Você está na página 1de 5

FACULDADE MULTIVIX

Adriana Martinelli

Elaine Miranda Pio Alcantara

Resenha Crítica: Artigo: Pré-natal Psicológico: Perspectivas para Atuação do


Psicólogo em Saúde Materna no Brasil (Alessandra da Rocha Arrais; Tereza
Cristina Cavalcanti Ferreira de Araujo)

Vitória

2019
FACULDADE MULTIVIX

Adriana Martinelli

Elaine Miranda Pio Alcantara

Resenha crítica apresentada para a disciplina de


Desenvolvimento Humano no curso de psicologia,
na Faculdade Multivix

Vitória

2019
A partir da leitura do artigo proposto, constata-se que a mulher, em seu
estado gestacional passa por fases emocionais intensas que podem afetar, tanto o
seu bem-estar, quanto o do bebê. A questão gira em torno do que a saúde pública
tem feito para proporcionar à gestante ajuda para toda esta carga emocional como
parte do pré natal. Há alguns programas públicos em hospitais e postos de saúde
que envolvem e auxiliam no bem-estar físico da mulher grávida. Porém, pelo bem-
estar psíquico, ainda se faz muito pouco.

De fato, com exceções, verifica-se que a gravidez gera, na mulher, por


quase todo o período de gestação, uma expectativa do que pode acontecer ao
longo do período e no parto. Vejamos o que a autora diz sobre isso:

Na atualidade, ainda que conhecimentos biomédicos e tecnológicos sejam


usualmente empregados ao longo da experiência da maternidade, as vivências
desencadeadas – desde a concepção até os meses subsequentes ao parto – revestem-se
de intensos e contraditórios afetos sustentados por crenças pessoais, familiares, sociais e
culturais.

Um dos pontos levantados no artigo menciona que isso se intensifica no


cenário brasileiro, onde doenças e epidemias interferem na saúde da mãe e afetam
de forma significativa a formação do bebê. Além das questões epidêmicas não
resolvidas, ainda é preciso levar em conta as condições precárias dos hospitais
públicos, com poucos profissionais qualificados, sem estruturas adequadas e, em
muitos casos, sem condições de atendimento à parturiente. Nestes quesitos, as
autoras referendam que esta realidade desencadeia ainda mais a atenção voltada
para o aspecto físico, porque este se torna prioridade neste ambiente de alto risco:

“Então, ao desafio humano de fecundar, gerar e fazer desenvolver, se sobrepõem outros


conflitos e sofrimentos, uma vez mais naturalizados por limitações psicossociais.”

Diante desta preocupação, com conhecimentos e narrativas acerca do


desenrolar histórico, as autoras empenham-se em apresentar, clara e
detalhadamente, as circunstâncias e características da pesquisa, levando-nos a
compreender as ideias básicas de algumas das implementações de programas
voltados para a bem-estar biopsicossocial da mulher grávida, apesar de ainda
serem restritos a alguns hospitais do Brasil.
” No Brasil, foi reconhecido como marco significativo a implementação, na década
de 1980, do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), no qual se
destacavam ações voltadas para os períodos do pré-natal, parto e puerpério. Porém, em
função dos seus limites, foi lançado em 2000 o Programa de Humanização no Pré-natal e
Nascimento (PHPN) com o propósito de oferecer um acompanhamento mais centrado nas
necessidades das gestantes.

Nas unidades de saúde, amplia-se a oferta de serviços em consonância com as


diretrizes atuais. Denominado Pré-Natal Psicológico (PNP), esse acompanhamento prevê
grupos psicoeducativos sobre gestação, parto e pós-parto, os quais propiciam suporte
socioemocional, informacional e instrucional. O programa mais longo contabilizou 21
sessões semanais e o mais breve cinco sessões quinzenais. Uma média de seis a sete
sessões mostrou-se adequada para cumprir seus propósitos

O artigo traz, então, a descrição e discussão em torno de um projeto de PNP


(pré natal psicológico) implementado em um hospital em Brasília. O projeto prevê
sessoes planejadas para receber grávidas e familiares e discutir as diversas
facetas vividas na gravidez. É apresentado como parte da resolução dos problemas
de auxilio psicologico à mulher grávida, se utilizado nas redes de saúde do Brasil.

Com estilo claro, objetivo, discursivo e narrativo, o texto dá esclarecimentos


sobre o método utilizado na projeto, exemplificando e impulsionando reflexão crítica
e discussão teórica sobre o mesmo. As autoras fornecem subsídios científicos, à
medida que trata das questões voltadas à psique da mulher no período da
gestação, baseada em ações e em relatos de várias delas que se utilizaram do
programa.

As narrativas citadas por várias das mulheres, as quais foram auxiliadas


com acompanhamento psicológico, ampliam nossa compreensão da questão
comprovadamente real e nos possibilitam analisar e confrontar várias posições, a
fim de chegarmos à nossa própria opinião: A alta carga emocional que a mulher
vive, como consequência da grande produção de hormônios, juntada à realidade
de mudanças drásticas no estilo de vida: a responsabilidade de gerar, sustentar e
educar uma vida, considerando também todo o seu contexto sócio econômico, de
fato, se não tratada, pode trazer sérias complicações à saúde e bem-estar integral
da mãe e bebê. Então, existe sim, a urgente necessidade de estudos mais
profundos e uma implementação séria, ampla e real de programas de auxilio
psicológico às mulheres grávidas, bem como em seu entorno social, dentro dos
hospitais e clinicas, tando públicos quanto particulares do Brasil.

Porém a grande questão é o como o projeto pode ser de fato implementado.


Que ações poderiam ser feitas a fim de que, pelo menos um hospital/maternidade
pública do Brasil se utilizasse do programa. Este ponto não foi levantado no artigo.
E fica esta lacuna para uma outra pesquisa cientifica dentro do assunto.

Você também pode gostar