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Jorge Raúl Jaramillo Bobadilla

Modelagem do Método de Exploração


Sublevel Caving através do Método
dos Elementos Discretos
PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0921919/CA

Dissertação de Mestrado

Dissertação apresentada como requisito parcial


para obtenção do grau de Mestre pelo Programa
de Pós-Graduação em Engenharia Civil da PUC-
Rio.

Orientador: Prof. Eurípedes do Amaral Vargas Jr.


Co-Orientador: Prof. Rodrigo Peluci de Figueiredo

Rio de Janeiro
Junho de 2013
Jorge Raúl Jaramillo Bobadilla

Modelagem do Método de Exploração


Sublevel Caving através do Método
dos Elementos Discretos
PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0921919/CA

Dissertação apresentada como requisito parcial


para obtenção do grau de Mestre pelo Programa
de Pós-Graduação em Engenharia Civil do
Departamento de Engenharia Civil do Centro
Técnico Científico da PUC-Rio. Aprovada pela
Comissão Examinadora abaixo assinada

Prof. Eurípedes do Amaral Vargas Jr.


Orientador
Departamento de Engenharia Civil - PUC-Rio

Prof. Sergio Augusto Barreto da Fontoura


Departamento de Engenharia Civil - PUC-Rio

Prof. Luís Manuel Ribeiro e Sousa


Universidade de Porto FEUP- U. PORTO

Prof. José Eugenio Leal


Coordenador Setorial
Centro Técnico Científico PUC-Rio

Rio de Janeiro, 12 de Junho de 2013


Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total
ou parcial do trabalho sem autorização da universidade, do
autor e do orientador.

Jorge Raúl Jaramillo Bobadilla

Graduou-se em Engenharia Geológica pela Universidade


Nacional de Engenharia (Lima–Peru) em 2004. Trabalhou na
área de Geomecânica e Geologia no período 2005–2009.
Ingressou em 2009 ao curso de Mestrado em Engenharia
Civil na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro,
na área de Geotecnia, desenvolvendo dissertação de mestrado
na linha de pesquisa Mecânica das Rochas.
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Ficha Catalográfica
Jaramillo Bobadilla, Jorge Raúl

Modelagem do Método de Exploração Sublevel


Caving através do Método dos Elementos Discretos /
Jorge Raúl Jaramillo Bobadilla; orientador: Eurípedes do
Amaral Vargas Jr.; co-orientador: Rodrigo Peluci de
Figueiredo. Rio de Janeiro: PUC, Departamento de
Engenharia Civil, 2013.

86 f: il. (color); 30,0 cm

Dissertação (mestrado) – Pontifícia Universidade


Católica do Rio de Janeiro, Departamento de Engenharia
Civil.

Inclui referências bibliográficas.

1. Engenharia Civil – Teses. 2. Mineração. 3.


Sublevel Caving. 4. Subsidência. 5. Mecanismos de
ruptura. 6. Método dos elementos discretos. I. Vargas Jr,
Eurípedes do Amaral. II. Figueiredo, Rodrigo Peluci de.
III. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Departamento de Engenharia Civil. IV. Título.

CDD: 624
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Para Luz Amelia

Ce qui sauve, c’est de faire un pas. Encore un pas


C’est toujours le même pas que l’on recommence...

Antoine de Saint-Exupéry (1939)


Agradecimentos

A Deus, pela oportunidade de desenvolver este trabalho no Brasil.

Aos meus pais, Lorenzo e Isabel, pela educação que me deram e os


conselhos e incentivos que recebi durante toda a minha vida.

Aos meus irmãos Michael e Jenny, por todo o carinho e compreensão que
recebi durante minha caminhada no curso e na vida.

A minha Lucesita, por todo amor, carinho, incentivo e, principalmente, pela


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paciência e compreensão ao longo da elaboração desta tese.

Aos meus orientadores, Professor Eurípedes do Amaral Vargas Jr. e


Professor Rodrigo Peluci de Figueiredo pela oportunidade de trabalhar com
eles e apoio para a realização deste trabalho.

A meus colegas, em especial Edwin, que com sua amizade e competência


ajudaram a superar as dificuldades desta dissertação.

Aos professores e colegas do mestrado pela troca de conhecimentos e


aprendizado.

Aos amigos do DEC, que estiveram juntos, trocando ideias e experiências


para o aprimoramento deste e de outros trabalhos, em especial ao Luis
Arnaldo e à Jackeline.

A CAPES, CNPq e PUC-Rio, pelos auxílios concedidos, sem os quais este


trabalho não teria sido possível.
Resumo

Bobadilla, Jorge Raúl Jaramillo; Vargas Jr., Eurípedes do Amaral


(Orientador); Figueiredo, Rodrigo Peluci de (Co-orientador). Modelagem
do Método de Exploração Sublevel Caving através do Método dos
Elementos Discretos. Rio de Janeiro, 2013. 86p. Dissertação de
Mestrado - Departamento de Engenharia Civil, Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro.

O método de exploração Sublevel Caving é um dos métodos de extração


massiva mais usados na indústria mundial de exploração subterrânea, sendo
considerado pela indústria de mineração, num futuro próximo dentre os
substitutos naturais das atuais minas a céu aberto. Uma operação Sublevel
Caving requer que o maciço rochoso circundante ao minério rompa
continuamente e se movimente para dentro do espaço criado pela extração do
minério. Análises existentes na literatura consideram apenas configurações
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parciais do processo Sublevel Caving sem considerar o processo evolutivo da


extração, e o dano induzido ao maciço rochoso decorrente deste processo. Esta
dissertação desenvolve uma modelagem numérica utilizando o método dos
elementos discretos para simular o mecanismo de ruptura e a subsidência
causada pelo método de exploração Sublevel Caving, analisando o referido
efeito e suas consequências na evolução do mecanismo de ruptura e
subsidência no Sublevel Caving. O software comercial Particle Flow Code
(PFC2D) foi selecionado para esta modelagem devido à capacidade de
simular, em um evento de excesso de tensão, o fraturamento do maciço
rochoso e sua desintegração, desta forma, originam-se o fluxo do material e os
deslocamentos em grande escala, os quais são considerados fenômenos físicos
dominantes que regem a formação da subsidência e fraturamento num
processo Sublevel Caving. Os resultados obtidos nesse estudo mostraram-se
satisfatórios, reproduzindo adequadamente a superfície de subsidência
induzida por Sublevel Caving, conseguindo-se uma simulação física realista
da sua evolução desde o início do fraturamento até à subsidência final.

Palavras-chave

Mineração; Sublevel Caving; Subsidência; Mecanismos de Ruptura;


Método dos Elementos Discretos.
Abstract

Bobadilla, Jorge Raúl Jaramillo; Vargas Jr., Eurípedes do Amaral


(Advisor); Figueiredo, Rodrigo Peluci de (Co-advisor). Modeling of
the Sublevel Caving Method using the Discrete Element Method.
Rio de Janeiro, 2013. 86p. MSc. Dissertation – Departamento de
Engenharia Civil, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

The Sublevel Caving Method is one of the most massive extraction


methods used in underground mining industry worldwide and is considered
by the mining industry as one of the natural replacements of the current open
cut mines in the near future. A Sublevel Caving operation requires that the
rockmass surrounding the orebody continually fails and moves into the void
created by ore extraction. This dissertation develops a modeling using the
discrete element method to simulate the failure mechanism and subsidence
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caused by Sublevel Caving method. Analyses reported in the literature


consider only partial configurations of process Sublevel Caving, without
taking into consideration the excavation evolution process, and damage
induced to the rock mass resulting from this process. This dissertation
analyzes this effect and its consequences on the evolution of failure
mechanism and subsidence in Sublevel Caving. Particle Flow Code (PFC2D)
was selected for modeling because of its ability to simulate, if the event of
excess stress, fracturing and disintegration of the rock mass and large-scale
deformation and material flow, to be simulated, which are believed to be the
dominant physical phenomena governing the formation of subsidence and
fracturing of Sublevel Caving. The results obtained in this study were
satisfactory, reproducing properly the surface subsidence induced by
Sublevel Caving, allowing physically realistic simulation of its evolution
since the beginning of the fracturing to final subsidence.

Keywords

Mining; Sublevel Caving; Subsidence; Failure mechanisms; Discrete


Element Method.
Sumário

1 Introdução 15
1.1. Aspectos Gerais 15
1.2. Objetivos 16
1.3. Organização da Dissertação 17

2 Revisão Bibliográfica 18
2.1. Sublevel Caving 18
2.1.1. Introdução 18
2.1.2. Sequência de desenvolvimento 20
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2.1.3. Vantagens sobre outros métodos 23


2.2. Subsidência 23
2.2.1. Subsidência mineira 23
2.2.2. Subsidência induzida pelo SLC 24
2.2.3. Avaliação da subsidência associada ao SLC 25
2.3. Transição Mina Céu aberto - SLC 30
2.3.1. Mina Kiruna 31
2.3.2. Mina Kvannevann 34

3 Metodologia 37
3.1. Método dos elementos discretos (DEM) 37
3.1.1. Formulação geral 38
3.2. Sobre o modelo PFC 43
3.2.1. Macro-propriedades e Micro-propriedades 43
3.2.2. Testes virtuais do maciço rochoso 45

4 Modelagem Numérica 47
4.1. Considerações e simplificações do modelo 47
4.2. Calibração do modelo 49
4.3. Modelagem numérica do SLC 53
4.3.1. Construção do modelo 53
4.4. Resultados do Modelo Numérico 57
4.5. Discussão sobre superfície de subsidência 70

5 Conclusões e Sugestões 73
5.1. Conclusões 73
5.2. Sugestões 75

Referências Bibliográficas 77

Apêndice – Funcionamento Qualitativo PFC2D 81


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Lista de figuras

Figura 2.1 - Arranjo geral típico de lavra por SLC (adaptado de Hamrin, 2001). 19
Figura 2.2 - Detalhe das diversas fases do método SLC transversal (modificado
após Sandvik Group, 2004) ................................................................................ 21
Figura 2.3 - Perfurações com utilização do fandrill (modificado após Sandvik
Group, 2004)...................................................................................................... 21
Figura 2.4 - Retirada do minério (modificado após Sandvik Group, 2004).......... 22
Figura 2.5 - Transporte do material desmontado nas frentes das galerias
(modificado após Sandvik Group, 2004) ............................................................ 22
Figura 2.6 - Zonas de deformação do maciço rochoso no método de mineração
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SLC. .................................................................................................................. 25
Figura 2.7 - Sequência da ruptura progressiva do maciço rochoso com o aumento
da profundidade de mineração:(a) mineração superficial; (b) falha de cunha
pendurada; (c) formação da cunha íngreme; (d) desenvolvimento de trinca de
tração e de superfície de falha; (e) desenvolvimento da segunda trinca de tensão e
de superfície de falha; (f) cava a céu aberto inicial; (g) desenvolvimento de trinca
de tração e de superfície de falha; (h) desenvolvimento da segunda trinca de tração
e de superfície de falha; (i) ruptura progressiva com o aumento da profundidade de
mineração (Hoek, 1974). .................................................................................... 26
Figura 2.8 - Modelo de Equilíbrio limite proposto por Hoek (1974) para prever o
crescimento de uma cratera de subsidência. ........................................................ 27
Figura 2.9 - Modelo de equilíbrio limite proposto por Brown & Ferguson (1979)
para prever o crescimento de uma cratera de subsidência. .................................. 27
Figura 2.10 - Mina Kiruna. ................................................................................. 32
Figura 2.11 - Geologia da mina Kiruna. ............................................................. 33
Figura 2.12 - Subsidência induzida pelo SLC. Mina Kiruna. .............................. 34
Figura 2.13 - Mina Kvannevann. ........................................................................ 35
Figura 2.14 - Configuração Mina Kvannevann. .................................................. 36
Figura 3.1 – (a)Contato entre duas partículas e (b)contato entre partícula-parede
(Itasca, 2004) ..................................................................................................... 40
Figura 3.2 - Ciclo de cálculo do programa PFC2D (Itasca, 2008). ...................... 43
Figura 3.3 - A relação entre o módulo de elasticidade e a rigidez normal do sistema
grãos-cimento (modificado de Itasca,2008). ....................................................... 45
Figura 4.1 – Esquematização das condições de contorno e amostras dos ensaios
biaxial e Brasileiro (modificado de Itasca, 2008) ................................................ 49
Figura 4.2 - Ruptura do material em ensaio biaxial. ............................................ 51
Figura 4.3 - Envoltória de valores de resistência de pico (Dados obtidos de ensaios
biaxiais simulados em PFC2D) .......................................................................... 52
Figura 4.4 - Geometria geral - modelagem SLC. ................................................ 53
Figura 4.5 - Representação da escavação da cava a Céu Aberto, no modelo, feita
em 10 etapas. ..................................................................................................... 54
Figura 4.6 - Representação do enchimento do Backfill (estéril) no modelo ......... 54
Figura 4.7 - Geração do chaminé no primeiro Subnível (SN1). ........................... 55
Figura 4.8 - Sequenciamento da mina no modelo, a cor gris representa o minério
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explodido. Para gerar o efeito granular se eliminaram os parallel bond (cimento)


