a pretensão econômica de cada autor

separadamente para adequar-se ao valor da causa de 60 (sessenta) salários mínimos, conforme o

Enunciado nº 18 do FONAJEF:

Enunciado nº. 18
No caso de litisconsorte ativo, o valor da causa, para fins de fixação de competência
deve ser calculado por autor.

Havendo necessidade de renúncia da pretensão econômica, a fim de que se ajuste aos 60

(sessenta) salários mínimos, deverá ser feita - sempre - de forma expressa para que seja

considerada, pois não existe renúncia tácita no Juizado Federal, conforme o Enunciado nº 16 do

FONAJEF:

Enunciado nº. 16
Não há renúncia tácita nos Juizados Especiais Federais para fins de fixação de
competência.

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É necessária, também, a renúncia na fase de execução para adequar-se à Requisição de

P equeno Valor (RP V), de acordo com Enunciado nº 71 do FONAJEF:

Enunciado nº. 71
A parte autora deverá ser instada, na fase da execução, a renunciar ao excedente à
alçada do Juizado Especial Federal, para fins de pagamento por Requisições de
Pequeno Valor, não se aproveitando, para tanto, a renúncia inicial, de definição de
competência.

Os conflitos de competências ocorridos entre Juízes do Juizado Federal são decididos pela

Turma Recursal. No entanto, caso haja conflito de competências entre um Juiz do Juizado e um Juiz

Federal, ambos da mesma região, o TRF da região será responsável por decidir.

Tal decisão não é tomada dessa maneira desde sempre. Em um primeiro momento,

entendia-se que era competência do STJ resolver, porém, compreendeu-se ser difícil entender

que, dentro do mesmo TRF, juízes de vara comum e de juizado especial estavam em tribunais

diferentes. P osteriormente, simplificou-se a situação para que o mesmo TRF resolvesse o conflito

de competência de juízes de varas federais e de juizados especiais federais.

Notou-se a necessidade de que a solução de conflitos de competência por Turma Recursal

recebesse o controle do TRF, portanto, quando há um conflito de competência entre juízes de

Juizado Federal, sendo o conflito decidido por turma recursal, entende-se como

jurisprudencialmente competente o TRF para receber o Mandado de Segurança sobre a decisão

relativa ao conflito.

Não se avoca o TRF a fim de resolver conflito de competência entre juízes de Juizado,

apenas Mandado de Segurança, os quais são impetrados para controlar eventuais decisões

oriundas de Turma Recursal relativas ao conflito de competência, sendo julgados pelo TRF.

É feita uma observação quanto ao Enunciado nº 187 do FONAJEF XIV, pois este mostra

exceção ao que se aprende originalmente nos estudos de processo civil. As causas acidentárias

não vão para a Justiça Federal, de acordo com art. 109, I, da C RFB/88:

A rt. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:


I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem
interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de
falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do
Trabalho.

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
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Logo, caso haja pleito de benefício acidentário à competência, será da Justiça Estadual. Se

houver indenização relativa ao acidente partindo do empregado para o empregador, será da

Justiça do Trabalho. P or força da C onstituição, a Justiça Federal não se enquadra no pleito da área

de acidentes.

O STJ - tratando-se de segurados especiais - passou a compreender que, caso houvesse

pleito acidentário de benefício relativo a segurado especial, deveria ser enfrentado por Juízes

Federais por haver mais especialidade por parte desses para tratar do processo.

EXEMPLO: C onflito de C ompetência 138.1194/2015, no qual o STJ alega que, havendo

segurado especial no processo, o benefício acidentário é de competência da Justiça Federal,

relativizando a dicção constitucional.

Seguindo a jurisprudência do STJ, o FONAJEF positivou o Enunciado nº 187, que diz:

Enunciado nº 187
São da competência da Justiça Federal os pedidos de benefícios ajuizados por
segurados especiais e seus dependentes em virtude de acidentes ocorridos nessa
condição. FONJEF XIV.

Tem-se, portanto, a construção da única exceção acidentária que tem como competência a

Justiça Federal: o pleito de benefício acidentário de segurado especial.

1.2 EXCLUSÕES MATERIA IS

São exclusões materiais do Juizado Federal (causas que, mesmo possuindo até 60 salários

mínimos, não vão para o Juizado Federal), de acordo com art. 3º, §1º, Lei nº 10.259/01:

a) Demanda de procedimento especial: Mandado de Segurança, de desapropriação, de

divisão e demarcação, de populares, execuções fiscais e por improbidade administrativa e as

demandas MOLEC ULARIZADAS (coletivas como Ação C ivil P ública); somente no que diz respeito

às C OLETIVAS (Enunciado nº 22, FONAJEF), ESP EC IAIS (Enunciado nº 9, FONAJEF).

Enunciado nº. 22
A exclusão da competência dos Juizados Especiais Federais quanto às demandas
sobre direitos ou interesses difusos, coletivos ou individuais homogêneos somente se
aplica quanto a ações coletivas.
Enunciado nº. 9
Além das exceções constantes do §1º do artigo 3º da Lei n. 10.259, não se incluem
na competência dos Juizados Especiais Federais, os procedimentos especiais
previstos no C ódigo de Processo C ivil, salvo quando possível a adequação ao rito da
Lei n. 10.259/2001.

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula5 - Competência

b) Bens imóveis da União, autarquias e fundações públicas federais (vão para

procedimento comum);

c) P ara anulação ou cancelamento de ato administrativo federal, salvo o de natureza

previdenciária e o lançamento fiscal;

d) P ena de demissão impostas a servidores públicos civis ou de sanções disciplinares

aplicadas a militares;

e) Estado ou Organização Internacional X Município ou pessoa brasileira;

f) Tratado;

g) Indígena;

P ortanto, o Juizado é simplificado e célere, não possuindo qualquer forma especial de

procedimento. C om relação aos processos que possuam alguma peculiaridade em seu

procedimento frente à demanda coletiva, o Juizado Federal não será competente.

Não se discute em Juizado Federal, via de regra, anulação de ato administrativo federal,

exceto se tratar de ato de natureza previdenciária, de lançamento fiscal. P enas de demissão

impostas a servidores públicos civis ou sanções disciplinares aplicadas a militares deverão seguir

para a Justiça comum.

P rocessos envolvendo Estado ou Organização Internacional x Município ou pessoa brasileira

(por exemplo, Alemanha contra um indivíduo ou ONU contra município brasileiro) serão de

competência federal, tendo suas sentenças sujeitas ao recurso ordinário constitucional

diretamente para o STJ. Logo, o trâmite especial que o processo comum terá faz com que

tramitem na justiça comum, não podendo tramitar em juizado federal.

Além disso, demandas que se alicerçam diretamente em tratados internacionais com

consequência internacional (como sequestro internacional de menores, alimentos internacionais,

indenização por derramamento de petróleo, etc) serão demandas que tramitarão na Justiça

Federal e não no Juizado Federal.

Demandas da nação indígena vão para juízo comum.

1.3 ENUNCIA DOS IMPORTA NTES DO FONA JEF:

Enunciado nº. 97
C abe incidente de uniformização de jurisprudência quando a questão deduzida nos
autos tiver reflexo sobre a competência do juizado especial federal.

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula5 - Competência

O recurso de pedido de uniformização de jurisprudência é dirigido às Turmas Reunidas de

Uniformização e, na dimensão federal, dirigido à Turma Nacional de Uniformização (TNU). Esse

pedido, via de regra, versa somente sobre direito material, entretanto, a única matéria passível de

ser objeto do recurso é a competência.

Logo, com Enunciado nº 97 do FONAJEF, admite-se pedido de uniformização sobre

competência, demostrando a importância da matéria de competência em sede de Juizado.

Enunciado nº. 28
É inadmissível a avocação, por Tribunal Regional Federal, de processos ou matéria de
competência de Turma Recursal, por flagrante violação ao art. 98 da C onstituição
Federal.
Enunciado nº. 66
Os Juizados Especiais Federais somente processarão as cartas precatórias oriundas
de outros Juizados Especiais Federais de igual competência.

P ara impedir que os Juizados Federais sejam instrumentos de precatórias de procedimento

comum.

Enunciado nº 139
Não serão redistribuídas a Juizado Especial Federal (JEF) recém-criado as demandas
ajuizadas até a data de sua instalação, salvo se as varas de JEFs estiverem na
mesma sede jurisdicional (Aprovado no XI FONAJEF).

No próximo bloco será dada continuidade ao tema do Juizado Federal.

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JUIZA DOS ESPECIA IS FEDERA IS – A RCÊNIO BRA UNER

A ULA 6 - A JUIZA MENTO DA A ÇÃ O

1. AJUIZAMENTO DE AÇÃO

O ajuizamento de ação em Juizado Especial Federal possui pouca formalidade, se

comparado ao procedimento comum, o qual apresenta formalidade na medida em que se inicia

demanda no procedimento comum por petição inicial, atendendo aos requisitos do art. 319 do

C P C /2015.

No juizado especial, o acesso à justiça ocorre de forma mais adequada ao P rincípio

C onstitucional de Jurisdição Acessível. É possível iniciar ação através de peça escrita pela parte

- com ou sem advogado - ou por meio de manifestação oral da parte no órgão jurisdicional, as

chamadas atermações, nas quais o servidor do órgão reduz a termo, propondo, assim, a ação.

As peças escritas - ou atermações - do Juizado Especial não exigem que se cumpram todos

os requisitos do art. 319 do C P C /2015, possuindo, desta maneira, estrutura simplificada. É

chamada de pedido inicial, cujo alicerce está no art. 14 da Lei nº 9.099/95:

A rt. 14. O processo instaurar-se-á com a apresentação do pedido, escrito ou oral, à


Secretaria do Juizado.
§ 1º Do pedido constarão, de forma simples e em linguagem acessível:
I - o nome, a qualificação e o endereço das partes;
II - os fatos e os fundamentos, de forma sucinta;
III - o objeto e seu valor.
§ 2º É lícito formular pedido genérico quando não for possível determinar, desde
logo, a extensão da obrigação.
§ 3º O pedido oral será reduzido a escrito pela Secretaria do Juizado, podendo ser
utilizado o sistema de fichas ou formulários impressos.

Logo, os requisitos iniciais a serem cumpridos na peça escrita são:

a) Nome completo, qualificação e endereços, C P F das partes (FONAJEF 75),

C omprovante de residência;

b) Fatos e Fundamentos Jurídicos do P edido (de forma clara e não técnica);

c) O objeto e seu valor.

Enunciado nº. 75
É lícita a exigência de apresentação de C PF para o ajuizamento de ação no Juizado
Especial Federal.

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula6 - Ajuizamento da Ação

C aso o pedido inicial esteja equivocado, admite-se emenda à petição inicial prevista no

C P C /2015, no prazo de 15 (quinze) dias, pois não há previsão na Lei nº 9.099/95 e na Lei nº

10.259/01 de correção inicial, podendo o C P C ser usado de forma subsidiária.

Quanto à modificação do pedido, podem ser utilizadas as normas do C P C /2015.

Quanto à desistência prescindir de concordância da parte contrária, existem duas

peculiaridades:

1) P ara a desistência do processo, não é exigida a concordância da parte contrária, pois

não há sucumbências na primeira instância.

2) O juizado federal, segundo enunciado nº 94 do FONAJEF, permite a utilização do art. 51,

I, da Lei nº 9.099/95, o qual prevê:

“Art. 51. Extingue-se o processo, além dos casos previstos em lei: I - quando o autor
deixar de comparecer a qualquer das audiências do processo”.
Enunciado nº 94
O artigo 51, I, da Lei 9099/95 é aplicável aos Juizados Especiais Federais, ainda que a
parte esteja representada na forma do artigo 10, caput, da Lei 10.259/01.

C om a facilidade de acesso à justiça, para que possam ser conhecidos e enfrentados

jurisdicionalmente, os juízes federais passaram a exigir requisitos prévios para determinados tipos

de pleitos como, por exemplo, requisitos específicos a serem cumpridos nas demandas

previdenciárias.

Enunciado nº 130
É possível em juizado edificar critérios e exigências para evitar iniciais temerárias.

