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APARELHOS DE ANCORAGEM EXTRA BUCAL

HISTÓRICO

A história, e conseqüente evolução de um aparelho, nos permitem


compreender melhor uma filosofia de tratamento. Por esta razão, se faz
necessário conhecermos as principais transformações por que passaram os
AEB durante os últimos 100 anos.

KINGSLEY (1866) e FARRAR (1870) foram os pioneiros no uso de


AEB em Ortodontia. O "head-cap”, como denominava KINGSLEY, um tanto
rudimentar, era empregado com a finalidade de retrair os dentes ântero-
superiores.

Mais tarde, em 1888, ANGLE divulga o seu AEB, dotado de um


dispositivo de encaixe tipo soquete, para receber o arco facial. Prescrevia seu
uso na protrusão dentária maxilar em pacientes onde se indicava extrações dos
primeiros pré-molares. Logo após, ANGLE mesmo deu conhecimento de seus
estudos sobre ancoragem intermaxilar, onde dá méritos a BAKER, quem em
verdade introduziu o conceito de ancoragem recíproca. A Ortodontia passou
por um período de aproximadamente 15 anos, onde os AEB estiveram
praticamente em desuso, preferindo-se quase sempre os elásticos
intermaxilares. Entretanto, com o advento da cefalometria como meio de
diagnóstico ortodôntico, percebeu-se a limitação da atuação ortopédica da
ancoragem intermaxilar de BAKER, e por outro lado a extrema eficiência
ortopédica dos AEB, utilizando-se a sobreposição dos traçados cefalométricos.

Em 1921, CASE descreve três diferentes aplicações para os AEB:


a. Indicava um AEB de puxada alta, na mesma direção do longo eixo dos
incisivos, nos casos de sobremordida anterior com extração dos primeiros
pré-molares superiores;
b. Nas mordidas abertas, preconizava um AEB aplicado aos incisivos
inferiores, após extração dos primeiros pré-molares inferiores;
c. Nas distalizações dos molares superiores, CASE foi um dos primeiros a
empregar AEB com esse propósito.

OPPENHEIM (1936), após ter observado que o tratamento das


classes II divisão 1 de ANGLE, em muitos casos deixava a desejar, dedicou-se
ao estudo dos AEB, propugnando pelo uso mais corrente em Ortodontia.

Com o desenvolvimento do triângulo facial de diagnóstico, TWEED,


em 1936, indo de encontro aos princípios de ANGLE, passou a indicar
extrações e enfatizar o emprego de forças extrabucais.

Em 1931, BROADBENT publicou seu trabalho, denominado “Uma


nova técnica de raios X e sua aplicação em Ortodontia". Projetou o cefalostato.
Mediante um método de sobreposição de traçados sobre certas linhas básicas,
BROADBENT revelou as alterações que se processavam nos dentes e
maxilares durante o tratamento ortodôntico. Estabeleceu também o padrão
normal de crescimento, quando afirmou que a face crescia numa direção
retilínea.

BRODIE (1934), baseando-se nas investigações de BROADBENT,


apresentou seus estudos de cefalometria radiográfica, concluindo que o
crescimento da face se fazia de forma paralela.

Investigações posteriores revelaram que o crescimento de direção


retilínea e de forma paralela não são regras absolutas. Entretanto, as
investigações de BROADBENT e BRODIE são um marco importante para a
pesquisa do crescimento e das alterações produzidas pelos AEB.
KLÖEHN, na década de 40, foi quem introduziu as modificações
mais profundas nos AEB. Iniciou pela soldagem do arco interno com o externo
e terminou desenvolvendo a ancoragem cervical. KLÖEHN introduziu ainda o
uso das forcas extrabucais diretamente sobre os primeiros molares.

EPSTEIN, citado por RICKETTS, em 1946, defendeu tese sobre


tração extrabucal, concluindo pela indicação dos AEB na distalizacão dos
molares. Afirmou não ter notado alterações ortopédicas ao nível da maxila,
possivelmente por ter usado forcas muito leves, advogadas por OPPENHEIM.

