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FERNANDO HENRIQUE CHUERY GOMES BARROS

CEFALOMETRIA:
ANÁLISE CEFALOMÉTRICA DE STEINER – REVISÃO
SIMPLES

LONDRINA
2017
FERNANDO HENRIQUE CHUERY GOMES BARROS

CEFALOMETRIA:
ANÁLISE DE STEINER – REVISÃO SIMPLES

Trabalho de conclusão de curso apresentado


ao Centro de Ciências da Saúde da
Universidade Estadual de Londrina, como
requisito parcial para a obtenção do Título de
BACHAREL em Odontologia.

Orientador: Prof. Dr. Ricardo Takahashi

LONDRINA
2017
FERNANDO HENRIQUE CHUERY GOMES BARROS

CEFALOMETRIA:
ANÁLISE DE STEINER – REVISÃO SIMPLES

Trabalho de conclusão de curso


apresentado ao Centro de Ciências da
Saúde da Universidade Estadual de
Londrina, como requisito parcial para a
obtenção do Título de BACHAREL em
Odontologia.

BANCA EXAMINADORA

_________________________________
Prof. Dr. Ricardo Takahashi
Universidade Estadual de Londrina

_________________________________
Prof. Dr. Evelise Ono
Universidade Estadual de Londrina

Londrina, ____ de____________ de 20__


A Deus, por ser extremamente paciente e
piedoso comigo. Aos meus pais que
foram companheiros em todas as horas.
Ao meu Professor Orientador e amigo Dr.
Ricardo Takahashi, pela paciência,
orientação, conselhos e companheirismo.
AGRADECIMENTOS

Ao Prof. Dr. Orientador, Ricardo Takahashi, braço amigo de todas as


etapas deste trabalho.
A minha família, pela confiança e motivação.
Aos amigos e colegas, pela força e pela vibração em relação a esta
jornada.
Aos professores e colegas de curso, pois juntos trilhamos uma etapa
importante de nossas vidas.
A todos que, com boa intenção, colaboraram para a realização e
finalização deste trabalho.
Ao professor coordenador de TCC, Wagner Ursi, que sempre me
incentivou a estudar mais para dar maior qualidade à minha monografia.
O temor do Senhor é o princípio da
sabedoria, e o conhecimento do Santo é
prudência

Provérbios 9:10
BARROS, Fernando Henrique Chuery Gomes. Cefalometria: análise de Steiner – revisão
simples. 2017. 32 f. Trabalho de Conclusão de Curso. (Bacharelado em Odontologia) –
Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2017.

RESUMO

A cefalometria consiste na mensuração da cabeça, incluindo os tecidos moles de


revestimento, e mostrou-se um método válido de diagnóstico na avaliação dos
padrões de normalidade do complexo craniofacial. Com a evolução tecnológica,
houve também o aperfeiçoamento da técnica cefalométrica e de suas ferramentas.
Holfrath e Broadbent, em 1931, desenvolveram o cefalostato, o que possibilitou a
medição de diversas grandezas cefalométricas com maior precisão. Posteriormente
foram desenvolvidas inúmeras técnicas e sistemáticas para a caracterização da
arquitetura esquelética da face. A partir do agrupamento de diversas medidas
cefalométricas, autores como Tweed, Downs, Ricketts, Mcnamara, Interlandi, Wits e
Steiner, publicaram o seu método de avaliação, e através deles conseguimos,
descrever, comparar e classificar casos clínicos. Pela relativa subjetividade, cada
autor estipulou pontos, linhas e planos cefalométricos próprios para reproduzir as
posições dentárias e esqueléticas, através de medidas angulares e lineares. Esse
estudo tem como objetivo expor de forma simples e didática o método de análise
cefalométrica empregado por Steiner, que em 1953, apresenta seu célebre trabalho,
Cephalometrics for you and me, e seu cefalograma. A partir de então Steiner, em
1956 e 1960 publicou mais dois trabalhos, os quais foram amplamente empregados
e citados, Cephalometric in clinical practice e The use of Cephalometrics as an aid to
Planning and assessing Orthodontic treatment report of a case, respectivamente.
Nesse trabalho abordaremos a análise cefalométrica com base nos trabalhos de
Steiner, que por ter como características a simplicidade e objetividade possibilitou
que o clínico aplicasse a cefalometria em sua prática diária.

Palavras-chave: Cefalometria. Diagnóstico. Ortodontia.


BARROS, Fernando Henrique Chuery Gomes. Cefalometry: Steiner's analysis – simple
review. 2017. 32 p. Monograph for the graduation in Dentistry. Health Sciences Center.
Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2017.

ABSTRACT

Cephalometry consists of the measurement of the head, including the soft covering
tissues, and has proved to be a valid method of diagnosis in the evaluation of
normality of the craniofacial complex. With the technological evolution, there was
also the improvement of the cephalometric techniques and its tools. Holfrath and
Broadbent, in 1931, developed the cephalostat, which enabled the measurement of
several cephalometric quantities with greater accuracy. Subsequently, numerous
techniques and systems were developed to characterize the skeletal architecture of
the face. From the grouping of several cephalometric measurements, authors such
as Tweed, Downs, Ricketts, Mcnamara, Interlandi, Wits and Steiner published their
method of evaluation, and through them we manage, to describe, to compare and to
classify clinical cases. By the relative subjectivity, each author stipulated points, lines
and cephalometric planes themselves to reproduce the dental and skeletal positions,
through angular and linear measurements. The objective of this study was to present
in a simple and didactic way the method of cephalometric analysis employed by
Steiner, who in 1953 presents his famous work Cephalometrics for you and me and
his cephalogram. Steiner, in 1956 and 1960, published two more papers, which were
widely used and quoted, Cephalometric in clinical practice and The use of
Cephalometrics as an adjunct to Planning and assessment of Orthodontic treatment
of a Case respectively. In this work, we will approach the cephalometric analysis
based on the works of Steiner, who, because of its simplicity and objectivity, enabled
the clinician to apply cephalometry in his daily practice.