Logo, quanto a um inicio de prova sobre determinada circunstância ou determinada

documentação sobre um tipo de pleito, esses podem ser construídos por juízes federais a fim de

que o interesse de agir seja demonstrado em determinados processos, podendo edificar critérios

mínimos para admissão de iniciais ou atermações em Juizados Federais.

Quanto ao benefício previdenciário, o Juizado Federal possui entendimento pacificado,

trazido pelo Enunciado nº 77 do FONAJEF. Tal jurisprudência está alinhada com as C ortes

Superiores, no que se refere às demandas para concessão de benefícios previdenciários que, via

de regra, exigem prévio requerimento administrativo.

Enunciado nº 77
Ajuizamento de demanda para concessão de benefício previdenciário exige prévio

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula6 - Ajuizamento da Ação

requerimento administrativo.

Nesse sentido, a fim de se perfectibilizar o interesse de agir de uma demanda

previdenciária, via de regra, deve-se realizar requerimento via órgão previdenciário, ajuizando-se

ação com a negativa do pedido.

EXEMPLO: Foi solicitado auxílio-doença, o qual foi negado. A partir da negativa, pode-se

pleitear judicialmente.

É possível, no entanto, que um individuo possua benefício previdenciário esteja errado em

sua quantificação. Nesse caso, a revisão do benefício, sem depender de análise fática, não

dependerá de requerimento administrativo ao INSS, pois já fora proporcionada análise

equivocada, podendo, portanto, ser solicitada a revisão diretamente na Justiça, conforme dispõe o

Enunciado nº 78 do FONAJEF:

Enunciado nº 78
Revisão de benefício sem fato não depende de requerimento.

Em outro exemplo, tem-se a circunstância de agendamento junto ao INSS caso o órgão

esteja em greve ou não haja possibilidade se ser feito pleito dos benefícios, sobre o qual o

Enunciado nº 79 do FONAJEF preleciona que:

Enunciado nº 79
A denúncia de negativa de protocolo de benefício feita junto à ouvidoria do INSS
supre a necessidade de requerimento.

O Enunciado nº 79 emerge para diversas hipóteses, nas quais as possibilidades para se

pleitear benefícios estejam, de alguma forma, restringidas pelo P oder P úbico. Assim, é

demostrado pelo segurado não ser possível implementar o requerimento, fazendo com que o

acesso à justiça seja viabilizado.

Sobre a questão do ajuizamento da ação, seguem mais dois enunciados do FONAJEF:

Enunciado nº 123
O critério de fixação do valor da causa necessariamente deve ser aquele
especificado no art. 292, §1º e §2º, do C PC /2015, pois este é o elemento que
delimita as competências dos JEF’s e das Varas (a exemplo do que foi pelo art. 2º,
da Lei 12.153/09). (Redação atualizada no XIV FONAJEF).

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula6 - Ajuizamento da Ação

Em outras palavras, para que se faça cálculo de valor da causa para ajuizamento de

ações, basta utilizar o C P C /2015. A Lei nº 10.259/01 não difere do C ódigo de P rocesso C ivil

quanto ao valor da causa. Antes do C P C atual, tinha-se um tipo de cálculo para contratos, outro

para juizado e outro para procedimento comum, no entanto, atualmente não existem mais tais

diferenças por tratar-se apenas de um regramento para delimitação do valor da causa.

Enunciado nº 186
É requisito de admissibilidade da petição inicial a indicação precisa dos períodos e
locais de efetivo exercício de atividade rural que se pretende reconhecer, sob pena
de indeferimento. XIV FONAJEF.

É muito comum, em pleitos de aposentadoria que envolvam atividades rurais, que os

indivíduos descrevam genericamente suas atividades rurais prestadas, não havendo delimitação

específica de onde e de que forma realizaram suas atividades. Nesse enunciado, regulamentou-se

a necessidade de que a inicial contenha tais detalhes, a fim de que não seja considerada incabível,

preenchendo os requisitos necessários no pedido inicial.

Tais requisitos de pedido inicial são flexibilizáveis em sede de itinerantes, conforme

preleciona os Enunciados nº 80, 114, 140 do FONAJEF:

Enunciado nº 80
Em juizados itinerantes flexibiliza-se a exigência do prévio requerimento
administrativo.
Enunciado nº 114
O dano moral deve ser identificado expressamente.
Enunciado nº 140
Dano Moral deve ressarcir a pessoa e impor caráter pedagógico.

O dano moral, por sua vez, deve ser identificado e especificado a ser aferido pelo

magistrado.

Sobre tutela da vida - da saúde - mencionam-se três enunciados importantes do XIV

FONEJEF: 190, 191 e 192. A tutela de saúde e demandas previdenciárias são os maiores pleitos

dos Juizados Especiais Federais, havendo soluções corriqueiras no dia-a-dia nos três enunciados,

conforme segue:

Enunciado nº 190
Nos casos em que o pedido em ação judicial seja de medicamento, produto ou
procedimento já previsto nas listas oficiais do SUS ou em Protocolos C línicos e

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula6 - Ajuizamento da Ação

Diretrizes Terapêuticas (PDC T) para tratamento particular, deve ser determinada a


inclusão do demandante em serviço ou programa já existente no Sistema Único de
Saúde (SUS), para fins de acompanhamento e controle clínico. FONJEF XIV.

No Enunciado nº 190 existe a orientação de que o indivíduo esteja inscrito nos programas

públicos para que receba os remédios diretamente no sistema do SUS, sem necessidade de

intermediação judicial.

Enunciado nº 191
Nas demandas que visam o acesso a ações e serviços da saúde diferenciada
daquela oferecidas pelo Sistema Único de Saúde, o autor deve apresentar prova da
evidencia científica, a inexistência, inefetividade ou impropriedade dos
procedimentos ou medicamentos constantes dos protocolos clínicos do SUS.
FONAJEF XIV.

O Enunciado nº 191 trabalha com medicamentos fora da tabela do SUS. Nesse caso, o

indivíduo deverá comprovar duas situações:

1) Uma evidência científica de que o remédio desejado é eficiente para si.

2) Uma comprovação de que os remédios oferecidos pelo SUS são ineficientes para si.

C omprovando as duas circunstâncias, a inicial será admitida, havendo possibilidade de se

seguir adiante com a ação.

Enunciado nº 192
Sempre que possível, as decisões liminares sobre saúde devem ser precedidas de
notas de evidencias científicas emitidas por Núcleos de Apoio Técnico em Saúde –
NATS – ou similares. FONAJEF XIV.

O Enunciado nº 192, por sua vez, recomenda aos juízes que as liminares só serão deferidas

caso haja evidência científica de sucesso do medicamento e do tratamento, buscando que as

demandas não tenham decisões infundadas sobre a concessão de pleito de medicamento de

proteção à saúde.

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JUIZA DOS ESPECIA IS FEDERA IS – A RCÊNIO BRA UNER

A ULA 7 - A NTECIPA ÇÃ O E JEF

1. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA E JUIZADO ESPECIAL FEDERAL

O Juizado Federal, assim como os Juizados Estaduais, via de regra, não permite recursos de

decisões interlocutórias. O Juizado Federal, por ser orientado pelo princípio da oralidade, não

deveria permitir recurso de decisão interlocutória, tão somente admitindo recurso na decisão final.

Todavia, no Juizado Federal, frequentemente, será demandada ao magistrado a análise de

decisão liminar, a qual pode ter natureza cautelar ou antecipatória, conforme o pleito. Logo, o

pedido de liminar em pleitos de saúde - que são comuns - serão praticamente impositivos, assim

como nas causas previdenciárias.

Tal pleito liminar, sendo deferido ou não, levará - excepcionalmente - a possibilidade da

parte de apresentar recurso dessa decisão, o qual chama-se Recurso de Medida C autelar.

Na medida em que o Juizado trabalha com procedimentos que se iniciam sem advogados,

podendo começar por atermação da parte e sem conhecimento profundo de processo civil, será

proporcionado poder de tutela de urgência ao magistrado o qual não é proveniente do

procedimento comum. O art. 4º da Lei nº 10.259/01 menciona:

A rt. 4º. O juiz poderá, de ofício ou a requerimento das partes, deferir


medidas cautelares no curso do processo, para evitar dano de difícil
reparação.

A tutela de urgência pode ser estendida por jurisprudência a pleitos de urgência

antecipatória sem problema algum, com possibilidade do magistrado de responder à provocação

da parte de liminar antecipatória ou cautelar, a qual estará sujeita a recurso de medida cautelar.

No entanto, no Juizado, é possível que ocorra implementação de ofício por parte do juiz da liminar

antecipatória ou cautelar, estando igualmente sujeita a recurso de medida cautelar.

Tal poder do Juizado Federal de agir de ofício pode ser estendido até a Segunda Instância,

conforme dispõe o Enunciado nº 86 do FONAJEF:

Enunciado nº. 86
A tutela de urgência em sede de turmas recursais pode ser deferida de oficio.

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula7 - Antecipação e JEF

P ortanto, diferentemente do procedimento comum, no qual as tutelas de urgências

demandam requerimento (tutela de evidencia e urgências), no Juizado podem ser deferidas de

ofício, tanto em Segunda Instância quanto em P rimeira Instância.

As tutelas de urgência possuem mecanismo impositivo desde o C P C /1973, sendo

reproduzida pelo C P C /2015 e estendida aos Juizados Federais. Trata-se das multas processuais

com finalidade de reforçar decisões urgentes: as chamadas "astreintes". O Enunciado nº 63 do

FONAJEF possibilita a aplicação da multa para forçar o cumprimento de decisões:

Enunciado nº. 63
C abe multa ao ente público pelo atraso ou não-cumprimento de decisões judiciais
com base no artigo 461 do C PC , acompanhada de determinação para a tomada de
medidas administrativas para a apuração de responsabilidade funcional e/ou por
dano ao erário. Havendo contumácia no descumprimento, caberá remessa de ofício
ao Ministério Público Federal para análise de eventual improbidade administrativa.

O novo C P C reestrutura a tutela provisória, estabelecendo dualidade entre tutela de

urgência e de evidência. A tutela de urgência passa a abranger as hipóteses antecipatórias e

cautelares, existindo a possibilidade de que um processo se inicie com pleito de tutela de urgência,

a chamada tutela de urgência antecedente. P ela urgência, pode-se realizar petição inicial

incompleta e solicitar somente tutela antecipatória antecedente ou cautelar antecedente, ao invés

de uma petição inicial completa.

Se tratando de tutela antecipatória antecedente, caso a liminar do procedimento comum

seja deferida e a parte não agrave a decisão ou não conteste o processo, tem-se estabilização da

tutela antecipatória concedida.

O Enunciado nº 178 do FONAJEF menciona que :

Enunciado nº 178
A tutela provisória antecedente não se aplica ao JEF, porque a sistemática de
revisão de decisão estabilizada (art. 304 do C PC ) é incompatível com os art. 4 e 6
da Lei nº 10.259/01.

A reposta do réu no Juizado Especial Federal vem por meio de contestação, seguindo os

moldes semelhantes ao C P C /2015, com possibilidades especiais constantes em Enunciados, como

o nº 2 do FONAJEF:

Enunciado nº. 2
Nos casos de julgamentos de procedência de matérias repetitivas, é recomendável a

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula7 - Antecipação e JEF

utilização de contestações depositadas na Secretaria, a fim de possibilitar a imediata


prolação de sentença de mérito.

EXEMPLO: A questão envolvendo o G Data, caso já pacificado no STF, no qual o P oder

P úblico tinha contestações prontas para situações específicas.

Quanto à possibilidade em Juizado de pedidos contrapostos, podem ocorrer contanto que

surjam de réu atípico, não permitindo que a União, a autarquia e a fundação pública apresentem

tal pedido sendo somente possível para réu atípico daqueles que encontram-se em litisconsórcios

típicos. A litispendência é alegada pelo réu, mas controlada pelo sistema eletrônico (Enunciado nº

46 FONAJEF), atualizado no XIV.

A proposta de conciliação não induz à confissão. Isto significa que, ao fazer uma mera

proposta de conciliação, não significa que se esteja cedendo ao que a outra parte pretende como

sucesso do processo.