para gerar o fluxo. .............................................................................................. 56
Figura 4.9 - Processo sistemático e sequenciado no modelo. .............................. 56
Figura 4.10 - Configuração inicial adotada para o início da sequencia SLC. ....... 57
Figura 4.11 - Etapa de extração do Subnível 1 (SN1) ......................................... 58
Figura 4.12 - Etapa de extração do Subnível 2 (SN2) ......................................... 59
Figura 4.13 - Etapa de extração do Subnível 3 (SN3). O minério é gradualmente
substituído pelo material granular estéril (Backfill) e a rocha proveniente do
hangingwall (capa), vai sendo fraturada pelo enfraquecimento das zonas adjacentes
á frente de extração no Subnível 3. ..................................................................... 60
Figura 4.14 - Etapa de extração do Subnível 4 (SN4) ......................................... 61
Figura 4.15 - Etapa de extração do Subnível 5 (SN5). O minério é gradualmente
substituído pelo material granular estéril (Backfill) e a rocha proveniente do
hangingwall (capa), vai sendo fraturada pelo enfraquecimento das zonas adjacentes
á frente de extração no Subnível 5, observa-se formação de um alinhamento
preferencial de falha. .......................................................................................... 62
Figura 4.16 - Etapa de extração do Subnível 6 (SN6) ......................................... 63
Figura 4.17 - Etapa de extração do Subnível 7 (SN7) ......................................... 64
Figura 4.18 - Etapa de extração do Subnível 8 (SN8) ......................................... 65
Figura 4.19 - Etapa de extração do Subnível 9 (SN9) ......................................... 66
Figura 4.20 - Etapa de extração do Subnível 10 (SN10) ..................................... 67
Figura 4.21 - Etapa de extração do Subnível 11 (SN11) ..................................... 68
Figura 4.22 - Etapa de extração do Subnível 12 (SN12) ..................................... 69
Figura 4.23 - Perfis característicos da condição inicial e final da modelagem
(superfície de subsidência). ................................................................................ 70
Figura 4.24 - Deslocamento verticais dos pontos de monitoramento (evolução da
superfície de subsidência) e deslocamentos verticais na face do talude. .............. 70
Figura 4.25 - Tempo vs deslocamento acumulado vertical para estação T5 na mina
Kiruna. ............................................................................................................... 71
Figura 4.26 – Relação entre os deslocamentos verticais e o volume de rocha
extraído segundo a evolução da subsidência do hangingwall. ............................. 72
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Lista de tabelas

Tabela 2.1 - Evolução dos métodos de equilíbrio limite para a análise de


subsidência induzida pelo SLC (modificado após Flores & Karzulovic, 2004) 28
Tabela 2.2 - Estudos Numéricos de subsidência de superfície induzido por
caving. 29
Tabela 4.1 - Parâmetros do critério de Hoek-Brown GSI 55 -Mina kiruna
(Villegas, 2008). 48
Tabela 4.2 - Parâmetros Mohr-Coulomb baseados nos dados na tabela 4.1
(Villegas, 2008). 48
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Tabela 4.3 - Micro-parâmetros utilizados na simulação 50


Tabela 4.4 - Macro-parâmetros obtidos de simulações de ensaios biaxiais e
brasileiros 53
Lista de termos técnicos

Mina - É a jazida em exploração, entendido por exploração, o conjunto de


operações necessárias à extração industrial de substâncias minerais ou fósseis da
jazida.

Mineração - É a arte de descobrir, analisar e extrair as substâncias minerais


úteis existentes no interior ou na superfície da terra.

Minério - É um agregado de um mineral - minério e ganga que, no estado atual


da técnica, pode ser normalmente utilizado para a extração econômica de um ou
mais metais.

Subnível (Sublevel) - Nível intermediário num painel de lavra subterrânea, em


corpos de minério verticais ou inclinados.
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Sublevel Caving (SLC) - Abatimento em subníveis (Método de exploração


subterrânea aplicável a corpos tabulares de moderado-forte mergulho e grandes
dimensões, deformáveis e abatíveis, em que blocos de estéril são forçados a se
abater, após a extração inferior dos painéis de minério).

Abatibilidade - Propriedade de um bloco de rocha de se fragmentar e abater em


função de sua resistência à tração ou cisalhamento e do valor das forças
aplicadas.

Hangingwall - Capa (maciço rochoso encaixante, acima de um veio, ou acima


do minério que está sendo lavrado).

Footwall - Lapa (maciço rochoso encaixante inferior ao veio ou camada


mineralizada).

Backfill - Material estéril de preenchimento, constituído de fragmentos de rocha.


1
Introdução

1.1.
Aspectos Gerais

Devido ao aumento na demanda dos minerais como matéria prima para a


economia global, o desenvolvimento de métodos de mineração de extração
massiva, conhecidos na comunidade internacional como os métodos Caving, tem
permitido atingir grandes níveis de produção a baixo custo, permitindo a
exploração de depósitos que jazem cada vez mais longes da superfície.
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Várias operações de mineração estão considerando a mudança de mineração


superficial para mineração subterrânea na ordem de explorar seus recursos mais
profundos. A maioria das grandes empresas de mineração do mundo têm ativos
em minas de céu aberto de grande porte, e esses projetos estão chegando ao fim de
sua vida. O próximo passo é a mina subterrânea.
Em tempos recentes, um crescente interesse surgiu na simulação dos
métodos de exploração Block Caving (BC) e Sublevel Caving (SLC). Métodos de
exploração subterrânea que podem dar continuação a uma mina a céu aberto.
Particularmente, o SLC é um método de mineração baseado no fluxo por
gravidade de minério desmontado por explosivos e na indução de deslocamentos
do maciço rochoso estéril sobrejacente. À medida que o minério fragmentado vai
sendo extraído, o minério desmontado e a rocha encaixante abatida se deslocam
para o enchimento temporário da escavação. Assim, em procura de um novo
equilíbrio a rocha encaixante é forçada a superar sua resistência, gerando sua
separação da rocha encaixante intacta e dando forma a um material sólido
descontínuo. O sucesso do método depende da mobilidade do minério
desmontado e da rocha encaixante abatida.
A aplicação do Sublevel Caving como método de mineração envolve
extração de grandes volumes de minério causando subsidência em grande escala.
O conhecimento atual dos mecanismos que controlam o desenvolvimento de
subsidência e o mecanismo de ruptura ainda é limitado.
Capítulo 1. Introdução 16

Por outro lado, ferramentas computacionais tomaram cada vez mais força na
representação de problemas geotécnicos e previsão do comportamento do maciço
rochoso, para o desenvolvimento e operação de uma mina, subterrânea ou a céu
aberto. Esses permitem aplicar conceitos teóricos da física que não estão presentes
nas metodologias empíricas baseadas na observação de casos e que correspondem
às ferramentas de uso muito difundido no que se refere ao projeto e à operação de
mineração por Caving. Particularmente, no caso específico do estudo do SLC
torna-se interessante avaliar a capacidade de utilizar o método computacional dos
elementos discretos e complementar o conhecimento sobre a subsidência e
mecânica da fratura do SLC.

1.2.
Objetivos
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Com a tendência mundial do aumento da utilização do método de mineração


SLC e a importância de conhecimento da subsidência potencial que gera o
referido método, a compreensão atual sobre fenômenos de subsidência pode ser
melhorada através da utilização de modelagem numérica dos fatores básicos que
regem os mecanismos de subsidência e os mecanismos da mecânica da fratura
envolvidos com o método de mineração SLC. A capacidade de prever a
subsidência e a evolução do mecanismo da fratura envolvida no SLC é um dos
desafios da geomecânica de mineração. Assim, este trabalho tem dois principais
objetivos:

1. Introduzir uma nova abordagem para a análise numérica do mecanismo


de ruptura e a subsidência causada pelo método de exploração SLC.

2. Melhorar a compreensão dos fenômenos envolvidos no método de


mineração SLC, considerando ao detalhe as sequências de extração (extração por
subníveis) e sua influência na evolução da superfície de subsidência gerada e o
dano induzido ao maciço rochoso decorrente deste processo.
Para conseguir atingir os objetivos mencionados acima a escala da
modelagem é uma escala real (1.3 km x 0.7 km) para apresentar melhor a natureza
dos fenômenos envolvidos num processo SLC.
Capítulo 1. Introdução 17

1.3.
Organização da Dissertação

Esta dissertação encontra-se estruturada em cinco capítulos principais. O


Capítulo 1 apresenta uma visão geral introdutória, a declaração do problema e os
objetivos da pesquisa. O Capítulo 2 apresenta uma revisão bibliográfica sobre o
SLC como um método de mineração de grande escala, a avaliação da subsidência
induzida pelo SLC, bem como, procura descrever porque, atualmente, se faz
necessária uma transição de mineração superficial para mineração subterrânea
com a aplicação desta técnica. Dois exemplos de SLC dos mais representativos do
mundo, por apresentarem mais estudos publicados são apresentados e discutidos:
a Mina Kiruna de ferro e a Mina Kvannevann de ferro.
O Capítulo 3 explica a metodologia usada para a realização desta
dissertação assim como uma breve descrição do método dos elementos discretos e
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seus fundamentos. Adicionalmente, se faz uma descrição conceitual dos passos da


calibração numérica de um material sintético para simular um material real.
O Capítulo 4 apresenta o modelo e os procedimentos empregados na
calibração do modelo, bem como a análise numérica e os resultados da
modelagem. O Capítulo 5 resume as conclusões da pesquisa e indica algumas
recomendações para trabalhos futuros.
2
Revisão Bibliográfica

Na última década os métodos de mineração conhecidos na comunidade


internacional como os métodos Caving, frequentemente referidos como "métodos
não suportados" (Brown, 2003), estão ganhando importância na indústria da
mineração internacional, o qual tem tornado esses método os preferidos na
mineração subterrânea de extração massiva (Chitombo, 2010). Exemplos dos
métodos Caving mais importantes são o BC e o SLC. Prevê-se que estes dois
métodos continuem a crescer em importância para estender a vida útil e dar
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viabilidade às minas a céu aberto quando estas atingirem sua profundidade de


mineração econômica.

2.1.
Sublevel Caving

2.1.1.
Introdução

O SLC é um método de mineração massiva baseada na utilização do fluxo


por gravidade do minério detonado e do estéril abatido (Kvapil, 1992). O método
funciona sob o princípio de que o minério é fragmentado por detonações,
enquanto que a rocha encaixante sobrejacente (hangingwall) fratura-se e abate-se
sob a ação do alívio de tensões nas extremidades das paredes escavadas e da
gravidade (Bull & Page, 2000). O estéril abatido proveniente do hangingwall
preenche o vazio criado pela extração do minério. A aplicação original do método
de mineração do SLC foi feita em terra friável nas minas de minério de ferro de
Minnesota e Michigan, em 1900 (Hustrulid, 2000). O método foi adaptado mais
tarde para corpos de minério mais resistentes (exigindo detonações) delimitados
por massas encaixantes mais fracas. Nos últimos 40 anos as dimensões na
geometria do SLC aumentaram significativamente, resultando em aumentos de
escala e extensão de aplicação industrial e diminuindo os custos de produção
(Brady & Brown, 2004).
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 19

A geometria do SLC (Figura 2.1) caracteriza-se por uma série de subníveis


criados em intervalos entre 20 e 30 metros, começando no topo da jazida e
progredindo de maneira descendente (Hustrulid, 2000). Um número de galerias
paralelas são escavadas em cada subnível. De cada subnível o corpo mineralizado
é perfurado em leques direcionados de baixo para cima de 2m a 3m (Hustrulid,
2000). A detonação dos leques tem início junto ao hangingwall continuando para
frente em direção ao footwall. Quando um leque é detonado, o minério é forçado a
descer, pela ação da gravidade para o interior da galeria, onde é carregado e
transportado para uma passagem de minério. O minério é gradualmente
substituído pelo material estéril proveniente do hangingwall que vai sendo
abatido.
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Figura 2.1 - Arranjo geral típico de lavra por SLC (adaptado de Hamrin, 2001).

Segundo Hartman (1992) esse sistema de lavra geralmente é empregado em


jazidas de mergulho acentuado, de contatos definidos de média ou grande
potência. É necessário continuidade e homogeneidade do minério para sua
aplicação, assim como que o hangingwall seja sempre suficientemente instável
para desmoronar, enchendo, desta forma, o espaço do minério que foi retirado.
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 20

O método SLC é de alta produtividade fazendo com que haja simplicidade


nas operações conjugadas a serem empregadas. É aplicado, usualmente, em
minérios competentes necessitando o mínimo de suporte artificial, e para isto, o
minério deve ser regular e ter forma definida. Um mergulho mais forte permitirá
uma caída mais eficiente do minério por gravidade, muito embora este método
também possa ser adaptado a corpos de pequenos mergulhos. Dentre os métodos
de alargamento este método é o que requer de menos suporte temporário no
interior do realce, uma vez que toda a equipe de pessoal e maquinaria ficam
protegidas no subnível. No caso de se precisar de suportes para proteção pessoal
podem ser usados parafusos de teto, tela de injeção de cimento, camboteamento,
concreto projetado, etc.