Key Words: Cephalometry. Diagnosis. Orthodontics.


LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Linha S-N .............................................................................................. 20


Figura 2 – Ângulo SNA = 82° ................................................................................. 20
Figura 3 – Ângulo SNB = 80° ................................................................................. 21
Figura 4 – Ângulo ANB = 2° ................................................................................... 22
Figura 5 – Longo Eixo 1.NA = 22º .......................................................................... 22
Figura 6 – Longo Eixo 1.NB = 25° .......................................................................... 23
Figura 7 – Longos Eixos de 1.1 = 130° .................................................................. 23
Figura 8 – Distância de 1.NA em mm e Distância de 1.NB em mm ....................... 24
Figura 9 – Longos Eixos 1 Go-Gn = 93°................................................................. 25
Figura 10 – Distância 6 - NA = 27 mm e Distância 6 - NB = 23 mm ...................... 25
Figura 11 – Distância Pogônio - NB = mm ............................................................. 26
Figura 12 – Ângulo S-N . Plano Oclusal = 14,5° .................................................... 27
Figura 13 – Ângulo S-N . GoGn = 32º .................................................................... 27
Figura 14 – Distância E-S e Distância S-L ............................................................. 28
Figura 15 – Linha "S" .............................................................................................. 28

SUMÁRIO

1 10
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................

2 11
DESENVOLVIMENTO ...............................................................................................
2.1 DESENHO ANATÔMICO ..................................................................................................
11
2.2 PONTOS CEFALOMÉTRICOS ............................................................................................
14
2.3 LINHAS E PLANOS .........................................................................................................
16
2.4 ANÁLISE DE STEINER.....................................................................................................
18
2.4.1 Grandezas de Steiner ................................................................................................
19

3 29
DISCUSSÃO ..............................................................................................................

4 30
CONCLUSÃO ............................................................................................................

31
REFERÊNCIAS ..........................................................................................................
10

1 INTRODUÇÃO

A Cefalometria, ciência que, metodologicamente, estuda as dimensões das


estruturas do crânio e da face, pertenceu mais a pesquisa científica e craniometria
anatômica do que a Ortodontia por muito tempo. No entanto mostrou-se um método
válido de diagnóstico na avaliação dos padrões de normalidade do complexo
craniofacial, na observação do crescimento, na determinação do plano de
tratamento e na avaliação dos resultados terapêuticos em Odontologia e refere-se a
combinação de medidas angulares e lineares desenvolvidas para o traçado de
radiografias laterais e frontais do complexo craniofacial.
Assim que Holfrath e Broadbent (1931) desenvolveram o cefalostato,
possibilitando a medição de diversas grandezas cefalométricas com maior
padronização e precisão, posteriormente, foram desenvolvidas inúmeras técnicas e
sistemáticas para a caracterização da arquitetura esquelética da face, a partir do
agrupamento de diversas medidas cefalométricas.
Autores como Tweed (1946), Downs (1948), Ricketts (1960), Mcnamara
(1984) e Steiner (1953), publicaram o seu método de avaliação, e através deles
conseguimos descrever, comparar e classificar casos clínicos. Os autores
estipularam pontos, linhas e planos cefalométricos próprios para reproduzir as
posições dentárias e esqueléticas, através de medidas angulares e lineares.
Neste trabalho, abordaremos o estudo da cefalometria e análise
cefalométrica com ênfase nos trabalhos de Steiner (1953), por ter como
características a simplicidade e objetividade.
11