Enunciado nº. 76
A apresentação de proposta de conciliação pelo réu não induz a confissão.

O Enunciado nº 177, atualizado no XIII FONAJEF, apresenta que:

Enunciado nº 177
E contrária à boa-fé e ao dever de cooperação a impugnação genérica de cálculos
sem a indicação concreta dos argumentos de divergência.

Este teve origem no Enunciado nº 13 do FONAJEF e segue o C P C /2015, no qual, sempre

que se impugnar o valor do cálculo, será necessário mencionar o que é impugnado, trazendo a

devida comprovação, a fim de que seja verificada em juízo.

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JUIZA DOS ESPECIA IS FEDERA IS – A RCÊNIO BRA UNER

A ULA 8 - PROV A S

1. PROVAS

Em sede de Juizado Federal, as provas são instrumentos muito importantes, haja vista que,

através delas, ocorre a instrução processual e a decisão final do magistrado.

Serão analisados, de forma célere, os principais tipos de provas e comprovações no âmbito

do Juizado Especial Federal, sempre permeando em situações e enunciados práticos para que se

entenda onde as provas são alocadas nos autos e enfrentadas pelo juiz.

Inicialmente, pontua-se que a estrutura do Juizado é distinta do procedimento comum.

Quando o Juizado Especial Estadual nasceu, o objetivo principal era banir da estrutura a questão

da prova pericial formalizada como havia no C ódigo de P rocesso C ivil. Tão somente se permitia

em sede de Juizado Estadual uma oitiva de perito em juízo para constar como laudo pericial sem a

formalização de quesitos, semelhante ao procedimento adotado nos EUA.

Ao importar da justiça estadual a técnica da justiça mais simplificada, para fins de Juizado

Federal, iniciou-se uma problemática nesse sentido, haja vista que o Juizado Federal abarca, na

maioria de suas demandas, causas que a necessitam a realização de exames periciais, como por

exemplo, as previdenciárias, nas quais terão, via de regra, serem comprovadas incapacidades; e

causas de tutela de saúde, nas quais se atestem condições de saúde e necessidade de

medicamento.

P ortanto, a Lei nº 10.259/01 previu, anteriormente, diversas situações nas quais o exame

pericial seria necessário, em moldes semelhantes ao procedimento comum do C P C de 1973.

P orém, no art. 12 da supracitada lei, tenta-se desformalizar o procedimento se comparado ao

CPC:

A rt. 12. Para efetuar o exame técnico necessário à conciliação ou ao julgamento


da causa, o Juiz nomeará pessoa habilitada, que apresentará o laudo até cinco dias
antes da audiência, independentemente de intimação das partes.
§ 1º Os honorários do técnico serão antecipados à conta de verba orçamentária do
respectivo Tribunal e, quando vencida na causa a entidade pública, seu valor será
incluído na ordem de pagamento a ser feita em favor do Tribunal.
§ 2º Nas ações previdenciárias e relativas à assistência social, havendo designação
de exame, serão as partes intimadas para, em dez dias, apresentar quesitos e
indicar assistentes.

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula8 - Provas

Em regra, há a não existência de quesitação. Somente nas causas previdenciárias e

assistenciais haverá quesitos, assistentes e técnicos. P orém, em quaisquer exames técnicos

erguidos em Juizado Federal, seja previdenciário ou de tutela de saúde, quesitos e assistentes

técnicos serão realizados.

Seguindo o Enunciado nº 126 do FONAJEF:

Enunciado nº 126.
Não cabe a presença de advogado, só de peritos e assistentes técnicos.

Existem duas figuras constantes no Juizado Especial Federal. A primeira é a chamada

Perícia Socioeconômica, a qual trata-se de entrevista socioeconômica realizada por assistente

social, e ocorre principalmente em demandas nas quais a renda do indivíduo é relevante para

solução da causa como, por exemplo, no benefício assistencial de LOAS.

P ara tal benefício assistencial, ajuíza-se ação pleiteando para pessoa de baixa renda,

devendo comprovar a incapacidade, idade avançada, renda familiar baixa, sendo o critério ¼ do

salário mínimo compatibilizado com a real situação do indivíduo, através da perícia

socioeconômica.

No caso de pleito de LOAS por incapacidade, o Enunciado nº 167 do FONAJEF menciona

que a perícia socioeconômica não será necessária caso a incapacidade não seja verificada.

Enunciado nº 167
Ações de benefício assistencial não ensejam nulidade por ausência de realização de
perícia socioeconômica quando não verificada a deficiência. (FONAJEF XIII).

P ortanto, em um processo de benefício assistencial por incapacidade, o juiz verifica

primeiramente a questão da capacidade/incapacidade para, em seguida, partir para análise de

existência de miserabilidade ou não para a concessão de LOAS, conforme Enunciado nº 167.

Outra figura muito utilizada no Juizado Especial Federal é o auto de constatação,

mencionado no Enunciado nº 168 do FONAJEF. Ocorrerá sempre que o magistrado duvidar da

parte, ou de algo que está acontecendo, realizando visita de constatação através de Oficial de

Justiça. P ara que a visita ocorra não há necessidade de comunicar à parte, haja vista que o aviso

poderá frustrar o ato processual.

Enunciado nº 168
Auto de C onstatação por oficial de justiça não exige contraditório prévio sob pena de
frustrar o próprio objetivo do ato processual.

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula8 - Provas

A instrução do Juizado Federal, por sua vez, pode ocorrer sem a presença do juiz togado,

contanto que o próprio ratifique os atos da instrução, não havendo nulidade. Assim, o Enunciado

nº 45 do FONAJEF prevalece, sendo entendido que a prova produzida será considerada como

admitida.

Enunciado nº. 45
Havendo contínua e permanente fiscalização do juiz togado, conciliadores
criteriosamente escolhidos pelo Juiz, poderão, para certas matérias, realizar atos
instrutórios previamente determinados, como redução a termo de depoimentos,
não se admitindo, contudo, prolação de sentença a ser homologada.

O laudo pericial, após ser realizado, gera manifestação das partes, tendo sido alterada tal

orientação no FONAJEF XIII. Anteriormente, entendia-se que o laudo pericial não demandaria a

intimação das partes no segundo momento. C om a atualização, passa a haver exigência de

intimação pessoal das partes para manifestação do laudo, constando tal prerrogativa no

Enunciado nº 179 do FONAJEF:

Enunciado nº 179
C umpre os requisitos do contraditório e da ampla defesa a concessão de vista do
laudo pelo prazo de cinco dias, por analogia ao caput do art. 12 da Lei nº
10.259/2001 (Aprovado no XVIII FONAJEF).

As perícias médicas em Juizado não exigem médicos especialistas, conforme Enunciado nº

112 do FONAJEF:

Enunciado nº 112
Não se exige médico especialista para a realização de perícias judiciais, salvo casos
excepcionais, a critério do juiz.

No caso concreto, o laudo é feito - muitas das vezes - por um médico do trabalho e, em

caso de questão psiquiátrica, há complicações. No entanto, é válido, tendo em vista o disposto

pelo enunciado nº 112.

EXEMPLO: C aso da Defensoria P ública Federal, no qual houve sustentação oral de caso

concreto, no qual a assistida portava doença neurológica grave, sendo totalmente incapacitada.

Em dois laudos subsequentes feitos por médicos do trabalho, atestou-se capacidade para

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula8 - Provas

trabalhar, logo, tem-se uma situação bem sucedida na Turma Recursal em Segunda Instância

exatamente sob a alegação de o laudo ter sido feito por médico do trabalho e não um médico
psiquiatra.

A perícia é ínsita de muitas demandas, como as previdenciárias e as de saúde, não

podendo ser complexa, conforme prevê o Enunciado nº 91 do FONAJEF, por gerar incompetência

do Juizado:

Enunciado nº 91
Os Juizados Especiais Federais são incompetentes para julgar causas que demandem
perícias complexas ou onerosas que não se enquadrem no conceito de exame
técnico (art. 12 da lei n. 10.259/2001).

O Enunciado 117 do FONAJEF permite que, em Juizado Federal, seja realizada a inquirição

de perito, permitida pela Lei nº 9.099/95.

Enunciado nº 117
A perícia unificada, realizada em audiência, é válida e consentânea com os princípios
do Juizado Especial Federal.

1.1 PROVA TESTEMUNHA L

As testemunhas em Juizado Federal ocorrem da mesma forma que na área Estadual, com

base na Lei nº 9.099/95. P ode haver até 3 (três) testemunhas arroladas na petição inicial e na

contestação e, via de regra, a parte contendo a responsabilidade deve levá-las em audiência para

serem inqueridas. C onforme prevê o art. 34, da Lei nº 9.099/95:

A rt. 34. As testemunhas, até o máximo de três para cada parte, comparecerão à
audiência de instrução e julgamento levadas pela parte que as tenha arrolado,
independentemente de intimação, ou mediante esta, se assim for requerido.
§ 1º O requerimento para intimação das testemunhas será apresentado à
Secretaria no mínimo cinco dias antes da audiência de instrução e julgamento.
§ 2º Não comparecendo a testemunha intimada, o Juiz poderá determinar sua
imediata condução, valendo-se, se necessário, do concurso da força pública.

De acordo com o § 1º, do art. 34, a parte pode requerer que a testemunha seja intimada

pelo juízo e seu comparecimento passa a ser impositivo.

O Juizado foi um dos primeiros mecanismos processuais a acabar com a transcrição,

conforme prevê o Enunciado nº 85 do FONAJEF:

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
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Enunciado nº. 85
Não é obrigatória a degravação, tampouco a elaboração de resumo, para
apreciação de recurso, de audiência gravada por meio magnético ou equivalente,
desde que acessível ao órgão recursal.

EXEMPLO: TRF 4º Região. Acontecem audiências em vídeo, as quais permanecem

gravadas, podendo ser assistidas posteriormente, através do sistema E-P ROC .

É possível que pessoas sejam ouvidas através de videoconferências, conforme dispõe o

Enunciado nº 171 do FONAJEF:

Enunciado nº 171
Sempre que possível, as sessões de medicação/conciliação serão realizadas por
videoconferência, a ser efetivada por sistema de livre escolha.

1.2 PROVA DOCUMENTA L

P rova documental pode ser feita em petição inicial e contestação. No entanto, o art. 11 da

Lei nº 10.259/01 menciona que:

A rt. 11. A entidade pública ré deverá fornecer ao Juizado a documentação de que


disponha para o esclarecimento da causa, apresentando-a até a instalação da
audiência de conciliação.

O art. 11 não é invenção ope legis do ônus da prova. Ele somente aconselha que o P oder

P úblico traga documentação a juízo. Trata-se de uma norma possível de ser usada com viés

interpretativo para decisão futura, no entanto, não inverte o ônus da prova, não desobrigando o

autor de instruir o processo. O artigo apresentado tem viés programático de instar o P oder P úblico

a trazer a documentação sobre o processo.

Enunciado nº 113
O art. 11 não desobriga o autor de instruir o processo.
Enunciado nº 116
O dever do art. 11 não é inversão ope legis.
Enunciado nº 92
Nos expurgos a parte deve mencionar número da conta e prova da relação
contratual.
Enunciado nº 95
Suprir inexistência dos extratos por arbitramento. Expurgos.
Enunciado nº 93
Em demandas de FGTS, anteriores à centralização, a parte deve comprovar que

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula8 - Provas

diligenciou os extratos junto à C EF e ao Banco Original.

O Enunciado nº 131 do FONAJEF diz que pode-se juntar documento em Segunda Instância

na Turma Recursal se desenvolvido o mérito da causa. Em ação de saúde, é muito importante

quanto à evolução do quadro.

Enunciado nº 131
A Turma Recursal, analisadas as peculiaridades do caso concreto, pode conhecer
documentos juntados na fase recursal, desde que não implique apreciação de tese
jurídica não questionada no primeiro grau. (Revisado no XI FONAJEF).

O art. 35 da Lei nº 9.099/95 traz a possibilidade de inspeção judicial em Juizado.

