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Liberdade, do latim, libertas, substantivo feminino dicionarizado e consignado na

Enciclopédia Larousse (1995, p. 3582) como condição de um ser que está isento de
constrangimento, atuando consoantes as leis da natureza exercendo o direito de agir
conforme a sua própria determinação, desde que dentro dos limites da lei e sem
limitações extrínsecas e num estado tal de não dependência total de alguém, não se
encontrando detido ou em cativeiro usufruindo da ausência de condicionamento
restritivo. Quanto aqueles que se dedicaram a explicação filosófica do conceito
encontra-se Nietzsche (2009, p. 68), para quem, liberdade se condiciona ao exercício da
vontade, isenta de medos, rancores e preconceitos proclamada, por meio da ação
afirmativa e livre, imanada da consciência dos próprios limites individuais e em busca
do além de si mesmo. Em Schopenhauer (2002) temos que a liberdade é fruto da
consciência e da vontade tendo o indivíduo consciência da sua limitação e
incompletude, aceitando esta condição parcimoniosamente. Traduzindo o seu
entendimento de liberdade quanto àquela condição determinada ao ser humano de
querer apenas aquilo que se pode e não o inverso, Jean Paul Sartre (1997, p.111)
preconiza o homem como sendo a totalidade do que ainda não tem, e a busca do que
poderia ter.

Para que se possa identificar o principio da liberdade na institucionalização do idoso


deve-se, a priori, entender como este (o princípio) é entendido de maneira que se possa
exercê-lo. Tomando liberdade no seu sentido contemporâneo, descrito por Rousseau
(1712-1778), como dever de obediência às próprias leis com consequente perda da
dimensão individual da autonomia e autodeterminação e a substituição da vontade
individual pela vontade geral remete-se ao axioma “ubi lex voluit dixit, ubi noluit
tacuit” (quando a lei quis, determinou; sobre o que não quis, guardou silêncio). O idoso
institucionalizado é, nessa condição, tutelado por direitos, conquanto sejam esses
direitos imperativos do dever de se assistir, mas, não estando, em pleno exercício dos
direitos negativos assim entendidos como àqueles direitos básicos relacionados a
liberdade e relacionados com a não interferência de terceiros na plenitude das sua
ações. 
Assim, para cada indivíduo, um direito é a sanção moral de um tipo positivo,
de sua liberdade de agir por seu próprio julgamento, para seus próprios
objetivos, por sua própria escolha voluntária, não coagida. Quanto aos seus
concidadãos, os direitos de um indivíduo não impõem nenhuma obrigação
sobre aqueles, exceto de um tipo negativo, abster-se de violar os direitos
deste. (RAND, 1991, p.103)
Sendo pilar de princípio constitucional a liberdade é positivada e, portanto, lastreada a
intervenção do poder público, sujeitando-se o indivíduo a deveres e privações de suas
ações em atendimento ou dissonância dos fins e objetivos do Estado.

GRANDE ENCICLOPÉDIA LAROUSSE CULTURAL. Argentina: Larousse, 1995.


24v

NIETZSCHE, Friedrich W. A Genealogia da Moral. Companhia da Letras. 1ª edição,


2009.

RAND, Ayn. A Virtude do egoísmo. Tradução de Wiston Ling e Cândido Mendes


Prunes. 1ª ed. Porto Alegre: Ed. Ortiz. 1991.

SARTRE, J. P. O ser e o nada: ensaio de ontologia fenomenológica. Tradução de


Paulo Perdigão. 5ª edição. Rio de Janeiro: Ed. Vozes, 1997.

SCHOPENHAUER, Arthur. Da Morte; Metafísica do Amor; Do Sofrimento do


Mundo. Rio de Janeiro: Martin Claret, 2002.