2.1.2.
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Sequência de desenvolvimento

Geralmente o acesso principal é feito por rampa ou por um sistema


combinado rampa/poço. A rampa é projetada no footwall e paralela ao corpo de
minério, a partir desta são projetadas os subníveis (galerias), os quais são
espaçados na vertical entre 20m e 30 m. Os subníveis são desenvolvidos no
sentido transversal. Devem ser trabalhados simultaneamente, pelo menos 3
subníveis, sendo um em lavra, um em desenvolvimento e outro em pesquisa
(Figura 2.2). A lavra é executada em retirada, de modo que o abatimento dos
subníveis se processe sucessivamente no sentido descendente, podendo,
entretanto, serem lavrados simultaneamente vários subníveis. Para isto, deixa-se
uma defasagem de exploração entre os subníveis mais próximos.
Em geral, a perfuração é ascendente. A progressão da lavra é descendente e
em retirada. Concluído o desenvolvimento de cada subnível, no final de cada
subnível é projetada uma chaminé até atingir o piso do subnível superior. A
finalidade do seccionamento na extremidade do subnível é feita para promover a
face livre do bloco a ser lavrado. O sistema de furação adotado é em leque com
seções afastadas (de 2 a 3m). Como se trata de um método de abatimento, à
medida que as detonações são executadas e os vãos livres excedem o limite crítico
de autosustentação, os encaixantes entram em processo de abatimento.
PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0921919/CA Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 21

Figura 2.2 - Detalhe das diversas fases do método SLC transversal (modificado após Sandvik
Group, 2004)

A perfuração é efetuada no sentido ascendente, em forma de leque, com


equipamento específico para esta finalidade (fandrill) (Figura 2.3).

Figura 2.3 - Perfurações com utilização do fandrill (modificado após Sandvik Group, 2004)

As detonações são feitas a partir do final da galeria, de modo a atingir o


subnível superior, mantendo-se sempre uma face livre para facilitar o desmonte.
Com o impacto da detonação, o minério é forçado a cair pela ação da gravidade
para o interior da galeria onde este é carregado e transportado para uma passagem
de minério (ou ponto de transferências para caminhões). À medida que o minério
é retirado, o espaço é gradativamente substituído pelo material estéril proveniente
do hangingwall (Figura 2.4). Isto significa que o minério é misturado com o
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 22

estéril, e que este aumenta à medida que avança cada ciclo de carregamento.
Quando a mistura estéril/minério atingir uma proporção acima do limite
econômico, o carregamento é paralisado e é feita uma nova detonação.

Figura 2.4 - Retirada do minério (modificado após Sandvik Group, 2004)


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O transporte do material desmontado nas frentes das galerias até os pontos


de passagem de minério é feito por carregadeiras rebaixadas LHD ((load, haul and
dump), e a partir daí é levada à superfície por caminhões (Figura 2.5).

Figura 2.5 - Transporte do material desmontado nas frentes das galerias (modificado após Sandvik
Group, 2004)

No método SLC o corpo mineral é atravessado por galerias em vários


subníveis, distantes entre si na vertical de 20 a 30 metros. As galerias são
desenvolvidas ao mesmo tempo em que o sistema de galerias, na direção normal,
cobre todo o corpo do minério. No caso de corpos de minério muito extensos, as
galerias dos subníveis cruzam o corpo de minério a partir da galeria principal
situada ao longo do footwall (lapa). No caso de depósitos estreitos (largura
inferior a 20 metros), as galerias são dispostas ao longo dos mesmos.
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 23

A partir dos subníveis, o corpo mineralizado é perfurado em leques


direcionados de baixo para cima. A detonação dos leques tem início junto ao
hangingwall (capa) continuando para à frente em direção ao footwall (lapa) ou aos
pontos de carregamento. Quando um leque é detonado, o minério é forçado a
descer, pela ação da gravidade, para o interior da galeria, onde é carregado e
transportado para uma passagem de minério. O minério é gradualmente
substituído pelo material estéril proveniente do teto e/ou pelo material abatido.

2.1.3.
Vantagens sobre outros métodos

Hoje em dia há uma necessidade de produzir grandes quantidades de


minério o qual permite fomentar o desenvolvimento de métodos de mineração
massiva. Muito embora os limites de volumes de extração que definem a
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mineração massiva subterrânea estejam mudando ao longo do tempo, atualmente


está estabelecida uma produção diária de no mínimo 10.000 [toneladas/dia] ou 3
milhões [toneladas/ano] (Brown, 2004). O desenvolvimento de métodos massivos,
tais como SLC e BC têm permitido atingir estes objetivos.

2.2.
Subsidência

2.2.1.
Subsidência mineira

Denomina-se subsidência mineira ao conjunto de fenómenos de


movimentação descendente de camadas do subsolo e da própria superfície do
terreno devido à tendência do mesmo em preencher os espaços vazios que são
originados pela lavra subterrânea, principalmente após o seu colapso. A
exploração mineira provoca diversos efeitos à superfície dos terrenos que se
manifestam quer na área de exploração quer nas áreas vizinhas.
A subsidência é um problema potencial que quando não controlado, pode levar
a um dano superficial de grande escala. Toda escavação subterrânea induz a
subsidência da superfície, sobretudo aquelas que usam os métodos de lavra por
abatimento. O fenômeno é mais óbvio devido ao intenso fraturamento da rocha do
teto imediato das escavações.
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 24

O que controla fundamentalmente o processo é a competência da rocha que


compõe o teto imediato. O fenômeno está intimamente ligado à questão da
redistribuição das tensões no maciço rochoso (após a execução das escavações nos
trabalhos de lavra), às tensões naturais e tensões induzidas nas escavações
subterrâneas, bem como às tensões associadas a cada princípio do processo de
lavra subterrânea. A remoção de material da crosta terrestre provoca,
inevitavelmente, algum reajuste das tensões e movimentação de terreno.

2.2.2.
Subsidência induzida pelo SLC

Um dos graves problemas induzidos pela exploração do minério ao se


aplicar o método SLC é originado pela subsidência em grande escala. A condição
básica para a utilização do SLC é que uma drástica e inevitável destruição da
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superfície é admissível. O SLC irá induzir abatimento progressivo e subsidência


do maciço rochoso, vinculado principalmente à zona de maciço rochoso do
hangingwall e em menor grau à zona do footwall. No SLC a subsidência pode ser
caracterizada por três zonas diferentes (Figura 2.6), isto é, a zona abatida, a zona
de fratura e a zona de deformação contínua (Herdocia, 1991; Lupo 1996). Estas
são definidas como segue:

1. Zona Abatida- CZ é caracterizada por um grande movimento de descida do


material abatido que é formado pelo colapso de resíduos de rocha a partir das
paredes laterais. A rocha abatida consiste de blocos irregulares, que podem
variar em tamanho de milímetros a vários metros. Nesta zona, estruturas tipo
chaminés (chimneys) podem ser observadas. Estas estruturas são formadas por
movimentos verticais de material abatido através dos canais de fluxo após a
extração de minério.
2. Zona de fratura- FZ é caracterizada pelas fissuras de tensão, fraturas,
degraus e crateras esporádicas perto da área escavada. A subsidência nesta
área desenvolve movimentos horizontais e verticais que podem variar de
centímetros a metros. Lupo (1996) descreveu a natureza do movimento nessa
zona como uma combinação de mecanismos de cisalhamento e de
tombamento, semelhante àquele observado em taludes de rochas.
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 25

Eventualmente, por causa do movimento contínuo, os blocos formados nesta


zona poderiam formar parte do material desabado na zona abatida. Esta área é
instável e insegura para estruturas civis.
3. Zona de deformação contínua- CDZ nesta zona desenvolve-se uma
deformação contínua que pode ser detectada somente pela instrumentação
periódica.
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Figura 2.6 - Zonas de deformação do maciço rochoso no método de mineração SLC.

O bloco de maciço rochoso formado entre a fratura mais externa e o limite


da zona abatida pode ser considerado como um maciço rochoso "semi-intacto",
que progressivamente fragmenta-se pelo fenômeno do abatimento até tornar-se
uma parte do material desabado na cratera (Herdocia, 1991).

2.2.3.
Avaliação da subsidência associada ao SLC

Uma forma inicial de avaliar a subsidência associada à mineração aplicando


o método SLC é usando o método de abatimento definindo empiricamente valores
para os ângulos de fratura, α, e ângulo limite, β (Figura 2.6). Outra tentativa é
correlacionar o volume de subsidência com o volume do minério extraído.
Obviamente os métodos empíricos têm limitações, por isso, foi necessário dispor
de um método analítico para prever a evolução da subsidência. Hoek (1974)
desenvolveu um método de análise para predizer o crescimento de uma cratera de
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 26

subsidência, à medida que a profundidade de mineração é aumentada. Este


método de equilíbrio limite assume que a superfície do solo é horizontal e está em
uma condição drenada ou sem a presença de águas subterrâneas.
A sequência de ruptura da massa rochosa considerada por Hoek (1974) é
mostrada na Figura 2.7 e as características do seu modelo de equilíbrio limite é
mostrado na Figura 2.8. Hoek (1974) aplicou seu modelo na Mina de
Grangesborg, na Suécia, obtendo uma boa concordância entre os resultados do
modelo e os valores observados no campo.
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Figura 2.7 - Sequência da ruptura progressiva do maciço rochoso com o aumento da profundidade
de mineração:(a) mineração superficial; (b) falha de cunha pendurada; (c) formação da cunha
íngreme; (d) desenvolvimento de trinca de tração e de superfície de falha; (e) desenvolvimento da
segunda trinca de tensão e de superfície de falha; (f) cava a céu aberto inicial; (g) desenvolvimento
de trinca de tração e de superfície de falha; (h) desenvolvimento da segunda trinca de tração e de
superfície de falha; (i) ruptura progressiva com o aumento da profundidade de mineração (Hoek,
1974).

Mais tarde, Brown & Ferguson (1979) estenderam o trabalho de Hoek


(1974) para incluir o efeito de uma superfície de terreno inclinado e também a
possível presença de águas subterrâneas. As características do modelo de Brown
& Ferguson (1979) estão mostrados na Figura 2.9. Brown & Ferguson (1979)
aplicaram seu modelo para o caso da Mina de Gath´s, na Zâmbia, e obtiveram
uma boa concordância entre os resultados do seu modelo e os valores observados
no campo.
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 27

Figura 2.8 - Modelo de Equilíbrio limite proposto por Hoek (1974) para prever o crescimento de
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uma cratera de subsidência.

Figura 2.9 - Modelo de equilíbrio limite proposto por Brown & Ferguson (1979) para prever o
crescimento de uma cratera de subsidência.

Lupo (1996) modificou o método de equilíbrio limite de Hoek (1974) e


considerou forças de tração durante o a extração do minério e a interação entre o
hangingwall e o footwall no modelo. Ele assumiu que quando não tinha extração
do minério, a rocha desabada fornecia suporte ao footwall e ao hangingwall e
durante a ação de extração do minério, as forças de tração aumentavam as tensões
de cisalhamento no hangingwall e no footwall. As forças de tração foram
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 28

calculadas usando relações bem conhecidas da teoria de mecânica do solos e silos.


Esta abordagem foi utilizada na mina Kiruna, Suécia e os resultados obtiveram
boa concordância com as observações de falha sobre o mecanismo. No entanto, o
modelo não foi capaz de prever o comportamento do Footwall (Henry e Dahnér-
Lindqvist, 2000).
Conforme o mencionado acima, vários autores têm modificado o método
proposto por Hoek para incorporar parâmetros adicionais e variadas geometrias de
mineração. A Tabela 2.1 resume as abordagens disponíveis de equilíbrio limite
para a análise de subsidência induzida pelo SLC desenvolvidas após Hoek (1974).

Tabela 2.1 - Evolução dos métodos de equilíbrio limite para a análise de subsidência induzida pelo
SLC (modificado após Flores & Karzulovic, 2004)

Autor(es) Breve Descrição do Método e Aplicações


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Modelo de equilíbrio limite estendido de Hoek, levando em conta uma


superfície inclinada e pressões subterrâneas na trinca de tração e no
Brown e Ferguson
plano de cisalhamento. Este modelo foi utilizado para avaliar a falha
(1979)
progressiva da hangingwall na Mina Gath`s em Rodésia.

Propôs um modelo geométrico simplificado para o cálculo de fatores


geométricos que afetam a estabilidade do hangingwall em uma jazida
Herdocia (1991) inclinada usando o método de Sublevel Caving. Esse modelo de
equilibrio limite foi utilizado para avaliar a estabilidade de hangingwall
nas minas Grängesberg, Kiruna e Malmberget, em Suécia.

Este modelo considera a falha do hangingwall utilizando o as equações


de equilíbrio limite obtidas por Hoek (1974), mas considera um
coeficiente de pressão da terra ativo, e as equações de equilíbrio limite
Lupo (1996) obtidas por Hoek (1974) para taludes escavados em minas a céu aberto
para analisar o footwall. O uso de um coeficiente de pressão da terra
ativa tem por objetivo incluir o efeito do movimento da rocha abatida
durante a extração. Este método foi aplicado à análise de Sublevel
Caving na mina Kiruna, em Suécia.

A partir dos anos 80 começaram a usar-se métodos numéricos para a análise


de subsidência. No período de 1980-1990 predominou a utilização do método dos
elementos finitos, mas desde o final dos anos 80 começaram a serem utilizados, e
cada vez de modo mais frequentes os métodos das diferenças finitas e de
elementos discretos para esta finalidade.
Um levantamento de literatura global dos métodos Caving (Vyazmensky,
2008) revela que há poucos estudos publicados descrevendo a modelagem
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 29

numérica de subsidência de superfície associadas ao Sublevel Caving (Os mais


importantes deles estão resumidos na Tabela 2.2).