A rt. 35. Quando a prova do fato exigir, o Juiz poderá inquirir técnicos de sua
confiança, permitida às partes a apresentação de parecer técnico.
Parágrafo único. No curso da audiência, poderá o Juiz, de ofício ou a requerimento
das partes, realizar inspeção em pessoas ou coisas, ou determinar que o faça
pessoa de sua confiança, que lhe relatará informalmente o verificado.

P ara finalizar, dois enunciados sobre saúde do FONAJEF XVIII.

Enunciado nº 172
Apenas a prescrição médica não é suficiente para medicamentos não incluídos na
lista do SUS.

É necessário provar que o medicamento do SUS não funciona e que o medicamento

pretendido sim.

Enunciado nº 173/174
Deve existir fundamento na medicina baseada em evidências.

Não se pode pretender algo que somente um médico prescreve, sendo necessário que

haja fundamentos na Medicina baseados em evidências do medicamento pretendido.

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JUIZA DOS ESPECIA IS FEDERA IS – A RCÊNIO BRA UNER

A ULA 9 - SENTENÇA

JUIZADO ESP EC IAIS FEDERAIS – AULA 09

P ROFESSOR ARSÊNIO BRAUNER

DA SENTENÇA

1.1. Dos elementos da sentença

A sentença apresenta estrutura idêntica em qualquer procedimento brasileiro, como partes

constitutivas das sentenças, temos o relatório, a fundamentação e o dispositivo. Vejamos:

• O relatório – onde o juiz relata os fatos da demanda, tando do autor como do reu;
• A fundamentação - O juiz expõe as razões para sua decisão;
• O dispositivo - O Juiz define se haverá condenação, constituição ou desconstituição de uma
determinada situação jurídica, etc.

Nos Juizados Especiais, seja estadual ou federal, a sentença dispensará o relatório. Não é

proibido que uma sentença tenha o relatório nos Juizados Especiais, apenas não é obrigatório.

Essa dispensa existe, basicamente, porque a doutrina italiana da década de 70/ 80, no

processo civil concluiu que o relatório seria o gargalo da prolação da sentença. P or ócio de fazer

relatório, as sentenças não eram proferidas, este pensamento, no entanto, entende-se incorreto,

pois o relatório é um momento importantíssimo em que o juiz demonstra conhecer o processo.

Assim, por vezes as decisões dos Juizados ficam um pouco carentes.

1.2 PEDIDOS GENÉRICOS X SENTENÇA LÍQUIDA NO JUIZA DO ESPECIA L

Outro ponto importante, no P rocesso C ivil a regra são os pedidos líquidos, entretanto,

determinadas circunstâncias podem resultar em pedidos ilíquidos. Exemplo: Um indivíduo que teve

sua lavoura de soja lesionada e deseja entrar com uma ação indenizatória, todavia, por ainda não

ter sido feita a colheita, não se sabe o prejuízo, logo, neste caso, é possível a realização de um

pedido ilíquido.

Os pedidos genéricos, no processo civil comum, podem resultar em sentenças líquidas ou

ilíquidas. Nesse sentido, utilizando-se o exemplo acima, é possível a responsabilização de alguém a

indenizar em virtude dos danos ocorridos na lavoura e, depois, delimitar o montante, em um

procedimento próprio, a liquidação (Sentença Ilíquida).

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula9 - Sentença

É admissível o pedido genérico também no Juizado, entretanto, as decisões deverão ser

sempre líquidas. Isto é, o pedido genérico é possível, mas a decisão deverá ser liquida.

Art. 38. A sentença mencionará os elementos de convicção do Juiz, com breve


resumo dos fatos relevantes ocorridos em audiência, dispensado o relatório.
Parágrafo único. Não se admitirá sentença condenatória por quantia ilíquida, ainda
que genérico o pedido.

ATENÇÃ O: Existe uma única exceção, à exigência das sentenças líquidas nos Juizados,

prevista no Enunciado 32 do FONAJEF:

Enunciado nº.32: A decisão que contenha os parâmetros de liquidação atende ao


disposto no art. 38, parágrafo único, da Lei nº 9.099/95.

Esse enunciado se alicerça em um precedente do TRF da 4ª Região que tratava do

seguinte caso: Uma pessoa havia sido atropelada por um veículo da União e pleiteava o custeio de

uma prótese de perna. O processo foi ajuizado no Juizado Federal TRF 4, na medida em que o

valor da prótese era inferior e valor a 60 salários mínimos. No entanto, o pedido era genérico, pois

não informava qual prótese era necessária, apenas requeria uma. O processo foi concluído antes

que as lesões estivessem cicatrizadas (para definição da prótese é necessário a cicatrização

completa do ferimento de amputação), com isso, havia um pedido genérico e uma sentença que

não poderia ser líquida.

Neste caso, o Juiz construiu a chamada Decisão Líquida Para o Futuro, projetando, na

própria sentença, os parâmetros, elementos que, sendo preenchidos pela parte, podem gerar o

cumprimento da decisão. Dessa forma, o juiz condenou a União a fornecer a prótese, que seja

comprovada adaptável à deficiência do autor, por dois médicos vinculados ao SUS em laudo atual.

P ortanto, conclui-se que as decisões dos Juizados deverão ser líquidas, havendo a

possibilidade das chamadas Decisões Líquidas P ara o Futuro.

1.3 DOS HONORÁ RIOS NO JUIZA DO ESPECIA L

Em regra, no primeiro grau do Juizado, até a sentença, não haverá a incidência de

custas e honorários, exceto se houver constatação da litigância de má-fé. Entretanto, em

segunda instância, haverá a incidência de honorários e custas, conforme expõe o Art. 55 da Lei

9.099/95:

Art. 55. A sentença de primeiro grau não condenará o vencido em custas e


honorários de advogado, ressalvados os casos de litigância de má-fé. Em segundo

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula9 - Sentença

grau, o recorrente, vencido, pagará as custas e honorários de advogado, que serão


fixados entre dez por cento e vinte por cento do valor de condenação ou, não
havendo condenação, do valor corrigido da causa.

ATENÇÃ O: O Enunciado nº 62 do FONAJEF informa que a penalidade do Art. 55 da Lei

9.099/95 não revoga a gratuidade de justiça eventualmente concedida:

Enunciado nº.62: A aplicação de penalidade por litigância de má-fé, na forma do


art. 55 da Lei nº 9.099/95, não importa na revogação automática da gratuidade
judiciária.

C onforme se extrai do Enunciado nº 93, há uma proteção ao poder público e possibilita-se

que a concessão administrativa de benefício não gere consequências, frente ao poder público, de

responsabilização para com a parte:

Enunciado nº 93: A concessão administrativa do benefício no curso do processo


acarreta a extinção do feito sem resolução de mérito por perda do objeto, desde
que corresponda ao pedido formulado na inicial.

1.4. A NA LISE DE ENUNCIA DOS - JUIZA DO ESPECIA L

O Enunciado nº 200 do FONAJEF, adaptado ao novo C P C , diz que não importa em

julgamento extra petita a concessão de benefício P revidenciário por incapacidade diversa da

requerida na inicial, inclusive, o auxílio-acidente. Neste sentido, este enunciado estabelece que o

limite de demanda que existe no Juizado se diferencia do procedimento comum, na medida em

que, havendo um pleito do benefício de auxílio-doença, é possível, ao final, a concessão de uma

aposentadoria:

Enunciado nº 200: Alterar Enunciado 143, para incluir “inclusive o auxílio-


acidente”. [Enunciado 143 (Nova Redação): “Não importa em julgamento “extra
petita” a concessão de benefício previdenciário por incapacidade diverso daquele
requerido na inicial inclusive o auxílio-acidente”].

Ressalta-se que o Enunciado nº 153 do FONAJEF vai contra ao que o novo C P C dispõe

para as decisões, pois no Art. 489, há a previsão para que as decisões tenham uma

fundamentação elaborada, que respeite as eventuais inseguranças da parte dentro do processo;

busca evitar fundamentações copiadas e repetidas. Nesse sentido, o Enunciado nº 153 traz a

orientação de que as exigências de fundamentação do C P C não se estendem aos juizados:

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula9 - Sentença

Enunciado nº 153: A regra do art. 489, parágrafo primeiro, do NC PC deve ser


mitigada nos juizados por força da primazia dos princípios da simplicidade e
informalidade que regem o JEF

Ocorre que, o Enunciado acima é contrariado pelo Enunciado nº 37 do C onselho da Justiça

Federal, visto que, segundo este, aplica-se ao Juizado o disposto no 489 do C P C , vejamos:

Enunciado nº 37: Aplica-se aos juizados especiais o disposto nos parágrafos do art.
489 do C PC .

Na prática, aplica-se o entendimento do FONAJEF, embora a doutrina concorde com o

entendimento do C JF.

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JUIZA DOS ESPECIA IS FEDERA IS – A RCÊNIO BRA UNER

A ULA 10 - RECURSOS

1. RECURSOS NO JUIZADO ESPECIAL FEDERAL

Inicialmente, observa-se que a matéria de recursos no Juizado Federal, de modo a ser

influenciada pelo novo C P C , concede prevalência às soluções repetitivas. Nesse sentido, o

enunciado nº 6 do FONAJEF informa que as matérias repetitivas terão julgamento prioritário das

Turmas.

Enunciado nº 6: Havendo foco expressivo de demandas em massa, os juizados


especiais federais solicitarão às Turmas Recursais e de Uniformização Regional e
Nacional o julgamento prioritário da matéria repetitiva, a fim de uniformizar a
jurisprudência a respeito e de possibilitar o planejamento do serviço judiciário.

Esse enunciado, no IV FONAJEF, foi transformado em recomendação aos juízes, isto é, que

as matérias repetitivas tivessem apreciação prevalente em sede de Juizado. Ou seja, prefere-se a

pacificação do que o julgamento de cada um dos processos.

1.1 DECISÃ O MONOCRÁTICA E RECURSO

Da mesma forma, com a visão de pacificação de matérias, proporciona-se, como

consequência, um forte poder ao relator nas turmas em decisão monocrática, consonante o

enunciado nº 29 do FONAJEF:

Enunciado nº 29: C abe ao Relator, monocraticamente, atribuir efeito suspensivo a


recurso, não conhecê-lo, bem assim lhe negar ou dar provimento nas hipóteses
tratadas no artigo 932, IV, ‘c’, do C PC , e quando a matéria estiver pacificada em
súmula da Turma Nacional de Uniformização, enunciado de Turma Regional ou da
própria Turma Recursal.

Outrossim, o relator, em Juizado, terá a possibilidade de decidir monocraticamente, devido

à existência do procedimento simplificado em relação à celeridade, à economia.

Nota-se que é possível ao relator:

• Atribuir efeito suspensivo a recurso;


• Não conhecer de recurso;
• Negar ou dar provimento nas hipóteses aqui do Art. 932, IV, "c" (entendimento firmado
em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência) e quando a
matéria estiver pacificada em súmulas da TNU, enunciado da TRU ou da própria turma.

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula10 - Recursos

C ontra as decisões do relator em juizado, será admitido, em regra, o agravo interno;

expõe-se o enunciado nº 87 do FONAJEF:

Enunciado nº 87: A decisão monocrática proferida por Relator é passível de


Agravo Interno

ATENÇÃ O: Só não será admitido o agravo interno no caso das decisões referendadas (são

decisões do relador que recebem o referendo de outros componentes da Turma), conforme

enunciado nº 30 do FONAJEF:

Enunciado nº 30: A decisão monocrática referendada pela Turma Recursal, por se


tratar de manifestação do colegiado, não é passível de impugnação por intermédio
de agravo interno.

Não cabe recurso a questões posteriores ao trânsito em julgado, conforme enunciado nº

108 do FONAJEF:

Enunciado nº 108: Não cabe recurso para impugnar decisões que apreciem
questões ocorridas após o trânsito em julgado.

Também não é cabível Ação Rescisória, o que se verifica no enunciado nº 44 do FONAJEF:

Enunciado nº 44: Não cabe ação rescisória no JEF. O artigo 59 da Lei n 9.099/95
está em consonância com os princípios do sistema processual dos Juizados Especiais,
aplicando-se também aos Juizados Especiais Federais.

