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Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção - UFRGS

Curso de Especialização em Ergonomia

JOCARLI ALENCASTRO

Trabalho sobre Intervenção Ergonômica

Apreciação e Diagnose Ergonômica

Porto Alegre

05 de Maio 2018
1) Empresafoco

A empresana qual o estudo foi realizado chama-se Termolar, fabricante de produtos para
conservação térmica de uso doméstico, composta por cerca de 660 funcionários e tem suas atividades
de produção distribuídas em três turnos de trabalho. Basicamente existem máquinas injetoras,
sopradoras, dispositivos de montagem e acoplamento e processo de impressão de estampas por
serigrafia. Muitos trabalhos ainda são manuais, principalmente atividades de retirada rebarba e algumas
montagens.

2) Posto de trabalho escolhido

Devido aos indicadores como queixas, afastamento e dores musculares obtidas no SESMT da
empresa foi decidido realizar uma intervenção ergonômica nas linhas das injetoras. O estudo foi
realizado em uma das linhas de injetoras condicionada a produção de camisas das garrafas Magic Punp
e está disposta conforme o Layout da Figura 1.

Figura 1- Layout das injetoras

Em algumas dessas máquinas após a peça ser injetada a mesma é recolhida por uma bandeja
automatizada que se estende em movimentação para que o operador possa retirar a mesma, Figura 02.

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Figura 2- Bandeja automatizada

Nas oito máquinas observadas as queixas de problemas por parte dos operadores referem-se
principalmente a três injetoras que apresentam gavetas para retirada das peças.

3) Indicadores e sujeitos envolvidosno processos

Foram oito colaboradores envolvidos no processo de estudo, sendo três mulheres e cinco
homens, o Quadro 01 complementa com mais informações .

Quadro 01 – Indicadores

Injetora Nome Idade Injetora com gaveta sexo Tempo na atividade


1 Ana 33 Sim Feminino 5 anos
2 Claudia 25 Sim Feminino 3 Anos
3 Patricia 20 Sim Feminino 2 Anos
4 Laura 30 Não Feminino 1 ano
5 Pedro 40 Não Masculino 3 meses
6 Rodrigo 41 Não Masculino 2 meses
7 Jonatas 23 Não Masculino 1mes
8 Carlos 28 Não Masculino 2 anos

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Com o estudo focado na linha de injetoras descrita anteriormente e ao consultar o SESMT da
empresa constatou-se queixas e afastamentos no período de janeiro/Maio de 2018 listados no Quadro
02

Quadro 02 - Queixas e afastamentos

Queixas Afastamento
Dor nas costas 6
Dor nos punhos 1
Dor no cotovelo 1
Dor no ombro 2

Basicamente dores nas costas são observados em 60 % dos entrevistados, essa dor pode se
oriunda de muitos fatores como postura inadequada para trabalhar, cadeiras inadequadas, mesa de
trabalho, enfim. Outra índice que se apresentou alto foi dores nos cotovelos oriundos da alta
movimentação dos membros superiores, Figura 3.

20%

Dor nas costas


Dor nos punhos
10%
Dor no cotovelo
60% Dor no ombro
10%

Figura 3 – Gráfico percentual dos tipos de problema segundo SESMT

4) Quantificação de problemas apresentados pelos entrevistados

Para complementar as informações e para poder comparar os dados obtidos anteriormente que
foram apresentados pelo SESMT realizaram-se entrevistas com os colaboradores. As perguntas e
respostas das atividades estão descritas no Quadro 3 abaixo.

Quadro 03 - Questionário sobre problemas da atividade


Pergunta – referenciada atividade N° de respostas ditas como “sim”
Apresentação de alguma dor 7
Apresenta dores nas costas 4
Apresenta dores nos ombros 2

4
Apresenta dores nos punhos 2
Apresenta dores nos cotovelos 1
Segue-setrabalho prescrito 4
Ocorrem pausas no trabalho 0

11%

Apresenta dores nas costas

22% 45%
Apresenta dores nos ombros

Apresenta dores nos punhos

22%

Figura 4 – Gráfico percentual dos tipos de problema segundo SESMT

Constatou-se que ocorre informações parecidas quando relacionadas as duas fontes de


informação uma sendo o SESMT da empresa e outra sendo a entrevista com os colaboradores e os
percentuais de dores nas costas e nos ombros foram mais expressivos.