2 DESENVOLVIMENTO

2.1 DESENHO ANATÔMICO

Nesta seção descreveremos elementos que compõem o desenho


anatômico, segundo Moyers (1991) e Vedovello-Filho (2008). São eles:
a) Perfil Mole: inicia-se na altura do osso frontal, ao nível superior da
glabela, e se prolonga inferiormente até a mandíbula, completando o contorno do
mento. Por questão de estética, o perfil deve ser retratado por uma linha contínua
única, evitando-se a quebra ou a sobreposição da mesma. Quando impraticável,
pelo menos levá-las para áreas dissimuláveis como: base do nariz com lábio
superior e linha média de união dos lábios;
b) Sela Túrcica: corresponde a cavidade ou fossa onde se encontra alojada
a glândula pituitária (hipófise). Situa-se na parte média da base do crânio, no osso
esfenóide, separando a parte anterior da posterior. Para o seu traçado delineamos a
linha radiopaca que contorna o processo clinóide anterior; a fossa em seus limites
anterior, inferior e posterior, e o processo clinóide posterior. Pela sua nitidez na
cefalométrica em norma lateral e relativa estabilidade durante os surtos de
crescimento, esse componente anatômico da base craniana média transforma-se
num referencial cefalométrico importante tanto para as grandezas cefalométricas de
inúmeras análises, como para as superposições de telerradiografia de um mesmo
paciente obtidas em épocas distintas;
c) Sutura Fronto-Nasal: demarcação desses ossos inicia-se na metade
inferior da glabela, interrompe-se na região da sutura entre o osso frontal e os ossos
nasais (espaço equivalente ao ponto cefalométrico násio) e prossegue inferiormente
contornando o limite dos ossos nasais em toda a sua extensão;
d) Órbita (Borda Póstero-Inferior das Órbitas): na telerradiografia lateral
denota o espaço da linha radiopaca que demarca os limites orbitários em seu
contorno posterior e inferior. Na realidade, a linha radiopaca posterior retrata a
margem lateral da cavidade orbitária na face. Representam uma das regiões mais
difíceis de serem visualizadas em virtude da órbita ser uma estrutura lateral e par, e
dificilmente essas estruturas se sobrepõem na tomada de uma telerradiografia
lateral;
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e) Fissura Pterigomaxilar: retrata a região anatômica conhecida como fossa


pterigomaxilar. O traçado dessa estrutura acompanha a linha radiopaca que delimita
o limite posterior da tuberosidade maxilar e o limite anterior da apófise pterigóidea do
osso esfenóide. Conferindo-lhe um semblante comparável a uma gota d’água
invertida;
f) Meato Acústico Anatômico (Pório Anatômico): por se situar numa região
bastante radiopaca sua visualização torna-se um pouco comprometida. Chamamos
atenção para que não desenhe o pório-metálico, estrutura do cefalostato (aparelho)
,caso não seja possível sua visualização. É localizado na porção petrosa do osso
temporal;
g) Maxila ou Palato: a interpretação radiográfica dos traçados das bases
apicais, ou seja: a maxila e a mandíbula, são extremamente importantes, pois,
baseados em seu tamanho, morfologia e posicionamento espacial chegaremos a um
diagnóstico e prognóstico ortodôntico e definiremos a planificação do tratamento, se
ortopédico, ortodôntico ou cirúrgico. O traçado da maxila é horizontal, que vai da
espinha nasal posterior até a espinha nasal anterior, uma linha de concavidade
inferior, que vai da espinha nasal posterior até o limite cervical da palatina do incisivo
superior e outra que vai da espinha nasal anterior, com concavidade anterior, que se
estende até o limite cervical da vestibular do incisivo superior. Resumindo-se em,
linha do assoalho da fossa nasal, abóbada palatina e o perfil alveolar anterior;
h) Assoalho da fossa nasal: é representado por uma linha horizontal que
parte da espinha nasal anterior e se prolonga posteriormente até alcançar a espinha
nasal posterior. Geralmente esta linha sofre solução de continuidade do forame
incisivo;
i) Abóbada palatina: constitui o limite ósseo posterior da cavidade bucal. É
representada por uma linha de cavidade inferior que vai da espinha nasal superior
até o limite cervical do osso alveolar;
j) Perfil alveolar anterior: corresponde a linha radiopaca mais anterior da
maxila. Estende-se inferiormente da espinha nasal anterior, até o limite cervical da
crista alveolar. Em ocasiões esporádicas a metade superior desta linha não se
define com nitidez sendo seu contorno delimitado aleatoriamente tomando como
referência a maior profundidade da curvatura e a espinha nasal anterior;
k) Mandíbula: apresenta uma imagem radiográfica bastante nítida em sua
totalidade, de tal forma que possamos definir a sua morfologia e consequentemente,
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o padrão de crescimento mandibular. No entanto, embora seja imprescindível essa


interpretação da mandíbula no cefalograma, nos restringimos a traçar o suficiente
para obtermos as grandezas cefalométricas lineares e angulares que empregamos
clinicamente. O contorno da sínfise é traçado desde a cortical da crista alveolar,
descendo numa linha sinuosa e contornado toda a sínfise até atingir o lado interno
da mesma, onde levamos a linha até o quanto podemos visualizá-la
radiograficamente. Depois de traçada a sínfise passamos para a base da mandíbula,
a qual inicia-se no ponto mais inferior do contorno do mento prossegue em direção
posterior, contorna o ângulo mandibular e acompanha a linha radiopaca que delimita
o contorno posterior do ramo e por final o desenho do processo condilar. Sempre
que possível, traça-se o conduto mandibular e o forame mentoniano, ou outras
estruturas internas nítidas. Caso a Base mandibular apresente imagem dupla,
desenha-se a mais alta;
l) Dentes: por intermédio da telerradiografia conseguimos avaliar a posição
anteroposterior (sagital) e vertical dos dentes anteriores, representados pelo traçado
dos incisivos centrais superiores e inferiores, e posteriores, representados pelo
traçado dos primeiros molares superiores e inferiores, com relação ao restante do
maciço craniofacial;
m) Incisivos Centrais Superiores e Inferiores: consiste em delinear o
contorno anatômico da coroa e raiz desses dentes. Os limites das coroas, quase
sempre bem evidentes, permitem o desenho sem dificuldades. Por outro lado, as
raízes apresentam maior dificuldade para a sua localização. Por motivo de estética,
preconiza-se o uso do "Template" para o traçado dos dentes, porém, todo o cuidado
deve ser tomado para se respeitar o contorno incisal e vestibular, bem como a
correta inclinação axial dos incisivos;
n) Dentes Posteriores: são representados pelo traçado dos primeiros
molares. O primeiro molar é o preferido no traçado pois além de constituir um
elemento chave para classificação de Angle, recebe toda força da ancoragem que
aplicamos. Ao contrário dos incisivos centrais, na maioria das vezes as imagens das
coroas não estão nítidas em virtude da superposição das imagens dos dentes do
lado oposto e restaurações de amálgama, tomando-se o maior cuidado em traçar
perfeitamente a distal e oclusal dos molares.
o) Base do Crânio: compreende a parte anterior dos ossos occipital, o corpo
do esfenóide, etmóide e frontal. Sua base posterior vai do processo clinóide, em
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sentido posterior, passando pelo corpo do esfenóide, e porção basal do osso