As Turmas podem, também, produzir provas ou baixar autos para produção, segundo o

professor, em todos os TRF em que trabalhou; o mais comum é que a Turma baixe os autos para

produção de prova, - possível, inclusive, de ofício. C onforme enunciados nº 101, 102 e 103 do

FONAJEF:

Enunciado nº 101: A Turma Recursal tem poder para complementar os atos de


instrução já realizados pelo juiz do Juizado Especial Federal, de forma a evitar a
anulação da sentença.
Enunciado nº 102: C onvencendo-se da necessidade de produção de prova
documental complementar, a Turma Recursal produzirá ou determinará que seja
produzida, sem retorno do processo para o juiz do Juizado Especial Federal.
Enunciado nº 103: Sempre que julgar indispensável, a Turma Recursal, sem anular
a sentença, baixará o processo em diligências para fins de produção de prova
testemunhal, pericial ou elaboração de cálculos.

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula10 - Recursos

OBSERVA ÇÃ O: É importante o estudo das formas de impugnação nos Juizados Especiais,

pois não é possível a utilização de Ação Rescisória, e a admissão das querela nullitatis é rara.

1.2 EMBA RGOS DE DECLA RA ÇÃ O

O professor salienta que, apesar de se tratar de um recurso muito simples, passou por

diversas modificações depois do C P C de 2015, pois, até o C P C /15, os embargos declaratórios, em

sede de procedimento comum, eram passíveis para integrar omissão e solucionar obscuridades ou

contradições; ademais, a jurisprudência, por sua vez, também possibilitava em caso de erro

material. Após a nova Lei processual, que alterou a Lei 9.099/95, os embargos declaratórios, no

juizado, passam a ser cabíveis nas mesmas hipóteses do processo comum, ou seja, nos casos de

omissão, contradição, obscuridade ou erro.

Os erros materiais podem ser corrigidos de ofício?

Sim, os erros podem ser corrigidos em ofício pelo juiz, segundo parágrafo único do Art. 48

da Lei 9.099/95 (ainda em vigor), no entanto, também podem ser objeto de embargos de

declaração.

Art. 48. C aberão embargos de declaração contra sentença ou acórdão nos casos
previstos no C ódigo de Processo C ivil.
(Redação dada pela Lei nº 13.105, de 2015)
Parágrafo único. Os erros materiais podem ser corrigidos de ofício.

Qual é o prazo dos embargos?

O prazo dos embargos declaração é 5 dias, este é o único recurso do sistema dos juizados

que possui tal prazo, - todos os demais tem o prazo de 10, exceto o recurso extraordinário cujo

prazo funcional é de 15 dias.

Outra mudança substancial advinda com o novo C P C , diz respeito à sistemática dos

embargos de declaração. Nesse sentido, anteriormente ao C P C /15, os embargos interrompiam

prazos recursais no procedimento comum, mas suspendiam, na primeira instância do JEF. A partir

do novel C ódigo de P rocesso, a situação dos embargos foi simplificada, agora, tanto no

procedimento comum quanto no Juizado, este recurso sempre interromperá o prazo recursal.

O enunciado nº 42 do FONAJEF foi construído levando em conta a redação do C P C /73,

contudo, sua teleologia permanece a mesma. Os embargos declaratórios protelatórios possuem

uma multa especial prevista hoje no Art. 1026, §2º e 3º do C P C . O enunciado expõe que nos

Juizados, é mais útil usar a litigância de má-fé em detrimento da multa do C P C , pois protege mais

a celeridade, a eficiência do Juizado.

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula10 - Recursos

Art. 1.026. Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo e


interrompem o prazo para a interposição de recurso.
(...)
§ 2o Quando manifestamente protelatórios os embargos de declaração, o juiz ou o
tribunal, em decisão fundamentada, condenará o embargante a pagar ao
embargado multa não excedente a dois por cento sobre o valor atualizado da causa.
§ 3o Na reiteração de embargos de declaração manifestamente protelatórios, a
multa será elevada a até dez por cento sobre o valor atualizado da causa, e a
interposição de qualquer recurso ficará condicionada ao depósito prévio do valor da
multa, à exceção da Fazenda Pública e do beneficiário de gratuidade da justiça, que
a recolherão ao final.

Enunciado nº 42: Em caso de embargos de declaração protelatórios, cabe a


condenação em litigância de má-fé (princípio da lealdade processual).

OBSERVA ÇÃ O: O professor salienta que, apesar de um enunciado nº 42 ser elogiável, os

Tribunais, pelo menos, da 1ª e 4ª regiões, preferem usar o regramento do C P C .

1.3 MEDIDA CA UTELA R

Este recurso poderá ser chamado por algum TRF de pedido de revisão, de agravo de

instrumento, entretanto, o nome dado pela Lei (e que é seguido, por exemplo, pelo o TRF-4) é

medida cautelar.

Trata-se de um instrumento manejado contra uma decisão interlocutória do JEF, sendo,

ainda, o único recurso de decisão interlocutória admitido no JEF. Segundo o Art. 4º da Lei

10.259/01, bem como a jurisprudência, é cabível contra decisão liminar cautelar. Este recurso

assemelha-se ao agravo de instrumento.

Art. 4o O Juiz poderá, de ofício ou a requerimento das partes, deferir medidas


cautelares no curso do processo, para evitar dano de difícil reparação.

Será apreciado na segunda instância pela Turma Recursal. Seu prazo é de 10 dias e busca

reverter uma decisão favorável ou contrária à concessão da liminar.

1.4 RECURSO INOMINA DO

Nos juizados especiais federais, não há reexame necessário, e a sentença será atacada por

um recurso que a Lei sequer nominou, trata-se de um recurso inominado que se assemelha à

apelação.

Art. 13. Nas causas de que trata esta Lei, não haverá reexame necessário.

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula10 - Recursos

Este recurso é interposto no prazo de 10 dias e seu juízo de admissibilidade segue o

mesmo modelo da apelação, apresentado no C P C /15, em complemento, segundo o enunciado nº

182 do FONAJEF, esse juízo de admissibilidade será realizado pela Turma Recursal, ou seja, não há

o juízo a quo (pelo juiz).

Art. 42. O recurso será interposto no prazo de dez dias, contados da ciência da
sentença, por petição escrita, da qual constarão as razões e o pedido do recorrente.
Enunciado nº 182: O juízo de admissibilidade do recurso inominado deve ser feito
na turma recursal, aplicando-se subsidiariamente o art. 1.010, §3º, do C PC /2015.

O recurso inominado será cabível contra todas as sentenças do Juizado

Federal?

Não, existem algumas sentenças que, por força da norma, não admitem recurso

inominado, nesse sentido, o Art. 41 da Lei 9.099/95 expõe que:

Art. 41. Da sentença, excetuada a homologatória de conciliação ou laudo arbitral,


caberá recurso para o próprio Juizado.

Em regra, da sentença homologatória de conciliação ou laudo arbitral não caberá a

interposição do recurso inominado, entretanto, existem casos excepcionais em que a

jurisprudência admitiu. O professor salienta que, em que pese a existência de exceções

jurisprudenciais, o aluno deve se ater à regra contida no Art. 41. O Recurso Inominado será

admitido, tão somente, nos casos em que a sentença inviabilizar novos processos sobre aquela

causa de pedir.

Também em regra, o Recurso Inominado agregará o efeito suspensivo à sua interposição,

exceto se houver uma liminar concedida pelo Judiciário que obste a produção dos citados efeitos.

Nesse sentido, dispõe o enunciado nº 61 do FONAJEF:

Enunciado nº 61: O recurso será recebido no duplo efeito, salvo em caso de


antecipação de tutela ou medida cautelar de urgência

Quem julgará o recurso inominado?

Este recurso será julgado pela Turma Recursal, composta por três juízes togados de

primeiro grau:

§ 1º O recurso será julgado por uma turma composta por três Juízes togados, em
exercício no primeiro grau de jurisdição, reunidos na sede do Juizado.

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula10 - Recursos

Em relação ao preparo do recurso, a sistemática é diferente do C P C /15, pois a própria Lei

9.099/95 prevê que seja realizado, independentemente de intimação, nas 48 horas seguintes à

interposição do recurso, sob pena de deserção:

1º O preparo será feito, independentemente de intimação, nas quarenta e oito


horas seguintes à interposição, sob pena de deserção.

C onforme enunciado nº 59 do FONAJEF não há recurso adesivo no JEF:

Enunciado nº 59: Não cabe recurso adesivo nos Juizados Especiais Federais.

C omo exposto, não cabe Recurso Inominado contra sentença terminativa, salvo se obstar

novo processo ou importar negativa de jurisdição; expõe o enunciado nº 144 do FONAJEF:

Enunciado nº 144: É cabível recurso inominado contra sentença terminativa se a


extinção do processo obstar que o autor intente de novo a ação ou quando importe
negativa de jurisdição.

O acórdão de recurso inominado é simplificado; ademais, conta com a publicação apenas

de seu dispositivo.

Enunciado nº 124: É correta a aplicação do art. 46 da Lei 9.099/95 nos Juizados


Especiais Federais, com preservação integral dos fundamentos da sentença.
Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a
indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a
sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento
servirá de acórdão.

OBSERVA ÇÃ O: O professor salienta que a sustentação oral é restrita aos fatos e só é

autorizada, em regra, se a parte for perder o processo.

Segundo o enunciado nº 60 do FONAJEF, matéria constante da inicial, mesmo que ausente

da sentença, pode constar do Recurso Inominado:

Enunciado nº 60: A matéria não apreciada na sentença, mas veiculada na inicial,


pode ser conhecida no recurso inominado, mesmo não havendo a oposição de
embargos de declaração.

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JUIZA DOS ESPECIA IS FEDERA IS – A RCÊNIO BRA UNER

A ULA 11 - RECURSOS - PEDIDOS DE UNIFORMIZA ÇÃ O

1. PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO

Trata-se de um recurso, demasiadamente importante, previsto na Lei 10.259/01. É um

recurso exclusivo do Juizado Especial Federal, que não existe, por exemplo, no processo civil

tradicional. Seu objetivo é a pacificação de matérias.

Por que o Pedido de Uniformização existe nos Juizados Especiais Federais, mas

não existe no processo civil comum?

Isso ocorre, pois, o processo civil comum possui um recurso de pacificação de

jurisprudência, trata-se do Recurso Especial com base no Art. 105, III, "c" da C onstituição. Tal

dispositivo permite que o Superior Tribunal de Justiça pacifique a jurisprudência pátria. Ocorre,

porém, que o Recurso Especial só é cabível de decisões de Tribunais de Justiça ou Tribunais

Regionais Federais, logo, os processos de Juizado não autorizam a interposição de Recurso

Especial, visto que que as decisões são proferidas, em segunda instância, na Turma Recursal.

Art. 105. C ompete ao Superior Tribunal de Justiça: III - julgar, em recurso especial, as
causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou
pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão
recorrida: c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro
tribunal.

P ara sanar este problema, foi imaginada a possibilidade de as matérias serem pacificadas

em nível federal, criou-se, por conseguinte, o P edido de Uniformização ao qual foi dada uma

dimensão regional (no TRF) e nacional (na TNU). P ossibilitou-se, ainda um recurso da TNU para o

STJ.

O P edido de Uniformização ocorre quando existam decisões contrastantes entre dois

órgãos julgadores. O recurso terá uma possibilidade de configuração regional, dentro do próprio

TRF, além de uma configuração nacional, quando houver uma decisão superior a ser utilizada

como paradigma.

ATENÇÃ O: A divergência decisória somente irá alicerçar o P edido de Uniformização

quando versarem sobre direito material (enunciado 43 do FONAJEF) ou competência

(enunciado 97 do FONAJEF). Ademais, o P edido de Uniformização não permite reexame de

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula11 - Recursos - Pedidos de Uniformização

prova (da mesma forma que recurso extraordinário e recurso especial não permitem), conforme

enunciado 98 do FONAJEF, ou seja, este recurso é apenas para matéria jurídica, não sendo

permitida a chamada revaloração/reexame do contexto fático-probatório.

