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1.0 Introdução

Intemperismo é o nome dado as alterações físicas, química, químico-biológico sobre a terra


(sol, chuva e condições climáticas) e os diversos tipos de matérias responsáveis pela formação dos
solos, mas também ocorre intemperismo nas partes internas da terra e isso pode ser chamado de um
processo metamórfisico onde há uma alteração das rochas em resposta ao aumento da pressão e
temperatura, mas as rochas também podem modificar suas propriedades quando o ambiente de
pressão e temperatura for baixo (na superfície). Os processos de intemperismo podem ser divididos
em físico, químico e químico-biológico (TEIXEIRA et al., 2000).
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2.0 Intemperismo Físico

O intemperismo físico é os processos que causam degradação das rochas, com separação dos
grãos minerais antes coesos e com sua fragmentação transformando a rocha inalterada em matéria
descontinuo e friável. Com as variações de temperatura por ao longo dos dias das diferentes
estações do ano causam expansão e contração térmica nas rochas acarretando a fragmentação dos
grãos minerais que possuem diferentes coeficientes de dilatação térmica onde cada mineral devera
se comportar a diferentes variações de temperatura provocando um deslocamento relativo entre os
cristais rompendo a coesão inicial entre os grãos. A mudança do ciclo de umidade também pode
causar expansão e contração nas rochas provocando um enfraquecimento e fragmentação das rochas
esse tipo de mudança ocorre especialmente mais eficiente em desertos onde há uma grande
diferença de temperatura entre o dia e a noite (TEIXEIRA et al., 2000).
As variações de temperatura são menores quanto maior a profundidade do solo, comparando
as variações de temperatura do solo com a da atmosfera verificamos que elas não se estão em
sincronia porque há um atraso que vai depender da condutibilidade térmica do solo e da cobertura
vegetal que protege o solo da ação direta do sol, assim a temperatura só influenciara nos primeiros
15 cm do solo, já as variações anuais podem atingir um valor máximo de 20 m de profundidade
(LEINZ; AMARAL, 1989).
Segundo Leinz e Amaral (1989) em climas áridos e semi-áridos a precipitação
pluviométrica é insuficiente assim os sais solúveis não são removidos pelas águas em vez dos sais
serem lixiviados e conduzidos ao mar, eles são trazidos do fundo para a superfície pelas poucas
águas que são precipitáveis e que sobem novamente a flor da terra graças à ação capilar
dissolvendo-se a maioria dos sais que são precipitados quando a água se evapora, mas quando a
cristalização de sais ocorre em fendas elas tendem a ser aumentadas graças ao esforço do
crescimento dos cristais, este fenômeno repetido por séculos faz com que as rochas desagreguem
lentamente.
Segundo Brady (1989) o gelo e um agente transportador e depois da água e o mais
importante agente físico do intemperismo, por ação abrasiva, as geleiras desintegram rochas e
minerais com seu próprio peso à medida que se movimentam.
A água quando congela expande 9% do seu volume, por esse motivo a congelação da água
que esta nas fendas das rochas exerce uma força de expansividade. Potanto se a temperatura da água
atingir a -22ºC resultaria numa pressão de 2600 kg/cm², mas a profundidade da congelação na
superfície pode variar muito, pois na Alemanha atinge 1 m enquanto Sibéria atinge 7 m de
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profundidade, este tipo de intemperismo e de pouca importância no Brasil, pois ocorrem em


pequena escala nos planaltos de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Itatiaia-RJ e Campos do
Jordão-SP (LEINZ; AMARAL, 1989).
Plantas simples, como musgos e liquens crescem expostas nas rochas, sobretudo para captar
poeira, ate que se acumule uma fina película com grande quantidade de matéria orgânica. Os
vegetais superiores exercem algumas vezes nas rochas, ação predatória e temos como resultado a
desintegração. Isto é mais evidente no caso das raízes vegetais nas zonas rochosas (BRADY, 1989)
A pressão do crescimento de uma raiz vegetal pode acarretar a desagregação de uma rocha,
se for exercido uma pressão de 15 atm em uma rocha provocara a ruptura dessa rocha (LEINZ;
AMARAL, 1989).
O vento tem sido sempre um agente transportador e quando carregado com resíduos finos
atua também como abrasivo, no passado ouve tempestade de poeira de amplitude quase continental,
em que toneladas de material foram desvias de uma região para outra, na medida em que a poeira é
transportada e depositada, sobrevém à ação de outra partícula contra a outra. Os remanescentes
arredondados das rochas do oeste dos Estados Unidos e em algumas regiões áridas são causados
sobre tudo, pela ação do vento (BRADY, 1989).
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3.0 Intemperismo Químico

