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Ulisses trabalha numa fabrica de roupas, no centro de uma cidade qualquer.

Dentro dessa
fabrica, após uma explosão acidental, faz como que Ulisses perceba a possibilidade de
complicar a vida dessas pessoas que escravizam as outras, com pequenos acidentes cotidianos,
fazendo um inferno o ambiente da empresa, até que todos se matam no final.

Esqueleto principal

Capitulo 1 – apresentação de Ulisses e de sua origem, família, suas vãs ambições irrealizáveis,
suas tristezas, suas mulheres.

Capitulo 2 A explosão e como que ela vai conturbar aquele estatos quo

Capitulo 3 Conseqüências das perturbações da explosão, e novas complicações vindas não sei
de onde.

Capitulo 4 Ulisses percebe que se ele causar os eventos espontâneos pode gerar cada vez mais
caos

Capitulo 5 O aumento do caos, e a conseqüente perturbação magistral de seus superiores, uns


se demitem....

Capitulo 6 todos se matam, o caos é completo.

Capitulo 1
Começo essa historia para contar a vida de um personagem um pouco extravagante. Sua vida,
comum, banal a principio, vivenciou, nos últimos tempos, tamanhas pertubações, que o
fizeram enlouquecer tao pouco os acontecimentos avolumavam-se. Sua tez clara e pensativa,
as esparsas rugas que se enfileiram em sua cabeça, seus lábios finos, seus olhos concentrados
fazem de Ulisses um homem estranho, mas pertinente. Quando vai ao trabalho, acorda cedo,
toma seu usual cafe matinal, e sai, a passos largos e pensativos. Caminha por volta de 30
minutos, os onibus da cidade, sao extremamente desconfortáveis. Sua vizinhança conhecida,
se enfileirava em quarteiroes muito bem planejados, dando um contorno matemático a
cidade, que se estendia ao horizonte. As ruas, largas e extensas, os quintais pequenos e as
casas minusculas davam um sinal de que vida residia naquelas paredes.

Ulisses trabalhava numa fabrica, na area de produção mais concentrada. Metodico e preciso,
seus movimentos eram necessários dentro de uma grande cadeia. As maquinas equipadas com
alta tecnologia, muito embora sempre necessitavam de um braço humano para serem
movimentadas. Ulisses, chegava, e sempre tomava o seu primeiro café, e seu usual cigarro.
Seus amigos de trabalho e seus superiores também realizavam tal atividade num pequeno
cômodo externo, uma varanda. Ela dava para rua, e o sol ali batia a arde as costas. O prazer ali
era sempre uma mistura de extremo desprazer fisico, tanto é o calor que exala das paredes.

O trabalho era geralmente cansativo. Durante 8 horas ele esperava ansiosamente por sair
daquele ambiente desconfortável, repugnante. Mexia nas fiagem, nas grandes costureiras, no
algodao que saia por ali e por cá. Colocava outros produtos acolá. E era essa a sua rotina. Nos
galpões superiores havia todo um conjunto de escritórios onde se localizava a administração
da fabrica. Como no ceu, eles se localizavam bem distantes dos funcionários, e diziam a lenda
que por vezes eram iluminados. suas vestes resplandeciam sua nobreza e superioridade.

Ulisses se sentia intrigado em trabalhar num grande galpão quente e seco, cheio de gente e
com grandes máquinas que deixavam ainda tudo muito quente, numa densa neblina de
fuligem. Perguntava-se se não deveria mudar de trabalho, aquela vida ali não valia a pena. Por
vezes se postava imóvel em frente as maquinas e se desligava por um breve instante, quando
o cérebro tentava fugir ante a dominadora força das maquinas. Era considerado um pouco
estranho frente a seus amigos. Sempre sisudo e calmo, ulisses pouco falava de sua vida
particular, e gostava de discutir assuntos banais do que se preocupar com dinheiro, familia,
casa, filhos, compras.Seus amigos o achavam boemio, libertino, talvez até viado. entretanto,
nos dias de folga ele costumava sair com seus amigos do trabalho para alguns bares ao redor
da cidade, lá eles bebiam até madrugada adentro. A conversa rolava. Uma vez, numa dessas
saidas, enquanto eles debatiam sobre a situação da fabrica, estranhamente ulisses
interrompeu:

- eu acho muito esquisito aquela fabrica, os caras que mandam, vocês ja viram a cara deles?
são muito estranhos, parece de cera, tudo branco....

- nada, isso é paranóia sua, vive se sentindo perseguido - retrucou um amigo que sentava ao
lado

- você acha mesmo ? eles são muito estranhos cara, povo esquisito esse, vive enfurnado
naqueles cubículos, se sentem bem sendo assim, eu não consigo entender...
- deixa de ser reclamão cara, deixa eles para lá, eles mandam na gente, e agente obedece, só
isso que devemos saber.