Enunciado nº. 43: É adequada a limitação dos incidentes de uniformização às


questões de direito material.
Enunciado nº. 98: C abe incidente de uniformização de jurisprudência quando a
questão deduzida nos autos tiver reflexo sobre a competência do juizado especial
federal.
Enunciado nº. 99: É inadmissível o reexame de matéria fática em pedido de
uniformização de jurisprudência.

Como a jurisprudência tem entendido a relação entre o Recurso

Extraordinário e o Pedido regional/nacional de Uniformização de Jurisprudência?

O entendimento tem sido no sentido de, sendo cabível o P edido regional/nacional de

Uniformização e o Recurso Extraordinário, primeiramente esperar-se-á o julgamento final do

P edido de Uniformização, para, em um segundo momento, apresentar o recurso extraordinário.

P ortanto, diferentemente do Recurso Especial que é apresentado conjuntamente com o Recurso

Extraordinário, o P edido de Uniformização é apresentado e julgado antes da apresentação do

Recurso Extraordinário. Ou seja, se for cabível, interpõe-se o Recurso Extraordinário contra a

decisão da TRU ou da TNU.

OBSERVA ÇÃ O: O professor salienta que o Supremo Tribunal Federal está pautando a

definição deste tema em repercussão geral. Ainda não houve definição em repercussão geral,

entretanto, o posicionamento acima apresentado é o majoritário e tende a prevalecer.

2.1 PEDIDO DE UNIFORMIZA ÇÃ O REGIONA L

O P edido de Uniformização pode ter duas dimensões, a regional e a nacional. A primeira

dimensão, o P edido Regional, está previsto no Art. 14,§1º da Lei 10.259/01:

Art. 14. C aberá pedido de uniformização de interpretação de lei federal quando


houver divergência entre decisões sobre questões de direito material proferidas por
Turmas Recursais na interpretação da lei.
§ 1o O pedido fundado em divergência entre Turmas da mesma Região será julgado
em reunião conjunta das Turmas em conflito, sob a presidência do Juiz C oordenador.

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula11 - Recursos - Pedidos de Uniformização

Logo, se há uma dissonância entre Turmas Recursais de um mesmo Tribunal,

existe a possibilidade de se fazer o Pedido de Uniformização Regional, o pedido será

dirigido em 10 dias e será solucionado pela Turma Regional de Uniformização (TRU).

EXEMPLO: Um conflito de interpretações entre a Turma Recursal do Rio Grande do Sul e

uma Turma Recursal de Santa C atarina, ambas estão vinculadas ao TRF-4, logo, é possível o

P edido de Uniformização à TRU do TR-4.

De que forma esse Pedido de Uniformização se constrói?

O P edido se constrói como o Recurso Especial previsto no Art. 105, III, "c" da C onstituição,

a partir de uma Divergência jurisprudencial. É feito um cotejo analítico, coloca-se a fundamentação

e o dispositivo dos acórdãos conflitantes, alegando qual acordão deve prevalecer para o caso

concreto em si (e indiretamente para outros semelhantes), buscando-se, desse modo, a

uniformização da jurisprudência.

2.2 PEDIDO DE UNIFORMIZA ÇÃ O NA CIONA L

O P edido Nacional de Uniformização, por sua vez, será encaminhado à Turma Nacional de

Uniformização (TNU), composta por juízes federais e coordenada por um Ministro do STJ. O P edido

Nacional se configura quando há decisões conflitantes entre Turmas de regiões

diferentes ou contrariedade à súmula ou jurisprudência dominante do STJ:

Art. 14. C aberá pedido de uniformização de interpretação de lei federal quando


houver divergência entre decisões sobre questões de direito material proferidas por
Turmas Recursais na interpretação da lei.
§ 2º O pedido fundado em divergência entre decisões de turmas de diferentes
regiões ou da proferida em contrariedade a súmula ou jurisprudência dominante do
STJ será julgado por Turma de Uniformização, integrada por juízes de Turmas
Recursais, sob a presidência do C oordenador da Justiça Federal.

ATENÇÃ O: O professor salienta que, além do texto legal do Art. 14, §2º da Lei 10.259/01,

também será admitido o P edido Nacional de Uniformização quando houver uma dissonância entre

decisão de Turma Regional e decisão da TNU.

2.3 RECURSO PA RA O STJ

Da decisão da Turma Nacional de Uniformização, pode caber recurso ao STJ, conforme Art.

14, §4º da Lei 10.259/01:

Art. 14. C aberá pedido de uniformização de interpretação de lei federal quando


houver divergência entre decisões sobre questões de direito material proferidas por

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula11 - Recursos - Pedidos de Uniformização

Turmas Recursais na interpretação da lei.


§ 4º Quando a orientação acolhida pela Turma de Uniformização, em questões de
direito material, contrariar súmula ou jurisprudência dominante no Superior Tribunal
de Justiça -STJ, a parte interessada poderá provocar a manifestação deste, que
dirimirá a divergência.

É possível apresentar um recurso à TNU por uma dissonância de posicionamento entre

TRU de diferentes estados E, da decisão da TNU, caso se entenda existir contrariedade a súmula

ou jurisprudência dominante no STJ, é cabível recurso para este Tribunal.

ATENÇÃ O: O STJ já definiu que esse recurso ao Tribunal só é cabível nos casos em

que houve decisão de mérito pela TNU, conforme AgRg na P et 10.199/SE:

PROC ESSUAL C IVIL. AGRAVO REGIMENTAL NA PETIÇ ÃO. INC IDENTE DE


UNIFORMIZAÇ ÃO. APREC IAÇ ÃO DE QUESTÃO DE DIREITO MATERIAL POR PARTE
DA TURMA DE UNIFORMIZAÇ ÃO. REQUISITO ESSENC IAL. AUSÊNC IA. 1. A
manifestação do Superior Tribunal de Justiça em pedido de uniformização de
interpretação de lei federal, no âmbito dos juizados especiais federais, pressupõe, a
teor da exegese do art. 14, § 4º, da Lei n. 10.529/2001, exame de "questão de
direito material" por parte da Turma de Uniformização, requisito não atendido na
situação em análise, pois a Turma Nacional de Uniformização sequer conheceu do
incidente. 2. No agravo regimental, a parte agravante se limitou a reeditar as razões
trazidas na Petição, sem proceder ao efetivo combate ao fundamento da decisão
que pretende ver reformada, em clara violação ao princípio da dialeticidade. 3.
Agravo regimental não conhecido.
(STJ - AgRg na Pet: 10199 SE 2013/0393292-0, Relator: Ministro SÉRGIO KUKINA,
Data de Julgamento: 27/09/2017, S1 - PRIMEIRA SEÇ ÃO, Data de Publicação: DJe
06/10/2017)

Este recurso, chegando ao STJ, é permitido ao relator conceder liminares. O julgamento

dessa questão no STJ terá um cunho molecularizado, ou seja, gerará precedentes para demais

processo do juizado, evitando, assim, que a demanda seja repetida na instância inferior:

§ 5o No caso do § 4o, presente a plausibilidade do direito invocado e havendo


fundado receio de dano de difícil reparação, poderá o relator conceder, de ofício ou a
requerimento do interessado, medida liminar determinando a suspensão dos
processos nos quais a controvérsia esteja estabelecida. (LIMINAR PELO RELATOR
DO STJ)
§ 6o Eventuais pedidos de uniformização idênticos, recebidos subseqüentemente em
quaisquer Turmas Recursais, ficarão retidos nos autos, aguardando-se

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula11 - Recursos - Pedidos de Uniformização

pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça.(JULGAMENTO MOLEC ULARIZADO


DO STJ)

2.4 PRECEDENTES

Em relação à possibilidade de gerar um precedente, o Relator pedirá informações ao

P residente da Turma na segunda instância, além de ouvir o Ministério P úblico e eventuais

interessados (mesmo que não sejam parte no processo), em um prazo de 30 dias:

§ 7º Se necessário, o relator pedirá informações ao Presidente da Turma Recursal ou


C oordenador da Turma de Uniformização e ouvirá o Ministério Público, no prazo de
cinco dias. Eventuais interessados, ainda que não sejam partes no processo,
poderão se manifestar, no prazo de trinta dias.

É permitido ao Relator a oitiva de indivíduos que não são partes no processo, pois, este

julgamento do STJ irá gerar a pacificação de uma determinada matéria, não só para caso

concreto, mas para todos os processos com pretensões similares. Isso ocorrerá em virtude da

tendência do C P C /15 pela prevalência do precedente.

Nesse sentido, o Enunciado 132 do FONAJEF informa que caberá, ao colegiado

originalmente julgador do processo, a apreciação da matéria após decisão do STJ, conforme Art.

14, §9º:

§ 9º Publicado o acórdão respectivo, os pedidos retidos referidos no § 6 o serão


apreciados pelas Turmas Recursais, que poderão exercer juízo de retratação ou
declará-los prejudicados, se veicularem tese não acolhida pelo Superior Tribunal de
Justiça.

Enunciado nº 132: Em conformidade com o art. 14, § 9º, da Lei n. 10.259/2001,


cabe ao colegiado da Turma Recursal rejulgar o feito após a decisão de adequação de
Tribunal Superior ou da TNU

O que busca-se, portanto, na sistemática do C ódigo de P rocesso C ivil de 2015 e seu

reflexo na Lei 10.259/0, bem com a interpretação que FONAJEF acerca destas duas normas, é

conferir uma características impositiva aos precedentes dos Tribunais Superior (STF, STJ, também

da TNU, etc.) frente às instâncias inferiores, para que as matérias sejam julgadas de forma mais

uniforme e sem muita diferença de posicionamento.

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula11 - Recursos - Pedidos de Uniformização

Segundo o professor, essa circunstância acerca do recurso da TNU para o STJ, já existia na

sistemática anterior ao C P C /15, entretanto, foi aumentada no atual C ódigo. P or exemplo, o

C P C /15 trabalha com a possibilidade de ser ter Incidente de Resolução de Demanda Repetitiva

nas Turmas Recursais, neste sentido , dispõe o Enunciado 181 do FONAJEF:

Enunciado nº 181: Admite-se o IRDR nos juizados especiais federais, que deverá
ser julgado por órgão colegiado de uniformização do próprio sistema

A partir disso, o FONAJEF criou três enunciados que se adaptam à existência do IRDR nos

Juizados Especias Federais :

Enunciado nº 183: O magistrado, ao aplicar ao caso concreto a ratio decidendi


contida no precedente vinculante, não precisa enfrentar novamente toda a
argumentação jurídica que já fora apreciada no momento de formação do
precedente, sendo suficiente que demonstre a correlação fática e jurídica entre o
caso concreto e aquele já apreciado.
Enunciado nº 184: Durante a suspensão processual decorrente do IRDR e de
recursos repetitivos pode haver produção de provas no juízo onde tramita o
processo suspenso, em caso de urgência, com base no art. 982, §2º, do C PC .
Enunciado nº 185: Os mecanismos processuais de suspensão de processos não
impedem a realização de atos processuais necessários para o exame ou efetivação
da tutela de urgência.

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JUIZA DOS ESPECIA IS FEDERA IS – A RCÊNIO BRA UNER

A ULA 12 - CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E JUIZA DO FEDERA L

1. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E JUIZADO FEDERAL

O estudo do cumprimento de sentença em Juizado Federal irá seguir as disposições das

Leis nº 10.259/2001 e nº 9.099/95, devendo-se atentar para os detalhes da matéria que podem

ser objeto de questões de prova.

Ao tratar do cumprimento de fazer, não fazer e entrega de coisa, o art. 16 da Lei nº

10.259/2001 é impositivo quanto à sistemática de implementação dessas decisões:

Art. 16. O cumprimento do acordo ou da sentença, com trânsito em julgado, que


imponham obrigação de fazer, não fazer ou entrega de coisa certa, será efetuado
mediante ofício do Juiz à autoridade citada para a causa, com cópia da sentença ou
do acordo.

