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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE

DO NORTE
CENTRO DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE COMPUTAÇÃO E
AUTOMAÇÃO
CURSO DE ENGENHARIA DE COMPUTAÇÃO

ERIC BEZERRIL FONSECA

REDES INDUSTRIAIS: PROTOCOLO DE


COMUNICAÇÃO HART

Orientador:
Prof. Dr. Luiz Affonso H Guedes de Oliveira

Natal – RN
2009
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
CENTRO DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE COMPUTAÇÃO E AUTOMAÇÃO
CURSO DE ENGENHARIA DE COMPUTAÇÃO

ERIC BEZERRIL FONSECA

REDES INDUSTRIAIS: PROTOCOLO DE


COMUNICAÇÃO HART

Orientador:
Prof. Dr. Luiz Affonso H Guedes de Oliveira

Trabalho de conclusão de curso apresentado


à Banca Examinadora, em cumprimento às
exigências legais, como parte das atividades
para a conclusão do curso de Engenharia de
Computação pela Universidade Federal do
Rio Grande do Norte.

Natal – RN
2009

[2]
[3]
Sumário
Capítulo 1 - Introdução ............................................................................................................................8

1.1. Automação Industrial.................................................................................................................8

1.2. Redes para Automação Industrial ...........................................................................................9

1.3. Objetivos .................................................................................................................................. 12

Capítulo 2 - Wired HART........................................................................................................................ 13

2.1. Introdução ................................................................................................................................ 13

2.2. Especificações HART ............................................................................................................ 14

2.3. Sinal HART .............................................................................................................................. 14

2.4. Estrutura da Mensagem HART ............................................................................................ 16

2.5. Topologia ................................................................................................................................. 17

2.5.1. Ponto a Ponto .................................................................................................................. 17

2.5.2. Multidrop ........................................................................................................................... 19

2.6. Cabos ....................................................................................................................................... 19

2.7. Comandos HART .................................................................................................................... 20

2.8. Multiplexadores ....................................................................................................................... 21

2.9. Variável de medição, intervalo e estado ............................................................................. 22

2.10. Exemplo de Aplicação ......................................................................................................... 23

Capítulo 3 - Wireless Hart ................................................................................................................. 25

3.1. Introdução ................................................................................................................................ 25

3.2. Tecnologia ............................................................................................................................... 26

3.2.1. Fundamentos Tecnológicos ........................................................................................... 26

3.2.2. Confiabilidade de Dados ................................................................................................ 27

3.2.3. Padrão IEEE 802.15.4 .................................................................................................... 28

3.3. Arquitetura ............................................................................................................................... 30

3.3.1. Gerenciador de Rede...................................................................................................... 30

[4]
3.3.2. Gateway ............................................................................................................................ 31

3.3.3. Dispositivos de Campo ................................................................................................... 31

3.3.4. Dispositivos de Rede ...................................................................................................... 32

3.3.5. Topologia de Rede .......................................................................................................... 33

3.3.6. Formação da Rede.......................................................................................................... 33

3.4. Aplicações ................................................................................................................................ 34

3.4.1. Dispositivo de Acesso WirelessHART ......................................................................... 34

3.4.2. Aplicações Comuns ........................................................................................................ 35

Capítulo 4 - Aspectos de Configuração .......................................................................................... 38

4.1. Configuração ........................................................................................................................... 38

4.1.1. Comunicadores Universais Portáteis ........................................................................... 38

4.1.2. Configuração de Instrumento Baseada em PC e Gerenciamento de Ferramentas


....................................................................................................................................................... 39

4.2. Integração ................................................................................................................................ 40

4.2.1. Integração Ponto a Ponto .............................................................................................. 41

4.2.2. Integração HART-para-Analógico ................................................................................. 41

4.2.3. Integração HART-mais-Analógico ................................................................................ 42

4.2.4. Integração Total HART ................................................................................................... 42

4.3. Calibração ................................................................................................................................ 42

4.4. Linguagem de Descrição de Dispositivo (DDL) ................................................................. 43

4.4.1. O que é descrição de dispositivo? ................................................................................ 43

4.4.2. DDL – A HTML da Tecnologia de Campo ................................................................... 43

4.4.3. Os componentes de uma DD ........................................................................................ 44

4.4.4. DDL – Uso e Benefícios ................................................................................................. 45

Capítulo 5 - Conclusão ........................................................................................................................... 47

Referências Bibliográficas ..................................................................................................................... 48

[5]
Lista de Figuras e Tabelas
Fig. 1 - Níveis de Abstração.................................................................................................................8

Fig. 2 - Níveis de Tecnologia ...............................................................................................................9

Fig. 3 - Classificação das Redes Industriais quanto ao Tipo de Transmissão ......................... 10

Fig. 4 - Classificação das Redes Digitais ....................................................................................... 11

Fig. 5 - Protocolo HART, segundo o Modelo OSI ......................................................................... 14

Fig. 6 - Comunicação Digital + Sinal Analógico Simultâneo........................................................ 15

Fig. 7 - Sobreposição do sinal de comunicação digital ao sinal de corrente 4-20mA ............. 15

Fig. 8 - Estrutura da Mensagem HART ........................................................................................... 16

Fig. 9 - Dois mestres acessam a informação de um mesmo instrumento de campo (escravo)


............................................................................................................................................................... 18

Fig. 10 - Comunicação HART mestre - escravo ............................................................................ 18

Fig. 11 – Modo Burst ou Broadcast - Opcional .............................................................................. 18

Fig. 12 - Os equipamentos de campo HART podem ser conectados numa rede Multidrop em
algumas aplicações ............................................................................................................................ 19

Fig. 13 - Aplicação com Multiplexadores ........................................................................................ 21

Fig. 14 - Multiplexador com Gateway .............................................................................................. 22

Fig. 15 - Gráfico da Medição da Variável Primária ....................................................................... 23

Fig. 16 - Alguns equipamentos HART incluem controlador PID em seus algoritmos,


implementando uma solução de controle com boa relação custo-benefício ............................ 24

Fig. 17 - Dispositivos HART existentes com adaptadores WirelessHART................................ 25

Fig. 18 - Novos dispositivos WirelessHART ................................................................................... 26

Fig. 19 - Redundância de caminho .................................................................................................. 28

Fig. 20 - Padrão IEEE802.15.4 no modelo OSI ............................................................................. 29

Fig. 21 - Estrutura do quadro MAC .................................................................................................. 29

Fig. 22 - Quadro de dados ................................................................................................................ 30

Fig. 23 - Uso do Gateway ................................................................................................................. 31

Fig. 24 - Uso de um adaptador WirelessHART ............................................................................. 32


[6]
Fig. 25 - Topologias WirelessHART ................................................................................................ 33

Fig. 26 - Acesso WirelessHART com adaptador e integrado ...................................................... 34

Fig. 27 - Comunicadores HART ....................................................................................................... 39

Fig. 28 - Exemplo de ligação de um terminal handheld em uma rede Wired HART ............... 40

Fig. 29 - Integração de dados........................................................................................................... 41

Fig. 30 - Etapas de Calibração dos Instrumentos de Campo ...................................................... 42

Fig. 31 - Interface com o usuário ..................................................................................................... 45

Tabela 1 – Relação entre o tipo de cabo e a distância máxima ................................................. 19

Tabela 2 - Comprimento máximo do cabo em função da capacitância ..................................... 20

[7]
Capítulo 1 - Introdução

1.1. Automação Industrial

A automação industrial pode ser definida como um conjunto de técnicas destinadas


a tornar automáticos vários processos na indústria, substituindo o trabalho muscular
e mental do homem por equipamentos diversos. O conceito de automação varia com
o ambiente e experiência da pessoa envolvida.
A automação industrial tem como objetivos: proporcionar um aumento da segurança
de operação/produção; diminuição dos custos operacionais; melhoria das condições
de operação; simplificação das instalações; aumento dos níveis de controle; e
aumento dos níveis de acompanhamento. As figuras 1 e 2 mostram,
respectivamente os níveis de abstração e de tecnologia dos problemas da
automação industrial.

