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Sistemas Elétricos de Potência

2018/2

Prof. Daniel Guedes Pechir


1. Estudo de curto-circuito
1.1 OBJETIVO
Calcular tensões e correntes no sistema de potência numa situação de
falta.
O conhecimento das correntes de curto-circuito atende a diversos
objetivos importantes no SEP, sejam eles:
➢ Conhecimento da grandeza do seu valor;
➢ Efetuar a coordenação de relés;
➢ Dimensionamento dos disjuntores;
➢ Dimensionamento da LT em relação à sua capacidade térmica;
➢ Analisar as sobretensões na frequência industrial.

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1.2 CAUSAS DAS FALTAS NA REDE ELÉTRICA
1.2.1 – Problemas de isolação
Tensões muito elevadas nos condutores, consequentemente pode
ocorrer ruptura para terra ou entre cabos.
1.2.2 – Problemas mecânicos
Originados por efeitos da natureza e provocam ações mecânicas no
sistema como ventos, chuvas, neves, etc.
1.2.3 – Problemas elétricos
Aqueles intrínsecos da natureza ou devido à operação do sistema. Ex.:
surtos atmosféricos de origem direta ou indireta, surto de manobra
(chaveamento) , sobretensão no sistema, etc.
1.2.4 – Problemas de natureza térmica
Ex.:sobrecorrentes, sobretensões, desequilíbrio da rede.

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1.3 OCORRÊNCIA DE DEFEITOS NO SISTEMA ELÉTRICO
A tabela 1 apresenta uma idéia da ocorrência de curto-circuito no sistema,
ou seja, geração, subestação e transmissão.

Setor do Sistema elétrico Curto-circuito (%)


Geração 6
Subestação 5
Linha de Transmissão 89
Tabela 1: Ocorrência de curto-circuito no sistema elétrico [1]
O setor mais vulnerável à falha é a linha de transmissão. Isso se deve ao fato
da LT percorrer grandes extensões, passando por diversos lugares, com
terrenos e clima distintos.

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1.3.1 OCORRÊNCIA DOS TIPOS DE FALTA NO SISTEMA ELÉTRICO
Pela própria natureza física dos tipos de curto-circuitos, o trifásico é o mais
raro. Ao passo que, o curto monofásico é o mais comum no sistema elétrico.

Tipos de curto-circuito Ocorrência (%)


3F 6
2F 15
2FT 16
FT 63
Tabela 2: Ocorrência dos tipos de curto-circuito no sistema elétrico [1]

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2. Cálculo de Faltas
2.1 Representação do ponto de falta “F”

Fig. 1: Circuitos sequenciais de Thevenin vistos de barra de falta F

São válidas as seguintes expressões para estes três circuitos sequenciais


equivalentes:
No caso de redes trifásicas, determina-se (+) Va1 = VF0 - Z1.Ia1;
os circuitos sequenciais equivalentes de (-) Va2 = - Z2.Ia2 ; (1)
Thevenin vistos da barra de falta F para as (0) Va0 = - Z0.Ia0 ;
três sequências, positiva, negativa e zero.
O leitor pode reparar na fig.1 que apenas o circuito equivalente de
seq.positiva possui uma tensão equivalente de Thevenin. Isto decorre do
fato de se admitir que o sistema elétrico de potência está em RPS
equilibrado com tensões e correntes simétricas de sequencia positiva de
fases antes do aparecimento da falta. 6
2.2 Tipos de ligação e diagrama de sequencia zero para trados
trifásicos
A tabela a seguir mostra os circuitos equivalentes de sequência zero para
os seis possíveis tipos de combinações de ligações estrela-triângulo em
trafos de potência, quando representados apenas pela sua reatância de
dispersão em pu.