occipital, acabando na borda anterior do forame Magnum. O traçado deve subir,
numa direção anterior, completando a imagem da poção basal do occipital. Sua
Base anterior vai da sela túrcica, subindo em direção anterior, passando pelo
etmóide e acabando no início do contorno interno frontal.
A base para o traçado correto dos detalhes que constituem o desenho
anatômico, bem como para a subsequente localização dos pontos cefalométricos,
consiste num sólido conhecimento de anatomia radiográfica craniofacial, associado
a uma telerradiografia de boa qualidade e muita atenção e cuidado no contorno das
imagens radiográficas. Concluído o desenho anatômico, primeira parte do
cefalograma, contamos com um conjunto de estruturas que nos define a morfologia
esquelética dentária e tegumentar num mesmo desenho. Conseguimos então
através da cefalometria, aquilo que pesquisadores tentaram incessantemente por
vários anos, ou seja: procurar analisar juntamente o perfil mole suportado pelo perfil
esquelético e dentário no intuito de isolar qual a parte ou partes que contribuem para
o desarranjo dentomaxilofacial;

2.2 PONTOS CEFALOMÉTRICOS

Os pontos cefalométricos são descritos segundo Moyers (1991) e Vedovello-


Filho (2008). Os pontos são:
a) Ponto S (sela): foi usado inicialmente na craniometria, por Schuller (1918),
como o centro da sela túrcica e pode ser definido cefalometricamente como o ponto
médio da concavidade óssea da sela túrcica. Pela sua relativa estabilidade e
localização na base craniana média, é tido como ponto de referência central na
sobreposição de traçados cefalométricos;
b) Ponto N (násio): como o ponto S, este ponto veio diretamente da
craniometria onde era definido como a intersecção da sutura internasal com a sutura
frontonasal. Na cefalometria ele é definido como o ponto mais anterior na linha de
união do osso frontal com os ossos próprios do nariz (sutura frontonasal). É
interessante relembrar que o traçado do perfil anterior do osso frontal com os ossos
próprios do nariz é interrompido exatamente neste ponto da sutura para facilitar a
localização do ponto N;
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c) Ponto Or (orbitário): ponto mais inferior da margem infraorbitária. Em


consequência da sua localização já foi encontrado na literatura como cognome de
ponto infraorbitário. Geralmente as margens órbitas não estão superpostas na
telerradiografia, nestes casos o ponto Or será intermediário entre os limites inferiores
das órbitas;
d) Ponto Po (pório): ponto mais superior do meato acústico externo, devido a
sua localização torna-se um pouco difícil sua identificação e geralmente apresentam
superposição de imagem; imagem dupla, tendo necessidade de se desenhar a
estrutura mediana;
e) Ponto A (subespinhal): usado inicialmente por Downs (1948), é o ponto
mais profundo da concavidade anterior do maxilar, entre os pontos ENA (espinha
nasal anterior) e próstio ou alveolar superior (ponto mais anterior e inferior do
rebordo alveolar e o osso basal), razão pela qual é bastante influenciável pela
movimentação ortodôntica dos incisivos. Pode ser determinado da seguinte maneira:
com uma régua centrada no ponto N, gire até tangenciar a superfície mais posterior
da concavidade anterior da maxila. Com um lápis de ponta afiada marque o ponto A;
f) Ponto B (supramentoniano): definido como seu predecessor
craniométrico, é o ponto mais profundo da concavidade anterior da mandíbula, entre
os pontos Pog (pogônio) e infradentário ou alveolar inferior (ponto mais anterior e
superior do rebordo alveolar inferior. Craniometricamente situa-se entre os incisivos
centrais). É considerado o ponto limítrofe entre o osso alveolar e o osso basal,
sendo alterado pela movimentação ortodôntica dos incisivos inferiores, porém em
menor intensidade que o ponto A. Pode ser determinado da seguinte maneira: com
uma régua centrada no ponto N, gire até tangenciar a superfície mais posterior da
concavidade anterior da mandíbula. Com um lápis de ponta afinada marque o ponto
B;
g) Ponto Pog (pogônio): encontrado na literatura com variadas abreviações
(PG, POG, Pg, Po, P), retrata o ponto mais proeminente do mento ósseo. Pode ser
determinado da seguinte maneira: com uma régua encontrada no ponto N, gire até
tangenciar o mento ósseo. Com um lápis de ponta afinada marque o ponto Pog;
h) Ponto Go (gônio): representa o ponto mais inferior e mais posterior do
contorno do ângulo goníaco, definido teoricamente como o ponto médio entre os
pontos mais inferior e mais posterior do contorno do ângulo goníaco. É determinado
pela bissetriz do ângulo formado pela tangente à borda inferior do corpo da
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mandíbula e outra tangente à borda do ramo ascendente. Onde a bissetriz cortar a