Fig. 1 - Níveis de Abstração

[8]
Fig. 2 - Níveis de Tecnologia

Os processos na automação industrial podem ser:


• Contínuos
o As variáveis manipuladas têm natureza contínua
o Processos químicos e físicos
• Discretos
o As variáveis manipuladas têm natureza discreta
o Processos de intertravamento e manufatura
• Sistemas híbridos
o Variáveis contínuas + discretas

1.2. Redes para Automação Industrial

As redes industriais estendem o conceito de redes de computadores, levando em


consideração o tipo de transmissão, como pode ser observado na figura 3.

[9]
Fig. 3 - Classificação das Redes Industriais quanto ao Tipo de Transmissão

As redes analógicas, como o próprio nome diz, abrangem as redes com transmissão
de sinal analógico, mas comumente o sinal de 4-20mA. As redes híbridas
transmitem o sinal tanto analógico quanto digital, por exemplo, o protocolo HART. E
as redes digitais transmitem apenas sinais digitais.
As redes de comunicação industriais são responsáveis pela interligação de
computadores, integração de computadores ao CLP’s e integração dos CLP’s a
dispositivos inteligentes (Controladores de Solda, Robôs, Terminais de Válvula,
Balanças, Sistemas de Identificação, Sensores, Centros de Comando de Motores,
etc.).
As redes digitais podem ser classificadas em Sensorbus, Devicebus e Fieldbus,
como pode ser observado na figura 4.

[10]
Fig. 4 - Classificação das Redes Digitais

Redes tipo Sensorbus

• Dados em formato de bits


• Conexão
o Poucos equipamentos
o Equipamentos simples
o Ligação direta
• Características
o Comunicação rápida em níveis discretos
o Sensores de baixo custo
o Pequenas distâncias
• Objetivo principal – minimizar custos
• Exemplos: Seriplex, ASI, Interbus Loop
Redes Tipo Devicebus

• Dados em formato de bytes


• Podem cobrir distâncias de até 500m
• Equipamentos predominantemente de variáveis discretas
• Algumas redes permitem a transferência de blocos de dados com prioridade
menor aos dados em formato de bytes
• Possuem os mesmos requisitos temporais das redes Sensorbus, porém
podem manipular mais equipamentos e dados
• Exemplos: Device-Net e Profibus

[11]
Redes Tipo Fieldbus

• Redes mais inteligentes – podem conectar mais equipamentos a distâncias


mais longas
• Os equipamentos conectados a rede possuem inteligência para executar
funções específicas: Sensor, atuador, controle
• As taxas de transferência de dados podem ser menores que as anteriores,
porém estas são capazes de comunicar vários tipos de dados:
o Discretos, analógicos, parâmetros, programas e informações de
usuário
• Exemplos: Fieldbus Foundation, Profibus PA e HART

1.3. Objetivos

Este trabalho tem como objetivo apresentar as características e tecnologias


inerentes ao uso do protocolo de comunicação HART, bem como seus aspectos de
configuração. O protocolo HART transmite o sinal digital em cima de um sinal
analógico, por isso se enquadra também nas redes híbridas.

O capítulo 2 trata do protocolo Wired HART, apresentado suas características,


topologia e tecnologias associadas. O capítulo 3 apresenta o WirelessHART com
suas características, equipamento, arquitetura e tecnologias. O capítulo 4 trata dos
aspectos comuns aos protocolos Wired e Wireless HART, tais como configuração da
rede e equipamentos que a compõe, calibração, integração de dados e das
linguagens associadas ao protocolo (DD’s e DDL’s). E, finalmente, o capítulo 5
apresenta a conclusão a respeito do objeto de estudo deste trabalho, ponderando as
vantagens do uso da tecnologia em questão de acordo com as características e
particularidades do projeto/planta em análise.

[12]
Capítulo 2 - Wired HART

2.1. Introdução

HART (Highway Adressable Remote Transducer) é um protocolo de comunicação de


campo tipo mestre/escravo desenvolvido pela Fisher Rosemount na década de 80
para facilitar a comunicação com instrumentos de campo inteligentes.

O protocolo de comunicação HART é mundialmente conhecido como um padrão da


indústria para comunicação de instrumentos de campo inteligentes 4-20mA,
microprocessados. Devido a seu rápido crescimento, hoje, virtualmente todos os
grandes fabricantes de instrumentação oferecem produtos dotados de comunicação
HART.

O protocolo HART permite a sobreposição do sinal de comunicação digital aos sinais


analógicos 4-20mA na mesma fiação, sem interferência. Como a velocidade de
transmissão é baixa, os cabos normalmente usados em instrumentação podem ser
mantidos, mantendo a compatibilidade com a instrumentação analógica e
aproveitando o conhecimento sobre os sistemas 4-20mA existentes.

Virtualmente todos os sistemas de controle de processos de plantas usam o padrão


internacional de sinal analógico 4-20mA para transmissão da variável de processo.
Dessa maneira é possível estender o uso do protocolo HART, virtualmente, a todos
os sistemas de controle de processos de plantas, permitindo a medição de
processos de forma mais eficaz e interativa que a instrumentação analógica.

A comunicação de campo padrão usada pelos equipamentos de controle de


processos, há vários anos tem sido o sinal analógico de corrente, o miliampére (mA).
Esse sinal de corrente, na maioria das aplicações, varia dentro da faixa de 4mA a
20mA proporcionalmente à variável de processo representada.

O protocolo HART possibilita a comunicação digital bidirecional em instrumentos de


campo inteligentes sem interferir no sinal analógico 4-20mA. Tanto o sinal analógico
4-20mA como o digital de comunicação HART, podem ser transmitidos
simultaneamente na mesma fiação. Por exemplo, a variável primária e a informação
do sinal de controle podem ser transmitidas ao mesmo tempo em que as medições
adicionais, calibração, configuração do instrumento e outras informações
necessárias na mesma fiação.

Os aspectos de Configuração, Integração e Calibração serão vistos mais


detalhadamente no Capítulo 4.

[13]
2.2. Especificações HART

Com base no Modelo OSI de 7 camadas, o protocolo HART utiliza apenas as


camadas física, de enlace e de aplicação, como pode ser observado na figura 5:

Fig. 5 - Protocolo HART, segundo o Modelo OSI

A Camada Física especifica como os dispositivos serão conectados mecanicamente


e eletricamente (tipo de cabo, distâncias, aterramento) e define de que forma o sinal
digital será codificado.

A Camada de Enlace divide a informação a ser transmitida em pacotes, adiciona os


bits referentes à detecção de erros e controla o acesso ao meio.

A Camada de Aplicação define os comandos, respostas, tipos de dados e


decodifica os relatórios de status do instrumento.

2.3. Sinal HART

O protocolo HART faz uso do padrão Bell 202 de chaveamento por deslocamento de
freqüência (FSK) para sobrepor os sinais de comunicação digital ao de 4-20mA.
Como o sinal digital FSK é simétrico em relação ao zero, não existe nível DC
associado e, portanto, não há interferência no sinal de 4-20mA. A lógica “1” é
associada a uma freqüência de 1200Hz e a lógica “0” é associada a uma freqüência
de 2200Hz, como mostram as figuras 6 e 7.