O intemperismo químico é um processo caracterizado pela reação química entre rocha e


soluções aquosas diversas, este processo é mais rápido se a rocha for previamente preparada pelo
intemperismo físico, que a reduz a fragmentos menores, facilitando e aumentando o contato com os
agentes aquosos ativos na degradação da rocha. A água de precipitação atmosférica, apesar de
naturalmente destilada, não é pura, pelo fato dos gases do ar estar nela dissolvidos, entre esses gases
os mais importantes são no intemperismo são o oxigênio e o gás carbônico. A umidade e o calor
favorecem o desenvolvimento de vegetação, aumentando assim a quantidade de gás carbônico e
ácido orgânicos, substancias presentes na decomposição química das rochas (LEINZ; AMARAL,
1989).
A água da chuva é o principal agente do intemperismo químico, por que ela infiltra e percola
as rochas, sendo rico em O2 e com interação com CO2 da atmosfera ela fica com caráter acido,
assim intemperizando as rochas (TEIXEIRA et al., 2000).
A penetração da decomposição da rocha em profundidade pode ser distinguida em três
estádios de evolução intempérica, o primeiro estádio é o inicio do ataque químico ao feldspato, o
segundo estádio os minerais são totalmente decompostos, mas continua com a textura original da
rocha e o terceiro estádio e o da decomposição total da rocha, desaparecendo por completo sua
textura (Leinz, 1989).
Podemos classificar os processos de intemperismo em hidratação, dissolução, hidrolise e
oxidação, nas áreas que a água possui ph entre cinco e nove, mas no caso de ph inferior a cinco ao
invés da hidrolise a reação predominante é a acidólise (TEIXEIRA et al., 2000).

3.1 Hidratação

A hidratação dos minerais ocorre pela atração entre os dipolos das moléculas de água e as
cargas elétricas não neutralizadas das superfícies dos grãos, na hidratação as moléculas de água
entram na estrutura mineral, modificando-a e formando um novo mineral (TEIXEIRA et al., 2000).
Assim pela hidratação a água é incorporada, indo fazer parte do edifício cristalino do
mineral (LEINZ; AMARAL, 1989).
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3.2 Hidrólise

Silicatos são os principais minerais formadores das rochas, podem ser concebidos como sais
de um ácido fraco (H4SiO4) e de bases fortes (NaOH, KOH, Ca(OH)2, Mg(OH)2). Ao entrarem em
contato com a água, os silicatos sofrem hidrólise, resultando numa solução alcalina, pelo fato de
que o H4SiO4 estar praticamente indissociado e as bases muito dissociadas. O resultado da
ionização da água é o íon H+, que entra nas estruturas dos minerais, deslocando principalmente os
cátions alcalinos (K+ e Na+) e alcalino-terrosos (Ca2+ e Mg2+), que são liberados para a solução, a
hidrólise ocorre sempre na faixa de ph de cinco a nove, se há condições de renovação das soluções
reagentes, estas se mantêm sempre diluídas, e as reações podem prosseguir, eliminando os
componentes solúveis, a intensidade da hidrolise vai determinar o grau de eliminação dos elementos
dissolvidos (TEIXEIRA et al., 2000).

3.2.1 Hidrolise total

Nesta hidrólise toda a sílica e o potássio são eliminados, a sílica tem pouca solubilidade na
faixa de ph da hidrólise, mas pode ser totalmente diluída se as soluções de alterações permanecerem
diluídas o resíduo da hidrólise total do K-feldspato é o hidróxido de alumínio, insolúvel nessa faixa
de ph (TEIXEIRA et al., 2000).
KAlSi3O8 + 8 H2O → Al(OH)3 + 3 H4SiO4 + K+ + OH-

3.2.2 Hidrolise parcial

Na hidrólise parcial parte da sílica permanece no perfil, já o potássio pode ser totalmente
eliminado, mas também pode permanecer parcialmente no perfil, assim eles reagem com o alumínio
formando alumínossilicatos hidratados (argilominerais). Em função do grau de eliminação do
potássio, duas situações são possíveis. A primeira é todo o potássio ser eliminado em solução
resultando caulinita com eliminação de 66% da sílica e permanência de todo o alumínio, e a
segunda é se parte do potássio não é eliminada em solução resultara outro tipo de argilomineral, a
esmectita, com eliminação de 87% do potássio, 46% da sílica e permanência de todo o alumínio
(TEIXEIRA et al., 2000).
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3.3 Dissolução