mandíbula temos demarcado o ponto Go;
i) Ponto Me (mentoniano): ponto mais inferior do contorno da sínfise
mentoniana. Geralmente ponto de confluência da margem inferior da sínfise com a
linha da base mandibular;
j) Ponto Gn (gnátio): representa o ponto mais inferior e mais anterior do
contorno do mento, definido teoricamente como o ponto médio entre os pontos mais
inferior e mais anterior do contorno do mento ósseo. É determinado pela bissetriz do
ângulo formado pela linha NP (linha facial) e pela linha da borda inferior do corpo da
mandíbula (plano mandibular GoMe); onde a bissetriz deste ângulo cortar a sínfise
temos o ponto Gn;
k) Ponto D: porção central da sínfise mentoniana;
l) Ponto ENA: Espinha Nasal Anterior. Ponto mais anterior do palato duro no
plano sagital;
m)Ponto ENP: Espinha Nasal Posterior. Ponta mais posterior do palato duro;
n) Ponto D: porção central da sínfise mentoniana;
Esses pontos descritos distribuem-se pelas estruturas esqueléticas, se
situando na plano médio sagital como: sela (S), násio (N), A, B, pogônio (Pog),
mentoniano (Me), gnático (Gn), eminência mentoniana (E), P; ou ainda situando
bilateralmente, como: orbitário (Or), pório (Po), gônio (Go). Associados aos pontos
cefalométricos no tecido duro dispomos de inúmeros pontos no tecido mole, dos
quais demarcaremos apenas três pontos necessários para a realização do nosso
traçado cefalométrico.
o) Ponto Ls (lábio superior): ponto localizado na região mais anterior do
lábio superior;
p) Ponto Pg’ (pogônio mole): ponto mais anterior do contorno do mento
mole;
q) Ponto Sn (sub nasal): Ponto localizado na junção de base de nariz e início
de lábio superior;

2.3 LINHAS E PLANOS

Os pontos que acabamos de descrever permitem o traçado de planos e


linhas que servem de orientação na análise cefalométrica. Com os distintos planos e
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linhas formam-se as grandezas lineares e angulares, cujas medidas, quando


confrontadas com os dados normativos pré-estabelecidos, determinam a
normalidade ou anormalidade das partes estudadas, com finalidade de estabelecer o
diagnóstico cefalométrico e contribuir para a planificação do tratamento. O termo
“plano” será empregado toda vez que são implicados três ou mais pontos
cefalométricos para traçá-los. Destacam-se três planos que compõe nosso
cefalograma padrão: o plano horizontal de Frankfurt, o plano oclusal e o plano
mandibular. O termo “linha” designará todo o segmento de reta traçado a partir de
dois pontos cefalométricos.
Nesta seção descrevemos linhas, planos e eixos, de acordo com Moyers
(1991) e Vedovello-Filho (2008).
a) Linha SN: linha que passa pelos pontos S e N, situados no plano
mediosagital e na base do crânio. Desfrutam, portanto da primazia de serem
facilmente detectados na telerradiografia e de estarem numa região de relativa
estabilidade, ou seja, sofrem alterações pouco apreciáveis durante o crescimento
em relação as estruturas faciais. Em virtude dessa relativa estabilidade serve muito
bem como linha de referência para relação espacial das estruturas faciais quando
estas são relacionadas com a base do crânio. A linha SN corresponde ao limite
comensurável superior do cefalograma;
b) Plano horizontal de Frankfurt: os pontos de referência são: o ponto Po
(pório anatômico) e o ponto Or (orbitário). O traçado vai da margem esquerda até a
linha H (perfil mole);
c) Plano Mandibular: representação da base da mandíbula, por meio de uma
linha que corta 2 pontos na extremidade posterior da base e outro representado o
extremo anterior. Na literatura existem três planos mandibulares que são: a régua
tangente as bordas inferiores do corpo da mandíbula (DOWNS, 1948), plano
mandibular GoGn (STEINER, 1953), e o que é mais utilizado por nós, GoMe, que
também é utilizado por Interlandi (1971) para o traçado da linha I;
d) Linha NA: Linha que une os pontos N e A. Inicia-se no ponto N sem tocá-
lo, e é levado cerca de 5mm abaixo da borda incisal superior;
e) Linha NB: Linha que une os pontos N e B. Inicia-se no ponto N sem tocá-
lo, prossegue inferiormente passando pelo ponto B até alcançar o ponto mandibular;
f) Linha ND: linha que une os pontos N e o ponto D, o qual se localiza na
porção central da sínfise mentoniana;
18

g) Linha SGn (eixo Y de crescimento): linha que une os pontos S e Gn.