NELSON (1950) contribuiu com seus estudos sobre as modificações


basais, afirmando que o ponto A podia ser alterado distalmente com forças
extrabucais em até 5mm.

INTERLANDI (1962), entre nós, desenvolveu um tipo particular de


casquete de apoio cérvico-occipital, que permite aplicar forças coincidentes
com o plano oclusal, bem como inclinadas para cima ou para baixo. É um
sistema de ancoragem para forças extrabucais particularmente vantajoso,
porquanto elimina a indesejável extrusão de molares que, na maioria dos
casos, não é aconselhável, principalmente nos padrões dolicofaciais.

RICKETTS, na década de 60, preconizou a associação de dois AEB


diferentes ao mesmo tempo, o que ele denominou de aparelho combinado, e
que, segundo seu idealizador, conseguia efeitos particulares quando utilizado.

I - Definição
São dispositivos terapêuticos destinados à produção de movimentos
ortodônticos e/ou alterações ortopédicas, tendo como ancoragem estruturas
anatômicas situadas fora da cavidade bucal.
II - COMPONENTES DO APARELHO EXTRABUCAL

APARELHO EXTRABUCAL COM ARCO FACIAL

É composto de um arco facial, um apoio na região inferior, posterior


ou superior da cabeça e elásticos ou molas para tracionamento.
Arco facial: a) simples
b) composto

a. Arco facial simples


É o arco ligado diretamente ao aparelho fixo, por exemplo, o arco em
"jota", para distalizar caninos ou outros dentes.

b. Arco facial composto


É o arco facial tradicional, constituído de um arco externo (facial) e
um arco interno (bucal), unidos entre si na região mediana anterior. É
encontrado comercialmente nas seguintes medidas:
 Arco interno medindo 0.045 “ou 0.051”;
 Arco externo medindo 0.062" ou 0.072".

Os arcos internos e externos são soldados entre si na região


mediana, de forma rígida (solda), ou unidos de forma articulada.
Quando corretamente posicionado no paciente, o arco interno deve
estar afastado aproximadamente 5 a 8mm das faces vestibulares dos incisivos
superiores.

Extremo do arco interno será inserido no tubo do 1° molar superior.


Faz-se uma dobra de baioneta ou um "stop", impedindo que o arco interno
deslize totalmente dentro do tubo. A dobra em baioneta é a melhor opção, pois,
permite que o arco interno funcione como um escudo à musculatura
(bochecha), que atua sobre a face vestibular dos dentes, além de afastá-lo dos
bráquetes do aparelho fixo.

O braço externo também deverá ter uma dobra ou um gancho, para


que ali seja inserido o elástico ou mola para tração.

c. Apoio extrabucal

Constitui-se de tiras flexíveis plásticas, de couro ou de tecido


ajustadas à cabeça na região cervical, occipital ou parietal.

d. Elástico ou mola

A direção da força do aparelho extrabucal, bem como a intensidade


da mesma, são proporcionadas pelos elásticos (anéis ou tiras elásticas) ou
molas de tração. Esses materiais fazem a ligação do arco externo ou braço
externo ao apoio da cabeça. O dinamômetro ou tensiômetro quantifica esta
força. A unidade é o grama.
II- Componentes do AAEB

Extrabucal com arco facial


Arco facial externo
interno
Soldados entre si na região mediana de forma rígida.
Soldados entre si na região mediana de forma articulada.

Arco facial interno


Inserido no tubo do 1º MP
São encontrados nas seguintes medidas: 0.045”ou.051”(polegadas).
Deve-se fazer stop.
É considerado o ponto de aplicação de força.

Arco facial externo


Será ligado através dos elásticos nas tiras ou casquetes.
Medem 0.062”ou 0.072” (polegadas).
Podem ser curtos, médios ou longos.
Podem vir com dobras ou sem.
Arco facial externo:
Curto - o braço externo é mais curto que o braço interno.
Médio - o braço externo tem o mesmo comprimento que o braço
interno terminando na altura do tubo do molar.
Longo - o braço externo é mais longo que o interno.

