Você está na página 1de 4

GOVERNO DO ESTADO DO TOCANTINS

SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO


DIRETORIA REGIONAL DE ENSINO DE GURUPI
COLÉGIO ESTADUAL DOM ALANO

Professor (a): Matéria: Data: ___/____/2020


1°__ Aluno: Valor 3,0 Nota:

Atividade Avaliativa de Língua Portuguesa

O Assalto ( Carlos Drummond de Andrade) — Já sei. A tal dondoca loira.


Na feira, a gorda senhora protestou a altos brados contra — A loura assalta em São Paulo. Aqui é morena.
o preço do chuchu: — Uma gorda. Está de metralhadora. Eu vi.
— Isto é um assalto! — Minha Nossa Senhora, o mundo está virado!
Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. — Vai ver que está caçando é marido.
Alguém, correndo, foi chamar o guarda. Um minuto — Não brinca numa hora dessas. Olha aí sangue
depois, a rua inteira, atravancada, mas provida de um escorrendo!
admirável serviço de comunicação espontânea, sabia — Sangue nada, é tomate.
que se estava perpetrando um assalto ao banco. Mas Na confusão, circularam notícias diversas. O assalto fora
que banco? Havia banco naquela rua? Evidente que sim, a uma joalheria, as vitrinas tinham sido esmigalhadas a
pois do contrário como poderia ser assaltado? bala. E havia jóias pelo chão, braceletes, relógios. O que
— Um assalto! Um assalto! — a senhora continuava a os bandidos não levaram, na pressa, era agora objeto de
exclamar, e quem não tinha escutado, escutou, saque popular. Morreram no mínimo duas pessoas, e
multiplicando a notícia. Aquela voz subindo do mar de três estavam gravemente feridas.
barracas e legumes era como a própria sirena policial, Barracas derrubadas assinalavam o ímpeto da convulsão
documentando, por seu uivo, a ocorrência grave, que coletiva. Era preciso abrir caminho a todo custo. No rumo
fatalmente se estaria consumando ali, na claridade do do assalto, para ver, e no rumo contrário, para escapar.
dia, sem que ninguém pudesse evitá-la. Os grupos divergentes chocavam-se, e às vezes
Moleques de carrinho corriam em todas as direções, trocavam de direção; quem fugia dava marcha à ré,
atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as quem queria espiar era arrastado pela massa oposta. Os
mercadorias que transportavam. Não era o instinto de edifícios de apartamentos tinham fechado suas portas,
propriedade que os impelia. Sentiam-se responsáveis logo que o primeiro foi invadido por pessoas que
pelo transporte. E no atropelo da fuga, pacotes pretendiam, ao mesmo tempo, salvar o pelo e
rasgavam-se, melancias rolavam, tomates contemplar lá de cima. Janelas e balcões apinhados de
esborrachavam-se no asfalto. Se a fruta cai no chão, já moradores, que gritavam:
não é de ninguém; é de qualquer um, inclusive do — Pega! Pega! Correu pra lá!
transportador. Em ocasiões de assalto, quem é que vai — Olha ela ali!
reclamar uma penca de bananas meio amassadas? — Eles entraram na Kombi ali adiante!
— Olha o assalto! Tem um assalto ali adiante! — É um mascarado! Não, são dois mascarados!
O ônibus na rua transversal parou para assuntar. Ouviu-se nitidamente o pipocar de uma metralhadora, a
Passageiros ergueram-se, puseram o nariz para fora. pequena distância. Foi um deitar-no-chão geral, e como
Não se via nada. O motorista desceu, desceu o trocador, não havia espaço uns caíam por cima de outros. Cessou
um passageiro advertiu: o ruído, Voltou. Que assalto era esse, dilatado no tempo,
— No que você vai a fim do assalto, eles assaltam sua repetido, confuso?
caixa. — Olha o diabo daquele escurinho tocando matraca! E a
Ele nem escutou. Então os passageiros também gente com dor-de-barriga, pensando que era
acharam de bom alvitre abandonar o veículo, na ânsia de metralhadora!
saber, que vem movendo o homem, desde a idade da Caíram em cima do garoto, que sorveteu na multidão. A
pedra até a idade do módulo lunar. senhora gorda apareceu, muito vermelha, protestando
Outros ônibus pararam, a rua entupiu. sempre:
— Melhor. Todas as ruas estão bloqueadas. Assim eles — É um assalto! Chuchu por aquele preço é um
não podem dar no pé. verdadeiro assalto!
— É uma mulher que chefia o bando!
Após fazer a leitura da crônica acima, responda as questões abaixo.
1) “— Um assalto! Um assalto!” (linha 7) O grito de assalto é provocado pelo:
__________________________________________________________________________________
2) De acordo com o texto, é CORRETO afirmar que:
a) a comunicação espontânea entre as pessoas transmite informações nem sempre bem
fundamentadas. b) o alto preço dos gêneros alimentícios, como o chuchu e o tomate, é comparável a
um roubo sofrido pelos feirantes.
c) os chamados “boatos” têm sempre algum fundamento, corroborando a expressão popular: “o povo
aumenta, mas não inventa”.
d) o assalto, em local de intenso movimento de pessoas, gera danos apenas pela convulsão coletiva e
não pelo bem subtraído.