Os ácidos agem também diretamente na dissolução de certos minerais, os carbonatos são uns
dos mais facilmente solubilizados (LEINZ; AMARAL, 1989).
A dissolução consiste na solubilização completa, que é o caso da calcita e da halita. Em
terrenos calcários a dissolução é mais intensa podendo levar a formação de relevos cársticos,
caracterizados pela presença de cavernas e dolinas (TEIXEIRA et al., 2000).
Verificações feitas em túmulos antigos de mármore mostraram que o grau de dissolução em
regiões úmidas é cerca de 10 mm por século (LEINZ; AMARAL, 1989).

3.4 Oxidação

A oxidação pode ser provida tanto por agentes orgânicos como inorgânicos, sendo mais
importantes os orgânicos, resultantes principalmente do metabolismo de bactérias. O ferro e o
manganês são elementos mais suscetíveis de oxidação durante o intemperismo, possuem
importância também na oxidação de compostos de enxofre, como os sulfetos, dada á formação de
ácidos sulfúrico, agente poderoso na decomposição das rochas. O ferro bivalente contido nas rochas
passa a ser trivalente, provocando, assim, modificações na estrutura cristalina dos minerais ricos em
ferro, e com a oxidação ele muda sua cor para vermelho ou amarelo, esta mudança é
freqüentemente o primeiro indício de decomposição (LEINZ; AMARAL, 1989).

3.5 Acidólise

Os processos intempéricos, na maior parte dos continentes, são de natureza hidrolítica, mas
em ambiente mais frio, onde a decomposição da matéria orgânica não é total, formam-se ácidos
orgânicos que diminuem bastante o ph das águas assim sendo incapazes de complexar o ferro e o
alumínio, colocando-os em solução, nestes domínios onde o ph é menor que cinco não é a hidrolise,
mas a acidólise o processo dominante de decomposição dos minerais primários. Quando as águas
possuírem ph entre três e cinco ocorre a acidólise parcial, e águas com ph menor que três ocorre
acidólise total (TEIXEIRA et al., 2000).
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4.0 Intemperismo químico-biológico

Os primeiros atacantes de uma rocha exposta ás intempéries são bactérias e fungos


microscópicos. A atividade orgânica, principalmente a de bactérias viventes no solo, toma parte na
decomposição das rochas. Vêm a seguir os liquens, depois as algas e musgos, formando e
preparando o solo para as plantas superiores, elas segregam gás carbônico, nitratos, ácidos
orgânicos, como produto de seu metabolismo, e assim são incorporados pelas soluções que
atravessam o solo, atingindo embaixo a rocha, aumentando assim a sua intensidade contra minerais
formadores de rochas. Os tecidos mortos das plantas servem de alimento a numerosos
microorganismos, mas na presença de oxigênio o material vegetal pode formar húmus, já que sua
composição química é basicamente heterogênea, complexa e variável, de natureza coloidal, atuando
geralmente como ácido orgânico (LEINZ; AMARAL, 1989).
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5.0 Conclusão

Concluímos que o intemperismo é o conjunto de modificações de desagregação e de


decomposição que as rochas sofrem ao aflorar na superfície da Terra. Todos os materiais são
suscetíveis ao intemperismo, e os processos intempéricos atuam através de mecanismos
modificadores das propriedades físicas dos minerais e rochas, e de suas características químicas. O
intemperismo é dividido em intemperismo químico e intemperismo físico, mas quando a ação física
ou química de organismos vivos ou da matéria orgânica de sua decomposição participa do processo,
o intemperismo pode ser chamado de físico biológico ou químico biológico.

6.0 Referências Bibliográficas

BRADY, N. C. Natureza e Propriedades dos Solos. 7.ed.Rio de Janeiro: Livraria Freitas Bastos,
1989.898p.
TEIXEIRA, W; FAIRCHILD, T. R; TAIOLI, F et al Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de
Textos, 2000. 558p.
LEINZ, V; AMARAL, S. E. Geologia Geral. 11.ed. São Paulo: Editora Nacional, 1989. 399p.