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Hipótese II - Direitos Reais

Direito (Universidade de Lisboa)

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Baixado por Helena Barata (helenabarata97@gmail.com)
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Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa


DIREITOS REAIS

Vítor Palmela Fidalgo

II
Hipótese Prática

Em março de 2015, Armindo decidiu arrendar a sua casa de Portimão a Berta, pelo período
de 6 meses e mediante a quantia mensal de 550 €, tendo sido combinado que a mudança de
Berta se faria em duas semanas. Todavia, uma semana depois, Armindo decide arrendar a
mesma casa de Portimão, desta vez a Carlota e pelo mesmo período, que lhe ofereceu o
dobro do preço pago mensalmente por Berta, tendo as chaves do apartamento lhe sido
entregues de imediato.
Quid juris?

A tem direito de propriedade sobre a casa de Portimão- 1305º:


 De acordo com a o preceito legal: O proprietário goza de modo pleno e exclusivo dos
direitos de uso, fruição e disposição das coisas que lhe pertencem, dentro dos limites
da lei e com observância das restrições por ela impostas.
 O direito de propriedade está plasmado e regulado no Código Civil, no TÍTULO II - Do
direito de propriedade. Este cai na categoria de direitos reais de gozo (atribuiu o
aproveitamento da coisa através de uma combinação de poderes que consubstanciam
o gozo da coisa).

 Sendo o direito real em questão, a propriedade, o direito real de maior extensão em


relação aos demais quanto ao conteúdo de aproveitamento da coisa podemos
classificá-lo como dito real maior.
 O direito real de propriedade apresenta um direito real sobre coisa própria. A
propriedade constituiu afetação última de uma coisa a uma pessoa. Em relação a ela
qualquer outro direito real é direito sobre coisa alheia (do proprietário);
 Deste direito sobressai a sua tendente plenitude, uma vez que a propriedade abrange
todos os direitos sobre a coisa (geralmente), a sua elasticidade, já que o direito à
partida vai alargar-se ao máximo de faculdades possíveis, consoante haja ou não
outros direitos reais sobre determinada coisa.

Relativamente ao arrendamento:
 Estamos perante um contrato de locação (1022º) – de acordo com o CC a locação é o
contrato pelo qual uma das partes de obriga a proporcionar à outra o gozo temporário
de uma coisa mediante retribuição. Tendo em conta que o objeto da locação é neste
caso o um imóvel estamos perante um arredamento nos termos do 1023º.
 Tendo em conta que estamos perante uma casa de férias, em principio estaremos
perante um prédio urbano.
o Os prédios urbanos são todos os prédios que não devam ser classificados
como rústicos, designadamente habitacionais – estes são edifícios ou
construções que foram licenciadas para tal, ou que na falta de licença tenham
como destino normal cada um destes fins.

Baixado por Helena Barata (helenabarata97@gmail.com)


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DIREITOS REAIS

Vítor Palmela Fidalgo

o Considerando a casa um prédio urbano aplica-se o regime do 1064º e ss tendo


o contrato de arrendamento de ser celebrado por escrito (1069º)
o Supondo que o contrato não sofre de quaisquer vicissitudes então é
estabelecido com a sua celebração um direito pessoal de gozo a favor de B.
 O direito pessoal de gozo apresenta-se inicialmente como direito a uma prestação,
para depois a actividade do titular (o gozo) se centrar diretamente sobre a coisa.
 Mas o poder de gozo mantém-se sempre intimamente conexionado com a relação
pessoal ou obrigacional que lhe subjaz. Este direito de gozo há-de dimanar duma
vinculação obrigacional daquele a quem competia o gozo da coisa.

 Os direitos pessoais de gozo possibilitam deste modo ao seu titular o gozo direto e
autónomo de determinada coisa, o qual, porém, diversamente do que sucede com os
direitos reais de gozo, tem sempre por fundamento uma relação obrigacional, de que
nunca se desprende.
 Embora haja quem defenda que o direito pessoal de gozo deverá ser considerado um
direito real na medida em que pode opor este direito contra o locador e terceiros nas
condições dos artigos 1037 º e 1057º
 Contudo, tendo em conta o elemento sistemático (a locação está localizada no livro
das coisas) e o domínio associado aos direito reais que faz com que o legislador não
tenha considerado necessário a criação destes mecanismos para os direitos reais, visto
que os mesmos já se encontram subentendidos não é correto, a nosso ver, considerar
neste caso, o direito do locatário um direito real
 O Código Civil (art. 407º) fixa um critério de superação da incompatibilidade aparente
entre direitos pessoais de gozo, estabelecendo como princípio a prevalência do direito
mais antigo em data.
o Seguinte este critério o direito pessoal de B prevaleceria sobre o direito
pessoal de C uma vez que o mesmo foi celebrado primeiro.
 Contudo importa neste caso ainda referir que B não tinha a posse do imóvel à data de
celebração do novo contrato de arrendamento sobre o mesmo imóvel com C.
o 1251º: posse é o poder que se manifesta quando alguém atua por forma
correspondente ao exercício do direito de propriedade ou de outro direito real
o 1263º: a posse adquire-se através dos meios tipificado no preceito legal
o Enquanto que B não parece ter posse do imóvel; Por sua vez C tem posse
deste, uma vez que houve tradição simbólico do imóvel através da entrega das
chaves.
o Tendo em conta estes factos em principio B não poderá opor contra C nenhum
dos instrumentos de defesa da posse previstos no artigo 1276º e ss (remissão
1037º que prevê que o locatário que for privado da coisa do seu direito pode
recorrer, mesmo contra o locador dos meios facultados ao possuídor no 1276º
e ss)
 Conclusão, em principio prevalece o segundo contrato de locação uma vez que ao
contrário do que ocorre com os direitos reais de caracter quod effectum (a titularidade
transmite-se com a celebração do contrato) que beneficiam de oponibilidade erga
omnes, nos direitos pessoais de gozo, tal como se deduz da interpretação do 1037º,
requer-se que haja posse do bem para o locatário possa opor os meios de defesa
previstos pelo legislador contra a pessoa impeça o gozo da coisa.

Baixado por Helena Barata (helenabarata97@gmail.com)


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DIREITOS REAIS

Vítor Palmela Fidalgo

O direito pessoal de gozo apresenta-se inicialmente como direito a uma prestação, para
depois a actividade do titular (o gozo) se centrar directamente sobre a coisa. Mas o poder de
gozo mantém-se sempre intimamente conexionado com a relação pessoal ou obrigacional
que lhe subjaz. Este direito de gozo há-de dimanar duma vinculação obrigacional daquele a
quem competia o gozo da coisa.

O direito pessoal de gozo exige a entrega da coisa – tem de ter o poder fatico da coisa. O
407º só se aplica quando haja entrega da coisa.

No caso de B não haveria direito pessoal de gozo é necessária a entrega da coisa.

Baixado por Helena Barata (helenabarata97@gmail.com)