Tabela 2.2 - Analises Numéricos de subsidência induzido pelo SLC ( Modificado de Vyazmensky,
2008)

Autor Code Mina

Singh et al. (1993) FLAC Local especifioa: Minas Rajpura Dariba e Kiruna

Lupo (1999) FLAC Local específico: Mina Kiruna


Sjöberg (1999) FLAC Local específico: Mina Kiruna
Henry & Dahnér-
FLAC Local específico: Mina Kiruna
lindqvist (2000)
Villegas & Phase2,
Local específico: Mina Kiruna
Nordlund (2008) PFC 2D

Shirzadegan (2009) UDEC 2D Local específico: Mina Kiruna


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Singh et al. (1993) usaram o código de diferenças finitas FLAC para simular
o progressivo desenvolvimento de fraturamento no hangingwall e footwall com o
aumento da profundidade de mineração, sendo realizadas estes análises em
Rajpura Dariba (Índia) e na mina de Kiruna (Suécia). A influência do material
desabado sobre a zona de fratura não foi considerada. Os resultados da
modelagem foram encontrados razoáveis de acordo com as medições de campo.
Lupo (1999) confirmou a validade do seu modelo de equilíbrio limite
proposto (Lupo, 1996) para o mecanismo de falha do Hangingwall, com
modelagens numéricas com FLAC.
Sjöberg (1999) realizou modelagens numéricas usando um código de
diferenças finitas (FLAC) para avaliar a falha do Footwall e o efeito do material
desabado na mina Kiruna. O modelo mostrou que o suporte lateral do material
desabado foi significativo.
Henry & Dahnér-lindqvist (2000), Com base em novos dados de campo da
Mina Kiruna e modelos numéricos anteriores no software FLAC, propus uma
nova modelagem para avaliar o comportamento do Footwall na Mina Kiruna com
FLAC, obtendo uma tendência de falha circular para o Footwall de kiruna.
Villegas & Nordlund (2008) analisaram a subsidência na mina Kiruna
usando PFC2D, porém, processo de sequenciamento de extração do minério não
foi considerado ao detalhe. A modelagem apresentou interação entre o
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 30

Hangingwall, o Backfill e o Footwall. Além disso, foi demonstrado que a rocha


desabada e o Backfill fornecem suporte ao Hangingwall e ao Footwall, portanto,
reduzem a magnitude e a extensão da superfície da subsidência.
Villegas & Nordlund (2008) também realizaram uma análise numérica do
fraturamento do hangingwall na mina de Kiruna usando um método de elementos
finitos PHASE2. Neste caso, O processo do abatimento, foi simulado
explicitamente por adição de vazios movendo-se para cima desde o nível de
extração e alterando as propriedades do material, quando o vazio foi preenchido.
Subsidência, tensões, deslocamento por cisalhamento e plasticidade foram usados
para avaliar a falha do Hangingwall. Calcularam o ângulo de fratura e o ângulo
limite para subníveis diferentes de mineração.
Shirzadegan (2009) utilizou o método dos elementos distintos UDEC-2D
para avaliar o efeito das estruturas geológicas sobre a subsidência do Hangingwall
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da Mina Kiruna.. Os modelos desenvolvidos com diferentes sistemas de estruturas


geológicas mostraram que as estruturas geológicas favorecem a extensão da
superfície de deformação e o processo de falha ocorre principalmente ao longo
das estruturas geológicas.

2.3.
Transição Mina Céu aberto - SLC

Várias das grandes operações a céu aberto estão enfrentando o desafio de


projetar e planejar uma transição subterrânea para sustentar o futuro de longo
prazo das suas operações. Particularmente, o método subterrâneo SLC é atraente
por sua alta produtividade e baixo custo operacional que pode competir com os
custos associados com a remoção da fase final de uma cava a céu aberto.
A mineração a céu aberto é um método de exploração de baixo custo que
permite um alto grau de mecanização das operações e o manejo de grandes
volumes de produção. O conceito deste método é orientado para a exploração de
depósitos de superfície. Mas, atualmente, existem muitas jazidas que têm uma
dimensão vertical considerável, e apesar do fato de que seu método de exploração
inicial ser a céu aberto, em alguma profundidade se terá de tomar decisões
importantes para o futuro do negócio da mineração, como o de continuar com a
mineração a céu aberto mais profundo e com custos muito altos para este tipo de
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 31

operação, ou mudar para um método de exploração daqueles recursos geológicos


remanescentes abaixo da cava a céu aberto, usando uma mineração subterrânea.
Uma transição procura manter níveis de produção, portanto, qualquer
mineração subterrânea deve ser de exploração massiva. Os métodos de exploração
aplicando Caving, como o SLC, são os únicos que permitem atender esta
necessidade, isto é, o de alcançar taxas de alta produção e baixo custo de
desenvolvimento, preparação e operação.
As opções mais atraentes pela sua capacidade de volume de extração que
pode competir com os volumes de produção de uma cava a céu aberto são os
métodos de exploração vinculados aos métodos Caving. Considera-se, portanto,
que uma transição de cava a céu aberto para mineração subterrânea,
particularmente o SLC, tem uma vantagem sobre as jazidas tabulares de moderada
a grande espessura, permitindo uma lavra mais seletiva ao contrário do método
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BC.
Muitas operações mineiras aplicaram SLC, diretamente como uma operação
de mineração subterrânea ou por meio de uma transição para mineração
subterrânea desde uma operação a céu aberto. A mina Kiruna (Suécia) e a mina
Kvannevann (Noruega) são dois exemplos mundiais apresentados nesta seção.

2.3.1.
Mina Kiruna

A mina de Kiruna entrou em operação em 1900, pioneira na mecanização, é


considerada um modelo de mineração no mundo, sendo que muitas mineradoras
em todo o mundo tomam suas operações como referência. Kiruna. (Figura 2.10) é
a líder na aplicação de tecnologias de automação modernas em mineração
subterrânea e serve como campo de testes para uma das mais renomadas empresas
fabricantes de equipamentos para subsolo. Situada na cidade do mesmo nome,
Kiruna é a maior mina subterrânea de ferro no mundo, sendo que sua produção é
de 29 Mton (60.000 t/dia) de minério bruto por ano. O corpo de minério atinge
mais de 2 km de profundidade, possuindo, aproximadamente, 4 km de
comprimento e 80 m de espessura.
PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0921919/CA Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 32

Figura 2.10 - Mina Kiruna na Suécia.

Atualmente, a mina é operada pela Luossavaara-Kiirunavaara AB, LKAB.


No início do século passado, o minério foi extraído por mineração a céu aberto. A
transição para a mineração subterrânea começou durante a década de 1950. Hoje
em dia, a jazida inteira é explorada utilizando SLC em larga escala. O mergulho
da jazida é de 50- 60° para o leste e a direção do corpo mineral é Norte-Sul. O
minério de ferro contém principalmente magnetita fina gradada com variações no
teor de apatita. O tipo de rocha no lado de footwall é uma sequência de lavas
trachyandesiticas, e do lado hangingwall compreende riodacitos piroclásticos
(Figura 2.11). A classificação do Índice de Resistencia Geológica (GSI, Hoek
(1974)) correspondente é de GSI=60 para o maciço rochoso de footwall e de
GSI=55 para o hangingwall.
Os subníveis são desenvolvidos com um espaçamento vertical de 28,5 m,
de dimensões 7 m de largura x 5 m de altura. Os leques de explosão têm uma
largura de 3,0-3,5m por anel. O minério quebrado mobiliza-se pelo efeito do fluxo
de gravidade.
PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0921919/CA Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 33

Figura 2.11 - Geologia da mina Kiruna.

SUBSIDÊNCIA - KIRUNA
A mineração usando o SLC induz a subsidência da superfície (Figura 2.12)
em grande escala, principalmente no lado hangingwall na mina Kiruna. A
subsidência é caracterizada por deformações descontínuas, perto da jazida e
deformações contínuas mais afastadas da zona hangingwall. O primeiro sinal de
instabilidade na superfície do solo é de pequenas trincas de tração que estão em
constante crescimento e ampliação. Atualmente, trincas de tração definem o limite
entre as zonas de subsidência contínua e descontínua. Com base em observações
de campo na mina foi assumido que o hangingwall se comporta como um talude
onde o pé fica enfraquecido pela extração contínua do minério. A mina tem
experimentado problemas de instabilidade de grande escala.
PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0921919/CA Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 34

Figura 2.12 - Subsidência induzida pelo SLC. Mina Kiruna. Fonte:


http://www.wilhelmson.se/press.htm

2.3.2.
Mina Kvannevann

A mina Kvannevann está localizada ao norte da Noruega. O corpo de


minério atinge mais de 300 m de profundidade, possuindo, aproximadamente,
70m de espessura, a rocha encaixante é o gnaisse. A mina Kvannevann explora
óxido de ferro, a fim de aumentar sua capacidade de extração e reduzir custos de
produção foi adotado o sistema SLC no ano 2009.
Em 2009, a mina começou a preparação para o SLC removendo os
primeiros pilares de proteção na parte ocidental da abandonada mina a céu aberto
Kvannevann . O SLC requer que a jazida e o maciço rochoso circundante rompam
sob condições controladas para garantir a segurança da operação de mineração. A
aplicação do SLC já causou deformações do maciço rochoso encaixante
manifestadas na superfície na forma de trincas paralelas ao hangingwall.
A mina está localizada na área de mineração Ørtfjell, área a
aproximadamente 6 km a nordeste da aldeia de Storforshei (norte da Noruega). A
cidade mais próxima é Mo i Rana localizado acerca de 27 km ao sul. A mina é
operada pela empresa mineração Rana Gruber AS. A área da mina é mostrada na
Figura 2.13; existem 3 minas a céu aberto antigas na área: o West Pit, o Pit Erik,
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 35

que é parcialmente preenchida com água e o Pit Kvannevann, sob o qual a


mineração subterrânea com SLC ocorre atualmente. Há também nesta última cava
muito material estéril de preenchimento (backfill).
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Figura 2.13 - Mina Kvannevann.

A área de mineração abrange aproximadamente 4,5 Km2. A cava a céu


aberto Kvannevann é de cerca de 1200 metros de comprimento e 100 metros de
altura.

SUBSIDÊNCIA - KVANNEVANN
O sistema de mineração SLC é usado para jazidas grandes, íngremes,
contínuas, tais como na Kvannevann. As deformações causadas por este método
são consideráveis e resultam de forças gravitacionais e de redistribuição de
tensões induzidas no maciço rochoso. Neste sistema de mineração o minério é
extraído através de subníveis, que são desenvolvidos na jazida com um
espaçamento regular vertical. Cada subnível possui uma disposição sistemática
com galerias paralelas ou transversais ao longo ou através do corpo minério
(Smith, 2003).
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 36

Figura 2.14 – Configuração Mina Kvannevann. Fonte: http://www.ranagruber.no/index.php?id=40


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Segundo a exploração avança o hangingwall (encaixante superior) abate e


em menor grau ocorrem deformações no footwall (encaixante inferior) e é um
efeito esperado porque o maciço rochoso esta previsto para fraturar e colapsar
depois da extração do minério. O esquema geral do sistema de SLC usado na mina
Kvannevann é mostrado na Figura 2.14.
Três distintas zonas de deformação podem ser identificadas na superfície:
zona de abatimento, zona de fratura e zona de deformação contínua. O primeiro
ocorre verticalmente acima do nível explorado. O segundo consiste de fraturas na
superfície que se podem ocultar devido à vegetação ou resíduos de depósitos de
rocha. A zona de deformação continua é identificada como a área onde as
deformações do maciço rochoso são menores onde só é possível a medição das
deformações com instrumentação especializada.
A extensão da zona de deformação pode ser expressa como o ângulo entre a
horizontal e a linha que une o subnível de mineração atual e a deformação medida
superficial mais longe, descrito numa seção perpendicular ao eixo da jazida. De
acordo com (Henry et al., 2004;. apud Lupo, 1996), este ângulo é estimado em 40
a 60 graus. O ângulo da linha que separa a zona de deformação continua e a zona
de fratura varia entre 60 a 80 graus em relação ao plano horizontal. A área
influenciada pela deformação e fraturamento do maciço rochoso aumenta com a
profundidade de mineração.
3
Metodologia

Nesta dissertação, adotou-se o método dos elementos discretos (DEM),


introduzido por Cundall & Strack (1979) para simular a evolução do mecanismo
de ruptura e a subsidência causada pelo método de exploração SLC. O DEM é
conceitualmente diferente de outras técnicas de modelagem, considerando as
entidades sólidas como materiais conformados pela junção de blocos particulados,
considerando grande quantidade de pequenos elementos para simular a evolução
dinâmica de um sistema. Diferente dos métodos contínuos clássicos, o DEM foi
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projetado como um método descontínuo para simular sistemas que experimentam


grandes quantidades de deformação localizada. O software utilizado no presente
estudo é o Particle Flow Code em duas dimensões (PFC2D), versão 4.0. (Itasca,
2008)

3.1.
Método dos elementos discretos (DEM)

O termo DEM corresponde a um grupo de métodos numéricos para a


simulação do movimento de partículas quer sejam moléculas ou agregados
rochosos.
O método do elemento discreto (DEM) é uma abordagem descontínua e é
uma poderosa ferramenta numérica para monitorar o movimento de um número
grande de partículas como material granular ou materiais sólidos cimentados. O
MED em geral baseia-se sobre o trabalho de mecânica das rochas de Cundall
(1971) e estudos subsequentes de solo/material granular de Cundall & Strack
(1979). Diferente do método computacional tradicional contínuo (método dos
elementos finitos), no DEM cada elemento é separado e pode ter movimento
independente. Todas as partículas são consideradas corpos rígidos e a interação só
acontece nos seus contatos ou interfaces entre esses corpos. O comportamento nos
contatos usa uma abordagem de soft-contact chamado também de discos macios,
onde as partículas são rígidas, mas permitem uma pequena sobreposição
Capitulo 3. Metodologia 38

(interpenetração) uns aos outros nos seus pontos de contato. De acordo com a lei
de força-deslocamento, a sobreposição em cada contato irá gerar uma força de
interação entre as partículas. Um conjunto de forças de contato que atuam sobre a
partícula e as solicitações exteriores (como a gravidade) originará o movimento
das partículas, sendo este calculado pela segunda lei de Newton. O movimento
das partículas consequentemente altera as condições dos contatos e resultará em
mudanças nas forças de contato entre partículas, que continuamente trarão novo
movimento das partículas.
O princípio da abordagem pelo modelo dos discos macios é o de resolver
em incrementos discretos de tempo (intervalo de tempo), as equações que
governam o equilíbrio dinâmico linear e angular das partículas em contato ou em
colisão. Neste modelo, o termo “macio” não é muito adequado, visto que as
partículas são efetivamente duras (ou rígidas), entretanto, a interpenetração entre
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as mesmas é possível. De fato, neste modelo a força entre as partículas, o atrito e a


restituição elástica são calculadas com base na interpenetração (overlap) entre as
partículas. O cisalhamento ou força tangencial, por sua vez, é calculado a partir do
deslocamento relativo acumulado nos pontos de contato em uma direção
perpendicular à orientação normal dos contatos.