Inicia-se no ponto S sem tocá-lo, e se estende obliquamente em direção ao ponto
Gn. Findando-se um pouco antes de alcançar o molar superior;
h) Longo Eixo dos Incisivos Centrais Superiores: é a linha que segue o eixo
longitudinal do incisivo central superior. Os pontos de referência são os pontos
médios da borda Incisal e do ápice dentário. Inicia-se cerca de 5mm abaixo da
Incisal terminando no plano de Frankfurt;
i) Longo Eixo dos Incisivos Centrais Inferiores: é a linha que segue o longo
eixo dos incisivos centrais inferiores. Os pontos de referência são os pontos médios
da borda incisal e o ápice incisal. Está limitado entre os planos mandibular e o de
Frankfurt;
j) Linha H (Holdaway): linha utilizada para análise do tecido mole.
Corresponde a uma tangente a área mais saliente do tecido mole do mento (Pog’) e
a área mais anterior do perfil do lábio superior (Ls). Essa linha é traçada do plano
mandibular à linha SN;
k) Linha I: corresponde ao segmento de reta de cerca de 1cm que corta o
plano oclusal. Delineada a partir dos pontos P’ e E.

2.4 ANÁLISE DE STEINER

Steiner (1953) publicou um artigo no Jornal Americano de Ortodontia,


intitulado Cephalometrics For You and Me, no qual apresenta ao público acadêmico
e clínico o seu cefalograma. Com sua precisão e simplicidade, foi rapidamente
difundido na Ortodontia em geral e ,é até os dias de hoje, empregado
universalmente. Inspirado nas análises de Downs (1948), Wylie (1947), Riedel
(1952) e Margolis (1943), citou que

[...] muitos arguiam que as informações obtidas, pelos filmes


cefalométricos, não contribuem com dados suficientes para modificar
ou influir nos planos de tratamento. O engano provinha da
informação errada de alguns que, escrevendo sobre Cefalometria,
lhe atribuíam uma precisão que não tem, ou propriedades que
diretamente não são fáceis de descobrir. Ninguém deverá esperar
obter satisfações ou benefícios do uso da Cefalometria, até fixar em
sua mente o fato de que os descobrimentos por intermédio das
radiografias cefalométricas são, em sua maior parte, meras
evidências circunstanciais, as quais devem ser aceitas como tais e
19

coordenadas com outras, antes de que sejam de utilidade


(STEINER,1953, p. 729-730).

Posteriormente publicou Cephalometrics In Clinical Practice (1959), onde


evidencia a importância da cefalometria para fins comparativos, cita que "[...] um
olhar perspicaz e experiente também pode ver a história de respostas teciduais,
alterações ósseas, e às vezes, mudanças de função muscular" (STEINER, 1959, p.
8-10); e diz que um bom resultado só é alcançado quando são realizados traçados
em série cuidadosamente sobrepostos e de comparação de medidas importantes
em série a partir do traçado inicial, mostrando por fim adições e modificações feitas
no seu traçado.
Em seu último trabalho The use of cephalometrics as an aid to planning and
assessing orthodontic treatment: report of a case (1960), relatou um caso tratado
pelo Dr. Howard Lang para demonstrar o uso de provas cefalométricas no
planejamento e avaliação do tratamento ortodôntico utilizando e explicando métodos
que descreveu em seus outros dois artigos.
O Autor utilizou os ângulos SNA e SNB de Riedel (1952), os ângulos
interincisivos e SN-plano oclusal de Downs (1948) e ideias de outros autores, como
Wylie (1947) e Margolis (1943) e com isso conseguiu aprimorar princípios básicos da
interpretação cefalométrica, tornando análises e medidas subjetivas em grandezas
mensuráveis para o clínico. Fundamentou o seu cefalograma em três princípios
básicos, os quais facilitam o uso do cefalograma no dia a dia do Ortodontista: 1 – Os
pontos S e N estando no plano sagital são mais precisos a facilmente identificáveis,
deslocando-se pouco nos movimentos da cabeça por se encontrarem em tecido
duro e no centro da cabeça; 2 – as grandezas devem ser medidas próximas às
zonas de interesse, decidindo medir o longo eixo do 1 com NA e o longo eixo do 1
com NB; 3 – o plano mandibular, por ser difícil de ser traçado em muitos casos, é
substituído por Go-Gn.

2.4.1 Grandezas de Steiner

a) Linha S-N: linha sela túrcica (S) - nasion (N): Steiner (1953) escolheu a
linha S-N como referência de sua análise. Considera que os pontos S e N são
facilmente identificáveis, no perfil radiográfico, e por estarem localizados no plano
20

sagital médio não apresentam variações em pequenas alterações na posição da


cabeça (Figura 1);

Figura 1 – Linha S-N

Fonte: o próprio autor

b) Ângulo SNA: sela túrcica (S)-nasion (N)-ponto A: o ângulo SNA,


preconizado por Riedel (1952) e aproveitado por Steiner (1953), indica a posição da
maxila, no sentido póstero-anterior, em relação à base anterior do crânio. O valor
aumentado além de 82° sugere que a maxila está para frente. O valor menor que
82° sugere que a maxila está para trás. Porém, mais importante que o valor isolado
desta medida é a sua comparação com SNB (Figura 2);

Figura 2 – Ângulo SNA = 82°

Fonte: o próprio autor

c) Ângulo SNB: indica a posição da mandíbula, no sentido póstero-anterior,


em relação à base anterior do crânio. O valor aumentado além de 80° sugere que a
21

mandíbula está para frente. O valor menor que 80° sugere que a mandíbula está
para trás (Figura 3);