APARELHO EXTRA BUCAL SEM ARCO FACIAL

1- Mentoneira
A mentoneira é o aparelho extrabucal da mandíbula, já que o ponto de
aplicação de força é neste osso, mais especificamente no mento. A mentoneira
é constituída de um casquete colocado na parte superior ou posterior da
cabeça, o apoio no mento (tecido acrílico ou plástico) e uma mola ou elástico
que provocará o tracionamento e regulará a força aplicada.

1 – Máscara de Tração Reversa


O ponto de aplicação de força é no mento e testa.
CLASSIFICAÇAO DO AEB QUANTO AO SEU APOIO

1 - Aparelho de ancoragem extrabucal cervical (KHG)


Constitui-se em almofada, tira ou tala cervical em tecido ou plástico,
com diversas cores e tamanhos. As mais recomendadas são as que possuem
arrebites e ganchos para serem usados com elásticos de látex.
O arco facial é rígido, com união fixa entre os arcos externo e
interno, sendo o aparelho indicado para a maxila. O arco externo deve
prolongar-se até a altura determinada (Centro de Resistência - CR do dente),
enquanto o arco interno é aplicado nos primeiros molares superiores.

2- Aparelho de ancoragem extrabucal combinado de RICKETTS


Associado com o KHG, emprega-se um casquete para tração
superior com anéis elásticos aplicados nas alças circulares situadas nos braços
externos do arco facial.

Os efeitos dessas forças combinadas são:


a. movimento distal dos molares superiores, que pode ser realizado em
translação se a intensidade da força vertical for maior que a da força
cervical. Entretanto, a posição e o comprimento do arco externo
permanecem como fatores determinantes na posição dos dentes;
b. ligeira intrusão do molar superior, dependendo da combinação e,
sobretudo, da relação das forças verticais e cervicais;
c. intrusão da região pré-maxilar, com rotação anti-horária da maxila.

O AEB combinado de RICKETTS é um aparelho sui generis, devido


ao fato de aplicar forças distintas em dois pontos distintos do arco externo,
conseguindo um efeito de rotação anti-horária da maxila impossível de ser
obtido por qualquer outro tipo de AEB, efeito este importante quando
desejarmos a abertura de mordida anterior sem a extrusão dos molares, o que
acarretaria o comprimento anterior da face, nem sempre desejável.
A redução ortopédica do sorriso gengival é outra indicação exclusiva
desse tipo de AEB.
Recomenda-se que a tração alta tenha níveis de força
aproximadamente o dobro da tração baixa. Por exemplo, 500 gramas para a
tração baixa e 1.000 gramas para a tração alta.

3 - Aparelho de ancoragem extrabucal cérvico-occipital de


INTERLANDI (IHG).
Através de casquete cérvico-occipital em material sintético tipo
couro-plástico com suportes de plástico rígidos situados à frente das orelhas,
apresenta várias ranhuras ao longo da porção posterior, destinadas ao engate
dos anéis elásticos.

As tiras que compõem o casquete são encaixadas num sistema de


corrediças, permitindo um perfeito ajuste na cabeça do paciente. Depois de
acertadas, as tiras são grampeadas ou fixadas com ilhoses.

O casquete, muitas vezes, apresenta ainda uma tira parietal, tira


esta que proporciona uma melhor adaptação do casquete.

O IHG está indicado em casos onde são recomendadas trações


altas ou paralelas, variando o posicionamento dos elásticos.

Atualmente, o casquete cérvico-occipital apresenta uma terceira tira,


parietal, o que melhora a adaptação do casquete à cabeça do paciente.