5) Fluxograma do processo

A necessidade de produção após disparada, passa pela preparação do material onde é


adicionado matéria prima para coloração, após esse material é levado até a máquina e abastecido por
um funil coletor. A máquina produz a peça injetada, ocorre a queda da mesma numa bandeja coletora e
é retirada pelo operador que procede a colocação do vedante e embalamento em sacos plásticos. A
retirada do conjunto de peças prontas é realizado por outro colaborador que transporta até o
almoxarifado par armazenamento temporário e finalmente as peças são requisitadas para montagem.
As peças devem ficar temporariamente no almoxarifado para após retornar a linha de montagem, as
peças produzidas, no caso camisas de garrafas térmicas, permanecem no almoxarifado porque somente
após o processo de contração total do material, que ocorre por mais ou menos 24 horas, é que deve
voltar a fábrica. O fluxograma da Figura 05 ilustra a situação descrita.

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Figura 5 – Fluxograma do processo

6) Trabalho prescrito x trabalho real

A peça da camisa Magic Pump pesa 245 g e a produção está definida para 90 peças/hora com
tempo de ciclo de 40 s. O trabalho prescrito reúne sete passos que podem ser descritos e ilustrados pela
Figura 6. Onde :

1° Passo:Verificar o sistema de segurança mecânico, elétrico e hidráulico.

2° Passo :Observar o momento da abertura do carrinho.

3° Passo: Retirar o componente do carrinho de transporte.

4° Passo:Realizar inspeção visual e, posicionar o vedante no gabarito corretamente.

5°Passo:Posicionar a camisa no gabarito.

6°Passo:Realizar a inspeção interna do vedante 585 na camisa.

7°Passo: Colocar a embalagem na camisa e acondicionar o componente no tabuleiro.

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Figura 6 – Sequência do trabalho prescrito

Comparando o trabalho prescrito com o trabalho real observou-se que o trabalho prescrito não
contempla a inclusão de duas atividades, sendo uma delas retirada da rebarba da camisa e a segunda o
posicionamento da bandeja de camisas prontas ao lado da injetora onde o operador tem que levantar
da cadeira e levar a bandeja de camisas até a pilha de bandejas que fica posicionada na ponta da
injetora aproximaddamente. Figura 07.

Figura 7 – Atividade de retirada de rebarba e empilhamento

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O operador segue o que está prescrito porém tem as duas tarefas que devem ser consideradas
no processo. Ao cronometrar e enumerar a lista de atividades da tarefa completa mostrando os tempos
de cada atividade construiu-se o Quadro . O empilhamento das camisas ocorre após a bandeja completa
que reúne 36 camisas e leva cerca de 8 segundos portando incluiu-se na operação proporcionalmente
fazendo a divisão do tempo pela quantidade total de camisas.

Quadro 04 - Tempo de cada atividade

Função Tempo (s)


Retirada da peça da bandeja 4
Retirada de rebarba 25
Posicionamento para colocaçãodo vedante 6
Plastificação da camisa 3
Colocação na bandeja 1,7
Empiplhamento das camisas 0,22

Construiu-se também um gráfico de setores para mostrar o percentual de tempo de cada


atividade onde observou-se que a retirada da rebarba é a atividade que mais ocupa tempo na execução
da tarefa completa que dura 40 s.Figura 8.

1%
4%
Retirada da peça da bandeja
10%
7%
Retirada de rebarba

15% Posicionamento para colocaçãodo vedante

Plastificação da camisa

Colocação na bandeja
63%
Empiplhamento das camisas

Figura 8 – Gráfico de percentuais da duração de cada atividade

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7) Conclusão

O trabalho prescrito deve ser elaborado com mais detalhe e principalmente incluíndo mais itens
de segurança. Ao comparar os dados obtidos pelo SESMT da empresa e os obtidos com entrevistas
pode-se observar equivalência de respostas observando-se uma maior queixa em relação a dores nos
ombros e e costas. Ao descrever toda a atividade prescrita comparando com a real observou-se que o
maior tempo de atuação da atividade é na rebarba da peça sendo que o movimento dos membros
superiores é mais utilizado, no entanto a maior queixa esta na atividade que dura 10% do tempo onde
ocorre um grande esforço do corpo e ombro para pega da camisa na bandeja como mostrou a Figura 02.

Portanto nem sempre a atividade que dura mais tempo é a atividade prejudicial ao trabalhador.
Na entrevista realizada com os operadores observou-se um aumento nas queixas em dores no punho e
no cotovelo quando comparada as informações do SESMT, podendo –se concluir que existem
operadores que não se queixam por outros motivos. Por isso o trabalho de campo com entrevista e
observação detalhada da tarefa é importante para emergir as demandas de forma a não a expor o
trabalhador.