3) Conforme o texto, das notícias que circularam, aquela que se refere a um fato que realmente
ocorreu é: a) Três pessoas estavam gravemente feridas. b) Era uma mulher que
chefiava o bando.
c) As vitrinas da loja foram destruídas. d) Um menino tocava matraca.

4) Das passagens do texto, aquela que mostra que, mesmo num momento de grande tensão, as
pessoas ainda podem fazer piada é:
a) “— É uma mulher que chefia o bando!” (linha 19)
b) “— Vai ver que está caçando é marido.” (linha 24)
c) “— Sangue nada, é tomate.” (linha 26)
d) “— É um mascarado!” (linha 40)

5) A frase dita pela senhora, no início do texto, provocou uma enorme confusão. Por quê?
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
__

Charlie Brown Jr. - Só os Loucos Sabem

Agora eu sei exatamente o que fazer Toda positividade eu desejo a você


Bom recomeçar, poder contar com você Pois precisamos disso nos dias de luta
Pois eu me lembro de tudo irmão O medo segue os nossos sonhos
Eu estava lá também O medo segue os nossos sonhos
Um homem quando está em paz Menina linda, eu quero morar na sua rua
Não quer guerra com ninguém
Eu segurei minhas lágrimas Você deixou saudade
Pois não queria demonstrar a emoção Você deixou saudade
Já que estava ali só pra observar Quero te ver outra vez
E aprender um pouco mais sobre a Quero te ver outra vez
percepção Você deixou saudade
Eles dizem que é impossível encontrar o
Agora eu sei exatamente o que fazer
amor
Vou recomeçar, poder contar com você
Sem perder a razão
Pois eu me lembro de tudo irmão
Mas pra quem tem pensamento forte
Eu estava lá também
O impossível é só questão de opinião
Um homem quando está em paz
E disso os loucos sabem
Não quer guerra com ninguém
Só os loucos sabem
Disso os loucos sabem
Só os loucos sabem
6) O texto que foi lido é:
a) uma notícia. d) uma crônica de jornal.
b) uma reportagem. e) um poema social.
c) uma letra de música.

7) Analise as afirmativas:
I – o texto inicia com o autor falando na primeira pessoa do singular.
II – a palavra “loucos” é um adjetivo no contexto em que aparece.
III – a palavra “medo” é um substantivo.
Qual alternativa traz a resposta só com as afirmativas corretas?
a) I, II e III. d) I e III.
b) I e II. e) I.
c) II e III.

8) Podemos conceituar “loucos” nessa música como:


a) alguém que supera limites.
b) alguém que precisa tratamento psicológico.
c) alguém muito feliz.
d) alguém muito paranoico.
e) alguém que tem uma boa opinião.

Leia o texto e responda:

Um anjo dorme aqui; na aurora apenas,


disse adeus ao brilhar das açucenas
em ter da vida alevantado o véu.
- Rosa tocada do cruel granizo Cedo
finou-se e no infantil sorriso passou do
berço pra brincar no céu!
(Casimiro de Abreu, in Primaveras)

9) O tema do texto é:
a) a inocência de uma criança
b) o nascimento de uma criança
c) o sofrimento pela morte de uma criança
d) o apego do autor por uma certa criança
e) a morte de uma criança

10) No âmbito do poema, podemos dizer que pertencem ao mesmo campo semântico as palavras:
a) aurora e véu
b) anjo e rosa
c) granizo e sorriso
d) berço e céu
e) cruel e infantil

Você também pode gostar