3.1.1.
Formulação geral

Para simplificar o processo de cálculo, o método dos elementos discretos


usa as seguintes hipóteses:
(1) Todas as partículas são consideradas como corpos rígidos e a forma das
partículas não mudam sob a força de extrusão entre partículas (os corpos são
incompressíveis). A deformação do sistema de partículas é o somatório das
deformações nos pontos de contato de todas as partículas.
(2) Os contatos entre partículas acontecem em uma área infinitesimal ou seja, no
ponto de contato.
(3) O comportamento de contato das partículas é do tipo contato macio que
permite alguma sobreposição no ponto de contato entre partículas rígidas. O
valor de sobreposição em cada contato pode ser determinado pela lei força-
deslocamento. Em comparação com o tamanho das partículas, a sobreposição
Capitulo 3. Metodologia 39

entre as partículas é pequena e também é muito menor do que a translação e


rotação de partículas.
(4) A interação só acontece em contatos entre as partículas, a qual deve ser
pequena o suficiente para se certificar de que cada partícula tenha apenas efeito
de força no seu contato com suas vizinhas partículas e não afetará outras
partículas.
(5) Os valores de velocidade e aceleração são constantes em cada intervalo de
tempo específico e o movimento de uma partícula única rígida é prevista pela
segunda lei de Newton do movimento.
(6) O intervalo de tempo (time step) escolhido é tão pequeno que, durante sua
execução, os distúrbios não podem propagar-se mais além do que seus vizinhos
imediatos. Em seguida, em todos os momentos, a forças que atuam sobre
qualquer partícula são determinadas exclusivamente pela sua interação com as
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partículas com o qual ela está em contato.

No clássico método dos elementos finitos que define o meio como um


contínuo, a relação de tensão-deformação é usada para descrever propriedades
físicas de materiais. No entanto, no DEM o comportamento geral constitutivo do
material é refletido através da lei de força-deslocamento em cada contato, que é a
chave componente do método dos elementos discretos e pode influenciar
significativamente a exatidão e racionalidade da simulação do DEM. A lei de
força-deslocamento descreve a relação entre a força de contato e o deslocamento
relativo em cada ponto de contato xi[C ] (Figura 3.1), que inclui a relação entre a

força normal de contato e o deslocamento normal, e a relação entre a força de


cisalhamento de contato e o deslocamento de cisalhamento. A Figura 3.1
apresenta um modelo de contato elástico que explica o conceito de lei força-
deslocamento. A força de contato do modelo elástico de contato pode ser
calculada pelas seguintes equações:

Fi n = K nU n n i (3.1)

∆ Fi s = − K s ∆ U s
(3.2)
Capitulo 3. Metodologia 40

Em que Fi n e ∆Fi s são a força normal de contato e incremento de força de

cisalhamento de contato entre as partículas (ou parede), K n e − K s são a rigidez


normal [força/deslocamento] e a rigidez de cisalhamento no contato,
respectivamente, U n e ∆U s são o deslocamento normal e o incremento de
deslocamento cisalhante entre as partículas (ou parede), ni é o vetor unitário

normal para um contato partícula-partícula, ou para um contato partícula-parede


ni é o vetor unitário ao longo da linha que define a distância mais curta para o
contato da partícula-parede.
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Figura 3.1 – (a)Contato entre duas partículas e (b)Contato entre partícula-parede (Itasca, 2008)

Em cada intervalo de tempo, a geometria e o movimento de cada partícula


são valores conhecidos e, em seguida, o deslocamento normal U n , o incremento
de deslocamento cisalhante ∆U s podem ser calculados, e assim a força de contato
normal Fi n e o incremento de força de contato cisalhante ∆Fi s entre as partículas

podem ser obtidas com a lei de força-deslocamento. A força resultante


proveniente dos contatos e a força resultante externa originam um novo
movimento de partículas alterando a condição de geometria e o movimento das
partículas no próximo intervalo de tempo.
No DEM o movimento de cada corpo rígido segue a lei de Newton de
movimento, que fornece a relação fundamental entre o movimento de partículas e
Capitulo 3. Metodologia 41

as forças. Com a segunda lei de Newton, a aceleração &x&i , e a aceleração angular

ϖ& i ; pode ser calculadas com as seguintes equações:

Fi = m ( &&
xi − g i ) (Movimento de translação) (3.3)

Em que m é a massa da partícula; g i é a aceleração; e Fi é a força resultante das


forças de contatos e forças externas agindo sobre a partícula.

M 1 = I1ω&1 + ( I 3 − I 2 )ω3ω2
M 2 = I 2ω& 2 + ( I1 − I 3 )ω1ω3 (3.4)
(Movimento de rotação)
M 3 = I 3ω& 3 + ( I 2 − I1 )ω2ω1

Em que I1, I2, I3 são os momentos de inércia principais da partícula; ϖ& 1 , ϖ& 2 e ϖ& 3
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são as acelerações angulares sobre os eixos principais; e M1, M2, M3 são as


componentes do momento resultante para os eixos principais resultantes das
forças de contatos e das forças externas agindo sobre a partícula.
Para uma partícula esférica e partículas em forma de disco, a equação de
movimento rotacional pode ser ainda mais simplificada como segue:

M 3 = I 3ω& 3 + ( β mR 2 )ω& 3 (3.5)

sendo ß= 2/5 ou 1/2 (partícula esférica ou partícula em forma de disco).


Usando o método das diferenças finitas centradas, as acelerações no tempo t
podem ser expressas como:
1
xi ( t ) =
&& ( x&i ( t +∆t /2) − x&i ( t −∆t / 2) ) (3.6)
∆t

1
ω&3(t ) = (ω3(t + t /2)
− ω3(t − t /2)
(3.7)
∆t

Ao resolver essas expressões e a lei de Newton do movimento,


simultaneamente, as velocidades no tempo (t + ∆ t/2) são obtidas:
(t)
Fi
x&i(t+∆t /2) = x&i(t−∆t /2) + ( + gi )∆t (3.8)
m
Capitulo 3. Metodologia 42

( t +∆t / 2) ( t −∆t /2) M 3( t )


ω3 = ω3 +( ) ∆t (3.9)
I

A posição do centro de partícula no tempo t + ∆t pode ser calculada como


segue:

xi ( t + ∆ t ) = xi( t ) + x& i( t + ∆ t / 2 ) ∆ t (3.10)

Conforme o mencionado acima, pode ser visto que os cálculos efetuados no


DEM são alternados entre a aplicação da segunda lei de Newton para as partículas
e uma lei de força-deslocamento nos contatos. O ciclo de cálculo de DEM
consiste em repetir a aplicação da lei do movimento para cada partícula, e uma lei
de força-deslocamento para cada contato e uma constante atualização de posições
de parede (Figura 3.2). As etapas de cálculo no método DEM podem ser
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resumidas a seguir:

1) Calcular o intervalo de tempo para a iteração atual.


2) Conseguir a posição e propriedades do movimento das partículas dos resultados
do último intervalo do tempo.
3) Atualizar a velocidade e a posição das paredes com base nas velocidades
especificadas de entrada da parede ou condições de contorno.
4) Detectar colisões entre as partículas e as paredes com as novas partículas
atualizadas e a geometria das paredes e propriedades de movimento.
5) Calcular a força de contato entre partículas baseada na deformação relativa
entre as duas entidades em cada contato e lei de força-deslocamento
correspondente e adicionar o vetor de força para o vetor de força
desequilibrada.
6) Calcular a força do corpo (como a força gravitacional) de cada partícula e
adicionar para o vetor de força desequilibrada.
7) Aplicar o efeito de amortecimento (força) para a força resultante
desequilibrada.
8) Aplicar a força desequilibrada calculada para as partículas e calcular as novas
acelerações das partículas e acelerações angulares com a segunda lei de
Newton.
Capitulo 3. Metodologia 43

9) Atualizar as velocidades e posição, baseado nas novas acelerações e


acelerações angulares.
10) Realizar integrações no tempo, de partículas de acordo com as suas novas
acelerações.
11) Repetir o ciclo (etapas 1-10) até que o cálculo seja terminado.
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Figura 3.2 - Ciclo de cálculo do programa PFC2D (Itasca, 2008).

3.2.
Sobre o modelo PFC

Para construir um modelo numérico, parâmetros de entrada sempre


desempenham um papel importante. Para o software PFC que simula o
comportamento do material de macro-escala desde as interações entre os
componentes ao nível micro-escala, as propriedades de entrada dos componentes
do nível micro são geralmente desconhecidas. Portanto, devemos determinar os
comportamentos relevantes e a resposta a fim de melhor caracterizar os
comportamentos do nosso material físico pretendido inicialmente. A escolha das
apropriadas micro-propriedades por meio de processo de "tentativa e erro"
deverão ser feitos, na qual as micro-propriedades do material sintético são
comparadas com as macro-propriedades medidas do material físico real.
3.2.1.
Macro-propriedades e Micro-propriedades

Relacionar os micro-parâmetros ou micro-propiedades de deformabilidade e


resistência (rigidez de partícula e ligação, coeficientes de atrito de partículas e
resistência de ligação) ao seu conjunto correspondente de macro-respostas (como
Capitulo 3. Metodologia 44

constantes elásticas, ângulo de atrito do material e envoltórias de resistência)


desempenha um papel fundamental no estabelecimento de um modelo com o PFC.
As variáveis decisivas que caracterizam um modelo de PFC são as micro-
propriedades dos partícula-cimento. O material cimentante em PFC é apresentado
por ligações de contato chamados parallel bond.

{Ec , ( k n / k s ), µ } micro-propriedades dos grãos.


{λ , E , (k
c n / ks ), σ c ,τ c } micro-propriedades do material cimentante.
onde Ec e Ec são módulos de elasticidade dos grãos e cimento, respectivamente;

kn / ks e k n / k s são as relações de rigidez normal e cisalhante dos grãos e de

cimento, λ é o raio multiplicador usado para definir o parallel bond


( R = λ min( R( A) , R( B) )) ; µ é o coeficiente de atrito de grão; σ c e τ c são a resistência
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normal e cisalhante do material cimentante, respectivamente.


As determinações dos módulos de elasticidade dos grãos e do cimento
estão em conexão com a rigidez normal correspondente. As rigidezes normais dos
grãos e do parallel bond são definidos a seguir:

 2tEc , t = 1, PFC 2 D,
kn =  (3.11)
 4 REc , PFC 3D,

kn
kn = , (3.12)
(k n / k s )

Ec
kn = , (3.13)
R + R( B)
( A)

n
s k
k = , (3.14)
kn / ks

O módulo de elasticidade do cimento é dependente de tamanho de partícula,


portanto, a rigidez do parallel bond deve ser dimensionado com os raios de
partículas para conseguir um módulo de elasticidade de cimento constante. Para
conseguir um módulo de elasticidade de grão constante, a rigidez normal de
partículas deve ser dimensionada a partir do raio das partículas (Figura 3.3).
Capitulo 3. Metodologia 45

 kn
 2 t , t = 1, PF C 2 D
Ec =  EC = K n ( R ( A ) + R ( B ) ) (3.15)
 k n = k n , P FC 3 D
 2 L 4 R
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Figura 3.3 - A relação entre o módulo de elasticidade e a rigidez normal do sistema grãos-cimento
(modificado de Itasca,2008).