O sinal HART FSK possibilita a comunicação digital em duas vias, possibilitando a


transmissão e recepção de informações adicionais, além da normal, que é a variável
de processo em instrumentos de campo inteligentes. O protocolo HART se propaga
há uma taxa de 1200 bits por segundo, sem interromper o sinal 4-20mA e permite
uma aplicação tipo “mestre” possibilitando duas ou mais atualizações por segundo
vindas de um único instrumento de campo.
[14]
Fig. 6 - Comunicação Digital + Sinal Analógico Simultâneo

Fig. 7 - Sobreposição do sinal de comunicação digital ao sinal de corrente 4-20mA

[15]
2.4. Estrutura da Mensagem HART

A estrutura da mensagem enviada pelo sinal HART digital é apresentada na figura 8:

Fig. 8 - Estrutura da Mensagem HART

Onde:

• O preâmbulo possui entre 5 e 20 bytes em hexa FF (todos 1’s) e auxilia o


receptor a sincronizar o stream de caracteres.

• O caractere de início indica o tipo de mensagem: mestre para escravo,


escravo para mestre, ou mensagem em burst do escravo; e também o
formato do endereço: quadro curto ou quadro longo.

• O campo endereçamento inclui o endereço do mestre (um único bit: 1 para


mestre primário, 0 para mestre secundário) e do escravo. No formato de
quadro curto, o endereço do escravo tem 4 bits contendo o “polling address”
(0 a 15). No formato de quadro longo, o tamanho é de 38 bits contendo o
“identificador único” para um instrumento em particular (um bit é também
usado para indicar se o escravo está em modo burst).

• O byte comando contém o tipo de comando HART associado à mensagem.


Os comandos universais estão na faixa de 0 a 30; comandos práticos estão
na faixa de 32 a 126; comandos específicos do instrumento estão na fixa de
128 a 253.

[16]
• O byte contador de byte contém o número de bytes dos campos status e
dado. O receptor usa-o para saber quando a mensagem está completa, uma
vez que não existe o caractere especial “fim de mensagem”

• O campo status (também conhecido como “código de resposta”) tem dois


bytes presentes somente na mensagem de resposta de um escravo. Ele
contém informações sobre erros de comunicação no recebimento de
mensagem, o status do comando recebido e o status do instrumento.

• O campo dados pode estar presente ou não, dependendo do comando


particular. O comprimento máximo recomendado é de 25 bytes, para manter
uma duração global de mensagem razoável.

• O checksum contém um “ou exclusivo” ou “paridade longitudinal” de todos os


bytes anteriores (do caractere de início em diante). Junto com o bit paridade
anexado a cada byte, ele é usado para detectar erros na comunicação.

2.5. Topologia

O HART é um protocolo do tipo mestre/escravo, tipicamente entre um instrumento


de campo e um sistema de controle ou monitaramento, podendo ser ponto a ponto
ou multidrop. O protocolo permite o uso de até dois mestres que podem ser
comunicar com um instrumento escravo em uma rede HART. O mestre primário é
tipicamente um SDCD (Sistema Digital de Controle Dsitribuído), um CLP, um
controle central baseado em computador, um multiplaxador ou um sistema de
monitoração. O mestre secundário é geralmente representado por teminais hand-
held de configuração e calibração.

Os mestres secundários, podem ser conectados normalmente em qualquer ponto da


rede e se comunicar com os instrumentos de campo sem provocar quaisquer
distúrbios na comunicação com o mestre primário.

2.5.1. Ponto a Ponto

A comunicação mestre/escravo digital, simultânea com a com o sinal analógico de 4-


20mA, mais comumente usada, permite que a informação digital proveniente do
instrumento escravo seja atualizada duas vezes por segundo no mestre, ou seja,
cada ciclo de pedido e recebimento de valor dura cerca de 500ms. O sinal analógico
de 4-20mA é contínuo e carrega a variável primária para controle. A figura 9 mostra
uma instalação típica com dois mestres e a figura 10 mostra a comunicação
mestre/escravo digital, simultânea com o sinal analógico 4-20mA, a mais comum.

[17]
Fig. 9 - Dois mestres acessam a informação de um mesmo instrumento de campo (escravo)

Fig. 10 - Comunicação HART mestre - escravo

Um segundo mecanismo de trasnferência de dados utilizado é o denominado burst


ou broadcast mode, como mostra a figura 11. Neste, o instrumento pode enviar uma
variável (por exemplo a variável primária) de forma autônoma e periódica. No
intervalo entre os envios o mestre pode executar um ciclo de pergunta e resposta. A
taxa de transmissão nesse caso se eleva para 3 ou 4 ciclos por segundo. O mestre
pode a qualquer momento enviar uma mensagem para interromper este envio
contínuo de mensagens de reply, de acordo com sua conveniência. O modo burst
libera o mestre de ficar repetindo um comando de solicitação para atualizar a
informação da variável de processo.

Fig. 11 – Modo Burst ou Broadcast - Opcional

[18]
2.5.2. Multidrop

O protocolo HART tem a capacidade de conectar até 15 instrumentos de campo


pelo mesmo par de fios em uma configuração multidrop, como mostrado na figura
12. Neste tipo de aplicação, o sinal de corrente é fixo, ficando somente a
comunicação digital limitada ao mestre/escravo. O valor da corrente de cada
instrumento escravo é mantido no seu nível mínimo de 4mA e o valor da PV deve
ser lido através de uma mensagem explícita.

Fig. 12 - Os equipamentos de campo HART podem ser conectados numa rede Multidrop em
algumas aplicações

A grande deficiência desse tipo de configuração é que o tempo de ciclo para leitura
de cada instrumento é de cerca de 500ms podendo alcançar 1000ms. Para o caso
de 15 equipamentos o tempo será de 7,5 s a 15 s, o que é muito lento para grande
parte das aplicações.

2.6. Cabos

A distância máxima do sinal HART é de cerca de 3000m para um único para


trançado blindado e 1500m para múltiplos cabos de para trançado com blindagem
comum. O sinal possui compatibilidade com sistema telefônico para o caso de
grandes distâncias. A tabela 1 mostra a relação tipo de cabo x distância máxima.

Distância Mm2
Tipo de Cabo
Máxima (AWG)
0.2
1534 m Cabo de par trançado com blindagem única
(24)
0.5
3048 m Cabo de par trançado com blindagem
(20)
Tabela 1 – Relação entre o tipo de cabo e a distância máxima

O fator mais limitante do comprimento do cabo é sua capacitância. Quanto maior a


capacitância e o número de dispositivos, menor a distância máxima permitida, como
mostra a tabela 2:
[19]
Nº Capacitância/km
Instrumentos 65 nF/km 95 nF/km 160 nF/km 225 nF/km
1 2800 2000 1300 1000
5 2500 1800 1100 900
10 2200 1600 1000 800
15 1800 1400 900 700
Tabela 2 - Comprimento máximo do cabo em função da capacitância