Mesmo assim, apesar dos dias, essa estranheza se avolumava nas impressões que Ulisses tinha
daquele lugar. Como se uma luz fosse jogada em sua mente, abrisse-lhe os olhos lentamente e
pouco a pouco a natureza se desvelasse, e mostrasse seus contornos. Ele foi percebendo,
desde que começou seu trabalho, que aquele lugar, ou mais precisamente, aquele tipo de
lugar era absurdo. Pessoas agindo como robôs, suas mentes e corpos trabalhados, esculpidos,
ladrilhos por ladrilhos, areia por areia, a serem unicamente de tal forma, que seus movimentos
não se diferenciassem. mãos e pés acompanhavam se numa precisão incrível. Tudo isso era de
tal modo limitado e circunscrito a uma ética do trabalho, talvez, que Ulisses se sentia cada vez
perturbado. AS vezes achava que isso não era importante, era só fazer o serviço e não se
deixar contaminar por tais opiniões idiotas. Por vezes, se pegava falando que trabalhar era
bom, trazia prosperidade, felicidade. Não entendia ele, contudo, que o trabalho realizado dias
após dias de cansaço, sono e desespero, penetram tal como verme na sua pele, corroendo-a, e
consumindo-a, de tal modo que para ele, difícil é se ver fora dessa empresa, por pior que seja
trabalhar nela.

Nas ruas, ulisse caminhava torto, seus passos desengoçados, por vezes o fazem esbarrar em
muitas pessoas. Algumas dessas, foi por quem ele se apaixonou. Flora, andava
apressadamente, com suas sacolas vendendo produtos antigos e usados, usava um pequeno
trapo como camisa, e uma saia florida esmaecendo de tanto uso. O encontro foi conseqüência
de uma queda drástica, os objetos indo ao chão a despedaçar-se. Ele, com a Mao na testa e os
olhos profundos, pediu sinceras desculpas, e ajudou-a de modo gentil a catar. Ajudou-a e
levou-a até a casa dela, ficava num bairro um pouco distante do centro da cidade, onde
moravam muitos de seus colegas de fabrica. Num grande curtiço, ela subiu três andares, com
pressa destrancou as portas, abriu as janelas, pôs tudo em cima da cama velha, forrada com
pano amarelhado. E ele estatelou na porta, a olhá-la. Era linda. Embora suas vestes não
condissessem com sua pele macia, seus cabelos alinhados em torno de uma presilha,
formando um amarrado de lindos cachos, que se deixavam cair por sobre seus ombros. Ela, de
repente se apercebeu que ele lhe apreciava, e ficou corada. Ofereceu-lhe um café, e ele
aceitou, seu sono era profundo infelizmente.

O aroma do café invadia a sala, de modo a tornar a conversa agradável e fluida. Ele, a fitava
longamente, e seus lábios escarlate davam a ela, contornos precisos. Divagavam sobre seus
cotidianos:

- então, você só vende essas coisas? Você consegue vendê-las bem ? tenho uma tia que vive
cheia de dividas, mas não consegue vender os produtos que tem... são tantas pessoas
comprando e vendendo, fica difícil a concorrência...

- é, as vezes, consigo ganhar algum dinheiro bom, mas é difícil... tem tempos que não consigo
vender algumas roupas ai, acho que vou jogar elas fora.

- nossa, que pena.


A conversa saiu disso e foi se caminhado para longas divagações sobre famílias, amigos, o que
eles tinham vivido, o que faziam aos finais de semana. Jogava bola, ou ia para bares ou festas,
geralmente. Jogavam conversa fora. Ele, tentava ser o mais amável possível. Ela lhe olhava
com sorrisos esparsos, seus gestos fracos e compenetrados, por vezes deixavam-se a estar na
cadeira para a escuta atenta do que ele falava. Como se de sua boca, resvalasse algo de
sublime. Sempre nesse tom flórido que eles se encontravam. Ela, de tempos em tempos,
andava mais sorridente. Ele, responsável começou a querer altos títulos. Queria crescer na
empresa que trabalhava. Mas, agora algo lhe irritava a consciência. Será que se transformaria
naquelas pessoas com as quais achava estranho ? Talvez... Quantas contradições ele tinha, e
isso lhe acometia por vezes. Ora, começava a querer altos planos para o relacionamento com
Flora, prometendo casamentos, viagens, lua de mel, porém não consiga subir na fabrica, e não
fazia nada, continuava na sua tradicional apatia. Seu impito de mudança só agia no nível da
fala mentirosa e escrupulosa. Seus exemplos, suas enunciações baratas e toscas, davam
aquelas mentiras um tom pérfido e ela, pobre, ingênua e ainda muito moça, não vislumbrava o
que lhe apetecia.

Ele, continuou com ela, porém nunca se casou, e ainda mantém o mesmo relacionamento
aberto, talvez, embora ela não tenha ficado com nenhum outro homem desde então, e ele
vinha passar na sua casa, a comer-lhe a comida que ela fazia. Como se fosse casado. Porém nas
contas não ajudava, e ela, coitada, não percebia. E assim viveu até o ponto onde agora se
encontra.