3.2.2.
Testes virtuais do maciço rochoso

Para obter resultados de determinadas propriedades macroscópicas,


precisamos empregar testes virtuais numéricos que imitam os experimentos de
laboratório. Os micro-parâmetros ou micro-propriedades que caracterizam um
material sintético podem ser adquiridos através da realização de testes UCS, testes
biaxiais e testes brasileiros em PFC2D (Potyondy & Cundall,2004), variando a
entrada dos micro-parâmetros da amostra numérica (como a rigidez e resistência
das partículas e do cimento) até que as macro-propriedades (como UCS,
resistência a tração, módulo de elasticidade e coeficiente de Poisson) do exemplo
numérico corresponder à amostra física.
Para o teste biaxial, as paredes (contornos superior e inferior) agem como
carregamento axial ou desviador, e as velocidades das paredes laterais são
controladas por um servomecanismo que mantém uma tensão confinada
especificada. Para o teste brasileiro, uma amostra retangular é cortada em forma
Capitulo 3. Metodologia 46

circular, que fica em contato com duas paredes laterais que atuam como tensão de
confinamento.
Através de uma série de ensaios biaxiais, as propriedades elásticas e o
comportamento na ruptura das amostras podem ser determinados. Como
resultado, o módulo de elasticidade (Equação 3.16) e o coeficiente de Poisson
(Equação 3.17) são calculados a seguir:
∆σ y
E = (3.16)
∆ ∈y

1
(∆∈x +∆∈z )
∆∈x 1  ∆∈  (3.17)
v=− =− 2 = 1− v 
∆∈y ∆∈y 2  ∆∈y 
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Em que ∆ ∈v é a deformação volumétrica ( ∆ ∈v = ∆ ∈x +∆ ∈y +∆ ∈z ) .

Depois de concluído o teste brasileiro, a força máxima ( F f ), atuando sobre os

contornos laterais é extraída e a resistência à tração brasileira, σ t , é calculada:

Ff
σt = (3.18)
π Rt

Em que R e t são o raio e a espessura, respectivamente, do disco do ensaio

brasileiro (Goodman, 1989).


4
Modelagem Numérica

Neste trabalho o programa computacional comercial Particle Flow Code em


duas dimensões (PFC2D) (Itasca, 2008) foi usado para simular a evolução do
processo de fraturamento e subsidência envolvido no SLC. O modelo simula o
comportamento mecânico de uma coleção de blocos circulares unidos por
cimento. O PFC2D foi selecionado para esta modelagem devido à sua capacidade
de simular em um evento de excesso de tensão, o fraturamento do cimento do
maciço rochoso desencadeando sua desintegração (Gilbride, 2005). Desta forma,
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pode ser originado o fluxo do material e os deslocamentos em grande escala, os


quais são considerados os fenômenos físicos dominantes que regem a formação da
subsidência e fraturamento em um processo SLC.
Com a finalidade de entender os mecanismos ou fenômenos que se
desenvolvem durante um processo SLC, o presente trabalho pondera algumas
simplificações e considerações no modelo a simular. Duas análises foram
realizadas: a calibração das propriedades do modelo e a análise do modelo SLC
em si.

4.1.
Considerações e simplificações do modelo

Para estudar os mecanismos de ruptura no SLC foram estabelecidas


algumas considerações. No presente trabalho, um modelo no estado plano de
deformações foi adotado. Uma seção bidimensional típica da mina Kiruna foi
selecionada para a dita análise, por apresentar estudos mais reconhecidos de SLC.
As características desta mina foram mencionados anteriormente no capítulo 2.
Tanto a análise de calibração quanto a análise de ruptura do sistema SLC foram
feitas com o programa PFC2D versão 4.0 (Itasca, 2008). O modelo geométrico da
mina é considerado ser de grande escala (1300 m de largura x 700 m de
profundidade).
Capitulo 4. Modelagem Numérica 48

O primeiro passo da simulação numérica foi a calibração das propriedades


do maciço rochoso da mina. Consequentemente, foi definida a configuração do
modelo, basicamente no que se refere aos aspectos geológicos a serem
considerados na análise de ruptura.
A mina Kiruna, que como comentado anteriormente, apresenta condições
para a análise, tem recebido atenção especial por se tratar de um estudo de caso
para futuros desenvolvimentos de jazidas de similares condições. As inclinações
consideradas nos taludes da cava a céu aberto estão na ordem de 45 graus com
relação à horizontal do terreno.
O estado de tensões iniciais foi gerado no modelo considerando a relação de
distribuição da gravidade, isto é, para uma profundidade z a tensão vertical total é
dada pelo produto da sua profundidade vezes pelo peso específico do maciço
sobrejacente, γ, como indicado na expressão 4.1:
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σv =γ ⋅z (4.1)

Os parâmetros do maciço rochoso (Riodacita da hangingwall, encaixante


superior GSI=55, da mina Kiruna) considerados nesta análise numérica estão
baseados nos resultados obtidos por Villegas (2008). Villegas (2008) realizou
análises paramétricas para a obtenção de valores de resistência a compressão, a
tração e módulo de elasticidade, como especificado na Tabela 4.1 para o caso dos
parâmetros mi=16; σc = 200 e GSI=55 seguindo o critério de Hoek Brown. No
caso da rocha do encaixante superior da Mina Kiruna, Villegas (2008) obteve
parâmetros de resistência seguindo o critério de Mohr-Coulomb, como mostrado
na Tabela 4.2. Os resultados das análises de Villegas (2008) estão sendo
considerados e usados na presente análise numérica.

Tabela 4.1 - Parâmetros do critério de Hoek-Brown GSI 55 -Mina kiruna (Villegas, 2008).

Tabela 4.2 - Parâmetros Mohr-Coulomb baseados nos dados na tabela 4.1 (Villegas, 2008).
Capitulo 4. Modelagem Numérica 49

As propriedades do maciço rochoso (rocha Riodacita da hangingwall,


encaixante superior GSI=55) descritas na Tabela 4.1 e Tabela 4.2 foram a base
para a obtenção das micro-propriedades a serem empregadas neste modelo no
PFC2D.

4.2.
Calibração do modelo

O material sintético foi calibrado seguindo o procedimento descrito em


Potyondy & Cundall (2004). Devido às macro-propriedades serem altamente
dependentes do tamanho das partículas, os testes biaxiais foram realizados com
partículas de tamanho correspondentes às partículas constituintes do modelo da
escala da mina (Gilbride, 2005). Realizaram-se vários testes numéricos biaxiais e
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brasileiros (Figura 4.1) em um modelo de 80m de largura por 160m de altura. Os


testes biaxiais realizaram-se com confinamento de até 25 MPa. As micro-
propriedades obtidas do modelo estão descritas na Tabela 4.3 e as macro-
propriedades resultantes estão descritas na Tabela 4.4. A massa específica da
partícula indicada na Tabela 4.3 foi ajustada de 2700 kg/m3 a 3300 kg/m3, pois
considerou-se que a tensão vertical gravitacional é reduzida pela porosidade
inerente no arranjo de partículas (Wang et al, 2003).

Figura 4.1 – Esquematização das condições de contorno e amostras dos ensaios biaxial e Brasileiro
(modificado de Itasca, 2008)
Capitulo 4. Modelagem Numérica 50

4.2.1.1.
Geração da amostra e obtenção de macro-propriedades

Uma amostra retangular foi construída para simular os ensaios biaxiais. No


PFC2D uma amostra pode ser definida como um arranjo de partículas que
interagem entre elas através dos seus contatos. Como dito anteriormente, o
comportamento global deste arranjo depende das micro-propriedades das
partículas e, dos contatos formados entre elas. Os micro-parâmetros utilizados
nesta primeira parte, para reproduzir os diferentes fenômenos em estudo são
mostrados na Tabela 4.3. De forma análoga à obtenção das propriedades de
resistência e deformabilidade de uma rocha, mediante ensaios de laboratório, a
obtenção dos macro-parâmetros de um arranjo de partículas (que são estas
propriedades de resistência e deformabilidade) são determinadas mediante
simulações destes ensaios.
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O programa PFC2D permite simular tais ensaios biaxiais e brasileiros, pela


adaptação e uso da sua linguagem de programação FISH, facilitando desta forma,
a obtenção dos macro-parâmetros do arranjo. Três ensaios biaxiais foram
simulados (Figura 4.2), com micro-propriedades mostrados na Tabela 4.3 e,
utilizando diferentes valores de confinamento (0.1 MPa, 10.0 MPa e 25.0 MPa).

Tabela 4.3 - Micro-parâmetros utilizados na simulação

Símbolo Descrição Valor Unidade

Rmin Raio mínimo da partícula 0.90 m


Rmax Raio máximo da partícula 1.30 m
ρ Massa específica da partícula 3300 Kg/.m-3
Ec Módulo de elasticidade para o contato partícula- 22 GPa
partícula
kn/ks Relação de rigidez entre partículas 2.5
µc Coeficiente de atrito - contato da partícula 0.5
Ec Módulo de Elasticidade da ligação paralela 22 GPa
k n/ k s Relação de rigidez da ligação paralela 2.5
σ c Resist. da ligação paralela normal 12 MPa
τ c Resist. da ligação paralela cisalhante 12 MPa
λ Raio da ligação paralela 0.85

Para poder observar a ruptura do material são visualizadas as ligações


existentes nos contatos das partículas do arranjo, mostrada na Figura 4.2.
Capitulo 4. Modelagem Numérica 51

Amostra original Ensaios biaxiais

Visualização das ligações de


contato (parallel bonds) entre as
partículas no final do ensaio
biaxial.

σ3=0.1MPa
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Visualização das ligações de


contato (parallel bonds) entre as
partículas no final do ensaio
biaxial.

σ3=10.0MPa

Visualização das ligações de


contato (parallel bonds) entre as
partículas no final do ensaio
biaxial.

σ3=25.0MPa

Figura 4.2 - Ruptura do material em ensaio biaxial.


Capitulo 4. Modelagem Numérica 52

A ruptura do material pode ser correlacionado com a ruptura destas ligações,


formadas quando é aplicada uma força. Quando um contato rompe, as partículas
que o formaram ficam livres e deslizam umas em relação às outras, dependendo
apenas da força gerada pelo atrito entre elas. Desta forma, a facilidade de
deslizamento destas partículas sem ligação no contato, faz com que a deformação
dos contatos próximos seja maior, podendo romper progressivamente, gerando-se
uma zona de ruptura. Estas zonas de ruptura de ligação nos contatos são
visualizadas na Figura 4.2.
Cada ensaio biaxial tem a sua curva tensão-deformação a partir do qual é
possível calcular o valor do módulo de deformação e o valor da resistência de
pico. Com estas informações é possível determinar a parâmetros de resistência de
Mohr-Coulomb, coesão (c) e o ângulo de atrito (φ) do material. A Figura 4.3
mostra as envoltórias de resistência obtidas considerando o critério de ruptura de
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Mohr-Coulomb, que descreve uma envoltória linear. Os macro-parâmetros


correspondentes ao arranjo inicial de partículas foram obtidos, como mostrados na
Tabela 4.4, sendo estes, parâmetros do material a ser modelado. Se estes macro-
parâmetros não são representativos deste material, os micro-parâmetros têm que
ser modificados até obter um modelo numérico mais próximo do material
procurado.

Figura 4.3 - Envoltória de valores de resistência de pico (Dados obtidos de ensaios biaxiais
simulados em PFC2D)
Capitulo 4. Modelagem Numérica 53

Tabela 4.4 - Macro-parâmetros obtidos de simulações de ensaios biaxiais e brasileiros

Símbolo Descrição Valor Unidade


UCS Resist. à compressão uniaxial 12 MPa
T Resist. à tração 2.2 MPa
E Módulo de elasticidade 25 GPa
c Coesão 4.2 MPa
φ Ângulo de atrito 35 °
ѵ Coeficiente de Poisson 0.225

4.3.
Modelagem numérica do SLC

4.3.1.
Construção do modelo

Um arranjo de partículas em uma caixa retangular, de dimensões 1300m de


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largura x 700 m de altura foi gerado (Figura 4.4) com as micro-propriedades


calibradas da (Tabela 4.3); caracterizou-se o depósito de minério e seus
correspondentes 2 encaixantes como estratificações regulares com camadas de
distintas espessuras ( hangingwall- minério- footwall). Afastado da zona de
análise, duas regiões com tamanho de partículas maiores foram criadas para
reduzir o número de partículas a 86603 antes da escavação da cava a céu aberto.

Figura 4.4 - Geometria geral - modelagem SLC.

Quando o arranjo atingiu o equilíbrio, uma porosidade de 0,16 foi obtida, a


massa específica da partícula foi ajustada para induzir a tensão vertical in situ.
Capitulo 4. Modelagem Numérica 54

Logo, as propriedades do cimento (parallel bond) do maciço rochoso foram


adicionadas. A cava a céu aberto foi escavada em 10 etapas, permitindo desta
forma, extrair o material por níveis (Figura 4.5), na qual cada etapa tinha que
atingir o equilíbrio previamente.

Figura 4.5 - Representação da escavação da cava a Céu Aberto, no modelo, feita em 10 etapas.

Quando a cava a céu aberto foi concluída procedeu-se a aterrar a cava com um
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material estéril chamado de Backfill (Figura 4.6). O Backfill consiste em blocos de


rocha de tamanho uniforme em torno de 20 a 30 cm. O Backfill não apresenta as
propriedades cimentantes do maciço rochoso, só apresenta comportamento
granular. Foi adotada essa característica para o modelo. No entanto, para evitar
uma quantidade excessiva de partículas no modelo, um raio médio da partícula de
1.2 m foi usado. Para a escavação subterrânea dos subníveis, o tamanho da galeria
foi reduzido para 10 m, simplificando, desta forma, o problema de estudo.
O preenchimento com o estéril da mina (backfill) auxilia na estabilidade do
processo de sequenciamento na extração do minério em uma operação SLC,
agindo como fator limitador das deformações no hangingwall e footwall da mina.