O art. 16 prevê, portanto, que o cumprimento das obrigações de tutela específica de fazer,

não fazer e entrega de coisa se dará por ofício do magistrado ao integrante do réu típico.

Em regra, o mecanismo utilizado pelo julgador para fortalecer a sua decisão, isto é, para

gerar a impositividade de sua decisão, é a multa coercitiva. A regra foi trazida ao processo civil

brasileiro no ano de 1994, é adotada no C P C anterior desde 94, assim como no C P C de 2015.

A multa coercitiva é a chamada astreinte e também é passível de se impor ao poder

público, exercendo uma pressão sobre o ente público para que cumpra a decisão de fazer, não

fazer ou entregar coisa.

Em síntese, deve-se atentar, especialmente, para dois pontos:

(1) Um primeiro detalhe importante que é cobrado em várias provas objetivas de concurso

é o fato de o cumprimento de sentença de tutela específica ocorrer mediante ofício do juiz ao

integrante do réu típico.

(2) Outro detalhe é de que forma o juiz pode compelir, isto é, forçar o cumprimento da sua

decisão, o que se dá por meio da astreinte - multa coercitiva que não apenas pode, mas deve, ser

determinada de ofício pelo julgador para forçar o cumprimento da decisão.

Nesse sentido, tem-se o Enunciado nº 63 do FONAJEF afirmando que a multa é cabível ao

P oder P úblico:

Enunciado nº 63
C abe multa ao ente público pelo atraso ou não-cumprimento de decisões judiciais

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula12 - Cumprimento de Sentença e Juizado Federal

com base no art. 461 do C PC , acompanhada de determinação para a tomada de


medidas administrativas para apuração de responsabilidade funcional e/ou dano ao
erário, inclusive com a comunicação ao Tribunal de C ontas da União. Havendo
contumácia no descumprimento, caberá remessa de ofício ao Ministério Público
Federal para análise de eventual improbidade administrativa. (Revisado no XI
FONAJEF)

Além do cabimento de multa ao ente público, há a possibilidade de comunicação ao Tribunal

de C ontas e ao Ministério P úblico para verificação de eventual improbidade por descumprimento

de decisões. C ontudo, trata-se de medida extremamente incomum, pois normalmente as

decisões são devidamente cumpridas pelo poder público, não havendo a necessidade de se chegar

a esse tipo de comunicação, seja ao Ministério P úblico, seja ao Tribunal de C ontas para a solução

do problema.

Enunciado nº. 64
Não cabe multa pessoal ao procurador ad judicia do ente público, seja com base no
art. 77, seja nos arts. 497 ou 536, todos do C PC /2015. (Aprovado no III FONAJEF)
(Redação atualizada no XIV FONAJEF)

C onforme o Enunciado nº 64 do FONAJEF, não cabe multa pessoal ao procurador para

causa do ente público, seja com base no art. 77 ou nos arts. 497 ou 533, todos do C P C /2015. Esse

enunciado reitera uma orientação já existente no C P C /73 de que não cabe a multa ao advogado

do poder público, a chamada contempt of court.

C om o C ódigo de P rocesso C ivil de 2015, adaptou-se a redação do Enunciado nº 64 do

FONAJEF, expondo-se que multas de ato atentatório à dignidade da justiça também não se

aplicam ao advogado público que eventualmente esteja atuando na causa.

Enunciado nº. 65
“Não cabe a prévia limitação do valor da multa coercitiva (astreintes), que também
não se sujeita ao limite de alçada dos Juizados Especiais Federais, ficando sempre
assegurada a possibilidade de reavaliação do montante final a ser exigido na forma
do parágrafo 1º do artigo 537 do C PC /2015”. (Aprovado no III FONAJEF) (Redação
atualizada no XIV FONAJEF)

Observe-se que no Juizado as astreintes não serão limitadas pelo valor da causa. Trata-se

do Enunciado nº 65, que foi atualizado no penúltimo FONAJEF, sendo, portanto, muito recente.

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula12 - Cumprimento de Sentença e Juizado Federal

A astreinte poderá chegar a uma quantificação maior do que 60 salários-mínimos sem

qualquer impedimento, uma vez que se trata de uma multa processual, não tendo relação com a

condenação e leva em conta a essencialidade do direito protegido e a possibilidade econômica de

quem paga

Em outros termos, a imposição da astreinte possui duplo objetivo: primeiro, proteger o

indivíduo e, segundo, forçar alguém a fazer algo, levando em conta a sua potencialidade

econômica. P artindo-se dessa premissa, a multa poderá extrapolar o valor de alçada do Juizado

Especial.

Enunciado nº. 149


É cabível, com fundamento no art. 77, IV, §§ 1º a 5º do C PC /2015, a aplicação de
multa pessoal à autoridade administrativa responsável pela implementação da
decisão judicial. (Aprovado no XI FONAJEF) (Redação atualizada no XIV FONAJEF)

O Enunciado nº 149 é também demasiadamente importante ao tema do cumprimento da

decisão de fazer, não fazer ou entregar coisa e afirma que, com fundamento no art. 77, IV, §§ 1º

ao 5º, do C P C /2015, é cabível a aplicação de multa pessoal à autoridade administrativa

responsável pela implementação da decisão judicial.

P ortanto, esse enunciado possibilita que haja a imposição de multa pessoal ao integrante

da Administração P ública que, na visão do juiz, esteja obstaculizando cumprimento de uma decisão

judicial.

EXEMPLO: O supervisor de um setor de distribuição de medicamentos, na opinião pessoal

do magistrado, está obstaculizando comprimento de uma decisão judicial de entrega de

medicamento. Nesse caso, pode o magistrado impor multa pessoal ao servidor, por força do

Enunciado nº 149 do FONAJEF.

Enunciado nº. 150


A multa derivada de descumprimento de antecipação de tutela com base nos
artigos 301, 536 e 537, do C PC /2015, aplicados subsidiariamente, é passível de
execução mesmo antes do trânsito em julgado da sentença. (Aprovado no XI
FONAJEF) (Redação atualizada no XIV FONAJEF)

O Enunciado nº 150 admite o cumprimento provisório de astreintes. Trata-se de um

entendimento inovador, tendo em vista que o Juizado Especial Federal não admite cumprimento

provisório. A astreinte é, desse modo, o único pagamento de quantia certa que é admitido em

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula12 - Cumprimento de Sentença e Juizado Federal

cumprimento provisório no Juizado. C ontudo, no novo C P C essa multa só pode ser cumprida ao

final do processo.

No que se refere à tutela da vida (saúde, medicamentos, cirurgia, etc.) e seu

cumprimento, cita-se os seguintes enunciados:

Enunciado nº. 134


O cumprimento das ordens judiciais que determinam concessão de medicamentos
deve ser feito prioritariamente pela parte ré, evitando-se o depósito de valores para
aquisição direta pela parte. (Aprovado no X FONAJEF)
Enunciado nº. 135
A despeito da solidariedade dos entes da federação no âmbito do direito à saúde, a
decisão judicial que conceder medicamentos deve indicar, preferencialmente, aquele
responsável pelo atendimento imediato da ordem. (Aprovado no X FONAJEF)
Enunciado nº. 136
O cumprimento da decisão judicial que conceder medicamentos deve ser feito
prioritariamente pelo Estado ou Município (aquele que detenha a maior capacidade
operacional) ainda que o ônus de financiamento caiba à União. (Aprovado no X
FONAJEF)
Enunciado nº. 137
Nas ações de saúde, a apresentação pelas partes de formulário padronizado de
resposta a quesitos mínimos previamente aprovados por acordo entre o judiciário e
entidades afetadas pode dispensar a realização de perícia. (Aprovado no X
FONAJEF)

O Enunciado nº 134 busca evitar a entrega de dinheiro às pessoas, preferindo-se a entrega

do medicamento propriamente dito. A justificativa é o fato de existirem casos em que as pessoas

deixam de comprar o remédio que salvaria a sua vida para ficar com o dinheiro e utilizá-lo para

pagamento de contas ou comprar outras coisas. Sendo assim, a decisão judicial quanto à tutela da

vida preferencialmente deve entregar o medicamento e não o dinheiro. O dinheiro pode ser

entregue somente em últimos casos, devendo-se exigir que o recibo da medicação seja juntado ao

processo.

O Enunciado nº 135 prevê que a decisão deverá delimitar, mesmo considerando a

solidariedade entre a União, Estado e Município, qual ente político deverá cumprir aquela decisão.

Deve indicar, por exemplo, quem deve entregar o medicamento.

O Enunciado nº 136 indica que as decisões relativas ao direito à saúde devem,

preferencialmente, ser cumpridas pelos Estados e Municípios, que são os entes cuja estrutura está

mais próxima das pessoas, ou seja, têm mais condições de cumprir aquelas decisões.

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula12 - Cumprimento de Sentença e Juizado Federal

De acordo com o Enunciado nº 137, poderá ser dispensada a perícia nos casos para os

quais o judiciário tenha formulários de respostas pré-construídos (doenças específicas) e que

estejam, devidamente, respondidos pelos advogados do indivíduo que apresenta o processo.

No que se refere aos pagamentos no Juizado Federal estes são efetuados, via de regra,

por Requisição de P equeno Valor (RP V).

Na Lei nº 10.529/2001 o prazo para o pagamento via RP V era de 60 dias. C om o Novo

C ódigo de P rocesso C ivil, foi previsto o prazo de dois meses, conforme art. 535, §3º, inciso II:

Art. 535. [...]


§3º [...]
II - por ordem do juiz, dirigida à autoridade na pessoa de quem o ente público foi
citado para o processo, o pagamento de obrigação de pequeno valor será realizado
no prazo de 2 (dois) meses contado da entrega da requisição, mediante depósito na
agência de banco oficial mais próxima da residência do exequente.

A Lei nº 10.259/2001 já previa (e isso ainda persiste) uma impositividade muito grande

para que esse prazo de pagamento fosse respeitado. Nesse sentido, caso o prazo de 60 dias (ou 2

meses, de acordo com o C P C /2015) não seja respeitado poderá haver o sequestro de numerário

suficiente ao cumprimento da decisão.

Art. 17. Tratando-se de obrigação de pagar quantia certa, após o trânsito em julgado
da decisão, o pagamento será efetuado no prazo de sessenta dias, contados da
entrega da requisição, por ordem do Juiz, à autoridade citada para a causa, na
agência mais próxima da C aixa Econômica Federal ou do Banco do Brasil,
independentemente de precatório.
[...]
§ 2º Desatendida a requisição judicial, o Juiz determinará o sequestro do numerário
suficiente ao cumprimento da decisão.

Eventualmente, poderão haver decisões no Juizado Federal que geram condenações

superiores a 60 salários-mínimos. Nesses casos, a obrigação deverá ser satisfeita por meio de

precatório, que é algo natural no âmbito do cumprimento de sentença contra a Fazenda P ública no

processo civil brasileiro.

No precatório, se este for apresentado até a metade do ano (1º de julho), o pagamento

deverá ser efetuado até o final do exercício seguinte. Se apresentado após a metade do ano, o

pagamento se dará no exercício subsequente.

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula12 - Cumprimento de Sentença e Juizado Federal

C onstituição Federal
Art. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais,
Distrital e Municipais, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na
ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos
respectivos, proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações
orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim.
[...]
§ 5º É obrigatória a inclusão, no orçamento das entidades de direito público, de
verba necessária ao pagamento de seus débitos, oriundos de sentenças transitadas
em julgado, constantes de precatórios judiciários apresentados até 1º de julho,
fazendo-se o pagamento até o final do exercício seguinte, quando terão seus
valores atualizados monetariamente

Ademais disso, os valores de condenação não admitem fracionamento ou qualquer outra

técnica que possibilite a burla à norma do precatório para que o pagamento se dê via RP V. Leva-

se sempre em consideração o valor total da condenação.