Figura 3 – Ângulo SNB = 80°

Fonte: o próprio autor

d) Ângulo ANB: ponto A-nasion (N) ponto B: o ângulo ANB indica a relação
maxila-mandíbula no sentido posterior-anterior. O valor ideal de 2º não é uma
imposição estética. É uma imposição fisiológica. Os incisivos superiores devem
ocluir cobrindo os inferiores. Toda a mecânica fisiológica está dirigida para que os
incisivos funcionem desta maneira. Variações, próximas aos 2°, são perfeitamente
compensadas por diferentes posições dos incisivos. Porém, variações maiores
determinam posições impróprias e não salutares para os incisivos. Segundo Tweed
(1953), quando ANB está entre 0° a 4,5°, há um padrão esquelético de Classe I.
Quando situa-se acima de 4,5°, o padrão esquelético é de classe II. Abaixo de 0°
(ANB negativo), o padrão esquelético é de classe III. Quando ANB se mantém ao
redor de 2°, as variações de SNA e SNB, em conjunto, um pouco para a frente, ou
um pouco para trás, não têm significado fisiológico, apenas significado estético. Este
significado estético pode depender do grupo racial ao qual o individuo pertence
(Figura 4);
e) Longo eixo do incisivo superior com N-A (1.NA) (ângulo): seguindo um
dos seus princípios básicos, Steiner (1953) prefere medir o longo eixo dos incisivos,
superior e inferior, próximo à zona de interesse. Mede o longo eixo do incisivo
superior com NA. Valor médio 22° (Figura 5);
22

Figura 4 – Ângulo ANB = 2°

Fonte: o próprio autor

Figura 5 – Longo Eixo 1.NA = 22º

Fonte: o próprio autor

f) Longo Eixo 1.NB = 25°M: mede-se o ângulo formado entre o longo eixo
do incisivo inferior com a linha NB. Valor médio 25° (Figura 6);
g) Ângulo interincisivo: ângulo formado pela intercessão dos longos eixos
dos incisivos superiores com os inferiores. Em seu trabalho original, Steiner (1953)
atribui para este ângulo o valor de 130°, como normal. No entanto, posteriormente,
em 1960, dá-lhe o valor de 131°. Este ângulo apresenta variações para os diferentes
grupos raciais. O ângulo de 131º é encontrado nos caucasianos. E é menor do que
130º nos grupos raciais negro e amarelo, mostrando biprotrusão dentária. Desvios
23

do valor considerado como normal sugerem discrepâncias que podem estar nos
incisivos superiores, nos inferiores ou em ambos. De qualquer maneira as posições
individuais devem ser analisadas (Figura 7);

Figura 6 – Longo Eixo 1.NB = 25°

Fonte: o próprio autor

Figura 7 – Longos Eixos de 1.1 = 130°

Fonte: o próprio autor

h) Distância 1-NA (mm): distância da parte mais anterior dos incisivos


superiores até a linha NA. E é idealmente de 4mm (Figura 8);
i) Distância 1-NB (mm): distância da parte mais anterior dos incisivos
inferiores até a linha NB. E é idealmente de 4mm (Figura 8);
24

Figura 8 – Distância de 1.NA em mm e Distância de 1.NB em mm

Fonte: o próprio autor

j) Longo eixo do 1 com a linha Go-Gn (1.GoGn): Steiner (1953), seguindo


outros autores, inicialmente media o longo eixo do incisivo inferior com o plano
mandibular. Ao divulgar o seu cefalograma, preconiza também a medida do longo
eixo dos incisivos inferiores com a linha NB. Porém, continua recomendando a
medição do 1 com o plano Go-Gn, ao qual atribui o valor de 93°, citado pelo autor
diversas vezes em suas análises STEINER (1953;1956;1960) (Figura 9);
k) Distância 6-NA: menor distância entre a face mesial do 1° molar superior
e a linha NA (Figura 10);
l) Distância 6-NB: menor distância entre a face mesial do 1° molar inferior e
a linha NB (Figura 10);
Estas grandezas não têm valor como elemento de diagnóstico. São
registradas apenas como documentação para avaliações seriadas. Como regra,
devem ser tomados os molares esquerdos, porém, em caso de perda destes dentes,
toma-se o direito, registrando o fato (Figura 10). Steiner (1953) assume que as
estruturas em cima do lado mais próximo do tubo irão ser mostradas no filme mais
próximo do ponto onde os raios centrais atingem o filme (Figura 10).
25

Figura 9 – Longo Eixo 1 Go-Gn = 93°

Fonte: o próprio autor

Figura 10 – Distância 6 - NA = 27 mm e Distância 6 - NB = 23 mm

Fonte: o próprio autor

m) Distância pogônio (Pg) – NB: paralelamente ao plano de Frankfurt, mede-


se a distância do pogônio a NB (Pg-NB). Não há um valor standard para esta
medida que aumenta significativamente com o crescimento até os 15 anos,
aproximadamente. Depois dos 11 anos, se espera um aumento, em media, de 2
mm. A existência de Pg com 3 a 5 mm é altamente favorável à estética, segundo os
conceitos de beleza dos grupos sociais em que vivemos. Holdaway (1956)
recomendou que seria o ideal quando a distância pogônio - NB fosse igual a 1-NB
(Figura 11);
26

