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TRABALHO RECUPERAÇÃO

E. M. Mauro Jacinto de Freitas”


DLÍNGUA PORTUGUESA
Aluno (a):

Série /Ano: Turma: Nota:

Professora: Angélica Freitas Valor: 12,5 Data: / / 2019 Bimestre: 4º

O texto que você vai ler foi extraído do Iivro: A menina e o pássaro encantado, de Rubem Alves.
Segundo o próprio autor, esta é uma história sobre a separação: quando duas pessoas se amam têm de
dizer adeus... Depois do adeus fica aquele vazio imenso: saudade.

Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.
Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão embora para nunca mais voltar. Mas o
pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades...
Suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram pintadas pelas cores dos lugares e
estranhos e longínquos por rode voava.
Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão...
“- Menina, eu venho de montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e
puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo
que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que eu vi, como
presente para você..."
E assim ele começava a cantar as canções e as estórias daquele mundo que a menina nunca vira.
Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.
Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.
“- Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os
pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. Minhas penas ficam como aquele sol
e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza
dos campos verdes."
E de novo começavam as estórias.
A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a
menina, e por isso voltava sempre.
Mas chegava sempre uma hora de tristeza.
“_ Tenho de ir”, ele dizia.
“Por favor, não vá. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar...” E a menina fazia um beicinho...
“Eu também terei saudades”, dizia o pássaro. “Eu também vou chorar. Mas eu vou lhe contar um
segredo: as plantas precisam de água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios... E o meu
canto precisa da saudade. E aquela tristeza, na espera da volta, que faz com que as minhas penas
fiquem bonitas. Se eu não for não haverá saudade. Eu deixarei de ser o pássaro encantado. E você
deixará de me amar.”
Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava de tristeza à noite, imaginando se o pássaro
voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma idéia malvada:
"_ Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não terei
saudades. E ficarei feliz."
Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola; de prata, própria para um pássaro que se
ama muito. E ficou à espera. Finalmente ele chegou, maravilhoso em suas novas cores, com estórias
diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente,
para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E
adormeceu feliz. Foi acordar de madrugada, com um gemido do pássaro...
"_ Ah! Menina... Que é que você fez? Quebrou-se o encanto. Minhas penas ficarão feias e eu
me esquecerei das estórias... Sem a saudade, o amor irá embora..."
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que
aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ia ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os
vermelhos, os verdes e os azuis das penas 1ransfonnaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio:
deixou de cantar.
Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela
chorava, pensando que ela havia feito ao seu amigo...

Até que não mais aguentou.


Abriu a porta da gaiola.

“_ Pode ir, pássaro. Volte quando você quiser...”


“_ Obrigado, menina. E eu tenho de partir. E preciso partir para que a saudade chegue e eu
tenha vontade de voltar: Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro da
gente. Sempre que você ficar com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com
saudade, você ficará mais bonita. E você se enfeitará para me esperar..."

Rubem. Alves - A menina e o pássaro encantado. São Paulo,Loyola,1991.

1 - O encantamento do pássaro consistia em:


( ) fazer mágicas.
( ) só ficar na gaiola, mesmo com a porta aberta.
( ) ser amigo de todas as pessoas.
( ) voar livremente e voltar quando sentia saudades.

2- As penas do pássaro:
( ) eram invisíveis.
( ) eram pintadas de todas as cores.
( ) apresentavam coroes de acordo com os lugares distantes por onde passava.
( ) refletiam a luz do sol.

3. Quando as penas ficavam brancas, o pássaro tinha voltado:


( ) de regiões frias, cobertas de gelo.
( ) de regiões litorâneas.
( ) da África.
( ) de selvas tropicais.

4. O sono da menina era embalado:


( ) pelo silêncio.
( ) por sons das águas.
( ) por canto dos pássaros.
( ) por história de um mundo que ela nem imaginava

5. A palavra “longínquo” significa:


( ) perto
( ) distante
( ) gelado
( ) desértico

6. O significado da palavra "sob" está devidamente definido, exceto em:


( ) " brilhando sob a luz da lua. acima de
( ) A carroça estava parada sob a árvore. a sombra de
( ) Vivemos muito tempo sob domínio português debaixo da autoridade
( ) Não gosto de viver sob o comando de meus pais. debaixo da vontade

7. Por que a menina não gostava de que o pássaro fosse embora?


( ) Porque ele voltava de outras cores.
( ) Porque ela ficava triste, sentia saudades e chorava.
( ) Porque ele não mais voltaria
( ) Porque algum caçador o mataria.

8. Em “ E o meu canto precisa da saudade.” O pássaro quis dizer que:


( ) a saudade o faria ficar mais encantado.
( ) a menina precisava sofrer.
( ) ele sentia saudades de outros lugares
( ) a saudade faz aumentar o desejo de estar junto e contribui para aumentar o amor entre os seres.

9. Quanto ao aprisionamento do pássaro, é incorreto afirmar que:


( ) engordou com tanta comida.
( ) suas penas ficaram feias.
( ) ele se esqueceu das histórias.
( ) acabou-se o encanto.

10. Releia a seguinte frase do texto:


“Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. será meu para sempre.”

Indique entre os sentimentos abaixo aquele que esta presente nessa fala da menina:
( ) egoísmo
( ) covardia
( ) posse
( ) generosidade

11. De acordo com o narrador, não se pode concluir que:


( ) Os sentimentos de amor e posse podem estar juntos.
( ) Quem se sente dono de alguém, de certa forma o aprisiona, isto não e bom.
( ) Quem ama deixa o outro livre.
( ) O narrador acha que é bom sentir saudade.

Leia o texto e responda à questões 12:

O burro que vestiu a pele de um leão

Um burro encontrou uma pele de leão que um caçador tinha


deixado largada na floresta. Na mesma hora o burro vestiu a pele e
inventou a brincadeira de se esconder numa moita e pular fora sempre
que passasse algum animal. Todos fugiam correndo assim que o burro
aparecia. O burro estava gostando tanto de ver a bicharada fugir dele
correndo que começou a se sentir o rei leão em pessoa e não conseguiu
segurar um belo zurro de satisfação. Ouvindo aquilo, uma raposa que ia
fugindo com os outros parou, virou-se e se aproximou do burro rindo:
– Se você tivesse ficado quieto, talvez eu também tivesse levado
um susto. Mas aquele zurro bobo estragou sua brincadeira!
Moral: Um tolo pode enganar os outros com o traje e a aparência, mas suas palavras logo
irão mostrar quem ele é de fato.
(ASH, Russel; HIGTON, Bernard (Comp.). Fábulas de Esopo. Tradução Heloisa Jahn. São Paulo:
Companhia das Letrinhas, 1994. p. 70.)

12) No trecho “Mas aquele zurro bobo estragou sua brincadeira”, a palavra sublinhada refere-se
à brincadeira:
a) do burro.
b) do caçador.
c) do leão.
d) da raposa.