4 - Aparelho de ancoragem extrabucal de tração alta com arcos


faciais tipo “J”

O apoio é obtido por meio de um casquete parieto-occipital de tração


alta, com alguma variação de um fabricante para outro.
Utiliza dois arcos faciais em "J", aplicado diretamente sobre os
dentes anteriores superiores, em ganchos soldados no arco de nivelamento,
normalmente e entre os caninos e os incisivos laterais.
Esse tipo de aparelho pode ser preconizado para ser utilizado para
correção de mordida profunda, para distalizar caninos superiores por
deslizamento através do arco de nivelamento, ou, segundo COZZANI, nos
casos de classe III.

Muitos profissionais contra-indicam o uso desse tipo de AEB devido


ao receio de ocasionar reabsorção radicular nos dentes anteriores superiores,
por associar o movimento intrusivo a uma força pesada.

Resumo dos Tipos de Tração (tiras ou casquetes)


Kloehn (1961) – KHG ou Occiptal
Interlandi (1962) – IHG ou Parieto-Occiptal
Tração Alta ou Parietal ou High Pool

5 - Aparelho de ancoragem extrabucal cervical com arco facial


basculante de Mollin

O autor desenvolveu um tipo particular de arco facial, parte


integrante de sua técnica ortodôntica, indicado nos casos de classe III de
ANGLE, devidamente selecionados, ou seja, pacientes braquifaciais, já que
este tipo de AEB ocasiona uma rotação mandibular para baixo e para trás,
aumentando o comprimento vertical da face do paciente.

O arco facial basculante inferior de Mollin é constituído de um arco


intrabucal com fio de 1,1mm de diâmetro e de um arco externo com fio mais
rígido, de 1,5mm de diâmetro, cujos extremos terminam em ganchos. À 8mm
das extremidades do arco interno são incorporadas alças de 5mm de altura por
8mm de comprimento, que servem como travas. Essas alças podem ser
encurtadas ou alongadas conforme as necessidades.

Os arcos internos e externos não têm união rígida, como na maioria


dos arcos faciais. A conexão é feita como uma dobradiça, de maneira que o
arco externo possa se movimentar livremente diante dos movimentos da
mandíbula. Esta é uma particularidade singular do arco facial de Mollin,
evitando-se dessa maneira uma sobrecarga nas bandas dos primeiros molares
inferiores, que caso contrário soltariam com freqüência.
O sistema de encaixe é providenciado por meio de tubos para
extrabucal soldados às bandas dos primeiros molares inferiores.

6 - Aparelho de ancoragem extrabucal de tração alta


Utiliza casquete parieto-occipital e arco facial com arco externo curto
e angulado para cima em aproximadamente 15 graus, sendo o arco interno
aplicado aos primeiros molares superiores.

Ocasiona, além da distalização, a intrusão dos molares superiores,


sendo indicado para auxiliar o fechamento de mordidas anteriores.

Utilizando o arco externo longo, na altura do tragus, pode-se obter


praticamente apenas o efeito intrusivo dos molares superiores, indicado em
casos onde estes estejam em classe I mas necessitem ser intruídos. Nestes
casos, a força utilizada deve ser baixa, para não corrermos riscos de
reabsorções radiculares.

7 - Mentoneira
São AEB que aplicam força em nível do mento, utilizadas a muitos
séculos.

Dois modelos de queixeiras são os usuais, um em plástico rígido e


outro em plástico maleável, de modo a se adaptarem ao mento do paciente.
Existem ainda queixeiras de alumínio.
Existe ainda variação no sistema de força, onde um tipo de
mentoneira utiliza tiras elásticas e outra utiliza anéis elásticos.

Existem, basicamente, três tipos distintos de mentoneiras:


a. de tração horizontal ou cervical - para ser utilizada nos casos de classe III
com diminuição esquelética vertical anterior (mordida profunda), tendo
ação de rotação posterior da mandíbula (negativa), abaixando e recuando
o mento, e aumentando o ângulo goníaco. É possível associar-se
ganchos para tração elástica reversa, cuja indicação é a tração mesial da
maxila nos casos de hipodesenvolvimento (para permitir o avanço do
ponto A). Sua maior contra-indicação é aquela de todos os casos de
aumento no sentido vertical (dolicofaciais).