Lei nº 10.529/2001
Art. 17. [...]
§ 3º São vedados o fracionamento, repartição ou quebra do valor da execução, de
modo que o pagamento se faça, em parte, na forma estabelecida no § 1o deste
artigo, e, em parte, mediante expedição do precatório, e a expedição de precatório
complementar ou suplementar do valor pago.
C onstituição Federal
Art. 100. [...]
§ 3º O disposto no caput deste artigo relativamente à expedição de precatórios não
se aplica aos pagamentos de obrigações definidas em leis como de pequeno valor
que as Fazendas referidas devam fazer em virtude de sentença judicial transitada
em julgado.
[...]
§ 8º É vedada a expedição de precatórios complementares ou suplementares de
valor pago, bem como o fracionamento, repartição ou quebra do valor da execução
para fins de enquadramento de parcela do total ao que dispõe o § 3º deste artigo.

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JUIZA DOS ESPECIA IS FEDERA IS – A RCÊNIO BRA UNER

A ULA 13 - NOV O CPC

1. JUIZADO FEDERAL E O NOVO CPC

C onsiderando o início da vigência do Novo C ódigo de P rocesso C ivil (Lei nº 13.105/2015),

no que se refere ao Juizado Federal fez-se necessário um processo de adaptação das normas e,

principalmente, dos enunciados, os quais encontram-se em processo de construção.

O Enunciado nº 151 do FONAJEF resiste ao Novo C P C e afirma que este só é aplicável no

Juizado Especial Federal no que não contrariar os princípios do JEF. Desse modo, transmite a ideia

de que os princípios das Leis nº 9.099/95, nº 10.259/2001 e nº 12.153/2009 prevalecem sobre os

do C P C .

Enunciado nº 151
O C PC /2015 só é aplicável nos Juizados Especiais naquilo que não contrariar os seus
princípios norteadores e a sua legislação específica. (Aprovado no XII FONAJEF)

No mesmo sentido, o Enunciado nº 2 do C onselho da Justiça federal prevê que as

disposições do C P C aplicam-se supletivamente às Leis nº 9.099/95, nº 10.259/2001 e nº

12.153/2009, desde que não sejam incompatíveis com as regras e princípios dessas leis. Em outras

palavras, prevalece a sistemática do juizado naquilo que colide com a sistemática principiológica do

CPC.

Enunciado nº 2 da I Jornada de Direito Processual C ivil


As disposições do C ódigo de Processo C ivil aplicam-se supletiva e subsidiariamente
às Leis n. 9.099/1995, 10.259/2001 e 12.153/2009, desde que não sejam
incompatíveis com as regras e princípios dessas Leis.

EXEMPLO: O C P C /2015 exige a fundamentação das decisões, mas no juizado não há uma

imposição tão forte nesse sentido.

O Enunciado nº 152 do FONAJEF prevê que, no que se refere à conciliação e mediação, o

Juizado continua sendo regido pelas Leis nº 10.259/2001 e nº 9.099/95, mesmo após o novo C P C ,

isto é, o Juizado não adere à nova sistemática do C P C de conciliação e realização de audiências,

mas mantém a sua sistemática original prevista em lei.

Enunciado nº 152
A conciliação e a mediação nos juizados especiais federais permanecem regidas
pelas Leis 10.259/2001 e 9.099/1995, mesmo após o advento do novo C ódigo de

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula13 - Novo CPC

Processo C ivil. (Revisado no XIII FONAJEF)

O Enunciado nº 16 do C onselho da Justiça Federal aborda a possibilidade de acordos entre

as partes e o reflexo no Juizado. Dessa forma, prevê que as disposições dos artigos 190 e 191 do

C P C (composição sobre o procedimento e calendário processual) poderão ser aplicadas aos

procedimentos previstos nas leis que tratam dos juizados especiais, desde que não ofendam os

princípios e regras desses procedimentos especiais.

Art. 190. Versando o processo sobre direitos que admitam autocomposição, é lícito
às partes plenamente capazes estipular mudanças no procedimento para ajustá-lo
às especificidades da causa e convencionar sobre os seus ônus, poderes, faculdades
e deveres processuais, antes ou durante o processo.
Parágrafo único. De ofício ou a requerimento, o juiz controlará a validade das
convenções previstas neste artigo, recusando-lhes aplicação somente nos casos de
nulidade ou de inserção abusiva em contrato de adesão ou em que alguma parte se
encontre em manifesta situação de vulnerabilidade.
Art. 191. De comum acordo, o juiz e as partes podem fixar calendário para a prática
dos atos processuais, quando for o caso.
§ 1º O calendário vincula as partes e o juiz, e os prazos nele previstos somente serão
modificados em casos excepcionais, devidamente justificados.
§ 2º Dispensa-se a intimação das partes para a prática de ato processual ou a
realização de audiência cujas datas tiverem sido designadas no calendário.
Enunciado nº 16 da I Jornada de Direito Processual C ivil
As disposições previstas nos arts. 190 e 191 do C PC poderão aplicar-se aos
procedimentos previstos nas leis que tratam dos juizados especiais, desde que não
ofendam os princípios e regras previstos nas Leis n. 9.099/1995, 10.259/2001 e
12.153/2009.

Em outras palavras, somente se admitirá que as partes ajustem entre si questões sobre

calendário processual ou sobre o procedimento em si, se não violar o princípio da celeridade e

economia processual, por exemplo. Tais ajustes, contudo, não podem desnaturar o que o

procedimento do juizado pretendeu, seja o Juizado Estadual, Federal ou de Fazenda P ública.

O enunciado atribui a conotação de que as partes têm menos poder de disposição do que

no C P C tradicional, na medida que no âmbito dos Juizados há um procedimento regido por bases

interpretativas mais estreitas. Deve-se observar a celeridade, a economia processual, a

informalidade, a oralidade e a simplicidade como vetores da possibilidade de autocomposição

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Juizados Especiais Federais – Arcênio Brauner
Aula13 - Novo CPC

sobre o procedimento. P ortanto, as partes não estão livres para, dentro dos seus interesses

particulares, comporem um procedimento de forma que venha a desnaturar esses objetivos do


Juizado.

O Enunciado nº 154 do FONAJEF informa que o art. 46 da Lei nº 9.099/95 (acórdão

simplificado ou tira de julgamento) não foi revogado pelo novo C P C . Ou seja, não é necessária

uma fundamentação na segunda instância da Turma Recursal do mesmo modo como é exigida

nos TRFs. No Juizado é possível manter a simplicidade e informalidade de uma mera tira de

julgamento.

Lei nº 9.099/95. Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da


ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte
dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do
julgamento servirá de acórdão.
Enunciado nº 154, FONAJEF. O art. 46, da Lei 9099/1995, não foi revogado pelo novo
C PC . (Aprovado no XII FONAJEF).

Observe-se que os enunciados citados, até o presente momento, foram construídos para

resistir ao C P C , de modo a prevalecer a sistemática do Juizado.

O Enunciado nº 155 do FONAJEF prevê que as disposições de prova das Leis nº 9.099/95 e

nº 10.259/2001 prevalecem face ao C P C .

O C P C somente será aplicado naquilo em que as leis especiais foram silentes, no que elas

não forem são aplicadas as disposições das leis especiais, ainda que o C P C pareça mais adequado.

Enunciado nº 155
As disposições do C PC /2015 referentes às provas não revogam as disposições
específicas da Lei 10259/2001, sobre perícias (art. 12), e nem as disposições gerais
da Lei 9099/1995. (Aprovado no XII FONAJEF).

O Enunciado nº 156 do FONAJEF expõe que não se aplica ao Juizado a técnica do

julgamento não-unânime.

A chamada ampliação de julgamento que se tem atualmente no procedimento comum

ocorre quando há a dissonância ou divergência no julgamento de uma apelação (2 x 1), por

exemplo, e permite-se que haja a ampliação desse julgamento para que, com novos julgadores,

tenha-se um quantitativo maior de posicionamentos para enfrentar o mérito divergente.

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Em sede de Turma Recursal o julgamento divergente não faria sentido, uma vez que há

uma maior simplicidade de apreciação e um procedimento mais célere, portanto, a ampliação de

julgamento poderia gerar um atraso nessa sistemática.

O Enunciado nº 157 do FONAJEF afirma que o juízo de admissibilidade do recurso

extraordinário no Juizado Especial Federal segue o novo C P C , sem maiores adaptações.

Enunciado nº 157
Aplica-se o art. 1030, par. único, do C PC /2015 aos recursos extraordinários
interpostos nas Turmas Recursais do JEF. (Aprovado no XII FONAJEF)

Uma novidade do Novo C P C que é importante ser mencionada é a questão do prazo em

dias úteis, tendo em vista que essa nova forma de contagem gerou muita dissonância no âmbito

dos Juizados Estaduais e Federais sobre segui-la ou não.

P revaleceu no Juizado Federal que se seguiria a contagem dos prazos em dias úteis,

contudo, muitos Juizados Estaduais resistiram a essa nova forma de contagem, o que acarretou a

necessidade de uma mudança legislativa.

Nesse sentido, a Lei nº 13.728/2018 prevê que a contagem de prazos no JEF, JEC e

Juizados de Fazenda P ública será em dias úteis, de forma similar ao previsto no C P C .

Segundo o Enunciado nº 159 do FONAJEF, o Juizado não adota, apenas, todos os

julgamentos de plano, isto é, os julgamentos liminares do art. 332 do C P C , como também pode

Juizado criar outras hipóteses de julgamento liminar.

Essas hipóteses de julgamento de plano se adaptam à celeridade, à informalidade, à

simplicidade e à economia processual buscada pelo Juizado.

Enunciado nº 159
Nos termos do enunciado nº 1 do FONAJEF e à luz dos princípios da celeridade e da
informalidade que norteiam o processo no JEF, vocacionado a receber demandas
em grande volume e repetitivas, interpreta-se o rol do art. 332 como
exemplificativo. (Aprovado no XII FONAJEF).
C PC /2015. Art. 332. Nas causas que dispensem a fase instrutória, o juiz,
independentemente da citação do réu, julgará liminarmente improcedente o pedido
que contrariar:
I - enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de
Justiça;
II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de
Justiça em julgamento de recursos repetitivos;
III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de

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assunção de competência;
IV - enunciado de súmula de tribunal de justiça sobre direito local.
§ 1º O juiz também poderá julgar liminarmente improcedente o pedido se verificar,
desde logo, a ocorrência de decadência ou de prescrição.
§ 2º Não interposta a apelação, o réu será intimado do trânsito em julgado da
sentença, nos termos do art. 241.
§ 3º Interposta a apelação, o juiz poderá retratar-se em 5 (cinco) dias.
§ 4º Se houver retratação, o juiz determinará o prosseguimento do processo, com a
citação do réu, e, se não houver retratação, determinará a citação do réu para
apresentar contrarrazões, no prazo de 15 (quinze) dias.

O Enunciado nº 160 do FONAJEF, também considera os princípios do juizado, afirma que a

exigência de contraditório do novo C P C não é vista da mesma forma no Juizado.

No Novo C P C o contraditório é elevado a máxima potência, tendo em vista que há a

figura do processo cooperativo, no qual as partes colaboram entre si e com o juiz para construção

e solução do processo.

C onsiderando que no Juizado prevalecem a simplicidade, a economia processual e

celeridade, esses princípios vedam interpretações em sentido contrário.

Em razão disso, a abertura de prazo para correção de vício antes da extinção do processo,

por exemplo, que é aplicada, atualmente, no C P C de 2015, não se estende ao Juizado, por força

do Enunciado nº 176 do FONAJEF.

Enunciado nº 160
Não causa nulidade a não-aplicação do art. 10 do NC PC e do art. 487, parágrafo
único, do NC PC nos juizados, tendo em vista os princípios da celeridade e
informalidade. (Aprovado no XII FONAJEF).
Enunciado nº 176
A previsão contida no art. 51, § 1º, da Lei 9.099/1995 afasta a aplicação do art. 317
do C PC /2015 no âmbito dos juizados especiais. (Aprovado no XIII FONAJEF)

P or fim, o Enunciado nº 198 do FONAJEF prevê que a suspensão de prazos processuais

dos dias 20 de dezembro a 20 de janeiro é aplicável aos Juizados Especiais Federais.

Enunciado nº 198
A suspensão de prazos processuais dos dias 20 de dezembro a 20 de janeiro é
aplicável aos Juizados Especiais Federais.

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