Figura 11 – Distância Pogônio - NB = mm

Fonte: o próprio autor

n) Ângulo S-N. Plano oclusal: para ser apreciada a posição da linha de


oclusão (plano oclusal) como restante da face e do crânio. Steiner (1953), seguindo
o princípio de Downs (1952), recomenda a medida do ângulo formado pela linha SN.
Plano oclusal, cujo valor médio ele atribui 14,5° (Figura 12);
o) Ângulo S-N. Go-Gn: Steiner (1953) considera que muitas vezes é difícil
determinar o plano mandibular, devido a curvaturas da borda inferior da mandíbula.
Prefere adotar a linha Go-Gn, que melhor representa a parte inferior do corpo da
mandíbula. As variações do valor médio do ângulo SN . GoGn (32°) indicam rotação
da mandíbula. As rotações da mandíbula, ou seja, suas displasias esqueléticas
verticais, podem ocorrer por diversos fatores:
• Variações no ângulo goníaco propriamente dito;
• Altura do ramo da mandíbula;
• Posição da cavidade glenóide, mais alta ou mais baixa;
• Dimensão vertical (DV) do terço ântero-inferior da face.
Steiner (1953) reconhece a importância dos estudos de Wylie e Jonhson
(1952). Eles oferecem algumas medidas para observar as displasias verticais
anteriores, que não se encontram na análise de Steiner (1953). As variações de S-N
GoGn evidenciam rotação mandibular sem caracterizar a sua localização. O
prognóstico é desfavorável quando há displasia vertical por rotação mandibular,
acompanhada de alterações na dimensão vertical, principalmente quando a DV está
aumentada (Figura 13).
27

Figura 12 – Ângulo S-N . Plano Oclusal = 14,5°

Fonte: o próprio autor

Figura 13 – Ângulo S-N . Go-Gn = 32º

Fonte: o próprio autor

p) Distância E-S. Distância S-L: Steiner (1953) transporta para a linha S-N,
por perpendiculares, a parte mais posterior do côndilo mandibular (ponto E) e a parte
mais anterior da mandíbula (ponto L), medindo-os com o ponto S . (E-S = 22mm e S-
L = 51mm). Ambas as medidas são extremamente variáveis de um paciente para
outro, a não têm valor como medidas absolutas. São de valor para estudos
comparativos em radiografias seriadas (Figura 14);
q) Linha "S": Steiner (1960) usou em seu trabalho, para relacionar o perfil
tegumentar com a linha NB, a linha “S’’, que vai do Pogônio mole até o ângulo da
28

base do nariz. Quando os lábios estão ligeiramente para trás desta linha o perfil é
normal. Quando estão muito para trás o perfil é retrusivo e se os lábios estão para
frente desta linha o perfil e biprotrusivo (Figura 15).

Figura 14 – Distância E-S e Distância S-L

Fonte: o próprio autor

Figura 15 – Linha "S"

Fonte: o próprio autor


29

3 DISCUSSÃO

A análise de Steiner trouxe, para o diagnóstico ortodôntico, uma nova visão


da cefalometria para o clínico da época. Após estudar seus trabalhos conseguimos
visualizar uma ótima aplicabilidade clínica do estudo cefalométrico, tanto para auxílio
no diagnóstico, quanto para meio de comparação de resultados.
O autor toma como grandeza principal e de referência linha SN ,e diz

[...] os pontos S e N estão ambos localizados no duro, tecido não


maleável, são diretamente e facilmente visível numa imagem de raio-
-x de perfil, e em particular porque eles estão localizados no plano
sagital mediano e, por isso, não são deslocados pelo movimento da
cabeça, nós escolhemos a linha SN como uma linha de referência
para todas as medições de avaliação para o qual tal linha é
necessária (STEINER, 1953, p. 732).

Ele utiliza o plano GoGn para substituir o plano mandibular e cita

Drs. Wylie e Johnson merecem crédito pelo trabalho que eles têm
feito sobre isto. Isto teria sido notado que a linha GoGn foi tomada
como representando o corpo da mandíbula (Riedel). Isso foi feito por
causa da confusão entre os ortodontistas na questão de determinar
qual linha representa a borda inferior da mandíbula, porque uma tal
linha não expressa o que nós desejamos disso (STEINER, 1953, p.
736-737).

O que na época foi importante para ajudar na padronização da medida.


Após Steiner, tivemos vários avanços no estudo cefalométrico, o qual foi e
vem sendo utilizado por diversos anos como um dos principais métodos de
diagnóstico ortodôntico. A grande maioria das medidas e grandezas de Steiner
continuam a ser utilizadas, no entanto, posteriormente também foram acrescentadas
novas medidas e grandezas ao seu cefalograma, como o Eixo Y de crescimento, a
Linha H.NB , ângulo H , ângulo J entre outras , as quais não foram abordadas neste
trabalho por não estarem tradicionalmente incorporadas em seus estudos
publicados.
30

4 CONCLUSÃO

O estudo cefalométrico de Steiner (1953) trouxe muitas evoluções para a


cefalometria, os quais devem ser estudados e compreendidos devidamente de
acordo com a época em que foram propostos. Hoje a cefalometria se encontra mais
evoluída, e com diversas mudanças, as quais devem ser levadas em conta com o
princípio de gratidão a autores como Steiner que propiciaram o estudo cefalométrico.
31

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