2.7. Comandos HART

A comunicação HART é baseada em comandos, como por exemplo, o mestre emite


um comando e o escravo responde. Existem três tipos de comandos HART que
permitem leitura/escrita de informações em instrumentos de campo. Os comandos
universais e os práticos são definidos nas especificações do protocolo HART. Um
terceiro tipo, os comandos específicos do instrumento, permite maior flexibilidade na
manipulação de parâmetros ou de funções específicas num determinado tipo de
instrumento.
Comandos Universais – todos os instrumentos que utilizam o protocolo HART
devem reconhecer e suportar comandos universais. Eles asseguram a
interoperabilidade entre uma larga e crescente base de produtos provenientes de
diversos fornecedores e permitem o acesso às informações usuais em operações de
plantas. Exemplos: leitura da PV e unidades, leitura do tipo de instrumento e
fabricante, leitura da corrente de saída, percentual de intervalo e leitura do número
de série e limites do sensor.
Comandos Práticos – permitem acessar funções que são implementadas em
alguns instrumentos, mas não necessariamente em todos. Esses comandos são
opcionais, mas se implementados, devem atender às especificações da norma.
Exemplos: ler a seleção de 1 a 4 variáveis dinâmicas, escrever intervalo do
transmissor, fixar corrente de saída, realizar auto-teste.
Comandos Específicos – permitem o acesso a características exclusivas do
instrumento e geralmente são usados para configurar os parâmetros. Exemplo:
escrever um novo “set-point” de um algoritmo PID disponível no instrumento.
As informações de diagnóstico do instrumento estão disponíveis em todas as
respostas ao comando HART, garantindo uma elevada integridade do sistema para
malhas críticas. Os bits que representam o estado do instrumento em cada
mensagem de resposta indicam o mau funcionamento ou outros problemas, tais
[20]
como saída analógica saturada, variável fora da faixa ou erros de comunicação.
Alguns instrumentos compatíveis com HART podem monitorar continuamente estes
bits do instrumento e permitir a geração de alarme ou mesmo o seu desligamento se
problemas forem detectados.

2.8. Multiplexadores

Os multiplexadores fazem parte de todo novo projeto envolvendo redes HART.


Funcionam como um mestre primário que realiza a leitura de todas as variáveis de
processo e informações dos estados de todos os transmissores periodicamente, de
forma independente do hospedeiro. O host por sua vez lê as variáveis de processo
do multiplexador. Também pode enviar comandos e estabelecer uma “conversação”
diretamente com um dispositivo de campo. O multiplexador é essencial quando um
dos objetivos do projeto é o controle dos ativos de instrumentação (Instrumentation
Asset Management). Em sistemas antigos onde se deseja implementar esta função,
multiplexadores podem ser colocados em paralelo com as ligações convencionais
para proporcionar a função de diagnóstico contínuo dos instrumentos. A figura 13
mostra um exemplo de uma aplicação com multiplexadores.

Fig. 13 - Aplicação com Multiplexadores

Os multiplexadores também podem fazer a função de GATEWAY do protocolo


HART com outros barramentos de campo, como mostrado na figura 14.

[21]
Fig. 14 - Multiplexador com Gateway

2.9. Variável de medição, intervalo e estado

A variável primária (PV – do inglês Primary Variable) de um instrumento de


medição HART pode ser utilizada tanto como valor digital, pela comunicação HART,
como um sinal analógico (4-20mA). Existem duas representações de PV na forma
digital: em unidade de engenharia (pelos Comandos HART #1 ou #3 e outros), como
mostra a figura 15; e como percentual de intervalo (pelo Comando HART #2). O
Comando HART #3 também pode ler a saída corrente analógica real em
miliampères. Cada mensagem HART de um instrumento de campo inclui dados de
informação, na forma de 8 bits com significados pré-definidos, dos quais 2
descrevem o estado atual da variável medida.

[22]
Fig. 15 - Gráfico da Medição da Variável Primária

LRV (Lower Range Value) e URV (Upper Range Value) são dois valores de PV que
podem ser representados por 4mA e 20mA respectivamente. Em termos gerais, é o
“intervalo” do instrumento.

LSL (Lower Sensor Limit) e USL (Upper Sensor Limit) descrevem os limites de até
onde o sensor funciona adequadamente. Além desse intervalo, o valor medido pode
estar incorreto.

Um instrumento HART digitaliza a saída do sensor na faixa de LSL a USL. Esse


valor digitalizado, uma vez convertido, corrigido e linearizado se transforma na forma
digital de PV. Ou seja, a PV digital representa com exatidão a medição física em
cima desse intervalo: LSL a USL.

Evidentemente, o sinal analógico não pode ser coberto por esse intervalo. Ele é
representado corretamente somente pelo intervalo entre LRV e URV, com uma
pequena tolerância (geralmente de -0,6% a +105% do intervalo).

2.10. Exemplo de Aplicação

Na aplicação da figura 16, o transmissor HART tem um algoritmo interno de controle


PID. O instrumento é configurado de modo que o loop de corrente 4-20mA seja
proporcional à saída de controle PID, executado no instrumento (e não à variável
medida, como por exemplo, a pressão, como na maioria das aplicações de
instrumentos de campo). Uma vez que o loop de corrente é controlado pela saída de
controle do PID, este é utilizado para alimentar diretamente o posicionador da
válvula de controle.

[23]
Fig. 16 - Alguns equipamentos HART incluem controlador PID em seus algoritmos,
implementando uma solução de controle com boa relação custo-benefício

A malha de controle é executada inteiramente no campo, entre o transmissor (com


PID) e a válvula. A ação de controle é contínua como no sistema tradicional; o sinal
analógico de 4-20mA comanda a válvula. Através da comunicação digital HART o
operador pode mudar o set-point da malha de controle e ler a variável primária ou a
saída para o posicionador da válvula.

[24]
Capítulo 3 - Wireless Hart

3.1. Introdução

O WirelessHART passou a fazer parte do protocolo HART em setembro de 2007,


sendo o primeiro padrão de comunicação sem fio aberto projetado especificamente
para aplicações das indústrias de processos.

Comparado a sistemas com conexões do tipo estrela, a arquitetura WirelessHART é


mais confiável e consideravelmente mais simples de se instalar e manter.

O protocolo HART oferece suporte a redes WirelessHART nativas e adaptadas, ou


seja, tanto dispositivos de campo totalmente sem fio, quanto dispositivos tradicionais
ligados a adaptadores sem fio. A figura 17 mostra uma rede WirelessHART com uso
de adaptadores.

Fig. 17 - Dispositivos HART existentes com adaptadores WirelessHART

A figura 18 mostra a nova rede WirelessHART composta de equipamentos wireless.

[25]
Fig. 18 - Novos dispositivos WirelessHART

3.2. Tecnologia

3.2.1. Fundamentos Tecnológicos

A arquitetura e projeto básicos da comunicação WirelesHART têm como


fundamentos tecnológicos básicos:
• Comunicação Sincronizada no Tempo
Dispositivos WirelessHART se comunicam utilizando Acesso Múltiplo por
Divisão de Tempo (TDMA – Time Division Multiple Access). Cada dispositivo
WirelessHART é sincronizado precisamente com o dispositivo vizinho. Toda
comunicação dispositivo-a-dispositivo ocorre numa janela de tempo pré-
agendada, o que possibilita alta confiabilidade (comunicação livre de
colisões), eficiência energética, e comunicação escalável.
• Auto-organização e Auto-tratamento
WirelessHART é uma rede auto-organizável e auto-tratável, significa dizer
que cada dispositivo tem a capacidade de determinar quem são seus
vizinhos, medir a potência do sinal RF, sicronizar-se e se informar sobre o
salto de freqüência e estabelecer caminhos e links com dispositivos vizinhos.
Cada dispositivo tem a habilidade de rotear o tráfego entre seus vizinhos a
partir da conectividade RF e/ou requisitos de desempenho de rede.
• Espectro de Cobertura e Salto de Freqüência
WirelessHART usa a parte não licenciada da banda de rádio ISM 2.4 GHz.
Como tal, pode estar sujeito a interferências de várias outras fontes, como por
exemplo, outras redes ou rádios de 2 vias. Para resolver esse problema,