Lee W. Graber, num estudo recente sobre o efeito terapêutico das


mentoneiras cervicais com uma amostra de 30 crianças entre 5 e 8 anos
de idade, tratadas durante três anos e apresentando prognatismo
mandibular, comparado a um grupo de controle, observou:

 uma rotação mandibular posterior;


 um atraso no desenvolvimento vertical da parte posterior do corpo
mandibular.
 um atraso no crescimento vertical do ramo;
 uma abertura do ângulo goníaco;
 um atraso no desenvolvimento vertical da região posterior da maxila,
levando a uma rotação do plano palatino;
 uma modificação na direção do crescimento condiliano do sentido
horizontal para o vertical;
 uma redução da convexidade negativa para valores normais;
 uma relação oclusal melhor dos incisivos, caninos e molares;
 uma ausência efetiva detectável da tração da mentoneira sobre os
incisivos inferiores e da sínfise mentoniana;
 um melhor desenvolvimento do perfil em relação às modificações
esqueléticas subjacentes.
b. de tração oblíqua acima das orelhas, que é a mais utilizada - os ganchos
da mentoneira devem estar lateralmente e, obrigatoriamente, na direção
do gnátio, tendo-se uma tração oblíqua, passando acima das orelhas.
Será indicada para combater os efeitos mecânicos da abertura da
mordida pelos elásticos intermaxilares nos casos esqueléticos com
tendência ou excesso vertical (mordida aberta). Tem uma ação de
compressão condiliana oblíqua, modificando a direção do deslocamento
da mandíbula para cima e para trás.

c. de tração vertical ao nível dos molares - os ganchos da mentoneira


devem estar localizados quase que verticalmente sob as laterais da
sínfise, devendo a tração elástica passar sobre os molares. Pela
excessiva ação sobre o crescimento vertical, torna o crescimento
condiliano mais anterior.

Segundo alguns pesquisadores, as queixeiras das mentoneiras têm


a capacidade de promover uma remodelação óssea na região da sínfise.

As queixeiras podem comportar dispositivos ou ganchos para


trações elásticas póstero-anteriores (tração reversa), que se apoiam sobre o
arco intra-oral, seja na arcada superior, seja na inferior, ou em ambas
simultaneamente. Devemos fazer uma impressão em alginato do mento do
paciente com uma cartolina de forma tronco-cônica. Depois de preparado o
modelo do mento em gesso, basta adaptar uma placa de acrílico nos ganchos,
para que não venham a ferir a pele. A transpiração ou a má tolerância da
mentoneira poderá levar o profissional a fazer orifícios com uma broca para a
passagem de ar ou a forrá-la com suedine auto-colante macia.
O mercado ortodôntico propõe inúmeras variedades de mentoneiras
em camurça, em plástico flexível, em jeans, em couro, em curvim, etc.
Mentoneira:
O ponto de aplicação de força é no mento.
Casquete parietal ou occipital
Apoio na região do mento
Elástico ou molas

Indicações e Objetivos dos AEB:

1- Como agente de ancoragem


2- Correção de maloclusão - cl II dental
3- Correção de maloclusão - cl II esqueletal
4- Correção de maloclusão - cl III esqueletal
5- Correção de sobremordida
6- Correção de mordida aberta

1- Como agente de ancoragem


Mecânica ortodôntica da maloclusão de Cl I.
Evitar a perda de “ancoragem”.
A força aplicada pelo AEB deverá ser ligeiramente superior às desenvolvidas
pelos dispositivos de retração.
Avaliar o tipo facial.
Retração Anterior

Controle da Ancoragem
 Manobra utilizada para restringir os movimentos indesejados
durante a fase de retração anterior ou mesmo de alinhamento e
nivelamento, a fim de corrigir satisfatoriamente a má oclusão

Tipo de tração - avaliar o tipo facial Mesofacial Braquifacial


2- Correção de maloclusão - Cl II dental
Bom relacionamento entre maxila e mandíbula.
Perda precoce de 2º molar decíduo ou perda de tecido dental.
AEB com força ortodôntica.
Avaliar o tipo facial.