Tabela 3: Tipos de ligação e diagrama de sequencia zero trafos trifásicos


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3. Ligação dos circuitos equivalentes sequenciais
3.1 – Curto-circuito monofásico (AT)
Condições de contorno no domínio das fases:
Ib = Ic = 0, Va=RF . Ia

Condição de contorno 1 em CS:

(2) (3)

Fig. 1: Circuitos sequenciais


de Thevenin vistos de barra Condição de contorno 2 em CS:
de falta F (4)

(5)

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3. Ligação dos circuitos equivalentes sequenciais
As equações (3) e (5) correspondem à ligação dos diagramas de
sequência em série, mostradas abaixo:
No diagrama, as correntes sequenciais vão valer
respectivamente:

(6)

As tensões de sequência na barra de falta vão valer:

(7)

As tensões e correntes em componentes de fase:

Fig. 2: Equivalentes de Thevenin (8)


para falta AT

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FALTA FASE-TERRA
Exemplo 1:

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11
12
FALTA FASE-TERRA
Exercício 1:
Um gerador trifásico, 25 MVA, 11 kV, x’’d = 20% alimenta dois motores
síncronos através de uma LT com trafos em seus terminais. As potências
dos motores são 15 e 7,5 MVA, 10 kV e x’’d = 25% conforme figura abaixo:

Para a rede de sequência (0) a reatância de sequencia (0) do gerador e dos


motores são iguais a j0,06 pu. Os reatores limitadores de corrente no
neutro do gerador e do motor tem o valor de 2,5 Ω. A reatância de
sequencia (0) da LT vale j0,494 pu. Pede-se:
a) Determinar os diagramas de sequencia positiva, negativa e zero. Para
o diagrama de sequencia negativa considerar os mesmos valores de x’’d
de seq.(+).

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FALTA FASE-TERRA
b) Desenhar o digrama equivalente de Thevenin para as 3
componentes de sequencia.
c) Calcular as correntes de falta no ponto indicado para uma falta fase-
terra e as respectivas contribuições do gerador e motores 1 e 2. Supor
tensão pré-falta de 10 kV.

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FALTA FASE-FASE
3.2 – Curto-circuito bifásico (BC)
A figura a seguir mostra o defeito a ser estudado:

Condições iniciais

Fig. 3: Falta bifásica BC

A primeira e a segunda condição de contorno, expressa em componentes


simétricas
Ou seja:
(10)
(9)

15
FALTA FASE-FASE
Expressando a quarta condição de contorno em componentes simétricas vem
que :
(10)

(11)

(12)

(13)

(14)
Fig. 4: Ligações dos circuitos sequenciais
Para uma falta fase-fase BC

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FALTA FASE-FASE
No diagrama, as correntes sequenciais vão valer respectivamente:

As tensões de sequência na barra de falta vão valer:

As tensões e correntes em componentes de fase:

As condições de contorno são:


A corrente de curto circuito na fase a é nula;
A corrente de curto-circuito na fase c é igual a menos a corrente de curto Ib;
A tensão de linha da barra da falta entre as fases b e c é dada pelas quedas
de tensão em Zf em cada um dos lados devidas à Ib e Ic

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FALTA FASE-FASE-TERRA
3.3 – Curto-circuito bifásico para a terra(BCT)
A figura a seguir mostra o defeito a ser estudado:

Condições iniciais

Fig. 5: Falta bifásica BC para a terra


A primeira e a segunda condição de contorno:
Ou seja
(15) (16)

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FALTA FASE-FASE-TERRA
Expressando ainda as tensões e correntes de fase em componentes
simétricas na segunda e terceira condições de contorno e substituindo as
expressões obtidas na equação (16),resulta que:

(17)

As equações (17) podem ser utilizadas para obter novamente a diferença


Vb ─ Vc. No entanto, em busca de uma relação entre as grandezas de
seqüência zero e uma outra seqüência, deve-se por exemplo multiplicar a
segunda das equações (17) por a2.

(18)

Em seguida efetua-se a diferença da primeira pela segunda, eliminando-se


os termos de sequência negativa, resultando em:
(19)

Esta equação e a segunda das equações (16) correspondem à ligação dos


diagramas de sequência positiva, negativa e zero em paralelo no ponto de
falta F, mostrado na figura a seguir.
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FALTA FASE-FASE-TERRA

Fig. 6: Ligação dos circuitos equivalente sequencias


De Thevenin

Onde:

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Curto-Circuito, 5ª edição, 2010 – Geraldo Kinderman;


2. Redes Elétricas no Domínio da Frequência, 1ª edição,
2015 – Clever Pereira;
3. Fundamentos de Sistema Elétrico de Potência 1ª edição,
2006 – Luiz Cera Zanetta Jr.;
4. Elementos de Análise de Sistemas de Potência, Willian D.
Stevenson Jr;
5. Energia Elétrica – Geração, Transmissão e Sistemas
Interligados – Pinto, Milton de Oliveira.

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