[26]
WirelessHART “salta” através de 15 canais de freqüência enviando
mensagens numa freqüência pseudo-randômica.
Além disso, WirelessHART utiliza rádios IEEE 802.15.4 DSSS (Direct
Sequency Spread Spectrum) que possuem boa imunidade a ruídos. Espectro
de Cobertura juntamente com Salto de Freqüência são duas boas maneiras
de evitar e contornar problemas de interferência com agilidade ao invés de
força bruta.
• Segurança em Comunicação
A segurança de comunicação em WirelessHART tem como base:
encriptação, autenticação e integridade. Encriptação garante que a
informação transmitida na mensagem não seja lida por outros dispositivos;
autenticação assegura que o emissor é realmente o emissor; e integridade
assegura que a mensagem foi entregue intacta. WirelessHART fornece
mecanismos para cada uma dessas funções e fornece suporte ao
gerenciamento de chaves de segurança, mudando-as conforme necessário.
• Redundância na Malha de Roteamento
WirelessHART implementa a topologia “Malha Completa” onde cada
dispositivo mantém múltiplos caminhos de comunicação redundantes.
Redundância no roteamento é o ambiente de RF mais utilizado no mundo. As
condições do sinal mudam a todo tempo devido às condições climáticas,
sistemas RF novos ou desconhecidos, mudança de equipamentos ou novas
construções. Uma rede com topologia malha completa, aliada às
características de auto-organização e auto-tratamento, mantém sua
confiabilidade e previsibilidade por um longo tempo.
• Rádios IEEE 802.15.4
WirelessHART utiliza rádios IEEE 802.15.4-2006, que oferecem boa
performance a baixo custo, e rádios interoperáveis são disponibilizados por
vários fabricantes de semicondutores. O padrão IEEE 802.15.4 é também
utilizado por outros padrões de rede sem fio, o que permite constantes
inovações, redução de custos e suporte a uma maior diversidade de
fabricantes.

3.2.2. Confiabilidade de Dados

• Lista Negra
Usando esta técnica, uma banda de freqüência (canal) conhecida por
fornecer interferência persistente pode ser permanentemente omitida. Lista
Negra é um atributo configurável do Gerenciador de Rede localizado nas

[27]
proximidades de outras redes sem fio que estão no mesmo ambiente físico da
rede WirelessHART.
• Redundância de Caminho
A única maneira de uma malha de rede como WirelessHART oferecer alta
confiabilidade de dados é fornecendo caminhos ou trajetos de comunicação
redundantes de dispositivos de campo a dispositivos receptores, como
gateway ou interface de sistema. Para implementar redundância de caminho,
cada dispositivo de campo deve estar dentro do alcance de comunicação de
pelo menos outros dois dispositivos que possam receber suas mensagens e
repassá-las. A Redundância de Caminho não é necessário para uma rede
WirelessHART operar, mas seu uso é altamente recomendado.
Na figura 19, dois caminhos de comunicação distintos podem ser definidos
para cada dispositivo de campo. Portanto, se um dispositivo ou caminho for
interrompido, a comunicação ainda pode ser realizada usando caminho
redundante.

Fig. 19 - Redundância de caminho

3.2.3. Padrão IEEE 802.15.4

O padrão IEEE 802.15.4, é constituído por uma arquitetura compatível com as


normas que regem o grupo 802.15. Sua arquitetura real não apresenta diferença
com as arquiteturas dos padrões anteriores como, por exemplo, as do token ring e
Ethernet. O Hardware do IEEE 802.15.4 fica na camada física e acima desta foi
introduzida à camada lógica conforme mostra a figura 20. O IEEE 802.15.4 pode
operar isoladamente por não precisar de roteamento.

[28]
Fig. 20 - Padrão IEEE802.15.4 no modelo OSI

O IEEE 802.15.4 suporta 4 tipos de quadros: quadro de dados, quadro de ACK,


quadro de comando e quadro Beacon.
Quanto à sua constituição, todos os quadros apresentam a mesma estrutura e
formatos iguais.
Assim, seguindo a lógica, a estrutura do quadro é padronizada por 4 formatos como:
• Formato de quadros de dados
• Formato de quadros do comando MAC
• Formato de quadro de reconhecimento ou Acknoledgment
• Formato do super quadro ou Beacon Frame
Como a mensagem WirelessHART é transmitida dentro do quadro IEEE802.15.4,
nos interessa conhecer apenas a estrutura do quadro MAC e a estrutura do quadro
de dados.
A figura 21 mostra a estrutura básica de um quadro da camada MAC do padrão
IEEE 802.15.4.

Fig. 21 - Estrutura do quadro MAC

O campo dado contém um número de bytes arbitrário, que é transferido


transparentemente do emissor para o receptor ou receptores. A figura 22 mostra a
estrutura desse campo.

[29]
Fig. 22 - Quadro de dados

Esta estrutura é uma das mais básicas e importantes do padrão 802.15.4. Tem
capacidade de transferir até 104 bytes por pacote, o que já é o suficiente, se
tratando de transferência de informações entre sensores. Para garantir a
confiabilidade da entrega dos dados contém um campo com uma numeração
seqüencial dos dados e um campo de Frame Check Sequence (FCS). É dentro
deste quadro que a mensagem WirelessHART é transmitida.

3.3. Arquitetura

Uma rede WirelessHART consiste de um dispositivo de campo WirelessHART, pelo


menos um gateway WirelessHART, e um gerenciador de rede WirelessHART (em
uma rede WirelessHART construída “em cima” de uma rede HART cabeada a
estrutura é a mesma que a WirelessHART nativa, bastando acoplar adaptadores de
rede sem fio nos dispositivos de campo, no gateway e no gerenciador de rede).
Esses componentes são conectados em uma malha de rede sem fio com suporte a
comunicação bi-direcional de um host HART para um dispositivo de campo e vice-
versa.

3.3.1. Gerenciador de Rede

O gerenciador de rede é uma aplicação que gerencia a malha de rede e os


dispositivos que a compõem. O gerenciador de rede executa as seguintes funções:
• Organiza a malha de rede
• Permite que novos dispositivos sejam conectados à rede
• Ajusta a programação da comunicação dos dispositivos
• Estabelece caminhos de dados redundantes para todas as comunicações
[30]
• Monitora a rede
A arquitetura da malha de rede não restringe onde o Gerenciador de Rede deve
residir na rede de automação da planta. O Gerenciador de Rede pode estar
localizado em um dispositivo Gateway ou em outro dispositivo do sistema. Há um
Gerenciador de Rede por malha. Ele também se comunica como Gerenciador de
Segurança para conseguir dados da encriptação e autenticação a fim de manter a
segurança da rede.

3.3.2. Gateway
O Dispositivo Gateway conecta a malha de rede com a rede de automação da
planta, permitindo a troca de dados entre ambos. O dispositivo gateway fornece o
acesso aos dispositivos de WirelessHART por um sistema ou por outra aplicação do
host. A figura 23 mostra um exemplo de rede com gateway.