Figura 4.6 - Representação do enchimento do Backfill (estéril) no modelo

A subsidência decorrente da sequência de mineração foi medida no modelo


em 6 pontos de monitoramento (6 partículas localizadas na superfície simulando
uma linha de controle ou estações localizadas a cada 50 m).
Capitulo 4. Modelagem Numérica 55

Extração
Prosseguindo com a modelagem, executa-se o primeiro subnível de altura
10 m na extensão que a espessura do minério permitir (80m). Os subníveis estarão
espaçados 30 m cada. Em seguida do primeiro subnível realiza-se uma chaminé
para gerar uma face livre (Figura 4.7). A rocha entre estes dois cortes é removida
eliminando partículas dessa área, os subníveis serão feitos de paredes para
começar o sequenciamento do processo do SLC.
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Figura 4.7 - Geração da chaminé no primeiro Subnível (SN1).

Numa operação real SLC, é preciso lembrar que o primeiro leque localizado
sempre em uma extremidade, se iniciará por meio de explosões. Deve ser deixado
sempre um espaço de face livre anterior ao primeiro leque para simular a face
livre, isso acontecerá em cada um dos subníveis. Essas explosões serão efetuadas
sucessivamente à medida que os leques vão se extraindo. Estas considerações
serão levadas em conta para uma modelagem com PFC2D mais realista.
Efetua-se então uma terceira etapa na modelagem da extração do minério
que é a de simular a geração do primeiro leque a ser desmontado por explosão.
Numa operação SLC os leques são explodidos em retirada até atingir o limite final
do minério, isso quando o primeiro subnível estiver terminado. Para simular o
efeito de explosão no primeiro leque, eliminaram-se os cimentos (parallel bond)
entre as partículas que o conformam, isso com o objetivo de simular o efeito
granular. Segundo Da Silva (2005), o fator mais importante na aplicação do
método SLC é a existência do fluxo de material fragmentado de granulometria
grosseira. O efeito de fragmentar o minério apagando os parallel bond nos leques
é para permitir um fluxo por gravidade. Na modelagem, o minério será forçado a
descer, pela ação da gravidade, para o interior da galeria.
Capitulo 4. Modelagem Numérica 56

Figura 4.8 - Sequenciamento da mina no modelo, a cor cinza representa o minério explodido. Para
gerar o efeito granular se eliminaram os parallel bond (cimento) para gerar o fluxo.

Ao ocorrer o fluxo das partículas por gravidade do primeiro leque, se poderá


simular a extração do minério. O processo de extração do minério é conseguido
pelo caimento gravitacional do fluxo das partículas para o interior da galeria,
sendo que as partículas que caem numa determinada zona embaixo do mesmo
leque são eliminadas, e o fluxo das partículas é quantificado e verificado até
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atingir a extração do volume envolvido no primeiro leque, que permitirá passar ao


segundo leque e assim por diante (Figura 4.8).
Ao se atingir um número específico de leques no primeiro subnível se ativa
automaticamente o segundo subnível de modo a simular o sequenciamento real no
SLC. Dessa forma serão ativados subníveis mais profundos e seus
correspondentes leques, um a um, em um processo sistemático e sequenciado. Os
diversos subníveis poderão avançar defasadamente, Figura 4.9.

Figura 4.9 - Processo sistemático e sequenciado no modelo.

Simular os sequenciamentos dos avanços de extração de minério por


diferentes subníveis foi uma tarefa complexa. Fizeram-se implementações de
rotinas de programação específicas e ordenadas no programa PFC2D em sua
linguagem FISH para simular esses processos de modo de simular da melhor
forma possível a extração sequenciada do SLC.
Capitulo 4. Modelagem Numérica 57

4.4.
Resultados do Modelo Numérico

A configuração inicial da mina (Figura 4.10) foi desenvolvida com as


características mencionadas na seção anterior, onde o maciço rochoso (material
cimentado) é conformado por três regiões, isto é, o Hangingwall, o minério e o
footwall, sendo que o material de preenchimento (Backfill) é essencialmente
granular.
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Figura 4.10 - Configuração inicial adotada para o início da sequencia SLC.

A evolução explícita do fraturamento do maciço rochoso nas etapas de


extração do minério por subníveis está ilustrada a partir da Figura 4.11 à Figura
4.22, onde o processo evolutivo da extração do minério (por subníveis) e o dano
induzido ao maciço rochoso decorrente deste processo podem ser verificados. A
sequência das ilustrações mostra um mecanismo de formação de superfície de
subsidência progressiva. Da Figura 4.11 à Figura 4.22 evidencia-se que o minério
é gradualmente substituído pelo material estéril (backfill) proveniente da cava a
céu aberto e/ou pelo material que vão se fraturando do hangingwall. O material
proveniente do hangingwall sofre ruptura de seus enlaces pela perda do cimento
(parallel bond), enquanto progride a extração, a perda dos parallel bonds deve-se
à existência de uma zona de alívio de tensões no limite de extração para cada
subnível. Com o transcorrer do tempo, a redistribuição das tensões devido à
remoção do material resulta em um desconfinamento do maciço rochoso
propiciando o fraturamento e consequentemente, o abatimento do hangingwall,
este fenômeno acontece de forma gradual.
Capitulo 4. Modelagem Numérica 58

SN1
O minério é gradualmente
substituído pelo material
estéril, não se observa
zonas de fraturamento no
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hangingwall, só fluxo de
massa do Backfill (material
granular ) tentando ocupar
o espaço deixado pela
extração dos primeiros
leques.

Campo de deslocamentos
das partículas individuais
mostrando o fluxo de
massa inicial do backfill e
o primeiro leque
explodido

Figura 4.11 - Etapa de extração do Subnível 1 (SN1)


Capitulo 4. Modelagem Numérica 59

SN2
O minério é gradualmente
substituído pelo material
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estéril (Backfill), se
observa preenchimento do
material estéril granular
(Backfill) como fluxo de
massa.

Campo de deslocamentos
das partículas individuais
mostrando o fluxo
de massa

Figura 4.12 - Etapa de extração do Subnível 2 (SN2)


Capitulo 4. Modelagem Numérica 60

Campo de deslocamentos
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das partículas individuais


mostrando o fluxo de massa

Figura 4.13 - Etapa de extração do Subnível 3 (SN3). O minério é gradualmente substituído pelo
material granular estéril (Backfill) e a rocha proveniente do hangingwall (capa), vai sendo
fraturada pelo enfraquecimento das zonas adjacentes á frente de extração no Subnível 3.
PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0921919/CA Capitulo 4. Modelagem Numérica 61

Campo de deslocamentos
das partículas individuais
mostrando o fluxo de massa

Figura 4.14 - Etapa de extração do Subnível 4 (SN4)


PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0921919/CA Capitulo 4. Modelagem Numérica 62

Campo de deslocamentos
das partículas individuais
mostrando o fluxo de massa

Figura 4.15 - Etapa de extração do Subnível 5 (SN5). O minério é gradualmente substituído pelo
material granular estéril (Backfill) e a rocha proveniente do hangingwall (capa), vai sendo
fraturada pelo enfraquecimento das zonas adjacentes á frente de extração no Subnível 5, observa-
se formação de um alinhamento preferencial de falha.
Capitulo 4. Modelagem Numérica 63

.
Campo de deslocamentos
das partículas individuais
mostrando o fluxo de massa
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Figura 4.16 - Etapa de extração do Subnível 6 (SN6)


Capitulo 4. Modelagem Numérica 64

Campo de deslocamentos
das partículas individuais
mostrando o fluxo de massa
do maciço rochoso abatido
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Figura 4.17 - Etapa de extração do Subnível 7 (SN7)

O desconfinamento e a contínua extração do minério induz fraturamento no


maciço rochoso do hangingwall criando condições cinemáticas favoráveis para o
desprendimento de blocos de maciço rochoso. O fraturamento da rocha na região
adjacente às zonas de extração contribui de forma acentuada para a rápida
progressão do fenômeno como se pode evidenciar da Figura 4.11 a Figura 4.22
Capitulo 4. Modelagem Numérica 65

Campo de deslocamentos das partículas individuais


mostrando o fluxo de massa do maciço rochoso abatido
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Figura 4.18 - Etapa de extração do Subnível 8 (SN8)

As cargas excedentes vão sendo transferidas para regiões de rocha que não
foram carregadas e mantiveram o material cimentante intacto. Esta ligação
(paralell bond) vai se perdendo à medida que a extração vai avançando. Neste
contexto, um alinhamento característico de ruptura e um avanço da abatibilidade à
medida que a exploração vai se aprofundando pode ser observado (essas feições
podem ser apreciadas principalmente nas Figura 4.20). A partir deste ponto,
observa-se o limite extremo deste segmento de fraqueza, o qual se manifesta na
superfície e vai progredindo em tamanho à medida que a extração do minério vai
se aprofundando.
PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0921919/CA Capitulo 4. Modelagem Numérica 66

Figura 4.19 - Etapa de extração do Subnível 9 (SN9)


PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0921919/CA Capitulo 4. Modelagem Numérica 67

Figura 4.20 - Etapa de extração do Subnível 10 (SN10)


PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0921919/CA Capitulo 4. Modelagem Numérica 68

Figura 4.21 - Etapa de extração do Subnível 11 (SN11)


PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0921919/CA Capitulo 4. Modelagem Numérica 69

Figura 4.22 - Etapa de extração do Subnível 12 (SN12)

Os resultados da modelagem são apresentados nas Figura 4.17 e Figura


4.18. Estas figuras delineiam as deformações induzidas pela abatibilidade
(subsidência) do hangingwall decorrentes do processo de extração do minério. Do
mesmo modo é evidenciado que existe um alinhamento preferencial do avanço da
abatibilidade. Estes resultados corroboram as observações de campo. Como
mostrado na Figura 4.22, esta superfície de fraqueza acompanha os avanços da
extração dos diferentes subníveis.
Capitulo 4. Modelagem Numérica 70

4.5.
Discussão sobre superfície de subsidência

A subsidência superficial é gerada, principalmente, pelo alívio de tensões no


hangingwall, e em menor medida, no footwall. Esta ocorrência é devida à natureza
dinâmica do processo de extração sequenciada nos correspondentes subníveis.
A Figura 4.23 ilustra a condição inicial e final da modelagem, mostrando
claramente a ocorrência da subsidência na modelagem. Na Figura 4.24 são
ilustradas as deformações verticais associada aos 6 pontos de monitoramento
(espaçados cada 50m) estabelecidos no modelo para a medição dos deslocamento
verticais (superfície de subsidência) e deslocamentos verticais na face do talude.
O maior deslocamento vertical de 9,2 m foi obtido no ponto de monitoramento 1.
Os deslocamentos sucessivos dos pontos de monitoramento 2, 3 ,4 ,5 y 6 foram
8.5 m; 7.9 m; 6.4 m; 3.5 m e 2.5 m respectivamente.
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Figura 4.23 - Perfis característicos da condição inicial e final da modelagem (superfície de


subsidência).

Figura 4.24 - Deslocamento verticais dos pontos de monitoramento (evolução da superfície de


subsidência) e deslocamentos verticais na face do talude.
Capitulo 4. Modelagem Numérica 71

Para avaliar os resultados nos pontos de monitoramento foram comparados


os valores de deslocamento vertical obtidos na modelagem com os dados obtidos
a partir da Instrumentação na mina Kiruna na estação T5 referido nos estudos da
subsidência na mina Kiruna de Villegas & Nordlund (2012).
Villegas & Nordlund (2012) abordaram análises de diversos pontos de
monitoramento de superfície, a partir do ano de 1996 e terminando no ano de
2009. A estação T5 para a comparação foi escolhida devido a sua localização
estratégica acima da mina Kiruna (cerca de 150 m de distância horizontal da área
de Caving) e apresentar as taxas mais elevadas de extração e propriedades das
rochas similares aos da modelagem. O gráfico na Figura 4.25 (Villegas, 2009)
mostra uma curva, mostrando o deslocamento na direção Z (profundidade) para a
estação T5. Esta estação T5 mostra quase 8m de deslocamento vertical
acumulado.
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Figura 4.25 - Tempo vs deslocamento acumulado vertical para estação T5 na mina Kiruna.

Se comparamos este valor com o ponto de monitoramento 3 da modelagem


(150 m de distância horizontal da área de Caving), observa-se uma boa
consistência entre os dois. A expressão de superfície de subsidência deste modelo
mostra semelhanças com a subsidência real.
Os resultados são comparáveis com os valores obtidos por medições in situ
dos puntos de monitoramento reais em diferentes locais da mina Kiruna.
Capitulo 4. Modelagem Numérica 72

Conforme o mencionado no item 4.3.1, o procedimento de eliminação das


partículas usado para simular o processo de extração foi quantificado. Esse
recurso se processa eliminando as partículas cujos centros de gravidade caem
dentro da zona de extração. O somatório das áreas 2-D daquelas partículas
extraídas constitui o volume relatado (m3/m).
Como uma abordagem da evolução da subsidência do hangingwall, em
função do volume extraído, a Figura 4.26 mostra a relação dos resultados de
deslocamentos resultantes nos pontos de monitoramento como os volumes de
rocha extraídos.
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Deslocamento vertical (m)

Figura 4.26 – Relação entre os deslocamentos verticais e o volume de rocha extraído segundo a
evolução da subsidência do hangingwall.
5
Conclusões e Sugestões

De acordo com a revisão da literatura apresentada neste trabalho, as análises


existentes consideram apenas configurações parciais do processo SLC, sem
considerar o processo evolutivo da extração do minério e o dano induzido ao
maciço rochoso decorrente deste processo. Esse trabalho analisa o referido efeito
e suas consequências na evolução do mecanismo de ruptura e subsidência no
maciço rochoso devido à implementação da técnica SLC.
Nesta dissertação é proposto, principalmente, um modelo de previsão do
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mecanismo de ruptura e subsidência causada pelo método de exploração SLC com


a ajuda do método dos elementos discretos implementado no programa comercial
PFC2D. Os resultados das análises foram apresentados e discutidos previamente,
sendo que, algumas conclusões importantes estão sendo apontadas a seguir.