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Continuação da Diagnose Ergonômica

Aplicação do Método RULA

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Em virtude das atividades desenvolvidas para tarefa mostrada na Figura 09 resolveu-se
escolher para aplicação o método RULA . Para aplicação do método escolheram-se atividades
de retirada da peça da bandeja e retirada da rebarba figuras “A e B “por serem essas duas
atividades que mais indicam a possibilidade de problemas ergonômicos. Pois na tarefa de
retirada da peça da bandeja ( 09 – A) o operador faz um esforço muito grande para pegar a
peça e a retirada de rebarba( 09 – B) é a tarefa que leva mais tempo de execução e movimenta
muito os braços e punhos como já analisado anteriormente.

Figura 09 – Fotos da sequência de um ciclo de trabalho

Numerando a sequência de atividades faz-se a indicação do significado de cada uma


como descrito a seguir:

A. Retirada da peça da bandeja;


B. Retirada da rebarba;
C. Posicionamento para colocação do vedante
D. Plastificação da camisa (1)
E. Plastificação da camisa (2)
F. Colocação na bandeja para recolhimento

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G. Transporte até o empilhamento ao lado da máquina

Analisando a Figura “A e B” e em análise das considerações e quadros do método RULA


tem - se como resultado os quadros 05 e 06 a seguir :

Quadro 05 – Aplicação método RULA para posição “A”

RULA - Posição A PONTUAÇÃO ESCORE FINAL


1- Posição do braço 3
2- Posição do ante braço 2
3-Posição do antebraço 3
A
4- Giro do punho 1
Braços
Punhos 5- Encontrar escore tabela A 4
6- Adicionar escore do uso de músculos 1
7- Adicionar escore do uso de força/carga 0
8- Encontrar linha na tabela C 5 7
9 - Posição do pescoço 3
10- Posição do tronco 5
B 11- Pernas 2
Pescoço
12 - Encontrar escore na postura na Tab.B 7
Tronco
Pernas 13- Adicionar escore do uso de músculos 1
14- Adicionar escore da força/carga 0
15- Encontrar couna na tabela C 8

Quadro 05 – Aplicação método RULA para posição “B”

RULA - Posição B PONTUAÇÃO ESCORE FINAL


1- Posição do braço 3
2- Posição do ante braço 3
3-Posição do antebraço 3
A
4- Giro do punho 2
Braços
Punhos 5- Encontrar escore tabela A 4
6- Adicionar escore do uso de músculos 1
7- Adicionar escore do uso de força/carga 0
8- Encontrar linha na tabela C 5 5
9 - Posição do pescoço 3
10- Posição do tronco 2
B
11- Pernas 1
Pescoço
12 - Encontrar escore na postura na Tab.B 3
Tronco
Pernas 13- Adicionar escore do uso de músculos 1
14- Adicionar escore da força/carga 0
15- Encontrar couna na tabela C 4

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Tendo como resposta o escore final 7 para a posição “A” deve-se mudar imediatamente
o modo com que o operador trabalha. No caso da posição “B” com escore de 5 deve-se
investigar e mudar logo o modo de trabalho. Essas são considerações estabelecidas pelo
método RULA de acordo com o escore final encontrado descritos no método e folhas em anexo.

Conclusão :

A dificuldade em estabelecer a pontuação do método por causa das variadas formas de


movimentação, que nem sempre seguem sequências esperadas como repetitivas, pois sempre
ocorre alguma variação de movimentos, nem sempre por exemplo o operador faz a coleta na
bandeja com a mesma rotação no punho ou a mesma inclinação lateral do pescoço. O estudo
do ciclo das sequência de operação deve ser observado inúmeras vezes através de vídeos para
poder definir melhor os movimento que são repetidos pelo operador, juntamente com auxilio
de entrevistas podem dar pistas que estão sendo executados movimentos que são prejudiciais.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1) Planilha do método de avaliação RULA encontrado em


:http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM802/GERTZ%20planilha%20rula.pdf;

2) SILVA.M.P, Ergonomia e Fatores Fisiológicos – Material suporte ERG – Engenharia de


Produção e transportes– Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS –
Apontamentos de aula. POA 2018;

3) FACCHIN.R & MOURA.C.R.P; Avaliação do risco ergonômico do trabalhador da


construção civil durante a tarefa de sondagem e percussão utilizando o método Rula-
Universidade do Rio dos Sinos UNISINOS – Novo Hamburgo (RS) 2015;

4) MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO .2015. Norma regulamentadora NR 17-


Ergonomia. Disponivelem :http://trabalho.gov.br/seguranca-e-saude-no-
trabalho/normatizacao/normas-regulamentadoras/norma-regulamentadora-n-17-
ergonomia

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ANEXO1 (PLANILHA RULA POSIÇÃO “A”)

15
ANEXO2 (PLANILHA RULA POSIÇÃO “B”)

Referências Bibliográficas :

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