Fig. 23 - Uso do Gateway

3.3.3. Dispositivos de Campo

O dispositivo de campo pode ser um instrumento conectado a processo, um roteador


ou um dispositivo portátil (handhelds). A rede WirelessHART conecta estes
dispositivos juntos.
Roteador
Um dispositivo usado para melhorar a cobertura de rede (para estender uma rede)
capaz de repassar mensagens de outros dispositivos de rede.
Adaptador WirelessHART
Um dispositivo que permite a um instrumento HART cabeado se conectar a uma
rede WirelessHART, como mostra a figura 24.

[31]
Fig. 24 - Uso de um adaptador WirelessHART

Dispositivos Handhelds
Dispositivos handhelds são usados na configuração, monitoramento e manutenção
dos dispositivos de rede, são portáteis e operados pelo pessoal da planta.
Existem três tipos de dispositivos handhelds:
• Dispositivo handheld HART conectado a loop tradicional
Usado para configuração e instalação inicial dos instrumentos sem fio.
• Dispositivo handheld conectado a WirelessHART (malha)
O dispositivo handheld sem fio é usado para configuração local e suporte a
manutenção de procedimentos. Esse dispositivo se junta a uma malha de
rede existente, e conseqüentemente passa através dos procedimentos de
segurança do WirelessHART, permitindo ao usuário interagir com outros
dispositivos de rede (normalmente um dispositivo conectado a processo).
• Dispositivo handheld conectado a rede de automação da planta
O dispositivo handheld se conecta a rede de automação da planta através de
outra tecnologia de rede WiFi. Esse dispositivo handheld “fala” com
dispositivo WirelessHART através da rede de automação da planta e do
gateway do mesmo jeito que o sistema de controle faz.

3.3.4. Dispositivos de Rede

Um dispositivo de rede é um nó em uma malha de rede. Ele pode transmitir e


receber dados WirelessHART e executar funções básicas necessárias à formação e
manutenção de rede. Dispositivos de rede incluem dispositivos de campo,
roteadores, gateways e handhelds de malha.

[32]
3.3.5. Topologia de Rede

As redes de WirelessHART podem ser configuradas em várias topologias diferentes


para suportar as várias exigências de aplicações existentes, que incluem o seguinte:
• Rede estrela – tem apenas um roteador que se comunica com vários
dispositivos finais. Essa é uma das topologias de rede mais simples.
Uma rede estrela pode ser apropriada para pequenas aplicações.
• Malha de rede – é formada por dispositivos de redes onde todos são
roteadores. As malhas de rede fornecem uma rede com caminhos de
dados redundantes que são capazes de se adaptar às mudanças nos
ambientes de RF.
• Malha de rede estrela – é a combinação da rede estrela com a malha
de rede.

A figura 25 mostra as três topologias de rede WirelessHART.

Fig. 25 - Topologias WirelessHART

3.3.6. Formação da Rede

Um atributo chave de uma rede WirelessHART é a habilidade de se auto-organizar.


Existem três componentes de formação de rede: propaganda, junção e programação
de comunicação.

Propaganda –Um dispositivo que já faz parte da rede pode enviar pacotes
anunciando sua presença na rede. Os pacotes de propaganda incluem informações
de sincronização de tempo e uma ID de rede única. Dispositivos que tentam se
juntar à rede “escutam” esses pacotes e tentam combinar a ID de rede anunciada
com suas próprias; uma vez que a propaganda é “ouvida”, o novo dispositivo pode
tentar se juntar à rede.

Junção – Um dispositivo novo se junta à rede emitindo um pacote de pedido da


junção com um nó de anúncio ao Gerenciador de Rede. Se autenticado, o
Gerenciador de Rede responderá com um pacote de ativação, aceitando o
[33]
dispositivo novo na rede e ajustando os links entre o dispositivo novo e os outros nós
existentes.

Programação – O Gerenciador de Rede solicita informações do dispositivo novo e


como ele exige que os dados sejam enviados através da rede. O Gerenciador de
Rede enviará então uma programação ao dispositivo novo e a todos os roteadores
intermediários com a informação da nova programação.

Uma nova rede começa quando um Gateway (normalmente pedindo ao Gerenciador


de Rede) começa a anunciar. Sendo o primeiro dispositivo na rede, o Gateway
começa sua própria programação, na qual os outros nós mais tarde se sincronizam.

3.4. Aplicações

Instrumentos WirelessHART fornecem o mesmo nível de informação e diagnóstico


remoto do processo que as versões cabeadas (laço 4-20mA). É a independência da
infra-estrutura cabeada que oferece a maior flexibilidade quando comparada à
instalação mais tradicional do laço 4-20mA.
Isto é particularmente útil quando é necessário monitorar o desempenho de
medições críticas para ajudar a aumentar o desempenho da planta, disponibilidade
ou quando a medição atualizada é feita manualmente, pois o custo de conexão e
medição por cabo é alto.
Em WirelessHART é possível trazer a informação disponível em um dispositivos com
fio para um sistema de monitoramento existente por meio de um link sem fio.

3.4.1. Dispositivo de Acesso WirelessHART

As características WirelessHART podem ser acessadas adicionando um adaptador


WirelessHART a instrumentos HART 4-20mA já existente, ou utilizando instrumentos
construídos para WirelessHART, como pode ser visto na figura 26.

Fig. 26 - Acesso WirelessHART com adaptador e integrado

[34]
3.4.2. Aplicações Comuns

Algumas aplicações típicas de WirelessHART podem incluir:


• Monitoramento e Controle de Processos
o Os valores do processo são transmitidos sem fio e podem suplementar
o sinal 4-20mA.
 Instrumentos Multivariáveis
 Medições Ad-Hoc em curto prazo
 Calibragem de Nível de Tanque
 Melhoramento da Infra-estrutura da Planta/Instrumento
 Controle Supervisório e de Processo Não-Crítico
• Gerenciamento de Ativos
o Condições de diagnóstico e manutenção de dispositivo estão
disponíveis ao host
 Suporte ao Dispositivo
 Manutenção
 Diagnóstico
• Saúde-Segurança e Monitoramento Ambiental
o Custo de solução eficaz para medição de saúde-segurança e
condições ambientais
 Detectores de Gás
 Efluência da água
 Emissões de Gás
 Válvulas de Escape
 Armadilhas de Vapor
 Chuveiro de Segurança
Monitoramento de Processo
As aplicações a seguir demonstram como WirelessHART pode ser usado para
fornecer informações do processo ao host. Em todas as aplicações a seguir, é o
valor do processo HART que é transmitido. Entretanto, a escala completa de suporte
ao instrumento e as características de gerenciamento de ativos também estão
disponíveis remotamente.

[35]
Instrumentos Multivariáveis (Fluxo de Coriolis – Pressão MV...)
Instrumentos cabeados (4-20mA) podem reportar uma única variável de processo
sem as vantagens da comunicação HART. Antigamente, o host requisitava módulos
I/O ou dispositivos multiplexadores capazes de passar comandos HART para/de
instrumentos de campo.
A solução WirelessHART contorna a dificuldade do recabeamento e do uso de
armários repetidores e roteadores oferecendo uma rota sem fio alternativa ao host.
O uso de instrumentos WirelessHART nativos fornecem ainda mais flexibilidade nos
casos onde o instrumento pode ser auto-alimentado (isto, naturalmente, depende do
tipo de instrumento e sensor, com respeito aos requisitos de alimentação).