Apesar do bom relacionamento e equilíbrio existentes entre maxila e


mandíbula, instalou-se uma relação molar de Classe II devido à mesialização
do molar superior, talvez conseqüente à perda precoce do segundo molar
decíduo, ou perda de tecido dental. Usa-se aqui uma força extrabucal sobre o
molar superior para recuperar o espaço através da distalização do mesmo, até
se restabelecer a relação de Classe I. A força empregada é ortodôntica.

3- Correção de maloclusão - cl II esqueletal


70% cl II - deficiência mandibular
30% cl II - protrusão maxilar
AEB para um redirecionamento do crescimento do complexo
maxilomandibular.
Força do AEB ortopédica.
Criteriosa análise do tipo facial.
4- Correção de maloclusão - cl III esqueletal
Na dentadura decídua ou mista
Tracionamento da maxila
Tentativa de redirecionar o crescimento mandibular.

5- Correção de sobremordida
A correção da mordida profunda se dá através de:
Extrusão dos molares (braquifaciais)
Intrusão dos incisivos ( dolicofaciais)
O AEB atua corrigindo a mordida profunda através da extrusão dos molares
nos indivíduos braquifaciais, ou intruindo os incisivos nos padrões dolicofaciais.
Nestes, e extrusão dos dentes posteriores corrigirá a sobremordida, porém com
aumento exagerado da altura anterior da face, piorando muito o perfil e
retraindo o mento em demasia.

6- Correção de mordida aberta


A tração deverá ser o mais vertical possível, para ter uma ação de
intrusão dos molares superiores, que somada à extrusão dos incisivos auxiliará
no fechamento da mordida.

Ação ortodôntica e ortopédica do AEB

1- Ação ortodôntica
Forças leves (300 a 400 g/lado) e de aplicação continuada (18 a 24 h/dia).
A hialinização do tecido ósseo se dará num período mais curto, bom
suprimento sanguíneo, trocas tissulares intensas, grande formação de células
reparadoras e formadoras de tecido ósseo.
2- Ação ortopédica
Forças pesadas (450 a 600 g/lado) e com menor tempo (12 a 16 h/dia).
Age redirecionando o crescimento dos ossos maxilar e mandibular.

Princípios Biomecânicos do AEB:

Força
É toda grandeza capaz de produzir movimento, oferecer resistência
ou determinar compressões ou distorções nos corpos.

Ponto de aplicação da força


Está situado na união dos extremos do arco interno com os tubos
molares.

Ponto de origem da força


São os ganchos ou tiras elásticas destinados aos anéis elásticos dos
casquetes ou almofadas.
Linha de ação da força
Os elásticos ou tiras representam a linha de ação da força.
Esquematicamente é representada por uma flecha.
Centro de rotação do 1º molar superior
É um ponto situado em qualquer lugar do molar que não coincida com o
centro de resistência.
Movimento de inclinação.

Indicação dos Principais Tipos de AEB segundo seu ponto de


origem da força:

1- AEB - Tração cervical (KHG)


Tração baixa (apoio extrabucal = tala cervical)
Vetores de força : distalização e extrusão
Indicações: Braquifaciais
Classe II em braquifaciais
Ancoragem (classe I ou II)
Correção de sobremordidas.
2- AEB - Tração occipital (IHG)
Tração horizontal ou média (apoio extrabucal na região posterior da cabeça)
Vetor de distalização
Indicações: Mesofaciais e Dolicofaciais Suaves.
Classe II como ancoragem

3- AEB - Tração Parietal ou High Pool


Tração alta
Vetores de intrusão e distalização
Indicações: Dolicofaciais Severos
Classe II
Correção de mordida aberta (molar).
4- Mentoneira
Tração alta
Redireciona o crescimento mandibular
Força ortopédica - 1000 a 1500 gramas
Correção de Cl III por problema mandibular
Correção de mordida aberta