5.1.
Conclusões

Os resultados obtidos nesse estudo mostraram-se satisfatórios desde que


conseguiu-se reproduzir adequadamente a superfície de subsidência induzida por
SLC. Conseguindo-se uma simulação física realista da sua evolução desde o início
do fraturamento até a subsidência final.
Simular a complexidade dos processos envolvidos no método de mineração
SLC no programa PFC2D, que vincula diferentes sequenciamentos dos avanços
de extração de minério por diferentes subníveis, não foi uma tarefa fácil. Este
processo demanda a implementação de rotinas de programação específicas e
elaboradas para a verificação das respostas, bem como de ferramentas
computacionais sofisticadas, como as que o PFC2D dispõe na sua linguagem
FISH. Devido a esta disposição numérica, o objetivo desta dissertação foi
atingido, simulando esse sequenciamento por meio de rotinas em FISH. Assim
sendo, a partir dos resultados numéricos foi demonstrado que no processo de SLC
Capitulo 5. Conclusões e Sugestões 74

o fenômeno de fraturamento e subsidência estão associados aos impactos do


desequilíbrio decorrentes do avanço da extração.
Na modelagem no PFC2D do SLC o maciço rochoso é representado como
um conjunto cimentado de partículas rígidas. A deformação elástica do maciço
rochoso é controlada pelas propriedades elásticas do material cimentante. Em um
evento de excesso de tensão, a ruptura do material cimentante ocorre e o
fraturamento do maciço rochoso e sua desintegração são simulados. Desta forma,
podem ser desencadeados o fluxo do material e os deslocamentos em grande
escala. Essa capacidade faz do PFC2D uma ferramenta ideal para simular a
mecânica do SLC e a subsidência associada a este método de mineração. Esse
recurso oferece um enorme potencial para avançar a precisão preditiva nos
processos SLC.
Compreender o comportamento mecânico do maciço rochoso no âmbito do
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método SLC é fundamental para a geomecânica de mineração. Estudos


tradicionais baseados nos modelos numéricos contínuos são dificultados pelas
inadequadas relações constitutivas que regem a iniciação da fratura e crescimento.
Para superar os limites associados aos modelos contínuos, nesta dissertação,
utilizamos um modelo discreto baseado no PFC2D, com base em leis
fundamentais da física de contato para calibrar testes biaxiais e de ensaios
brasileiros. Resultados de simulações de ensaios de compressão biaxial indicam
que a física básica de comportamento maciço rochoso é capturada para a execução
da modelagem a grande escala de SLC.
A principal limitação dos modelos atuais vinculados ao método SLC é que
eles têm dados limitados e uma fraca compreensão dos processos envolvidos.
Felizmente modelagens numéricas tendem a aumentar o nível de compreensão dos
processos associados, como o caso do fraturamento e da subsidência pelo SLC,
por serem mais flexíveis e avançados. Uma modelagem do SLC requer que o
modelo tenha a capacidade de simular o dano que se acumula na sequência do
processo progressivo da extração do minério. Nesta dissertação, este processo
completo do mecanismo de falha progressiva e subsidência no SLC foi modelado;
cujos resultados mostraram-se coerentes com os verificados no campo.
O desconfinamento e a contínua extração do minério induz fraturamento no
maciço rochoso do hangingwall criando condições cinemáticas favoráveis para o
desprendimento de blocos de maciço rochoso. O fraturamento da rocha na região
Capitulo 5. Conclusões e Sugestões 75

adjacente às zonas de extração contribui de forma acentuada para a rápida


progressão do fenômeno. As cargas excedentes vão sendo transferidas para as
porções de rocha, sem alterar no interior do maciço rochoso gerando um
alinhamento característico de ruptura o avanço da abatibilidade à medida que
aprofunda a exploração. Essas feições podem ser apreciadas durante a evolução
do modelo e ela vai progredindo em tamanho segundo a extração do minério vai
aprofundando.

5.2.
Sugestões

Até hoje, o entendimento do processo SLC não é completamente claro,


apesar do desenvolvimento de modelos conceituais e modelos numéricos
combinados com medições de deformação do solo ou medições de atividade
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sísmica induzida. É, portanto, recomendado dar continuidade no avanço na


identificação e compreensão das variáveis críticas que controlam o processo de
SLC, com a ajuda de ferramentas disponíveis, tal como o PFC2D, dentre outros
programas de elementos discretos.
É necessário estudar a resposta de estruturas geológicas de grande escala e
seus efeitos sobre o maciço rochoso hangingwall (rocha encaixante superior).
Análises de elementos discretos são necessários para uma melhor compreensão da
influência das estruturas geológicas de grande escala neste tipo de aplicações.
Mais pesquisas devem ser centradas na calibração dos parâmetros físicos da
rocha encaixante hangingwall incluindo sistemas de juntas e também sobre uma
tentativa de incluir os efeitos em 3D.
Dentre dos principais desafios deste trabalho enfrentados no seu
desenvolvimento está o grande tempo de processamento demandado nas inúmeras
simulações. A modelagem deste tipo de aplicações pelo método dos elementos
discretos exige uma elevada capacidade de processamento e requer de software
com a opção de processamento paralelo, principalmente, o qual é altamente
recomendável.
Existe a possibilidade de simular um modelo em que se conjugam zonas de
meio contínuo com zonas de meio descontínuo. Atendendo aos objetivos deste
trabalho, as regiões mais afastadas do minério poderão ser consideradas como um
Capitulo 5. Conclusões e Sugestões 76

meio contínuo enquanto que a rocha encaixante superior e o minério podem ser
considerados como um meio descontínuo. Em analogia com o processamento
paralelo, o meio contínuo poderá ser simulado no FLAC2D e o descontínuo no
PFC2D, os quais têm a mesma linguagem de programação FISH, podendo
processar em simultâneo, recebendo e enviando informação para processamento
de um modelo “híbrido”.
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Apêndice – Funcionamento Qualitativo PFC2D

A.1. Lei de força-deslocamento


A força de contato partícula-partícula e partícula-parede ocorre só num
ponto, que usa a abordagem de discos macios. Para o contato partícula-partícula,
uma força adicional e momento proveniente da deformação do material
cimentante representada por uma ligação paralela (parallel bond) também pode
atuar em cada partícula (Fig. A-1). Esta secção só descreve o cálculo da força de
contato proveniente do contato num ponto; o cálculo de ligação paralela (parallel-
bond) é referido em A.3. Modelos de cimentação.
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A lei de força-deslocamento opera em um contato e pode ser descrita em


termos do ponto de contato,  , sobre um plano de contato e definida por um


vetor unitário normal,  . Para o contato partícula-partícula (Fig. 3-1a), o vetor


normal é dirigido ao longo da linha entre os centros das partículas, para o contato
partícula-parede (Fig. 3-1b), o vetor normal é dirigido ao longo da linha que
define a distância mais curta entre o centro da partícula e a parede.

A sobreposição   indica o deslocamento relativo de contato na direção


normal é dada por:

  +  − , (í − í)


  = (A. 1)
 − , (í − )
Em que # é o raio da partícula φ.

A localização do ponto de contato é dada por

1

+ %   −   '  , (í − í)
 



=$ 2 (A. 2)
1
 + %  −   '  , (í − )

2
82

O vetor da força de contato ( pode ser decomposto em duas direções, um vetor


normal e um componente cisalhante com relação ao plano de contato como:

( = ( + () (A. 3)

Em que ( e () denotam o componente do vetor normal e cisalhante,


respetivamente.
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Figura A-1. Comportamento da forca-deslocamento do sistema de grão - cimento (modificado de


Itasca ,2008).

O vetor normal da força de contato é calculado por:

( = +     (A. 4)

Em que +  é a rigidez normal [força / deslocamento] no contato.


O movimento relativo do contato, ou a velocidade de contato Vi (que é definido
como a velocidade da partícula B em relação à partícula A, no ponto de contato
para o contato partícula-partícula, e é definida como a velocidade da parede em
relação à partícula no ponto de contato para o contato partícula-parede) é dada
por:

V. = /x1 . 2 − /x1 . 2
 
34 35
83

= 6x1 . + e.:; ω: /x; − x; 2= − 6x1 . + e.:;ω: /x; − x; 2= (A. 5)


7348 7348  7348 7358 7358  73 58

A velocidade de contato é resolvida em componentes normais e cisalhantes com


relação ao plano de contato. Estes componentes são designados por ? e ?) para
as componentes normais e de cisalhamento respectivamente, o componente
cisalhante da velocidade de contato pode ser escrita como:
?) = ? − ?
= ? − ?@ @  − ? (A. 6)

O componente cisalhante do incremento do deslocamento cisalhante que ocorre


num intervalo do tempo, ∆t (timestep), é calculado como:
Δ) = ?) Δ (A. 7)
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e é usada para calcular o incrememto de força elástica cisalhante


Δ() = −D ) ) (A. 8)

em que D ) é denotado como a rigidez ao cisalhamento no contato


(forca/deslocamento). A nova força de contato cisalhante é encontrada integrando
o antigo vetor de força cisalhante existente no início do instante temporal
(timestep) com o componente cisalhante do incremento da força cisalhante como:

() FG = H() IJKL + Δ() ≤ N . ( (A. 9)

A nova força cisalhante de contato não deve ser maior do que a resistência de
contato de cisalhante que é designado como N. ( e µ é o coeficiente de fricção no
contato.
As forças normal e cisalhante do contato são determinadas pela fórmula (A.4) e
(A.8), e adicionados à força e momento resultante existente das duas partículas em
contato.

A.2. Lei do movimento


O movimento de uma partícula rígida é determinado pela força resultante e os
vetores momento agindo sobre ele, e pode ser expressa em termos do movimento
84

de translação e o movimento de rotação da partícula. O movimento de translação


do centro de massa é descrito pela sua posição,  , velocidade P1 e aceleração, PQ ,
o movimento de rotação das partículas é apresentado em termos da sua velocidade
angular, R e aceleração angular, R1 P .
A equação para o movimento de translação é calculada sob a forma do vetor:

( = S (QP − T ) (SUVWSU  XçãU) (A. 10)

Em que Fi é a força resultante, m é a massa total da partícula e T indica o vetor


de aceleração da força do corpo (por exemplo, a gravidade).
Para uma partícula esférica de raio R, a equação para o movimento de rotação
pode ser escrito como:

2
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\ = ]RP1 = % S ^ ' (SUVWSU  UçãU) (A. 11)


5

As equações de movimento de translação (A.9) e movimento de rotação (A.10)


são integradas usando um procedimento de diferenças finitas centradas
envolvendo um intervalo de tempo (timestep).

A.3. Modelos de cimentação


Os modelos de contato no PFC2D permitem que as partículas sejam ligadas
umas às outras nos pontos de contato, criando assim uma espécie de cimentação.
Dois modelos de contato estão disponíveis no programa, os quais podem ser
vistos como uma cola nos pontos de contato de uma seção transversal circular. O
modelo de conexões por contato (contact bonds) somente transmite forças entre
partículas, enquanto que no modelo de conexões paralelas (parallel bonds) pode
ser transmitido também momento.
A força total e o momento associado com a ligação paralela são denotados
por (_ e \
` , com a convenção de que esta força e momento representam a ação de
ligação sobre a esfera B da Figura A-2. Cada um destes vetores pode ser formado
pelos componentes normal e cisalhante com relação ao plano de contato como:

(_ = (_ + (_)


85

` = \
\ ` + \
`) (A. 12)
Em que (_ , \
` e (_) , \
`) são os componentes dos vetores normal e de
cisalhamento, respectivamente.

(_ e \
` são inicializados a 0 quando a ligação é formada. Cada subsequente
deslocamento relativo e incremento de rotação no contato resulta em um
incremento da força elástica e momento que é adicionado com os valores atuais. O
incremento da forca elástica ocorrendo ao longo de um instante temporal de ∆t é
calculado por:

Δ(_ = a−D_  bΔ  c


Δ(_) = −D_ ) bΔ) (A. 13)
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com Δ = ? Δ
e os incrementos de momento por:
` = a−D_ ) dΔe  c
Δ\
`) = −D_  ]Δe) (A. 14)
Δ\

Com Δe = aRf − R g cΔ


Sendo a velocidade do contato ? dada pela equação (A.5),
b é a área do disco de ligação, d o momento polar de inércia do disco de seção
transversal, e I é o momento de inércia do disco de secção transversal em
referencia ao eixo que passa pelo ponto de contato e na direção de Δe)
b = h _^
1 i
d = h _ (A. 15)
2

A resistência máxima de tensão e máxima resistência cisalhante agindo sobre a


ligação pode ser calculada como:
−(_  \ `)
jklm = + _
b ]
|(_) | |\` |
nklm = + _ (A. 16)
b d
86

Em que b, ], d são definidos pela equação (A.15). Se a resistência máxima de


tensão do cimento (ligação paralela) excede a resistência normal (jklm ≥ j_q ), ou
a resistência máxima de cisalhamento da ligação paralela excede a resistência de
cisalhamento (nklm ≥ n̅q ), então a ligação paralela rompe.
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Figura A-2. Ligação paralela (Parallel bond) apresentado como um cilindro de material
cimentável (Modificado de Itasca ,2008).