Vantagens
• Adição de acesso a dados multivariáveis a instrumentos individuais como
necessário
• Não há necessidade de recabeamento nos armários de equipamentos para
acomodação dos multiplexadores HART
• Medição primária pode ser mantida via sinal 4-20mA enquanto as variáveis de
processo digitais são acessadas via WirelessHART
• O HOST utiliza comandos HART padrão, aplicações HART e ferramentas
HART para ler as variáveis de processo (Comandos Universais)
• Além da leitura das variáveis de processo remotamente, é possível acessar
todas as funções do dispositivo através dos comandos HART. Isto inclui
mensagens de diagnósticos e configuração de up/download remotamente.
Nos casos em que as medições primárias requerem uma taxa de atualização rápida
(menos de 1 segundo), é preferível que o sinal seja enviado, através de uma
conexão cabeada (4-20mA) ao host e este conectado a um adaptador
WirelessHART para permitir o acesso aos outros valores do dispositivo.
Gerenciamento de Ativos
Dispositivos WirelessHART oferecem o mesmo suporte ao gerenciamento de ativos
que dispositivos HART cabeado. A conexão sem fio oferece acesso a todos os
parâmetros do dispositivo sem a necessidade de fiação paralela no armário de
equipamentos ou outro cabeamento para conectar sistemas que não possuem
interface HART integrada. O mesmo software de gerenciamento de ativos pode ser
usado tanto em dispositivos cabeados quanto em dispositivos sem fio.
Suporte, Manutenção e Diagnóstico de Dispositivos
• Configuração
• Gerenciamento da base de dados

[36]
Um dispositivo sem fio pode ser facilmente configurado remotamente usando uma
aplicação conectada a um Gateway WirelessHART eliminando a necessidade de se
conectar diretamente a um dispositivo de campo através de um dispositivo handheld.
A configuração também pode ser feita por meio de um dispositivo handheld sem fio.
Em adição à configuração, aplicações podem oferecer um gerenciamento de base
de dados para gravar as configurações do dispositivo e rastrear as mudanças que
são feitas ao dispositivo.
Os demais aspectos de Configuração, Integração e Calibração serão vistos no
Capítulo 4.

[37]
Capítulo 4 - Aspectos de Configuração
A seguir serão visto os aspectos comuns tanto ao HART cabeado quanto ao
WirelessHART, uma vez que a diferença entre ambos dá-se apenas no modo de
conexão, com fio ou sem fio. Os equipamentos e procedimentos são adaptados para
corresponder ao tipo de conexão do protocolo.

4.1. Configuração

Há duas maneiras de se configurar um instrumento HART: por meio de um terminal


portátil universal de configuração; ou utilizando um computador rodando uma
aplicação de configuração de instrumento e um modem.

4.1.1. Comunicadores Universais Portáteis

Comunicadores HART portáteis são disponibilizados pelos grandes fabricantes de


suprimentos para instrumentação ao redor do mundo. Usando arquivos de
Descrição de Dispositivo (DD – Device Description), o comunicador pode configurar
completamente qualquer instrumento HART que tenha uma DD instalada. Se o
comunicador não possui a DD para um instrumento específico, é possível se
comunicar e configurar o instrumento utilizando comandos HART universais e
práticos.
Cada instrumento HART possui de 35 a 40 itens padrões registrados, que podem
ser acessados por qualquer comunicador/ferramenta de configuração aprovada.
Esses itens não requerem o uso de uma DD e são responsáveis pela funcionalidade
básica de qualquer instrumento. São os comandos práticos e universais. Para
acessar dados específicos do instrumento, é requerida uma DD atual para que o
comunicador tenha total acesso às informações específicas do instrumento.
A comunicação com instrumento pode ser feita em qualquer loop de controle. Não
precisa ser conectado fisicamente ao instrumento. Em WirelessHART basta que o
equipamento esteja no raio de cobertura do sinal de rádio. A figura 27 apresenta
alguns comunicadores HART.

[38]
Fig. 27 - Comunicadores HART

4.1.2. Configuração de Instrumento Baseada em PC e Gerenciamento


de Ferramentas

Um instrumento HART pode ser configurado por meio de um PC ou laptop utilizando


um software aplicativo e um modem HART. As vantagens do uso do PC são: melhor
visualização da configuração e suporte a mais DDs e configurações do instrumento
devido à maior capacidade de armazenamento de informações. A figura 28 mostra o
esquema de ligação de um terminal handheld em uma rede HART cabeada. Nas
redes WirelessHART basta que o terminal handheld esteja dentro do raio de
cobertura do sinal de rádio.

[39]
Fig. 28 - Exemplo de ligação de um terminal handheld em uma rede Wired HART

Existem diversos fornecedores de softwares aplicativos. É importante atentar para


suas características tais como facilidade de utilização, habilidade de adicionar ou
transferir DDs e funcionalidades gerais.

4.2. Integração

Existem várias maneiras de integrar dados HART aos instrumentos de campo


inteligentes. A figura 29 mostra um esquema de integração de dados.

[40]
Fig. 29 - Integração de dados

4.2.1. Integração Ponto a Ponto

Essa é a maneira mais comum de usar HART. Conectado a cabos 4-20mA, é


possível “interrogar” um instrumento remotamente, conectando-se em qualquer
lugar no loop de corrente a fim de se obter informações de diagnóstico e status do
instrumento.

4.2.2. Integração HART-para-Analógico

Extratores de sinal comunicam-se com instrumentos HART em tempo real para


converter a informação inteligente desses instrumentos em sinal analógico 4-20mA
para a entrada em sistemas de controle analógicos existentes.

[41]
4.2.3. Integração HART-mais-Analógico

Multiplexadores HART facilitam a comunicação com instrumentos HART


substituindo os painéis de I/O existentes. Seu sinal de controle analógico continua
no sistema de controle, mas os dados HART são enviados a um
instrumento/sistema de gerenciamento de ativos que fornece informações de
diagnósticos 24 horas por dia, 7 dias por semana.

4.2.4. Integração Total HART

Uma comunicação contínua entre o instrumento de campo e o sistema de controle


permite detectar automaticamente problemas com os instrumentos, sua conexão ao
processo, ou irregularidades no controle do sinal 4-20mA, de modo que a correção
do problema possa ser realizada antes que haja qualquer problema à operação do
processo.

4.3. Calibração

Todos os instrumentos de campo exigem calibração periódica devido ao modo de


funcionamento dos sensores, das técnicas de medição empregadas e à dinâmica
das variáveis de processo. O processo da calibração consiste em três etapas ou
funções principais, como mostra a figura 30: calibração da variável de processo,
ajuste de escala da variável de processo e a produção/desenvolvimento do sinal do
processo.

Fig. 30 - Etapas de Calibração dos Instrumentos de Campo

A primeira etapa é geralmente referida como bloco do Transdutor e é responsável


por gerar um valor digital exato representando o processo conectado. Nesta etapa,
propriedades como limite superior e inferior do transdutor, ponto de caimento, e
dados de caracterização do transdutor são empregados para gerar esse valor digital.
Em geral, o instrumento de campo é calibrado fornecendo um valor de referência

[42]
traçado próximo aos limites superior e inferior e “aparados” nos cálculos internos a
fim de compensar algum erro.

A segunda etapa é referida como bloco de escala. Nesta etapa os valores superiores
e inferiores da escala são utilizados para produzir o sinal a partir do valor do
transdutor: o valor inferior corresponde ao sinal de 4mA e o valor superior
corresponde ao sinal de 20mA. Além disso, uma função de transferência apropriada
(por exemplo: linear, raiz quadrada, etc.) pode ser aplicada. A função de raiz
quadrada, por exemplo, é usada para aproximar uma medida do fluxo de uma
medida da pressão diferencial. É importante notar a diferença na calibração e na
escala de um instrumento de campo.