5 - AAEB de tração reversa


5.1 - Mentoneira com tração reversa
5.2 - Mascara de tração reversa (Petit)
Tração anterior
Redireciona o crescimento maxilar
Força ortopédica - 1000 a 1200 gramas
Correção de Cl III por problema maxilar
Confecção do AEB
Arco Facial – Características
 Localização passiva entre os lábios
 Centralizado com a linha mediana do paciente
 5mm afastados dos ICS
 3mm afastados dos tubos dos molares
 15º do braço externo em relação ao interno KHG

 Localização passiva entre os lábios


 Centralizado com a linha mediana do paciente

5 mm afastados dos incisivos centrais superiores


3mm afastados do tubo dos molares

15 graus de diferença do braço externo em relação ao interno


Finalidade da angulação ( só no KHG ) : Levar a raiz junto com a coroa
( passando no centro de resistência do dente ).
Material utilizado na construção
 Arco facial tipo Klohen (.045”)
 Alicate 139
 Alicate Trident
 Alicate de corte pesado
 Caneta ou lápis para marcar fio

* Primeiramente se faz com alicate 139, um “looping” no braço interno, na


região dos pré-molares superiores, para que o AEB possa ser ajustado durante
o tratamento, conforme o necessário.
* O extremo do arco interno é inserido no tubo do primeiro molar superior (face
vestibular da banda ortodôntica).
* Faz-se uma marca com caneta no arco interno na direção da entrada da luz
do tubo,respeitando um espaço de 5 a 8mm do arco à face vestibular dos
incisivos superiores.
* Faz-se então, com alicate trident, uma dobra em baioneta impedindo que o
arco interno deslize totalmente dentro do tubo. Corta-se com alicate de corte
pesado, então, o excesso do arco interno (rente ao tubo).
* Repita o procedimento do lado oposto.
* O arco interno deve sempre estar mais expandido que a arcada superior do
paciente, evitando, dessa forma, a inclinação para palatina dos molares de
ancoragem.
* Deve-se sempre desgastar as pontas do arco interno, para que o mesmo
encaixe com maior facilidade no tubo dos molares.
* O braço externo deverá estar aproximadamente 15 graus com o plano
oclusal.
* O braço externo também deverá ter uma dobra ou gancho, para que seja
inserido o elástico ou mola para tração.
* Após estar o arco facial instalado, colocar o apoio extrabucal e prendê-lo ao
arco através dos elásticos ou molas, sempre segurando o arco facial, evitando
que o mesmo escape e machuque o paciente no momento da colocação dos
elásticos.
AÇÕES E RESULTANTES
• resultantes de força quando utilizamos ancoragem: baixa, media e alta,
combinados com variações nos braços externos dos aparelhos:

TRAÇÃO BAIXA
Braço externo curto inclinado para cima
Braço externo longo inclinado par baixo
Mesmo resultado. Linha de força passando pelo centro de resistência do molar
superior.
Linha de ação de força passando acima ou abaixo do centro de resistência
produzirá movimento de inclinação do molar.

• TRAÇÃO MEDIA

Braço externo curto, médio ou longo deverão ser ligeiramente inclinados para
cima.

• TRAÇÃO ALTA
Braço externo longo Inclinado para cima
Braço externo curto Inclinado para baixo
Mesmo resultado = linha de força passando pelo centro de resistência do
molar superior.

Referências:

1. Velline, F.F. Ortodontia, Diagnóstico e Planejamento Clínico. Ed. Artes


Médicas, cap. 19, p. 401-422, 2004.
2. Henriquez,J.F.C.; Freitas, M.R.; Hayasaki,S.M. Principais indicações e
efeitos da ancoragem extra bucal occipital (I.H.G.) no tratamento de
jovens com má oclusão de Cl II, primeira divisão de Angle.
3. Henríquez,J.F.C. et al. Utilização do aparelho removível conjugado à
ancoragem extra bucal para a correção da má oclusão de Cl II, primeira
divisão, com sobremordida profunda. Revista Dental Press.