A terceira etapa, executada pelo bloco de DAQ, tem como função produzir realmente
o sinal analógico 4-20mA, assegurando que 0% é exatamente igual a 4 mA e 100%
a 20mA. A função mais crítica do instrumento de campo, de uma perspectiva do
sistema, é produzir um sinal que esteja de acordo com sistema de controlo como
correspondente ao valor do processo.

4.4. Linguagem de Descrição de Dispositivo (DDL)

4.4.1. O que é descrição de dispositivo?

Uma Descrição de Dispositivo ou DD é um arquivo eletrônico de dados preparado de


acordo com as especificações da Linguagem de Descrição de Dispositivo que
descreve as características e funções específicas de um dispositivo incluindo
detalhes de menus e características de visualização gráfica a serem usados pelas
aplicações do host (incluindo dispositivos handhelds) para acessarem todos os
dados e parâmetros do dispositivo correspondente. Uma DD é um arquivo de texto
independente do sistema operacional. A DD armazena informações do dispositivo.

4.4.2. DDL – A HTML da Tecnologia de Campo

O protocolo HART opera em ambiente host/escravo onde um instrumento é inquirido


e responde ao host. Todos os dispositivos HART devem ter um conjunto mínimo de
comandos para o seu funcionamento. Esses comandos são chamados Comandos
Universais. Os dispositivos também podem ter comandos opcionais chamados
Comandos Práticos Muitos dispositivos implementam comandos específicos do
fabricante chamados Comandos Específicos do Dispositivo. A DD (Descrição de
Dispositivo) permite o acesso a todos os comandos. Os sistemas host cientes da DD
podem, então usar os dados e mostrá-los como o usuário desejar.

DDL é uma linguagem para descrição de dispositivos. Uma descrição de dispositivo


(DD) é armazenada como um arquivo de texto. Similar a apresentação de HTML que

[43]
é independente do sistema operacional ou navegador, uma DD é exibida com uma
aplicação DD.

Uma DD serve como uma base de informação versátil e pode ser usado para
executar as seguintes tarefas:

Engenharia

• Configuração de redes, gateways e I/Os remotas


• Importar/Exportar dados do dispositivo
• Upload/Download
• Configuração offline
• Comparação de parâmetros
Perfis de Usuário

• Para o engenheiro de manutenção reduzir o acesso aos parâmetros do


dispositivo
• Para o especialista ter total acesso aos parâmetros do dispositivo
• Para perfis de usuário específicos do dispositivo
Gerenciamento e Manutenção

• Ajuste de endereços
• Visualização dos dados do processo
• Simulação
• Ajuste e Calibração
• Configuração online
• Identificação dos dispositivos
Gerenciamento de Ativos

• Estado do dispositivo para manutenção, reparo e remoção por falha

4.4.3. Os componentes de uma DD

A primeira parte de uma DD contém informações sobre o fabricante, o tipo do


dispositivo, a revisão do dispositivo e a revisão da DD. Isto é usado para
identificação e controle da versão. A parte principal contém a descrição da interface
do usuário, os dados e a comunicação.
Descrição da interface com o usuário

O uso da interface com o usuário é definido com menu de descrições, conforme


mostra a figura.

[44]
Fig. 31 - Interface com o usuário

4.4.4. DDL – Uso e Benefícios

Uso de dispositivos que são descritos com DDL


• Indústrias de processos e manufaturas com muitas filiais
• Para manutenção, reparo e remoção de falhas em plantas
• Para grandes instalações e uso único de dispositivo
• Para dispositivos simples e complexos
• Classes de dispositivos
o Sensores (pressão, temperatura, fluxo, nível, análise de líquido e gás)
o Atores (posicionadores, sistemas de gerenciamento de motores,
chaves)
o I/Os remotas
o Gateways com protocolos de comunicação padrão
Benefícios para:
Consumidor

• Unificação
o Interface do usuário
o Guia do usuário
o Suporte a multi-linguagem
o Integração de dispositivo
o Ajuda consistente online ao dispositivo
• Baixo custo para treinamento do usuário
• Segurança de operação
• Disponibilidade a muitos dispositivos
• Proteção do investimento
• Uma única ferramenta para todos os usos e dispositivos
• Validação de todas as entradas
• Qualidade de alto nível
• Baixo custo de manutenção
• Redução dos custos totais

[45]
Fabricante do dispositivo

• Apropriado para dispositivos simples e complexos


o Desenvolvimento eficiente de DD
o Fácil de aprender (o desenvolvedor do dispositivo pode implementar
sua própria DD)
o Pelo uso de DDs, dicionários e padrões já existentes
o Pelo suporte a geração de ajuda online
o A DD e o dispositivo podem ser testados com a aplicação DD
• Proteção do Investimento
o Padrão EDD estável
o Independência de sistema operacional
o Fácil expansão
o Redução de custos

[46]
Capítulo 5 - Conclusão
HART tem como característica principal a transmissão de sinais digitais juntamente
com o sinal analógico, em um único equipamento. Essa característica de
comunicação híbrida, aliada a grande variedade de instrumentos e suplementos
compatíveis com HART, faz deste protocolo uma opção bastante viável no que diz
respeito à migração e atualização de plantas para o padrão de comunicação digital
de campo, sobretudo com o advento das redes sem fio

O HART possibilita aos seus usuários grande parte dos mesmos benefícios
oferecidos por outros padrões (como Fieldbus, por exemplo), ao mesmo tempo em
que mantém a compatibilidade e a familiaridade com os sistemas existentes de 4-20
mA. O HART permite os benefícios econômicos da comunicação remota, a
flexibilidade e a precisão da comunicação de dados digital, o diagnóstico dos
instrumentos de campo e o uso de poderosos instrumentos com múltiplas variáveis,
sem que haja a necessidade de trocar sistemas inteiros, nem mesmo em
WirelessHART, uma vez que ele é totalmente compatível com o padrão cabeado,
devido à possibilidade de uso e configuração adaptados.

Com base no que foi visto ao longo deste documento, podemos inferir que HART
torna-se uma boa opção de migração/atualização, uma vez que possibilita que
plantas e projetos baseados em sistemas analógicos 4-20mA façam uso das
vantagens do maior controle das variáveis e funções do instrumento, que o controlo
digital de instrumentação oferece, sem que seja necessário trocar todos os
equipamentos, abrindo espaço, inclusive para a nova – e poderosa – tendência que
é a comunicação sem fio, permitindo a integração de outros equipamentos, como
PDA’s, Smartphones, Laptops, reduzindo custos e facilitando a manutenção da
planta.

É importante ressaltar que as “vantagens” do uso do protocolo HART dependem do


tipo do projeto em questão. A relação custo x benefício da implantação de HART em
um sistema analógico já existente é diferente da implantação de um novo projeto,
partindo do “zero”. Neste caso, outras tecnologias de comunicação digital devem ser
consideradas.

[47]
Referências Bibliográficas
[1] SMAR – Protocolo de Comunicação HART®Tutorial HART® -
http://www.smar.com/brasil2/hart.asp

[2] BOWDEN, Romilly, Romilly's HART® and Fieldbus Web Site -


http://www.romilly.co.uk

[3] HART® Communication Foundation - http://www.hartcomm2.org/index.html

[4] OLIVEIRA, Luiz Affonso H Guedes de; http://www.dca.ufrn.br/~affonso/

[5] VUNDA, Flávio José, 2005, “Protocolo de Comunicação IEEE 802.15.4 e


ZIGBEE”; http://www.pucrs.br/feng/tcc/eletrica/2005_1_168_trabalho.pdf

[48]